CURSO
INTRODUÇÃO À Pocket
DIFERENCIAÇÃO EM
SALA DE AULA
INICIAR
FICHA LIVRO
Curso Pocket: Introdução à Diferenciação em sala de aula
Professoras Conteudistas:
Marina Loureiro Del'Bianco Lima e Letícia Biral de Faria
Professora da videoaula: Marina Loureiro Del'Bianco Lima
Ementa: O cursista aprenderá o conceito de diferenciação aplicado
em contexto de metodologias ativas, como um conjunto de práticas
que promove o aprendizado para todos os alunos, respeitando seus
pré requisitos, interesses e necessidades.
FICHA CATALOGRÁFICA
Mantenedora e Idealizadora do FourC Learning:
Sara Margaret Hughes
Consultor Estratégico: George R. Stein
Revisora de Conteúdo: Leilany F. R. Arruda da Silva e Zilma R. A. B.
Faustini
Revisora de Língua Portuguesa: Ana Clara Ranzani
Designer Gráfica e Diagramadora: Letícia F. Arruda Neves
01
Sumário
CLIQUE NOS
TÍTULOS PARA IR
ATÉ A PÁGINA.
Apresentação 03
Introdução 03
Principais teóricos da diferenciação 04
- Carol Ann Tomlinson 04
- Rhonda Bondie 07
- Howard Gardner 09
Aplicando a diferenciação 11
- O que não é e o que é diferenciar 13
- Por que diferenciar? 15
- Como diferenciar? 16
Fechamento e próximos passos 22
Referências 23
02
Apresentação
Este Curso Pocket apresenta os principais autores que tratam da diferenciação
no ensino-aprendizado, esclarecendo os principais conceitos que sustentam
essas práticas e desmistifica o que é e o que não é diferenciação. Conhecer
estes conceitos será fundamental para o planejamento de práticas ativas e no
desenvolvimento de alunos protagonistas.
Bons estudos!
Introdução
A função da escola é preparar o aluno para a vida em sociedade,
desenvolvendo nele competências, habilidades e valores para que tenha uma
visão crítica sobre a realidade e condições de transformá-la, exercendo
totalmente a sua cidadania.
Para desempenhar essa função, a escola, na maioria das vezes, faz uso de
uma abordagem homogênea, que não atinge todos da mesma forma. Tal
abordagem desconsidera a rica diversidade estudantil: alunos com diferentes
repertórios, vivências, entendimentos, interesses e necessidades, além de
outros aspectos como suas diferentes inteligências e estilos/preferências de
aprendizagem.
Vamos conhecer alguns pesquisadores que propõem a diferenciação ou
instrução diferenciada como uma solução possível, criativa e prática na busca
de maior envolvimento e realização dos alunos, que são tão diferentes entre si.
03
Principais teóricos da
diferenciação
Uma estratégia interessante para começar a entender as esferas envolvidas
na diferenciação é conhecer profissionais referência nesse assunto. Os três
que apresentaremos a seguir têm algo bem significativo em comum:
viveram e vivem em ambientes de aprendizagem, sendo conscientes dos
desafios enfrentados pelos educadores e, assim, se esforçando para que
suas práticas sejam significativas e aplicáveis.
Dica: Ao longo do texto você encontrará links, QR Codes e
outras referências que aprofundarão sua compreensão dos
conceitos apresentados. Explore esses recursos!
Carol Ann Tomlinson
Carol Ann Tomlinson foi revisora de oito periódicos,
autora de mais de 300 artigos e livros, incluindo a obra
que dá apoio ao desenvolvimento deste curso: The
Differentiated Classroom: Responding to the Needs of All
Learners (A Sala de Aula Diferenciada: Respondendo às
Necessidades de Todos os Alunos, tradução nossa). A
publicação é considerada uma importante diretriz no
campo da instrução diferenciada e norteia práticas por
todo o mundo.
Carol Ann Tomlinson é conhecida por trabalhar com diferenciação de forma
a atender às necessidades individuais dos alunos. Nesse sentido, ela discute
que há elementos-chave que o professor deve explorar a fim de que haja
uma resposta eficaz às necessidades dos estudantes.
Esses elementos incluem a criação e a manutenção de um ambiente de
aprendizagem envolvente, com recursos disponíveis que apoiam o processo
de aprendizagem do aluno. Com esse tipo de suporte, os alunos se sentem
seguros e capazes para continuar se dedicando e alcançando metas de
desenvolvimento (objetivos) estabelecidas.
04
Neste contexto de diferenciação, o professor deve ter claras quais são
as principais competências e habilidades que compõem o currículo da
etapa em que atua, bem como os objetivos de aprendizagem
relacionados a ele. Esses objetivos, por sua vez, devem frequentemente
ser compartilhados com os alunos, ficar visíveis e facilmente acessados.
Dessa forma, os alunos têm consciência de onde se quer chegar com
tudo o que acontece em sala de aula, sendo este um importante
ingrediente para se tornar o aluno protagonista de seu próprio
aprendizado.
Uma maneira simples e impactante de deixar os objetivos visíveis a
todos é colocá-los nas paredes da sala e em forma de perguntas,
evitando o “pedagogês” que pode não ser de fácil entendimento para
os alunos. É possível ainda que os objetivos sejam impressos e colados
no caderno, bem como estarem disponíveis digitalmente para os
estudantes.
Qualquer que seja a forma mais viável de se fazer isso na escola onde
você trabalha, não se esqueça de investir tempo explorando esses
objetivos com os alunos. Assim, os recursos visuais se tornam
realmente úteis e não algo apenas decorativo.
05
Uma vez que professor e alunos saibam que são parte de um ambiente
seguro e têm consciência do destino da aprendizagem, outro elemento
entra em cena: a avaliação, que deve ser justa, estar de acordo com os
objetivos estabelecidos e baseada em critérios claros. Ela também deve
ser processual, o que permite ajustes de rota, aumentando as chances de
o aluno chegar ao destino com sucesso.
Aprenderemos mais sobre avaliação no módulo 3, mas já podemos
conhecer três tipos:
- avaliação diagnóstica: acessa a prontidão do aluno em relação ao que
será trabalhado no início do processo;
- avaliação processual: examina a aprendizagem ao longo das atividades
realizadas em sala de aula;
- avaliação final: verifica o aprendizado dos alunos ao final de um
processo de aprendizagem.
É importante ressaltar que o aluno deve estar ciente dos elementos e
critérios que serão avaliados antes de o processo avaliativo ser iniciado!
Para que todos esses elementos sejam bem explorados, levando a uma
diferenciação eficaz, o professor deve ter um planejamento bem
estruturado e intencional, além de excelentes habilidades de gestão de
sala. Dessa forma, permitirá o fluxo da diferenciação com práticas ativas,
que implicam aulas extremamente dinâmicas, com muitas atividades
acontecendo simultaneamente, enquanto o educador faz a gestão dos
processos de aprendizagem dos alunos.
06
Veja como tais elementos se relacionam no diagrama abaixo.
RESPOSTA DIFERENCIADA – PLANEJADA E ADAPTADA
Resposta diferenciada, planejada e adaptável (no momento!)
Avaliar para Responder por
conhecer o aluno diferenciação
Por meio de conversas, observações e Uma ou mais:
voz do aluno
Acessando a
produtos para descobrir: A maneira pela qual o aluno aprende: ex.
Interesses: inclui objetivos; prática guiada e conversa colaborativa;
Prontidão: repertório; A maneira pela qual o aluno demonstra que
aprendeu: fala e escrita;
Preferência de aprendizagem: maneiras de
aprender e demonstrar o que aprendeu. Condições para o aprendizado: trabalhando
sozinho ou em grupos pequenos;
INCLUI RECURSOS/CARACTERÍSTICAS Pontos de entrada do aprendizado ou tópicos:
da diferenciação tarefas abertas ou paralelas, escolha do romance.
Oportunidades de Responsabilidade
Grupos flexíveis de compartilhada no
resposta e escolha Tarefas focadas
aprendizagem aprendizado
pessoal
(ex. baseado nos (ex. escolha dos tópicos;
abordagem personalizada (ex. possível pela voz (ex. tarefas que são
interesses, prontidão –
para resolução de do aluno e por sua igualmente
variando ao longo do
problema). autoavaliação). envolventes).
tempo).
Rhonda Bondie
Outra importante referência de nosso curso é a obra
Differentiated Instruction Made Practical: Engaging the
Extremes through Classroom Routines (em tradução
livre: Instrução Diferenciada Tornada Prática: Engajando
os Extremos por meio de Rotinas de Sala de Aula) da
pesquisadora e educadora Rhonda Bondie, com
coautoria de Akane Zusho. Os princípios e rotinas
tratados na obra e nos cursos de Rhonda Bondie foram
desenvolvidos e implementados, pela primeira vez, em
escolas públicas da Cidade de Nova York e nas escolas
07
públicas de Arlington, Virginia, EUA. Ao longo de sua carreira, Bondie se
inspirou no Project Zero da Harvard Graduate School, especificamente
criando rotinas de aprendizagem permeadas pelas teorias das Múltiplas
Inteligências e do Ensino para a Compreensão, que são usadas em salas
de aula de todo o mundo e apresentadas em publicações, incluindo
Making Thinking Visible, por Ron Ritchhart.
Rhonda tem focado na preparação de professores com as práticas de que
precisam para atender efetivamente os alunos em salas de aula
verdadeiramente inclusivas. Ela examina continuamente o impacto das
práticas de seu programa All Learners Learning Every Day (ALL-ED) na
aprendizagem dos alunos, perguntando especificamente sobre como as
rotinas estabelecidas podem ser usadas para construir culturas de sala de
aula, fornecendo aprendizagem significativa para todos os alunos.
Em relação a uma aula inclusiva, Bondie sugere que os professores
busquem conhecer os interesses e pontos fortes de cada aluno a fim de
que haja oportunidades de serem, respectivamente, abordados e
destacados nas aulas. Isso aumenta as chances de os processos de ensino-
aprendizagem serem mais significativos.
Questione-se: eu realmente
conheço os meus alunos? O
que me faz pensar isso? Aqui
estamos aplicando a rotina de
pensamento "O que te faz
dizer isso?" Ela solicita que
busquemos explicações
baseadas em evidências
racionais.
08
Howard Gardner
Howard Gardner é o professor e pesquisador criador da teoria das
inteligências múltiplas de que tratamos na unidade 2. Essa teoria
postula que os indivíduos possuem oito ou mais inteligências
relativamente autônomas entre si. Segundo ele, os indivíduos
recorrem a essas inteligências, individual e corporativamente, para
criar produtos e resolver problemas que são relevantes para as
sociedades em que vivem.
Vamos lembrar quais são elas:
Inteligências
múltiplas
09
Segundo o autor, devemos individualizar a educação,
fazendo um bom uso da tecnologia, e ensinar de
diferentes maneiras. Neste vídeo, ele comenta como sua
teoria tem sido aplicada no mundo. Nesse esforço
contínuo de alcançar mais alunos, o professor mostra
https://www.youtube.com/
que é importante para ele que cada aluno realmente watch?v=tLHrC1ISPXE
compreenda o que se está estudando.
Antes de termos uma breve noção de como podemos aplicar a
diferenciação, aproveite esse momento para pensar: será que
tenho promovido oportunidades justas aos meus alunos? A análise
da imagem a seguir pode apoiar essa reflexão.
Para garantir uma
seleção justa, vocês
farão o mesmo teste:
subir naquela
árvore.
10
Aplicando a
diferenciação
Talvez você já esteja familiarizado com o que foi apresentado até aqui.
Quem sabe ainda, tudo isso é novidade. De qualquer forma, é muito
provável que você esteja refletindo sobre como a diferenciação está ou
pode estar presente na sua prática de forma mais intencional. Tal reflexão
pode estar repleta de dúvidas, como:
Como posso
conhecer Uma vez conhecendo
melhor o meu meus alunos, será que eu
aluno? preciso personalizar a
aula, elaborando materiais
exclusivos para cada um
dos vários alunos das
muitas turmas com as
quais trabalho?
Para abordar essas questões,
vamos imaginar uma situação:
Imagine que na primeira aula de educação física com uma turma, a
atividade seja atravessar a piscina nadando. Pode ser que alguns alunos já
saibam nadar e o façam com segurança. Para outros, porém, o medo da
água pode ser paralisante. Alguns ainda nadarão com dificuldade e farão
pausas ao longo da piscina.
Nem sempre as facilidades e dificuldades dos alunos serão tão visíveis
assim para nós. Dessa forma, é nossa responsabilidade como educadores
estarmos cientes da diversidade estudantil com a qual lidaremos. Esse
conhecimento permitirá que você traga para a aula os interesses e
necessidades dos seus alunos e crie estratégias para criar vínculos
respeitosos com eles. Tudo isso parece muito complicado de se fazer?
Já já teremos acesso a algumas estratégias nesse sentido.
11
Voltemos à aula hipotética de educação física: quão mais significativa
ela poderia ser se o professor propusesse três atividades diferentes?
A primeira poderia ter como foco os alunos que
têm facilidade em nadar, oferecendo a eles
desafios ao longo da travessia.
A segunda poderia envolver os alunos que têm
medo de água, permitindo que fiquem na
parte rasa da piscina e façam uso de boias e
pranchas que deem a eles segurança.
A terceira atividade teria como alvo os
alunos com dificuldades e daria a eles
a oportunidade de trabalharem em
grupo, sendo que cada um nadaria
uma parte da piscina. Parece que
dessa forma, há mais chances de
todos se divertirem, realizarem a
atividade proposta e, então, saírem da
aula com orgulho de suas próprias
performances, se desenvolvendo mais
e se sentindo capazes de continuar
evoluindo.
Uma vez que o professor conhece seus alunos, ele planeja ações
necessárias para diferenciar, a fim de que todos tenham uma
aprendizagem significativa. Essas ações, como veremos ao longo do
curso, podem incluir estratégias de agrupamentos, oferta de variados
recursos, escolhas de evidências a serem confeccionadas pelos alunos,
espaços ajustáveis de acordo com essas estratégias e muito mais.
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Perceba, então, que a diferenciação nos auxilia na transição de sistemas
educacionais rígidos para sistemas ajustáveis que, quando bem
planejados e aplicados, levam a uma aprendizagem mais duradoura.
O que não é e o que é diferenciar
Inicialmente, pode até parecer que a diferenciação no ensino-
aprendizagem é o mesmo que individualização, mas não é. Também não
é dar mais tarefas para os alunos que têm facilidade ou uma tarefa “mais
fácil” para os que têm dificuldade. Diferenciação é sobre criar respostas
aos diferentes pontos fortes e necessidades dos alunos, promovendo um
equilíbrio de estratégias de ensino que serão realizadas com os alunos
com apoio e autonomia gradativos (de forma modelada), outras que serão
compartilhadas com todo o grupo, algumas que serão guiadas pelo
professor com a sala toda, outras guiadas com pequenos grupos e outras
que os alunos farão de forma independente e que se adaptam às suas
características, níveis ou estilos de aprendizagem.
Veja no diagrama abaixo, então, um resumo do que é e o que não é
diferenciação.
DIFERENCIAÇÃO
Acompanhar ou agrupar
alunos nas salas de aula por INCOMPATÍVEL COM
"HABILIDADES" EXPECTATIVAS CURRICULARES
o
SIMPLIFICAR g
ALÉM
TRABALHO EM GRUPO
AGRUPAR ALUNOS Al
O ensino para
USANDO CRITÉRIOS alguns alunos
SINÔNIMO DE
FIXOS do bom ensino
PRINCIPALMENTE PARA ALUNOS
UM CONJUNTO DE Principalmente para alunos
identificados com
IDENTIFICADOS COM DIRETRIZES
DIFICULDADES DE
Altas habilidades INSTRUCIONAIS
APRENDIZAGEM
PROGRAMA DE EDUCAÇÃO
INSTRUÇÃO INDIVIDUALIZADA
PARA TODOS
13
DIFERENCIAÇÃO
Uma ideia tão Aplicação de
Aulas tarefas/trabalhos
antiga planejadas
com base nas
individuais,
em pequenos ou
quanto o grandes grupos
ensino eficaz NECESSIDADES
DO ALUNO BASEADOS NOS
CONTEÚDOS
e
e
Necessária NECESSIDADES
para atingir DOS ALUNOS
para sucesso
com uma Ensinar
ampla gama
EM AMBIENTES
HETEROGÊNEOS
de alunos
Uma maneira
central
FOCAR NO de pensar
NO ENSINO DE
QUALIDADE
ALUNO
sobre ensinar
e aprender
PROJETADA PARA ABORDAR AS
Aprender,
NECESSIDADES DE APRENDIZAGEM
ensinar,
E AS NECESSIDADES AFETIVAS
guiar
QUE TODOS OS ALUNOS POSSUEM
14
Por que diferenciar?
Leia novamente o título desta seção. Você já é capaz de responder a essa
pergunta? Pense sobre isso antes de ler os motivos que listamos. Ah!
Repare que tanto alunos quanto professores são beneficiados com a
diferenciação:
porque essa estratégia apoia o aprendizado de todos;
porque o engajamento, a motivação e o desempenho dos alunos
aumentam;
porque os alunos se tornam cada vez mais seguros e independentes;
porque nos desenvolvemos como professores ao aumentar nossa
capacidade de conhecer os alunos, nos conectarmos a eles e
planejarmos novas experiências de aprendizagem que partem disso;
porque renovamos nosso entusiasmo e prazer em ensinar e aprender
quando vemos nossos alunos sendo protagonistas de suas trajetórias
de aprendizagem.
Diferenciar permite que o
professor ofereça a melhor
experiência de aprendizagem para
todos os alunos da sala.
Como diferenciar?
Até o momento, conhecemos alguns teóricos da área, entendemos o
que é e o que não é diferenciar e também nos conscientizamos das
razões que nos levam a aplicar essa resposta inclusiva à diversidade
estudantil. Agora, vamos organizar maneiras pelas quais podemos
colocar a diferenciação em prática!
Para que a instrução diferenciada seja parte essencial de suas aulas, é
primordial que você acesse a voz do aluno, a fim de demonstrar,
respeitosa e genuinamente, que você se importa com seus interesses,
prontidão e preferências. Como você viu na unidade Conhecendo os
15
alunos, isso pode ser feito através de conversas, observações e
questionários. O professor também pode buscar ex-professores e a
gestão da escola a fim de se conscientizar de particularidades dos
alunos.
Vamos ver, agora, alguns exemplos práticos de como
podemos acessar as vozes de nossos alunos para agir
com diferenciação, que foram traduzidos e adaptados
https://www.routledge.com/Diff
deste site, no qual você pode encontrar os materiais
erentiated-Instruction-Made-
originais em inglês (BONDIE, 2018). Practical-Engaging-the-
Extremes-through/Bondie-
Zusho/p/book/9780815370819
Exemplos de planejamento
para a diferenciação
Objetivo instrucional: tornar visíveis as percepções do professor
sobre os alunos e a aprendizagem
Os professores só podem responder às necessidades de aprendizagem
que são capazes de perceber. Portanto, é fundamental que os
professores reflitam constantemente sobre suas próprias percepções a
respeito dos alunos e sobre o aprendizado que está acontecendo em
sala de aula. Essas rotinas que vamos apresentar agora podem ser
realizadas durante os momentos de planejamento ou a qualquer
momento que os professores reflitam sobre os rumos de sua prática,
como reuniões de HTPC/ Planejamento.
Veja o passo a passo:
Etapa 1 - LISTE:
Sozinho ou com um colega que conheça os alunos,
O brainstorming ou
pensem em uma turma específica para fazer o tempestade de ideias, mais
do que uma técnica de
brainstorming de tudo o que vocês sabem sobre os dinâmica de grupo, é uma
atividade desenvolvida para
alunos. Vocês se concentrarão em um aluno de cada vez explorar a potencialidade
e dedicarão cerca de dois minutos para cada. Comecem criativa de um indivíduo ou
de um grupo - criatividade
listando as necessidades do aluno, depois os pontos em equipe - colocando-a a
serviço de objetivos pré-
fortes e, finalmente, os interesses. determinados.
16
Quando for pensar nessas categorias, pense em uma ampla gama de
necessidades, pontos fortes e interesses, listando tudo o que vem à
mente. Liste o máximo de elementos que puder, considerando não
apenas as características acadêmicas, de dentro da escola, mas
também aqueles aspectos que nem sempre são desejados na escola,
como enviar mensagens de texto ou falar demais.
Vocês podem registrar cada categoria em uma cor de
post-it ou usar canetas de cores diferentes, utilizando o
modelo de tabela abaixo (que você pode baixar no
material de apoio), fazer no computador ou em uma
cartolina.
Percepção dos professores das necessidades,
pontos fortes e interesses dos alunos
ALUNOS NECESSIDADES PONTOS FORTES INTERESSES
trabalha bem em
equipe;
apoio para lidar ciências;
busca ajuda para
com frustração; dinossauros;
resolver
operações básicas produzir coisas
dificuldades;
João Carlos matemáticas e usando as mãos;
interpretação de
raciocínio lógico; estar com seus
texto e
gerenciamento amigos.
vocabulário;
do tempo.
usa bem
tecnologia.
Maria
Elena
17
Reflexão da Etapa 1: revise sua lista e reflita: O que você sabe sobre seus
alunos? A lista de alguns alunos é mais longa (ou menor) do que as
outras? O que ela nos diz sobre nosso conhecimento de nossos alunos? O
que você ainda precisa saber sobre seus alunos?
Etapa 2 - CONECTE:
Retorne ao seu brainstorming inicial das necessidades, pontos fortes e
interesses dos alunos. Organize suas ideias de brainstorming e categorias
significativas. Crie um gráfico ou desenho que o ajude a entender as ideias
e organizar seu pensamento. Você pode agrupar as ideias em categorias
maiores, misturando os pontos fortes, necessidades, interesses e reuni-los
de novas maneiras que mostrem conexões e forneçam maior significado.
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Etapa 3 - Planejador de tração: construindo a partir dos pontos fortes
Este planejador foi projetado para focar nossa atenção nos pontos fortes
dos alunos e professores e para ser explorado em uma unidade de
estudo. Ao enraizar o novo aprendizado de uma unidade em pontos
fortes, os alunos começam com algo que se sentem capazes de realizar e,
assim, ganham confiança para avançarem em direção a novos objetivos
de aprendizagem. Você encontra essa estrutura preenchível no apêndice
A deste documento e no ícone "Material de apoio" na plataforma.
Para usar este planejador:
1. Identifique os objetivos ou metas da unidade de estudo: identifique qual a
competência central, quais conhecimentos e habilidades que os alunos aprenderão
nessa unidade. Inclua Questões Essenciais ou grandes ideias que os alunos examinarão
na unidade;
2. Construa um novo aprendizado a partir de uma base de pontos fortes do aluno e
paixões de alunos e professores relacionado aos objetivos da unidade de estudo;
3. Considere as conexões dos objetivos da unidade com o cotidiano dos alunos e a
importância deste tópico para agora e para o futuro;
4. Identifique as necessidades dos alunos e a parte mais difícil da unidade. Use as
informações dos itens 2 e 3 para apoiar as necessidades dos alunos e para a
aprendizagem da parte mais difícil da unidade.
Título da unidade de ensino: _______________________________________________
4- Necessidades 4- Qual é a parte mais
do aluno. difícil desta unidade?
1- Objetivos:
3- Conexões com 3- Por que isso é importante
o cotidiano do aluno. para hoje e para o futuro?
2- Paixões dos estudantes 2- Paixões dos professores
relacionadas à unidade. relacionadas à unidade.
2- Pontos fortes do aluno.
19
Importância da intencionalidade
na diferenciação
Como você deve ter notado, a partir do conhecimento de seus alunos, o
professor planeja intencionalmente diferentes formas de acesso ao
conteúdo (abordagens), de evidências de aprendizagem que o alunos
desenvolverão e como serão avaliados. Esse planejamento deve incluir,
também, o que será oferecido no ambiente, a fim de que a diferenciação
seja facilitada.
Em relação às evidências de aprendizagem, é urgente que nós,
professores, incluamos às tradicionais provas, outros tipos de produção
como: vídeos, poemas, encenações ou paródias. Assim, oferecemos mais
oportunidades de os alunos aplicarem e desenvolverem seus talentos em
sua jornada de aprendizagem. Também é válido que o professor esteja
sempre atento ao que os alunos falam e fazem durante as aulas; isso
também é evidência válida de aprendizagem.
É importante salientar que a diferenciação deve ser uma estratégia
também de autoconhecimento para o aluno. Assim, ele se torna cada vez
mais ciente de suas capacidades e pode tomar decisões mais acertadas
sobre a sua aprendizagem, o que o conduz ao protagonismo enquanto
estudante. Neste processo, o professor aparece como um mediador entre
o que o aluno já domina e o que ainda pode dominar, permanecendo
atento para que o aluno não fique em sua zona de conforto, fazendo
escolhas apenas baseadas em seus interesses e fortalezas.
Oportunamente, o professor pode e deve promover momentos em que o
aluno precisa trabalhar uma habilidade que, para ele, ainda é um ponto a
ser desenvolvido. Considerando, por exemplo, o aluno fictício da tabela
acima: é provável que ele, quando possível, escolha partilhar suas
descobertas oralmente, já que isso é um ponto forte. Atento a isso, o
professor pode conversar com o aluno para estabelecer momentos em
que deverá usar a escrita para divulgar o que aprendeu.
20
Todo esse processo é extremamente dinâmico. A disposição dos alunos
pode variar de acordo, por exemplo, com seus aspectos biológicos ou
estado emocional. Suas preferências podem, portanto, se consolidar ou se
alterar. Daí a importância de o professor checar continuamente o
processo e o progresso de seus alunos, estando aberto a fazer reajustes
em sua rota.
Talvez, então, depois de tudo o que exploramos neste livro tenhamos que
nos debruçar sobre o nosso planejamento, incluindo no início, durante e
ao final das unidades escolares momentos de acesso ao aluno,
verificando e celebrando sua aprendizagem e progresso em relação aos
objetivos escolares e a ele mesmo. Precisamos, inclusive, deixar espaço
para o nosso planejamento ser flexível, sendo ajustado conforme é
aplicado, de acordo com as demandas dos alunos, que são os
protagonistas das próprias jornadas de aprendizagem.
21
Fechamento e próximos passos
A diferenciação se mostra uma abordagem enriquecedora para todos os
envolvidos, além de desenvolver não só habilidades de conteúdo quanto
socioemocionais, atitudinais e procedimentais. Os alunos se mostram
envolvidos quando têm suas habilidades valorizadas e quando se veem
capazes de trabalhar autonomamente e refletir sobre seu aprendizado.
Para esse processo de reflexão,
os professores podem apoiar os
alunos instigando-os a pensar a
partir de perguntas como:
Considerando suas atitudes
durante a realização do
trabalho em grupo, o que deve
continuar fazendo? O que deve
parar de fazer? O que deve
começar a fazer?
Então, pensando sobre o que foi abordado, o que você pensa ser
necessário aprender e fazer para se tornar um “professor diferenciador”?
Ser empenhado, criativo, organizado e bom gerenciador do próprio
tempo vai ajudar muito. Antes de qualquer coisa, no entanto, é preciso ter
uma mentalidade aberta, se mostrando flexível e disposto a continuar a
aprender, sempre revisitando suas práticas e buscando recursos para ir
além, tendo como foco principal a aprendizagem significativa de cada
um de seus alunos.
22
REFERÊNCIAS
ALL LEARNERS LEARNING EVERY DAY (ALL-ED). Disponível em:
<https://www.alled.org/>. Acesso em: 03 out. 2022.
FARIA, L. B. Instrução diferenciada: respeito à diversidade estudantil e breve
reflexão sobre sua viabilidade. Relatório apresentado como Trabalho de
Conclusão de Curso - Centro Universitário Internacional UNINTER. 1º semestre -
2018. tcc
FERRARI, M. Howard Gardner, o cientista das inteligências múltiplas. Gestão
Escolar, out. 2008. Disponível em:
<https://novaescola.org.br/conteudo/1462/howard-gardner-o-cientista-das-
inteligencias-multiplas>. Acessado em: 03 out. 2022.
FOUR C BILINGUAL ACADEMY. Diferenciação no ensino-aprendizagem -
Differentiated instruction. Módulo de aprendizagem para formação de
professores DPP. Bauru, 2020. (conteúdo disponível apenas para uso interno).
REACH EVERY STUDENT THROUGH DIFFERENTIATED INSTRUCTION. Disponível
em: <http://www.edugains.ca/resourcesDI/Brochures/DIBrochureOct08.pdf>.
Acessado em: 03 out. 2022.
TOMLINSON, C. A.; BRIGHTON, C.; HERTBERG, H.; CALLAHAN,C. M.; MOON, T. R.;
BRIMIJOIN, K.; CONOVER. L. A.; REYNOLDS, T. Differentiating Instruction in
Response to Student Readiness, Interest, and Learning Profile in Academically
Diverse Classrooms: A Review of Literature. Journal for the Education of the
Gifted. Vol. 27, No. 2/3, p.119-145. 2003.
TOMLINSON, C. A. Fulfilling the promise of the differentiated classroom.
Alexandria, VA: Association for Supervision and Curriculum Development. 2003.
________________ The differentiated classroom: Responding to the needs of all
learners. New Jersey: Pearson Education. 1999.
23
APÊNDICE A: Planejador de Tração: Construindo a aprendizagen a
partir dos pontos fortes dos alunos
Para usar este planejador:
1. Identifique os objetivos ou metas da unidade de estudo: identifique qual a
competência central, quais conhecimentos e habilidades que os alunos aprenderão
na unidade. Inclua questões essenciais ou grandes ideias que os alunos examinarão
ao longo de seus estudos;
2. Construa um novo aprendizado a partir de uma base de pontos fortes do aluno e da
paixão do aluno e do professor relacionada aos objetivos da unidade de estudo;
3. Considere as conexões dos objetivos da unidade com a vida cotidiana dos alunos e
a importância deste tópico para agora e para o futuro;
4. Identifique as necessidades dos alunos e a parte mais difícil da unidade. Use as
informações dos itens 2 e 3 para apoiar as necessidades dos alunos e a
aprendizagem da parte mais difícil da unidade.
Título da unidade de ensino: _______________________________________________
4- Necessidades 4- Qual é a parte mais
do aluno difícil desta unidade?
3- conexões 3- Por que isso
com vida cotidiana é importante para
do aluno hoje e para o futuro?
1- Objetivos
2- Paixões dos estudantes que 2- Paixões dos professores que
se conectam com a unidade se conectam com a unidade
2- Pontos fortes do aluno
24