Filosofia Moderna:
DescartesVSLocke
A Filosofia Moderna que se inicia com o Renascimento e se estende até o século XIX,
rompe com a tradição medieval ao colocar o ser humano e sua capacidade de pensar no
centro das investigações filosóficas, mudando seu foco do teocentrismo para o
antropocentrismo. As principais ideias discutidas e formuladas são a valorização da
razão, a busca por um conhecimento científico e a crítica à metafísica tradicional. Dois
pensadores fundamentais desse período são René Descartes e John Locke, que, apesar
de partirem de visões diferentes, contribuíram enormemente para a compreensão do
conhecimento humano.
René Descartes (1596–1650), filósofo, matemático e cientista francês, renunciou à
carreira militar para se dedicar a uma busca incansável pela verdade. Ele acreditava que
era necessário encontrar um fundamento seguro para o conhecimento, o que o levou a
desenvolver um método baseado na matemática e na razão, rejeitando qualquer ideia
que não pudesse ser provada com clareza. Sua principal obra, Discurso do Método,
apresenta a famosa máxima “Cogito, ergo sum” (penso, logo existo), que representa o
ponto de partida seguro para todo saber. Descartes classificou o raciocínio em dois
tipos: dedutivo (do universal para o particular) e indutivo (do particular para o
universal). Ele também estabeleceu quatro regras para a investigação racional, como
dividir as dificuldades em partes menores e revisar tudo cuidadosamente para não deixar
nada de fora. Além disso, Descartes argumentou a favor da existência de Deus com base
na ideia de perfeição, que, segundo ele, só poderia vir de um ser perfeito e real.
John Locke (1632–1704), filósofo inglês, estudou Filosofia, Ciências Naturais e
Medicina em Oxford. É considerado o pai do empirismo moderno. Sua principal
contribuição foi a ideia de que o ser humano nasce como uma “tábula rasa”, ou seja,
uma folha em branco que é preenchida ao longo da vida pelas experiências. Locke
explica que a experiência é dupla: externa, quando vem dos sentidos (como sons,
cores e sabores), e interna, quando resulta da reflexão (como pensar, lembrar e
duvidar). Para ele, todo o conhecimento deriva da vivência e da observação do mundo.
Em sua obra Ensaio sobre o Entendimento Humano, Locke defende que é por meio da
experiência que o indivíduo forma ideias e se torna capaz de pensar criticamente.
Essas duas correntes filosóficas, o racionalismo cartesiano e o empirismo de Locke,
influenciam até hoje nossa forma de pensar. Pessoalmente, acredito que ambas se
complementam: a razão organiza o que vivemos e a experiência alimenta nosso
raciocínio. No entanto, se eu tivesse que escolher, ficaria com a filosofia de Locke.
Acredito que o que vivemos molda profundamente nosso caráter e nossa mente. Cada
experiência, boa ou ruim, contribui para nossa forma de pensar, sentir e interpretar o
mundo e as pessoas ao nosso redor. Somos resultado do que vivemos, e isso influencia
diretamente nossa capacidade de refletir e criticar o mundo, as pessoas e o que nos rege.
Em resumo, a Filosofia Moderna contribuiu para a valorização da razão, da experiência
e da liberdade do sujeito em busca do conhecimento. Descartes e Locke são referências
essenciais para compreendermos como a filosofia moderna influenciou a ciência, a
política e a cultura ocidental e como nós, enquanto indivíduos, construímos nossa visão
de mundo. Impactando profundamente na maneira como entendemos a realidade, o
conhecimento e a nossa própria identidade.