DA AÇÃO
I – CONCEITO
Segundo Arruda Alvim, ação é um direito constitucional (art. 5º, XXXV da CF/88) da lei processual
civil, cujo nascimento depende da manifestação da nossa vontade e que tem por finalidade a
obtenção da prestação jurisdicional que aplique a lei material à hipótese fático-jurídica nela
formulada.
II – CONDIÇÕES DA AÇÃO
A – CONCEITO
As condições da ação consistem em matéria de ordem pública, ou seja, independe da vontade
das partes, podendo ser verificada pelo juiz, de ofício ou a requerimento das partes (em preliminar
de contestação).
Constatada a ausência de uma das condições da ação, o autor será considerado carecedor da
ação, sendo o processo julgado extinto sem julgamento do mérito (Art. 267,VI do CPC).
Art. 267. Extingue-se o processo, sem resolução de mérito: (Redação dada pela Lei nº 11.232, de 2005)
I - quando o juiz indeferir a petição inicial;
Il - quando ficar parado durante mais de 1 (um) ano por negligência das partes;
III - quando, por não promover os atos e diligências que Ihe competir, o autor abandonar a causa por
mais de 30 (trinta) dias;
IV - quando se verificar a ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e regular
do processo;
V - quando o juiz acolher a alegação de perempção, litispendência ou de coisa julgada;
Vl - quando não concorrer qualquer das condições da ação, como a possibilidade jurídica, a legitimidade
das partes e o interesse processual;
VII - pelo compromisso arbitral;
Vll - pela convenção de arbitragem; (Redação dada pela Lei nº 9.307, de 23.9.1996)
Vlll - quando o autor desistir da ação;
IX - quando a ação for considerada intransmissível por disposição legal;
X - quando ocorrer confusão entre autor e réu;
XI - nos demais casos prescritos neste Código.
§ 1o O juiz ordenará, nos casos dos ns. II e Ill, o arquivamento dos autos, declarando a extinção do
processo, se a parte, intimada pessoalmente, não suprir a falta em 48 (quarenta e oito) horas.
§ 2o No caso do parágrafo anterior, quanto ao no II, as partes pagarão proporcionalmente as custas e,
quanto ao no III, o autor será condenado ao pagamento das despesas e honorários de advogado (art. 28).
§ 3o O juiz conhecerá de ofício, em qualquer tempo e grau de jurisdição, enquanto não proferida a sentença
de mérito, da matéria constante dos ns. IV, V e Vl; todavia, o réu que a não alegar, na primeira
oportunidade em que Ihe caiba falar nos autos, responderá pelas custas de retardamento.
§ 4o Depois de decorrido o prazo para a resposta, o autor não poderá, sem o consentimento do réu,
desistir da ação. gn
B – LEGITIMIDADE DAS PARTES
Está atrelada à existência da relação jurídica entre as partes e o direito. Trata-se do direito de
demandar sobre determinada pessoa e sobre determinado objeto ou obrigação.
A legitimidade pode ser:
➔ Ordinária – o titular do direito é parte. Ex. Locador na ação de despejo
➔ Extraordinária (substituição processual) – a parte representa interesse de terceiros.
Ex. Sindicato
C – INTERESSE PROCESSUAL
Para se verificar se há ou não interesse do autor em determinada ação judicial, basta verificar se
no caso, estão presentes o binômio – necessidade e adequação. Inexistente quaisquer dos dois
requisitos, inexiste interesse processual da parte para ajuizar a demanda.
A necessidade processual nasce da indigência (obrigação) da parte em requerer a ingerência do
Poder Judiciário para solucionar o conflito de interesses. Neste aspecto, é vedado à parte provocar
o Poder Judiciário por mero capricho ou comodismo, quando verificado a ausência de resistência
da parte contrária em solucionar a controvérsia. Ex. ajuizar ação de despejo com base em
denúncia vazia sem notificação prévia.
A adequação refere-se a obrigação do autor em utilizar o meio adequado para exercer o seu
direito de ação, sob pena de extinção do processo. Ex. o proprietário propõe ação de despejo
para rescindir contrato de comodato.
D – POSSIBILIDADE JURÍDICA DO PEDIDO
Trata-se da existência dentro do ordenamento jurídico do pedido do autor. Não se deve confundir
a impossibilidade jurídica do pedido com a improcedência do pedido, pois, se improcedente, o
pedido é juridicamente possível. Ex. Ação de Usucapião de Bem Público.
III – ELEMENTOS DA AÇÃO
A – PARTES
As partes, autor e réu, polos ativo e passivo, possuem interesse na demanda (salvo se verificado
carência de ação ou falta das condições de ação), pois envolvidos no caso concreto, devem
sustentar suas respectivas teses e provas, possibilitando o julgamento da lide pelo juiz.
B – PEDIDO
É o objeto da ação.
Toda demanda é norteada pelo pedido, uma vez que ele estabelece os limites dela, devendo ter
uma relação lógica com os fatos narrados, sob pena de ser verificada a inépcia da inicial (art.
295, parágrafo único do CPC).
Art. 295. (...)
Parágrafo único. Considera-se inepta a petição inicial quando: (Redação dada pela Lei nº 5.925, de
1º.10.1973)
I - Ihe faltar pedido ou causa de pedir; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973)
II - da narração dos fatos não decorrer logicamente a conclusão; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de
1º.10.1973)
III - o pedido for juridicamente impossível; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973)
IV - contiver pedidos incompatíveis entre si. (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973)
O pedido pode ser MEDIATO ou IMEDIATO:
➔ Imediato – se relaciona com a natureza jurídica da demanda (condenação em
pagamento, obrigação de fazer, obrigação de não fazer, etc.)
➔ Mediato – se relaciona com o bem material pretendido. Ex. “diante do exposto, requer
que seja a presente demanda julgada PROCEDENTE com o fim de condenar (pedido
imediato) o réu ao pagamento de R$ 20.000,00 (pedido mediato).
C – CAUSA DE PEDIR
É o resultado da somatória dos fatos com a fundamentação jurídica do pedido.
Os fatos, ou seja, a causa de pedir remota, constituem-se num elemento norteador da própria
demanda, em que o autor narrará o ocorrido.
A fundamentação jurídica é a demonstração efetiva do direito do autor, através de doutrina,
jurisprudência, legislação e argumentação por ele utilizada. Já a fundamentação legal é a
norma(s) utilizada(s) como base para propositura da ação.
IV – CLASSIFICAÇÃO DA AÇÃO
A – CONHECIMENTO
A ação de conhecimento pode ser declaratória, quando declara a existência ou inexistência de
uma relação jurídica; constitutiva, cujo objeto é a criação, modificação ou extinção de uma relação
jurídica; ou condenatória, quando obriga o réu a realizar alguma obrigação ou pagar alguma
coisa.
O processo de conhecimento, tem por objetivo, a extinção de um litígio, encerrando-se com a
prolação da sentença.
B – CAUTELAR
É uma ação que tem por objetivo assegurar direitos, como bens, pessoas ou provas, cuja finalidade
é a proteção provisória e emergencial de bens jurídicos envolvidos no processo.
C – EXECUÇÃO
É uma ação que tem por objetivo forçar o devedor a cumprir uma obrigação, com a consequente
satisfação do credor de uma obrigação consagrada num título, que pode ser judicial ou
extrajudicial.