Nome: Bruna Borges Freri; Guilherme Macena.
Relatório 1 - Refração e reflexão da luz em superfícies planas
1. Objetivos
O objetivo dessa prática é compreender os fenômenos de reflexão e
refração da luz em superfícies planas, por meio das leis da óptica geométrica.
Desse modo, será possível verificar a aplicabilidade das leis de reflexão, lei de
Snell, princípio de Fermat, reflexão interna total e a ótica de um prisma.
2. Introdução teórica
Para realização do primeiro experimento, é necessário que se tenha
conhecimento sobre as Leis da Refração e da Reflexão, assim como reflexão
interna total, a fim de que seja possível analisar e realizar os cálculos
necessários.
De maneira sucinta, temos que quando um feixe de luz passa de um meio
transparente para outro, parte dela será refletida na interface e outra parte
refratada, entrando no segundo meio.
Por meio de resultados experimentais e deduções por meio do Princípio
de Huygens e do Princípio de Fermat, sabe-se que:
● O ângulo de incidência é igual ao ângulo de reflexão.
● Os ângulos de incidência e refração estão relacionados por meio da
equação:
𝑛1𝑠𝑒𝑛α = 𝑛2𝑠𝑒𝑛β (1)
A equação acima é conhecida como Lei de Snell, em que 𝑛1 e 𝑛2 são os
índices de refração dos meios e α e β os ângulos de incidência e refração.
A reflexão interna total, por sua vez, ocorre quando a luz passa de um
meio com índice de refração 𝑛1 para outro meio com índice de refração 𝑛2, em
que 𝑛1> 𝑛2, de modo que não haverá raio refratado. Ou seja, toda a luz será
refletida. O maior ângulo em que ainda haverá raio refratado é chamado de
ângulo crítico e pode ser calculado por:
𝑛2
θ𝑐 = 𝑎𝑟𝑐𝑠𝑒𝑛 𝑛1
(2)
3. Método experimental
3.1. Reflexão interna total em um bloco de acrílico semicircular
Para realização desse experimento, foi colocado um bloco de acrílico
semicircular sobre uma mesa goniométrica e uma folha de papel, de modo a
manter fixa a folha sobre a mesa.
Primeiramente, foi necessário ajustar o laser para que o mesmo incidisse
perpendicularmente no centro da mesa, marcando a trajetória do laser com o
auxílio de alfinetes. Após, colocou-se o bloco de acrílico e ajustou o centro de
sua plana com o centro da mesa. Para verificar se o bloco está bem posicionado,
foi incidido o laser perpendicularmente na face plana do bloco e verificado se o
feixe refletiu em direção ao laser, para delimitar a normal. Marcou-se a posição
do bloco contornando-o na folha de papel.
Feito isso, foram medidos três ângulos de incidência e refração com o
laser incidindo primeiramente na face plana (ar-acrílico).
Posteriormente, repetiu-se as etapas anteriores, mas medindo três
ângulos com o laser incidindo primeiramente no acrílico (acrílico-ar). Sendo que,
um dos ângulos utilizados nesse caso foi o ângulo crítico, em que não foi
observado refração.
3.2. Ângulo de desvio mínimo em um prisma
Para a realização do experimento uma folha de papel foi posicionada e
fixada na plataforma goniométrica com centro de massa marcado com um
alfinete e o raio de luz laser foi posicionado de forma a interceptar essa
marcação. Após essa marcação o prisma equilátero foi posicionado e fixado com
auxílio de alfinetes, conforme a marcação da folha e em seu corpo. Também foi
marcada a face normal a face (retro-reflexão).
Para definir o ângulo de desvio mínimo, a plataforma em que o prisma
está posicionado foi girada e foi observado o momento em que o feixe de luz
para de se movimentar (Θ1M) em uma direção e inicia seu movimento para outra
direção (Θ2M), sendo a média desses valores o ângulo de desvio mínimo.
Com o uso de alfinetes, foram definidas as trajetórias dos feixes na
obtenção dos dois ângulos anteriormente descritos (Θ1M e Θ2M) com auxílio de
alfinetes e após foram traçadas as retas no papel em que o prisma estava fixado,
conjuntamente com a reta normal à superfície do prisma. Com esses resultados
foi obtido o índice de refração do prisma segundo a lei de Snell.
4. Resultados e discussões
4.1. Reflexão interna total em um bloco de acrílico semicircular
A figura 1 indica as marcações realizadas para a incidência do laser
primeiramente na face plana.
Figura 1 - Marcações dos Ângulos obtidos para a incidência ar-acrílico
Fonte: elaborado pela autora
Realizando as medidas dos ângulos a partir da figura acima, temos os
seguintes ângulos de incidência e refração:
Tabela 1 - Determinação dos ângulos de incidência e refração
θ1±0, 05 θ2±0, 05
17° 11°
36° 23°
63° 37°
Fonte: elaborado pelos autores
A figura 2 indica as marcações dos ângulos realizados para a incidência do
laser pelo bloco.
Figura 2 - Marcações dos ângulos para a incidência acrílico-ar
Fonte: elaborado pelos autores.
A partir das marcações da figura acima, foram realizadas as medidas diretas
dos ângulos de incidência e refração, assim como do ângulo crítico e do ângulo de
reflexão.
Tabela 2 - Determinação direta dos ângulos de incidência e refração
θ1±0, 05 θ2±0, 05
15° 24°
32° 54°
42° (crítico) 41,5° (reflexão)
Fonte: elaborado pelos autores
A partir dos ângulos obtidos por meio de medida direta e utilizando a lei de
Snell descrita na equação 1, é possível determinar o índice de refração do bloco de
acrílico e o desvio padrão (nesse caso, não foi considerado o ângulo crítico):
𝑛𝑏𝑙𝑜𝑐𝑜 = 1, 5231 ± 0, 0339
É possível determinar o índice de refração do bloco de acrílico e o erro
associado, por meio da equação 2:
𝑛𝑏𝑙𝑜𝑐𝑜 = 1, 4945 ± 0, 0831
Comparando os valores do índice de refração determinados experimental
com o valor determinado na literatura (1,49), temos que o erro percentual do
índice calculado por meio da Lei de Snell é de 2,2% e do índice calculado por
meio do ângulo crítico é de 0,3%.
Por meio dos valores acima, percebe-se que houve maior precisão no
cálculo por meio do ângulo crítico, porém, ambos os valores estão de acordo
com o valor determinado na literatura, dado o baixo valor do erro percentual.
4.2. Ângulo de desvio mínimo em um prisma
Assim, nesta parte do experimento, foi possível obter os valores, tanto
para o ângulo de desvio mínimo como para o índice de refração do prisma
utilizado. A esquematização do prisma e dos ângulos medidos está demonstrado
na figura 3 e os valores medidos e calculados são mostrados na tabela 3:
Figura 3 - Desvio em um prisma
Fonte: elaborado pelos autores
Onde o ângulo de incidência em relação à normal foi de 49°.
Tabela 3 - Valores obtidos para as medidas realizadas.
Prisma de vidro
Incidência (relação a normal) 49 °
𝝳 𝑚é𝑑𝑖𝑜 38 °
𝑛 + Δ𝑛* 1,509
Fonte: elaborado pelos autores
*realidade apenas uma medida, logo, não foi possível propagar o erro.
O erro percentual em relação ao valor determinado na literatura (1,5) é de
0,6%
5. Conclusões
A partir da prática, foi possível observar a aplicabilidade da lei de Snell,
ângulo crítico e ângulo de desvio mínimo de um prisma para o cálculo do índice de
refração de blocos de acrílico e vidro.
Em relação aos valores obtidos para o índice de refração de um bloco de
acrílico por meio da lei de Snell, calculou-se o valor de 1, 5231 ± 0, 0339. Já por
meio do ângulo crítico, o valor de 1, 4945 ± 0, 0831. Comparando tais valores com o
valor determinado da literatura para o índice de refração, os valores encontrados
possuem um erro percentual de 2,2% e 0,3%, respectivamente.
Por fim, o valor obtido para o índice de refração do vidro a partir do ângulo de
desvio mínimo de um prisma foi de 1,509, com um erro percentual de 0,6% em
relação ao valor determinado na literatura.
Com isso, conclui-se que os métodos utilizados para os cálculos dos índices
de refração são eficientes, visto que os erros associados são baixos. Ademais, os
erros obtidos podem estar relacionados a erros no momento de medição, uma vez
que as imagens nas quais foram realizadas as medidas dos ângulos foi impressa,
podendo ocorrer alteração em relação a imagem real.
6. Bibliografia
Apostila Laboratório de Óptica. IFSC-USP.