Apmbb 1
Apmbb 1
DISCIPLINAS
INGLÊS
LITERATURA
GRAMÁTICA
TÉCNICA DE REDAÇÃO
Inglês
Verbo To be-presente
O Verbo "TO BE" significa, em Português, "SER" ou "ESTAR".
Forma afirmativa
Forma negativa
A forma negativa do presente admite duas construções diferentes
I'm not --------------- Eu não sou / estou
You're not You aren't Você não é / está
He's not He isn't Ele não é / está
She's not She isn't Ela não é / está
It's not It isn't (Ele/ela) não é / está (coisas ou animais)
We're not We aren't Nós não somos /estamos
You're not You aren't Vocês não são / estão
They're not They aren't Eles não são / estão
Forma interrogativa
Am I? Eu sou / estou?
Are you? Você é / está?
Is He? Ele é / está?
Is She? Ela é / está?
Is It? (ele/ela) é / está? (coisas ou animais)
Are We? Nós somos / estamos?
Are You? Vocês são / estão?
Are They? Eles são / estão?
Verbo to be – Passado
1
Inglês
I was I wasn't Was I? Wasn't I?
You were You weren't Were You? Weren't You?
He was He wasn't Was He? Wasn't He?
She was She wasn't Was She? Wasn't She?
It was It wasn't Was It? Wasn't It?
We were We weren't Were We? Weren't We?
You were You weren't Were You? Weren't You?
They were They weren't Were They? Weren't They?
Presente simples
Forma afirmativa
Na Língua Inglesa não ocorre a conjugação do verbo, como em Português. A única coisa que muda no verbo é o
acréscimo do "S" na terceira pessoa (He, She, It).
I work Eu trabalho
You work Você trabalha
He works Ele trabalha
She works Ela trabalha
It works (Ele/ela) trabalha (coisas ou animais)
We work Nós trabalhamos
You work Vocês trabalham
They work Eles trabalham
Porém, existem alguns verbos que necessitam de uma construção diferente para a 3a. pessoa:
Forma Interrogativa
Para a construção de frases interrogativas em Inglês, precisamos utilizar um "VERBO AUXILIAR" no início da frase.
No Presente Simples, o verbo auxiliar é o "DO".
Atenção: Na terceira pessoa (He, She, It), o verbo auxiliar é o "DOES"
2
Inglês
Do I work ? Eu trabalho?
Do You work? Você trabalha?
Does He work? Ele trabalha?
Does She work? Ela trabalha?
Does It work? (Ele/ela) trabalha? (coisas ou animais)
Do We work? Nós trabalhamos?
Do You work? Vocês trabalham?
Do They work? Eles trabalham?
OBS: Na 3a. pessoa (He, She, It) não é necessário colocar o "S" no final do verbo, devido a presença do auxiliar
"DOES" .
Forma negativa
Nas frases negativas, precisamos utilizar o auxiliar contraído na forma negativa:
DO + NOT = DON'T
DOES + NOT = DOESN'T
Eu não trabalho
I don't work
Você não trabalha
You don't work
Ele não trabalha
He doesn't work
Ela não trabalha
She doesn't work
(Ele/ela) não trabalha (coisas ou animais)
It doesn't work
Nós não trabalhamos
We don't work
Vocês não trabalham
You don't work
Eles não trabalham
They don't work
Forma interrogativa-negativa
Nas frases interrogativas-negativas, o auxiliar vem no início da frase, contraído na forma negativa:
Don't I work ? Eu não trabalho?
Don' You work? Você não trabalha?
Doesn't He work? Ele não trabalha?
Doesn't She work? Ela não trabalha?
Doesn't It work? (Ele/ela) não trabalha? (coisa ou animal)
Don't We work? Nós não trabalhamos?
Don't You work? Vocês não trabalham?
Don't They work? Eles não trabalham? (pessoas, coisas e animais)
Nas frases que contém dois ou mais verbos próximos, utliza-se "TO" entre os mesmos:
Exemplos:
3
Inglês
I like to speak Eu gosto de falar Inglês
He needs to go there Ele precisa ir lá
Does he like to work there? Ele gosta de trabalhar lá?
Passado simples
Na construção de frases afirmativas no passado simples, os verbos podem ser divididos em duas categorias: Regulares
e Irregulares.
Verbos regulares
Possuem uma regra para a construção do passado. A grande maioria, basta acrescentar "ED" ao final
I worked Eu trabalhei
You worked Você trabalhou
He worked Ele trabalhou
She worked Ela trabalhou
It worked (Ele/ela) trabalhou (coisas ou animais)
We worked Nós trabalhamos
You worked Vocês trabalharam
They worked Eles trabalharam
Verbos irregulares
Não possuem nenhuma regra para serem conjugados no passado. Cada verbo tem sua própria forma. Veja a tabela no
final da apostila para saber a forma do verbo irregular no tempo passado. Abaixo veja a conjugação do verbo "GO"
(ir) no passado:
I went Eu fui
You went Você foi
He went Ele foi
She went Ela foi
It went (Ele/ela) foi (coisas ou animais)
We went Nós fomos
You went Vocês foram
They went Eles foram
Forma Interrogativa
4
Inglês
Para a construção de frases interrogativas no passado precisamos utilizar o verbo auxiliar "DID". Observe que o verbo
principal fica no tempo presente, uma vez que o verbo auxiliar “did” coloca o verbo principal, nesse caso o verbo
work (trabalhar) no passado.
Did I work ? Eu trabalhei?
Did You work? Você trabalhou?
Did He work? Ele trabalhou?
Did She work? Ela trabalhou?
Did It work? (Ele/ela) trabalhou? (coisas ou animais)
Did We work? Nós trabalhamos?
Did You work? Vocês trabalharam?
Did They work? Eles trabalharam?
.
Forma negativa
Nas frases negativas, precisamos utilizar o auxiliar contraído na forma negativa:
DID + NOT = DIDN'T
I didn't work Eu não trabalhei
You didn't work Você não trabalhou
He didn't work Ele não trabalhou
She didn't work Ela não trabalhou
It didn't work (Ele/ela) não trabalhou (coisas ou animais)
We didn't work Nós não trabalhamos
You didn't work Vocês não trabalharam
They didn't work Eles não trabalharam
Futuro simples
Em Inglês, para construirmos frases no futuro, utilizamos o auxiliar WILL.
Ex: I WILL WORK = “Eu trabalharei” ou “Eu vou trabalhar”
Forma negativa: WILL + NOT = WON'T
Afirmativa Negativa Interrogativa
I will work I won’t work Will I work?
You will work You won’t work Will You work?
He will work He won’t work Will He work?
She will work She won’t work Will She work?
It will work It won’t work Will It work?
We will work We won’t work Will We work?
You will work You won’t work Will You work?
They will work They won’t work Will They work?
Condicional
5
Inglês
O condicional corresponde, em Português, a verbos terminados em “ria”
Ex: I WOULD WORK = “Eu trabalharia” ou “Eu iria trabalhar”
Forma negativa: WOULD + NOT = WOULDN'T
Abaixo todas as formas do condicional:
Afirmativa Negativa Interrogativa
I would work I wouldn’t work Would I work?
You would work You wouldn’t work Would You work?
He would work He wouldn’t work Would He work?
She would work She wouldn’t work Would She work?
It would work It wouldn’t work Would It work?
We would work We wouldn’t work Would We work?
You would work You wouldn’t work Would You work?
They would work They wouldn’t work Would They work?
Pronomes Pessoais
I Me
You You
He Him
She Her
It It
We Us
You You
They Them
Os pronomes pessoais são utilizados, em Inglês, para substituir, numa frase, a pessoa que está "recebendo" uma ação.
Exemplos:
Ela gosta de mim She likes me
Ela gosta de você She likes you
Ela gosta dele She likes him
Ele gosta dela He likes her
Ela gosta dele She likes it
Ela gosta de nós She likes us
Ela gosta de vocês She likes you
Ela gosta deles She likes them
Atenção: Em português o pronome pessoal pode vir tanto antes quanto após o verbo. Em Inglês, ele virá sempre após
o verbo. Exemplos:
Ela me ligou ontem She called me yesterday
Ela te ligou ontem? Did She call you yesterday?
Ela não nos ligou ontem She didn't call us yesterday
6
Inglês
Pronomes Reflexivos
Os pronomes reflexivos são utilizados quando a pessoa que "recebe" a ação é a mesma pessoa que "pratica" a ação.
I Myself
You Yourself
He Himself
She Herself
It Itself
We Ourselves
You Yourselves
They Themselves
Pronomes Demonstrativos
Os pronomes possessivos
Têm a função de indicar "Posse" e dividem-se, em Inglês, em dois tipos: Adjectives (Adjetivos) e Pronouns
(Substantivos)
Adjetivos Substantivos
I
My Mine
You
Your Yours
He
His His
She
Her Hers
It
Its Its
We
Our Ours
You
Your Yours
They
Their Theirs
ATENÇÃO: Em português, o pronome possessivo pode vir antes ou depois do substantivo. Em Inglês, no caso
Adjetivo, vem sempre antes:
7
Inglês
Meu carro My car
Seu carro Your car
carro dele His car
carro dela Her car
carro dele (neutro) Its car
nosso carro Our car
seus carros Your car
carros deles Their car
Possessive Case
O possessive case tem a seguinte fórmula:
POSSUIDOR + 'S + COISA POSSUÍDA
Exemplos:
Aquela é a casa de Susan: That is Susan's house
Aquele é o carro do meu irmão: That is my brother's car
Casos específicos
Pronomes Interrogativos
Os pronomes interrogativos, como o nome já indica, são utilizados para fazer perguntas. A fórmula básica para a
construção de frases com pronomes interrogativos é a seguinte:
PRONOME INTERROGATIVO + AUXILIAR + PESSOA + VERBO + " ? "
Where + do + you + live? (Onde você mora?)
Where + did + you + go? (Onde você foi?)
Pronomes interrogativos:
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Inglês
WHAT Qual, o quê
WHICH Qual (escolha restrita)
WHERE Onde
WHEN Quando
WHY Por que
WHOSE De quem
WHO Quem (sujeito)
WHOM Quem (objeto)
HOW Como
WHAT ... LIKE Como é (descrição)
Pronomes Indefinidos
SOME (Algum, alguma, alguns, algumas)
Utilizado em frases afirmativas.
SOMEBODY / SOMEONE ALGUÉM
SOMEWAY / SOMEHOW DE ALGUMA FORMA
SOMEWHERE EM ALGUM LUGAR
SOMETHING ALGUMA COISA
SOMETIME ALGUMA VEZ
Formas derivadas:
Exemplos
Você conhece alguém em Londres? Do you know anybody in London?
Nós não conhecemos ninguém em Londres We don't know anybody in London
Qualquer um gostaria de ir a Londres Anybody would like to go to London
Você fez alguma coisa ontem? Did you do anything yesterday?
Nós não fizemos nada ontem We didn't do anything yesterday
Qualquer coisa incomoda ele Anything disturbs him
ATENÇÃO: Nas perguntas em que se espera receber uma resposta afirmativa, geralmente em
9
Inglês
pedidos ou oferecimentos, utiliza-se o "SOME":
Exemplos: Você gostaria de algo para comer? Would you like something to eat?
Você poderia me dar algo para beber? Could you give something to drink?
Você gostaria que alguém lhe ajudasse? Would you like someone to help you?
Formas derivadas:
Exemplos:
Formas derivadas:
NOBODY / NO ONE Ninguém
NO WAY De modo algum
NOWHERE Em lugar algum
NOTHING Nada
Exemplos:
Exemplos:
He doesn't have no money (errado)
I didn't do nothing yesterday (errado)
As formas corretas seriam:
He doesn't have any money / He has no money
I didn't do anything yesterday / I did nothing yesterday
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Inglês
Utilizado no início ou no fim da frase
Quantitativos
Quantitativos utilizados antes de substantivos no plural
MANY Muitos, muitas
FEW Poucos, poucas
A FEW Uns poucos (alguns), umas poucas (algumas)
VERY FEW Muito poucos, muito poucas
HOW MANY? Quantos?
TOO MANY Demais
SO MANY Tantos, tantas
FEWER Menos
Quantitativos utilizados antes de substantivos no singular
MUCH Muito, muita
LITTLE Pouco, pouca
A LITTLE Um pouco
VERY LITTLE Muito pouco, muito pouca
HOW MUCH? Quanto?, Quanta?
TOO MUCH Demais
SO MUCH Tanto, tanta
LESS Menos
Comparativos
Comparativo de superioridade
Detalhes:
Exemplo: BIG
Adjetivos terminados em 1 consoante precedida
São Paulo is bigger than Itu
de 1 vogal, dobra a consoante final
(São Paulo é maior que Itu)
Exemplo: EASY
Adjetivos terminados em "Y", perdem o "Y" e
English is easier than Portuguese
acrescenta "IER"
(Inglês é mais fácil que Português)
Inferioridade
NOT AS + ADJETIVO + AS
NOT SO + ADJETIVO + AS Exemplo: INTELLIGENT
Peter is not as intelligent as Susan
Peter is not so intelligent as Susan
(Peter não é tão inteligente quanto Susan)
THE SAME AS His salary is the same as yours
(O salário dele é o mesmo que o seu)
Comparativos irregulares
MELHOR QUE BETTER THAN
PIOR QUE WORSE THAN
MAIS LONGE QUE FURTHER THAN
Exemplo: INTELLIGENT
Peter is much more intelligent than Susan
Peter is far more intelligent than Susan
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Inglês
Peter is a lot more intelligent than Susan
(Peter é muito mais inteligente que Susan)
2. Um pouco mais
A LITTLE + COMPARATIVO + THAN
A BIT + COMPARATIVO + THAN
Exemplo: INTELLIGENT
Peter is a little more intelligent than Susan
Peter is a bit more intelligent than Susan
(Peter é muito mais inteligente que Susan)
Superioridade
Existem dois modos de construção do Superlativo de superioridade:
Detalhes específicos:
Adjetivos terminados em 1 consoante precedida de 1 vogal, dobra a consoante final
Exemplo: BIG
São Paulo is the biggest city
(São Paulo é a maior cidade)
Superlativo de inferioridade
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Inglês
THE LEAST + ADJETIVO Exemplo: INTELLIGENT
Peter is the least intelligent
(Peter é o menos inteligente)
Superlativos irregulares
O MELHOR THE BEST
O PIOR THE WORST
O MAIS LONGE THE FURTHEST
Utilização de preposições
IN : Lugares
Ex: São Paulo is the biggest city in Brazil
(São Paulo é a maior cidade do Brazil)
OF : Tempo Ex: Yesterday was the hottest day of the week
(Ontem foi o dia mais quente da semana)
Tempos continuos
Estrutura
VERBO "TO BE" + VERBO + ING
Verbos terminados em "L", precedidos de apenas uma vogal, dobra o "L" Exemplo:
TRAVEL / TRAVELLING
Verbos terminados pela letra "L" precedidos de mais de uma vogal, não dobra o "L"
Exemplo:
FEEL / FEELING
DIE / DYING
Presente Contínuo
Indica ações que estão ocorrendo no momento da fala. Ex:
Eu estou trabalhando
Passado contínuo
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Inglês
Indica ações que estavam ocorrendo no momento em que outra ação ocorreu
Eu estava dormindo quando ela chegou
Futuro contínuo
Indica ações que estarão ocorrendo quando outra ação ocorrer no futuro
Eu estarei dormindo quando ele chegar
Present Perfect
O Present Perfect indica uma ação no passado que, no contexto em que ela estiver empregada, interfere fortemente no
presente
Estrutura
Verbo HAVE + VERBO NO PARTICÍPIO
Vejamos abaixo todas as formas de construção utilizando como exemplo o verbo GO (ir):
Afirmativa Contração Tradução
Negativa Interrogativa
I haven't gone Have I gone?
You haven't gone Have You gone?
He hasn't gone Has He gone?
She hasn't gone Has She gone?
It hasn't gone Has It gone?
We haven't gone Have We gone?
You haven't gone Have You gone?
They haven't gone Have They gone?
Ações que
acabaram de Ex: I have cut myself! (Eu me cortei!)
ocorrer
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Inglês
Se não for
mencionado, na
They have arrived (Eles chegaram)
frase, quando a
ação ocorreu
Exemplos:
16
Inglês
Frases que se
referem a um
período de tempo
Exemplos:
que ainda não
terminou no
I haven't seen John today (Eu não ví
momento da fala:
John hoje)
Have you seen Jane this morning?
TODAY
(Você viu Jane esta manhã?)
THIS MORNING
We haven’t gone there this year (Nós
THIS
não fomos lá este ano)
AFTERNOON
THIS YEAR
Frases que
indicam a ordem
de ocorrência de
uma ação no
passado:
It was the first time I've gone there (foi a
THE FIRST TIME primeira vez que eu fui lá)
THE SECOND
TIME
Etc
Past Perfect
Estrutura
Forma afirmativa
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Inglês
She had gone It'd gone Ele/ela tinha ido
It had gone We'd gone Nós tínhamos ido
We had gone You'd gone Vocês tinham ido
You had gone They'd gone Eles tinham ido
They had gone
Interrogativa
Negativa
I hadn't gone
Had I gone?
You hadn't gone
Had You gone?
He hadn't gone
Had He gone?
She hadn't gone
Had She gone?
It hadn't gone
Had It gone?
We hadn't gone
Had We gone?
You hadn't gone
Had You gone?
They hadn't gone
Had They gone?
O Past Perfect normalmente é utilizado para relacionar duas ações ocorridas no passado, que não têm efeito no tempo
presente. Ou seja, a ação começou e acabou no passado.
Future Perfect
________________________________________
Estrutura
WILL + HAVE + VERBO NO PARTICÍPIO
Vejamos abaixo todas as formas de construção utilizando como exemplo o verbo WORK (trabalhar):
Forma negativa
Forma afirmativa Forma interrogativa
I won't have worked
I will have worked Will I have worked?
You won't have worked
You will have worked Will You have worked?
He won't have worked
He will have worked Will He have worked?
She won't have worked
She will have worked Will She have worked?
It won't have worked
It will have worked Will It have worked?
We won't have worked
We will have worked Will We have worked?
You won't have worked
You will have worked Will You have worked?
They won't have worked
They will have worked Will They have worked?
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Inglês
Quando utilizar o Future Perfect
O Future Perfect é utilizado para descrever uma ação que será realizada ou não antes de outra ação no futuro
Next time I see you, I'll have solved this problem
(Na próxima vez que eu te ver, eu terei solucionado este problema)
Estrutura
HAVE BEEN + VERBO + ING
O Present Perfect Continuous é utilizado para descrever ações que vêm ocorrendo em um determinado período,
podendo já ter sido encerradas ou não.
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Inglês
Forma afirmativa Forma negativa
Forma interrogativa
I had been working I hadn't been working
Had I been working?
You had been working You hadn't been working
had you been working?
He had been working He hadn't been working
had he been working?
She had been working She hadn't been working
had she been working?
It had been working It hadn't been working
had it been working?
We had been working We hadn't been working
had we been working?
You had been working You hadn't been working
had you been working?
They had been working They hadn't been working
had they been working?
Características:
Não admitem o uso de auxiliares (do, did, will, would)
Não admitem o uso de “to” junto a outros verbos
Ex: Can you speak ?
CAN
• Poder (habilidade)
Can you speak ? (Você sabe falar Inglês?)
20
Inglês
• Poder (permissão informal)
Can I go with you? (posso ir com você?)
• Possibilidade
It can be right (isso pode estar certo)
COULD
• Poder (condicional)
Could you help me? (você poderia me ajudar?)
• Poder (passado)
I could understand (eu consegui/pude entender)
MAY / MIGHT
• Poder (Permissão)
May I help you? (Posso ajudá-lo?)
• Poder (Probabilidade)
He may be busy today (Ele pode estar ocupado hoje)
OBS: “might” pode ser usado no lugar de “may”, mas é menos utilizado
SHOULD • Deveria (conselho)
You should go there (você deveria ir lá)
OUGHT TO • Deveria (mais formal)
You ought to go there tomorrow (você deveria ir lá amanhã)
MUST
• Dever (Obrigação)
You must study more (Você deve estudar mais)
SHALL
• Poder (sugestão, oferecimento)
Shall I close the window? (Posso fechar a janela?)
OBS: O verbo “CAN” não possui nem forma de futuro nem no Present Perfect, portanto, devemos substitui-lo pelo
verbo “TO BE ABLE TO” (ser capaz de)
Ex: Você vai poder vir aqui amanhã? Will you be able to come here tomorrow?
Eu não tenho conseguido dormir I haven’t been able to sleep
Formas negativas
Can Cannot Can’t
May May not -------
Must Must not Mustn’t
Shall Shall not Shan’t
Could Could not Couldn’t
Might Might not Mightn’t
Ought Ought not Oughtn’t
Should Should not Shouldn’t
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Inglês
Question Tags
As question tags são confirmações para uma pergunta feita a alguém, que vem logo após a pergunta. No português
falamos:
- Você vai vir, não vai?
- Ela não é chata, é?
Quando os verbos precisam de auxiliares (do, will, etc..), usamos eles também na question tag:
Note que sempre que a primeira parte for afirmativa, a question tag será negativa, e vice-versa.
REFERÊNCIA: COM RELAÇÃO In this area some action Nessa área, alguma
CONCERNING... A... concerning taxation is ação em relação
important. à tributação é importante.
INTRODUÇÃO SOBRE UM A PROPÓSITO... By the way Henry, were A propósito Henry, você
ASSUNTO: BY THE WAY... you in China? esteve na China?
22
Inglês
PROPÓSITO: IN ORDER TO... COM O In order to improve our Com o objetivo de
OBJETIVO DE... city we wrote this report. melhorar a nossa cidade,
nós escrevemos esse
relatório.
DEMARCADOR DE ATÉ AGORA... I have read this book so Eu tenho lido esse
PERÍODO PASSADO: SO far. livro até agora.
FAR...
EXEMPLIFICANDO: FOR POR EXEMPLO... I like music, for example: Eu gosto de música,
EXAMPLE... pop, rock and jazz. como por exemplo: pop,
rock e jazz.
FINALIZAÇÃO: FINALLY... FINALMENTE... Finally, we got married. Finalmente, nós nos
casamos
Verbos irregulares
24
Inglês
keep kept kept guardar, manter
know knew known saber, conhecer
lay laid laid colocar em posição horizontal, assentar
lead led led liderar
leave left left deixar, partir
lend lent lent dar emprestado
let let let deixar, alugar
lie lay lain deitar
lose lost lost perder, extraviar
make made made fazer, fabricar **
mean meant meant significar, querer dizer
meet met met encontrar, conhecer
overcome overcame overcome superar
overtake overtook overtaken alcançar, surpreender
pay paid paid pagar
put put put colocar
quit quit quit abandonar
read read read ler
ride rode ridden andar
ring rang rung tocar (campainha, etc.)
rise rose risen subir, erguer-se
run ran run correr, concorrer, dirigir
saw sawed sawn serrar
say said said dizer
see saw seen ver
seek sought sought procurar obter, objetivar
sell sold sold vender
send sent sent mandar
set set set pôr em determinada condição, marcar, ajustar **
shake shook shaken sacudir, tremer
shed shed shed soltar, deixar cair **
shine shone shone brilhar, reluzir
shoot shot shot atirar, alvejar
show showed shown mostrar, exibir
shrink shrank shrunk encolher, contrair
shut shut shut fechar, cerrar
sing sang sung cantar
sink sank sunk afundar, submergir
sit sat sat sentar
slay slew slain matar, assassinar
sleep slept slept dormir
slide slid slid deslizar, escorregar
sling slung slung atirar, arremessar
speak spoke spoken falar
spend spent spent gastar
spin spun spun fiar, rodopiar
25
Inglês
spit spit, spat spit, spat cuspir
spread spread spread espalhar
spring sprang sprung fazer saltar
stand stood stood parar de pé, agüentar
steal stole stolen roubar
stick stuck stuck cravar, fincar, enfiar
sting stung stung picar (inseto)
stink stank stunk cheirar mal
strike struck struck golpear, desferir, atacar
string strung strung encordoar, amarrar
strive strove striven esforçar-se, lutar
swear swore sworn jurar, prometer, assegurar
sweep swept swept varrer
swim swam swum nadar
swing swung swung balançar, alternar
take took taken tomar **
teach taught taught ensinar, dar aula
tear tore torn rasgar, despedaçar
tell told told contar
think thought thought pensar
throw threw thrown atirar, arremessar
tread trod trodden pisar, trilhar
undergo underwent undergone submeter-se a, suportar
understand understood understood entender
uphold upheld upheld sustentar, apoiar, defender
wear wore worn vestir, usar, gastar
win won won vencer, ganhar
wind wound wound enrolar, rodar, dar corda
write wrote written escrever, redigir
26
LÍNGUA PORTUGUESA/LITERATURA
Trovadorismo
O Trovadorismo se caracteriza como um estilo de época, o qual se manifestou na Idade Média, durante o período do
feudalismo.
Cumpre dizer, antes de tudo, que o Trovadorismo se manifestou na Idade Média, período este que teve início com o
fim do Império Romano (destruído no século V com a invasão dos bárbaros vindos do norte da Europa), e se estendeu
até o século XV, quando se deu a época do Renascimento. Nesse sentido, o artigo ora em questão tem por finalidade
abordar acerca do contexto histórico-social, cultural e artístico que tanto demarcou este importante período da arte
literária.
No que diz respeito ao aspecto econômico, toda a Europa dessa época sofria com as sucessivas invasões dos povos
germânicos, fato este que culminava em inúmeras guerras. Nessa conjuntura desenvolveu-se o sistema econômico
denominado de feudalismo, no qual o direito de governar se concentrava somente nas mãos do senhor feudal, o qual
mantinha plenos poderes sobre todos os seus servos e vassalos que trabalhavam em suas terras. Este senhor, também
chamado de suserano, cedia a posse de terras a um vassalo, que se comprometia a cultivá-las, repassando, assim, parte
da produção ao dono do feudo. Em troca dessa fidelidade e trabalho, os servos contavam com a proteção militar e
judicial, no caso de possíveis ataques e invasões. A essa relação subordinada dava-se o nome de vassalagem.
Quanto ao contexto cultural e artístico, podemos afirmar que toda a Idade Média foi fortemente influenciada pela
Igreja, a qual detinha o poder político e econômico, mantendo-se acima até de toda a nobreza feudal. Nesse ínterim,
figurava uma visão de mundo baseada tão somente no teocentrismo, cuja ideologia afirmava que Deus era o centro de
todas as coisas. Assim, o homem mantinha-se totalmente crédulo e religioso, cujos posicionamentos estavam sempre à
mercê da vontade divina, assim como todos os fenômenos naturais.
Na arquitetura, toda a produção artística esteve voltada para a construção de igrejas, mosteiros, abadias e catedrais,
tanto na Alta Idade Média, na qual predominou o estilo romântico, quanto na Baixa Idade Média, predominando o
estilo gótico. No que tange às produções literárias, todas elas eram feitas em galego-português, denominadas de
cantigas.
No intuito de retratar a vida aristocrática nas cortes portuguesas, as cantigas receberam influência de um tipo de poesia
originário da Provença – região sul da França, daí o nome de poesia provençal –, como também da poesia popular,
ligada à música e à dança. No que tange à temática elas estavam relacionadas a determinados valores culturais e a
certos tipos de comportamento difundidos pela cavalaria feudal, que até então lutava nas Cruzadas no intuito de
resgatar a Terra Santa do domínio dos mouros. Percebe-se, portanto, que nas cantigas prevaleciam distintos
propósitos: havia aquelas em que se manifestavam juras de amor feitas à mulher do cavaleiro, outras em que
predominava o sofrimento de amor da jovem em razão de o namorado ter partido para as Cruzadas, e ainda outras, em
que a intenção era descrever, de forma irônica, os costumes da sociedade portuguesa, então vigente. Assim, em virtude
do aspecto que apresentavam, as cantigas se subdividiam em:
Cantigas de amor
O sentimento oriundo da submissão entre o servo e o senhor feudal transformou-se no que chamamos de vassalagem
amorosa, preconizando, assim, um amor cortês. O amante vive sempre em estado de sofrimento, também chamado de
coita, visto que não é correspondido. Ainda assim dedica à mulher amada (senhor) fidelidade, respeito e submissão.
Nesse cenário, a mulher é tida como um ser inatingível, à qual o cavaleiro deseja servir como vassalo. A título de
ilustração, observemos, pois, um exemplo:
1
LÍNGUA PORTUGUESA/LITERATURA
Cantiga da Ribeirinha
No mundo non me sei parelha,
entre me for como me vai,
Cá já moiro por vós, e - ai!
Mia senhor branca e vermelha.
Queredes que vos retraya
Quando vos eu vi em saya!
Mau dia me levantei,
Que vos enton non vi fea!
E, mia senhor, desdaqueldi, ai!
Me foi a mi mui mal,
E vós, filha de donPaai
Moniz, e bem vos semelha
Dhaver eu por vós guarvaia,
Pois eu, mia senhor, dalfaia
Nunca de vós houve nem hei
Valia duacorrea.
Paio Soares de Taveirós
Vocabulário:
Nom me sei parelha: não conheço ninguém igual a mim.
Mentre: enquanto.
Ca: pois.
Branca e vermelha: a cor branca da pele, contrastando com o vermelho do rosto, rosada.
Retraya: descreva, pinte, retrate.
Ensaya: na intimidade; sem manto.
Que: pois.
Des: desde.
Semelha: parece.
D’haver eu por vós: que eu vos cubra.
Guarvaya: manto vermelho que geralmente é usado pela nobreza.
Alfaya: presente.
Valia d’uacorrea: objeto de pequeno valor.
Cantigas de amigo
Surgidas na própria Península Ibérica, as cantigas de amigo eram inspiradas em cantigas populares, fato que as
concebe como sendo mais ricas e mais variadas no que diz respeito à temática e à forma, além de serem mais antigas.
Diferentemente da cantiga de amor, na qual o sentimento expresso é masculino, a cantiga de amigo é expressa em uma
voz feminina, embora seja de autoria masculina, em virtude de que naquela época às mulheres não era concedido o
direito de alfabetização.
Tais cantigas tinham como cenário a vida campesina ou nas aldeias, e geralmente exprimiam o sofrimento da mulher
separada de seu amado (também chamado de amigo), vivendo sempre ausente em virtude de guerras ou viagens
inexplicadas. O eu lírico, materializado pela voz feminina, sempre tinha um confidente com o qual compartilhava seus
sentimentos, representado pela figura da mãe, amigas ou os próprios elementos da natureza, tais como pássaros,
fontes, árvores ou o mar. Constatemos um exemplo:
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LÍNGUA PORTUGUESA/LITERATURA
Ai flores, ai flores do verde pinho
sesabedes novas do meu amigo,
ai deus, e u é?
Nas cantigas de maldizer, como bem nos retrata o nome, a crítica era feita de maneira direta, e mencionava o nome da
pessoa satirizada. Assim, envolvidas por uma linguagem chula, destacavam-se palavrões, geralmente envoltos por um
tom de obscenidade, fazendo referência a situações relacionadas a adultério, prostituição, imoralidade dos padres,
entre outros aspectos. Vejamos, pois:
Roi queimado morreu con amor
Em seus cantares por Sancta Maria
porua dona que gran bem queria
e por se meter por mais trovador
porquelhela non quis [o] benfazer
fez-selen seus cantares morrer
mas ressurgiu depois ao tercer dia!...
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LÍNGUA PORTUGUESA/LITERATURA
Pero Garcia Burgalês
QUESTÕES - TROVADORISMO
1- “Ai, flores, ai flores do verde ramo,
sesabedes novas do meu amado?
Ai, Deus, e u é?”
Escreva as palavras que completam os espaços.
Os versos acima pertencem a uma _____________, característica
do ____________ português, estética literária dos séculos XII, XIII e XIV.
2-Coube ao século XIX a descoberta surpreendente da nossa época lírica. Em 1904, com a edição crítica e comentada
do Cancioneiro da Ajuda, por Carolina Michaëlis de Vasconcelos, tivemos grande visão de conjunto do valiosíssimo
espólio descoberto. (Costa Pimpão).
a) Qual é essa “primeira época lírica” portuguesa?
b) Que tipos de composições poéticas se cultivam nessa época?
3- No contexto das cantigas de amor, o que significa a coita?
4- (UM-SP) Nas cantigas de amor,
a) o trovador expressa um amor à mulher amada, encarando-a como um objeto acessível a seus anseios.
b) o trovador velada ou abertamente ironiza personagens da época.
c) o “eu-lírico” é feminino, expressando a saudade da ausência do amado.
d) o poeta pratica a vassalagem amorosa, pois, em postura platônica, expressa seu amor à mulher amada.
e) existe a expressão de um sentimento feminino, apesar de serem escritas por homens.
5- “Ua dona, nomdigu’eu qual,
non agoirou ogano mal
polas oitavas de Natal:
ia por as missa oir
eouv’un corvo carnaçal,
e non quis da casa sair...”
(Joan Airas de santiago, século XIII)
O fragmento acima pertence a uma cantiga de escárnio. Por que não pode ser classificado como uma cantiga de
maldizer?
Classicismo
A chamada Era Clássica compreende os fatores socioeconômicos que marcaram os séculos XVI, XVII e XVIII. Essa
fase retoma os valores da Antiguidade Clássica e, por isso, recebe a denominação citada.
O período histórico da Era Clássica envolve a queda do feudalismo, a expansão marítima e o desenvolvimento do
capitalismo. Esse período perdura até que uma nova configuração política, econômica e social se estabeleça com a
chegada das Revoluções Industrial e Francesa.
A Era Clássica enfatiza a poesia, a mitologia; os autores clássicos, como Homero, Virgílio e Horácio; a exaltação da
vida no campo e o bucolismo.
Pode, ainda, ser dividida por três estilos literários: Classicismo, Barroco e Arcadismo.
O Classicismo surge durante o Período do Renascimento, ou seja, em meio ao movimento artístico no qual a cultura
clássica ocupava o espaço da medieval, o capitalismo consolidava-se e a Idade Média tinha seu fim.
Então, a Idade Moderna precedia a nova realidade, mais liberal, mais antropocêntrica (o homem como centro). Todas
as manifestações literárias que figuravam este modelo renascentista são chamadas de Classicismo. Este último passa a
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LÍNGUA PORTUGUESA/LITERATURA
existir em Portugal no ano de 1527, com o retorno de Francisco Sá de Miranda da Itália, o qual divulga os novos
conceitos europeus da arte e da poesia.
São características das obras do Classicismo: a presença de adjetivos, a perfeição estética, a pureza das formas, a
retomada da mitologia pagã e a busca do ideal de beleza encontrado nos modelos dos autores da Antiguidade Clássica.
OS LUSÍADAS
Luís de Camões
Canto I
SONETOS
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.
Raquel
Sete anos de pastor Jacob servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
Mas não servia ao pai, servia a ela,
E a ela só por prémio pretendia.
EXERCÍCIOS
01. Os Lusíadas - Luís de Camões - Justifique a afirmação: O discurso do “Velho Restelo” está em oposição a certas
concepções dominantes na sociedade portuguesa da época dos grandes descobrimentos, expressas pelo discurso que
exalta a empresa navegadora posta em marcha pela Coroa Lusitana.
03. O culto aos valores universais – o Belo, o Bem, a Verdade e a Perfeição – e a preocupação com a forma
aproximaram o Classicismo de duas escolas literárias posteriores. Aponte a alternativa que identifica essas escolas:
a) Barroco e Simbolismo;
b) Arcadismo e Parnasianismo;
c) Romantismo e Modernismo;
d) Trovadorismo e Humanismo;
e) Realismo e Naturalismo.
05. O Classicismo propriamente dito, tem por limites cronológicos, em Portugal, as datas de:
a) 1500 e 1601.
b) 1434 e 1516.
c) 1502 e 1578.
d) 1527 e 1580.
e) 1198 e 1434.
Barroco
O barroco foi uma tendência artística que se desenvolveu primeiramente nas artes plásticas e depois se manifestou na
literatura, no teatro e na música. O berço do barroco é a Itália do século XVII, porém se espalhou por outros países
europeus como, por exemplo, a Holanda, a Bélgica, a França e a Espanha. O barroco permaneceu vivo no mundo das
artes até o século XVIII. Na América Latina, o barroco entrou no século XVII, trazido por artistas que viajavam para a
Europa, e permaneceu até o final do século XVIII.
BARROCO NO BRASIL
O barroco brasileiro foi diretamente influenciado pelo barroco português, porém, com o tempo, foi assumindo
características próprias. A grande produção artística barroca no Brasil ocorreu nas cidade auríferas de Minas Gerais,
no chamado século do ouro (século XVIII). Estas cidades eram ricas e possuíam um intensa vida cultura e artística em
pleno desenvolvimento.
GREGÓRIO DE MATOS
Quem foi
Gregório de Matos e Guerra foi um importante poeta colonial brasileiro do século XVII. Nasceu em 7 de abril de
1633, na cidade de Salvador (Bahia).
Vida e obras
Era de uma família rica, formada por empreiteiros e altos funcionários administrativos. Estudou num colégio Jesuíta
da Bahia e depois continuou seus estudos na cidade de Lisboa e depois na Universidade de Coimbra, onde se formou
em Direito. Neste país fez carreira de jurista.
Ao retornar ao Brasil, passa a viver de trabalhos na área jurídica, mas também começa sua dedicação à literatura.
Passa a escrever sátiras sobre a sociedade da época. Em função de suas críticas duras aos integrantes da sociedade
(políticos, religiosos, empresários) ganhou o apelido de “boca do inferno”. Também escreveu poemas de caráter
erótico e amoroso.
As autoridades locais começaram a ficar descontentes com as críticas e passaram a perseguir Gregório de Matos.
Preso em 1694, foi deportado para Angola (África).
Depois de um tempo, ganha a autorização para retornar ao Brasil. Porém, vai viver na cidade de Recife. Nesta cidade,
faleceu em 26 de novembro de 1696 de febre que havia contraído em Angola.
O principal representante do barroco mineiro foi o escultor e arquiteto Antônio Francisco de Lisboa também
conhecido como Aleijadinho. Sua obras, de forte caráter religioso, eram feitas em madeira e pedra-sabão, os principais
materiais usados pelos artistas barrocos do Brasil. Podemos citar algumas obras de Aleijadinho: Os Doze Profetas e
Os Passos da Paixão, na Igreja de Bom Jesus de Matozinhos, em Congonhas do Campo (MG).
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LÍNGUA PORTUGUESA/LITERATURA
Outros artistas importantes do barroco brasileiro foram: o pintor mineiro Manuel da Costa Ataíde e o escultor carioca
Mestre Valentim. No estado da Bahia, o barroco destacou-se na decoração das igrejas em Salvador como, por
exemplo, de São Francisco de Assis e a da Ordem Terceira de São Francisco.
No campo da Literatura, podemos destacar o poeta Gregório de Matos Guerra, também conhecido como "Boca do
Inferno". Ele é considerado o mais importante poeta barroco brasileiro.
Buscando a Cristo
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LÍNGUA PORTUGUESA/LITERATURA
Em 1669 foi anistiado e seguiu para Roma onde ficou até 1676 sob a proteção da Rainha Cristina da Suécia. Dez anos
depois foi publicado oficialmente o primeiro volume dos "Sermões", em Lisboa. Em 1681 voltou ao Brasil onde
passou a dedicar-se à literatura. Padre Antônio Vieira morreu aos 89 anos, na Bahia.
obra: Os Sermões
Sermões mais importantes: SERMÃO DO BOM SUCESSO, SERMÃO DE STO. ANTONIO AOS PEIXES,
SERMÃO DA SEXAGÉSIMA E SERMÃO DO BOM LADRÃO.
DESTAQUES:
1-Sermão da Sexagésima no texto “Sermão da Sexagésima”, do Padre Antônio Vieira, pregado no ano de 1655, o
autor valoriza a pregação pela persistência diante das dificuldades. Tal tema é mencionado a partir da ação do
pregador evangélico da palavra divina. A Deus perguntado onde pregar e a quem pregar o evangelho ,responde-lhe o
Senhor que a todas as criaturas em todos os lugares.Viera analisando o tema expõe a perseverança do semeador que ao
sair para o ofício,encontra vales de espinhos,montanhas rochosas e todo tipo de terreno e de homens, dificultando a
semeadura e a pregação.E a quem pregar?Aos espinhos?As árvores? As aves?Aos troncos?Sim, pois em cada nação há
homens degenerados de toda a espécie. Há “homens espinhos”, que são bárbaros e incultos. Há “homens árvores”,
pois há arvores que dão frutos, flores, muitos galhos, e aquelas que estão sempre secas, cheias da sua própria morte.
Há “homens aves”, que se sentem tão livres que não tem porto seguro. Há “homens troncos” que só conhecem a
brutalidade. Então se há todo tipo de homem há de haver todo tipo de palavra semeadora. E se a palavra prosperar será
louvor do semeador não do homem, assim como se a palavra não proceder é do semeador a derrota. Daí a importância
do pregador com toda sua bagagem com habilidades de pescador. Frutificar a palavra é plantar amor nos corações dos
homens. É perseverar diante das dificuldades, é sentir-se vitorioso de cada pequena semente que vinga. É amar sem
limites, mesmo que o limite lhe atropele o caminho. Muita diferença há entre o pregador e o semeador. O pregador,
fala. O semeador,semeia, faz com as mãos. O semeador dá o exemplo, faz a obra, vive a palavra. Vieira questiona;
Porque hoje há tantos pregadores e tão poucos semeadores? Contaminem aos homens com boas palavras para a
salvação do mundo.
Questões:
01. Escolha a alternativa que completa de forma correta a frase abaixo:
A linguagem ______, o paradoxo, ________ e o registro das impressões sensoriais são recursos linguísticos presentes
na poesia ________.
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LÍNGUA PORTUGUESA/LITERATURA
e) O conceptismo caracteriza-se pela linguagem rebuscada, culta, extravagante, enquanto o cultismo é marcado pelo
jogo de ideias, seguindo um raciocínio lógico, racionalista.
04.
Ardor em firme coração nascido;
Pranto por belos olhos derramado;
Incêndio em mares de água disfarçado;
Rio de neve em fogo convertido:
09. A preocupação com a brevidade da vida induz o poeta barroco a assumir uma atitude que:
a) descrê da misericórdia divina e contesta os valores da religião;
b) desiste de lutar contra o tempo, menosprezando a mocidade e a beleza;
c) se deixa subjugar pelo desânimo e pela apatia dos céticos;
d) se revolta contra os insondáveis desígnios de Deus;
e) quer gozar ao máximo seus dias, enquanto a mocidade dura.
ARCADISMO
O Arcadismo, também conhecido como Setecentismo ou Neoclassicismo, é o movimento que compreende a produção
literária brasileira na segunda metade do século XVIII. O nome faz referência à Arcádia, região do sul da Grécia que,
por sua vez, foi nomeada em referência ao semideus Arcas (filho de Zeus e Calisto).
Denota-se, logo de início, as referências à mitologia grega que perpassa o movimento.
Profundas mudanças no contexto histórico mundial caracterizam o período, tais como a ascenção do Iluminismo, que
pressupunha o racionalismo, o progresso e as ciências. Na América do Norte, ocorre a Independência dos Estados
Unidos, em 1776, abrindo caminho para vários movimentos de independência ao longo de toda a América, como foi o
caso do Brasil, que prsenciou inúmeras revoluções e inconfidências até a chegada da Família Real em 1808.
O movimento tem características reformistas, pois seu intuito era o de dar novos ares às artes e ao ensino, aos hábitos
e atitudes da época. A aristocracia em declínio viu sua riqueza esvair-se e dar lugar a uma nova organização
econômica liderada pelo pensamento burguês.
Ao passo que os textos produzidos no período convencionado de Quinhentismo sofreram influência direta de Portugal
e aqueles produzidos durante o Barroco, da cultura espanhola, os do Arcadismo, por sua vez, foram influenciados pela
cultura francesa devido aos acontecimentos movidos pela burguesia que sacudiram toda a Europa (e o mundo
Ocidental).
Segundo o crítico Alfredo Bosi em seu livro História Concisa da Literatura Brasileira (São Paulo: editora Cultrix,
2006) houve dois momentos do Arcadismo no Brasil:
a) poético: retorno à tradição clássica com a utilização dos seus modelos, e valorização da natureza e da mitologia.
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LÍNGUA PORTUGUESA/LITERATURA
b) ideológico: influenciados pela filosofia presente no Iluminismo, que traduz a crítica da burguesia culta aos abusos
da nobreza e do clero.
Seus principais autores são Cláudio Manoel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga, Basílio da Gama e Santa Rita Durão.
No Brasil, o ano convencionado para o início do Arcadismo é 1768, quando houve a publicação de Obras, do poeta
Claudio Manoel da Costa.
Arcádia Ultramarina
Trata-se de uma sociedade literária fundada na cidade de Vila Rica (MG), influenciada pela Arcádia italiana (fundad
em 1690) e cujos membros adotavam pseudônimos, isto é, nomes artísticos, de pastores cantados na poesia grega ou
latina. Por isso que alguns dos principais nomes do Arcadismo brasileiro publicavam suas obras com nomes
inspirados na mitologia grega e romana.
Principais características
- inspiração nos modelos clássicos greco-latinos e renascentistas, como por exemplo, em O Uraguai (gênero épico),
em Marília de Dirceu (gênero lírico) e em Cartas Chilenas (gênero satírico);
- influência da filosofia francesa;
- mitologia pagã como elemento estético;
- o bom selvagem, expressão do filósofo Jean-Jacques Rousseau, denota a pureza dos nativos da terra fazem menção à
natureza e à busca pela vida simples, bucólica e pastoril;
- tensão entre o burguês culto, da cidade, contra a aristocracia;
- pastoralismo: poetas simples e humildes;
- bucolismo: busca pelos valores da natureza;
- nativismo: referências à terra e ao mundo natural;
- tom confessional;
- estado de espírito de espontaneidade dos sentimentos;
- exaltação da pureza, da ingenuidade e da beleza.
Termos em latim
O uso de expressões em latim era comum no neoclassicismo. Elas estavam associadas ao estilo de vida simples e
bucólico. Conheça algumas delas:
Inutiliatruncat: "cortar o inútil", referência aos excessos cometidos pelas obras do barroco. No arcadismo, os poetas
primavam pela simplicidade.
Fugereurbem: "fugir da cidade", do escritor clássico Horácio;
Locusamoenus: "lugar ameno", um refúgio ameno em detrimento dos centros urbanos monárquicos;
Carpe diem: "aproveitar a vida", o pastor, ciente da efemeridade do tempo, convida sua amada a aproveitar o momento
presente.
Cabe ressaltar, no entanto, que os membros da Arcádia eram todos burgueses e habitantes dos centros urbanos. Por
isso a eles são atribuídos um fingimento poético, isto é, a simulação de sentimentos fictícios.
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LÍNGUA PORTUGUESA/LITERATURA
Nasceu na cidade de Ribeirão do Carmo (hoje Mariana), em Minas Gerais, no ano de 1729. Aos vinte anos foi a
Portugal para estudar Direito na faculdade de Coimbra, dividindo as obrigações do curso com a produção literária.
Depois de terminada a faculdade, retorna ao Brasil onde exerce a função de advogado na então cidade de Vila Rica
(hoje Ouro Preto).
Em Minas Gerais ajudou a fundar a Arcádia Ultramarina com os poetas com Manuel Inácio da Silva, Silva Alvarenga
e Tomás Antônio Gonzaga entre outros poetas e intelectuais. Adotou, no ano de 1773, o pseudônimo de
GlaucesteSatúrnio, sob o qual escreveu a maioria de suas poesias.
Inspirados pelo pensamento iluminista, os integrantes da Arcádia desenvolveram uma conspiração política contra o
governador da capitania, culminando na Conjuração Mineira. Por essa época, sua poesia adquire um tom político e o
poeta se mostra preocupado com diversas questões políticas e sociais. O movimento levou seus membros à prisão, sob
acusação de lesa-majestade, isto é, de traição ao rei de Portugal.
Por seu envolvimento na Conjuração Mineira, o poeta foi encontrado morto em sua cela no ano de 1789. A causa da
sua morte ainda não foi esclarecida e alguns historiadores acreditam que ele tenha sido morto a mando do Governador,
outros, que ele haveria cometido suicídio.
Anos mais tarde, ao final do século XIX, como homenagem, Claudio Manoel da Costa foi escolhido o Patrono da
cadeira de número oito da Academia Brasileira de Letras.
Obras
Claudio Manoel da Costa é considerado o primeiro poeta do movimento árcade brasileiro, embora ainda apresente
características barrocas em toda a sua obra, principalmente no que diz respeito aos estilos cultista e conceptista
utilizados, compondo poemas perfeitos na forma e na linguagem. Por isso, costuma-se dizer que Claudio Manoel da
Costa é um poeta de transição entre o barroco e o arcadismo. Além disso, seus poemas têm influência dos versos
camonianos.
O início do movimento árcade na literatura brasileira tem como marco a publicação de sua coletânea de poemas
intitulada Obras (1768). Diferentemente da produção poética anterior, Claudio Manoel da Costa prioriza o retrato da
natureza como um local de refúgio dos problemas da vida urbana, onde o poeta/pastor pode desfrutar da vida rural.
Seus temas giram em torno de reflexões morais e das contradições da vida, além de ter escrito um poema épico, Vila
Rica, no qual exalta o bandeirantes, exploradores do interior do país além, é claro, da fundação da cidade de mesmo
nome.
OBRA:
Trecho do poema Vila Rica, Canto VII
Basílio da Gama
Basílio da Gama (1741-1795) nasceu na atual Tiradentes (MG). Estudou no Rio de Janeiro para ser padre jesuíta, mas
se desligou da Ordem em 1760. Acabou preso em Portugal e, depois de solto, foi trabalhar com Marquês do Pombal.
Conhecedor de várias línguas, além de escrever poesia também se dedicou à tradução.
CANTO PRIMEIRO
EXERCÍCIOS
01. Assinale o que não se refere ao Arcadismo:
a) Época do Iluminismo (século XVIII) – Racionalismo, clareza, simplicidade.
b) Volta aos princípios clássicos greco-romanos e renascentistas (o belo, o bem, a verdade, a perfeição, a imitação da
natureza).
c) Ornamentação estilística, predomínio da ordem inversa, excesso de figuras.
d) Pastoralismo, bucolismo suaves idílios campestres.
e) Apoia-se em temas clássicos e tem como lema: inutiliatruncat (“corta o que é inútil”).
a) Barroco / Contrarreforma.
b) Arcadismo / Iluminismo
c) Romantismo / Revolução Industrial.
d) Arcadismo / Anti-Classicismo
e) Arcadismo / Racionalismo
07. Poema satírico sobre os desmando administrativos e morais imputados a Luís da Cunha Menezes, que governou a
Capitania das Minas de 1783 e 1788:
a) Marília de Dirceu
b) Vila Rica
c) Fábula do Ribeirão do Carmo
d) Caras Chilenas
e) O Uruguai
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LÍNGUA PORTUGUESA/LITERATURA
08. Em seu poema épico, tenta conciliar a louvação do Marquês de Pombal e o heroísmo do índio. Afasta-se do
modelo de Os Lusíadas e emprega como maravilhoso o fetichismo indígena.
a) O escritor árcade reaproveita os seres criados pela mitologia greco-romana, deuses e entidades pagãs. Mas esses
mesmos deuses convivem com outros seres do mundo cristão.
b) A produção literária do Arcadismo brasileiro constitui-se sobretudo de poesia, que pode ser lírico-amorosa, épica e
satírica.
c) O árcade recusa o jogo de palavras e as complicadas construções da linguagem barroca, preferindo a clareza, a
ordem lógica na escrita.
d) O poema épico Caramuru, de Santa Rita Durão, tem como assunto o descobrimento da Bahia, levado a efeito por
Diogo Álvares Correia, misto de missionários e colonos português.
e) A morte de Moema,índia que se deixa picar por uma serpente, como prova de fidelidade e amor ao índio Cacambo,
é trecho mais conhecido da obra O Uruguai, de Basílio da Gama.
I) O Uruguai, poema épico que antecipa em várias direções o Romantismo, é motivado por dois propósitos
indisfarçáveis: exaltação da política pombalina e antijesuitismo radical.
II) O (A) autor(a) do poema épico Vila Rica, no qual exalta os bandeirantes e narra a história da atual Ouro Preto,
desde a sua fundação, cultivou a poesia bucólica, pastoril, na qual menciona a natureza como refúgio.
III) Em Marília de Dirceu, Marília é quase sempre um vocativo; embora tenha a estrutura de um diálogo, a obra é um
monólogo – só Gonzaga fala, raciocina; constantemente cai em contradição quanto à sua postura de Spastor e sua
realidade de burguês.
Está(ão) Correta(s):
a) Apenas I
b) Apenas II
c) Apenas I e II
d) Apenas I e III
e) Todas
ROMANTISMO
O romantismo é todo um período cultural, artístico e literário que se inicia na Europa no final do século XVIII,
espalhando-se pelo mundo até o final do século XIX.
O berço do romantismo pode ser considerado três países: Itália, Alemanha e Inglaterra. Porém, na França, o
romantismo ganha força como em nenhum outro país e, através dos artistas franceses, os ideais românticos espalham-
se pela Europa e pela América.
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LÍNGUA PORTUGUESA/LITERATURA
As características principais deste período são: valorização das emoções, liberdade de criação, amor platônico, temas
religiosos, individualismo, nacionalismo e história. Este período foi fortemente influenciado pelos ideais do
iluminismo e pela liberdade conquistada na Revolução Francesa.
Literatura
Foi através da poesia lírica que o romantismo ganhou formato na literatura dos séculos XVIII e XIX. Os poetas
românticos usavam e abusavam das metáforas, palavras estrangeiras, frases diretas e comparações. Os principais
temas abordados eram: amores platônicos, acontecimentos históricos nacionais, a morte e seus mistérios. As principais
obras românticas são: Cantos e Inocência do poeta inglês William Blake, Os Sofrimentos do Jovem Werther e Fausto
do alemão Goethe, Baladas Líricas do inglês William Wordsworth e diversas poesias de Lord Byron. Na França,
destaca-se Os Miseráveis de Victor Hugo e Os Três Mosqueteiros de Alexandre Dumas.
O ROMANTISMO NO BRASIL
Em nossa terra, inicia-se em 1836 com a publicação, na França, da Nictheroy - Revista Brasiliense, por Gonçalves de
Magalhães. Neste período, nosso país ainda vivia sob a euforia da Independência do Brasil. Os artistas brasileiros
buscaram sua fonte de inspiração na natureza e nas questões sociais e políticas do pais. As obras brasileiras
valorizavam o amor sofrido, a religiosidade cristã, a importância de nossa natureza, a formação histórica do nosso pais
e o cotidiano popular.
1ª Geração- conhecida também como nacionalista ou indianista, pois os escritores desta fase valorizaram muito os
temas nacionais, fatos históricos e a vida do índio, que era apresentado como " bom selvagem" e, portanto, o símbolo
cultural do Brasil. Destaca-se nesta fase os seguintes escritores : Gonçalves de Magalhães, Gonçalves Dias, Araújo
Porto Alegre e Teixeira e Souza.
Gonçalves Dias
Gonçalves Dias (1823-1864) foi poeta e teatrólogo brasileiro. É lembrado como o grande poeta indianista da geração
romântica. Deu romantismo ao tema índio e uma feição nacional à sua literatura. É lembrado como um dos melhores
poetas líricos da literatura brasileira. É Patrono da cadeira nº 15 da Academia Brasileira de Letras.
Gonçalves Dias (1823-1864) nasceu nos arredores de Caxias, no Maranhão, no dia 10 de agosto de 1823. Filho de um
comerciante português e uma mestiça. Iniciou seus estudos no Maranhão e ainda jovem viaja para Portugal. Em 1838
ingressa no Colégio das Artes em Coimbra, onde conclui o curso secundário. Em 1840 ingressa na Universidade de
Direito de Coimbra, onde tem contato com escritores do romantismo português, entre eles, Almeida Garret, Alexandre
Herculano e Feliciano de Castilho. Ainda em Coimbra, em 1843, escreve seu famoso poema "Canção do Exílio", onde
expressa o sentimento da solidão e do exílio.
Gonçalves Dias volta ao Maranhão em 1845, depois de formado em Direito. Ocupa vários cargos no governo imperial
e realiza diversas viagens à Europa. Vai para o Rio de Janeiro em 1846 e em 1847 publica o livro "Primeiros Cantos",
que recebe elogios de Alexandre Herculano, poeta romântico português. Ao apresentar o livro, Gonçalves Dias
confessa: "Dei o nome Primeiros Cantos às poesias que agora publico, porque espero que não sejam as últimas". Em
1848 publica o livro "Segundos Cantos".
Em 1849, é nomeado professor de Latim e História do Brasil no Colégio Pedro II. Durante esse período escreve para
várias publicações, entre elas, o Jornal do Comércio, a Gazeta Mercantil e para o Correio da Tarde. Fundou a Revista
Literária Guanabara.
25
LÍNGUA PORTUGUESA/LITERATURA
Gonçalves Dias publica em 1851 o livro "Últimos Cantos". Regressa ao Maranhão, e conhece Ana Amélia Ferreira do
Vale, por quem se apaixona. Por ele ser mestiço, a família dela proíbe o casamento. Mais tarde casa-se com Olímpia
da Costa.
Gonçalves Dias exerceu o cargo de oficial da Secretaria de Negócios Estrangeiros, foi várias vezes à Europa e em
1854, em Portugal, encontra-se com Ana Amélia, já casada. Esse encontro inspira o poeta a escrever o poema "Ainda
Uma Vez — Adeus!".
Em 1862, Antônio Gonçalves Dias vai à Europa para tratamento de saúde. Sem resultados embarca de volta no dia 10
de setembro de 1864. No dia 3 de novembro o navio francês Ville de Boulogne em que estava, naufraga perto do Farol
de Itacolomi, na costa do Maranhão, onde o poeta falece.
Obras de Gonçalves Dias
Beatriz Cenci, teatro, 1843;
Patkull, teatro, 1843;
Meditação, prosa, 1845;
Primeiros Cantos, poesia, 1846;
Canção do Exílio, poema, 1846;
Canto do Piága, poesia, 1846;
Segundos Cantos, poesia, 1848;
Sextilhas do Frei Antão, poemas, 1848;
Últimos Cantos, poesia, 1851;
I - Juca Pirama, poema, 1851;
Cantos, poesia, 1857;
Os Timbiras, poesia, 1857, (inacabado);
Dicionário da Língua Tupi, 1858;
Canção do Tamoio, poema;
Marabá, poema;
Ainda Uma Vez - Adeus, poema;
Olhos Verdes, poema;
O Canto do Guerreiro, poema;
Gonçalves Dias entrelaça a poesia sobre a natureza e a poesia saudosista. O poeta maranhense, em seus verso, lembra
da infância, dos amores idos e vindos. Na Europa sente-se exilado e é levado até sua terra natal. "Canção do Exílio" é
um clássico de nossa literatura:
Canção do Exílio
O canto do Piaga
I
Ó Guerreiros da Taba sagrada,
Ó Guerreiros da Tribo Tupi,
Falam Deuses nos cantos do Piaga,
Ó Guerreiros, meus cantos ouvi.
27
LÍNGUA PORTUGUESA/LITERATURA
Era feio, medonho, tremendo,
Ó Guerreiros, o espectro que eu vi.
Falam Deuses nos cantos do Piaga,
Ó Guerreiros, meus cantos ouvi!
2ª Geração - conhecida como Mal do século, Byroniana ou fase ultrarromântica. Os escritores desta época retratavam
os temas amorosos levados ao extremo e as poesias são marcadas por um profundo pessimismo, valorização da morte,
tristeza e uma visão decadente da vida e da sociedade. Muitos escritores deste período morreram ainda jovens.
Podemos destacar os seguintes escritores desta fase: Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu e Junqueira Freire.
Manuel Antônio Álvares de Azevedo, filho do doutor Inácio Manuel Álvares de Azevedo e dona Luísa Azevedo, foi
extremamente devotado à família, como se pode ver pelo início de um de seus mais célebres poemas:
"Se eu morresse amanhã, viria ao menos / Fechar meus olhos minha triste irmã; / Minha mãe de saudades morreria /
Se eu morresse amanhã!"
Pertenceu à chamada segunda geração do Romantismo brasileiro, influenciada pelo poeta Byron, cuja poesia se
caracterizou pelo ultrarromantismo, subjetividade e pessimismo frente à vida.
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LÍNGUA PORTUGUESA/LITERATURA
Em todo o mundo, os integrantes dessa tendência romântica olhavam com desencanto para a vida e consideravam o
sentimento do tédio como o "mal do século". Levavam vidas boêmias e desregradas, o que levou grande parte deles a
contrair tuberculose.
A morte constitui o tema de grande parte dos poemas de Álvares de Azevedo. O paradoxo é que sendo ele o poeta dos
versos sombrios e cinzentos, também cultivou o humorismo na sua poesia, devido à irreverente ironia de alguns dos
seus poemas, como o famoso "Namoro a cavalo" ou "A lagartixa" que começa com os seguintes versos:
"A lagartixa ao sol ardente vive/ E fazendo verão o corpo espicha:/ O clarão de teus olhos me dá vida/ Tu és o sol e eu
sou a lagartixa.
Outro elemento constante em suas poesias é a mulher, ora apresentada como virgem, bondosa e amada, ora prostituta,
ordinária e vadia. Seus poemas também são marcados pelo patriotismo e o saudosismo da infância, além de certo
satanismo, ligado à morbidez e à rebeldia dos românticos.
Álvares de Azevedo foi vitimado pela tuberculose aos 21 anos incompletos. Todas suas obras foram publicadas em
livro postumamente: os poemas de "Lira dos Vinte Anos", a peça teatral "Macário", e o livro de contos "A Noite na
Taverna".
Álvares de Azevedo é a patrono da Cadeira no 2 da Academia Brasileira de Letras.
SE EU MORRESSE AMANHÃ
Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!
LEMBRANÇA DE MORRER
Quando em meu peito rebentar-se a fibra,
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nenhuma lágrima
Em pálpebra demente.
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LÍNGUA PORTUGUESA/LITERATURA
E nem desfolhem na matéria impura
A flor do vale que adormece ao vento:
Não quero que uma nota de alegria
Se cale por meu triste passamento.
Casimiro de Abreu
Casimiro José Marque de Abreu foi um importante poeta brasileiro da Segunda Geração Romântica. Nasceu na cidade
de Barra de São João, atual Casimirana (Rio de Janeiro) em 1837.
Em 1853, foi morar, junto com o pai, em Portugal, país onde escreveu grande parte de sua obra.
Autor de “Primaveras”, coleção de poesias de caráter melancólico e sentimental. Utilizava uma grande simplicidade
na forma de escrever, aliada a um sentimento exagerado e apaixonado. Suas poesias tratavam de temas relacionados à
sua vida, à casa do pai, ao amor e á saudade da terra natal.
Tuberculoso, morreu com apenas 23 anos, em 1860, numa fazenda nos arredores da cidade onde nasceu. Suas poesias
fazem sucesso até hoje, principalmente, no Brasil e Portugal.
Principais obras de Casimiro de Abreu
- As Primaveras (único livro de poesias) - publicado em 1859.
3ª Geração - conhecida como geração condoreira, poesia social ou hugoana. Textos marcados por crítica social. Castro
Alves, o maior representante desta fase, criticou de forma direta a escravidão no poema Navio Negreiro.
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LÍNGUA PORTUGUESA/LITERATURA
“Navio Negreiro”:
Era um sonho dantesco... O tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho,
Em sangue a se banhar,
Tinir de ferros... estalar de açoite...
Legiões de homens negros como a noite
Horrendos a dançar...
A ideologia romântico medieval que embasa O Guarani toma a composição piramidal da sociedade, dividida em
"senhor" e "servos", em "suserano" e "vassalos", e em "soberano" e "súdito", como princípio natural da ordem e da
paz. D. Antônio Mariz exerce em seus domínios o direito natural, conforme concebido na Idade Média, a partir da
Suma Teológica, de Santo Tomás de Aquino. O chefe praticava tanto a lei natural quanto a lei humana. Para Santo
Tomás de Aquino, a lei natural é o ato da razão e vontade de Deus, que prescreve a observância da origem moral,
proíbe a violação e que se manifesta às criaturas na luz natural da razão; e a lei humana é um preceito da
razãoordenado para o bem da sociedade, emanado da autoridade competente e por ela promulgado (Suma Teológica,
XCIV, 1 e XCVI, 4). D. Antônio Mariz tipifica o exercício das duas leis, como um senhor feudal que associa o poder
humano e espiritual, sendo guerreiro e sacerdote ao mesmo tempo: "Assim vivia, e no meio do sertão, desconhecida e
ignorada, essa pequena comunhão de homens, governando-se com as suas leis, com seus usos e costumes; unidos
entre si pela ambição da riqueza e ligados ao seu chefe pelo respeito, pelo habito da obediência e por essa
superioridade moral que a inteligência e a coragem exercem sobre as massas.
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LÍNGUA PORTUGUESA/LITERATURA
A ideologia romântico-medieval que ilustramos até aqui com exemplos do romance é justificada por uma espécie de
“modelo natural” que envolve o cenário e as personagens desde a primeira página. Aí, como já referido, a descrição
entre o rio Paquequer e o Paraíba é assim descrita: "dir-se-ia que vassalo e tributário desse rei das águas, o pequeno
rio, altivo e sobranceiro com os rochedos, curva-se humildemente aos pés do suserano. Perde então a beleza selvática:
suas ondas são calmas e serenas como as de um lago, e não se revoltam contra os barcos e as canoas que resvalam
sobre elas: escravo submisso sofre o látego do senhor."
Essa descrição inicial vale como índice não só da estrutura feudal dentro da sociedade chefiada por D. Antônio, mas
também da situação inicial de Peri diante de Ceci. O índio guarani (goitacá) chama a fidalga portuguesa de Iara, que
significa Senhora, e aparece referenciado várias vezes como escravo submisso, diante da mulher que ele adora com
fervor religioso, como um devoto diante de Nossa Senhora, ela Virgem Maria, de que já ouvira falar na educação
mariana dos jesuítas, com a qual teve um ligeiro contato. Ao final, senhora e escravo serão descritos como irmã e
irmão, sugerindo uma integração total dos elementos, de acordo, com a ideologia do autor, que agora vai afirmar a
supremacia da Natureza sobre a Cultura, pois só com a integração total na natureza poderia haver paz.
Conflitos - Natureza e Cultura - Os bons e os maus
O 2º Movimento é o em que os conflitos começam a se delinear, as personagens vão entrando em choque até a quase
destruição de todos eles.
O código dramático, a ação conflitual instaura-se quando elementos conflitantes começam a emergir dentro de um
clima harmonioso que marca o início do romance e que ocultava os conflitos latentes entre o natural e o cultural e as
oposições internas dentro de cada conjunto.
Assim, há dois eixos fundamentais e, em torno deles, desdobram-se todas as relações conflituais:
1º - Natureza x Cultura
2º - Os Bons x Os Maus
Formam-se assim quatro subconjuntos:
1. Os bons da natureza - Peri e os índios da tribo goitacá, pertencente à nação guarani, dóceis, nobres, leais, tomados
dentro de uma perspectiva sempre positiva.
2. Os maus da natureza - os índios aimorés, antropófagos, descritos com "fisionomias sinistras, nas quais as braveza,
ignorância e os instintos carniceiros tinham quase de todo apagado o cunho da raça humana".
3. Os bons da cultura - D. Antônio Mariz, sua família, especilamente Cecília e, pouco abaixo, Diogo, o filho
desastrado; D. Lauriana, a esposa paulista orgulhosa, preconceituosa; Isabel, a suposta filha natural do fidalgo com
uma índia, que ele não perfilhou, mas assumiu discretamente como filha adotiva. Seguem-se o cavalheiro Álvaro,
corajoso, cortês, dentro do mais restrito figurino das novelas medievais e o escudeiro de D. Antônio, Aires Gomes,
espécie de chefe-de-armas do fidalgo.
4. Os maus da cultura - capitaneados pelo vilão, assassino e traidor Loredano, ex-freiÃngelodiLucca, que de posse do
roteiro das minas de prata descobertas por Ribeiro Dias, no interior da Bahia, pretende vender o seu segredo ao Rei de
Espanha, enriquecer e, ainda, destruir D. Antônio Mariz e sua família, raptar e possuir sexualmente, pela força, se
necessário, a casta filha loira de olhos azuis do fidalgo. Seguem-se-lhe os demais aventureiros: Rui Soeiro e Bento
Simões, entre os mais ativos.
Os elementos negativos e positivos da cultura e da natureza acabam polarizando-se em relações opositivas, regidas por
um sentido geral de simetria, cuja bilateralidade vai compondo módulos narrativos que mantêm uma perfeita
proporcionalidade.
A partir do segundo capítulo, Alencar começa a desdobrar os sujeitos em pares opostos, repetindo um modo dual de
oposição, seja segundo a raça, a moral, a nacionalidade, a religião, os costumes e os sentimentos.
D. Antônio Mariz, fidalgo português, e sua esposa, D. Lauriana, paulista, não fidalga.
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Cecília, filha legítima, loira de olhos azuis, e sua irmã por adoção, Isabel, filha natural "dos amores do fidalgo por uma
índia", morena de cabelos e olhos escuros.
Álvaro, cavalheiro gentil, de fala cortês e bem cuidada, pretendente à mão de Cecília, Loredano, bandido e assassino,
de fala italianada, recheada de lugares-comuns, que pretende raptar Cecília e destruir seu pai.
Álvaro e Loredano - O mocinho e o Bandido
Personagens antagônicos, esse antagonismo é referenciado pela própria natureza que os envolve. No primeiro lance do
capítulo III, os encontramos caminhando paralelamente, junto ao rio Paraíba, numa conversa também paralela, em
diálogo que não se entrelaça, e mais parece um duelo verbal:
"Uma dessas ocasiões, em que os cavaleiros se aproximaram da tropa que seguia a alguns passos, um moço de vinte e
oito anos, bem parecido, e que marchava à frente do troço, governando o seu cavalo com muito garbo e gentileza,
quebrou o silêncio geral.
De maneira concisa, a descrição começa a talhar a personagem que exerce a função de autoridade na tropa, ressaltando
as qualidades positivas na aparência e na maneira nobre como domina a sua montaria. A gentileza do exercício do
mando emerge com a frase alegre de Álvaro:
"— Vamos, rapazes! disse ele alegremente aos caminheiros; um pouco de diligência, e chegaremos com cedo.
Restam-nos apenas umas quatro léguas!"
A voz do cavalheiro abre um diálogo tenso, através do qual Alencar, também hábil dramaturgo, constrói pela
alternância das falas as personalidades antagônicas de Álvaro e de Loredano, definindo seus sentimentos e perfis
morais: o bom-mocismo do primeiro e a mordacidade do segundo:
"Um dos bandeiristas, ao ouvir estas palavras, chegou as esporas à cavalgadura e, avançando algumas braças, colocou-
se ao lado do moço.
— Ao que parece, tendes pressa de chegar, Sr. Álvaro de Sá? disse ele com um ligeiro acento italiano, e um meio
sorriso cuja expressão de ironia era disfarçada por uma benevolência suspeita.
— Decerto, Sr. Loredano: nada é mais natural a quem viaja, do que o desejo de chegar.
— Não digo o contrário; mas confessareis que nada também é mais natural a quem viaja, do que poupar os seus
animais.
—Que quereis dizer com isto, Sr. Loredano? Perguntou Álvaro com um movimento de enfado.
— Quero dizer, sr. cavalheiro, respondeu o italiano em tom de mofa e medindo com os olhos a altura do sol, que
chegaremos hoje pouco antes das seis horas.
Álvaro corou.
— Não vejo em que isto vos cause reparo; a alguma hora havíamos chegar; e melhor é que seja de dia, do que de
noite.
— Assim como melhor é que seja em um sábado do que em outro qualquer dia! replicou o italiano no mesmo tom.
Um novo rubor assomou às faces de Álvaro, que não pôde disfarçar o seu enleio; mas, recobrando o desembaraço,
soltou uma risada, e respondeu:
— Ora, Deus, Sr. Loredano; estais aí a falar-me na ponta dos beiços e com meias palavras; à fé de cavalheiro que não
vos entendo.
— Assim deve ser. Diz a escritura que não há pior surdo do que aquele que não quer ouvir.
— Oh! temos anexim! Aposto que aprendestes isto agora em São Sebastião; foi alguma velha beata, ou algum
licenciado em Cânones que vos ensinou? disse o cavalheiro gracejando.
— Nem um nem outro, sr. cavalheiro, foi um fanqueiro da Rua dos Mercadores, que por sinal também me mostrou
custoso brocados e lindas arrecadas de perólas, bem próprias para o mimo de um gentil cavalheiro à sua dama.
Álvaro enrubesceu pela terceira vez.
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LÍNGUA PORTUGUESA/LITERATURA
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— Excelente. Vede, vós, tenho visto coisas que se passam diante dos outros, e que ninguém percebe, porque não se
quer dar ao trabalho de olhar como eu: disse o italiano com o seu ar de simplicidade fingida.
— Contai-nos isto, há de ser curioso.
— Ao contrário, é o mais natural possível: um moço que apanha uma flor ou um homem que passeia de noite às luz
das estrelas... Pode haver coisa mais simples?
Álvaro me empalideceu desta vez.
— Sabeis uma coisa, Sr. Loredano?
— Saberei, cavalheiro, se me fizerdes a honra de dizer.
— está me parecendo que a vossa habilidade de observador levou-vos muito longe, e que fazeis nem mais nem menos
do que o ofício de espião.
Álvaro intervém com afirmações diretas e recusa-se a conversar "com meias palavras", apresentando sua opção pela
franqueza, seu apreço à verdade e sua prática obediente e leal a Dom Antônio Mariz. Este é evocado para demarcar o
universo do bem e para construir e legitimar autoridade do jovem sobre a tropa. Assim, ao enfrentar as insinuações de
Loredano com recursos próprios à fidalguia, Álvaro revela não dispor de armas adequadas para tratar com a baixeza.
Com esses traços, o narrador desenha o moço virtuoso que habita o reino da inocência e deste extrai um amor casto,
trazendo mais um fio para o tecido romanesco. O moço sente-se surpreendido, pois seu interlocutor alude a um
sentimento que ele julgava oculto. O traço ingênuo da personagem manifesta-se no seu constrangimento não só por
titubear para responder ao tropeiro, mas sobretudo pelas anotações do narrador ao registrar que o moço três vezes
enrubesce e finalmente empalidece.
Desta forma, Alencar põe em cena um preposto do Dom Antônio Mariz que conquista essa condição por sua conduta
de lealdade e generosidade. A narrativa confirmará o caráter virtuoso e ingênuo de Álvaro provendo para ele ações
que lhe permitam explicitar suas qualidades. O moço que apanha a flor e suspira será reencontrado quando deposita
um presente na janela de Ceci ou quando a ela dirige a palavra de maneira tímida e respeitosa. A lealdade ao fidalgo
será reiterada quando se compromete a casar-se com sua filha, renunciando a realizar sua paixão por Isabel, ou ainda
por atirar-se à morte numa batalha. Tudo se dá como convém a um cavalheiro a quem o narrador não destina a
princesa ou a um jovem a quem Alencar não atribuiu participação decisiva ao processo de configuração do país.
A esta figura contrapõe-se Loredano. Suas intervenções no diálogo são construídas por dois recursos fundamentais: a
frase formulada de modo alusivo e o tom irônico. Considerando apenas sua fala, o leitor já percebe que falta grandeza
a este homem para enfrentar a situação de conflito, pois ele opta pelas "meias palavras" e revela que seus
conhecimentos sobre Álvaro decorrem da atitude de espreita. Mas fundamental para dar a esta personagem o talhe de
grande vilão são os comentários do narrador:“Decididamente o sarcástico italiano, com o seu espírito mordaz, achava
meio de ligar a todas as perguntas do moço uma alusão que o incomodava; e isto no tom mais natural do mundo”.
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Nestas condições, o italiano lançava sobre ele um olhar a fundo, cheio de malícia e ironia; depois continuava a
assobiar entre dentes uma cançoneta de condottiere, de quem ele apresentava o verdadeiro tipo.
Um rosto moreno, coberto por uma longa barba negra, entre a qual o sorriso desdenhoso fazia brilhar a alvura de seus
dentes; olhos vivos, a fronte larga, descoberta pela chapéu desabado que caía sobre o ombro; alta estatura, e uma
constituição forte, ágil e musculosa eram os principais traços deste aventureiro.
Ele é pródigo em adjetivos para qualificar o tropeiro como encarnação do vício e revela as paixões vis que lhe dão a
estatura de agente do mundo demoníaco tão necessário para viabilizar o conflito da estória romanesca. A voz narrativa
intercala-se com as frases de Loredano e descreve seu comportamento, realizando um movimento eficaz para anunciar
que ele se constitui pela fraude. O narrador segue de perto a personagem e indica-lhe o modo de proceder pautado por
disfarces e saudações. “Assim, o leitor vê que “a expressão de ironia era disfarçada por uma benevolência suspeita”;
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LÍNGUA PORTUGUESA/LITERATURA
que “o sarcástico italiano, com seu espírito mordaz”, destilava sua malícia “no tom mais natural do mundo”; no tom
mais natural do mundo”; que se apresenta "com uma ingenuidade simulada".
Cecília e Isabel - A Loira e a Morena — A "Mulher-Anjo" e a "Mulher-Demônio"
O narrador retoma o mesmo recurso do contraste que utilizou para caracterizar Álvaro e Loredano; a virgem loira é
descrita em um longo trecho, que integra a roupa, a moral, a fisionomia e o ambiente para em que imagens elevadas,
de nítido gosto romântico, compor a personalidade de Ceci, aproximada das flores, dos pássaros e da ideia de inefável,
gracioso, infantil e angelical.
Isabel tem sua beleza caracterizada como "o tipo brasileiro", revestido de languidez, malícia, indolência e vivacidade,
um tipo bem mais terreno, com seus traços humanos mais vincados, os "cabelos pretos", os "lábios desdenhosos", em
três parágrafos curtos e precisos:Era um tipo inteiramente diferente do de Cecília; era o tipo brasileiro em toda sua
graça e formosura, com o encantador contraste de languidez e malícia, de indolência e vivacidade.
Os olhos grandes e negros, o rosto moreno e rosado, cabelos pretos, lábios desdenhosos, sorriso provocador, davam a
este rosto um poder de sedução irresistível.
Ela parou em face de Cecília meio deitada sobre a rede, e não pode furtar-se à admiração que lhe inspirava essa beleza
delicada, de contornos tão suaves; e uma sombra imperceptível, talvez de um despeito, passou pelo seu rosto, mas
esvaeceu-se logo.
A imagem sensual enfatiza o "poder de sedução irresistível", capaz não só de despertar sentimentos indignos, mas de
portá-los também, como a insinuada sombra de despeito pela beleza e "superioridade" de Ceci.
Alencar colhe a mestiça em situação de precário equilíbrio entre a marginalização, imposta a ela pela dona da casa, e a
integração a família, sugerida nos cuidados discretos do fidalgo a ela dispensados e claramente explicitada por Ceci,
quando esta lhe propõe tratá-la por irmã. O favor, travestido de afeto, revela-se no testamento de Dom Antônio Mariz.
A condição de filha natural pode ser tolerada na casa, mas o acesso ao nome da família lhe é vedado. Ela não pode
sonhar com o príncipe encantado ao seduzir Álvaro, transformando o compromisso do moço com Ceci em obrigação e
não mais ato de devoção, Isabel conquista o direito de encontrá-lo no céu, longe das normas e dos corpos.
A morte como expiação dos pecados dos amantes e os arquétipos românticos da mulher-anjo e da mulher-demônio
dois elementos modulares da narrativa folhetinesca, que Alencar cumpriu à risca.
Na longa caracterização de Cecília que se vai ler, o narrador esmera-se nas comparações sugestivas, mobilizando
recursos para traduzir a impossibilidade de descrever precisamente tanta graça e beleza: diminutivos, adjetivos,
expressões como "pareciam", "uma espécie de", "um quer que seja de", e comparações que aproximam a graça ao
pequeno e delicado, e a suavidade ao ingênuo e simples. As cores predominantes, branco e azul, mesclam-se ao louro
e rosa.
Fusão de fada, menina e mulher, a ambiguidade aparece entre atitudes de menina e devaneios de moça.
À languidez do corpo motivada pelo encantamento amoroso vivido no sonho segue-se a criança contrariada a bater o
"pezinho", porque em vez de "lindo cavalheiro" via um "selvagem". A imagem onírica perturba o corpo da menina
imprimindo nele movimento de mulher, que leva a personagem a aparecer ‘"toda trêmula", “com o seio palpitante
substituindo o contentamento pela tristeza”. Ela mesma, usando a mediação da contrariedade, localiza a origem da
melancolia na distância entre cavalheiro e selvagem. Já desperta, ela confessa seu sentimento a Isabel e esta também o
vincula ao índio, mas através de outras mediações. As diferenças na interpretação da tristeza reapresentam, sob outro
ângulo, a oposição entre a loura e a morena, contrapondo a inocência de um sonho de amor impossível, de "algum
desses mitos de um coração de moça" à experiência cotidiana de lsabel, que vive na escala intermediária entre o
branco, que domina e o selvagem escravizado.
A apresentação das duas personagens se dá através do emprego de diferentes procedimentos para descrever cada urna
delas e da justaposição de uma cena de diálogo à narração de um sonho. Esta montagem deve alertar o leitor para
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LÍNGUA PORTUGUESA/LITERATURA
tentar reconhecer a elaboração particular que Alencar dá ao cânon romântico de contrapor a loura casta à morena
demoníaca.
Concluindo, O Guarani é inegavelmente belo, válido como obra de arte. A narrativa parte do lendário, mas segue uma
racionalização gradual, com ações rigorosamente distribuídas por capítulos que levam a uma concepção harmônica da
história e à consonância com os manifestos ideais de afirmação do jovem país.
IRACEMA
Lenda criada por Alencar, Iracema explica poeticamente as origens de sua terra natal.
A 'virgem dos lábios de mel' tornou-se símbolo do Ceará, e o filho, Moacir nascido de seus amores com o colonizador
branco Martim representa o primeiro cearense, fruto da integração das duas raças.
Em Iracema, a relação amorosa entre a jovem índia e o fidalgo português Martim, domina toda a obra.
Toda a força poética do livro advém dessa relação amorosa; o demais, a saber, a natureza, a bravura selvagem, a
lealdade do índio etc.., são elementos já tratados em O Guarani e posteriormente em Ubirajara. Por outro lado, a ação
é reduzidíssima, o que dá ao livro um notável espaço lírico de que se valeu Alencar para escrever sua obra mais
poética; A desorientação inicial de Martim, jovem fidalgo português, que se perdera nas matas... O surpreendente
encontro com a jovem índia... A hospitalidade do selvagem brasileiro... O ciúme do guerreiro.... O amor entre os
representantes das duas raças; Iracema e Martim... A nostalgia de Martim por sua terra natal, suas viagens e a tristeza
de Iracema com a mudança inesperada de seu amado... O nascimento de Moacir, filho de dor, e a morte de Iracema...
Essa é praticamente a síntese da fábula do livro.
A figura de Martim Soares Moreno é histórica, assim como a de Potí, o índio que o ajuda, conhecido em nossa história
como Felipe Camarão.
Resumo
Iracema, a virgem tabajara consagrada a Tupã, apaixona-se por Martim, guerreiro branco inimigo dos tabajaras. Por
esse amor abandona sua tribo, tornando-se esposa do inimigo de seu povo. Quando mais tarde percebe que Martim
sente saudades de sua terra e talvez de alguma mulher, começa a sofrer. Nasce-lhe o filho, Moacir, enquanto Martim
está lutando em outras regiões. Ao voltar, ele encontra Iracema prestes a morrer. Parte, então com o filho para outras
terras.
Destaca-se, nesta obra, a linguagem bem elaborada de Alencar. O estilo é artisticamente simples, procurando recriar a
poesia natural da fala indígena, plena de comparações e personificações, o que dá ao livro as características de um
verdadeiro poema.
Fragmento
Este capítulo mostra o momento em que Iracema encontra Martim pela primeira vez. Ele estava no Brasil, em missão
guerreira [conquistar terras para a Coroa Portuguesa] e perdeu-se nas matas, acabando por chegar nos campos dos
tabajaras, a quem ele estava combatendo.
Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema, da graúna, e mais longos que seu talhe
de palmeira.
O favo da jati não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado.
Mais rápida que a ema selvagem a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde campeava sua guerreira
tribo, da grande nação tabajara. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as
primeiras águas.
Um dia, ao pino do sol, ela repousava em um claro da floresta. Banhava-lhe o corpo a sombra da oiticica, mais fresca
do que o orvalho da noite. Os ramos da acácia silvestre esparziam flores sobre os úmidos cabelos. Escondidos na
folhagem os pássaros ameigavam o canto.
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LÍNGUA PORTUGUESA/LITERATURA
Iracema saiu do banho: o aljôfar d'água ainda a roreja, como a doce mangaba que corou em manhã de chuva.
Enquanto repousa, empluma das penas da garra, as flechas de seu arco e concerta com o sabiá da mata, pousado no
galho próximo, o canto agreste.
A graciosa ará, sua companheira e amiga, brinca junto dela. Às vezes sobe aos ramos da árvore e de lá chama a virgem
pelo nome; outra remexe o uru de palha matizado, onde traz a selvagem seus perfumes, os alvos fios do crautá, as
agulhas da juçara com que tece a renda, e as tintas de que matiza o algodão.
Rumor suspeito quebra a doce harmonia da sesta. Ergue a virgem os olhos, que o sol não deslumbra; sua vista
perturba-se.
Diante dela e todo a contemplá-la, está um guerreiro, estranho, se é guerreiro e não algum mau espírito da floresta.
Tem nas faces o branco das areias que bordam o mar; nos olhos o azul triste das águas profundas. Ignotas armas e
tecidos ignotos cobrem-lhe o corpo.
Foi rápido como o olhar, o gesto de Iracema. A flecha embebida no arco partiu. Gotas de sangue borbulham na face do
desconhecido.
De primeiro ímpeto, a mão lesta caiu sobre a cruz da espada; mas logo sorriu. O moço guerreiro aprendeu na religião
de sua mãe, onde a mulher é símbolo de ternura e amor. Sofreu mais d'alma que da ferida.
O sentimento que ele pôs nos olhos e no rosto, não o sei eu. Porém a virgem lançou de si o arco e a uiraçaba, e correu
para o guerreiro, sentida da mágoa que causar.
A mão que rápida ferira, estancou mais rápida e compassiva o sangue que gotejava. Depois Iracema quebrou a flecha
homicida. Deu a haste ao desconhecido, guardando consigo a ponta farpada.
O guerreiro falou:
- Quebras comigo a flecha da paz?
-Quem te ensinou, guerreiro branco, a linguagem de meus irmãos? Donde vieste a estas matas, que nunca viram outro
guerreiro como tu?
- Venho de bem longe, filha das florestas. Venho das terras que teus irmãos já possuíram, e hoje têm os meus.
- Bem - vindo seja o estrangeiro aos campos dos tabajaras, senhores das aldeias e à cabana de Araquém, pai de
Iracema.
Observações sobre a obra
Não é difícil encontrar as fontes principais em que se inspirou Alencar; Iracema é num certo sentido '[não o da
imitação, evidentemente]', a transposição de Atala e René, de Chateaubriand, autor que Alencar confessa ter lido
bastante. Temos, pois, o caso de uma composição homóloga, pois apresenta vários pontos em comum: O tema da
felicidade primitiva vivida pelos selvagens que começa a se corromper diante da primeira aproximação do civilizado;
a ideia do bom selvagem, o amor de uma índia por um estrangeiro; a morte das duas heroína, o exótico da paisagem,
enfim, nas duas obras há um conflito fundamental representado pela oposição de índole dos dois mundos: o da velha
civilização europeia e o Novo mundo da América. 'Conclusão: Não se trata, evidentemente, de levar a crítica a ver em
Iracema, uma obra superior a Atala.
O romance de Chateaubriand é, indiscutivelmente, uma joia literária, fruto de uma sensibilidade e de um espírito
artístico de eleição. O que pretendo, com o estudo comparativo das duas obras, aqui apenas arquitetado, nos elementos
mais importantes, é fazer sentir que, se Alencar utilizou francamente do romance de Chateaubriand, respeitou com
rigor os princípios da imitação artística, e realizou uma obra original na sua essencialidade, exigentemente verossímil
nos caracteres, no enredo e no drama, primorosa na expressão literária. Iracema é, tanto quanto Atala, uma obra prima
da literatura indianista.
EXERCÍCIOS
Questões:
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LÍNGUA PORTUGUESA/LITERATURA
01. Inês, no episódio Inês de Castro, da obra Os Lusíadas, de Camões, é tão idealizada quanto as virgens sonhadas em
Álvares de Azevedo na primeira parte da Lira dos Vinte Anos. Por que, então, parece-nos real?
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Namoro a Cavalo
02. Por que a poesia acima foge dos padrões da 1ª e 3ª partes da Lira dos Vinte Anos?
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03. O que aproxima e o que diferencia a mulher de “Namoro a Cavalo” e as mulheres da primeira parte da Lira?
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04.
Teu romantismo bebo, ó minha lua,
A teus raios divinos me abandono,
Torno-me vaporoso... e só de ver-te
Eu sinto os lábios meus se abrir de sono.
Neste excerto, o eu-lírico parece aderir com intensidade aos temas de que fala, mas revela, de imediato, desinteresse e
tédio. Essa atitude do eu-lírico manifesta a:
a) ironia romântica
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LÍNGUA PORTUGUESA/LITERATURA
b) tendência romântica
c) melancolia romântica
d) aversão dos românticos à natureza
e) fuga romântica para o sonho
05. Assim, o amor se transformava tão completamente nessas organizações*, que apresentava trêssentimentos bem
distintos: um era uma loucura, o outro uma paixão, o último uma religião.............desejava; ............. amava; ..............
adorava
(*organizações = personalidades)
Neste excerto de O Guarani, o narrador caracteriza os diferentes tipos de amor que três personagens masculinas
sentem por Ceci. Mantida a sequência, os trechos pontilhados serão preenchidos corretamente com os nomes de:
07.
Se uma lágrima as pálpebras me inunda,
Se um suspiro nos seios treme ainda,
É pela virgem que sonhei...que nunca
Aos lábios me encostou a face linda!
(Álvares de Azevedo)
a) o espiritualismo
b) o pessimismo
c) a idealização da mulher
d) o confessionalismo
e) a presença do sonho
08.
Minh’alma é triste como a rola aflita
Que o bosque acorda desde o albor da aurora,
E em doce arrulo que o soluço imita
O morto esposo gemedora chora.
a) A natureza agride o poeta: neste mundo, não há amparo para os desenganos morosos.
b) A beleza do mundo não é suficiente para migrar a solidão do poeta.
c) O poeta atribui ao mundo exterior estados de espírito que o envolvem.
d) A morte, impregnando todos os seres e coisas, tira do poeta a alegria de viver.
e) O poeta recusa valer-se da natureza, que só lhe traz a sensação da morte.
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LÍNGUA PORTUGUESA/LITERATURA
b) Com a liberdade criadora implantada no Romantismo, as regras fixas do Classicismo caem e “o poema começa
onde começa a inspiração e termina onde esta termina.”.
c) A visão de mundo romântica é centrada no sujeito, no “eu” do escritor, daí a predominância da função emotiva na
linguagem do Romantismo.
d) Todas as alternativas anteriores estão corretas.
e) Nenhuma das alternativas está correta.
REALISMO/NATURALISMO/PARNASIANISMO/SIMBOLISMO
REALISMO
O Realismo surge em meio ao fracasso da Revolução Francesa e de seus ideais de Liberdade, Igualdade e
Fraternidade. A sociedade se dividia entre a classe operária e a burguesia. Logo mais tarde, em 1848, os comunistas
Marx e Engels publicam o Manifesto que faz apologias à classe operária.
Uma realidade oposta ao que a sociedade tinha vivido até aquele momento surgia com o progresso tecnológico: o
avanço da energia elétrica, as novas máquinas que facilitavam a vida, como o carro, por exemplo. Entre as correntes
filosóficas, destacam-se: o Positivismo, o Determinismo, o Evolucionismo e o Marxismo.
Contudo, o pensamento filosófico que exerce mais influência no surgimento do Realismo é o Positivismo, o qual
analisa a realidade através das observações e das constatações racionais.
Dessa forma, a produção literária no Realismo surge com temas que norteiam os princípios do Positivismo. São
características desse período: a reprodução da realidade observada; a objetividade no compromisso com a verdade (o
autor é imparcial), personagens baseadas em indivíduos comuns (não há idealização da figura humana); as condições
sociais e culturais das personagens são expostas; lei da causalidade (toda ação tem uma reação); linguagem de fácil
entendimento; contemporaneidade (exposição do presente) e a preocupação em mostrar personagens nos aspectos
reais, até mesmo de miséria (não há idealização da realidade).
A literatura realista surge na França com a publicação de Madame Bovary de Gustave Flaubert, e no Brasil com
Memórias póstumas de Brás Cubas de Machado de Assis, em 1881.
MACHADO DE ASSIS
Joaquim Maria Machado de Assis, cronista, contista, dramaturgo, jornalista, poeta, novelista, romancista, crítico e
ensaísta, nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 21 de junho de 1839. Filho de um operário mestiço de negro e
português, Francisco José de Assis, e de D. Maria Leopoldina Machado de Assis, aquele que viria a tornar-se o maior
escritor do país e um mestre da língua, perde a mãe muito cedo e é criado pela madrasta, Maria Inês, também mulata,
que se dedica ao menino e o matricula na escola pública, única que frequentará o autodidata Machado de Assis.
De saúde frágil, epilético, gago, sabe-se pouco de sua infância e início da juventude. Criado no morro do Livramento,
consta que ajudava a missa na igreja da Lampadosa. Com a morte do pai, em 1851, Maria Inês, à época morando em
São Cristóvão, emprega-se como doceira num colégio do bairro, e Machadinho, como era chamado, torna-se vendedor
de doces. No colégio tem contato com professores e alunos e é até provável que assistisse às aulas nas ocasiões em
que não estava trabalhando.
Mesmo sem ter acesso a cursos regulares, empenhou-se em aprender. Consta que, em São Cristóvão, conheceu uma
senhora francesa, proprietária de uma padaria, cujo forneiro lhe deu as primeiras lições de Francês. Contava, também,
com a proteção da madrinha D. Maria José de Mendonça Barroso, viúva do Brigadeiro e Senador do Império Bento
Barroso Pereira, proprietária da Quinta do Livramento, onde foram agregados seus pais.
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LÍNGUA PORTUGUESA/LITERATURA
Aos 16 anos, publica em 12-01-1855 seu primeiro trabalho literário, o poema "Ela", na revista Marmota Fluminense,
de Francisco de Paula Brito. A Livraria Paula Brito acolhia novos talentos da época, tendo publicado o citado poema e
feito de Machado de Assis seu colaborador efetivo.
Com 17 anos, consegue emprego como aprendiz de tipógrafo na Imprensa Nacional, e começa a escrever durante o
tempo livre. Conhece o então diretor do órgão, Manuel Antônio de Almeida, autor de Memórias de um sargento de
milícias, que se torna seu protetor.
Em 1858 volta à Livraria Paula Brito, como revisor e colaborador da Marmota, e ali integra-se à sociedade lítero-
humorística Patológica, fundada por Paula Brito. Lá constrói o seu círculo de amigos, do qual faziam parte Joaquim
Manoel de Macedo, Manoel Antônio de Almeida, José de Alencar e Gonçalves Dias.
Começa a publicar obras românticas e, em 1859, era revisor e colaborava com o jornal Correio Mercantil. Em 1860, a
convite de Quintino Bocaiúva, passa a fazer parte da redação do jornal Diário do Rio de Janeiro. Além desse, escrevia
também para a revista O Espelho (como crítico teatral, inicialmente), A Semana Ilustrada(onde, além do nome, usava
o pseudônimo de Dr. Semana) e Jornal das Famílias.
Seu primeiro livro foi impresso em 1861, com o título Queda que as mulheres têm para os tolos, onde aparece como
tradutor. No ano de 1862 era censor teatral, cargo que não rendia qualquer remuneração, mas o possibilitava a ter
acesso livre aos teatros. Nessa época, passa a colaborar em O Futuro, órgão sob a direção do irmão de sua futura
esposa, Faustino Xavier de Novais.
Publica seu primeiro livro de poesias em 1864, sob o título de Crisálidas.
Em 1867, é nomeado ajudante do diretor de publicação do Diário Oficial.
Agosto de 1869 marca a data da morte de seu amigo Faustino Xavier de Novais, e, menos de três meses depois, em 12
de novembro de 1869, casa-se com Carolina Augusta Xavier de Novais.
Nessa época, o escritor era um típico homem de letras brasileiro bem sucedido, confortavelmente amparado por um
cargo público e por umcasamento feliz que durou 35 anos. D. Carolina, mulher culta, apresenta Machado aos clássicos
portugueses e a vários autores da língua inglesa.
Sua união foi feliz, mas sem filhos. A morte de sua esposa, em 1904, é uma sentida perda, tendo o marido dedicado à
falecida o soneto Carolina, que a celebrizou.
Seu primeiro romance, Ressurreição, foi publicado em 1872. Com a nomeação para o cargo de primeiro oficial da
Secretaria de Estado do Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, estabiliza-se na carreira burocrática
que seria o seu principal meio de subsistência durante toda sua vida.
No O Globo de então (1874), jornal de Quintino Bocaiúva, começa a publicar em folhetins o romance A mão e a luva.
Escreveu crônicas, contos, poesias e romances para as revistas O Cruzeiro, A Estação e Revista Brasileira.
Sua primeira peça teatral é encenada no Imperial Teatro Dom Pedro II em junho de 1880, escrita especialmente para a
comemoração do tricentenário de Camões, em festividades programadas pelo Real Gabinete Português de Leitura.
Na Gazeta de Notícias, no período de 1881 a 1897, publica aquelas que foram consideradas suas melhores crônicas.
Em 1881, com a posse como ministro interino da Agricultura, Comércio Obras Públicas do poeta Pedro Luís Pereira
de Sousa, Machado assume o cargo de oficial de gabinete.
Publica, nesse ano, um livro extremamente original, pouco convencional para o estilo da época: Memórias Póstumas
de Brás Cubas -- que foi considerado, o marco do realismo na literatura brasileira.
Extraordinário contista publica Papéis Avulsos em 1882, Histórias sem data (1884), Vária Histórias (1896), Páginas
Recolhidas (1889), e Relíquias da casa velha (1906).
Torna-se diretor da Diretoria do Comércio no Ministério em que servia, no ano de 1889.
Grande amigo do escritor paraense José Veríssimo, que dirigia a Revista Brasileira, em sua redação promoviam
reuniões os intelectuais que se identificaram com a ideia de Lúcio de Mendonça de criar uma Academia Brasileira de
Letras. Machado desde o princípio apoiou a ideia e compareceu às reuniões preparatórias e, no dia 28 de janeiro de
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LÍNGUA PORTUGUESA/LITERATURA
1897, quando se instalou a Academia, foi eleito presidente da instituição, cargo que ocupou até sua morte, ocorrida no
Rio de Janeiro em 29 de setembro de 1908. Sua oração fúnebre foi proferida pelo acadêmico Rui Barbosa.
É o fundador da cadeira nº. 23, e escolheu o nome de José de Alencar, seu grande amigo, para ser seu patrono.
Por sua importância, a Academia Brasileira de Letras passou a ser chamada de Casa de Machado de Assis.
Dizem os críticos que Machado era "urbano, aristocrata, cosmopolita, reservado e cínico, ignorou questões sociais
como a independência do Brasil e a abolição da escravatura. Passou ao longe do nacionalismo, tendo ambientado suas
histórias sempre no Rio, como se não houvesse outro lugar.... A galeria de tipos e personagens que criou revela o autor
como um mestre da observação psicológica. ... Sua obra divide-se em duas fases, uma romântica e outra parnasiano-
realista, quando desenvolveu inconfundível estilo desiludido, sarcástico e amargo. O domínio da linguagem é sutil e o
estilo é preciso, reticente. O humor pessimista e a complexidade do pensamento, além da desconfiança na razão (no
seu sentido cartesiano e iluminista), fazem com que se afaste de seus contemporâneos."
BIBLIOGRAFIA:
Comédia
Desencantos, 1861.
Tu, só tu, puro amor, 1881.
Poesia
Crisálidas, 1864.
Falenas, 1870.
Americanas, 1875.
Poesias completas, 1901.
Romance
Ressurreição, 1872.
A mão e a luva, 1874.
Helena, 1876.
Iaiá Garcia, 1878.
Memórias Póstumas de Brás Cubas, 1881.
Quincas Borba, 1891.
Dom Casmurro, 1899.
Esaú Jacó, 1904.
Memorial de Aires, 1908.
Conto:
Contos Fluminenses,1870.
Histórias da meia-noite, 1873.
Papéis avulsos, 1882.
Histórias sem data, 1884.
Várias histórias, 1896.
Páginas recolhidas, 1899.
Relíquias de casa velha, 1906.
Teatro
Queda que as mulheres têm para os tolos, 1861
Desencantos, 1861
Hoje avental, amanhã luva, 1861.
O caminho da porta, 1862.
O protocolo, 1862.
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LÍNGUA PORTUGUESA/LITERATURA
Quase ministro, 1863.
Os deuses de casaca, 1865.
Tu, só tu, puro amor, 1881.
Lista de personagens
Brás Cubas: filho abastado da família Cubas é o narrador do livro; conta suas memórias, escritas após a morte, e nessa
condição é o responsável pela caracterização de todos os demais personagens.
Virgília: grande amor de Brás Cubas, sobrinha de ministro, e a quem o pai do protagonista via como grande
possibilidade de acesso, para o filho, ao mundo da política nacional.
Marcela: amor da adolescência de Brás.
Eugênia: a “flor da moita”, nas palavras de Brás, já que era filha de um casal que ele havia flagrado, quando criança,
namorando atrás de uma moita; o protagonista se interessa por ela, mas não se dispõe a levar adiante um romance,
porque a garota era coxa.
Nhã Lo Ló: última possibilidade de casamento para Brás Cubas, moça simples, que morre de febre amarela aos 19
anos.
Lobo Neves: casa-se com Virgília e tem carreira política sólida, mas sofre o adultério da esposa com o protagonista.
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LÍNGUA PORTUGUESA/LITERATURA
Quincas Borba: teórico do humanitismo, doutrina à qual Brás Cubas adere, morre demente.
Dona Plácida: representante da classe média tem uma vida de muito trabalho e sofrimento.
Prudêncio: escravo da infância de Brás Cubas, ganha depois sua alforria.
D. CASMURRO
RESUMO
Dom Casmurro foi publicado em 1900 e é um dos romances mais conhecidos de Machado. Narra em primeira pessoa
a estória de Bentinho que, por circunstância várias, vai se fechando em si mesmo e passa a ser conhecido como Dom
Casmurro. Sua estória é a seguinte: Órfão de pai, criado com desvelo pela mãe (D. Glória), protegido do mundo pelo
círculo doméstico e familiar (tia Justina, tio Cosme, José Dias), Bentinho é destinado à vida sacerdotal, em
cumprimento a uma antiga promessa de sua mãe.
A vida do seminário, no entanto, não o atrai, já o namoro com Capitu, filha dos vizinhos. Apesar de comprometido
pela promessa, também D. Glória sofre com a ideia de separar-se do filho único, interno no seminário. Por expediente
de José Dias, o agregado da família, Bentinho abandona o seminário e, em seu lugar, ordena-se um escravo.
Correm os anos e com eles o amor de Bentinho e Capitu. Entre o namoro e o casamento, Bentinho se forma em
Direito e estreita a sua amizade com um ex-colega de seminário, Escobar, que acaba se casando com Sancha, amiga de
Capitu.
Do casamento de Bentinho e Capitu nasce Ezequiel. Escobar morre e, durante seu enterro, Bentinho julga estranha a
forma qual Capitu contempla o cadáver. A partir daí, os ciúmes vão aumentando e precipita-se a crise. Á medida que
cresce, Ezequiel se torna cada vez mais parecido com Escobar. Bentinho muito ciumento chega a planejar o
assassinato da esposa e do filho, seguido pelo seu suicídio, mas não tem coragem. A tragédia dilui-se na separação do
casal.
Capitu viaja com o filho para a Europa, onde morre anos depois. Ezequiel, já mocó, volta ao Brasil para visitar o pai,
que apenas constata a semelhança entre e antigo colega de seminário. Ezequiel volta a viajar e morre no estrangeiro.
Bentinho, cada vez mais fechado em usas dúvidas,passa a ser chamado de casmurro pelos amigos e vizinhos e põe-se
a escrever de sua vida (o romance).
ORGANIZAÇÃO / ESTRUTURA
1) Dom Casmurro é narrado em primeira pessoa pelo protagonista masculino que dá nome ao romance, já velho e
solitário, desiludido e amargurado pela casmurrice, conforme lhe está no apelido. A visão, pois, que temos dos fatos é
perpassada da sua ótica subjetiva e unilateral: "tudo que sabemos do seu passado, de seus amores, de Capitu, só o
conhecemos do seu ângulo" - observa o Prof. Delson Gonçalves Ferreira em estudo sobre Dom Casmurro. Em
conseqüência disso, paira dúvida sobre o adultério de Capitu - dúvida que não se tem dissipado ao longo dos anos.
2) O romance , como já observamos, é construído a partir de um flash-back, por um cinquentão solitário e casmurro,
"à larecherche de tempsperdu" ("à procura do tempo perdido"), o qual procura "atar as duas pontas da vida" ( infância
e velhice). Perpassa. Pois, o romance uma atmosfera memorialista, dando a impressão de autobiografia, a qual, com o
se sabe, não tem nada a ver com Machado de Assis.
3) O título do livro ("Dom Casmurro") reflete uma das características mais marcantes do protagonista masculino no
crepúsculo da existência: a visão amarga e doída de quem foi traído e machucado pela vida, e, em conseqüência disso
vai-se isolando e ensimesmando. "Não consultes dicionários, Casmurro não está aqui no sentido que eles lhe dão, mas
no que lhe pôs o vulgo de homem calado e metido consigo. Dom veio por ironia, para atribuir-me fumos de fidalgo"
(Cap. I).
4) O romance se compõe de 148 capítulos curtos, com títulos bem precisos, que refletem o seu conteúdo. A narrativa
vai lenta até o capítulo XCVII, a partir do qual se acelera como declara o próprio narrador, ao dar-se conta da sua
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LÍNGUA PORTUGUESA/LITERATURA
lentidão: "Agora não há mais que levá-la a grandes pernadas, capítulo sobre capítulo, pouca emenda, pouca reflexão,
tudo em resumo. Já esta página vale por meses, outras valerão por anos, e assim chegares ao final" (Cap. XCVII).
5) Assim, pois, até o capítulo XCVII, quando o narrador sai do seminário, "com pouco mais de dezessete anos",
focaliza-se, em câmera lenta, a infância e a adolescência, dada necessidade do narrador traçar o perfil dos
protagonistas da estória (Bentinho e Capitu), revelando, desde as entranhas, o caráter e as tendências de cada um:
afinal, o adulto sempre se assenta no pilar da infância, como insinua Dom Casmurro, no final da narrativa, ao referir-
se a Capitu: "Se te lembras bem da Capitu menina, hás de reconhecer que uma estava dentro da outra, como a fruta
dentro da casca" (Cap. CXLVIII).
6) Quanto ao lugar em que decorre a ação, trata-se do Rio de Janeiro da época do Império: há inúmeras referências a
lugares, ruas, bairros, praças, teatros, salões de baile que evocam essa cidade imperial. Por outro lado, há também
ligeiras referências a São Paulo, onde foi estudar Direito o ex-seminarista Bentinho, e também à Europa onde morre
Capitu, e mesmo aos lugares sagrados, onde morre Ezequiel (Jerusalém).
7) Cronologicamente falando, a narrativa decorre durante o segundo Império, detendo-se mais o autor na inicia pela
razão exposta no item 5. Contudo, construído sob a forma de flash-back; “o que domina no livro não é esse tempo
cronológico; é o psicológico, que se passa dentro das personagens, dentro da própria vida”, observa o Prof. Delson
Gonçalves. Debruçado sobre a reconstrução da longínqua inicia de outrora, o solitário e magoado Dom Casmurro vai
reconstituindo o “tempo perdido” de sua existência, filtrando os fatos sob sua ótica de cinquentão amargurado,
revivendo a vida subjacente, que jaz nas suas entranhas.
8) Em suma, em Dom Casmurro pode-se ver um perfil da sociedade da época (e certamente de hoje), corno afirma o
ensaísta John Gledson no prefácio de seu livro Machado de Assis: impostura e realismo: “Este livro procura descobrir
as intenções de Machado em Dom Casmurro. Seu engenho e inteligência superiores mio são postos em dúvida; mas
espero mostrar que o que lhes confere a agudeza, a lâmina pontiaguda, é a sua visão da sociedade na qual se criou, na
qual teve muito sucesso profissional, mas que - em um nível que só encontra expressão em suas maiores obras - talvez
detestasse”.
NATURALISMO
O Naturalismo foi um movimento cultural relacionado às artes plásticas, literatura e teatro. Surgiu na França, na
segunda metade do século XIX. Este movimento foi uma radicalização do Realismo.
Características do Naturalismo
- O mundo pode ser explicado através das forças da natureza;
- O ser humano está condicionado às suas características biológicas (hereditariedade) e ao meio social em que
vive;
- Forte influência do evolucionismo de Charles Darwin;
- A realidade é mostrada através de uma forma científica (influência do positivismo);
- Nas artes plásticas, por exemplo, os pintores enfatizam cenas do mundo real em suas obras. Pintavam aquilo
que observavam;
- Na literatura, ocorre muito o uso de descrições de ambientes e de pessoas;
- Ainda na literatura, a linguagem é coloquial;
- Os principais temas abordados nas obras literárias naturalistas são: desejos humanos, instintos, loucura,
violência, traição, miséria, exploração social, etc.
Naturalismo francês
Emile Zola é considerado o idealizador e maior representante da literatura naturalista mundial. Foi muito influenciado
pelo evolucionismo e pelo socialismo. Sua principal obra foi O Germinal (1885), onde aborda a realidade social nas
minas de extração de carvão. Para escrever esta obra, Zola viveu com uma família de mineiros para sentir na pele a
dura vida destes trabalhadores.
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LÍNGUA PORTUGUESA/LITERATURA
Naturalismo no Brasil
Este movimento chegou ao Brasil no final do século XIX. Os escritores brasileiros abordaram a realidade social
brasileira, destacando a vida nos cortiços, o preconceito, a diferenciação social, entre outros temas. O principal
representante do naturalismo na literatura brasileira foi Aluísio de Azevedo. Suas principais obras foram: O Mulato,
Casa de Pensão e O Cortiço. Outros escritores brasileiros que merecem destaque: Adolfo Caminha, Inglês de Souza e
Raul Pompéia.
ALUÍSIO DE AZEVEDO
Considerado o pioneiro do naturalismo no Brasil, o romancista Aluísio de Azevedo nasceu em São Luís, Maranhão em
14 de abril de 1857.
Vida do escritor
Quando jovem ele fazia caricaturas e poesias, como colaborador, para jornais e revistas no Rio de Janeiro. Seu
primeiro romance publicado foi: Uma lágrima de mulher, em 1880.
Fundador da cadeira número quatro da Academia Brasileira de Letras e crítico social, este escritor naturalista foi autor
de diversos livros, entre eles estão: O Mulato, que provocou escândalo na época de seu lançamento, Casa de Pensão,
que o consagrou e O Cortiço, conhecido com sua obra mais importante.
Este autor, que não escondia seu inconformismo com a sociedade brasileira e com suas regras, escreveu ainda outros
títulos: Condessa Vésper, Girândola de Amores, Filomena Borges, O Coruja, O Homem, O Esqueleto, A Mortalha de
Alzira, O livro de uma Sogra e contos como: Demônios.
Durante grande parte de sua vida, Aluísio de Azevedo viveu daquilo que ganhava como escritor, mas ao entrar para a
vida diplomática ele abandonou a produção literária.
Faleceu em Buenos Aires, Argentina, no dia 21 de janeiro de 1913.
OBRA
Uma Lágrima de Mulher, novela, 1880
O mulato, novela, 1881
Mistério da Tijuca ou Girândola de amores, novela, 1882
Memórias de Um Condenado ou Condessa Vésper, novela, 1882
Casa de pensão, novela, 1884
Filomena Borges, novela, 1884
O homem, novela, 1887
O cortiço, novela, 1890
O coruja, novela, 1890
A Mortalha de Alzira, novela, 1894
Demônios, conto, 1895
O livro de uma sogra, novela, 1895
O Bom Negro, crônica
O Esqueleto, (participação deOlavo Bilac).
Os Doidos, peça
Casa de Orates, peça
Flor de Lis, peça
Em Flagrante, peça
Caboclo, peça
Um Caso de Adultério, peça
Venenos que Curam, peça
República, peça
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LÍNGUA PORTUGUESA/LITERATURA
O CORTIÇO
RESUMO
O romance segue claramente duas linhas mestras em seu enredo, cada uma delas girando em torno de um imigrante
português. De um lado temos João Romão, o dono do cortiço, do outro Jerônimo, trabalhador braçal que se emprega
como gerente da pedreira que pertence ao primeiro.
João Romão enriquece às custas de sua obsessão pelo trabalho de comerciante, mas também por intermédio de meios
ilícitos, como os roubos que pratica em sua venda e a exploração da amante Bertoleza, a quem engana com uma falsa
carta de alforria. Ele se torna proprietário de um conjunto de cômodos de aluguel e da pedreira que ficava ao fundo do
terreno. Aumenta sua renda e passa a se dedicar a negócios mais vultosos, como aplicações financeiras. Aos poucos,
refina-se e deixa para trás a amante.
Miranda, comerciante de tecidos e também português, muda-se para o sobrado que fica ao lado do cortiço. No início
disputa espaço com o vizinho, mas, aos poucos, os dois percebem interesses comuns. Miranda tem acesso à alta
sociedade, posição que começa a ser almejada por João Romão, este, por sua vez, tem fortuna, cobiçada pelo
comerciante de tecidos que vive à custa do dinheiro da esposa. Logo, uma aliança se estabelece entre eles. Para
consolidá-la, planeja-se o casamento entre João Romão e a filha de Miranda, Zulmira. João se livra de Bertoleza,
devolvendo-a aos seus antigos donos.
Jerônimo assume a condição de gerente da pedreira de João Romão e passa a viver no cortiço com a esposa Piedade.
Sua honestidade, força e nobreza de caráter logo chamam a atenção de todos. No entanto, seduzido pela envolvente
Rita Baiana, assassina o namorado desta, Firmo. Jerônimo abandona a esposa e vai viver com Rita. Entra então em um
acelerado processo de decadência física e moral, assim como sua esposa, que termina alcoólatra.
A decadência atinge também outros moradores do cortiço. É o caso de Pombinha, moça culta que aguardava a
primeira menstruação para se casar. Seduzida pela prostituta Léonie, abandona o marido e vai viver com a amante,
prostituindo-se também.
CONTEXTO
Sobre o autor
Aluísio Azevedo foi o melhor representante da tendência naturalista do Realismo brasileiro. Em seu esforço de
conhecimento da realidade, explicitava a vida humana mesmo em seus aspectos mais sórdidos: a baixeza, a
exploração, a desonestidade e o crime.
Importância do livro
Na literatura brasileira, O Cortiço é o romance mais exemplar da estética realista-naturalista. Nele, pode-se perceber
com clareza a visão que os naturalistas tinham das reações sociais no desejo de enriquecimento que toma João Romão,
e ainda a imagem que os naturalistas faziam das relações pessoais no envolvimento amoroso entre Jerônimo e Rita
Baiana.
Período histórico
O romance foi escrito em um período de profundas transformações na paisagem urbana do Rio de Janeiro, captadas ali
com o registro cru do naturalismo, que rejeitava qualquer forma de idealização do real.
ANÁLISE
O romance de Aluísio Azevedo segue de perto as determinações do chamado “romance experimental”, conceito
elaborado pelo escritor francês Émile Zola. Segundo o conceito, a realidade é observada de uma perspectiva científica
que se distancia da idealização romântica e mostra um retrato fiel da sociedade, mesmo de seus aspectos mais sórdidos
– postura artística denominada então de “belo horrível”. A busca pelo registro fidedigno orienta o narrador no sentido
da reprodução da linguagem das personagens com toda a riqueza da oralidade e das gírias do tempo. Nota-se ainda um
aspecto fundamental da narrativa realista-naturalista: o interesse pela miséria, pela pobreza. Além de traços presentes
na tendência naturalista do realismo, como a sexualização do enredo e a animalização das personagens.
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LÍNGUA PORTUGUESA/LITERATURA
Pode-se dizer que O Cortiço segue o figurino naturalista em duas linhas de exposição de comportamento humano. A
trajetória de João Romão apresenta a visão naturalista das relações sociais, enquanto a de Jerônimo indica a
perspectiva adotada pela escola no que diz respeito às relações pessoais. Nos dois casos, evidenciam-se patologias que
definem os desvios morais das personagens.
A ambição de João Romão não é condenada, afinal, ele apenas se aproveita das oportunidades oferecidas pela
sociedade capitalista então nascente. Ocorre que, nele, a vontade de prosperar transforma-se em doença, em “febre de
possuir”. Sua falta de escrúpulos é tamanha, que passa a explorar a companheira Bertoleza até o ponto da saturação,
quando a troca por uma companhia que promete frutos mais lucrativos.
No retrato das relações sociais, o sobrado cumpre um papel fundamental, principalmente no contraste com o cortiço:
este reúne os tipos miseráveis, enquanto aquele representa a riqueza das elites. Ficam assim representadas as
diferenças sociais. Mas é bom observar que tanto em um ambiente quanto no outro o padrão moral é o mesmo,
caracterizado pela baixeza e pelo domínio dos instintos.
Jerônimo sintetiza a visão naturalista do envolvimento amoroso. Na verdade, não se trata de amor, já que os
naturalistas não consideravam esse sentimento, tomando-o apenas como uma máscara para a verdadeira motivação da
aproximação entre casais, o instinto natural de preservação da espécie. Assim, o que une Jerônimo a Rita Baiana é o
desejo sexual: o português se rende aos encantos da mulata brasileira, circunstância que mostra a sedução que a terra
exótica exerce sobre o colonizador espantado.
A queda moral de Jerônimo também possui explicação ligada ao ambiente: o sol dos trópicos abate a vontade de
trabalhar e o homem se entrega aos prazeres. Sua pureza original é superada por seus instintos, e ele se torna
preguiçoso e dado à luxúria. O fato de a mesma decadência atingir Piedade e Pombinha confirma a tese de que a
tendência à frouxidão de costumes se dá em função do ambiente.
PERSONAGENS
- João Romão: português ambicioso torna-se dono da venda, do cortiço e da pedreira. Explora a amante Bertoleza, mas
acaba se casando com Zulmira por motivos financeiros.
- Bertoleza: escrava que se pensa alforriada, trabalha para João Romão e é sua amante.
- Miranda: português, morador do sobrado ao lado do cortiço. É casado com Estela, mas tem um casamento infeliz,
mantido apenas por razões financeiras.
- Estela: esposa de Miranda é infiel ao marido.
- Zulmira: filha de Estela e de Miranda casa-se com João Romão, que busca ascensão social através do casamento.
- Jerônimo: português trabalhador e honesto torna-se administrador da pedreira de João Romão. Acaba se envolvendo
com Rita Baiana e deixando de lado os princípios.
- Rita Baiana: mulata sedutora, é amiga de todos no cortiço. Tinha um caso com Firmo, depois se envolveu com
Jerônimo.
- Piedade: esposa dedicada de Jerônimo acaba se entregando a bebida depois que o marido a abandona para ficar com
Rita Baiana.
- Firmo: amante de Rita Baiana é assassinado por Jerônimo.
- Pombinha: moça que discreta e educada que termina entregue à prostituição.
RAUL POMPEIA
Raul D'Ávila Pompéia era filho de Antônio D'Ávila Pompéia e de Rosa Teixeira Pompéia. Foi morar no Rio de
Janeiro e estudar no internato do Colégio Abílio, dirigido pelo educador Abílio César Borges, o barão de Macaúbas.
Revelou-se bom desenhista e caricaturista, redigindo e ilustrando o jornalzinho "O Archote".
Em 1879, transferiu-se para o Colégio Pedro 2o, onde se projetou como orador e publicou o seu primeiro livro, "Uma
Tragédia no Amazonas" (1880). Foi estudar direito em São Paulo, quando se engajou nas campanhas abolicionista e
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LÍNGUA PORTUGUESA/LITERATURA
republicana. Escreveu em jornais de São Paulo e do Rio de Janeiro, em geral sob o pseudônimo "Rapp", um dos
muitos que adotaria: Pompeu Stell, Raul D., Raulino Palma etc.
Ainda em São Paulo publicou, no "Jornal do Commercio", as "Canções sem metro", poemas em prosa. E ainda, em
folhetins da "Gazeta de Notícias", a novela "As Jóias da Coroa". Ambos, publicados postumamente, em livros.
Por ter sido reprovado no 3º ano de direito em São Paulo, foi conclur o curso em Recife (PE), mas nunca exerceu a
advocacia.
Voltou para Rio de Janeiro, em 1885, e dedicou-se ao jornalismo, escrevendo crônicas, folhetins, artigos, contos e
participando da vida boêmia das rodas intelectuais. Escreveu e publicou "O Ateneu", em formato de folhetim, na
"Gazeta de Notícias", mas logo depois, já saiu em formato de livro em 8 de abril de 1888, consagrando-o
definitivamente como escritor.
"O Ateneu" é um romance de cunho autobiográfico, narrado em primeira pessoa, contando o drama do menino Sérgio,
que é colocado num internato para estudar e se educar. Mas pelo visto, o menino Pompéia passou mal no internato do
barão de Macaúbas, e "se vinga", como diz Mário de Andrade, ao retratar um colégio semelhante sem esconder a
dureza do pai, e as maldades dos colegas e do diretor. Culminando com a paixão do menino pela esposa do diretor e
na destruição da escola pelo fogo, no romance, é claro.
Pompéia apresenta fortes características na linguagem, devido a seu talento de caricaturista. Seu vocabulário tem
grande riqueza plástica e sonora. A princípio, a crítica o julgou pertencente ao Naturalismo, mas as qualidades
artísticas mencionadas demonstram seu compromisso com o Simbolismo.
Depois da abolição, passou a dedicar-se à campanha republicana. Nesta época, colaborava em "A Rua" e no "Jornal do
Commércio". Proclamada a República, em 1889, foi nomeado professor de mitologia da Escola de Belas Artes e, logo
a seguir, diretor da Biblioteca Nacional.
Revelou-se um florianista exaltado, achando que seu militarismo constituía a defesa da pátria, em oposição aos
intelectuais do seu grupo, como Pardal Mallet e Olavo Bilac. Com a morte de Floriano, em 1895, foi demitido da
direção da Biblioteca Nacional, acusado de desacatar a pessoa do Presidente no explosivo discurso pronunciado em
seu enterro.
Rompido com amigos, caluniado em artigo de Luís Murat, sentindo-se desdenhado e abandonado, inclusive dentro do
jornal "A Notícia", que não publicara o artigo de sua colaboração, suicidou-se no dia de Natal de 1895.
O ATENEU
Em O Ateneu, Sérgio, narrador e personagem principal, relata, num tom de pessimismo, os dois anos vividos no
Ateneu, um internato para meninos. A excelência da escola, dirigida pelo severo pedagogo Aristarco Argolo de
Ramos, no Rio de Janeiro, era conhecida nacionalmente. Por isso, tinha em suas classes alunos provenientes de
respeitáveis famílias cariocas e também de outros estados.
No início do ano letivo, Sérgio, então com 11 anos de idade, chega ao colégio pelas mãos do pai que, profeticamente,
lhe diz: 'Vais encontrar o mundo [...]. Coragem para a luta'. Quando o pai vai embora, deixando-o só, ele chora.
Criança que, até então, vivera sob o doce aconchego do amparo familiar, Sérgio logo vivenciará o verdadeiro
significado da premonição paterna, percebendo que por trás da nobre pedagogia e da pompa dos dias de festa - ele o
visitara em dois desses dias -, existia um mundo hostil, hipócrita e egoísta.
O edifício do Ateneu era fechado e triste, apesar da natureza verdejante ao redor. Logo no início das aulas, o professor
Mânlio recomenda Sérgio a Rebelo, o mais sério de seus alunos, que o adverte da necessidade de ser homem e forte
ali, e, para tanto, Sérgio deveria começar não admitindo protetores. Os meninos tímidos e ingênuos eram
automaticamente colocados no grupo dos fracos, sendo então dominados, pervertidos como meninas ao desamparo,
que precisavam de 'protetores' - meninos fisicamente fortes que protegiam os mais fracos em troca, principalmente, de
favores sexuais.
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LÍNGUA PORTUGUESA/LITERATURA
Os colegas de classe, cerca de vinte tipos divertidos, são descritos como deprimentes. Franco, menino pobre, agressivo
e problemático, era considerado por todos o bode expiatório, sendo por isso alvo de severas punições. Barbalho, de
cara amarela, olhos vesgos e gordura balofa, sentava-se no fundo, e, sempre que possível, com um riso cínico, fazia
chacota de Sérgio que, um dia, não suportando mais, rolou com ele em uma briga feroz. Outra fonte de
constrangimento explícito, no Ateneu, era a leitura das notas todas as manhãs por Aristarco que, com veemência,
enaltecia os mais fortes e, sem piedade, desmoralizava os mais fracos.
No quintal do Ateneu havia uma piscina, 'vasta toalha d'água ao rés da terra', escoando para o Rio Comprido. Ali, no
calor, em meio a uma grande algazarra e alegria, os meninos se banhavam. Um dia, alguém, talvez o próprio Sanches,
para se aproximar de Sérgio, puxa-o, maldosamente, pelas pernas, fazendo-o afundar e se afogar. Sanches o salva, a
partir de então, devendo-lhe a vida, demonstra toda gratidão para com ele.
Angustiado e acovardado, Sérgio indaga qual o seu destino 'naquela sociedade que o Rebelo descrevera horrorizado,
com meias frases de mistério, suscitando temores indefinidos, recomendando energia, como se coleguismo fosse
hostilidade'. Rompendo com a decisão de não admitir para si um 'protetor', passa a desejar que alguém o socorra, e o
inteligente Sanches desempenhará esse papel. Primeiro aluno da classe, além de proteção, o auxilia nos estudos, que
passa a demonstrar melhoras no rendimento escolar. Apesar de amigos, Sérgio sente um certo asco pelo jeito pegajoso
do companheiro que tenta mais e mais se encostar nele. Um dia, não aguentando mais as pressões sexuais de Sanches,
o menino se afasta.
Após o susto da piscina e o rompimento com Sanches, Sérgio vivencia um período místico muito pessoal. Santa
Rosália, cuja gravura em cartão traz dentro da blusa de brim, em santo contato, torna-se sua padroeira mor. Além da
religião, busca também consolo nos astros. Adora as aulas noturnas de Astronomia de Aristarco.
Nesse período, o traço marginal de Franco também o atrai, aproximando-se dele acaba participando de uma
traquinagem sórdida. Para vingar-se da punição recebida no caso da urina na bomba do poço e, consequentemente, na
água de lavar pratos, Franco convida Sérgio para irem aos arredores da escola, onde juntaram algumas garrafas velhas
que trouxeram até a piscina. Ali Franco quebrou-as e jogou os cacos no tanque para que todos se machucassem no dia
seguinte. No desespero, atormentado pelo remorso e pela cumplicidade, Sérgio perde o sono e se põe a rezar
freneticamente para sua padroeira na capela, onde adormece rezando. Por um feliz acaso, no dia seguinte, o tanque foi
esvaziado e os meninos se banharam no chuveiro.
Após este acontecimento, o garoto passa ver a religião de outra maneira. Conclui que o misticismo estava degradando-
o e 'a convivência fácil com o Franco era a prova'. Para ele nada era mais melancólico que a morte certa, o inferno
para sempre, juízo final rigoroso. Rebaixando a função de Santa Rosália para uma mera marcadora de livros, leva o
cartão à sala de estudos e coloca-o entre as páginas de um livro. Pouco tempo depois, ele desaparece. Sérgio acredita
que algum apaixonado por gravuras a levara. Nesse período, graças à intervenção discreta do pai a seu favor, as
condições no colégio melhoram para ele. Mais confiante, passa a olhar os inimigos de cima.
Funda-se no colégio o Grêmio Literário Amor ao Saber para exercício da retórica. Ali Nearco da Fonseca, aluno novo,
que nos esportes era um fracasso, revela-se excelente orador. Bento Alves, rapaz bom, forte e misterioso, é o
bibliotecário do Grêmio. Torna-se conhecido e respeitado por ter segurado o assassino de um dos funcionários da
escola. O crime foi passional e Ângela, camareira da esposa do diretor, tinha sido a causa. Nas reuniões, Sérgio
aproxima-se do bibliotecário, e logo se tornam companheiros, vendo seu relacionamento dessa forma: 'estimei-o
femininamente, porque era grande, forte, bravo; porque me podia valer; porque me respeitava, quase tímido, como se
não tivesse ânimo de ser amigo'.
Barbalho, inimigo antigo de Sérgio, estava de olho nas gentilezas e olhares afetuosos entre Bento e o novo amigo.
Conta o que vê a Malheiro, para que este, rival de Bento Alves, provoque-o. Em meio a uma sessão solene do Grêmio,
Bento Alves e Malheiro brigam violentamente. Malheiro toma uma surra, Bento Alves é preso e Sérgio, sem favores
sexuais, aceita melhor o papel de 'dama romântica', mergulhada no desespero.
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Um pouco antes de terminar o ano, o Ateneu era um tédio. Terminam as provas, nas quais Sérgio se sai bem, e
finalmente chegam as férias. Nesses dois meses, o menino reflete sobre o mundo exterior, sobre o trabalho do tempo e,
ao voltar, sente-se mais presidiário do que nunca. As excursões do internato ao Corcovado e ao Jardim Botânico eram
momentos de festa, alegria e liberdade temporária.
Nessa volta, o comportamento de Bento muda. Assim que vê o amigo, passa a agredi-lo. Em luta feroz, rolam no vão
da escada, sem perceber a presença de Aristarco. Sem ligar muito, o diretor silencia sobre o que vira. Bento Alves
acaba saindo do Ateneu.
Um pequeno escândalo acontece no colégio, dois garotos estão namorando, e Aristarco, que tinha a carta amorosa de
ambos, arma um clima de terror e medo entre os alunos. Além disso, estoura mais uma celeuma; 'a revolta da falsa
goiabada'. Aristarco, empresário frio e ambicioso, teve que se desculpar, porque os meninos tinham razão; estavam
comendo 'goiabada de banana' há três meses, e a 'paz' volta a reinar.
Sérgio consegue uma nova e verdadeira amizade. Egbert é um formoso garoto de origem inglesa. Tudo nele causa
admiração: do coração à correção das formas. Passam a fazer tudo juntos; eram inseparáveis. Graças às boas notas
obtidas, como prêmio, os amigos recebem um convite para jantar na casa do diretor, e Sérgio volta totalmente
encantado por Dona Ema, a mulher de Aristarco. Esta, que até então era algo distante e motivo de boatos entre os
alunos, surge nos seus sonhos como uma imagem ambígua, misto de 'mãe' e 'mulher' Algo ocorre em seu íntimo
também; passa a perceber Egbert como uma recordação distante. A amizade e o elo fraternal entre o dois começam a
esfriar.
A mudança para o dormitório dos maiores o afasta ainda mais de Egbert. A camareira Ângela desperta nele e nos
outros meninos uma incontrolável sensualidade. Lembrando-se de Franco, Sérgio vai visitá-lo. Encontra-o doente,
com febre após sua última prisão; expusera-se propositalmente ao sereno. Diz que não é nada; um dia sem condições
para se levantar, recebe a visita do médico duas vezes. Morre alguns dias depois. Ao desmancharem a cama, cai dos
lençóis um cartão: uma gravura de Santa Rosália; a padroeira desaparecida.
A preparação das solenidades de fim de ano ocupa a todos. A festividade conta com a presença de figuras de vulto da
cidade. Entre elas: a princesa Regente e o Ministro do Império. Aristarco discursa empolgado e, após a entrega das
medalhas e menções honrosas, é homenageado com o seu busto em bronze.
Logo depois da festa de educação física, Sérgio adoece; esta com sarampo. Devido a isso e à enfermidade do pai que
viajara com toda a família para a Europa, tem de ficar na enfermaria da escola no período de férias. Sob os cuidados
de Dona Ema, um clima de doçura, amor maternal, amor filial, erotismo paira sobre eles, intensificando seus conflitos
internos.
Um grito faz Sérgio estremecer no leito e escancarar a janela; o Ateneu está em chamas. Américo, um menino
estranho, que ficara na escola, obrigado pela família e que sumira dali, é o principal suspeito do incêndio.
Desaparecera também a senhora do diretor que, desconsolado, presencia tristemente sua obra sucumbir.
PARNASIANISMO
Como muitos dos movimentos culturais, o Parnasianismo teve sua inspiração na França, de uma antologia poética
intitulada O Parnaso contemporâneo, publicada em 1866. Parnaso era o nome de um monte, na Grécia, consagrado a
Apolo (deus da luz e das artes) e às musas (entidades mitológicas ligadas às artes).
No Brasil, em 1878, em jornais cariocas, um ataque à poesia do Romantismo gerou uma polêmica em versos que ficou
conhecida como a Batalha do Parnaso. Entretanto, considera-se como marco inicial do Parnasianismo no país o livro
de poesias Fanfarras, de Teófilo Dias, publicado em 1882. O Parnasianismo prolongou-se até a Semana de Arte
Moderna, em 1922.
O Realismo, o Naturalismo e o Parnasianismo foram movimentos literários contemporâneos: Realismo e Naturalismo
na prosa, e Parnasianismo na poesia. Enquanto a prosa realista representou uma reação contra a literatura sentimental
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LÍNGUA PORTUGUESA/LITERATURA
dos românticos, a poesia parnasiana pregou a rejeição do “excesso de lágrimas” e da linguagem coloquial e
declamatória do Romantismo, valorizando o cuidado formal e a expressão mais contida dos sentimentos, com um
vocabulário elaborado (às vezes, incompreensível por ser tão culto), racionalista e temática voltada para assuntos
universais.
CARACTERÍSTICAS
- Formas poéticas tradicionais: com esquema métrico rígido, rima, soneto.
- Purismo e preciosismo vocabular, com predomínios de termos eruditos, raros, visando à máxima precisão, e de
construções sintáticas refinadas. Escolha de palavras no dicionário para escrever o poema com palavras difíceis.
- Tendência descritivista1, buscando o máximo de objetividade na elaboração do poema, assim separando o sujeito
criador do objeto criado.
- Postura antirromântica, baseada no binômio objetividade temática/culto da forma.
- Destaque ao erotismo e à sensualidade feminina.
- Referências à mitologia greco-latina.
- O esteticismo, a depuração formal, o ideal da “arte pela arte”. O tema não é importante, o que importa é o jeito de
escrever, a forma.
- A visão da obra como resultado do trabalho, do esforço do artista, que se coloca como um ourives que talha e lapida
a joia.
- Transpiração no lugar da inspiração romântica. O escritor precisa trabalhar muito, “suar a camisa”, para fazer uma
boa obra. O poeta é comparado a um ourives.
1- Técnica de descrição que evita a interferência do autor/pesquisador nos objetos/dados que pretende descrever.
Olavo Bilac
Desde o princípio, Bilac buscava, em sua poesia, a perfeição formal. Escrevia versos decassílabos e alexandrinos (12
sílabas poéticas) e concluía-os com “chave de ouro” (versos de grande efeito ao final de cada estrofe). No poema “A
um poeta”, Bilac descreve a arte de escrever um poema.
O soneto, forma mais cultuada entre os poetas parnasianos, composto por versos formados por dez sílabas métricas,
mostra a necessidade de o poeta trabalhar, somente, isolado da multidão. Assim, o poeta, quando está escrevendo seus
versos, deve encontrar um lugar tão sossegado e silencioso como um mosteiro, pois o turbilhão da rua impede o ato de
criação. O último verso, da primeira estrofe, mostra que, para alcançar a forma perfeita, faz-se necessário trabalhar
bem com o objeto da poesia, isto é, a palavra. A repetição da conjunção “e” reitera o esforço do poeta para encontrar a
palavra perfeita para sua obra.
Na segunda estrofe, o eu lírico adverte que o resultado final, isto é, a conclusão do poema, deve ocultar o esforço que
o poeta empregou na construção dos versos. Dessa forma, o eu lírico compara a forma perfeita a de um templo grego,
fazendo a ligação com os clássicos, que aparece tanto na estrutura do texto (a forma de soneto), como em um de seus
versos. A forma é tudo; o edifício não pode conter marcas do andaime: a forma perfeita deve ser leve, natural, as
dificuldades de sua construção não podem ser vistas.
Nos três versos finais, a “chave de ouro”: o belo é sinônimo de verdade; logo a forma perfeita é a única maneira de
construir uma poesia bela e verdadeira. O último verso sintetiza o ideal parnasiano do culto à forma, da “arte pela
arte”.
A um poeta
Longe do estéril turbilhão da rua,
Beneditino, escreve! No aconchego
Do claustro, na paciência e no sossego,
Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua!
Mas que na forma se disfarce o emprego
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Do esforço; e a trama viva se construa
De tal modo, que a imagem fique nua,
Rica mas sóbria, como um templo grego.
OUTROS AUTORES
- Alberto de Oliveira (1857-1937) – autor de Canções românticas, Meridionais, Sonetos e poemas, Versos e rimas.
- Raimundo Correia (1860-1911) – autor de Primeiros sonhos, Sinfonias, Versos e versões, Aleluias, Poesias.
- Olavo Bilac (1865-1918) – autor de Via Láctea, Sarças de fogo, Alma inquieta, O Caçador de esmeraldas, Tarde.
- Vicente de Carvalho (1866-1924) – autor de Ardentias, Relicário, Rosa, rosa de amor, Poemas e Canções.
SIMBOLISMO
A publicação de Broquéis e Missal (1893), de João da Cruz e Souza, inaugura este movimento, que se caracteriza por
melancolia, gosto dos ritmos fluidos e musicais, incluindo o uso de versos livres; uso de imagens incomuns e ousadas.
O cuidado na evocação das cores e de seus múltiplos matizes mostra, também, uma influência do Impressionismo.
Alphonsus de Guimaraens (Câmara ardente) é um outro grande nome desse período. O simbolista tardio Guilherme de
Almeida (Eu e você) funciona como uma ponte entre essa fase e o pré-modernismo. Uma figura isolada é Augusto dos
Anjos (Eu e outras poesias), fascinado pelo vocabulário e os conceitos da ciência e da filosofia, que faz uma poesia de
reflexão metafísica e de denúncia da injustiça social.
João da Cruz e Souza (1861-1898), filho de escravos libertos, luta pelo abolicionismo e contra o preconceito racial.
Muda-se de Santa Catarina para o Rio de Janeiro, onde trabalha na Estrada de Ferro Central e colabora no jornal Folha
Popular. A sua poesia é marcada pela sublimação do amor e pelo sofrimento vindo do racismo, da pobreza, da doença.
Renova a poesia no Brasil com Broquéis e Missal. Em Últimos sonetos trata a morte como a única forma de alcançar a
liberação dos sentidos.
O Simbolismo - que também foi chamado de Decadentismo, Impressionismo, Nefelibatismo - surgiu na França, por
volta de 1880, e de lá se difundiu internacionalmente, abrangendo vários ramos artísticos, principalmente a poesia. O
período era de profundas modificações sociais e políticas, provocadas fundamentalmente pela expansão do
capitalismo, na esteira da industrialização crescente, e que convergiram para, dentre outras consequências, a I Guerra
Mundial. Na Europa haviam germinado idéias científico-filosóficas e materialistas que procuravam analisar
racionalmente a realidade e assim apreender as novas transformações; essas idéias, principalmente as do positivismo,
influenciaram movimentos literários como o Realismo e o Naturalismo, na prosa, e o Parnasianismo, na poesia.
No entanto, os triunfos materialistas e científicos não eram compartilhados ou aceitos por muitos estratos sociais, que
haviam ficado ao largo da prosperidade burguesa característica da chamada "belle époque"; pelo contrário, esses
grupos alertavam para o mal-estar espiritual trazido pelo capitalismo. Assim, como afirmou Alfredo Bosi, "do âmago
da inteligência europeia surge uma oposição vigorosa ao triunfo da coisa e do fato sobre o sujeito - aquele a quem o
otimismo do século prometera o paraíso mas não dera senão um purgatório de contrastes e frustrações". A partir dessa
oposição, no campo da poesia, formou-se o Simbolismo.
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LÍNGUA PORTUGUESA/LITERATURA
O movimento simbolista tomou corpo no Brasil na década de 1890, quando o país passava também por intensas e
radicais transformações, ainda que diversas daquelas vivenciadas na Europa. O advento da República e a abolição da
escravatura modificaram as estruturas políticas e econômicas que haviam sustentado a agrária e aristocrática sociedade
brasileira do Império. Os primeiros anos do regime republicano, de grande instabilidade política, foram marcados pela
entrada em massa de imigrantes no país, pela urbanização dos grandes centros - principalmente de São Paulo, que
começou a crescer em ritmo acelerado -, e pelo incremento da indústria nacional.
Nas cidades, a classe média se expandiu, enquanto a operária começou a tornar-se numerosa. No campo, aumentaram
as pequenas propriedades produtivas e o colonato. A jovem república federativa, que ainda definia os limites de seu
território, conheceu a riqueza efêmera da borracha na Amazônia e a prosperidade trazida pela diversificação da
produção agrícola no Rio Grande do Sul. Mas era o café produzido no Centro-Sul a força motriz da economia
brasileira, e de seus lucros alimentou-se a poderosa burguesia que determinava o destino de grande parte dos projetos
políticos, financeiros e culturais do país.
No Brasil ainda sustentado pela agricultura e dependente de importações de produtos manufaturados, máquinas e
equipamentos, a indústria editorial engatinhava. O público leitor era reduzido, já que a maior parte da população era
analfabeta. As poucas editoras existentes concentravam-se no Rio de Janeiro e lançavam autores de preferência já
conhecidos do público, em tiragens pequenas, impressas em Portugal ou na França, e mal distribuídas. Era
principalmente nas páginas de periódicos que circulavam as obras literárias, e onde se debatiam os novos movimentos
estéticos que agitavam os meios artísticos. Foi por meio do jornal carioca Folha Popular que formou-se o grupo
simbolista liderado por Cruz e Souza, provavelmente o mais importante a divulgar a nova estética no país.
Também por força dessas circunstâncias, muitos autores do período colaboraram como cronistas para jornais e
revistas, atividade que contribuiu para a profissionalização do escritor brasileiro. Raul Pompéia, ficcionista ligado ao
Realismo, foi um deles, e abordou importantes acontecimentos e debates da época em suas crônicas, como a questão
do Voto Feminino e Voto Estudantil ou os problemas da Viação Urbana. Além dos periódicos, as conferências
literárias eram outra fonte de renda e de divulgação para os autores brasileiros, que também costumavam frequentar
salões artísticos promovidos por membros da elite, como a Vila Kyrial de José de Freitas Vale, senador, mecenas e
autor de versos simbolistas que posteriormente patroneou autores modernistas.
Os simbolistas contribuíram muito para a evolução do mercado de periódicos, pois lançaram grande número de
revistas, em vários estados brasileiros. Ainda que os títulos durassem, na maioria das vezes, apenas alguns números, o
que é também indicativo da fragilidade do mercado editorial e da cena literária, representaram grande avanço no setor,
notavelmente pelo apuro gráfico. Dentre os periódicos simbolistas destacam-se as cariocas Rio-Revista e Rosa-Cruz,
as paranaenses Clube Curitibano e O Cenáculo, as mineiras Horus e A Época, a cearense A Padaria Espiritual, a
baiana Nova Cruzada, entre muitas outras. No começo do século XX, foram publicadas revistas que ficariam famosas
pela qualidade editorial e gráfica, como Kosmos e Fon-Fon!. As inovações formais e tipográficas praticadas pelos
simbolistas, como os poemas figurativos, as páginas coloridas, os livros-estojo exigiam grande requinte técnico e, por
conseqüência, terminaram por ajudar a melhorar a qualidade da indústria gráfica no país.
CARACTERÍSTICAS GERAIS
Os poetas simbolistas acreditavam que a realidade é complexa demais pra ser apreendida e descrita de maneira
objetiva e racional, como pretendiam os realistas e parnasianos. Eles voltaram-se para o universo interior e os aspectos
não racionais e não lógicos da vida, como o sonho, o misticismo, o transcendental. Propunham o exercício da
subjetividade contra a objetividade - retomando, de modo diferente, o individualismo romântico.
É preciso diferenciar, todavia, poesia simbolista de poesia simbólica. Como afirma o crítico Afrânio Coutinho, "nem
toda literatura que usa o símbolo é simbolista. A poesia universal é toda ela na essência simbólica".
O Simbolismo, para Coutinho, "posto não constituísse uma unidade de métodos, antes de ideais, procurou instalar um
credo estético baseado no subjetivo, no pessoal, na sugestão e no vago, no misterioso e ilógico, na expressão indireta e
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LÍNGUA PORTUGUESA/LITERATURA
simbólica. Como pregava Mallarmé, não se devia dar nome ao objeto, nem mostrá-lo diretamente, mas sugeri-lo,
evocá-lo pouco a pouco, processo encantatório que caracteriza o símbolo."
No Brasil, onde o Parnasianismo dominava o cenário poético, a estética simbolista encontrou resistências, mas animou
a criação de obras inovadoras. Desde o final da década de 1880 as obras de simbolistas franceses, entre eles
Baudelaire e Mallarmé, e portugueses, como Antônio Nobre e Camilo Pessanha, vinham influenciando grupos como
aquele que se formou em torno da Folha Popular, no Rio, liderado por Cruz e Souza e integrado por Emiliano Perneta,
B. Lopes e Oscar Rosas. Mas foi com a publicação, em 1893, de Missal, livro de poemas em prosa, e Broquéis,
poemas em versos, ambos de Cruz e Souza, que principiou de fato o movimento simbolista no país - embora a
importância desses livros e do próprio movimento só tenha sido reconhecida bem mais tarde, com as vanguardas
modernistas.
Entre as inovações formais que caracterizam o Simbolismo estão a prática do verso livre, em oposição ao rigor do
verso parnasiano, e o uso de "uma linguagem ornada, colorida, exótica, poética, em que as palavras são escolhidas
pela sonoridade, ritmo, colorido, fazendo-se arranjos artificiais de parte ou detalhes para criar impressões sensíveis,
sugerindo antes que descrevendo e explicando", de acordo com Afrânio Coutinho.
Traços formais característicos do Simbolismo são a musicalidade, a sensorialidade, a sinestesia (superposição de
impressões sensoriais). O antológico poema Antífona, de Cruz e Souza, é exemplar nesse sentido; sugestões de
perfumes, cores, músicas perpassam todo o poema, cuja linguagem vaga e fluida é plena de recursos sonoros como
aliterações e assonâncias. Há também em Antífona referências a elementos místicos, ao sonho, a mistérios, ao amor
erótico, à morte, os grandes temas simbolistas.
Ainda com relação à forma, o soneto foi cultivado pelos simbolistas, mas não com a predileção manifestada pelos
parnasianos, nem com sua paixão descritiva. Em sonetos como Incenso, de Gilka Machado, e Acrobata da Dor, de
Cruz e Souza, está presente a linguagem que sugere, em lugar de nomear ou descrever, além de elementos como o
questionamento da razão, a dor da existência, o interesse pelo mistério, a transcendência espiritual, que são
característicos do Simbolismo. Lembre-se a propósito, também, do poema O Soneto, de Cruz e Souza, em que a
linguagem poética simbolista transfigura e recria a forma da composição soneto.
É importante lembrar que as correntes simbolistas e parnasianas coexistiram e se influenciaram mutuamente; assim, há
na obra de adeptos do Simbolismo traços da estética parnasiana e, do mesmo modo, impregnações simbolistas na obra
de poetas ligados ao Parnasianismo, como Francisca Júlia.
O Simbolismo e o Parnasianismo, segundo José Aderaldo Castello, projetaram-se nas primeiras décadas do século
XX, "deixando importante legado para herdeiros que se fariam grandes poetas do Modernismo". O Simbolismo,
porém, "mais do que os adeptos da poesia ‘científico-filosófica’ e realista, provocou o debate, aguçando o confronto
de gerações."
Os principais autores simbolistas brasileiros são Cruz e Souza e Alphonsus de Guimaraens, mas merecem destaque
também Gilka Machado e Augusto dos Anjos.
Cruz e Souza é considerado o maior poeta simbolista brasileiro, e foi mesmo apontado pelo estudioso Roger Bastide
como dos maiores poetas do Simbolismo no mundo. Para a crítica Luciana Stegagno-Picchio, "ao firme, sapiente
universo do parnasiano, à estátua, ao mármore, mas também ao polido distanciamento e ao sorriso, o simbolista Cruz e
Souza contrapõe seu universo sinuoso, mal seguro, inquietante, misterioso, alucinante". Negro, o poeta sofreu
preconceitos terríveis, que marcaram de diversos modos sua produção poética. Os críticos costumam indicar a
"obsessão" pela cor branca em seus versos, repletos de brumas, pratas, marfins, linhos, luares, e de adjetivos como
alva, branca, clara. Mas Cruz e Souza também expressou as dores e injustiças da escravidão em poemas como
Crianças Negras e Na Senzala.
A obra de Alphonsus de Guimaraens é fundamentada pelos temas do misticismo, do amor e da morte. Em poemas
como A Catedral e A Passiflora, repletos de referências católicas, a religiosidade é o assunto principal. O poeta
também voltou-se para outro tema caro aos simbolistas, o interesse pelo inconsciente e pelas zonas profundas e
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LÍNGUA PORTUGUESA/LITERATURA
desconhecidas da mente humana. Ismália, talvez seu poema mais conhecido, tematiza justamente a loucura. O amor,
em sua poesia, é o amor perdido, inatingível, pranteado, como em Noiva e Salmos da Noite; reminiscências da morte
prematura da mulher que amou na juventude.
Gilka Machado "foi a maior figura feminina de nosso Simbolismo", segundo o crítico Péricles Eugênio da Silva
Ramos. Seus poemas, de intenso sensualismo, chegaram a causar escândalo, mas revelaram novas maneiras de
expressar o erotismo feminino. Emiliano Perneta também imprimiu forte sensualismo em seus versos, característicos,
além disso, pelo satanismo e decadentismo.
Sua poesia, para Andrade Muricy, é "a mais desconcertante e variada que o simbolismo produziu entre nós". Já a obra
de Augusto dos Anjos - extremamente popular, diga-se de passagem - é única, e há grande dificuldade entre a crítica
para classificá-la. Seus poemas, que chegam a ser expressionistas, recorrem a uma linguagem cientifista-naturalista,
abundante de termos técnicos, para tematizar a morte, a destruição, o pessimismo e mesmo o asco diante da vida.
CRUZ E SOUSA
João da Cruz e Sousa nasceu em Desterro, atual Florianópolis. Filho de escravos alforriados pelo Marechal Guilherme
Xavier de Sousa, seria acolhido pelo Marechal e sua esposa como o filho que não tinham. Foi educado na melhor
escola secundária da região, mas com a morte dos protetores foi obrigado a largar os estudos e trabalhar.
Sofre uma série de perseguições raciais, culminando com a proibição de assumir o cargo de promotor público em
Laguna, por ser negro. Em 1890 vai para o Rio de Janeiro, onde entra em contato com a poesia simbolista francesa e
seus admiradores cariocas. Colabora em alguns jornais e, mesmo já bastante conhecido após a publicação de Missal e
Broquéis (1893), só consegue arrumar um emprego miserável na Estrada de Ferro Central.
Casa-se com Gavita, também negra, com quem tem quatro filhos, dois dos quais vêm a falecer. Sua mulher
enlouquece e passa vários períodos em hospitais psiquiátricos. O poeta contrai tuberculose e vai para a cidade mineira
de Sítio se tratar. Morre aos 36 anos de idade, vítima da tuberculose, da pobreza e, principalmente, do racismo e da
incompreensão.
BROQUÉIS
É composto por 54 poemas, demarcados com a presença da cor branca em variados jogos e matizes - seja a presença
da luminosidade do luar, da neblina; seja a presença da neve, das imagens vaporosas, dos cristais, como no belíssimo
"Antífona", poema de abertura da obra.
A partir de um dos sonetos do livro - Carnal e Místico, define-se a dicotomia que será básica nesses poemas. A carne,
a sensualidade e a luxúria explodem com intensidade dramática em vários poemas.
O soneto é a forma poética mais cultivada em "Broquéis" - ainda um traço parnasiano - mas a temática é inteiramente
simbolista, bem como determinados recursos verbais inequívocos: estilização de diferentes apoios fonéticos, como a
assonância, as aliterações, os cognatismos e as sinestesias, criando assim um universo etéreo, delicado, musical.
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LÍNGUA PORTUGUESA/LITERATURA
A carne, a sensualidade e luxúria explodem com intensidade dramática em vários poemas. A lasciva da carne atrativa
manifesta-se em "Lésbia":
Como revela este soneto, o transcendental de Cruz e Souza não se define claramente. Não se trata do "céu" de
nenhuma religião concreta. Sempre vagas são as expressões que a ele se referem: naves do Infinito, regiões
tenuíssimas da bruma, mundos ignorados, vagos infinitos, branco Sacrário das Saudades, Estrelas do Infinito, Azuis
dos siderais Empíreos, Azuis etéreos.
Essa mesma indefinição vaga caracteriza as referências reiteradas ao tema do sonho, bem como a redução frequente de
tudo a "quimera".
Os dilaceramentos paradoxais, a busca ansiosa de uma realidade satisfatória, o confronto dos débitos carnais com as
aspirações místicas conduzem o poema a temáticas vigorosas, densas, trágicas e dramáticas, atingindo até o grotesco.
São explosões de vida que se torturam na ânsia de realização, impedidas por barreiras, convenções ou preconceitos. A
própria seleção vocabular densifica esse vigor dinâmico impresso nos versos: o poeta se refere a Satã como capro e
revel, com bizarros e lúbricos contornos e báquicos adornos. A adjetivação carrega de particular intensidade dramática
a realidade enfocada, como em "a torva Morte horrenda,/ atra, sinistra, gélida, tremenda". Ou então é a tortura eterna
da expressão arística que angustia o poeta:
Broquéis é um livro de poesia maior. O Simbolismo nele refulge na sua linguagem colorida, exótica e vigorosa; na
abstração vaga e diluída de toda a materialidade; na imprecisa mas dominante tendência mística, envolvendo todo um
vocabulário litúrgico; na linguagem figurada, constantemente metafórica, de aliterações e sinestesias; na crescente
musicalidade que emana de seus versos. São poemas simbolistas, mas poemas carregados de sentimento e de
vivências vigorosas. Poemas que identificam a tortura existencial do poeta, totalmente dedicado à criação poética.
Se em "Broquéis" predominam os sonetos, integram "Faróis" menos sonetos e mais poemas longos. Se no livro
anterior já emergia a concepção dramática da vida, em "Faróis" se intensifica esse senso trágico da existência
atingindo níveis de morbidez e satanismo. Conscientiza-se o poeta cada vez mais do seu em paredamento. Avoluma-se
sua angústia ante o destino inclemente, como estabelece claramente "Meu Filho", um dos raros poemas referentes à
família:
Pemas como "Pandemonium", "A Flor do Diabo", "Tédio", "Caveira", "Música da Morte", "Inexorável", "Olhos de
Sonho", "Litania dos Pobres" constituem alguns exemplos que acentuam os aspectos trágicos, macabros e mesmo
satânicos da existência, conduzindo a cenas e descrições dramáticas. O poema final - "Ébrios e cegos" - sintetiza, em
cores negras, esse quadro trágico da existência:
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LÍNGUA PORTUGUESA/LITERATURA
"Mas ah! Torpe matéria!
Se as atritassem, como pedras brutas,
Que chispas de miséria
Romperiam de tais almas corruptas!."
ALPHONSUS DE GUIMARAENS
Alphonsus de Guimaraens (1870-1921) foi um poeta brasileiro. Um dos principais representantes do Movimento
Simbolista no Brasil. Sua poesia é quase toda caracterizada pelo tema da morte da mulher amada, a morte de sua noiva
aos dezessete anos. Todos os outros temas que explorou como religião, natureza e arte, estão sempre relacionadas com
a morte.
Alphonsus de Guimaraens (1870-1921) nasceu em Ouro Preto, Minas Gerais, no dia 24 de julho de 1870. Filho do
comerciante português Albino da Costa Guimarães e de Francisca de Paula Guimarães Alvim. Fez os cursos básicos
em Minas Gerais e aos 17 anos se apaixona pela prima Constança, filha do escritor Bernardo Guimarães seu tio-avô.
Com a morte prematura da prima, em 1888, o poeta se entrega a vida boêmia.
Essa época já colaborava no Almanaque Administrativo, Mercantil, Industrial, Científico e Literário do município de
Ouro Preto. Viaja para São Paulo com o amigo José Severino de Resende. Inicia o curso de Direito na Faculdade de
Direito do Largo de São Francisco, em 1891. Volta para Ouro Preto, em 1893, onde termina o curo de Direito na
recém-criada Academia Livre de Direito de Minas Gereis.
Volta para São Paulo onde estuda Ciências Sociais, terminando o curso em 1895. Vai ao Rio de Janeiro, onde conhece
Cruz e Souza, poeta que já admirava e de quem se tornou amigo. Volta para Minas e é nomeado promotor de
Conceição do Serro, hoje Conceição do Mato Dentro, ocupando em seguida o cargo de juiz substituto. Em 1897, casa-
se com Zenaide de Oliveira, com quem teve 14 filhos.
Sua poesia expressa uma atitude melancólica sobre o tema morte. O sentimento resignado, o sofrimento e a
desesperança estão presentes em seus versos. O seu espiritualismo é voltado para a religiosidade e o misticismo.
Seus três primeiros livros foram publicados no Rio de Janeiro, em 1899, são: Dona Mística, Câmara Ardente e o
Setenário das Dores de Nossa Senhora. Kiriali que foi escrito antes, só foi publicado em 1902, na cidade do Porto, em
Portugal. Em 1905 é nomeado juiz municipal da cidade de Mariana.
Afonso Henrique da Costa Guimarães (seu nome civil) morreu na cidade de Mariana, Minas Gerais, no dia 15 de julho
de 1921.
A Catedral
Entre brumas ao longe surge a aurora,
O hialino orvalho aos poucos se evapora,
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Agoniza o arrebol.
A catedral ebúrnea do meu sonho
Aparece na paz do céu risonho
Toda branca de sol.
Ismália
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LÍNGUA PORTUGUESA/LITERATURA
No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...
E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...
EXERCÍCIOS (REALISMO/NATURALISMO)
Exercícios sobre realismo - naturalismo
01. O realismo foi um movimento de:
a) volta ao passado;
b) exacerbação ultrarromântica;
c) maior preocupação com a objetividade;
d) irracionalismo;
e) moralismo.
02. A respeito de Realismo, pode-se afirmar:
I– Busca o perene humano no drama da existência .
II– Defende a documentação de fatos e a impessoalidade do autor perante a obra.
III – Estética literária restritamente brasileira; seu criador é Machado de Assis.
a) São corretas apenas II e III.
b) Apenas III é correta.
c) As três afirmações são corretas.
d) São corretas I e II.
e) As três informações são incorretas.
03. Considerando-se iniciado o movimento realista no Brasil quando:
a) Aluísio de Azevedo publica O Homem.
b) José de Alencar publica Lucíola.
c) Machado de Assis publica Memória Póstumas de Brás Cubas.
d) As alternativas a e c são válidas.
e) As alternativas a e b são válidas.
04. O realismo, como escola literária, é caracterizado:
a) pelo exagero da imaginação;
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LÍNGUA PORTUGUESA/LITERATURA
b) pelo culto da forma;
c) pela preocupação com o fundo;
d) pelo subjetivismo;
e) pelo objetivismo.
05. Podemos verificar que o Realismo revela:
I– senso do contemporâneo. Encara o presente do mesmo modo que romantismo se volta para opassado ou para o
futuro.
II– o retrato da vida pelo método da documentação, em que a seleção e a síntese operam buscando um sentido para o
encadeamento dos fatos.
III – técnica minuciosa, dando a impressão de lentidão, de marcha quieta e gradativa pelos meandros dos conflitos, dos
êxitos e dos fracassos.
Assinale:
a) se as afirmativas II e III forem corretas;
b) se as três afirmativas forem corretas;
c) se apenas a afirmativa III for correta;
d) se as afirmativas I e II forem corretas;
e) se as três afirmativas forem incorretas.
06. Das características abaixo, assinale a que não pertence ao Realismo:
a) Preocupação critica.
b) Visão materialista da realidade.
c) Ênfase nos problemas morais e sociais.
d) Valorização da Igreja.
e) Determinismo na atuação das personagens.
07. Assinale a única alternativa incorreta:
a) O Realismo não tem nenhuma ligação com o Romantismo.
b) A atenção ao detalhe é característica do Realismo.
c) Pode-se dizer que alguns autores românticos já possuem certas características realistas.
d) O cientificismo do século XIX forneceu a base da visão do mundo adotada, de um modo geral, pelo Naturalismo.
e) O Realismo apresenta análise social.
08. No texto a seguir, Machado de Assis faz uma crítica ao Romantismo: Certo não lhe falta imaginação; mas esta tem
suas regras, o astro, leis, e se há casos em que eles rompem as leis e as regras são porque as fazem novas, é porque se
chama Shakespeare, Dante, Goethe, Camões.
Com base nesse texto, notamos que o autor:
a) Preocupa-se com princípios estéticos e acredita que a criação literária deve decorrer de uma elaborada produção dos
autores.
b) Refuga o Romantismo, na medida em que os autores desse período reivindicaram uma estética oposta à clássica.
c) Entende a arte como um conjunto de princípios estéticos consagrados, que não pode ser manipulado por
movimentos literários específicos.
d) Defende a ideia de que cada movimento literário deve ter um programa estético rígido e inviolável.
e) Entende que Naturalismo e o Parnasianismo constituem soluções ideais para por termo à falta de invenção dos
românticos.
09. Examine as frases abaixo
I– Os representantes do Naturalismo faze aparecer na sua obra dimensões metafísica do homem, passando a encará-lo
como um complexo social examinando à luz da psicologia.
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LÍNGUA PORTUGUESA/LITERATURA
II –No Naturalismo, as tentativas de submeter o Homem a leis determinadas são consequências das ciências, na
segunda metade do século XIX.
III – Na seleção de “casos” a serem enfocados, os naturalistas demonstram especial aversão pelo anormal e pelo
patológico.
Pode-se dizer corretamente que:
a) só a I está certa;
b) só a II está certa;
c) só a III está certa;
d) existem duas certas;
e) nenhuma está certa.
10. Das citações apresentadas abaixo, qual não apresenta, evidentemente, um enfoque naturalista?
a) Às esquinas, nas quitandas vazias, fermentava um cheiro acre de sabão da terra e aguardente.
b)...As peixeiras, quase todas negras, muito gordas, o tabuleiro na cabeça, rebolando os grossos quadris trêmulos e as
tetas opulentas.
c) Os cães, estendidos pelas calçadas, tinham uivos que pareciam gemidos humanos.
d)...Batiam-lhe com a biqueira do chapéu nos ombros e nas coxas, experimentando-lheso vigor da musculatura, como
se estivesse a comprar cavalos.
e) À porta dos leilões aglomeravam-se os que queriam comprar e os simples curiosos.
PRÉ-MODERNISMO
Esse mesmo cenário agudiza conflitos sociais na cidade. A percepção dessa desigualdade social marcada será
sublinhada na obra de Lima Barreto. O escritor, de fato reconhecido em sua grandiosidade apenas postumamente,
trouxe-nos uma prosa em linguajar mais corrente, de certa forma, retomando o projeto de abrasileirar a linguagem
literária brasileira, iniciado por Alencar e que atingiria seu clímax com os modernistas de 22. Sua literatura é de
denúncia de desigualdades sociais e preconceitos, de temáticas que retratam aspectos mais populares da sociedade e de
construção de um projeto de país utópico, como bem retratadas em sua obra maior O triste fim de Policarpo
Quaresma.
Também nutrido de mordaz senso de observação, João do Rio − Paulo Barreto, de nascimento− em suas crônicas
principalmente, foi crítico severo das transformações por que o Rio passava. As quais, segundo ele, a título de
modernidade, retiravam da cidade sua verdadeira alma. Vemos isso no trecho seguinte:
MODERNIZAÇÃO (João do Rio)*
— As avenidas são a morte do velho Rio. Este mercado, onde não moram mais os mercadores, esse mercado
fechado e higiênico pode ser aquela antiga praça centro da miséria, da luxúria viscosa, de tantas e tantas tradições?
Nunca! Amanhã, temo-lo demolido como a velha Saúde, amanhã atiram esses becos por terra; amanhã desmancham a
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LÍNGUA PORTUGUESA/LITERATURA
rua Tobias Barreto, a rua do Nuneio, a rua da Conceição, e a parte bizarra, curiosa, empolgante da cidade desaparece
absolutamente! Vamos ficar como todas as outras cidades!
— As ruas morrem, e mudam de alma. Se nós mudamos, que queres tu que elas façam?
[...]
*Texto escrito por Paulo Barreto (João do Rio), publicado na Gazeta de Notícias, em 12 de janeiro de 1908
Em estilo de produção totalmente diverso desses autores, eis que surge Augusto dos Anjos. Até hoje, é, possivelmente,
um caso único e de difícil classificação estética. Sua tradicional na forma e inovadoramente ímpar no conteúdo.
Instaura-se em seu texto todo um vocabulário e terminologia de viés cientificista e muito pouco usual na tradição
poética.
Outro a se destacar em obra magnânima é o jornalista Euclides da Cunha, por meio de Os Sertões, marco introdutório
da temática do Nordeste, a ser retomada depois pela geração modernista de 30, em nossa literatura. Essa é uma
produção que une o tom literário ao apuro jornalístico, sobretudo em suas descrições e caracterizações do contexto da
Guerra de Canudos, a qual estava encarregado, profissionalmente, de acompanhar.
Por fim, o destacado Monteiro Lobato, autor cuja produção extrapola a temática infanto-juvenil de O sítio do Pica-pau
Amarelo a qual o consagrou por muitas gerações. Lobato foi autor atento às grandes questões do país. Como dizia,
“Um país se faz com livros e homens”. Além de escritor de dezenas de obras, também atuou como tradutor, ensaísta,
editor. É seu o personagem Jeca Tatu, até hoje tomado como certo estereótipo.
CONTEXTO
O período literário conhecido como Pré-Modernismo situa-se, aproximadamente, nas duas primeiras décadas do séc.
XX, precedendo o movimento modernista de 22. Na verdade, o Pré-Modernismo não corresponde a uma escola
literária, mas sim a um confluir de escritores que, não correspondendo a nenhuma das estéticas de fins do século XIX,
tiveram uma produção de impacto, apresentando novas vertentes estilísticas e/ou temáticas em nossa literatura.
Os principais autores do período são:
Lima Barreto (1881-1922)
João do Rio (1881-1921)
Augusto dos Anjos (1884-1914)
Euclides da Cunha (1866-1909)
Monteiro Lobato (1882-1948)
A Avenida Central, atual Rio Branco, no início do séc. XX, após a Reforma Pereira Passos (Foto: Reprodução)
A Avenida Central, atual Rio Branco, no início do séc. XX, após a Reforma Pereira Passos.
O Rio de Janeiro do início do século XX, capital da recém-proclamada República, em meio a suas profundas
transformações promovidas pela reforma urbana de Pereira Passos, na região central da cidade, é o pano de fundo da
obra de dois grandes representantes do momento pré-modernista: Lima Barreto e João do Rio.
A Reforma Pereira Passos, também conhecida à época por Bota Abaixo, instaurava o período conhecido como Belle
Époque, marcado por ares europeizados do Centro da Cidade, sobretudo. O Rio de Janeiro apresentava-se como a
Paris dos Trópicos.
EUCLIDES DA CUNHA
Euclides da Cunha nasceu no Rio de Janeiro, em 20 de janeiro de 1866 e morreu neste mesmo estado, em 1909, aos 43
anos de idade.
Era engenheiro, porém seu talento literário não passava despercebido, e, logo recebeu um convite para ser
correspondente do jornal “O Estado de S.Paulo”, este fato ocorreu durante o período da Guerra de Canudos.
Posteriormente, escreveu sobre esta revolta no livro: Os Sertões, obra que atingiu um grande sucesso. Nesta obra ele
faz ainda uma análise brilhante da psicologia do sertanejo e de seus costumes. Escreveu também: Peru versus Bolívia,
Contrastes e Confrontos e A Margem da História.
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LÍNGUA PORTUGUESA/LITERATURA
Sua vida privada foi repleta de contrariedades e grandes dificuldades financeiras. No ano de 1909 ele prestou concurso
para o magistério. Apesar de ter sido aprovado ele não teve tempo de assumir o cargo, pois, foi assassinado pouco
tempo depois. Sua obra é reconhecida até os dias de hoje e seus livros são lidos pelos apreciadores da literatura
brasileira.
OS SERTÕES
Análise da obra
Os Sertões dá início ao que se chama de Pré-Modernismo na literatura brasileira, revelando, às vezes com crueldade e
certo pessimismo, o contraste cultural nos dois "Brasis": o do sertão e o do litoral. Euclides da Cunha critica o
nacionalismo exacerbado da população litorânea que, não enxergando a realidade daquela sociedade mestiça,
produzida pelo deserto, agiu às cegas e ferozmente, cometendo um crime contra si próprio; o que é o grande tema de
Os Sertões. Em tom crítico, também mostra o que séculos de atraso e miséria, em uma região separada geográfica e
temporalmente do resto do país, são capazes de produzir: um líder fanático e o delírio coletivo de uma população
conformada.
Todos os importantes questionamentos e as grandes formulações sociológicas, antropológicas, históricas e políticas
para compreender o Brasil, antes e depois da República, tiveram seu embrião nas páginas de Os Sertões.
A obrarevela, às vezes com crueldade e certo pessimismo, o contraste cultural nos dois "Brasis": o do sertão e o do
litoral. A transição de valores tradicionais para modernos está na denúncia que faz da realidade brasileira, até então
acostumada a retratar um Peri, uma Iracema, um gaúcho, ícones do nosso Romantismo. Evidencia, pela primeira vez
em nossa literatura, os traços e condições reais do sertanejo, do jagunço; "a sub-raça" que habita o nordeste brasileiro;
o herói determinista que resiste à tragédia de seu destino, disfarçando de resignação o desespero diante da fatalidade.
Essa ruptura de visão de mundo gera também um rompimento no plano linguístico. A objetividade científica na
abordagem de um problema leva o autor a buscar termos precisos e, nesta escolha, sua linguagem torna-se
especializada e, por isso, às vezes difícil, mas que se justifica pelo objetivo de tornar exata a comunicação das ideias.
Considerada uma das obras-primas da literatura brasileira, Os Sertões, publicada em 1902, ano de sua primeira edição,
cinco anos após a campanha de Canudos, cujo trágico desfecho Euclides da Cunha testemunhou como repórter de O
Estado de São Paulo, apresenta não só um completo relato da Campanha de Canudos, que foi a luta sangrenta contra
os fanáticos chefiados por Antônio Conselheiro, os quais ameaçavam a segurança das cidades e povoações vizinhas,
mas apresenta ainda um admirável estudo da terra e do homem do sertão nordestino, das condições de vida do
sertanejo, da sua resistência e capacidade, de acordo com a visão de Euclides da Cunha. Ele foi o único jornalista que
atentou para a valentia dos jagunços.
Da primeira à última página, Os Sertões é uma obra que incomoda. Ele foi escrito exatamente para isso. Para instigar,
provocar a pesquisa e estimular a procura da verdade. É um livro contra o conformismo. É um livro de ideias e
soluções, de questionamentos e proposições ousadas. Já é lugar comum dizer que algumas de suas conceituações
científicas não resistiram à evolução. Contém os vícios ou distorções típicos da época.
É uma narrativa da insurreição de um grupo de fanáticos religiosos e não só descreve a sociedade mas também a
geografia, geologia, e zoologia plana do sertão brasileiro. Com seu apurado estilo jornalístico-épico, traça um retrato
dos elementos que compõem a guerra de Canudos: A Terra, O Homem e A Luta. A descrição minuciosa das
condições geográficas e climáticas do sertão, de sua formação social: o sertanejo, o jagunço, o líder espiritual, e do
conflito entre essa sociedade e a urbana, mostra-nos um Euclides cientificista, historicista e naturalista que rompe com
o imperialismo literário da época e inicia uma análise científica em prol dos aspectos mais importantes da sociedade
brasileira.
A primeira parte, A Terra, descreve o cenário em que se desenrolou a ação. Euclides da Cunha, num apanhado geral,
estudou os caracteres geológicos e topográficos das regiões que estão entre o Rio Grande do Norte e o sul de Minas
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LÍNGUA PORTUGUESA/LITERATURA
Gerais, de modo particular a bacia do rio São Francisco. Nos sertões do norte, fala discorre sobre a seca, das causas da
mesma, dando relevo especial ao papel do homem como agente geológico da destruição, que ao praticar desde os
tempos mais remotos a agricultura primitiva baseada em queimadas, arrasou as florestas. Os desertos, a erosão, o ciclo
das secas terríveis vieram em seguida.
A segunda parte, O Homem, completa a descrição do cenário com a narrativa das origens de Canudos. Ali Euclides da
Cunha estudou a gênese do jagunço e, principalmente, a de seu líder carismático, Antonio Conselheiro. Falou de raças
(índio, português, negro), e de sub-raças (que indica com o nome "mestiço"). Em O Homem o autor caracterizou o
sertanejo como "Hércules-Quasímodo", usando antíteses e paradoxos (Hércules era um semideus latino, encarnação de
forçae valentia; Quasímodo era sinônimo de monstrengo, de pessoa disforme, personagem de Nossa Senhora de Paris,
romance de Victor Hugo). Preparando o ambiente para os episódios de Canudos, Euclides da Cunha expôs a
genealogia de Antônio Conselheiro, suas pregações e a fixação dos sertanejos no arraial de Canudos.
A terceira parte, A Luta, é a mais importante, constituída da narrativa das quatro expedições do Exército enviadas para
sufocar a rebelião de Canudos, que reunia "os bandidos do sertão": jagunços (das regiões do Rio São Francisco) e
cangaceiros (denominação no Norte e Nordeste). Havia cerca de 20.000 habitantes no arraial, na maioria ex-
trabalhadores dos latifúndios da região.
Dividida em seis subtítulos (Preliminares, Travessia do Cambaio, Expedição Moreira César, Quarta Expedição, Nova
Fase da Luta e Últimos Dias) completou, por sua vez, o elenco dos personagens esboçado na segunda parte (O
Homem), quer estudando-os em conjunto, como no trecho Psicologia do Soldado, quer em closes particularizantes,
como no retrato físico e psicológico do coronel Antônio Moreira César.
Início da luta
As autoridades de Juazeiro se recusam a mandar a madeira que Antônio Conselheiro adquirira para cobrir a igreja de
Canudos; os jagunços, então, pretendiam tomar à força o que haviam comprado e pago. Avisado das intenções dos
homens de Conselheiro, o governo do Estado manda que em Juazeiro se organize uma força que elimine o foco de
banditismo.
A primeira expedição - Cem homens, comandados pelo tenente Pires Peneira, são surpreendidos e derrotados pelos
jagunços no povoado de Uauá.
A segunda expedição - Quinhentos homens, comandados pelo major Febrônio de Brito e organizados em colunas
maciças, são emboscados pelos jagunços em terrenos acidentados, no Morro do Cambaio e em Tabuleirinhos.
Destacam-se os “bandidos” João Grande e Pajeú, este último considerado por Euclides verdadeiro gênio militar.
Reduzidas a cem homens, as tropas do governo decidem voltar.
A terceira expedição - Mil e trezentos homens, comandados pelo coronel Moreira César, armados com canhões Krupp
— recém-importados da Alemanha —, sem planos definidos, partiram em fevereiro de 1897, atacando de frente, do
Morro da Favela, o arraial de Canudos. Os jagunços, protegidos pela irregularidade do relevo, buscavam o corpo-a-
corpo e desorganizaram as tropas, que na retirada desastrosa deixaram para trás armas, munições, os canhões Krupp e
o próprio general Moreira César, morto após ter sido ferido em combate.
A quarta expedição - Cinco mil homens, comandados pelos generais Artur Oscar, João da Silva Barbosa e Cláudio
Savaget, são enviados pelo sul. As tropas dividem-se em duas colunas. A primeira é cercada pelos jagunços no Morro
da Favela e tem de se socorrer da segunda coluna que, vitoriosa em Cocorobó, havia mudado de estratégia, dividindo-
se em pequenos batalhões. As duas colunas tentam um ataque maciço. Conseguem tomar boa parte do arraial, mas os
soldados mal resistem à fome e à sede.
Em agosto de 1897, oito mil homens deslocam-se para a região, comandados pelo próprio ministro da Guerra, o
marechal Carlos Bittencourt.
São cortadas as saídas de Canudos, o abastecimento de água é interrompido. Um tiro de canhão atinge a torre da
Igreja. Estoicos, esperando a salvação eterna, os sertanejos não se renderam, e muitos foram degolados após o assalto
final.. Perpetrou-se dessa forma o crime de uma nacionalidade inteira, no dizer de Euclides da Cunha, que a tudo
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LÍNGUA PORTUGUESA/LITERATURA
acompanhou do Morro de Uauá, de onde escrevia suas reportagens para o jornal A Província de São Paulo, hoje O
Estado de São Paulo, mais tarde refundidas nessa obra monumental que são Os Sertões.
LIMA BARRETO
Lima Barreto (1881-1922) foi escritor e jornalista brasileiro. Filho de pais pobres e mestiços sofreu esse preconceito
em toda sua vida. Logo cedo ficou órfão de mãe. Estudou no Colégio Pedro II e ingressou na Escola Politécnica, no
curso de Engenharia. Seu pai enlouquece e é internado, obrigando Lima Barreto a abandonar o curso de Engenharia.
Para sustentar a família, empregou-se na Secretaria de Guerra e ao mesmo tempo, escrevia para vários jornais do Rio
de Janeiro. Ao produzir uma literatura inteiramente desvinculada dos padrões e do gosto vigente, recebe severas
críticas dos letrados tradicionais. Explora em suas obras, as injustiças sociais e as dificuldades das primeiras décadas
da República. Com seu espírito inquieto e rebelde, Lima Barreto entrega-se ao álcool.
Afonso Henrique de Lima Barreto (1881-1922) nasceu no Rio de Janeiro no dia 13 de maio. Filho de Joaquim
Henriques de Lima Barreto e Amália Augusta, ambos mestiços e pobres. Sofreu preconceito a vida toda. Seu pai era
tipógrafo e sua mãe professora primária. Logo cedo ficou órfão de mãe.
Lima Barreto estudou no Liceu Popular Niteroiense e concluiu o curso secundário no Colégio Pedro II, local onde
estudava a elite literária da época. Sempre com a ajuda de seu padrinho, o Visconde de Ouro Preto, ingressou na
Escola Politécnica do Rio de Janeiro, onde iniciou o curso de Engenharia. Em 1904 foi obrigado a abandonar o curso,
pois, seu pai havia enlouquecido e o sustento dos três irmãos agora era responsabilidade dele.
Em 1904 consegue emprego de escrevente copista na Secretaria de Guerra, ao mesmo tempo em que colabora com
quase todos os jornais do Rio de Janeiro. Ainda estudante já colaborava para a Revista da Época e para a Quinzena
Alegre. Em 1905 passa a escrever no Correio da Manhã, jornal de grande prestígio.
Em 1909 Lima Barreto publica o romance "Recordações do Escrivão Isaías Caminha". O texto acompanha a trajetória
de um jovem mulato, que vindo do interior sofre sérios preconceitos raciais. Em 1915 escreve "Triste Fim de
Policarpo Quaresma", e em 1919 escreve "Vida e Morte de M.J.Gonzaga de Sá". Esses três romances apresentam
nítidos traços autobiográficos.
Com uma linguagem descuidada, suas obras são impregnadas da justa preocupação com os fatos históricos e com os
costumes sociais. Lima Barreto torna-se uma espécie de cronista e um caricaturista se vingando da hostilidade dos
escritores e do público burguês. Poucos aceitam aqueles contos e romances que revelavam a vida cotidiana das classes
populares, sem qualquer idealização.
A obra prima de Lima Barreto, não perturbada pela caricatura, foi "Triste Fim de Policarpo Quaresma". Nela o autor
conta o drama de um velho aposentado, O Policarpo, em sua luta pela salvação do Brasil.
Afonso Henriques Lima Barreto com seu espírito inquieto e rebelde, seu inconformismo com a mediocridade reinante,
se entrega ao álcool. Suas constantes depressões o levam duas vezes para o hospital. Em 01 de novembro de 1922
morre de um ataque cardíaco.
Versos Íntimos
Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!
MONTEIRO LOBATO
Contista, ensaísta e tradutor, este grande nome da literatura brasileira nasceu na cidade de Taubaté, interior de São
Paulo, no ano de 1882. Formado em Direito, atuou como promotor público até se tornar fazendeiro, após receber
herança deixada pelo avô. Diante de um novo estilo de vida, Lobato passou a publicar seus primeiros contos em
jornais e revistas, sendo que, posteriormente, reuniu uma série deles em Urupês, obra prima deste famoso escritor.
Em uma época em que os livros brasileiros eram editados em Paris ou Lisboa, Monteiro Lobato tornou-se também
editor, passando a editar livros também no Brasil. Com isso, ele implantou uma série de renovações nos livros
didáticos e infantis.
Este notável escritor é bastante conhecido entre as crianças, pois se dedicou a um estilo de escrita com linguagem
simples onde realidade e fantasia estão lado a lado. Pode-se dizer que ele foi o precursor da literatura infantil no
Brasil.
Suas personagens mais conhecidas são: Emília, uma boneca de pano com sentimento e ideias independentes;
Pedrinho, personagem que o autor se identifica quando criança; Visconde de Sabugosa, a sábia espiga de milho que
tem atitudes de adulto, Cuca, vilã que aterroriza a todos do sítio, Saci Pererê e outras personagens que fazem parte da
inesquecível obra: O Sítio do Pica-Pau Amarelo, que até hoje encanta muitas crianças e adultos.
Escreveu ainda outras incríveis obras infantis, como: A Menina do Nariz Arrebitado, O Saci, Fábulas do Marquês de
Rabicó, Aventuras do Príncipe, Noivado de Narizinho, O Pó de Pirlimpimpim, Reinações de Narizinho, As Caçadas
de Pedrinho, Emília no País da Gramática, Memórias da Emília, O Poço do Visconde, O Pica-Pau Amarelo e A Chave
do Tamanho.
Fora os livros infantis, este escritor brasileiro escreveu outras obras literárias, tais como: O Choque das Raças, Urupês,
A Barca de Gleyre e o Escândalo do Petróleo. Neste último livro, demonstra todo seu nacionalismo, posicionando-se
totalmente favorável a exploração do petróleo apenas por empresas brasileiras.
No ano de 1948, o Brasil perdeu este grande talento que tanto contribuiu com o desenvolvimento de nossa literatura.
Frases de Monteiro Lobato
- "De escrever para marmanjos já estou enjoado. Bichos sem graça. Mas para crianças um livro é todo um mundo.”.
- "É errado pensar que é a ciência que mata uma religião. Só pode com ela outra religião.”.
- "O livro é uma mercadoria como qualquer outra; não há diferença entre o livro e um artigo de alimentação. (...) Se o
livro não vende é porque ele não presta".
- "Tudo tem origem nos sonhos. Primeiro sonhamos, depois fazemos.”.
Exercícios
01. No romance Triste Fim de Policarpo Quaresma, o nacionalismo exaltado e delirante da personagem principal
motiva seu engajamento em três diferentes projetos, que objetivam “reformar” o país. Esses projetos visam,
sucessivamente, aos seguintes setores da vida nacional:
a) escolar, agrícola e militar;
b) linguístico, industrial, e militar;
c) cultural, agrícola e político;
d) linguístico, político e militar;
e) cultura, industrial e político.
02. Nas duas primeiras décadas de nosso século, as obras de Euclides da Cunha e de Lima Barreto, tão diferentes entre
si, têm como elemento comum:
a) A intenção de retratar o Brasil de modo otimista e idealizante.
77
LÍNGUA PORTUGUESA/LITERATURA
b) A adoção da linguagem coloquial das camadas populares do sertão.
c) A expressão de aspectos ate então negligenciados da realidade brasileira.
d) A prática de um experimentalismo linguístico radical.
e) O estilo conservador do antigo regionalismo romântico.
03. Augusto dos Anjos é autor de um único livro, Eu, editado pelaprimeira vez em 1912. Outras Poesias
acrescentaram-se às edições posteriores. Considerando a produção literária desse poeta, pode-se dizer que:
a) Foi recebida sem restrições no meio literário de sua época, alcançando destaque na história das formas literárias
brasileiras.
b) Revela uma militância político-ideológica que o coloca entre principais poetas brasileiros de veio socialista.
c) Foi elogiada poeticamente pela crítica de sua época, entretanto não representou um sucesso de público.
d) Traduz a sua subjetividade pessimista em reação ao homem e ao cosmos, por meio de um vocabulário em reação ao
homem e ao cosmos, por meio de um vocabulário técnico-científico-poético.
e) Anuncia o Parnasianismo, em virtude das suas inovações técnico-científicas e de sua temática psicanalítica.
04. Assinale a associação incorreta:
a) Lobato – narrativa oral.
b) Lima Barreto – simplicidade, oposição ao preciosismo.
c) Graça Aranha – sincretismo entre Realismo, Simbolismo e Impressionismo.
d) Euclides da Cunha – “barroco cientifico”.
e) Coelho Neto – simplicidade, apontado pelos modernistas como exemplo.
05. Assinale a falsa, sobre Monteiro Lobato:
a) traz a paisagem do Vale do Paraíba paulista, denunciando a devastação da natureza pela pratica agrícola da
queimada;
b) explora os aspectos visíveis do ser humano; seus contos têm quase sempre finais trágicos e deprimentes;
c) vale-se das tradições orais do caipira, personificado pelo Jeca Tatu, valendo-se do coloquialismo do “contador de
casos”;
d) nos romances Urupês e Cidades Mortas aborda a decadência da agricultura no Vale do Paraíba, após o “ciclo” do
café;
e) n.d.a.
06. Em Os Sertões, de Euclides da Cunha, a natureza:
a) condiciona o comportamento do homem, de acordo com as concepções do determinismo cientifico de fins do século
XIX;
b) é objeto de uma descrição romântica impregnada dos sentimentos humanos do autor;
c) funciona comocontraponto à narração, ressaltando o contaste entre o meio inerte e o homem agressivo;
d) é o tema da primeira parte da obra, A Terra, mas não funciona como elemento determinante da ação;
e) é cenário desolador, dentro do qual vivem e lutam os homens que podem transformá-la, sem que sejam por ela
transformados.
07. A obra de Lima Barreto:
a) É considerada pré-modernista, uma vez que reflete a vida urbana paulista antes da década de 20.
b) Gira em torno da influencia do imigrante estrangeiro na formação da nacionalidade brasileira, refletindo uma
grande consciência crítica dessa problemática.
c) Reflete a sociedade rural do século XIX, podendo ser considerada precursora do romance regionalista moderno.
d) É pré-modernista, refletindo forte sentimento nacional e grande consciência critica de problemas brasileiros.
e) Tem cunho social, embora esteja presa aos cânones estéticos e ideológicos românticos e influenciou fortemente os
romancistas da primeira geração modernista.
08. Assinale a alternativa em que aparecem três características de Rui Barbosa:
78
LÍNGUA PORTUGUESA/LITERATURA
a) espírito combativo, sinonímia, historiador;
b) poeta parnasiano, lirismo, subjetividade;
c) retratista, análise, regionalista;
d) orador exímio, justeza verba, linguagem elaborada;
e) critica sátira, barroquismo.
09. “Sofreu influencias das ideias deterministas de Taine; nacionalista ferrenho, deu grande valor à mestiçagem; foi o
primeiro intérprete da evolução cultural e espiritual brasileira; ignorando Hege, Engels e Marx faltou-lhe uma
concepção totalizante e dialética da cultura.”:
a) Raul Pompéia;
b) Sílvio Romero;
c) Rui Barbosa;
d) Domingos Olímpio;
e) Adolfo Caminha.
10. A obra reúne uma série de artigos, iniciados com Velha Praga, publicados em O Estado de São Paulo a 14-11-
1914. Nestes artigos o autor insurge-se contra o extermínio das matas da Mantiqueira pela ação nefasta das queimadas,
retrógrada pratica agrícola perpetrada peã ignorância dos caboclos, analisa o primitivismo da vida dos caipiras do Vale
da Paraíba e critica a literatura romântica que cantou liricamente esses marginais da civilização:
a) Contrastes e Confrontos (Euclides da Cunha);
b) Urupês (Monteiro Lobato);
c) Ideias de Jeca Tatu (Monteiro Lobato);
d) À Margem da História (Euclides da Cunha);
e) n.d.a.
MODERNISMO
O Modernismo teve início em meio à fortalecida economia do café e suas oligarquias rurais. A política do “café com
leite” ditava o cenário econômico, ilustrado pelo eixo São Paulo - Minas Gerais. Contudo, a industrialização chegava
ao Brasil em consequência da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e ocasionou o processo de urbanização e o
surgimento da burguesia.
O número de imigrantes europeus crescia nas zonas rurais para o cultivo do café e nas zonas urbanas na mão de obra
operária.
Nessa época, São Paulo passava por diversas greves feitas pelos movimentos operários de fundamentação anarquista.
Com a Revolução Russa, em 1917, o partido comunista foi fundado e as influências do anarquismo na sociedade
ficavam cada vez menos visíveis. A sociedade paulistana estava bastante diversificada, formada por “barões do café”,
comerciantes, anarquistas, comunistas, burgueses e nordestinos refugiados na capital.
O Modernismo tem seu marco inicial com a realização da Semana de Arte Moderna, em fevereiro de 1922, no Teatro
Municipal de São Paulo. O grupo de artistas formado por pintores, músicos e escritores pretendia trazer as influências
das vanguardas europeias à cultura brasileira. Essas correntes europeias expunham na literatura as reflexões dos
artistas sobre a realidade social e política vivida. Por este motivo, o movimento artístico “Semana de Arte Moderna”
quis trazer a reflexão sobre a realidade brasileira sociopolítica do início do século XX.
79
LÍNGUA PORTUGUESA/LITERATURA
Oswald de Andrade vai à Europa e volta imbuído do futurismo de Marinetti. Futurismo é o nome dado ao movimento
modernista que se baseia numa vida dinâmica, voltada para o futuro, e que combate o passado, as tradições, o
sentimentalismo, prega formas novas e nítidas.
1915
Monteiro Lobato publica em O Estado de S. Paulo dois artigos: "Urupés" e "Velha Praga", em que condena o
regionalismo sentimental e idealista.
1917
Anita Malfati lança na pintura o cubismo, que despreza perspectiva convencional e representa os objetos com formas
geométricas.
1921
Graça Aranha volta da Europa e publica estética da Vida, em que condena os padrões da época.
1922
Semana de Arte Moderna em São Paulo, com sessões, conferências, recitais, exposição de artes plásticas. Participaram
desta semana: Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Guilherme de Almeida, Menotti del Picchia, Graça Aranha,
Ronald de Carvalho, Guiomar Novais, Paulo Prado, etc. Estava fundado o Modernismo no Brasil. Apesar do forte
impacto causado pelo movimento, o Modernismo se manteve devido á grande divulgação no s jornais e revistas da
época.
O movimento modernista passou por três fases distintas:
1º fase (1922-1928)
Nesta primeira fase, os autores procuraram destruir e menosprezar a literatura anterior, dando ênfase a um
nacionalismo exagerado, ao primitivismo e repudiando todo o nosso passado histórico.
2ª fase (1928-1945)
Período de construção, com ideias literárias inovadoras e coerentes. Abrem esta fase construtiva Mário de Andrade,
com a obra Macunaíma, e José Américo de Almeida, com A Bagaceira.
3ª fase
Nesta fase os autores fogem aos excessos e primam pela ordem sobre os caos que foi a geração.
A divulgação, no Brasil, das teorias vanguardistas europeias é feita, em 1922, pela Semana de Arte Moderna. Com a
chamada Geração de 22, instala-se, na literatura brasileira, a escrita automática, influenciada pelos surrealistas
franceses, o verso livre, o lirismo paródico, a prosa experimental e uma exploração criativa do folclore, da tradição
oral e da linguagem coloquial. Em seu conjunto, essa é uma fase contraditória, de ruptura com o passado literário,
mas, ao mesmo tempo, de tentativa de resgate de tradições tipicamente brasileiras.
O ataque de Monteiro Lobato, em 1917, à exposição de Anita Malfatti é respondido com a Semana. Em torno dela,
surgem Mário de Andrade (Paulicéia desvairada, Macunaíma), Oswald de Andrade (Memórias sentimentais de João
Miramar), Manuel Bandeira (Ritmo dissoluto), Cassiano Ricardo (Martim-Cererê) e movimentos como o da Revista
de Antropofagia e o do Pau-Brasil, ambos liderados por Oswald, ou o da revista Verde, de Cataguazes, sempre com
tendências nacionalistas.
A esse núcleo juntam-se Carlos Drummond de Andrade (Alguma poesia), Augusto Meyer (Giraluy), Mário Quintana
(A rua do catavento), Jorge de Lima (Poemas negros) e o romancista José Lins do Rego (Menino de engenho).
Em reação ao liberalismo desse grupo, o Verde-amarelismo e o movimento Anta, de 1926, ambos comandados por
Plínio Salgado e contando com poetas como Menotti del Picchia (Juca Mulato), fecham-se às vanguardas europeias e
aderem a ideias políticas que prenunciam o integralismo, versão brasileira do fascismo.
Mário Raul de Morais Andrade (1893-1945) nasce em São Paulo. Formado em música, trabalha como crítico de arte e
professor. É um dos mais importantes participantes da Semana de 22. Pesquisa o folclore brasileiro e o utiliza em suas
obras, distanciando-se da postura de valorizar somente o que é europeu. Esses estudos são utilizados em Macunaíma,
o herói sem nenhum caráter, onde traça o perfil do herói brasileiro, produto de uma grande mistura étnica e cultural.
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LÍNGUA PORTUGUESA/LITERATURA
José Oswald de Sousa Andrade (1890-1954) trabalha como jornalista e cursa direito, sempre em São Paulo. De família
rica, viaja várias vezes para a Europa. É quem melhor representa o espírito rebelde do modernismo.
Funda a Revista de antropofagia, em 1927, onde afirma ser necessário que o Brasil devore a cultura estrangeira e, na
digestão, aproveite suas qualidades para criar uma cultura própria. Em Memórias sentimentais de João Miramar
analisa de forma sarcástica o fenômeno urbano.
Geração de 30
O clima decorrente da Revolução de 30 ajuda a consolidar as revoluções propostas, ainda de forma desorganizada, em
22. Poetas como Drummond (A rosa do povo), Bandeira (Estrela da vida inteira) ou romancistas como Lins do Rego
(Fogo morto) atingem a maturidade. Surgem nomes novos: Érico Veríssimo (a trilogia O tempo e o vento), Jorge
Amado (Capitães de areia, Seara vermelha), Rachel de Queirós (O quinze), José Geraldo Vieira (A mulher que fugiu
de Sodoma), Alcântara Machado (Brás, Bexiga e Barra Funda) e, principalmente, Graciliano Ramos (Vidas secas).
Essa é uma fase de grande tensão ideológica e de abordagem da literatura como um instrumento privilegiado de
conhecimento e modificação da realidade.
Numa linha mais intimista, surgem poetas como Cecília Meireles (Vaga música), Vinícius de Moraes (Poemas,
sonetos e baladas), o regionalista Raul Bopp (Cobra Norato), Augusto Frederico Schmidt (Desaparição da amada) e
Henriqueta Lisboa (A face lívida), influenciados pelo Neossimbolismo europeu; e prosadores como Cornélio Pena (A
menina morta), Lúcio Cardoso (Crônica da casa assassinada), Dionélio Machado (Os ratos).
Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) nasce em Itabira, Minas Gerais. Forma-se em farmácia, mas trabalha
como funcionário público por muitos anos. Antes de se mudar para o Rio de Janeiro, na década de 30, funda A revista,
onde divulga as ideias modernistas em Minas. Sua poesia não se restringe a esse movimento, mas é marcada pela
ironia, pelo antirretórica e pela contenção. Em Rosa do povo, de 1945, faz uma poesia de certa forma engajada,
nascida das esperanças surgidas com o fim da Segunda Guerra Mundial. Mas a partir de Claro enigma, de 1951,
registra o vazio da vida humana e o absurdo do mundo, sem nunca abandonar a ironia.
Graciliano Ramos (1892-1953) nasce em Quebrangulo, Alagoas. Trabalha como jornalista, comerciante, diretor da
Instrução Pública de Alagoas. Chega a ser eleito prefeito de Palmeira dos Índios (AL), em 1928. Acusado de
subversão, passa 11 meses preso no Rio de Janeiro, período que narra em Memórias do cárcere. Com uma linguagem
precisa, de poucos adjetivos, mostra conhecimento das angústias humanas e preocupação com os problemas sociais.
Seus personagens não se adaptam ao mundo que os cerca. Paulo Honório, de São Bernardo, sabe como administrar
suas terras, mas é incapaz de lidar com sentimentos. Na sua obra destacam-se também Vidas secas e Angústia.
Geração de 45
Em reação à postura muito politizada da fase anterior, os poetas dessa geração voltam para um neoparnasianismo, que
se preocupa com o apuro formal e foge a temas considerados banais. Dentre esses autores – Geir Campos (Coroa de
sonetos), Péricles Eugênio da Silva Ramos (Poesia quase completa), Alphonsus de Guimaraens Filho (Lume de
estrelas), Ledo Ivo (Acontecimento do soneto) – destaca-se João Cabral de Melo Neto (Educação pela pedra, Morte e
vida severina), pela inventividade verbal e intensidade da participação nos problemas sociais. O mais importante livro
de poesia dessa fase, influenciado pelas ideias dessa geração de artistas, é Claro enigma, de Carlos Drummond de
Andrade. Na prosa, João Guimarães Rosa e Clarice Lispector (A maçã no escuro) revolucionam o uso da linguagem.
João Guimarães Rosa (1908-1967) nasce em Cordisburgo, Minas Gerais. Médico, torna-se diplomata em 1934. Exerce
a medicina no interior de Minas. Como diplomata trabalha em Hamburgo (Alemanha), Bogotá (Colômbia) e Paris
(França). Sua obra explora o manancial dos falares regionais, pondo-o a serviço de uma escrita complexa, de imensa
criatividade: Grande sertão: veredas é uma epopéia ambientada no interior de Minas Gerais, que transpõe para o Brasil
o mito da luta entre o ser humano e o diabo.
Clarice Lispector (1926-1977) vem da Ucrânia para o Brasil recém-nascido e é levada pela família para o Recife. Em
1934 muda-se para o Rio de Janeiro. Escreve o primeiro romance, Perto do coração selvagem, aos 17 anos. Em livros
81
LÍNGUA PORTUGUESA/LITERATURA
como A paixão segundo GH, Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres, A hora da estrela leva o subjetivo ao limite,
deixando à mostra o fluxo da consciência e rompendo com o enredo factual.
João Cabral de Melo Neto, pernambucano, trabalha grande parte de sua vida na Espanha como diplomata. Sua poesia
objetiva recusa sentimentalismos e traços supérfluos. Morte e vida Severina, relato da viagem de um nordestino para o
litoral que, no seu caminho, só encontra sinais de morte, é a obra que melhor equilibra rigor formal e temática social.
EXERCÍCIOS
01. Assinale a alternativa em que se encontram preocupações estéticas da Primeira Geração Modernista:
a) “Não entrem no verso culto o calão e solecismo, a sintaxe truncada, o metro cambaio, a indigência das imagens e do
vocabulário do pensar e do dizer.”
b) “Vestir a Ideia de uma forma sensível que, entretanto, não terá seu fim em si mesma, mas que, servindo para
exprimir a Ideia, dela se tornaria submissa.”
c) “Minhas reivindicações? Liberdade. Uso dela; não abuso.” “E não quero discípulos. Em arte: escola = imbecilidade
de muitos para vaidade dum só.”
d) “Na exaustão causada pelo sentimentalismo, a alma ainda tremula e ressoante da febre do sangue, a alma que ama e
canta porque sua vida é amor e canto, o que pode senão fazer o poema dos amores da vida real?”
e) “O poeta deve ter duas qualidades: engenho e juízo; aquele, subordinado à imaginação, este, seu guia, muito mais
importante, decorrente da reflexão. Daí não haver beleza sem obediência à razão, que aponta o objetivo da arte: a
verdade.”
02.
O alpinista
dealpenstock
desceu
nos Alpes
O texto acima, capítulo do romance Memória Sentimentais de João Miramar, exemplifica uma tendência do autor
de:
a) Procurar as barreiras entre poesia e prosa, utilizando estilo alusivo e elíptico.
b) Explorar o poema em forma de prosa, satirizando as manifestações literárias do Pré-modernismo.
c) Buscar uma interpretação lírica de seu país, explorando a forca sugestiva das palavras.
d) Utilizar o poema-piada, para satirizar tudo o que não fosse nacional.
e) Procurar “ser regional e puro em sua época”, negando influencias das Vanguardas Europeias.
03. “Chamado de rapsódia por Mário de Andrade, o livro é construído a partir de uma série de lendas a que se
misturam superstições, provérbios e anedotas. O tempo e o espaço não obedecem a regras de verossimilhança, e o
fantástico se confunde com o real durante toda a narrativa.”
A afirmação faz referência à obra:
a) O rei da vela.
b) Calunga.
c) Macunaíma.
d) Memórias sentimentais de João Miramar.
e) Martim Cererê.
04. Leia o texto atentamente.
Na feira-livre do arrebaldezinhoum homem loquaz apregoa balõezinhos de cor:
-“O melhor divertimento para as crianças!”
82
LÍNGUA PORTUGUESA/LITERATURA
Em redor dele há um ajuntamento de menininhos pobres...
Não é característica presente na estrofe acima:
a) Valorização de fatos e elementos do cotidiano.
b) Utilização do verso livre.
c) Linguagem despreocupada, sem palavras raras.
d) Preocupação social.
e) Metalinguagem.
05. Macunaíma – obra-prima de Mário de Andrade – é um dos livros que melhor representam a produção literária
brasileira do presente século. Sua principal característica é:
a) traçar, como no Romantismo, o perfil do índio brasileiro como protótipo das virtudes nacionais.
b) Ser um livro em que se encontram representados os princípios que orientam o movimento modernista de 22, dentre
os quais o fundamental é a aproximação da literatura à música.
c) Analisar, de modo sistemático, as inúmeras variações sociais e regionais da língua portuguesa no Brasil, destacando
em especial o tupi-guarani.
d) Ser um texto em que o autor subverter, na linguagem literária os padrões vigentes, ao fazer conviver, sem respeitar
limites geográficos, formas linguísticas oriundas das mais diversas partes do Brasil.
e) Exaltar, de forma especial, a cultura popular regional, particularmente a representativa do Norte e Nordeste
brasileiro.
06. Macunaíma é um “herói sem nenhum caráter”, porque:
a) Vive sonhando com riqueza fácil e, para obtê-la, lança mão de qualquer recurso.
b) Não é um ser confiável.
c) Ainda não encontrou sua própria definição, sua identidade.
d) Não tem firmeza de personalidade, nem segurança em suas decisões.
e) n.d.a.
07. Macunaíma é uma obra plural, composta, na medida em que:
a) Obedece às características circulares e fechadas do romance psicológico.
b) Como toda obra tradicional, observa a linearidade da narrativa onde cada personagem age em separado.
c) Aproxima técnicas românticas das modernas na estruturação do romance como um todo.
d) No corpo da narrativa, dá um tratamento único para cada personagem apresentada.
e) Tal como numa rapsódia, trata de vários temas ao mesmo tempo, entrelaçando-os numa rede múltipla de cores e
sons os mais diversos.
08. A respeito do livro Macunaíma, é correto afirmar que:
a) A história se passa predominantemente na capital paulista, daí porque o livro pode ser considerado uma crônica do
cotidiano paulistano.
b) O episódio de base da narrativa consiste na perda e reconquista da muiraquitã.
c) O livro é uma sátira ao Brasil através da reconstituição fiel de fatos históricos retidos na memória do autor.
d) A obra faz uma leitura do Brasil sob a ótica do colonizador.
e) O processo de criação do livro não mantém nenhum vinculo com qualquer obra anteriormente escrita.
09. Indique a alternativa em que a proximidade estabelecida está correta:
a) A terra paradisíaca, em Gonçalves Dias, é projeção nacionalista; a Pasárgada, de Manuel Bandeira, é anseio
intimista.
b) O lirismo de Gregório de Matos é conflitivo e confessional; o de Cláudio Manuel da Costa é sereno e impessoal.
c) A ficção regionalista, imatura no século XIX, ganho força ao abraçar as teses do determinismo cientifico, no século
XX.
83
LÍNGUA PORTUGUESA/LITERATURA
d) José de Alencar buscou expressar nossa diversidade cultural-projeto que só a obra de Machado de Assis viria a
realizar.
e) A figura do malandro, positiva em Manuel Antônio de Almeida, é alvo de Mário de Andrade em sua sátira
Macunaíma.
10. A afirmação dos elementos locais, do Brasil, está presentes em Macunaíma, de Mário de Andrade.
Sobre o livro é incorreto afirmar que:
a) Macunaíma é um “anti-herói”, com características como o individualismo e a malandragem.
b) O livro aproveita as tradições míticas dos índios; seus irmãos são Maanape e Jiguê.
c) Aproveita também ditados populares, obscenidades, frases feitas, com fatores traços de oralidades;
d) O livro foi chamado de rapsódia e é uma obra central do movimento modernista.
e) O livro não satiriza certos padrões de escrita acadêmica e não trabalha elementos de um “caráter” brasileiro.
GABARITO
Trovadorismo
1) cantiga de amigo; Trovadorismo.
2) a) trovadorismo
b) cantigas (amor, amigo, maldizer, escárnio)
3) coita significa o auge do amor cortês
4) D
5) cantiga de escárnio por representar uma sátira e não uma ofensa.
Classicismo
1) o velho do restelo era contrário aos ideais das grandes navegações.
2) E 3)B 4)E 5)D 6)C 7)E 8) E 9) D 10) E
Barroco
1) C 2) D 3) B 4) C 5) D 6) E 7) A 8) A 9) E 10) B
Arcadismo
1) C 2) D 3) C 4) E 5) D 6) D 7) D 8) A 9) E 10)B
Romantismo
1) Devido a idealização.
2) Por ser uma ironia e não uma sátira.
3) A aproximação está na idealização e o afastamento na interação.
4) E 5) B
6) a) sim
b) sim
7) B 8) C 9) C 10) B
Realismo/Naturalismo
1)C 2) A 3) C 4) E 5) A 6) D 7) B 8) A 9)D 10) E 11) B
Pré Modernismo
1)B 2) C 3)D 4) E 5)B 6) D 7) D 8) D 9) E 10) B
Modernismo
1) A 2) D 3)C 4) E 5) D 6) C 7) E 8) B 9) E 10)B
84
LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
Estudar Gramática deve ser uma atividade útil. Para que isso aconteça, é necessário fazer dos estudos gramaticais
um meio de aprimorar a capacidade comunicativa de cada um de nós. Por isso, a Gramática deve desenvolver a
capacidade de elaborar frases e textos bem-construídos: é por meio deles que cada um de nós participa do cotidiano
comunicativo da língua portuguesa.
Esta apostila contém os tópicos fundamentais para que o (a) aluno (a) atinja o objetivo citado acima. Contém teoria
gramatical, textos e exercícios. Alguns textos, aparecem junto com a gramática; outros, no final deste material
publicado.
Esperamos, desse modo, que o estudo da Gramática Aplicada aos Textos seja um recurso significativo par você
aprimorar sua leitura e produção te textos.
Comecemos, então, pela leitura de um texto belíssimo, a fim de que possamos iniciar os estudos gramaticais e
textuais:
Para Sempre
Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
(Carlos Drummond de Andrade)
1
LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
As classes variáveis são: artigo, adjetivo, pronome, numeral, substantivo e verbo. Nas invariáveis, há: advérbio,
conjunção, interjeição e preposição.
Veja, a seguir, a função das classes de palavras variáveis:
Substantivo: Palavra que serve para designar os nomes, atos ou conceitos.
Verbo: Palavra que expressa ação, estado ou fenômeno. É a classe gramatical mais rica em variação de formas,
podendo mudar para exprimir modo, tempo, pessoa, número e voz. No dicionário, são encontrados no modo
infinitivo, que é, por assim dizer, o nome do verbo. Exemplos: Fugir, estar, chover, comprar, ser, anoitecer.
Adjetivo: Palavra que se relaciona com o substantivo para lhe atribuir uma característica. Exemplos: mulher
linda, livro divertido, árvore alta, olhos azuis.
Artigo: Palavra que se coloca antes do substantivo, determinando-o e indicando seu gênero e número (artigo
definido: a, as, o, os) ou (artigo indefinido: um, uma, uns, umas).
Pronome: Palavra que substitui ou acompanha o nome (substantivo). Os pronomes se dividem nas seis grandes
classes a seguir:
Pronomes pessoais: Designam as três pessoas do discurso (no singular ou no plural). Eu, tu, ele, ela, nós, vós,
eles, elas. Me, te, se, lhe, o, a, nos, vos, se, lhes, os, as. Mim, comigo, ti, contigo, si, consigo, conosco, convosco.
Também são pessoais os pronomes de tratamento: você, o senhor, a senhora, vossa senhoria, vossa Excelência,
etc.
Pronomes possessivos: Indicam a posse em relação às pessoas do discurso: Meu, minha, meus, minhas, nosso,
nossa, nossos, nossas, teu, tua, teus, tuas, vosso, vossa, vossos, vossas, seu, sua, seus, suas.
Pronomes demonstrativos: Indicam o lugar ou a posição dos seres em relação às pessoas do discurso. 1ª. Pessoa:
Este, esta, estes, estas, isto. 2ª. Pessoa: Esse, essa, esses, essas, isso. 3ª. Pessoa: Aquele, aquela, aqueles, aquelas,
aquilo.
Pronomes relativos: Representam numa oração os nomes mencionados na oração anterior. Exemplo: O livro que
comprei é muito bom. São pronomes relativos: Que, quem, quanto(s), quanta(s), cujo(s), cuja(s), o qual, a qual, os
quais, as quais.
Pronomes indefinidos: Referem-se à terceira pessoa do discurso num sentido vago ou exprimindo quantidade
indeterminada. Exemplos: Quem espera sempre alcança. São pronomes indefinidos: algum, nenhum, qualquer,
ninguém, etc.
Pronomes interrogativos: Os pronomes interrogativos que, quem, qual, quanto, quando são usados para
formular uma pergunta.
Numeral: Palavra que designa os números ou sua ordem de sucessão. Exemplos: Cardinais: quatro, vinte,
trinta. Ordinais: quarto, vigésimo, trigésimo. Fracionários: meio, um terço, um quinto. Multiplicativos: duplo,
triplo, quádruplo.
Classes Gramaticais Invariáveis:
São o Advérbio, conjunção, preposição e interjeição. Veja a tabela abaixo com as funções destas palavras:
Advérbio: Palavra que modifica o verbo, o adjetivo ou outro advérbio, expressando uma circunstância.
Exemplos:
Ali:lá,naquele lugar.
Não: expressa negação.
Logo: prontamente, imediatamente.
Preposição: Termo que subordina uma palavra a outra. Exemplos:
Livro de João; peso sobre o papel; espaço entre as árvores; morava em Belo Horizonte.
Conjunção: Termo que liga duas palavras (dois membros de uma oração) ou duas orações. Exemplos:
E: exprime ideia de adição (aditiva).
Mas: relaciona pensamentos em contraste ou oposição.
Quando: conjunção temporal.
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
Se: conjunção que exprime condição.
Interjeição: Vocábulo que traduz uma emoção ou impressão súbita, como dor, susto, alívio, admiração.
Exemplos:
Oba!: alegria, satisfação.
Ah!: alívio, alegria.
Psiu!: Ordena silêncio.
1. Verbo:
Podemos entender o verbo como o elemento que, dentro de uma frase, permite àquele que fala ou escreve situar
eventos no tempo com relação ao momento em que seu discurso está sendo produzido.
De uma maneira geral, verbos exprimem ações, mas muitos deles também permitem manifestar sentimentos,
sensações, estados e fenômenos naturais. É próprio de um verbo evocar um processo, isto é, o desenrolar de
eventos para os quais podemos identificar seu início e fim.
Leiamos um texto:
Brasil
Não me convidaram
Pra esta festa pobre
Que os homens armaram
Pra me convencer
A pagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada
Antes de eu nascer
Não me ofereceram
Nem um cigarro
Fiquei na porta
Estacionando os carros
Não me elegeram
Chefe de nada
O meu cartão de crédito
É uma navalha
Brasil!
Mostra tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil!
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim
Não me convidaram
Pra essa festa pobre
Que os homens armaram
Pra me convencer
A pagar sem ver
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
Toda essa droga
Que já vem malhada
Antes de eu nascer
Não me sortearam
A garota do Fantástico
Não me subornaram
Será que é o meu fim?
Ver TV a cores
Na taba de um índio
Programada
Prá só dizer "sim, sim"
Brasil!
Mostra a tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil!
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim
Grande pátria
Desimportante
Em nenhum instante
Eu vou te trair
Não, não vou te trair
Brasil!
Mostra a tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil!
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim
Brasil!
Mostra a tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil!
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
Confia em mim
Brasil!
(Cazuza)
Função
O verbo funciona como um articulador entre os diferentes elementos que constituem uma frase. Assim, podemos
entendê-lo como um núcleo que, uma vez combinado com estes outros elementos, assegura um sentido à frase.
Há três elementos que encontramos na estrutura das formas verbais: o radical, a vogal temática e as desinências.
O radical é o portador do "sentido", da "identidade" do verbo. Vamos tomar como exemplo alguns verbos e seus
radicais.
Verbo : Radical correspondente
Reagir Reag-
Entender Entend-
Participar Particip-
Supor Sup-
A vogal temática, por sua vez, é o elemento que permite a ligação entre o radical e as desinências. Em português
reconhecemos três vogais temáticas:
-a-, que caracteriza os verbos da primeira conjugação, a exemplo de participar, determinar, ofertar;
-e-, que caracteriza os verbos da segunda conjugação, a exemplo de entender, surpreender, aquecer. Nesta
conjugação incluem-se ainda os verbos que derivam de pôr (supor, compor), visto que sua vogal temáticaé -e-,
cuja origem está na forma arcaica da língua portuguesa poer, do latim ponere;
-i-, que caracteriza os verbos da terceira conjugação, a exemplo de reagir, partir, sorrir.
Dá-se ao conjunto formado pelo radical e pela vogal temática de um verbo o nome de tema.
Por fim, a desinência (ou terminação), elemento que, acrescentado ao tema, indica as flexões do verbo, que podem
ser de número, pessoa, modo e tempo. Vamos tomar como exemplo para análise as seguintes formas:amaremos e
amávamosnas quais identificamos:
1) o radical am-
2) a vogal temática -a-
3) o elemento -mos, comum às duas formas e que, associado ao pronome nós, traz uma marca de pessoa (a primeira) e
de número (plural);
4) o elemento -re- (variante de -ra-) em amaremos, que aparece em amarei, amarás, amará, amarão, sendo uma
desinência de modo(indicativo) e de tempo (futuro de presente); por oposição ao elemento -va- em amávamos, que
aparece em amava, amavas, amavam, sendo uma desinência de modo (indicativo) e de tempo (pretérito
imperfeito).
Quando conjugados, os verbos flexionam-se em pessoa a fim de evidenciar quem fala, para quem se fala ou aquele
de quem se fala. Vamos observar os seguintes exemplos:
Eu trabalho. =“Eu” indica a pessoa que fala.
Tu trabalhas. = “Tu” indica um interlocutor direto, isto é, alguém para quem se fala.
Ele (ou ela) trabalha. Eles (ou elas) trabalham. = “Ele” ou “ela”, “eles” ou “elas” indicam que se fala sobre alguém,
ou algo, que não participa diretamente da comunicação estabelecida entre as duas primeiras pessoas.
Nós trabalhamos. =“Nós” indica que a pessoa que fala participa da comunicação juntamente com outros.
Vós trabalhais. =“Vós” pode indicar que se fala para um ou para vários interlocutores diretos.
As formas eu, tu, ele, ela, eles, elas, nós e vós são denominadas pronomes pessoais, e indicam também o sujeito
das frases às quais se referem.
Designamos ainda os pronomes segundo seu número, sendo eu, tu e ele/ela, respectivamente, a primeira, a segunda e a
terceira pessoa do singular; nós, vós e eles/elas, a primeira, a segunda e a terceira pessoa do plural.
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
No entanto, uma vez que a língua é dinâmica e, por isso, inserida num processo de adaptações constantes, vamos
aproveitar este momento para abordar algumas especificidades relacionadas ao uso das formas tu, você(s), vós e a
gente.
O pronome tu costuma ser empregado em apenas algumas regiões brasileiras, sendo a forma você aquela que
predomina no tratamento direto informal. Esta última utiliza a mesma conjugação atribuída aos pronomes ele e ela.
Exemplos:
Ele/Você vai ao cinema.
Ela/Você conhece muitos lugares.
Para o tratamento direto formal, ainda predominam as formas “o senhor e a senhora”que também utilizam a
conjugação conferida aos pronomes ele e ela.
As formas plurais “vocês, os senhores e as senhoras” seguem o critério de conjugação dos pronomes eles e elas.
Exemplo:
Eles/Elas/Vocês viajaram durante um mês.
A forma “a gente” tende a ser mais utilizada do que o pronome nós, que é destinado a um uso predominantemente
formal, tanto na fala quanto na escrita. Quando empregamos a gente, o verbo segue a conjugação aplicada aos
pronomes ele e ela. Exemplo:
A gente/Ele/Ela gosta de ir neste restaurante.
A forma “vós” possui uma particularidade: seu uso encontra-se restrito a textos literários, religiosos e a
documentos formais (geralmente empregados no âmbito jurídico).
Tempo e Modo
As marcas de tempo verbal situam o evento do qual se fala com relação ao momento em que se fala. Em português,
reconhecemos três tempos verbais essenciais: o presente, o passado e o futuro.
Os modos verbais, relacionados aos tempos verbais, destinam-se a atribuir expressões de certeza, de possibilidade, de
hipótese ou de ordem
ao nosso discurso. São reconhecidas as formas do indicativo, do subjuntivo e do imperativo.
O modo indicativo possui seis tempos verbais: o presente; o pretérito perfeito, o imperfeito e o mais-que-perfeito; o
futuro do presente e o futuro do pretérito.
O modo subjuntivo divide-se em três tempos verbais: presente, pretérito imperfeito e futuro.
Por fim, o modo imperativo apresenta-se no presente e pode ser afirmativo ou negativo.
O Modo Indicativo e Seus Tempos
O Tempo Presente pode ser empregado para:
a) indicar os eventos que se desenrolam simultaneamente ao momento em que o discurso é produzido:
“Estamos hospedados na casa de amigos.”
b) expressar ações habituais:
“Nós vamos ao cinema ao menos uma vez por semana.”
c) narrar fatos passados, atribuindo-lhes atualidade, sendo chamado de presente histórico:
“A Revolução de 1964 trata-se de um movimento político-militar deflagrado em 31 de março de 1964 com o objetivo
de depor o governo do presidente João Goulart. Sua vitória provoca profundas modificações na organização política,
econômica e social do país.”
d) indicar um evento que pode realizar-se num futuro próximo:
“Nós vamos à praia no próximo fim de semana.”
e) expressar um conselho, uma ordem indireta ou um pedido:
“Você começa essa dieta hoje!”
O Tempo Pretérito Perfeito expressa processos verbais concluídos e situados num momento determinado do
passado:
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
“José Rubem Fonseca nasceu em Juiz de Fora, Minas Gerais, em 1925. Formou-se em Direito e dedicou-se à carreira
policial antes de tornar-se escritor. “
O Tempo Pretérito Imperfeito é utilizado para:
a) evocar a noção de continuidade, de processos que aconteciam no passado de maneira habitual ou constante:
“Quando menina, eu ia ao sítio dos meus avós durante as férias. Eles moravam no interior, onde eu encontrava uma
vida diferente daquela que eu vivia na grande cidade. Lá, eu brincava e passava o tempo sem me preocupar com
nada. Lá, eu era livre.”
b) reportar circunstâncias e o ambiente em que se desenrolavam as ações no momento em que se situa a narrativa:
“Fazia sol e estava calor. Trabalhávamos numa sala pequena e sem ar condicionado. Nós só pensávamos em praia e
descanso.”
c) fazer um pedido de maneira polida:
“Eu queria pedir um favor a você.”
d) expressar um processo em desenvolvimento quando da ocorrência de outro:
“Quando cheguei em casa, Laura cozinhava nosso jantar.”
Neste exemplo, o pretérito perfeito marca uma ação pontual (cheguei), e o pretérito imperfeito (cozinhava), um
processo em desenvolvimento cujo início e fim não aparecem delimitados.
O Tempo Pretérito Mais-que-perfeito é utilizado quando um dado processo é anterior a outro processo
passado:
“Quando Eugênio chegou no apartamento, percebeu que Ana estivera lá.”
Neste exemplo, a presença de Ana no apartamento é anterior à chegada de Eugênio.
O Tempo Futuro do Presente pode ser empregado para:
a) indicar processos com forte possibilidade de realização para além do momento em que se fala:
“As inscrições para este concurso abrirão na próxima semana.”
b) expressar uma ordem de maneira enfática, assumindo um valor imperativo:
“Você entregará este relatório num prazo máximo de cinco dias.
Uma outra forma de expressar eventos futuros pode ser realizada com a combinação do verbo ir (conjugado no
presente do indicativo) e do verbo principal (na sua forma infinitiva):
“Ela vai sair com seus amigos esta noite.”
De acordo com o contexto em que o discurso é produzido, esta opção tende a ser mais utilizada na linguagem oral e,
também, na linguagem escrita.
O Tempo Futuro do Pretérito é empregado para:
a) propor um pedido, uma solicitação ou um convite de maneira polida:
“Você poderia ajudar-me amanhã com estes relatórios?”
“Você gostaria de ir ao cinema comigo?”
b) expressar um conselho de maneira indireta:
“Você deveria comer menos.”
c) exprimir um processo posterior a um momento anterior referido em nossa fala:
“Ela percebeu que não conseguiria chegar a tempo.”
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
A concretização de uma possibilidade (chegar a tempo) está condicionada a um outro processo (pegar o metrô antes
das seis).
Ou ainda:
“Espero que eles gostem de frutas vermelhas.” (desejo)
“É provável que ele parta antes do anoitecer. “ (possibilidade)
“Imagino que ela viaje sozinha. “ (suposição)
O Tempo Pretérito Imperfeito do Subjuntivo, quando empregado com o Pretérito Imperfeito do Indicativo,
expressa uma condição não realizável:
“Se eu ganhasse muito dinheiro, viajava pelo mundo todo.“(mas eu não ganho muito dinheiro, então a viagem pelo
mundo todo não acontece)
“Eu viria à festa se eu pudesse.“(mas eu não posso)
O Tempo Futuro do Subjuntivo expressa a possibilidade de realização dos eventos aos quais nos referimos, ainda
não concretizados no momento em que falamos ou escrevemos:
“Quando você for ao Museu da Língua Portuguesa, ficará (vai ficar) impressionado.“
“Aquele que vencer o concurso ganhará (vai ganhar) uma viagem para Buenos Aires.”
Antecedido pelo elemento "se" e associado ao Futuro do Presente do Indicativo, exprime que há uma condição
para que os eventos sejam concretizados:
“Se você seguir estes conselhos, terá (vai ter) uma agradável surpresa.”
O Modo Imperativo
O imperativo afirmativo possui as formas referentes a tu, você, vocês, nós e vós. É empregado quando desejamos
expressar uma ordem, um pedido, uma súplica, um conselho.
A Conjugação ocorre tal qual o Presente do Indicativo, menos o -s
Presente do indicativo > Imperativo Afirmativo
Tu cantas. >Canta!
Vós cantais. > Cantai!
Espero que você cante. > Cante!
Espero que vocês cantem. > Cantem!
Espero que nós cantemos.> Cantemos!
Já o Imperativo Negativo coincide com todas as pessoas do Presente do Subjuntivo:
Presente do subjuntivo > Imperativo
Espero que você cante. >Não cantes!
Espero que você cante.>Não cante!
Espero que nós cantemos. >Não cantemos!
Espero que vós canteis. >Não canteis!
Espero que vocês cantem. > Não cantem!
Vozes do Verbo
Dá-se o nome de voz à forma assumida pelo verbo para indicar se o sujeito gramatical é agente ou paciente da
ação. São três as vozes verbais:
a) Ativa: quando o sujeito é agente, isto é, pratica a ação expressa pelo verbo:
Ele fez o trabalho.
sujeito agente ação objeto (paciente)
b) Passiva: quando o sujeito é paciente, recebendo a ação expressa pelo verbo:
O trabalho foi feito por ele.
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
sujeito paciente ação agente da passiva
c) Reflexiva: quando o sujeito é ao mesmo tempo agente e paciente, isto é, pratica e recebe a ação:
O menino feriu-se.
Obs.: não confundir o emprego reflexivo do verbo com a noção de reciprocidade.
Os lutadores feriram-se. (um ao outro)
- Nas frases com locuções verbais, o verbo SER assume o mesmo tempo e modo do verbo principal da voz ativa.
Observe a transformação da frase seguinte:
O vento ia levando as folhas. (gerúndio)
As folhas iam sendo levadas pelo vento. (gerúndio)
Obs.: é menos frequente a construção da voz passiva analítica com outros verbos que podem eventualmente funcionar
como auxiliares.
A moça ficou marcada pela doença.
A voz passiva sintética ou pronominal constrói-se com o verbo na 3ª pessoa, seguido do pronome apassivador SE:
Abriram-se as inscrições para o concurso.
Destruiu-se o velho prédio da escola.
Obs.: o agente não costuma vir expresso na voz passiva sintética.
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
A imprensa foi inventada por Gutenberg (Voz Passiva)
Sujeito da Passiva Agente da Passiva
Observe que o objeto direto será o sujeito da passiva, o sujeito da ativa passará a agente da passiva e o verbo ativo
assumirá a forma passiva, conservando o mesmo tempo:
Os mestres têm constantemente aconselhado os alunos.
Os alunos têm sido constantemente aconselhados pelos mestres.
Eu o acompanharei.
Ele será acompanhado por mim.
Obs.: quando o sujeito da voz ativa for indeterminado, não haverá complemento agente na passiva.
Prejudicaram-me.
Fui prejudicado.
Saiba que:
1) Aos verbos que não são ativos nem passivos ou reflexivos, são chamados neutros.
O vinho é bom.
Aqui chove muito.
2) Há formas passivas com sentido ativo:
É chegada a hora. (= Chegou a hora.)
Eu ainda não era nascido. (= Eu ainda não tinha nascido.)
És um homem lido e viajado. (= que leu e viajou)
3) Inversamente, usamos formas ativas com sentido passivo:
Há coisas difíceis de entender. (= serem entendidas)
Mandou-o lançar na prisão. (= ser lançado)
4) Os verbos chamar-se, batizar-se, operar-se (no sentido cirúrgico) e vacinar-se são considerados passivos, logo o
sujeito é paciente.
Chamo-me Luís.
Batizei-me na Igreja do Carmo.
Operou-se de hérnia.
Vacinaram-se contra a gripe.
2. Substantivo:
Substantivo é a classe gramatical, ou morfológica, de palavras que nomeiam os seres - reais ou imaginários,
concretos ou abstratos. Além disso, inclui nomes de ações, estados, qualidades, sentimentos.
Qualquer classe gramatical antecedida por artigo, pronome demonstrativo, pronome indefinido ou pronome
possessivo vira substantivo: o amar, um amanhã, nosso sentir, um não sei quê, o sim, o não, algum talvez, este falar,
um abrir-se, o querer, aquele claro-escuro.
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
Tua
Porta
(Cassiano Ricardo)
alcateia Lobos
antologia Textos
arquipélago Ilhas
arsenal Armas
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
atlas Mapas
banca examinadores
banda músicos
biblioteca Livros
bosque árvores
buquê Flores
cáfila camelos
cardume Peixes
cavalgada cavaleiros
cinemateca Filmes
clero sacerdotes
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
colégio eleitores, cardeais
colmeia abelhas
comitiva acompanhantes
comunidade cidadãos
constelação estrelas
cordilheira montanhas
discoteca Discos
elenco Atores
enxoval Roupas
esquadrilha Aviões
exército soldados
fato Cabras
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
fauna animais
feixe Lenha
floresta árvores
matilha Cães
molho Chaves
multidão pessoas
nuvem gafanhotos
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
orquestra músicos
pinacoteca quadros
plateia espectadores
prole Filhos
ramalhete Flores
revoada Aves
time jogadores
trouxa Roupas
universidade faculdades
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
vara Porcos
Note que um substantivo tem, ao mesmo tempo, várias classificações. Mesa, por exemplo, é um substantivo
comum, concreto, simples e primitivo. Acontecimento, por sua vez, é comum, abstrato, simples e primitivo.
Plural: meninos
Feminino: menina
Aumentativo: meninão
Diminutivo: menininho
Flexão de Gênero
Gênero é a propriedade que as palavras têm de indicar sexo real ou fictício dos seres. Na língua portuguesa, há dois
gêneros: masculino e feminino.
Pertencem ao gênero masculino os substantivos que podem vir precedidos dos artigos o, os, um, uns.
Pertencem ao gênero feminino os substantivos que podem vir precedidos dos artigos a, as, uma, umas.
revólver - revólveres
raiz - raízes
Atenção: O plural de caráter é caracteres.
d) Os substantivos terminados em al, el, ol, ul flexionam-se no plural, trocando o l por is.
quintal - quintais
caracol - caracóis
hotel - hotéis
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
Exceções: mal e males, cônsul e cônsules.
e) Os substantivos terminados em il fazem o plural de duas maneiras:
- Quando oxítonos, em is.
canil - canis
- Quando paroxítonos, em eis.
míssil - mísseis.
Obs.: a palavra réptil pode formar seu plural de duas maneiras:
répteis ou reptis (pouco usada).
f) Os substantivos terminados em s fazem o plural de duas maneiras:
- Quando monossilábicos ou oxítonos, mediante o acréscimo de es.
ás - ases
retrós - retroses
- Quando paroxítonos ou proparoxítonos, ficam invariáveis.
o lápis - os lápis
o ônibus - os ônibus.
g) Os substantivos terminados em ão fazem o plural de três maneiras.
O plural dos substantivos compostos cujos elementos são ligados por hífen costuma provocar muitas dúvidas e
discussões. Algumas orientações são dadas a seguir:
a) Flexionam-se os dois elementos, quando formados de:
substantivo + substantivo = couve-flor e couves-flores
substantivo + adjetivo = amor-perfeito e amores-perfeitos
adjetivo + substantivo = gentil-homem e gentis-homens
numeral + substantivo = quinta-feira e quintas-feiras
b) Flexiona-se somente o segundo elemento, quando formados de:
verbo + substantivo = guarda-roupa e guarda-roupas
palavras repetidas ou imitativas = reco-reco e reco-recos
c) Flexiona-se somente o primeiro elemento, quando formados de:
substantivo + preposição clara + substantivo = água-de-colônia e águas-de-colônia
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
substantivo + preposição oculta + substantivo = cavalo-vapor e cavalos-vapor
substantivo + substantivo que funciona como determinante do primeiro, ou seja, especifica a função ou o tipo do
termo anterior.
Exemplos:
palavra-chave - palavras-chave
bomba-relógio - bombas-relógio
notícia-bomba - notícias-bomba
homem-rã - homens-rã
peixe-espada - peixes-espada
d) Permanecem invariáveis, quando formados de:
verbo + advérbio = o bota-fora e os bota-fora
verbo + substantivo no plural = o saca-rolhas e os saca-rolhas
e) Casos Especiais
o louva-a-deus e os louva-a-deus
o bem-te-vi e os bem-te-vis
o bem-me-quer e os bem-me-queres
o joão-ninguém e os joões-ninguém.
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
Grau Normal - Indica um ser de tamanho considerado normal. Por exemplo: casa
Grau Aumentativo - Indica o aumento do tamanho do ser. Classifica-se em:
Analítico = o substantivo é acompanhado de um adjetivo que indica grandeza.
Por exemplo: casa grande.
Sintético = é acrescido ao substantivo um sufixo indicador de aumento.
Por exemplo: casarão.
Grau Diminutivo - Indica a diminuição do tamanho do ser. Pode ser:
Analítico = substantivo acompanhado de um adjetivo que indica pequenez.
Por exemplo: casa pequena.
Sintético = é acrescido ao substantivo um sufixo indicador de diminuição.
Por exemplo: casinha.
3. Artigo:
Relógio
As coisas vão
As coisas vêm
As coisas vão
As coisas
Vão e vêm
Não em vão
As horas
Vão e vêm
Não em vão
(Oswald de Andrade)
............................
Chamamos de ARTIGO a palavra variável que colocamos antes do substantivo para indicar, ao mesmo tempo, seu
gênero e seu número.
O artigo é basicamente demonstrativo.
O artigo é classificado como:
a) Definido: o, a, os, as;
b) Indefinido: um, uma, uns, umas.
Os artigos definidos determinam os substantivos de modo preciso e particular. Ao dizer "o livro", faz-se uma
referência a um livro em particular. Já os Indefinidos determinam os substantivos num aspecto vago, impreciso e
geral. Quando se diz "um livro", menciona-se qualquer livro.
Na língua portuguesa existe uma maneira de combinar os artigos com preposições. A combinação dos artigos
definidos com as preposições a, de, em, por (per), resulta, respectivamente, em: ao, do, no, pelo, à, da, na, pela, aos,
dos, nos, pelos e às, das, nas, pelas.
A combinação dos artigos indefinidos com a preposição em, e mais raramente a preposição de, resulta em: num, dum,
numa, duma, nuns, duns, numas, dumas.
O artigo transforma palavras de qualquer classe gramatical em substantivo.
Exemplo: Ninguém sabe como será o amanhã.
Também estabelece sua determinação ou indeterminação:
Exemplos:
Li o jornal ontem.
Li um jornal ontem.
No primeiro caso, está-se falando de um jornal em particular. No segundo, de qualquer jornal.
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
Também distingue os sentidos das palavras.
Exemplos: O rádio, a rádio; o capital, a capital; o moral, a moral.
Artigo indefinido
a) Apesar da imprecisão, o artigo indefinido transmite ao substantivo grande força expressiva:
Em “Estou com uma sede...” o artigo indefinido denota a grande intensidade da sede que o emissor da frase sente.
b) antepõe-se ao numeral quando não se pode precisá-lo:
Ela deve ter uns 15 anos.
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
c) antes de nomes próprios para acentuar a semelhança de alguém com um personagem célebre. Nesse caso o nome
próprio passa a ser um nome comum:
Revelou-se um Pavarotti. (um grande cantor)
4. Adjetivo:
É toda palavra que caracteriza o substantivo, indicando-lhe qualidade, defeito, estado condição etc. Ex.: homem
bom (qualidade), menino traquina (defeito), moça feliz (estado), família rica (condição).
O adjetivo pode aparecer antes ou depois do substantivo.
Linda moça ou moça linda.
Vejamos como o adjetivo pode aparecer em um texto:
Retrato
Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.
Classificação do Adjetivo
Explicativo: exprime característica própria do ser. Por exemplo: neve fria.
Restritivo: exprime característica que não é própria doser. Por exemplo: fruta madura.
Formação do Adjetivo
Quanto à formação, o adjetivo pode ser:
ADJETIVO SIMPLES: Formado por um só radical. Por exemplo: brasileiro, escuro, magro, cômico.
ADJETIVO COMPOSTO: Formado por mais de um radical. Por exemplo: luso-brasileiro, castanho-escuro,
amarelo-canário.
ADJETIVO PRIMITIVO: É aquele que dá origem a outros adjetivos.
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
Por exemplo: belo, bom, feliz, puro.
ADJETIVO DERIVADO: É aquele que deriva de substantivos ou verbos.
Por exemplo: belíssimo, bondoso, magrelo.
Locução Adjetiva
Locução = reunião de palavras. Sempre que são necessárias duas ou mais palavras para contar a mesma coisa, tem-
se locução. Às vezes, uma preposição + substantivo tem o mesmo valor de um adjetivo: é a Locução Adjetiva
(expressão que equivale a um adjetivo.)
Por exemplo:
aves da noite (aves noturnas), paixão sem freio (paixão desenfreada).
Observe outros exemplos:
de águia aquilino
de aluno discente
de anjo angelical
de ano anual
de aranha aracnídeo
de asno asinino
de baço esplênico
de bispo episcopal
de bode hircino
de boi bovino
de bronze brônzeo ou êneo
de cabelo capilar
de cabra caprino
de campo campestre ou rural
de cão canino
de carneiro arietino
de cavalo cavalar, equino, equídio ou hípico
de chumbo plúmbeo
de chuva pluvial
de cinza cinéreo
de coelho cunicular
de cobre cúprico
de couro coriáceo
de criança pueril
de dedo digital
de diamante diamantino ou adamantino
de elefante elefantino
de enxofre sulfúrico
de esmeralda esmeraldino
de estômago estomacal ou gástrico
de falcão falconídeo
de farinha farináceo
de fera ferino
de ferro férreo
de fígado figadal ou hepático
de fogo ígneo
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
de gafanhoto acrídeo
de garganta gutural
de gelo glacial
de gesso gípseo
de guerra bélico
de homem viril ou humano
de ilha insular
de intestino celíaco ou entérico
de inverno hibernal ou invernal
Obs.: nem toda locução adjetiva possui um adjetivo correspondente, com o mesmo significado.
Por exemplo:
Vi as alunas da 5ª série.
O muro de tijolos caiu.
Há muitos adjetivos que mantêm certa correspondência de significado com locuções adjetivas, e vice-versa. No
entanto, isso não significa que a substituição da locução pelo adjetivo seja sempre possível. Tampouco o contrário
é sempre admissível. Colar de marfim é uma expressão cotidiana; seria pouco recomendável passar a dizer colar
ebúrneo ou ebóreo, pois esses adjetivos têm uso restrito à linguagem literária. Contrato leonino é uma expressão
usada na linguagem jurídica; é muito pouco provável que os advogados passem a dizer contrato de leão.
Em outros casos, a substituição é perfeitamente possível, transformando a equivalência entre adjetivos e
locuções adjetivas em mais uma ferramenta para o aprimoramento dos textos, pois oferece possibilidades de
variação vocabular.
Por exemplo:
A população das cidades tem aumentado.
A falta de planejamento urbano faz com que isso se torne um imenso problema.
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
Caso o adjetivo seja uma palavra que também exerça função de substantivo, ficará invariável, ou seja, se a
palavra que estiver qualificando um elemento for, originalmente, um substantivo, ela manterá sua forma
primitiva. Exemplo: a palavra cinza é originalmente um substantivo, porém, se estiver qualificando um
elemento, funcionará como adjetivo. Ficará, então invariável. Logo: camisas cinza, ternos cinza.
Por exemplo: camisas cinza, ternos cinza.
Veja outros exemplos:
Motos vinho (mas: motos verdes)
Paredes musgo (mas: paredes brancas).
Comícios monstro (mas: comícios grandiosos).
Plural dos Adjetivos Compostos
Adjetivo composto é aquele formado por dois ou mais elementos. Normalmente, esses elementos são ligados por
hífen. Apenas o último elemento concorda com o substantivo a que se refere; os demais ficam na forma masculina,
singular. Caso um dos elementos que formam o adjetivo composto seja um substantivo adjetivado, todo o adjetivo
composto ficará invariável.
Por exemplo: a palavra rosa é originalmente um substantivo, porém, se estiver qualificando um elemento, funcionará
como adjetivo. Caso se ligue a outra palavra por hífen, formará um adjetivo composto; como é um substantivo
adjetivado, o adjetivo composto inteiro ficará invariável.
Por exemplo:
Camisas rosa-claro.
Ternos rosa-claro.
Olhos verde-claros.
Calças azul-escuras e camisas verde-mar.
Telhados marrom-café e paredes verde-claras.
Obs.:
- Azul-marinho, azul-celeste, ultravioleta e qualquer adjetivo composto iniciado por cor-de-... são sempre
invariáveis.
- Os adjetivos compostos surdo-mudo e pele-vermelha têm os dois elementos flexionados.
Grau do Adjetivo
Os adjetivos flexionam-se em grau para indicar a intensidade da qualidade do ser. São dois os graus do adjetivo: o
comparativo e o superlativo.
Comparativo
Nesse grau, comparam-se a mesma característica atribuída a dois ou mais seres ou duas ou mais características
atribuídas ao mesmo ser. O comparativo pode ser de igualdade, de superioridade ou de inferioridade. Observe os
exemplos abaixo:
1) Sou tão alto como você. Comparativo de Igualdade
No comparativo de igualdade, o segundo termo da comparação é introduzido pelas palavras como, quanto ou quão.
2) Sou mais alto (do) que você. Comparativo de Superioridade Analítico
No comparativo de superioridade analítico, entre os dois substantivos comparados, um tem qualidade superior. A
forma é analítica porque pedimos auxílio a "mais...do que" ou "mais...que".
3) O Sol é maior (do) que a Terra. Comparativo De Superioridade Sintético
Alguns adjetivos possuem, para o comparativo de superioridade, formas sintéticas, herdadas do latim. São eles:
bom-melhor pequeno-menor
mau-pior alto-superior
grande-maior baixo-inferior
Observe que:
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
a) As formas menor e pior são comparativos de superioridade, pois equivalem a mais pequeno e mais mau,
respectivamente.
b) Bom, mau, grande e pequeno têm formas sintéticas (melhor, pior, maior e menor), porém, em comparações
feitas entre duas qualidades de um mesmo elemento, deve-se usar as formas analíticas mais bom, mais mau, mais
grande e mais pequeno.
Por exemplo: Pedro é maior do que Paulo - Comparação de dois elementos.
Pedro é mais grande que pequeno - comparação de duas qualidades de um mesmo elemento.
4) Sou menos alto (do) que você. Comparativo De Inferioridade
Sou menos passivo (do) que tolerante.
Superlativo
O superlativo expressa qualidades num grau muito elevado ou em grau máximo. O grau superlativo pode ser
absoluto ou relativo e apresenta as seguintes modalidades:
Superlativo Absoluto: ocorre quando a qualidade de um ser é intensificada, sem relação com outros seres.
Apresenta-se nas formas:
Analítica: a intensificação se faz com o auxílio de palavras que dão ideia de intensidade (advérbios).
Por exemplo:
O secretário é muito inteligente.
Sintética: a intensificação se faz por meio do acréscimo de sufixos.
Por exemplo:
O secretário é inteligentíssimo.
Observe alguns superlativos sintéticos:
benéfico beneficentíssimo
bom boníssimo ou ótimo
célebre celebérrimo
comum comuníssimo
cruel crudelíssimo
difícil dificílimo
doce dulcíssimo
fácil facílimo
fiel fidelíssimo
frágil fragílimo
frio friíssimo ou frigidíssimo
humilde humílimo
jovem juveníssimo
livre libérrimo
magnífico magnificentíssimo
magro macérrimo ou magríssimo
manso mansuetíssimo
mau péssimo
nobre nobilíssimo
pequeno mínimo
pobre paupérrimo ou pobríssimo
preguiçoso pigérrimo
próspero prospérrimo
sábio sapientíssimo
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
sagrado sacratíssimo
Superlativo Relativo: ocorre quando a qualidade de um ser é intensificada em relação a um conjunto de seres. Essa
relação pode ser:
De Superioridade: Clara é a mais bela da sala.
De Inferioridade: Clara é a menos bela da sala.
Note bem:
1) O superlativo absoluto analítico é expresso por meio dos advérbios muito, extremamente, excepcionalmente, etc.,
antepostos ao adjetivo.
2) O superlativo absoluto sintético se apresenta sob duas formas : uma erudita, de origem latina, outra popular, de
origem vernácula. A forma erudita é constituída pelo radical do adjetivo latino + um dos sufixos -íssimo, -imo ou
érrimo. Por exemplo: fidelíssimo, facílimo, paupérrimo.
A forma popular é constituída do radical do adjetivo português + o sufixo -íssimo: pobríssimo, agilíssimo.
Adjetivo Pátrio
Indica a nacionalidade ou o lugar de origem do ser. Observe alguns deles:
Estados e cidades brasileiros:
Acre acreano
Alagoas alagoano
Amapá amapaense
Aracaju aracajuano ou aracajuense
Amazonas amazonense ou baré
Belém (PA) belenense
Belo Horizonte belo-horizontino
Boa Vista boa-vistense
Brasília brasiliense
Cabo Frio cabo-friense
Campinas campineiro ou campinense
Curitiba curitibano
Estados Unidos estadunidense, norte-americano ou ianque
El Salvador salvadorenho
Guatemala guatemalteco
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
Índia indiano ou hindu (os que professam o hinduísmo)
Irã iraniano
Israel israelense ou israelita
Moçambique moçambicano
Mongólia mongol ou mongólico
Panamá panamenho
Porto Rico porto-riquenho
Somália somali
5. Pronomes:
Para iniciar os estudos, leiamos um poema:
Cântico IV
Tu tens um medo
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.
E então serás eterno.
(Cecília Meireles)
.............
Chamamos de PRONOME a palavra variável que usamos no lugar do nome ou que o acompanha, relacionando-o
às pessoas do discurso.
Aos pronomes que substituem os substantivos damos o nome de pronomes substantivos.
Já os que acompanham o substantivo são chamados de pronomes adjetivos.
Observação: O pronome pode aparecer em referência a substantivo claro ou oculto. Veja o exemplo:
O meu desenho é melhor que o teu.
Meu e teu são pronomes que dão ideia de posse referente à pessoa do discurso: meu está na primeira pessoa (a que
fala), teu está na segunda pessoa (com quem se fala). Ambos os pronomes se referem ao substantivo desenho, que
vem expresso no início da frase, mas não aparece no final, por estar exposto de forma clara ao falante e ao ouvinte.
Pronomes pessoais:
Os pronomes pessoais representam os nomes dos seres, podendo determiná-los quando indicam as pessoas do
discurso. São divididos em dois casos: retos e oblíquos.
Pronomes retos:
1ª pessoa: eu (singular), nós (plural);
2ª pessoa: tu (singular), vós (plural);
3ª pessoa: ele, ela (singular), eles, elas (plural).
As formas eu, tu, ele, ela, nós, vós, eles e elas funcionam como sujeito e são consideradas retas (ou seja, não são
oblíquas).
Observação:A cada um desses pronomes pessoais retos corresponde um pronome pessoal oblíquo, que funciona
como complemento e que pode estar na forma átona ou tônica. É importante lembrar que, ao contrário das
formas átonas, as tônicas estão sempre presas à preposição.
Pronomes oblíquos
Os pronomes pessoais oblíquos átonos são: me, te, lhe, o, a, se, nos, vos, lhes, os, as, se.
Os oblíquos tônicos são: mim, ti, ele, ela, si, nós, vós, eles, elas, si.
Exemplo de pronome oblíquo átono:
Entreguei-lhe o livro para autografar.
Exemplo de pronome oblíquo tônico:
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
Comprei uma passagem para nós.
Observação: Para melhor identificá-los, deve-se observar que os pronomes oblíquos átonos não têm preposição,
e os oblíquos tônicos são regidos por preposição. Quando a preposição é com, dizemos comigo, contigo, consigo,
conosco e convosco.
Pronomes de tratamento:
Os pronomes de tratamento são utilizados no trato cortês e cerimonioso das pessoas. Esses pronomes são
considerados formas substantivas de tratamento indireto de segunda pessoa, mas que utilizam as formas verbais da
terceira pessoa.
Normalmente, não nos dirigimos a uma pessoa mais velha, que você não conheça, utilizando "você". Tampouco se
fala com uma criança com o pronome "senhor". São as escolhas de "pronomes de tratamento" que fazemos ao falar
ou escrever a alguém.
Observação:Embora esses pronomes se refiram à 2ª pessoa, aquela com quem se fala, eles se comportam como
pronomes de 3ª pessoa.
O exemplo mais simples é o do pronome você muito empregado no português coloquial do Brasil. Veja:
“Você é muito inteligente.”
Pessoa com quem se fala - 2ª pessoa (= tu) Verbo na 3ª pessoa (= ele é)
Ou seja, gramaticalmente, é incorreto dizer "tu é" assim como "você és", mesmo que em certos lugares do Brasil já
seja comum usar-se o "tu" com o verbo na 3ª pessoa.
Os Pronomes de tratamento podem ser informais, como o "você", mas podem ser bastante formais, como é o caso
dos pronomes de reverência. Conheça todos os pronomes de tratamento e saiba quando empregá-los no quadro
abaixo.
PronomeAbreviaturasEmprego
Você v. tratamento informal
o(s) senhor(es), a(s) senhora(s) sr.sra. ; srs.sras. Tratamento formal ou cerimonioso
Vossa Alteza V.A.; VV.AA. príncipes, princesas, duques
Vossa Eminência V. Em.a V.Em.as cardeais
Vossa Excelência V.Ex.a ;V.Ex.as altas autoridades
Vossa Magnificência V.Mag.a; V.Mag.as reitores de universidades
Vossa Majestade V.M. VV.MM. reis, imperadores
Vossa Reverendíssima V.Rev.ma V.Rev.mas sacerdotes
Vossa Senhoria V.S.a V.S.as autoridades, tratamento respeitoso, correspondência comercial
Vossa Santidade V.S. Papa, Dalai Lama
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
Há mais dois pontos a esclarecer acerca dos pronomes de tratamento:
1. Ao se dirigir respeitosamente a uma autoridade, você usa o "Vossa".
Vossa Excelência foi muito útil na resolução do problema.
Ao se dirigir a outra pessoa, referindo-se àquela mesma autoridade, você usa o "Sua".
Sua Excelência, o deputado José, foi muito útil na resolução do problema.
2. Ao usar o Pronome de tratamento como vocativo (para chamar, avisar, interpelar), dispensa-se o pronome
possessivo (Vossa, Sua). Ex.:
Cuidado, Excelência!
Perdão, Alteza!
Atenção, Majestade!
Colocação Pronominal
Vamos ler um poema para iniciar os estudos:
Pronominais
Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro
(Oswalde de Andrade)
Nesse poema de OSWALD DE ANDRADE, cria-se a oposição entre o português falado segundo a gramática e
aquele falado pelo povo. Apesar de serem opostos – não porque sejam diferentes, mas porque são verso e reverso das
exigências gramaticais – as duas formas de expressão dizem absolutamente a mesma coisa e todos se entendem.
Nesse sentido – o da comunicação – a língua do povo é a mesma que a do “bom falante”, aquele que obedece a todas
as regras gramaticais e, sob essa perspectiva, a despeito da oposição de que nos fala o poema, ela une, porque é
entendida tanto pelo “gramático” quanto pelo “povão”.
A abordagem de Oswald de Andrade vai além: ele aponta a espontaneidade da fala como um fator de descontração e,
por isso, de aproximação entre os falantes. Ou seja, o escritor está valorizando em seus versos a fala popular, uma
variedade da nossa língua caracterizada por algumas especificidades léxicas e fonéticas, mas que, do ponto de vista da
comunicação, equivale a norma padrão.
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
Ninguém o apoia.
Nunca se esqueça de mim.
Não me fale sobre este assunto.
b) Nas orações em que haja advérbios e pronomes indefinidos, sem que exista pausa:
Aqui se vive. (advérbio)
Tudo me incomoda nesse lugar. (pronome indefinido)
Obs.: caso haja pausa depois do advérbio, emprega-se ênclise:
Aqui, vive-se.
c) Nas orações iniciadas por pronomes e advérbios interrogativos:
Quem te convidou para sair? (pronome interrogativo)
Por que a maltrataram? (advérbio interrogativo)
d) Nas orações iniciadas por palavras exclamativas e nas optativas (que exprimem desejo):
Como te admiro! (oração exclamativa)
Deus o ilumine! (oração optativa)
e) Nas conjunções subordinativas:
Ela não quis a blusa, embora lhe servisse.
É necessário que o traga de volta.
Comprarei o relógio se me for útil.
f) Com gerúndio precedido de preposição "em":
Em se tratando de negócios, você precisa falar com o gerente.
Em se pensando em descanso, pensa-se em férias.
g) Com a palavra "só" (no sentido de "apenas", "somente") e com as conjunções coordenativas alternativas:
Só se lembram de estudar na véspera das provas.
Ou se diverte, ou fica em casa.
h) Nas orações introduzidas por pronomes relativos:
Foi aquele colega quem me ensinou a matéria.
Há pessoas que nos tratam com carinho.
Aqui é o lugar onde te conheci.
2) Mesóclise
Emprega-se a mesóclise quando o verbo estiver no futuro do presente ou no futuro do pretérito do indicativo,
desde que não se justifique a próclise. O pronome fica intercalado ao verbo:
Falar-lhe-ei a teu respeito. (Falarei + lhe)
Procurar-me-iam caso precisassem de ajuda. (Procurariam + me)
a) Havendo um dos casos que justifique a próclise, desfaz-se a mesóclise.
Tudo lhe emprestarei, pois confio em seus cuidados. (O pronome "tudo" exige o uso de próclise.)
b) Com esses tempos verbais (futuro do presente e futuro do pretérito) jamais ocorre a ênclise.
c) A mesóclise é colocação exclusiva da língua culta e da modalidade literária.
3) Ênclise
A ênclise pode ser considerada a colocação básica do pronome, pois obedece à sequência verbo-complemento. Assim,
o pronome surge depois do verbo. Emprega-se geralmente:
a) Nos períodos iniciados por verbos (desde que não estejam no tempo futuro), pois, na língua culta, não se abre
frase com pronome oblíquo:
Diga-me apenas a verdade.
Importava-se com o sucesso do projeto.
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
b) Nas orações reduzidas de infinitivo:
Convém confiar-lhe esta responsabilidade.
Espero contar-lhe isto hoje à noite.
c) Nas orações reduzidas de gerúndio (desde que não venham precedidas de preposição "em".)
A mãe adotiva ajudou a criança, dando-lhe carinho e proteção.
O menino gritou, assustando-se com o ruído que ouvira.
d) Nas orações imperativas afirmativas.
Fale com seu irmão e avise-o do compromisso.
Professor, ajude-me neste exercício!
Observações:
1) A posição normal do pronome é a ênclise. Para que ocorra a próclise ou a mesóclise é necessário haver
justificativas.
2) A tendência para a próclise na língua falada atual é predominante, mas iniciar frases com pronomes átonos não é
lícito numa conversação formal. Por Exemplo:
Linguagem Informal: Me alcança a caneta.
Linguagem Formal: Alcança-me a caneta.
3) Se o verbo não estiver no início da frase, nem conjugado nos tempos Futuro do Presente ou Futuro do Pretérito, é
possível usar tanto a próclise como a ênclise:
Eu me machuquei no jogo.
Eu machuquei-me no jogo.
As crianças se esforçam para acordar cedo.
As crianças esforçam-se para acordar cedo.
Observações:
1) Quando houver preposição entre o verbo auxiliar e o infinitivo, a colocação do pronome será facultativa:
Nosso filho há de encontrar-se na escolha profissional.
Nosso filho há de se encontrar na escolha profissional.
2) Com a preposição "a" e o pronome oblíquo "o" (e variações) o pronome deverá ser colocado depois do
infinitivo:
Voltei a cumprimentá-los pela vitória na partida.
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
a) Se não houver fator que justifique a próclise, o pronome ficará depois do verbo auxiliar:
Seu rendimento escolar tem-me surpreendido.
b) Se houver fator que justifique a próclise, o pronome ficará antes da locução.
Não me haviam avisado da prova que teremos amanhã.
Obs.: na língua falada, é comum o uso da próclise em relação ao particípio. Veja:
Haviam me convencido com aquela história.
Não haviam me mostrado todos os cômodos da casa.
Pronomes Demonstrativos:
Amar!
Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente
Amar! Amar! E não amar ninguém!
Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser quese pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
Observação:Os pronomes pessoais o, a, os e as funcionam como pronomes demonstrativos quando forem
equivalentes a aquele, aquela e aquilo. Vejamos os exemplos:
Jamais aceitarei o que eles propuseram na reunião. (aquilo que)
Os que chegaram primeiro conseguiram comprar os ingressos. (aqueles que)
Mesmo e próprio são pronomes demonstrativos quando tiverem o sentido de idêntico e em pessoa. Servem também
para reforçar os pronomes pessoais. Como nos exemplos:
Ele próprio fez questão de nos receber. (ele em pessoa)
Todos os anos, a missa do galo é a mesma. (é idêntica)
Semelhante e tal têm valor demonstrativo quando denotam identidade ou se referem às ideias já expressas
anteriormente. Também quando forem substituíveis por este, esta, aquele, aquela, aquilo. O pronome
demonstrativo tal também pode ter uma conotação irônica. Por exemplo:
Você é a tal que estava falando de mim?
Ela teve coragem de falar semelhante coisa?
Nunca ouvi falar em tal pessoa.
Observações:
Observe os seguintes pronomes demonstrativos: este, esta, isto, esse, essa, isso. Como veremos, há diferenças de usos
desses pronomes quando se fala e quando se escreve. Para tentar explicar essas diferenças, recorreremos à linguística
textual.
A linguística textual nos ensina que um texto, para ser bem construído, ou seja, para ter textualidade
(textualidade é o que faz de uma sequência linguística um texto e não um amontoado de frases ou palavras),
tem de ter, basicamente, coesão e coerência.
Como se sabe, a coerência estaria ligada à possibilidade de estabelecimento de um sentido para o texto. Tal
sentido obrigatoriamente tem de ser do todo, uma vez que a coerência é global. A coesão, por sua vez, estaria
ligada, segundo os estudiosos dessa área do conhecimento, às partes superficiais, lineares, em outras palavras, à
questão propriamente linguística do texto. De modo que a coesão seria obtida, parcialmente, através da
gramática e, parcialmente, através do léxico.
Analisemos então os enunciados:
a) Esta cadeira está quebrada.
(= Esta cadeira [aqui perto de mim que falo, primeira pessoa do discurso] está quebrada.)
b) Passe-me essa caneta, por favor!
(= Passe-me essa caneta [que está aí perto de você a quem falo, segunda pessoa do discurso], por favor).
c) Isso é seu?
(Refiro-me a essa bela gravata que está em seu pescoço).
d) Isto é meu!
(Estou falando deste relógio que está em meu pulso).
e) Como é que se pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? Essa ideia nos parece estranha.
(Qual ideia? Essa ideia de poder comprar ou vender o céu, o calor da terra).
f) "Busquei, primeiro, o amor porque ele produz êxtase [...]. Eis o que busquei e, embora, isso possa parecer
demasiado bom para a vida humana, foi isso que - afinal - encontrei."
(primeiro "isso" = a busca do amor; segundo "isso" = o amor).
g) Pedro foi preso como estelionatário. Esse cara nunca me enganou.
(Esse cara = Pedro).
h) Estas foram as últimas palavras do meu mestre: seja sincero com seus discípulos.
i) Quando saí de casa, meu pai me disse isto: seja bom, ame o próximo, e respeite a vida.
j) Este foi um divertido anúncio de uma revista: "Cara, se, tipo assim, o seu filho escrever como fala, ele tá ferrado!".
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
Pronomes Indefinidos:
São aqueles que se referem à 3ª pessoa do discurso de modo vago, genérico e impreciso. Pode funcionar como
pronome adjetivo ou pronome substantivo. Veja:
Todos poderão participar do concurso literário.
Muitos alunos dessa escola foram classificados para a fase final do concurso.
Observação 1:Alguns pronomes indefinidos são variáveis, ou seja, sofrem flexão de gênero e número, como nenhum,
outro, qualquer. Outros são invariáveis, como tudo, nada, cada, quem.
Observação 2: Quando um grupo de palavras desempenha função de pronome indefinido, recebe o nome de locução
pronominal indefinida. Exemplos: qualquer um, cada qual, todo aquele que etc.
Pronomes Interrogativos:
São os pronomes quem, quanto, qual, que usados na formulação de frases interrogativas diretas ou indiretas.
Quem entregará o trabalho hoje?
Quantos alunos chegaram atrasados hoje?
Que é isso?
Qual é o resultado desse problema?
Pronomes Relativos
Os pronomes relativos têm por função básica unir orações diferentes fazendo com que as ideias nelas expressas
complementem-se, evitando assim repetições desnecessárias. Isto érepresentam nomes já mencionados
anteriormente e com os quais se relacionam. Introduzem as orações subordinadas adjetivas.
Exemplos:
O racismo é um sistema que afirma a superioridade de um grupo racial sobre outros.
(afirma a superioridade de um grupo racial sobre outros = oração subordinada adjetiva).
O pronome relativo "que" refere-se à palavra "sistema" e introduz uma oração subordinada. Diz-se que a palavra
"sistema" é antecedente do pronome relativo que.
Observação:O antecedente do pronome relativo pode ser um pronome demonstrativo: o, a, os, as.
Não sei o que você está querendo dizer.
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
a) O pronome que é o relativo de mais largo emprego, sendo por isso chamado relativo universal. Pode ser
substituído por o qual, a qual, os quais, as quais, quando seu antecedente for um substantivo:
O trabalho que eu fiz refere-se à corrupção. (= o qual)
A cantora que acabou de se apresentar é péssima. (= a qual)
Os trabalhos que eu fiz referem-se à corrupção. (= os quais)
As cantoras que se apresentaram eram péssimas. (= as quais)
b) O qual, os quais, a qual e as quais são exclusivamente pronomes relativos: por isso, são utilizados
didaticamente para verificar se palavras como "que", "quem", "onde" (que podem ter várias classificações) são
pronomes relativos. Todos eles são usados com referência à pessoa ou coisa por motivo de clareza ou depois de
determinadas preposições:
Regressando de São Paulo, visitei o sítio de minha tia, o qual me deixou encantado.
(O uso doque neste caso geraria ambiguidade.)
Essas são as conclusões sobre as quais pairam muitas dúvidas.
(Não se poderia usar que depois de sobre.)
Os pronomes o(a) qual, os(as) quais concordam em gênero e número com o substantivo que substituem e são
introduzidos por preposições.
Ela estudou para o exame. O exame parece bastante difícil.
O exame para o qual ela estudou parece bastante difícil.
c) O relativo "que" às vezes equivale a o que, coisa que, e se refere a uma oração.
Não chegou a ser padre, mas deixou de ser poeta, que era a sua vocação natural.
Eu vi um homem. O homem era jovem.
O homem que eu vi era jovem.
Observação:O pronome que pode ainda funcionar como sujeito:
Eu estou vendo um filme. O filme é muito interessante.
Eu estou vendo um filme que é muito interessante.
Observação:Pode ser antecedido pelas preposições a, de, em, com, por, para:
A peça estreia hoje. Eu te falei da peça.
A peça de que te falei estreia hoje.
d) O pronome relativo quem também é antecedido por preposições:
A funcionária é muito gentil. Pedi à funcionária informações sobre o hotel.
A funcionária a quem pedi informações sobre o hotel é muito gentil.
e) Os pronomes cujo(s) , cuja(s) também concordam em gênero e número com o substantivo que substituem, podem
ser precedidos por preposição e indicam relações de posse:
O edifício fica logo ali. As paredes do edifício foram pichadas.
O edifício cujas paredes foram pichadas fica logo ali.
f) O pronome Onde funciona como adjunto adverbial de lugar e pode ser antecedido por preposição. Quando
combinado com a preposição "a" forma aonde, e indica uma destinação; quando combinado com a preposição
"de" forma de onde (ou donde), e indica uma origem:
Ele vem de uma cidade. A cidade fica no norte do país.
A cidade de onde ele vem fica no norte do país.
Este cinema é mantido pela fundação cultural. Nós vamos a este cinema.
Este cinema aonde vamos é mantido pela fundação cultural.
Este espaço pertence ao clube Porto Belo. Muitas atividades de lazer e esportes realizam-se neste espaço.
Este espaço, onde se realizam muitas atividades de lazer e esportes, pertence ao clube Porto Belo.
g) O pronome Quando funciona como adjunto adverbial de tempo:
Sábado fez sol. Fomos ao litoral no sábado.
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
Sábado, quando fomos ao litoral, fez sol.
h) O pronome Como funciona como adjunto adverbial de modo, de maneira:
O modo como a reunião foi conduzida deixou todos os participantes tranqüilos.
Observação: Na linguagem oral, tende-se a utilizar o pronome relativo que de forma mais ampla. Neste
contexto, as substituições por outros pronomes acabam muitas vezes não acontecendo.
É importante salientar que este uso não é propriamente "errado", mas inadequado para situações em que a
linguagem formal (ou padrão) estiver sendo exigida. Retomando alguns dos exemplos mencionados, poderemos
entender, numa linguagem informal, construções do tipo:
A peça que te falei estreia hoje.
O edifício que as paredes foram pichadas fica logo ali.
O modo que a reunião foi conduzida deixou todos os participantes tranquilos.
Pronomes Possessivos:
Canção
“Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
depois abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar.
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
Este caderno é meu. (meu = possuidor: 1ª pessoa do singular)
NÚMERO PESSOA PRONOME
singular primeira meu(s), minha(s)
singular segunda teu(s), tua(s)
singular terceira seu(s), sua(s)
Observaçao 1: A forma do possessivo depende da pessoa gramatical a que se refere; o gênero e o número
concordam com o objeto possuído:
Ele trouxe seu apoio e sua contribuição naquele momento difícil.
Observaçao2: A forma seu não é um possessivo quando resultar da alteração fonética da palavra senhor:
Muito obrigado, seu José.
Observaçao 3: Os pronomes possessivos nem sempre indicam posse. Podem ter outros empregos, como:
a) indicar afetividade.
Não faça isso, minha filha.
b) indicar cálculo aproximado.
Ele já deve ter seus 40 anos.
c) atribuir valor indefinido ao substantivo.
Marisa tem lá seus defeitos, mas eu gosto muito dela.
e) Referindo-se a mais de um substantivo, o possessivo concorda com o mais próximo.
Trouxe-me seus livros e anotações.
f) Em algumas construções, os pronomes pessoais oblíquos átonos assumem valor de possessivo.
Vou seguir-lhe os passos. (= Vou seguir seus passos.)
6. Numeral:
Aula De Matemática
Pra que dividir sem raciocinar
Na vida é sempre bom multiplicar
E por A mais B
Eu quero demonstrar
Que gosto imensamente de você
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
Que menos por menos dá mais amor
Se vão as paralelas
Ao infinito se encontrar
Por que demoram tanto os corações a se integrar?
Se infinitamente, incomensuravelmente,
Eu estou perdidamente apaixonado por você
(Tom Jobim)
..................
Numeral é a palavra que indica os seres em termos numéricos, isto é, que atribui quantidade aos seres ou os
situa em determinada sequência:
Os quatro últimos ingressos foram vendidos há pouco.
[quatro: numeral = atributo numérico de "ingresso"]
Eu quero café duplo, e você?
[duplo: numeral = atributo numérico de "café"]
A primeira pessoa da fila pode entrar, por favor!
[primeira: numeral = situa o ser "pessoa" na sequência de "fila"]
Note bem: os numerais traduzem, em palavras, o que os números indicam em relação aos seres. Assim, quando
a expressão é colocada em números (1, 1°, 1/3, etc.) não se trata de numerais, mas sim de algarismos.
Além dos numerais mais conhecidos, já que refletem a ideia expressa pelos números, existem mais algumas
palavras consideradas numerais porque denotam quantidade, proporção ou ordenação. São alguns exemplos:
década, dúzia, par, ambos(as), novena.
7. Advérbio:
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
Leia o texto abaixo para análise dos advérbios e seus sentidos no texto:
Profundamente
Quandoontem adormeci
Na noite de São João
Havia alegria e rumor
Estrondos de bombas luzes de Bengala
Vozes, cantigas e risos
Ao pé das fogueiras acesas.
Silenciosamente
Apenas de vez em quando
O ruído de um bonde
Cortava o silêncio
Como um túnel.
Onde estavam os que há pouco
Dançavam
Cantavam
E riam
Ao pé das fogueiras acesas?
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
Profundamente.
(Manuel Bandeira)
..........................
ADVÉRBIO é a palavra que modifica o verbo, exprimindo a circunstância da ação verbal (tempo, modo, intensidade,
etc.). Alguns advérbios podem modificar um adjetivo ou outro advérbio. Exemplos:
Chegamoscedo.(verbo/ advérbio)
Aquelas alunas eram muito estudiosas.(advérbio/adjetivo)
Os professores chegaram muito cedo. (advérbio /advérbio)
Algumas vezes, o advérbio é representado por duas ou mais palavras. Nesse caso, recebe o nome de locução
adverbial.
Veja alguns exemplos de locuções adverbiais: à direita, à esquerda, à frente, à vontade, em vão, por acaso, frente a
frente, de maneira alguma, de manhã, de súbito, de propósito, de repente, etc.
Os advérbios são considerados palavras invariáveis, pois não sofrem flexão de gênero e de número. No entanto,
alguns advérbios sofrem flexão como os adjetivos.
Grau comparativo:
de igualdade: na formação do comparativo de igualdade, utilizamos o tão antes do advérbio e o como ou quanto
depois.
Os alunos chegaram tão cedo quanto os professores.
de superioridade: na formação do comparativo de superioridade, utilizamos o mais antes do advérbio e o que ou do
que depois.
Os alunos chegaram mais cedo do que os professores.
de inferioridade: na formação do comparativo de inferioridade, utilizamos o menos antes do advérbio e o que ou do
que depois.
Os alunos chegaram menos cedo do que os professores.
Grau superlativo:
O grau superlativo dos advérbios pode ser analítico ou sintético.
Analítico: é formado com auxilio de um advérbio de intensidade.
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
Cheguei muito cedo à escola ontem.
Sintético: é formado pelo acréscimo do sufixo ao advérbio.
Cheguei cedíssimo à escola ontem.
Observação: Os advérbios bem e mal admitem as formas de comparativo de superioridade sintéticas, melhor e
pior, respectivamente.
8. Conjunção
Cantiga pra não morrer
Quando você for se embora,
moça branca como a neve,
me leve.
Conjunção é a palavra invariável que relaciona duas orações ou dois termos que exercem a mesma função
sintática. Quando duas ou mais palavras desempenham o papel de conjunção recebem o nome de locução
conjuntiva. Veja alguns exemplos: à medida que, a fim de que, à proporção que, desde que, visto que, ainda que
etc.
As conjunções são classificadas de acordo com o tipo de relação que estabelecem.
As conjunções que relacionam orações independentes ou sintaticamente equivalentes são chamadas de conjunções
coordenativas.
Já, as conjunções que relacionam orações dependentes, ou seja, que ligam a oração principal a uma oração que lhe
é subordinada são chamadas de conjunções subordinativas.
Classificação da Conjunção
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
De acordo com o tipo de relação que estabelecem, as conjunções podem ser classificadas em coordenativas e
subordinativas. No primeiro caso, os elementos ligados pela conjunção podem ser isolados um do outro. Esse
isolamento, no entanto, não acarreta perda da unidade de sentido que cada um dos elementos possui. Já no segundo
caso, cada um dos elementos ligados pela conjunção depende da existência do outro.
Conjunções Coordenativas
Ou Isto ou Aquilo
Ou se tem chuva e não se tem sol
ou se tem sol e não se tem chuva!
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
Marta estava bem preparada para o teste, portanto não ficou nervosa.
5) Explicativas: ligam a oração anterior a uma oração que a explica, que justifica a ideia nela contida. São elas: que,
porque, pois (antes do verbo), porquanto:
Não demore, que o filme já vai começar.
Saiba que:
a) As conjunções "e"," antes", "agora"," quando" são adversativas quando equivalem a "mas":
Carlos fala, e não faz.
O bom educador não proíbe, antes orienta.
Sou muito bom; agora, bobo não sou.
Foram mal na prova, quando poderiam ter ido muito bem.
b) "Senão" é conjunção adversativa quando equivale a "mas sim":
Conseguimos vencer não por protecionismo, senão por capacidade.
c) Das conjunções adversativas, "mas" deve ser empregada sempre no início da oração: as outras (porém, todavia,
contudo, etc.) podem vir no início ou no meio:
Ninguém respondeu a pergunta, mas os alunos sabiam a resposta.
Ninguém respondeu a pergunta; os alunos, porém, sabiam a resposta.
d) A palavra "pois", quando é conjunção conclusiva, vem geralmente após um ou mais termos da oração a que
pertence:
Você o provocou com essas palavras; não se queixe, pois, de seus ataques.
Quando é conjunção explicativa," pois" vem, geralmente, após um verbo no imperativo e sempre no início da oração a
que pertence.
Não tenha receio, pois eu a protegerei.
Conjunções Subordinativas
Analisemos o emprego da conjunção –se e de outros conectores neste poema de Cecília Meireles:
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
Conjunções Subordinativas são aquelas que ligam duas orações, sendo uma delas dependente da outra. A oração
dependente, introduzida pelas conjunções subordinativas, recebe o nome de oração subordinada:
O baile já tinha começado quando ela chegou.
O baile já tinha começado: oração principal
quando: conjunção subordinativa
ela chegou: oração subordinada
2. Adverbiais
Indicam que a oração subordinada por elas introduzida exerce a função de adjunto adverbial da principal. De
acordo com a circunstância que expressam, classificam-se em:
a) Causais: introduzem uma oração que é causa da ocorrência da oração principal. São elas: porque, que, como (=
porque, no início da frase), pois que, visto que, uma vez que, porquanto, já que, desde que:
Ele não fez a pesquisa porque não dispunha de meios.
Como não se interessa por arte, desistiu do curso.
b) Concessivas: introduzem uma oração que expressa ideia contrária à da principal, sem, no entanto, impedir sua
realização. São elas: embora, ainda que, apesar de que, se bem que, mesmo que, por mais que, posto que, conquanto:
Embora fosse tarde, fomos visitá-lo.
Eu não desistirei desse plano mesmo que todos me abandonem.
c) Condicionais: introduzem uma oração que indica a hipótese ou a condição para ocorrência da principal. São elas:
se, caso, contanto que, salvo se, a não ser que, desde que, a menos que, sem que:
Se precisar de minha ajuda, telefone-me.
Não irei ao escritório hoje, a não ser que haja algum negócio muito urgente.
d) Conformativas: introduzem uma oração em que se exprime a conformidade de um fato com outro. São elas:
conforme, como (= conforme), segundo, consoante:
O passeio ocorreu como havíamos planejado.
Arrume a exposição segundo as ordens do professor.
e) Finais: introduzem uma oração que expressa a finalidade ou o objetivo com que se realiza a principal. São elas:
para que, a fim de que, que, porque (= para que):
Toque o sinal para que todos entrem no salão.
Aproxime-se a fim de que possamos vê-lo melhor.
f) Proporcionais: introduzem uma oração que expressa um fato relacionado proporcionalmente à ocorrência da
principal. São elas: à medida que, à proporção que, ao passo que e as combinações quanto mais... (mais), quanto
menos... (menos), quanto menos... (mais), quanto menos... (menos):
O preço fica mais caro à medida que os produtos escasseiam.
Quanto mais reclamava menos atenção recebia.
Obs.: são incorretas as locuções proporcionais à medida em que, na medida que e na medida em que.
g) Temporais: introduzem uma oração que acrescenta uma circunstância de tempo ao fato expresso na oração
principal. São elas:quando, enquanto, antes que, depois que, logo que, todas as vezes que, desde que, sempre que,
assim que, agora que, mal (= assim que):
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
A briga começou assim que saímos da festa.
A cidade ficou mais triste depois que ele partiu.
h) Comparativas: introduzem uma oração que expressa ideia de comparação com referência à oração principal. São
elas: como, assim como, tal como, como se, (tão)... como, tanto como, tanto quanto, do que, quanto, tal, qual, tal qual,
que nem, que (combinado com menos ou mais):
O jogo de hoje será mais difícil que o de ontem.
Ele é preguiçoso tal como o irmão.
i) Consecutivas: introduzem uma oração que expressa a consequência da principal. São elas: de sorte que, de modo
que, sem que (= que não), de forma que, de jeito que, que (tendo como antecedente na oração principal uma palavra
como tal, tão, cada, tanto, tamanho):
Estudou tanto durante a noite que dormiu na hora do exame.
A dor era tanta que a moça desmaiou.
Locução Conjuntiva
Recebem o nome de locução conjuntiva os conjuntos de palavras que atuam como conjunção. Essas locuções
geralmente terminam em "que". Observe os exemplos:
visto que
desde que
ainda que
por mais que
à medida que
à proporção que
logo que
a fim de que
Atenção:
Muitas conjunções não têm classificação única, imutável, devendo, portanto, ser classificadas de acordo com o
sentido que apresentam no contexto. Assim, a conjunção que pode ser:
1. Aditiva ( = e)
Esfrega que esfrega, mas a mancha não sai.
2. Explicativa
Apressemo-nos, que chove.
3. Integrante
Diga-lhe que não irei.
4. Consecutiva
Onde estavas, que não te vi?
5. Comparativa
Ficou vermelho que nem brasa.
6. Concessiva
Beba, um pouco que seja.
7. Temporal
Chegados que fomos, dirigimo-nos ao hotel.
8. Final
Vendo o amigo à janela, fez sinal que descesse.
9. Causal
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
"Velho que sou, apenas conheço as flores do meu tempo." (V.Coaraci)
9. Preposição
O poema que segue é de autoria de Augusto de Campos, um célebre representante da poesia concreta. Lendo-o, você
perceberá que o poeta realiza um jogo com as palavras, de modo a obter construções distintas a partir da própria
disposição delas no interior da construção poética. Contudo, mesmo havendo tais colocações distintas, um fato é certo:
o emprego da preposição “da”, estabelecendo a conexão entre as palavras, realiza, pois, uma função
primordial. Assim, analise-a, apontando a relação semântica que a ela podemos atribuir.
Flor da pele
Flor da boca da pele do céu
Pele do céu da flor da boca
Céu da flor da boca da pele
Boca da pele do céu da flor
( Augusto de Campos)
.............
PREPOSIÇÃO é a palavra que estabelece uma relação entre dois ou mais termos da oração. Essa relação é do tipo
subordinativa, ou seja, entre os elementos ligados pela preposição não há sentido dissociado, separado,
individualizado; ao contrário, o sentido da expressão é dependente da união de todos os elementos que a
preposição vincula:
a) Os amigos de João estranharam o seu modo de vestir.
amigos de João / modo de vestir: elementos ligados por preposição
de: preposição
b) Ela esperou com entusiasmo aquele breve passeio.
esperou com entusiasmo: elementos ligados por preposição
com: preposição
Esse tipo de relação é considerada uma conexão, em que os conectivos cumprem a função de ligar elementos. A
preposição é um desses conectivos e se presta a ligar palavras entre si num processo de subordinação
denominado regência.
Diz-se regência devido ao fato de que, na relação estabelecida pelas preposições, o primeiro elemento – chamado
antecedente – é o termo que rege, que impõe um regime; o segundo elemento, por sua vez – chamado consequente – é
o termo regido, aquele que cumpre o regime estabelecido pelo antecedente:
A hora das refeições é sagrada.
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
hora das refeições: elementos ligados por preposição
de + as = das: preposição
hora: termo antecedente = rege a construção "das refeições"
refeições: termo consequente = é regido pela construção "hora da"
Alguém passou por aqui.
passou por aqui: elementos ligados por preposição
por: preposição
passou: termo antecedente = rege a construção "por aqui"
aqui: termo consequente = é regido pela construção "passou por"
As preposições são palavras invariáveis, pois não sofrem flexão de gênero, número ou variação em grau como
os nomes, nem de pessoa, número, tempo, modo, aspecto e voz como os verbos. No entanto, em diversas situações
as preposições se combinam a outras palavras da língua (fenômeno da contração) e, assim, estabelecem uma relação
de concordância em gênero e número com essas palavras às quais se ligam. Mesmo assim, não se trata de uma
variação própria da preposição, mas sim da palavra com a qual ela se funde:
de + o = do
por + a = pela
em + um = num
As preposições podem introduzir:
a) Complementos Verbais
Eu obedeço "aos meus pais".
b) Complementos Nominais
Continuo obediente "aos meus pais".
c) Locuções Adjetivas
É uma pessoa "de valor".
d) Locuções Adverbiais
Tive de agir "com cautela".
e) Orações Reduzidas
"Ao chegar", comentou sobre o fato ocorrido.
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
como (= na qualidade de), conforme (= de acordo com), segundo (= conforme), consoante (= conforme), durante,
salvo, fora, mediante, tirante, exceto, senão, visto (=por).
Saiba que:
As preposições essenciais regem sempre a forma oblíqua tônica dos pronomes pessoais:
Não vá sem mim à escola.
As preposições acidentais, por sua vez, regem a forma reta desses mesmos pronomes:
Todos, exceto eu, preferem sorvete de chocolate.
Locução Prepositiva
É o conjunto de duas ou mais palavras que têm o valor de uma preposição. A última palavra dessas locuções é sempre
uma preposição.
Principais locuções prepositivas:
abaixo de acima de acerca de
a fim de além de a par de
apesar de antes de depois de
ao invés de diante de em fase de
em vez de graças a junto a
junto com junto de à custa de
defronte de através de em via de
de encontro a em frente de em frente a
sob pena de a respeito de ao encontro de
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
a+a=à
às - àquela - àquelas - àquele - àqueles – àquilo
10. Interjeição:
Festa das Interjeições
Existiram dores e emoções...
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
Na festa das interjeições!
O Ah! de alegria...
Dançou com harmonia!
O Oh! de espanto...
Se comportou como um santo!
O Ih! de pessimismo e medo,
Pensou que a cachaça era um brinquedo!
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
"Salta além da estratosfera
E cai onde cair
Que a galera
Morre de rir!
Ai, minhas costelas!
Já estou vendo estrelas!
Bravo! Bravo!"
(Chico Buarque)
Psiu! Não acordem as crianças.
Coitado, ficou sozinho novamente.
Duas ou mais palavras podem desempenhar a função de interjeição, nesse caso, são chamadas de locuções
interjetivas. Observe:
"Se Deus quiser, um dia eu quero ser índio
Viver pelado, pintado de verde num eterno domingo
Ser um bicho preguiça e espantar turista"
(Rita Lee)
"Que menina é aquela
Que entrou na roda agora
Ela tem um remelexo
Que valha-me Deus! Nossa Senhora!"
(Caetano Veloso)
O sentido da interjeição é contextual, ou seja, seu significado está sempre vinculado ao uso. Nesse sentido,
qualquer palavra da língua pode atuar como uma interjeição, dependendo do contexto e da intenção do falante. Veja
abaixo alguns valores semânticos que as interjeições e locuções interjetivas podem assumir:
Advertência: Cuidado!, Atenção!
Afugentamento: Xô!, Fora!, Passa!
Alegria: Ah!, Oba!, Viva!
Alívio: Ufa!, Ah!
Animação: Coragem!, Avante!
Apelo: Socorro!
Aversão: Droga!
Desejo: Oxalá!, Tomara!, Se Deus quiser!
Dor: Ai!, Ui!
Espanto, surpresa: oh!, Meu Deus!, Nossa!, Puxa!
Medo: Oh!, Cruzes!, Credo!
Silêncio: Psiu!, Silêncio!
As interjeições são consideradas verdadeiras frases, caracterizando-se como uma estrutura à parte. Normalmente são
seguidas de ponto de exclamação, às vezes combinado com outros sinais de pontuação.
Sujeito e Predicado
Para que a oração tenha significado, são necessários alguns termos básicos: os termos essenciais. A oração possui
dois termos essenciais, o sujeito e o predicado.
Sujeito: termo sobre o qual o restante da oração diz algo.
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
As praias estão cada vez mais poluídas.
Predicado: termo que contém o verbo e informa algo sobre o sujeito.
As praias estão cada vez mais poluídas.
1) Objeto Direto
É o termo que completa o sentido do verbo transitivo direto, ligando-se a ele sem o auxílio necessário da preposição:
Abri os braços ao vê-lo.
O objeto direto pode ser constituído:
a) Por um substantivo ou expressão substantivada:
O agricultor cultiva a terra.
Unimos o útil ao agradável.
b) Pelos pronomes oblíquos o, a, os, as, me, te, se, nos, vos:
Espero-o na minha festa.
Ela me ama.
2) Objeto Indireto
É o termo que completa o sentido de um verbo transitivo indireto. Vem sempre regido de preposição. Atuam
como objeto indireto os pronomes: lhe, lhes, me te, se, nos, vos:
Não desobedeço a meus pais.
Preciso de ajuda. Objeto Indireto
Enviei-lhe um recado.
Obs.: muitas vezes o objeto indireto inicia-se com crase (à, àquele, àquela, àquilo). Isso ocorre quando o verbo
exige a preposição "a", que acaba se contraindo com a palavra seguinte:
Entregaram à mãe o presente. (à = "a" preposição + "a" artigo definido)
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
Observações Gerais:
a) Pode ocorrer ainda o (objeto direto ou indireto) pleonástico, que consiste na retomada do objeto por um pronome
pessoal, geralmente com a intenção de colocá-lo em destaque.
As mulheres, eu as vi na cozinha. (Objeto Direto)
A todas vocês, eu já lhes forneci o pagamento mensal. (Objeto Indireto)
b) Os pronomes oblíquos o, a, os, as (e as variantes lo, la, los, las, no, na, nos, nas) são sempre objeto direto. Os
pronomes lhe, lhes são sempre objeto indireto:
Eu a encontrei no quarto. (OD)
Vou avisá-lo.(OD)
Eu lhe pagarei um sorvete.(OI)
c) Os pronomes oblíquos me, te, se, nos, vos podem ser objeto direto ou indireto. Para determinar sua função
sintática, podemos substituir esses pronomes por um substantivo: se o uso da preposição for obrigatório, então
se trata de um objeto indireto; caso contrário, de objeto direto:
Roberto me viu na escola.(OD)
Substituindo-se "me" por um substantivo qualquer (amigo, por exemplo), tem-se: "Roberto viu o amigo na escola."
Veja que a preposição não foi usada. Portanto, "me" é objeto direto.
Observe o próximo exemplo:
João me telefonou.(OI)
Substituindo-se "me" por um substantivo qualquer (amigo, por exemplo), tem-se: "João telefonou ao amigo". A
preposição foi usada. Portanto, "me" é objeto indireto.
3) Complemento Nominal
É o termo que completa o sentido de uma palavra que não seja verbo. Assim, pode referir-se a substantivos, adjetivos
ou advérbios, sempre por meio de preposição:
Cecília tem orgulho da filha.
substantivo complemento nominal
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
No exemplo acima, temos uma oração de predicado verbal formado por um verbo impessoal. Trata-se de uma oração
sem sujeito. O verbo anoiteceu é suficiente para transmitir a mensagem enunciada. Poderíamos, no entanto, ampliar a
gama de informações contidas nessa frase:
Por Exemplo:
Suavemente anoiteceu na cidade.
A ideia central continua contida no verbo da oração. Temos, agora, duas noções acessórias, circunstanciais, ligadas ao
processo verbal: o modo como anoiteceu (suavemente) e o lugar onde anoiteceu (na cidade). A esses termos
acessórios que indicam circunstâncias relativas ao processo verbal damos o nome de adjuntos adverbiais.
Agora, observe o que ocorre ao expandirmos um pouco mais a oração acima:
Por Exemplo:
Suavemente anoiteceu na deserta cidade do planalto.
Surgiram termos que ser referem ao substantivo cidade, caracterizando-o, delimitando-lhe o sentido. Trata-se de
termos acessórios que se ligam a um nome, determinando-lhe o sentido. São chamados adjuntos adnominais.
Adjunto Adverbial
É o termo da oração que indica uma circunstância (dando ideia de tempo, lugar, modo, causa, finalidade, etc.). O
adjunto adverbial é o termo que modifica o sentido de um verbo, de um adjetivo ou de um advérbio.
Observe as frases abaixo:
Eles se respeitam muito.
Seu projeto é muito interessante.
O time jogou muito mal.
Nessas três orações, muito é adjunto adverbial de intensidade. No primeiro caso, intensifica a forma verbal
respeitam, que é núcleo do predicado verbal. No segundo, intensifica o adjetivo interessante, que é o núcleo do
predicativo do sujeito. Na terceira oração, muito intensifica o advérbio mal, que é o núcleo do adjunto adverbial de
modo.
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
O adjunto adverbial pode ser expresso por:
1) Advérbio: O balão caiu longe.
2) Locução Adverbial: O balão caiu no mar.
3) Oração: Se o balão pegar fogo, avisem-me.
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
O remédio é muito caro.
Limite
A menina andava correndo do quarto à sala.
Lugar
Nasci em Porto Alegre.
Estou em casa.
Vive nas montanhas.
Viajou para o litoral.
Matéria
Compunha-se de substâncias estranhas.
Era feito de aço.
Meio
Fui de avião.
Viajei de trem.
Enriqueceram mediante fraude.
Modo
Foram recrutados a dedo.
Fiquem à vontade.
Esperava tranquilamente o momento decisivo.
Negação
Não há erros em seu trabalho.
Não aceitarei a proposta em hipótese alguma.
Preço
As casas estão sendo vendidas a preços muito altos.
Substituição ou troca
Abandonou suas convicções por privilégios econômicos.
Tempo
O escritório permanece aberto das 8h às 18h.
Beto e Mara se casarão em junho.
Ontem à tarde encontrou um velho amigo.
Adjunto Adnominal
É o termo que determina, especifica ou explica um substantivo. O adjunto adnominal possui função adjetiva na
oração, a qual pode ser desempenhada por adjetivos, locuções adjetivas, artigos, pronomes adjetivos e numerais
adjetivos. Veja o exemplo a seguir:
O poeta inovador enviou dois longos trabalhos ao seu amigo de infância.
Sujeito Núcleo do Predicado Verbal Objeto Direto Objeto Indireto
Na oração acima, os substantivos poeta, trabalhos e amigo são núcleos, respectivamente, do sujeito determinado
simples, do objeto direto e do objeto indireto. Ao redor de cada um desses substantivos agrupam-se os adjuntos
adnominais:
o artigo" o" e o adjetivo inovador referem-se a poeta;
o numeral dois e o adjetivo longos referem-se ao substantivo trabalhos;
o artigo" o" (em ao), o pronome adjetivo seu e a locução adjetiva de infância são adjuntos adnominais de amigo.
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
Observe como os adjuntos adnominais se prendem diretamente ao substantivo a que se referem, sem qualquer
participação do verbo. Isso é facilmente notável quando substituímos um substantivo por um pronome: todos
os adjuntos adnominais que estão ao redor do substantivo têm de acompanhá-lo nessa substituição.
Por Exemplo:
O notável poeta português deixou uma obra originalíssima.
Ao substituirmos poeta pelo pronome ele, obteremos:
Ele deixou uma obra originalíssima.
As palavras "o", notável e português tiveram de acompanhar o substantivo poeta, por se tratar de adjuntos adnominais.
O mesmo aconteceria se substituíssemos o substantivo obra pelo pronome a. Veja:
O notável poeta português deixou-a.
Saiba que:
A percepção de que o adjunto adnominal é sempre parte de um outro termo sintático que tem como núcleo um
substantivo é importante para diferenciá-lo do predicativo do objeto. O predicativo do objeto é um termo que se liga
ao objeto por intermédio de um verbo. Portanto, se substituirmos o núcleo do objeto por um pronome, o predicativo
permanecerá na oração, pois é um termo que se refere ao objeto, mas não faz parte dele. Observe:
Aposto
Aposto é um termo que se junta a outro de valor substantivo ou pronominal para explicá-lo ou especificá-lo melhor.
Vem separado dos demais termos da oração por vírgula, dois-pontos ou travessão.
Por Exemplo:
Ontem, segunda-feira, passei o dia com dor de cabeça.
Segunda-feira é aposto de ontem. Dizemos que o aposto é sintaticamente equivalente ao termo a que se relaciona
porque poderia substituí-lo. Veja:
Veja outro exemplo:
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
Aprecio todos os tipos de música: MPB, rock, blues, chorinho, samba, etc.
Dona Aida servia o patrão, pai de Marina, menina levada.
Classificação do Aposto
De acordo com a relação que estabelece com o termo a que se refere, o aposto pode ser classificado em:
a) Explicativo:
A Ecologia, ciência que investiga as relações dos seres vivos entre si e com o meio em que vivem, adquiriu grande
destaque no mundo atual.
b) Enumerativo:
A vida humana se compõe de muitas coisas: amor, trabalho, ação.
c) Resumidor ou Recapitulativo:
Vida digna, cidadania plena, igualdade de oportunidades, tudo isso está na base de um país melhor.
d) Comparativo:
Seus olhos, indagadores holofotes, fixaram-se por muito tempo na baía anoitecida.
e) Distributivo:
Drummond e Guimarães Rosa são dois grandes escritores, aquele na poesia e este na prosa.
f) Aposto de Oração:
Ela correu durante uma hora, sinal de preparo físico.
Além desses, há o aposto especificativo, que difere dos demais por não ser marcado por sinais de pontuação (vírgula
ou dois-pontos). O aposto especificativo individualiza um substantivo de sentido genérico, prendendo-se a ele
diretamente ou por meio de uma preposição, sem que haja pausa na entonação da frase:
Por Exemplo:
O poeta Manuel Bandeira criou obra de expressão simples e temática profunda.
A rua Augusta está muito longe do rio São Francisco.
Atenção:
Para não confundir o aposto de especificação com adjunto adnominal, observe a seguinte frase:
A obra de Camões é símbolo da cultura portuguesa.
Nessa oração, o termo em destaque tem a função de adjetivo: a obra camoniana. É, portanto, um adjunto adnominal.
Observações:
1) Os apostos, em geral, detacam-se por pausas, indicadas na escrita, por vírgulas, dois pontos ou travessões.
Não havendo pausa, não haverá vírgulas:
Acabo de ler o romance A moreninha.
2) Às vezes, o aposto pode vir precedido de expressões explicativas do tipo: a saber, isto é, por exemplo, etc.:
Alguns alunos, a saber, Marcos, Rafael e Bianca não entraram na sala de aula após o recreio.
3) O aposto pode aparecer antes do termo a que se refere:
Código universal, a música não tem fronteiras.
4) O aposto que se refere ao objeto indireto, complemento nominal ou adjunto adverbial pode aparecer precedido de
preposição:
Estava deslumbrada com tudo: com a aprovação, com o ingresso na universidade, com as felicitações.
Vocativo
Vocativo é um termo que não possui relação sintática com outro termo da oração. Não pertence, portanto, nem ao
sujeito nem ao predicado. É o termo que serve para chamar, invocar ou interpelar um ouvinte real ou hipotético.
Por seu caráter, geralmente se relaciona à segunda pessoa do discurso. Veja os exemplos:
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
Não fale tão alto, Rita!
Senhor presidente, queremos nossos direitos!
A vida, minha amada, é feita de escolhas.
Nessas orações, os termos destacados são vocativos: indicam e nomeiam o interlocutor a que se está dirigindo a
palavra.
Obs.: o vocativo pode vir antecedido por interjeições de apelo, tais como ó, olá, eh!, etc.:
Ó Cristo, iluminai-me em minhas decisões.
Olá professora, a senhora está muito elegante hoje!
Eh! Gente, temos que estudar mais.
Período Composto
Quando um período é simples, a oração de que é constituído recebe o nome de oração absoluta.
Por Exemplo: A menina comprou chocolate.
Quando um período é composto, ele pode apresentar os seguintes esquemas de formação:
a) Composto por Coordenação: ocorre quando é constituído apenas de orações independentes, coordenadas entre
si, mas sem nenhuma dependência sintática: Saímos de manhã e voltamos à noite.
b) Composto por Subordinação: ocorre quando é constituído de um conjunto de pelo menos duas orações, em que
uma delas (Subordinada) depende sintaticamente da outra (Principal).
Não fui à aula porque estava doente.
Oração Principal Oração Subordinada
c) Misto: quando é constituído de orações coordenadas e subordinadas.
Por Exemplo:
Fui à escola e busquei minha irmã que estava esperando.
Oração Coordenada Oração Coordenada Oração Subordinada
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
As orações coordenadas que se ligam umas às outras apenas por uma pausa, sem conjunção, são chamadas
assindéticas. É o caso de "As luzes apagam-se" e "abrem-se as cortinas".
As orações coordenadas introduzidas por uma conjunção são chamadas sindéticas. No exemplo acima, a oração "e
começa o espetáculo" é coordenada sindética, pois é introduzida pela conjunção coordenativa "e".
Saiba que:
- Algumas vezes, a adversidade pode ser introduzida pela conjunção "e". Isso ocorre normalmente em orações
coordenadas que possuem sujeitos diferentes.
Deus cura, e o médico manda a conta.
Nesse ditado popular, é clara a intenção de se criar um contraste. Observe que equivale a uma frase do tipo: "Quem
cura é Deus, mas é o médico quem cobra a conta!"
- A conjunção "mas"pode aparecer com valor aditivo:
Camila era uma menina estudiosa, mas principalmente esperta.
c) Alternativas
Expressam ideia de alternância de fatos ou escolha. Normalmente é usada a conjunção "ou". Além dela, empregam-
se também os pares: ora... ora, já... já, quer... quer..., seja... seja, etc. Introduzem as orações coordenadas
sindéticas alternativas:
Diga agora ou cale-se para sempre.
Ora age com calma, ora trata a todos com muita aspereza.
Estarei lá, quer você permita, quer você não permita.
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
Obs.: nesse último caso, o par "quer...quer" está coordenando entre si duas orações que, na verdade, expressam
concessão em relação a "Estarei lá". É como disséssemos: "Embora você não permita, estarei lá".
d) Conclusivas
Exprimem conclusão ou consequência referentes à oração anterior. As conjunções típicas são: logo, portanto e pois
(posposto ao verbo). Usa-se ainda: então, assim, por isso, por conseguinte, de modo que, em vista disso, etc.
Introduzem as orações coordenadas sindéticas conclusivas:
Não tenho dinheiro, portanto não posso pagar.
A situação econômica é delicada; devemos, pois, agir cuidadosamente.
O time venceu, por isso está classificado.
Aquela substância é toxica, logo deve ser manuseada cautelosamente.
e) Explicativas
Indicam uma justificativa ou uma explicação referente ao fato expresso na declaração anterior. As conjunções que
merecem destaque são: que,porque e pois (obrigatoriamente anteposto ao verbo). Introduzem as orações
coordenadas sindéticas explicativas:
Vou embora, que cansei de esperá-lo.
Vinícius devia estar cansado, porque estudou o dia inteiro.
Cumprimente-o, pois hoje é o seu aniversário.
Atenção:
Cuidado para não confundir as orações coordenadas explicativas com as subordinadas adverbiais causais.
Observe a diferença entre elas:
- Orações Coordenadas Explicativas: caracterizam-se por fornecer um motivo, explicando a oração anterior:
A criança devia estar doente, porque chorava muito. (O choro da criança não poderia ser a causa de sua doença.)
- Orações Subordinadas Adverbiais Causais: exprimem a causa do fato:
Henrique está triste porque perdeu seu emprego. (A perda do emprego é a causa da tristeza de Henrique.)
Note-se também que há pausa (vírgula, na escrita) entre a oração explicativa e a precedente e que esta é,
muitas vezes, imperativa, o que não acontece com a oração adverbial causal.
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
As orações subordinadas cujo verbo surge numa das formas nominais (infinitivo - flexionado ou não - , gerúndio ou
particípio) chamamos orações reduzidas.
Obs.: as orações reduzidas não são introduzidas por conjunções nem pronomes relativos. Podem ser, eventualmente,
introduzidas por preposição.
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
Obs.: quando a oração subordinada substantiva é subjetiva, o verbo da oração principal está sempre na 3ª.
pessoa do singular.
b) Objetiva Direta
A oração subordinada substantiva objetiva direta exerce função de objeto direto do verbo da oração principal.
Por Exemplo:
Todos querem sua aprovação no vestibular.
Objeto Direto
Todos querem que você seja aprovado. (Todos querem isso)
Oração Principal Oração Subordinada Substantiva Objetiva Direta
As orações subordinadas substantivas objetivas diretas desenvolvidas são iniciadas por:
1- Conjunções integrantes "que" (às vezes elíptica) e "se":
Por Exemplo:
A professora verificou se todos alunos estavam presentes.
2- Pronomes indefinidos que, quem, qual, quanto (às vezes regidos de preposição), nas interrogações indiretas:
Por Exemplo:
O pessoal queria saber quem era o dono do carro importado.
3- Advérbios como, quando, onde, por que, quão (às vezes regidos de preposição), nas interrogações indiretas:
Por Exemplo:
Eu não sei por que ela fez isso.
Orações Especiais
Com os verbos deixar, mandar, fazer (chamados auxiliares causativos) e ver, sentir, ouvir, perceber (chamados
auxiliares sensitivos) ocorre um tipo interessante de oração subordinada substantiva objetiva direta reduzida de
infinitivo. Observe:
Deixe-me repousar.
Mandei-os sair.
Ouvi-o gritar.
Nesses casos, as orações destacadas são todas objetivas diretas reduzidas de infinitivo. E, o que é mais
interessante, os pronomes oblíquos atuam todos como sujeitos dos infinitivos verbais.Essa é a única situação da
língua portuguesa em que um pronome oblíquo pode atuar como sujeito. Para perceber melhor o que ocorre,
convém transformar as orações reduzidas em orações desenvolvidas:
Deixe que eu repouse.
Mandei que eles saíssem.
Ouvi que ele gritava.
Nas orações desenvolvidas, os pronomes oblíquos foram substituídos pelas formas retas correspondentes. É fácil
compreender agora que se trata, efetivamente, dos sujeitos das formas verbais das orações subordinadas.
c) Objetiva Indireta
A oração subordinada substantiva objetiva indireta atua como objeto indireto do verbo da oração principal.
Vem precedida de preposição.
Por Exemplo:
Meu pai insiste em meu estudo.
Objeto Indireto
Meu pai insiste em que eu estude. (Meu pai insiste nisso)
Oração Subordinada Substantiva Objetiva Indireta
Obs.: em alguns casos, a preposição pode estar elíptica na oração.
Por Exemplo:
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
Marta não gosta (de) que a chamem de senhora.
Oração Subordinada Substantiva Objetiva Indireta
d) Completiva Nominal
A oração subordinada substantiva completiva nominalcompleta um nome que pertence à oração principal e
também vem marcada por preposição.
Por Exemplo:
Sentimos orgulho de seu comportamento.
Complemento Nominal
Sentimos orgulho de que você se comportou. (Sentimos orgulho disso.)
Oração Subordinada Substantiva Completiva Nominal
Lembre-se:
Observe que as orações subordinadas substantivas objetivas indiretas integram o sentido de um verbo,
enquanto que orações subordinadas substantivas completivas nominais integram o sentido de um nome. Para
distinguir uma da outra, é necessário levar em conta o termo complementado. Essa é, aliás, a diferença entre o objeto
indireto e o complemento nominal: o primeiro complementa um verbo, o segundo, um nome.
e) Predicativa
A oração subordinada substantiva predicativa exerce papel de predicativo do sujeito do verbo da oração principal e
vem sempre depois do verbo ser.
Por Exemplo:
Nosso desejo era sua desistência.
Predicativo do Sujeito
Nosso desejo era que ele desistisse. (Nosso desejo era isso.)
Oração Subordinada Substantiva Predicativa
f) Apositiva
A oração subordinada substantiva apositiva exerce função de aposto de algum termo da oração principal.
Por Exemplo:
Fernanda tinha um grande sonho: a chegada do dia de seu casamento.
Aposto
(Fernanda tinha um grande sonho: isso.)
Fernanda tinha um grande sonho: que o dia do seu casamento chegasse.
Oração Subordinada Substantiva Apositiva
Perceba que a conexão entre a oração subordinada adjetiva e o termo da oração principal que ela modifica é feita pelo
pronome relativo que. Além de conectar (ou relacionar) duas orações, o pronome relativo desempenha uma função
sintática na oração subordinada: ocupa o papel que seria exercido pelo termo que o antecede.
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
Refiro-me ao aluno que é estudioso.
Refiro-me ao aluno o qual estuda.
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
3. Orações Subordinadas Adverbiais
Uma oração subordinada adverbial é aquela que exerce a função de adjunto adverbial do verbo da oração
principal. Dessa forma, pode exprimir circunstância de tempo, modo, fim, causa, condição, hipótese, etc. Quando
desenvolvida, vem introduzida por uma das conjunções subordinativas (com exclusão das integrantes). Classifica-se
de acordo com a conjunção ou locução conjuntiva que a introduz.
Por Exemplo:
Naquele momento, senti uma das maiores emoções de minha vida.
Quando vi a estátua, senti uma das maiores emoções de minha vida.
No primeiro período, "naquele momento" é um adjunto adverbial de tempo, que modifica a forma verbal "senti". No
segundo período, esse papel é exercido pela oração "Quando vi a estátua", que é, portanto, uma oração
subordinada adverbial temporal.
Essa oração é desenvolvida, pois é introduzida por uma conjunção subordinativa (quando) e apresenta uma forma
verbal do modo indicativo ("vi", do pretérito perfeito do indicativo). Seria possível reduzi-la, obtendo-se:
Ao ver a estátua, senti uma das maiores emoções de minha vida.
A oração em destaque é reduzida, pois apresenta uma das formas nominais do verbo ("ver" no infinitivo) e não
é introduzida por conjunção subordinativa, mas sim por uma preposição ("a", combinada com o artigo "o").
Obs.: a classificação das orações subordinadas adverbiais é feita do mesmo modo que a classificação dos
adjuntos adverbiais. Baseia-se na circunstância expressa pela oração.
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
Outras conjunções condicionais: caso, contanto que, desde que, salvo se, exceto se, a não ser que, a menos que, sem
que, uma vez que (seguida de verbo no subjuntivo):
Se o regulamento do campeonato for bem elaborado, certamente o melhor time será campeão.
Uma vez que todos aceitem a proposta, assinaremos o contrato.
Caso você se case, convide-me para a festa.
Não saia sem que eu permita.
Conhecendo os alunos (= Se conhecesse os alunos), o professor não os teria punido. (Oração Reduzida de
Gerúndio)
d) Concessão
As orações subordinadas adverbiais concessivas indicam concessão às ações do verbo da oração principal, isto é,
admitem uma contradição ou um fato inesperado. A ideia de concessão está diretamente ligada ao contraste, à
quebra de expectativa.
Principal conjunção subordinativa concessiva: EMBORA
Utiliza-se também a conjunção: conquanto e as locuções ainda que, ainda quando, mesmo que, se bem que, posto
que, apesar de que:
Só irei se ele for.
A oração acima expressa uma condição: o fato de "eu" ir só se realizará caso essa condição for satisfeita.
Compare agora com:
Irei mesmo que ele não vá.
A distinção fica nítida; temos agora uma concessão: irei de qualquer maneira, independentemente de sua ida. A
oração destacada é, portanto, subordinada adverbial concessiva.
Observe outros exemplos:
Embora fizesse calor, levei agasalho.
Conquanto a economia tenha crescido, pelo menos metade da população continua à margem do mercado de
consumo.
Foi aprovado sem estudar (= sem que estudasse / embora não estudasse). (reduzida de infinitivo)
e) Comparação
As orações subordinadas adverbiais comparativas estabelecem uma comparação com a ação indicada pelo verbo
da oração principal.
Principal conjunção subordinativa comparativa: COMO
Por Exemplo:
Ele dorme como um urso.
Utilizam-se com muita frequência as seguintes estruturas que formam o grau comparativo dos adjetivos e dos
advérbios: tão... como (quanto), mais (do) que, menos (do) que. Veja os exemplos:
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
As orações subordinadas adverbiais conformativas indicam ideia de conformidade, ou seja, exprimem uma regra,
um modelo adotado para a execução do que se declara na oração principal.
Principal conjunção subordinativa conformativa: CONFORME
Outras conjunções conformativas: como, consoante e segundo (todas com o mesmo valor de conforme):
Fiz o bolo conforme ensina a receita.
Consoante reza a Constituição, todos os cidadãos têm direitos iguais.
Segundo atesta recente relatório do Banco Mundial, o Brasil é o campeão mundial de má distribuição de renda.
g) Finalidade
As orações subordinadas adverbiais finais indicam a intenção, a finalidade daquilo que se declara na oração
principal.
Principal conjunção subordinativa final: A FIM DE QUE
Outras conjunções finais: que, porque (= para que) e a locução conjuntiva para que:
Aproximei-me dela a fim de que ficássemos amigos.
Felipe abriu a porta do carro para que sua namorada entrasse.
h) Proporção
As orações subordinadas adverbiais proporcionais exprimem ideia de proporção, ou seja, um fato simultâneo ao
expresso na oração principal.
Principal locução conjuntiva subordinativa proporcional: À PROPORÇÃO QUE
Outras locuções conjuntivas proporcionais: à medida que, ao passo que. Há ainda as estruturas: quanto maior...
(maior), quanto maior... (menor), quanto menor... (maior), quanto menor... (menor), quanto mais... (mais), quanto
mais... (menos), quanto menos... (mais), quanto menos... (menos):
À proporção que estudávamos, acertávamos mais questões.
Visito meus amigos à medida que eles me convidam.
Quanto maior for a altura, maior será o tombo.
Lembre-se:
À medida que é uma conjunção que expressa ideia de proporção; portanto, pode ser substituída por "à proporção
que".
Na medida em que exprime uma ideia de causa e equivale a "tendo em vista que" e só nesse sentido deve ser usada.
Por Exemplo:
Na medida em que não há provas contra esse homem, ele deve ser solto.
Atenção: não use as formas “à medida em que” ou “na medida que”.
i) Tempo
As orações subordinadas adverbiais temporais acrescentam uma ideia de tempo ao fato expresso na oração
principal, podendo exprimir noções de simultaneidade, anterioridade ou posterioridade.
Principal conjunção subordinativa temporal: QUANDO
Outras conjunções subordinativas temporais: enquanto, mal e locuções conjuntivas: assim que, logo que, todas as
vezes que, antes que, depois que, sempre que, desde que, etc.:
Quando você foi embora, chegaram outros convidados.
Sempre que ele vem, ocorrem problemas.
Mal você saiu, ela chegou.
Terminada a festa, todos se retiraram. (= Quando terminou a festa) (Oração Reduzida de Particípio)
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
1ª Oração 2ª Oração 3ª Oração
1ª Oração: Oração Coordenada Assindética
2ª Oração: Oração Coordenada Sindética Aditiva (em relação à 1ª oração) e Oração Principal (em relação à 3ª oração).
3ª Oração: Oração Subordinada Substantiva Objetiva Direta (em relação à 2ª Oração).
Observe outro exemplo:
Eram alunas que tiravam boas notas, mas não estudavam.
1ª Oração 2ª Oração 3ª Oração
1ª Oração: Oração Principal
2ª Oração: Oração Subordinada Adjetiva Restritiva
3ª Oração: Oração Coordenada Sindética Adversativa (em relação à 2ª oração) e Oração Subordinada Adjetiva
Restritiva (em relação à 1ª oração).
ORAÇÕES REDUZIDAS
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
2 -Subordinadas Adjetivas
Quando saí de casa, encontrei o vizinho a tropeçar no meio da rua.
3 -Subordinadas Adverbiais
a) Causais: Não te procurei novamente por encontrar-me doente.
b) Concessivas:Apesar de ter chorado, sorriu a todos os convidados.
c) Consecutivas: O professor se atrasou tanto a ponto de não termos aula naquele período.
d) Condicionais: Meus filhos não ganham sobremesa sem almoçar direito.
e) Finais: Estamos aqui para convidá-la para nossa festa.
f) Temporais: Ao rever o amigo, deu-lhe um longo abraço.
Orações Reduzidas de Gerúndio
1- Subordinadas Adjetivas
Encontramos alguns turistas andando perdidos pelo centro da cidade.
2 -Subordinadas Adverbiais
a) Temporais:Retornando ao museu, avise-me.
b) Causais:Notando seu desânimo, pensei em outra hipótese.
c) Concessivas:Mesmo cozinhando diariamente, o almoço não ficou bom.
d) Condicionais:Querendo uma amiga para conversar, conte comigo.
2 -Subordinadas Adverbiais
a) Causais:Assustado com a situação, liguei para a polícia.
b) Concessivas:Mesmo cansado, tentou cumprir os compromissos.
c) Condicionais:Desvendado este mistério, o problema será resolvido.
d)Temporais:Terminada a palestra, alunos e professores aplaudiram.
Observação: o infinitivo, o gerúndio e o particípio não constituem orações reduzidas quando fazem parte de
uma locução verbal:
Preciso estudar mais este semestre.
Os palhaços estão divertindo as crianças.
A viagem foi cancelada pela agência.
Observe:
As crianças estão animadas.
Crianças animadas.
No primeiro exemplo, o verbo estar se encontra na terceira pessoa do plural, concordando com o seu sujeito, as
crianças. No segundo exemplo, o adjetivo animadas está concordando em gênero (feminino) e número (plural) com o
substantivo a que se refere: crianças. Nesses dois exemplos, as flexões de pessoa, número e gênero se correspondem.
Concordância é a correspondência de flexão entre dois termos, podendo ser verbal ou nominal.
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
CONCORDÂNCIA VERBAL
Ocorre quando o verbo se flexiona para concordar com seu sujeito.
a) Sujeito Simples
Regra Geral:
O sujeito sendo simples, com ele concordará o verbo em número e pessoa. Veja os exemplos:
A orquestra tocou uma valsa longa.
3ª p. Singular 3ª p. Singular
Os pares que rodeavam a nós dançavam bem.
3ª p. Plural 3ª p. Plural
Casos Particulares
Há muitos casos em que o sujeito simples é constituído de formas que fazem o falante hesitar no momento de
estabelecer a concordância com o verbo. Às vezes, a concordância puramente gramatical é contaminada pelo
significado de expressões que nos transmitem noção de plural, apesar de terem forma de singular ou vice-versa. Por
isso, convém analisar com cuidado os casos a seguir.
1) Quando o sujeito é formado por uma expressão partitiva (parte de, uma porção de, o grosso de, metade de, a
maioria de, a maior parte de, grande parte de...) seguida de um substantivo ou pronome no plural, o verbo pode ficar
no singular ou no plural.
Por Exemplo:
A maioria dos jornalistas aprovou / aprovaram a ideia.
Metade dos candidatos não apresentou / apresentaram nenhuma proposta interessante.
Esse mesmo procedimento pode se aplicar aos casos dos coletivos, quando especificados:
Um bando de vândalos destruiu / destruíram o monumento.
Obs.: nesses casos, o uso do verbo no singular enfatiza a unidade do conjunto; já a forma plural confere
destaque aos elementos que formam esse conjunto.
2) Quando o sujeito é formado por expressão que indica quantidade aproximada (cerca de, mais de, menos de, perto
de...) seguida de numeral e substantivo, o verbo concorda com o substantivo. Observe:
Cerca de mil pessoas participaram da manifestação.
Perto de quinhentos alunos compareceram à solenidade.
Mais de um atleta estabeleceu novo recorde nas últimas Olimpíadas.
Obs.: quando a expressão "mais de um" se associar a verbos que exprimem reciprocidade, o plural é
obrigatório:
Mais de um colega se ofenderam na tumultuada discussão de ontem. (ofenderam um ao outro)
3) Quando se trata de nomes que só existem no plural, a concordância deve ser feita levando-se em conta a ausência
ou presença de artigo. Sem artigo, o verbo deve ficar no singular. Quando há artigo no plural, o verbo deve ficar o
plural:
Os Estados Unidos possuem grandes universidades.
Alagoas impressiona pela beleza das praias.
As Minas Gerais são inesquecíveis.
Minas Gerais produz queijo e poesia de primeira.
Os Sertões imortalizaram Euclides da Cunha.
4) Quando o sujeito é um pronome interrogativo ou indefinido plural (quais, quantos, alguns, poucos, muitos,
quaisquer, vários) seguido por "de nós" ou "de vós", o verbo pode concordar com o primeiro pronome (na terceira
pessoa do plural) ou com o pronome pessoal. Veja:
Quais de nós são / somos capazes?
Alguns de vós sabiam / sabíeis do caso?
Vários de nós propuseram / propusemos sugestões inovadoras.
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
Obs.: veja que a opção por uma ou outra forma indica a inclusão ou a exclusão do emissor. Quando alguém diz ou
escreve "Alguns de nós sabíamos de tudo e nada fizemos", esta pessoa está se incluindo no grupo dos omissos. Isso
não ocorre quando alguém diz ou escreve "Alguns de nós sabiam de tudo e nada fizeram.", frase que soa como
uma denúncia.
Nos casos em que o interrogativo ou indefinido estiver no singular, o verbo ficará no singular:
Qual de nós é capaz?
Algum de vós fez isso.
5) Quando o sujeito é formado por uma expressão que indica porcentagem seguida de substantivo, o verbo deve
concordar com o substantivo:
25% do orçamento do país deve destinar-se à Educação.
85% dos entrevistados não aprovam a administração do prefeito.
1% do eleitorado aceita a mudança.
1% dos alunos faltaram à prova.
Quando a expressão que indica porcentagem não é seguida de substantivo, o verbo deve concordar com o número.
Veja:
25% querem a mudança.
1% conhece o assunto.
6) Quando o sujeito é o pronome relativo "que", a concordância em número e pessoa é feita com o antecedente do
pronome:
Fui eu que paguei a conta.
Fomos nós que pintamos o muro.
És tu que me fazes ver o sentido da vida.
Ainda existem mulheres que ficam vermelhas na presença de um homem.
7) Com a expressão "um dos que", o verbo deve assumir a forma plural:
Ademir da Guia foi um dos jogadores que mais encantaram os poetas.
Se você é um dos que admiram o escritor, certamente lerá seu novo romance.
Atenção:
A tendência, na linguagem corrente, é a concordância no singular. O que se ouve efetivamente, são construções como:
Ele foi um dos deputados que mais lutou para a aprovação da emenda.
Ao compararmos com um caso em que se use um adjetivo, temos:
Ela é uma das alunas mais brilhante da sala.
A análise da construção acima torna evidente que a forma no singular é inadequada. Assim, as formas
aceitáveis são:
73
LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
Obs.: caso o sujeito da oração seja a palavra relógio, sino, torre, etc., o verbo concordará com esse sujeito:
O tradicional relógio da praça matriz dá nove horas.
11) Verbos Impessoais: por não se referirem a nenhum sujeito, são usados sempre na 3ª pessoa do singular. São verbos
impessoais:
Haver no sentido de existir;
Fazer indicando tempo;
Aqueles que indicam fenômenos da natureza.
Exemplos:
Havia muitas garotas na festa.
Faz dois meses que não vejo meu pai.
Chovia ontem à tarde.
b) Sujeito Composto
1) Quando o sujeito é composto e anteposto ao verbo, a concordância se faz no plural:
Pai e filho conversavam longamente.
Sujeito
Pais e filhos devem conversar com frequência.
Sujeito
2) Nos sujeitos compostos formados por pessoas gramaticais diferentes, a concordância ocorre da seguinte maneira: a
primeira pessoa do plural prevalece sobre a segunda pessoa, que por sua vez, prevalece sobre a terceira. Veja:
Teus irmãos, tu e eu tomaremos a decisão.
Primeira Pessoa do Plural (Nós)
Tu e teus irmãos tomareis a decisão.
Segunda Pessoa do Plural (Vós)
Pais e filhos precisam respeitar-se.
Terceira Pessoa do Plural (Eles)
Obs.: quando o sujeito é composto, formado por um elemento da segunda pessoa e um da terceira, é possível
empregar o verbo na terceira pessoa do plural. Aceita-se, pois, a frase: "Tu e teus irmãos tomarão a decisão."
3) No caso do sujeito composto posposto ao verbo, passa a existir uma nova possibilidade de concordância: em vez de
concordar no plural com a totalidade do sujeito, o verbo pode estabelecer concordância com o núcleo do sujeito mais
próximo. Convém insistir que isso é uma opção, e não uma obrigação.
Por Exemplo:
Faltaram coragem e competência.
Faltou coragem e competência.
4) Quando ocorre ideia de reciprocidade, no entanto, a concordância é feita obrigatoriamente no plural. Observe:
Abraçaram-se vencedor e vencido.
Ofenderam-se o jogador e o árbitro.
Casos Particulares
1) Quando o sujeito composto é formado por núcleos sinônimos ou quase sinônimos, o verbo pode ficar no plural ou
no singular.
Por Exemplo:
Descaso e desprezo marcam / marca seu comportamento.
2) Quando o sujeito composto é formado por núcleos dispostos em gradação, o verbo pode ficar no plural ou
concordar com o último núcleo do sujeito:
Com você, meu amor, uma hora, um minuto, um segundo me satisfazem / satisfaz.
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
No primeiro caso, o verbo no plural enfatiza a unidade de sentido que há na combinação. No segundo caso, o
verbo no singular enfatiza o último elemento da série gradativa.
3) Quando os núcleos do sujeito composto são unidos por "ou" ou "nem", o verbo deverá ficar no plural se a
declaração contida no predicado puder ser atribuída a todos os núcleos:
Drummond ou Bandeira representam a essência da poesia brasileira.
Nem o professor nem o aluno acertaram a resposta.
Quando a declaração contida no predicado só puder ser atribuída a um dos núcleos do sujeito, ou seja, se os
núcleos forem excludentes, o verbo deverá ficar no singular:
Roma ou Buenos Aires será a sede da próxima Olimpíada.
Você ou ele será escolhido. (Só será escolhido um)
4) Com as expressões "um ou outro" e "nem um nem outro", a concordância costuma ser feita no singular, embora o
plural também seja praticado:
Um e outro compareceu / compareceram à festa.
Nem um nem outro saiu / saíram do colégio.
5) Quando os núcleos do sujeito são unidos por "com", o verbo pode ficar no plural. Nesse caso, os núcleos recebem
um mesmo grau de importância e a palavra "com" tem sentido muito próximo ao de "e". Veja:
O pai com o filho montaram o brinquedo.
O governador com o secretariado traçaram os planos para o próximo semestre.
Nesse mesmo caso, o verbo pode ficar no singular, se a ideia é enfatizar o primeiro elemento:
O pai com o filho montou o brinquedo.
O governador com o secretariado traçou os planos para o próximo semestre.
Obs.: com o verbo no singular, não se pode falar em sujeito composto. O sujeito é simples, uma vez que as
expressões "com o filho" e "com o secretariado" são adjuntos adverbiais de companhia. Na verdade, é como se
houvesse uma inversão da ordem. Veja:
O pai montou o brinquedo com o filho.
O governador traçou os planos para o próximo semestre com o secretariado.6) Quando os núcleos do sujeito são
unidos por expressões correlativas como: "não só...mas ainda", "não somente"..., "não apenas...mas também",
"tanto...quanto", o verbo concorda de preferência no plural:
Não só a seca, mas também o pouco caso castigam o Nordeste.
Tanto a mãe quanto o filho ficaram surpresos com a notícia.
7) Quando os elementos de um sujeito composto são resumidos por um aposto recapitulativo, a concordância é feita
com esse termo resumidor:
Filmes, novelas, boas conversas, nada o tirava da apatia.
Trabalho, diversão, descanso, tudo é muito importante na vida das pessoas.
Outros Casos
1) O Verbo e a Palavra "SE"
Dentre as diversas funções exercidas pelo "se", há duas de particular interesse para a concordância verbal:
a) quando é índice de indeterminação do sujeito;
b) quando é partícula apassivadora.
Quando índice de indeterminação do sujeito, o "se" acompanha os verbos intransitivos, transitivos indiretos e
de ligação, que obrigatoriamente são conjugados na terceira pessoa do singular:
Precisa-se de governantes interessados em civilizar o país.
Confia-se em teses absurdas.
Era-se mais feliz no passado.
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
Quando pronome apassivador, o "se" acompanha verbos transitivos diretos (VTD) e transitivos diretos e
indiretos (VTDI) na formação da voz passiva sintética. Nesse caso, o verbo deve concordar com o sujeito da
oração:
Construiu-se um posto de saúde.
Construíram-se novos postos de saúde.
Não se pouparam esforços para despoluir o rio.
Não se devem poupar esforços para despoluir o rio.
2) O Verbo "Ser"
A concordância verbal se dá sempre entre o verbo e o sujeito da oração.
No caso do verbo ser, essa concordância pode ocorrer também entre o verbo e o predicativo do sujeito.
O verbo ser concordará com o predicativo do sujeito:
a) Quando o sujeito for representado pelos pronomes - isto, isso, aquilo, tudo, o - e o predicativo estiver no
plural:
Isso são lembranças inesquecíveis.
Aquilo eram problemas gravíssimos.
O que eu admiro em você são os seus cabelos compridos.
b) Quando o sujeito estiver no singular e se referir a coisas, e o predicativo for um substantivo no plural:
Nosso piquenique foram só guloseimas.
Sujeito Predicativo do Sujeito
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
Três metros de tecido é pouco para fazer seu vestido.
Duas semanas de férias é muito para mim.
f) Quando um dos elementos (sujeito ou predicativo) for pronome pessoal do caso reto, com este concordará o
verbo:
No meu setor, eu sou a única mulher.
Aqui os adultos somos nós.
Obs.: sendo ambos os termos (sujeito e predicativo) representados por pronomes pessoais, o verbo concorda
com o pronome sujeito:
Eu não sou ela.
Ela não é eu.
g) Quando o sujeito for uma expressão de sentido partitivo ou coletivo e o predicativo estiver no plural, o verbo
ser concordará com o predicativo:
A grande maioria no protesto eram jovens.
O resto foram atitudes imaturas.
3) O Verbo "Parecer"
O verbo parecer, quando seguido de infinitivo, admite duas concordâncias:
a) Ocorre variação do verbo parecer e não se flexiona o infinitivo:
Alguns colegas pareciam chorar naquele momento.
b) A variação do verbo parecer não ocorre, o infinitivo sofre flexão:
Alguns colegas parecia chorarem naquele momento.
Obs.: a primeira construção é considerada corrente, enquanto a segunda, literária.
4) A Expressão "Haja Vista"
A expressão haja vista admite as seguintes construções:
a) A expressão fica invariável (seguida ou não de preposição):
Haja vista as lições dadas por ele. ( = por exemplo)
Haja vista aos fatos explicados por esta teoria. ( = atente-se)
b) O verbo haver pode variar (desde que não seguido de preposição), considerando-se o termo seguinte como
sujeito:
Hajam vista os exemplos de sua dedicação. ( = vejam-se)
CONCORDÂNCIA NOMINAL
A concordância nominal se baseia na relação entre um substantivo (ou pronome, ou numeral substantivo) e as
palavras que a ele se ligam para caracterizá-lo (artigos, adjetivos, pronomes adjetivos, numerais adjetivos e
particípios). Basicamente, ocupa-se da relação entre nomes.
A concordância do adjetivo ocorre de acordo com as seguintes regras gerais:
1) O adjetivo concorda em gênero e número quando se refere a um único substantivo:
As mãos trêmulas denunciavam o que sentia.
2) Quando o adjetivo se refere a vários substantivos, a concordância pode variar. Podemos sistematizar essa flexão nos
seguintes casos:
a) Adjetivo anteposto aos substantivos:
- O adjetivo concorda em gênero e número com o substantivo mais próximo:
Encontramos caídas as roupas e os prendedores.
Encontramos caída a roupa e os prendedores.
Encontramos caído o prendedor e a roupa.
- Caso os substantivos sejam nomes próprios ou de parentesco, o adjetivo deve sempre concordar no plural:
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
As adoráveis Fernanda e Cláudia vieram me visitar.
Encontrei os divertidos primos e primas na festa.
b) Adjetivo posposto aos substantivos:
- O adjetivo concorda com o substantivo mais próximo ou com todos eles (assumindo forma masculino plural se
houver substantivo feminino e masculino:
A indústria oferece localização e atendimento perfeito.
A indústria oferece atendimento e localização perfeita.
A indústria oferece localização e atendimento perfeitos.
A indústria oferece atendimento e localização perfeitos.
Obs.: os dois últimos exemplos apresentam maior clareza, pois indicam que o adjetivo efetivamente se refere
aos dois substantivos. Nesses casos, o adjetivo foi flexionado no plural masculino, que é o gênero predominante
quando há substantivos de gêneros diferentes.
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
É preciso cidadania.
Não é permitido saída pelas portas laterais.
b) Quando o sujeito dessas expressões estiver determinado por artigos, pronomes ou adjetivos, tanto o verbo como o
adjetivo concordam com ele:
É proibida a entrada de crianças.
Esta salada é ótima.
A educação é necessária.
São precisas várias medidas na educação.
Anexo - Obrigado - Mesmo - Próprio - Incluso - Quite
Essas palavras adjetivas concordam em gênero e número com o substantivo ou pronome a que se referem. Observe:
Seguem anexas as documentações requeridas.
A menina agradeceu: - Muito obrigada.
Muito obrigadas, disseram as senhoras, nós mesmas faremos isso.
Seguem inclusos os papéis solicitados.
Já lhe paguei o que estava devendo: estamos quites.
Bastante - Caro - Barato - Longe
Essas palavras são invariáveis quando funcionam como advérbios. Concordam com o nome a que se referem
quando funcionam como adjetivos, pronomes adjetivos, ou numerais:
As jogadoras estavam bastante cansadas. (advérbio)
Há bastantes pessoas insatisfeitas com o trabalho. (pronome adjetivo)
Nunca pensei que o estudo fosse tão caro. (advérbio)
As casas estão caras. (adjetivo)
Achei barato este casaco.(advérbio)
Hoje as frutas estão baratas. (adjetivo)
"Vais ficando longe de mim como o sono, nas alvoradas." (Cecília Meireles) (advérbio)
"Levai-me a esses longes verdes, cavalos de vento!" (Cecília Meireles). (adjetivo)
Meio - Meia
a) A palavra "meio", quando empregada como adjetivo, concorda normalmente com o nome a que se refere:
Pedi meia cerveja e meia porção de polentas.
b) Quando empregada como advérbio (modificando um adjetivo) permanece invariável:
A noiva está meio nervosa.
Alerta - Menos
Essas palavras são advérbios, portanto, permanecem sempre invariáveis:
Os escoteiros estão sempre alerta.
Carolina tem menos bonecas que sua amiga.
Regência Verbal e Nominal
Dá-se o nome de regência à relação de subordinaçãoque ocorre entre um verbo (ou um nome) e seus
complementos. Ocupa-se em estabelecer relações entre as palavras, criando frases não ambíguas, que expressem
efetivamente o sentido desejado, que sejam corretas e claras.
REGÊNCIA VERBAL
Termo Regente: VERBO
A regência verbal estuda a relação que se estabelece entre os verbos e os termos que os complementam (objetos
diretos e objetos indiretos) ou caracterizam (adjuntos adverbiais).
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
O estudo da regência verbal permite-nos ampliar nossa capacidade expressiva, pois oferece oportunidade de
conhecermos as diversas significações que um verbo pode assumir com a simples mudança ou retirada de uma
preposição. Observe:
A mãe agrada o filho. -> agradar significa acariciar.
A mãe agrada ao filho. -> agradar significa "causar agrado ou prazer", satisfazer.
Logo, conclui-se que "agradar alguém" é diferente de "agradar a alguém".
Saiba que:
O conhecimento do uso adequado das preposições é um dos aspectos fundamentais do estudo da regência
verbal (e também nominal). As preposições são capazes de modificar completamente o sentido do que se está
sendo dito. Veja os exemplos:
Cheguei ao metrô.
Cheguei no metrô.
No primeiro caso, o metrô é o lugar a que vou; no segundo caso, é o meio de transporte por mim utilizado. A oração
"Cheguei no metrô", popularmente usada a fim de indicar o lugar a que se vai, possui, no padrão culto da língua,
sentido diferente. Aliás, é muito comum existirem divergências entre a regência coloquial, cotidiana de alguns verbos,
e a regência culta. Para estudar a regência verbal, agruparemos os verbos de acordo com sua transitividade. A
transitividade, porém, não é um fato absoluto: um mesmo verbo pode atuar de diferentes formas em frases distintas.
Verbos Intransitivos
Os verbos intransitivos não possuem complemento. É importante, no entanto, destacar alguns detalhes relativos aos
adjuntos adverbiais que costumam acompanhá-los.
a) Chegar, Ir
Normalmente vêm acompanhados de adjuntos adverbiais de lugar. Na língua culta, as preposições usadas para indicar
destino ou direção são: a, para:
Fui ao teatro.
Adjunto Adverbial de Lugar
Ricardo foi para a Espanha.
Adjunto Adverbial de Lugar
Obs.: "Ir para algum lugar" enfatiza a direção, a partida." Ir a algum lugar" sugere também o retorno.
Importante: Reserva-se o uso de "em" para indicação de tempo ou meio. Veja:
Cheguei a Roma em outubro.
Adjunto Adverbial de Tempo
Chegamos no trem das dez.
Adjunto Adverbial de Meio
b) Comparecer
O adjunto adverbial de lugar pode ser introduzido por em ou a:
Comparecemos ao estádio (ou no estádio) para ver o último jogo.
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
abandonar, abençoar, aborrecer, abraçar, acompanhar, acusar, admirar, adorar, alegrar, ameaçar, amolar, amparar,
auxiliar, castigar, condenar, conhecer, conservar,convidar, defender, eleger, estimar, humilhar, namorar, ouvir,
prejudicar, prezar, proteger, respeitar, socorrer, suportar, ver, visitar.
Na língua culta, esses verbos funcionam exatamente como o verbo amar:
Amo aquele rapaz. / Amo-o.
Amo aquela moça. / Amo-a.
Amam aquele rapaz. / Amam-no.
Ele deve amar aquela mulher. / Ele deve amá-la.
Obs.: os pronomes lhe, lhes só acompanham esses verbos para indicar posse (caso em que atuam como adjuntos
adnominais):
Quero beijar-lhe o rosto. (= beijar seu rosto)
Prejudicaram-lhe a carreira. (= prejudicaram sua carreira)
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
Almejamos a paz entre as nações. / Almejamos pela paz entre as nações.
Ansiar
Anseia respostas objetivas. / Anseia por respostas objetivas.
Anteceder
Sua partida antecedeu uma série de fatos estranhos. / Sua partida antecedeu a uma série de fatos estranhos.
Atender
Atendeu os meus pedidos. / Atendeu aos meus pedidos.
Atentar
Atente esta forma de digitar. / Atente nesta forma de digitar. / Atente para esta forma de digitar.
Cogitar
Cogitávamos uma nova estratégia. / Cogitávamos de uma nova estratégia. / Cogitávamos em uma nova estratégia.
Consentir
Os deputados consentiram a adoção de novas medidas econômicas. / Osdeputados consentiram na adoção de novas
medidas econômicas.
Deparar
Deparamos uma bela paisagem em nossa trilha. / Deparamos com uma bela paisagem em nossa trilha.
Gozar
Gozava boa saúde. / Gozava de boa saúde.
Necessitar
Necessitamos algumas horas para preparar a apresentação. / Necessitamos de algumas horas para preparar a
apresentação.
Preceder
Intensas manifestações precederam a mudança de regime./ Intensas manifestações precederam à mudança de regime.
Presidir
Ninguém presidia o encontro. / Ninguém presidia ao encontro.
Renunciar
Não renuncie o motivo de sua luta. / Não renuncie ao motivo de sua luta.
Satisfazer
Era difícil conseguir satisfazê-la. / Era difícil conseguir satisfazer-lhe.
Versar
Sua palestra versou o estilo dos modernistas. / Sua palestra versou sobre o estilo dos modernistas.
Verbos Transitivos Diretos “E” Indiretos
Os verbos transitivos diretos e indiretos são acompanhados de um objeto direto e um indireto. Merecem
destaque, nesse grupo:
Agradecer, Perdoar e Pagar
São verbos que apresentam objeto direto relacionado a coisas e objeto indireto relacionado a pessoas. Veja os
exemplos:
Agradeço aos ouvintes a audiência.
Objeto Indireto Objeto Direto
Cristo ensina que é preciso perdoar o pecado ao pecador.
Objeto Direto Objeto Indireto
Paguei o débito ao cobrador.
Objeto Direto Objeto Indireto
O uso dos pronomes oblíquos átonos deve ser feito com particular cuidado. Observe:
Agradeci o presente. / Agradeci-o.
Agradeço a você. / Agradeço-lhe.
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
Perdoei a ofensa. / Perdoei-a.
Perdoei ao agressor. / Perdoei-lhe.
Paguei minhas contas. / Paguei-as.
Paguei aos meus credores. / Paguei-lhes.
Saiba que:
Com os verbos agradecer, perdoar e pagar a pessoa deve sempre aparecer como objeto indireto, mesmo que na frase
não haja objeto direto. Veja os exemplos:
A empresa não paga aos funcionários desde setembro.
Já perdoei aos que me acusaram.
Agradeço aos eleitores que confiaram em mim.
Informar
Apresenta objeto direto ao se referir a coisas e objeto indireto ao se referir a pessoas, ou vice-versa:
Informe os novos preços aos clientes.
Informe os clientes dos novos preços. (ou sobre os novos preços)
Na utilização de pronomes como complementos, veja as construções:
Informei-os aos clientes. / Informei-lhes os novos preços.
Informe-os dos novos preços. / Informe-os deles. (ou sobre eles)
Obs.: a mesma regência do verbo informar é usada para os seguintes: avisar, certificar, notificar, cientificar,
prevenir.
Comparar
Quando seguido de dois objetos, esse verbo admite as preposições "a" ou "com" para introduzir o complemento
indireto:
Comparei seu comportamento ao (ou com o) de uma criança.
Pedir
Esse verbo pede objeto direto de coisa (geralmente na forma de oração subordinada substantiva) e indireto de pessoa:
Pedi-lhe favores.
Objeto Indireto Objeto Direto
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
permitir a correta interpretação de passagens escritas, oferece possibilidades expressivas a quem fala ou
escreve. Dentre os principais, estão:
AGRADAR
1) Agradar é transitivo direto no sentido de fazer carinhos, acariciar:
Sempre agrada o filho quando o revê. / Sempre o agrada quando o revê.
Cláudia não perde oportunidade de agradar o gato. / Cláudia não perde oportunidade de agradá-lo.
2) Agradar é transitivo indireto no sentido de causar agrado a, satisfazer, ser agradável a. Rege complemento
introduzido pela preposição "a":
O cantor não agradou aos presentes.
O cantor não lhes agradou.
ASPIRAR
ASSISTIR
CHAMAR
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
CUSTAR
1) Custar é intransitivo no sentido de ter determinado valor ou preço, sendo acompanhado de adjunto adverbial:
Frutas e verduras não deveriam custar muito.
2) No sentido de ser difícil, penoso pode ser intransitivo ou transitivo indireto:
Muito custa viver tão longe da família.
Verbo Oração Subordinada Substantiva Subjetiva
Intransitivo Reduzida de Infinitivo
IMPLICAR
PROCEDER
1) Proceder é intransitivo no sentido de ter fundamento ou agir. Nessa segunda acepção, vem sempre acompanhado de
adjunto adverbial de modo:
As afirmações da testemunha procediam, não havia como refutá-las.
Você procede muito mal.
QUERER
1) Querer é transitivo direto no sentido de desejar, ter vontade de, cobiçar:
Querem melhor atendimento.
Queremos um país melhor.
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
2) Querer é transitivo indireto no sentido de ter afeição, estimar, amar:
Quero muito aos meus amigos.
Ele quer bem à linda menina.
Despede-se o filho que muito lhe quer.
VISAR
1) Como transititvo direto, apresenta os sentidos de mirar, fazer pontaria e de pôr visto, rubricar:
REGÊNCIA NOMINAL
Regência Nominal é o nome da relação existente entre um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) e os termos
regidos por esse nome. Essa relação é sempre intermediada por uma preposição. No estudo da regência nominal, é
preciso levar em conta que vários nomes apresentam exatamente o mesmo regime dos verbos de que derivam.
Conhecer o regime de um verbo significa, nesses casos, conhecer o regime dos nomes cognatos. Observe o exemplo:
Verbo obedecer e os nomes correspondentes: todos regem complementos introduzidos pela preposição "a".
Veja:
Obedecer a algo/ a alguém.
Obediente a algo/ a alguém.
Apresentamos a seguir vários nomes acompanhados da preposição ou preposições que os regem. Observe-os
atentamente e procure, sempre que possível, associar esses nomes entre si ou a algum verbo cuja regência você
conhece.
Substantivos
Admiração a, por
Devoção a, para, com, por
Medo de
Aversão a, para, por
Doutor em
Obediência a
Atentado a, contra
Dúvida acerca de, em, sobre
Ojeriza a, por
Bacharel em
Horror a
Proeminência sobre
Capacidade de, para
Impaciência com
Respeito a, com, para com, por
Adjetivos
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
Acessível a
Entendido em
Necessário a
Acostumado a, com
Equivalente a
Nocivo a
Agradável a
Escasso de
Paralelo a
Alheio a, de
Essencial a, para
Passível de
Análogo a
Fácil de
Preferível a
Ansioso de, para, por
Fanático por
Prejudicial a
Apto a, para
Favorável a
Prestes a
Ávido de
Generoso com
Propício a
Benéfico a
Grato a, por
Próximo a
Capaz de, para
Hábil em
Relacionado com
Compatível com
Habituado a
Relativo a
Contemporâneo a, de
Idêntico a
Satisfeito com, de, em, por
Contíguo a
Impróprio para
Semelhante a
Contrário a
Indeciso em
Sensível a
Descontente com
Insensível a
Desejoso de
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
Liberal com
Suspeito de
Diferente de
Natural de
Vazio de
Advérbios
Longe de
Perto de
Obs.: os advérbios terminados em -mente tendem a seguir o regime dos adjetivos de que são formados: paralela a;
paralelamente a; relativa a; relativamente a.
CRASE
A palavra crase é de origem grega e significa "fusão", "mistura". Na língua portuguesa, é o nome que se dá à
"junção" de duas vogais idênticas. É de grande importância a crase da preposição "a" com o artigo feminino "a"
(s), com o pronome demonstrativo "a" (s), com o "a" inicial dos pronomes aquele (s), aquela (s), aquilo e com o
"a" do relativo a qual (as quais). Na escrita, utilizamos o acento grave ( ` ) para indicar a crase. O uso apropriado
do acento grave, depende da compreensão da fusão das duas vogais. É fundamental também, para o entendimento
da crase, dominar a regência dos verbos e nomes que exigem a preposição "a". Aprender a usar a crase, portanto,
consiste em aprender a verificar a ocorrência simultânea de uma preposição e um artigo ou pronome. Observe:
Vou a a igreja.
Vou à igreja.
No exemplo acima, temos a ocorrência da preposição "a", exigida pelo verbo ir (ir a algum lugar) e a ocorrência do
artigo "a" que está determinando o substantivo feminino igreja. Quando ocorre esse encontro das duas vogais e elas se
unem, a união delas é indicada pelo acento grave. Observe os outros exemplos:
Conheço a aluna.
Refiro-me à aluna.
No primeiro exemplo, o verbo é transitivo (conhecer algo ou alguém), logo não exige preposição e a crase não pode
ocorrer. No segundo exemplo, o verbo é transitivo indireto (referir-se a algo ou a alguém) e exige a preposição "a".
Portanto, a crase é possível, desde que o termo seguinte seja feminino e admita o artigo feminino "a" ou um dos
pronomes já especificados.
Para verificar a ocorrência da crase:
1- Colocar um termo masculino no lugar do termo feminino que se está em dúvida. Se surgir a forma ao, ocorrerá
crase antes do termo feminino:
Conheço "a" aluna. / Conheço o aluno.
Refiro-me ao aluno. / Refiro-me à aluna.
Evidentemente, se o termo regido não admitir a anteposição do artigo feminino "a" (s), não haverá crase.
Veja os principais casos em que a crase NÃO ocorre:
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
Assisitimos a espetáculos magníficos.
- Diante de verbos:
A criança começou a falar.
Ela não tem nada a dizer.
Estavam a correr pelo parque.
Estou disposto a ajudar.
Continuamos a observar as plantas.
Voltamos a contemplar o céu.
Obs.: como os verbos não admitem artigos, constatamos que o "a" dos exemplos acima é apenas preposição,
logo não ocorrerá crase.
- Diante da maioria dos pronomes e das expressões de tratamento, com exceção das formas senhora, senhorita e dona:
Diga a ela que não estarei em casa amanhã.
Entreguei a todos os documentos necessários.
Ele fez referência a Vossa Excelência no discurso de ontem.
Peço a Vossa Senhoria que aguarde alguns minutos.
Mostrarei a vocês nossas propostas de trabalho.
Quero informar a algumas pessoas o que está acontecendo.
Isso não interessa a nenhum de nós.
Aonde você pretende ir a esta hora?
Agradeci a ele, a quem tudo devo.
Os poucos casos em que ocorre crase diante dos pronomes podem ser identificados pelo método explicado
anteriormente. Troque a palavra feminina por uma masculina, caso na nova construção surgir a forma ao,
ocorrerá crase. Por exemplo:
Refiro-me à mesma pessoa. (Refiro-me ao mesmo indivíduo.)
Informei o ocorrido à senhora. (Informei o ocorrido ao senhor.)
Peça à própria Cláudia para sair mais cedo. (Peça ao próprio Cláudio para sair mais cedo.)
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
- Na indicação de horas:
Acordei às sete horas da manhã.
Elas chegaram às dez horas.
Foram dormir à meia-noite.
Ele saiu às duas horas.
- Em locuções adverbiais, prepositivas e conjuntivas de que participam palavras femininas. Por exemplo:
à tarde às ocultas às pressas à medida que
à noite às claras às escondidas à força
à vontade à beça à larga à escuta
às avessas à revelia à exceção de à imitação de
à esquerda às turras às vezes à chave
à direita à procura à derivaà toa
à luz à sombra de à frente de à proporção que
à semelhança de às ordens à beira de
Crase diante de Nomes de Lugar
Alguns nomes de lugar não admitem a anteposição do artigo "a". Outros, entretanto, admitem o artigo, de
modo que diante deles haverá crase, desde que o termo regente exija a preposição "a". Para saber se um nome de
lugar admite ou não a anteposição do artigo feminino "a", deve-se substituir o termo regente por um verbo que peça a
preposição "de" ou "em". A ocorrência da contração "da" ou "na" prova que esse nome de lugar aceita o artigo e, por
isso, haverá crase. Por exemplo:
Vou à França. (Vim da França. Estou na França.)
Cheguei à Grécia. (Vim da Grécia. Estou na Grécia.)
Retornarei à Itália. (Vim da Itália. Estou na Itália)
Vou a Porto Alegre. (Vim de Porto Alegre. Estou em Porto Alegre.)
Cheguei a Pernambuco. (Vim de Pernambuco. Estou em Pernambuco.)
Retornarei a São Paulo. (Vim de São Paulo. Estou em São Paulo.)
ATENÇÃO: quando o nome de lugar estiver especificado, ocorrerá crase. Veja:
Retornarei à São Paulo dos bandeirantes.
Irei à Salvador de Jorge Amado.
Crase diante dos Pronomes Demonstrativos Aquele (s), Aquela (s), Aquilo:
Haverá crase diante desses pronomes sempre que o termo regenteexigir a preposição "a". Por exemplo:
Refiro-me a aquele atentado.
Preposição Pronome
Refiro-me àquele atentado.
O termo regente do exemplo acima é o verbo transitivo indireto referir (referir-se a algo ou alguém) e exige
preposição, portanto, ocorre a crase.
Observe este outro exemplo:
Aluguei aquela casa.
O verbo "alugar" é transitivo direto (alugar algo) e não exige preposição. Logo, a crase não ocorre nesse caso.
Veja outros exemplos:
Dediquei àquela senhora todo o meu trabalho.
Quero agradecer àqueles que me socorreram.
Refiro-me àquilo que aconteceu com seu pai.
Não obedecerei àquele sujeito.
Assisti àquele filme três vezes.
Espero aquele rapaz.
90
LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
Fiz aquilo que você disse.
Comprei aquela caneta.
Crase com os Pronomes Relativos A Qual, As Quais
A ocorrência da crase com os pronomes relativos a qual e as quais depende do verbo. Se o verbo que rege esses
pronomes exigir a preposição "a", haverá crase. É possível detectar a ocorrência da crase nesses casos,
utilizando a substituição do termo regido feminino por um termo regido masculino. Por exemplo:
A igreja à qual me refiro fica no centro da cidade.
O monumento ao qual me refiro fica no centro da cidade.
Caso surja a forma ao com a troca do termo, ocorrerá a crase.
Veja outros exemplos:
São normas às quais todos os alunos devem obedecer.
Esta foi a conclusão à qual ele chegou.
Várias alunas às quais ele fez perguntas não souberam responder nenhuma das questões.
A sessão à qual assisti estava vazia.
Crase com o Pronome Demonstrativo "a"
A ocorrência da crase com o pronome demonstrativo "a" também pode ser detectada pela substituição do
termo regente feminino por um termo regido masculino. Veja:
Minha revolta é ligada à do meu país.
Meu luto é ligado ao do meu país.
As orações são semelhantes às de antes.
Os exemplos são semelhantes aos de antes.
Aquela rua é transversal à que vai dar na minha casa.
Aquele beco é transversal ao que vai dar na minha casa.
Suas perguntas são superiores às dele.
Seus argumentos são superiores aos dele.
Sua blusa é idêntica à de minha colega.
Seu casaco é idêntico ao de minha colega.
A Palavra Distância
Se a palavra distância estiver especificada, determinada, a crase deve ocorrer:
Sua casa fica à distância de 100 quilômetros daqui. (A palavra está determinada.)
Todos devem ficar à distância de 50 metros do palco. (A palavra está especificada.)
Se a palavra distância não estiver especificada, a crase não pode ocorrer. Por exemplo:
Os militares ficaram a distância.
Gostava de fotografar a distância.
Ensinou a distância.
Dizem que aquele médico cura a distância.
Reconheci o menino a distância.
Observação: por motivo de clareza, para evitar ambiguidade, pode-se usar a crase. Veja:
Gostava de fotografar à distância.
Ensinou à distância.
Dizem que aquele médico cura à distância.
Casos em que a ocorrência da crase é FACULTATIVA
- Diante de nomes próprios femininos:
Observação: é facultativo o uso da crase diante de nomes próprios femininos porque é facultativo o uso do
artigo:
Paula é muito bonita. Laura é minha amiga.
91
LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
A Paula é muito bonita. A Laura é minha amiga.
Como podemos constatar, é facultativo o uso do artigo feminino diante de nomes próprios femininos, então
podemos escrever as frases abaixo das seguintes formas:
Entreguei o cartão a Paula. Entreguei o cartão a Roberto.
Entreguei o cartão à Paula. Entreguei o cartão ao Roberto.
Contei a Laura o que havia ocorrido na noite passada. Contei a Pedro o que havia ocorrido na noite passada.
Contei à Laura o que havia ocorrido na noite passada. Contei ao Pedro o que havia ocorrido na noite passada.
- Diante de pronome possessivo feminino:
Observação: é facultativo o uso da crase diante de pronomes possessivos femininos porque é facultativo o uso
do artigo:
Minha avó tem setenta anos. Minha irmã está esperando por você.
A minha avó tem setenta anos. A minha irmã está esperando por você.
Sendo facultativo o uso do artigo feminino diante de pronomes possessivos femininos, então podemos escrever
as frases abaixo das seguintes formas:
Cedi o lugar a minha avó. Cedi o lugar a meu avô.
Cedi o lugar à minha avó. Cedi o lugar ao meu avô.
Diga a sua irmã que estou esperando por ela. Diga a seu irmão que estou esperando por ele.
Diga à sua irmã que estou esperando por ela. Diga ao seu irmão que estou esperando por ele.
- Depois da preposição até:
Fui até a praia. ou Fui até à praia.
Acompanhe-o até a porta. ou Acompanhe-o até à porta.
A palestra vai até as cinco horas da tarde. ou A palestra vai até às cinco horas da tarde.
Denotação e Conotação
A significação das palavras não é fixa, nem estática. Por meio da imaginação criadora do homem, as palavras
podem ter seu significado ampliado, deixando de representar apenas a ideia original (básica e objetiva). Assim,
frequentemente remetem-nos a novos conceitos por meio de associações, dependendo de sua colocação numa
determinada frase. Observe os seguintes exemplos:
A menina está com a cara toda pintada.
Aquele cara parece suspeito.
No primeiro exemplo, a palavra cara significa "rosto", a parte que antecede a cabeça, conforme consta nos
dicionários. Já no segundo exemplo, a mesma palavra cara teve seu significado ampliado e, por uma série de
associações, entendemos que nesse caso significa "pessoa","sujeito", "indivíduo".
Algumas vezes, uma mesma frase pode apresentar duas (ou mais) possibilidades de interpretação. Veja:
.Marcos quebrou a cara.
Em seu sentido literal, impessoal, frio, entendemos que Marcos, por algum acidente, fraturou o rosto. Entretanto,
podemos entender a mesma frase num sentido figurado, como "Marcos não se deu bem", tentou realizar alguma
coisa e não conseguiu.
Pelos exemplos acima, percebe-se que uma mesma palavra pode apresentar mais de um significado, ocorrendo,
basicamente, duas possibilidades:
a) No primeiro exemplo, a palavra apresenta seu sentido original, impessoal, sem considerar o contexto, tal como
aparece no dicionário. Nesse caso, prevalece o sentido denotativo - ou denotação.
b) No segundo exemplo, a palavra aparece com outro significado, passível de interpretações diferentes,
dependendo do contexto em que for empregada. Nesse caso, prevalece o sentido conotativo - ou conotação.
Obs.: a linguagem poética faz bastante uso do sentido conotativo das palavras, num trabalho contínuo de criar ou
modificar o significado. Na linguagem cotidiana também é comum a exploração do sentido conotativo, como
consequência da nossa forte carga de afetividade e expressividade.
92
LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
Figuras de Linguagem
São recursos que tornam as mensagens que emitimos mais expressivas. Subdividem-se em figuras de som, figuras
de palavras, figuras de pensamento e figuras de construção.
Classificação das Figuras de Linguagem
Observe:
1) Fernanda acordou às sete horas, Renata às nove horas, Paula às dez e meia.
2) "Quando Deus fecha uma porta, abre uma janela."
3) Seus olhos eram luzes brilhantes.
Nos exemplos acima, temos três tipos distintos de figuras de linguagem:
Exemplo 1: há o uso de uma construção sintética ao deixar subentendido, na segunda e na terceira frase, um termo
citado anteriormente - o verbo acordar. Repare que a segunda e a última frase do primeiro exemplo devem ser
entendidas da seguinte forma: "Renata acordou às nove horas, Paula acordou às dez e meia. Dessa forma, temos uma
figura de construção ou de sintaxe.
Exemplo 2: a ideia principal do ditado reside num jogo conceitual entre as palavras fecha e abre, que possuem
significados opostos. Temos, assim, uma figura de pensamento.
Exemplo 3: a força expressiva da frase está na associação entre os elementos olhos e luzes brilhantes. Essa associação
nos permite uma transferência de significados a ponto de usarmos "olhos" por "luzes brilhantes". Temos, então, uma
figura de palavra.
Figuras de Palavra
A figura de palavra consiste na substituição de uma palavra por outra, isto é, no emprego figurado, simbólico,
seja por uma relação muito próxima (contiguidade), seja por uma associação, uma comparação, uma similaridade.
Esses dois conceitos básicos - contiguidade e similaridade - permitem-nos reconhecer dois tipos de figuras de
palavras: a metáfora e a metonímia.
Metáfora
A metáfora consiste em utilizar uma palavra ou uma expressão em lugar de outra, sem que haja uma relação real,
mas em virtude da circunstância de que o nosso espírito as associa e depreende entre elas certas semelhanças. É
importante notar que a metáfora tem um caráter subjetivo e momentâneo; se a metáfora se cristalizar, deixará
de ser metáfora e passará a ser catacrese (é o que ocorre, por exemplo, com "pé de alface", "perna da mesa",
"braço da cadeira").
Obs.: toda metáfora é uma espécie de comparação implícita, em que o elemento comparativo não aparece.
Seus olhos são como luzes brilhantes.
O exemplo acima mostra uma comparação evidente, através do emprego da palavra como.
Observe agora:
Seus olhos são luzes brilhantes.
Nesse exemplo não há mais uma comparação (note a ausência da partícula comparativa), e sim um símile, ou
seja, qualidade do que é semelhante.
Por fim, no exemplo:
As luzes brilhantes olhavam-me.
Há substituição da palavra olhos por luzes brilhantes. Essa é a verdadeira metáfora.
Observe outros exemplos:
1) "Meu pensamento é um rio subterrâneo." (Fernando Pessoa)
Nesse caso, a metáfora é possível na medida em que o poeta estabelece relações de semelhança entre um rio
subterrâneo e seu pensamento (pode estar relacionando a fluidez, a profundidade, a inatingibilidade, etc.).
2) Minha alma é uma estrada de terra que leva a lugar algum.
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
Uma estrada de terra que leva a lugar algum é, na frase acima, uma metáfora. Por trás do uso dessa expressão que
indica uma alma rústica e abandonada (e angustiadamente inútil), há uma comparação subentendida: Minha alma é tão
rústica, abandonada (e inútil) quanto uma estrada de terra que leva a lugar algum.
Metonímia
A metonímia consiste em empregar um termo no lugar de outro, havendo entre ambos estreita afinidade ou
relação de sentido. Observe os exemplos abaixo:
1 - Autor pela obra: Gosto de ler Machado de Assis. (= Gosto de ler a obra literária de Machado de Assis.)
2 - Inventor pelo invento: Édson ilumina o mundo. (= As lâmpadas iluminam o mundo.)
3 - Símbolo pelo objeto simbolizado: Não te afastes da cruz. (= Não te afastes da religião.)
4 - Lugar pelo produto do lugar: Fumei um saboroso havana. (= Fumei um saboroso charuto.)
5 - Efeito pela causa: Sócrates bebeu a morte. (= Sócrates tomou veneno.)
6 - Causa pelo efeito: Moro no campo e como do meu trabalho. (= Moro no campo e como o alimento que produzo.)
7 - Continente pelo conteúdo: Bebeu o cálice todo. (= Bebeu todo o líquido que estava no cálice.)
8 - Instrumento pela pessoa que utiliza: Os microfones foram atrás dos jogadores. (= Os repórteres foram atrás dos
jogadores.)
9 - Parte pelo todo: Várias pernas passavam apressadamente. (= Várias pessoas passavam apressadamente.)
10 - Gênero pela espécie: Os mortais pensam e sofrem nesse mundo. (= Os homens pensam e sofrem nesse mundo.)
11 - Singular pelo plural: A mulher foi chamada para ir às ruas na luta por seus direitos. (= As mulheres foram
chamadas, não apenas uma mulher.)
12 - Marca pelo produto: Minha filha adora danone. (= Minha filha adora o iogurte que é da marca danone.)
13 - Espécie pelo indivíduo: O homem foi à Lua. (= Alguns astronautas foram à Lua.)
14 - Símbolo pela coisa simbolizada: A balança penderá para teu lado. (= A justiça ficará do teu lado.)
Saiba que:
Atualmente, não se faz mais a distinção entre metonímia e sinédoque (emprego de um termo em lugar de outro),
havendo entre ambos relação de extensão. Por ser mais abrangente, o conceito de metonímia prevalece sobre o de
sinédoque.
Catacrese
Trata-se de uma metáfora que, dado seu uso contínuo, cristalizou-se. A catacrese costuma ocorrer quando, por
falta de um termo específico para designar um conceito, toma-se outro "emprestado". Assim, passamos a
empregar algumas palavras fora de seu sentido original:
"asa da xícara" "batata da perna"
"maçã do rosto""pé da mesa"
"braço da cadeira" "coroa do abacaxi"
Perífrase
Trata-se de uma expressão que designa um ser através de alguma de suas características ou atributos, ou de um
fato que o celebrizou. Veja o exemplo:
A Cidade Maravilhosa (= Rio de Janeiro) continua atraindo visitantes do mundo todo.
Obs.: quando a perífrase indica uma pessoa, recebe o nome de antonomásia:
O Divino Mestre (= Jesus Cristo) passou a vida praticando o bem.
O Poeta dos Escravos (= Castro Alves) morreu muito jovem.
O Poeta da Vila (= Noel Rosa) compôs lindas canções.
Sinestesia
Consiste em mesclar, numa mesma expressão, as sensações percebidas por diferentes órgãos do sentido:
Um grito áspero revelava tudo o que sentia. (grito = auditivo; áspero = tátil)
No silêncio escuro do seu quarto, aguardava os acontecimentos. (silêncio = auditivo; negro = visual)
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
Figuras de Pensamento
Dentre as figuras de pensamento, as mais comuns são:
Antítese
Consiste na utilização de dois termos que contrastam entre si. Ocorre quando há uma aproximação de palavras ou
expressões de sentidos opostos. O contraste que se estabelece serve, essencialmente, para dar uma ênfase aos
conceitos envolvidos que não se conseguiria com a exposição isolada dos mesmos. Observe os exemplos:
"O mito é o nada que é tudo." (Fernando Pessoa)
O corpo é grande e a alma é pequena.
"Quando um muro separa, uma ponte une."
"Desceu aos pântanos com os tapires; subiu aos Andes com os condores." (Castro Alves)
Felicidade e tristeza tomaram conta de sua alma.
Paradoxo
Consiste numa proposição aparentemente absurda, resultante da união de ideias contraditórias. Veja o exemplo:
Na reunião, o funcionário afirmou que o operário quanto mais trabalha mais tem dificuldades econômicas.
Analisemos um texto:
“Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.
Eufemismo
Consiste em empregar uma expressão mais suave, mais nobre ou menos agressiva, para comunicar alguma coisa
áspera, desagradável ou chocante:
Depois de muito sofrimento, entregou a alma ao Senhor. (= morreu)
O prefeito ficou rico por meios ilícitos. (= roubou)
Fernando faltou com a verdade. (= mentiu)
Ironia
Consiste em dizer o contrário do que se pretende ou em satirizar, questionar certo tipo de pensamento com a
intenção de ridicularizá-lo, ou ainda em ressaltar algum aspecto passível de crítica. A ironia deve ser muito bem
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
construída para que cumpra a sua finalidade; mal construída, pode passar uma ideia exatamente oposta à desejada pelo
emissor. Veja os exemplos abaixo:
Como você foi bem na última prova, não tirou nem a nota mínima!
Parece um anjinho aquele menino, briga com todos que estão por perto.
Hipérbole
É a expressão intencionalmente exagerada com o intuito de realçar uma ideia. Exemplos:
Faria isso milhões de vezes se fosse preciso.
"Rios te correrão dos olhos, se chorares." (Olavo Bilac)
Prosopopeia ou Personificação
Consiste em atribuir ações ou qualidades de seres animados a seres inanimados, ou características humanas a
seres não humanos. Observe os exemplos:
As pedras andam vagarosamente.
O livro é um mudo que fala, um surdo que ouve, um cego que guia.
A floresta gesticulava nervosamente diante da serra.
O vento fazia promessas suaves a quem o escutasse.
Chora, violão.
Apóstrofe
Consiste na "invocação" de alguém ou de alguma coisa personificada, de acordo com o objetivo do discurso que pode
ser poético, sagrado ou profano. Caracteriza-se pelo chamamento do receptor da mensagem, seja ele imaginário ou
não. A introdução da apóstrofe interrompe a linha de pensamento do discurso, destacando-se assim a entidade a que se
dirige e a ideia que se pretende pôr em evidência com tal invocação. Realiza-se por meio do vocativo. Exemplos:
Moça, que fazes aí parada?
"Liberdade, Liberdade,
Abre as asas sobre nós,
Das lutas, na tempestade,
Dá que ouçamos tua voz..."
(Osório Duque Estrada)
Gradação
Consiste em dispor as ideias por meio de palavras, sinônimas ou não, em ordem crescente ou decrescente.
Quando a progressão é ascendente, temos o clímax; quando é descendente, o anticlímax. Observe este exemplo:
Havia o céu, havia a terra, muita gente e mais Joana com seus olhos claros e brincalhões...
O objetivo do narrador é mostrar a expressividade dos olhos de Joana. Para chegar a esse detalhe, ele se refere
ao céu, à terra, às pessoas e, finalmente, a Joana e seus olhos. Nota-se que o pensamento foi expresso em ordem
decrescente de intensidade. Outros exemplos:
"Vive só para mim, só para a minha vida, só para meu amor". (Olavo Bilac)
"O trigo... nasceu, cresceu, espigou, amadureceu, colheu-se." (Padre Antônio Vieira)
Figuras de Construção ou Sintáticas
As figuras de construção ocorrem quando desejamos atribuir maior expressividade ao significado. Assim, a lógica da
frase é substituída pela maior expressividade que se dá ao sentido.
Elipse
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
Consiste na omissão de um ou mais termos numa oração que podem ser facilmente identificados, tanto por
elementos gramaticais presentes na própria oração, quanto pelo contexto. Exemplos:
1) A cada um o que é seu. (Deve se dar a cada um o que é seu.)
2)Tenho duas filhas, um filho e amo todos da mesma maneira.
Nesse exemplo, as desinências verbais de tenho e amo permitem-nos a identificação do sujeito em elipse "eu".
3)Regina estava atrasada. Preferiu ir direto para o trabalho. (Ela, Regina, preferiu ir direto para o trabalho, pois estava
atrasada.)
4) As rosas florescem em maio, as margaridas em agosto. (As margaridas florescem em agosto.)
5) Ele gosta de geografia; eu, de português.
6) Na casa dela só havia móveis antigos; na minha, só móveis modernos.
7) Ela gosta de natação; eu, de vôlei.
8) No céu há estrelas; na terra, você.
Analisemos o texto:
Canção Mínima
No mistério do sem-fim
equilibra-se um planeta.
E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro;
no canteiro, uma violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,
Silepse
A silepse é a concordância que se faz com o termo que não está expresso no texto, mas sim com a ideia que ele
representa. É uma concordância anormal, psicológica, espiritual, latente, porque se faz com um termo oculto,
facilmente subentendido. Há três tipos de silepse: de gênero, número e pessoa.
Silepse de Gênero
Os gêneros são masculino e feminino. Ocorre a silepse de gênero quando a concordância se faz com a ideia que o
termo comporta. Exemplos:
1) A bonita Porto Velho sofreu mais uma vez com o calor intenso.
Nesse caso, o adjetivo bonita não está concordando com o termo Porto Velho, que gramaticalmente pertence ao
gênero masculino, mas com a ideia contida no termo (a cidade de Porto Velho).
2) Vossa excelência está preocupado.
Nesse exemplo, o adjetivo preocupado concorda com o sexo da pessoa, que nesse caso é masculino, e não com o
termo Vossa excelência.
Silepse de Número
Os números são singular e plural. A silepse de número ocorre quando o verbo da oração não concorda
gramaticalmente com o sujeito da oração, mas com a ideia que nele está contida. Exemplos:
A procissão saiu. Andaram por todas as ruas da cidade de Salvador.
Como vai a turma? Estão bem?
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
O povo corria por todos os lados e gritavam muito alto.
Note que nos exemplos acima, os verbos andaram, estão e gritavam não concordam gramaticalmente com os
sujeitos das orações (que se encontram no singular, procissão, turma e povo, respectivamente), mas com a ideia
de pluralidade que neles está contida. Procissão, turma e povo dão a ideia de muita gente, por isso que os
verbos estão no plural.
Silepse de Pessoa
Três são as pessoas gramaticais: a primeira, a segunda e a terceira. A silepse de pessoa ocorre quando há um
desvio de concordância. O verbo, mais uma vez, não concorda com o sujeito da oração, mas sim com a pessoa que
está inscrita no sujeito:
O que não compreendo é como os brasileiros persistamos em aceitar essa situação.
Os agricultores temos orgulho de nosso trabalho.
"Dizem que os cariocas somos poucos dados aos jardins públicos." (Machado de Assis)
Observe que os verbos persistamos, temos e somos não concordam gramaticalmente com os seus sujeitos
(brasileiros, agricultores e cariocas que estão na terceira pessoa), mas com a ideia que neles está contida (nós,
os brasileiros, os agricultores e os cariocas).
Polissíndeto / Assíndeto
Para estudarmos essas duas figuras de construção, é necessário recordar um conceito estudado em sintaxe
sobre período composto. No período composto por coordenação, podemos ter orações sindéticas ou
assindéticas. A oração coordenada ligada por uma conjunção (conectivo) é sindética; a oração que não
apresenta conectivo é assindética.
Recordado esse conceito, podemos definir as duas figuras de construção:
1) Polissíndeto
É uma figura caracterizada pela repetição enfática dos conectivos. Observe o exemplo:
"Falta-lhe o solo aos pés: recua e corre, vacila e grita, luta e ensanguenta, e rola, e tomba, e se espedaça, e morre."
(Olavo Bilac)
"Deus criou o sol e a lua e as estrelas. E fez o homem e deu-lhe inteligência e fê-lo chefe da natureza.
2) Assíndeto
É uma figura caracterizada pela ausência, pela omissão das conjunções coordenativas, resultando no uso de orações
coordenadas assindéticas. Exemplos:
Tens casa, tens roupa, tens amor, tens família.
"Vim, vi, venci." (Júlio César)
Pleonasmo
Consiste na repetição de um termo ou ideia, com as mesmas palavras ou não. A finalidade do pleonasmo é realçar
a ideia, torná-la mais expressiva. Veja este exemplo:
O problema da violência, é necessário resolvê-lo logo.
Nesta oração, os termos "o problema da violência" e "lo" exercem a mesma função sintática: objeto direto.
Assim, temos um pleonasmo do objeto direto, sendo o pronome "lo" classsificado como objeto direto
pleonástico.
Outro exemplo:
Aos funcionários, não lhes interessam tais medidas.
Aos funcionários, lhes = Objeto Indireto
Nesse caso, há um pleonasmo do objeto indireto, e o pronome "lhes" exerce a função de objeto indireto
pleonástico.
Exemplos:
"Vi, claramente visto, o lumo vivo." (Luís de Camões)
"Ó mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal." (Fernando Pessoa)
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
"E rir meu riso." (Vinícius de Moraes)
Observação: o pleonasmo só tem razão de ser quando confere mais vigor à frase; caso contrário, torna-se um
pleonasmo vicioso. Exemplos:
Vi aquela cena com meus próprios olhos.
Vamos subir para cima.
Anáfora
É a repetição de uma ou mais palavras no início de várias frases, criando assim, um efeito de reforço e de
coerência. Pela repetição, a palavra ou expressão em causa é posta em destaque, permitindo ao escritor valorizar
determinado elemento textual. Os termos anafóricos podem muitas vezes ser substituídos por pronomes relativos.
Assim, observe o exemplo abaixo:
Encontrei um amigo ontem. Ele disse-me que te conhecia.
O termo ele é um termo anafórico, já que se refere a um amigo anteriormente referido.
Observe outro exemplo:
"Se você gritasse
Se você gemesse,
Se você tocasse
a valsa vienense
Se você dormisse,
Se você cansasse,
Se você morresse...
Mas você não morre,
Você é duro José!"
(Carlos Drummond de Andrade)
Anacoluto
Consiste na mudança da construção sintática no meio da frase, ficando alguns termos desligados do resto do
período. Veja o exemplo:
Esses alunos da escola, não se pode duvidar deles.
A expressão "esses alunos da escola" deveria exercer a função de sujeito. No entanto, há uma interrupção da frase e
essa expressão fica à parte, não exercendo nenhuma função sintática. O anacoluto também é chamado de "frase
quebrada", pois corresponde a uma interrupção na sequência lógica do pensamento.
Exemplos:
O Alexandre, as coisas não lhe estão indo muito bem.
A velha hipocrisia, recordo-me dela com vergonha. (Camilo Castelo Branco)
Obs.: O anacoluto deve ser usado com finalidade expressiva em casos muito especiais. Em geral, deve-se evitá-
lo.
Hipérbato / Inversão
É a inversão da estrutura frásica, isto é, a inversão da ordem direta dos termos da oração. Exemplos:
Ao ódio venceu o amor. (Na ordem direta seria: O amor venceu ao ódio.)
Dos meus problemas cuido eu! (Na ordem direta seria: Eu cuido dos meus problemas.)
Figuras de Som
Leiamos o poema, afim de identificar as figuras sonoras:
Rio na Sombra
Som
frio.
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
.
Rio
Sombrio.
.
O longo som
do rio
frio.
.
O frio
bom
do longo rio.
.
Tão longe,
tão bom,
tão frio
o claro som
do rio
sombrio!
(Cecília Meireles)
Aliteração
Consiste na repetição de consoantes como recurso para intensificação do ritmo ou como efeito sonoro
significativo. Exemplos:
Três pratos de trigo para três tigres tristes.
O rato roeu a roupa do rei de Roma.
"Vozes veladas, veludosas vozes,
Volúpias dos violões, vozes veladas
Vagam nos velhos vórtices velozes
Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas."
(Cruz e Souza)
Assonância
Consiste na repetição ordenada de sons vocálicos idênticos. Exemplos:
"Sou um mulato nato no sentido lato
mulato democrático do litoral."
Onomatopeia
Ocorre quando se tentam reproduzir na forma de palavras os sons da realidade. Exemplos:
Os sinos faziam blem, blem, blem, blem.
Miau, miau. (Som emitido pelo gato)
Tic-tac, tic-tac fazia o relógio da sala de jantar.
Cócórócócó, fez o galo às seis da manhã.
Vícios de Linguagem
Ao contrário das figuras de linguagem, que representam realce e beleza às mensagens emitidas, os vícios de
linguagem são palavras ou construções que vão de encontro às normas gramaticais. Os vícios de linguagem
costumam ocorrer por descuido, ou ainda por desconhecimento das regras por parte do emissor. Observe:
Pleonasmo Vicioso ou Redundância
100
LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
Diferentemente do pleonasmo tradicional, tem-se pleonasmo vicioso quando há repetição desnecessária de uma
informação na frase:
Entrei para dentro de casa quando começou a anoitecer.
Hoje fizeram-me uma surpresa inesperada.
Observação: o pleonasmo é considerado vício de linguagem quando usado desnecessariamente, no entanto,
quando usado para reforçar a mensagem, constitui uma figura de linguagem.
Barbarismo
É o desvio da norma que ocorre nos seguintes níveis:
1) Pronúncia
a) Silabada: erro na pronúncia do acento tônico.
Por Exemplo: Solicitei à cliente sua rúbrica. (rubrica)
b) Cacoépia: erro na pronúncia dos fonemas.
Por Exemplo: Estou com poblemas a resolver. (problemas)
c) Cacografia: erro na grafia ou na flexão de uma palavra.
Exemplos:
Eu advinhei quem ganharia o concurso. (adivinhei)
O segurança deteu aquele homem. (deteve)
2) Morfologia
Se eu ir aí, vou me atrasar. (for)
Sou a aluna mais maior da turma. (maior)
3) Semântica
Por Exemplo: José comprimentou seu vizinho ao sair de casa. (cumprimentou)
4) Estrangeirismos
Considera-se barbarismo o emprego desnecessário de palavras estrangeiras, ou seja, quando já existe palavra ou
expressão correspondente na língua.
Exemplos:
O show é hoje! (espetáculo)
Vamos tomar um drink? (drinque)
Solecismo
É o desvio de sintaxe, podendo ocorrer nos seguintes níveis:
1) Concordância
Por Exemplo: Haviam muitos alunos naquela sala. (Havia)
2) Regência
Por Exemplo: Eu assisti o filme em casa. (ao)
3) Colocação
Por Exemplo: Dancei tanto na festa que não aguentei-me em pé. (não me aguentei em pé)
Ambiguidade ou Anfibologia
Ocorre quando, por falta de clareza, há duplicidade de sentido da frase.
Exemplos:
Ana disse à amiga que seu namorado havia chegado. (O namorado é de Ana ou da amiga?)
O pai falou com o filho caído no chão. (Quem estava caído no chão? Pai ou filho?)
Cacofonia
Ocorre quando a junção de duas ou mais palavras na frase provoca som desagradável ou palavra inconveniente.
Exemplos:
Uma mão lava outra. (mamão)
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
Vi ela na esquina. (viela)
Dei um beijo na boca dela. (cadela)
Eco
Ocorre quando há palavras na frase com terminações iguais ou semelhantes, provocando dissonância.
Por Exemplo: A divulgação da promoção não causou comoção na população.
Hiato
Ocorre quando há uma sequência de vogais, provocando dissonância.
Exemplos:
Eu a amo.
Ou eu ou a outra ganhará o concurso.
Colisão
Sinais de Pontuação
Os sinais de pontuação são recursos gráficos próprios da linguagem escrita. Embora não consigam reproduzir
toda a riqueza melódica da linguagem oral, eles estruturam os textos e procuram estabelecer as pausas e as
entonações da fala. Basicamente, têm como finalidade:
1) Assinalar as pausas e as inflexões de voz (entoação) na leitura;
2) Separar palavras, expressões e orações que devem ser destacadas;
3) Esclarecer o sentido da frase, afastando qualquer ambiguidade.
Veja a seguir os sinais de pontuação mais comuns, responsáveis por dar à escrita maior clareza e simplicidade.
Vírgula ( , )
A vírgula indica uma pausa pequena, deixando a voz em suspenso à espera da continuação do período.
Geralmente é usada:
- Nas datas, para separar o nome da localidade:
São Paulo, 25 de agosto de 2005.
- Após os advérbios "sim" ou "não", usados como resposta, no início da frase.
– Você gostou do vestido?
– Sim, eu adorei!
– Pretende usá-lo hoje?
– Não, no final de semana.
- Após a saudação em correspondência (social e comercial):
Com muito amor,
Respeitosamente,
- Para separar termos de uma mesma função sintática:
A casa tem três quartos, dois banheiros, três salas e um quintal.
Obs.: a conjunção "e" substitui a vírgula entre o último e o penúltimo termo.
- Para destacar elementos intercalados, como:
a) uma conjunção
Estudamos bastante; logo, merecemos férias!
b) um adjunto adverbial
102
LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
Estas crianças, com certeza, serão aprovadas.
Obs.: a rigor, não é necessário separar por vírgula o advérbio e a locução adverbial, principalmente quando de
pequeno corpo, a não ser que a ênfase o exija.
c) um vocativo
Apressemo-nos, Lucas, pois não quero chegar atrasado.
d) um aposto
Juliana, a aluna destaque, passou no vestibular.
e) Uma expressão explicativa (isto é, a saber, por exemplo, ou melhor, ou antes, etc.)
O amor, isto é, o mais forte e sublime dos sentimentos humanos, tem seu princípio em Deus.
- Para separar termos deslocados de sua posição normal na frase:
O documento de identidade, você trouxe?
- Para separar elementos paralelos de um provérbio:
Tal pai, tal filho.
- Para destacar os pleonasmos antecipados ao verbo:
As flores, eu as recebi hoje.
- Para indicar a elipse de um termo:
Daniel ficou alegre; eu, triste.
- Para isolar elementos repetidos:
A casa, a casa está destruída.
Estão todos cansados, cansados de dar dó!
- Para separar orações intercaladas:
O importante, insistiam os pais, era a segurança da escola.
- Para separar orações coordenadas assindéticas.
O tempo não para no porto, não apita na curva, não espera ninguém.
- Para separar orações coordenadas adversativas, conclusivas, explicativas e algumas orações alternativas:
Esforçou-se muito, porém não conseguiu o prêmio.
Vá devagar, que o caminho é perigoso.
Estuda muito, pois será recompensado.
As pessoas ora dançavam, ora ouviam música.
ATENÇÃO: Embora a conjunção "e" seja aditiva, há três casos em que se usa a vírgula antes de sua
ocorrência:
1) Quando as orações coordenadas tiverem sujeitos diferentes:
O homem vendeu o carro, e a mulher protestou.
Neste caso, "O homem" é sujeito de "vendeu", e "A mulher" é sujeito de "protestou".
2) Quando a conjunção "e" vier repetida com a finalidade de dar ênfase (polissíndeto):
E chora, e ri, e grita, e pula de alegria.
3) Quando a conjunção "e" assumir valores distintos que não seja da adição (adversidade, consequência, por
exemplo):
Coitada! Estudou muito, e ainda assim não foi aprovada.
- Para separar orações subordinadas substantivas e adverbiais (quando estiverem antes da oração principal):
Quem inventou a fofoca, todos queriam descobrir.
Quando voltei, lembrei que precisava estudar para a prova.
- Para isolar as orações subordinadas adjetivas explicativas:
A incrível professora, que ainda estava na faculdade, dominava todo o conteúdo.
- Para separar itens de uma enumeração:
No parque de diversões, as crianças encontram: brinquedos, balões, pipoca etc
103
LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
Ponto e vírgula ( ; )
O ponto e vírgula indica uma pausa maior que a vírgula e menor que o ponto. Quanto à melodia da frase, indica
um tom ligeiramente descendente, mas capaz de assinalar que o período não terminou. Emprega-se nos seguintes
casos:
- Para separar orações coordenadas não unidas por conjunção, que guardem relação entre si:
O rio está poluído; os peixes estão mortos.
- Para separar orações coordenadas, quando pelo menos uma delas já possui elementos separados por vírgula:
O resultado final foi o seguinte: dez professores votaram a favor do acordo; nove, contra.
- Para alongar a pausa de conjunções adversativas (mas, porém, contudo, todavia, entretanto, etc.) , substituindo,
assim, a vírgula:
Gostaria de vê-lo hoje; todavia, só o verei amanhã.
- Para separar orações coordenadas adversativas quando a conjunção aparecer no meio da oração:
Esperava encontrar todos os produtos no supermercado; obtive, porém, apenas alguns.
Dois-pontos ( : )
O uso de dois-pontos marca uma sensível suspensão da voz numa frase não concluída. Emprega-se, geralmente:
- Para anunciar a fala de personagens nas histórias de ficção:
Ouvindo passos no corredor, abaixei a voz :
– Podemos avisar sua tia, não?
- Para anunciar uma citação.
Bem diz o ditado: Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura.
Lembrando um poema de Vinícius de Moraes: "Tristeza não tem fim, Felicidade sim."
- Para anunciar uma enumeração:
Os convidados da festa que já chegaram são: Júlia, Renata, Paulo e Marcos.
- Antes de orações apositivas.
Só aceito com uma condição: irás ao cinema comigo.
- Para indicar um esclarecimento, resultado ou resumo do que se disse:
Era assim mesmo: não tolerava ofensas.
Resultado: corri muito, mas não alcancei o ladrão.
Em resumo: montei um negócio e hoje estou rico.
- Na invocação das correspondências:
Prezados Senhores:
Convidamos todos para a reunião deste mês, que será realizada dia 30 de julho, no auditório da empresa.
Atenciosamente,
A Direção
Ponto Final ( . )
O ponto final representa a pausa máxima da voz. A melodia da frase indica que o tom é descendente. Emprega-se,
principalmente:
- Para fechar o período de frases declarativas e imperativas:
Contei ao meu namorado o que eu estava sentindo.
Façam o favor de prestar atenção naquilo que irei falar.
- Nas abreviaturas:
Sr. (Senhor)
Cia. (Companhia)
104
LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
Ponto de Interrogação ( ? )
O ponto de interrogação é usado ao final de qualquer interrogação direta, ainda que a pergunta não exija resposta.
A entoação ocorre de forma ascendente:
Onde você comprou este computador?
Quais seriam as causas de tantas discussões?
Por que não me avisaram?
Obs.: não se usa ponto interrogativo nas perguntas indiretas:
Perguntei quem era aquela criança.
Note que:
1) O ponto de interrogação pode aparecer ao final de uma pergunta intercalada, entre parênteses:
Trabalhar em equipe (quem o contesta?) é a melhor forma para atingir os resultados esperados.
2) O ponto de interrogação pode realizar combinação com o ponto admirativo:
Eu?! Que ideia!
Ponto de Exclamação ( ! )
O ponto de exclamação é utilizado após as interjeições, frases exclamativas e imperativas. Pode exprimir
surpresa, espanto, susto, indignação, piedade, ordem, súplica, etc. Possui entoação descendente:
Como as mulheres são lindas!
Pare, por favor!
Ah! Que pena que ele não veio...
Obs.: o ponto de exclamação substitui o uso da vírgula de um vocativo enfático:
Ana! venha até aqui!
Reticências ( ... )
As reticências marcam uma suspensão da frase, devido, muitas vezes a elementos de natureza emocional.
Empregam-se:
- Para indicar continuidade de uma ação ou fato:
O tempo passa...
- Para indicar suspensão ou interrupção do pensamento:
Vim até aqui achando que...
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
Os parênteses têm a função de intercalar no texto qualquer indicação que, embora não pertença propriamente ao
discurso, possa esclarecer o assunto. Empregam-se:
- Para separar qualquer indicação de ordem explicativa, comentário ou reflexão:
Zeugma é uma figura de linguagem que consiste na omissão de um termo (geralmente um verbo) que já apareceu
anteriormente na frase.
- Para incluir dados informativos sobre bibliografia (autor, ano de publicação, página etc.):
" O homem nasceu livre, e em toda parte se encontra sob ferros" (Jean- Jacques Rousseau, Do Contrato Social e outros
escritos. São Paulo, Cultrix, 1968.)
- Para isolar orações intercaladas com verbos declarativos, em substituição à vírgula e aos travessões:
Afirma-se (não se prova) que é muito comum o recebimento de propina para que os carros apreendidos sejam
liberados sem o recolhimento das multas.
- Para delimitar o período de vida de uma pessoa:
Carlos Drummond de Andrade (1902 – 1987).
- Para indicar possibilidades alternativas de leitura:
Prezado(a) usuário(a).
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
(Álvares de Azevedo)
Aspas ( " " )
As aspas têm como função destacar uma parte do texto. São empregadas:
- Antes e depois de citações ou transcrições textuais:
Como disse Machado de Assis: "A melhor definição do amor não vale um beijo de moça namorada."
- Para representar nomes de livros ou legendas:
Camões escreveu "Os Lusíadas" no século XVI.
Obs.: para realçar títulos de livros, revistas, jornais, filmes, etc. também podemos grifar as palavras, conforme o
exemplo:
Ontem assisti ao filme Central do Brasil.
- Para assinalar estrangeirismos, neologismos, gírias, expressões populares, ironia:
O "lobby" para que se mantenha a autorização de importação de pneus usados no Brasil está cada vez mais
descarado.
Com a chegada da polícia, os três suspeitos "se mandaram" rapidamente.
Que "maravilha": Felipe tirou zero na prova!
- Para realçar uma palavra ou expressão:
Mariana reagiu impulsivamente e lhe deu um "não".
Quem foi o "inteligente" que fez isso?
Obs.: em trechos que já estiverem entre aspas, se necessário usá-las novamente, empregam-se aspas simples.
Por Exemplo: "Tinha-me lembrado da definição que José Dias dera deles, 'olhos de cigana oblíqua e dissimulada'.
Eu não sabia o que era oblíqua, mas dissimulada sabia, e queria ver se podiam chamar assim. Capitu deixou-se fitar e
examinar." (Machado de Assis)
Colchetes ( [ ] )
Os colchetes têm a mesma finalidade que os parênteses; todavia, seu uso se restringe aos escritos de cunho didático,
filológico, científico. Pode ser empregado:
- Em definições do dicionário, para fazer referência à etimologia da palavra:
amor- (ô). [Do lat. amore.] 1. Sentimento que predispõe alguém a desejar o bem de outrem, ou de alguma coisa: amor
ao próximo; amor ao patrimônio artístico de sua terra. (Novo Dicionário Aurélio)
- Para intercalar palavras ou símbolos não pertencentes ao texto:
Em Aruba se fala o espanhol, o inglês, o holandês e o papiamento. Aqui estão algumas palavras de papiamento que
você, com certeza, vai usar:
1- Bo tabon? [Você está bem?]
2- Dios no tadiBrazil. [Deus não é brasileiro.]
- Para inserir comentários e observações em textos já publicados:
Machado de Assis escreveu muitas cartas a Sílvio Dinarte. [pseudônimo de Visconde de Taunay, autor de
"Inocência"]
- Para indicar omissões de partes na transcrição de um texto:
"É homem de sessenta anos feitos [...] corpo antes cheio que magro, ameno e risonho" (Machado de Assis)
Asterisco ( * )
O asterisco, sinal gráfico em forma de estrela, costuma ser empregado:
- Nas remissões a notas ou explicações contidas em pé de páginas ou ao final de capítulos:
Ao analisarmos as palavras sorveteria, sapataria, confeitaria, leiteria e muitas outras que contêm o morfema preso* -
aria e seu alomorfe -eria, chegamos à conclusão de que este afixo está ligado a estabelecimento comercial. Em alguns
contextos pode indicar atividades, como em: bruxaria, gritaria, patifaria, etc.
* É o morfema que não possui significação autônoma e sempre aparece ligado a outras palavras.
- Nas substituições de nomes próprios não mencionados:
107
LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
O Dr.* conversou durante toda a palestra.
O jornal*** não quis participar da campanha.
Sinônimos
As palavras que possuem significados próximos são chamadas sinônimos:
casa - lar - moradia - residência
longe - distante
delicioso - saboroso
carro - automóvel
Observe que o sentido dessas palavras são próximos, mas não são exatamente equivalentes. Dificilmente
encontraremos um sinônimo perfeito, uma palavra que signifique exatamente a mesma coisa que outra.
Há uma pequena diferença de significado entre palavras sinônimas. Veja que, embora casa e lar sejam sinônimos,
ficaria estranho se falássemos a seguinte frase:
Comprei um novo lar.
Obs.: o uso de palavras sinônimas pode ser de grande utilidade nos processos de retomada de elementos que
inter-relacionam as partes dos textos.
Antônimos
São palavras que possuem significados opostos, contrários. Exemplos:
mal / bem
ausência / presença
fraco / forte
claro / escuro
subir / descer
cheio / vazio
possível / impossível
Polissemia
Polissemia é a propriedade que uma mesma palavra tem de apresentar mais de um significado nos múltiplos
contextos em que aparece. Veja alguns exemplos de palavras polissêmicas:
cabo (posto militar, acidente geográfico, cabo da vassoura, da faca)
banco (instituição comercial financeira, assento)
manga (parte da roupa, fruta)
Homônimos
São palavras que possuem a mesma pronúncia (algumas vezes, a mesma grafia), mas significados diferentes.
Veja alguns exemplos:
acender (colocar fogo)ascender (subir)
acento (sinal gráfico)assento (local onde se senta)
acerto (ato de acertar)asserto (afirmação)
apreçar (ajustar o preço)apressar (tornar rápido)
bucheiro (tripeiro) buxeiro (pequeno arbusto)
bucho (estômago) buxo (arbusto)
caçar (perseguir animais) cassar (tornar sem efeito)
cegar (deixar cego) segar (cortar, ceifar)
cela (pequeno quarto) sela (forma do verbo selar; arreio)
censo (recenseamento) senso (entendimento, juízo)
108
LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
céptico (descrente) séptico (que causa infecção)
cerração (nevoeiro) serração (ato de serrar)
cerrar (fechar) serrar (cortar)
cervo (veado) servo (criado)
chá (bebida) xá (antigo soberano do Irã)
cheque (ordem de pagamento) xeque (lance no jogo de xadrez)
círio (vela) sírio (natural da Síria)
cito (forma do verbo citar) sito (situado)
concertar (ajustar, combinar) consertar (reparar, corrigir)
concerto (sessão musical) conserto (reparo)
coser (costurar) cozer (cozinhar)
esotérico (secreto) exotérico (que se expõe em público)
espectador (aquele que assiste) expectador (aquele que tem esperança, que espera)
esperto (perspicaz) experto (experiente, perito)
espiar (observar) expiar (pagar pena)
espirar (soprar, exalar) expirar (terminar)
estático (imóvel) extático (admirado)
esterno (osso do peito) externo (exterior)
estrato (camada) extrato (o que se extrai de algo)
estremar (demarcar) extremar (exaltar, sublimar)
incerto (não certo, impreciso) inserto (inserido, introduzido)
incipiente (principiante)insipiente (ignorante)
laço (nó) lasso (frouxo)
ruço (pardacento, grisalho) russo (natural da Rússia)
tacha (prego pequeno) taxa (imposto, tributo)
tachar (atribuir defeito a) taxar (fixar taxa)
Homônimos Perfeitos
Parônimos
É a relação que se estabelece entre palavras que possuem significados diferentes, mas são muito parecidas na
pronúncia e na escrita. Veja alguns exemplos no quadro abaixo.
absolver (perdoar, inocentar) absorver (asprirar, sorver)
apóstrofe (figura de linguagem) apóstrofo (sinal gráfico)
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LÍNGUA PORTUGUESA/GRAMÁTICA
aprender (tomar conhecimento) apreender (capturar, assimilar)
arrear (pôr arreios) arriar (descer, cair)
ascensão (subida) assunção (elevação a um cargo)
bebedor (aquele que bebe) bebedouro (local onde se bebe)
cavaleiro (que cavalga) cavalheiro (homem gentil)
comprimento (extensão) cumprimento (saudação)
deferir (atender) diferir (distinguir-se, divergir)
delatar (denunciar) dilatar (alargar)
descrição (ato de descrever) discrição (reserva, prudência)
descriminar (tirar a culpa) discriminar (distinguir)
despensa (local onde se guardam mantimentos) dispensa (ato de dispensar)
110
LÍNGUA PORTUGUESA/TÉCNICA DE REDAÇÃO
Como fazer uma boa redação
Dominar a arte da escrita é um trabalho que exige prática e dedicação. No entanto, conhecer seu lado teórico é muito
importante. Aqui você encontra um resumo desta teoria.
Aplique-a em seu trabalho, mas não se esqueça: você precisará fazer a sua parte, isto é, escrever. E principalmente
estar atualizado perante os acontecimentos autuais da sociedade.
SIMPLICIDADE
Use palavras conhecidas e adequadas. Escreva com simplicidade. Para que se tenha bom domínio, prefira frases
curtas. Amarre as frases, organizando as ideias. Cuidado para não mudar de assunto de repente. Conduza o leitor de
maneira leve pela linha deargumentação.
CLAREZA
O segredo está em não deixar nada subentendido, nem imaginar que o leitor sabe o quevocê quer dizer. Evidencie todo
o conteúdo da sua escrita. Lembre-se: você está comunicando a sua opinião, falando de suas ideias, narrando um fato.
O mais importante é fazer-se entender.
OBJETIVIDADE
Você tem que expressar o máximo de conteúdo com o menor número de palavras possíveis. Por isso não repita ideias,
não use palavras demais ou outras coisas que só para aumentem as linhas. Concentre-se no que é realmente necessário
para o texto. A pesquisa prévia ajuda a selecionar melhor o que se deve usar.
A elaboração de textos dissertativos requer domínio da modalidade escrita da língua, desde a questão ortográfica ao
uso de um vocabulário preciso e de construções sintáticas organizadas, além de conhecimento do assunto que se vai
abordar e posição crítica (pessoal) diante desse assunto.
A atividade dissertadora desenvolve o gosto de pensar e escrever o que pensa, de questionar o mundo, de procurar
entender e transformar a realidade.·.
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LÍNGUA PORTUGUESA/TÉCNICA DE REDAÇÃO
- Introdução: A introdução deve apresentar de maneira clara o assunto que será tratado e delimitar as questões,
referentes ao assunto, que serão abordadas.
Neste momento pode-se formular uma tese, que deverá ser discutida e provada no texto, propor uma pergunta, cuja
2
LÍNGUA PORTUGUESA/TÉCNICA DE REDAÇÃO
resposta deverá constar no desenvolvimento e explicitada na conclusão. Nunca devemos elaborar uma introdução
muito extensa use no máximo de quatro a cinco linhas, pois iremos apenas apresentar nossa ideia.
AMBIGÜIDADE OU ANFIBOLOGIA:
É o vício de linguagem que consiste em usar diversas palavras na frase de maneira a causar
duplo sentido na sua interpretação.
Ex.: Não se convence, enfim, o pai, o filho, amado. O chefe discutiu com o empregado e estragou seu dia. (nos dois
casos, não se sabe qual dos dois é autor, ou paciente).
CACOFONIA:
Vício de linguagem caracterizado pelo encontro ou repetição de fonemas ou sílabas que produzem efeito desagradável
ao ouvido. Constituem cacofonias:
• A colisão.
Ex.: Meu Deus não seja já.
• O eco
Ex.: Vicente mente constantemente.
• o hiato
Ex.: Ela iria à aula hoje, se não chovesse CURSO PALESTRA GRATUÍTA.
• O cacófato
Ex.: Tem uma mão machucada: A aliteração - Ex.: Pede o Papa paz aopovo. O antônimo é a "eufonia".
ECO:
Espécie de cacofonia que consiste na sequência de sons vocálicos, idênticos, ou na proximidade de palavras que têm a
mesma terminação. Também se chama assonância.
4
LÍNGUA PORTUGUESA/TÉCNICA DE REDAÇÃO
Ex.: É possível a aprovação da transação sem concisão e sem associação.
De repente, o presidente ficou extremamente doente com dor de dente.
Na poesia, a "rima" é uma forma normal de eco. São expressivas as repetições vocálicas a curto intervalo que visam à
musicalidade ou à imitação de sons da natureza (harmonia imitativa); "Tíbios flautins finíssimos gritavam" (Bilac).
ARCAÍSMO:
Palavras, expressões, construções ou maneira de dizer que deixaram de ser usadas ou assaram a ter emprego diverso.
Na língua viva contemporânea: asinha (por depressa), assi (por assim) entonces (por então), vosmecê (por você),
geolho (por joelho), arreio (o qual perdeu a significação antiga de enfeite), catar (perdeu a significação antiga de
olhar), faria-te um favor (não se coloca mais o pronome pessoal átono depois de forma verbal do futuro do indicativo),
etc.
VULGARISMO:
É o uso linguístico popular em contraposição às doutrinas da linguagem culta da mesma
região. O vulgarismo pode ser fonético, morfológico e sintático. • Fonético:o A queda dos erres finais: anda, comê,
etc. A vocalização do "L" final nas sílabas.
Ex.: mel = meu sal = saú etc.
o A monotongação dos ditongos.
Ex.: estoura = estóra, roubar = robar.
o A intercalação de uma vogal para desfazer um grupo consonantal.
Ex.: advogado = adevogado, rítmo = rítimo, psicologia = pissicologia.
ESTRANGEIRISMO: Todo e qualquer emprego de palavras, expressões e construções estrangeiras em nosso idioma
recebe denominação de estrangeirismo. Classificam-se em: francesismo, italianismo, espanholismo, anglicismo
(inglês), germanismo (alemão), eslavismo (russo, polaço, etc.), arabismo, hebraísmo, grecismo, latinismo, tupinismo
(tupi-guarani), americanismo (línguas da América) etc...
O estrangeirismo pode ser morfológico ou sintático. CURSO MÉTODO VESTIBULARES 79
• Estrangeirismos morfológicos: Francesismo: abajur, chefe, carnê, matinê etc...
Italianismos: ravioli, pizza, cicerone, minestra, madona etc...
Espanholismos: camarilha, guitarra, quadrilha etc...
Anglicanismos: futebol, telex, bofe, ringue, sanduíche breque.
Germanismos: chope, cerveja, gás, touca etc...
Eslavismos: gravata, estepe etc...
Arabismos: alface, tarimba, açougue, bazar etc...
Hebraísmos: amém, sábado etc...
Grecismos: batismo, farmácia, o limpo, bispo etc...
Latinismos: index, bis, memorandum, quo vadis etc...
Tupinismos: mirim, pipoca, peteca, caipira etc...
Americanismos: canoa, chocolate, mate, mandioca etc...
Orientalismos: chá, xícara, pagode, kamikaze etc...
Africanismos: macumba, fuxicar, cochilar, samba etc...
Estrangeirismos Sintáticos:
Exemplos: Saltar aos olhos (francesismo);
Pedro é mais velho de mim. (italianismo);
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LÍNGUA PORTUGUESA/TÉCNICA DE REDAÇÃO
O jogo resultou admirável. (espanholismo);
Porcentagem (anglicanismo), guerra fria (anglicanismo) etc...
SOLECISMOS:
São os erros que atentam contra as normas de concordância, de regência ou de colocação.
Exemplos:
• Solecismos de regência:
Ontem assistimos o filme (por: Ontem assistimos ao filme). Cheguei no Brasil em 1923 (por: Cheguei ao Brasil em
1923).
Pedro visava o posto de chefe (correto: Pedro visava ao posto de chefe).
• Solecismo de concordância:
Haviam muitas pessoas na festa (correto: Havia muitas pessoas na festa)
O pessoal já saíram? (correto: O pessoal já saiu?).
• Solecismo de colocação:
Foi João quem avisou-me (correto: Foi João quem me avisou).
Me empresta o lápis (Correto: Empresta-me o lápis).
OBSCURIDADE:
Vício de linguagem que consiste em construir a frase de tal modo que o sentido se torne
obscuro, embaraçado, ininteligível. Em um texto, as principais causas da obscuridade são: o
abuso do arcaísmo e o neologismo, o provincianismo, o estrangeirismo, a elipse, a sínquise
(hipérbato vicioso), o parêntese extenso, o acúmulo de orações intercaladas (ou incidentes)
as circunlocuções, a extensão exagerada da frase, as palavras rebuscadas, as construções
intrincadas e a má pontuação. Ex.: Foi evitada uma efusão de sangue inútil (Em vez de efusão inútil de sangue).
NEOLOGISMO:
Palavra, expressão ou construção recentemente criada ou introduzida na língua.
Costumam-se classificar os neologismos em:
• Extrínsecos: que compreendem os estrangeirismos. CURSO MÉTODO VESTIBULARES 81
• Intrínsecos: (ou vernáculos), que são formados com os recursos da própria língua.
Podem ser de origem culta ou popular.
Os neologismos de origem culta subdividem-se em:
• Científicos ou técnicos: aeromoça, penicilina, telespectador, taxímetro (redução:
táxi), fonemática, televisão, comunista, etc...
• Literários ou artísticos: (= pessoa importante, prócer), vesperal, festival, recital, concretismo, modernismo etc...
OBS.: Os neologismos populares são constituídos pelos termos de gíria. "Manjar"
(entender, saber do assunto), "a pampa", legal (excelente), Zico, biruta, transa,
psicodélico etc...
PRECIOSISMO:
Expressão rebuscada. Usa-se com prejuízo da naturalidade do estilo. É o que o povo chama
de "falar difícil", "estar gastando".
Ex.: "O fulvo e voluptoso Rajá celeste derramará além os fugitivos esplendores da sua magnificência astral e
rendilhara d’alto e de leve as nuvens da delicadeza, arquitetural, decorativa, dos estilos manuelinos."
OBS.: O preciosismo também pode ser chamado de PROLEXIDADE.
PLEONASMO:
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LÍNGUA PORTUGUESA/TÉCNICA DE REDAÇÃO
Emprego inconsciente ou voluntário de palavras ou expressões involuntárias, desnecessárias, por já estar sua
significação contida em outras da mesma frase.
O pleonasmo, como vício de linguagem, contém uma repetição inútil e desnecessária dos elementos.
Exemplos:
Voltou a estudar novamente.
Ele reincidiu na mesma falta de novo.
Primeiro subiu para cima, depois em seguida entrou nas nuvens.
O navio naufragou e foi ao fundo. Neste caso, também se chama perissologia ou tautologia.
2. Frases-feitas
Outro defeito que deve ser evitado nos textos dissertativos (e em quaisquer outros) é o uso de expressões já
vulgarizadas pelo uso excessivo. Não se trata de um caso de erro gramatical, mas sim de uma questão de criatividade.
Se todo mundo usa as mesmas frases, os textos ficarão sem originalidade. Veja a seguir algumas frases que devem ser
evitadas a todo custo:
- Arrebentar a boca do balão
- Silencio sepulcral
- A vida é uma caixinha de surpresas
- No Brasil, o rico cada dia fica mais rico e o pobre fica cada vez mais pobre.
- Caso haja pena de morte no Brasil, somente negros e pobres irão morrer.
- Vitória esmagadora.
- Somente Jesus cristo salvará o nosso povo desta crise.
- Cair pelas tabelas
- Esmagadora maioria
- Chover no m olhado
- Botar pra quebrar
- Passar em brancas nuvens
- Ver o sol nascer quadrado
- Segurar com unhas e dentes
- Ficar literalmente arrasado CURSO MÉTODO VESTIBULARES 83
- Dizer cobras e lagartos
- Estar com a bola toda
- Agradar a gregos e troianos
- Nem mesmo Jesus Cristo agradou a todos
Conectivos são conjunções que ligam as orações, estabelecem a conexão entre as orações nos períodos compostos e
também as preposições, que ligam um vocábulo a outro.
O período composto é formado de duas ou mais orações. Quando essas orações são independentes umas das outras,
chamamos de período composto por coordenação. Essas orações podem estar justapostas (sem conectivos) ou ligadas
por conjunções (= conectivos).
CONECTIVOS coordenativos são as seguintes ADITIVAS (adicionam, acrescentam): e, nem (e não),também, que; e
as locuções: mas também, senão também, como também...
Ela estuda e trabalha.
ADVERSATIVAS (oposição, contraste): mas, porém, todavia, contudo, entretanto, senão, que. Também as locuções:
no entanto, não obstante, ainda assim, apesar disso.
Ela estuda, no entanto não trabalha.
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LÍNGUA PORTUGUESA/TÉCNICA DE REDAÇÃO
ALTERNATIVAS (alternância): ou. Também as locuções ou...ou, ora...ora, já...já, ...quer...
Ou ela estuda ou trabalha.
CONCLUSIVAS (sentido de conclusão em relação à oração anterior): logo, portanto, pois (posposto ao
verbo).Também as locuções: por isso, por conseguinte, pelo que...
Ela estudou com dedicação, logo deverá ser aprovada.
EXPLICATIVAS (justificam a proposição da oração anterior): que, porque, porquanto...
Vamos estudar, que as provas começam amanhã.
Quando as orações dependem sintaticamente umas das outras, chamamos período composto por subordinação. Esses
períodos compõem-se de uma ou mais orações principais e uma ou mais orações subordinadas.
CONECTIVOS subordinativos são as seguintes conjunções e locuções subordinadas:
CAUSAIS (iniciam a oração subordinada denotando causa.): que, como, pois, porque, porquanto. Também as
locuções: por isso que, pois que, já que, visto que...
Ela deverá ser aprovada, pois estudou com dedicação.
COMPARATIVAS (estabelecem comparação): que, do que (depois de mais, maior, melhor ou menos, menor, pior),
como...Também as locuções: tão...como, tanto...como, mais...do que, menos...do que, assim como, bem como, que
nem...
Ela é mais estudiosa do que a maioria dos alunos
CONCESSIVAS (iniciam oração que contraria a oração principal, sem impedir a ação declarada): que, embora,
conquanto. Também as locuções: ainda que, mesmo que, bem que, se bem que, nem que, apesar de que, por mais que,
por menos que...
Ela não foi aprovada, embora tenha estudado com dedicação.
CONDICIONAIS (indicam condição): se, caso. Também as locuções: contanto que, desde que, dado que, a menos
que, a não ser que, exceto se...
Ela pode ser aprovada, se estudar com dedicação.
Finais (indicam finalidade): As locuções para que, a fim de que, por que...
É necessário estudar com dedicação, para que se obtenha aprovação.
TEMPORAIS (indicam circunstância de tempo): quando, apenas, enquanto...Também as locuções: antes que, depois
que, logo que, assim que, desde que, sempre que...
Ela deixou de estudar com dedicação,quando foi aprovada.
CONSECUTIVAS (indicam conseqüência): que (precedido de tão, tanto, tal) e também as locuções: de modo que, de
forma que, de sorte que, de maneira que...
Ela estudava tanto, que pouco tempo tinha para dedicar-se à família.
INTEGRANTES (introduzem uma oração):se, que.
Ela sabe que é importante estudar com dedicação.
QUADRO DE CONECTIVOS
QUADRO 1
IDEIAS SIMPLES COMPOSTOS
porque, pois,
por causa de, devido a, em vista de, em virtude
por, porquanto,
causa de, em face de, em razão de, já que, visto que,
dado, visto,
uma vez que, dado que
como
tão, tal, tamanho, de modo que, de forma que, de maneira que, de
consequência imprevista
tanto ..., que sorte que, tanto que
IDEIAS SIMPLES COMPOSTOS
logo, portanto,
consequência lógica assim sendo, por conseguinte
pois, assim
para que, a fim de que, a fim de, com o propósito
finalidade para, porque
de, com a intenção de, com o fito de, com o
8
LÍNGUA PORTUGUESA/TÉCNICA DE REDAÇÃO
intuito de
se, caso,
contanto que, a não ser que, a menos que, exceto
condição mediante, sem,
se
salvo
mas, porém,
oposição branda contudo, todavia, no entanto
entretanto
apesar de, a despeito de, não obstante, malgrado
embora,
a, sem embargo de, se bem que, mesmo que,
oposição conquanto,
ainda que, em que pese, posto que, por mais que,
muito embora
por muito que
do mesmo modo que, como se, assim como, tal
comparação como, qual
como
quando, logo que, antes que, depois que, desde que, cada
tempo enquanto, vez que, todas as vezes que, sempre que, assim
apenas, ao, mal que
proporção á proporção que, à medida que
conforme,
conformidade segundo, de acordo com, em conformidade com
consoante, como
nem ...nem, ou ... ou, ora ... ora, quer ... quer, seja
alternância ou
... seja
não só ... mas também, tanto ... como, não apenas
adição e, nem
... como
restrição que
QUADRO 2
Como indicar as circunstâncias e outras relações
Observe a correlação entre conectivos e as idéias expressas por eles, na tabela a seguir:
Conectivo Valor semântico Exemplo
Assim, desse modo Têm valor exemplificativo, O Governador resolveu não se comprometer com
servem, normalmente, nenhum dos candidatos a prefeito. Assim, ele ficará à
para explicitar, confirmar vontade para negociar com quem quer que seja eleito.
ou ilustrar o que se disse
antes.
E Serve para anunciar uma Correto: Este trator serve para arar a terra e para fazer a
progressão e não para colheita.
repetir o que foi dito antes.
Além disso, as idéias Errado: Tinha preguiça de estudar e dormiu.
expressas devem poder
figurar como
complementos.
Ainda Serve para a inclusão de As eleições devem servir para melhorar consolidar o
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LÍNGUA PORTUGUESA/TÉCNICA DE REDAÇÃO
elementos processo democrático. Servem, ainda, para definir os
rumos que os moradores querem para a cidade.
Aliás, além do mais, Introduzem um argumento Os salários estão cada vez mais baixos porque os
além de tudo, além decisivo, apresentado aumentos concedidos não acompanham a inflação. Além
disso como acréscimo, como se disso, os impostos acabam por deteriorar ainda mais os já
fosse desnecessário, achatados salários.
justamente para dar o
golpe final no argumento
contrário.
Isto é, quer dizer, ou Introduzem Muitos jornais, principalmente em época de eleição,
seja, ou melhor, em esclarecimentos ou alardeiam sua neutralidade. Isto é, seu pretenso
outras palavras retificações do que foi dito descompromisso com partidos e candidatos.
Mas, porém, contudo, Marcam oposição clara EUA é bom, mas é uma porcaria.
todavia, no entanto, entre dois argumentos. O Brasil é uma porcaria, mas é bom.
entretanto Tudo o que vem depois Queria muito ser admitido pela empresa, entretanto não
deles é a idéia mais possuía as qualificações necessárias.
relevante na frase
Embora, ainda que, Estabelecem ao mesmo Ainda que a ciência e a técnica tenham presenteado o
mesmo que tempo relações de oposição homem com muitos avanços e comodidades, não
e concessão. Servem para resolveram o problema das injustiças.
admitir um dado contrário
para depois negar seu
valor.
Pois Quando tem valor Ele brigou feio com a namorada, pois ela o ofendeu
explicativo, denota que a gratuitamente.(explicativo)
idéia posterior a ele é a
causa óbvia para o caso. Não conseguiu a nota esperada. Ficou, pois, decepcionado
Quando vem entre com eu desempenho. (conclusivo)
vírgulas, tem valor
conclusivo.
Porque, por isso que, Estabelecem relações de Negou-se a prestar esclarecimentos à polícia, devido a isso
visto que, uma vez que, causa e conseqüência foi preso.
haja vista que, em
virtude de, devido a,
A fim de, para que, com Estabelecem relações de Acelerou o carro a fim de atingir o homem que
o intuito de, com a finalidade, as quais atravessava a rua.
intenção de, com o fito revelam a intenção clara
de de quem praticou a idéia
expressa.
Tanto que, tão que Estabelecem relações de Acelerou tanto o carro que atingiu o homem que
conseqüência, as quais ao atravessava a rua.
acidentais.
A menos que, se, caso Introduzem as condições A menos que tenha de trabalhar, irei à festa.
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LÍNGUA PORTUGUESA/TÉCNICA DE REDAÇÃO
para que um fato se dê. Caso não tenha de trabalhar irei à festa.
O uso dos verbos: relações de tempo e aspecto
Tempo verbal Aspecto Exemplo
Presente do indicativo Hábito atual Eu estudo língua italiana.
Presentificação de fatos para “Estou para numa de esquina de Copacabana. São
aumentar-lhes a veracidade duas horas da madrugada.”(Fernando Sabino)
Pretérito imperfeito do Simultaneidade ou duração no Quando cheguei, ele ainda dormia.
indicativo passado
Hábito passado Eu andava de bicicleta na infância.
Vontade ou desejo Queria que você fosse comigo ao show.
Futuro do presente Hipótese Quantos não estarão morrendo com este frio.
Observância a normas ou “Não matarás.”
preceitos
Pretérito mais que desejo Quem dera eu tivesse sua idade!
perfeito
Modo subjuntivo Expressa possibilidades Se eu pudesse, iria com você.
Quando eu puder, irei com você.
Bibliografias
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Sousândrade, 2004.
BASTOS, Lúcia Kotschitz. Coesão e coerência em narrativas escolares. São Paulo:
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