1.
Introdução
O HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana) e a SIDA (Síndrome da Imunodeficiência
Adquirida) constituem uma das mais graves ameaças à saúde pública mundial desde o final do
século XX. A pandemia do HIV/SIDA não é apenas um problema de saúde, mas também um
desafio social, económico e cultural que afeta milhões de pessoas em todos os continentes,
com impacto mais severo nos países em desenvolvimento, especialmente na África
Subsaariana.
O vírus HIV ataca directamente o sistema imunológico, tornando o corpo vulnerável a
infecções e doenças que normalmente seriam combatidas com facilidade por um organismo
saudável. Quando a infecção pelo HIV progride e o sistema imunológico está gravemente
comprometido, a pessoa desenvolve a SIDA, que é a fase mais avançada da doença.
Apesar dos avanços significativos no diagnóstico, tratamento e prevenção ao longo das
últimas décadas, o estigma, a desinformação e a falta de acesso aos cuidados de saúde ainda
dificultam o combate eficaz ao HIV/SIDA. O número de pessoas que vivem com o vírus
continua elevado, e novas infeções continuam a ocorrer, muitas vezes devido à falta de
informação e de medidas preventivas adequadas.
Este trabalho tem como finalidade apresentar uma abordagem aprofundada sobre o
HIV/SIDA, desde a sua origem e primeiros casos documentados, até aos aspectos clínicos
como sintomas, sinais de alerta, diagnóstico, tratamento e formas de prevenção. Também
serão abordados os tipos de HIV, as formas de transmissão, os métodos de dosagem e a
importância do apoio psicossocial no tratamento da doença. Ao compreender melhor o
HIV/SIDA, podemos contribuir para a sua prevenção, tratamento eficaz e combate ao
preconceito que ainda cerca essa condição.
Objetivos (detalhados)
Objetivo Geral:
Estudar de forma aprofundada o HIV/SIDA,.
Objetivos Específicos:
1. Identificar os principais sinais e sintomas associados ao HIV/SIDA,
2. Destacar principais formas de transmissão e os métodos de prevenção,
3. Descrever os procedimentos de diagnóstico, tratamento e monitoramento do
HIV/SIDA,
3.
3.
3.1. O que é HIV/SIDA
O HIV significa Vírus da Imunodeficiência Humana é um vírus que compromete
progressivamente o sistema imunológico do ser humano. Ele destrói células importantes,
como os linfócitos T CD4+, responsáveis por combater infecções. Sem essas células, o corpo
fica vulnerável a doenças oportunistas, como tuberculose, pneumonias graves, cânceres e
outras infecções. Quando a contagem de CD4 está muito baixa ou surgem doenças
relacionadas, considera-se que o indivíduo entrou na fase de SIDA (OMS, 2023).
Segundo a UNAIDS (2023), estima-se que mais de 39 milhões de pessoas vivam com o HIV
no mundo, e cerca de 1,3 milhões foram infectadas somente no ano de 2022. Embora o
tratamento tenha avançado muito, o HIV ainda não tem cura definitiva, exigindo vigilância
constante e cuidados por toda a vida.
O que é AIDS ou SIDA?
A AIDS é o estágio final e mais grave da infecção pelo HIV. Pessoas com AIDS apresentam
contagens muito baixas de certos glóbulos brancos e sistemas imunológicos gravemente
comprometidos. Elas podem apresentar outras doenças que indiquem que evoluíram para a
AIDS.
Sem tratamento, as infecções por HIV evoluem para AIDS em cerca de 10 anos.
Qual é a diferença entre HIV e AIDS?
A diferença entre HIV e AIDS é que o HIV é um vírus que enfraquece o sistema imunológico.
A AIDS é uma condição que pode ocorrer como resultado de uma infecção por HIV quando o
sistema imunológico está gravemente enfraquecido.
Não pode se contrair AIDS se não estiver infectado pelo HIV. Graças ao tratamento que
retarda os efeitos do vírus, nem todos os portadores de HIV evoluem para a AIDS. Mas, sem
tratamento, quase todas as pessoas vivendo com HIV evoluem para a AIDS.
3.2. Breve histórico: onde e quando surgiu
Acredita-se que o HIV tenha surgido a partir de um vírus semelhante presente em chimpanzés
(SIV), transmitido aos humanos por meio do consumo de carne de caça na África Central.
Estudos genéticos indicam que o vírus passou para os humanos no início do século XX, mas
só foi identificado em 1981 nos Estados Unidos, quando médicos relataram casos de
infecções raras em homens jovens e saudáveis, indicando um colapso do sistema imunológico
(Sharp & Hahn, 2011).
Robert Gallo, codescobridor do HIV no início dos anos 1980 entre (da esquerda para a direita)
Sandra Eva, Sandra Colombini e Ersell Richardson
O vírus foi isolado em 1983 por cientistas franceses no Instituto Pasteur, sendo chamado
inicialmente de LAV (vírus associado à linfadenopatia). Nos anos seguintes, foi estabelecido
o nome HIV, e a doença passou a ser conhecida como SIDA (AIDS em inglês) (Gallo et al.,
1984).
3.3. Quem foi o primeiro a morrer de HIV?
O primeiro caso conhecido de infecção por HIV foi identificado em amostras de sangue de
um homem da República Democrática do Congo, coletadas em 1959. Embora não tenha sido
diagnosticado como morte por HIV na época, análises feitas décadas depois mostraram que
ele foi uma das primeiras vítimas conhecidas (Gao et al., 1999).
4. Sinais e Sintomas do HIV/SIDA (detalhados)
O HIV tem três fases principais:
Fase 1: Infecção Aguda (2 a 4 semanas após a exposição)
Febre
Dor de cabeça
Cansaço
Dor de garganta
Erupção na pele
Gânglios linfáticos inchados
Esses sintomas são semelhantes aos de uma gripe comum, o que dificulta a identificação
precoce.
Fase 2: Latência Clínica
Pode durar vários anos sem apresentar sintomas.
O vírus continua a se replicar, afetando silenciosamente o sistema imunológico.
Fase 3: SIDA
Perda de peso acentuada
Infecções oportunistas (como tuberculose, pneumonia, toxoplasmose)
Diarreia prolongada
Suores noturnos intensos
Manchas na pele (sarcoma de Kaposi)
5. Sinais de Alerta (resumo dos principais)
Perda de peso inexplicável
Febres recorrentes e suores noturnos
Cansaço extremo e fraqueza
Diarreia crônica
Tosse seca e prolongada
Gânglios linfáticos inchados por mais de três meses
Esses sinais não confirmam a presença do HIV, mas indicam a necessidade de procurar um
centro de saúde e fazer o teste.
6. Formas de Transmissão do HIV
O HIV pode ser transmitido de diversas maneiras, especialmente através de fluidos corporais
como sangue, sêmen, secreção vaginal e leite materno. As principais formas de transmissão
são:
6.1. Relações sexuais desprotegidas
É a forma mais comum de contágio. O vírus é transmitido durante o sexo vaginal, anal ou oral
sem o uso de preservativos.
6.2. Transmissão sanguínea
Pode ocorrer por meio de transfusões de sangue contaminado, reutilização de seringas ou
agulhas não esterilizadas, e compartilhamento de objetos cortantes (lâminas, agulhas de
tatuagem ou piercing).
6.3. Transmissão vertical (de mãe para filho)
Durante a gravidez, parto ou amamentação, a mãe infectada pode transmitir o vírus ao bebê.
Com tratamento adequado durante o pré-natal, esse risco pode ser reduzido a menos de 2%
(Ministério da Saúde de Moçambique, 2022).
7. Precauções e Prevenção
A prevenção é a principal forma de combate ao HIV/SIDA. Entre as medidas preventivas
mais eficazes estão:
Uso correto e consistente de preservativos (masculinos ou femininos) em todas as
relações sexuais.
Testagem regular para conhecer o estado serológico e iniciar tratamento precoce.
Educação sexual, especialmente entre jovens e adolescentes, promovendo o
autocuidado.
Não compartilhar seringas e objetos perfurantes.
Tratamento de pessoas vivendo com HIV, pois quem segue o tratamento
corretamente pode alcançar carga viral indetectável e, assim, não transmite o vírus
("Indetectável = Intransmissível", ou I=I).
Uso da profilaxia pré-exposição (PrEP) e da profilaxia pós-exposição (PEP),
indicadas em situações de risco.
8. Diagnóstico
O diagnóstico do HIV é feito através de testes laboratoriais específicos, que detectam a
presença de anticorpos contra o vírus no sangue. Os métodos mais comuns incluem:
8.1. Teste rápido
Disponível em unidades de saúde e em campanhas de prevenção. Os resultados saem em até
30 minutos.
8.2. Testes laboratoriais (ELISA e Western Blot)
São mais precisos e usados para confirmar casos detectados em testes rápidos. Após o
diagnóstico, o paciente é encaminhado para iniciar o tratamento e acompanhamento médico.
9. Tratamento e Dosagem
9.1. Tratamento
Não existe cura para o HIV, mas o tratamento com medicamentos antirretrovirais (ARVs)
permite controlar a replicação do vírus no organismo. Os ARVs impedem que o HIV se
multiplique, ajudando a manter o sistema imunológico forte.
9.2. Dosagem
A dosagem refere-se ao controle da carga viral (quantidade de vírus no sangue) e da contagem
de linfócitos CD4. Com o tratamento correto, a carga viral pode se tornar indetectável, o que
melhora a saúde do paciente e impede a transmissão do vírus.
O esquema de tratamento geralmente inclui uma combinação de três medicamentos
antirretrovirais. A adesão correta é essencial para o sucesso do tratamento e para evitar a
resistência aos medicamentos.
10. Tipos de HIV
Existem dois tipos principais de HIV:
HIV-1: É o tipo mais comum em todo o mundo, mais agressivo e responsável pela
maioria das infecções.
HIV-2: Mais raro, encontrado principalmente em países da África Ocidental. Tem
progressão mais lenta e menor taxa de transmissão.
Ambos os tipos causam a SIDA, mas exigem abordagens diferentes de tratamento e
diagnóstico.
11. Conclusão
O HIV/SIDA representa um dos maiores desafios de saúde global. A compreensão sobre a
doença, suas formas de transmissão, sinais, diagnóstico e tratamento é fundamental para o
controle da epidemia. Apesar dos avanços científicos, a luta contra o HIV exige não apenas
medicamentos, mas também educação, prevenção, empatia e combate ao estigma.
É possível viver bem com o HIV, desde que o diagnóstico seja precoce e o tratamento seguido
corretamente. A sociedade tem um papel importante na promoção de uma cultura de respeito,
inclusão e solidariedade para com as pessoas que vivem com o vírus. O conhecimento é a
arma mais eficaz contra a desinformação, o medo e a discriminação.
12. Referências Bibliográficas
Organização Mundial da Saúde (OMS). Relatório Global sobre HIV/SIDA, 2023.
UNAIDS. Factsheet: Global HIV & AIDS statistics — 2023. Disponível em:
https://www.unaids.org
Ministério da Saúde de Moçambique. Guia Nacional de Tratamento Antirretroviral,
2022.
Gallo, R. C., et al. (1984). Isolation of human T-cell leukemia virus in acquired
immune deficiency syndrome (AIDS). Science.
Sharp, P. M., & Hahn, B. H. (2011). Origins of HIV and the AIDS Pandemic. Cold
Spring Harbor Perspectives in Medicine.
Gao, F. et al. (1999). Origin of HIV-1 in the chimpanzee Pan troglodytes troglodytes.
Nature.