Faculdade de Ciências Agrária
Direcção Científica e pedagógica
Delegação de Nampula
Avaliação de resposta do rendimento agronómico de 4 variedades de
feijão nhemba (Vigna unguiculata L.), nas condições edafoclimatericas
do distrito de Nampula – nos campus da UMBB
Autor:
Roldino Raúl Correia
Supervisor:
Engo. Muhomade Momade, MSc.
Nampula, Março de 2022
Avaliação de resposta do rendimento agronómico de 4 variedades de
feijão nhemba (Vigna unguiculata L.), nas condições edafoclimatericas
do distrito de Nampula – nos campus da UMBB
Monográfia a ser apresentada à faculdade
de ciências Agrárias da Universidade
Mussa Bin Bique, delegação de Nampula
como exigência parcial para obtenção do
grau de licenciatura em Ciências agrárias.
Autor: Supervisor:
Roldino Raúl Correia Engo. Muhomade Momade, MSc.
Nampula, Novembro de 2019
Declaração
Eu Roldino Raúl Correia, estudante do curso de ciências agrarias na Universidade
Mussa Bin Bique declaro que o trabalho do fim do curso intitulado Avaliação de
resposta do rendimento agronómico de 4 variedades de feijão nhemba (Vigna
unguiculata L.), nas condições edafoclimatericas do distrito de Nampula – nos campus
da UMBB, por minha honra que esta monografia é resultado da minha investigação
pessoal sob orientação do meu supervisor e que o seu conteúdo é original e todas as
fontes consultadas estão devidamente mencionadas no texto e na bibliografia final,
declaro também que este trabalho não foi apresentado em nenhuma outra instituição
para obtenção de qualquer grau académico.
_________________________________________________
(Assinatura do Autor)
Dedicatória
A presente monografia dedico a toda minha família, especial aos meus Pais, Raúl José
Fernando e Lídia Arcanjo Magalhães. Aos meus irmãos: Benvinda, Heltina, Laura,
Bresneve que trabalharam em dobro, sacrificaram seus sonhos em favor dos meus e que
com muito carinho e apoio, na mediram esforços para que eu chegasse até esta etapa da
minha vida.
Agradecimentos
Em primeiro lugar agradecer à Deus, Pai Todo Poderoso, pela vida e pelas vitórias que
me concede em consequência de duras batalhas.
Agradeço de forma particular ao meu supervisor, Engº. Muhomade Momade, MSc.,
pelo acompanhamento incansável, pelo apoio incondicional e pela paciência prestada
durante a produção deste trabalho.
Agradecer aos meus colegas, Chibula, Ibat, Mobuto, Saide, Samuel, Teresa, e pela ajuda
e amizade durante o período que caminhamos juntos.
A minha melhor amiga Neide Rufino David pelo encorajamento.
Não deixaria de expressar a minha maior gratidão aos meus pais pelo amor, carinho e
dedicação, meus irmãos, tios, cunhados que directa ou indirectamente estenderam
esforços e conselhos mesmo na hora em que meus ideais pareciam distantes e
inatingíveis.
Agradeço aos docentes da Universidade Mussa Bin Bique, em particular os do curso de
Ciências Agrárias que de forma moderada mediaram os conteúdos preconizados na
minha área de formação, ao longo dos quatro anos lectivos.
Resumo
CAPITULO I: INTRODUÇÃO
1.1. Generalidade
O feijão nhemba (Vigna unguiculata L.) é uma planta dicotiledónea pertencente a
família da Fabáceas, originalmente da região Central e Oeste da África, sendo uma das
leguminosas melhor adaptadas às regiões secas dos trópicos que cobrem parte da África,
Ásia e Américas. (Pro Savana, 2015)
O feijão nhemba (Vigna unguiculata L.) é caracterizada como uma leguminosa
pertencente à família das Fabáceas, rica em proteínas, tolerante à seca, indispensável na
dieta dos seres vivos, principalmente em países do terceiro mundo, como o caso de
Moçambique. Sua relevância em termo de concentração de macro moléculas é muito
grande (Sharlee, 2015).
Para Pro Savana & Sharlee et al., (2015), concordam que, esta é uma planta rústica, de
ampla variabilidade genética com grãos ricos em proteína, minerais e fibras, e o
potencial produtivo assim como sua demanda destaca-se a Nigéria e Brasil como
maiores produtores e consumidores. Esta cultura apresenta um ciclo vegetativo curto de
60 a 80 dias, quanto a sua exigência hídrica é baixa e a sua fertilidade do solo é
adaptada a diversas condições de temperaturas elevadas.
Para (Bressani 1985 & Singh et al., 2003 cit. em José 2013), afirmam que na África, a
cultura desempenha um papel bastante importante na nutrição humana. Devido ao seu
elevado conteúdo de proteínas estimado em cerca de 25% de peso, o feijão nhemba
suplementa a dieta de muitos agregados familiares que é geralmente baseada em cereais,
raízes e tubérculos que são pobres em proteínas (Lambot, 2002). A cultura também
possui quantidades consideráveis de carbo-hidratos, vitaminas.
O feijão nhemba quanto a sua importância económica desempenha um papel bastante
importante na nutrição humana. Devido ao seu conteúdo de proteínas estimado em cerca
de 25% de peso seco.
O feijão-nhemba constitui a base alimentar de muitas populações rurais moçambicanas
devido ao seu elevado valor nutritivo tendo valor expressivo economicamente na
agricultura deste país.
O feijão nhemba é principal componente que contribui nos sistemas de produção, estima
se que a fixação biológica contribua com a maior parte do N fixando, anualmente, 175
milhões de toneladas, ou seja, 65% do total, fazendo com que este seja considerado o
segundo processo biológico mais importante do planeta depois da fotossíntese,
juntamente com a decomposição orgânica.
A exploração da FBN na produção agrícola oferece cerca de 30% do nitrogénio
necessário ao desenvolvimento das culturas. Desta forma, há a contribuição para o
aumento da produção vegetal, a sustentabilidade dos sistemas agrícolas, a recuperação
de áreas degradadas e o incremento da fertilidade e da matéria orgânica do solo.
Portanto, a sua principal vantagem a curto prazo está associada à economia no uso de
fertilizantes nitrogenados de origem industrial (Tarawali, et al., 2002).
A sua importância extrapola aspetos económicos, pela sua relevância enquanto fator de
segurança alimentar e nutricional e sua importância cultural na culinária de diversos
países e culturas. Para obter bons rendimentos na produção desta cultura requer
conhecimentos técnicos (Colial H. V., et al., 2018)
O conhecimento da fenologia orienta o produtor sobre o momento ideal para
determinadas intervenções, como por exemplo a aplicação de pesticidas ou ainda o
período mais crítico de controlo de infestantes. Este conhecimento da fenologia permite
fazer uma melhor planificação, reduzindo deste modo os custos de produção e
aumentando os rendimentos (Colial H. V., et al., 2018)
Em Moçambique, o Feijão Nhemba é cultivado principalmente nas províncias de
Nampula, Inhambane, Cabo Delgado e Zambézia, em condições de sequeiro.
As chuvas em Moçambique começam no fim do mês de novembro e prolongando-se até
finais de Abril e variam entre 600 a 1200 mm por ano. Na generalidade, o feijão
nhemba é cultivado em sequeiro. No sul do País é ás vezes cultivado em regadio,
podendo necessitar 3 a 4 regas em caso de falta de chuvas. Sem rega, necessita cerca de
300 a 500 mm de chuva durante o ciclo, dependendo da variedade (Colial H. V., et al.,
2018).
1.2. Problematização
Em Moçambique o feijão nhemba (Vigna unguiculata (L)) é maioritariamente
produzido pelos pequenos e grandes produtores, esta cultura tem sido considerada como
umas das principais na garantia da Segurança Alimentar e Nutricional no país, por outro
lado, enquadra-se como uma cultura que gera renda familiar (José, 2014).
Todavia, nos campos de produção de feijão nhemba, vulgarmente designados por
machambas, a produtividade Moçambicana não reflete o potencial da cultura que esta
em torno de 4t/ha (Miranda, et al., 2015).
De acordo com (Alfredo, 2014 cit em ProSavana, 2015), avaliou-se adaptabilidade de
24 genótipos em três locais no sul de Moçambique, e no distrito de Nampula (Muriaze),
e o desempenho agronómico da cultura dimensionado de grãos variou de 459 kg/ha, em
Ricatla, a 1.488 em Nhacongo.
E constatou-se problemas ligados a baixa produtividade, devido ao uso de variedades
locais com baixa capacidade produtiva, por causa da multiplicação da mesma semente
duma forma continua, a semente tende a ter uma instabilidade genética, perdendo o seu
potencial produtivo, resistência a praga entre outros fatores, o que, até certo ponto,
desencoraja a prática desta valiosa cultura no seio dos agricultores.
Mas também muitos produtores da província de Nampula que fazem práticas da mesma
cultura tem enfrentado problemas sérios por não terem conhecimento dos efeitos
negativos causados por fertilizantes químicos, baixa capacidade de adubação orgânica,
solos improdutivos e escassez das necessidades hídricas. Dai surge a questão do estudo:
Quais das variedades ensaiadas apresentam bons rendimentos nas condições
edafoclimatericas do distrito de Nampula nos campus da UMBB?
1.3. Justificativa
Com a divulgação e a transferência de tecnologia para o pequeno, médio e grande
produtor em relação ao maneio da cultura de feijão nhemba, a indicação de variedades
adaptadas às condições de solo e clima de uma determinada região proporciona maior
segurança ao produtor em função do maior rendimento. Neste sentido, é importante e
necessário à avaliação de novas variedades no ambiente de exploração do agricultor,
levando-se em conta o maneio, sistema de produção, nível tecnológico destes em
condições locais, de forma a identificar os materiais genéticos que apresentarem
melhores respostas em termos de componentes de produção e produtividade de grãos.
Por esta razão, pretendeu-se o potencial produtivo de 4 variedades de feijão nhemba
(IT-18, Browine mix, IT-16 e a variedade local) nas condições edafoclimatericas do
distrito de Nampula nos campus da UMBB.
1.4. Objectivos do estudo:
Geral
Avaliar a resposta do rendimento agronómico de 4 variedades de feijão nhemba
(IT-18, Brownie-mix, IT- 16 e variedade local) nas condições edafoclimatericas
do distrito de Nampula nos campus da UMBB.
Específicos
Determinar a altura média das plantas em cada tratamento;
Determinar o número médio, peso e comprimento de vagens em cada
tratamento;
Determinar o número e peso de grãos em cada tratamento;
Quantificar o rendimento da cultura em cada tratamento;
1.5. Hipótese
H1: Existe pelo menos uma variedade que tenha o rendimento médio aceitável e
superioras as demais variedades.
H0: Existe pelo menis uma variedade que não tenha o rendimento medio aceitável e
superioras as demais variedades.
CAPITULO II: REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.1. Taxonomia e classificação botânica
Segundo (Araujo & Watt, 1988), Vigna unguiculata (L), vulgarmente conhecida por
feijão nhemba, é uma cultura pertencente à:
Tabela 1 Taxonomia e Classificação botânica
Reino Plantae
Divisão Magnoliophyta
Classe Magnoliopsida
Ordem Fabales
Família Fabaceae
Sub-família Faboideae
Género Vigna
Espécie Vigna unguiculata
2.2. Origem e distribuição do feijão nhemba
O feijão-nhemba (Vigna unguiculata L.) é uma planta dicotiledónea, original da região
central e oeste da África sendo uma das leguminosas melhor adaptadas às regiões secas
dos trópicos que cobrem parte da África, Ásia e Américas. O feijão nhemba (Vigna
Unguiculata L.), apresenta uma ampla distribuição mundial com uma área total de
cultivo estimada em 11,3 milhões de hectares, sendo o continente africano o maior
produtor, destacando-se entre os maiores produtores a Nigéria, o Níger e o Brasil, os
quais representam, respetivamente, 84,1 % da área e 70,9 % da produção mundial
(FAO, 2008).
A distribuição no interior do continente africano ocorreu através de migrações, e para os
outros continentes, cultura dispersou-se através do estabelecimento de contactos
comerciais (Uaciquete, 1992).
O feijão nhemba cultivado pertence à subespécie Unguiculata. Existe uma grande
variabilidade do feijão nhemba dentro do continente africano e também há muitas
subespécies selvagens desta espécie (Heemskerk, 1985).
2.2.1. Descrição botânica do feijão nhemba
O feijão nhemba é cultura anual, os botânicos classificam como sendo uma herbácea
que apresenta variações no que tange a sua estatura, com raízes amplamente distribuídas
no solo. Em relação a sua estatura o feijão nhemba é classificado em: hábito de
crescimento determinado e indeterminado arbustivo, indeterminado com ramificações
ereto aberta e indeterminado trepador (Alves, 2018).
Em condições ótimas de campo a germinação ocorre dentro de 2 a 3 dias a uma
profundidade de 2 a 3 cm. Cinco dias depois que observada a germinação ocorre a
abscisão dos cotilédones, cujas reservas são transcoladas para os órgãos em formação.
(Alves, 2018)
O sistema radicular possui 4 categorias de raízes: sendo uma dicotiledónea possui uma
raiz principal que origina se a partir da radicula do embrião; raízes basais, que emergem
num período de 4 a 5 dias depois da embebição da semente e finalmente raízes laterais e
adventícias (José, 2014).
As raízes basais emergem da zona axial da parte inferior do hipocótilo, acima da
interface raiz-planta aérea. A partir delas surgem as raízes laterais que possuem mais
eficiência na absorção de água e sais minerais. No tange as raízes adventícias estas
emergem apos 15 dias, cujo a sua função é a sustentação e nutrição, principalmente na
fixação biológica de nitrogénio, apresentando 20% dos nódulos (José, 2014).
O caule pode chegar a quatro metros de comprimento, com formatos angular ou
cilíndrico, pode ser ainda estriado, liso, possuir pelos e pigmentos de cor roxa. O feijão-
nhemba possui folhas compostas com três folíolos presos a uma haste (pecíolo). (Alves,
2018)
A folha é constituída por dois folíolos laterais assimétricos (opostos) e um folíolo
terminal simétrico que apresenta pecíolo mais longa forma da folha é usada para fazer a
classificação taxonómica e para diferenciar genótipos de feijão-nhemba, variando
quanto à forma (linear, lanceolada a ovalada). O Instituto Internacional para a
Agricultura Tropical (IITA) classifica a forma da folha do feijão nhemba em quatro
categorias: subglobosa, sublanceolada, globosa e lanceolada (Alves, 2018).
Em relação ao porte da planta é classificado em: porte erecto, semi-erecto, prostrado e
semi-prostrado (Alves, 2018).
2.3. Importância Socioeconómica do feijão nhemba
Em África, a cultura desempenha um papel bastante importante na nutrição humana.
Devido ao seu elevado conteúdo de proteínas estimado em cerca de 25% de peso seco
(Bressani, 1985).
O feijão nhemba é principal componente que contribui nos sistemas de produção, estima
se que a fixação biológica contribua com a maior parte do N fixando, anualmente, 175
milhões de toneladas, ou seja, 65% do total, fazendo com que este seja considerado o
segundo processo biológico mais importante do planeta depois da fotossíntese,
juntamente com a decomposição orgânica. (Tarawali, et al., 2002).
A exploração das leguminosas na produção agrícola oferece cerca de 30% do nitrogénio
necessário ao desenvolvimento das culturas. Desta forma, há a contribuição para o
aumento da produção vegetal, a sustentabilidade dos sistemas agrícolas, a recuperação
de áreas degradadas e o incremento da fertilidade e da matéria orgânica do solo.
Portanto, a sua principal vantagem a curto prazo está associada à economia no uso de
fertilizantes nitrogenados de origem industrial (Tarawali, et al., 2002).
2.4. Produção de feijão nhemba no mundo
Dados disponíveis no site da FAO sobre a produção mundial de feijão nhemba no
período de 2006 a 2009, indicam que a cultura atingiu 5,2 milhões de toneladas. O
maior produtor mundial de feijão nhemba é a Nigéria, que responde por 45% do total da
produção global a nível mundial. Em seguida vem o Níger, com 30% do volume total
médio produzido (Quin, 1997).
A área ocupada pelo feijão nhemba no mundo é estimada em cerca de 12,5 milhões de
hectares, onde, aproximadamente, 8 milhões de hectares (64% da área mundial) são
encontrados na parte oeste e central da África. A restante área está localizada na
América do Sul, América Central e Ásia, com pequenas áreas espalhadas pelo sudoeste
da Europa, sudoeste dos Estados Unidos e da Oceânia (Quin, 1997).
Tabela 2 Produção Mundial do Feijão Nhemba (Milhões de tonelada)
Países 2006 2007 2008 2009
Nigéria 3.040.000 2.800.000 2.916.000 2.369.580
Níger 703.300 1.013.300 1.569.300 1.550.000
Burquina 436.156 253.190 300.000 325.000
Mianmar 148.700 150.400 175.900 180.000
Camarões 108.406 122.790 130.101 130.000
Outros 613.616 573.071 713.508 694.991
Total 5.050.178 4.912.751 5.804.809 5.249.571
Fonte. (FAOSTAT, 2012).
2.4.1. Produção de feijão nhemba em Moçambique
Em Moçambique calcula-se que, aproximadamente, 82% do feijão nhemba é produzido
sob forma de consociação com mapira, milho, mandioca e batata- doce. Este sistema de
cultivo predomina em quase todo o país, com exceção de Nampula, Cabo Delgado e
Niassa, onde é frequente o cultivo puro. A província de Nampula destaca-se por ser a
maior produtora de feijão nhemba com uma área estimada em mais de 64 mil hectares.
Em segunda, terceira, quarta, quinta e sexta posição encontram-se as províncias de Tete,
Inhambane, Zambézia, Gaza e Cabo Delgado, ocupando áreas de cerca de 55 mil, 51
mil, 40 mil, 40 mil e 36 mil hectares, respetivamente (MINAG, 2008).
2.5. Condições edafoclimaticas de feijão nhemba
A cultura de feijão nhemba devido à versatilidade do seu genótipo adapta-se melhor a
diferentes condições agroecológicas, podendo ser produzido desde a latitude 40°N até
30°S, tanto em terras altas como baixas, tais como Oeste da África, Ásia, América
Latina e América do Norte (Oliveira, Antonio, Fontes, Dias, & Barreto, 2019).
2.5.1. Exigências climáticas do feijão nhemba
Existem inúmeros fatores que influenciam na produção e produtividade do feijão
nhemba em Moçambique dentre eles: a precipitação, Radiação Solar, temperatura,
fotoperiodismo, em Moçambique a temperatura, radiação solar e precipitação são de
grande relevância (Alves, 2018).
2.5.1.1. Temperatura
O desenvolvimento do feijão-nhemba ocorre em uma faixa de temperatura entre 20°C e
35°C. A faixa Ideal de temperatura para germinação é de 23°C a 32,5°C (Alves, 2018).
Segundo (Alves, 2018), refere que quando a temperatura noturna é baixa, a data de
floração do feijão-nhemba é retardada e seu ciclo de crescimento é prolongado, podendo
ocorrer a completa inibição do florescimento naquelas linhas mais sensíveis. Altas
temperaturas durante o período de florescimento reduzem o pegamento floral e
prejudicam a floração, enquanto baixas temperaturas prolongam o ciclo da planta. As
plantas submetidas a temperaturas noturnas de 30°C apresentam baixa viabilidade dos
grãos de pólen e anteras indeiscentes.
Elevadas temperaturas podem prejudicar o crescimento e desenvolvimento do feijão-
nhemba, influenciando também o abortamento de flores, o vigamento e a retenção final
de vagem, além de afetar o número de sementes por vagem. Contribuem ainda para o
surgimento de diversas fitoenfermidades, principalmente aquelas associadas as altas
umidades relativas do ar (Alves, 2018).
2.5.1.2. Precipitação
O feijão nhemba requer uma quantidade de água no solo que seja suficiente para o seu
desenvolvimento e manutenção, sobretudo nas etapas mais fundamentais como
germinação, emergência, floração e enchimento de grãos. (Colial H. V., et al., 2018)
Esta cultura, quando submetida a estresse hídrico, apresenta redução na área foliar e
aumento da resistência estomática, afetando o rendimento por causa da redução de
atividade de fotossíntese e elevados índices de respiração. Quando a diminuição de água
ocorre no período de floração, poderá haver redução a viabilidade do grão de pólen, no
número de flores viáveis, no tamanho das vagens, no número de vagens e de sementes
por vagem. Com isso, consequentemente, ocorrerá um decréscimo no rendimento da
cultura (Colial H. V., et al., 2018).
O feijão nhemba é uma cultura altamente tolerante a seca do que a maioria das outras
culturas. Uma óptima distribuição de chuva é importante para o crescimento e
desenvolvimento normal da cultura. A frequência e a incerteza de queda das chuvas
podem criar problemas ao crescimento do nhemba na região Sul de África.
Em algumas outras áreas é tão incerto que conservação de humidade permanece
vitalmente importante para produção de colheita. O feijão nhemba utiliza a humidade
residual do solo com maior eficácia e, é mais tolerante a seca que o amendoim, soja e
girassol. Podendo ser produzido satisfatoriamente com uma precipitação anual de cerca
de 500 a 750 mm (Colial H. V., et al., 2018).
Precipitação adequada é importante durante a fase de floração/formação de vagem. O
nhemba reagem á séria deficiência hídrica limitando o crescimento (especialmente o
crescimento da folhagem) e reduzindo a área da folha, mudando a orientação da folha e
fechando os estomas. Abcisão da flor e de vagem durante o período de falta de
humidade no solo é serve com um do mecanismo de crescimento (Colial H. V., et al.,
2018).
2.5.1.3. Radiação Solar
A quantidade de luz influência no crescimento e desenvolvimento, além de alterar a
quantidade de pigmentos foliares. O feijão-nhemba apresenta uma alta interceptação da
energia luminosa, sendo uma planta C3 satura-se fotossinteticamente a intensidade de
luz relativamente baixa, essa saturação no processo fotossintético, pode reduzir a taxa
fotossintética e consequentemente a produtividade da cultura (Colial H. V., et al., 2018).
2.6. Amanhos Culturais
2.6.1. Seleção e preparação do solo
O feijão nhemba adapta-se a diferentes condições de textura de solo, desde levemente
arenosos até altamente argilosos. Entretanto, áreas sujeitas a inundação e solos mal
drenados devem ser evitados em épocas de altos índices pluviómetros, dando-se
preferência ao cultivo em áreas mais elevadas e bem drenadas (Colial H. V., et al.,
2018).
Solos argilosos também apresentam maiores probabilidades de compactação e formação
de crostas na superfície, bem como propiciam a ocorrência de fungos que atingem o
sistema radicular. O solo deve ser capaz de fornecer os nutrientes necessários para o
bom desenvolvimento da cultura, bem como possuir valores de pH apropriados. A faixa
de pH óptimo para o cultivo do nhemba é de 5, 8 a 7.0. (Colial H. V., et al., 2018).
A preparação de solo ou a sua não-mobilização estão directamente relacionados à opção
de estabelecimento da cultura: por sementeira convencional, directa ou por cultivo
mínimo (agricultura de conservação). Em quaisquer uma destas opções deve ser
avaliada a probabilidade de tráfego pesado; a capacidade de “suporte” do solo, que é
dependente do seu teor de humidade (quanto maior, mais fácil é a compactação); a
temperatura e arejamento do solo e a impedância mecânica (Colial H. V., et al., 2018).
A cultura se estabelece bem em sementeira convencional, cultivo mínimo e sementeira
direta, desde que se tomem os cuidados inerentes a cada sistema de maneio de solo.
Qualquer que seja a forma de sementeira é muito importante o conhecimento do
historial da área, particularmente em relação à quantidade de palha residual da cultura
anterior, incluindo-se o da vegetação espontânea no pousio (Colial H. V., et al., 2018).
Com essas informações, pode-se definir o número de operações necessárias,
particularmente no sistema convencional de preparação do solo, quanto à utilização de
arados e/ou grades para adequada incorporação de restolhos residuais de plantas. Para
além de tratores ou outro equipamento pesado, a preparação do solo pode também ser
feita usando enxadas e tracção animal. Estes dois últimos muito usados pelos pequenos
produtores (Colial H. V., et al., 2018).
2.6.2. Sementeira
Para produção de feijão nhemba, a primeira e fundamental etapa é a aquisição de
semente melhorada e de boa qualidade (de procedência idónea que seja por exemplo do
IIAM, UEM e IITA) e com garantia de qualidade genética, fisiológica e sanitária. Para
obter óptimo rendimento, o nhemba deve ser semeado nos finais do mês de Janeiro,
período de baixa pressão da precipitação.
Sementeira a cedo, leva a planta ao alongamento dos internos, menos erectas, mais
vegetativo e baixo rendimento do que quando semeado no período óptimo, isto, para a
região norte e centro do País. Enquanto, para a região sul do País o período óptimo para
a sementeira é princípios de Dezembro. A manipulação de datas de sementeira é
utilizada pelos produtores por várias razões (Colial H. V., et al., 2018).
Uma das razões inclui o escape do período de alta ocorrência de pragas e doenças ou
fazer coincidir o período de colheita com o período seco, por exemplo.
Tratamento de sementes: Antes da sementeira recomenda-se tratar as sementes com
fungicidas e inseticidas, para fins de proteção contra patógenos e pragas, na germinação,
emergência e na fase inicial de crescimento da planta, caso ela não esteja tratada no
momento do seu armazenamento.
Taxa de sementeira e espaçamento: A quantidade necessária de sementes é
dependente do tamanho do grão da variedade que será utilizada (peso de 100 sementes),
do espaçamento a ser adotado, do número de plantas por metro e do seu poder
germinativo. O valor exato pode ser facilmente obtido por meio da seguinte fórmula:
Q=D x P x 10/ PG x E em que:
Tabela 3. Taxa de sementeira e espaçamento
Q Quantidade de sementes (em kg/há
D Número de plantas por metro;
P Peso de 100 sementes (em gramas);
PG Poder germinativo (em percentagem (%);
E Espaçamento entre linhas (em metro).
2.7. Variedades
O uso de variedades melhoradas de Feijão Nhemba, com elevado potencial de produção,
ampla adaptação e menor sensibilidade aos estresses bióticos ou abióticos, representa
uma das mais significativas contribuições à eficiência do sector produtivo. O trabalho
de geração, avaliação e recomendação de variedades é realizado por diversas
instituições de pesquisa e desenvolvimento. Em Moçambique, este trabalho é realizado
pelo IIAM, UEM, UCM e outras instituições de pesquisa nacionais e internacionais. As
variedades recomendadas para a produção nas diferentes regiões do País, bem como as
suas características básicas são apresentadas na tabela 4.
Tabela 4. Variedades de feijão nhemba em Moçambique e suas caraterísticas
Variedades Ciclo Hábito de Rendimento Cor do Reação das
(dias) crescimento (ton/ha) grão doenças
IT-16 70 Determinado 1.800 Castanho Resistente a
claro Ferrugem,
moderado a
ascochita
IT-97k- 90 Indeterminado 2.000 Castanho- Resistente a
1069-6 escuro Ferrugem,
podridão do
caule,
pústula
bacteriana e
vassoura de
bruxa
IT00K-1263 85 Indeterminado 2.000 Castanho Resistente a
claro Podridão
do caule,
vassoura de
bruxa, e a
ferrugem
IT-18 70 Determinado 1.600 Castanho Resistente a
semi-erecto Ferrugem
ao mosaico
amarelo
Fonte: (IIAM, 2015).
2.8. Principais problemas na produção e produtividade do feijão nhemba em
Moçambique
Os factores que influenciam para os baixos rendimentos incluem: pragas, doenças,
infestantes, nemátodos, práticas culturais inadequadas e semente de baixa qualidade
(Singh e Rachie, 1985), não só o mesmo autor realça pouca qualidade dos serviços de
extensão, uso de variedades de baixo potencial produtivo e variedades não melhoradas.
2.9. Maneio integrado de infestantes, pragas e doenças
O ciclo da cultura do feijão nhemba é completo entre 70 a 120 dias, dependendo da
variedade e das condições climáticas. A principal prioridade para o produtor depois da
emergência de qualquer que seja a cultura é manter o campo livre de infestantes. As
plântulas de feijão nhemba são muito sensíveis à competição com infestantes e pode
reduzir drasticamente os rendimentos da cultura se não forem controladas a partir das
primeiras 2 a 3 semanas depois da emergência e continuamente se assim o exigir (Colial
H. V., et al., 2018).
A aplicação de herbicida pré e/ou pós-emergente, ajuda a controlar as infestantes
anuais. A Alectra vogelli é a principal infestante parasítica que infesta o feijão nhemba.
O controlo das infestantes no feijão nhemba pode ser manual (por meio de enxadas),
mecânica (tracção animal ou uso de tractores) e químico (uso de herbicidas). A
combinação dos vários métodos de controlo é mais eficiente e económica. O mais
efectivo será deste modo uma aplicação de herbicida préemergente seguido duma sacha
ou duas sachas manuais ou mecânicas (Colial H. V., et al., 2018).
2.9.1. Pragas do feijão nhemba
Dentre as pragas que causam danos a cultura de feijão nhemba em Moçambique
destaca-se: Besouro da folha (Ootheca mutabilis), Trips da flor do feijão
(Megalurothrips sjoestedti trybom), Percevejo (Clavigralla tomentosicollis), Afídeos
(Aphis craccivora) e Lagarta Americana (CIAT, 2010).
2.9.1.1. Afídeos (Aphis craccivora)
O pulgão do feijão nhemba é uma das principais pragas do feijão que causa danos
diretos onde quer que a cultura seja cultivada na Africa. O ataque tem sido mais severos
em regiões com baixa altitude (CIAT, 2010).
Biologia e natureza do dano
A colonização inicial é pelas formas aladas migratórias que produzem ninfas escuras,
um tanto arredondadas e sem asas. As ninfas são fêmeas e se reproduzem sem
acasalamento. As formas aladas se desenvolvem quando a colonia fica superlotada ou
quando a qualidade dos alimentos se deteriora, a fim de buscar fontes de alimentos
favoráveis. Muitas espécies de pulgões também são vetores de doenças virais, como o
vírus do mosaico comum do feijão (CIAT, 2010).
As colonias se formam especialmente ao redor dos caules, pontas de crescimento e
folhas, mas podem eventualmente cobrir toda planta. Eles se alimentam sugando a
seiva, as plantas jovens podem secar e morrer, as plantas mais velhas podem ficar
atrofiadas e apresentar folhas distorcidas (CIAT, 2010).
Combate
Combinação de inimigos naturais incluindo crisopideos, vários besouros joaninhas,
moscas sirfídeas e vespas parasitas são os principais inimigos naturais que mantem os
pulgões sob controle no campo. Certos insecticidas foram considerados eficazes contra
colonias de pulgões, mas também podem eliminar os inimigos naturais, agravando o
problema (CIAT, 2010).
2.9.1.2. Besoura da folha de feijão nhemba (Ootheca mutabilis)
As espécies de Ootheca são amplamente distribuídas na africa e atacam o feijão nhemba
e outras leguminosas, bem como o quiabo e outros membros da família dos hibiscos
(CIAT, 2010).
Biologia e natureza dos danos
Os primeiros sinais de problemas são a presença de grandes enxames de besouros da
folha em feijões jovens no campo. Isso geralmente ocorre apos as primeiras chuvas, esta
praga pode causar o desfolhamento total da cultura. Os danos acima do solo são
causados pelos besouros adultos, mas as larvas causam danos abaixo do solo. A
alimentação das larvas nas raízes causa manchas de plantas amareladas no campo
(CIAT, 2010).
Combate
O preparo pós-colheita expõe os adultos dormentes no solo ao calor do sol e
aumenta a mortalidade;
Rotação de culturas com plantas não hospedeiras quebra o ciclo de
desenvolvimento e reduz a população adulta emergente;
Sementeira tardia;
Aplicações de pesticidas botânicos a exemplo da Azadirachta indica (CIAT,
2010).
2.9.1.3. Trips do botão floral (Megalurothrips sjoestedti trybom)
Estas trips é polífago: ataca muitas plantas para sugar a seiva das flores e dos botões,
mas sobretudo ataca os feijoeiros (feijão nhemba, feijão bóer, feijão vulgar); outras
plantas atacadas (sempre nas flores e botões) são cebola, alho, amendoim, algodoeiro,
citrinos, Crotalaria, Morus (Moraceae). É uma espécie que vive em toda a África. Nas
plantas atacadas as flores ficam torcidas e os botões caem e não produzem flores (Olmi,
2011).
Portanto a produção de frutos diminui. As tripes atacam também as estípulas à base dos
pedúnculos das flores, que se tornam castanhos. O feijão nhemba é a planta mais
susceptível do que outras plantas (Olmi, 2011).
Biologia e natureza dos danos
O adulto é de cor preta; tem 1-2 mm de comprimento. As ninfas são amarelas ou cor de
laranja. Tem muitas gerações por ano (o ciclo de desenvolvimento completo ovo –
adulto dura 10-14 dias). Os ovos são depositados dentro das flores e dos botões. Ninfas
e adultos vivem nos botões e nas flores. Os estádios de repouso (prepupa e subpupa)
acontecem no solo. Estas trips multiplica-se mais rapidamente na época quente e nos
períodos chuvosos (Olmi, 2011).
Combate
Pulverizações com insecticidas sistémicos quando se verificar um grau de ataque
superior a dois tripes por flor; semear logo no início da época de chuva; semear em
consociação com milho ou mapira; usar variedades que produzem flores num curto
intervalo de tempo. Lembre-se de não comer a folha do feijão nhemba durante o
intervalo de segurança do insecticida utilizado (Olmi, 2011).
2.9.1.4. Percevejo (Clavigralla tomentosicollis)
Este percevejo é polífago: ataca muitas plantas para picar vagens, sementes, rebentos e
ramos, mas sobretudo ataca o feijão nhemba; outras plantas atacadas são as ervilhas. É
uma espécie que vive em muitos países da África (Olmi, 2011).
Biologia e natureza do dano
O adulto é de cor castanha; tem cerca de 7-10 mm de comprimento. Os ovos são
depositados em grupos sobre as folhas. O período embrionário dura 6-8 dias, enquanto o
período ninfal dura 28-35 dias, com 5 idades. Este percevejo aparece mais na época
quente do que na época fresca (Olmi, 2011).
Combate
Segundo Olmi (2011), refere que no algodoeiro pulverizações com insecticidas
sistémicos ou de contacto (por exemplo com endosulfan); escolha de variedades de
feijão nhemba erectas com pouca folha, porque são menos atacadas do que as
variedades semi-erectas; consociar o feijão nhemba com outras plantas (melhor com
cereais como milho, mapira ou mexoeira), porque parece que seja menos atacado do que
em regime de monocultura; destruir manualmente os focos de ninfas novas agregadas;
semear cedo (Setembro – Outubro) ou na segunda época do feijão nhemba (meados de
Janeiro – Fevereiro).
2.9.1.5. Percevejo (Anoplocnemis curvipes F.)
Este percevejo é polífago: ataca muitas plantas para picar vagens, sementes, rebentos e
ramos, mas sobretudo ataca o feijão nhemba; outras plantas atacadas são amendoim,
mapira, cafézeiro, milho, gergelim, soja, cajueiro, algodoeiro, mangueira, tomateiro,
citrinos. É uma espécie que vive em muitos países da África tropical (Olmi, 2011).
Biologia e natureza do dano
No feijão nhemba e nas outras plantas, as ninfas adultos causam os mesmos prejuízos
do que Clavigralla tomentosicollis (Olmi, 2011).
O adulto é de cor preta ou castanha escura; tem cerca de 23- 25 mm de comprimento.
Os adultos têm os fémures posteriores dilatados, com uma ponta no lado interior (esta
ponta é mais comprida e grande no macho do que na fêmea (Olmi, 2011).
Os ovos são depositados em grupos sobre as folhas. Este percevejo aparece mais na
época quente do que na época fresca (Olmi, 2011).
Combate
Para o combate é necessário adotar a mesma medida para controlar a Clavigralla
tomentosicollis (Olmi, 2011).
2.9.2. Doenças do feijão nhemba
2.9.2.1. Mosaico severo - “Cowpea severe mosaic virus” - CPSMV
Sintomas
As modificações de cor e hábito das plantas são geralmente visíveis em todos os órgãos
aéreos. Quando a infecção ocorre em plantas jovens muito suscetíveis, observa-se
redução drástica de todas as suas partes, necrose na extremidade superior do caule,
morte de brotos terminais e aqueda prematura das folhas. Infecção iniciada em estádios
mais avançados produz sintomas severos apenas nas áreas novas da planta, reduzindo
significativamente, a partir dai, o seu desenvolvimento (Kimati, et al., 1997).
Nas folhas, além da redução do tamanho e do mosaico intenso, verificam-se
clareamento e necrose das nervuras, formação de bolhas e deformação do limbo.
Dependendo da cultivar, as vagens apresentam murchas irregulares, verde-escuras e
sementes chochas ou manchadas com menor capacidade de germinação (Kimati, et al.,
1997).
Etiologia
O vírus causador do mosaico severo do feijão nhemba é uma espécie do género
Comovirus, da família Comoviridae. As principais características do CPSMV são:
genoma bipartido, constituído por duas moléculas de RNA de fita simples de 1,5 e 2,5
megadaltons, ambas necessárias para que haja infecção, encapsidadas em partículas
distintas (Kimati, et al., 1997).
As partículas virais, que neste caso coincidem com o nucleocapsídeo, possuem formas
isométricas com aproximadamente 28 mm de diâmetro. O CPSMV parasita apenas
plantas superiores e é transmitida por coleópteros, especialmente espécie da família
Chysomelidae, de forma semipersistente (Kimati, et al., 1997).
Controle
Em decorrência das características gerais descritas na etiologia do mosaico severo, as
medidas de controle desta doença compreendem:
Diminuição do inoculo e retardamento, ao máximo, da disseminação do
patógeno, através da eliminação de plantas de feijão nhemba remanescentes de
cultivos anteriores e de outros hospedeiros naturais e do combate aos insetos
vetores;
Uso de cultivares resistentes ou imunes (Kimati, et al., 1997).
2.9.2.2. Mosaicos de potyvirus - “Cowpea aphid-home mosaic virus” -
CABMV “Blackeye Cowpea mosaic virus” – BICMV
Sintomas
Os sintomas mais comuns são mosaicos intensos no limbo foliar, formando por áreas
verdes normais entremeadas por as cloróticas, fixas verde-escuras nas nervuras,
distorção das folhas e redução mais ou menos acentuada do crescimento das plantas. Os
virus induzem, as células da epiderme, a formação de inclusões citoplasmáticas
importantes para a diagnose típicas do género Potyvirus, as quais são visíveis ao
microscópio óptico, quando devidamente coradas (Kimati, et al., 1997).
Etiologia
As partículas do CABMV e do BICMV são filamentosas e flexuosas, com as dimensões
de 750 ×11mm . Podem ser observadas através da técnica rotineira de microscopia
eletrónica em preparações “leaf-dip”, empregando-se contraste negativo. Estes dois
virus reúnem características semelhantes, incluindo RNA de fita simples, genoma
monopartido, cuja molécula de acido nucleico possui 2,9 megadaltons, correspondendo
a 5% do peso da partícula viral, partícula coincidindo com o nucleocapsídeo, parasita de
plantas superiores, transmitindo através da semente e por diferentes espécies de pulgão,
de maneira não-persistente (Kimati, et al., 1997).
O CABMV e o BICMV são espécies do género Potyvirus, da família Potyviridae,
possuindo varias características similares tais como: propriedades físicas, distribuição
geográfica, modo de transmissão e indução de sintomas na maioria das cultivares de
feijão nhemba (Kimati, et al., 1997).
Controle
As principais medidas de controle recomendas são: uso de sementes sadias, eliminação
de plantas que obrigam os virus e emprego de cultivares resistentes (Kimati, et al.,
1997).
2.9.2.3. Crestamento bacteriano – Xanthomonas campestres pv. Vignicola
(Burkholder) Dye
Sintomas
Os sintomas da doença dependem, principalmente, do local de penetração da bactéria e
das condições ambientais. Morte das plantas, normalmente sob humidade relativa do ar
elevada e temperatura entre 24 e 32ºC, é o principal sintoma observado quando se
utilizam sementes infectadas. A penetração nas folhas resulta em pequenos pontos
encharcados na face abaxial dos folíolos que, posteriormente, transformam-se em lesões
com centro necrosado e halo alaranjado, visíveis também na face adaxial (Kimati, et al.,
1997).
Em cultivares mais suscetíveis, pode ocorre formação de grandes áreas de cor
alaranjada pela coalescência de lesões. Infecção no caule da origem a cancros com
fissura, localizados desde o colo ate aproximadamente 17 cm acima. Encharcamento em
vagens indica a presença do patógeno que, por este meio, infecta as sementes (Kimati,
et al., 1997).
Etiologia
O agente do crestamento bacteriano, Xanthomonas campestres pv. Vignicola, pertence
ao reino Procarytae, divisão Gracilicutes, ordem Pseudomonales, família
Pseudomonadacea. Entre outras sinonimas, citam-se X. vignicola Burkholder, X.
phaseoli f. sp. Vignicola (Burkholder) Sabet, Ishag & Khail e X. vignicola pv.
vignaeunguiculatae Patel & Jindal (Kimati, et al., 1997).
O patógeno é disseminado por sementes, insetos e respingos de chuva; sobrevive em
hospedeiros alternativos, em insetos, por algumas semanas, e em sementes, por períodos
longos. A incidência epidémica da doença é favorecida por ferimentos resultantes,
principalmente, da acção alimentar de insetos, de ventos e chuvas fortes (Kimati, et al.,
1997).
Controle
Uso de sementes sadias e plantio de cultivares resistentes (Kimati, et al., 1997).
2.9.2.4. Ferrugem – Uroinyces appendiculatus (Pers.) Unger
Sintomas
Os sintomas ocorrem principalmente no limbo foliar, ocasionalmente na base do
pecíolo, na forma de pústula cor de ferrugem em ambas as faces dos folíolos. Em
cultivadas muito suscetíveis, as lesões podem apresentar halos amarelos próximos uns
aos outros, originando grandes áreas amarelas. Nas pústulas observa-se massa
pulverulenta constituída de uredósporos que, em condições desfavoráveis ao fungo, são
substituídos por teliósporos. Com o envelhecimento das lesões, ocorre a queda dos
esporos pela acção do vento e da chuva, que passam a exibir coloração parda (Kimati, et
al., 1997).
Etiologia
O agente da ferrugem, Uroinyces appendiculatus, pertence à classe Basidiomycetes,
ordem Uredinales, família Pucciniaceae e possui as seguintes sinonimas: Uroinyces
phaseoli var. vignae (Barcl.) Arth., U. vigna Barcl. e Aecidium caulícola P. Henn. Os
esporos mais comumente produzidos por este fungo são do tipo uredósporos
unicelulares, que apresentam pedicelo curto e hialino, colorações pardo-avermelhadas,
parede delgada e ornamentada, forma globosa ou elipsoide. Os teliósporos são também
unicelulares e possuem coloração mais escura, parede grossa e lisa (Kimati, et al.,
1997).
A disseminação do patógeno ocorre predominantemente através de uredósporos
conduzidos pelo vento. Esporos podem ser ainda disseminados por implementos
agrícolas, incestos animais domésticos e pelo homem. O fungo sobrevive em restos
culturais, incluindo plantas remanescentes de cultivos anteriores, na forma de
teliósporos ou uredósporos. Temperaturas moderadas (22 a 28ºC) e alta humidade
relativa do ar favorecem a ocorrência de epidemias (Kimati, et al., 1997).
Controle
Uma das medidas de controle mais promissoras para a ferrugem do feijão nhemba é o
uso de variedades resistente, rotação de cultuaras e destruição dos restos culturais são a
medidas auxiliares importantes (Kimati, et al., 1997).
2.9.2.5. Cercosporioses – Mycosphaerella cruenta Latham. (Pseudocercospora
cruenta (Sacc.) Deigtom e Cercospora canescens Ellis & Martin)
Sintomas
Os principais sintomas são manchas nos folíolos, cujo aspecto depende da espécie
fúngica envolvida, morfologia foliar da cultivar e condições climáticas. Cultivares
altamente suscetíveis podem exibir sintomas em toda parte aérea. P. cruenta causa
lesões irregulares, geralmente angulosas, no início cloróticas, tornando-se
posteriormente marrons ou avermelhadas. As lesões induzidas por C. canescens por sua
vez, são alaranjadas ou marro,-claras, geralmente arredondadas (Kimati, et al., 1997).
Os sinais característicos da doença dependem do agente envolvido. P. cruenta exibe
frutificações cinza-escuras, mais abundantes na face abaxial da lesão, com muitos
conidióforos por esporodóquio, conidióforo marron escuro, de comprimento entre
50 e 100 μm e conídio filiforme, medindo 100 μm. C. canescens apresenta frutificações
marrons, 2 a 5 conidióforos por estroma, igualmente em maior escala na superficial
abaxial dos folíolos, conidióforos entre 75 e 200 μm e conídio com 200 μm de
comprimento (Kimati, et al., 1997).
Etiologia
Os fungos Pseudocercospora cruentos e Cercospora canescens, pertencentes à classe
Deuteromycetes, ordem Moniliales, família Dematiaceae, são os principias agentes das
cercosporioses do feijão nhemba no Brasil, notadamente o primeiro. Mycosphaerella
cruenta, referida como teleomorfo de P. cruenta, pertence à classe Asconycetes, ordem
Dothideales, família Dothideaceae (Kimati, et al., 1997).
A disseminação dos patógenos dá-se, principalmente, através de sementes, respingos de
chuva e pelo vento. Os fungos sobrevivem em restos culturais, hospedeiros silvestres e
sementes infectas. A ocorrência de epidemias é favorecida pela presença de restos
culturais contendo propágulos dos fungos, proximidade a plantios infectados, que atuam
como fonte primária de inoculo, e idade da planta entre 3 a 5 semanas apos a
germinação (Kimati, et al., 1997).
Controle
O controle pode ser executado pela utilização de variedades resistentes, outras medidas
incluem uso de sementes sadias, eliminação de restos culturais, rotação de culturas,
aplicação de fungicidas e escolha do local, evitando o plantio em áreas vizinhas de
campo de feijão nhemba altamente infectado (Kimati, et al., 1997).
2.9.2.6. Mela – Thanatephorus cucumeris (Frank) Donk. (Rhizoctonia salani
Kuhn)
Sintomas
Os sintomas iniciais são pequenas lesões circulares de coloração parda, que em
condições desfavoráveis ao desenvolvimento da doença – baixa precipitação e
humidade do ar – permanecem como pequenas manchas ou pontos necróticos. Sob
condição de alta humidade, verifica-se crescimento rápido e coalescência de lesões,
sendo possível observar estruturas vegetativas nas superfícies adaxial do folíolo
(Kimati, et al., 1997).
Sinais da doença são visíveis a olho nu na forma de teia micelial, que interliga folhas
entre si ou com outras partes aéreas da planta. Outro sinal macroscópico é a presença de
escleródios sobre folhas mortas (Kimati, et al., 1997).
Etiologia
O agente da mela do feijão nhemba, Rhizoctonia salani, pertence à classe
Deuteromycetes, ordem Agonomycetales, cujo teleomorfo é Thanatephorus cucumeris,
da classe Basidiomycetes, ordem Tubelasnellales, família Ceratobasidiaceae (Kimati, et
al., 1997).
A disseminação do patógeno ocorre através de escleródios e hifas livres no solo ou em
restos culturais w sementes contaminadas. O fungo sobrevive em plantas silvestres e, na
forma de escleródios, em restos culturais, no solo e misturados às sementes. Idade da
planta entre uma e duas semanas, temperatura e humidade relativa do ar elevado
favorecem a ocorrência epidémica da doença (Kimati, et al., 1997).
Controle
O controle é mais efetivo pela associação de vários métodos: uso de sementes sadias,
rotação de culturas, incorporação de restos culturais, aplicação de produtos químicos,
emprego de cultivares resistentes, e cultivo em épocas desfavoráveis ao
desenvolvimento da doença e utilização de cobertura morta (Kimati, et al., 1997).
2.9.2.7. Sarna – Elsinoe phaseoli Jenk. (Sphaceloma sp.)
Sintomas
Os sintomas nos folíolos são pequenas manchas circulares, inicialmente brancas,
tornando-se posteriormente perfuradas no centro pelo desprendimento do tecido morto.
A concentração de lesões nos bordos dos folíolos resultam em deformação com aspecto
de taça pela curvatura para o centro. Em vagens, pedúnculos, pecíolos e caules, as
lesões são ovaladas ou circulares, no geral profundas, com centro esbranquiçado e
bordos marrons, que frequentemente coalescem, formando manchas maiores com
formato irregular (Kimati, et al., 1997).
Os sinais característicos da doença são clamidóporos de parede espessa e coloração
marrom escura, sobre lesões do caule, pecíolo e vagem, formados a partir de hifas, sob
condições ambientais desfavoráveis ao fungo. Exame microscópio da superfície
lesionada pode revelar a presença de conídios unicelulares, esferoidais e hialinos,
quando jovens e marrons, quando maduros (Kimati, et al., 1997).
Etiologia
A sarna do feijão nhemba, é causada por Sphaceloma sp., anamaorfo de Elsinoe
phaseoli. Contudo, doença aparentemente idêntica, atribuída a Cladosporium vignae
Gardner, ocorre em alguns países africanos. Existem estudos visado estabelecer o
relacionamento etiológico entre estas doenças, referidas indistintamente como sarna do
feijão nhemba. Sphaceloma sp. pertence à classe Deuteromycetes, ordem Moniliales,
família Moniliaceae e E. phaseoli á classe Ascomycetes, ordem Myriangiales, família
Myriangiaceae (Kimati, et al., 1997).
A disseminação do fungo dá-se através de sementes e conídios conduzidos por
respingos de chuva e vento. Sobrevive em sementes e restos culturais ou como
clamidóporos no solo. A ocorrência de epidemias é condicionada a verificação de
algumas semanas de chuvas, presença de restos culturais com patógenos, infecção
precoce e uso de sementes infectadas (Kimati, et al., 1997).
Controle
O controle satisfatório da doença pode ser obtido pela conjugação de rotação de
culturas, incorporação ao solo de restos culturais e uso de sementes sadias. A utilização
de variedades resistentes é um método promissor, enquanto a aplicação de produtos
químicos não tem apresentado bons resultados (Kimati, et al., 1997).
2.9.2.8. Meloidoginoses – Meloidogyne spp.
Sintomas
Os sintomas primários típicos são galhas localizadas nas raízes, como consequência da
hiperplasia de células provocadas pela injeção de saliva por partes dos nematóides. Tais
galhas tem aspecto variado e deformam o sistema radicular, quando presentes em
grandes números. Como sintomas secundários, observa-se enfezamento, clorose e
murcha por ocasião das horas mais quentes do dia. Incidência muito severa pode induzir
mortes de plantas (Kimati, et al., 1997).
Etiologia
Cinco espécies do género Meloidogyne são responsáveis pela doença em feijão nhemba:
Mincognita (Kofoid & White) Chitwood, M. javanica (Treub) Chitwood, M. arenaria
(Neal) Chitwood, M. hapla Chitwood e M. thamesi (Chitwood) Goodey. Estes
nematóides pertencem à classe Secementea, ordem Tylenchida, família Heteroderideae.
São endoparasita obrigatórios e apresentam larvas pré-parasitas migradoras, que se
tomam sedentárias após penetração nos hospedeiros, passando a se chamar lavras
parasitas (Kimati, et al., 1997).
A disseminação ativa de larvas pré-parasitas é muito limitada pela lentidão do seu
movimento, cerca de 1 cm por dia. O auxílio de alguns agentes permite maior eficácia
na disseminação: solo aderido a ferramentas e máquinas agrícolas, água de irrigação,
excrementos de animais. Os nematoides sobrevivem no solo e em hospedeiros
alternativos. O plantio de cultivares suscetível em terrenos leve densamente infestado
condiciona a ocorrência de epidemias (Kimati, et al., 1997).
Controle
A principal medida de controle é o uso de variedades resistentes ou tolerantes (Kimati,
et al., 1997).
CAPÍTULO III. MATERIAL E MÉTODOS
3.1. Localização da Área Experimental
O estudo será conduzido nos campos Universitários da Universidade Mussa Bin
Bique, localizado na localidade de Muriaze, posto administrativo de Anchilo no
distrito de Nampula que dista aproximadamente a 11km da cidade de Nampula, na
estrada via a Mussuril. No entanto, o valor máximo da temperatura do ar situa-se a
33.2o C e o mínimo de 19 o C. Regra geral, as regiões de maior elevação do distrito,
apresentam-se com temperaturas mais suaves em relação as outras zonas. Quanto a
precipitação, media e de 1.045 mm anual. O distrito de Nampula está localizado a
Oeste da Cidade Capital Provincial, confinando a Norte com os distritos de
Mecubúri e Muecate, a Sul com o distrito de Mogovolas, a Este com o distrito de
Meconta e a Oeste com o Distrito de Murrupula (MAE, 2014).
Figura 1. Localização do local experimental Fonte: Elaboração Própria
3.2. Matérias
Balança de 50kg Bloco de nota
Regador de 15 litro Marcador
Catana Sementes
Enxada Bambus
Fita métrica Botas
Corda Luvas.
3.3. Métodos
DBCC – Delineamento de blocos completamente casualizados.
3.3.1. Delineamento Experimental
Para a realização do ensaio, será usado o delineamento de blocos completos
casualizados, com quatro (4) repetições e quatro (4) tratamentos. Os tratamentos serão
compostos por quatro (4) variedades de feijão nhemba, sendo IT-18; IT-16; Brownie
mix e Local. E cada bloco teve quatro (4) parcelas de 10 m2 onde tem (4m × 2,5m) para
cada, com um total de 16 parcelas em todo campo. Cada parcela terá 20 plantas,
totalizando 320 plantas em toda área útil do ensaio.
A distância entre as parcelas dentro do mesmo bloco foi de 0.5 m e a distância entre os
blocos foi de 0,5 m. O estudo teve uma área total de 104 m2 onde tem (13 m × 8 m)
com uma área útil do bloco de 74,97m2 onde tem (11,9 m × 6,3 m). O número de
plantas utilizado para o estudo foi de 320 plantas resultado de 20 plantas por parcela,
com um compasso da cultura de 60 cm entre linhas e 20 cm entre plantas e área útil da
planta é de 0,12 m2.
3.4. Instalação e Condução do Ensaio
Instalação do campo será no dia 03 de Julho de 2022. Este será estabelecido em campo
aberto num solo com textura arenosa, onde não será realizado análise química de solo
laboratorialmente para determinação da constituição mineralógica. A preparação do solo
far-se-á manualmente envolvendo abertura do campo, lavoura, formação de blocos.
Antes da distribuição dos tratamentos far-se-á um nivelamento manual no campo com
finalidade de manter a superfície do solo com o mesmo declive em todas suas secções
superficiais com vista a garantir que o campo fosse uniforme, para todos os tratamentos
e evitar desequilíbrio na distribuição dos mesmos.
3.4.1. Descrição dos tratamentos
Tabela 5. Descrição dos tratamentos
Código Descrição dos tratamentos
T1 IT-18
T2 IT-16
T3 Brownie mix
T4 Local
3.4.2. Sementeira
A sementeira será realizada no dia 07 de Julho de 2022, e com a profundidade dos
covachos será de 2 a 3cm e serão abertos os covachos com uma estaca de 30cm com a
ponta afiada ate 4cm.
3.4.3. Sacha
Esta será feita de modo a controlar as infestantes e reduzir a competição de absorção de
nutrientes com as plantas no campo. Serão realizadas duas sachas manualmente com
auxílio de uma enxada (a primeira apos 2 semanas da sementeira e a segunda e ultima
apos duas semanas da primeira sacha).
3.4.4. Desbaste
Será realizado a redução de números de plantas antes da floração ficando assim em cada
covacho uma planta.
3.4.5. Rega
A rega será efetuada usando regadores manuais de 15 litros. A água será fornecida as
plantas duas vezes por dia, tendo esse processo continuado até ao final do ciclo da
cultura.
3.4.6. Colheita
A colheita será feita depois de três (3) meses, nesta fase os grãos já estão firmes em
todos tratamentos uma vez que a cultura já tinha atingido o ponto de maturação
fisiológica.
3.4.7. Descrição das variedades usadas no ensaio
Tabela 6. Descrição das variedades usadas no ensaio
Variedades Ciclo Hábito de Rendimento Cor do grão Reação as
(dias) crescimento (ton/ha) doenças
IT-18 70 Determinado 1.600 Castanho Resistente a
semi-erecto claro Ferrugem
IT-16 70 Determinado 1.800 Castanho Resistente a
Mosaico
amarelo
(CYMV) e
a Ferrugem
Brownie 70 Determinado 1.400 Castanho Resistente a
mix semi-erecto avermelhado Ferrugem
Local 90 Determinado 1.200 Castanho Resistente a
semi-erecto Ferrugem
3.5. Parâmetros Avaliados
3.5.1. Altura da planta (cm)
Serão avaliadas 6 plantas da área útil de cada parcela referente a cada Variedade. Estas
plantas serão escolhidas aleatoriamente. Será utilizado uma trena para medir a altura da
planta, do nível do solo até o ápice das plantas, e os resultados serão expressos em
centímetros (cm).
3.5.2. Número de vagens por planta
Será contado o número de vagens de 6 plantas da área útil para cada tratamento,
escolhidas aleatoriamente, por meio de identificação visual.
3.5.3. Comprimento de vagens (cm)
Será determinado o comprimento de todas as vagens de 6 plantas maduras, escolhidas
aleatoriamente. Será utilizado uma régua para medir o comprimento, e os resultados
expressos serão centímetros (cm).
3.5.4. Peso de vagens (g)
Será determinado o peso todas as vagens de 6 plantas vagens maduras escolhidas
aleatoriamente. Será utilizado uma balança de precisão para pesar as vagens, e os
resultados serão expressos em gramas (g).
3.5.5. Número de Grãos
Será determinado o número de grãos por vagem a partir de 6 vagens escolhidas
aleatoriamente em cada tratamento. Os resultados serão expressos em número de grãos
por vagem.
3.5.6. Peso de Grãos
Será determinado o peso dos grãos todas as vagens de 6 plantas escolhidas. Será
utilizado uma balança de precisão para pesar os grãos das vagens, e os resultados serão
expressos em gramas (g), será determinado o peso de 100 grãos usando a mesma
metodologia usado no peso de grão.
3.5.7. Rendimento
Após a debulha e durante a pesagem, será determinado o teor de humidade do grão,
obtido pelo higrómetro (grain moisture analizer – analisador do teor de humidade do
grão), a partir do qual se fara a correção do rendimento final, tendo sido considerado,
para o cálculo de rendimento, 12% do teor de humidade como percentagem padrão para
a cultura de feijão nhemba. O rendimento de cada unidade experimental será calculado
com base na seguinte fórmula, tendo em consideração o peso do grão por unidade de
área e o teor de humidade do grão.
peso do grao∗( 100−% humidade do grao ) 1 ha
Rendimento (kg/ha) = *
88 Area util
3.6. Analise estatística
A análise estatística de todos os dados deste estudo será feita usando o Sistema de
Análise estatística e Genéticas da Universidade Federal do Lavras (SISVAR), a 5% de
significância.
Os dados serão submetidos ao teste de Normalidade de Shapiro-wilk, para verificar a
homogeneidade da variância e normalidade dos dados, e os mesmos poderão ou não
transformados para (x + 1)1/2, Seguindo-se Análise de Variância, as variáveis que
apresentarem diferenças significativas, serão submetidas ao teste de Tukey a 5% de
probabilidade.
Esquema da ANOVA
Fonte de variação g.l SQ QM F
Repetição (r) (r-1) SQr QMr =SQr/(r-1)
QMr/QME
Tratamento (t) (t-1) SQt QMt=SQt/(t-1)
QMt/QME
Residuos (erro) (r-1)(t-1) SQE QME=SQE/(r-1)(t-1)
Total rt-1 SQT
𝑪𝑽 % =
√QME ∗100 %
Y
Figura 2. Esquema da ANOVA
Legenda:
g.l. – Grau de liberdade CV – Coeficiente de variação
SQ – Soma de quadrados F – F calculado
QM – Quadrados médios Y – Média geral do ensaio
CAPÍTULO IV: RESULTADOS E DISCUSSÃO
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