EDEMA AGUDO PULMONAR (EAP)
● Conceito
“O Edema Pulmonar não é uma doença propriamente dita, mas uma complicação de
doenças cardiopulmonares e pode trazer risco a vida”. (WEST, 2010, p.125).
De acordo com a Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (2016), o Edema
Agudo de Pulmão tem por definição o extravasamento anormal de fluidos intravasculares
para interstício e posteriormente para a luz alveolar. O EAP apresenta um quadro clínico
crítico, exigindo uma avaliação precisa e um diagnóstico associado à intervenção imediata,
visto que a situação clínica pode se tornar fatal em um curto espaço de tempo (STEFANINI;
TRAJANO FILHO, 2016). O Edema Agudo de Pulmão é uma síndrome que pode se
desenvolver a partir de fatores cardiogênicos e não cardiogênicos. Entre os seus principais
achados clínicos está a insuficiência respiratória hipoxêmica, aumento do trabalho da
musculatura acessória e alteração da mecânica do pulmão. Atribui-se a essa condição
clínica, os maiores números de admissão hospitalar emergencial, seguidos de internações
em Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) (MACHADO, 2008).
● Fisiopatologia
O sistema circulatório é responsável pelo transporte de substâncias como gases, nutrientes
e água, além da eliminação de resíduos por meio da coleta linfática. O sistema linfático
redistribui líquidos e proteínas filtradas dos capilares de volta ao sangue. Quando há
desequilíbrio entre filtração e absorção, como no Edema Agudo de Pulmão, ocorre acúmulo
anormal de líquido. A equação de Starling explica esse processo com base nas pressões
hidrostática e coloidosmótica. O aumento da pressão hidrostática, a maior permeabilidade
da membrana alvéolo-capilar, a queda da pressão coloidosmótica e a disfunção linfática são
fatores que contribuem para o edema. O quadro se desenvolve em dois *estágios* : edema
intersticial (fase inicial com poucas alterações) e edema alveolar (fase avançada, com
extravasamento para os alvéolos, causando tosse com secreção espumosa, falta de ar,
hipoxemia e cianose).
● Prevalência em perfil do paciente.
Segundo alguns pesquisadores, o perfil clínico epidemiológico dos pacientes écaracterizado
pelo equilíbrio da frequência entre os sexos masculino e feminino, com maioria idosos,
geralmente com mais de um diagnóstico clínico na admissão hospitalar, com maior
incidência do EAP cardiogênico e associação a outras patologias cardiovasculares, bem
como a presença de HAS e DM. Além disso, os resultados apontaram que a emergência e a
UTI são os principais setores hospitalares de cuidado a tais indivíduos, com atuação
fisioterapêutica direcionada principalmente à monitorização cardiorrespiratória,
cinesioterapia e ao suporte ventilatório, por meio da oxigenoterapia, VMNI e VMI, assim
oferecendo maior conforto respiratório e consequentemente auxiliando no tratamento dos
pacientes com EAP.
● Tempo de internação
O tempo médio de internação pode variar significativamente dependendo de diversos
fatores, como causa do edema, gravidade do quadro, resposta ao tratamento e a presença
de outras comorbidades.
No entanto algumas fontes indicam em média 7 dias.
Segundo uma pesquisa a partir do acesso aos prontuários eletrônicos obtidos de um
hospital público do interior da Bahia, classificado como de alta complexidade, que realiza
seus atendimentos exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Foram
selecionados os prontuários de pacientes diagnosticados com EAP e atendidos por
fisioterapeutas, sendo exclusos os que possuíam diagnóstico interrogado de EAP.
Referentes ao tempo de permanência hospitalar e de tratamento fisioterapêutico: Menor ou
igual a 5 dias; 6 a 15 dias; 16 a 30 dias; 31 a 45 dias; 46 a 60 dias; Maior ou igual a 61 dias;
Referente ao desfecho: Alta; Regulação/transferência hospitalar; Óbito;
● Custo médio deste paciente no ambiente hospitalar
Segundo uma pesquisa realizada na Região Sudoeste do Brasil, no período de 16 anos
(2008-2023).
Disponíveis no DATASUS – Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS), de
janeiro de 2008 a dezembro de 2023 – avaliando o número de internações, valor de gastos
públicos, complexidade, taxa de mortalidade, óbitos, permanência e caráter de atendimento
e artigos disponíveis em Scielo, Lilacs e PubMed.
A média de permanência total de internação ofoi de 7,9 dias, sendo seu custo médio de
R$2.973,73.
Totalizando em 135.883 internações neste período estudado e com um gasto público de
aproximadamente R$289,7 milhões, sendo o ano de 2022 o vencedor em quantidade de
internações, mas em oposição a isso, o ano de 2023 foi o maior em custos totais. A grande
maioria dos procedimentos foram realizados em caráter de urgência e em serviços privados,
destacando a necessidade emergencial que caracteriza todo o atendimento a um Edema
Agudo de Pulmão, sendo uma prova disso, a taxa de mortalidade elevada, com um total de
29.353 óbitos e uma média de 21,60% ao longo dos anos, ressaltando ainda mais a
gravidade da condição.
● Objetivos da fisioterapia
I. Restaurar a Capacidade Residual Funcional.
II. Redistribuir líquido extravascular.
III. Aumentar a drenagem linfática
IV. Reduzir o custo e o tempo de internação.
● Conduta justificada
Tratamento fisioterapêutico
As medidas assistenciais executadas quando o paciente é admitido no centro de
emergência inclui, sobretudo, o posicionamento adequado do paciente (decúbito elevado),
associado à estimulação da função motora, ao fornecimento apropriado de suporte
ventilatório e ao monitoramento constante dos dados vitais* (STEFANI; BARROS,
2008).
A atuação do fisioterapeuta no que se refere à função motora é indispensável.
Dentre as condutas a serem tomadas de forma imediata, destaca-se a sedestação do
paciente, mantendo-se os membros superiores e inferiores livres, a fim de auxiliar o trabalho
da mecânica ventilatória e de diminuir o retorno venoso e a consequente précarga direita e
esquerda (MARCHEZIN, 2010). Segundo Maciel (2009), manter o paciente sentado também
aumenta significativamente a amplitude diafragmática. O fornecimento ventilatório se dá,
muitas vezes, através da suplementação de oxigênio, por meio de máscaras ou de
cateteres nasais, de acordo com a demanda do paciente (STONE; HUMPHRIES, 2013)
A VNI é comumente administrada em situações de insuficiência respiratória aguda ou de
crônica agudizada, reduzindo, entre outras coisas, os números de intubação endotraqueal e
de mortalidade hospitalar (SUAREZ et al., 2011).
Os principais benefícios advindos do recurso de ventilação não invasiva estão
primordialmente relacionados à: rápida melhoria dos parâmetros gasométricos;
normalização da pressão arterial e das frequências respiratórias e cardíacas; diminuição
do quadro de dispneia e trabalho respiratório; redução no implemento de ventilação
mecânica invasiva; reparação da capacidade respiratória (trocas gasosas); atenuação de
custos e tempo de internação hospitalar.
Entre os principais efeitos positivos da aplicação da VNI estão a redistribuição do
líquido extravascular e aumento da drenagem linfática; recrutamento alveolar e
reabertura de alvéolos colapsados; restauração da capacidade residual funcional (CRF);
diminuição da vasoconstrição hipóxica, da pré-carga ventricular direita e esquerda e do
fluxo sanguíneo pulmonar (MACHADO)
● Mecanismo de formação de tromboembolismo.
Como o tromboembolismo venoso se manifesta?
Os trombos (coágulos) se formam quando algo retarda ou altera o fluxo sanguíneo. A
condição pode se manifestar de duas formas:
Trombose venosa profunda (TVP) - quando o coágulo atinge uma veia profunda, geralmente
na perna. Ali, compromete a circulação sanguínea, bloqueando total ou parcialmente o
fluxo.
Embolia pulmonar (EP) - quando o trombo se desprende das paredes do vaso onde se
formou e percorre a circulação sanguínea, atingindo o pulmão. Ali, compromete o fluxo de
sangue e pode causar a morte.