2024
Trabalho de
criminologia
JÚRI E CRIMES DOLOSOS CONTRA A VIDA (DESAFIOS)
DUDA
O que é o Júri: Tribunal encarregado de julgar os crimes dolosos contra a vida
Quais crimes são avaliados: São 4 crimes julgados nessa competência: Homicídio doloso,
Induzir ou instigar ao suicídio, infanticídio e aborto.
Como funciona o Júri: O júri é feito a partir de um conselho selecionado através de um
sorteio (tendo no mínimo 15 jurados) com listas gerais e gerenciado por um juiz de direito togado. O
tribunal do júri pode ser considerado bifásico ou como um procedimento escalonado por não ter
somente uma fase. 1ª fase - juízo de acusação. Nessa fase o objetivo é identificar se o crime
apontado na acusação deve ser julgado pelo Tribunal do Júri. Essa fase se inicia com o oferecimento
da denúncia ou queixa e termina com a sentença de pronúncia, impronúncia, desclassificação ou
absolvição sumária.2ª fase - juízo da causa. Trata-se da fase de julgamento, pelo Júri, da acusação
admitida na fase anterior. Começa com o trânsito em julgado da sentença de pronúncia e se encerra
com a sentença do Juiz Presidente do Tribunal Popular.
Como se forma o conselho: O conselho é gerado por um sorteio feito com listas gerais,
predominantemente funcionários públicos, no qual quem é convocado deve apresentar uma
justificativa caso não possa comparecer e não é possível negar se não for justificado. Caso a
convocação seja nega, ou ignorada, a multa equivale entre 1 (um) a 10 (dez) salários mínimos, isso
fica a critério do juiz presidente (responsável pelo júri). Algumas justificativas aceitas são aquelas de
cunho político, religioso ou filosófico como previsto na lei:
“(Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). Art. 442. Ao jurado que, sem causa legítima,
deixar de comparecer no dia marcado para a sessão ou retirar-se antes de ser dispensado pelo
presidente será aplicada multa de 1 (um) a 10 (dez) salários mínimos, a critério do juiz, de acordo
com a sua condição econômica.”
Sentença: A sentença é definida por uma das seguintes classificações:
a) Pronuncia: O juiz, ao decidir pronunciar o acusado, admite a imputação feita e a
encaminha para julgamento e ocorre quando o juiz presidente se convence da
materialidade do fato.
b) Impronuncia: A impronuncia se baseia em não prosseguir com julgamento perante ao
tribunal do júri porque o juiz não se convenceu da existência do fato (crime) ou porque
não há indícios suficientes de autoria ou participação
c) Desclassificação: A desclassificação ocorre quando juiz determina que aquele não é um
crime contra a vida, sendo assim, não é da competência do tribunal do júri.
d) Absolvição sumaria: Quando for provado que o réu não participou ou não é o autor do
fato ou a materialidade do fato ser inexistente.
Desafios do Tribunal do Júri:
Um dos grandes desafios do tribunal do júri, que é alvo de questionamento, é a
demora dos julgamentos. Não há uma única justificativa específica, a demora é ocasionada
por diversos fatores. Um exemplo deles é o fato de o tribunal do júri ser bifásico, ou seja, ter
mais de uma fase, isso acaba atrasando o prazo de conclusão de alguns casos por ser um
procedimento longo. No tribunal do júri coisas simples podem acabar prolongando o prazo,
além da divisão em duas fases, como por exemplo a estratégia mal elaborada de um
advogado, como no caso de fazer repetidos pedidos de liberdade ao juiz titular da ação,
antes mesmo de designar a audiência.
Outro alvo de críticas em relação ao sistema do tribunal do júri é a anulação de casos
devido a questões formais. Um bom exemplo ocorreu em 2020 no qual, o Tribunal de Justiça
de Minas Gerais anulou um processo realizado pelo tribunal de Belo Horizonte pois o juiz
havia permitido a inclusão de prova ilícita no processo, o que prejudicou a defesa do réu. O
artigo 5º da Constituição Federal em seu inciso LVI menciona que “são inadmissíveis no
processo, as provas obtidas por meios ilícitos”. É interessante lembrar que estas provas
ilícitas foram reconhecidas como a teoria dos “frutos da árvore envenenada” pela Suprema
corte Norte Americana, que afirma que segundo o qual o vício da planta se transmite a todos
os seus frutos.
Formalismo exagerado, que de forma resumida é exigências desnecessárias
evidenciadas pela Administração, também é algo não só analisado como também é julgado
uma vez que O excesso de formalismo descaracteriza os objetivos que são buscados e o
intuito que o legislador muitas vezes estipulou nas normas processuais.
Outro desafio que está relacionado ao tribunal do júri é a mídia e como ela influência
nas decisões do júri. É inegável a influência da mídia nas últimas décadas, principalmente
quando temos em vista os canais midiáticos atualmente. O problema começa quando essa
influência é usada para manipular a opinião popular ou opinião pública, que é vista como “o
juízo coletivo adotado e exteriorizado no mesmo direcionamento por um grupo de pessoas
com expressiva representatividade popular sobre algo de interesse geral. No caso do tribunal
do júri, a mídia atrapalha em grande parte das vezes por propagar a desinformação ou
comprometer direitos e garantias fundamentais e invioláveis dos cidadãos, ao expor
incessantemente os envolvidos em crimes de grande repercussão e influenciar e manipular
as decisões das pessoas nos casos em que estas, através do Tribunal Popular, decidem o
futuro de seus pares com base nas informações veiculadas pela mídia. Mesmo com todo o
cuidado para os jurados não serem influenciados, a mídia muitas vezes acaba fazendo isso
antes do processo.
Tribunal do júri e a mídia (caso da boate Kiss): A tragédia da Boate Kiss, ocorrida em 27 de
janeiro de 2013 e julgada em dezembro de 2021, teve um novo capítulo e uma reviravolta
com a anulação do júri pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, reacendendo a
problemática da observância dos ritos e da relativização das nulidades ocorridas durante um
julgamento, porém, é notória a presença da mídia nesse caso que, além de influenciar a
opinião daqueles que foram chamados ao longo dos anos em que o processo permaneceu em
aberto, sem a ritualística, acaba por comprometer a imparcialidade e o processo como
instituição jurídica e é abstraído para dar lugar a um arremedo de julgamento, que satisfaz a
urgência midiática, mas reduz a confiança da Justiça.
Bibliografia:
De Lima, Renato Sérgio. Título: crime, polícia e justiça no brasil. Edição 1ª. editoracontexto, 1
de janeiro 2014.
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