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A Cidadania

O documento explora a evolução histórica do conceito de cidadania, desde a Antiguidade até a Idade Moderna, destacando as distinções sociais e políticas em diferentes períodos. A cidadania, inicialmente ligada a privilégios e exclusões, passou a ser um símbolo de direitos e participação política, embora ainda enfrente desafios para garantir igualdade plena. A obra busca contribuir para a discussão sobre cidadania e suas implicações na sociedade contemporânea.
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A Cidadania

O documento explora a evolução histórica do conceito de cidadania, desde a Antiguidade até a Idade Moderna, destacando as distinções sociais e políticas em diferentes períodos. A cidadania, inicialmente ligada a privilégios e exclusões, passou a ser um símbolo de direitos e participação política, embora ainda enfrente desafios para garantir igualdade plena. A obra busca contribuir para a discussão sobre cidadania e suas implicações na sociedade contemporânea.
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Conceitos

A CIDADANIA E SUA HISTÓRIA

A Cidadania na Antigüidade

A palavra cidadania foi usada na Roma antiga para indicar a situação


política de uma pessoa e os direitos que essa pessoa tinha ou podia exercer.
A sociedade romana fazia discriminações e separava as pessoas por classes
sociais. Havia, em primeiro lugar, os romanos e os estrangeiros, mas os
romanos não eram considerados todos iguais, existindo várias categorias.
Em relação à liberdade das pessoas era feita a diferenciação entre livres e
escravos, mas entre os que eram livres também havia igualdade, fazendo-se
distinção entre os patrícios – membros das famílias mais importantes que
tinham participado da fundação de Roma e por isso considerados nobres – e
os plebeus – pessoas comuns que não tinham o direito de ocupar todos os
cargos políticos. Com o tempo foram sendo criadas categorias
intermediárias, para que alguns plebeus recebessem um título que os
colocava mais próximos dos patrícios e lhes permitia ter acesso aos cargos
mais importantes.

Quanto à possibilidade de participar das atividades políticas e


administrativas haviam uma distinção importante entre os próprios
romanos. Os romanos livres tinham cidadania: eram, portanto, cidadãos,
mas nem todos podiam ocupar os cargos políticos, como ode senador ou de
magistrado, nem os mais altos cargos administrativos. Fazia-se uma
distinção entre cidadania e cidadania ativa. Só os cidadãos ativos tinham o
direito de participar das atividades políticas e de ocupar os mais altos
postos da Administração Pública. Uma particularidade que deve ser
ressantada é que as mulheres não tinham a cidadania ativa e por esse
motivo nunca houve mulheres na Senado nem nas magistraturas romanas.

As Revoluções Burguesas e Cidadania

Nos séculos dezessete e dezoito, quando na Europa já estavam começando


os tempos modernos, havia também a divisão da sociedade em classes,
lembrando muito a antiga divisão romana. Os nobres gozavam de muitos
privilégios, eram proprietários de grandes extensões de terras, não
pagavam impostos e ocupavam os cargos políticos mais importantes. Ao
lado deles existiam as pessoas chamadas comuns, mas entre estas havia
grande diferença entre os que eram ricos, que compunham a burguesia, e
os outros que, por não terem riqueza, viviam de seu trabalho, no campo ou
na cidade. Nessa fase da história da humanidade vamos encontrar os reis
que governam sem nenhuma limitação, com poderes absolutos, e por isso o
período é conhecido como do absolutismo.
Houve um momento em que os burgueses e os trabalhadores já não
suportavam as arbitrariedades e as injustiças praticadas pelos reis
absolutistas e pela nobreza e por esse motivo, unindo-se todos contra os
nobres, fizeram uma série de revoluções, conhecidas como revoluções
burguesas. Desse modo foi feita a revolução na Inglaterra, nos anos 1688 e
1689, quando o rei perdeu todos os seus poderes e os burgueses passaram a
dominar o Parlamento, passando os nobres, que eram chamados lordes,
para segundo plano. Nessa época a Inglaterra tinha 13 colônias na América
do Norte. Influenciadas pelo que acontecia na Inglaterra, as pessoas mais
ricas dessas colônias, incluíndo os proprietários de terras e os grandes
comerciantes, promoveram uma revolução no século seguinte. Desse modo
proclamaram a independência das colônias, em 1776. Alguns anos mais
tarde, em 1787, resolveram unir-se e criaram um novo Estado, que recebeu
o nome de Estados Unidos da América.

Dois anos depois, em 1789, ocorreu na França um movimento


revolucionário semelhante, que passou para a história com o nome de
Revolução Francesa. Esse movimento foi muito importante porque influiu
para que grande parte do mundo adotasse o novo modelo de sociedade,
criado em conseqüência da Revolução. Foi nesse momento e nesse ambiente
que nasceu a moderna concepção de cidadania, que surgiu para afirmar a
eliminação de privilégios mas que, pouco depois, foi utilizada exatamente
para garantir a superioridade de novos privilegiados.

No dia 14 de julho de 1789 o povo invadiu a prisão da Bastilha, na cidade de


Paris, onde se achavam presos os acusados de serem inimigos do regime
político absolutista. Esse fato marcou o início de uma série de modificações
importantes na organização social da França e no seu sistema de governo,
estando entre essas modificações a eliminação dos privilégios da nobreza.
Por esse motivo a tomada da Bastilha passou a ser comemorada como o dia
da Revolução Francesa, mas a revolução se caracteriza por um conjunto de
fatos que tem início bem antes daquela data.

Uma das inovações importantes, ocorrida algumas décadas antes, foi


justamente o uso das palavras cidadão e cidadã, para simbolizar a igualdade
de todos. Vários escritores políticos vinham defendendo a idéia de que todos
os seres vivos nascem livres e são iguais, devendo ter os mesmos direitos.
Isso foi defendido pelos burgueses, que desejavam Ter o direito de
participar do governo, para não ficarem mais sujeitos a regras que só
convinham ao rei e aos nobres. O povo que trabalhava, que vivia de salários
e que dependia dos mais ricos também queria reconhecimento da
igualdade, achando que se todos fossem iguais as pessoas mais humildes
também poderiam participar do governo e desse modo as leis seriam mais
justas.
Cabe lembrar que as mulheres tiveram importante participação nos
movimentos políticos e sociais da Revolução Francesa. Quando se falava no
direito da cidadania a intenção era dizer que todos deveriam Ter os mesmo
direito de participar do governo, não havendo mais diferença entre nobres e
não-nobres nem entre ricos e pobres ou entre homens e mulheres.

Injustiça Legalizada: Discriminação pela Cidadania

No ano de 1791 os líderes da Revolução Francesa, reunidos numa


assembléia, aprovaram a primeira Constituição francesa e aí já
estabeleceram regras que deformavam completamente a idéia de cidadania.
Recuperando a antiga diferenciação romana entre cidadania e cidadania
ativa, os membros da assembléia e os legisladores que vieram depois
estabeleceram que para tter participação na vida política, votando e
recebendo mandato e ocupando cargos elevados na administraçãso pública,
não bastava ser cidadão. E dispuseram que pata tter a cidadania ativa eram
necessários certos requisitos que logo mais serão especificados, não
bastando ser pessoa.

A partir daí a cidadania continuou a indicar o conjunto de pessoas com


direito de participação política, falando-se nos “direitos da cidadania” para
indicar os direitos que permitem participar do governo ou influir sobre ele,
o direito de votar e ser votado, bem como o direito de ocupar os cargos
públicos considerados mais importantes. Mas a cidadania deixou de ser um
símbolo de igualdade de todos e a derrubada dos privilégios da nobreza deu
lugar ao aparecimento de uma nova classe de privilegiados.

A Constituição francesa de 1791, feita pouco depois da Declaração de


Direitos de 1789, manteve a monarquia, o que já significava um privilégio
para uma família. Além disso, contrariando a afirmação de igualdade de
todos, estabeleceu que somente os cidadãos ativos poderiam ser eleitos
para a Assembléia Nacional. Ficou sendo também um privilégio dos
cidadãos ativos o direito de votar para escolher os membros da Assembléia.
E para ser cidadão ativo era preciso ser francês, do sexo masculino, ser
proprietário de bens imóveis e tter um renda mínima anual elevada.

As mulheres, os trabalhadores, as camadas mais pobres da sociedade, todos


esses grupos sociais foram excluídos da cidadania ativa e tiveram que
iniciar uma nova luta, desde o começo de século dezenove, para obterem os
direitos da cidadania. Foram, até agora, duzentos anos de lutas, que já
proporcionaram muitas vitórias, mas ainda falta caminhar bastante para
que a cidadania seja, realmente, expressão dos direitos de todos e não
privilégio dos setores mais favorecidos da sociedade.
Afinal, o que é ser cidadão?

Ser cidadão é ter direito à vida, à liberdade, à propriedade, à igualdade


perante a lei: é, em resumo, ter direitos civis. É também participar no
destino da sociedade, votar, ser votado, ter direitos políticos. Os direitos
civis e políticos não asseguram a democracia sem os direitos sociais,
aqueles que garantem a participação do indivíduo na riqueza colectiva: o
direito à educação, ao trabalho, ao salário justo, à saúde, a uma velhice
tranqüila. Exercer a cidadania plena é ter direitos civis, políticos e sociais,
fruto de um longo processo histórico que levou a sociedade ocidental a
conquistar parte desses direitos.

Cidadania não é uma definição estanque, mas um conceito histórico, o


que significa que seu sentido varia no tempo e no espaço. É muito diferente
ser cidadão na Alemanha, nos Estados Unidos ou no Brasil (para não falar
dos países em que a palavra é tabu), não apenas pelas regras que definem
quem é ou não titular da cidadania (por direito territorial ou de sangue),
mas também pelos direitos e deveres distintos que caracterizam o cidadão
em cada um dos Estados-nacionais contemporâneos. Mesmo dentro de cada
Estado-nacional o conceito e a prática da cidadania vêm se alterando ao
longo dos últimos duzentos ou trezentos anos. Isso ocorre tanto em relação
a uma abertura maior ou menor do estatuto de cidadão para sua população
(por exemplo, pela maior ou menor incorporação dos imigrantes à
cidadania), ao grau de participação política de diferentes grupos (o voto da
mulher, do analfabeto), quanto aos direitos sociais, à proteção social
oferecida pelos Estados aos que dela necessitam.
A aceleração do tempo histórico nos últimos séculos e a conseqüente
rapidez das mudanças faz com que aquilo que num momento podia ser
considerado subversão perigosa da ordem, no seguinte seja algo
corriqueiro, “natural” (de fato, não é nada natural, é perfeitamente social).
Não há democracia ocidental em que a mulher não tenha, hoje, direito ao
voto, mas isso já foi considerado absurdo, até muito pouco tempo atrás,
mesmo em países tão desenvolvidos da Europa como a Suíça. Esse mesmo
direito ao voto já esteve vinculado à propriedade de bens, à titularidade de
cargos ou funções, ao fato de se pertencer ou não a determinada etnia etc.
Ainda há países em que os candidatos a presidente devem pertencer a
determinada religião (Carlos Menem se converteu ao catolicismo para
poder governar a Argentina), outros em que nem filho de imigrante tem
direito a voto e por aí afora. A idéia de que o poder público deve garantir
um mínimo de renda a todos os cidadãos e o acesso a bens coletivos como
saúde, educação e previdência deixa ainda muita gente arrepiada, pois se
confunde facilmente o simples assistencialismo com dever do Estado.

Não se pode, portanto, imaginar uma seqüência única, determinista e


necessária para a evolução da cidadania em todos os países (a grande nação
alemã não instituiu o trabalho escravo, a partir de segregação racial do
Estado, em pleno século XX, na Europa?). Isso não nos permite, contudo,
dizer que inexiste um processo de evolução que marcha da ausência de
direitos para sua ampliação, ao longo da história.

A cidadania instaura-se a partir dos processos de lutas que culminaram na


Declaração dos Direitos Humanos, dos Estados Unidos da América do
Norte, e na Revolução Francesa. Esses dois eventos romperam o princípio
de legitimidade que vigia até então, baseado nos deveres dos súditos, e
passaram a estruturá-lo a partir dos direitos do cidadão. Desse momento em
diante todos os tipos de luta foram travados para que se ampliasse o
conceito e a prática de cidadania e o mundo ocidental o estendesse para
mulheres, crianças, minorias nacionais, étnicas, sexuais, etárias. Nesse
sentido pode-se afirmar que, na sua acepção mais ampla, cidadania é a
expressão concreta do exercício da democracia.

Apesar da importância do tema e do significado da discussão sobre a


cidadania não tínhamos, até agora, um livro importante sobre o tema, razão
pela qual há cerca de dois anos começamos a organizar uma obra
consistente sobre a história da cidadania. Inicialmente pensamos que a
carência bibliográfica era apenas um problema brasileiro, mas aos poucos
fomos percebendo que era um fenômeno mundial. Não havia, simplesmente,
um grande livro sobre a história da cidadania. Quem quer que escrevesse
sobre o assunto recorria ao sociólogo inglês T. H. Marshall, autor de um
texto básico, mas que não tinha a pretensão de ser uma história da
cidadania. De resto, achamos importante mostrar que a sociedade moderna
adquiriu um grau de complexidade muito grande a ponto de a divisão
clássica dos direitos do cidadão em individuais, políticos e sociais não dar
conta sozinha da realidade.

Nossa proposta foi a de organizar um livro de história social, no sentido de


não fazer um estudo do passado pelo passado, muito menos do passado para
justificar eventuais concepções pré-determinadas sobre o mundo atual.
Queríamos, isto sim, estimular a produção de textos cuidadosamente
pesquisados, mas que se propusessem a dialogar com o presente. Não é por
acaso que os textos dão conta de um processo, um movimento lento, não
linear, mas perceptível, que parte da inexistência total de direitos para a
existência de direitos cada vez mais amplos.

Sonhar com cidadania plena em uma sociedade pobre, em que o acesso aos
bens e serviços é restrito, seria utópico. Contudo, os avanços da cidadania,
se têm a ver com a riqueza do país e a própria divisão de riquezas,
dependem também da luta e das reivindicações, da ação concreta dos
indivíduos. Ao clarificar essas questões, este livro quer participar da
discussão sobre políticas públicas e privadas que podem afetar cada um de
nós, na qualidade de cidadãos engajados. Afinal, a vida pode ser melhorada
com medidas muito simples e baratas, ao alcance até de pequenas
prefeituras, como proibição de venda de bebidas alcoólicas a partir de certo
horário, controle de ruídos, funcionamento de escolas como centros
comunitários no final de semana, opções de lazer em bairros da periferia,
estímulo às manifestações culturais das diferentes comunidades, e muitas
outras. Sem que isso implique abrir mão de uma sociedade mais justa,
igualitária, com menos diferenças sociais, é evidente.

História da Cidadania já surge, portanto, como obra de referência.


Ao organizar a discussão sobre um assunto de que tanto se fala e tão
pouco se sabe, ao estimular a produção de textos de intelectuais de
alto nível, o livro dá conteúdo a um conceito esvaziado pelo uso
indevido, e propicia uma reflexão sólida e conseqüente.

Resumo: Este artigo objetiva abordar o percurso histórico por que passou o
conceito de cidadania em seu lento processo de evolução. Para tanto,
buscou-se traçar um esboço histórico que parte de sua “pré-história”,
através dos hebreus e sua concepção de um deus cidadão, passa pela
civilização Grega e sua ideia de uma cidadania ligada à comunidade e à
partição na gestão da polis, pela civilização romana e seus institutos, pelo
longo período medieval e sua combalida cidadania, até a idade moderna e
sua cidadania liberal.

Palavras-chave: História Geral, Cidadania.

Sumário: 1. Introdução; 2.A Cidadania e os Hebreus; 3. A Cidadania na


Grécia antiga; 4. A Cidadania na Roma antiga; 5. A Cidadania na Idade
Média; 6. A Cidadania na Idade Moderna; 7. Conclusão; 8. Bibliografia.

1 Introdução

O presente artigo surge de uma necessidade acadêmica de se visualizar a


cidadania como fenômeno histórico, uma vez que seu estudo, em campo
teórico, nem sempre possibilita tal panorama. Partindo deste princípio,
buscar-se-á apresentar um singelo quadro evolutivo, no qual se demonstrará
um reconhecimento histórico e progressivo da análise do conceito de
cidadania.

Para tanto, o trabalho em tela será organizado em cinco tópicos centrais,


que terão por finalidade esboçar as características da Cidadania nos
seguintes cenários: a) a cidadania e os Hebreus; b) a cidadania na Grécia
Antiga; c) a cidadania na Roma Antiga; d) a cidadania na Idade Média; e e)
a cidadania na Idade moderna.

Em cada um dos tópicos supracitados, delinear-se-ão as contribuições


sofridas pela cidadania em cada época, bem como as suas características
em cada realidade, tornando esse artigo fonte relevante de elucidação da
temática cidadã.

2 A Cidadania e os Hebreus

Atribui-se aos hebreus o nascimento do monoteísmo. Inúmeros povos,


todavia, haviam cultuado somente um deus[1]. O que não se vê, em muitos
estudiosos, é atribuir ao povo de Moisés as primeiras manifestações do que
se entende ser hoje, não pacificamente, cidadania.

Evidentemente, as primeiras manifestações da cidadania não se encontram


no contorno de toda a saga hebraica. Assim, não é possível vê-las no período
em que eram cativos do Império egípcio ou quando passaram a cultuar um
só deus, influenciados pela curta experiência monoteísta imposta pelo rei
Amenophis IV, ou mesmo quando se evadiram do cativeiro pelo deserto, em
busca de Canaã – a “Terra Sagrada”.

As primeiras manifestações ocorreram com a concepção de um deus que


impõe um comportamento ético aos seus seguidores, da mesma forma que
estava demasiadamente comprometido com os problemas fincados na
exclusão social, na pobreza, na fome e na solidariedade.

A ideia de um monoteísmo ético surge no declínio do período monárquico,


através dos profetas, homens que passavam a vida a ser ouvidos e a
apregoar verdades em nome do deus por que falam. Esses indivíduos
encontraram no povo insatisfeito pelas vicissitudes sociais, saudosos de sua
história tribal, terreno fértil para semear seus pensamentos, os quais,
amiúde, iam de encontro aos dogmas dominantes, à ideologia que justifica o
sistema vigente, e às ritualísticas religiosas praticadas.

Ademais, esses primeiros esboços de construção de cidadania fortaleceram-


se, contrariamente, pela perseguição que esse povo sofreu durante sua
existência, razão por que Jaime Pinsky nomeou o fato de “o paradoxo da
superioridade ética”[2]. Esta expressão é precisa para dar lume e explicitar
os motivos que levaram os hebreus a evocarem uma moral messiânica e,
consequentemente, uma identidade nacional, mesmo sem território e,
constantemente, em um ambiente hostil.

3 A Cidadania na Grécia antiga


A Cidadania na Grécia antiga está ligada à noção de Cidade-estado. O
Estado contemporâneo, como é entendido hoje, não se confunde com a
experiência antiga, assim como não se pode mensurar um liame evolutivo
que unisse os dois mundos[3]. A compreensão da participação social e o
entendimento dos direitos inerentes ao cidadão têm, em ambos os casos,
perspectivas distintas.

As Cidades-estado, no entanto, não tiveram suas concepções restritas à


experiência helênica. Seus nascimentos foram consequências naturais de
um crescimento econômico e social que ocorreu nas costas do
Mediterrâneo, entre os séculos IX e VIII a. C.. Entre as civilizações
conhecidas, que abraçaram esse padrão exitoso de organização política,
social e econômica, estavam, além da civilização grega, a etrusca, a fenícia
e, mais tarde, a romana.

A comunidade das Cidades-estado, muito diferente do que se entende hoje


como “cidade”, era organizada por populações camponesas. A cultura
agrícola predominava, por mais desenvolvida e rica a região. O acesso a
terra, todavia, limitava-se aos entendidos membros da comunidade, que, em
progressivo processo de fechamento, excluíam os estrangeiros[4]. Neste
contexto, não se tinha uma autoridade acima de todos e central, razão por
que os conflitos eram solucionados entre os proprietários. O Estado se
confundia com a comunidade.

A dificuldade de ser aceito nessas comunidades variava a depender da


Cidade-estado e do seu período histórico. As regras de obtenção da
cidadania eram diversas, mas tinham a tendência de prestigiar as gerações
posteriores dos povos que ocuparam inicialmente essas regiões[5]. Não era
incomum, no entanto, que, pelo Mediterrâneo, cidades gregas fundassem
colônias, como as da península itálica (Magna Grécia), com habitantes
heterogêneos, oriundos de distintas Cidades-estado. As regras de aceitação
dessas comunidades eram naturalmente mais flexíveis.

Ser cidadão de uma Cidade-estado era um privilégio de poucos. O rígido


processo de inclusão determinava um contingente inversamente
proporcional de excluídos. Estes participavam da sociedade com seus
labores e com seus recursos, e, em algumas cidades, como em Atenas e em
Esparta, alcançaram um grande percentual populacional. Entre os
excluídos, os historiadores destacam três exemplos emblemáticos: os
estrangeiros, os povos submetidos e os escravos. Os dois primeiros gozavam
de relativa autonomia; todavia, ao passo que os primeiros se acomodavam
com as atividades que lhes restavam na sociedade, os submetidos tornaram-
se fonte de constantes conflitos. Os escravos, por sua vez, estavam
subjugados por um poder ilimitado, por regras privadas de seus
proprietários, distante de qualquer direito; ocupando nas cidades mais
desenvolvidas grandes percentuais da população, o que, não raro,
fomentavam dos pequenos conflitos às grandes sublevações[6].

As rígidas regras de aceitação refletiam-se em uma comunidade cidadã


pouco isonômica e integrada. No que se refere ao gênero, as mulheres
viviam à margem da vida pública, limitadas em seus direitos individuais, sob
a dominação masculina. O espaço apropriado para elas era o doméstico.
Quanto ao elemento idade, havia uma distinção entre jovens e velhos. A
comunidade era baseada no respeito aos mais velhos. Era verdadeiramente
um domínio etário, garantido por uma estrutura, como o poder atribuído aos
Conselhos de Anciãos. Ademais, outro elemento de conflito era a
propriedade privada, uma vez que terra era o principal meio de produção.
Os conflitos eram constantes entre os pequenos, médios e grandes
proprietários. Constatamos que a comunidade era um espaço de conflito
social.[7]

Não obstante a complexidade social da Grécia antiga, apresentava a Cidade-


estado uma dicotomia que se refletia naqueles que eram ou não cidadãos.
Assim, a cidadania era elemento de incomensurável valor. Os gregos
realizar-se-iam, enquanto homens, se fizessem parte social e politicamente
da Cidade-estado.

A evolução social ateniense, em seus primórdios, expunha uma divisão


censitária. Apenas uma classe de cidadão efetivamente gozava de cidadania.
Após as reformas de Clístines (509 a. C.), todavia, o privilégio de pertencer
à comunidade estendeu-se a todo cidadão ateniense que se viu na
possibilidade de exercer cargos do governo. Essa revolução estrutural
desferiu um duro golpe na Aristocracia governante, uma vez que,
confirmando as reformas de Sólon e introduzindo as suas próprias, no que
concerne à organização religiosa, Clístines não mais permitiu castas
religiosas e privilégios de berço na religião ou na política[8].

A igualdade[9], para Lafer, nasce da organização humana, meio pelo qual


equaliza as diferenças através das instituições. A polis, neste contexto,
igualava os homens legalmente. Assim, a perda do acesso à esfera pública
significava tornar-se desigual e, portanto, não-cidadão. Sem cidadania,
restava ao indivíduo sujeitar-se à esfera privada, status no qual estavam
inseridos a mulher, o escravo e os filhos: todos submetidos ao chefe de
família e à proteção das divindades domésticas.

O Estado, neste período, não tem a mesma similitude com o que se vê hoje,
era mais uma longa manus da família. Como a família era base da
sociedade, o indivíduo via-se totalmente absorvido pela Cidade-estado. Por
esta razão, o ideal grego de cidadão era ser “membro de uma comunidade
política” [10], afastando-se dos assuntos privados. Com efeito, cidadão era
aquele que se debruçava sobre as discussões públicas.

4 A Cidadania na Roma antiga

Um ponto de grande magnitude para entender-se a construção da


cidadania[11] romana é a chegada dos etruscos. Povo oriundo do norte da
Península Itálica, os etruscos foram essenciais para a elaboração do império
que Roma se tornaria, uma vez que os povos submetidos herdariam de seus
dominadores as primeiras instituições e formas de estado. Herança que se
observa facilmente pela bipartição nobreza e população subalterna, o que
em Roma seria conhecido como patrícios e plebeus. Da mesma forma, o
significante papel da mulher na sociedade romana é outro de seus legados.
Diferente da participação feminina nas comunidades gregas, as romanas
tinham uma liberdade pouco comum, que lhe possibilitava assistir aos
espetáculos e aos jogos, participar de banquetes e serem retratadas, com
grande relevo, nas artes[12].

Por muito tempo a cidadania romana foi atributo verdadeiramente restrito


aos patrícios. Entre o período monárquico (753 – 509 a.C.) e o início do
período republicano (509 – 31 a.C.), os cidadãos formavam uma nobreza de
sangue e hereditária, um grupo fechado e inacessível; eram os senhores da
guerra que tinham acesso aos cargos públicos.

A cidadania romana, por esta razão, era atributo dos homens livres. No
entanto, poucos homens livres considerar-se-iam cidadãos. Em Roma, havia
três distintas classes sociais, qual sejam, os patrícios (descendentes dos
povos fundadores), os plebeus (descendentes dos povos itálicos,
estrangeiros) e os escravos (prisioneiros de guerra e aqueles que
alcançavam esta posição por dívida). Havia também os clientes, que eram
homens livres, mas dependentes de um aristocrata. Os clientes tinham uma
relação de fidelidade com um patrício, patrono “[...] a quem deviam serviços
e apoios diversos e de quem recebiam terra e proteção [...]” [13].

Inicialmente, o que distinguia patrícios de plebeus era o fato de que estes,


embora livres, não eram cidadãos. Cidadania era privilégio dos patrícios,
que gozavam de todos os direitos civis, políticos e religiosos. Tamanha
disparidade gerou diversas sublevações e lutas internas. No período
monárquico, esta situação social não passou despercebida pelos monarcas,
que, temerosos do grande poder dos patrícios, viam na plebe um escudo
natural. Assim, Realeza e plebe compartilhavam o mesmo inimigo, o que
fomentou, entre eles, uma aliança silenciosa[14].
Por esta razão, no reinado de Sérvio Túlio, segundo rei etrusco (514 - 510
a. C.), as tradições anunciam as primeiras reformas em favor da plebe.
Destas, é interessante destacar a doação de terras conquistadas, a
promulgação de leis benéficas (estabelecendo um direito comum), a criação
de novas tribos, nas quais as duas ordens estavam misturadas, e o acesso a
um serviço militar mais igualitário. A crescente evolução dos direitos dos
plebeus, todavia, sentiu temporários retrocessos, pois, com o assassinato de
Sérvio e a expulsão de Tarquínio, a realeza, junto com a plebe, foi
vencida[15]. Apenas com a promulgação da Lei das Doze Tábuas, foi-lhe
expressivamente assegurado uma relevante participação política,
alavancada pela expansão militar da então República Romana.

Nesta conjectura, o Direito Romano regulamentava as diferenças entre


cidadão e não-cidadãos. O Direito Civil regulava a vida do cidadão,
enquanto ao estrangeiro se aplicava o Direitos das gentes. A distinção era
simples: considerava-se estrangeiro quem não era cidadão. Não obstante, já
era tendência de Roma, desde o fim da República, estender uma paulatina
cidadania a todos seus súditos[16].

Na construção de um entendimento de cidadania, relevante é o legado


deixado pela experiência romana, principalmente no que toca o conceito de
democracia. Para Funari[17], muitos estudiosos têm entendido que, já nas
últimas décadas do Império, a política de Roma deu-se com um menor
controle aristocrático, de sorte que, a noção de cidadania moderna e de
participação popular, nela já podiam serem vislumbrados. Como não
constatar que muitas instituições romanas voltaram a incorporar-se nos
Estados modernos, como o Senado e a Câmara (antigas assembleias), o voto
secreto e o Fórum? Tudo isso reforça a ideia de que o conceito de cidadania
romano não está tão distante do entendimento moderno como o antigo
Império está de nós cronologicamente.

5 A Cidadania na Idade Média

Sob uma perspectiva social, econômica e política, a Idade Média[18] foi um


período de transformações que levou a uma nova tela organizacional da
sociedade. Houve, durante o processo de formatação do feudalismo,
inúmeras mudanças quanto ao saber e à política, sem as quais não seria
possível observar um contexto em que se constata uma cidadania peculiar.

Com a crise de Roma, principalmente pela escassez das guerras, que lhes
possibilitavam arrecadação do espólio (no qual estavam inseridos os
escravos), ocorreu a diminuição da mão-de-obra, e, por conta disso, a queda
da produção. Nesta conjectura, era preciso que o Estado criasse estratégias
outras para sobreviver, e, assim o fez, ao adotar o regime de Colonato[19].
Neste sistema, a terra era divida em reserva senhorial e em lotes dos
camponeses. Estes, ao receberem os lotes, tinham a obrigação de transferir
parte do que produzissem e de trabalhar, sem remuneração, na reserva
senhorial. Com efeito, houve a mudança da forma trabalho. A escravidão da
Antiguidade Clássica deu lentamente lugar à servidão.

Os povos germanos, por sua vez, sem Estado e cidades, mas com vínculo
estreitado na família e na tribo, estabelecia com o Imperador, inicialmente,
um contrato, com o fim de diminuir, para o Estado, o investimento em
defesa. Neste ajuste, o Estado concedia terras e, em contraprestação, os
novos proprietários tinham que as defender, fornecendo soldados. Desta
forma, e pela constate ruralização do Império, ocorreu o processo de
“privatização da defesa”.

Assim, com a fragmentação do mundo antigo, vemos estas alterações


abissais nas estruturas sociais. A Idade Média é marcada por ser
socialmente estamental e hierarquizada, assim como o mundo antigo, em
certa altura, mas com classes sociais distintas e bem definidas,
principalmente no fim do século IX ou no início do século X, no qual se
registra Nobreza, Igreja e servos, estruturando a sociedade, como regra.

O Estado Medieval, neste contexto, era figurativo e descentralizado. Os


senhores feudais exerciam funções estatais, como legislar, julgar, cobrar
tributos e formar exército. Não é inapropriado registrar que um Feudo
aproximava-se da ideia que se tinha de Estado[20], e, muitos vezes, em sua
complexidade, rivalizava-se com o Estado formal ou que nele se
transformava.

Se, por um lado, havia o fracionamento do poder, por outro, existia uma
aspiração à unidade. Para Dallari[21], o cristianismo torna-se “a base da
aspiração à universalidade”. A unidade da Igreja[22] se afirmava como um
farol num mundo sem unidade política. Com efeito, propagou-se a ideia de
que os cristãos deveriam se unir em uma só “sociedade política”, sem
distinção de origem. Objetivava-se criar um “Estado Universal”. Não é por
acaso que o Papa Leão III conferiu a Carlos Magno, em 800 d. C, o título de
Imperador e Augusto, o imperador dos romanos.

Essa temporária centralização do poder na Idade Média foi uma variável na


lógica de sua equação histórica. Fatores diversos perturbariam sua
estrutura, como os múltiplos centros de poder vigentes e a insubordinação,
não rara, do Imperador ou dos futuros imperadores, quando os interesses se
atritavam ou quando havia pretensões de interferência nos assuntos
eclesiásticos.

O que se pode constatar com clareza, na análise do Estado Medieval, é a


influência do feudalismo. Seus vários institutos, assim como a vida social,
estavam subordinados à propriedade e à posse da terra, fazendo com que
houvesse uma confusão do que fosse público e privado. A vassalagem, o
benefício (beneficium-feudum) e a imunidade contribuíram para que o
Feudo alcançasse uma ordem jurídica própria, mesmo porque “[...] os
próprios agentes do poder público, ligando o exercício de suas funções à
propriedade ou à posse da terra, afirmavam a independência em relação a
qualquer autoridade maior [...]” [23].

Com tudo isso, ulula a questão de conseguirmos identificar e analisar a


cidadania neste contexto histórico. Poderíamos afirmar que a
hierarquização das estruturas em classes sociais fez minguar o princípio da
cidadania? Seria precipitado entendê-lo inexistente. Evidente que, na
sociedade medieval, o status era o que possibilitava a distinção de classes,
assim como se tornava a “medida de desigualdade”. Desta forma, por não
haver um “código uniforme de direitos e deveres” que regulasse a
participação na sociedade de todas as pessoas, sejam elas nobres, plebeus,
livres e servos, inexistia, por conseqüência, um princípio de igualdade, que
se contrastaria com a desigualdade de classes[24]. Seria igual à ausência de
um facho de luz, que permitiria visualizar os contornos em um ambiente
escuro.

Por esta razão, a sociedade na Idade Média, sem perspectiva de mobilidade


social, foi cenário de inúmeras revoltas sociais[25]. Entre as vicissitudes
enfrentadas pelos servos havia a iusprimaenoctis, pela qual a camponesa
era obrigada, ao casar, a dispor de sua virgindade, na noite de núpcias, ao
seu senhor ou ao seu capataz. Neste estado, o nascimento das cidades veio
como sinônimo de libertação.

O servo, então, evadia-se do feudo e penetrava nos muros da cidade. Isso


ocorreu principalmente na Baixa Idade Média (entre os séculos XII e XV)
por causa da autonomia de certas cidades, o que as transformou em lugares
sem igual para a prática da liberdade. Desta forma, o burgo[26]projeta-se
como a polis da antiguidade clássica[27], e o burguês como a representação
do cidadão, sendo a cidade o seu ambiente apropriado[28]. Algumas cidades
da península itálica, a partir do século XI, não coincidentemente, tinham
uma vida política muito próxima das antigas Cidases-estado, da mesma
região, e com iguais características quanto à sua concepção de cidadania.
Apenas o grupo que detinha direitos políticos, uma minoria burguesa, era
entendido como cidadão[29].

6 A cidadania na Idade Moderna

A decadência e o fim do feudalismo vieram naturalmente com a formação


dos Estados Nacionais. A sociedade, embora ainda organizada em nobreza,
clero e povo, vê o poder retornar às mãos do rei e o nascimento do Estado
unitário ou centralizador[30].

Os séculos que pintaram esse cenário descrevem a expansão do capitalismo


e a necessária redefinição de uma tela institucional que se moldasse ao
novo modo de produção. Assim ocorreu, principalmente, quando o “povo”,
como fizera na Roma monárquica, viu, na figura do rei, a unidade política
necessária para, num processo inverso, minasse os centros menores de
poder, o poder feudal, que lhes subtraíam os direitos mais elementares.
Para tanto, não bastava apenas a fuga do feudo ou o investimento em defesa
das cidades fortalezas que começavam a povoar a Europa, era também
necessário que se pensasse o Estado, a Sociedade e o Povo por outros
prismas e se redescobrisse conceitos clássicos que dormitaram ao longo dos
séculos, amortecidos por uma conjectura histórica, social e cultural
desfavorável.

Com efeito, passa a ser natural questionar as contradições e as distorções


que sustentavam os privilégios que a nobreza e o clero insistiam em manter,
pois a burguesia, ainda inserida na ideia de uma classe amalgamada ao
povo, não mais se contentava com o Estado Absolutista[31]; aspirava
horizontes menos restritivos, mares nunca d’antes navegados. Houve, por
isto, fortalecimento de uma cidadania essencialmente mais próxima da
experiência clássica, uma vez que a igualdade e a liberdade tornaram-se
seus princípios basilares.

Os regimes absolutistas estabeleciam que os direitos dos indivíduos eram


outorgados por dádiva dos soberanos, em razão do direito divino. O Estado
Hobbesiano, o Leviatã, nasce como uma solução para evitar anarquia social:
o homem é lobo do homem. Desta forma, o jusnaturalismo aparece com
importância fundamental no fornecimento da base jurídica às grandes
revoluções burguesas. Antes do Estado, havia um estado de natureza onde
havia liberdade e igualdade. Os indivíduos decidem livremente, por contrato
social, instituir o Estado, que passa a representar a vontade de todos, assim
como bem comum, pela ótica de Rousseau.

Esse ânimo de mudança se deu com o retorno do ideal republicano do


mundo clássico. O Renascimento permitiu a construção das bases para o
nascimento da moderna cidadania, em pleno século XVIII, enquanto se
deflagrava as Revoluções Estadunidense, de 1776, e Francesa, de 1789. A
incompatibilidade entre a monarquia absoluta e a cidadania (de inspiração
greco-romana e sua liberdade civil), obriga os pensadores modernos a
redefinir o que seja sua própria cidadania[32].

Não por acaso, Rousseau idealiza a transferência da soberania para as mãos


do povo. O monarca não poderia ser mais confundido com o Estado. No seu
contrato social, não há espaço para a democracia indireta, pois a soberania
é a vontade geral, que é a vontade do povo, e esta vontade não se
representa. Na República Moderna os direitos civis são direitos naturais,
razão porque são sagrados e de todos. Uma singela leitura da Declaração
dos Direitos do Homem da Revolução Francesa basta para se constatar os
direitos conquistados, como a igualdade e o direito de propriedade, que é
pilar também para a economia moderna de mercado.

O embate no processo de repensar o mundo trouxe consequências que nos


levam à atual forma de se pensar o Direito Civil, assim como centraliza o
debate sobre os direitos políticos ou de quem os possui e os exerce. Analisar
a cidadania, neste panorama, é constatar que emerge um traço de
diferenciação entre povo e burguesia, agora não mais englobados. Na luta
pelos direitos, observa-se aqui que, principalmente os políticos, prevalecem
os interesses dos noveauriche (burgueses).

O esforço teórico do iluminismo é facilmente explicado tendo em vista o


pensamento político contextualizado, influenciando, como foi dito, as
grandes revoluções da época. Não por acaso, a sociedade ideal no Estado
liberal demonstra desigualdades sociais doravante abissais. A combalida
cidadania da Idade Média adentra a Idade Moderna com uma roupagem
nova, mas com o mesmo tecido. Adquirir a cidadania não mais estava
fincada na ideia de pertencer à comunidade, como na Grécia antiga, sua
concessão significava que o exercício dos direitos “[...] não está ao alcance
de todos que os possuem”[33].

Dessa forma, a diferenciação das classes é o elemento formatador da


amplitude dessa cidadania, limitando ou não os direitos do cidadão. Esta
peculiar situação cidadã, quanto a sua evolução histórica, conduzirá autores
do materialismo histórico, pensadores liberais do “século das luzes” e até
mesmo pesquisadores atuais à problemática central das limitações que são
sua prática no presente.

7 Considerações Finais

Por tudo já explanado, reconhece-se o caráter evolutivo da cidadania, de


modo que, a depender da época e da sociedade na qual é estudada, abriga
ela traços particulares. Isso, por outro lado, evidencia a importância do
presente artigo, uma vez que se incumbe de demonstrar as nuances cidadãs
nos mais diversos contextos.

Nesses termos, ao fim do trabalho em tela, pode-se efetivar as seguintes


constatações nucleares:

- entende-se, inicialmente, que a gênese da acepção da cidadania, teve


início com a civilização hebraica, quando esta concebe um deus, que,
através dos profetas, estabelecia limites ao poder estatal e se preocupava
com a sorte de seu povo;

- a civilização grega, por sua vez, possibilitou visualizar uma cidadania que
estava restrita à ideia de comunidade. O cidadão era tão-somente o membro
masculino da comunidade, que, por suas peculiaridades, podia se debruçar
sobre as discussões públicas e gerir a polis;

- no que diz respeito à civilização romana, nos moldes aqui visualizados,


pode-se afirmar que não estava tão distante da grega em muitos aspectos,
pois somente poucos eram entendidos cidadãos, durante quase toda sua
existência. A sua importância encontrava-se em seus institutos, que foram
resgatados na atualidade, e que, no estágio final da história romana,
mostravam-se muito próximos daqueles hoje vigentes;

- durante a Idade Média, observa-se que a cidadania mostra-se muito


combalida, para não dizer inexistente. A cidadania medieval só é de fácil
visualização quando o feudalismo se vê em decadência e há a formação dos
burgos;

- Na Idade Moderna, por fim, ao revés, a cidadania encontra ares mais


saudáveis, principalmente com a redescoberta dos conceitos das
civilizações clássicas. Nesse período, a cidadania se veste de uma roupagem
visivelmente liberal.
No mais, destaca-se que o estudo panorâmico da cidadania, nos mais
diversos momentos históricos, efetivado neste artigo, viabilizou a sua
compreensão como um aspecto mutante e suscetível ao processo de
evolução. Tal realidade diverge de posicionamentos doutrinários
equivocados que tendem a limitar a dimensão da cidadania a um valor
estático, permanente e objetivo.

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Janeiro: Forense, 2003.

Notas:

[1] PINSKY, Jaime. Os Profetas Sociais e o Deus da Cidadania. In: _______


(org.). História da Cidadania. São Paulo: Contexto, 2003, p.15.
[2] PINSKY, Jaime. Os Profetas Sociais e o Deus da Cidadania. In: _______
(org.). História da Cidadania. São Paulo: Contexto, 2003, p.17.

[3]GUARINELLO, Norberto Luiz. Cidade-estado na Antiguidade Clássica. In:


PINSKY, Jaime, PINSKY, Carla Bassanezi (org). História da Cidadania. 2.ed.
São Paulo: Contexto, 2003, p. 29

[4] Ibidem, p.33

[5] GUARINELLO, Norberto Luiz. Cidade-estado na Antiguidade Clássica.


In: PINSKY, Jaime, PINSKY, Carla Bassanezi (org). História da Cidadania.
2.ed. São Paulo: Contexto, 2003, p. 34

[6] “Dos cerca de 400.000 habitantes de Atenas, 250.000 eram escravos,


afirma WillDurant, numa demonstração de que o grego eupátrida entendia o
trabalho braçal como não digno do homem e, ao oposto da Mesopotâmia, a
mão-de-obra escrava, aqui, possuía papel relevante, ao menos no tocante à
quantidade”. PEDROSA, Ronaldo Leite. Direito em História. 6 ed. Rio de
Janeiro: LumenJuris, 2010, p.105.

[7] GUARINELLO, Norberto Luiz, op. cit., p. 33-35.

[8] GUARINELLO, Norberto Luiz. Cidade-estado na Antiguidade Clássica.


In: PINSKY, Jaime, PINSKY, Carla Bassanezi (org). História da Cidadania.
2.ed. São Paulo: Contexto, 2003, p.25.

[9] QUINTÃO, S. M. L. Teoria do Estado. 1. ed. Belo Horizonte: DelRey,


2001, p.232

[10] CORTINA, Adela. Cidadãos do Mundo: para uma teoria da cidadania.


São Paulo: Edições Loyola, 2005, p. 34.

[11] “Em latim, a palavra civis gerou civitas, ‘cidadania’, ‘cidade’, ‘Estado’.
Cidadania é uma abstração derivada da junção dos cidadãos e, para os
romanos, cidadania, cidade e Estado constituem um único conceito – e só
pode haver esse coletivo se houver, antes cidadãos. Civis é o ser humano
livre e, por isso, civitas carrega a noção de liberdade em seu centro. Cícero,
pensador do final da República romana, afirmava no século I a. C. que
‘recebemos de nossos pais a vida, o patrimônio, a liberdade, a cidadania’. A
descrição daquilo que os pais nos deixam, segundo o estadista romano, é
cronológica mas também acumulativa. Recebemos a vida ao nascer; em
seguida, a herança, na forma de nossa educação quando crianças, o que nos
permite alcançar a liberdade individual e coletiva na vida adulta. Se para os
gregos havia primeiro a cidade, polis, é só depois o cidadão, polites, para os
romanos era conjunto de cidadãos de formava a coletividade. Se para o
grego havia a cidade e Estado, politea, para os romanos a cidadania, civitas,
englobava cidade e Estado”. FUNARI, Pedro Paulo. A Cidadania entre os
Romanos. In: PINSKY, Jaime, PINSKY, Carla Bassanezi (org.). História da
Cidadania. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2003, p. 50.

[12] Ibidem, p. 50

[13] Ibidem, p. 50

[14] COULANGE, Numa DenysFustelde. A Cidade Antiga. São Paulo:


Editora das Américas, 1961. 2v .p. 75.

[15] COULANGE, Numa DenysFustelde. A Cidade Antiga. São Paulo:


Editora das Américas, 1961. 2v .p. 77-79

[16] Assim ocorreu com a promulgação da LexIulia, em 90 a C, que


concedeu cidadania aos habitantes de Latium; da LexPlautiaPapiria, que a
concedeu aos aliados de Roma; e da LexRoscia, que, em 49 a. C, fez o
mesmo aos habitantes da Gália Transpadana. BERNADES, W. L.M. Da
nacionalidade: Brasileiros natos e naturalizados. Belo Horizonte: DelRey,
1995, p. 27.

[17] FUNARI, Pedro Paulo. A Cidadania entre os Romanos. In: PINSKY,


Jaime, PINSKY, Carla Bassanezi (org.). História da Cidadania, 2. ed. São
Paulo: Contexto, 2003, p. 50

[18] Estende-se a Idade Média da queda do Império Romano do Ocidente


(476 d. C) até a tomada de Constantinopla pelos Turcos Otomanos (1.453 d.
C). Este período histórico se subclassifica em Alta e Baixa Idade Média.
Enquanto a primeira se caracteriza por desconstruir e reconstruir o mundo
então conhecido, em razão das inúmeras invasões, principalmente de tribos
germânicas, a segunda pela integração do mundo novo com o velho e
consolidação das instituições que lhes passaram a ser conhecidas. CASTRO,
Lages de. História do Direito Geral e Brasil. 6. ed. Rio de Janeiro:
LumenJuris, 2008, p. 119-120.

[19] “[...] questão de mão-de-obra rural foi solucionada por um regime de


tripla origem, que atendia ao interesse dos proprietários em ter mais
trabalhadores, aos interesses do Estado em garantir suas rendas fiscais e ao
interesse dos mais humildes por segurança e estabilidade. Desse encontro
nasceu a importante instituição do Colonato”. FRANCO JUNIOR, Hilário. O
Feudalismo. 4. ed. São Paulo: Brasiliense, 1986, p.11.

[20] O Estado não está aqui relacionado à sua acepção moderna, mas à “[...]
ordem política da Sociedade[...]” que “[...] é conhecido desde antigüidade
aos nossos dias”. BONAVIDES, Paulo. Ciência Política. 10. ed. São Paulo:
Malheiros Editores, 2003, p. 62.

[21] DALARI, Dalmo de Abreu. Elementos da Teoria Geral do Estado. 2. ed.


São Paulo: Saraiva, 1998, p. 28-29.

[22] Curiosamente, podemos chegar à conclusão inversa quanto à


construção de um Estado cristão. Agostinho (354-430), no entendimento de
Quintão, expôs, em Civitate Dei, um anarquismo cristão. O Estado, que teria
valor em servir a Igreja, deixaria de existir, dando lugar a Civitas Dei.
QUINTÃO, S. M. L. Teoria do Estado. 1. ed. Belo Horizonte: DelRey, 2001,
p.232

[23]DALARI, Dalmo de Abreu. Elementos da Teoria Geral do Estado. 2. ed.


São Paulo: Saraiva, 1998, p. 29.

[24] MARSHALL, T. H. Cidadania, Classe Social e Status. Rio de Janeiro:


Zahar Editores, 1967, p.64.

[25] “[...] os camponeses oprimidos tentaram quebrar os grilhões do


feudalismo assassinando os seus senhores, violando suas mulheres. A de
1358 foi seguramente a mais sangrenta das revoltas sociais do século XIV”.
LOYON, H.R.. Dicionário da Idade Média. Rio de Janeiro: Jorge Zahar
Editor, 1997, p. 6.

[26] “O nome em inglês arcaico para um forte, burh, passou gradualmente a


significar um burgo (borough = cidade pequena e cercada de muralhas de
defesa)”. Ibidem, p. 193.

[27] Muitas das cidades medievais surgiram das ruínas de cidades romanas,
uma vez que a Igreja Católica absorveu algumas instituições do antigo
império e lá manteve alguma vida urbana, o que simbolicamente demonstra
que a cidadania, até então, andou entrelaçado com o complexo ambiente
urbano, não com os feudos.

[28] MOISÉS, José Álvaro. Cidadania, Confiança e Instituições


Democráticas. Revista de Cultura e Política, São Paulo: Lua Nova, v. 65, p.
71-94, 2005.
[29] COMPARATO, Fábio Konder. A nova cidadania, Revista CEDEC, nº
28/29, São Paulo: Lua Nova, p. 87-88, 1993.

[30] “Corresponde esse momento centralizador à plena afirmação do Estado


como organização do poder. Todo um sistema de autoridade
manifestamente absoluta assinala essa fase inicial e preparatória, cujo
unitarismo se define mercê de um centro de direção histórica, posto no
poder da realeza absoluta, tendo por sustentáculo legitimador a doutrina
coerente da soberania”. BONAVIDES, Paulo. Ciência Política. 10 ed. São
Paulo: Malheiros Editores, 2003.

[31] “O rei era o Estado. O Estado, intervencionista. O intervencionismo


fora um bem e uma necessidade, mas de súbito aparecerá transfeito num
fantasma que o príncipe em delírio de absolutismo poderia improvisamente
soltar, enfreando o desenvolvimento de uma economia já consolidada, de
um sistema, como o da economia capitalista, que, àquela altura, antes de
mais nada demandava o máximo de liberdade para alcançar o máximo de
expansão[...]”. BONAVIDES, Paulo. Ciência Política. 10. ed. São Paulo:
Malheiros Editores, 2003.

[32] VIEIRA, Liszt. Cidadania e Globalização. 4. ed. Rio de Janeiro: Record,


2000, p.28-29.

[33] BARBALET, J. M. A Cidadania. Lisboa: Editorial Estampa, 1989, p.13.

Informações Sobre o Autor

Álvaro de Azevedo Alves Brito

Advogado. Escritor. Especialista em Direito do Estado pelo Jus Podivm


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Informações Bibliográficas

BRITO, Álvaro de Azevedo Alves. Breves reflexões sobre a História Geral da


Cidadania. In: Âmbito Jurídico, Rio Grande, XIV, n. 94, nov 2011. Disponível
em: <http://www.ambito-juridico.com.br/site/index.php?
n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=10686>. Acesso em mar 2014.

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BRITO, Álvaro de Azevedo Alves. Breves reflexões sobre a História Geral da


Cidadania. In: Âmbito Jurídico, Rio Grande, XIV, n. 94, nov 2011. Disponível
em: <http://www.ambito-juridico.com.br/site/index.php?
n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=10686>. Acesso em mar 2014.

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Apoio Cultural
Apoio Cultural

Manifestação é uma forma de acção de um conjunto de pessoas em favor de


uma causa ou em protesto contra algo. As manifestações são uma forma de
activismo , e habitualmente consistem numa concentração ou passeata, em
geral com cartazes e com palavras de ordem contra ou a favor de algo ou
alguém.

As manifestações têm o objectivo de demonstrar (em geral ao poder


instalado) o descontentamento com relação a algo ou o apoio a
determinadas iniciativas de interesse público. É habitual que se atribua a
uma manifestação um êxito tanto maior quanto maior o número de pessoas
participantes. Os tópicos das manifestações são em geral do âmbito
político , económico , e social .

Formas de manifestar

Existem vários tipos de manifestações, incluindo uma variedade de


elementos, incluindo:

Marchas - manifestação em forma de marcha em direção a determinado


local associado às reivindicações ou ao protesto dos manifestantes.

Piquete - manifestantes bloqueiam o acesso a um local específico ou a uma


via pública.

Protesto sentado - pessoas sentam-se no chão, ocupando determinado área.


Protesto nu - manifestantes marcham sem roupas

Ver também[editar | editar código-fonte ]

Protesto

Ordem Pública é a situação e o estado de legalidade normal, em que as


autoridades exercem suas precípuas atribuições e os cidadãos as respeitam
e acatam.1 2

Muitos juristas, entretanto, observam que a expressão ordem pública tem


definição vaga e ampla, e varia no tempo e no espaço, sendo mais fácil a sua
percepção na vida social. Constituir-se-ia assim pelas condições mínimas
necessárias a uma conveniente vida social, a saber: segurança pública ,
salubridade pública e tranqüilidade pública.3 É consenso, pois, que a
ordem pública se materializa pelo convívio social pacífico e harmônico,
pautado pelo interesse público, pela estabilidade das instituições e pela
observância dos direitos individuais e coletivos.4

Do ponto de vista formal, a ordem pública é o conjunto de valores,


princípios e normas que se pretende sejam observados em uma sociedade.
Do ponto de vista material, ordem pública é a situação de fato ocorrente em
uma sociedade, resultante da disposição harmônica dos elementos que nela
interagem, de modo a permitir um funcionamento regular e estável, que
garanta a liberdade de todos.5

A ordem pública seria, assim, conseqüência da ordem jurídica ou do


conjunto de regras formais, que emanam do ordenamento jurídico da
nação . Dessa foma, o conceito de ordem pública reflete os valores
dominantes e a cultura jurídica vigente em determinada época - a
Constituição, a noção de interesse social e dos direitos basilares de uma
coletividade.6

A concretização e a delimitação do conteúdo da ordem pública constitui


tarefa exclusiva das Cortes nacionais, salvo raras exceções em que o
próprio legislador se encarrega de conformá-la.7

São normas de ordem pública as constitucionais, as processuais, as


administrativas, as penais, as de organização judiciária, as fiscais, as de
polícia, as que protegem os incapazes, as que tratam de organização de
família, as que estabelecem condições e formalidades para certos atos e as
de organização econômica.8
O artigo 29, 2° da Declaração Universal dos Direitos Humanos afirma que
No exercício destes direitos e no gozo destas liberdades ninguém está
sujeito senão às limitações estabelecidas pela lei com vista exclusivamente
a promover o reconhecimento e o respeito dos direitos e liberdades dos
outros e a fim de satisfazer as justas exigências da moral, da ordem pública
e do bem-estar numa sociedade democrática.9

Numa democracia , a preservação da ordem pública deve, portanto,


realizar-se dentro do ordenamento jurídico e pelos Poderes de Estado , de
forma integrada e harmoniosa de modo a garantir os direitos e interesses de
uma nação livre e soberana.

Preservação da ordem pública[editar | editar código-fonte ]

Por preservação da ordem pública se entende a manutenção da ordem do


Estado e do bem social, através de açõescoativasobjetivando coibir as
ameaças à convivência pacífica em sociedade. Estas açõescoativas estão
presentes em instrumentos judiciais, policiais, prisionais e promotorias
públicas .

A segurança pública é a garantia que o Estado proporciona de preservação


da ordem pública diante de toda espécie violação que não contenha
conotação ideológica. É o conjunto de processos políticos e jurídicos,
destinados a garantir a ordem pública na convivência de homens em
sociedade. Trata-se de função pertinente aos órgãos estatais e à
comunidade como um todo, realizada com o fito de proteger a cidadania ,
prevenindo e controlando manifestações de criminalidade e violência ,
efetivas ou potenciais, bem como garantindo o exercício pleno da cidadania
nos limites da lei .

O regulamento para as Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares


do Brasil, aprovado pelo Decreto n. 88.777/1983, conceitua ordem pública
como sendo o conjunto de regras formais, que emanam do ordenamento
jurídico da Nação, tendo por escopo regular as relações sociais de todos os
níveis no interesse público, estabelecendo um clima de convivência
harmoniosa e pacífica, fiscalizado pelo poder de polícia , e constituindo uma
situação ou condição que conduza ao bem comum .10

Referências

Ir para cima ↑ FURTADO, Paulo, etalii. Lei da Arbitragem Comentada. São


Paulo: Saraiva, 1997, p. 132.
Ir para cima ↑ PLÁCIDO E SILVA, Oscar Joseph De. Vocabulário Jurídico,
Vols. IV, p. 291.]

Ir para cima ↑ LAZZARINI, Álvaro. Estudos de direito administrativo. 2. ed.


São Paulo: Revista dos Tribunais, 1999 p. 52

Ir para cima ↑ KNABBEN, Flávio. Poder de polícia: uma análise sobre


fiscalização de alvarás em estabelecimentos de jogos e diversões públicas.
Florianópolis: Universidade do Sul deSanta Catarina, 2006.

Ir para cima ↑ Polícia de Manutenção da Ordem Pública e a Justiça, por


Álvaro Lazzarini; Polícia de Manutenção da Ordem Pública e suas
atribuições, por Hely Lopes Meirelles. In Direito Administrativo da Ordem
Pública, Forense, Rio de Janeiro, p. 13 e p. 156/157.

Ir para cima ↑ A complexidade da Ordem Pública entre outras culturas , por


Brunela Vieira De Vincenzi e César Rossi Machado

Ir para cima ↑ Conceito de ordem pública e sua aplicação quando da


homologação de sentença arbitral estrangeira, por Mario Luiz EliaJunior.

Ir para cima ↑ SEC 802/US, Rel. Ministro José Delgado, apud De Vincenzi e
Machado.

Ir para cima ↑ TARANTA, Ângela. Conceito de ordem pública bons


costumes nos contatos. Verbo Jurídico. Junho de 2008

Ir para cima ↑ A Polícia Rodovária Federal e o poder de polícia , por


Leandro Andrade do Nascimento.

Segurança Pública é um processo, ou seja, uma sequência contínua de fatos


ou operações que apresentam certa unidade ou que se reproduzem com
certa regularidade, que compartilha uma visão focada em componentes
preventivos, repressivos, judiciais , saúde e sociais . É um processo
sistêmico, pela necessidade da integração de um conjunto de
conhecimentos e ferramentas estatais que devem interagir a mesma visão,
compromissos e objetivos. Deve ser também otimizado, pois dependem de
decisões rápidas, medidas saneadoras e resultados imediatos. Sendo a
ordem pública um estado de serenidade, apaziguamento e tranquilidade
pública, em consonância com as leis , os preceitos e os costumes que
regulam a convivência em sociedade , a preservação deste direito do
cidadão só será amplo se o conceito de segurança pública for aplicado.
A segurança pública não pode ser tratada apenas como medidas de
vigilância e repressiva , mas como um sistema integrado e otimizado
envolvendo instrumento de prevenção, coação, justiça , defesa dos direitos,
saúde e social. O processo de segurança pública se inicia pela prevenção e
finda na reparação do dano, no tratamento das causas e na reinclusão na
sociedade do autor do ilícito.

Fachada da Secretaria de Segurança Pública em Feira de Santana , Bahia ,


Brasil .

Índice

[esconder ]

1 Conselhos Comunitários de Segurança

2 Ver também

3 Ligações externas

4 Notas e referências

Conselhos Comunitários de Segurança

Conselhos Comunitários de Segurança (CONSEG) são instituições jurídicas


de direito privado sem fins lucrativos com o objetivo principal de organizar
as comunidades e fazê-las interagir com as polícias estaduais (Polícia Civil ,
Polícia Militar e Polícia Científica ), e se vinculam, por adesão, às diretrizes
emanadas da Secretaria da Segurança Pública, por intermédio do
Coordenador Estadual e pelo Conselho Permanente para Assuntos dos
Conselhos Comunitários de Segurança.1

Um Conselho Comunitário de Segurança não é um conselho formado por


pessoas que cuidarão da segurança pública como se fossem policiais.
Também não se trata de um conselho no qual pessoas irão se reunir para
identificar traficantes e outros criminosos e dedurá-los para a polícia. O
principal objetivo dos CONSEG’s é a prevenção, e para prevenir é preciso
identificar problemas e controlar fatores de risco de múltiplas origens. Para
isso é necessário integrar e organizar as populações das comunidades,
desenvolver ações de fortalecimento comunitário e iniciativas de cultura e
formação para a prevenção de maneira a que, através da união e interação
de seus membros (diretoria, membros natos e comunidade), como também
com o Estado e a Prefeitura (seus órgãos, departamentos e setores
públicos competentes envolvidos direta ou indiretamente com a segurança
pública), seja possível a existência (introdução e a manutenção) de sistemas
de segurança comunitários preventivos que contribuam para a melhoria da
qualidade de vida das pessoas.

A participação em um CONSEG compete a todo cidadão que assume a sua


parcela na responsabilidade de buscar ativamente soluções para os
problemas de segurança pública e esteja disposto a colaborar com o bem-
estar da comunidade da qual faz parte.

Objetivos das reuniões mensais do CONSEG

Discutir e analisar os problemas comunitários identificados, existentes,


relacionados à segurança;

Planejar ações e buscar a viabilização de alternativas de solução preventiva


com vistas ao tratamento dos problemas de segurança detectados;

Acompanhar e monitorar a evolução das medidas preventivas


implementadas;

Desenvolver campanhas educativas;

E estreitar laços de entendimento e cooperação comunitária.

Ver também[editar | editar código-fonte ]

terça-feira, Maio 03, 2011


Agentes da ordem e segurança pública ou da desordem e insegurança
pública?

O Jornal @Veradede publicou um artigo aqui sobre “tentativa” de violação


sexual a uma jovem, detectada por um repóter fotógrafo e uma atitude
duvidosa de diversos agentes da corporação na 1ª esquadra e comando da
Cidade de Maputo a quem o repórter denunciou. Eis o artigo:

Agentes da PRM surpreendidos numa violação "roubam" material


fotográfico

Repórter fotográfico surpreende agentes da Policia da Republica de


Mocambique a violarem uma jovem mas tem o seu equipamento fotográfico
"roubado" pelos agentes.

Domingo 1 de Maio de 2011, cerca das 12 horas o reporter fotográfico do


jornal @Verdade de regressava da cobertura do desfile do Dia do
Trabalhador, decorrido na praça dos trabalhadores na baixa da cidade de
Maputo. A pé o jovem Miguel caminhou pela avenida 25 de Setembro para
subir as barreiras em direcção a zona do Museu da História Natural.

Enquanto caminhava no fim da rua onde se situa o novo edifício da


Vodacom o fotografo repara em dois agentes da Policia da Republica de
Mocambique (PRM) que caminhavam alguns metros a sua frente
acompanhados por uma moca que aparentava 25 anos. Repentinamente os
agentes saem da estrada e entram para a zona dos arbustos onde existe
uma pequena construção. Quando se aproxima do local o fotografo
apercebe-se que algo de anormal se estava a passar e aponta a câmera e
começa a fotografar: dois agentes da PRM que tentam violar a jovem.

Porém o fotografo não se apercebe de um terceiro agente da PRM que


caminhava atras de si e, vendo-o a fotografar os outros agentes, vem na sua
direcção e obriga-lhe a parar de fotografar e avisa os companheiros que
param a tentativa de violação.
Imediatamente o fotografo começa a ser intimidado a entregar a máquina
fotográfica ao que ele se recusa. Mas olhando em redor e não vendo vivalma
o fotógrafo sente-se ameaçado e negocia com os policias a possibilidade de
apagar as imagens que acabara de fazer. Os policiais não aceitam e exigem
o cartão de memória da máquina fotográfica. Muito assustado o fotografo
acaba por entregar o cartão de memória.

Os agentes, que nao traziam identificação mas traziam armas, já na posse


do cartão mandam o fotografo dirigir-se a 1ª esquadra para recuparar o
cartão de memória mas que deve ter cuidado com o que vai dizer e obrigam-
no a abandonar o local imediatamente.

Miguel dirige-se a 1ª esquadra onde conta o sucedido porém como os


policias não traziam identificação não pôde indicar os seus nomes.

O oficial de serviço na 1ª esquadra, também sem identificação, sugere que o


fotografo dirija-se ao comando da cidade pois seria pouco provável que os
policias que ficaram com o seu cartão fossem daquela esquadra. O fotografo
vai ao comando onde é recebido no exterior por quatro agentes, que
também não tinham identificação, e que dizem-lhe que o comando esta
fechado, ninguém estará lá até terça-feira.

O fotograforergressa a 1ª esquadra para registar queixa do sucedido.


Entretanto os seus colegas de Miguel já estão com ele na esquadra e o
tratamento dos oficiais, que inicialmente era de tentar ignorar a queixa e
levar mesmo o fotógrafo a desisitir pelo cansaço de apresenta-la, passa a
ser de maior cooperação chegando mesmo o inspector a convocar os
agentes que neste dia estavam de serviço para que Miguel, e os seus
colegas do Jornal, tivessem certeza que o crime por ele testemunhado não
fôra cometido por agentes da 1ª esquadra.
Registada a queixa agora Miguel irá ao Comando da PRM da cidade de
Maputo, na terça-feira, pois pelos vistos as autoridades policiais também
gozam o feriado. Entretanto Miguel espera que a sua intervenção tenha
chegado para impedir a violação e talvés a jovem que esteve nas mãos dos
agentes da PRM leia estas linhas e possa apresentar-se e ajudar a
identificar estes violadores que não só não podem continuar nas fileiras da
PRM mas devem ser julgados e condenados pelo seu crime.

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SEGURANÇA PÚBLICA DEVE SER DESAFIO INADIÁVEL - GUEBUZA

15-03-2012 15:58:34

Maputo, 15 Mar (AIM) – O Presidente moçambicano, Armando Guebuza,


disse hoje, em Maputo, que a garantia da lei, ordem e segurança pública é
um desafio a ser superado todos os dias e nunca deve ser adiado.

Falando durante a cerimónia de graduação de oficiais da Polícia da


República de Moçambique (PRM) formados pela Academia de Ciências
Policiais (ACIPOL), Guebuza disse que a sociedade está sedenta de soluções
e não de desculpas.

Segundo Guebuza, que é igualmente Comandante em Chefe das Forças de


Defesa e Segurança, a sociedade não tem a mesma paciência que os
docentes da ACIPOL e não encolhe os ombros quando se lhe apresenta uma
desculpa, por mais plausível que seja.

“Lá fora (na sociedade), quando não se fizerem presentes onde devem estar,
assídua e pontualmente; quando não aplicarem criativa e qualitativamente
os conhecimentos aqui adquiridos; quando sucumbirem à corrupção, se
entregarem à extorsão ou se associarem a criminosos, o que vai ficar adiado
é a garantia da lei, ordem e segurança públicas, um desafio permanente, um
desafio que deve ser superado no quotidiano”, disse.

“Em última análise, minhas senhoras e meus senhores, o que vai ficar
adiado, por causa desse tipo de comportamentos e atitudes profissionais
condenáveis é a materialização do compromisso que esta instituição de
ensino superior tem com a sociedade: o compromisso de traduzir a ciência e
a técnica em condimentos da tranquilidade pública, factor indutor do
desenvolvimento da Nação Moçambicana”, sublinhou.

Ainda na sua intervenção, Guebuza disse que a ACIPOL deve estar atenta às
novas formas de crime resultantes dos efeitos da globalização, fenómeno
que, apesar das suas vantagens, também traz desafios a segurança e
tranquilidade públicas.

Guebuza disse que o crime organizado também se globaliza através das


plataformas tecnológicas e comunicacionais cujo rápido desenvolvimento
está associado a globalização.

“Devemos assegurar que estamos sempre na dianteira deste mal e dos seus
tentáculos, bem como das suas tentativas: de se sofisticar; de identificar as
nossas fragilidades para o seu aproveitamento; e de explorar as facilidades
de circulação de pessoas e bens a nível nacional, regional e internacional”,
disse o estadista moçambicano.

Segundo referiu, como uma instituição de ensino superior deste ramo, a


ACIPOL deve assumir um papel preponderante na busca de novos
paradigmas de análise das novas ameaças difusas com que os seus
estudantes terão que lidar na vida real.

Subordinada ao Ministério do Interior (MINT), a ACIPOL é a única


instituição do Estado vocacionada a formação superior de oficiais da PRM,
nos cursos de Licenciatura em Ciências Policiais e o Executivo (bacharelato)
no mesmo ramo.

Regra geral, o curso de licenciatura é frequentado por jovens recém


graduados no ensino secundário geral, enquanto o executivo destina-se a
agentes da corporação já em serviço. Os finalistas graduados hoje são do
sétimo curso de Licenciatura em Ciências Policiais e do quinto curso
executivo.
De acordo com a instituição, a estrutura dos cursos inclui a formação em
ciências e tecnologias policiais, ciências jurídicas, ciências sociais e de
humanidade, ciências de investigação e estágio.
(AIM)
MM/SN

(AIM)

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