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Laudo Lesao Corporal

O laudo pericial nº 2025.02.xxxxxx relata uma perícia de lesão corporal em uma vítima de 28 anos, agredida pelo namorado durante uma discussão por ciúmes. As lesões foram compatíveis com agressões físicas ocorridas entre 24 e 72 horas antes da perícia, e o exame constatou equimoses em várias partes do corpo. O laudo conclui que houve ofensa à integridade corporal da vítima, mas não resultou em perigo de vida ou incapacidade permanente.

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Laudo Lesao Corporal

O laudo pericial nº 2025.02.xxxxxx relata uma perícia de lesão corporal em uma vítima de 28 anos, agredida pelo namorado durante uma discussão por ciúmes. As lesões foram compatíveis com agressões físicas ocorridas entre 24 e 72 horas antes da perícia, e o exame constatou equimoses em várias partes do corpo. O laudo conclui que houve ofensa à integridade corporal da vítima, mas não resultou em perigo de vida ou incapacidade permanente.

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GOVERNO DO ESTADO DO PARÁ

CENTRO DE PERÍCIAS CIENTÍFICAS RENATO CHAVES


INSTITUTO DE CRIMINALÍSTICA

Laudo nº 2025.02.xxxxxx - Prot.: 2025.02.xxxxxx

Às 15 horas e 16 minutos do dia 02 de Abril de 2025, foi designado o


Perito Oficial xxxxx, pelo Gerente Regional do(a) Coordenação Regional I -
Nordeste do Pará, Perito Oficial xxxxxxxx para realizar Perícia de Local de
Lesão Corporal, atendendo solicitação da Autoridade Policial Delegado
xxxxxxx, conforme BOP xxxxxxx da Delegacia de Castanhal - DELEGACIA DE
POLICIA - 3ª RISP, datado de 31 de Março de 2025, registrado em 02 de Abril
de 2025 descrevendo com verdade o que encontrar, descobrir e observar.
1 PRELIMINARES
A Perícia foi solicitada via celular e posteriormente por ofício solicitando
exame de lesão corporal em vítima de 28 anos de idade por ter sofrido
agressão física pelo namorado em uma discussão por motivos de ciúmes na
manhã do dia 31 de Março de 2025, conforme relatos da menor relatora cujo
nome tem as iniciais JMR, moradora do Conjunto Ana Júlia, rua Travessa D,
Município de Castanhal, Estado do Pará.
2 HISTÓRICO
Segundo informações do pai da vítima que não quis se identificar no
momento em que a equipe pericial iniciou os exames na pericianda, sua filha
(JMR) havia discutido com o namorado por ciúmes e acabaram brigando e se
agredindo fisicamente no dia 31 de Março de 2025 no quarto da própria vítima
e a mesma tentou esconder os sinais no seu corpo colocando camisa de
manga e usando óculos. Como o relator desconfiou e descobriu as marcas no
dia 02 de Abril, o mesmo levou a filha na delegacia de Castanhal para fazer o
Boletim de Ocorrência policial.

3 MATERIAL E MÉTODO
Sala de atendimento reservada, biombo, pia para lavagem das mãos,
sabonete, toalhas de papel para secagem das mãos, luvas de procedimento,
maca, escada para subir à maca, esfignomanômetro, estetoscópio, fita métrica,
balança biométrica, foco, máquina fotográfica, mapas do corpo humano
indicando a topografia das regiões anatômicas, equipamento de informática
para digitação e impressão dos laudos. Exames físicos e anamnese.

4 DESCRIÇÃO
Primeiro foi coletado a história narrada pela vítima de iniciais JMR. A
paciente apresenta olho de guaxinim que contou que teve uma agressão física
(murros) por parte do namorado devido a uma discussão de ciúmes. Fato
aconteceu no dia 31 de Março de 2025 no turno da manhã por volta das
10h30min.
Sexo da examinada: feminino
À altura estimada: 1m e 50cm.
O peso: 54kg
Um breve resumo de seus antecedentes clínicos: dada da pubarca: 12
anos de idade; menarca: 13 anos de idade; telarca: 13 anos de idade. Não
apresentou o quadro vacinal e não usava medicamentos.
Depois da descrição dos achados. A examinada, pertence ao sexo
feminino, aparenta entre 25 e 30 anos, cabelos escuros, lisos, de comprimento
até os ombros. Pele clara, etnia tipo parda, apresenta equimose numular, tipo
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violeta, ao redor da pálpebra esquerda e região do zigoma esquerda. Sendo


observado também outras equimoses também numulares no braço direito 1/3
médio e anterior com cerca de 4,5 cm; no braço esquerdo 1/3 médio e face
lateral com cerca de 3 cm e halo eritematoso; no antebraço esquerdo 1/3
proximal, face posterior com cerca de 3 cm sem halo eritematoso significante.
5 DISCUSSÃO:
A examinada apresenta lesões corporais compatíveis com agressões
física entre 24 e 72h de acordo com o espectro de Legrand Du Saule.

5 QUESITOS DE LEI:
5.1 HOUVE OFENSA À INTEGRIDADE CORPORAL OU À SAÚDE DO
PERICIANDO?
SIM.

5.2 QUAL O INSTRUMENTO, AÇÃO OU MEIO QUE A PRODUZIU?


MEIO FÍSICO.

5.3 FOI PRODUZIDA POR VENENO, FOGO, EXPLOSIVO, ASFIXIA,


TORTURA* OU POR MEIO INSIDIOSO OU CRUEL? (RESPOSTA
ESPECIFICADA)
FOI PRODUZIDO POR MEIO CRUEL DECORRENTE DE UMA FORÇA
CONTUSA APLICADA NA SUPERFÍCIE CORPÓREA (EX: MURRO).

5.4 RESULTOU PERIGO DE VIDA?


NÃO TEMOS ELEMENTOS PARA RESPONDER POR BOLETIM DE
OCORRÊNCIA POLICIAL NÃO SER ESCLARECEDOR

5.5 RESULTOU INCAPACIDADE PARA AS OCUPAÇÕES


HABITUAIS POR MAIS DE 30 DIAS?
NÃO.

5.6 RESULTOU DEBILIDADE PERMANENTE DE MEMBRO,


SENTIDO OU FUNÇÃO? (RESPOSTA ESPECIFICADA)
NÃO.

5.7 RESULTOU PERDA OU INUTILIZAÇÃO DE MEMBRO,


SENTIDO OU FUNÇÃO, INCAPACIDADE PERMANENTE PARA O
TRABALHO, DEFORMIDADE PERMANENTE OU ENFERMIDADE
INCURÁVEL? (RESPOSTA ESPECIFICADA)
NÃO

5.8 RESULTOU ACELERAÇÃO DE PARTO OU ABORTAMENTO?


NÃO

5.9 A VITIMA É MENOR DE 14 ANOS? *


NÃO.
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5.10 HÁ VESTÍGIOS DE TORTURA? *


NÃO TEMOS ELEMENTOS PARA RESPONDER POR BOLETIM DE
OCORRÊNCIA POLICIAL NÃO SER ESCLARECEDOR.

6 CONSIDERAÇÕES TÉCNICO-CIENTÍFICOS

LESÕES CORPORAIS
A – Conceitos e Introdução
EXAME DE CORPO DE DELITO
O exame de corpo de delito direto é aquele realizado por perito para
provar a materialidade do crime. É o conjunto de meios materiais de
comprovação da existência dos elementos essenciais de um fato típico.
Pode ser DIRETO ou INDIRETO.
DIRETO - É o exame do elemento corporal, material, que demonstra e
comprova a existência real e material da infração.
INDIRETO - É feito por meio de informações, depoimentos, filmes e
objetos. A autoridade oficia o hospital para que este envie o BAM – Boletim de
Atendimento Médico (não sendo caso de internação ou CTI) ou o prontuário (se
foi caso de internação ou CTI).
OBS: Art. 161. O exame de corpo de delito poderá ser feito em qualquer
dia e a qualquer hora.
- JURÍDICO: (caput do art. 129 do CPB): Ofender a integridade corporal
ou a saúde de outrem.
- (Nelson Hungria): O crime de lesão corporal consiste em qualquer dano
ocasionado por alguém, sem animus necandi, à integridade física ou saúde
(fisiológica ou mental) de outrem.
Segundo Aníbal Bruno a Lei protege a incolumidade da pessoa na sua
realidade corporal-anímica, como fonte e suporte da vida e de todas as
implicações individuais e sociais que esta comporta.
- MÉDICO-LEGAL:
- (Flamínio Fávero): Qualquer modificação da normalidade de origem
externa e violenta, em consequência de culpa, dolo ou acidente, ou seja,
qualquer alteração da integridade física, funcional ou psíquica do ofendido
antes de ser lesado.
- Qualquer tipo de dano ou prejuízo à integridade corporal ou à saúde
(mesmo que seja apenas à atividade funcional do cérebro – inteligência,
vontade ou memória) de alguém causada por outrem, de forma proposital ou
não, direta ou indiretamente (violência exercida contra a pessoa).
Lesão corporal é um crime de forma livre, podendo ser cometido por
qualquer meio, que se aperfeiçoa no momento em que há real ofensa à
integridade corporal ou à saúde física ou mental do ofendido. A Lei protege a
integridade física e fisiopsíquica da pessoa humana. Melhor seria denominar-se
de LESÃO PESSOAL.
O crime de lesão corporal pode ser praticado por qualquer pessoa,
independente de condições pessoais (sujeito ativo).
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O sujeito passivo (ofendido ou ameaçado) é o ser humano vivo, qualquer


pessoa, exceto na aceleração do parto e no aborto consequentes à lesão
corporal, quando a vítima deve ser sempre a mulher grávida.
Quando a vítima é menor de 14 anos de idade há um aumento de pena
nos termos do § 7º (pena aumentada de um terço).
A autolesão não é considerada como crime de lesão corporal, entretanto
pode constituir fato previsto no art. 171, § 2º, V do CP: “destrói, total ou
parcialmente, ou oculta coisa própria, ou lesa o próprio corpo ou a saúde, ou
agrava as consequências da lesão ou doença, com o intuito de haver
indenização ou valor de seguro” -. (Fraude para recebimento de indenização
em valor de seguro). O corte de barba e cabelo do ofendido, contra sua
vontade, é tema discutível em configurar lesão corporal.
Também é discutível quando o resultado da lesão melhora o estado do
ofendido em relação à maioria da população, entretanto o Juiz deverá levar em
consideração a intenção do agressor e o grau de ofensa apresentado pela
pessoa lesada para caracterizar o crime de lesão corporal.
A tentativa do crime de lesão corporal é impossível porque coincide com
a definição de vias de fato (TAMG, RT 615/343; TACRSP, RT 445/410),
embora existam pareceres da sua admissibilidade (TJRS, RT 409/337;
TACRSP, JTACRIM 76/312).

B – Causalidade do dano
- Energias de ordem mecânica – instrumentos produtores de lesões:
perfurante cortante, contundente, perfuro-cortante, perfuro-contundente, corto-
contundente;
- Energias de ordem física – temperatura, eletricidade, pressão
atmosférica, radioatividade, luz e som;
- Energias de ordem físico-química – diversos tipos de asfixias;
- Energias de ordem química – cáusticos e venenos;
- Energias de ordem bioquímica – perturbações alimentares,
autointoxicações, infecções;
- Energias de ordem biodinâmica – diversos tipos de choque;
- Energias de ordem mista – sevícias, infecções.
Pode ser qualquer meio idôneo que ofenda a integridade corporal ou a
saúde da vítima.
O delito pode ser por comissão (comportamento do agente orientado no
sentido de ofender a vítima) ou por omissão (descumprimento do dever de
prestar assistência ou exercer vigilância sobre outrem – p.ex.: deixar de
alimentar ou prestar atendimento médico necessário a que estava obrigado).
Quando o meio utilizado pelo agressor é empregado com crueldade ou
insídia pode pesar sobre a medida da punição.

C – Sede do dano
Qualquer parte do corpo pode ser sede de lesão. Qualquer que seja a
região atingida, a pele e o tecido celular subcutâneo são sempre lesados;
dependendo da profundidade, podem ser atingidos os músculos, vasos, nervos
e ossos. Como a lesão atinge a PESSOA como um todo, também poderá lesar
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ou alterar o funcionamento dos diversos órgãos e sentidos, assim como o seu


psiquismo (mente). A dor só é considerada quando acompanhada de substrato
anatômico, pois se trata de um sintoma (subjetivo), não podendo ser
mensurada.
O rubor da pele não é considerado como lesão corporal (RT, 576:379;
RJTJSP, 80:410) – fato de natureza transeunte, entretanto deve-se levar em
consideração que, sendo decorrente de uma agressão, a intenção do agressor
foi ofender a vítima.
As crises nervosas e a semi-inconsciência não configuram o delito (RT,
483:346). A crise nervosa só configura lesão corporal se acompanhada de
comprometimento funcional, físico ou mental – p.ex.: hipertensão arterial,
equimoses por aumento de pressão venosa, ruptura de vasos capilares (RT,
483:246).

D – Classificação ou divisão das lesões corporais – Art. 129 do


CPB.
l - Segundo a quantidade do dano:
a - leves (Art. 129, caput)
b - graves (Art. 129, § 1º, incisos I, II, III, IV)
c - gravíssimas (Art. 129, § 2º, incisos I, II, III, IV, V).
d - seguidas de morte (Art. 129, § 3º).
O caput e os parágrafos 1º, 2º, e 3º referem-se às lesões DOLOSAS
(vontade livre e consciente de produzir um dano a outrem) que serão objeto do
presente trabalho; O parágrafo 4º trata da diminuição da pena – crime por
relevante valor social ou moral ou sob violenta emoção: pena pode ser
reduzida de um sexto a um terço; No parágrafo 5º está prevista a substituição
da pena de detenção por multa, não sendo grave as lesões ou se são
recíprocas. Os parágrafos 6º e 7º referem-se às lesões CULPOSAS (forma
simples e qualificada), que também são punidas pela lei, pois todos têm o
dever de cautela na prática de atos, evitando assim danos a terceiros.” Se da
imprudência, negligência ou imperícia do agente derivou não a morte, mas
lesão corporal da vítima, o agente é punido com pena de detenção de dois
meses a um ano, não importa qual a sua gravidade, que só terá influência na
fixação da pena” – Mirabete,J. F., Código Penal interpretado, 3ª ed.
As lesões decorrentes de casos fortuitos - ACIDENTAIS são
consideradas como lesões corporais, embora sem um responsável direto e não
se enquadrando como crime.

2 - Segundo a qualidade do dano


a – Caput do art. 129:
Ofensa à integridade corporal ou à saúde de outrem, desde que isso não
redunde nas espécies contidas nos parágrafos 1º, 2º, ou 3º do Art. 129; assim
observamos dois elementos: um positivo - a existência da lesão, e outro
negativo - a não inclusão nos itens dos referidos parágrafos. O dolo do crime
de lesão corporal é a livre vontade consciente de produzir um dano ao corpo ou
à saúde de outrem ou assumir o risco de produzi-lo (animus laedendi ou
nocendi).
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A lesão insignificante não é considerada como crime, é o chamado


“crime de bagatela”, que pela ínfima lesão jurídica, o fato não caracteriza ilícito
penal (exclui a tipicidade do fato) – acórdão do STF aplicando o “princípio da
insignificância” em um caso de pequena equimose produzida no trânsito
(Damásio – Código Penal Anotado – fls.374, 5ª ed., 1995). TACRSP”.
“A insignificância das lesões corporais não pode ser utilizada como
justificativa para se deixar de aplicar a Lei Penal, pois a integridade física é
bem maior contra o qual nenhuma ofensa deve ser tolerada” (RJDTACRIM
28/172-3) – Mirabete, Código Penal interpretado – fls. 869, 3ª ed., 2003. O
risco que se corre é que, ao se considerar uma lesão corporal como
“levíssima”, não se cogita na possibilidade de uma concausa superveniente
durante a resolução da lesão corporal leve que possa agravar as
consequências da mesma. O art. 88 da Lei nº 9.099/95 diz que o inquérito
policial e a ação penal dependem de representação do ofendido ou de seu
representante legal.

b – § 1º do art. 129:
I) – Incapacidade para as ocupações habituais por mais de 30 dias
Refere-se às atividades costumeiras da vítima (prisma funcional e não
econômico), de todas as pessoas, em todas as faixas etárias e em todas as
ocupações, não é específico ao trabalho do ofendido, entretanto é exigido que
a ocupação seja lícita. A incapacidade deve ser total, entretanto, a hipótese
alcança também os casos em que o exercício da atividade seja perigoso e
possa comprometer sensivelmente o estado de sanidade da vítima, assim
como o exercício da atividade laboral, p.ex.: debilidade da função de preensão
em um operador de máquinas ou em um cirurgião; a incapacidade deve ser
provada por perícia médica em tempo hábil. A contagem de prazo da
incapacidade segue a regra do art. 10 do CP (1º dia é o da produção da lesão)
e a jurisprudência tem exigido que se efetue exame complementar (CPP, art.
168 – logo que decorra o prazo de trinta dias contado da data do crime). Não
há necessidade que a lesão esteja completamente cicatrizada – consolidação
da lesão, sempre obedecido o critério médico e que se faça sem perigo de
agravamento do estado do paciente ou que ponha em risco a sua integridade
ou alheia (p.ex. na fratura de ossos longos a formação do calo ósseo varia
entre 35 dias, porém para ter a consistência do osso normal necessita entre 45
a 60 dias). A figura da incapacidade continua se a vítima retorna aos seus
afazeres sem autorização médica, antes de decorrido o prazo fixado pela lei. A
ausência ou deficiência do laudo complementar pode ser suprida pela prova
testemunhal quando desaparecerem os vestígios que impossibilitem um exame
direto. É aconselhável a documentação da lesão por meio fotográfico,
especialmente quando houver a possibilidade de deformidade permanente.
A jurisprudência diz ser válida a perícia realizada em ficha
clínica/hospitalar do ofendido, por impossibilidade do exame pessoal, devendo
constar nos autos para a comprovação da materialidade do delito (exame de
corpo de delito indireto – prova testemunhal ou documental).
É imprescindível que o perito fundamente a sua conclusão de
incapacidade com uma descrição circunstanciada das lesões, não se limitando
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a respostas monossilábicas aos quesitos, o que poderá tornar o laudo


imprestável.

II) Perigo de vida


O critério para a avaliação do perigo de vida é o diagnóstico e deve estar
relacionado a uma lesão. É a probabilidade concreta, efetiva e iminente de
morte; a conclusão deve basear-se na análise dos sintomas e sinais colhidos
durante o exame clínico e dos resultados dos exames complementares, bem
como do que pode ser verificado no decurso de uma intervenção cirúrgica. Não
basta o perigo de vida presumido, sendo indispensável que ele se apresente
concretamente no momento da produção da lesão (perigo de vida imediato), é
uma prova eminentemente técnica. Entretanto deve-se levar em consideração
que podem surgir situações em que o perigo de vida venha a se instalar
tardiamente como consequência da lesão ou do processo patológico que esta
originou (concausas supervenientes – choque séptico por infecção hospitalar
(RT 596/336, tétano, etc.) – doutrina da equivalência dos antecedentes
causais, sendo imputável ao agente o resultado, mesmo quando, para a
produção deste, se tenha aliado causa superveniente (JTACRIM 40/222). No
perigo de vida imediato é desnecessário o exame complementar, o que não
ocorre no tardio, pois é necessário provar o nexo de causa e efeito, ou seja, a
relação direta da lesão com o quadro apresentado. Mesmo que a vítima seja
socorrida a tempo e de forma adequada, escapando do êxito letal, o perigo de
vida se configura no momento da produção da lesão, p. ex.: ferimento da coxa
com lesão da artéria femoral, socorrida com garroteamento seguido de
atendimento hospitalar de urgência por cirurgião vascular.
São exemplos de lesões com perigo de vida: ferimento penetrante de
abdome ou do tórax com lesão visceral correspondente, ferimento do pescoço
com lesão do feixe vásculo-nervoso, perfuração torácica com necessidade de
drenagem pleural, colapso total de um pulmão, necessidade de intervenção
cirúrgica com risco de infecção hospitalar, fratura da coluna vertebral, estado
de choque de causas diversas (hemorragias, desidratação, lesões cerebrais,
etc.), grandes queimados, derrame pleural com pneumotórax, hemorragia
intraperitoneal com sintomas de choque, perfuração de alça intestinal da vítima
com intervenção cirúrgica de emergência, fratura da coluna vertebral (TR
438/428) – Damásio de Jesus, Código Penal Anotado.
É indispensável que os peritos médicos reportem-se ao quadro
patológico esclarecendo os sintomas que os levaram à certeza do êxito letal
caso não fosse interrompido o processo, o laudo não pode ser genérico.
Não confundir com RISCO DE VIDA, sendo este a probabilidade de vir a
ocorrer êxito letal.
O perigo de vida só admite o dolo quanto à lesão e culpa quanto ao
resultado, pois se o fato foi praticado com dolo no tocante ao perigo de vida, o
autor responderá por tentativa de homicídio.
Se a vítima vier a falecer após o perigo de vida comprovado, o autor
responderá por lesão corporal seguida de morte.

III) Debilidade permanente de membro, sentido ou função.


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A vítima, como consequência de uma agressão, passa a ter uma


deficiência ou redução da capacidade funcional. O que interessa é verificar
exatamente o prejuízo que teve, e não comparar a vítima com a média dos
indivíduos, ou seja, com aquilo que se presume “normal”.
Permanente é a debilidade cuja cessação não se prevê, aquela que não
muda com o tempo. Parte da doutrina não exige que ela seja perpétua,
contentando-se em que seja duradoura, que ultrapasse em muito os doze
meses ou de cura improvável e incidir sobre membro (superior e inferior)
podendo interessar qualquer segmento do mesmo; sentido (visão, audição,
olfato, paladar e tato) ou função (digestiva, respiratória, circulatória, secretora,
reprodutora, locomotora, etc.) sem comprometer o bem-estar geral do
organismo. As expressões têm sentido certo, não podendo ser alargadas.
Segundo jurisprudência, a lei considera, dependendo da interpretação
dos juízes, que quando a debilidade atinge 80% da função, passa a ser
considerada como perda ou inutilização.
No caso de órgãos duplos, a debilidade pode ser uni ou bilateral; avaliar
sempre se a perda total de um deles leva realmente a uma debilidade. A perda
de ambos configura o § 2º, III (perda ou inutilização). Calcular a debilidade e
expressar, sempre que possível, em termos percentuais.
Os membros são constituídos de: superiores – braço, antebraço e mão;
inferiores – coxa, perna e pé. A perda de parte de um membro, p.ex. um dedo,
constitui uma debilidade, além da deformidade permanente. Na perda de
elementos dentários íntegros, exige-se a comprovação da debilidade - “A
debilidade de função mastigatória pela perda de dentes deve ficar bem apurada
e demonstrada, pericialmente, para que se caracterize a gravidade da lesão”
(JTACRIM 55/231, RT 446/416-7) – na resposta aos quesitos especificar o
percentual da debilidade utilizando-se dos coeficientes mastigatórios. A
recuperação do membro por meios ortopédicos não faz desaparecer a
qualificadora, ainda que o ofendido recupere funções com o auxílio destes. “A
lesão corporal grave com debilidade permanente de membro não se
descaracteriza pela possibilidade de tratamento ortopédico de membro ou
órgão debilitado” (JTACRIM 14/236).
“A debilidade poderá ter sua sede anatômica ou funcional em qualquer
segmento, em qualquer articulação de membro superior ou inferior. O critério
para auferi-la consiste em comparar a vítima a si mesma, àquela que era antes
da lesão, podendo-se afirmar a positividade do dano desde que haja, no caso,
algum prejuízo apreciável (RT 306/460)”.

IV) Aceleração de parto


A expressão que melhor define a figura é “antecipação de parto”,
antecipação do nascimento, a expulsão do feto vivo, antes do prazo normal,
por conta de uma agressão. O agente não deve ignorar a gravidez (a
qualificação exige que o agressor tenha conhecimento da gravidez da vítima) e
deve ter tido, ao menos, culpa pela aceleração do parto, exige-se a previsão do
resultado (art. 19 “Pelo resultado que agrava especialmente a pena, só
responde o agente que o houver causado ao menos culposamente”). Se não
havia conhecimento do estado de gravidez da vítima, o agressor responderá
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por lesão corporal leve (RT, 603:336 e 606:329), embora exista parecer contra
(RT, 578:331).
Se o agente sabia que a mulher estava grávida e a agride visando
diretamente à interrupção da gravidez com a morte do concepto, o crime Serpa
de aborto consequente à lesão corporal (Inciso V do § 2º).
Traumas de toda ordem, psíquicos inclusive, podem acarretar o parto
prematuro. O produto da concepção, dessa maneira expulso, deve permanecer
vivo, não deve perecer em consequência do traumatismo, pois assim estaria
caracterizado aborto consequente à lesão corporal, sendo necessário a
comprovação de que a morte do concepto tenha ocorrido como consequência
da violenta expulsão, mesmo tendo respirado (nexo de causa e efeito).

c – § 2º do art. 129:
I - Incapacidade permanente para o trabalho
O conceito é econômico e a expressão “trabalho” costuma ser entendida
em sentido genérico, qualquer espécie de trabalho (a atividade laboral pode ser
física ou psíquica – RJTJSP, 71:331). A incapacidade deve ser longa,
duradoura e dilatada, quando não se pode fixar o limite temporal da mesma.
Os processos ou estados patológicos que tornam o trabalho senão
totalmente impossível, pelo menos extremamente penoso, não são poucos:
cegueira total, perda de dedos, mãos, braços, pernas, etc. O perito deve
informar se há incapacidade para o trabalho e se ela se refere ao trabalho em
geral ou ao trabalho para o qual a vítima se habilitou e vinha exercendo. Já
existe jurisprudência quanto ao trabalho específico da vítima que é um
profissional qualificado. Se o incapacitado vier a se adaptar ao seu trabalho, ou
se conseguir adotar um novo tipo de trabalho, nenhum benefício poderá
invocar o agressor.

II - Enfermidade incurável
É a doença, estado mórbido ou perturbação, em evolução ou definida,
física ou mental, cuja curabilidade não é alcançada pela medicina, em seus
recursos e conhecimentos atuais ou dependa de tratamento excepcional ou
arriscado e que incomoda o seu portador, ou seja, é acompanhada de um
déficit funcional como sequela evidente. A enfermidade pode ser absoluta ou
relativa. O ofendido não está obrigado a sujeitar-se a intervenções cirúrgicas de
risco ou a tratamentos de resultados duvidosos. Exemplos: colostomia nas
lesões dos intestinos, epilepsia pós-traumática, as plegias pós-traumáticas,
edema linfático pós-traumatismo de membro, etc.
Segundo Mirabete, fls. 881, 3ª ed., 2003: a transmissão do vírus da
AIDS pode constituir, portanto, o crime de lesão corporal gravíssima.

III - Perda ou inutilização de membro, sentido ou função.


Perda é a mutilação - no momento físico da ação criminosa ou
amputação do membro – intervenção cirúrgica posterior, como condição
necessária à preservação da vida da pessoa agredida e inutilização é quando
um membro ou órgão deixa de atuar na sua função específica, apesar de estar
ligado ao corpo (p.ex. anquilose ou plegias).
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Configura-se o tipo pela supressão total da função, ou pelo menos


alteração de considerável magnitude (80%). Não é necessário que a lesão
determine perda anatômica, é suficiente que a função não possa ser exercida.
Tem que ser permanente, sem possibilidade de reparação natural. O uso de
prótese não descaracteriza a lesão.
“Não age dolosamente o médico que, através de cirurgia, faz ablação de
órgãos genitais externos de transexual, procurando cura-lo ou reduzir seu
sofrimento físico ou mental. Semelhante cirurgia não é vedada pela lei, nem
mesmo pelo Código de Ética Médica (RT 545/355)”.
Podemos citar como exemplos: perda da visão de ambos os olhos,
perda da audição bilateral, perda da fala por lesão da laringe, lesão dos centros
nervosos cerebrais, perda da função mastigatória por fratura ou avulsão dos
elementos dentários, etc.

IV - Deformidade permanente
O critério é estético e tem-se em vista a impressão vexatória que a lesão
acarreta para o ofendido, assim como para terceiros que visualizem o aspecto
estético do ofendido. A deformidade precisa ser apreciada tanto objetiva como
subjetivamente. A situação vexatória depende da sensibilidade de cada
indivíduo. Deve ser de certo vulto, de sorte a causar um incômodo permanente,
um vexame constante para o ofendido segundo Oscar Freire. É condição que
seja visível (em qualquer situação normal da vida do ofendido), aparente e
irremovível, lembrando que, atualmente, os costumes permitem a visualização
cada vez mais ampla do corpo humano, portanto, não importa em que parte do
corpo esteja localizada a deformidade (p. ex. lesão da coluna com defeito
visível, lesão dos ossos da perna que levem a vítima a claudicar). A visibilidade
ou aparência do dano estético pode sofrer a influência de circunstâncias locais
e pessoais (situação, extensão, idade, sexo, cor, tipo de atividade), entretanto,
para o perito, no aspecto penal, não importa o sexo, a idade, a profissão da
vítima ou se a área é eventualmente coberta, pois a Lei é uma só para todos e
somos iguais perante a mesma; os itens citados anteriormente poderão influir
no livre convencimento do Juiz para a aplicação da pena e, no aspecto civil, ou
seja, no ressarcimento do dano (RT, 274:166-167). Qualifica-se como
deformidade as marcas que causem desgosto ao seu portador ou lembrem a
qualquer desconhecido que lhe fixe o olhar, terem sido elas produzidas por
cortes (RJTJERGS 156/110-1). Embora existam pareceres de insuficiência de
simples cicatriz (RT 733/605; RT 591/330; RT 410/298), o médico legista não
pode, e não deve, responder nos quesitos da perícia traumatológica que não
existia deformidade permanente, ou ao constatar a perda de um pedaço da
orelha de um trabalhador rural, como cita Damásio de Jesus em seu Código
Penal Anotado, 5ª ed., 1995, fls.381 (RT, 584:402), sob o risco de estar
emitindo uma falsa perícia. Deve relatar o que foi encontrado e deixar ao Juiz o
julgamento da quantidade do dano, pois já vai longe o tempo em que a cicatriz
na face se constituía para o homem motivo de orgulho. É imprescindível que o
laudo esteja acompanhado de documentação fotográfica e fundamentado. A
deformidade deve ser constatada a olho nu, daí a necessidade da fotografia
nos autos para apreciação das partes e do julgador; a fotografia demonstrativa
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do dano físico convence mais que longo arrazoado. Continua presente a figura
da deformidade se a reparação exigir cirurgia plástica, uso de aparelhos
protéticos ou qualquer tipo de tratamento perigoso ou extremamente penoso.
As lesões dos dentes, com consequente perda total ou parcial dos mesmos,
devem ser interpretadas como “deformidade permanente” em certos casos, e
como “debilidade permanente de função” e “perda ou inutilização de função”
em outros (valores estéticos, mastigatórios e fonéticos dos dentes).
O dano estético permanente significa irreparável, incurável por evolução
natural, ou seja, não retificável em si mesma. Não deixa de ser deformidade a
que permite dissimulação, p. ex. cicatriz oculta por barba.

V – Aborto
O evento aborto deve ser resultado, ao menos, de culpa do agente
(aborto preterintencional). A ignorância do agente quanto à gravidez é erro de
tipo que afasta a qualificadora. Não importa o tempo de gestação, a viabilidade
ou não do produto, a sua expulsão ou retenção na matriz (Conceito de aborto:
interrupção da gravidez, em qualquer fase da gestação, com a morte do
concepto intra-uterino ou logo após a expulsão, consequente à violenta
expulsão ou às manobras abortivas). No caso específico, a morte do concepto
é consequência da agressão sofrida pela gestante, é necessário que fique
comprovado o nexo causal entre a lesão praticada e o resultado, ou seja, a
vontade do agente é apenas lesar a mulher, não desejando o aborto, nem
direta nem eventualmente. Entretanto, se o agressor agir com dolo direto ou
eventual quanto à interrupção da gravidez, responderá pelo crime de aborto e
lesão corporal – concurso de crimes (arts. 124 a 128 do CP).

d – § 3o do art. 129:
Lesão corporal seguida de morte
“Se resulta morte e as circunstâncias evidenciam que o agente não quis
o resultado, nem assumiu o risco de produzi-lo”.
É o também chamado homicídio preterdoloso ou preterintencional, crime
qualificado pelo resultado. O agente do ato delituoso é dotado de animus
laendendi e não animus necandi, de sorte a produzir uma lesão corporal dolosa
que, por alguma circunstância levou à morte. O agente tem dolo na lesão
(delito antecedente) e culpa no resultado (delito consequente: morte). É
admissível o dolo eventual: RT, 594:364, 582:346.
Exemplos: Alguém esmurra outrem e este, ao cair fratura o crânio e
morre; ao atirar nos membros inferiores de alguém, o projétil atinge a artéria
femoral e a vítima falece em consequência de choque hipovolêmico
hemorrágico.
No exame necroscópico o legista deve atentar para a sede e o número
das lesões, o meio empregado e a direção e profundidade dos ferimentos,
fornecendo elementos ao Juiz para que o mesmo possa, conjuntamente com o
resultado da perícia do local de crime e os dados da investigação policial,
determinar a intenção do agressor, o que algumas vezes é difícil, quando não
impossível. É irrelevante que a vítima tenha falecido meses após e tenha
havido alta hospitalar, ou que tenha falecido durante o internamento em
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consequência de Septicemia, desde que provado o nexo causal com a


violência causada no organismo pelas lesões sofridas (JTJ 178/301; TJSP: RT
558/312, 573/365).
No art. 129, § 4º encontramos duas hipóteses de diminuição da pena
(lesão corporal privilegiada – redução de um sexto a um terço): por motivo de
relevante valor social (humanitários, patrióticos, etc.) ou moral (compaixão,
piedade, etc.) ou se o agente atua sob a influência de violenta emoção, logo
em seguida à injusta provocação da vítima.

e – Respostas aos quesitos oficiais da perícia traumatológica


As respostas aos quesitos devem ser, como em qualquer relatório,
claras, incisivas, sem expressões dúbias, descrevendo de forma
circunstanciada as lesões, possibilitando à autoridade requisitante formar juízos
justos e dentro da lógica. Se a perícia não ofereceu certeza, em decorrência do
tempo ou por qualquer outra razão, responder que não tem elementos para
afirmar ou negar o fato, o que já é uma conclusão. Especificar qual o
instrumento (cortante, pérfuro-contundente, p.ex.) ou o meio (físico – calor,
eletricidade; químico – cáustico, etc.) que ocasionou a lesão.
Responder, especificamente, aos quesitos que tratam dos incisos dos
parágrafos 1º e 2º do art. 129 ou aguardar evolução, indicando a necessidade
do exame complementar estipulando o prazo para a realização do mesmo.
Sempre que possível responder SIM OU NÃO, entretanto é imprescindível que
todas as respostas sejam fundamentadas nas discussões e nas conclusões a
que chegou o perito com seus conhecimentos médico-biológicos, lembrando
que as mesmas referem-se ao fato alegado que originou o inquérito ou o
processo (nexo de causa e efeito).
– (Delton Croce): ”inidôneo é também o exame complementar de
sanidade para que se reconheça lesão corporal de natureza grave nele
afirmada, se os competentes se limitam a responder – o que, infelizmente não
é incomum – laconicamente “sim”, pois, por maior que seja o prestígio dos
profissionais, precisam eles fundamentar as bases em que se assentam as
suas afirmações, descrevendo circunstancialmente os danos, bem como as
repercussões na vida normal do ofendido, para que não se desclassifiquem
para leves as lesões corporais praticadas pelo réu”. (apud Lesões corporais –
Salles Jr. R. A.).
Sempre que possível, as perícias devem ser acompanhadas de
documentação fotográfica para que o Juiz tenha melhores condições de formar
o seu livre convencimento.
7 CONCLUSÃO
A vítima periciada de iniciais JMR apresentou equimoses numulares nos
braços e na pálpebra esquerda decorrentes de forças contusas aplicada na
superfície corpórea do tipo murro, causando a MANCHA violácea de duração
entre o 2º e 3º dias.
8 ENCERRAMENTO
Encerro este laudo contendo quatorze (14) laudas assinado e datado
pelo perito médico legista responsável do Instituto de Medicina Legal do Centro
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de Perícia Científica Renato Chaves, regional de Castanhal/PA e assumindo a


total responsabilidade técnica e científica pelo que foi exposto.

9 ANEXOS FOTOGRÁFICO
Este laudo contém 4 fotografias ilustrativas da pericianda examinada e 1
(uma) tabela das lesões corporais do Código Penal.

ANEXOS FOTOGRÁFICO
Foto 1 Foto 2

Equimoses no braço esquerdo 1/3 médio e face lateral com cerca de 3 cm e


halo eritematoso; no antebraço esquerdo 1/3 proximal, face posterior com
cerca de 3 cm sem halo eritematoso significante.

Foto 3 Foto 4
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Equimoses numulares ao redor da pálpebra esquerda, na região do zigoma


esquerda e outra no braço direito 1/3 médio e anterior com cerca de 4,5cm,
com vista do lado esquerdo e frontal respectivamente.

TABELA DE LESÕES CORPORAIS Art. 129 do CP.

Do CPB, Título 1 – Dos Crimes Contra a Pessoa


Capítulo II – Das Lesões Corporais
LESÕES CORPORAIS Art. 129 Caput §1º §2º §3º
POSITIVO DE LESÃO
-Ofender a integridade corporal ou a LEVE
saúde
-Incapacidade para ocupações habituais por GRAVE
mais de 30 dias
-Perigo de vida
-Debilidade permanente de membro, sentido ou
função
-Aceleração do Parto
-Incapacidade permanente para o trabalho GRAVÍSSIMA
-Enfermidade incurável
-Perda ou inutilização de membro, sentido ou função
-Deformidade permanente
-Aborto
-Morte MORTAL

Perito Oficial Médico Legista

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