Ecologia
. CONCEITOS:
. A ecologia é o ramo da biologia que estuda a interação entre os seres vivos e o ambiente em que vivem.
. O termo é uma derivação das palavras gregas Oikos (casa) + Logos (estudo), que significa “estudo da casa” ou
“estudo do habitat dos seres vivos”.
. Segundo Coelho (2007), atualmente a ecologia busca responder três perguntas:
1- Onde estão os organismos?
2- Em quantos indivíduos ocorre?
3- Por que eles estão lá (ou não estão)?
A resposta para essas perguntas exige um pouco de conhecimento em outros ramos da biologia como
evolução, genética, citologia, anatomia e fisiologia. Por esse motivo, a ecologia é considerada uma área
multidisciplinar que utiliza conhecimentos variados.
A ecologia interage com diversos ramos da biologia.
(Foto: livro Fundamentos em Ecologia)
. HISTÓRICO DA ECOLOGIA:
Desde a História Antiga, alguns pesquisadores já tinham noção sobre ecologia. Os registros de Hipócrates e
Aristóteles foram as primeiras observações ecológicas da história, mas mostravam que o homem não tinha
consciência sobre a adaptabilidade ambiental.
Já no século XVII, Anton Van Leeuwenhoek, o criador do microscópio, evidenciou a importância das cadeias
alimentares e a regulação de populações. Ainda na linha de estudo sobre populações, em 1746 o naturalista Buffon
mostrou a existência de forças capazes de contrabalancear o crescimento populacional.
Entre os séculos XVIII e XIX, os cientistas Darwin e Malthus desconstruíram a visão aristotélica de que a natureza
sempre esteve em perfeito equilíbrio, dando espaço às novas concepções:
a) Muitas espécies foram extintas no decorrer dos tempos;
b) Existe competição causada por pressão populacional;
c) A seleção natural e a luta pela existência são mecanismos evidenciáveis na natureza.
Ao longo dos séculos, vários pesquisadores contribuíram com suas teorias para a ecologia. O trabalho desenvolvido
pelos ecólogos se tornou importante pela possibilidade de fazer previsões a respeito do futuro de algumas espécies,
bem como as consequências das mudanças em uma comunidade.
O termo ecologia foi originalmente utilizado em 1866 pelo zoólogo alemão Ernst Haeckel, na obra “Generelle
Morfologie der Organismen”. Mas a patente é dívida também com os pesquisadores Carl Linnaeus e Eugenius
Warming, que ofereceram grandes contribuições para essa ciência.
. PRINCIPAIS TERMOS EM ECOLOGIA E SEUS NÍVEIS DE ORGANIZAÇÃO:
. Assim como a biologia possui níveis de organização (Átomos Moléculas Organelas Células Tecido
Órgão Sistema Organismo), a ecologia também possui seus níveis (Organismo População Comunidade
Ecossistema Biosfera).
. População: pode ser definida como conjunto de indivíduos da mesma espécie, que vivem em uma determinada
área, em um certo período no tempo. Complementando esse conceito, os indivíduos da mesma população têm mais
chances de reproduzirem entre si.
Ex: elefantes que vivem em uma savana africana.
**Espécie: conjunto de indivíduos capazes de se reproduzirem, gerando descendentes férteis – se em condições naturais;
Exs: Homo sapiens sapiens
Homo habilis
**Ecótipo: populações de uma mesma espécie que estão dispersas em várias áreas geográficas, mas separadas fisicamente;
. Comunidade: já a comunidade representa o conjunto de populações de diversas espécies que habitam uma mesma
área e interagem entre si. Esse grupo também é chamado de comunidade biológica, biocenose ou biótopo.
Ex: populações de girafas, zebras e aves que vivem na savana africana.
. Habitat: lugar onde uma ou mais espécies vivem e se relacionam;
Exs: Mar – tubarão martelo, peixe espada, baleia jubarte, entre outras espécies.
. Biótopo: lugar onde determinada comunidade vive;
Exs: Mar – peixes, algas, bactérias, moluscos, entre outras comunidades.
. Ecossistema: é a COMUNIDADE + COMPONENTES ABIÓTICOS
. Biosfera: é o conjunto de todos os ecossistemas existentes na Terra.
**Fatores bióticos: organismos e suas condições de sobrevivência. São exemplos: microrganismos, animais, plantas, predação,
parasitismo, etc. Veremos, mais profundamente, em outro tópico;
**Fatores abióticos: todas os fatores que influenciam os seres vivos em um ecossistema. É o meio. É a parte não viva.
exs: Temperatura (Termos), Umidade (Higros), Salinidade/Aquático (Hialos), pH/solos (Ions), Luz (Photos/Fotos), Pressão (Baros),
Gases e etc.;
**Nicho ecológico: é a função (ou papel) desempenhado pelos organismos de determinada espécie em seu ambiente de vida.
Inclui: o habitat, necessidades alimentares, temperatura ideal para a sobrevivência, locais de refúgio, interações com “amigos” e
“inimigos”, locais de reprodução, etc;
**Bioma: são subdivisões dos grandes ambientes da Terra (Mar, Água Doce e Terrestre), caracterizados, principalmente, pelo
componente vegetal. São ecossistemas relacionados. Ex: a Floresta Amazônica é um grande ecossistema composto de diversos
ecossistemas menores. Florestas semelhantes entre si, ao redor do mundo, são artificialmente reunidas para constituir um tipo de
bioma, neste caso, a Floresta Equatorial Pluvial.
. CADEIA ALIMENTAR:
É a transferência de energia e matéria entre organismos, é classificada de acordo com o modo de obtenção do
alimento (energia).
**PRODUTORES DE ENERGIA, CONSUMIDORES DE ENERGIA E DECOMPOSITORES DE MATÉRIA EM ENERGIA.
- Produtores (P): seres autótrofos fotossintetizantes (bactérias, algas e vegetais) ou quimiossintetizantes (bactérias)
- Consumidores (C): são os animais (Herbívoros e Carnívoros). São a parte que não alteram a cadeia, no caso de
ausência. São organizados em níveis tróficos, porém, quanto mais níveis houver, mais difícil será pra se manter.
São eles:
. Consumidores Primários (C1): seres herbívoros que se alimentam dos Produtores.
. Consumidores Secundários (C2): seres carnívoros que se alimentam dos Consumidores Primários.
**Podem ainda haver os consumidores terciários (C3) e quaternários (C4) que se alimentam, respectivamente, dos
secundários e terciários. Mais consumidores que isso é possível, mas cada vez mais inviáveis de existir.
- Decompositres (D): bactérias e fungos que se alimentam dos restos orgânicos (metabólitos ou corpo) deixados
por outros seres vivos. Estes organismos têm o importante papel de devolver ao ambiente os nutrientes minerais
que existiam nesses restos orgânicos, e que poderão ser reutilizados pelos produtores (Reciclagem de Nutrientes).
**Nível trófico: nível que o organismo ocupa dentro da cadeia alimentar (produtores, consumidores ou decompositores);
*O Fluxo de Energia é sempre unidirecional, ou seja, a enegia não volta para o “doador”.
*Somente 10% da energia contida na matéria é transferida para o próximo nível trófico (Consumidores), pois sua maior
parte é utilizada para a manutenção da vida (respiração, crescimento, reprodução, etc) dos seres vivos.
*Os Produtores e os Decompositores são os indivíduos fundamentais no ecossistema, pois realizam a (Re)ciclagem
de nutrientes, permitindo a passagem dos componentes químicos por todos os níveis tróficos.
**Em uma Cadeia Alimentar de Predadores, o tamanho dos consumidores aumenta em cada nível trófico, mas o
número de indivíduos diminui.
**Em uma Cadeia Alimentar de Parasitas, o tamanho dos consumidores diminui em cada nível trófico, mas o número
de indivíduos aumenta.
. TEIA ALIMENTAR:
Em um ecossistema, existem diversas cadeias alimentares. O conjunto dessas cadeias forma a teia alimentar. Em
cada teia, a posição de alguns consumidores pode variar de acordo com a cadeia alimentar que eles participam.
Ex: O lobo guará, ao comer os vegetais, atua como um C1, recebendo 10% da energia destes.
Quando o lobo guará come a jararaca, atua como C4, recebendo 0,01% da energia dos vegetais, ou até C5, recebendo
somente 0,001%.
*Vantagens da Teia:
. Variabilidade Nutricional: por ser um conjunto de cadeias, há mais espécies que podem servir de alimento;
. Ganho Energético: ao permitir que estejam em vários níveis tróficos inferiores, a energia obtida do alimento pode
aumentar, sem contar que o esforço para a obtenção deste alimento pode diminuir.
. Diminuição das Competições Intra e Interespecíficas: por haver mais indivíduos, diminui a probabilidade de dois
indivíduos brigarem por alimento.
. A extinção pouco influencia a teia alimentar: quanto mais indivíduos possuir, mais resistente será esse ecossistema,
exatamente pelo explicado acima.
. Estabilidade das espécies e do meio: como explicado nos itens acima, o meio proporciona um ambiente mais rico e
seguro para as espécies viverem, se reproduzirem e, portanto, evoluírem.
** + alimento e + espaço = ↑ da população
** - alimento e - espaço = ↓ da população e ↑ da competição
**Crescimento / Diminuição da população = (taxa de natalidade) – (taxa de mortalidade)
**Crescimento de alimento = progressão aritimética (P.A.)
**Crescimento populacional = progressão geomética (P.G.)
Pirâmides Ecológicas
. CONCEITOS:
. São as representações gráficas da estrutura trófica de um ecossistema. Na base dessas representações, há os
produtores, seguidos dos consumidores primários, secundários, terciários e assim sucessivamente.
*Observe que a base da pirâmide sempre indica os organismos produtores.
. As pirâmides ecológicas podem ser de três tipos principais: pirâmides de número, de biomassa e de energia.
a) Pirâmides de Número:
. Refere ao número de indivíduos envolvidos em uma cadeia alimentar. Nessa representação gráfica, são indicados
quantos indivíduos existem em cada nível trófico.
. Supõe se que sejam necessárias cinco mil plantas para alimentar 500 insetos. Esses insetos servirão de alimento
para 25 pássaros, que, por sua vez, serão comidos por uma única cobra. Nesse exemplo, você pode perceber que a
base apresenta um número maior de indivíduos, quando comparado aos outros níveis tróficos. Quando isso acontece,
dizemos que a pirâmide é direta.
. Algumas vezes, a base não se apresenta larga, como nos casos em que um único produtor serve de alimento para
uma grande quantidade de consumidores primários. Ela ocorre normalmente quando o produtor apresenta grande
porte, uma árvore, por exemplo. Nesses casos, temos uma pirâmide invertida.
Em uma pirâmide invertida, há poucos produtores e, portanto, uma base estreita
**Em caso de uma Pirâmide de Parasitas, as pirâmides serão inversas aos dois casos anteriores.
b) Pirâmides de Biomassa:
. É a quantidade de matéria orgânica disponível em cada nível trófico.
. A biomassa é expressa em massa do organismo por unidade de área, por exemplo, kg/m2 ou g/m2.
Normalmente, nesses casos, há uma pirâmide com base maior que o ápice. Entretanto, existem casos em que ela se
apresenta invertida. É o caso dos ambientes aquáticos, onde os produtores possuem uma vida muito curta, são
pequenos e multiplicam-se rapidamente, acumulando, assim, pouca matéria.
Em A, há uma pirâmide de um ecossistema terrestre, enquanto, em B, um ambiente aquático
c) Pirâmides de Energia:
. É a quantidade de energia distribuída em cada nível trófico.
. Esse tipo, diferentemente dos outros apresentados, não pode ser representado de forma invertida.
. É sempre direto, pois representa a produtividade energética em cada ecossistema.
. Os produtores sempre representam o nível energético mais elevado, sendo que os outros seres da cadeia ficam
dependentes dessa energia. Conclui-se, portanto, que parte da energia dos produtores será transmitida para os
herbívoros e apenas parte da energia deles passará para os carnívoros. Sendo assim, cadeias alimentares menores
possuem um maior aproveitamento de energia. Representamos a quantidade de energia disponível em cada nível
trófico por Kcal/[Link].
Os produtores representam o nível energético mais elevado
**DDT (Dicloro-Difenil-Tricloroetano):
. Este composto se tornou mundialmente conhecido por sua propriedade inseticida.
. Seu uso indiscriminado durante a Segunda Guerra Mundial teve justificativa no baixo valor monetário para adquiri-lo,
era o mais barato inseticida da época.
. Foi útil para eliminar insetos e combater as doenças emitidas por estes durante a guerra: Malária, Tifo e Febre
amarela.
Fórmula molecular DDT, que comporta 5 átomos de Cloro.
. O agravante no uso de DDT foi a descoberta de que esta substância pode demorar cerca 30 anos para se degradar.
E o uso não se restringia só para a eliminação de insetos, sendo aplicado também por agricultores no controle de
pragas nas lavouras. Esta utilização trouxe riscos ainda maiores, uma vez que a substância tóxica pode se infiltrar no
solo contaminando os lençóis freáticos e mananciais.
. Por este motivo é que o uso do DDT foi proibido nos anos 70, em virtude de seu efeito acumulativo no organismo. O
enfraquecimento das cascas de ovos das aves foi uma prova dos malefícios do DDT ao homem. Estudos feitos com a
substância sugerem que a mesma seja cancerígena, pode provocar partos prematuros e causar danos neurológicos,
respiratórios e cardiovasculares.
**O importante a se observar é que, por se acumular nos corpos dos indivíduos, suas MAIORES CONCENTRAÇÕES,
serão SEMPRE encontradas nos organismos que estiverem no ÚLTIMO NÍVEL TRÓFICO.
Relações Ecológicas
. CONCEITOS:
. São as interações que acontecem entre os seres vivos dos ecossistemas, podendo ser:
. Harmônicas x Desarmônicas
. Intraespecíficas x Interespecíficas
**Harmônicas: quando não há prejuízo na relação. Podem ser: [o,+] ou [+,+].
**Desarmônicas: quando, pelo menos um, tem prejuízo na relação. Podem ser: [-,o] , [-,+] ou [-,-].
**Intraespecíficas: entre indivíduos da mesma espécie, ou
**Interespecíficas: entre indivíduos de espécies diferentes.
. RELAÇÕES HARMÔNICAS INTRAESPECÍFICAS:
.Sociedade: [+,+]
. União permanente entre indivíduos em que há divisão de trabalho. Ex.: insetos sociais (abelhas, formigas e cupins)
. O que mais chama a atenção em uma colmeia é a sua organização. Todo o trabalho é feito por abelhas que não se
reproduzem, as operárias. Elas se encarregam de colher o néctar das flores, de limpar e defender a colmeia e de
alimentar as rainhas e as larvas (as futuras abelhas) com mel, que é produzido a partir do néctar.
. A rainha é a única fêmea fértil da colmeia coloca os ovos que irão originar outras operárias e também os zangões (os
machos), cuja única função é fecundar a rainha.
. Portanto, uma sociedade é composta por um grupo de indivíduos da mesma espécie que vivem juntos de forma a
permanente e cooperando entre si.
. Entre os mamíferos também encontramos vários exemplos de sociedades, como os dos castores, a dos gorilas, a
dos babuínos e a da própria espécie humana. A divisão de trabalho não é tão rigorosa quanto as abelhas, mas
também há varias formas de cooperação. É comum, por exemplo, um animal soltar um grito de alarme quando vê um
predador se aproximar do grupo; ou mesmo um animal dividir alimento com outros.
. Colônia: [+,+]
. Associação anatômica formando uma unidade estrutural e funcional. Ex.: coral-cérebro, caravela.
Colônia é um grupo de organismos da mesma espécie que formam uma entidade diferente dos organismos
individuais. Por vezes, alguns destes indivíduos especializam-se em determinadas funções necessárias à colônia. Um
recife de coral, por exemplo, é construído por milhões de pequenos animais (pólipos) que secretam à sua volta um
esqueleto rígido. A garrafa-azul (Physalia) é formada por centenas de pólipos seguros a um flutuador, especializados
nas diferentes funções, como a alimentação e a defesa; cada um deles não sobrevive isolado da colônia.
. As bactérias e outros organismos unicelulares também se agrupam muitas vezes dentro de um invólucro mucoso.
. As abelhas e formigas, por outro lado, diferenciam-se em rainha, zangão com funções reprodutivas e as obreiras (ou
operárias) com outras funções, mas cada indivíduo pode sobreviver separadamente. Por isso, estas espécies são
chamadas eusociais, ou seja, formam uma sociedade e não uma colônia.
. RELAÇÕES HARMÔNICAS INTERESPECÍFICAS:
. Mutualismo: [+,+]
. Associação entre indivíduos que pode é obrigatória (simbiose). Caso sejam separados, ambos morrem.
. Ambos os indivíduos se beneficiam, porém, cada espécie só consegue viver na presença da outra. Ex.: líquen, bois e
micro-organismos do sistema digestório.
. Abelhas, beija-flores e borboletas são alguns animais que se alimentam do néctar das flores. O néctar é produzido na
base das pétalas das flores e é um produto rico em açucares. Quando abelhas, borboletas e beija-flores colhem o
néctar, grãos de pólen se depositam em seu corpo. O pólen contém células reprodutoras masculinas da planta.
Pousando em outra flor, esses insetos deixam cair o pólen na parte feminina da planta. As duas células reprodutoras -
a masculina e a feminina - irão então se unir e dar origem ao embrião (contido dentro da semente). Perceba que existe
uma relação entre esses insetos e a planta em que ambos lucram. Esse tipo de relação entre duas espécies diferentes
e que traz benefícios para ambas é chamada mutualismo.
. Os animais polinizadores obtêm alimento e a planta se reproduz.
. Outro exemplo são os liquens, associação mutualística entre algas e fungos. Os fungos protegem as algas e
fornecem-lhes água, sais minerais e gás carbônico, que retiram do ambiente. As algas, por sua vez, fazem a
fotossíntese e, assim, produzem parte do alimento consumido pelos fungos.
. Protocooperação: [+,+]
. Também chamada de mutualismo facultativo ou simbiose não obrigatória, a protocooperação é uma associação
facultativa entre indivíduos, em que ambas as espécies se beneficiam, mas uma pode viver independentemente da
outra. Ex.: Anêmona do Mar e paguro, gado e anum (limpeza dos carrapatos), crocodilo africano e ave palito (higiene
bucal).
. Às margens do rio Nilo, na África, os ecólogos perceberam a existência de um singular exemplo de protocooperação
entre os perigosos crocodilos e o sublime pássaro-palito. Durante a sesta os gigantescos crocodilos abrem sua boca
permitindo que um pequeno pássaro (o pássaro-palito) fique recolhendo restos alimentares e pequenos vermes dentre
suas poderosas e fortes presas. A relação era tipicamente considerada como um exemplo de comensalismo, pois
para alguns apenas o pássaro se beneficiava. Entretanto, a retirada de vermes parasitas faz do crocodilo um
beneficiado na relação, o que passa a caracterizar a protocooperação.
. Outro exemplo é do boi e do anum. Os bois e vacas são comumente atacados por parasitas externos (ectoparasitas),
pequenos artrópodes conhecidos vulgarmente por carrapatos. E o anum preto (Crotophaga ani) tem como refeição
predileta estes pequenos parasitas. A relação é benéfica para ambos (o boi se livra do parasita e o anum se alimenta).
. Bernardo-eremita e Anemôna-do-mar - O bernardo-eremita é um crustáceo do gênero Pagurus cuja principal
característica é a de possuir a região abdominal frágil, em razão do exoesqueleto não possuir a mesma resistência do
cefalotórax. Este crustáceo ao atingir a fase adulta (ainda em processo de crescimento, portanto realizando as
mudas) procura uma concha de molusco gastrópode (caramujo) abandonada, e instala-se dentro desta. De certa
forma o crustáceo permanece protegido. Entretanto, alguns predadores, ainda assim conseguem retirar o Pagurus de
dentro da concha. É aí que entra a anêmona-do-mar, um cnidário.
Como todos os cnidários (ou celenterados), a anêmona-do-mar é dotada de estruturas que liberam substâncias
urticantes com a finalidade de defender-se. A associação beneficia tanto a anêmona quanto o Bernardo: o Bernardo
consegue proteção quando uma anêmona se instala sobre sua concha (emprestada), pois nenhum predador chega
perto. Já a anêmona beneficia-se porque seu “cardápio” alimentar melhora bastante quando de “carona” na concha
do Bernardo. A anêmona normalmente faz a captação de seus alimentos (partículas) através de seus inúmeros
tentáculos, esperando que estes passem por perto. Na carona do Bernardo há um significativo aumento no campo de
alimentação para a anêmona.
. Comensalismo: [+,+]
. Associação em que um indivíduo aproveita restos de alimentares do outro, sem prejudicá-lo. Ex.: Tubarão e Rêmoras,
Leão e a Hiena, Urubu e o Homem.
. Tubarão e Peixe Rêmora – O tubarão é reconhecidamente o maior predador dos mares, ou seja, o indivíduo que
normalmente ocupa o ápice da cadeia alimentar no talassociclo. Já o peixe-rêmora é pequeno e incapaz de realizar a
façanha do predatismo. O peixe-rêmora vive então associado ao grande tubarão, preso em seu ventre através de
uma ventosa (semelhante a um disco adesivo). Enquanto o tubarão encontra uma presa, estraçalhando-a e
devorando-a, a rêmora aguarda pacientemente, limitando-se a comer apenas o que o grande tubarão não quis. Após a
refeição, o peixe-rêmora busca associar-se novamente a outro tubarão [Link] a rêmora a relação é benéfica, já
para o tubarão é totalmente neutra.
. Leão e a Hiena – os leões são grandes felinos e ferozes caçadores típicos das savanas africanas. Eles vivem em
bandos e passam a maior parte do dia dormindo (cerca de 20 horas, segundo alguns etologistas). Entretanto são
caçadores situando-se, a exemplo dos tubarões, no ápice da cadeia alimentar. As hienas são pequenas canídeas que
também se agrupam em bandos, mas que vivem a espreita dos clãs dos leões. Quando os leões estão caçando, as
hienas escondem-se esperando que todo o grupo de felinos se alimente. As hienas aguardam apenas o momento em
que os leões abandonam as carcaças das presas para só assim se alimentarem.
. Urubu e o Homem - O urubu ou abutre (nomes vulgares que variam de acordo com a localização, mas que na
verdade representam aves com o mesmo estilo de vida) é um comensal do homem. O homem é o ser da natureza
que mais desperdiça alimentos. Grande parte dos resíduos sólidos das grandes cidades é formado por materiais
orgânicos que com um tratamento a baixos custos retornariam à natureza de forma mais racional. O urubu é uma
grande ave que se vale exatamente deste desperdício do homem em relação aos restos de alimentos.
. RELAÇÕES DESARMÔNICAS INTRAESPECÍFICAS:
. Canibalismo: [-,+]
Relação desarmônica em que um indivíduo mata outro da mesma espécie para se alimentar. Ex.: louva-a-Deus, aracnídeos,
filhotes de tubarão no ventre materno.
. Louva-a-deus - o louva-a-deus é um artrópode da classe dos insetos (família Mantoideae). Este inseto é verde e
recebe este nome por causa da posição de suas patas anteriores, juntas com tarsos dobrados, como se estivesse
rezando. Neste grupo de insetos o canibalismo é muito comum, principalmente no que tange o processo reprodutivo.
É hábito comum as fêmeas devorarem os machos numa luta que antecede a cópula.
. Galináceos jovens - os jovens pintinhos com dias de nascidos, quando agrupados em galpões não suficientemente
grandes para abrigá-los podem, ocasionalmente apresentar canibalismo, como uma forma de controlar o tamanho da
população.
. RELAÇÕES DESARMÔNICAS INTERESPECÍFICAS:
. Amensalismo: [-,o]
. Relação em que indivíduos de uma espécie produzem toxinas que inibem ou impedem o desenvolvimento de outras.
Ex.: Maré vermelha, cobra (veneno) e homem, fungo penicillium (penicilina) e bactérias.
. A Penicilina foi descoberta em 1928 quando Alexander Fleming, no seu laboratório no Hospital St Mary em Londres,
reparou que uma das suas culturas de Staphylococcus tinha sido contaminada por um bolor Penicillium, e que em
redor das colônias do fungo não havia bactérias. Ele demonstrou que o fungo produzia uma substância responsável
pelo efeito bactericida, a penicilina.
. A Maré vermelha é a proliferação de algumas espécies de algas tóxicas. Muitas delas de cor avermelhada, e que
geralmente ocorre ocasionalmente nos mares de todo o planeta. Encontramos essas plantas apenas no fundo do mar.
Em situações como mudanças de temperatura, alteração na salinidade e despejo de esgoto nas águas do mar, elas se
multiplicam e sobem à superfície, onde liberam toxinas que matam um grande número de peixes, mariscos e outros
seres da fauna marinha. Quando isso acontece, grandes manchas vermelhas são vistas na superfície da água. Os
seres contaminados por essas toxinas tornam-se impróprios para o consumo humano.
. Sinfilia: [-,+]
. Indivíduos mantém em cativeiro indivíduos de outra espécie, para obter vantagens. Ex.: formigas e pulgões.
. Os pulgões são parasitas de certos vegetais, e se alimentam da seiva elaborada que retiram dos vasos liberinos das
plantas. A seiva elaborada é rica em açúcares e pobre em aminoácidos. Por absorverem muito açúcar, os pulgões
eliminam o seu excesso pelo ânus. Esse açúcar eliminado é aproveitado pelas formigas, que chegam a acariciar com
suas antenas o abdômen dos pulgões, fazendo-os eliminar mais açúcar. As formigas transportam os pulgões para os
seus formigueiros e os colocam sobre raízes delicadas, para que delas retirem a seiva elaborada.
**Muitas vezes as formigas cuidam da prole dos pulgões para que no futuro, escravizando-os, obtenham açúcar.
Quando se leva em consideração o fato das formigas protegerem os pulgões das joaninhas, a interação é harmônica,
sendo um tipo de protocooperação.
. Predatismo: [-,+]
. Relação em que um animal captura e mata indivíduos de outra espécie para se alimentar. Ex.: cobra e rato, homem e gado.
. Todos os carnívoros são animais predadores. É o que acontece com o leão, o lobo, o tigre, a onça, que caçam
veados, zebras e tantos outros animais.
. O predador pode atacar e devorar também plantas, como acontece com o gafanhoto, que, em bandos, devoram
rapidamente toda uma plantação.
**Nos casos em que a espécie predada é vegetal, costuma-se dar ao predatismo o nome de herbivorismo.
. Raros são os casos em que o predador é uma planta. As plantas carnívoras, no entanto, são excelentes exemplos,
pois aprisionam e digerem principalmente insetos.
. O predatismo é uma forma de controle biológico natural sobre a população da espécie da presa. Embora o
predatismo seja desfavorável à presa como indivíduo, pode favorecer a sua população, evitando que ocorra aumento
exagerado do número de indivíduos, o que acabaria provocando competição devido à falta de espaço, parceiro
reprodutivo e alimento.
. No entanto ao diminuir a população de presas é possível que ocorra a diminuição dos predadores por falta de
comida. Em consequência, a falta de predadores pode provocar um aumento da população de presas. Essa regulação
do controle populacional colabora para a manutenção do equilíbrio ecológico.
. Parasitismo: [-,+]
. Indivíduos de uma espécie vivem no corpo de outro, do qual retiram alimento. Ex.: Gado e carrapato, lombrigas e vermes
parasitas do ser humano.
. A lombriga é um exemplo de parasita. É um organismo que se instala no corpo de outro (o hospedeiro) para extrair
alimento, provocando-lhes doenças. Os vermes parasitas fazem a pessoa ficar mal nutrida e perder peso. Em
crianças, podem prejudicar até o crescimento.
. As adaptações ao parasitismo são assombrosas - desde a transformação das probóscides dos mosquitos num
aparelho de sucção, até à redução ou mesmo desaparecimento de praticamente todos os órgãos, com exceção dos
órgãos da alimentação e os reprodutores, como acontece com as tênias e lombrigas.
. Competição Interespecífica: : [-,-]
. Disputa por recursos escassos no ambiente entre indivíduos de espécies diferentes. Ex.: Peixe Piloto e Rêmora (por restos
deixados pelo tubarão)
. Tanto o Peixe Piloto quanto a Rêmora comem os restos deixados pelos tubarões por tanto possuem o mesmo nicho
ecológico e acabam disputando por espaço nele.
Restauração Ecológica
Sucessão ecológica é o nome dado à sequência de comunidades, desde a colonização até a comunidade clímax, de
determinado ecossistema. Estas comunidades vão sofrendo mudanças ordenadas e graduais. As primeiras plantas
que se estabelecem (líquens, gramíneas) são denominadas pioneiras, e vão gradualmente sendo substituídas por
outras espécies de porte médio (arbustos), até que as condições ambientais chegam uma comunidade clímax
(árvores grandes), apresentando uma diversidade compatível com as características daquele ambiente. Nesta fase, o
ecossistema apresenta um equilíbrio com o meio.
Alguns fatores são importantes para a dinâmica da sucessão. As condições ambientais locais e as interações entre as
espécies são fatores que contribuem para as mudanças ecológicas.
A sucessão ecológica passa por três fases:
Comunidade pioneira ou ecese;
Comunidade secundária, intermediária ou seral;
Comunidade clímax.
Tipos de sucessão
Sucessão Primária
Exemplo de sucessão ecológica em areia
Ocorre em ambientes desprovidos de vida anteriormente, como dunas de areia, rochas varridas pela erosão, um fluxo
de lava, um lago recém-formado, etc.
De acordo com as condições de geração deste novo substrato, seu desenvolvimento pode ser classificado como:
Hidrossere: comunidades em água doce
Lithosere: comunidades sobre rochas
Psammosere: comunidades em areia
Xerosere: comunidades em áreas secas
Halosere: comunidades em corpo salino (ex: pântanos)
*Ação do fogo provoca processo de sucessão secundária
**Corte de árvores inicia processo de sucessão secundária
Sucessão secundária
Ocorre num ambiente que foi anteriormente ocupado por outras comunidades e que sofreu algum tipo de perturbação,
como forças naturais (vendavais, inundações, deslizamentos, furacões etc.), ou perturbações provocadas pelo homem
ou animais (fogo, áreas cultivadas, corte de florestas etc.).
Mecanismos de sucessão
Uma teoria descritiva da sucessão, proposta por Frederic Clements em 1916, é hoje vista como uma teoria ecológica
clássica, e de acordo com o autor, o processo envolve várias fases:
Nudação – A sucessão começa com o acontecimento de uma perturbação e o surgimento de um sítio nu,
desprovido de vida.
Migração – Chegada de propágulos ao ambiente.
Ecese – Estabelecimento e crescimento das primeiras plantas (pioneiras).
Concorrência - Fase em que o estabelecimento de novas espécies provoca uma competição por espaço, luz
e nutrientes.
Reação – Como resultado da concorrência que o habitat impõe, as espécies vão sendo substituídas, de uma
comunidade vegetal para outra.
Estabilização – A comunidade se estabiliza após as fases de reação, e surge o desenvolvimento de
uma comunidade clímax.
Implantação de espécies pioneiras:
São os primeiros vegetais que conseguem se estabelecer. Sua taxa de disseminação é alta e sua dispersão é
facilitada por ação do vento ou de outros fatores ambientais (rios, correntes marítimas). Toleram altos níveis de
radiação solar para germinar e se desenvolver e criam condições para o desenvolvimento de outras espécies vegetais
denominadas intermediárias e tardias.
Interações interespecíficas
Facilitação: Uma ou mais espécies permitem o estabelecimento, crescimento e desenvolvimento de outras
espécies.
Inibição: Uma ou mais espécies dificultam ou prejudicam o estabelecimento de futuras espécies. Isto pode
ocorrer por competição pelo espaço e nutrientes, sombreamento ou produção de substâncias alelopáticas que
inibem a germinação de outras sementes.
Tolerância: Espécies que não afetam o estabelecimento das demais espécies.
Comunidade seral
São os estágios intermediários da sucessão das comunidades ecológicas, que se iniciam após a implantação de
espécies pioneiras, passando por um ou mais estágios intermediários, até atingir as condições de uma comunidade
clímax.
Cada ecossistema apresenta diferentes padrões de clima e substrato. Na medida em que se estabelece a dinâmica
dos eventos que envolvem a sucessão das formas vegetais, as condições de luz, a ocupação e proliferação dos micro-
organismos e animais também vai se apresentar de forma diferenciada em cada etapa.
Mudanças na vida animal
As etapas iniciais da sucessão não apresentam condições para o estabelecimento de uma fauna diversificada, por não
apresentarem recursos suficientes para a sua instalação. Verifica-se, nesta fase, a ocorrência de poucos animais,
como ácaros, formigas e aranhas. Na medida em que as espécies intermediárias da sucessão conseguem se
estabelecer e diversificar, a fauna vai aumentando em espécies, até atingir as condições de uma comunidade clímax,
com muitas espécies de invertebrados, insetos, répteis, anfíbios, aves e mamíferos.
Dependendo do ecossistema, esta diversificação pode ser diferenciada. As regiões tropicais oferecem condições para
abrigar uma grande diversidade de plantas e animais, enquanto, em regiões temperadas, geladas, desérticas, esta
diversidade é mais restrita.
Microssucessão
A sucessão microbiológica envolve a existência de substrato (recurso) para a diversificação de micro-
organismos como fungos e bactérias, que se diversificam com o aparecimento de vegetação em decomposição,
excrementos e carcaças de animais etc.
O conceito de clímax
A sucessão ecológica para quando o ser consegue alcançar um equilíbrio com o ambiente físico e biótico, ou estado
estacionário. A comunidade atinge o ápice de suas relações ecológicas,onde se chega ao ponto final da sucessão, ou
clímax. Esta diversidade vai persistir indefinidamente, a não ser por ocorrência de grandes perturbações.
Características do clímax
As populações não se alteram e o ecossistema está equilibrado.
Últimas espécies a instalarem-se, onde os indivíduos são substituídos por outros da mesma espécie.
De acordo com as formas de vida ou crescimento, são considerados indicadores de clima da região.
Para cada ambiente físico, há um tipo de clímax.
Tipos de clímax
Clímax Climático – Apenas uma comunidade clímax, sendo que, esta se encontra em equilíbrio com o clima
regional.
Clímax Edáfico – Mais de uma comunidade clímax, modificada pelas condições locais. Término da sucessão
ecológica, onde as condições edáficas não permitem que o clímax climático se desenvolva.
Clímax Catastrófico ou Cíclico – Ecossistema com clímax natural cíclico vulnerável a um evento catastrófico.
Disclímax (Clímax de distúrbio) – Comunidade estável, não incluindo clímax climático ou edáfico, mantido pelo
homem ou seus animais domésticos, onde ocorrem distúrbios repetidos, muitas vezes decorrentes de
atividades antrópicas.
Subclímax – Precede o estágio final da sucessão ecológica.
Pré-clímax e Pós-clímax – Em áreas com condições climáticas semelhantes, diferentes comunidades clímax se
desenvolvem. Se apresentarem formas de vida inferiores aos apresentados no clímax climático, são
denominadas pré-clímax. Se apresentam maior diversidade, são denominadas pós-clímax. Estas diferenças de
pré e pós-clímax se explicam pelo fato de, numa mesma região, haver diferenças de umidade e alterações
pequenas de temperatura, devido às mudanças de altitude, ou por proximidade à fontes de água, encostas de
morros, etc.
Teorias sobre o clímax
Monoclímax – Defendida por Clements (1916), o clímax da unidade vegetacional e animal (bioma) é determinada
apenas pelo clima.
Policlímax – Para Tansley (1935), o clímax não é determinado apenas pelo clima, mas também pela
combinação de outros fatores, como topografia, nutrientes e umidade no solo, ação do fogo e animais.
Clímax Padrão – Proposta por Whittaker (1953), reconhece uma variedade de clímax regido pelas respostas da
comunidade às condições de estresses bióticos e abióticos do ambiente. É definida como clímax climático a
comunidade central e mais difundida na região.
Uma teoria apresentada recentemente, chamada Teoria Alternativa dos Estados Estáveis, sugere que não há um
ponto final na sucessão, mas muitos estados de transição ao longo do tempo ecológico (Jackson, 2003).
Sucessão em floresta
Comunidade clímax em floresta amazônica
A sucessão em florestas ocorre de maneira dinâmica, mesmo sem a interferência do homem. Grandes árvores caem
(por ação do vento, chuva, raios), ocasionando também a queda ou quebra de outras árvores em sua trajetória. Cria-
se assim uma clareira aonde a luz solar chega com intensidade, e os organismos menores , adaptadas ao ambiente
sombreado que o dossel oferecia, perecem. Começa assim um processo de sucessão.
A área então é recolonizada por outras espécies, capazes de germinar e crescer sob intensa radiação solar. Depois de
desenvolverem um pequeno dossel, impedem o desenvolvimento de suas próprias mudas, devido ao sombreamento.
O ambiente vai sofrendo modificações de luz, substrato, e logo oferece condições para que as espécies de maior porte
se desenvolvam novamente, formando um dossel amplo, sendo novamente colonizado pelas espécies de sombra.
A sucessão não é iniciada por espécies que normalmente ocupam áreas abertas (como as gramíneas). Devido às
barreiras dentro de uma floresta, existe a dificuldade de disseminação destes propágulos pelo vento, e as espécies
próximas, ou disseminadas por animais são as pioneiras nestas áreas. Sementes que ficam por anos em estado
de dormência no solo da floresta são denominados de bancos de semente. Brotos com capacidade de sobreviver nas
condições sombreadas do habitat de clímax, quando colocados em condições de luz direta crescem até 10 vezes mais
rápido, tornando a sucessão um processo acelerado.
O estudo das características da dinâmica da sucessão ecológica é de suma importância para recuperação de áreas
degradadas, como as áreas exploradas por mineração, das matas ciliares destruídas, para recomposição de áreas
de preservação, etc. Uma vez conhecendo as plantas pioneiras que oferecem condições de implantação das espécies
intermediárias e tardias, o ecossistema tende a alcançar a comunidade clímax em um menor espaço de tempo.
. ESPÉCIE CHAVE:
Uma espécie-chave (também espécie pedra-angular) é uma espécie cujo impacto na
sua comunidade ou ecossistema é desproporcionalmente grande relativamente à sua abundância relativa. O
desaparecimento de uma espécie-chave do seu ecossistema pode ter consequências dramáticas neste último.
Conceito
Uma espécie-chave é aquela que desempenha um papel crítico na manutenção da estrutura de uma comunidade
ecológica e cujo impacto é maior do que seria esperado com base na sua abundância relativa ou biomassa total.
Essas espécies afetam muitos outros organismos em um ecossistema e ajudam a determinar os tipos e números de
várias outras espécies em uma comunidade. Espécie-chave difere de espécie dominante, pois seus efeitos são
maiores do que o previsto em relação a sua abundancia. O conceito está relacionado às cadeias tróficas. É uma
espécie que interage fortemente no meio determinando alterações que se propagam ao longo da cadeia alimentar. A
remoção ou adição de uma espécie-chave determina grandes mudanças na abundância de outras espécies, alterando
sua composição dentro de uma comunidade.
Inicialmente o conceito era usado apenas para predadores de topo, que têm efeito indireto sobre os competidores
inferiores e controlam populações de outros níveis tróficos. Atualmente se aceita a ocorrência de espécies-chave em
outros níveis da cadeia. Por exemplo, em herbívoros.
Importância
É importante salientar que todas as espécies exercem sua importância em uma comunidade e a influenciam em graus
diferentes, mas algumas são mais influentes que outras. O que torna o conceito claro é o reconhecimento de que um
distúrbio numa população de alto grau de influência causa efeitos diretos e indiretos em outras populações alterando a
estrutura da comunidade. Na prática, o conceito e a identificação de espécies-chave têm papel significativo na
conservação, pois mudanças na sua riqueza trazem conseqüências para outras espécies. A retirada de uma espécie
de uma comunidade pode ser um importante meio para se estudar e revelar as atividades de uma teia alimentar.
Medidas para estudo das Espécies-chave
Power e seus colaboradores mostram que alguns índices têm sido propostos para medir a influência dessas espécies
nas comunidades. Como exemplo se tem a “importância na comunidade” de uma espécie, definido pela porcentagem
de outras espécies perdidas na comunidade após a sua remoção. Ou seja, é a mudança na comunidade ou
ecossistema traçado pela mudança na abundancia da espécie-chave. Este índice é calculado pela seguinte fórmula:
CI = [d(trait)/dp] [l/(trait)]
Onde “p” é abundância proporcional das espécies nas quais a abundância foi modificada (biomassa proporcional ao
total de biomassa de todas as espécies da comunidade); “Trait” se refere às características quantitativas da
comunidade ou ecossistema. Essas características incluem produtividade, riqueza de espécies, ciclagem de
nutrientes ou abundancia de um ou mais grupos funcionais de espécies ou espécies dominantes.
Histórico do Termo
Robert T. Paine usou o termo pela primeira vez em 1969 e posteriormente foi definido por Paine (1969b) como uma
espécie de influência trófica elevada cujas atividades exercem uma influência desproporcional sobre o padrão
de diversidade de espécies em uma comunidade. O mecanismo pela qual espécies-chave regulam a diversidade de
espécies foi descrito por Paine (1966) na hipótese “a diversidade local de espécies está diretamente relacionada à
eficiência com que os predadores evitam a monopolização dos principais requisitos ambientais por uma espécie.” As
espécies que desempenham esse papel em ecossistemas podem ser generalistas ou especialistas trófica, raras ou
comuns.
O uso do termo cresceu desde que foi criado, o que levou alguns autores a indagarem se tem algum valor. Outros
sugeriram uma definição mais estrita, isso faz com que exemplos comuns sejam desligados do conceito, como
dominantes ecológicos em níveis tróficos baixos, onde uma espécie pode oferecer o recurso do qual várias outras
espécies dependem. Em resposta, Mills, 1993 e um grupo de ecologistas denominado “Keystone Cops”, propuseram a
primeira definição operacional para espécies-chave, baseada na biomassa proporcional de espécies em relação a sua
importância na comunidade. De acordo com o Keystone Cops, uma espécie trapezóide é uma espécie cujos efeitos
nos ecossistemas é muito grande se relacioná-los a sua baixa biomassa. Não existe consenso entre pesquisadores
sobre o conceito de espécies-chave. Mais pesquisas devem ser realizadas até que um conceito seja definido como
base para estudos do termo.
Como exemplo de espécie-chave, temos o estudo clássico de Estes & Duggins (1995) que mostrou como uma espécie
é considerada chave em um determinado habitat. O estudo relatou que, devido a um vazamento de óleo no Alasca, a
população de uma espécie de lontras marinhas (Enhydra lutris) que vivia no local diminuiu em 50%. Esses animais se
alimentam de uma espécie de ouriços do mar (Strongylocentrotus droebachiensis). Devido à diminuição da população
de lontras a população de ouriços aumentou. Os ouriços, por sua vez, alimentavam-se de kelp (macroalgas marinhas).
Logo, essa população também diminuiu, influenciando as espécies que dependiam das florestas dessas algas na
região. Redford (1984) analisou Cornitermes culuman, uma espécie de cupim do Cerrado, que pode ser considerada
espécie-chave devido a sua grande abundância e impacto no ambiente. Esses insetos direcionam para si uma
proporção considerável do fluxo de energia e têm a capacidade de digerir celulose, atingindo biomassa elevada e ao
mesmo tempo servindo de alimento para um grande número de organismos, além de arejar melhor o solo, com seus
túneis, e movimentar verticalmente a estrutura do solo. Os cupinzeiros servem de abrigo a uma fauna diversa,
incluindo artrópodes, vertebrados e outros grupos. Os seus ninhos velhos servem de substrato para o
desenvolvimento de várias plantas.
Begon cita os gansos menores da neve (Chen caerulescens caerulescens) como um exemplo de espécie-chave que
não estão entre os predadores de topo de cadeia. Essas aves são animais herbívoros que vivem em pântanos
costeiros e se reproduzem em colônias grandes em Hudson Bay no Canadá. Esses animais, quando adultos, retiram
rizomas e raízes de plantas localizadas em áreas com pouca umidade e alimentam-se da base inchada de caules de
áreas com muita umidade. Sua atividade, forma dentro da água, uma matéria esponjosa constituída de restos de
vegetais em decomposição, além de sedimentos. Com isso uma pequena parte de vegetais pioneiros consegue
recolonizar o local e o processo de recuperação deste é lento. No verão, em áreas muito pastejadas, estabelecem
gramados de Carex e Puccinellia ssp. Espécies de gramíneas. Com isso, as grandes densidades de gansos
pastejadores são essenciais, pois promovem a manutenção da composição de espécies vegetais e a produção acima
da porção superficial do solo. Sendo assim, é possível verificar que estas comunidades têm a sua estrutura e
composição drasticamente alterada pela presença desta espécie.
Representantes de Malpighiaceae, como Byrsonima intermedia são consideradas fontes de óleo floral para a guilda de
abelhas coletoras de óleo, principalmente dos grupos Centridini (Centris e Epicharis), Tapinotaspidini
(e.g., Monoeca, Paratetrapedia) e Tetrapediini (e.g., Tetrapedia) (Apidae não corbiculados). As abelhas do grupo
Centridini têm papel importante como polinizadores de numerosas espécies vegetais e correspondem ao grupo mais
diversificado de abelhas coletoras de óleo nas florestas neotropicais e Cerrado, especialmente de espécies de
Malpighiaceae. Dessa forma, espécies neotropicais de Malpighiaceae são recursos-chave para a manutenção e
sobrevivência das abelhas coletoras de óleo, sendo um exemplo de produtor primário como espécie-chave. O atraso
e, ou redução na floração da espécie Byrsonima crassifólia, descrito por Vilas Boas, promoveu declínio de
abelhas Centris e Epicharis. Tendo em vista a manutenção de processos ecológicos como a polinização, fundamentais
para a conservação dos ecossistemas naturais, em especial o cerrado.
Aplicações e estudos
Dunne et al testaram a retirada seqüencial de espécies de 16 teias alimentares de acordo com quatro critérios.
Primeiro, remoção, em primeiro lugar das espécies que mais interagiam; segundo, remoção aleatória de espécies;
terceiro, remoção das espécies com mais interação, excluindo primeiro as espécies basais (aquelas que têm
predadores, mas não presas); quarto, remoção, em primeiro lugar das espécies que menos interagiam. Como
resultado verificou-se que extinções secundárias ocorreram mais rapidamente quando as espécies com maior relação
foram retiradas e menos rapidamente quando as espécies com menor relação foram retiradas. Os resultados das
remoções aleatórias dispuseram-se entre os outros dois resultados. A partir disso infere-se que a espécie que tem
maior interação na teia é considerada a espécie-chave, pois sua remoção desestrutura toda a teia alimentar.