Hidrologia e Sistemas de Drenagem
Aula XIII – Método do Hidrograma Sintético
PROFESSORA: PABLYNE SANT’ANA CRISTELI
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Método do Hidrograma Unitário Sintético
Quando não se dispõe dos dados necessários ao
estabelecimento do HU, estes ainda podem ser sintetizados.
Para isso utilizam-se as informações de outras bacias, de
características as mais semelhantes possíveis, para construir
o diagrama unitário da bacia de interesse.
Método do Hidrograma Unitário Sintético
Os métodos conhecidos para a construção do HU sintético
baseiam-se, em geral, na determinação de valores de alguns
tempos característicos do hidrograma, como o tempo de pico
e o tempo de base, e na determinação da vazão de pico do
hidrograma.
Vamos falar sobre os seguintes métodos de sintetização do
hidrograma unitário:
1) Método de Snyder;
2) Método do Colorado (método de Snyder para bacias
urbanas)
3) Método do Soil Conservance Service (SCS)
Método do Hidrograma Unitário Sintético de Snyder
Foi proposto em 1938 para bacias hidrográficas de 26km² a
26000km².
Para a construção do HU sintético, o Método de Snyder
utiliza as estimativas de alguns parâmetros característicos,
mostrados a seguir.
Método do Hidrograma Unitário Sintético de Snyder
Tempo de pico do hidrograma (tp):
O tempo de ocorrência do pico da vazão é medido na escala
das abcissas, desde o centro geométrico do hietograma da
chuva efetiva até o pico do hidrograma do escoamento
superficial.
Método do Hidrograma Unitário Sintético de Snyder
Tempo de pico do hidrograma (tp):
Este tempo, expresso em horas, é estimado de:
t p 0,[Link] . [Link]
0,3
onde:
Ct = coeficiente empírico que depende das características da
bacia (entre 1,8 a 2,2)
L = comprimento da bacia em km
LCG = distância medida ao longo do rio principal, desde o ponto do
rio principal mais próximo do centro geométrico da bacia até a
saída da mesma, em km.
Método do Hidrograma Unitário Sintético de Snyder
Duração da precipitação (td):
Neste método é expressa por:
tp
td
5,5
com td e tp em horas.
Método do Hidrograma Unitário Sintético de Snyder
Vazão de pico da hidrógrafa unitária (Qup):
Para a chuva efetiva de 1cm de altura e duração td:
Qup Cp
qup 2, 755
A tp
para Qup em m³/s, qup em (m³/s)/km², tp em horas
Cp = coeficiente empírico (entre 0,56 e 0,69)
A = área de drenagem em km²
Método do Hidrograma Unitário Sintético de Snyder
Tempo de base do hidrograma unitário (tb):
O tempo de base do HU, tb, em dias, é estimado de:
tp
tb 3
8
para tp em horas.
Para bacias hidrográficas pequenas, é fácil perceber que
este tempo é superestimado, (o valor mínimo de tb é 3 dias).
Método do Hidrograma Unitário Sintético de Snyder
Com os valores estimados de Qup, tb, e tp, o HU da chuva de
duração td pode ser esboçado, procurando atender a
condição do “volume escoado unitário”.
Como elementos auxiliares ao traçado, utilizam-se as
expressões empíricas para o cálculo da largura do
hidrograma a 75% e 50% do valor da vazão de pico.
3,35 5,87
w75 1,08
; w50 1,08
Qup Qup
A A
Método do Hidrograma Unitário Sintético de Snyder
Adaptação do Método de Snyder para Áreas Urbanas
Tempo de pico do hidrograma (tp):
Agora faz-se uma avaliação primária do coeficiente Ct:
7,81
Ct 0 0,78 ; I a 30%
Ia
onde Ia é a percentagem de impermeabilização da bacia.
Pode-se estimar Ia pela tabela a seguir.
Adaptação do Método de Snyder para Áreas Urbanas
Tempo de pico do hidrograma (tp):
Adaptação do Método de Snyder para Áreas Urbanas
Tempo de pico do hidrograma (tp):
Algumas correções aplicáveis ao valor de Ct0 são recomendadas
para a obtenção do valor final de Ct, visando incluir os efeitos:
da presença de galerias de águas pluviais
e da declividade do talvegue ou curso d’água principal.
Assim, recomenda-se:
Adaptação do Método de Snyder para Áreas Urbanas
Tempo de pico do hidrograma (tp):
a) adicionar 10% em caso de áreas com poucas galerias;
b) subtrair 10% para áreas inteiramente servidas por galerias;
c) corrigir o coeficiente para a declividade:
4,17
L1S10,24 L2 S20,24 ... Ln Sn 0,24
S
L1 L2 ... Ln
S 0, 010m / m Ct 0, [Link] 0 .S 0,2
S 0, 025m / m Ct 0, [Link] 0 .S 0,2
0, 010 S 0, 025m / m Ct Ct 0
Método do Hidrograma Unitário Sintético de Snyder
Duração da precipitação (td):
Neste método é expressa por:
tp
td
3
com td e tp em horas.
Método do Hidrograma Unitário Sintético de Snyder
Vazão de pico da hidrógrafa unitária (Qup):
Para a chuva efetiva de 1cm de altura e duração td:
Qup Cp
qup 2, 755
A tp
C p 0,89.C t
0,46
para Qup em m³/, qup em (m³/s)/km², tp em horas
Cp = coeficiente empírico (entre 0,56 e 0,69)
A = área de drenagem em km²
Método do Hidrograma Unitário Sintético de Snyder
Parâmetros auxiliares:
1,12 2,15
w75 ; w50
Qup Qup
A A
t p 0 0,[Link] t p
Método do Hidrograma Unitário Sintético de Snyder
Parâmetros auxiliares:
Para melhor definir a forma do hidrograma, propõe-se distribuir as
larguras w75 e w50 em torno do instante de ocorrência do pico.
Assim, sugere-se que 45% de w75 fiquem à esquerda do instante
de pico.
Similarmente, que 35% da largura w50 fique à esquerda do instante
de pico.
Exemplo 7
Construir o HU de uma bacia que apresenta as seguintes
características:
área de drenagem A=0,98km²;
comprimento do talvegue L=2,06km;
distância medida ao longo do talvegue, desde o ponto mais
próximo do centro geométrico da bacia até a seção de saída
LCG=0,84km;
porcentagem impermeabilizada da área da bacia Ia=44%;
declividade média S=0,102m/m.
Exemplo 7 - Solução
1º) Determinação de Ct (coeficiente no talvergue) e tp (tempo de pico)
Ia = 44% > 30% (Bacia Urbana!)
7,81
Ct 0 0,78
Ia
7,81
Ct 0 0,78 Ct 0 0, 408
44
Exemplo 7 - Solução
1º) Determinação de Ct e tp
S = 0,102m/m > 0,025m/m (tem que corrigir o Ct)
Ct 0, [Link] 0 .S 0,2
Ct 0, 48.0, 408.0,1020,2
Ct 0,309
Exemplo 7 - Solução
1º) Determinação de Ct e tp
Tendo o Ct, podemos encontrar o tp:
t p 0,[Link] . [Link]
0,3
t p 0, 752.0,309. 2, 06.0,84
0,3
t p 0, 274h 16, 4 min
Exemplo 7 - Solução
2º) Duração da chuva unitária
Para bacias urbanas:
tp
td
3
0, 274
td td 0, 0912h 5,5 min 5 min
3
Exemplo 7 - Solução
3º) Determinação de Cp (coeficiente de pico)
Para bacias urbanas:
C p 0,89.Ct0,46
C p 0,89.0,3090,46 C p 0,519
Exemplo 7 - Solução
4º) Determinação de Qup (vazão de pico)
Para bacias urbanas:
2, 755.C p . A
Qup
tp
2, 755.0,519.0,98
Qup Qup 5,11m³ / s
0, 274
Exemplo 7 - Solução
5º) Determinação do tempo contado a partir do início do
hidrograma até a ocorrência do pico
Para bacias urbanas:
td
t p0 tp
2
0, 0912
t p0 0, 274 t p 0 0,32h 19 min
2
Exemplo 7 - Solução
6º) Determinação de w75 e w50
Para bacias urbanas:
1,12
w75
Qup
A
1,12
w75 w75 0, 215h 13min
5,11
0,98
Exemplo 7 - Solução
6º) Determinação de w75 e w50
Para bacias urbanas:
2,15
w50
Qup
A
2,15
w50 w50 0, 412h 25min
5,11
0,98
Exemplo 7 - Solução
6º) Determinação de w75 e w50
Seguindo-se as recomendações, as parcelas dos tempos w75 e w50
à esquerda do pico serão iguais a aproximadamente 6min (45%) e
9min (35%), respectivamente.
Exemplo 7 - Solução
7º) Traçado do HU
Com os valores calculados, constrói-se um esboço do HU com
segmentos de reta.
Exemplo 7 - Solução
Exemplo 7 - Solução
7º) Traçado do HU
Para este esboço, ajusta-se a duração total do escoamento
(tempo de base), tb, de maneira que a área do hidrograma
corresponda ao volume unitário.
Exemplo 7 - Solução
7º) Traçado do HU
No caso, o volume unitário é:
Volu 1cm A 0,01 0,98 106 9800m³
Exemplo 7 - Solução
7º) Traçado do HU
Para esse Volu, com base nos tempos obtidos no gráfico,
determina-se a duração total do escoamento superficial:
2,555 10 3,833 2,555 3
60
9800 5,11 3,833 6 3,833 5,11 7
2
2,555 3,833 9 2,555 b
t 35
tb 77 min
Exemplo 7 - Solução
Método do HI Sintético do SCS
No método do HU sintético do SCS, o hidrograma tem a
forma de um triângulo e a sua área deve corresponder ao
volume efetivo precipitado:
1
Volu 1cm A Qup tb
2
tb t p 0 te
2 Volu
Qup
t p 0 te
Método do HI Sintético do SCS
te 1, 67 t p 0
2 Volu 2, 08 A
Qup
2, 67 t p 0 t p0
t p 0 0,[Link] t p 0,[Link] 0, 6tc
Método do HI Sintético do SCS
Método do HI Sintético do SCS
Duração da chuva unitária:
t p0
td
5
td 0,[Link]
Método do HI Sintético do SCS
Estimativa do tempo de concentração no método SCS:
Procedimento 1: Método Cinemático
Traça-se inicialmente, o caminho da água superficial entre o
ponto mais extremo da bacia, do ponto de vista hidráulico, e
a seção em estudo.
Para cada trecho desse caminho com características físicas
diferentes (rugosidade e declividade), calcula-se a
velocidade vi (m/s):
vi Cvi .S i
0,5
Método do HI Sintético do SCS
Estimativa do tempo de concentração no método SCS:
Procedimento 1: Método Cinemático
sendo Si a declividade do trecho em porcentagem e Cvi
coeficiente tabelado:
Método do HI Sintético do SCS
Estimativa do tempo de concentração no método SCS:
Procedimento 1: Método Cinemático
O tempo de escoamento em cada trecho e o tempo de
concentração serão:
Li
ti
vi
N
Li
tc
i 1 vi
Método do HI Sintético do SCS
Estimativa do tempo de concentração no método SCS:
Procedimento 2:
Avalia-se tc a partir do tempo de pico, obtido da expressão:
0,7
100
0,344.L . 0,8
9
tp CN
0,5
S
com tp em horas, L o comprimento hidráulico em km, S a
declividade média da bacia em % e CN um parâmetro do
método chamado de “número da curva”.
Método do HI Sintético do SCS
Classificação CN – Tipos de solo:
A: produzem baixo escoamento superficial e alta infiltração
(solos arenosos profundo com pouco silte e argila)
B: menos permeáveis que o anterior; solos arenosos menos
profundos que o tipo A e com permeabilidade superior à
média
C: geram escoamento superficial acima da média e com
capacidade de infiltração abaixo da média (porcentagem
considerável de argila). Pouco profundos.
D: pouco profundos, contendo argilas expansivas, com muita
baixa capacidade de infiltração.
Método do HI Sintético do SCS
CN para bacias rurais:
Método do HI Sintético do SCS
CN para bacias rurais:
Método do HI Sintético do SCS
CN para bacias urbanas:
Método do HI Sintético do SCS
CN para bacias urbanas:
Método do HI Sintético do SCS
Fator de Correção:
Para levar em conta as modificações da cobertura da bacia,
o SCS propõe que o tempo de pico calculado seja
multiplicado sucessivamente pelos fatores de correção f1 e f2
que representam, respectivamente, o efeito da modificação
do comprimento do talvegue e da porcentagem da bacia
tornada impermeável.
Método do HI Sintético do SCS
Fator de Correção f1:
Método do HI Sintético do SCS
Fator de Correção f2:
Exemplo 8
Uma bacia rural com 7km² de área de drenagem apresenta
cobertura na forma de pastos (CN=61) e tem 2,5km de
comprimento e declividade média igual a 8%.
Pelo efeito da urbanização, esta bacia deverá apresentar 30% de
áreas impermeáveis e terá alterado 75% do seu rio.
Estimar as característica do HU para as condições atuais e
futuras.
Adotar CN = 83 para as condições futuras.
Exemplo 8 - Solução
1º) Condições Atuais (CN = 61)
Cálculo de tp:
0,7
1000
0,344 L
0,8
9
tp CN
S 0,5
0,7
1000
0,344 2,5 0,8
9
tp 61 t p 1, 027h
0,5
8
Exemplo 8 - Solução
1º) Condições Atuais (CN = 61)
Cálculo de tc:
tp
tc
0, 6
1, 027
tc tc 1, 712h
0, 6
Exemplo 8 - Solução
1º) Condições Atuais (CN = 61)
Cálculo de td:
td 0,133 tc
td 0,133 1, 712 td 0, 228h
Exemplo 8 - Solução
1º) Condições Atuais (CN = 61)
Cálculo de tp0:
t p 0 0,5td t p
t p 0 0,5 0, 228 1,027 t p 0 1,14h
Exemplo 8 - Solução
1º) Condições Atuais (CN = 61)
Cálculo da vazão de pico Qup:
2, 08. A
Qup
t p0
2, 08.7
Qup Qup 12, 77m³ / s
1,14
Exemplo 8 - Solução
1º) Condições Atuais (CN = 61)
Cálculo do tempo de base tb:
tb 2,67.t p 0
tb 2, 67.1,14 tb 3, 04h
Exemplo 8 - Solução
2º) Condições Futuras (CN = 83)
Cálculo de tp:
0,7
1000
0,344 L
0,8
9
tp CN
S 0,5
0,7
1000
0,344 2,5 0,8
9
tp 83 t p 0,552h
0,5
8
Exemplo 8 - Solução
2º) Condições Futuras (CN = 83)
Cálculo de tp:
Esse tempo deve ser corrigido pelos fatores f1 e f2 para
considerar as alterações no comprimento hidráulico e na área
impermeabilizada da bacia.
Para isso, utilizam-se os gráficos anteriores.
Exemplo 8 - Solução
CN=83, alteração de 75% do comprimento hidráulico: f1= 0,59
Exemplo 8 - Solução
CN=83, 30% de área impermeável: f2= 0,83
Exemplo 8 - Solução
2º) Condições Futuras (CN = 83)
Cálculo de tp corrigido:
t p 0,552 f1 f2
t p 0,552 0,59 0,83 t p 0, 270h
Exemplo 8 - Solução
2º) Condições Futuras (CN = 83)
Cálculo de tp0:
t p 0 0,5td t p
t p 0 0,5 0, 228 0, 270 t p 0 0,384h
Exemplo 8 - Solução
2º) Condições Futuras (CN = 83)
Cálculo da vazão de pico Qup:
2, 08. A
Qup
t p0
2, 08.7
Qup Qup 37,92m³ / s
0,384
Exemplo 8 - Solução
2º) Condições Futuras (CN = 83)
Cálculo do tempo de base tb:
tb 2,67.t p 0
tb 2, 67.0,384 tb 1, 03h
Exemplo 8 - Solução