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CONSTITUCIONALISMO

O constitucionalismo é um movimento político-social que visa a limitação do poder estatal, com raízes na teocracia hebraica e influências da Grécia e Roma antigas. Evoluiu ao longo da história, passando pelo constitucionalismo moderno, que enfatiza a proteção dos direitos individuais e a força normativa da Constituição, até o neoconstitucionalismo, que integra valores éticos e sociais. O constitucionalismo contemporâneo, surgido após a II Guerra Mundial, busca garantir direitos econômicos, sociais e culturais, refletindo a dignidade da pessoa humana.

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CONSTITUCIONALISMO

O constitucionalismo é um movimento político-social que visa a limitação do poder estatal, com raízes na teocracia hebraica e influências da Grécia e Roma antigas. Evoluiu ao longo da história, passando pelo constitucionalismo moderno, que enfatiza a proteção dos direitos individuais e a força normativa da Constituição, até o neoconstitucionalismo, que integra valores éticos e sociais. O constitucionalismo contemporâneo, surgido após a II Guerra Mundial, busca garantir direitos econômicos, sociais e culturais, refletindo a dignidade da pessoa humana.

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Constitucionalismo

CONSTITUCIONALISMO: movimento político-social cujo objetivo é a limitação do poder estatal.

ORIGEM: Teocracia do povo HEBREU, em que os detentores do poder estavam limitados pela
lei do Senhor, que também precisava ser respeitada pelos governados. Destaque-se, ainda,
que, no sistema hebreu, os profetas possuíam legitimidade para fiscalizar os atos dos
governantes que extrapolassem a lei do Senhor. Considerando-se que todo e qualquer Estado
tem uma Constituição, a lei do Senhor pode ser vista como uma verdadeira Constituição em
sentido material. (LOEWENSTEIN)

Ademais, podemos citar da influência judaico-cristã a ideia do imago dei, ou seja, o homem foi
criado à imagem e semelhança de Deus, tendo uma dignidade própria que o torna distinto do
restante da criação (dignidade da pessoa humana), e a ideia de igualdade, presente sobretudo
no Novo Testamento.

(CESPE 2009) A origem do constitucionalismo remonta à antiguidade clássica, especificamente


ao povo hebreu, do qual partiram as primeiras manifestações deste movimento constitucional
em busca de uma organização política fundada na limitação do poder absoluto. CORRETA

GRÉCIA ANTIGA: CIDADES-ESTADO - democracia direta, regime em que os governados


participam ativa e diretamente do processo decisório.

FILOSOFIA, destacando-se os sofistas, como Protágoras, que defendiam uma ideia de


igualdade e dignidade. Protágoras formulou a famosa frase que séculos mais tarde serve de
lema do iluminismo: “O homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto
são, das coisas que não são enquanto não são.” (ANTROPOCENTISMO).

A influência ROMANA mais importante é o DIREITO CODIFICADO, com leis escritas. A Lex regia
era a lei que regulava os poderes do imperador, estabelecendo limites, próximo ao que hoje
chamamos de Direito Público.

Na Idade Média, O Rei João sem Terra estava em guerra contra a França e precisava de apoio
bélico, financeiro e de recursos humanos. Assim, o rei tentou obter esses recursos
aumentando a carga tributária, o que gerou uma reação dos nobres, que se revoltaram contra
o rei. No embate, o rei acaba cedendo e formulando esse pacto. Os nobres se comprometeram
a fornecer apoio ao rei, e do outro lado, o rei reconhece direitos aos nobres. Tais direitos
eram, na prática limites ao poder real. A doutrina majoritária não entende a Magna Carta
como uma constituição, mas um embrião do que viria a ser uma constituição. Parte dela ainda
está em vigor na Inglaterra. Contribuições importantes da Magna Carta:

- No taxation without representation: o tributo não pode ser criado sem que tenha sido
aprovado pelos representantes do povo (na época, pelos representantes da nobreza). Seria um
embrião do princípio da Legalidade Tributária;

- The Law of the Land: Princípio segundo o qual ninguém poderia ser processado, julgado e
condenado senão de acordo com a lei da terra. Formulação da ideia de anterioridade penal e
do due process of law;

- Proporcionalidade: A ideia está presente, pois entendia-se, por exemplo, que a pena aplicada
deveria seguir a gravidade do crime cometido.
Anos mais à frente, na Idade Moderna, a doutrina identifica novas manifestações do
constitucionalismo, como o Petition of Rights (1628),Habeas Corpus Act (1679) e o Bill of Rights
(1689). Todos esses foram documentos que garantiram proteção aos direitos fundamentais da
pessoa humana, limitando a ingerência estatal na esfera privada. Nos EUA, também é possível
identificar alguns embriões do constitucionalismo, notadamente os contratos de colonização e
a Declaration of Rights doEstado de Virginia (1776).

Percebe-se que o conceito de constitucionalismo está ligado, em um primeiro momento, à


necessidade de se limitar e controlar o poder político, garantindo-se a liberdade dos
indivíduos perante o Estado. Não havia, nesse primeiro momento do constitucionalismo (o
denominado constitucionalismo antigo), a obrigatoriedade/imposição de que existissem
Constituições escritas. Essa é uma característica que aparece no momento seguinte do
constitucionalismo: o constitucionalismo moderno.

Constitucionalismo INGLÊS: garantiu direitos e liberdades, estabelecendo limites ao poder,


sem que fosse necessário criar uma constituição escrita. Preferiram “revelar” a norma
constitucional mediante, principalmente, a confirmação de existência de direitos e liberdades
embasados em normas costumeiras. O mais importante dos princípios constitucionais
britânicos é o da SUPREMACIA DO PARLAMENTO.

Constitucionalismo NORTE-AMERICANO: assenta-se na tese de que o POVO é a matriz do


PODER CONSTITUINTE. Trazendo as regras do jogo político, a constituição registra normas que
garantem direitos e limitam o poder estatal. É um documento para “dizer” a norma, não
concebido como projeto de futuro.

Constitucionalismo FRANCÊS: com grande preocupação em superar a monarquia absolutista, o


poder constituinte cria uma norma que estabelece nova ordem política e social para o futuro,
rompendo totalmente com o antigo regime.

Marcos do constitucionalismo moderno: a Constituição dos Estados Unidos da América (1787)


e a Constituição da França (1791). Já havia, anteriormente, alguns documentos escritos, mas
que não chegavam a ser Constituições, como é o caso dos pactos (Magna Carta, Bill of
Rights,Petition of Rights), forais, cartas de franquia e contratos de colonização. Considera-se
que esses documentos são embriões do constitucionalismo moderno e das constituições
escritas.

O constitucionalismo moderno nasce com um forte viés liberal, consagrando como valores
maiores a liberdade, a proteção à propriedade privada, a proteção aos direitos individuais
(evidenciando o voluntarismo) e a exigência de que o Estado se abstenha de intervir na esfera
privada (absenteísmo estatal). Para CANOTILHO, “o constitucionalismo moderno representa
uma técnica específica de limitação do poder com fins garantísticos.”

No início do século XX, o Estado liberal dá lugar ao que se chamou Estado social de direito.
Enfatiza-se a ideia de igualdade. O constitucionalismo social pretendeu promover uma maior
igualdade entre as pessoas, através da oferta, pelo Estado, de prestações positivas aos
indivíduos, garantindo-lhes os chamados direitos sociais. A Constituição de Weimar (1919) é
um documento que espelha essa nova postura do Estado ante os indivíduos; ela reflete o ápice
da crise do Estado liberal e o surgimento do Estado social de direito. A primeira constituição
Brasileira Social é a de 1934.
Constitucionalismo Contemporâneo é o encontrado depois da II Guerra Mundial, sobretudo
nos anos 70 e 80. Reconhece as liberdades individuais, consagra os direitos econômicos,
sociais e culturais, e traz normas programáticas, que estabelecem alvos a serem conquistados.
A constituição brasileira de 1988 faz parte deste movimento. A crítica feita é que esses alvos
ideais trazidos pelas constituições são quase utópicos, o que é considerado por muitos como
promessas constitucionais irrealizáveis, o que acaba por gerar uma descrença do povo,
resultando numa perda de efetividade da constituição.

Constitucionalismo do PORVIR (José Roberto DROMI): A constituição deve se ater ao realizável


(VERACIDADE); abre-se para relações de solidariedade internacional (SOLIDARIEDADE DOS
POVOS); as conquistas já obtidas devem ser mantidas enquanto se busca promover novas
(CONTINUIDADE); cria novos mecanismos de participação popular (PARTICIPATIVIDADE);
formula entidades supranacionais (INTEGRACIONALIDADE), e promove-se a dignidade da
pessoa humana não apenas no âmbito interno, mas também no âmbito internacional
(UNIVERSALIDADE DOS DIREITOS HUMANOS).

O marco do Constitucionalismo Internacional ou Globalizado é a Declaração Universal dos


Direitos Humanos, de 1948, e se baseia nos direitos humanos universais. Sua pretensão é
unificar e consagrar juridicamente os ideais humanos conforme os seguintes objetivos:

 Fortalecimento do sistema jurídico-político internacional (não somente relações entre


estados – horizontais – como também nas relações Estado/povo – verticais);
 Primazia do direito INTERNACIONAL, fundado em valores e normas UNIVERSAIS, em
face do direito nacional;
 A elevação da dignidade da pessoa humana a pressuposto não limitável por nenhum
movimento constitucional.

DIRIGISMO COMUNITÁRIO (André Ramos Tavares): Difundir a proteção aos Direitos Humanos
para todas as nações.

O NEOCONSTITUCIONALISMO tem como marco histórico o pós-Segunda Guerra Mundial. Ele


representa uma resposta às atrocidades cometidas pelos regimes totalitários (nazismo e
fascismo) e, justamente por isso, tem como fundamento a dignidade da pessoa humana.

As constituições passam a prever valores em seus textos (principalmente referentes à


dignidade da pessoa humana) e opções políticas gerais (redução das desigualdades sociais, por
exemplo) específicas (como a obrigação do Estado de prover educação e saúde). Este
movimento reconhece na constituição força normativa, ou seja, que ela tem poder de gerar os
seus efeitos e dar forma à realidade.

Para BARROSO:

O marco histórico dessas mudanças é a formação do Estado Constitucional de Direito, em


face do reconhecimento da FORÇA NORMATIVA DA CONSTITUIÇÃO.

O marco filosófico, por sua vez, é o pós-positivismo, que reconhece centralidade dos direitos
fundamentais e reaproxima o Direito e a Ética. Os princípios passam ser encarados como
verdadeiras normas jurídicas (e não mais apenas como meios de integração do ordenamento!).

O pós-positivismo entende que o Direito é aberto, recebendo influências de fora, como da


moral, da política, da história, da filosofia. Há um influxo da moral, a partir do retorno do
ideário de KANT, que ocorre pós II Guerra, em que se entende que o homem é o fim do
Direito, traduzindo-se no princípio da dignidade da pessoa humana.

O marco teórico do neoconstitucionalismo, a seu turno, é o conjunto de mudanças que


incluem a força normativa da Constituição, a expansão da jurisdição constitucional e o
desenvolvimento de uma nova dogmática da interpretação constitucional.

Com o neoconstitucionalismo, o próprio direito privado passa a ser lido sob a ótica da
constituição, no fenômeno da constitucionalização do Direito.

*#OUSESABER: Daniel Sarmento e Cláudio Pereira de Souza Neto:

 Constitucionalização-INCLUSÃO consiste no “tratamento pela Constituição de temas


que antes eram disciplinados pela legislação ordinária ou mesmo ignorados”.
Exemplo: a tutela constitucional do meio ambiente e do consumidor, algo até então
inédito nas Constituições pretéritas. Essa inflação de assuntos no texto constitucional,
marca das constituições analíticas, faz com que qualquer disciplina jurídica, ainda que
dotada de autonomia científica, encontre um ponto de contato com a Constituição,
cuja onipresença foi cunhada pela doutrina de ubiquidade constitucional.
 A constitucionalização-RELEITURA traduz “a impregnação de todo o ordenamento
pelos valores constitucionais”. Neste caso, os institutos, conceitos, princípios e teorias
de cada ramo do Direito sofrem uma releitura, para, à luz da Constituição, assumir um
novo significado. Portanto, a Constituição, que era mera coadjuvante, se torna
protagonista na interpretação do direito infraconstitucional. Na feliz expressão de
Paulo Bonavides, “Ontem, os Códigos; hoje, a Constituição”. #OUSESABER: O que se
entende por FILTRAGEM CONSTITUCIONAL? “Ontem os Códigos; hoje as
Constituições: a revanche de Grécia contra Roma”. (Paulo Bonavides e Eros Grau).
Essa frase que soa à primeira vista bem poética ilustra bem o conceito de filtragem
constitucional que, de acordo com Luis Roberto Barroso, consiste no fenômeno
segundo o qual toda a ordem jurídica deve ser lida e aprendida sob as lentes da
Constituição, de modo a realizar os valores nela consagrados.

Classificação de Louis FAVOREAU:

 Constitucionalização-ELEVAÇÃO: elevação de assuntos até então tratados por leis


infraconstitucionais, ao texto constitucional.
 Constitucionalização-TRANSFORMAÇÃO: aquela que impregna e transforma os demais
ramos do Direito.
 Constitucionalização-JURIDIZAÇÃO: traduz o surgimento da força normativa da
Constituição. Crítica: a força normativa da Constituição é um pressuposto para a
constitucionalização do Direito, não exatamente uma categoria autônoma desse
fenômeno.

TRANSCONSTITUCIONALISMO é o fenômeno segundo o qual ordenamentos distintos


interagem e somam esforços conjuntos para resolverem casos complexos e difíceis. Embora
cada Estado continue com sua soberania e vida próprias, instala-se uma integração
harmoniosa entre ordens constitucionais de Estados completamente diferentes. Marcelo
NEVES entende que há necessidade de uma “conversação constitucional”, ou seja, uma
relação dialógica entre essas diversas instâncias, para que possam chegar a soluções comuns e
evitar as divergências.

INTERCONSTITUCIONALISMO é a relação entre diversas constituições num mesmo espaço


político, havendo a concorrência, convergência, justaposição e conflitos de várias constituições
e poderes constituintes. Conceito citado por CANOTILHO e que tem proximidade com o
transconstitucionalismo. No Brasil, a Constituição Federal coexiste com as Constituições
Estaduais. Contudo, como há hierarquia entre elas, o conflito é aparente.

NOVO CONSTITUCIONALISMO DEMOCRÁTICO LATINO-AMERICANO (Andino): Em estados


plurinacionais, como a Bolívia, cada povo tem seu ordenamento jurídico próprio, que coexiste
com o ordenamento jurídico estatal. Há uma Justiça Ordinária comum e a Justiça Indígena. Há,
ainda, o Tribunal Constitucional Plurinacional, cuja composição é obrigatoriamente mista
(juízes oriundos de comunidades indígenas e juízes de outras regiões).

PATRIOTISMO CONSTITUCIONAL: conceito primeiramente utilizado por DOLF STERNBERGER e


posteriormente difundido por HABERMAS, segundo o qual se abandona a ideia de
nacionalismo e, a partir de uma identidade política coletiva, fundada no respeito aos valores
plurais do Estado Democrático de Direito, se propugna uma união entre os cidadãos, por mais
que diferentes étnica e culturalmente. No Brasil o conceito foi trazido por DIRLEY DA CUNHA
JR.

(CESPE 2011) No neoconstitucionalismo preconiza-se a abertura da hermenêutica


constitucional aos influxos da moralidade crítica. CORRETA.

(CESPE 2009) Para Canotilho, o constitucionalismo moderno representa uma técnica específica
de limitação do poder com fins garantidores. CORRETA.

(CESPE 2009) O neoconstitucionalismo caracteriza-se pela mudança de paradigma, de Estado


Legislativo de Direito para Estado Constitucional de Direito, em que a Constituição passa a
ocupar o centro de todo o sistema jurídico. CORRETA

(CESPE 2015) No neoconstitucionalismo, passou-se da supremacia da lei à supremacia da


Constituição, com ênfase na força normativa do texto constitucional e na concretização das
normas constitucionais. CORRETA

(CESPE 2015) Embora o termo constituição seja utilizado desde a Antiguidade, as condições
sociais, políticas e históricas que tornaram possível a universalização, durante os séculos XIX e
XX, da ideia de supremacia constitucional surgiram somente a partir do século XVIII. CORRETA

(CESPE 2009) As constituições do pós-guerra promoveram inovações por meio da incorporação


explícita, em seus textos, de anseios políticos, como a redução de desigualdades sociais, e de
valores como a promoção da dignidade humana e dos direitos fundamentais. CORRETA
(CESPE 2012) Na perspectiva moderna, o conceito de constitucionalismo abrange, em sua
essência, a limitação do poder político e a proteção dos direitos fundamentais. CORRETA

(CESPE 2012) O constitucionalismo moderno surgiu no século XVIII, trazendo novos conceitos e
práticas constitucionais, como a separação de poderes, os direitos individuais e a supremacia
constitucional. CORRETA

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