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Africa

O documento analisa a partilha e conquista de África no século XIX, destacando as estratégias utilizadas pelas potências imperialistas europeias, como tratados coloniais, a doutrina do hinterland e conquistas militares. A Conferência de Berlim é identificada como um marco crucial que legitimou a ocupação e divisão do continente, resultando em profundas transformações sociais, políticas e econômicas. O texto conclui que a colonização não apenas alterou as fronteiras africanas, mas também impôs um regime de dominação que teve impactos duradouros nas sociedades africanas.
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O documento analisa a partilha e conquista de África no século XIX, destacando as estratégias utilizadas pelas potências imperialistas europeias, como tratados coloniais, a doutrina do hinterland e conquistas militares. A Conferência de Berlim é identificada como um marco crucial que legitimou a ocupação e divisão do continente, resultando em profundas transformações sociais, políticas e econômicas. O texto conclui que a colonização não apenas alterou as fronteiras africanas, mas também impôs um regime de dominação que teve impactos duradouros nas sociedades africanas.
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Escola Comunitária Nossa Senhora do Livramento

A partilha e conquista de África

Turma: A1 Sala: 1 Classe: 11ª

Jéssica Da Anastasia Vilanculos Nr 25

Meluxa Luis Nhanala Nr 38

Miranda Casimiro Fernandes Nr 39

Mirla Matias Micas Nr 40

Mony Fernandes Vesta Nr 41

Docente:
Escola Secundária Nossa Senhora do Livramento

A partilha e conquista de África

Turma: A1 Sala: 1 Classe: 11ª

Nomes

Jéssica Da Anastasia Vilanculos Nr 25

Meluxa Luis Nhanala Nr 38

Miranda Casimiro Fernandes Nr 39

Mirla Matias Micas Nr 40

Mony Fernandes Vesta Nr 41


Indice
INTRODUÇÃO.................................................................................................................4

Objetivos........................................................................................................................4

Objetivo Geral...........................................................................................................4

Objetivos Específicos................................................................................................4

Metodologia...................................................................................................................5

A PARTILHA E CONQUISTA DE ÁFRICA...................................................................6

Contextualização...........................................................................................................6

Formas de partilha e conquista usadas pelas potências imperialistas............................6

Os tratados coloniais......................................................................................................7

A doutrina de hinterland................................................................................................8

As conquistas militares..................................................................................................9

CONCLUSÃO.................................................................................................................10

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS............................................................................11
INTRODUÇÃO

A partilha e conquista de África constituem um dos marcos mais significativos da


expansão imperialista europeia no século XIX, tendo provocado profundas
transformações políticas, económicas, sociais e culturais no continente africano. Este
processo ocorreu num contexto histórico em que as potências europeias, movidas pelos
interesses do capitalismo industrial, procuravam alargar os seus domínios ultramarinos,
garantir o acesso a matérias-primas, novos mercados e rotas comerciais estratégicas
(BOAHEN, 1987).

A Conferência de Berlim, realizada entre 1884 e 1885, representou o ponto culminante


do esforço europeu para organizar e regulamentar a ocupação de África, de modo a
evitar conflitos diretos entre os Estados colonizadores. A conferência estabeleceu regras
para a ocupação efetiva de territórios, dando início a uma nova fase de domínio europeu
sobre o continente africano, baseada na delimitação artificial de fronteiras e na
imposição de estruturas administrativas coloniais (KI-ZERBO, 1981).

A presente investigação tem como objetivo analisar criticamente as diferentes formas de


partilha e conquista de África, destacando os mecanismos políticos, militares e jurídicos
utilizados pelas potências europeias para subjugar os povos africanos. Para isso, serão
abordados tópicos como os tratados coloniais, a doutrina do hinterland e as conquistas
militares, com base em fontes históricas e bibliográficas relevantes.

Objetivos

Objetivo Geral

 Analisar o processo de partilha e conquista de África pelas potências


imperialistas europeias.

Objetivos Específicos

 Identificar os principais fatores que motivaram a partilha e conquista de África


no século XIX.
 Examinar as formas de dominação colonial, incluindo os tratados, a doutrina do
hinterland e as conquistas militares.
 Compreender o papel da Conferência de Berlim na divisão territorial do
continente africano.
 Avaliar os efeitos da ocupação europeia nas estruturas políticas e sociais dos
povos africanos.

Metodologia

Este artigo adota uma abordagem qualitativa, com base em pesquisa bibliográfica,
centrada na análise de fontes secundárias relevantes sobre o tema da partilha e conquista
de África. A investigação foi desenvolvida por meio da leitura crítica e interpretação de
obras de historiadores africanos e europeus, bem como documentos oficiais e artigos
científicos que abordam o imperialismo, a colonização e os impactos da Conferência de
Berlim.
A PARTILHA E CONQUISTA DE ÁFRICA

Contextualização

A partilha e conquista de África devem ser compreendidas no contexto do imperialismo


europeu do século XIX, particularmente após a Revolução Industrial, que intensificou a
competição entre as potências ocidentais por territórios ultramarinos. A Europa
industrializada passou a necessitar de novas fontes de matérias-primas, como ouro,
diamantes, borracha e óleo de palma, além de novos mercados consumidores para os
seus produtos manufaturados (DAVIDSON, 1980).

Neste período, África tornou-se alvo de crescente interesse geopolítico, económico e


estratégico. Exploradores, missionários e comerciantes europeus começaram a penetrar
o interior do continente, fornecendo informações sobre a geografia, os recursos naturais
e as populações locais. Essa presença inicial foi frequentemente usada como pretexto
para posteriores intervenções políticas e militares (BOAHEN, 1987).

A Conferência de Berlim, realizada entre novembro de 1884 e fevereiro de 1885,


consolidou os interesses europeus ao estabelecer regras formais para a ocupação de
territórios africanos. Ficou definido que o controlo efetivo de uma zona costeira daria
direito de expansão para o interior, desde que acompanhado por uma administração
local. Essa deliberação legitimou a corrida desenfreada das potências coloniais por
territórios africanos, resultando na divisão arbitrária do continente, sem qualquer
consulta ou consentimento das populações locais (KI-ZERBO, 1981).

Assim, a contextualização histórica da partilha de África evidencia um processo de


dominação baseado na superioridade tecnológica e militar dos europeus, aliado a uma
ideologia de civilização e missão cristã, que mascarava os interesses económicos
subjacentes à colonização.

Formas de partilha e conquista usadas pelas potências imperialistas

As potências europeias utilizaram diversos mecanismos para efetivar a partilha e


conquista de África, combinando estratégias diplomáticas, jurídicas e militares. O
objetivo era assegurar a posse dos territórios africanos, consolidar a exploração
económica e legitimar a presença colonial perante a comunidade internacional. As
principais formas utilizadas incluem a assinatura de tratados coloniais, a aplicação da
doutrina do hinterland e o recurso sistemático às conquistas militares.

A assinatura de tratados coloniais foi uma das primeiras estratégias adotadas, sobretudo
nas regiões costeiras. Frequentemente celebrados entre representantes das potências
europeias e chefes locais, esses tratados eram, muitas vezes, desiguais e redigidos em
línguas incompreensíveis para os líderes africanos. Além disso, eram firmados sob
pressão ou com promessas enganosas, servindo como instrumento de legalização da
ocupação europeia (BOAHEN, 1987).

Outro mecanismo importante foi a doutrina do hinterland, segundo a qual o domínio de


uma zona costeira conferia ao colonizador o direito de estender a sua autoridade sobre o
interior adjacente. Esta doutrina foi particularmente relevante para justificar a expansão
de territórios já controlados, evitando conflitos diretos entre as potências coloniais, mas
também resultando em disputas territoriais entre elas, como ocorreu entre França e Grã-
Bretanha na África Ocidental (KI-ZERBO, 1981).

A conquista militar representou a via mais violenta e direta de imposição do poder


colonial. Quando os tratados eram rejeitados ou a resistência local se intensificava, as
potências europeias não hesitavam em mobilizar forças armadas. Estas campanhas
militares contaram com armamento moderno e logística superior, permitindo a
subjugação de reinos africanos como o Império Zulu, o Reino de Ashanti, entre outros.
A violência colonial era justificada sob o pretexto de levar a “civilização”, a “ordem” e
o “progresso” aos povos africanos (DAVIDSON, 1980).

Essas formas de conquista revelam a natureza sistemática e estratégica da dominação


europeia, evidenciando que o processo de partilha de África não foi apenas um ato
diplomático, mas um conjunto articulado de práticas destinadas a garantir o controlo
político, económico e social sobre os territórios africanos.

Os tratados coloniais

Os tratados coloniais foram instrumentos jurídicos utilizados pelas potências europeias


para legitimar a ocupação dos territórios africanos, particularmente após a Conferência
de Berlim (1884–1885), que exigia a demonstração de “ocupação efetiva” para o
reconhecimento internacional da soberania sobre determinada região. Estes tratados,
assinados entre representantes europeus e autoridades locais, eram frequentemente
desiguais, ambíguos e redigidos em línguas incompreensíveis para os signatários
africanos (BOAHEN, 1987).

Na maioria dos casos, os chefes africanos eram induzidos a acreditar que estavam a
celebrar acordos de amizade ou proteção, quando, na verdade, estavam a ceder a
soberania dos seus territórios. Um exemplo paradigmático ocorreu na costa ocidental
africana, onde agentes da Royal Niger Company obtiveram a assinatura de vários
tratados com líderes locais, que mais tarde serviram de base para a proclamação do
protetorado britânico sobre a Nigéria (KI-ZERBO, 1981).

Em Angola e Moçambique, Portugal assinou múltiplos tratados com autoridades locais,


que foram posteriormente utilizados para justificar o avanço militar e a instauração da
administração colonial direta. Na realidade, muitos desses tratados eram firmados sob
coação ou com promessas falsas de proteção e benefícios materiais que nunca se
concretizavam (DAVIDSON, 1980).

Estes instrumentos jurídicos funcionavam como ferramentas de dominação, servindo


aos interesses estratégicos e económicos das metrópoles europeias. Uma vez assinados,
permitiam que as potências coloniais invocassem legalidade na ocupação e no exercício
da autoridade colonial, mesmo quando a população local opunha-se à presença

A doutrina de hinterland

A doutrina de hinterland foi um princípio geopolítico amplamente utilizado pelas


potências imperialistas europeias no século XIX para justificar a expansão dos seus
domínios coloniais a partir das zonas costeiras para o interior do continente africano. De
acordo com essa doutrina, a ocupação de uma faixa litoral conferia automaticamente o
direito de controle sobre o território interior adjacente, ainda que esse não estivesse
efetivamente ocupado (BOAHEN, 1987).

Esta doutrina foi adotada formalmente na Conferência de Berlim (1884–1885), onde se


estipulou que o exercício de soberania por uma potência europeia deveria basear-se na
ocupação efetiva, mas permitia-se a projeção dessa soberania para regiões do interior,
desde que existisse uma ligação contínua e um interesse justificado. A doutrina teve
como principal objetivo evitar confrontos diretos entre potências europeias
concorrentes, oferecendo um critério “racional” de partilha territorial (KI-ZERBO,
1981).
Portugal aplicou esta doutrina na tentativa de unir os territórios de Angola e
Moçambique através de uma faixa contínua de terra, uma reivindicação conhecida como
“Mapa Cor-de-Rosa”. Esta proposta foi fortemente contestada pelo Reino Unido, que
desejava estabelecer um corredor do Cairo ao Cabo. O impasse resultou no Ultimato
Britânico de 1890, obrigando Portugal a renunciar à sua pretensão de ligação territorial
no interior africano (DAVIDSON, 1980).

A doutrina de hinterland tornou-se, assim, um dos mecanismos diplomáticos mais


eficazes para justificar a apropriação de vastas regiões africanas sem necessidade de
ocupação militar imediata. Ao mesmo tempo, contribuiu para o estabelecimento de
fronteiras artificiais, ignorando as realidades étnicas, culturais e políticas locais, o que
resultaria em graves consequências para a coesão dos Estados africanos após a
independência.

As conquistas militares

As conquistas militares constituíram um dos principais instrumentos de consolidação do


domínio colonial europeu em África. Quando os tratados coloniais e os mecanismos
diplomáticos não eram suficientes para garantir o controle dos territórios, as potências
recorreram ao uso sistemático da força. A superioridade militar europeia, decorrente dos
avanços tecnológicos da Revolução Industrial, permitiu a rápida derrota de muitos
Estados africanos, apesar das resistências locais (BOAHEN, 1987).

As campanhas militares coloniais foram caracterizadas por uma lógica de destruição das
estruturas políticas autóctones e substituição por administrações coloniais centralizadas.
Os exércitos europeus utilizavam armamento moderno, como rifles de repetição,
artilharia pesada e metralhadoras Maxim, contra forças africanas que, na maioria dos
casos, estavam limitadas a armas tradicionais, como lanças, arcos e algumas espingardas
adquiridas por comércio (KI-ZERBO, 1981).

Um exemplo significativo foi a resistência de Samori Touré na África Ocidental, que


construiu um império islâmico e combateu os franceses durante quase duas décadas, até
ser capturado em 1898. Outro caso importante foi o Império Zulu, no sul da África, que
enfrentou os britânicos em 1879. Apesar da vitória inicial na Batalha de Isandhlwana, os
Zulus foram posteriormente derrotados e subjugados (DAVIDSON, 1980).

Também se destaca a repressão brutal exercida pelas tropas alemãs contra os Herero e
Nama, no atual território da Namíbia, entre 1904 e 1908. Essa campanha resultou em
massacres sistemáticos e é considerada por muitos estudiosos como o primeiro
genocídio do século XX (BOAHEN, 1987).

As conquistas militares não apenas viabilizaram a ocupação efetiva dos territórios


africanos, como também instauraram um regime de violência colonial que perduraria
por décadas. A repressão armada foi usada para destruir qualquer forma de resistência
local e assegurar a exploração dos recursos naturais em benefício das metrópoles.

CONCLUSÃO

A partilha e conquista de África pelas potências europeias no século XIX marcaram um


dos capítulos mais sombrios da história do continente. O processo de colonização foi
construído com base em um conjunto de estratégias complexas, que incluíram a
assinatura de tratados desiguais, a aplicação da doutrina do hinterland e a implacável
utilização da força militar. Esses mecanismos não apenas estabeleceram as fronteiras
artificiais que ainda hoje caracterizam os Estados africanos, mas também impuseram um
regime de dominação que teve impactos duradouros nas estruturas sociais, políticas e
económicas do continente.

Os tratados coloniais, muitas vezes assinados sob coação e em condições desvantajosas


para os africanos, foram um meio eficaz de legalizar a ocupação europeia. A doutrina do
hinterland proporcionou uma justificativa para a expansão territorial, enquanto as
conquistas militares garantiram a submissão dos povos africanos, frequentemente com o
uso de violência extrema. Esses métodos de dominação culminaram numa nova
configuração geopolítica, em que a soberania africana foi completamente
comprometida.

A Conferência de Berlim e seus desdobramentos deram início a uma fase de exploração


econômica desenfreada, que teve como consequência a perda de territórios, culturas e
identidades para os povos africanos. O colonialismo europeu em África não se limitou a
uma simples ocupação territorial, mas foi uma forma de subordinação estrutural que
visava perpetuar os interesses das potências imperialistas à custa dos recursos e das
populações africanas.

Embora a colonização tenha deixado marcas profundas na história e na sociedade


africanas, também gerou um legado de resistência, que se manifestou de diversas formas
ao longo do processo colonial e que culminaria nas lutas pela independência no século
XX. A análise das formas de partilha e conquista de África, portanto, não é apenas um
exercício de compreensão histórica, mas também uma reflexão sobre as persistentes
repercussões do colonialismo no presente.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BOAHEN, Albert Adu (Ed.). História Geral da África, VII: África sob
dominação colonial, 1880–1935. 2. ed. rev. Brasília: UNESCO, 2010.
1040 p. UNESCO Docs+5Repositório de Informação
Acessível+5UNESCO Docs+5.

DAVIDSON, Basil. À descoberta do passado de África. Tradução de


José Maia Alexandre. Lisboa: Sá da Costa, 1981. 233 p. IDN+3Livraria
Ultramarina+3ZDB Bookstore -+3.

KI-ZERBO, Joseph. História da África Negra. Lisboa: Publicações


Europa-América, 1972.

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