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Recado Inquerito Civil 1717969498

O documento aborda os princípios institucionais do Ministério Público, com foco no inquérito civil, um procedimento investigativo privativo e facultativo do MP, destinado a apurar lesões a direitos coletivos. Destaca-se a importância do inquérito civil na proteção de interesses difusos e coletivos, além de descrever suas características, objeto e procedimentos. Também menciona a Resolução nº 23/2007 do CNMP, que regulamenta a instauração e tramitação do inquérito civil.

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Recado Inquerito Civil 1717969498

O documento aborda os princípios institucionais do Ministério Público, com foco no inquérito civil, um procedimento investigativo privativo e facultativo do MP, destinado a apurar lesões a direitos coletivos. Destaca-se a importância do inquérito civil na proteção de interesses difusos e coletivos, além de descrever suas características, objeto e procedimentos. Também menciona a Resolução nº 23/2007 do CNMP, que regulamenta a instauração e tramitação do inquérito civil.

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Princípios Institucionais do MP

Inquérito Civil
EXTENSIVO MPE
RUMO AO MP
PRINCÍPIOS DO MP

Atualizado em 04/06/24

SUMÁRIO
PRINCÍPIOS DO MP ......................................................................................................................................................... 3
1. Inquérito civil .................................................................................................................................................... 3
1.1 Características................................................................................................................................................. 6
1.2 Objeto do inquérito civil ................................................................................................................................. 6
1.3 Legitimação exclusiva do Ministério Público ................................................................................................... 7

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
1.4 Facultatividade................................................................................................................................................ 7
1.5 Inquisitoriedade .............................................................................................................................................. 7
1.6 Publicidade mitigada....................................................................................................................................... 9
1.7 Autoexecutoriedade ..................................................................................................................................... 10
1.8 Efeitos ........................................................................................................................................................... 11
1.9 Valor probatório ........................................................................................................................................... 11
2. Procedimento ................................................................................................................................................. 11
2.1 Instauração ................................................................................................................................................... 12
2.1.1 Inciso I ........................................................................................................................................................ 12
2.1.2 Inciso II ....................................................................................................................................................... 13
2.1.3 Inciso III ...................................................................................................................................................... 16
2.2 Instrução ....................................................................................................................................................... 17
2.3 Prazo para conclusão .................................................................................................................................... 20
2.4 Possibilidades................................................................................................................................................ 21
3. Desarquivamento ........................................................................................................................................... 24

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EXTENSIVO MPE
RUMO AO MP
PRINCÍPIOS DO MP

Atualizado em 04/06/24

PRINCÍPIOS DO MP

1. Inquérito civil

Olá, pessoal. Hoje veremos um dos instrumentos extrajudiciais mais importantes para a carreira do
Ministério Público, que é o inquérito civil. Trata-se de um procedimento administrativo investigatório,
facultativo, privativo do Ministério Público, de natureza inquisitiva, informal, instaurado por portaria, e

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
diferente do inquérito policial que visa apurar a autoria e materialidade de um delito, o inquérito civil tem o
objetivo de investigar a ocorrência de uma lesão a algum direito coletivo em sentido amplo (difusos, coletivos
em sentido estrito ou individuais homogêneos).

Desta forma, a finalidade do inquérito civil é fazer com que você, futuro membro do Ministério Público,
tenha subsídios suficientes sobre: 1) a ocorrência ou não da lesão; 2) quais os meios judiciais mais adequados
(ACP, MS, MI, etc.); 3) ou se serão necessário meios extrajudiciais (TAC, recomendações, audiência pública,
relatórios, etc.).

O inquérito civil tem previsão na Constituição e em diversas leis, como podemos ver abaixo:

Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público: II - promover o


CF/88 inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção do património público e
social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos;
Art. 8°, § 1° O Ministério Público poderá instaurar, sob sua presidência,
LEI DA AÇÃO CIVIL inquérito civil, ou requisitar, de qualquer organismo público ou particular,
PÚBLICA certidões, informações, exames ou perícias, no prazo que assinalar, o qual não
poderá ser inferior a 10 (dez) dias úiteis.
Art. 90. Aplicam-se as ações previstas neste título as normas do Código de
CDC Processo Civil e da Lei n° 7.347, de 24 de julho de 1985, inclusive no que respeita
ao inquérito civil, naquilo que não contrariar suas disposições.
Art. 201. Compete ao Ministério Público: V - promover o inquérito civil e a ação
civil pública para a proteção dos interesses individuais, difusos ou coletivos
ECA
relativos a infância e à adolescência, inclusive os definidos no art. 220, § 3° inciso
II, da Constituição Federal.
LEI N. 7853/89 Art. 6° O Ministério Público poderá instaurar, sob sua presidência, inquérito
(PESSOAS civil, ou requisitar, de qualquer pessoa física ou jurídica, pública ou particular,
“PORTADORAS” certidões, informações, exame ou perícias, no prazo que assinalar, não inferior
DEFICIÊNCIA): a 10 (dez) dias úteis.
Art. 7° Incumbe ao Ministério Público da União, sempre que necessário ao
LC75/93 (LOMPU) exercício de suas funções institucionais: I - instaurar inquérito civil e outros
procedimentos administrativos correlatos;
LONMP - LEI N. Art. 25. Além das funções previstas nas Constituições Federal e Estadual, na Lei
8.025/93 Orgânica e em outras leis, incumbe, ainda, ao Ministério Público: (..)

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EXTENSIVO MPE
RUMO AO MP
PRINCÍPIOS DO MP

Atualizado em 04/06/24

IV - promover o inquérito civil e a ação civil pública, na forma da lei: a) para a


proteção, prevenção e reparação dos danos causados ao meio ambiente, ao
consumidor, aos bens (...)

CAIU NO MPE/BA – 2023 – CESPE: Empresas de segurança privada e estabelecimentos comerciais estão
sendo denunciados frequentemente ao MP/BA por perpetrarem o racismo estrutural, havendo, inclusive,
vídeos que exibem espancamento e tortura de pessoas negras acusadas de pequenos furtos. Acerca desse
tema e das atribuições do MP, é correto afirmar que é atribuição do Ministério Público da União (MPU) e do

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
MP estadual promover inquérito civil e ACP para a salvaguarda dos interesses difusos e coletivos, bem como
averiguar denúncia contra empresa que não enfrenta o racismo estrutural.1

No entanto, em provas para Promotor de Justiça tem sido cada vez mais frequente a cobrança de
detalhes sobre a Resolução nº 23/2007 do CNMP, que regulamenta e disciplina, no âmbito do Ministério
Público, a instauração e tramitação do inquérito civil, por isso também estudaremos os detalhes deste referido
ato.

PROCEDIMENTO PREPARATÓRIO DE INQUÉRITO CIVIL: A Resolução nº 23/2007 do CNMP traz ainda o


chamado procedimento preparatório de inquérito civil, instaurado obviamente antes do inquérito civil, nos
termos do art. 2º, §4º da Resolução 23:

Art. 2º, § 4 O Ministério Público, de posse de informações previstas nos artigos 6º e 7º da Lei n° 7.347/85 que
possam autorizar a tutela dos interesses ou direitos mencionados no artigo 1º desta Resolução, poderá
complementá-las antes de instaurar o inquérito civil, visando apurar elementos para identificação dos
investigados ou do objeto, instaurando procedimento preparatório.

Ainda, vale lembrar que este procedimento preparatório deverá ser concluído no prazo máximo de 90
(noventa) dias, prorrogável por igual prazo, uma única vez, em caso de motivo justificável.

Desta forma, consoante previsão do art. 2º, §7º “vencido este prazo, o membro do Ministério Público
promoverá seu arquivamento, ajuizará a respectiva ação civil pública ou o converterá em inquérito civil”.

Masson, Adriano e Landolfo Andrade entendem que esse procedimento preparatório de inquérito civil
também é cabível quando o MP tiver dúvida sobre ser sua ou de outro membro a atribuição para promover a
futura ACP.

ATENÇÃO: No âmbito da Justiça Eleitoral, por conta do art. 105-A da Lei nº 9.504/1997 (Lei das Eleições) não
são aplicáveis os procedimentos previstos na Lei no 7.347/1985 (Lei da ACP).

Art. 105-A. Em matéria eleitoral, não são aplicáveis os procedimentos previstos na Lei no 7.347, de 24 de julho
de 1985.

1 CORRETO. Art. 5 Têm legitimidade para propor a ação principal e a ação cautelar: [...] § 5.° Admitir-se-á o litisconsórcio facultativo

entre os Ministérios Públicos da União, do Distrito Federal e dos Estados na defesa dos interesses e direitos de que cuida esta lei.

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PRINCÍPIOS DO MP

Atualizado em 04/06/24

Desta forma, o TSE passou a não mais admitir o emprego de ação civil pública e inquéritos civis em matéria
eleitoral. Isso fez com que a Procuradoria-Geral da República editasse a Portaria 692/2016, instituindo o
chamado Procedimento Preparatório Eleitoral (PPE), que assim prevê:

Art. 2º O Procedimento Preparatório Eleitoral, de natureza facultativa, administrativa e unilateral, será


instaurado para coletar subsídios necessários à atuação do Ministério Público Eleitoral perante a Justiça
Eleitoral, visando à propositura de medidas cabíveis em relação aos ilícitos eleitorais de natureza não criminal.

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
O entendimento do STF e do TSE é o de que é lícita a prova colhida por meio de PPE (Procedimento
Preparatório Eleitoral), porque a sua instauração não afronta o disposto no art. 105–A da Lei nº
9.504/1997:

TSE: 3.2.1) Esta Corte Superior tem adotado o entendimento segundo o qual é lícita
a prova colhida por meio de PPE, porquanto a sua instauração não afronta o disposto
no art. 105–A da Lei nº 9.504/1997 (TSE, AgR-AI nº 69274, Rel. Min. Og Fernandes,
DJ. de 28.05.2020);
3.2.2) Admite-se instauração de inquérito civil pelo Parquet para apurar prática de
ilícitos eleitorais e, com maior razão, Procedimento Preparatório Eleitoral (PPE),
iniciado no caso dos autos mediante portaria ministerial (TSE, AgR-AI nº 22187, rel.
Min. Sérgio Banhos, DJ de 08.08.2019);

STF: “[...] 6. A prova colhida por meio de PPE, segundo jurisprudência do TRIBUNAL
SUPERIOR ELEITORAL, não afronta o disposto no art. 105– A da Lei 9.504/1997,
que deve ser interpretado em conformidade com os arts. 127 da CF/88, que
atribui ao Ministério Público prerrogativa de defesa da ordem jurídica, do regime
democrático e de interesses sociais individuais indisponíveis, e 129, III, que prevê
o inquérito civil e a ação civil pública para a tutela de interesses difusos e
coletivos. [...] (Ac. de 16.9.2021 no AgR-REspEl nº 22027, rel. Min. Alexandre de
Moraes.)”.

CAIU NO MPE/MG – 2023 – FUNDEP: A prova colhida por meio de procedimento preparatório eleitoral (PPE)
não afronta a Lei 9.504/97, que veda, em matéria eleitoral, a aplicação dos procedimentos previstos na Lei
7.347/85. E tal procedimento, por ser de natureza cível, não atrai o foro por prerrogativa de função.

O professor Hugo Nigro Mazzilli (2023, p.602) lembra que o inquérito civil não é processo, mas sim
procedimento investigatório não contraditório, tendo em vista que não se decidem interesses, não se aplicam
sanções e muito menos se criam, alteram ou extinguem relações jurídicas.

Em sendo o caso de desvio de finalidade ou falta de atribuições, o inquérito civil poderá ser trancado
por mandado de segurança impetrado pelo interessado. O HC também poderá ser usado, segundo Hugo
Nigro Mazzilli, para impedir a condução coercitiva, se determinada ilegalmente dentro de um inquérito civil,
porém não se presta o HC para trancar o referido inquérito civil, como regra.

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PRINCÍPIOS DO MP

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PERGUNTA DE PROVA ORAL: Dr(a), há crime de falso testemunho em inquérito civil?

Pergunta interessante, já que o art. 342 do Código Penal, que define o crime de falso testemunho, não faz
referência expressamente ao inquérito civil, como se vê abaixo:

Art. 342. Fazer afirmação falsa, ou negar ou calar a verdade como testemunha, perito, contador, tradutor ou
intérprete em processo judicial, ou administrativo, inquérito policial, ou em juízo arbitral

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
O professor Hugo Nigro Mazzilli (2023) entende que essa omissão assume relevo diante do princípio da
tipicidade, pedra angular do Direito Penal. Porém, há Projeto de Lei, fruto de sugestão da Associação Paulista
do Ministério Público, para tipificar o referido delito.

1.1 Características.

Veremos agora as diversas características do inquérito civil apontadas pela doutrina.2

1.2 Objeto do inquérito civil

Sobre o objeto do inquérito civil, há dois posicionamentos:

® 1ª corrente: Didier e Hugo Nigro Mazzilli entendem que o inquérito civil pode ser utilizado como
procedimento investigativo não apenas para a tutela coletiva dos direitos coletivos em sentido amplo,
mas também para outras demandas que estejam dentro das funções institucionais do MP, como a
abertura de inquérito civil para apurar eventuais lesões a direito individuai de uma criança ou
adolescente ou a outros direitos indisponíveis. Essa corrente está em consonância com o art. 1º da
Resolução nº 23/2007 do CNMP.

Art. 1º O inquérito civil, de natureza unilateral e facultativa, será instaurado para apurar fato que possa
autorizar a tutela dos interesses ou direitos a cargo do Ministério Público nos termos da legislação
aplicável, servindo como preparação para o exercício das atribuições inerentes às suas funções
institucionais. Parágrafo único. O inquérito civil não é condição de procedibilidade para o ajuizamento
das ações a cargo do Ministério Público, nem para a realização das demais medidase sua atribuição
própria.

CAIU NO MPE/SC - 2021 - CESPE: O inquérito civil é condição para a procedibilidade para o ajuizamento de
ação civil pública3.

® 2ª corrente: Já o professor Daniel Assumpção Neves entende que o inquérito civil tem previsão
apenas para ser procedimento investigatório para fins de tutela coletiva, não podendo ser instaurado
para a tutela individual.

2 Rodrigo Vaslin, Manual de Processo Coletivo, 2023, Editora Juspodvm, p. 377.


3 ERRADO.

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1.3 Legitimação exclusiva do Ministério Público

Ainda que exista um rol de legitimados para a propositura da ação civil pública no art. 5º da Lei da
Ação Civil Pública, entende-se majoritariamente que o inquérito civil só pode ser proposto pelo Ministério
Público. Essa é a posição que prevalece nos concursos, sobretudo os de Promotor de Justiça.

A justificativa para essa legitimidade exclusiva está no art. 8º, §1º da Lei da ACP:

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
Art, 8º,
§ 1º O Ministério Público poderá instaurar, sob sua presidência, inquérito civil, ou
requisitar, de qualquer organismo público ou particular, certidões, informações,
exames ou perícias, no prazo que assinalar, o qual não poderá ser inferior a 10 (dez)
dias úteis.

TEORIA MINORITÁRIA: Há tese minoritária encampada pelo professor Franklyn Roger, Diogo Esteves e José
Roberto Mello Porto, no sentido de que a Defensoria também tem legitimidade para o inquérito civil. Um dos
argumentos é o fato de que a inserção do MP no art. 8º, §1º da LACP foi feita em 1985 e a legitimidade da
Defensoria para ACP foi em 2007 pela 11.448/2007, momento em que a Defensoria ainda estava incipiente,
ante a ausência das emendas constitucionais que a fortaleceram a Defensoria, como a EC 45/2004 e a EC
80/2014. E em segundo lugar, pela teoria dos poderes implícitos poderia se assegurar que igual legitimidade
teoria a Defensoria para o inquérito civil, pois o ordenamento jurídico confere igual legitimidade à Defensoria
Pública para a ACP. Em concursos de MP deve-se adotar, logicamente, a teoria majoritária vista acima.

1.4 Facultatividade

No âmbito penal, como sabemos, a denúncia pode ser oferecida sem o prévio inquérito policial, na
hipótese do Ministério Público se convencer da materialidade e indícios de autoria. Da mesma forma acontece
com o inquérito civil, já que se trata de um procedimento de natureza facultativa.

Como vimos, o art. 1º, parágrafo único da Resolução nº 23/2007 do CNMP deixa claro que “O inquérito
civil não é condição de procedibilidade para o ajuizamento das ações a cargo do Ministério Público, nem
para a realização das demais medidasde sua atribuição própria”.

CAIU NO MPE/BA - 2023 - CESPE: O inquérito civil é condição de procedibilidade para o ajuizamento das
ações a cargo do Ministério Público.4

1.5 Inquisitoriedade

Prevalece a posição majoritária adotada por Mazzilli e Ricardo Leonel, encampada pelo STF e STJ, de
que no inquérito civil, assim como ocorre no inquérito policial, há uma nota de inquisitoriedade, já que se
dispensa o contraditório e ampla defesa.

4 ERRADO.

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PRINCÍPIOS DO MP

Atualizado em 04/06/24

Ainda que o art. 5º, LV garanta o contraditório em processo judicial e administrativo, o inquérito civil
não é um processo judicial e nem administrativo. Como estabelece Rodrigo Vaslin (2023, p. 383), “nele não há
acusado e dele não é possível se chegar a qualquer sanção a ser aplicada aos envolvidos, devendo ser tratado
como procedimento (e não processo) administrativo”.

RESQUÍCIOS DO CONTRADITÓRIO: É bom alertarmos para o fato de que o art. 5º da Resolução nº 23/2007
do CNMP prevê que “em caso de evidência de que os fatos narrados na representação não configurem lesão
aos interesses ou direitos mencionados no artigo 1º desta Resolução ou se o fato já tiver sido objeto de

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
investigação ou de ação civil pública ou se os fatos apresentados já se encontrarem solucionados, o membro
do Ministério Público, no prazo máximo de trinta dias, indeferirá o pedido de instauração de inquérito
civil, em decisão fundamentada, da qual se dará ciência pessoal ao representante e ao representado”. No
entanto, o §5º estabelece a possibilidade de contrarrazões, o que sem dúvidas denota resquícios do
contraditório ainda em sede de inquérito civil.

CAIU NO MPE/BA - 2023 - CESPE: O membro do Ministério Público não poderá, em hipótese alguma, indeferir
pedido de instauração de inquérito civil.5

Vale lembrar que, nos termos do art. 6º, §11 da Resolução 23 do CNMP, o defensor constituído nos
autos poderá assistir o investigado durante a apuração de infrações, sob pena de nulidade absoluta do seu
depoimento e, subsequentemente, de todos os elementos investigatórios e probatórios dele decorrentes ou
derivados, direta ou indiretamente, podendo, inclusive, no curso da respectiva apuração, apresentar razões e
quesitos.

§ 11. O defensor constituído nos autos poderá assistir o investigado durante a


apuração de infrações, sob pena de nulidade absoluta do seu depoimento e,
subsequentemente, de todos os elementos investigatórios e probatórios dele
decorrentes ou derivados, direta ou indiretamente, podendo, inclusive, no curso da
respectiva apuração, apresentar razões e quesitos. (Incluído pela Resolução n° 161,
de 21 de fevereiro de 2017)

CAIU NO MPE/BA - 2023 - CESPE: O defensor constituído nos autos poderá assistir o investigado durante a
apuração de infrações, sob pena de nulidade absoluta do depoimento prestado.6

O defensor também poderá, mesmo sem procuração, examinar autos de investigações findas ou em
andamento, ainda que conclusos à autoridade, podendo copiar peças e tomar apontamentos, em meio físico
ou digital (art.7º, § 6º da Resolução 23).

CAIU NO MPE/GO – 2022 – FGV: Para instruir a petição inicial de uma ação judicial de responsabilidade por
danos causados a interesses difusos ou coletivos, o Ministério Público poderá instaurar, sob sua presidência,
inquérito civil, bem como requisitar, de qualquer organismo público ou particular, certidões, informações,
exames ou perícias, no prazo que assinalar. Acerca do inquérito civil, é correto afirmar que:

5 ERRADO.
6 CORRETO.

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PRINCÍPIOS DO MP

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A) é condição de procedibilidade para o ajuizamento das ações a cargo do Ministério Público e para a adoção
das demais medidas inerentes às suas atribuições;
B) o defensor poderá examinar os autos do inquérito civil e deles extrair cópias, ressalvada a possibilidade de
restrição fundamentada do acesso à identificação do(s) representante(s) e aos elementos de prova referentes
a diligências em andamento e ainda não documentados nos autos, quando houver risco de comprometimento
da finalidade das diligências;
C) durante sua tramitação, o membro do Ministério Público não poderá divulgar informações aos meios de
comunicação social, a respeito das providências adotadas para apuração de fatos em tese ilícitos, enquanto

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
estes estiverem sob investigação, sob pena de violação de dever funcional;
D) é um procedimento administrativo de caráter inquisitivo, de modo que não existe para o investigado
qualquer garantia de oportunidade de manifestação por escrito ou de juntada de documentos para fins de
esclarecimento ou auxílio na elucidação dos fatos;
E) como forma de garantia da imparcialidade do membro do Ministério Público, o inquérito civil não poderá
ser instaurado de ofício, devendo ser provocado mediante representação que forneça, por qualquer meio
legalmente permitido, informações sobre o fato e seu provável autor, bem como a qualificação mínima que
permita sua identificação e localização7.

1.6 Publicidade mitigada

A Resolução nº 23/2007 do CNMP, em seu art. 7º, prevê que “aplica-se ao inquérito civil o princípio
da publicidade dos atos, com exceção dos casos em que haja sigilo legal ou em que a publicidade possa
acarretar prejuízo às investigações, casos em que a decretação do sigilo legal deverá ser motivada”.

Assim, estando verificada alguma hipótese de sigilo legal, o MP tem o dever de restringir a publicidade
externa (acesso por terceiros), permitindo o acesso apenas ao investigado e ao seu advogado ou defensor
(publicidade interna).

Há, ainda, o § 4º do art. 7º dispondo que “a restrição à publicidade deverá ser decretada em decisão
motivada, para fins do interesse público, e poderá ser, conforme o caso, limitada a determinadas pessoas,
provas, informações, dados, períodos ou fases, cessando quando extinta a causa que a motivou”.

CAIU NO MPE/PE – 2022 – FCC: Dentre os princípios que regem o inquérito civil, encontra-se o da publicidade,
sendo que,
A) sua aplicação pode ser mitigada, conforme o conteúdo e o andamento da investigação.
B) sua aplicação será irrestrita, nos termos do art. 37 da Constituição Federal.
C) sua aplicação será irrestrita ao investigado e seu patrono.
D) ao presidente da investigação é facultado vedar seu acesso, imotivadamente.
E) como instrumento reservado ao Ministério Público, o acesso a ele depende de ordem judicial.8

7 Gabarito: B.
8 Gabarito: A.

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Atualizado em 04/06/24

1.7 Autoexecutoriedade

Ponto importante diz respeito à autoexecutoriedade dentro do inquérito civil. Por exemplo, o MP
poderá requisitar documentos, certidões, perícias, realizações de exames, colheita de depoimentos etc., nos
termos do art. 8º, §1º da LACP e art. 26, II da LONMP, sem que precise de autorização judicial:

Art. 8º,

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
§ 1º O Ministério Público poderá instaurar, sob sua presidência, inquérito civil, ou
requisitar, de qualquer organismo público ou particular, certidões, informações,
exames ou perícias, no prazo que assinalar, o qual não poderá ser inferior a 10 (dez)
dias úteis.

Art. 26. No exercício de suas funções, o Ministério Público poderá:

II - requisitar informações e documentos a entidades privadas, para instruir


procedimentos ou processo em que oficie;

Além disso, o descumprimento da requisição importará em ato criminoso, nos termos do art. 10 da
LACP:

Art. 10. Constitui crime, punido com pena de reclusão de 1 (um) a 3 (três) anos, mais
multa de 10 (dez) a 1.000 (mil) Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional - ORTN,
a recusa, o retardamento ou a omissão de dados técnicos indispensáveis à
propositura da ação civil, quando requisitados pelo Ministério Público.

Contudo, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que o delito somente ficará
configurado se os dados omitidos ou retardados forem considerados indispensáveis para a propositura da
ACP:

Não configura o crime do art. 10 da Lei 7.347/1985 o retardamento do envio de


dados técnicos requisitados pelo MP para a propositura de ação civil pública
quando, após o envio a destempo, o MP promova o arquivamento do inquérito
civil sob o fundamento da licitude dos atos praticados pelo investigado. De acordo
com o art. 10 da Lei 7.347/1985, constitui crime, punido com pena de reclusão de 1
(um) a 3 (três) anos, mais multa de 10 (dez) a 1.000 (mil) Obrigações Reajustáveis do
Tesouro Nacional ORTN, a recusa, o retardamento ou a omissão de dados técnicos
indispensáveis à propositura da ação civil, quando requisitados pelo Ministério
Público. Na hipótese em análise, não obstante tenha ocorrido o retardamento na
remessa dos dados requeridos, observa-se que, após envio, o Parquet concluiu pela
licitude dos atos investigados e arquivou o inquérito civil, caracterizando, assim, a
prescindibilidade das informações. Nesse sentido, forçoso reconhecer a ausência
da elementar dados técnicos indispensáveis à propositura da ação civil do art. 10

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da Lei 7.347/1985, face à verificação da legalidade dos atos praticados pelo


investigado. Precedente citado: APn 515-MT, Corte Especial, DJe de 5/2/2009. HC
303.856-RJ, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 7/4/2015, DJe 22/4/2015.

Vale lembrar que embora a Lei Orgânica da Defensoria Pública (Lei nº 80/1994) também preveja o
poder requisitório, este se refere apenas a autoridade pública, não atingindo entidades particulares. Além
disso, só há previsão de tipificação do delito previsto no art. 10 da LACP se a requisição for feita pelo Ministério
Público, e não pela Defensoria.

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
CAIU NA SEGUNDA FASE DO MPE/PR – 2022 – BANCA PRÓPRIA: Discorra sobre a característica da
autoexecutoriedade do inquérito civil.

Resposta: Deve-se indicar que, de acordo com a característica da autoexecutoriedade, para a instrução do
Inquérito Civil o Ministério Público não depende do Poder Judiciário ou de qualquer outro ente público para
aprovar, autorizar ou ratificar as diligências que entenda necessárias para a colheita dos elementos que serão
aptos a formar o convencimento do membro encarregado de presidir o procedimento, sobre a existência ou
não de ameaça ou lesão a interesses metaindividuais. Todavia, a autoexecutoriedade desses poderes não é
ilimitada, na medida em que seu alcance deve observar a reserva de jurisdição e as garantias fundamentais
previstas na Constituição Federal.

1.8 Efeitos

Rodrigo Vaslin (2023, p. 388) lembra que a instauração do inquérito civil produz os seguintes efeitos:

® Possibilidade de o MP empregar eficazes instrumentos probatórios (requisições, notificações,


conduções coercitivas, oitivas de testemunhas, inspeções). (Masson, Adriano e Landolfo)

® Óbice à decadência (art. 26, §2º do CDC). (Masson, Adriano e Landolfo)

® Surgimento de dever de o Estado indenizar investigado pelos prejuízos sofridos em razão de


instauração temerária de inquérito civil, causando dano no investigado. (Didier e Zaneti)

1.9 Valor probatório

O STJ em entendimento de que o inquérito civil possui eficácia relativa para fins de instrução da ação
civil pública (STJ, Resp. nº 1280321/MG). Isso se dá pelo fato de que o inquérito civil, por ser um procedimento
inquisitivo, não tem aplicação total do contraditório e da ampla defesa. Desta forma, assim como o inquérito
policial, os elementos colhidos devem guardar relação e serem corroborados na fase judicial, agora sob o crivo
do contraditório.

2. Procedimento

Segundo o art. 2º da Resolução 23/2007, o inquérito civil poderá ser instaurado de três formas:

11
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RUMO AO MP
PRINCÍPIOS DO MP

Atualizado em 04/06/24

® de ofício;
® em face de requerimento ou representação formulada por qualquer pessoa ou comunicação de
outro órgão do Ministério Público, ou qualquer autoridade, desde que forneça, por qualquer meio
legalmente permitido, informações sobre o fato e seu provável autor, bem como a qualificação
mínima que permita sua identificação e localização;
® por designação do Procurador-Geral de Justiça, do Conselho Superior do Ministério Público, Câmaras
de Coordenação e Revisão e demais órgãos superiores da Instituição, nos casos cabíveis.

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
Veremos cada um desses abaixo.

2.1 Instauração

2.1.1 Inciso I

Resolução 23/2007

Art. 2º O inquérito civil poderá ser instaurado:

I – de ofício;

CAIU NO MPE/SC - 2021 - CESPE: O inquérito civil não poderá ser instaurado de ofício pelo Ministério Público,
que deverá ser provocado por qualquer pessoa ou autoridade que forneça informações acerca do fato e de
seu provável autor bem como a qualificação mínima que permita sua identificação e sua localização9.

O art. 3º da Resolução 23/2007 dispõe que “caberá ao membro do Ministério Público investido da
atribuição para propositura da ação civil pública a responsabilidade pela instauração de inquérito civil.”

O Ministério Público atuará, independentemente de provocação, em caso de conhecimento, por


qualquer forma, de fatos que, em tese, constituam lesão aos interesses ou direitos mencionados no artigo 1º
da Resolução 23/2007, devendo cientificar o membro do Ministério Público que possua atribuição para tomar
as providências respectivas, no caso de não a possuir.

Pode acontecer, no entanto, de o outro membro do MP entender por não ter atribuição para aquele
feito, o que ensejará o chamado “conflito de atribuição”, que não se confunde com o conflito de
competência.

Conflito de atribuições Conflito de competência


Controvérsia entre órgãos do Ministério Público Quando dois órgãos jurisdicionais divergem sobre
sobre ato que caiba a um deles praticar. Ex.: MPE x quem deverá julgar uma causa, dizemos que existe,
MPE, ou MPE x MPF, ou MPE/RJ vs. MPE/MG. neste caso, um conflito de competência.

9 ERRADO.

12
EXTENSIVO MPE
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PRINCÍPIOS DO MP

Atualizado em 04/06/24

O conflito de atribuição pode ser tanto positivo (dois ou mais órgãos do MP entendem ter atribuição)
ou negativo (dois ou mais órgãos do MP entendem não ter atribuição).

Art. 3º, Parágrafo único. Eventual conflito negativo ou positivo de atribuição será
suscitado, fundamentadamente, nos próprios autos ou em petição dirigida ao órgão
com atribuição no respectivo ramo, que decidirá a questão no prazo de 30 (trinta)
dias.

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
A quem compete solucionar o conflito de atribuição? A resposta é depende (ver tabela abaixo):

QUEM DECIDE O CONFLITO DE ATRIBUIÇÕES ENTRE MEMBROS DO MINISTÉRIO PÚBLICO?10

SITUAÇÃO QUEM IRÁ DIRIMIR

MPE do Estado 1 x MPE do Estado 1 Procurador-Geral de Justiça do Estado 1


MPF x MPF CCR, com recurso ao PGR
MPU (ramo 1) x MPU (ramo 2) Procurador-Geral da República
MPE x MPF CNMP

MPE do Estado 1 x MPE do Estado 2 CNMP

CAIU NO MPE/AC – 2022 – CESPE: Em um procedimento investigatório criminal no estado do Amazonas, um


promotor do Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE/AM) entendeu que a demanda deveria ser de
atribuição do MPE/AC. Chegando o feito ao MPE/AC, o promotor de justiça responsável entendeu que a
atribuição era, na verdade, do MPE/AM, e não do MPE/AC, motivo pelo qual suscitou conflito de atribuições.
Nessa situação hipotética, a referida suscitação de conflito de atribuição deve ser encaminhada ao
A) Conselho Nacional do Ministério Público.
B) Supremo Tribunal Federal.
C) procurador-geral da República.
D) juiz com tal atribuição no TJ/AC.
E) Superior Tribunal de Justiça.11

2.1.2 Inciso II

Resolução 23/2007

Art. 2º O inquérito civil poderá ser instaurado:

10 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Conflito de atribuições envolvendo MPE e MPF deve ser dirimido pelo CNMP. Buscador Dizer
o Direito, Manaus. Disponível em:
<[Link] Acesso em:
28/09/2023
11 Gabarito: A.

13
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PRINCÍPIOS DO MP

Atualizado em 04/06/24

II – em face de requerimento ou representação formulada por qualquer pessoa ou


comunicação de outro órgão do Ministério Público, ou qualquer autoridade, desde
que forneça, por qualquer meio legalmente permitido, informações sobre o fato e
seu provável autor, bem como a qualificação mínima que permita sua identificação
e localização;

O § 2º do art. 2º prevê que no caso do inciso II, em sendo as informações verbais, o Ministério Público
reduzirá a termo as declarações. Da mesma forma, a falta de formalidade não implica indeferimento do pedido

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
de instauração de inquérito civil, salvo se, desde logo, mostrar-se improcedente a notícia.

Vale lembrar que o art. 6º, § dispõe que 5º qualquer pessoa poderá, durante a tramitação do inquérito
civil, apresentar ao Ministério Público documentos ou subsídios para melhor apuração dos fatos.

CAIU NO MPE/SC – 2021 – CESPE: Durante a tramitação do inquérito civil, qualquer pessoa poderá apresentar
ao Ministério Público subsídios ou documentos que contribuam para uma melhor apuração dos fatos12.

Ainda, o conhecimento por manifestação anônima, justificada, não implicará ausência de


providências, desde que obedecidos os mesmos requisitos para as representações em geral, constantes no
artigo 2º, inciso II acima.

Tal entendimento está em consonância com a súmula 611 do STJ, que dispõe que “desde que
devidamente motivada e com amparo em investigação ou sindicância, é permitida a instauração de processo
administrativo disciplinar com base em denúncia anônima, em face do poder-dever de autotutela imposto à
Administração.”

CAIU NO MPE/BA - 2023 - CESPE: O conhecimento por manifestação anônima implicará necessariamente a
ausência de providências. 13

Futuro(a) Promotor(a), também lembre-se que recebendo o requerimento ou a representação, o MP


pode se negar a instaurar o inquérito, de maneira fundamentada (art.5º da Resolução 23/2007), combinado
com o art. 4º da Resolução 174/2017, que trata sobre a Notícia de Fato.

Resolução 23/2007:

Art. 5º Em caso de evidência de que os fatos narrados na representação não


configurem lesão aos interesses ou direitos mencionados no artigo 1o desta
Resolução ou se o fato já tiver sido objeto de investigação ou de ação civil pública
ou se os fatos apresentados já se encontrarem solucionados, o membro do
Ministério Público, no prazo máximo de trinta dias, indeferirá o pedido de

12 CORRETO.
13 ERRADO.

14
EXTENSIVO MPE
RUMO AO MP
PRINCÍPIOS DO MP

Atualizado em 04/06/24

instauração de inquérito civil, em decisão fundamentada, da qual se dará ciência


pessoal ao representante e ao representado.

§ 1o Do indeferimento caberá recurso administrativo, com as respectivas razões, no


prazo de dez dias.

§ 2o As razões de recurso serão protocoladas junto ao órgão que indeferiu o pedido,


devendo ser remetidas, caso não haja reconsideração, no prazo de três dias,

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
juntamente com a representação e com a decisão impugnada, ao Conselho
Superior do Ministério Público ou à Câmara de Coordenação e Revisão respectiva
para apreciação.

CAIU NO MPE/RR – 2023 -INSTITUTO AOCP: A Associação de Defesa da Cidadania ofereceu representação
ao Ministério Público do Estado pugnando pela instauração de inquérito civil para a apuração de ato de
improbidade administrativa praticado no âmbito da gestão do município Normandia, consistente em
contratação de prestador de serviço de limpeza urbana sem realização de licitação. O representante do
Ministério Público, entendendo que os fatos não estavam adequadamente descritos, indeferiu a
representação. Intimada da decisão, a Associação interpôs recurso, endereçando-o ao mesmo membro do
Ministério Público, que, em juízo de retratação, manteve a decisão de indeferimento de instauração de
inquérito civil. Nesse caso, o recurso deve ser examinado pelo:
A) Procurador-Geral de Justiça.
B) Corregedor-Geral do Ministério Público.
C) Colégio de Procuradores de Justiça.
D) Conselho Superior do Ministério Público.14

§ 3o Do recurso serão notificados os interessados para, querendo, oferecer contra-


razões.

§ 4o Expirado o prazo do artigo 5o, § 1o, desta Resolução, os autos serão arquivados
na própria origem, registrando-se no sistema respectivo, mesmo sem manifestação
do representante.

§ 5o Na hipótese de atribuição originária do Procurador-Geral, caberá pedido de


reconsideração no prazo e na forma do parágrafo primeiro.

Resolução 174/2017

Art. 4o A Notícia de Fato será arquivada quando: (Redação alterada pela Resolução
no 189, de 18 de junho de 2018)

14 Gabarito: D.

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EXTENSIVO MPE
RUMO AO MP
PRINCÍPIOS DO MP

Atualizado em 04/06/24

I – o fato narrado já tiver sido objeto de investigação ou de ação judicial ou já se


encontrar solucionado; (Redação alterada pela Resolução no 189, de 18 de junho de
2018)

II – a lesão ao bem jurídico tutelado for manifestamente insignificante, nos termos


de jurisprudência consolidada ou orientação do Conselho Superior ou de Câmara de
Coordenação e Revisão; (Redação alterada pela Resolução no 189, de 18 de junho
de 2018)

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
III – for desprovida de elementos de prova ou de informação mínimos para o início
de uma apuração, e o noticiante não atender à intimação para complementá-la.
(Redação alterada pela Resolução no 189, de 18 de junho de 2018)

Vale dizer que, nos termos do art. 4º, parágrafo único da Resolução 23/2007, se, no curso do inquérito
civil, novos fatos indicarem necessidade de investigação de objeto diverso do que estiver sendo
investigado, o membro do Ministério Público poderá aditar a portaria inicial ou determinar a extração de
peças para instauração de outro inquérito civil, respeitadas as normas incidentes quanto à divisão de
atribuições.
CAIU NO MPE/MG – 2022 – FUNDEP: - Se, no curso do Inquérito Civil Público, novos fatos indicarem
necessidade de investigação de objeto diverso do que estiver sendo investigado, o membro do Ministério
Público poderá aditar a portaria inicial ou determinar a extração de peças para instauração de outro Inquérito
Civil Público, respeitadas as normas incidentes quanto à divisão de atribuições15.

CAIU NO MPE/SC – 2021 – CESPE: De acordo com o disposto na Resolução n.º 23/2007 do Conselho Nacional
do Ministério Público, julgue o item subsequente, acerca do inquérito civil. O inquérito civil é instaurado por
meio de portaria, que poderá ser aditada por membro do Ministério Público quando novos fatos indicarem
necessidade de investigação de objeto diverso do que estiver sendo investigado, respeitadas as normas
incidentes quanto à divisão de atribuições16.

CAIU NO MPE/PR - 2019 – BANCA PRÓPRIA: Se, no curso do Inquérito Civil, novos fatos indicarem
necessidade de investigação de objeto diverso do que estiver sendo investigado, o membro do Ministério
Público deverá arquivar o procedimento, com remessa ao Conselho Superior do Ministério Público ou à
Câmara de Coordenação e Revisão respectiva, que poderá autorizar ou não a instauração de outro Inquérito
Civil.17.

2.1.3 Inciso III

Resolução 23/2007
Art. 2º O inquérito civil poderá ser instaurado:

15 CORRETO.
16 CORRETO.
17 ERRADO.

16
EXTENSIVO MPE
RUMO AO MP
PRINCÍPIOS DO MP

Atualizado em 04/06/24

III – por designação do Procurador-Geral de Justiça, do Conselho Superior do


Ministério Público, Câmaras de Coordenação e Revisão e demais órgãos superiores
da Instituição, nos casos cabíveis.

Diferente da hipótese do inciso anterior, no inciso III o membro do MP não poderá recusar a
instauração do inquérito civil.

CÂMARAS DE COORDENAÇÃO E REVISÃO18: As Câmaras de Coordenação e Revisão (CCR) do Ministério

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
Público Federal são os órgãos setoriais que coordenam, integram e revisam o exercício funcional dos membros
da instituição – procuradores e subprocuradores da República. São organizadas por função ou por matéria.
Cada Câmara de Coordenação e Revisão é composta por três membros do Ministério Público Federal, sendo
um indicado pelo procurador-geral da República e dois pelo Conselho Superior do MPF, juntamente com seus
suplentes, para mandato de dois anos. Sempre que possível, a indicação é feita entre integrantes do último
grau da carreira, ou seja, entre os subprocuradores-gerais da República.

A Lei Orgânica do Ministério Público da União (LC nº 75/1993) define as competências das Câmaras de
Coordenação e Revisão: promover a integração e a coordenação dos órgãos institucionais que atuem em
ofícios ligados ao setor de sua competência, observado o princípio da independência funcional; manter
intercâmbio com órgãos ou entidades que atuem em áreas afins; encaminhar informações técnico-jurídicas
aos órgãos institucionais que atuem em seu setor; manifestar-se sobre o arquivamento de inquérito policial,
inquérito parlamentar ou peças de informação, exceto nos casos de competência originária do Procurador-
Geral; resolver sobre a distribuição especial de feitos que, por sua contínua reiteração, devam receber
tratamento uniforme; resolver sobre a distribuição especial de inquéritos, feitos e procedimentos, quando a
matéria, por sua natureza ou relevância, assim o exigir; decidir os conflitos de atribuições entre os órgãos do
Ministério Público Federal.

2.2 Instrução

Sobre a instrução no inquérito civil, vejam o que estabelece o art. 6º da Resolução 23/2007 e seus
parágrafos:

Art. 6º A instrução do inquérito civil será presidida por membro do Ministério Público
a quem for conferida essa atribuição, nos termos da lei.

§ 1º O membro do Ministério Público poderá designar servidor do Ministério Público


para secretariar o inquérito civil.

§ 2º Para o esclarecimento do fato objeto de investigação, deverão ser colhidas


todas as provas permitidas pelo ordenamento jurídico, com a juntada das peças em
ordem cronológica de apresentação, devidamente numeradas em ordem crescente.

18 Disponível em: [Link]

17
EXTENSIVO MPE
RUMO AO MP
PRINCÍPIOS DO MP

Atualizado em 04/06/24

§ 3º Todas as diligências serão documentadas mediante termo ou auto


circunstanciado.

O art. 129, VI da Constituição Federal permitiu que o membro do MP possa expedir notificações e
requisitar informações.

Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público:

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
VI - expedir notificações nos procedimentos administrativos de sua competência,
requisitando informações e documentos para instruí-los, na forma da lei
complementar respectiva;

A doutrina, a exemplo de Landolfo, Masson e Andrade, estabelece que a notificação é um ato


geralmente empregado para que uma pessoa compareça perante o MP a fim de prestar esclarecimentos.
Quais as consequências para alguém que seja notificado e não compareça?

Condução coercitiva (art. 25, I da LONMP).

Porém, Rodrigo Vaslin (2023) lembra que comparecendo por condução coercitiva, a testemunha não
é obrigada a responder as perguntas formuladas pelo MP.

CAIU NO MPE/SC- 2021 – CESPE: No âmbito de investigação preliminar instaurada e dirigida pelo Ministério
Público, não é cabível a condução coercitiva de testemunha que deixar de comparecer em oitiva para a qual
tenha sido intimada, uma vez que a condução coercitiva somente é possível no âmbito de inquérito policial ou
processo judicial. 19

Quanto às requisições, elas são ordens e devem ser cumpridas, sob pena de crime (art. 10, LACP).
Pergunta-se: qual a extensão das requisições feitas pelo MP? Segundo Rodrigo Vaslin há três correntes20 :

® 1ª corrente: quando o sigilo da informação é imposto por lei, o MP não pode requisitá-la.
® 2ª corrente (Masson, Adriano, Landolfo e Mazzilli): Ainda que o sigilo seja imposto por lei, o MP
poderá requisitar, como regra. Isso porque depois da LACP, a CF/88 atribuiu o poder requisitório ao
MP e conferiu à lei complementar a sua regulamentação. E a Lei nº 75/93 dispôs em seu art. 8, §2º
que não é possível recusar atendimento das requisições do MP sob a alegação de sigilo. Porém,
havendo cláusula de reserva de jurisdição, será necessária ordem judicial, como busca e apreensão
em local que seja domicílio.

Discute-se ainda se o poder de requisição abrange a possibilidade de o MP requisitar diretamente


instituições financeiras, independentemente de autorização judicial, informações protegidas pelo sigilo

19ERRADO.
20Pessoal, acostumem-se com essa ideia de várias correntes e posicionamentos. Infelizmente, em concursos para cargos mais
complexos, como o MP, é natural que precisemos saber de algumas posições, notadamente para as fases mais avançadas, como
subjetiva, oral ou tribuna.

18
EXTENSIVO MPE
RUMO AO MP
PRINCÍPIOS DO MP

Atualizado em 04/06/24

bancário. Embora haja posicionamentos no sentido de que isso seria possível, o STF e o STJ entendem que
não é possível, considerando que embora o art. 8º, §2º da Lei Complementar 75/1993 preveja que nenhuma
autoridade poderá opor a exceção do sigilo, considerando que as instituições financeiras não são autoridades,
logo não estariam abarcadas pela previsão legal.

Porém, atenção, pois as contas bancárias dos entes públicos, em regra, não são albergadas pelo sigilo,
como já decidiu o STJ e o STF:

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
Não são nulas as provas obtidas por meio de requisição do Ministério Público de
informações bancárias de titularidade de Prefeitura para fins de apurar supostos
crimes praticados por agentes públicos contra a Administração Pública. É lícita a
requisição pelo Ministério Público de informações bancárias de contas de
titularidade da Prefeitura, com o fim de proteger o patrimônio público, não se
podendo falar em quebra ilegal de sigilo bancário. O sigilo de informações
necessário à preservação da intimidade é relativizado quando há interesse da
sociedade em conhecer o destino dos recursos públicos. Diante da existência de
indícios da prática de ilícitos penais envolvendo verbas públicas, cabe ao MP, no
exercício de seus poderes investigatórios (art. 129, VIII, da CF/88), requisitar os
registros de operações financeiras relativos aos recursos movimentados a partir
de conta-corrente de titularidade da Prefeitura. Essa requisição compreende,
por extensão, o acesso aos registros das operações bancárias sucessivas, ainda
que realizadas por particulares, e objetiva garantir o acesso ao real destino
desses recursos públicos. STJ. 5ª Turma. HC 308493-CE, Rel. Min. Reynaldo Soares
da Fonseca, julgado em 20/10/2015 (Info 572). STF. 2ª [Link] 133118/CE, Rel.
Min. Dias Toffoli, julgado em 26/9/2017 (Info 879).

Márcio Cavalcante resume essas informações de uma forma fantástica na tabela abaixo:

SIGILO BANCÁRIO21
Os órgãos poderão requerer informações bancárias diretamente das instituições financeiras?

POLÍCIA NÃO. É necessária autorização judicial.


NÃO. É necessária autorização judicial (STJ HC 160.646/SP, Dje 19/09/2011).
Exceção: É lícita a requisição pelo Ministério Público de informações bancárias de
MP contas de titularidade de órgãos e entidades públicas, com o fim de proteger o
patrimônio público, não se podendo falar em quebra ilegal de sigilo bancário (STJ. 5ª
Turma. HC 308.493-CE, j. em 20/10/2015).
TCU NÃO. É necessária autorização judicial (STF MS 22934/DF, DJe de 9/5/2012).

21 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. É possível que o Fisco requisite das instituições financeiras informações bancárias sobre os

contribuintes sem intervenção do Poder Judiciário. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<[Link] Acesso em:
28/09/2023

19
EXTENSIVO MPE
RUMO AO MP
PRINCÍPIOS DO MP

Atualizado em 04/06/24

Exceção: O envio de informações ao TCU relativas a operações de crédito originárias


de recursos públicos não é coberto pelo sigilo bancário (STF. MS 33340/DF, j. em
26/5/2015).

SIM, com base no art. 6º da LC 105/2001. O repasse das informações dos bancos para
Receita Federal
o Fisco não pode ser definido como sendo "quebra de sigilo bancário".
Fisco estadual, SIM, desde que regulamentem, no âmbito de suas esferas de competência, o art. 6º
distrital, municipal da LC 105/2001, de forma análoga ao Decreto Federal 3.724/2001.

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
SIM (seja ela federal ou estadual/distrital) (art. 4º, § 1º da LC 105/2001).
CPI
Prevalece que CPI municipal não pode.

2.3 Prazo para conclusão

Inicialmente, vejam que o prazo para conclusão do procedimento preparatório ao inquérito civil está
previsto no art. 2º, §6º da Resolução 23 do CNMP.

§ 6º O procedimento preparatório deverá ser concluído no prazo de 90 (noventa)


dias, prorrogável por igual prazo, uma única vez, em caso de motivo justificável.

CAIU NO MPE/BA - 2023 - CESPE: O prazo para a conclusão do procedimento preparatório ao inquérito civil
é de 90 dias improrrogáveis23.

CAIU NO MPE/SC - 2019 - CONSULPLAN: O procedimento preparatório, uma vez vencido o prazo de 90 dias,
deverá obrigatoriamente ser evoluído para inquérito civil, ou ser arquivado.24.

CAIU NO MPE/PR - 2019 – BANCA PRÓPRIA: O Procedimento Preparatório deverá ser concluído no prazo de
60 (sessenta) dias, prorrogável por igual prazo, uma única vez, em caso de motivo justificável.25.

Porém, em se tratando do próprio inquérito civil, é imposto que sua conclusão se dê em 01 ano,
prorrogável por igual período, quantas vezes forem necessárias (art. 9º da Resolução nº 23 do CNMP).

Art. 9º O inquérito civil deverá ser concluído no prazo de 1 (um) ano, prorrogável
pelo mesmo prazo e quantas vezes forem necessárias, por decisão fundamentada
de seu presidente, à vista da imprescindibilidade da realização ou conclusão de
diligências, dando-se ciência ao Conselho Superior do Ministério Público, à Câmara
de Coordenação e Revisão ou à Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão.
(Redação dada pela Resolução n° 193, de 14 de dezembro de 2018)

§ 1o Cada Ministério Público, no âmbito de sua competência administrativa, poderá


estabelecer prazo inferior, bem como limitar a prorrogação mediante ato

23 ERRADO.
24 ERRADO.
25 ERRADO.

20
EXTENSIVO MPE
RUMO AO MP
PRINCÍPIOS DO MP

Atualizado em 04/06/24

administrativo do Órgão da Administração Superior competente. (Anterior


parágrafo único renumerado para § 1o pela Resolução n° 193, de 14 de dezembro
de 2018)

O STJ tem entendimento (AgRg no RMS 25.763/RJ) de que o excesso de prazo no inquérito civil público,
em princípio, não prejudica o investigado. Evidentemente caberá a este comprovar, diante do caso concreto,
que o excesso de prazo trouxe prejuízo (para o STJ, não há se falar em nulidade se não existir prejuízo,
aplicação prática do brocardo pas de nulité san grief.

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
2.4 Possibilidades

Ao concluir o inquérito civil, quais decisões pode tomar o membro do MP? Vejamos as possibilidades:

® Elaboração de um TAC (art. 5º, §6º da LACP c/c art. 14 da Resolução nº 23 do CNMP);

® Ingressar com uma ACP (Ação Civil Pública);

® Ingressar com uma ação penal com base nos elementos colhidos no inquérito civil (STF admite essa
possibilidade (STF, inf. 714, AP 565/RO);

® Emitir parecer com uma recomendação;

® Requerer o arquivamento dos autos do inquérito civil (art. 9º da LACP c/c art. 10 da Resolução
23/2007.

CAIU NO MPE/RR – 2023 -INSTITUTO AOCP: No curso de inquérito civil, o promotor de Justiça expede
recomendação administrativa ao prefeito para que proceda à invalidação de licitação para aquisição de veículo
oficial, calcada no fundamento de que a descrição restritiva do objeto, constante do edital, inviabilizaria a
disputa, caracterizando direcionamento. No prazo de resposta, o prefeito defende a legalidade da licitação e,
em paralelo, oferta representação ao CNMP, pretendendo a desconstituição da recomendação ministerial. Em
vista do caso prático apresentado, assinale a alternativa correta.
A) O Conselho Nacional do Ministério Público constitui órgão constitucional de controle externo do Ministério
Público da União e dos Estados, ostentando competência para rever ou desconstituir atos praticados em
inquéritos civis, no exercício da atividade finalística.
B) O Ministério Público, no exercício do controle da Administração Pública, pode expedir recomendação com
o objetivo de persuadir o destinatário a praticar ou deixar de praticar determinados atos em benefício da
melhoria dos serviços públicos e de relevância pública ou do respeito aos interesses, direitos e bens defendidos
pela instituição, atuando, assim, como instrumento de prevenção de responsabilidades ou correção de
condutas.
C) A caracterização do vício jurídico decorrente da inclusão de cláusula restritiva no edital depende da
comprovação de conluio entre o administrador e o concorrente beneficiado pela cláusula, sem o que se mostra
inviável a atuação do Ministério Público na espécie.

21
EXTENSIVO MPE
RUMO AO MP
PRINCÍPIOS DO MP

Atualizado em 04/06/24

D) Dado o caráter não vinculativo, a recomendação é despida de qualquer força jurídica, não podendo o seu
desatendimento servir de começo de prova da existência de dolo. 26

CAIU NO MPE/TO – 2022 – CESPE: Assinale a opção que corresponde ao instrumento de atuação extrajudicial
do Ministério Público pelo qual se expõem, em ato formal, razões fáticas e jurídicas sobre determinada
questão, com o objetivo de persuadir o destinatário a praticar ou deixar de praticar determinados atos, em
benefício da melhoria dos serviços públicos e de relevância pública, não tendo caráter coercitivo.
A) recomendação.

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
B) requisição.
C) termo de ajustamento de conduta.
D) notificação.
E) notícia de fato. 27

Dada a relevância sobre o tema “arquivamento”, vejamos também o que estabelece o art. 9º da LACP:

Art. 9º Se o órgão do Ministério Público, esgotadas todas as diligências, se


convencer da inexistência de fundamento para a propositura da ação civil,
promoverá o arquivamento dos autos do inquérito civil ou das peças informativas,
fazendo-o fundamentadamente.

§ 1º Os autos do inquérito civil ou das peças de informação arquivadas serão


remetidos, sob pena de se incorrer em falta grave, no prazo de 3 (três) dias, ao
Conselho Superior do Ministério Público.

CAIU NO MPE/PE – 2022 – FCC: Promovido o arquivamento do inquérito civil, o órgão do Ministério Público
deverá
A) encaminhá-lo, em 03 dias, à Procuradoria-Geral de Justiça.
B) mantê-lo na sua unidade de atuação, para eventual correição pelo respectivo órgão de controle.
C) encaminhá-lo, em 05 dias, ao Conselho Superior do Ministério Público.
D) encaminhá-lo, em 03 dias, ao Órgão Especial do Colégio de Procuradores.
E) encaminhá-lo, em 03 dias, ao Conselho Superior do Ministério Público. 28

§ 2º Até que, em sessão do Conselho Superior do Ministério Público, seja


homologada ou rejeitada a promoção de arquivamento, poderão as associações
legitimadas apresentar razões escritas ou documentos, que serão juntados aos autos
do inquérito ou anexados às peças de informação.

§ 3º A promoção de arquivamento será submetida a exame e deliberação do


Conselho Superior do Ministério Público, conforme dispuser o seu Regimento.

26 Gabarito: B.
27 Gabarito: A.
28 Gabarito: E.

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EXTENSIVO MPE
RUMO AO MP
PRINCÍPIOS DO MP

Atualizado em 04/06/24

§ 4º Deixando o Conselho Superior de homologar a promoção de arquivamento,


designará, desde logo, outro órgão do Ministério Público para o ajuizamento da
ação.

De igual maneira, o art. 30 da LONMP estabelece que cabe ao Conselho Superior do Ministério
Público rever o arquivamento de inquérito civil, na forma da lei.

CAIU NO MPE/BA – 2023 – CESPE: Segundo a Lei n. 8.625/1993, que institui a Lei Orgânica Nacional do

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
Ministério Público, a revisão do inquérito civil cabe ao:
A) procurador-geral de justiça.
B) CSMP.
C) Colégio de Procuradores de Justiça.
D) juiz a quem for distribuído eventual recurso.
E) corregedor-geral29.

CAIU NO MPE/SE – 2022 – CESPE: A petição de arquivamento do inquérito civil deve ser dirigida ao
A) Conselho Superior do Ministério Público.
B) procurador-geral de justiça.
C) Poder Judiciário.
D) Colégio de Procuradores.
E) corregedor-geral.30

Já o art. 10 da Resolução nº 23 do CNMP assim prevê:

CAPÍTULO V
DO ARQUIVAMENTO

Art. 10. Esgotadas todas as possibilidades de diligências, o membro do Ministério


Público, caso se convença da inexistência de fundamento para a propositura de ação
civil pública, promoverá, fundamentadamente, o arquivamento do inquérito civil
ou do procedimento preparatório.

§ 1º Os autos do inquérito civil ou do procedimento preparatório, juntamente com


a promoção de arquivamento, deverão ser remetidos ao órgão de revisão
competente, no prazo de 3 (três) dias, contado da comprovação da efetiva
cientificação pessoal dos interessados, através de publicação na imprensa oficial ou
da lavratura de termo de afixação de aviso no órgão do Ministério Público, quando
não localizados os que devem ser cientificados.

29 Gabarito: B.
30 Gabarito: A.

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EXTENSIVO MPE
RUMO AO MP
PRINCÍPIOS DO MP

Atualizado em 04/06/24

§ 2º A promoção de arquivamento será submetida a exame e deliberação do órgão


de revisão competente, na forma do seu Regimento Interno.

§ 3º Até a sessão do Conselho Superior do Ministério Público ou da Câmara de


Coordenação e Revisão respectiva, para que seja homologada ou rejeitada a
promoção de arquivamento, poderão as pessoas co-legitimadas apresentar razões
escritas ou documentos, que serão juntados aos autos do inquérito ou do
procedimento preparatório.

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
§ 4o Deixando o órgão de revisão competente de homologar a promoção de
arquivamento, tomará uma das seguintes providências:

I – converterá o julgamento em diligência para a realização de atos imprescindíveis


à sua decisão, especificando-os e remetendo os autos ao membro do Ministério
Público que determinou seu arquivamento, e, no caso de recusa fundamentada,
ao órgão competente para designar o membro que irá atuar; (Redação dada pela
Resolução n° 143, de 14 de junho de 2016)

II – deliberará pelo prosseguimento do inquérito civil ou do procedimento


preparatório, indicando os fundamentos de fato e de direito de sua decisão,
adotando as providências relativas à designação, em qualquer hipótese, de outro
membro do Ministério Público para atuação.

§ 5o Será pública a sessão do órgão revisor, salvo no caso de haver sido decretado o
sigilo.

OBS.: Se o Inquérito Civil (IC) ou Procedimento Preparatório do Inquérito Civil (PPIC) tiver mais de um fato,
mas houver necessidade de propositura de uma ACP em relação a apenas um dos fatos, não basta ajuizar a
demanda em face de um, silenciando-se em relação aos demais. Tal fato seria hipótese de arquivamento
implícito, que esbarra no princípio da obrigatoriedade, violando também o art. 9º, já que não haveria
submissão ao órgão revisor. (Rodrigo Vaslin, 2023, p. 414).

3. Desarquivamento

Por fim, o art. 12 da Resolução nº 23 estabelece que o desarquivamento do inquérito civil, diante de
novas provas ou para investigar fato novo relevante, poderá ocorrer no prazo máximo de 6 meses após o
arquivamento. Transcorrido esse lapso, será instaurado novo inquérito civil, sem prejuízo das provas já
colhidas.

Porém, o desarquivamento de inquérito civil para a investigação de fato novo, não sendo caso de
ajuizamento de ação civil pública, implicará novo arquivamento e remessa ao órgão competente, na forma
do art. 10 da Resolução 23/2007.

É isso, pessoal.

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RUMO AO MP

Até o próximo material.


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