INSTITUTO SUPERIOR DE TRANSPORTES E
COMUNICAÇÕES
ÓRGÃOS DE MÁQUINAS I
Aula 14
LIGAÇÕES ROSCADAS
Eng.º Mazoca
ÓRGÃOS DE MÁQUINAS I
TÓPICOS
▪ 4. LIGAÇÕES ROSCADAS
• Teoria do par roscado
LIGAÇÕES ROSCADAS
❖Relação entre o momento na porca e a força axial no parafuso
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TEORIA DO PAR ROSCADO
• Relação entre o momento na porca e a força axial no
parafuso
Dada uma força axial Fnecessária = F, o
LIGAÇÕES ROSCADAS
parafuso, podem ser distinguidos alguns
fenómenos a ela associadas, tais como:
→surgimento de forças de atrito entre
filetes
→surgimento de forças de atrito na face da
porca
→surgimento de forças devidos à inclinação dos filetes
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TEORIA DO PAR ROSCADO
• O momento torsor de aperto, Tap deve
ser suficientemente grande para vencer
todas as resistências que surgem.
LIGAÇÕES ROSCADAS
• O momento de aperto é aplicado pela
chave. Em particular, este momento deve
superar os momentos devidos às forças
de atrito na face da porca 𝑻𝐟 e o
momento na rosca 𝑻𝒓 :
𝑻𝒂𝒑 = 𝑻𝒓 + 𝑻𝒇 (𝑟𝑜𝑠 3)
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TEORIA DO PAR ROSCADO
𝑻𝒂𝒑 = 𝑻𝒓 + 𝑻𝒇
• 𝑻𝒂𝒑 – é o momento torsor de aperto, na chave
LIGAÇÕES ROSCADAS
• 𝑻𝒓 – é o momento torsor na rosca
• 𝑻𝒇 – é o momento torsor na face da porca
• Pode-se aproximar o raio das forças de atrito na face da porca à metade do
diâmetro médio da área de contacto entre a porca e a face da peça apertada.
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TEORIA DO PAR ROSCADO
• Assim, o momento torsor das forças de atrito na face da porca é dado por:
𝑫𝟏 +𝑫𝒇𝒖𝒓𝒐
𝑻𝒇 = 𝑭 ∗ 𝒇 ∗ 𝑹𝒎𝒆𝒅 = 𝑭 ∗ 𝒇 ∗ (𝑟𝑜𝑠 4)
LIGAÇÕES ROSCADAS
𝟐×𝟐
• A fórmula pode ser representada como 𝑇𝑓 = 0,5 ∗ 𝐹 ∗ 𝑓 ∗ 𝐷𝑚𝑒𝑑
• 𝐷1 – Diâmetro externo da face de apoio da porca
• 𝐷𝑓𝑢𝑟𝑜 – Diâmetro do furo para o parafuso
• 𝑓 – coeficiente de atrito na face da porca
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TEORIA DO PAR ROSCADO
• Para analisar o momento das forças na rosca, idealiza-se a porca como um
elemento deslizando por um plano inclinado, no sentido ascendente. O plano
inclinado representa o filete do parafuso.
LIGAÇÕES ROSCADAS
Fig. 20 – porca num plano inclinado
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TEORIA DO PAR ROSCADO
• Dos conceitos da disciplina Teoria de Máquinas e Mecanismos, é
sabido que na presença de uma força de atrito, a força resultante do
sistema de forças Fn inclina-se da direcção normal às superfícies de
LIGAÇÕES ROSCADAS
contacto n-n, no valor do ângulo de atrito 𝜑.
• Esta força resultante Fn é composta pela força axial F (força de aperto) e
pela força tangencial Ft na rosca, dada por:
𝟐 ∗ 𝑻𝒓
𝑭𝒕 =
𝒅𝟐
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TEORIA DO PAR ROSCADO
𝑻𝒓 - momento na rosca, que é o momento “activo” da chave, igual à
diferença 𝑻𝒂𝒑 − 𝑻𝒇 . Este momento tende a fazer subir o elemento da porca
pelo filete do parafuso, contrariando a acção conjunta das forças de atrito na
LIGAÇÕES ROSCADAS
rosca e da componente da força de aperto que tende a causar o
deslizamento descendente.
Da Figura 20 e com uma aproximação razoável, deduz-se que:
𝑭𝒕 = 𝑭 ∗ 𝒕𝒈(𝝋 + 𝝍) ou
𝑻𝒓 = 𝟎, 𝟓 ∗ 𝑭𝒕 ∗ 𝒅𝟐 = 𝟎, 𝟓 ∗ 𝑭 ∗ 𝒅𝟐 ∗ 𝒕𝒈 𝝋 + 𝝍 (𝑟𝑜𝑠 5)
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TEORIA DO PAR ROSCADO
• 𝜑 = 𝑎𝑟𝑐𝑡𝑔𝑓𝑟𝑒𝑑 – é o ângulo de atrito na rosca, que incorpora o efeito da
inclinação do perfil do filete
• 𝜓 – é o ângulo de subida da rosca
LIGAÇÕES ROSCADAS
• Somando as componentes da fórmula (ros3) obtidos nas fórmulas (ros4),
tem-se:
𝑫𝒎𝒆𝒅
• 𝑻𝒂𝒑 = 𝟎, 𝟓 ∗ 𝑭 ∗ 𝒅𝟐 ∗ ∗ 𝒇 + 𝒕𝒈 𝝋 + 𝝍 (ros 6)
𝒅𝟐
• Para o desaperto da porca, a força de atrito muda de sentido e passa a ser
contrária ao movimento descendente. O mesmo acontece com a força
tangencial. Assim:
• 𝐹𝑡 = 𝐹 ∗ 𝑡𝑔 𝜑 − 𝜓 (ros 7)
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TEORIA DO PAR ROSCADO
• O momento de desaperto será, portanto, a soma do momento na face da
porca e o momento na rosca, na qual o efeito da força axial tem sinal
contrário ao da força de atrito. Por analogia com a fórmula acima escreve-
se:
LIGAÇÕES ROSCADAS
𝑫𝒎𝒆𝒅
• 𝑻𝒅𝒆𝒔 = 𝟎, 𝟓 ∗ 𝑭 ∗ 𝒅𝟐 ∗ ∗ 𝒇 + 𝒕𝒈 𝝋 − 𝝍 (ros 8)
𝒅𝟐
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TEORIA DO PAR ROSCADO
Destas relações podem ser feitas as seguintes conclusões:
1. Da fórmula (ros6) pode-se calcular a relação entre a força de aperto entre
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as peças F e a força na chave 𝐹𝑐ℎ , exercida pela mão do(a) operador(a),
ou seja 𝐹 Τ𝐹𝑐ℎ . Para as roscas métricas padronizadas e para chaves com
comprimentos normalizados, 𝑙 ≈ 15 ∗ 𝑑 e para coeficiente de atrito na
face da porca 𝑓 ≈ 0,15, tem-se 𝐹 Τ𝐹𝑐ℎ ≈ 70 … . . 80.
2. Na haste do parafuso não só surge a força de estiramento F como também
um momento torsor na rosca 𝑇𝑟 o que cria um estado de tensão duplo.
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TEORIA DO PAR ROSCADO
Auto-frenagem e rendimento dos pares roscados
A auto-frenagem ou auto-travamento é uma característica que significa a
LIGAÇÕES ROSCADAS
"ausência de desaperto espontâneo" da ligação roscada. Para fins de
análise, esta condição de auto-frenagem pode ser expressa como a
"necessidade de uma influência externa para causar o desaperto", ou seja,
que o momento de desaperto da ligação roscada deve ser positivo: 𝑇𝑑𝑒𝑠 >
0. Esta condição pode ser analisada com a ajuda da fórmula (ros8), sem
considerar o atrito na face da porca, já que algumas roscas são usadas sem
porcas.
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TEORIA DO PAR ROSCADO
Auto-frenagem e rendimento dos pares roscados
• A presença da porca aumenta a frenagem da ligação mas não corresponde
ao caso mais crítico na frenagem das roscas.
LIGAÇÕES ROSCADAS
• Reescrevendo a fórmula (ros 8) tem-se:
• 𝑇𝑑𝑒𝑠 = 0,5 ∗ 𝐹 ∗ 𝑑2 ∗ 𝑡𝑔(𝜑 − 𝜓)
• onde a componente do atrito na face da porca foi omitida. Daqui vê-se que
o momento de desaperto só é positivo se 𝑡𝑔(𝜑 − 𝜓) for positivo:
𝑡𝑔(𝜑 − 𝜓) > 0 ou 𝜑 > 𝜓 (ros 9)
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TEORIA DO PAR ROSCADO
Auto-frenagem e rendimento dos pares roscados
• Por outras palavras, o ângulo de atrito deve ser maior que o ângulo de
subida dos filetes da rosca. Para as roscas de fixação o ângulo de subida
LIGAÇÕES ROSCADAS
dos filetes da rosca 𝜓 tem valores entre 2°30' e 3º30'. O ângulo de atrito
varia entre os limites 6º (para f≈0,1) e 16º (para f≈0,3).
• Tal como se pode inferir, as roscas de fixação são auto-frenadas (quando
as cargas aplicadas são estáticas). As roscas de transmissão tanto podem
ser auto-frenadas como não.
• A condição de auto-frenagem para as roscas de fixação é garantida para
cargas estáticas.
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TEORIA DO PAR ROSCADO
• Quando há vibrações significativas e cargas muito variáveis verificam-se
micro-deslocamentos entre as superfícies de atrito (por exemplo, causadas
pela deformação elástica radial da porca e da haste do parafuso). Por isso,
o coeficiente de atrito reduz significativamente, até 0,02 ou menos. Isto
LIGAÇÕES ROSCADAS
viola a condição de auto-frenagem e provoca o desaperto espontâneo.
• Quando as roscas são auto-frenadas só é possível transmitir o movimento
do parafuso para a porca e não desta para o parafuso.
• Para roscas que não são auto-frenadas também é possível transmitir o
movimento da porca para o parafuso. O rendimento, em geral, é uma
grandeza que expressa a fracção da energia total que se aproveita para
realizar trabalho útil:
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TEORIA DO PAR ROSCADO
𝐸𝑢𝑡𝑖𝑙 𝑃𝑢𝑡𝑖𝑙 𝑇𝑢𝑡𝑖𝑙 𝑇𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 − 𝑇𝑝𝑒𝑟𝑑𝑎𝑠
𝜂= = = =
𝐸𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑃𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑇𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑇𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙
Como as componentes da energia (ou potência) são distinguidas em “útil” e “de
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perdas” e as perdas são por atrito, o rendimento pode ser avaliado comparando
as grandezas energéticas sem e com inclusão do efeito do atrito. Usando a
formula (ros6) e notando que torque útil 𝑇′𝑎𝑝 corresponde à ausência de atrito,
ou seja, à condição 𝜑 = 0 para 𝑓 = 0 tem-se:
𝑻′𝒂𝒑 𝒕𝒈𝝍
•𝜼= = 𝑫𝒎𝒆𝒅 (ros 10)
𝑻𝒂𝒑 ∗𝒇+𝒕𝒈(𝝋+𝝍)
𝒅𝟐
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TEORIA DO PAR ROSCADO
• Visto que, para a análise corrente, só se tem em vista o rendimento da
rosca, pode-se eliminar a componente referente ao atrito na face da porca,
ou seja,𝑇𝑓 = 0:
𝒕𝒈𝝍
LIGAÇÕES ROSCADAS
𝜼= (ros 11)
𝒕𝒈(𝝍 + 𝝋)
• Analisando a última fórmula do rendimento vê-se que para as roscas auto-
frenadas, nas quais 𝜓 < 𝜑, o rendimento é inferior a 0,5.
• Para melhorar o rendimento deve-se aumentar 𝜓 e/ou diminuir 𝜑 . Na
prática, o aumento do ângulo de subida da rosca 𝜓 é conseguido fazendo
roscas com entradas múltiplas.
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TEORIA DO PAR ROSCADO
Em geral, 𝜓 não ultrapassa 20…25º pois, acima destes valores, o rendimento
deixa de crescer significativamente e a rosca torna-se mais difícil de fabricar.
A redução do ângulo de atrito 𝜑 é conseguida por meio de:
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• uso de materiais anti-fricção;
• maquinagem esmerada (rectificação, polimento, etc.);
• lubrificação adequada;
• provisão de corpos rolantes sob a face da porca ou na extremidade de
apoio dos parafusos, e uso de roscas de rolamento, que têm canais para
esferas em vez de saliências dos filetes.
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TEORIA DO PAR ROSCADO
Nas roscas de transmissão, o coeficiente de atrito reduz com o aumento da
velocidade de deslizamento, em condições de atrito de fluido.
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PRÓXIMA AULA
▪ 4. LIGAÇÕES ROSCADAS
• Teoria do par roscado
LIGAÇÕES ROSCADAS
❖ Distribuição da carga axial do parafuso pelos filetes da rosca
❖ Cálculo da resistência mecânica das roscas
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LIGAÇÕES POR SOLDADURA
PRÓXIMA AULA
OBRIGADO!
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