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Texto 7 Ecn

O documento discute a importância da taxa de juros no nível de emprego e nas decisões de investimento dos empresários. A taxa de juros é definida como o pagamento por um empréstimo, influenciando a retenção de dinheiro e a procura por moeda. Além disso, o texto aborda como a taxa de juros é determinada pelo equilíbrio entre a oferta e a demanda de dinheiro no mercado.
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O documento discute a importância da taxa de juros no nível de emprego e nas decisões de investimento dos empresários. A taxa de juros é definida como o pagamento por um empréstimo, influenciando a retenção de dinheiro e a procura por moeda. Além disso, o texto aborda como a taxa de juros é determinada pelo equilíbrio entre a oferta e a demanda de dinheiro no mercado.
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CAPÍTULO VIII

A TAXA DE JUROS
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A NATUREZA DO JURO

VIMOS QUE A TAXA DE juros tem um efeito extrema-


v mente importante no nível de emprêgo, pois afeta
as decisões dos empresários sôbre o montante que
valerá a pena investir em novos bens de capital.
Estudaremos a seguir o que é que determina a taxa
de juros.
O juro é o pagamento por um empréstimo, isto
é, pelo uso de dinheiro durante certo tempo. Uma
transação que inclui o pagamento de juros consiste
bàsicamente em uma pessoa dar dinheiro a outra,
em troca de um título. Aquêle que empresta recebe
um papel que representa o seu direito de receber o
dinheiro de volta, enquanto o tomador do em-
préstimo adquire o uso imediato do dinheiro. O to-
mador deve pagar uma quantia adicional ao presta-
mista, além da reposição da soma emprestada, pois
se não o fizesse o prestamista não teria motivo, a
não ser filantropia, para renunciar ao contrôle do
seu dinheiro, nem compensação por correr o risco
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88 INTRODUÇÃO .ti TEORIA DO EMPRÊGO A TAXA DE JUROS 89
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de que o devedor, por má-fé ou má sorte, deixe de Uma ação, da qual se espera um dividendo de
efetuar o pagamento na época aprazada. ltste paga- Cr$ 3,00, será normalmente vendida por menos de
mento extra é o juro sôbre o empréstimo. O motivo Cr$ 100,00 quando o título do govêrno fôr vendido
do tomador é que pode usar o dinheiro para adquirir a Cr$ 100,00, pôsto que êste último goza de maior
bens de capital, que espera rendam pelo menos tanto segurança. Ninguém tem motivo para possuir um
quanto o juro que vai pagar (ou, no caso de emprés- título que ofereça risco, a menos que dê um rendi-
timos não comerciais, porque o tomador tem, no pre- ;1
mento maior do que um mais seguro. Não iremos,
sente, mais necessidade do dinheiro do que espera entretanto, tratar tôdas as complicações contidas
ter no futuro). O motivo do prestamista é a percep- nos rendimentos relativos das diferentes espécies de
ção dos juros. Tôdas as transações que compreen- títulos, e referiremos sempre a taxa de juros, isto é,
qem o pagamento de juros, trate-se de uma porcen- todo o complexo de taxas de juros em todos os tipos
agem sôbre determinada quantia ou de uma parti-
de títulos.
cipação em lucros, podem ser resumidas neste sim-
ples modêlo.
A PROCURA DE ~OEDA
Os títulos de dívida (ações, promíssórias etc.)
podem mudar de mãos, e a taxa vigente de juros é Qualquer um que tenha dínheíro pode receber
obtida pela relação entre a renda proporcionada pelo juros, se quiser emprestá-Io. Surge então a questão:
documento e o seu preço de venda. Assim, uma que- por que é que as pessoas retêm dinheiro? À primeira
da nos preços dos títulos significa um aumento na vista esta pergunta parece estranha. Todos gostaría-
taxa de juros e, reciprocamente, um aumento no seu mos de possuir mais algum dinheiro. Mas o que gos-
preço significa uma queda na taxa de juros. taríamos de ter seria uma renda maior, ou mais rí-
Suponhamos que o govêrno lance um emprés- queza. O problema que agora enfrentamos não éo
timo nos seguintes têrmos: Cr$ 3,00 por ano para da renda pessoal, em função de moeda, ou da riqueza
cada Cr$ 100,00 subscritos. Se o título que repre- total adquirida através de poupança anterior ou de
senta os Cr$ 100,00 subscritos originalmente estiver herança; o problema consiste na forma pela qual
cotado ao par, isto quer dizer que a taxa de juros uma pessoa retém a riqueza que possui. Por que al
é de 3%. Se a cotação rôr Cr$ 150,00, a taxa de juros guém guardaria parte de sua riqueza em dinheiro,
será de 2%, e se a cotação fôr Cr$ 80,00 o juro pago não recebendo juro algum, ou o depositada em seu
corresponderá a 3 3/4 por cento. banco, de forma a receber um juro muito baixo,
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INTRODUÇÃO A TEORIA DO EMPR1tGO A TAXA DE JUROS 91


90

quando poderia receber juros maiores emprestan- o complexo de hábitos que rege o intervalo dos pa-
do-o? t gamentos, a procura para fins de transação depen-
derá do nível de renda. Se as rendas monetárias em
Uma das razões para se reter dinheiro origina-
geral são maiores, haverá um incremento no mono
se, de modo mais ou menos automático, da ma-
tante de moeda que as pessoas desejarão reter. Como
neira pela qual os pagamentos são habitualmente
veremos, êste fato é de considerável importância.
feitos. A maioria das pessoas recebe suas rendas em
intervalos certos, e efetua pagamentos continua- O dinheiro pode também ser retido por índíví-
mente, dia a dia. Donos de lojas e as companhias duos que possuam uma pequena quantidade de rí-
de ônibus, por outro lado, recebem pagamentos dia queza que acham não valer a pena colocar a juros.
a dia, e efetuam pagamentos em intervalos maiores. Suponhamos que uma pessoa que gasta a totalidade
Em qualquer tempo, quantias são retidas sob a for- de sua renda semanal de ~ 7 possui também ~ 5, que
ma de dinheiro em mãos de possuidores individuais, poupou no passado, e que as mantém como reserva.
que em pouco tempo as usarão para efetuar paga- Então, o encaixe médio retido é ~ 8. 10 sh. Os indi-
mentos a alguém, e não valeria a pena emprestá-Ias víduos que têm um pouco mais de riqueza podem
a juros durante o pequeno espaço de tempo anterior desejar reter certa quantia sob uma forma alta-
ao seu gasto. mente líquida e acessível como, por exemplo, em
uma conta bancária, como salvaguarda em caso de
O montante da moeda necessária para êste tipo
necessidade súbita. Um grande número de pequenas
de retenção dependerá em parte dos intervalos em quantias retidas sob a forma de dinheiro por estas
que a renda é recebida. Suponhamos que uma pes- razões monta a um respeitável total, para o con-
soa tenha uma renda de ~ 365, que gasta inteira-
junto da comunidade. '"
mente em consumo corrente à taxa fixa de ~ 1 por
Quantias maiores podem ser retidas por índíví-
dia. Se sua renda é paga semanalmente,ela reterá,
em média, pelo menos ~ 3.10 sh. em dinheiro (~ 7 duos de riqueza que se recusam a comprar títulos
no princípio da semana e nada no fim). Se sua ren- que rendem juros porque esperam que o preço dêstes
da é paga trimestralmente, a retenção média será, cairá em pouco tempo, ou seja, estão esperando
pelo menos, de ~ 45.10 sh. e, se é paga anualmente, que ocorra um aumento na taxa de juros. Se todos
será de ~ 182.10 sh. Assim, o montante de dinheiro os possuidores de riqueza esperassem confiantemen-
que as pessoas reterão para fins de transação varia te um aumento na taxa de juros, todos estariam
com o modo pelo qual sua renda é recebida. Dado ansiosos por vender os titulas a preços correntes, e
92 INTRODUÇÃO A TEORIA DO EMPRE:GO
A TAXA DE JUROS 93

os preços dêstes cairiam, imediatamente, até o ponto Entendemos por montante de dinheiro o total
em que não se esperasse maior queda, de modo que de moedas, notas e depósitos bancários. Os índíví
ninguém desejaria reter dinheiro. Mas, desde que duos possuem, em qualquer momento, algumas no-
haja diferenças de opinião entre os possuidores de tas e moedas, ou têm depósitos em seus nomes. O so-
riqueza, alguns reterão dinheiro, esperando uma matório que tôdas as quantias que possuem é a
queda futura nos preços dos títulos, enquanto outros quantidade total de dinheiro. Os depósitos mantidos,
reterão títulos, não os vendendo na esperança de em um momento dado, para fins de transação, que
que seus preços não caiam. Além disso, jamais al- visam a cobrir a diferença, no tempo, entre receita
guém fica absolutamente seguro de que o seu me- e despesa, são conhecidos como depósitos ativos,
lhor palpite sôbre o que provàvelmente acontecerá porque passam ràpidamente de um indivíduo para
está certo; e muitas pessoas retêm parte de sua ri- outro,à medida que os pagamentos vão sendo feitos.
queza sob a forma de dinheiro justamente por ser Os depósitos que são usados como forma de arma
zenar riqueza acumulada, que são uma alternativa
a única coisa sôbre a qual há certeza que seu preço
à compra de títulos, são inativos. Em uma época
em têrmos monetários não se alterará.
normal, notas e moedas pertencem quase que ínteí-
ramente à circulação ativa, embora talvez ainda
A PROCURA DE DINHEIRO E A TAXA DE JUROS haja pessoas que gostem de manter parte da sua
riqueza no pé de meia. Geralmente, o montante de
Por estas razões, existe sempre certa quan- depósitos ativos que as pessoas desejam reter não é
tidade de dinheiro que as pessoas desejam reter, a muito afetado pela taxa de juros, conquanto uma
despeito do fato de poderem ganhar juros, ceden- taxa muito elevada possa induzir as pessoas a econo-
do-o. Mas quanto maior rôr a taxa de juros, "creteris mizar alguma coisa de seus saldos para fins de tran-
paribus", tanto menor será a quantidade de dinheiro sação. A principal influência da taxa de juros sôbre
que desejarão reter, uma vez que o juro representa o montante de dinheiro que as pessoas desejam reter
o sacrifício ímpôsto pela retenção do dinheiro. A con- se exerce sôbre o total de depósitos inativos.
veniência e o senso de segurança dados pela posse de Em qualquer dia do ano, há certa quantidade
dinheiro são ponderados contra os juros obtidos pela de dinheiro existente (notas, moedas e depósitos
sua cessão, e quanto maior a vantagem em ceder bancários), e êste dinheiro deve ter proprietários.
dinheiro, menos as pessoas desejarão retê-to. De momento a momento, a taxa de juros deve

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94 INTRODUÇÃO A TEORIA DO EMPRi!:GO A TAXA DE JUROS 95

encontrar seu nível no ponto em que as pessoas, to- A parte mais importante da oferta de dinheiro, em
madas em conjunto, desejam reter exatamente o condições modernas, é representada por depósitos
montante de dinheiro existente. Se a taxa de juros bancários e o montante de dinheiro é controlado
fôr mais alta do que êste nível, alguns proprietários através da ação dos bancos.
de moeda estarão dispostos a comprar títulos, para No sistema inglês, os bancos mantêm certa
ganhar juros. O desejo de comprar títulos aumenta relação entre a "caixa" e os bens, de 1 para 9, apro-
seus preços e, em conseqüêncía, diminui a taxa de ximadamente. A "caixa" consiste em notas e moe-
juros, e êste processo deverá ir até o ponto em que das nos cofres do banco, e depósitos junto ao Banco
nenhum proprietário de dinheiro deseje mais com- da Inglaterra, que são considerados como equiva-
prar títulos. Da mesma forma, se em qualquer mo- lentes a dinheiro. Os outros bens consistem em le-
mento a taxa de juros estiver mais baixa do que o tras, adiantamentos e títulos. Todos êles represen-
nível ao qual as pessoas desejem reter o montante tam empréstimos de diferentes tipos, e uma vez que,
de dinheiro existente, estas venderão títulos, e a em princípio, não existe diferença entre um e outro,
taxa de juros subirá. Assim, dados o total de riqueza podemos, por conveniência, grupá-los sob a denomi-
existente, o nível de renda, e o estado das expecta- nação geral de títulos. Os títulos produzem juros, e
tivas sôbre o futuro, a taxa de juros é determinada a caixa, não. Os bancos, portanto, não desejam reter
de instante a instante pela quantidade de dinheiro. um montante desnecessàriamente grande de caixa.
Neste mesmo instante em que você está lendo esta Por outro lado, não desejam que sua relação de
página (a menos que não seja hora de expediente) caixa caia abaixo do que é tradicionalmente consi-
a taxa de juros de hoje está sendo determinada, e derado como o índice seguro e respeitável.
está se movendo para o nível ao qual ninguém que O costume de preservar u~a relação de caixa
possui títulos deseja vendê-Ias, e ninguém que pos- estrita dá ao Banco da Inglaterra poder de controlar
sua dinheiro deseja comprá-los. o montante total de depósitos bancários. Vejamos /
como isto se processa: quando o Banco deseja incre-
A OFJmTA DE DINHEmo mental' o montante de depósitos, de tal forma qUe a
taxa de juros possa ser forçada a cair, compra títu-
A quantidade de moeda, por seu turno, é deter- los em mercado aberto ("open market"). Suponha-
minada pelo sistema bancário, agindo dentro de mos que um Sr. Fulano entregue f: 100 de tí-
uma estrutura de certas regras legais e habituais. tulos sólidos e receba f: 100 do Banco da In-
96 INTRODUÇÃO A TEORIA DO EMPRi:GO
A TAXA DE JUROS 9'1

glaterra. Êle deposita estas ~ 100 em sua pró- der seus títulos em troca de depósitos. Assim, o poder
pria conta bancária. O seu banco encontra-se, en-
de induzir um aumento no total de depósitos bancá-
tão, com o total de depósitos íncrementado de .,.
rios capacita o Banco da Inglaterra a causar unia
E 100, e seus bens aumentados sob a forma
queda na taxa de juros, quando assim desejar. O
de t 100 em depósito junto ao Banco da In- processo contrário, de vender títulos no mercado
glaterra. Para evitar que a relação de caixa aumente aberto e forçar os bancos a reduzir os depósitos, é
desnecessàriamente, o banco usa t 90 do incre usado quando se precisa de um aumento na taxa de
mento em sua caixa para comprar títulos, resta-
juros. O contrôle através destas "operações de mer-
belecendo assim a relação de caixa costumeira, de 1
cado" é suplementado pelo contrôle direto da taxa
para 9. As t 90 gastas desta maneira, porém,
paga pelo Banco da Inglaterra, cujas flutuações são
aparecerão como depósitos adicionais e como caixa
dirigidas de acôrdo com os movimentos do comple-
~â.icional nas contas de outros bancos (uma parte
xo geral de taxas de juros ditadas pela política do
pode voltar para o mesmo banco) que, em conse- Banco.
qüência, comprarão t 81 de títulos. E assim por
diante até que a compra original, por parte do A liberdade de ação do Banco não é absoluta,
Banco da Inglaterra, de t 100 de títulos do Sr. pois quando se obedece ao padrão-ouro o mesmo é
Fulano tenha acarretado um aumento no total obrigado a regular seus atos de maneira a manter
de depósitos de t 1000, em contrapartida, ao uma reserva adequada de ouro, e mesmo que não
qual os bancos somarão mais t 100 de caixa haja padrão-ouro é obrigado a considerar a estabili-
e mais t 900 de títulos. O público retém agora dade do câmbio. l!:ste assunto será tratado em um
mais t 100 em depósitos do que antes, e os capítulo posterior.
bancos (inclusive o Banco da Inglaterra) estão de Na maioria dos outros sistefuas bancários, o
posse de mais t 1000, de títulos. Assim, para contrôle do banco central não está tão bem estabe-
ú/

cada t 100 de títulos comprados pelo Banco da In- lecido como no sistema britânico, mas em todos os
glaterra, t 1000, são compradas pelo total do sistema países os mesmos princípios funcionam, embora se
bancário. possam apresentar sob formas um tanto diferentes.
Em todos os casos, o conjunto do sistema bancário
A compra de títulos pelos bancos eleva seu preço
determina o montante de depósitos e eleva ou abai-
(baixando assim a taxa de juros) até o ponto neces-
xa a taxa de juros através da compra ou da venda
sário para fazer com que o público se disponha a ce-
de títulos, e do aumento ou redução do montante
98 INTRODUÇiíO À TEORIA DO EJIIPR1tGO A TAXA DE JUROS
99

de depósitos bancários de propriedade do público. tidade de moeda de que as pessoas precisam para cír-
Assim, dentro dos limites estabelecidos por obriga- culação ativa aumenta. Da mesma forma, um au-
ções legais ou costumeiras, o sistema bancário pode mento nos salários monetários eleva a procura de
controlar a taxa de juros, manipulando a quanti- moeda. Assim, quando há uma melhoria no comér;
dade de dinheiro. cio, ou um aumento nos salários, a taxa de juros
Normalmente, os bancos somente operam dire- subirá, a menos que se incremente a quantidade de
tamente sôbre a taxa de juros a curto prazo, mas, se dinheiro.
o rendimento de um tipo de título cai, as pessoas Finalmente, uma variação no estado de con-
vendem êste tipo para comprar outros e, em conse- fiança em relação ao futuro altera o montante de
qüência, um aumento no preço e uma queda no riqueza que os proprietários desejam reter sob a
rendimento são transmitidos a tôdas as classes de tí- forma de moeda, a dada taxa de juro, de ma-
tulos, até que todo o complexo de taxas de juros neira a sentí[Link] seguros. Assim, se a procura de
seja afetado. moeda aumenta como resultado de uma perturba-
ção na confiança, a quantidade de moeda deve ser
VARIAÇÃO NA PROCURA DE DINHEIRO incrementada, para se evitar que a taxa de juros
suba.
Se as autoridades bancárias desejarem manter É aqui que chegamos ao sentido apropriado da
constante a taxa de juros, devem equilibrar as va- palavra "entesouramento". Um incremento no dese-
riações na procura de dinheiro, alterando a quan- jo de reter moeda, oposto ao de adquirir títulos,
tidade de moeda. Em primeiro lugar, o aumento tenderá a elevar a taxa de juros e, em conseqüên-
gradual da riqueza resultante do investimento rea- cia, a acarretar uma queda na atividade. Mas não
lizado ano após ano incrementará a quantidade de há conexão entre isto e a queda na atividade pro-
dinheiro necessária ao público. Assim, a quantidade duzida diretamente por um incremento no desejo
de moeda deve crescer gradualmente, à medida que de poupar.
o tempo passa, se se deseja evitar que a taxa de [u-
ros suba.
UMA VARIAçÃo :NA TAXA DE JUROS
Em segundo lugar, uma variação na atividade
comercial altera a procura de dinheiro. Quando o Estamos agora capacitados a ver como as cau-
comércio é mais ativo e a ocupação maior, a quan- sas e as conseqüências de uma variação na taxa de

________ l _
..
A TAXA DE JUROS 101
IJfTBODflQ.l.O ~ T,OIUA DO IlIIPBZGO
1" Com o incremento na ocupação, a posição dos
juros reagem entre si. Suponhamos que o Banco trabalhadores fortalece-se, e um aumento de salá-
da Inglaterra realize compras em mercado aberto e rios pode ter lugar. A cada aumento de salários e
que os outros bancos reajam da maneira habitual, preços aumenta a procura de moeda para fins de
ocasionando um aumento no total de depósitos. Em transação e as pessoas se vêem na contingência de
primeira instância, nada aconteceu ao total da ri- vender títulos para reforçar sua caixa, e a taxa de
queza, ao nível das rendas ou ao estado de confian- juros sobe. Quanto mais alto o nível de salários mo-
ça, mas os bancos têm mais títulos e o público dis- netários, tanto maior é a procura de moeda em um
pôs de seus títulos, em lugar dos quaís possui, ago- nível dado de atividade, e, uma vez que os salários
ra, depósitos bancários. A taxa de juros, portanto, sejam aumentados, não diminuirão fàcilmente, mes-
é deslocada para baixo até o ponto em que o públí- mo Se o nível de emprêgo declinar, Assim, a taxa de
Cj~ esteja desejoso de reter os depósitos adicionais.
juros pode ser deslocada de volta para os 4% origi-
nais, através de um aumento nos salários, de forma
A taxa cai, digamos, de 4ro para 31/2%.
que desapareça o estímulo à atividade comerciaL
Alguns meses após a taxa de juros ter sido es-
Acabamos de ver uma das influências mais im-
tabelecida em 3 1/2 %, investimentos que não eram portantes para pôr fim a um recôbro na atividade.
lucrativos a uma taxa de 4%, mas que o são a Normalmente, qualquer que seja a razão pela qual
3 1/2 %, começam a ser empreendidos. Pessoas ob- um recôbro possa começar, haverá uma elevação na
têm empregos em construções e outras indústrias, e taxa de juros, aumento êste que freará o investi-
a atividade e as rendas aumentam, de acôrdo com mento, e levará o recôbro a um fim. Um recôbro na <./ ~

o multiplicador, e dá-se uma melhoria no comércio. atividade corre sempre o perigo de destruir-se.
e
Supondo, agora, que não haja nenhuma outra va-
Além disso, vemos agora porque em épocas
riação na quantidade de moeda, a taxa de juros au- normais o pleno emprêgo nunca pode ser alcança-
mentará um pouco, uma vez que com rendas maio- do. Quando o desemprêgo cai a um nível muito
res as necessidades da circulação ativa aumentam. baixo, dá-se um aumento rápido dos salários mone-
Neste estágio, a taxa de juros aumenta até, talvez, tários, a procura de dinheiro para circulação ativa
3 e 3/4%, mas não voltará a 4%, pois se o fizesse aumenta, a taxa de juros é deslocada para cima, o
o investimento voltaria ao nível anterior, e o incre- investimento cai e o desemprêgo aumenta nova-
mento na procura de moeda para fins de transa- mente.
ção desapareceria novamEm:~.e."A'TACAO
Cf.N1HO DE OOCU\'J.t.I'l -
'&oi~T\TUTO DE. ECONOMiA
I!!II!CA~!\- - - l .

------------_.-_.- .. __ .
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102 INTRODUÇiI.O A TEORIA DO EMPR1!:GO A TAXA DE JUROS 103

LIMITES AO CONTRÔLE DA TAXA DE JUROS variações violentas na quantidade de moeda podem


tomar-se necessárias para influenciar a taxa de
Mesmo que as autoridades monetárias desejem juros. O problema de manter exatamente a taxa de
controlar a taxa de juros de maneira a evitar o de- . juros necessária para preservar o pleno emprêgo
semprêgo, dificilmente conseguirão fazê-lo. Isto por- não é, de forma alguma, um problema simples.
que basta a acumulação de capital para causar' Mesmo. que a taxa de juros fôsse deliberada-
uma queda na expectativa de lucros e (a menos que mente controlada, para que o desemprêgo se man-
inovações ou aumentos populacionais ocorram com tivesse o mais baixo possível, as oscilações no esta-
a rapidez necessária) o investimento tende e con- do dos negócios seriam difíceis de evitar. Presente-
duzir-se a um fim. Para preservar o pleno emprêgo, mente, porém, a taxa de juros não é manipulada
a taxa de juros teria que estar constantemente com esta finalidade. A principal preocupação das
caindo. Uma queda suficiente na taxa de juros real autoridades é evitar um aumento rápido nos pre-
é~difícil de se efetivar; em primeiro lugar, porque ços, que se dá quando o desemprêgo é muito peque-
nenhum país pode baixar demasiadamente sua taxa no, e o temor dêste mal parece muito mais presente
de juros, a não ser que o resto do mundo o acom- nas autoridades do que o mêdo dos males do desem-
panhe; em segundo lugar, porque interêsses pode- prêgo. Da maneira como as coisas funcionam, a
rosas são contrários a uma taxa de juros demasia- principal função da taxa de juros é evitar que o
damente baixa; e, em terceiro lugar, porque regras pleno emprêgo jamais seja atíngído.
legais e usuais (particularmente quando está em
uso o padrão-ouro) limitam os podêres das autori-
dades monetárias, de controlar a taxa de juros. .~.
Além disso, para preservar o pleno emprêgo, a
taxa de juros teria, freqüentemente, de dar saltos
violentos. A expectativa de lucros é muito íntluen-
ciada pelo otimismo e pelo pessimismo dos empre-
sários, e variações bruscas na taxa de juros seriam
necessárias para influenciar o investimento. Ao
mesmo tempo, mudanças no estado de confiança
reagem sôbre a procura de dinheiro, de forma que

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