REFORMA PROTESTANTE
UMA ANÁLISE DA REFORMA PROTESTANTE EM SEU ASPECTO
HISTÓRICO E SOCIAL ATRAVÉS DE UMA INVESTIGAÇÃO DAS
CAUSAS, SEUS PRINCÍPAIS PROTAGONISTAS E AS
CONSEQUÊNCIAS DA REFORMA NA SOCIEDADE
Felipe dos Santos Mercadante
RESUMO
Este artigo apresenta uma análise histórica e social da Reforma Protestante, um evento
crucial na história europeia do século XVI que teve profundos impactos na religião, na
política e na cultura. O objetivo deste estudo é investigar as causas, os principais
protagonistas e as consequências da Reforma Protestante, bem como seu legado na sociedade
contemporânea. Para isso, a pesquisa aborda questões-chave, como a crise religiosa e política
do final da Idade Média, as ideias teológicas e reformistas de figuras como Martinho Lutero
e João Calvino, e os efeitos da Reforma nas estruturas sociais e políticas da Europa.
Palavras-chave: Reforma Protestante, Martinho Lutero, João Calvino, Religião, Sociedade.
1. INTRODUÇÃO
A Reforma Protestante, ocorrida no século XVI, foi um movimento de
transformação religiosa que teve profundas repercussões na Europa. Este movimento
resultou na formação de diversas igrejas protestantes nacionais entre 1517 e 1545. A
iniciativa de reformar a Igreja Católica Romana começou com vários reformadores, entre
eles Martinho Lutero, um monge alemão. Lutero se destacou ao fixar suas 95 teses na porta
da Igreja do Castelo de Wittenberg em 1517, criticando principalmente os abusos do sistema
de indulgências. Este ato foi o estopim para uma série de eventos que levariam à criação de
novas denominações cristãs e a uma reconfiguração da paisagem religiosa, política e social
da Europa.
Lutero nasceu em 1483 em Eisleben, Alemanha. Inicialmente estudou teologia
e, após um incidente em 1508, prometeu se tornar monge, entrando para a ordem agostiniana
em Erfurt. Sua busca espiritual o levou a lecionar e estudar teologia, e, em 1511, transferiu-
se para Wittenberg, onde se tornou professor de Bíblia e obteve seu doutorado em teologia.
Em 1517, suas teses denunciaram abusos e práticas corruptas da Igreja Católica, como a
venda de indulgências, que prometiam a remissão dos pecados em troca de dinheiro.
A Reforma Protestante não apenas dividiu o cristianismo ocidental entre
católicos romanos e protestantes, mas também desencadeou mudanças significativas em
diversos aspectos da sociedade europeia. Governantes e a população em geral estavam
descontentes com a corrupção e a luxúria do clero, bem como com a imposição de tributos
e o acúmulo de riquezas pela Igreja. A resposta a essas tensões levou à criação de novas
doutrinas e práticas religiosas, influenciando a política, a economia e a cultura. A Reforma
também deu origem a conflitos religiosos e guerras, além de promover a alfabetização e a
disseminação de ideias através da imprensa.
Entre os líderes da Reforma, além de Lutero, destacaram-se João Calvino na
França e na Holanda, que desenvolveu a doutrina da predestinação, e John Knox na Escócia,
que introduziu o presbiterianismo. Na Inglaterra, a síntese de doutrinas luteranas e
calvinistas resultou na formação da Igreja Anglicana. A Reforma Protestante, portanto, teve
um impacto duradouro e profundo, moldando o desenvolvimento da Europa e influenciando
movimentos
Este artigo visa contribuir para uma compreensão mais profunda e abrangente
da Reforma Protestante e de seu impacto na história e na sociedade ocidental. Ao examinar
as causas, os protagonistas e as consequências desse movimento religioso revolucionário,
esperamos lançar luz sobre questões importantes relacionadas à religião, à política e à
cultura, e promover um diálogo acadêmico mais amplo sobre o legado duradouro da
Reforma Protestante. Religiosos e sociais ao longo dos séculos seguintes.
Este estudo adotará uma abordagem multidisciplinar, integrando métodos
históricos, teológicos e sociológicos para uma compreensão abrangente da Reforma
Protestante. A pesquisa se fundamentará em uma extensa revisão da literatura acadêmica
existente, englobando livros, artigos de periódicos e fontes primárias. A metodologia incluirá
análises críticas de textos e documentos históricos relevantes, permitindo uma interpretação
contextualizada dos eventos e suas implicações. Técnicas de análise sociológica serão
empregadas para entender o impacto social e as dinâmicas comunitárias envolvidas,
proporcionando uma percepção detalhada e holística do fenômeno estudado. Assim, busca-
se uma visão completa que leve em conta não apenas os aspectos teológicos e históricos,
mas também os efeitos sociais e culturais.
2. DESENVOLVIMENTO
2.1 O QUE FOI A REFORMA PROTESTANTE, QUEM DEU ORIGEM
E ONDE FOI QUE COMEÇOU.
De acordo com minhas pesquisas, a Reforma Protestante foi um movimento de
reforma religiosa, que aconteceu na Europa no século XVI, e que resultou na formação de
igrejas protestantes nacionais entre 1517 e 1545. Os reformadores e, muitos outros que
precederam, procuraram frustradamente reformar a Igreja Católica Romana Medieval a
partir de dentro, mas foram forçados a deixar a velha organização, por causa de suas ideias
renovadas. O movimento teve como principal líder Martinho Lutero, um monge alemão, que
por meio de 95 teses fez várias críticas à Igreja Católica e ao Papa.
Martinho Lutero nasceu no dia 10 de novembro de 1483 na pequena cidade de
Eisleben. Depois de um incidente no inverno de 1508 prometeu a Santa Ana que seria
Monge, entrou num mosteiro da ordem agostiniana em Erfurt, em 1507 foi ordenado e
celebrou sua primeira missa. Em 1508 começou a lecionar Teologia por um semestre na
Universidade fundada em Wittenberg em 1502 por Frederico. Seus estudos agora em Erfurt
eram também principalmente teológicos. Tais estudos só fizeram aguçar sua luta interior; ele
encontrou algum auxílio nos conselhos do piedoso Johann Von Staupitz, o vigário geral da
sua ordem, que lhe aconselhou a confiar em Deus e estudar a Bíblia. Em 1511, Lutero foi
transferido para Wittenberg. Durante o ano seguinte, tornou-se professor de Bíblia e recebeu
seu título de doutor em Teologia. Até a sua morte, ele ocupou a posição de professor de
Teologia. Por essa época, também ele celebrava missas no castelo onde descobriria a
justificação pela fé. Foi nessa Universidade que ele e um grupo de professores e alunos
amigos aceitaram a fé que se espalharia por toda a Alemanha. Em 31 de outubro de 1517,
Lutero afixou suas 95 teses na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg. Uma leitura das 95
teses revela que Lutero estava apenas criticando os abusos do sistema de indulgências, na
intenção de reformá-lo. Entretanto, entre 1518 e 1521, ele foi forçado a admitir a ruptura
com o sistema romano como a única alternativa para se chegar a uma reforma que
significasse uma volta ao ideal da Igreja revelado nas Escrituras.
Naquele período, o principal embate acontecia entre a Igreja e Estado
Monárquico. A primeira tese possuía domínio espiritual sobre o povo e detinha um certo
controle administrativo dos reinos, que eram desejados pelos reis.
Como forma de garantir o “direito divino dos reis’, os governantes cobiçavam o
poder espiritual e ideológico pertencentes à Igreja e ao Papa. Além de desejarem cobrar
tributos feudais.
A burguesia também começou a incomodar-se com alguns ideais do catolicismo.
Por exemplo, a usura (empréstimos com juros) era considerado um pecado pela Igreja, que
também era contra o acúmulo de bens e o lucro.
Quem também estava descontente com a Igreja era a população, cansada dos
abusos da Igreja e da sua falta de propósito. Como os mosteiros e bispados ocupavam
grandes terras, em muitos casos os superiores religiosos vivam às custas dos camponeses.
Alguns fatores tornaram inevitável a Reforma. Entre muitos, podemos destacar:
A relutância da Igreja Católica Romana medieval em aceitar as mudanças sugeridas por
reformadores sinceros como os místicos, Wycliffe e Huss, os líderes dos concílios
reformadores e humanistas; o surgimento das nações-estados, que se opuseram ao poderio
universal do papa e a formação da classe média, que se revoltou contra a remessa de reservas
para Roma. Com os olhos presos ao passado, tanto clássico quanto pagão, e indiferente às
forças dinâmicas que estavam formando uma nova sociedade italiana, da qual o papado fazia
parte, adotou uma forma de vida corrupta, sensual e imoral, embora culta e refinada.
O estopim da Reforma Protestante aconteceu em 1517, quando Martinho Lutero
se deparou com o dominicano Tetzel que vendia indulgências em Wittenberg. Resposta, no
dia 31 de outubro, escreveu 95 teses que criticavam a Igreja Católica e Papa, em fixando-os
na porta da Catedral de Wittenberg.
Confira abaixo algumas teses:
16ª – Inferno, purgatório e céu parecem diferir da mesma forma que o desespero,
o semi desespero e a segurança;
20ª – Portanto, sob remissão plena de todas as penas, o papa não entende
simplesmente todas, mas somente aquelas que ele mesmo impôs;
27ª – Pregam futilidades humanas quantos alegam que no momento em que a
moeda soa ao cair na caixa a alma se vai do purgatório;
34ª – Tanto assim que a graça da indulgência apenas se refere à pena
satisfatória estipulada por homens;
36ª – Qualquer cristão verdadeiramente arrependido tem direito à remissão pela
de pena e culpa, mesmo sem carta de indulgência;
75ª – A opinião de que as indulgências papais são tão eficazes ao ponto de
poderem absolver um homem mesmo que tivesse violentado a mãe de Deus, caso isso fosse
possível, é loucura.
A ação de Lutero rapidamente se repercutiu pelos países da Europa e no ano
seguinte, 1518, ele foi acusado de heresia e chamado em Roma. O monge recusou a ordem
papal e manteve suas posições, que também expressavam a opinião de boa parte da
população.
Em 1520, Martinho Lutero recebeu uma “Bula Papal”, que ordenava que se
retratasse ou seria excomungado. Em resposta, ele, juntamente com estudantes e professores
da Universidade de Wittenberg, queimaram a Bula em praça pública.
Lutero teve apoio de Felipe Melanchton, professor da Universidade de
Wittenberg, para consolidação da sua doutrina. Seu amigo, redigiu a “Confissão de
Augsburgo”, em 1530, um documento composto por 21 artigos que defendiam o
protestantismo e indicavam 7 erros da Igreja.
Deste modo, a Reforma Protestante teve como principal resultado a divisão da
Igreja do Ocidente entre católicos romanos e reformados ou protestantes (que originaram o
protestantismo).
Alcançado pelos ideais da Reforma Protestante, a França e a Holanda tiveram
como principal líder João Calvino, que formulou a “doutrina da predestinação”. Para ele, a
salvação não dependia dos fiéis, mas sim de Deus que escolhia as pessoas que deveriam ser
salvas.
A síntese das doutrinas luteranas e calvinistas, com traços da liturgia católica,
transformou a Inglaterra em uma nação oficialmente protestante, nascendo assim a Igreja
Anglicana.
John Knox, discípulo de Calvino, introduziu o protestantismo na Escócia. As
igrejas eram governadas por religiosos eleitos pela comunidade, os chamados presbíteros,
livres da tutela do Estado. Os fiéis são nomeados de presbiterianos.
2.2 QUAIS SÃO AS CAUSAS QUE LEVARAM A REFORMA PROTESTANTE?
A Reforma Protestante teve como causa fatos bem relevantes que levaram a esse
movimento, incluindo fatores religiosos, políticos, econômicos e sociais. Aqui estão algumas
das principais causas:
Causas Religiosas:
Corrupção na Igreja Católica:
1. Venda de Indulgências: A prática da venda de indulgências, que prometia a
remissão dos pecados em troca de dinheiro, foi uma das principais queixas. Esta
prática era vista como um abuso flagrante do poder da Igreja e um desvio das
verdadeiras intenções cristãs de arrependimento e perdão.
2. Nepotismo e Simonia: Nepotismo (favorecimento de parentes) e simonia (compra e
venda de cargos eclesiásticos) eram práticas comuns que minavam a integridade e a
espiritualidade do clero. Muitos líderes da Igreja eram mais interessados em poder e
riqueza do que em servir à comunidade religiosa.
3. Vida Luxuosa do Clero: A vida opulenta e extravagante dos altos membros do clero,
incluindo os papas, contrastava fortemente com os ensinamentos de humildade e
pobreza de Jesus, causando grande descontentamento entre os fiéis.
4. Críticas teológicas e doutrinárias: Teólogos como John Wycliffe e Jan Hus
questionaram a autoridade papal, a transubstanciação (a crença de que o pão e o vinho
se transformam no corpo e sangue de Cristo durante a Eucaristia) e outras doutrinas.
Eles defendiam uma volta às escrituras e uma prática religiosa mais simples e pura.
5. Declínio da autoridade papal: O poder do Papa foi desafiado por governantes e
intelectuais que acreditavam que a Igreja estava excessivamente envolvida em
questões políticas e econômicas.
Causas Políticas:
1. Nacionalismo emergente: Governantes nacionais estavam cada vez mais relutantes
em submeter-se à autoridade do Papa, preferindo controlar as igrejas locais e usar a
religião como uma forma de reforçar seu próprio poder.
2. Apoio de príncipes alemães: Muitos líderes políticos na Alemanha viram na
Reforma uma oportunidade para aumentar seu poder e riqueza, desafiando a
autoridade do Sacro Império Romano e confiscando terras da Igreja.
Causas Econômicas:
1. Riqueza da Igreja: A Igreja Católica possuía vastas propriedades e riqueza, o que
gerava ressentimento entre a nobreza e a burguesia que desejavam maior controle
sobre esses recursos.
2. Dízimos e impostos: Os dízimos e outros impostos cobrados pela Igreja eram um
fardo pesado para a população, aumentando o descontentamento e o desejo por
mudanças.
Causas Sociais:
1. Renascimento e Humanismo: O movimento renascentista, com seu foco no
humanismo e no retorno às fontes originais (ad fontes), encorajou a crítica e a
reavaliação das escrituras e práticas religiosas. Isso alimentou o desejo por uma
reforma da Igreja.
2. Imprensa e alfabetização: A invenção da prensa de tipos móveis por Johannes
Gutenberg facilitou a disseminação rápida e ampla das ideias reformistas. A crescente
taxa de alfabetização também permitiu que mais pessoas lessem textos críticos da
Igreja. Movimentos humanistas: O Renascimento trouxe uma ênfase no retorno às
fontes originais e na crítica textual, o que incentivou uma reavaliação das escrituras
e das práticas religiosas.
A reforma não foi um acontecimento isolado, mas esteve intimamente ligada à
Renascença e a outros movimentos que forçaram o nascimento da era moderna no século
XVI. A Reforma provocou mudanças vitais que fizeram com que uma Igreja Católica
Romana universal única fosse substituída na Europa Ocidental por igrejas nacionais. Essas
igrejas tomaram a Bíblia como autoridade final e entendiam que não era necessário nenhum
mediador humano entre o homem e Deus para obtenção da Salvação, já adquirida por Cristo
na Cruz para todos.
2.3 AS CONSEQUÊNCIAS DA REFORMA PROTESTANTE
A Reforma Protestante teve consequências profundas e duradouras que se
estenderam muito além das mudanças religiosas, afetando a política, a sociedade, a cultura
e a economia na Europa e em outras partes do mundo. Abaixo, detalho algumas das
principais consequências da Reforma Protestante:
1. Divisão do Cristianismo Ocidental
A Reforma Protestante resultou na divisão do cristianismo ocidental em várias
denominações:
Luteranismo: Fundado por Martinho Lutero, predominou na Alemanha e nos
países escandinavos.
Calvinismo: Desenvolvido por João Calvino, teve grande influência na Suíça, na
França, nos Países Baixos e na Escócia.
Anglicanismo: Estabelecido na Inglaterra após o rompimento do rei Henrique
VIII com a Igreja Católica.
2. Guerras Religiosas e Conflitos
A Reforma Protestante desencadeou uma série de conflitos religiosos e guerras
civis na Europa:
Guerra dos Trinta Anos (1618-1648): Um dos conflitos mais devastadores da
Europa, envolvendo muitas potências europeias e resultando em grandes perdas de vidas e
destruição.
Guerras Huguenotes (1562-1598): Conflitos entre católicos e protestantes na
França, culminando no Massacre da Noite de São Bartolomeu.
Revolta dos Camponeses Alemães (1524-1525): Inspirada por ideias
reformistas, foi violentamente reprimida, resultando em grande perda de vidas.
3. Mudanças Políticas
A Reforma alterou significativamente o panorama político europeu:
Fortalecimento dos Estados Nacionais: Governantes aproveitaram a Reforma
para consolidar seu poder e reduzir a influência da Igreja Católica.
Soberania dos Príncipes Alemães: A Paz de Augsburgo (1555) permitiu que os
príncipes alemães escolhessem a religião de seus territórios (cuius regio, eius religio),
aumentando sua autonomia.
4. Reformas na Igreja Católica
A Igreja Católica respondeu com a Contrarreforma, que visava renovar a Igreja
e combater a propagação do protestantismo:
Concílio de Trento (1545-1563): Reafirmou as doutrinas católicas e
implementou reformas para combater a corrupção e melhorar a disciplina e a educação do
clero.
Fundação da Companhia de Jesus (Jesuítas): Uma ordem religiosa dedicada à
educação e à missão, que desempenhou um papel crucial na revitalização da Igreja Católica.
5. Impactos Sociais e Culturais
A Reforma também teve grandes impactos na sociedade e na cultura:
Alfabetização e Educação: A ênfase protestante na leitura da Bíblia levou ao
aumento da alfabetização e ao desenvolvimento de sistemas educacionais.
Imprensa: A disseminação de ideias reformistas através da imprensa ajudou a
promover a liberdade de expressão e o debate público.
6. Impactos Econômicos
A Reforma teve várias consequências econômicas:
Redistribuição de Riquezas: Confiscação de propriedades da Igreja e
redistribuição para nobres e estados, alterando o equilíbrio econômico.
Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo: A tese de Max Weber sugere que
o protestantismo, especialmente o calvinismo, incentivou atitudes que favoreciam o
desenvolvimento do capitalismo.
7. Mudanças na Estrutura Religiosa e Litúrgica
A Reforma trouxe mudanças significativas nas práticas religiosas:
Liturgia em Língua Vernácula: Os serviços religiosos passaram a ser realizados
nas línguas locais em vez do latim, tornando-os mais acessíveis à população.
Simplificação dos Rituais: Muitas práticas e rituais católicos foram rejeitados ou
simplificados pelos reformadores.
8. Consequências a Longo Prazo
A Reforma Protestante teve efeitos duradouros que continuam a ser sentidos:
Pluralismo Religioso: Estabeleceu as bases para a diversidade religiosa e a
tolerância, apesar dos conflitos iniciais.
Direitos Civis e Liberdade Religiosa: As ideias reformistas influenciaram o
desenvolvimento de conceitos modernos de direitos civis e liberdade religiosa.
As consequências da Reforma Protestante foram vastas e multifacetadas,
transformando a estrutura religiosa, política, social e cultural da Europa. Este movimento
não apenas dividiu o cristianismo ocidental, mas também desencadeou uma série de
mudanças que moldaram a trajetória da história europeia e mundial nos séculos seguintes.
3. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A Reforma Protestante foi um movimento de reforma religiosa iniciado por
Martinho Lutero em 1517 na Europa, resultando na formação de várias igrejas protestantes.
Originada a partir das críticas de Lutero à Igreja Católica, expressas nas suas 95 teses, a
Reforma se expandiu devido a diversos fatores políticos, econômicos e sociais. A
insatisfação com a corrupção da Igreja, a venda de indulgências e a vida luxuosa do clero
impulsionaram a demanda por mudanças. Governantes e príncipes aproveitaram o
movimento para desafiar a autoridade papal e fortalecer seu poder local. Além disso, o
Renascimento e o Humanismo promoveram um clima de questionamento e reavaliação das
escrituras religiosas.
As consequências da Reforma foram profundas e duradouras. Ela levou à divisão
do cristianismo ocidental, resultando em várias denominações como o luteranismo, o
calvinismo e o anglicanismo. Também desencadeou guerras religiosas e conflitos civis,
como a Guerra dos Trinta Anos e as Guerras Huguenotes. Politicamente, a Reforma
fortaleceu os estados nacionais e permitiu maior autonomia aos príncipes alemães. A Igreja
Católica respondeu com a Contrarreforma, implementando reformas para combater a
corrupção e revitalizar sua doutrina.
Socialmente, a Reforma promoveu a alfabetização e a educação, facilitada pela
invenção da prensa de tipos móveis. A disseminação de ideias reformistas contribuiu para a
liberdade de expressão e o debate público. Economicamente, a redistribuição de riquezas e
a ética protestante influenciaram o desenvolvimento do capitalismo. As mudanças na liturgia
e na estrutura religiosa, como a adoção de serviços em línguas vernáculas e a simplificação
dos rituais, tornaram a religião mais acessível à população.
A longo prazo, a Reforma Protestante estabeleceu as bases para o pluralismo
religioso e a liberdade religiosa, impactando a trajetória histórica da Europa e do mundo.
Suas repercussões moldaram não apenas a religião, mas também a cultura, a política e a
sociedade de maneira significativa e duradoura.
REFERÊNCIAS:
EARLE E. CAIRNS O Cristianismo Através dos Séculos. Uma história da Igreja Cristã,
Editora Vida Nova.
STEPHEN J. NICHOLS – Além das 95 teses. Editora Fiel 2018.
CARTER LINDBERG – História da Reforma. Editora Thomas Nelson 2017.
PROF. FELIPE AQUINO – Para entender a Reforma Protestante. Editora Cleofas 2016.
RICARDO BITUN (ORG.) TEXTO DE ALDERI SOUZA DE MATOS, HERMISTEN
MAIA, JOÃO ALVES DOS SANTOS E MARIO SERGIO BATISTA – A Reforma
Protestante – Historia, Teologia e Desafios. Editora Hagnos 2017.
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LUTERO, Martinho. A liberdade do cristão. São Paulo: Paulus, 2017.
CALVINO, João. As instituições da religião cristã. São Paulo: Editora Cultura Cristã,
2006.
OZMENT, Steven. Uma Reforma Protestante. São Paulo: Editora Ática, 1991.