Teste
16 de novembro de 2024 15:56
2.2. Descartes e a resposta racionalista
O fundacionalismo cartesiano
Descartes é um fundacionalismo racionalista, este considera que o conhecimento tem um
fundamento racional e que a razão é a fonte de justificação última das nossas crenças.
O principal objetivo de Descartes era provar que os céticos estavam enganados quando negavam
possibilidade do conhecimento.
Assim procurou demonstrar que há crenças justificadas e que o conhecimento é possível.
Preocupava-o a solidez do conhecimento: queria obter conhecimentos seguros acerca da natureza
da realidade. Considerava que o saber do seu tempo estava assente em princípios frágeis e em
conclusões diferentes. Com tal, era preciso reconstruir o sistema do saber do seu tempo. Precisa por
isso de encontrar um ponto de partida sólido, do qual ninguém fosse duvidar.
A dúvida metódica
Descartes pensa ter descoberto um metódico infalível e simples para pôr á prova todas as nossas
crenças: a dúvida. Todas as nossas crenças terão de ser submetidas á duvida e só serão aceites
como justificadas se passarem no teste da dúvida.
O objetivo é encontrar crenças indubitáveis ( de que não seja possível duvidar) e fundacionais: que
sirvam de fundamento a todas as outras.
O ato radical da dúvidas permite que o entendimento humano se liberta de todas os preconceitos e
falsas de crenças que acumulou durante a vida.
Descartes consegue provar que não há regressão infinita da justificação e que os céticos estão
errados.
Qual a importância da dúvida no sistema cartesiano?
a) Permite-nos alcançar o conhecimento verdadeiro
b) Permite-nos considerar como falsas todas as coisas que se pode duvidar
Características da dúvida
• É metódica; porque usada sempre, é um meio para alcançar o verdadeiro conhecimento e
evitar o erro.
• É provisória; é abandonada uma vez alcançada o objetivo de encontrar crença fundamentais.
• É universal; todas as crenças são submetidas à dúvida (a posteriori e a priori)
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• É universal; todas as crenças são submetidas à dúvida (a posteriori e a priori)
• É hiperbólica; porque é exagerada. Leva a supor que é falso tudo o que possa suscitar a mais
pequena dúvidas
Submissão das crenças ao teste da dúvida
metódica
Descartes decide analisar os princípios fundamentais de cada um dos domínios do conhecimento.
Se esses princípios se revelaram falsos, também as crenças que neles se baseiam serão rejeitadas.
Crenças a posteriori
Conhecimento a posteriori; aquele que adquirimos recorrendo á experiência- informação que
obtemos a partir dos sentimentos.
As crenças a posteriori são as primeiras a serem submetidas ao teste da dúvida.
Descartes começa por aceitar o argumento cético da ilusão: os sentidos já nos enganaram algumas
vezes, assim não passam no teste da dúvida.
Temos portanto de ser cautelosos ao confiar na experiência sensorial como fonte de verdade ou de
justificação das nossas crenças.
As crenças a posteriori não pode ser o fundamento do conhecimento, já que não são indubitáveis.
Argumento do sonho
De acordo com Descartes, podemos consentir em sonhos às mesmas coisas que
consentimos quando estamos acordados.
O que leva a concluir que "vigília e sono nunca se podem distinguir por sinais
seguros" assim, quando estamos a sonhar, podemos pensar que "em coisas tão habituais,
como que estou aqui, com roupão vestido, sentado á lareira, quando todavia, estou
estendido na cama despido".
Logo alguns sonhos são tão vívidos que não é possível distingui-los das perceções
que temos enquanto estamos acordados. Nunca podemos ter a certeza absoluta de não
estar a sonhar enquanto julgamos estar a percecionar objetos.
Crenças a priori
Conhecimento a priori; aquele que adquirimos recorrendo apenas ao pensamento/ razão e é
independente da experiência sensorial.
Descartes submete as crenças a priori ao teste da dúvida metódica, e conclui que parece não ser
possível duvidar destas crenças.
Hipótese do génio maligno
É uma experiência mental através do qual Descartes imagina que existe uma espécie de deus
enganador, cuja única intenção seria enganar o ser humano em tudo.
Esse génio poderia manipular as nossas perceções, fazendo-nos acreditar em coisas que não são
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Esse génio poderia manipular as nossas perceções, fazendo-nos acreditar em coisas que não são
verdadeiras, inclusive nas verdades matemáticas, nas sensações e na existência do mundo exterior.
A função dessas hipóteses é levar a dúvida ao extremo, questionando até mesmo as certezas mais
básicas. Descartes utiliza essa suposição para testar se existe algo que possa resistir a essa dúvida
radical.
Por mais que o gênio maligno tente enganá-lo, Descartes percebe que não pode duvidar do facto de
que está a duvidar. O pensamento ("Penso, logo existo") torna-se a primeira certeza inabalável,
pois, para ser enganado, ele precisaria existir.
Cogito
Depois de colocar tudo em dúvida Descartes chega á primeira verdade que procurava : "Penso, logo
existo".
Este princípio resulta do próprio ato de duvidar ao duvidar esta a exercer uma to de pensamento, e
ao pensar tem de existir.
A clareza e distinção do cogito é a prova de que existe um eu pensante (Res cogitans)
O cogito cartesiano é como tal;
• Uma crença fundacional, refutando-se assim o argumento da regressão infinita pois esta é
uma crença básica autojustificada
• Uma crença indubitável, pois não conseguimos duvidar da sua verdade.
• Uma crença racional e a priori, pois foi descoberta através de intuição racional e não de
dedução.
• Uma evidencia que se impões ao pensamento como absolutamente clara e distinta.
• Uma substancia pensante (res cogitans), distinta e independente da existência de corpo (res
extensa). A distinção alma corpo é uma verdade descoberta por dedução a partir do cogito.
Deus existe
Argumento ontológico
O argumento apresentado por Descartes conclui que Deus existe porque a "existência necessária e
eterna está compreendida na ideia de um ser totalmente perfeito"
Deus existe porque "a necessidade de existir está compreendida na noção que temos dele". A
existência de Deus é necessária, porque a sua existência está contida na sua essência.
O argumento ontológico é um argumento a priori. Porquê?
-Porque não precisamos de nos basear na experiência (conhecimento a posteriori) para
perceber o argumento que é todo construído pelo pensamento (a priori).
Argumento da marca impressa
O cogito tem em si a ideia de perfeição, que é uma ideia inata, colocada na sua mente por Deus,
como a marca de um artista impressa na sus obra.
Argumento da causa existência
O cogito como ser imperfeito, finito e contingente, não pode ser a causa de si mesmo do que se
conclui que Deus existe e é a causa criadora e conservadora da ideia de cogito.
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conclui que Deus existe e é a causa criadora e conservadora da ideia de cogito.
Três tipos de ideias
Descartes distingue três tipos de ideias:
-Inatas ; já nascem connosco e são descobertas racionalmente.
-Adventícias; têm origem na experiência sensível
-Factícias; são ideias fabricadas pela imaginação
Deus como o princípio fundante de toda a verdade e
de toda a realidade
Depois de provar a existência de Deus, Descartes ficou preso ao solipsismo: a um sujeito isolado
que pensa e as suas ideias.
As provas a favor de Deus resolveram este problema. Quebra-se o solipsismo, a clausura em que o
cogito estava mergulhado.
Demonstrada a existência de Deus, afasta-se a hipótese do génio maligno.
Deus é a garantia de tudo aquilo que concebemos clara e distintamente. É o princípio fundante da
verdade objetiva e de toda a realidade.
Críticas a Descartes
O cogito nada me diz quanto ao que sou
O cogito "nada diz quanto ao que sou, exceto que sou uma coisa pensante"
As conclusões do cogito poderão ser mais limitadas do que aquelas que Descartes retirou.
A expressão "Eu penso" não prova a existência de sum sujeito pensante. Do cogito apenas podemos
concluir "Há pensamentos" e nada mais.
Cogito
↓
Só podemos concluir "Há pensamentos"
↓
Do facto de haver pensamentos não se conclui que tem
de haver um pensador
↓
É duvidoso concluir "Eu penso, logo existo"
Círculo cartesiano
Descartes cometeu a falácia da petição de principio ao usar o critério da evidencia para provar a
existência de Deus e simultaneamente usar Deus para fundamentar o citério da evidência.
O raciocínio é circular: para saber que as ideias claras e distintas são verdadeiras, deus tem de
existir; no entanto, para saber que Deus existe, tem de se ter primeiro a ideia clara e distinta da sua
existência.
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2.3 Hume a resposta empirista
A crítica a Descartes
David Hume descorda com Descartes e vai rejeitar os seus pressupostos e defender que é apenas
pela experiência que adquirimos algum conhecimento do mundo.
O conhecimento é possível; a experiência é a fonte de justificação últimas das nossas crenças.
O conteúdo da mente
Segundo David Hume, o ponto de partida para o conhecimento são as perceções, que são tudo o
que temos na nossa mente.
As perceções podem ser de dois tipos;
- Impressões
- Ideias
Impressões e ideias
As impressões e as ideias distinguem-se pelo grau de força ou de vivacidade.
As impressões ou as sensações são as perceções mais vivas e fortes, podem ser:
- Externas; obtidas pelos dados dos sentidos (audição, visão, tato, olfato, paladar)
- Internas; são as emoções (alegria, medo, etc…)
As ideias ou pensamentos são as cópias das impressões e, como tal, menos vivas e menos intensas,
estas são produto da memória ou da imaginação.
Todas as nossas ideias derivam de impressões, mesmo as mais abstratas. Todas as nossas ideias
têm uma correspondência com impressões, o que significa que não existem ideias inatas.
O poder da imaginação
As impressões podem ser simples e complexas
Simples;
- Quando não podem ser decompostas, logo não admitem separação.
Complexas;
- Quando podem ser decompostas, logo podem ser decomposta em partes
O mesmo acontece com as ideias.
Ideias simples;
- Derivam das impressões
○ Ex: Ideia de verde (impressão visual de verde)
Ideias complexas;
- Resultam da combinação pela imaginação de várias ideias simples
Ex: Montanha de oiro
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○ Ex: Montanha de oiro
Associação de ideias
A capacidade de associar ideias rege-se por leis, nomeadamente: a semelhança- se dois objetos se
assemelham, então a ideia de um objeto conduz à ideia de outro objeto.
A contiguidade no tempo e no espaço- quando duas ideias são próximas no tempo e no espaço, a
consideração de uma delas lembra a consideração da outra.
A causalidade- a consideração de dois objetos o acontecimentos como estando ligados, sendo um a
causa e outro o efeito.
Semelhança A pintura corporal de um papagaio faz lembrar o papagaio original.
Contiguidade Pensar na minha festa de aniversário faz-me recordar a decoração,
no tempo e no espaço o bolo, os convidados, etc.
Relação entre causa e Ao recordar uma pessoa ferida também penso na dor que ela deve ter
efeito sentido(causa: ferida; efeito: dor)
Relação de ideias e questões de facto
Tipos de conhecimento
Relação de ideias; conhecimento a priori
- Conhecimentos obtido pela indução ou demonstração
- Conhecimento a priori: a sua verdade não depende do confronto com a experiência.
- Conhecimento evidente e certo, negá-lo implicaria contradição.
- Nada nos diz sobre o mundo.
- Exemplo: as verdades matemáticas: "6+6= 12","O quadrado tem quatro lados.", "Todos os
objetos amarelos são coloridos", "Ser solteiro não é ser casado"
Questões de facto; conhecimento a posteriori
- Conhecimentos que decorrem da experiência
- Conhecimento a posteriori: a sua verdade depende da experiência sensível
- O conhecimento de questões de facto expressa verdades contingente (que poderiam ter sido
falsas); negá-las não implica contradição.
- Dão-nos conhecimento sobre o mundo.
- Exemplo: "A camisola do João é verde.", "O copo está meio cheio.", "A neve é branca.", "Todos
os cisnes são brancos."
Princípio da causalidade e o problema da indução
Princípio da causalidade; princípio que defende que o acontecimento de algo é sempre precedido
por uma causa e que existe uma conexão necessária entre uma causa e o seu efeito.
Conexão necessária
A ideia de conexão entre dois acontecimentos não é resultado de qualquer impressão; o que
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A ideia de conexão entre dois acontecimentos não é resultado de qualquer impressão; o que
verificamos é uma conjunção constante entre os acontecimentos, o que nos leva a considerar que
há uma relação de causalidade entre eles.
Conjunção constante → conexão necessária
↓
Não é resultante de qualquer impressão, mas sim do hábito
Impressão A → Impressão B → Conjunção constante
O costume ou o hábito
O costume ou hábito é o grande guia da vida humana
"Sem a influencia do costume seriamos plenamente ignorantes em toda a questão de facto para
além do que está imediatamente presente á memória e aos sentidos"
Ex: Sempre o sol nascer e tenho por hábito esperar que o Sol nasça todos os dias, pelo que concluo
que o sol nasce todos os dias.
Mas eu não possuo conhecimento para acreditar que o sol vai nascer todos os dias, isto é resultado
do costume.
A uniformidade da natureza
O raciocínio indutivo tem por base o Princípio da uniformidade da natureza, isto é, parte do
pressuposto de que a natureza é uniforme e regular, comportando-se sempre da mesma maneira e
de que o futuro se assemelhará ao passado.
A nossa crença de que a natureza é uniforme baseia-se no que temos observado até aqui, ou seja
baseia-se numa indução. A nossa justificação torna-se assim circular acabando por não se justificar
nada.
Hume considera que a crença na uniformidade da natureza e no hábito útil para a nossa vida é
importante pois caso contrário esta seria caótica.
O Eu
Para David Hume a nossa ideia de Eu resulta de um conjunto de impressões particulares que nunca
experimentamos simultaneamente e que não permanecem.
A ideia de um Eu imutável e permanente é uma ideia complexa produto da imaginação.
A ideia de Deus
Hume afirma que a ideia de Deus é um ideia complexa que resulta da nossa imaginação.
O argumento ontológico apresentado por Descartes é descartado por David Hume, pois não existe
nenhum ser cuja existência esteja à partida demonstrada.
A ideia de Deus parte das impressões que temos; o que faz a nossa imaginação é elevar ao máximo
as qualidades das quais tive impressão e reuni-las criando a ideia complexa de Deus, mas a
verdade é que não temos qualquer impressão que corresponde à ideia de Deus, pelo que, pela
experiência, não podemos afirmar a sua existência.
O mundo exterior
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O mundo exterior
A coerência e a constância de certas perceções levam-nos a acreditar que há coisas externas dotadas
de uma existência contínua.
Para Hume não devemos confundir a perceção de um objeto com esse objeto.
Ex: As perceções que temos de uma flor são diferentes consoante estamos mais próximos ou mais
afastados dela.
Só temos acesso aos conteúdos da mente, isto é, só temos acesso às perceções que se encontram
na nossa mente , não sabemos realmente que o mundo exterior existe nem que não existe.
O ceticismo de David Hume
Hume é defensor de um ceticismo moderado.
→ O conhecimento tem limites: a experiência
Ceticismo de Hume → A realidade reduz-se aos fenómenos
→ As crenças na existência de um EU permanente, em Deus e no mundo
exterior são racionalmente injustificados
Críticas ao empirismo de David Hume
Uma das críticas feitas a David Hume é que a explicação proposta por Hume do princípio de
causalidade, segundo o qual a relação de causa e efeito se reduz à observação de uma regularidade
entre os fenómenos, não esclarece direito este principio.
Outra crítica é que segundo David Hume, o nosso conhecimento depende das inferências causais
que fazemos, formando raciocínios indutivos. Mas a ideia de causalidade e a ideia de indução não
podem justificadas pela razão ou pela experiência.
Análise comparativa
Descartes Hume
Qual é o Encontrar um princípio racional Analisar a mente humana de modo a
propósito da de modo a justificar o encontrar os limites e capacidades do
sua teoria? conhecimento entendimento humano
Qual é a fonte A fonte principal do A fonte principal de conhecimento é a
do conhecimento é a razão ou o experiência. Todas as ideias tem origem na
conhecimento pensamento-racionalismo experiência-empirismo.
Que tipo de -Inatas -Ideias Simplex e complexas. As ideias são
ideias há? -Adventícias cópias das impressões por isso são mais
-Factícias baças.
-Não há ideias inatas.
Como se Há conhecimento a priori e é o Todo o conhecimento é a posteriori.
caracteriza o conhecimento o fundamento do Há conhecimento a priori mas não substancial
conhecimento a conhecimento a posteriori. (apenas relaciona ideias)
priori?
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priori?
O O conhecimento é possível sendo Só temos conhecimento do que pode ser
conhecimento é um conjunto de verdades reconduzido às impressões. Não podemos
possível? indubitáveis. O conhecimento saber se existe um mundo exterior às nossas
obtido por dedução é mentes e o que é obtido por indução não
absolutamente certo, desde que pode ser tomado como absolutamente certo,
se parta de premissas mesmo que parta de premissas verdadeiras.
verdadeiras.
Quais são os Não há limites para o Há limites para a experiência, só podemos
limites do conhecimento. conhecer o que pode ser reconduzido às
conhecimento ? Três tipos de substâncias: impressões. Não encontramos impressões:
-substância pensante -a do eu pensante,
-substância divina -de Deus
-substância extensa -de uma realidade exterior
Conhecimento cientifico e senso comum
Senso comum Conhecimento científico
- Superficial - Racional
- Dogmático - Profundo
- Acrítico - Sistemático
- Experiencial - Objetivo
- Empírico - Rigoroso
- Subjetivo - Provisório
- Pouco rigoroso - Antidogmático
- Etc… - Etc…
Pode ser encontrado em lendas, Pode ser encontrado nas ciências
contou ou provérbios
Obstáculo epistológico; algo que impede o avanço normal da ciência.
- Ex: Senso comum, política, economia, religião, etc.
Popper defende que o ponto de partida para a ciência pode ser o senso comum ainda que inseguro.
Popper defende uma perspetiva contínuista entre a ciência e o senso comum.
O problema do método científico
→ Em que consiste o método científico?
- Método hipotético-dedutivo
- Indutivismo
Problema
→ Qual é o critério que permite marcar as teorias
científicas e não científicas?
- Verificacionismo
- Falsificacionismo
Uma das características do método científico é ser metódico. O método científico da credibilidade
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Uma das características do método científico é ser metódico. O método científico da credibilidade
aos resultados da investigação, é o critério que permite distinguir os conhecimentos científicos
daqueles que não o são.
Qual é o método utilizado pelos cientistas?
O método indutivo clássico, associado ao método experimental e o método hipotético-dedutivo.
Intuitivismo
Francis Bacon vai considerar que as teorias científicas têm de ser confirmadas pela observação,
experimentação e indução, defendendo assim um método indutivo. De acordo com esta teoria não
haveria ciência sem indução.
O cientista parte da observação de fenómenos, o que lhe permite levantar questões sobre o que foi
observado.
De seguida formulam-se hipóteses na tentativa de responder às questões levantadas na observação.
As hipóteses pretendem explicar o fenómeno, de seguida realizam-se testes experimentais que
levam o cientista a chegar a uma conclusão e por fim formular uma hipótese.
Teoria científica; conjunto de afirmações consideradas validas pela comunidade científica.
O critério da verificabilidade
Uma teoria só é científica se for empiricamente verificável.
O método indutivo assenta numa perspetiva verificacionista o que significa que o cientista, através
da experimentação, procura testar a hipótese com vista à confirmação da mesma. O que distingue
um enunciado científico de um enunciado não científico é a verificação empírica das teorias.
Críticas ao intuitivismo
Crítica 1
Segundo os indutivistas, o ponto de partida da ciência é a observação dos fenómenos, contudo, nem
sempre é possível observar o que se pretende explicar, como por exemplo, os campos
eletromagnéticos. Nem sempre partimos da observação, e mesmo quando partimos da observação,
ela não é neutra imparcial, a observação é seletiva, as nossas expectativas afetam a forma como
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ela não é neutra imparcial, a observação é seletiva, as nossas expectativas afetam a forma como
observamos os fenómenos.
Crítica 2
A indução é pouco fiável na medida em que apenas nos permite construir verdades prováveis e
incorre no raciocínio falsificioso da circularidade. Justificar a confiança no raciocínio intuitivo com
base no raciocínio intuitivo não justifica de facto o raciocínio intuitivo. Também na ciência, o método
intuitivo parece pouco fiável na medida em que apenas nos permite construir verdades prováveis a
partir dos dados observados e generalizados.
Falsificacionismo
O filósofo Karl Popper defende um método científico que rompe com o método intuitivo clássico.
Considera que a ciência se deve apoiar é o hipotético-dedutivo. O ponto de partida para a ciência
não pode ser a observação dos fenómenos. Como tal, o problema da indução não levanta qualquer
obstáculo à ciência.
Para Popper o conhecimento científico começa pela constatação de um problema que surge de
conflitos diante de expectativas de teorias anteriores. Depois o cientista propõem uma explicação
provisória, sugere uma hipótese ou conjetura, em seguida deduzem-se as consequências das
hipóteses, o cientista procura prever o que vai acontecer se a hipótese for verdadeira. Para saber se
as previsões estão corretas é preciso testar. A etapa da experimentação é essencial na ciência aqui
Popper propõem uma perspetiva inovadora: a hipótese deve ser sujeita a uma serie de tentativas
de refutação.
Se a hipótese não for valida teremos de abandonar e substitui-la por outra.
→ Resiste aos
testes:
corroborada
Problema → Hipótese (formulação) → Dedução de consequências → Experimentação
→ Não resiste
aos testes:
refutada
O método crítico e o raciocínio dedutivo
Para Popper sem atitude crítica não estaremos a fazer ciência. A função do cientista é de detetar o
erro da teoria e não protege-la a todo o custo, ainda que caísse nessa tentação.
A observação surge depois de formulada a hipótese ou conjetura, com o objetivo de encontrar
contraexemplos que possam refutar a teoria.
O método critico baseia-se no raciocínio dedutivo e não indutivo. Popper mostrou que a verificação
das teorias pelo método indutivista comete uma falácia lógica: a falácia da afirmação do
consequente.
O critério da demarcação: falsificionismo
• Demarcação
Uma teoria só é cientifica se for empiricamente falsificável
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Uma teoria só é cientifica se for empiricamente falsificável
Critério da demarcação; "Uma teoria que não seja refutável por nenhum acontecimento concebível
será uma teoria não-científica ", "Quanto mais a teoria proibir melhor será."
• Falsificação
A falsificação consiste em confrontar a teoria com potencias casos que provem a sua
falsidade.
Quando as teorias passam com sucesso nos testes de refutação, estamos em condições de afirmar
que forram corroboradas e não confirmadas, isto é, foram capazes de superar testes de falsificação,
mostrando-se como as que melhor respondem ao problema até ao momento.
Verosimilhança; A ciência não é verdadeira, é apenas verossímil, ou seja aproximada á verdade. A
ciência é tanto verosímil, quanto mais resistir aos testes que visam falsificá-la. Assim ela está mais
perto da verdade.
• Grau de Testabilidade
Quanto mais coisas proibir, mais conteúdo empírico ( a informação que a teoria dá sobre o
mundo) tem a teoria e maior será o seu grau de falsificabilidade. As boas teorias são as que
têm um grau e falsificabilidade elevado.
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