SAMANTHA ARIADNE ALVES DE FREITAS
(Organizadora)
ODONTOLOGIA
U ma visão contemporânea
volume 3
E ditora P ascal
2021
2021 - Copyright© da Editora Pascal
Editor Chefe: Dr. Patrício Moreira de Araújo Filho
Edição e Diagramação: Eduardo Mendonça Pinheiro
Edição de Arte: Marcos Clyver dos Santos Oliveira
Bibliotecária: Rayssa Cristhália Viana da Silva – CRB-13/904
Revisão: Os autores
Conselho Editorial
Dra. Sinara de Fátima Freire dos Santos
Dr. Saulo José Figueiredo Mendes
Dr. Glauber Túlio Fonseca Coelho
Dra. Eliane Rosa da Silva Dilkin
Dra. Helone Eloisa Frazão Guimarães
Dra. Mireilly Marques Resende
Dra. Cleiseano Emanuel da Silva Paniagua
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
S187c
Coletânea Odontologia: uma visão contemporânea. / Sa-
mantha Ariadne Alves de Freitas (Orgs.). — São Luís:
Editora Pascal, 2021.
167 f.; il. – (Odontologia; v. 3)
Formato: PDF
Modo de acesso: World Wide Web
ISBN: 978-65-86707-37-3
D.O.I.: 10.29327/528260
1. Odontologia. 2. Cirurgia parendodôntica. 3. Tratamento.
4. Paciente. I. Freitas, Samantha Ariadne Alves de.
CDU: 616.31: 612.3
O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correção e confiabilidade são
de responsabilidade exclusiva dos autores.
2021
www.editorapascal.com.br
[email protected]
APRESENTAÇÃO
A
o longo dos anos, educadores do mundo inteiro insistem para que
a educação seja a mola propulsora da formação dos jovens e adul-
tos. Na Odontologia não é diferente! Nós, professores dos cursos
de Odontologia, insistimos para que nossos alunos desenvolvam o pensa-
mento crítico e que possam, por conseguinte, exercer uma Odontologia de
excelência, pautada sobretudo na ética, técnica clínica e humanização dos
atendimentos.
Durante a prática clínica, os alunos são constantemente desafiados a se
posicionar perante inúmeras situações problema, e dessa maneira, são esti-
mulados a desenvolver um raciocínio lógico e crítico, que os tornem verda-
deiros promotores de saúde bucal quando adquirirem o grau de bacharel em
Odontologia.
Esta obra nasceu do sonho de professores apaixonados pela docência,
pois acreditamos na transformação da vida de nossos alunos através da edu-
cação. Depois de muitas incertezas e questionamentos, sentimos que era o
momento de ousar e fazer com que os alunos do curso de Odontologia não
apenas aprendessem a técnica odontológica perfeita, mas que também pu-
dessem aprender a escrever e colaborar com a ciência. Dessa forma, desa-
fiamos os nossos alunos a escreverem artigos e então, foi possível realizar o
sonho da publicação deste compêndio.
Deixo expressa minha gratidão aos professores que trabalham incessan-
temente para o fortalecimento da Odontologia. Obrigada pela colaboração e
incentivo com nossos alunos. Meus mais sinceros agradecimentos aos acadê-
micos de Odontologia pelo entusiasmo e compromisso com a ciência!
Boa leitura!
Profa Dra. Samantha Ariadne Alves de Freitas
SUMÁRIO
CAPÍTULO 1......................................................................................... 8
ATUAÇÃO DO CIRURGIÃO DENTISTA EM AMBIENTE HOSPITALAR NO TRA-
TAMENTO DE PACIENTES ONCOLÓGICOS
Alexsandra Ferreira Sousa
Carolina Raiane Leite Dourado Maranhão Diaz
Samantha Ariadne Alves de Freitas
CAPÍTULO 2......................................................................................... 23
SUPLEMENTAÇÃO ORAL DE FERRO NA ANEMIA E CÁRIE NA PRIMEIRA IN-
FÂNCIA: EFEITO EM Streptococus mutans
Mariana Almeida Mello Proença
Cadidja Dayane Sousa do Carmo
Cayara Mattos Costa
Lucilene Amorim Silva
Rubenice Amaral da Silva
Cecília Cláudia Costa Ribeiro
CAPÍTULO 3......................................................................................... 33
ASSOCIAÇÃO DA DOENÇA PERIODONTAL COM A DOENÇA RENAL CRÔNI-
CA: REVISÃO DE LITERATURA
Daniela Costa da Silva
Cristina da Silva Mendes
Camylla Claudino da Silva
Thiago Costa Verde
Monique Maria Melo Mouchrek
Bruno Braga Benatti
Mayra Moura Franco
CAPÍTULO 4......................................................................................... 45
A IMPORTÂNCIA DO PRÉ NATAL ODONTOLÓGICO NA ESTRATÉGIA DE SAÚ-
DE DA FAMÍLIA
Elissandra Verçosa Rezende Brito
Ana Carolinne Barbosa Maia da Silva
Roberta Sabrine Duarte Gondim
Roberto César Duarte Gondim
CAPÍTULO 5......................................................................................... 55
HÁBITOS DE SUCÇÃO NÃO NUTRITIVOS NA PRIMEIRA INFÂNCIA: REVI-
SÃO DE LITERATURA
Ianca Danielle Penha Viana
Gabryella Bezerra Silva
Nargila Ester Pereira Lopes
Mayara Silva Reis
Luis Carlos França Junior
Maria Gabrielle Sousa Ferreira
Vinícius de Paula Nascimento Barros
Samantha Ariadne Alves de Freitas
Thátyla Silva Linhares
CAPÍTULO 6......................................................................................... 76
REFERÊNCIA E CONTRA-REFERÊNCIA NA ODONTOLOGIA: A INTEGRALI-
DADE NA ATENÇÃO EM SAÚDE BUCAL NO SUS
Luiza Madalena Rocha Silva
Thiago Costa Verde
João Gabriel Matos Serra
Roberta Sabrine Duarte Gondim
Samantha Ariadne Alves de Freitas
Roberto César Duarte Gondim
CAPÍTULO 7......................................................................................... 85
PROTOCOLO DE ATENDIMENTO ODONTOLÓGICO A CRIANÇAS COM TRANS-
TORNO DO ESPECTRO AUTISTA: REVISÃO DE LITERATURA
Maria Gabrielle Sousa Ferreira
Ianca Danielle Penha Viana
Dara Lourenna Silva da Nóbrega
Wendel Chaves Carvalho
Samantha Ariadne Alves de Freitas
Thátyla Silva Linhares
CAPÍTULO 8......................................................................................... 100
SALIVA: DIAGNÓSTICO DE DOENÇAS ORAIS E SISTÊMICAS: UMA REVISÃO
DE LITERATURA
Nargila Ester Pereira Lopes
Ianca Danielle Penha Viana
Gabryella Bezerra Silva
Luis Carlos França Junior
Mayara Silva Reis
Samantha Ariadne Alves de Freitas
Patricia Luciana Serra Nunes
CAPÍTULO 9 ........................................................................................ 113
O PAPEL DO ODONTOLEGISTA NAS PERÍCIAS CRIMINAIS
Paulo Victor Gomes Rocha
Mayara Silva Reis
Vinicius De Paula Nascimento Barros
Luís Carlos França Júnior
Gabriele Oliveira Silva
Karlos Edwardo Fonseca Viana
Juliandry Catharine Mendes Reis
Ana Raissa Ayres Ferreira
Alexsandra Ferreira Sousa
Samantha Ariadne Alves De Freitas
CAPÍTULO 10....................................................................................... 127
ALTERAÇÕES BUCAIS EM PACIENTES SOROPOSITIVOS PARA HIV/AIDS
Samanta Dara Azevedo dos Santos
Ana Patricia Soares Araujo
Monique Maria Melo Mouchrek
Mayra Moura Franco
CAPÍTULO 11....................................................................................... 138
AVULSÃO EM DENTES DECÍDUOS: DIFERENTES FORMAS DE ABORDAGENS
TERAPÊUTICAS DISCUTIDAS NA LITERATURA
Thiago Costa Verde
Luiza Madalena Rocha Silva
Daniela Costa da Silva
Cristina da Silva Mendes
Yngrid Sousa Martins
Dara Lourenna Silva da Nóbrega
Thirza Keanne Nunes Lindoso
Samantha Ariadne Alves de Freitas
Luana Martins Cantanhede
AUTORES............................................................................................. 158
ORGANIZADORA.................................................................................. 166
CAPÍTULO 1
ATUAÇÃO DO CIRURGIÃO DENTISTA
EM AMBIENTE HOSPITALAR NO
TRATAMENTO DE PACIENTES
ONCOLÓGICOS
PERFORMANCE OF THE DENTAL SURGEON IN HOSPITAL
ENVIRONMENT IN THE TREATMENT OF ONCOLOGY PATIENTS
Alexsandra Ferreira Sousa
Carolina Raiane Leite Dourado Maranhão Diaz
Samantha Ariadne Alves de Freitas
Resumo
P
acientes oncológicos apresentam necessidades odontológicas significativas,
que demandam atendimento antes, durante e após a terapia oncológica. Esta,
pode resultar em sequelas ou efeitos adversos para os pacientes com câncer,
dentre elas destaca-se a mucosite oral, hiposalivação, cárie de radiação, entre
outros. Assim sendo, o objetivo deste trabalho foi abordar a importância do cirur-
gião dentista no ambiente hospitalar, mediante as doenças que podem acometer
a cavidade oral durante o tratamento oncológico. Esta pesquisa trata-se de uma
revisão de literatura, que permite ao pesquisador obter informações do assunto
abordado. abrangendo o período de 2010 a 2020. Verificou-se que a associação
entre quimioterapia e radioterapia tem sido utilizada com o intuito de melhorar o
índice terapêutico do tratamento, levando a uma melhora na sobrevida do pacien-
te. Analisou-se que os hospitais necessitam formar equipes multidisciplinares a
fim de diminuir os fatores de risco mediante às condições do paciente oncológico.
Quanto ao uso do Bisfosfonatos ressalva-se a importância da avaliação odontoló-
gica previamente à sua utilização, uma vez que pode evitar complicações futuras
advindas do fármaco. Apesar de o cirurgião dentista ter uma grande importância
no tratamento oncológico, desde o diagnóstico até os cuidados paliativos, sua atu-
ação na equipe multidisciplinar muitas vezes é desconhecida, especialmente pela
falta de informação dos profissionais da Odontologia.
Palavras chave: UTI; Odontologia; Hospitalar; Câncer
Abstract
O
ncology patients have significant dental needs, which require care before,
during and after Oncological Therapy. That can result in sequelae or adverse
effects for cancer patients, among them oral mucositis, hyposalivation, ra-
diation caries, among others. Therefore, the objective of this study was to address
the importance of the dental surgeon in the hospital environment, through the di-
seases that can affect the oral cavity during cancer treatment. This research is a
literature review, which allows the researcher to obtain information on the subject
addressed. covering the period from 2010 to 2020. It was found that the associa-
tion between chemotherapy and radiotherapy has been used in order to improve
the therapeutic index of treatment, leading to an improvement in patient survival.
It was analyzed that hospitals need to form multidisciplinary teams in order to
reduce risk factors according to the conditions of the cancer patient. Regarding
the use of Bisphosphonates, the importance of dental evaluation prior to its use is
emphasized, since it can avoid future complications arising from the drug. Althou-
gh the dental surgeon has great importance in cancer treatment, from diagnosis
to palliative care, his performance in the multidisciplinary team is often unknown,
especially due to the lack of information from dental professionals.
Key-words: ICU; Dentistry; Hospital; Cancer
Editora Pascal 9
1. INTRODUÇÃO
Muitos pacientes oncológicos têm condições bucais precárias como: cáries,
restaurações insatisfatórias, acumulo de biofilme, gengivite, periodontite, abfra-
ção, erosão, atrição, saburra lingual, raízes residuais sendo elas associadas à falta
de higiene oral.
Essas alterações orais tornam-se fatores de risco comuns quando não tratadas
previamente ao tratamento antineoplásico (VIEIRA et al., 2012), e as chances de
uma qualidade de vida melhor tendem a diminuir ocasionando alterações sistêmi-
cas que serão discutidas no desenvolver deste trabalho.
Considerando que o tratamento odontológico previamente ao tratamento on-
cológico objetiva a eliminação e estabilização de condições orais que desencadeiem
uma infecção local ou sistêmica (VIEIRA et al., 2012), é dever do cirurgião-dentista
(CD) no período pré tratamento (quimioterapia e radioterapia) solicitar exames de
imagem como a radiografia panorâmica, realizar anamnese e exame clínico, para
identificar alterações e intervir se necessário para o condicionar o meio bucal do
paciente.
Como o CD pode atuar no ambiente hospitalar no tratamento de pacientes
oncológicos?
Neste Trabalho de Conclusão de Curso demonstra-se a atuação do CD frente
aos desafios que a oncoterapia apresenta. O objetivo geral é realizar uma revisão
de literatura abordando a importância do CD no ambiente hospitalar, visando as
doenças que podem acometer a boca durante o tratamento oncológico. Os obje-
tivos específicos são abordar os efeitos colaterais da cavidade oral relacionadas à
radioterapia e quimioterapia, buscar conhecer as alterações que acometem pacien-
tes oncológicos internados em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), e apresentar o
impacto do uso de bisfosfonatos em pacientes oncológicos.
Trata-se de uma revisão bibliográfica com buscas ativas nas seguintes bases
de dados eletrônicos (databases) indexadas: LILACS® (Literatura Latinoamericana
em Ciências de Saúde), SciELO® (Scientific Electronic Library Online) e PubMed®
(Public MedLine), no período de 2010 a 2020. Os termos utilizados para pesquisa
foram: UTI, Odontologia, Hospitalar, Câncer.
Odontologia
Uma visão contemporânea - Vol. 03
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2. EFEITOS COLATERAIS DA CAVIDADE ORAL RELACIONADOS À
QUIOMIOTERAPIA E A RADIOTERAPIA
Os agentes quimioterapêuticos são drogas concebidas para ter uma toxicidade
seletiva para as células tumorais. Os quimioterápicos atuais são frequentemente
de natureza citostática ou citotóxica para prevenir a divisão rápida das células ma-
lignas e / ou destruí-las no processo (LÓPEZ et al., 2011). Mesmo os agentes qui-
mioterápicos mais modernos apresentam efeitos colaterais, e para sabermos lidar
com esses efeitos precisamos conhecer as terapias medicamentosas comumente
utilizadas. Os quimioterápicos que normalmente causam mucosite oral com mais
frequência são: Cisplatina, Melphalan, Metotrexate, 5-FU, Etoposide, Ara-C e Ciclo-
fosmida (em altas doses).
A radioterapia consiste no uso de radiação ionizante que promove a destruição
ou redução do volume tumoral. Por estarem em constante atividade mitótica às
células neoplasias são mais susceptíveis às radiações (TAO et al., 2010). O trata-
mento pode ser utilizado com intenção curativa ou paliativa. O dentista é o pro-
fissional mais qualificado avaliar e aplicar medidas preventivas em pacientes em
radioterapia na região de cabeça e pescoço. (MACEDO; ANJOS, 2019). Quanto a
aplicação da dose total calculada dependerá da avaliação do radioterapeuta.
A associação entre quimioterapia e radioterapia tem sido utilizada com o in-
tuito de melhorar o índice terapêutico do tratamento, levando a uma melhora na
sobrevida do paciente (LOPES et al.,2013).
Antes do início da quimioterapia e radioterapia é importante que o paciente
consulte o CD para que seja realizado um tratamento odontológico preventivo, a
fim de evitar complicações da oncoterapia (SERA et al., 2013) Dentre os efeitos co-
laterais orais causados pela quimioterapia e radiação na região de cabeça e pesco-
ço, temos a mucosite, a hipossalivação, disgeusia, disfagia, maior suscetibilidade a
infecções oportunistas, cáries de radiação, trismo, fibrose tecidual, dores crônicas
como neuropatias, Osteonecrose induzida por bisfosfonatos e Osteorradionecrose.
(EPSTEIN et al.,2014).
Um grande número de alterações com manifestações bucais pode acometer o
paciente oncológico, limitando, em alguns casos, a continuidade ou a adesão do
paciente ao tratamento. Esses efeitos e toxicidades podem alterar vários aspectos
funcionais da boca e orofaringe afetando na dieta e consequentemente na nutri-
ção (EPSTEIN et al.,2014). Além disso, podem alterar a fonação, a capacidade de
higienização da boca e a estética, gerando um impacto negativo para manutenção
de uma vida social e emocional adequada.
As células normais que se multiplicam com maior rapidez, como da medula ós-
sea, da mucosa gastrointestinal e dos folículos pilosos causam os efeitos colaterais
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mais comuns: aplasia da medula, mucosite, náusea e vômito, diarreia e alopecia.
Esses efeitos colaterais são temporários e desaparecem com a produção de novas
células.
A mucosite (MO) é uma complicação comum que acomete pacientes que estão
em quimioterapia e/ou radioterapia de cabeça e pescoço, e transplante de células
tronco-hematopoiéticas (VITALE et al., 2017; SONIS; VILLA 2018). Ela pode aco-
meter a mucosa oral, sendo denominada de mucosite oral (MO) e a mucosa gas-
trointestinal (SURESH et al., 2010; CINAUSERO et al., 2017). Esta condição pode
ser um dos fatores que pode aumentar a morbidade e mortalidade em pacientes
portadores de câncer (ATILLA et al., 2017).
A manifestação clínica da MO assume várias formas e pode desenvolver-se a
partir da mucosa eritema a pequenas lesões e ulcerações. A escala mas utilizada
para medir sintomas de MO para fins clínicos e de pesquisas é a escala da Organi-
zação Mundial de Saúde (OMS) onde: grau 0 sem mucosite oral, grau I eitema e
dor, grau II úlceras, capazes de comer sólidos, grau III úlceras, requer dieta líquida
(devido à MO), grau IV úlceras, alimentação não é possível (devido a mucosite)
(AINDA et al., 2020).
As opções para seu tratamento e prevenção ainda são limitadas e a maioria dos
pacientes não tem acesso a terapia fotobiomoduladora, considerada padrão ouro
na prevenção de tratamento da MO (VILLA, SONIS, 2020). Algumas pesquisas têm
sido realizadas na busca contínua de novas terapias para o tratamento e prevenção
da mucosite oral, já que seu manejo ainda constituiu um desafio (CINAUSERO et
al., 2017; KUO et al., 2018).
Importante ressaltar que a higiene bucal preventiva deve fazer parte da ro-
tina dos primeiros cuidados de suportes juntamente com a escovação, fio dental,
clorexidina 0,12% usando assim um protocolo oral padronizado para todos os pa-
cientes (DOROTHY et al., 2007). O objetivo da higiene bucal básica é para reduzir
o impacto da flora microbiana oral, re-sintomas de dor relacionados à terapia do
câncer, sangramento e prevenir infecções de tecidos moles que podem ter sequelas
sistêmicas (EDWARD et al., 2004). Para esses pacientes, devido ao risco de san-
gramento gengival é indicado o uso de escova de dente macia sem a realização de
movimentos bruscos (EQUIPE ONCOGUIA, 2013).
A hipossalivação é outro efeito colateral importante da quimioterapia e radio-
terapia decorrente da necrose das células acinares produtoras de saliva. Com a
diminuição da saliva na boca, fatores desconfortantes ocorrerão como a perda do
paladar (disgeusia), dificuldades na fala e na deglutição (disfagia). Além disso, de-
vido a alterações em fatores biológicos qualitativos e quantitativos da saliva, esses
pacientes terão maior propensão à formação de cáries, conhecidas como cáries de
radiação (SERA et al., 2013).
A disfagia é representada pela dificuldade em deglutir o alimento ingerido no
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12
trajeto da orofaringe até o estômago, podendo estar associada a outros sintomas
como: regurgitação, aspiração traqueobrônquica, dor retroesternal independente
do esforço físico (relacionada ou não à alimentação), pirose, rouquidão, soluço e
odinofagia (LOBÓ et al., 2001; MCKEOWN, 2002).
Infecções por micro-organismos oportunistas (Candida albicans, Herpes Sim-
ples Vírus (HSV), citomegalovírus, varicela zoster) são frequentes durante o trata-
mento oncológico e tendem a potencializar os sinais e sintomas (FRANCESCHINI,
2003).
A mais comum complicação e de fácil controle é a cárie de radiação. Trata-se
de uma cárie altamente destrutiva com rápida evolução causada principalmente
pela falta de saliva e da sua função tampão. Visando evitar sua instalação, foi cria-
do um protocolo para pacientes pós-irradiados, com uma terapia de aplicação diá-
ria de flúor nos dentes, onde o paciente fará a aplicação na sua própria casa do gel
de fluoreto de sódio neutro a 2% em uma moldeira individual de acetato. Em pa-
ciente que sem condições da instalação da moldeira, poderá ser prescrito o uso de
bochechos diários com flúor a 0,05% solução não alcoólica (SANTOS et al. 2013).
O trismo que é a restrição da abertura de boca, pode ser causado pela infil-
tração do tumor nos músculos mastigatórios e/ou articulação temporomandibular,
resultar do envolvimento destes músculos no campo de irradiação ou uma com-
binação de ambos (CAROLINE et al., 2018). A ausência de função ou redução na
mobilidade mandibular pode estar referida a causa da fibrose e prejuízos causados
aos músculos da mastigação. O aparecimento de trismo após tratamento de radio-
terapia tem ocorrido com frequência (RIBAS et al., 2011)
A neuropatia periférica induzida (NPI) pela quimioterapia antineoplásica é um
evento adverso que ocorre em aproximadamente 38% dos pacientes que recebem
tratamento com múltiplos agentes, embora essa porcentagem varie na dependên-
cia dos fármacos utilizados, dose, duração da exposição e comorbidades (CAVA-
LETTI et al., 2010). As combinações de quimioterápicos com as mais altas taxas de
neurotoxicidade periférica como evento adverso incluem as que envolvem os sais
de platina (cisplatina, carboplatina e oxaliplatina), os alcaloides da vinca (vincris-
tina, vimblastina, vinorelbina), o bortezomibe (um inibidor de proteassomo) e as
taxanas (paclitaxel, docetaxel, cabazitaxel) (PACHMAN et al., 2002).
Pacientes com presença de cáries e restaurações insatisfatórias devem ser
reabilitados através de tratamento restaurador para uma adequação do meio bu-
cal satisfatória. Há evidências clínicas que indicam restaurações com ionômero de
vidro devido este material aumentar o teor de flúor da saliva e diminui a colônia
bacteriana na boca, auxiliando na proteção dos dentes. (BACHI et al.,2013; REIS
et al., 2010).
Visando evitar complicações como processos infecciosos, abscessos e osteor-
radionecrose, elementos dentários com prognóstico duvidoso devem ser extraídos
Editora Pascal 13
com intervalo de 3 semanas antes do início da radioterapia (SANTOS et al., 2013)
Outra complicação do tratamento oncológico considerada tardia é a Osteo-
necrose induzida por uso de Bisfosfonatos e a Osteoradionecrose (ORN). Ambas
causam a necrose isquêmica do osso que sofreu radiação e ou influência do Bisfos-
fonatos, resultando em dor bem como possíveis perdas de estrutura óssea, poden-
do levar a uma exposição óssea, episódios de osteomielite e fraturas patológicas
(SERA et al., 2013; MANZON et al., 2015).
Após o término do tratamento quimioterápico e radioterápico é importante que
o paciente continue sob os cuidados odontológicos, a fim de evitar complicações
tardias.
3. A ATUAÇÃO DO CD FRENTE A ALTERAÇÕES QUE ACOMETEM PA-
CIENTES ONCOLÓGICOS EM UTI
No Brasil a inserção do CD na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) ainda é limi-
tada em grande parte dos hospitais especializados. A assistência odontológica em
UTIs exige o estabelecimento de uma rotina diária de inspeção da cavidade bucal
para se identificar alterações da normalidade, assim como a qualidade da higiene
bucal do paciente crítico. Assim o foco da odontologia hospitalar é o cuidado do
paciente, visando à prevenção de complicações através da higiene bucal, por meio
da eliminação dos focos de infecção, tratamento das alterações bucais, resolução
da dor e promoção do conforto (BATISTA et al., 2014; INCA, 2015; SALDANHA et
al., 2015).
A integração do CD na equipe multiprofissional visa diminuir o risco de altera-
ções sistêmicas e infecções hospitalares associadas a condições orais, reduzindo
assim a necessidade de antibioticoterapia, o tempo de internação, consequente-
mente o custo do tratamento e proporcionando ao paciente uma melhor qualidade
de vida (BEZINELLI et al., 2013).
A pneumonia é uma doença respiratória aguda que afeta o parênquima pul-
monar, através de uma progressão de agentes de origem bacteriana e viral. A
pneumonia associada à ventilação mecânica (PAVM) é uma infecção nosocomial,
desenvolvida horas após a intubação orotraqueal ou dois dias após a retirada do
tubo endotraqueal, além de estender o internamento na UTI por 5 a 9 dias. Em
consequência, são umas das infecções mais perigosas na unidade hospitalar por
ter de 9-40% de morbidade e mortalidade, por causar insuficiência respiratória
grave (GADELHA et al., 2011; COSTA et al., 2016; FONSECA et al., 2017).
A Pneumonia Nosocomial (PN) se torna a segunda causa de infecção hospi-
talar por ser adquirida através de agentes etiológicos, devido ao aparecimento de
biofilme quando não é realizado uma adequada higienização na cavidade bucal e a
Odontologia
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responsável por taxas significativas de morbidade e mortalidade em pacientes de
todas as idades (GOMES et al., 2012). A pneumonia associada à ventilação mecâ-
nica (PAVM) se manifesta no período de dois a três dias após a utilização da intuba-
ção orotraqueal, e pode surgir também até 48 horas após a retirada da intubação
traqueal na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). (COSTA et al., 2016). Aumentando
assim, a permanência dos enfermos e elevando as despesas dos hospitais.
É sabido que a infecção respiratória aconteça por meio de alguns mecanismos
principais, microaspiração de secreções da orofaringe, inalação de aerossóis
infeccionados, biofilmes infectados sobre ou dentro dos tubos endotraqueais,
disseminação de microrganismo por via hematogênica e por fim, translocação
direta para o trato gastrointestinal (TGI). Sabe-se que a frequência da microaspi-
ração de bactérias ocorre em maior frequência. (OLIVEIRA et al., 2011; FRANCO
et al., 2014)
A saúde bucal deficitária também é incluída como fator de risco, por ser a
primeira porta de entrada para os microrganismos orais que conseguem penetrar
com facilidade pelas laterais do balonete do tubo, vencer as defesas imunológicas
e penetrar nos pulmões. Ao negligenciar a higiene oral do paciente comprometido,
o biofilme acaba surgindo, aumentando a concentração de bactérias na saliva. Os
agentes etiológicos multirresistentes comumente são os bastonetes Gram-negati-
vos, como Acinetobacter spp, Staphylococcus aureus, Enterobacter spp. Escherihia
coli e Proteus mirabiis. (GADELHA et al., 2011; GOMES et al., 2012; FONSECA et
al., 2017).
A higienização da cavidade oral tem um papel importante no estímulo dos ner-
vos sensoriais, podendo melhorar a disfagia (dificuldade de deglutir) e, consequen-
temente, diminuir a aspiração de microrganismos, favorecendo a reabilitação do
paciente. Esse método pretende prevenir infecções, manter a umidade da mucosa,
proporcionar comodidade ao paciente e monitorar o desenvolvimento e a matu-
ração do biofilme que predispõe de uma maior patogenicidade na cavidade bucal.
(KUSAHARA., 2012; FERREIRA et al., 2017).
O paciente sistemicamente comprometido em associação com a saúde bucal
deficiente, tende a desenvolver comorbidades bucais, sendo a periodontite a prin-
cipal causa. Pacientes que possuem a periodontite, e não fazem higienização na
UTI, podem apresentar quadros de infecções sanguíneas ou sépsis, pois ocorre um
grande volume de bactérias que acabam se disseminando e penetrando nos va-
sos sanguíneos. (MORAIS et al., 2015; SILVA et al., 2013). Já para uma correta e
adequada higienização é necessário utilizar dispositivo provido de espuma e uma
espátula envolta com gaze, escovas dentais com aspiração, dentifrícios fluoreta-
dos ou géis para a cavidade bucal ressecada e produtos como digluconato de clo-
rexidina, prevenindo infecções, redução da saburra lingual, cáries, periodontites e
biofilmes. (FRANCO et al., 2014; FERREIRA et al., 2017; NOGUEIRA et al., 2017).
Em um estudo prospectivo foi realizado a higiene lingual com a utilização de
Editora Pascal 15
swab e material de raspagem da língua para a retirada da saburra lingual, obser-
vando que 33% dos pacientes apresentaram cultura positiva, antes e após o uso do
raspador lingual, concluindo que reduz a halitose e a saburra dos pacientes, mas
sempre utilizando outros métodos para a higiene bucal.(SANTOS et al., 2013)
O digluconato de clorexidina 0,12% é considerado o padrão-ouro para a odon-
tologia, tendo a função de ser bacteriostático em pequenas doses e bactericida
em elevadas concentrações, inibindo e combatendo os microrganismos. Por essa
razão, a aplicação da clorexidina é fundamental para cicatrização e a regeneração
tecidual. Para precaver a pneumonia bacteriana será necessário à utilização dessa
solução antisséptica auxiliar que contém uma duração de doze horas após os cui-
dados bucais, obtendo também efeitos adversos, tais como: alterações de cor no
dente, restaurações, próteses e língua, xerostomia, perda do paladar e apareci-
mento de biofilme supragengival, quando é utilizado (GOMES et al., 2012; BAEDER
et al., 2012; VILELA et al., 2015; PEGARORO et al., 2014).
Os profissionais de saúde se esforçam para prevenir e tratar a PAVM. Por isso,
os hospitais devem formar uma equipe multiprofissional em saúde que assume a
responsabilidade em virtude das condições sistêmicas dos pacientes que obtém
quadros clínicos complexos e críticos, esse grupo é composto por médicos, ci-
rurgiões-dentistas, fisioterapeutas, enfermeiros, nutricionistas, auxiliares de en-
fermagem e serviços, denominado os bundles (pacotes). (ALECRIM et al., 2019;
CHICAYBAN et al., 2017).
4. IMPACTO DO USO DO BISFOSFONATO EM PACIENTES ONCOLÓGI-
COS
A Osteonecrose dos maxilares associado ao uso de bisfosfonatos (BFs) foi re-
latada pela primeira vez em 2003, quando foram demonstrados 36 lesões ósseas
de pacientes sob terapia de BFs que foram submetidos a procedimentos odontoló-
gicos invasivos ou em caso de infecções secundárias e traumatismos (FORTE et al.,
2016). De acordo com a American Association of Oral and Maxillofacial Surgeons
(AAOMS), trata-se de uma área de exposição óssea na maxila ou na mandíbula
que não se repara em oito semanas e acomete pacientes que estejam receben-
do ou que receberam BFs sistemicamente e não sofreram irradiação no complexo
maxilomandibula (BROZOSKI et al., 2012). É uma condição irreversível, na qual o
tecido ósseo não sofre remodelação e necrosa, é limitante, sendo seu tratamento
na maioria das vezes paliativo (RIBEIRO et al., 2011).
Os Bfs são análogos do pirosfosfato que inibem a mineralização do osso, re-
duzem a renovação óssea de forma dose-dependente, inibindo o recrutamento
promovem suicídio celular dos osteoclastos e, de forma indireta, estimulam as
atividades dos osteoclastos (RANG et al., 2011). Os osteoclastos são células que
compõe a matriz óssea, que tem grande participação na reabsorção e remodelação
Odontologia
Uma visão contemporânea - Vol. 03
16
do tecido ósseo. Essa classe medicamentosa tem sido amplamente empregada no
tratamento de doenças ósseas, como osteoporose, osteopenia, doenças de Paget,
na prevenção de metástases ósseas de mieloma múltiplo e tumores de mama e
próstata (RIBEIRO et al., 2011; MILANI et al., 2012).
Apesar dos benefícios dos BFs, uma complicação de difícil manejo decorrente
desse uso é a osteonecrose. (MILANI et al., 2012). Por atuarem algumas vezes por
anos no tecido, de acordo com o tipo indicado e a dose, mesmo que suspensos
em curto prazo, esses medicamentos podem provocar a osteonecrose (BROZOSKI,
2012). Portanto é sempre bom lembrar que dentes com prognósticos duvidosos,
que não apresentam possibilidades de serem restaurados devem ser extraídos an-
tes do início da terapia com BFs. Os BFs que contem nitrogênio são mais potentes
que os não nitrogenados e oferecem mais riscos de desenvolvimento da Osteone-
crose (BROZOSKI et al., 2012; CARVALHO et al., 2010). A administração acontece
pela via oral ou via endovenosa (BROZOSKI et al., 2012). A Osteonecrose dos Ma-
xilares Associadas ao uso de Bisfosfonatos (ONMAB) pode ficar assintomática por
várias semanas, meses ou anos. Alguns sinais e sintomas podem estar associados
com seu desenvolvimento, dentre os quais: dor, mobilidade dental, aumento de
volume da mucosa, eritema, ulceração, drenagem de secreção na boca, exposição
óssea, osteomielite e fratura patológica
Existem situações nas quais a visita ao CD deve se dar antes do início da tera-
pia, é o caso dos BFs. A literatura tem mostrado que esse grupo de pacientes pode
apresentar a chamada ONMAB o indicado é que o paciente seja submetido a uma
avaliação odontológica antes de receber a medicação para que seja realizado uma
adequação do meio bucal. Removidos os focos de infecção esse paciente deve ser
seguido pelo Dentista para o controle do quadro. Essa é a maneira mais eficaz de
se tentar evitar a Osteonecrose ou identifica-la no estágio inicial, minimizando o
impacto para o paciente (ARRAIN Y, MASUD T 2011; SAAD et al., 2012).
Além da avaliação da condição bucal do paciente previamente ao tratamento,
a visita preventiva ao dentista tem como objetivo esclarecer ao mesmo sobre a
própria patologia, explicando quais os sinais e sintomas precoces e estabelecer vi-
sitas regulares para acompanhamento (FLORES et al., 2016; COSTA, 2017).
Em pacientes com a Osteonecrose instalada, radiografias panorâmicas e pe-
riapicais devem ser realizadas com frequência para acompanhamento da evolu-
ção (CASTILHO et al., 2013). Além disso, a antibioticoterapia torna-se importante
(SALDANHA et al., 2012).
Quando o quadro de osteonecrose já estiver desenvolvido o acompanhamento
com cirurgião-dentista deve continuar, nesse caso serão necessários cuidados adi-
cionais, principalmente quanto à determinação sobre quais procedimentos odonto-
lógicos poderão ser realizados e quais os cuidados serão precisos (FLORES et al.,
2016; COSTA, 2017)
Editora Pascal 17
Seu diagnóstico é clinico a partir da observação dos sinais e relato dos sinto-
mas se presentes. Em exames complementares de imagens, pode-se notar apenas
mínimo espessamento do ligamento periodontal, no entanto quando se encon-
tra mais avançada ocorrem áreas de esclerose difusa, sequestro óssea e lesões
osteolíticas envolvendo a cortical (SOUSA, 2017; SANTOS, 2010; SILVA,2017).
Segundo Lam et al. (2007), além de exames de imagens, o monitoramento clí-
nico com realizações de cultura e antiobiogramas e apurada avaliação do turnover
ósseo através C-telopeptideo (CTx) pode contribuir para o diagnóstico da ONMAB.
Em seu estudo Marx et al. (2007) consideram pacientes com valores de CTx infe-
riores a 100pg/ml como sendo de alto risco, de 100 a 150pg/ml, de moderado risco
e acima de 150 pg/ml como de baixo risco. Os autores ressaltam que os valores de
CTx devem ser ultilizados na avaliação clínica dos fatores de risco e nas decisões
terapêuticas a serem tomadas.
Quanto ao tempo de uso dos BFs até o aparecimento ou diagnóstico de ONMAB
é bastante variado na literatura. Tem sido relatado que, quanto mais longo for o
tempo de terapia com BFs maior o risco para o desenvolvimento de Osteonecrose
(RUGGIERO et al., 2006).
O fato do BFs ser inibidores da reabsorção óssea, interferindo no processo de
remodelação e renovação de um novo osso, deixa o paciente sujeito a traumas ou
cirurgias orais, suscetíveis a desenvolver ONMAB.
A prevenção sempre será a melhor forma de conduzir essa complicação, a
comunicação entre oncologista e o CD é fundamental nesses casos. O tratamento
tem que ser feito de forma multidisciplinar e sempre a melhor forma de conduzir
essa complicação é prevenindo.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com a revisão de literatura foi possível observar a importância do CD no am-
biente hospitalar, visando as doenças que podem acometer a boca durante o trata-
mento oncológico. Verificou-se os efeitos colaterais na cavidade oral relacionadas à
quimioterapia e radioterapia, no qual conheceu-se as alterações que acometem pa-
cientes oncológicos internados em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), bem como
apresentou-se os impactos do uso de bisfosfonatos em pacientes oncológicos.
Apesar da importância da inserção do CD na equipe oncológica, essa ainda é
limitada, especialmente pela restrição de conhecimento dos profissionais da odon-
tologia. É necessário saber que o paciente nessa situação necessita de cuidados
odontológicos antes, durante e após o tratamento, visto que durante as sessões de
quimioterapia e radioterapia causam vários efeitos colaterais.
Odontologia
Uma visão contemporânea - Vol. 03
18
Outrossim, os profissionais de saúde devem montar uma equipe multidiscipli-
nar destacando que a presença do CD deve ser valorizada, principalmente quando
se trata de prevenir a PAVM. Pois, com base na literatura, é necessário a atuação
do CD no ambiente hospitalar em virtude das condições sistêmicas que os pacien-
tes oncológicos apresentam.
Além disso, a comunicação entre oncologista e cirurgião dentista tem pro-
porcionado aos pacientes oncológicos uma melhora da qualidade de vida, desde o
diagnóstico aos cuidados paliativos, principalmente quando se trata da osteone-
crose dos maxilares induzidas pelo uso dos BFs. Desta forma, sem o auxílio de um
CD não seria possível promover uma qualidade de vida para estes pacientes que
mesmo após o término do tratamento precisam dos cuidados odontológicos.
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Odontologia
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CAPÍTULO 2
SUPLEMENTAÇÃO ORAL DE FERRO
NA ANEMIA E CÁRIE NA PRIMEIRA
INFÂNCIA: EFEITO EM Streptococus
mutans
IRON ORAL SUPPLEMENTATION IN ANEMIA AND EARLY CHILDHOOD
CARIES: EFFECT ON Streptococus mutans
Mariana Almeida Mello Proença
Cadidja Dayane Sousa do Carmo
Cayara Mattos Costa
Lucilene Amorim Silva
Rubenice Amaral da Silva
Cecília Cláudia Costa Ribeiro
Resumo
Este estudo avaliou o efeito da suplementação oral de ferro na contagem de
estreptococos do grupo mutans e na imunoglobulina A (IgA) anti-Streptococcus
mutans salivares de crianças com anemia e cárie na primeira infância. As crian-
ças (n=14) foram suplementadas com sulfato ferroso (4mg/kg) durante 60 dias.
Foram colhidas saliva estimulada e biofilme para contagem de estreptococos do
grupo mutans (Mitis Salivarius com bacitracina ágar) e quantificação de IgA anti-
-S. mutans salivar (Enzyme-Linked Immunosorbent Assay), comparando o período
inicial com o período após a suplementação. Após o período de suplementação, foi
observada uma redução de IgA anti-S. mutans salivar (p=0,01) e uma redução li-
mítrofe na contagem de Streptococcus do grupo mutans salivar (p=0,05). A suple-
mentação oral com ferro como tratamento da anemia pode ter um efeito adicional
anti-S. mutans na cárie na primeira infância.
Palavras chave: Anemia por deficiência de ferro, Cárie Dentária, Sulfato Fer-
roso.
Abstract
This study evaluated the effect of iron oral supplementation on mutans strep-
tococci count and on salivary anti-Streptococcus mutans IgA of children with ane-
mia and early childhood caries. These children (n=14) were supplemented with
ferrous sulphate (4mg/kg) during 60 days. Stimulated saliva and biofilm were col-
lected for mutans streptococci count (mitis salivarius-bacitracin ágar) and salivary
anti-S. mutans IgA quantification (Enzyme-linked immunosorbent assay), com-
paring baseline and after supplementation. After supplementation period a sali-
vary IgA anti-S. mutans reduction (p=0.01) and a borderline reduction on salivary
mutans streptococci count (p=0.05) were observed. Iron oral supplementation as
anemia treatment may have an additional anti-S. mutans effect in early childhood
caries.
Key-words: Iron deficiency anemia, Dental caries, Ferrous sulphate
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Uma visão contemporânea - Vol. 03
24
1. INTRODUÇÃO
A anemia por deficiência de ferro é um importante problema de saúde pública
que atinge principalmente crianças (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2017), sendo
mais prevalente nas populações de baixa renda (SCHROTH et al., 2013; HASHEMI;
BAHROLOLOMI; SALARIAN, 2018; PRADO et al., 2020). Do mesmo modo, a cárie
na primeira infância é também um problema de saúde pública que afeta crianças
até 71 meses, especialmente em países de baixa renda (AMERICAN ACADEMY OF
PEDIATRIC DENTISTRY, 2002). Existe uma forte associação entre a anemia e a cá-
rie na primeira infância (TANG; HUANG; HUANG, 2013; HASHEMI; BAHROLOLOMI;
SALARIAN, 2018).
A vulnerabilidade social e a dieta não saudável podem estar na origem da as-
sociação entre anemia e cárie (PRADO et al., 2020). O maior consumo de açúcar
tem um papel claramente determinante na etiologia da cárie (SHEIHAM; JAMES,
2015; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2017). Paralelamente, uma dieta não sau-
dável, rica em açúcar e pobre em micronutrientes pode também resultar em ane-
mia (MAUNDER et al., 2015; HASHEMI; BAHROLOLOMI; SALARIAN, 2018; PRADO
et al., 2020), substituindo nutrientes importantes da dieta (GIBSON, 2009; LOU-
ZADA et al., 2018).
Compostos à base de ferro podem ter um efeito protetor local na cárie (ALVES
et al., 2011; RIBEIRO et al., 2012; COSTA et al., 2017). Os íons ferro podem atuar
no fenômeno de desmineralização (LACY, 1979; ALVES et al., 2011), uma vez que
estes íons adsorvidos à íons salivares (Ca++, PO4-3) proporcionam a nucleação da
apatita, substituindo a perda mineral nas fases ácidas do processo de cárie (FLINK,
2007).
Além disso, os compostos à base de ferro podem resultar na redução da colo-
nização por Streptococcus mutans, como demonstrado em estudos in vitro (RIBEI-
RO et al., 2012; EL-MARAKBY; AL-SABRI, 2016) e modelos de estudo animal (RO-
SALEN; PEARSON; BOWEN, 1996; ESHGHI et al., 2012). O íon ferro pode também
resultar na redução da virulência de S. mutans, o que poderia interferir na cárie
dentária (COSTA et al., 2017). Estudos em animais (ROSALEN; PEARSON; BOWEN,
1996; ESHGHI et al., 2012; RIBEIRO et al., 2012), modelos in vitro (BERLUTTI et
al., 2004) e in situ (PECHARKI et al., 2005) mostraram um efeito anti-S. mutans
utilizando compostos com concentrações de íons de ferro entre 70 e 151 partes
por milhão (ppm), mostrando uma relação dose-dependente (PECHARKI et al.,
2005; RIBEIRO et al., 2012). A concentração de ferro elementar utilizada para o
tratamento da anemia por deficiência de ferro em crianças é de cerca de 3 ppm por
dia (SHORT; DOMAGALSKI, 2013). Assim, postula-se a hipótese de a suplemen-
tação da anemia por deficiência de ferro resultar no efeito do ferro anti-S. mutans
em crianças com cárie na primeira infância.
Editora Pascal 25
Considerando a anemia por deficiência de ferro é altamente prevalente em
crianças com cárie na primeira infância, este estudo foi realizado a fim de analisar
o efeito da suplementação com sulfato ferroso na imunoglobulina A (IgA) anti-S.
mutans salivar, bem como na contagem de estreptococos do grupo mutans na sa-
liva e no biofilme oral em crianças com anemia por deficiência de ferro e cárie na
primeira infância.
2. MATERIAIS E MÉTODOS
As crianças foram recrutadas em treze centros de acolhimento de crianças/es-
colas comunitárias, selecionados por conveniência em diferentes distritos de saúde
de São Luís, Brasil. Todas as crianças inscritas em creches e escolas foram convida-
das a participar no estudo. Foram elegíveis as crianças até 71 meses de idade, com
dentição decídua completa. Foram excluídas as crianças tratadas com deficiência
de ferro nos últimos seis meses antes da coleta de dados.
Para calcular o tamanho da amostra, foi realizado um estudo piloto com amos-
tras de saliva de cinco crianças. Para avaliar a variável IgA anti-S. mutans antes e
depois da suplementação com sulfato de ferro, foi considerada a média (0,9 UD) e
o desvio padrão (1,21) da diferença nesta variável, 90% da potência de teste e α =
0,05. O n alcançado foi de 08 indivíduos, mais um valor de 20%, totalizando uma
amostra de 10 crianças.
Houve um tratamento pré-experimental para a atividade de cárie: orientação
sobre higiene oral e disponibilidade de pasta de dente fluoretada com 1100 ppm
para todas as crianças. Após um mês, houve um novo exame clínico e as crianças
que permaneceram em atividade de cárie tiveram o sangue recolhido para o diag-
nóstico de anemia.
Entre as 54 crianças reexaminadas, 14 (26%) foram incluídas neste estudo,
porque tinham os diagnósticos de cárie na primeira infância e anemia. Este estudo
foi realizado em duas fases: T1 – período inicial: coleta de amostras de saliva e
T2 - 60 dias após a suplementação com ferro: nova coleta de amostras de saliva.
2.1 Diagnóstico de cárie e deficiência de ferro
A cárie foi avaliada pelo índice ceo-d (dentes decíduos cariados) (WORLD HE-
ALTH ORGANIZATION, 2013), incluindo lesões ativas não cavitadas (NYVAD; MA-
CHIULSKIENE; BAELUM, 2003). Um único profissional calibrado (M.A.M.P) avaliou
clinicamente as lesões cariadas (K = 0,8).
Os testes sanguíneos para avaliação foram realizados por um pediatra. As
Odontologia
Uma visão contemporânea - Vol. 03
26
amostras de sangue foram avaliadas utilizando equipamento Sysmex XE-2100. As
crianças com concentrações de hemoglobina inferiores a 11,0g/dL (WORLD HE-
ALTH ORGANIZATION, 2011) e ferritina sérica inferior a 12μg/L (WORLD HEALTH
ORGANIZATION, 2017) tiveram o diagnóstico de anemia.
2.2 Tratamento da deficiência de ferro
Um pediatra receitou 125 mg/mL (25 mg de ferro elementar) de sulfato fer-
roso (FeSO4) numa dose de 4 mg/kg/dia, durante 60 dias, segundo o fabricante
(Masferol, Natulab, Brasil). Para melhor controlar a administração de medicamen-
tos, as crianças foram suplementadas pelos seus professores na escola durante
a semana e, no fim de semana, foram suplementadas pelos seus pais em casa.
As crianças foram orientadas a não beber água ou comer alimentos durante pelo
menos 30 minutos após a suplementação, a fim de prolongar a permanência do íon
ferro na cavidade oral.
2.3 Coleta de Saliva
No período inicial, cerca de 1 ml de saliva estimulada (ERICSON; BRATTHALL,
1989) foi coletada entre 7 e 8 da manhã, com as crianças em jejum. Após 60 dias
do início da suplementação com ferro, foram coletadas novas amostras de saliva
estimulada, realizadas após um mínimo de 8 horas desde a última suplementação.
As amostras salivares foram mantidas sob refrigeração para o Laboratório de Mi-
crobiologia Oral da Universidade Federal do Maranhão, sendo aliquotadas cerca de
200uL para contagem de estreptococos do grupo mutans A amostra restante foi
congelada em -22ºC, para análise imunológica posterior da concentração de anti-
-S. mutans salivar.
2.4 Coleta de biofilme
O biofilme foi coletado em pelo menos quatro regiões diferentes da cavidade
oral. Foi coletada uma amostra de pré-tratamento (período inicial) e outra amos-
tra após 60 dias do início da suplementação. A coleta do biofilme foi realizada por
curetas estéreis, armazenando-o num tubo Eppendorf previamente esterilizado.
Sob refrigeração, as amostras foram enviadas para o Laboratório de Microbiologia
da Universidade Federal do Maranhão para ser processada a contagem de estrep-
tococos do grupo mutans até 2 horas.
Editora Pascal 27
2.5 Análise microbiológica
No laboratório de microbiologia, as amostras de biofilme foram imediatamente
pesadas num balanço analítico para a utilização do peso como fator de correção
das quantidades variáveis de amostras de biofilme.
As amostras do biofilme e da saliva foram submetidas à diluição decimal até
10 com solução salina estéril (0,9% NaCl). Alíquotas de 25 uL de cada diluição
-5
foram plaqueadas em duplicata em placas de Petri contendo cultura de Mitis Sali-
varius Agar (MSA) (Difco, BD, Sparks, MD), suplementadas com 20% de sacarose
e 0,2 unidade/ml de bacitracina e 1% de telureto de potássio (Mitis Salivarius com
bacitracina - MSB) (ERICSON; BRATTHALL, 1989) para contagem de estreptoco-
cos do grupo mutans (NYVAD; MACHIULSKIENE; BAELUM, 2003). As placas fo-
ram incubadas em frascos para microaerofilia (Probac, Brasil) durante 48 horas a
37°C. Após a incubação, um examinador cego determinou o número de unidades
formadoras de colônias (UFC/ml de biofilme e saliva). Três colônias foram selecio-
nadas para confirmação do fenótipo celular e por coloração de Gram (GOLD; JOR-
DAN; VAN HOUTE, 1973).
2.6 ELISA - Análise imunológica
Níveis de Ig A anti-S. mutans salivares foram determinados por Enzyme-linked
immunosorbent assay (ELISA) (GUERRA et al., 01973). Utilizaram-se placas de
microtitulação com 96 poços (NUNC, Roskilde, Denmark). A cada poço foram adi-
cionados 200 μL de IgA de cabra anti-IgA humana (Sigma-Aldrich, St Loius, Mis-
souri, USA) diluído na concentração de 1/1000 em solução tampão carbonato-bi-
carbonato (pH 9,6). As placas foram incubadas por 18 horas a 37°C. Em seguida,
os poços passaram por lavagem tripla em solução salina tamponada com fosfato
(PBS; pH = 7,2) com adição de 0,05% de Tween 20 (Promega, Madison, USA;
PBS-T) e incubados em PBS contendo 1% de soro de albumina bovina por 1 hora a
37°C. Depois, a cada poço foi adicionado, em duplicata, 200 µL de amostra salivar
diluída na proporção de 1:10 em PBS, para que as placas fossem incubadas por 2
horas à temperatura ambiente (± 25°C). As placas foram lavadas e, logo em se-
guida, adicionou-se 200 µL de anticorpo anti-IgA humana conjugado à fosfatase
alcalina (Sigma-Aldrich, St Loius, Missouri, USA), diluído a 1/500 em PBS-T a cada
um dos poços. As placas foram incubadas novamente por 2 horas em temperatura
ambiente e, depois, lavadas três vezes com PBS-T. A cada poço foi adicionado 200
µL de uma solução de p-nitrofenilfosfato (Sigma-Aldrich, St Loius, Missouri, USA;
pNPP) e as placas foram incubadas por mais 30 minutos à temperatura ambien-
te, observando sempre a mudança de cor característica dessa reação. O bloqueio
desta foi realizado com a adição de 50 µL de NaOH 1N (Sigma-Aldrich, St Loius,
Missouri, USA) a cada um dos poços. A densidade óptica foi mensurada em leitor
ELISA com filtro de 405nm de comprimento de onda.
Odontologia
Uma visão contemporânea - Vol. 03
28
2.7 Análise estatística
As contagens dos estreptococos do grupo mutans na amostra inicial foram
comparadas a amostras coletada após 60 dias através do teste t pareado. A dis-
tribuição da amostra não seguiu uma distribuição normal e por isso foi utilizada a
análise Box-Cox, onde os dados foram transformados em Log10. Os valores de
IgA anti-S. mutans antes e depois da suplementação foram comparados utilizando
o teste de comparação de médias.
2.8 Questões Éticas e de Amostragem
Este estudo foi aprovado pelo Comité de Ética do Hospital Universitário da Uni-
versidade Federal do Maranhão (protocolo 33104-019/2007). Os pais ou tutores
assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido. As crianças diagnostica-
das com deficiência de ferro foram encaminhadas para o pediatra e receberam o
tratamento adequado para a doença. Aqueles que tinham cáries foram encaminha-
dos para a clínica de Odontologia da Universidade Federal do Maranhão.
3. RESULTADOS
Após 60 dias do início da suplementação com sulfato ferroso, 57% das amos-
tras tiveram uma redução na concentração de IgA anti-S. mutans salivar. Obser-
vou-se também uma redução em 50% da amostra dos estreptococos do grupo
mutans na saliva, sendo essa redução de 100 vezes em 28,5% das crianças e 10
vezes em 21,5% delas. Além disso, 35,7% das crianças também tiveram uma re-
dução estreptococos do grupo mutans no biofilme oral.
Após 60 dias do início da suplementação, houve uma redução significativa da
média da concentração de IgA anti-S. mutans na saliva (p=0,01); enquanto a re-
dução da média da contagem dos estreptococos do grupo mutans na saliva estava
no limite da significância (p = 0,05) (Tabela 1).
T=0 T = 60
IgA anti-S.mutans 1,621±1,38 a
0,715±0,89A
Saliva (CFU)* 4,631±0,531b 4,194±0,907b
Biofilme (CFU/mg)* 2,734±0,59c 2,702±1,00c
Teste T para amostras pareadas; α=0,05.
Letras de maiúsculas e minúsculas correspondem a diferenças estatistica-
mente significantes.
*Valores transformados em Log10
Tabela 1 – Comparação dos meios de contagem de IgA salivar e estreptococos do grupo mutans antes e
depois de 60 dias da suplementação
Fonte: Elaborado pelas autoras (2020)
Editora Pascal 29
4. DISCUSSÃO
Este estudo mostrou um efeito anti-S. mutans após a suplementação com fer-
ro, observado pela análise imunológica e uma redução da IgA salivar significativa
após 60 dias de suplementação com sulfato de ferro, o que sugere uma redução da
exposição ao antígeno de S. mutans.
Como mecanismo explicativo do efeito anti-S. mutans observado neste estudo,
a suplementação de sulfato ferroso pode inibir a atividade da glucosiltransferase,
que é um mecanismo patogênico de S. mutans (COSTA et al., 2017) e também re-
duzir a progressão da cárie dentária através da redução da população de S. mutans
(ESHGHI et al., 2012).
Além disso, foi também observada uma redução da média de colonização de
estreptococos do grupo mutans salivar no limite da significância (p = 0,05). Como
mecanismo explicativo, aponta-se a dose utilizada neste estudo, que foi entre 250
e 350 vezes superior à concentração natural de ferro livre na saliva, que é de 0,1 a
1,0μM, dependendo do padrão dietético (DE SOET; DE GRAAFF, 1990). E os dados
do estudo piloto (n = 3) mostraram que as concentrações salivares após a suple-
mentação com sulfato ferroso (concentração de 25 mg/mL) foram de em 300 ppm,
100 ppm e 10 ppm Fe, em 5 minutos, 30 minutos e 24 horas, respectivamente.
Estes dados demonstram que o ferro tem uma alta substantividade, permanecendo
em altas concentrações horas após a aplicação na cavidade oral. Assim, a baixa so-
lubilidade do ferro na cavidade oral pode afetar o crescimento de nichos bacteria-
nos (WANG et al., 2012). Portanto, o efeito anti-S. mutans observado neste estudo
pode ser atribuído a essa elevada biodisponibilidade de ferro na saliva. Experiên-
cias anteriores mostraram uma redução de S. mutans no biofilme em modelos in
vitro (RIBEIRO et al., 2012) e humano (PECHARKI et al., 2005).
No entanto, diferente do esperado, neste estudo não foi observada uma redu-
ção na contagem de estreptococos do grupo mutans no biofilme oral após o perí-
odo de suplementação de ferro. Estes resultados discordam de outros resultados
observados in vitro (ROSALEN; PEARSON; BOWEN, 1996; ESHGHI et al., 2012)
e in situ (PECHARKI et al., 2005). As diferenças entre este ensaio clínico, no qual
o biofilme cresceu em condições naturais na cavidade oral, e estudos anteriores,
podem ser atribuídas a diferentes condições experimentais in vitro (ROSALEN;
PEARSON; BOWEN, 1996; ESHGHI et al., 2012) e modelos in situ (PECHARKI et
al., 2005). No modelo de Ribeiro et al., os blocos de biofilme de S. mutans foram
mergulhados numa solução a concentrações de 1, 10 e 100 ppm Fe ++ durante 1
minuto, duas vezes por dia. Por outro lado, Pecharki et al., pingaram uma solução
de sulfato ferroso (70 ppm), 08 vezes por dia durante 15 dias diretamente sobre o
biofilme formado in situ.
Finalmente, a menor sensibilidade da técnica de contagem direta das colônias
Odontologia
Uma visão contemporânea - Vol. 03
30
de estreptococos do grupo mutans poderia ser uma explicação para a observação
de uma redução no limite da significância na saliva e nenhuma significativa no
biofilme. A quantificação da UFC não pode ser exata, uma vez que em MSB é pos-
sível o crescimento de colônias de outros microrganismos (HIDEBRANDT; BRETZ,
2006). Assim, o efeito da IgA salivar seria o mais importante, apresentando-se
como um método mais sensível para avaliar a presença da espécie de S. mutans
na cavidade oral.
Como limitação, assume-se a não utilização de um grupo de controle no es-
tudo por questões éticas, uma vez que as crianças com anemia por deficiência de
ferro necessitam de suplementos de ferro. Desta forma, para minimizar o erro na
interpretação dos dados, comparou-se o efeito sobre estreptococos do grupo mu-
tans, comparando dois grupos: inical e após a suplementação de ferro, utilizando
métodos imunológicos e microbiológicos na saliva e biofilme.
Os resultados mostram um efeito da suplementação com ferro na redução de
IgA anti-S. mutans salivar na saliva de crianças com anemia por deficiência de fer-
ro e cárie na primeira infância. Contudo, é necessário realizar mais investigações
para avaliar a duração destes efeitos antimicrobianos e se estes resultados se re-
fletirão na atividade anticariogênica a longo prazo.
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Odontologia
Uma visão contemporânea - Vol. 03
32
CAPÍTULO 3
ASSOCIAÇÃO DA DOENÇA
PERIODONTAL COM A DOENÇA
RENAL CRÔNICA: REVISÃO DE
LITERATURA
ASSOCIATION OF PERIODONTAL DISEASE WITH CHRONIC KIDNEY
DISEASE: LITERATURE REVIEW
Daniela Costa da Silva
Cristina da Silva Mendes
Camylla Claudino da Silva
Thiago Costa Verde
Monique Maria Melo Mouchrek
Bruno Braga Benatti
Mayra Moura Franco
Resumo
A
doença renal crônica (DRC) é decorrente de anormalidade da funcionalidade dos
rins. Na cavidade bucal o paciente com DRC apresenta várias manifestações, entre
elas, a doença periodontal (DP). Com isso, é relevante que o Cirurgião - Dentista
elabore um plano de tratamento e que seja analisado o estado sistêmico do paciente.
Assim, o objetivo deste trabalho foi investigar e demonstrar uma possível associação da
doença periodontal com a doença renal crônica. Dessa forma, foi realizado um trabalho
de revisão bibliográfica, qualitativo e descritivo, do período de 2000 a 2020, por meio de
busca ativa de informações nas bases de dados: Biblioteca Científica Eletrônica Online
(Scientific Eletronic Library Online-SciELO), Google Acadêmico, Pubmed e Medline. Foram
incluídos estudos transversais, longitudinais e revisões de literatura, em português e in-
glês. Foram excluídos trabalhos sem o texto completo disponível. De forma geral, pode
– se entender que a associação da doença periodontal (DP) com a doença renal crônica
(DRC) é uma relação bidirecional de causa – efeito entre estas condições, principalmente
no impacto sistêmico da inflamação/infecção que as duas apresentam. Estudos mostram
uma alta prevalência de indivíduos comprometidos pela DRC em tratamento em hemodiá-
lise com doença periodontal, o que reforça a necessidade de haver a integração do cirur-
gião – dentista na equipe multiprofissional. Promovendo controle das alterações bucais e
eliminação de qualquer possível foco infeccioso relacionado à doença e seu tratamento,
permitindo uma saúde bucal e melhoria na qualidade de vida do indivíduo.
Palavras-chave: Insuficiência Renal Crônica, Doenças Periodontais, Saúde Bucal,
Inflamação.
Abstract
C
hronic kidney disease (CKD) is due to abnormal kidney functionality. In the oral
cavity, the patient with CKD presents several manifestations, among them, perio-
dontal disease (PD). With that, it is relevant that the Surgeon - Dentist elaborates
a treatment plan and that the systemic state of the patient is analyzed. Thus, the aim of
this paper was to investigate and demonstrate a possible association between periodontal
disease and chronic kidney disease. Thus, a qualitative and descriptive bibliographic re-
view was carried out from 2000 to 2020, through an active search for information in the
following databases: Scientific Eletronic Library Online (SciELO), Google Scholar, Pubmed
and Medline. Cross-sectional, longitudinal studies and literature reviews, in Portuguese
and English, were included. Articles without the full text available were excluded. In gene-
ral, it can be understood that the association of periodontal disease (PD) with chronic kid-
ney disease (CKD) is a bidirectional cause - effect relationship between these conditions,
mainly in the systemic impact of the inflammation / infection that the two have. Studies
show a high prevalence of individuals compromised by CKD undergoing hemodialysis with
periodontal disease, which reinforces the need for the integration of the dentist in the
multidisciplinary team. Promoting control of oral changes and eliminating any possible in-
fectious focus related to the disease and its treatment, allowing oral health and improving
the individual’s quality of life.
Keywords: Renal Insufficiency, Chronic; Periodontal Diseaes, Oral Health, Inflamma-
tion.
Odontologia
Uma visão contemporânea - Vol. 03
34
1. INTRODUÇÃO
A Doença Renal Crônica (DRC) apresenta uma alteração na estrutura renal
com diminuição da Taxa de Filtração Glomerular (TFG). É uma complicação fisio-
patológica de causa variável e produto de deterioração prolongada e irreversível
da função renal, resultando no declínio progressivo da taxa de filtração glomerular
(TFG) para menos de 60ml/min/1,73 m2 e destruição dos néfrons. Ela pode levar
à doença renal terminal, com a perda da função renal irreversível, necessitando de
terapia de reposição permanente (diálise ou transplante renal) para evitar a ure-
mia, ou seja, evitar o acúmulo de substâncias no sangue que deveriam ser filtradas
e excretadas pelos rins (KDIGO, 2013).
O paciente renal crônico pode apresentar várias manifestações bucais, como
xerostomia, estomatite urêmica, alterações radiográficas dos ossos maxilares e
mandibulares secundárias à perda de cálcio do tecido ósseo devido ao aumento do
paratormônio, alta concentração de ureia na saliva, remodelamento ósseo anormal
após extração, erupção dentária atrasada, mobilidade dentária, maloclusão, sensi-
bilidade à percussão e também doença periodontal (DP) (PROCTOR et al., 2005).
A doença periodontal tem sido investigada como uma potencial fonte de infla-
mação crônica em pacientes com doença renal crônica, com a presença de biofilme
dental, cálculo e sangramento gengival nesses pacientes. Entende-se que o acesso
para o cuidado da saúde bucal é visto como um fator importante na avaliação e
melhoria das condições sistêmicas desses pacientes. Nesse sentido, é importante
analisar uma possível associação da doença renal crônica com a doença periodon-
tal. Com isso, pretende-se investigar e demonstrar uma possível associação da
doença periodontal com a doença renal crônica e o papel do cirurgião-dentista no
tratamento da doença periodontal para que o paciente tenha tanto saúde bucal,
quanto qualidade de vida.
Dessa forma, o objetivo geral foi investigar e demonstrar uma possível asso-
ciação da doença periodontal com a doença renal crônica, e especificamente en-
tender a doença renal crônica, compreender a doença periodontal e sua possível
associação com a doença renal crônica e estudar os protocolos clínicos ou o plano
de tratamento necessário para o tratamento seguro e eficaz da doença periodontal
em pacientes com doença renal crônica e o papel do cirurgião – dentista.
Assim, foi realizado um trabalho de Revisão Bibliográfica, qualitativo e descri-
tivo, do período de 2000 a 2020, por meio de busca ativa de informações nas se-
guintes bases de dados: Biblioteca Científica Eletrônica Online (Scientific Eletronic
Library Online-SciELO), Google Acadêmico, Pubmed e Medline. A busca foi realiza-
da utilizando-se os termos: “insuficiência renal crônica”; “saúde bucal”; “doenças
periodontais”; “inflamação”. Foram incluídos estudos transversais, longitudinais e
revisões de literatura, em português e inglês. Foram excluídos trabalhos sem o
Editora Pascal 35
texto completo disponível.
2. DOENÇA RENAL CRÔNICA
A Doença Renal Crônica (DRC) caracteriza – se pelo declínio gradativo e ir-
reversível da função renal de depuração, causando uma redução da filtração glo-
merular, reprimindo a manutenção da hemostasia interna do organismo. Então, o
indivíduo precisa de uma terapia de substituição renal, como a filtração artificial do
sangue por diálise ou transplante renal (ÁTAMO; ESTEVE; PÉREZ, 2011).
Um trabalho realizou levantamento de dados de unidades de diálise do país.
Em julho de 2017, o número total estimado de pacientes em diálise foi de 126.583.
As estimativas nacionais das taxas de prevalência e de incidência de pacientes em
tratamento dialítico por milhão da população (pmp) foram 610 (variação: 473 na
região Norte e 710 no Centro-Oeste) e 194, respectivamente. A taxa de incidência
de novos pacientes em diálise com diagnóstico de nefropatia diabética foi de 77
pmp. A taxa anual de mortalidade bruta foi de 19,9%. Dos pacientes prevalentes,
93,1% estavam em hemodiálise e 6,9% em diálise peritoneal, com 31.226 (24%)
em fila de espera para transplante (THOMÉ et al., 2019).
A DRC considerada um grande problema de saúde pública, estando entre as
principais causas de morte e de incapacidade. Sua incidência vem crescendo em
brasileiros devido ao aumento de pacientes hipertensos e diabéticos e pelo enve-
lhecimento da população (BRASIL, 2011). De acordo com um estudo, 61% dos
pacientes submetidos à diálise apresentam diabetes e hipertensão (SOCIEDADE
BRASILEIRA DE NEFROLOGIA, 2016). Outra causa importante de progressão da
DRC, está associada às drogas e medicamentos, como analgésicos e anti-inflama-
tórios não esteroides (CHEN et al., 2006).
A DRC é classificada em estágios de acordo com o grau de diminuição da TFG.
No estágio 1: dano renal com TFG normal (>90 ml/mim/1.73 m2); no estágio 2:
leve redução na TFG (60-89 ml/mim/1.73 m2); estágio 3: redução moderada da
TFG (30-59 ml/mim/1.73 m2); estágio 4: redução acentuada da TFG (15-29 ml/
mim/1.73 m2) ; estágio 5: falha renal (TFG <15 ml/mim/1.73 m2) (CHONCHOL,
2008).
A DRC se apresenta, geralmente, de maneira insidiosa e assintomática nas
fases iniciais e seus sinais e sintomas se manifestam de forma lenta e progressiva,
sendo detectada pelos sintomas clínicos e pela avaliação laboratorial. Ao exame
clínico, os portadores da DRC apresentam manifestações que seriam hipertensão
arterial, pele pálida e amarelada, com possíveis áreas escoriadas e mucosa bucal
pálida. A retenção de líquidos é evidente. Os indivíduos também podem manifestar
insuficiência cardíaca congestiva (ICC), com hipertrofia cardíaca (WEINERT; HECK,
2011).
Odontologia
Uma visão contemporânea - Vol. 03
36
Na prática, a DRC é descoberta pelos sintomas clínicos e pela avaliação labora-
torial. Os principais indicadores laboratoriais para determinação dos valores são o
nitrogênio ureico do sangue (BUN) e a creatinina, que tem a eliminação diminuída
pelos rins e o nível sérico aumentado. A elevação do nitrogênio ureico do sangue
(BUN) é descrita como azotemia, e quando associado com sinais e sintomas clíni-
cos adversos, é denominado de uremia (COSTA; PADILHA; SANTOS, 2007).
Outras alterações metabólicas podem surgir e com isso é de grande impor-
tância realizar a avaliação do hemograma completo para se constatar uma anemia
(normocrômica e normocítica) que surgem nesses pacientes devido à deficiência
da produção de eritropoietina (WEINERT; HECK, 2011). No coagulograma é prová-
vel observar um tempo de sangramento aumentado, consequente da inibição da
adesão plaquetária pelas toxinas urêmicas, uso de anticoagulantes em diálise, fa-
lhas hemostáticas, disfunções plaquetárias, as quais contribuem para o surgimento
de hematomas no paciente (DIAS et al., 2007). Outro exame é o de eletrólitos,
onde observa – se uma hipercalemia, acidose secundária devido a retenção de po-
tássio e ácidos, taxa de fosfato sérico aumentado e taxa de cálcio sérico diminuído
(FARIAS et al., 2008).
A abordagem terapêutica é estabelecida pelo médico que encaminha para o
tratamento por meio da realização da diálise, que é a terapia que através de filtra-
ção remove todas as substâncias tóxicas acumuladas e o líquido é removido por
ultra filtração. Ela pode ser de dois tipos: a diálise peritoneal, que utiliza a mem-
brana peritoneal que atua como filtro e a hemodiálise que é o processo através da
membrana filtrante situada no dialisador que é acoplado no interior do aparelho
para diálise. A maioria das sessões dura em média 4 horas e com frequência de
três vezes por semana. Somente através do transplante renal, que é a fase final,
os indivíduos são liberados dessa terapia, que representa hoje a terapia de eleição,
por oferecer maior chance de recuperação da função renal (LACERDA et al., 2015).
A diálise peritoneal possui certos benefícios para os pacientes, como o baixo
custo, simplicidade na realização, redução das chances de transmissão de doenças
infecciosas e sem necessidade do uso de anticoagulantes. Entretanto, suas des-
vantagens são as sessões frequentes, o risco de peritonite e a baixa eficiência com-
parada à hemodiálise (GONÇALVES et al., 2019). A hemodiálise prolonga a vida,
mas não controla totalmente as alterações do curso natural da doença, produzindo
um momento tenso e angustiante trazendo resultados inconstantes e limitações
no cotidiano do paciente, cujas consequências, comprometem os aspectos físicos
e psicológico, gerando repercussões de ordem pessoal, familiar e social (PATAT et
al., 2012).
Também são necessários cuidados para a fase pós-transplante, evitando pro-
cedimento mais invasivos por um período de 6 meses. Os profissionais devem ficar
atentos à pressão arterial do paciente, uma vez que o uso da ciclosporina pode
levar a um quadro de hipertensão (SEKIGUCHI et al., 2006).
Editora Pascal 37
Vários estudos recentes têm demonstrado associação entre doenças renais
crônicas e doenças do periodonto. A DRC pode predispor e/ou agravar a doença
periodontal (DP), da mesma forma que a DP pode ser fator de comorbidade ou
fatores de riscos não tradicionais e fonte oculta de inflamação, causando ou favo-
recendo o dano renal (ALMEIDA et al., 2011).
3. DOENÇA PERIODONTAL E SUA POSSÍVEL ASSOCIAÇÃO COM A DO-
ENÇA RENAL CRÔNICA
A Doença Periodontal (DP) é uma desordem inflamatória crônica e de origem
infecciosa que envolve o acúmulo de placa dentária e a destruição das estruturas
de suporte do dente como ligamento periodontal, gengiva e osso alveolar, podendo
levar a perda dentária (KALBURGI et al., 2014). Dentre as características clínicas
da periodontite incluem: edema, recessão gengival, sangramento à sondagem,
aumento da mobilidade dentária e presença de bolsa periodontal; já as caracte-
rísticas histopatológicas incluem localização do epitélio juncional apical a junção
cemento – esmalte, perda das fibras de colágeno subjacente ao epitélio da bolsa e
um denso infiltrado inflamatório com neutrófilos, linfócitos e macrófagos (PIHLS-
TROM; MICHALOWICZ; JOHNSON, 2005).
Estudos epidemiológicos evidenciam a associação entre a DRC e a DP, onde
parece existir uma relação bidirecional entre as mesmas (FISHER et al., 2010).
Estudos mostram que existe uma relação entre a DRC e a DP, mostrando que a
diminuição da função renal está relacionada à doença periodontal e a perda dos
elementos dentais. Essa relação é bidirecional, pois a DRC afeta adversamente a
DP assim como a DP pode causar um efeito adverso sobre a DRC, resultando num
sistema de mediadores inflamatórios que exacerbam a desordem metabólica dos
mesmos (CHEN et al., 2011).
É ainda muito comum que esses pacientes apresentem halitose e gosto alterado
ou sensação de gosto metálico na cavidade bucal, devido à insuficiência dos rins
de remover ureia do sangue, resultando no aumento da concentração de ureia
na saliva, a qual é convertida em amônia (CERVERÓ et al., 2008). Os patógenos
periodontais podem causar danos ao nefro ou para sua vascularização a partir da
aterogênese em arteríolas e artérias de médio e grande calibre, podendo ocor-
rer isquemia, glomerulonecrose e insuficiência renal severa. (KSHIRSAGAR et al.,
2007).
O indivíduo que descuida de sua saúde bucal pode apresentar problemas clí-
nicos mais graves no avanço da DRC. Isso pode se dar devido à idade mais avan-
çada dos pacientes, à ocorrência de comorbidades comuns, tais como o diabetes
mellitus, à necessidade frequente do uso de múltiplas medicações e a um estado
de disfunção imune (KOVESDY; KALANTAR-ZADEH, 2008).
Odontologia
Uma visão contemporânea - Vol. 03
38
A associação entre doença renal crônica e doença periodontal tem sido expli-
cada por diversos autores, devido à alterações no periodonto que podem ser pro-
vocadas principalmente pela carga inflamatória sistêmica e pela baixa imunidade,
além dos seus fatores em comum. Esses fatores são considerados tanto como fato-
res de predisposição e/ou agravamento da DP quanto são causas, progressão, co-
morbidade/mortalidade, ou risco de agravamento da DRC (KOVESDY et al., 2010).
Estudos recentes têm demonstrado a associação entre as doenças renais crô-
nicas e as doenças que acometem o periodonto. O acúmulo de cálculo dentário em
pacientes renais em hemodiálise ocorre em um nível acelerado, e acredita- se que
esteja relacionado a um nível produto cálcio – fosfato sérico alterado. Gengivite
também pode ser diagnosticada em pacientes com DRC; a gengiva marginal é fre-
quentemente inflamada com tendência à hemorragia e outras manifestações orais
incluem a periodontite (GONÇALVES et al., 2011).
Um estudo relata maior gravidade da doença periodontal em paciente com
DRC em hemodiálise associada à maior quantidade de microrganismos periodonto-
patógenos. São observados piores condições de higiene bucal, incluindo maior acú-
mulo de placa/biofilme, cálculo dental, e sangramento gengival em população de
pacientes em hemodiálise. A condição precária pode ser justificada, uma vez que
a higiene bucal não teria prioridade, resultando a necessidade de conscientização
desde grupo de pacientes (CHEN et al., 2012).
A presença de um processo infeccioso e inflamatório crônico, como a doença
periodontal, pode influenciar de forma bastante negativa na progressão da doença
renal crônica, motivo pelo qual se destaca a relevância da realização de uma abor-
dagem multidisciplinar preventiva e intervencionista nesta população, enfatizan-
do a importância da saúde bucal (KIM et al., 2017). É importante conscientizar o
paciente portador da DRC das possíveis consequências das doenças bucais na sua
saúde geral, bem como elaborar estratégias para seu atendimento odontológico
(SOUZA et al., 2005).
A partir disso torna – se fundamental que os pacientes em hemodiálise re-
alizem acompanhamento odontológico periódico para o controle e prevenção de
doenças bucais, diagnóstico precoce e tratamento. Faz – se ainda essencial a cons-
cientização da importância em criar hábitos de cuidados relacionados à saúde bu-
cal, visto que são pacientes potenciais candidatos a transplante renal (LIMA; VIEI-
RA; DUARTE, 2014).
Outro importante fator a ser considerado para a relevância e necessidade de
tratamento e controle da DP refere – se à terapia renal substitutiva de transplan-
te renal. Pacientes em diálise normalmente estão à espera do transplante renal e
o mesmo ocorre de forma inesperada, porém a presença de infecção dentária e
doença periodontal, se tornam motivo para não realização, em função do risco de
infecção oportunista no novo órgão (BORAWSKI et al., 2007).
Editora Pascal 39
Com isso, o diagnóstico precoce, tratamento e controle da DP, associado à
avaliação periódica da saúde bucal, desde os estágios iniciais da DRC, devem ser
intensificados, como fator de prevenção de comorbidade, inclusive com a integra-
ção do cirurgião – dentista nas clínicas de diálise e na equipe multiprofissional, o
que gera um impacto positivo no estado de saúde bucal e sistêmica dos pacientes
renais crônicos (ALMEIDA et al., 2011).
4. TRATAMENTO SEGURO E EFICAZ DA DOENCA PERIODONTAL EM
PACIENTES COM DOENÇA RENAL CRÔNICA
Os pacientes portadores de doença renal precisam de um nível de atenção à
saúde, o tratamento odontológico deverá atender o cuidado humanizado ao porta-
dor de DRC. No caso específico da promoção da saúde do paciente em hemodiálise,
propõem – se as seguintes ações: acolhimento, estabelecimento de um protocolo
de atendimento, planejamento do tratamento e educação para a saúde (HUPP,
2000). Para o tratamento de qualquer indivíduo com DRC, uma série de exames
pré-operatórios devem ser solicitados, pois, através destes, é possível avaliar as-
pectos sistêmicos relevantes ao procedimento cirúrgico e, assim permitir uma me-
lhor elaboração do plano de tratamento pelo cirurgião – dentista (FARIAS et al,
2007). O cirurgião – dentista deve solicitar por escrito ao médico o diagnóstico do
paciente bem como todas as medicações empregadas, já que os pacientes que fa-
zem parte de programas dialíticos e transplantados de rim necessitam de atenção
especial de prescrição medicamentosa (WANNMACHER; FERREIRA, 2007).
Apesar do possível aumento da incidência e severidade da periodontite em in-
divíduos com DRC, a doença periodontal pode ser controlada através da terapia pe-
riodontal (BASTOS et al., 2009). Uma avaliação da saúde bucal desses pacientes é
necessária e essencial para que se removam focos potenciais de infecção odontoló-
gicas ou infecções metastáticas originadas da cavidade oral. Sendo recomendados
para tais pacientes realização de profilaxia e/ou raspagem e polimento radicular,
instrução de higiene bucal, inspeção radiográfica (radiografia panorâmica e radio-
grafia interproximais), teste de vitalidade em todos os dentes e alguma restaura-
ção que se faça necessário, além de procedimentos cirúrgicos. O exame preliminar
e o tratamento são capazes de fornecer uma base de comparação, quando o cirur-
gião – dentista pode avaliar as manifestações bucais que resultam da progressão
da DRC (SCHWAB et al., 2010).
O diagnóstico precoce, tratamento e controle da DP, associados à avaliação pe-
riódica da saúde bucal, desde os estágios iniciais da DRC, devem ser intensificados,
como fator de prevenção de comorbidades. Assim como é importante também a
integração do cirurgião-dentista nas clínicas de diálise e equipe multiprofissional, o
que pode ter um impacto relevante e positivo no estado de saúde bucal e sistêmico
dos pacientes renais crônicos (ALMEIDA et al., 2011).
Odontologia
Uma visão contemporânea - Vol. 03
40
Portanto, é essencial que o cirurgião-dentista possua conhecimentos a respeito
dos sinais e sintomas advindos da condição sistêmica dos indivíduos com DRC. Os
pacientes em diálise têm o risco aumentado para hemorragias e infecção. Assim é
recomendada a solicitação de exames complementares como hemograma comple-
to, coagulograma e monitorização do estado de pressão arterial. Além disso, é im-
portante o controle do estresse desses pacientes durante o tratamento odontológi-
co devido a possibilidade de aumentar a pressão arterial. Em geral, o atendimento
odontológico a pacientes com DRC se baseia em restaurar a saúde bucal, eliminar
potenciais focos de infecção e familiarizar o paciente com técnicas de higiene bucal
e prevenção (GUEVARA et al., 2014).
Para os pacientes que realizam hemodiálise e que necessitam de um tratamen-
to odontológico cirúrgico recomenda – se uma profilaxia antibiótica devido a esses
pacientes serem susceptíveis a infecção bacteriana e terem produção diminuída de
anticorpos, a qual é vulnerável a infecção, podendo gerar uma endocardite infec-
ciosa. Os medicamentos e as doses usadas são: 2g de amoxicilina ou 600mg de
clindamicina, uma hora antes do procedimento, 300mg de clindamicina uma hora
antes do procedimento e 150mg após seis horas da dose inicial, ou ainda a admi-
nistração de 1g de vancomicina, correndo por uma hora, durante a diálise, um dia
antes do tratamento (KLASSEN; KRASKO, 2002). A administração de medicamen-
tos nos pacientes com DRC deve ser realizada de forma cautelosa, sendo aconse-
lhável a utilização de remédios que sofrem metabolização no fígado, redução da
dose e o ajuste no intervalo das administrações (CERVERÓ et al., 2008).
É importante salientar que o cirurgião-dentista não trabalhe sozinho, pois,
para a efetividade de adesão ao tratamento bucal e/ou sistêmico, há que se contar
com uma equipe multidisciplinar coesa, capaz de levar informações e estímulos
aos pacientes debilitados para que haja atenção e promoção de saúde. Portanto,
é necessário conseguir por meio de um programa de palestras regulares com o
intuito de motivar os pacientes a realizarem o tratamento odontológico (SCHWAB
et al., 2010).
Nesse contexto, é necessário instituir programas de capacitação em saúde
bucal aos profissionais que acompanham pacientes com doença renal crônica, que
pode ser por meio de palestras, cursos de extensão e distribuição de material in-
formativo nos hospitais e serviços de nefrologia. O cirurgião-dentista deve estar
inserido na equipe multiprofissional de atendimento aos pacientes portadores de
doença renal crônica de cada hospital. Ainda, também é importante a participação
ativa dos demais profissionais, como enfermeiros, médicos e nutricionistas, entre
outros, na prevenção e promoção em saúde bucal, ouvindo as queixas dos pacien-
tes e encaminhando para atendimento odontológico, colaborando assim para me-
lhorar a qualidade de vida desses pacientes (GONÇALVES et al., 2009).
Editora Pascal 41
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Pode – se entender que a associação da doença periodontal (DP) com a doença
renal crônica (DRC) é uma relação bidirecional de causa – efeito entre estas con-
dições, principalmente no impacto sistêmico da inflamação/infecção que as duas
apresentam. Com isso, o encaminhamento destes pacientes para o tratamento
odontológico mostra – se adequado.
Estudos mostram uma alta prevalência de indivíduos comprometidos pela DRC
em tratamento em hemodiálise com doença periodontal, o que reforça a neces-
sidade de haver a integração do cirurgião – dentista na equipe multiprofissional.
Promovendo controle das alterações bucais e eliminação de qualquer possível foco
infeccioso relacionado à doença e seu tratamento, permitindo uma saúde bucal e
melhoria na qualidade de vida do indivíduo. Para isso, é relevante que o profissio-
nal tenha o conhecimento das principais alterações orais que possam estar presen-
tes, bem como suas etiologias e possibilidades terapêuticas.
Diante disso, é importante que as unidades que oferecem o tratamento de
hemodiálise, tenham um cirurgião – dentista na equipe multiprofissional, para re-
alizar promoção em saúde bucal, orientando paciente e família. Realizando trata-
mento odontológico necessário para que estes indivíduos possam ser submetidos
posteriormente ao transplante renal quando indicado. Seria necessária também a
implantação de um programa de treinamento teórico – prático em saúde bucal, de
medidas preventivas, principalmente aquelas relacionadas à DP entre os profissio-
nais de saúde e que fazem parte da equipe multiprofissional no tratamento da DRC.
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Odontologia
Uma visão contemporânea - Vol. 03
44
CAPÍTULO 4
A IMPORTÂNCIA DO PRÉ NATAL
ODONTOLÓGICO NA ESTRATÉGIA DE
SAÚDE DA FAMÍLIA
THE IMPORTANCE OF DENTAL PRENATAL CHRISTMAS IN THE FAMILY
HEALTH STRATEGY
Elissandra Verçosa Rezende Brito
Ana Carolinne Barbosa Maia da Silva
Roberta Sabrine Duarte Gondim
Roberto César Duarte Gondim
Resumo
É
fato que a saúde começa pela boca, e por saber que a gravidez provoca algumas
alterações no organismo da mulher, a cavidade bucal também acaba sendo
alvo destas alterações. Nesse contexto, a Estratégia de Saúde da Família (ESF)
dentro do SUS é o elemento chave para a busca permanente de comunicação e
troca de experiências, uma vez que é composta por uma equipe multiprofissional.
Como a odontologia pode desenvolver um papel importante durante o pré-natal
dentro da equipe de saúde da família? Diante disso, o objetivo geral deste trabalho
é descrever a importância da Odontologia na equipe de pré-natal na ESF. Contudo
os objetivos específicos foram: conhecer as políticas de saúde voltadas para a
gestante, descrever os principais aspectos sobre a saúde bucal a ser trabalhado
junto às gestantes e apontar estratégias utilizadas pela equipe de saúde bucal ao
participar da equipe de pré-natal. Trata-se de um estudo descritivo qualitativo,
por meio de documentação indireta através de bases de dados, das evidências
científicas dos últimos 10 anos. Conclui-se que o aconselhamento durante o pré-
natal associado aos cuidados preventivos e educativos e avaliação alimentar, irá
gerar pontos positivos em todo o processo das abordagens clinicas e educativas
da gestante, e assim fazer com que estas se sintam seguras, percam o medo e
desmistifiquem o mito de que não se pode ir ao dentista durante a gravidez.
Palavras chave: Pré-natal odontológico; Gravidez; Estratégia de Saúde da
Família; Saúde Bucal.
Abstract
I
t’s factual that the body health starts, through the human mouth. Knowing
that the pregnancy can causes some changes on the women’s body. The buc-
cal cavity can become affected with these changes. On this context, the Family
Heath Strategy (ESF) offered by SUS is the key element for a permanent channel
of communication, and exchange of experience. Since it is composed by a multi-
-professional team. How can the odontology, develop an important role during the
prenatal follow up with the Family health team? With that the main objective of this
project, is to describe how important it is to have the Odontology care; along with
the prenatal team at ESF. Although the specific objective was to learn about the
health policy directed for the pregnant women, describing the main aspect about
oral health for the pregnant; and to point strategies used by the oral health, and
the prenatal team. This is a qualitative descriptive study using indirect documen-
tation through scientific evidence of the past 10 years. In conclusion, the counse-
ling during the prenatal care, along with preventive care and educational and food
assessments; will bring positive reinforced during all the process of clinical and
educational for the pregnant. Making them feel safe and reassuring them not to be
scared of going to the dentist during pregnancy.
Key-words: Dental prenatal; Pregnancy; Family and health strategic; Oral
Health
Odontologia
Uma visão contemporânea - Vol. 03
46
1. INTRODUÇÃO
Durante o período de gestação a mulher passa por diversas transformações e
tem a necessidade de aceitar e se adaptar a elas. Além das inúmeras alterações
físicas existem também as alterações comportamentais, por tanto, a gestante por
si só se torna cada dia mais acessível a todas as informações e novidades. Entre-
tanto, é neste período que as mulheres aumentam o cuidado com a saúde, mas é
importante não deixar esquecer a saúde bucal.
É fato que a saúde começa pela boca, e por saber que a gravidez provoca
algumas alterações no organismo da mulher, a cavidade bucal também acaba
sendo alvo destas alterações. Dessa forma, é que se justifica a importância do
acompanhamento do cirurgião-dentista durante a gestação. As consultas com
o dentista são importantes para prevenir, diagnosticar e tratar os problemas de
saúde oral, evitando o comprometimento durante a gestação e pode ser fornecido
seguramente em todos os trimestres da gestação.
Compreende-se que o pré-natal odontológico tem como principal objetivo cui-
dar e educar a gestante e assim desenvolver um papel importante nesta fase. Ne-
ste contexto, podem ser incluídas ações como a de desmitificar crenças negativas
sobre a gravidez e o tratamento odontológico, conscientizar sobre os principais
problemas bucais como a cárie, doença periodontal, erosão dentária, lesões bu-
cais, excesso de saliva ou saliva mais ácida, orientar quanto à importância do con-
trole de biofilme, uso do flúor, amamentação, alimentação saudável, uma vez que
os dentes necessitam de minerais e começam a se formar a partir da 6ª semana
de gravidez.
Entende-se que o Sistema Único de Saúde (SUS) possui um modelo de atenção
básica baseada em ações curativas, preventivas e promocionais de saúde. Contu-
do, a Estratégia de Saúde da Família (ESF) é o elemento chave para a busca per-
manente de comunicação e troca de experiências, uma vez que possui uma equipe
multiprofissional responsável e capaz de prestar assistência integral de grande
importância para a sociedade com este grupo especifico.
Dentro desta perspectiva, o estudo trouxe como problema: Como a odontolo-
gia pode desenvolver um papel importante durante o pré-natal dentro da equipe
de saúde da família?
Diante disso, o objetivo geral deste trabalho é descrever a importância da
odontologia na equipe de pré-natal na Estratégia de Saúde da Família. Contudo os
objetivos específicos foram: conhecer as políticas de saúde voltadas para a gestan-
te, descrever os principais aspectos sobre a saúde bucal a ser trabalhado junto às
gestantes e apontar estratégias utilizadas pela equipe de saúde bucal ao participar
da equipe de pré- natal.
Odontologia
Uma visão contemporânea - Vol. 03
47
Elaborou-se uma revisão de literatura, por meio de artigos científicos, encon-
trados a partir das bases de dados como: o LILACS (Literatura Latino Americana
e do Caribe em Ciências Sociais e da Saúde), SCIELO (Scientific Electronic Library
online) e Google Acadêmico. Os artigos utilizados foram selecionados como fim de
elucidar maiores conhecimentos sobre o tema da pesquisa publicadas nos últim-
os dez anos. Os seguintes descritores foram utilizados: Gestantes, Odontologia,
Saúde Pública, Odontologia Preventiva, Estratégia Da Saúde Da Família, Saúde
Bucal da Gestante, Saúde Gestante e Bebê.
2. POLÍTICAS DE SAÚDE VOLTADAS PARA A GESTANTE
Nas ultimas décadas a atenção á saúde da mulher tem sido alvo de programas
desenvolvidos pelo Ministério da Saúde para melhorar cada vez mais a qualidade
da assistência as gestantes. O Programa de Saúde Materno-Infantil (PSMI), criado
em 1975 que foca nos pontos preventivos e nos cuidados necessários para o pré-
-natal e o parto. Em 1983 foi instituído o Programa de Assistência Integral a Saúde
da Mulher (PAISM) que abrange todas as fases da mulher, além de priorizar a edu-
cação em saúde também e salienta o direito de todas as gestantes terem acesso
ao dentista (REIS et al.,2010).
Em 2000, o Ministério da Saúde (MS), instituiu o Programa de Humanização ao
Pré-Natal e Nascimento (PHPN) que tem como objetivo a integralidade da assistên-
cia á gestante e reforça os direitos da mulher. Sua principal estratégia é garantir a
melhoria do acesso, da cobertura e da qualidade do acompanhamento pré-natal,
da assistência ao parto e puerpério, as gestantes e ao recém-nascido (REIS et al.,
2010).
Em 28 de dezembro de 2000, através da portaria 1.444, a Equipe de Saúde
Bucal (ESB) se integra no Programa de Estratégia da Família, logo, cada equipe de
ESF passa a contar com os membros da ESB, composta por dentista, auxiliar de
consultório dentário (Modalidade I), ou dentista, auxiliar de consultório dentário e
técnico em higiene bucal (Modalidade II) (BRASIL, 2013)
Em 2001, o Ministério da Saúde criou a Norma Operacional de Saúde (NOAS),
que tem como prioridade aumentar a governabilidade dos municípios na atenção
básica, direcionar os processos de regionalização, estabelecendo meios para forta-
lecer a gestão e renovar os critérios para habilitação de estados e municípios. En-
tretanto, os municípios se tornam responsáveis pela prevenção odontológica e as-
sistência as gestantes que inclui ações coletivas odontológicas como levantamento
epidemiológico, escovação supervisionada, bochecho com flúor, evidenciação de
placa e educação em saúde bucal (REIS et al., 2010).
O primeiro documento que apresenta a Política Nacional de Saúde Bucal foi
lançado em 2004 pelo Ministério da Saúde com o título de Brasil Sorridente. Foi
Odontologia
Uma visão contemporânea - Vol. 03
48
instituída com o objetivo de ampliar a cobertura e garantir a assistência odontoló-
gica à população que incluindo o grupo de gestantes nesta ampliação de acesso,
constituindo-se uma iniciativa pioneira na história do país em que a saúde foi posta
como prioridade nacional (BRASIL, 2013).
Em conformidade com os princípios e diretrizes do SUS, essa iniciativa está
elencada em uma política de integralidade e equidade que possui um vínculo com
a política geral de saúde e com as demais políticas públicas. Contudo, o intuito da
política nacional de saúde bucal é criar Centros de Especialidades Odontológicas
(CEO) para garantir à população acesso a tratamentos mais complexos, com a
oferta de serviços especializados como endodontia, periodontia, cirurgia e prótese
(MINISTERIO DA SAÚDE, 2011).
Todavia, o ministério da saúde rompe com a lógica de que a saúde bucal na
área pública deva se restringir à atenção básica. Então, em meados do mês de de-
zembro de 2005 foram criados 336 CEOs (OPAS, 2011).
Devido às alterações hormonais e fisiológicas, incluindo na cavidade oral, as
gestantes devem ser alvo prioritário nos serviços odontológicos da saúde pública,
uma vez que, diminuiria os riscos prejudiciais á criança e iria favorecer novos há-
bitos dentro da família (REIS et al., 2010)
Por preocupação ou não, observa-se que as gestantes, durante o período ges-
tacional, procuram evitar a consulta odontológica. Isto se deve aos diversos mitos
sobre o atendimento odontológico nessa época que acaba gerando todo esse re-
ceio. Esse episódio pode ser observado não só no Brasil como em países de primei-
ro mundo, como os EUA (ISRAEL et al, 2017).
3. OS PRINCIPAIS ASPECTOS SOBRE A SAÚDE BUCAL A SER TRABA-
LHADO JUNTO ÀS GESTANTE
O pré-natal odontológico pode ser realizado durante qualquer um dos três tri-
mestres gestacionais, principalmente se houver urgências. No primeiro trimestre,
o feto está em desenvolvimento, por tanto os riscos de complicação, abortos e
teratogenicidade são maiores. O segundo trimestre é o mais adequado para o tra-
tamento, pois a organogênese fetal foi concluída, neste caso há menor risco de te-
ratogenicidade, menor incidência de náuseas, menor riscos de intercorrência. Já o
terceiro trimestre, seria o mais seguro, pois o bebê está pronto para o nascimento.
Entretanto, se torna o mais desconfortável para a gestante, uma vez que apresenta
maior peso fetal e desconforto para deitar na cadeira odontológica (ECHEVERRIA,
2014)
Os hormônios sexuais femininos sofrem alterações durante o período gesta-
cional, há o aumento do nível de progesterona e estrogênio, que são responsáveis
Editora Pascal 49
pela intensificação das alterações periodontais. As mudanças na cavidade oral mais
comum durante a gravidez incluem cárie dentária, erosão dentária, gengivite, gra-
nuloma gravídico e xerostomia (RUIZ, 2016).
É de suma importância esclarecer para as gestantes e demais familiares que
a gestação não é responsável pelo surgimento de doenças e impossibilidades de
tratamento odontológico diante do surgimento destas, porém, é uma fase ideal para
criar bons hábitos, uma vez que a gestante está psicologicamente mais receptiva
a adquirir novas orientações, conhecimentos e fazer a mudança de padrões que
terão influência direta com a saúde do bebê (ECHEVERRIA, 2014)
A cárie dentária ocorre devido à dinâmica químico-bacteriana entre bactérias
orais (dente e açúcar), uma vez que, a incidência de cárie não está ligada ao pe-
ríodo gestacional propriamente dito, mas sim a fatores externos, como a menor
capacidade do estômago, que faz com que as gestantes comam menos e em maior
frequência, aumentando a quantidade de carboidratos ingeridos, o que associado
ao descuido da saúde bucal, acaba aumentando a incidência da doença cárie. Por-
tanto, para prevenir o desenvolvimento da carie, deve ser orientada a mudança em
sua dieta e hábitos de higiene oral, acompanhado de consultas regulares e limpe-
za bucal profissional usando flúor. A aplicação tópica do flúor por um profissional
não traz qualquer risco, uma vez que a deglutição não deverá de acontecer (RUIZ,
2016).
A erosão dentaria é causada por exposição do esmalte dentário aos ácidos,
geralmente, é a sua causa primária. Embora a saliva contenha bicarbonato e aju-
da na remineralização com significativa capacidade tampão, esse efeito pode ser
subjugado pela hipossalivação ou pelo excesso de ácido, que pode ser causado
pelo excesso de episódios de vômito. A saliva tem a capacidade de remineralizar
superfícies do dente expostas ao ácido, isso pode ser verificado em áreas onde a
dano por erosões, uma vez que o componente abrasivo da saliva remove o esmalte
amolecido antes da ocorrência da remineralização (NEVILLE, 2016). Dependendo
do nível da perda dentária, pode causar sensibilidade, dor e danos estéticos. Para
prevenir isso, o dentista deverá fazer uma avaliação de risco para a gestante, sen-
do possível usar o flúor para evitar o agravamento da erosão em casos severos.
Restaurações também podem ser necessárias (RUIZ, 2016).
A inflamação da gengiva é chamada especificamente de gengivite. Durante o
período da gestação, as mulheres exibem maior suscetibilidade para a gengivite
devido aos níveis de progesterona associados à gravidez que aumentar a permea-
bilidade vascular da gengiva, deixando a área mais sensível a agentes bacterianos,
físicos e químicos. A gengivite está relacionada ao biofilme e/ou cálculo dentário,
como também uma higiene bucal inadequada (NEVILLE, 2016).
A gengivite gravídica é caracterizada por uma resposta exacerbada à presen-
ça de biofilme bacteriano e é o problema bucal mais comum entre as gestantes.
Esta condição periodontal é clinicamente semelhante a uma gengivite induzida por
Odontologia
Uma visão contemporânea - Vol. 03
50
biofilme, é caracterizada por apresentar uma gengiva de coloração avermelhada,
edemaciada, com sangramento ao simples toque ou durante a escovação. Pode ser
prevenida e desaparecer alguns meses após o parto desde que os fatores locais
sejam eliminados mediante a remoção do biofilme bacteriano por meio de uma boa
higiene bucal ou profilaxia profissional (ISRAEL et al, 2017).
A gengivite pode estar acompanhada por periodontite, e hoje consiste em um
dos fatores de risco para trabalho de parto prematuro e pré-eclâmpsia, sendo a
prematuridade a principal causa de morbimortalidade neonatal. Dessa forma, a
saúde bucal como conduta preventiva interfere positivamente na condição do re-
cém-nascido (ECHEVERRIA, 2014).
Os granulomas piogênicos gengivais se desenvolve em mulheres grávidas. Po-
dem começar a se desenvolver durante o primeiro trimestre e sua incidência au-
menta a partir do sétimo mês de gravidez. O crescimento gradual dessas lesões
durante a gravidez pode estar relacionado ao aumento dos níveis de estrogênio e
progesterona de acordo com a progressão da gestação. Ao final da gravidez, com
a volta dos níveis hormonais ao normal, alguns desses granulomas piogênicos so-
mem sem tratamento ou sofrem maturação fibrosa e lembram um fibroma (NEVIL-
LE, 2016).
A xerostomia na gestação é encontrada em algumas gestantes. É definida
como o ressecamento temporário na boca. As alterações hormonais durante o
período gestacional podem ser uma possível explicação para isso. É aconselhável
consumir água frequentemente e mastigar goma-de-mascar sem sacarose con-
tendo xilitol para aliviar esse ressecamento. O uso frequente de pastas de dente e
enxaguantes orais com flúor podem também ajudar a remineralizar os dentes e a
reduzir a sensibilidade e o risco de cárie local (NEVILLE, 2016).
A equipe de pré-natal é responsável por dar apoio e informações diversas para
as gestantes. Informações estas que serão revestidas em um parto mais saudável
e em um ambiente familiar mais equilibrado com hábitos favoráveis a saúde bucal.
Entretanto, o aconselhamento durante o pré-natal associado aos cuidados pre-
ventivos e educativos, avaliação alimentar e da placa bacteriana acarretaram em
pontos positivos em todo o processo das abordagens clinicas e educativas (SILVA;
SILVEIRA; LIRA, 2011)
Contudo, atividades educativas em saúde podem ser avaliadas como um me-
canismo de ação entre o saber cientifico e o saber popular. Dessa forma, há uma
possibilidade a médio e longo prazo, que o indivíduo exerça maior prevenção e
controle da doença que podem surgir (SILVA; SILVEIRA; LIRA, 2011).
Editora Pascal 51
4. ESTRATÉGIAS UTILIZADAS PELA EQUIPE DE SAÚDE BUCAL AO
PARTICIPAR DA EQUIPE DE PRÉ-NATAL
De acordo com o Ministério da Saúde (BRASIL, 2013) as atividades educativas
é uma das estratégias que não deve ser negligenciada. Dessa forma, tem como
promover um aumento do nível de conhecimento das mulheres, da percepção de
riscos durante a gravidez, reduzindo a ansiedade materna e proporcionando maior
satisfação com o cuidado recebido.
Neste contexto, toda a Equipe de Saúde da Família (ESF) atua diretamente na
realização do pré-natal com orientações simples e rotineiras no intuito de incenti-
var a gestante no autocuidado, prevenir agravos que podem ocorrer pela falta de
informação e acompanhamento primário e referenciando em casos mais graves e
de alto risco gestacional (SILVA; SILVEIRA; LIRA, 2011)
Os mesmos autores sinalizam que um bom planejamento de trabalho em equi-
pe multiprofissional na Equipe de Saúde da Família é o elemento chave para a
busca permanente de comunicação, troca de experiência e conhecimento entre os
integrantes. As atividades das equipes de saúde acontecem, principalmente, nas
unidades básicas de saúde, residência e por meio de mobilização na comunidade.
Cada equipe possui um público ou uma área delimitada dentro do município sob
sua responsabilidade e esta deve intervir sobre os fatores de risco ao qual a co-
munidade está exposta, prestando assistência integral de qualidade e realizando
promoção em saúde humanizada.
Na contingência de promover ações educativas, uma das opções de se obter
a promoção de saúde é através da realização de grupos de gestantes. Contudo,
esses grupos possuem a função de suporte, interação de informações e constitui
um espaço adequado para desenvolver trabalhos educativos e/ou preventivos dire-
cionados as necessidades reais que o grupo apresenta (FRAQUIM; FRAZÃO, 2016).
Alves e Souza; Fraga (2011) analisou que a convivência grupal, geralmente
ocorre momentos de trocas de experiências e vivências, ajudando as integrantes
do grupo no enfrentamento das mudanças, uma vez que, as pessoas tendem a ex-
pressar suas vivencias reconhecendo os outros em si mesmo. Dessa forma, para os
mesmos autores, o grupo operativo constitui-se em uma opção de atendimento em
saúde em seus diversos âmbitos, uma vez que, proporciona a todo o grupo produ-
zir um papel participativo e crítico que é de suma importância para a promoção de
saúde e do auto cuidado.
Segundo Codato et al. (2011) durante o período gestacional, as mulheres
estão mais propicias ao risco de má higiene oral devido as modificações na dieta,
alterações hormonais, náuseas e vômitos, deste modo, a promoção e prevenção à
saúde oral em mulheres durante a gravidez é uma intervenção precoce ideal, uma
Odontologia
Uma visão contemporânea - Vol. 03
52
vez que ela proporciona uma melhor qualidade na saúde da mãe e do bebê.
Na primeira consulta do pré-natal odontológico, o paciente deve ser orientado
sobre o atendimento que será realizado, o profissional deve analisar de forma geral
toda a condição da saúde bucal que o mesmo apresenta, investigando os riscos à
saúde, além disso, instruir e estimular sobre hábitos alimentares, o consumo de
açúcar e orientação de higiene oral. Se algum tratamento for necessário, este de-
verá ser planejado e executado de maneira segura e humanizada (CABRAL; SAN-
TANA SANTOS; MOREIRA, 2013; EBRAHIM et al., 2014).
Com relação às orientações preventivas e educativas que devem ser repas-
sadas pelo cirurgião-dentista para as gestantes sobre a saúde bucal e do bebê,
destaca-se sobre medidas quanto à higiene bucal da mãe, do bebê e a dieta. Con-
tudo, informações sobre cárie precoce na infância, hábitos de sucção, importância
da dentição decídua, o momento ideal para primeira consulta odontológica, entre
outras, tem um papel fundamental para promoção de saúde das famílias, uma vez
que, pais bem informados dos possíveis efeitos negativos torna-se mais fácil evitar
a formação de maus hábitos (CODATO et al., 2011).
A comunicação entre profissionais de diferentes áreas que mantem uma re-
lação aberta e direta, possibilita uma atenção à saúde mais completa. Desta for-
ma, a equipe compreende diversos aspectos e soluciona as dificuldades de forma
compartilhada. A ligação entre o cirurgião-dentista e os demais profissionais que
atuam na Estratégia de Saúde da Família é importante para um atendimento mais
organizado e eficiente para as gestantes. (FAQUIM; FRAZÃO, 2016).
Os mesmos autores destacam que é de suma importância a elaboração de um
protocolo de atendimento clínico à gestante, uma vez que o mesmo proporciona
aos profissionais um atendimento de qualidade e seguro, fazendo com que as ges-
tantes percam o medo de se submeter a um tratamento odontológico, como tam-
bém promover segurança ao profissional. Dessa forma, o pré-natal odontológico
além de se tornar uma oportunidade de promoção de saúde pode ser considerado
como um momento oportuno para a propagação de informações em saúde para ser
desenvolvida durante toda a vida do paciente.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
De acordo com os apanhados na literatura observa-se que na Estratégia de
saúde da Família já está sendo implantado o pré-natal odontológico. Entretanto
algumas gestantes ainda não possuem o hábito de procurar auxílio do cirurgião-
-dentista, como também por medo dos mitos que existe na sociedade. Além disso,
alguns destes profissionais postergam o atendimento das mesmas por não se sen-
tirem aptos.
Editora Pascal 53
As condições bucais mais encontradas durante a fase gestacional relatada pe-
los artigos foram: cárie dentária, erosão dentária, gengivite, granuloma gravídico
e xerostomia. Os autores também enfatizaram a importância do aconselhamento
durante o pré-natal associado aos cuidados preventivos e educativos e avaliação
alimentar, uma vez que irá gerar pontos positivos em todo o processo das aborda-
gens clinicas e educativas.
É preciso que na Estratégia de Saúde da Família, a gestante seja atendida de
forma integral e que, através da promoção em saúde humanizada, com orientações
simples e rotineiras seja possível diminuir as dificuldades e os obstáculos que
as mulheres enfrentam no seu dia a dia, melhorando a qualidade de vida das
gestantes. Contudo, um bom planejamento de trabalho em equipe multiprofissional
é o elemento chave para a busca permanente de comunicação, troca de experiência
e conhecimento.
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Odontologia
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54
CAPÍTULO 5
HÁBITOS DE SUCÇÃO NÃO
NUTRITIVOS NA PRIMEIRA
INFÂNCIA: REVISÃO DE LITERATURA
NON-NUTRITIVE SUCKING HABITS IN EARLY CHILDHOOD:
LITERATURE REVIEW
Ianca Danielle Penha Viana
Gabryella Bezerra Silva
Nargila Ester Pereira Lopes
Mayara Silva Reis
Luis Carlos França Junior
Maria Gabrielle Sousa Ferreira
Vinícius de Paula Nascimento Barros
Samantha Ariadne Alves de Freitas
Thátyla Silva Linhares
Resumo
H
ábito de sucção não-nutritiva como sucção dos dedos, chupeta ou qualquer
outro objeto é definido como sucção que não tenha finalidade nutricional.
Eles propicia uma sensação de bem-estar e segurança para a criança. Exer-
cem influência no crescimento craniofacial, prejudicando o desenvolvimento das
estruturas e funções orofaciais. O objetivo deste trabalho foi verificar a importân-
cia da interrupção precoce de hábitos de sucção não-nutritiva na primeira infância.
Trata-se de uma pesquisa qualitativa e descritiva, pautada nas evidências cien-
tíficas presentes nos últimos dez anos, identificados através de bases de dados:
LILACS, SCIELO, MEDLINE E PUBMED. Dentre as principais alterações relacionadas
à sucção não nutritivas destaca-se o retrognatismo mandibular, prognatismo man-
dibular, atresia do palato, respiração bucal, mordida aberta anterior, maloclusões
como mordida cruzada posterior e/ou anterior. O êxito no tratamento depende de
um diagnóstico precoce e uma abordagem multidisciplinar.
Palavras-chave: Sucção não- nutritiva, Sucção digital, Maloclusão, Hábitos
Bucais deletérios.
Abstract
N
on-nutritive sucking habit such as sucking fingers, pacifiers or any other ob-
ject is defined as sucking that has no nutritional purpose. They provide a
sense of well-being and security for the child. They influence craniofacial
growth, impairing the development of orofacial structures and functions. The aim
of this study was to verify the importance of early interruption of non-nutritive su-
cking habits in early childhood. It is a qualitative and descriptive research, based
on the scientific evidence present in the last ten years, identified through databa-
ses: LILACS, SCIELO, MEDLINE AND PUBMED. Among the main changes related to
non-nutritive sucking, mandibular retrognathism, mandibular prognathism, palate
atresia, mouth breathing, anterior open bite, and malocclusions such as posterior
and / or anterior crossbite stand out. Successful treatment depends on an early
diagnosis and a multidisciplinary approach.
Keywords: Non-nutritive sucking, Digital sucking, Malocclusion, Deleterious
oral habits.
Odontologia
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56
1. INTRODUÇÃO
O reflexo de sucção inicia-se durante a vida intrauterina, de modo que essa
função já se encontre plenamente desenvolvida após o nascimento, representando
um papel essencial na alimentação e no desenvolvimento psicológico da criança.
Existem dois tipos de sucção: a sucção nutritiva, onde se obtém nutrientes por
meio da amamentação, e sucção não-nutritiva, que proporciona à criança a sen-
sação de aquecimento e proteção, feita, por exemplo, através de dedos e/ou chu-
petas. A sucção não-nutritiva (SNN) tem grande influência no crescimento cranio-
facial, prejudicando as estruturas e funções orofaciais e as relações oclusais, além
de ter uma função decisiva no desenvolvimento psíquico da criança.
Os hábitos de SNN quando removidos precocemente ou em momento oportu-
no, geralmente indicado entre os três primeiros anos de vida não deixam sequelas,
por isso é de suma importância diagnosticar e intervir no momento em que o hábi-
to de SNN irá começar a se tornar patológico, a fim de evitar alterações dento-al-
veolares e/ou esqueléticas. A identificação destes hábitos e o conhecimento sobre
os seus efeitos nocivos e possíveis sequelas se faz necessário a fim de capacitar o
profissional não só a reconhecer precocemente as consequências da permanência
do hábito, como também a orientar e alertar de forma adequada os pais ou respon-
sáveis, para que estes se tornem agentes ativos para o melhor desenvolvimento
da criança.
O conhecimento sobre os efeitos dos hábitos de SNN é fundamental na atu-
ação do cirurgião-dentista, pois possibilita prevenir e diagnosticar precocemente
os desenvolvimentos de distúrbios orofaciais. Desta forma, o proposto estudo irá
contribuir para o conhecimento prévio sobre as alterações que os hábitos de SNN
ocasionam quando persistentes, tendo a prevenção como um importante meio de
combate para a diminuição dos índices de maloclusões.
Sendo a Odontologia a área responsável pela orientação e intervenção desses
casos e considerando a importância do tema para saúde pública, esse trabalho teve
como problema de pesquisa: quais as consequências que à persistência de hábitos
de sucção não nutritivas na primeira infância podem ocasionar no sistema estoma-
tognático?
O presente trabalho tem por objetivo principal mensurar a importância da
interrupção precoce de hábitos de sucção não-nutritiva na primeira infância e es-
pecificamente descrever os fatores associados aos hábitos de sucção não nutri-
tiva, apontar as sequelas provenientes da persistência de hábitos de sucção não
nutritiva e destacar os tratamentos preventivos e interceptativos das maloclusões
provenientes da persistência dos hábitos de sucção não nutritiva
Editora Pascal 57
Foi realizado um estudo qualitativo, descritivo através de revisão bibliográfica
sistematizada de artigos publicados no Brasil e internacionais, no período de 2010
a 2020. A pesquisa foi realizada através da biblioteca virtual das bases de dados
Lilacs, Scielo, Medline e Pubmed, os critérios de inclusão dos artigos foram: arti-
gos publicados nos últimos dez anos, que ressaltassem á temática para elaboração
da revisão no período de fevereiro a outubro 2020.Sendo utilizados os seguintes
descritores para a pesquisa: Sucção não-nutritiva, Maloclusão e Hábitos bucais
deletérios.
2. FATORES ASSOCIADOS AOS HÁBITOS DE SUCCÇÃO NÃO NUTRITI-
VA NA PRIMEIRA INFÂNCIA
2.1 Aleitamento Natural e Artificial
O aleitamento materno é um pilar importante para o desenvolvimento da
criança, possui um fator nutricional insubstituível nos primeiros seis meses de vida
do bebê. É oferecido ao recém-nascido de maneira exclusiva e em livre demanda,
fortalecendo a musculatura através do hábito de sucção, selamento labial e desen-
volvimento craniofacial adequado. Quando esse período não é obedecido a criança
pode desenvolver o hábito de sucção não-nutritiva. (ARAÚJO et al., 2019)
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que a amamentação co-
mece cerca de uma hora após o parto e prossiga até o sexto mês de vida, após
esse período pode ser incluído dietas complementares para que seja atendido às
necessidades nutricionais do bebê. O aleitamento materno deve ser mantido por
cerca do 24° mês, completando assim os 1000 primeiros dias de vida do bebe que
é considerado primordial para formação nutricional e desenvolvimento facial. (LO-
PES et al., 2018)
Além dos benefícios nutricionais, imunológicos e emocionais, o aleitamento
materno promove a saúde do sistema estomatognático, é um hábito estimulante
ortopédico do crescimento normal dos maxilares, propicia o correto estabelecimen-
to da respiração nasal e o desenvolvimento normal de todo o complexo craniofa-
cial. Apresenta ação positiva na prevenção da instalação e persistência dos hábitos
de sucção não nutritiva. (MIOTTO et al., 2014)
Evidências científicas mostram que a duração do aleitamento materno in-
fluencia no surgimento das maloclusões, pois crianças que são amamentadas ex-
clusivamente no seio por um período de no mínimo seis meses, possuem menor
chance de desenvolver hábitos de sucção não- nutritiva. Com o desmame precoce
há maior probabilidade de a criança desenvolver hábitos orais deletérios como uso
de chupeta e sucção digital (MESSIAS, 2019)
Geralmente, os hábitos bucais nocivos instalam-se com maior frequência no
Odontologia
Uma visão contemporânea - Vol. 03
58
bebê que não obteve amamentação natural para tentar suprir o impulso da sucção.
Este impulso satisfaz, além da necessidade de alimento, importantes necessidades
psicológicas. Hábitos nocivos de sucção podem causar danos ao sistema estoma-
tognático dependendo de fatores como: frequência, intensidade e duração do há-
bito (Tríade de Graber). Todo hábito que perdurar após os três anos ou tiver alta
frequência será mais deletério e capaz de causar oclusopatias graves (ISFREDE,
2016)
O aleitamento com mamadeira inicia-se em decorrência do desmame precoce,
induzindo a criança a procurar outros meios para satisfazer sua necessidade oral. O
uso da mamadeira é um dos hábitos deletérios mais citados na literatura com uma
prevalência de 84,3% em amostras de pesquisas, evidenciando sua alta prevalên-
cia em crianças no período da primeira infância (BARRETO, 2018).
Várias são as causas e alterações que podem ocorrer por conta do uso de ma-
madeira, sendo que umas das alterações são das funções de mastigação, sucção e
deglutição, podendo causar má oclusão dentária. As crianças que apresentam suc-
ção mista (tanto de seio como na mamadeira) têm maior chance de desenvolver
uma maneira inadequada de sucção do seio materno. (GISFREDE, 2016).
A mamadeira propicia o trabalho apenas dos músculos bucinadores e do or-
bicular da boca, deixando de estimular outros músculos, tais como pterigóideo
lateral, pterigóideomedial, masséter, temporal, digástrico, genio-hióideo e milo-
-hióideo. O excessivo trabalho muscular dos orbiculares pode influenciar no cres-
cimento craniofacial, levando a arcadas estreitas e falta de espaço para dentes e
língua. Induz, ainda, disfunções na mastigação, deglutição e articulação dos sons
da fala, conduzindo a alterações de mordida e má oclusões. Também a sucção do
bico de borracha não requer os movimentos de protrusão e retração da mandíbula,
que são importantes para o correto crescimento mandibular (LOPES, 2017)
2.2 Sucção Digitale de Chupeta
Os hábitos de sucção não nutritiva são extremamente comuns na infância e
dentre eles destacam-se a sucção digital e de chupeta. O hábito de sucção de chu-
peta, assim como o de sucção digital, costuma produzir um desequilíbrio das forças
naturais que atuam na cavidade oral, podendo interferir no padrão de crescimento
e desenvolvimento craniofacial e levar ao desenvolvimento de alterações na oclu-
são dentária e nas funções orais (PAULO, 2019)
A sucção digital está relacionada à vida da criança desde o ventre materno,
dado que se aprende a chupar o dedo ainda na vida intrauterina, sendo este um
hábito maléfico para a saúde do bebê, pois, atrapalha o desenvolvimento natural
da maxila e da mandíbula, a deglutição, respiração e fonação. A frequência e du-
ração deste hábito podem influenciar no crescimento incorreto da mandíbula ocor-
Editora Pascal 59
rendo expansão do mesmo ocasionado pelo abaixamento da língua pela chupeta e/
ou sucção digital (BARRETO, 2018)
O hábito de sucção digital é um dos fatores ambientais mais importantes na
etiologia de maloclusão, pois pode interferir no padrão de crescimento e desenvol-
vimento, provocando alterações nas estruturas bucais através das pressões ina-
dequadas nos ossos (Figura 1). Apesar de ser comum em crianças não significa
necessariamente a etiologia da maloclusão, depende da intensidade, frequência e
duração do hábito, associado à predisposição genética da criança, pode determinar
oclusopatia, sendo a mordida aberta a mais frequente. Além disso, o desequilíbrio
muscular entre lábio, língua e bochecha pode desencadear problemas funcionais
(respiração, deglutição e fala), estéticos e psicológicos. (GROCHENTZ et al, 2017)
Figura 1 – Hábito de sucção digital associada a forças aplicada aos dentes anteriores, incisivos inferiores
são forçados para lingual, podendo, assim, originar uma mordida aberta anterior.
Fonte:https://truquesdedentista.wordpress.com
No que diz respeito a sucção da chupeta ela é capaz de alterar o tônus mus-
cular dos lábios, língua e bochecha. Pertinente a isto, os lábios ficam entre abertos
se a língua manifesta um posicionamento mais anterior e inferior, sendo capaz
de impedir parcialmente a respiração nasal e dificultar a deglutição e fonação das
crianças. Além disso, esses hábitos podem influenciar diretamente no crescimento
incorreto da mandíbula, uma vez que o osso alveolar sob pressão sofre distorções
(OLIVEIRA, 2019)
Da mesma forma, podem interferir no padrão de crescimento e desenvolvi-
mento craniofacial, ante a força empregada pelo bico ou pelo dedo sobre ossos e
dentes, por essa razão lançaram no mercado bicos ortodônticos, tanto para ma-
madeiras quanto para chupetas e têm sido propostos sob a justificativa de serem
menos prejudiciais ao desenvolvimento orofacial quando comparados aos bicos
convencionais, devido à forma anatômica, semelhante ao seio materno, que se
adéqua ao palato e à língua e por exigirem esforço muscular semelhante ao exigido
pela amamentação natural (Figura 2 e 3) (OLIVEIRA, 2019)
Estudo mostra que até o 3º ano de vida da criança, a chupeta parece não afe-
tar a dentição, mas a partir dessa idade, o hábito deve ser interrompido uma vez
que pode trazer consequências negativas para o desenvolvimento da mesma, tais
como mordida aberta anterior e mordida cruzada posterior. Os dentes superiores
sofrem força e vestibularizam-se e os inferiores lingualizam-se, pronunciando o
overjet. Com a presença da chupeta, a língua encontra-se numa posição mais bai-
xa e o músculo bucinador é sobredesenvolvido, resultando no aumento da largura
da arcada inferior e atresia do maxilar, bem como na mordida cruzada e no palato
ogival. Também a otite média poderá ser uma consequência da utilização da chu-
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peta (MORGADO, 2019)
Figura 2 – A) Desenho do bico de mamadeira convencional com selamento labial inadequado, posição lin-
gual incorreta e ausência da ação fisiológica da língua. B) Desenho do bico de mamadeira ortodôntico com
maior selamento labial, posição mais natural e ação fisiológica da língua.
Fonte:Fonte: http://ortoface.com
Figura 3-A) Desenho da chupeta ortodôntica com maior selamento labial e melhor posicionamento lin-
gual; B) Chupeta convencional com selamento labial inadequado e posição lingual incorreta
Fonte: Fonte: https://jssodonto.wordpress.com/2013/10/25
3. SEQUELAS PROVENIENTES DA PERSISTÊNCIA DE HÁBITOS DE
SUCÇÃO NÃO NUTRITIVA
Dentre as principais alterações relacionadas aos hábitos de SNN destaca-se a
respiração bucal, maloclusões comoretrognatismo mandibular, prognatismo man-
dibular, mordida aberta anterior, mordida cruzada posterior e/ou anterior (TERRA;
NOBRE, 2019).
3.1 Respiração Bucal
A atividade da respiração é considerada essencial para um adequado funciona-
mento do organismo desde o primeiro momento de vida. Exercendo uma ação da
preservação na composição de todo sistema estomatognático, promovendo desta
forma um correto crescimento e desenvolvimento craniofacial, além de permitir a
harmonia facial. A respiração normal é realizada através da via nasal permitindo
a purificação, filtração, o aquecimento e a umidificação do ar inspirado antes de
chegar aos pulmões, sendo assim, as funções normais de mastigação, deglutição,
postura da língua e lábios está relacionado à respiração nasal além de promover a
atividade muscular adequada, crescimento facial e o desenvolvimento ósseo (TA-
VARES; VASCONCELOS, 2020).
A respiração exerce influência na manutenção da organização esquelética,
dentária e muscular do Sistema estomatognático, contribuindo, dessa forma, para
Editora Pascal 61
o adequado desenvolvimento das funções orofaciais e para o crescimento esquelé-
tico harmonioso. Distúrbios respiratórios, como a respiração oral, estão diretamen-
te relacionados às alterações craniofaciais e oclusais, podendo ser decorrentes da
presença de hábitos orais deletérios, ou mesmo ser considerados como um deles.
(TAVARES; VASCONCELOS, 2020)
Felcar et al. (2010), relataram que o respirador bucal é aquele indivíduo que
respira principalmente pela boca, podendo ser total (respiração somente bucal) ou
parcial (tanto bucal, quanto nasal). A respiração bucal é causada por conta de obs-
trução das vias aérea superiores ou, até mesmo, por um hábito, fazendo com que
a passagem do ar seja feita pela boca.
A etiologia é multifatorial, podendo ter como causas: hiperplasiaadenomigda-
liana, rinites alérgicas e não alérgicas e hipertrofia de cornetos inferiores. Dentre
essas, a mais relacionada aos respiradores bucais é a rinite alérgica. Esta alteração
da respiração modifica o padrão de crescimento da face, ocasionando também, em
alguns casos, alterações morfofuncionais em todo o organismo (GISFREDE, 2016).
As características faciais atípicas encontradas nas crianças respiradoras bucais
são: boca entreaberta, lábio superior curto, lábio inferior volumoso e evertido, face
estreita apresentando graus variáveis, nariz achatado, pequenos orifícios nasais e
mal desenvolvidos, alongamento de face, e olhar entristecido, ausência de sela-
mento dos lábios, xerostomia, hipotonicidade das bochechas e músculos da face,
maloclusão e estreitamento (Figura 8) (GISFREDE, 2016).
Figura8-Características faciais das crianças respiradoras bucais
Fonte: http://lourencoodontologia.com.br
As alterações intrabucais ocasionadas pela respiração bucal são: mordida cru-
zada, que ocorre desvio à atresia maxilar causada pela respiração bucal; mordida
aberta anterior, devido à falta de pressão do lábio superior sobre os incisivos e os
dentes entreabertos para facilitar a respiração, causando o rompimento do equi-
líbrio de forças mantenedores da oclusão; palato ogival, pela pressão negativa do
ar entrando pela cavidade bucal ao invés de entrar pelo nariz, fazendo com que o
palato cresça para cima e provocando desarmonias oclusais (DELLA, 2018).
Além disso, apinhamentos dentário, que ocorre devido aatresia do arco e con-
sequente falta de espaço para os dentes; língua hipotônica, que repousa no asso-
alho da boca no respirador bucal, diminuindo a ação da língua em resposta, com
presença de forca aumentada do bucinador e masseter; e por fim, língua baixa,
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que assume uma posição baixa para a passagem de ar gerando desequilíbrio na
musculatura facial, gerando alterações no sistema estomatognático (DELLA, 2018).
As crianças com respiração bucal tendem a permanecer com a boca entreaber-
ta, produzindo um efeito prejudicial na mucosa e tecidos gengivais. Como a saliva
contém fatores que inibem a atividade de cárie, sua diminuição pode acarretar
maior risco a essa doença, especialmente se a dieta for cariogênica, podendo levar
a piores estados bucais nas crianças que constantemente respiram pela boca (PIVA
et al., 2014).
O principal tipo de maloclusão dentária em um respirador bucal associado à
alterações ortodônticas pode ser observado em Classe II de Angle, sendo está uma
discrepância dentária anteroposterior, e mais grave quando associada a alterações
esqueléticas decorrentes de uma mandíbula retruída, maxila protuída ou pela com-
binação de ambas. O tratamento de um respirador bucal deve ser multidisciplinar
envolvendo dentistas, médicos alergistas, otorrinolaringologistas, ortopedistas, fo-
noaudiólogos e fisioterapeutas, e quanto mais cedo for realizado o tratamento, pre-
ferencialmente antes que se iniciem as alterações, melhores serão os resultados
(TAVARES; VASCONCELOS, 2020).
3.2 Maloclusões
No Brasil, as maloclusões apresentam-se como a terceira prioridade na escala
de problemas de saúde bucal, estando acima apenas das doenças cárie e periodon-
tal, respectivamente é definida como a relação desarmônica entres as estruturas
dentárias, ósseas e musculares, que se estabelecem na dentição decídua perma-
nente, o que acarreta a insatisfação estética, alterações fonéticas, respiratórias,
posturais, mastigatórias, de deglutição e disfunções temporomandibulares que po-
dem interferir na qualidade de vida prejudicando a interação social e o bem-estar
psicológico dos indivíduos acometidos (TERRA; NOBRE, 2019; PAULO, 2019).
A má oclusão tem como etiologia uma interação entre fatores genéticos e com-
portamentais. Relativamente aos fatores genéticos pouco se poderá alterar. Em re-
lação aos fatores comportamentais, hábitos dietéticos, hábito de sucção não nutri-
tiva, padrão de respiração e de deglutição, são determinantes no desenvolvimento
da má- oclusão. Os fatores intrínsecos etiológicos da má oclusão estão relaciona-
dos à hereditariedade, o sexo, o grupo étnico, o crescimento e desenvolvimento
individual, a alimentação, os transtornos endócrinos e as doenças metabólicas.
Entre os fatores extrínsecos que concorrem para o desenvolvimento da má oclusão
estão às alterações na função mastigatória, a cárie dental, a perda prematura dos
dentes decíduos, as alterações no posicionamento lingual, os hábitos de sucção e
respiração bucal (PAULO, 2019).
Os hábitos bucais deletérios são fatores etiológicos das maloclusões de caráter
Editora Pascal 63
muscular, esqueléticos ou dentário, que podem estar relacionados ou não à sucção.
Dentre eles podemos citar a onicofagia, bruxismo, projeção da língua, respiração
bucal, morder objetos ou lábio, má- postura no sono e na vigília, sucção de dedo,
sucção de chupeta ou mamadeira que são hábitos bucais deletérios, que são rela-
cionados amaloclusões, como a mordida aberta anterior (MAA), Mordida Cruzada
Posterior (MCP), Mordida Cruzada Anterior (MCA) que são as maloclusões mais
prevalentes na dentição decídua (GERMA et al., 2016).
3.2.1 Retrognatismo Mandibular (Classe II)
Edward Angle (1899) foi quem definiu as três classes de maloclusão, baseadas
na relação ântero–posterior da cúspide mésiovestibular do primeiro molar per-
manente superior com o sulco vestibular do primeiro molar permanente inferior.
Nesta classificação, considera-se que o primeiro molar permanente superior está
invariavelmente na posição correta, sendo assim, classificada como Classe I (neu-
troclusão), Classe II (distoclusão) e Classe III (mesioclusão).Detalhadamente, a
Classe I é caracterizada pela cúspide mésiovestibular do primeiro molar superior
ocluindo no sulco mésiovestibular do primeiro molar inferior, a Classe II pelo molar
inferior distalmente posicionado em relação ao molar superior e a Classe III pelo
molar inferior mesialmente posicionado em relação ao molar superior. Essa defini-
ção tem sido a mais utilizada no momento para o registro de oclusopatias. (Figura
4) (SOUZA et al., 2016).
Figura 4-Classificação das maloclusões segundo Angle.
Fonte: http://ortodontiauniville.blogspot.com
A má oclusão Classe II, Divisão 1 é caracterizada pelo retrognatismo mandibu-
lar, protrusão dos dentes anteriores superiores, resultando em protrusão do lábio
superior e perfil facial convexo, os quais são considerados esteticamente desfavo-
ráveis (MAETEVORAKUL et al., 2015). Está associada a uma discrepância dentária
anteroposterior (Figura5) que se caracteriza pelo déficit mandibular, excesso ma-
xilar ou ambos. Para além do comprometimento estético, a protrusão dos incisivos
superiores e a sobressaliênciaaumentada, aumentam o risco de exposição do do-
ente a traumatismos dentários (GAFANIZ, 2015).
Odontologia
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Figura 5- Discrepância dentária mandibular
Fonte:https://ortodontia.odo.br/ortodontia-interceptativa/
Em geral, a maxila e os incisivos mandibulares estão bem posicionados, dife-
rentemente dos incisivos maxilares que tendem a ser protrusivos. Na má oclusão
esquelética de Classe II, o retrognatismo mandibular parece ser o principal fator
contribuinte, sendo caracterizado pela posição distal da mandíbula.Pode ainda, ser
decorrente de uma posição anteriorizada da maxila associada a uma posição distal
da mandíbula, ou somente à posição anteriorizada da maxila (NETO et al., 2015).
Figura 6-Retroinclinacão e sobremordida profunda
Fonte:https://www.odontopediatriabrasil.com.br/mordida-profunda/
Já a maloclusão Classe II divisão 2 (Figura 6), caracteriza-se pela retroinclina-
cão dos incisivos centrais superiores, normalmente associada a uma sobremordida
profunda, queixo proeminente e altura facial inferior reduzida (GAFANIZ, 2015).
3.2.2 Prognatismo Mandibular (Classe III)
As más oclusões da Classe III de Angle se caracterizam por uma relação sagi-
tal entre os arcos dentários, na qual a arcada dentária inferior oclui mesialmente
à superior. Não é raro que o paciente apresente algum grau de comprometimento
também no sentido transversal. Essa anomalia afeta o aspecto estético, funcional
e psicossocial do paciente, por seu efeito altamente deformante, o que nos permite
reconhece-la como uma verdadeira síndrome (NASCIMENTO et al., 2020)
Esse tipo de maloclusão está associado a uma deficiência ântero-posterior da
maxila, caracterizada pelo retrognatismo maxilar e prognatismo mandibular, que
provoca deformação da face (Figura 7). O tratamento passa pela utilização de uma
máscara facial que avance a maxila para uma posição mais anterior ou aparelhos
funcionais que limitem o crescimento da mandíbula (GAFANIZ, 2015)
Editora Pascal 65
Figura 7-Deficiência anteroposterior da maxila.
Fonte: http://izaelirs2.blogspot.com
O perfil facial de paciente Classe III é predominantemente côncavo e a muscu-
latura está, em geral, desequilibrada. Os cruzamentos de mordida anterior ou pos-
terior são sinais característicos. É comum observar também, lábio inferior acom-
panhando o posicionamento dentário, podendo situar-se anteriorizado ao superior,
e este pode estar apoiado sobre incisivos inferiores. Os lábios podem permanecer
abertos, quando a musculatura do lábio inferior é hipotônica, ou fechados, quando
acontece o alongamento do lábio superior e hiperfunção do músculo mentoniano
(NASCIMENTO et al., 2020)
3.2.3 Mordida Aberta Anterior
A mordida aberta pode ser definida, como uma deficiência no contato vertical
normal entre os antagonistas, podendo manifestar-se numa região limitada, ou
em todo o arco dentário (Figura 9). É uma anomalia complexa distinta e de difícil
tratamento, pois o controle da dimensão vertical em uma má oclusão requer co-
operação do paciente e experiência do profissional. Pode ser causada por vários
fatores: fatores hereditários como tendência de crescimento vertical, alterações na
orofaringe levando a uma respiração deficiente, mau posicionamento da língua e
da deglutição e também fatores ambientais como a presença de hábitos deletérios,
sendo os mais comuns o uso de chupeta, sucção de polegar e interposição lingual,
anquilose dentária e distúrbios de irrupção (ARROYO et al., 2017)
Figura 9- Mordida Aberta Anterior (MAA)
Fonte:http://institutobarbosa.com.br
Odontologia
Uma visão contemporânea - Vol. 03
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Acomete a arcada dentária principalmente no período de substituição dos den-
tes decíduos pelos permanentes e é uma das maloclusões de maiores implicações
estéticas e funcionais, Como consequência, pode resultar em dificuldade na apre-
ensão dos alimentos e na pronúncia de fonemas, além de acarretar impacto nega-
tivo no aspecto psicológico e na qualidade de vida da criança (BONA et al., 2016;
TERRA; NOBRE, 2019).
Os fatores etiológico básicos da mordida aberta anterior estão relacionadosao
aleitamento artificial, hábitos deletérios (sucção digital e chupetas), função ou ta-
manho anormal da língua, respiração bucal (obstrução das vias aéreas superiores),
traumatismo e odontologias congênitas ou adquiridas na região da pré maxila.
relacionadas à hereditariedade e aos fatores ambientais; por isso, é uma das ma-
loclusões mais difíceis de tratar, pois estes fatores interferem no crescimento e no
desenvolvimento normal das estruturas faciais, modificando a morfologia e a fun-
ção do sistema estomatognático. Também são considerados os fatores intrínsecos
como o sexo, o grupo ético, o crescimento e desenvolvimento individual, a alimen-
tação, os transtornos endócrinos e as doenças metabólicas, entre os fatores ex-
trínsecos que ocorrem para o desenvolvimento da má oclusão estão às alterações
na função mastigatória, a cárie dental, a perda prematura dos dentes decíduos,
as alterações no posicionamento da língua, hábitos de sucção e respiração bucal
(ARROYO et al., 2017).
De modo geral, a mordida aberta anterior pode ser classificada como den-
tária ou dentoalveolar e/ ou esquelética, conforme as estruturas que a afetam.
Na mordida aberta dentoalveolar, o distúrbio ocorre na erupção dos dentes e no
crescimento alveolar. Nesse tipo de maloclusão os componentes esqueléticos são
relativamente normais. Na mordida aberta esquelética, além dos distúrbios den-
toalveolares, há desproporção entre os diversos ossos que compõem o complexo
craniofacial. Diferenciar a mordida aberta anterior dentária da mordida aberta an-
terior esquelética é necessário para que se estabeleçam as metas e as condutas de
tratamento ortodôntico e fonoaudiólogo, tendo em vista que essas más oclusões
têm etiologia e características morfofisiológicas distintas (SILVA et al.,2019).
Quando os hábitos de sucção digital e chupeta acarretam a MAA em cará-
ter dentoalveolar, a abertura da mordida é restrita à região de sucção (Figura
9). O uso de chupeta se apresenta em forma circunferência lecircular, já a suc-
ção de polegar causa a inclinação dos incisivos superiores para vestibular e inferio-
res para lingual.
Tanto a chupeta como o dedo, durantea sucção, interpõem-se entre os incisi-
vos superiorese inferiores, restringindo a erupção destes dentes, enquanto os den-
tes posteriores continuam a desenvolver no sentido vertical. Em virtude da
geometria dos maxilares, 1mm de alongamento posteriormente abre a mordi-
da cerca de 2mm anteriormente dando a MAA um caráter esquelético (NAKAO et
al., 2016).
Figura 10:Hábitos de sucção digital e de chupeta acarretando MAA
Editora Pascal 67
Fonte:https://truquesdedentista.wordpress.com
Diversos tipos de tratamento foram propostos para a correção da MAA, não
existindo,ainda, consenso a respeito do que seria o melhor tratamento para
essa má oclusão. Basicamente, osdiferentes tipos de tratamento podem incluir:
(a) a modificação de comportamento para eliminação de hábitos ou funções anor-
mais; (b) movimentação ortodôntica através da extrusão de dentes anteriores ou
intrusão de molares; e (c) tratamento cirúrgico das bases ósseas (DOMANN et al.,
2018).
3.2.4 Mordida Cruzada Anterior
A mordida cruzada anterior (MCA) refere-se a uma maloclusão cuja relação
vestíbulo-lingual entre incisivos superiores e inferiores é anormal, na qual os den-
tes anteriores mandibulares encontram-se por vestibular aos dentes anteriores
maxilares. Essa relação é conhecida como sobressaliência negativa, podendo acar-
retar comprometimento da estética dentofacial e das funções do sistema estoma-
tognático (FERNANDES et al., 2019)
A MCA é uma alteração da relação ântero-posterior dos incisivos superiores
com os inferiores, em que os superiores se encontram posteriormente aos inferio-
res. Este tipo de mordida pode ser um único dente anterior ou vário e compromete
fortemente o sistema estomatognático e a estética dentofacial do paciente (Figura
12). A mordida cruzada anterior pode ser dentária, funcional (MCAF) ou esquelé-
tica (MCAE), cuja classificação é originária de Moyers, de etiologia diversificada e
multifatorial, apresentando variações entre diferentes faixas etárias ao nível do
tipo de mordida cruzada e da sua frequência (LANDEIRO, 2017)
Figura 12-Mordida Cruzada Anterior
Fonte:https://napracinha.com.br/
A MCAF é frequentemente encontrada nas fases das dentaduras decídua e
mista, apresentando forte caráter ambiental. Este tipo específico é caracterizado
pelo deslizamento funcional da mandíbula, causado por uma interferência, normal-
mente um contato prematuro, na trajetória do fechamento mandibular, levando a
criança a adotar uma postura mandibular cruzada devido acomodação da oclusão.
Odontologia
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Na MCAE as inclinações axiais, normalmente, apresentam-se normais, porém há o
envolvimento das bases ósseas no sentido anteroposterior, podendo ser evidencia-
das características de retrusão maxilar, protrusão mandibular ou a combinação de
ambos (FERNANDES et al., 2017).
Segundo Fernandes et al., (2017) o plano de tratamento dependerá do grau
de displasia óssea e da idade de início do tratamento. As mordidas cruzadas não
se autocorrigem ao longo do tempo, pelo contrário, tendem a ser agravadas com
o crescimento e desenvolvimento, dificultando e piorando o prognóstico do trata-
mento. Desta forma, devem ser diagnosticadas e tratadas o mais precocemente
possível. É muito importante a verificação do número de elementos envolvidos e o
grau de erupção deles. Existem aparelhos passivos, que funcionam apenas como
guia de erupção e necessitam da força eruptiva dos elementos dentários, como a
técnica com a lâmina de madeira e o plano inclinado fixo.
3.2.5 Mordida Cruzada Posterior
Entende-se por mordida cruzada a incapacidade de normoclusão no relaciona-
mento lateral e/ou anteroposterior, podendo ser classificada como anterior (MCA),
quando um (unitária), vários (múltipla) ou todos (total) os dentes anteriores se
encontram em relação de oclusão inversa; ou posterior (MCP), quando os dentes
posteriores se encontram cruzados ou topo a topo no sentido transverso (VILAÇA,
2017).
A Mordida Cruzada Posterior (MCP) é uma alteração transversal entre o arco
superior e inferior, quando em relação cêntrica. Pode ser classificada quanto à sua
natureza ou localização. Em relação à natureza desta maloclusão, ela pode ser de
origem funcional quando o desvio acontece pela presença de contato prematuro
que provoca o desvio lateral da mandíbula, dentoalveolar quando os dentes estão
cruzados, mas não há envolvimento de osso basal, e esquelético quando há dispa-
ridade esquelética basal entre mandíbula e maxila. (Figura 11) No que se refere à
localização a MCP pode ser unilateral, quando em máxima intercuspidação habitual
(MIH) há o cruzamento de um dos lados, ou bilateral quando ambos os lados, em
MIH, estão cruzados (MATTOS, 2019).
Figura 11-Mordida Cruzada Posterior Unilateral
Fonte:https://napracinha.com.br
A mordida cruzada posterior, na maioria das vezes, deriva de constrição bila-
Editora Pascal 69
teral da maxila e, no início, se associa a um desvio lateral da mandíbula durante o
fechamento bucal, em razão de interferências oclusais. Esse movimento anormal
pode determinar, em longo prazo, efeitos deletérios sobre o crescimento e desen-
volvimento dos dentes e dos maxilares. Os sintomas são de dor, ruídos e trava-
mentos na articulação temporomandibular, quando na idade adulta a perpetuação
do desvio lateral da mandíbula, associado à mordida cruzada posterior não tratada
nas fases da dentadura decídua e mista. Há indícios de que a não correção durante
as fases de dentadura decídua e mista implica em assimetria óssea, caracterizando
a mordida cruzada posterior esquelética (BATISTA; SANTOS, 2016).
De acordo com ROSA et al. (2017) as possíveis etiologias da MCP incluem:
genética, fatores ambientais e hábitos deletérios. Causasadicionais incluem
assimetria de crescimento de mandíbula e/ou maxila, discrepância da largura
basilar da maxila ou mandíbula, perda prematura ou retenção prolongada de um
dente decíduo, falta de espaço e anomalias da sequência de erupção, debilidade
na respiração nasal durante o período de crescimentos, alterações na anatomia
dental e disfunção temporomandibular.
Na concepção de diversos autores, é primordial conhecer o caráter de norma-
lidade para facilitar a identificação da mordida cruzada posterior, ou seja, o arco
dentário superior deve conter por completo o arco dentário inferior; a relação sagi-
tal entre os arcos dentários, determinada pela relação de caninos, deve ser Classe
I, e a ponta de cúspide do canino superior deve ocluir na ameia entre o canino e o
primeiro molar decíduo inferior; e a relação de incisivos mantém trespasses hori-
zontais e verticais positivos. Argumentam que o tratamento interceptador consiste
na correção das discrepâncias esqueléticas, dentoalveolares e musculares, com
a finalidade de preparar um melhor ambiente bucofacial para a acomodação dos
dentes permanentes (BATISTA; SANTOS, 2016).
O diagnóstico precoce para o tratamento das mordidas cruzadas posteriores
em crianças é importante para que se estabeleçam um equilíbrio muscular bilate-
ral, um posicionamento fisiológico da mandíbula e uma posição adequada dos den-
tes, com o intuito de que todas as estruturas do complexo craniofacial estejam em
condições simétricas para o desenvolvimento (BATISTA; SANTOS, 2016).
Dentre alternativas para correção precoce da mordida cruzada posterior temos
aparelho removível como a Placa deHawley com expansor, e os aparelhos fixos,
quadrihélice, arco em W, Hass, Hyrax, McNamara (ROSA et al., 2017).
4. TRATAMENTOS PREVENTIVOS E INTERCEPTATIVOS
A melhor forma de diminuir danos dentofaciais e evitar futuras alterações es-
truturais e funcionais é o abandono precoce dos hábitos deletérios ainda na denta-
dura decídua. (OLIVEIRA 2019)
Odontologia
Uma visão contemporânea - Vol. 03
70
Em condições ideais, a primeira abordagem terapêutica nos casos de sucção
não nutritiva (SNN) deve ocorrer quando ainda não há completo desenvolvimento
da dentição decídua, visto que nesses casos a simples descontinuação do hábito
geralmente é suficiente para a autocorreção da maloclusão instalada. No entanto,
se o hábito for persistente, o ideal é iniciar o tratamento aos cinco anos, com o
objetivo de eliminar o hábito e obter a regularização da oclusão (CRUZ, 2018).
Para se obter resultados eficientes na retirada de um hábito oral deletério, é
necessário agir na causa do problema, ou seja, investigar junto ao paciente o que
o leva a praticar tal hábito, evitando, assim, que ele apenas substitua um hábito
por outro. As crianças podem ser ajudadas a eliminar o hábito, sem coação e com
reforço positivo. Este auxílio deve ser feito de forma eficaz e precoce, sendo neces-
sária a compreensão e a colaboração das crianças (MUZULAN; GONÇALVES, 2015).
Para garantir sucesso no tratamento, é necessário que se conheça a causa e
as circunstâncias sob as quais o hábito foi desenvolvido. Além de gerar malefícios
à oclusão, ele pode representar uma situação emocional da criança, que se evi-
dencia em seus momentos de angústia e ansiedade, além da necessidade de su-
prir carências afetivas, transmitindo sensação de segurança e conforto (MUZULAN;
GONÇALVES, 2015).
Uma das alternativas em potencial no tratamento das maloclusões é a pre-
venção. Onde empregam-se procedimentos clínicos que impedem a instalação de
hábitos, preservando a integridade da evolução normal da oclusão. Na intercepta-
ção empregam-se procedimentos que removem os obstáculos que impedem o de-
senvolvimento e crescimento normal da face e dos dentes. As intervenções clínicas
compreendidas pela Ortodontia preventiva e Ortodontia interceptativa sugerem
tratamentos precoces não complexos, quando subsidiadas por diagnósticos espe-
cíficos e precisos, trazem benefícios e vantagens significativas no desenvolvimento
da dentição dos pacientes, prevenindo e evitando maloclusões (ASSUNÇÃO, 2018).
As atividades preventivas compreendem a eliminação de hábitos de sucção,
adotando medidas psicologicamente indicadas, reeducação da fala e da degluti-
ção atípica. Já as atividades interceptativas incluem descruzamentos de dentes
posteriores e anteriores, recuperação de espaços, eliminação de sobremordidas
incipientes, frenectomias, remoção de dentes decíduos, prolongadamente retidos,
estabelecimento de programas de extrações seriadas, e sempre que possível, sob
a orientação do ortodontista (ASSUNÇÃO, 2018).
Assim, a ortodontia preventiva e interceptativa têm como objetivo prevenir
ou atenuar problemas oclusais que estejam ocorrendo no período de transição da
dentição decídua para o permanente. No espectro de procedimentos disponíveis,
podemos incluir desde a prevenção da cárie interproximal, na intenção de manter
o comprimento da arcada dentária, até o tratamento ortodôntico em duas fases,
em que a primeira delas seria realizada durante a dentição mista, com a intenção
de promover melhor resultado de modificações esqueléticas (ARTESE, 2020).
Editora Pascal 71
Esses tratamentos, quando desempenhados na hora certa,servem como ate-
nuantes para o tratamento corretivo e, em algumas situações eliminando sua ne-
cessidade. Faz-se necessário destacar, que um diagnóstico preciso e o início do
tratamento é de extrema importância para se obter sucesso por meio da correlação
de terapias, tratamentos precoces simples com efeitos significativos são os meios
mais eficazes de permitir medidas de prevenção e interceptação. (MOTA, CURADO
2019)
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A sucção não-nutritiva tem grande influência no crescimento craniofacial, pre-
judicando as estruturas e funções orofaciais e relações oclusais. Se torna deletério
de acordo com o tempo que o hábito permanece, principalmente quando persiste
por mais de 4 anos de idade. A reversão da maloclusão pode ocorrer de forma es-
pontânea ou quando o hábito é removido entre 3 e 4 anos de idade.
Diagnosticar e intervir no momento em que o hábito de SNN irá começar a se
tornar patológico é imprescindível, visto que, faz-se necessário extinguir as causas
a fim de corrigir o problema, por isso é extremamente importante que as crianças
tenham um acompanhamento precoce com o odontopediatra. Caso estes hábitos
não sejam removidos, podem levar a alterações do crescimento do sistema esto-
matognático, culminando em inadequada função neuromuscular associada à respi-
ração e deglutição, conduzindo às maloclusões.
Desta forma, para que se tenha êxito no tratamento é preciso diagnosticar e
intervir precocemente com uma abordagem multiprofissional, com integração da
odontologia, psicologia, fonoaudióloga e otorrinolaringologia, visando a saúde inte-
gral da criança, para que menos efeitos negativos sejam gerados.
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abr. 2020.
Editora Pascal 75
CAPÍTULO 6
REFERÊNCIA E CONTRA-
REFERÊNCIA NA ODONTOLOGIA: A
INTEGRALIDADE NA ATENÇÃO EM
SAÚDE BUCAL NO SUS
REFERENCE AND COUNTER REFERENCE IN DENTISTRY: INTEGRALITY
IN ORAL HEALTH CARE IN SUS
Luiza Madalena Rocha Silva
Thiago Costa Verde
João Gabriel Matos Serra
Roberta Sabrine Duarte Gondim
Samantha Ariadne Alves de Freitas
Roberto César Duarte Gondim
Resumo
O
sistema de referência e contra-referência é um dos pontos mais importantes para
viabilizar a implantação do Sistema Único de Saúde (SUS), haja vista que é a partir
da sua estruturação que o encaminhamento de pacientes aos diversos níveis de
atenção torna-se possível. Este sistema é de fundamental importância para que o atendi-
mento aos usuários não sofra interrupções, acompanhando o usuário nos diversos níveis
de atenção à saúde de acordo com suas necessidades. Dessa forma, questionou-se o sis-
tema de referência e contra-referência na Odontologia permite a integralidade na atenção
em saúde bucal no SUS? Assim, o objetivo deste trabalho foi mostrar a importância desse
sistema para com a integralidade na atenção em saúde bucal no Sistema Único de Saúde.
Para tanto, foi realizado uma revisão bibliográfica sobre o assunto de artigos publicados
nos últimos 20 anos. Observou-se que durante décadas, a assistência odontológica no
Brasil se caracterizava por modelos de atenção fragmentados e práticas mutiladoras. O
rompimento com esse paradigma pautado nessas práticas veio com a paulatina inserção
das Equipes de Saúde Bucal na Estratégia Saúde da Família, com reorganização das prá-
ticas de saúde e ampliação do acesso aos serviços odontológicos a milhares de brasilei-
ros, graças à referência e contra-referência no SUS. Conseguinte, esse sistema assume
um papel fundamental no processo de inter-relação nos serviços de saúde nos diferentes
níveis de atenção da população, podendo garantir a integralidade da assistência e respon-
der adequadamente as necessidades do usuário no que diz respeito a sua saúde bucal.
Palavras-chave: Saúde bucal; Referência e contra-referência; Integralida-
de.
Abstract
T
he referral and counter-referral system is one of the most important points to enable
the implementation of the Unified Health System (SUS), considering that it is from
its structuring that referral of patients to different levels of care is possible . This
system is of fundamental importance so that the service to users does not suffer inter-
ruptions, accompanying the user in the different levels of health care according to their
needs. Thus, it was questioned that the referral and counter-referral system in Dentistry
allows comprehensive care in oral health in SUS? Thus, the objective of this work was
to show the importance of this system for the comprehensiveness of oral health care in
the Unified Health System. To this end, a bibliographic review on the subject of articles
published in the last 20 years was carried out. It was observed that for decades, dental
care in Brazil was characterized by fragmented models of care and disabling practices.
The break with this paradigm based on these practices came with the gradual insertion
of the Oral Health Teams in the Family Health Strategy, with the reorganization of health
practices and expansion of access to dental services to thousands of Brazilians, thanks
to the reference and counter-reference in the SUS. Consequently, this system assumes a
fundamental role in the process of interrelation in health services at different levels of care
of the population, being able to guarantee comprehensive care and adequately respond to
the user’s needs with regard to their oral health.
Keywords: Oral health; Reference and counter-reference; Integrality.
Editora Pascal 77
1. INTRODUÇÃO
O sistema de referência e contra-referência é um dos pontos mais importantes
para viabilizar a implantação do Sistema Único de Saúde (SUS), haja vista que é a
partir da sua estruturação que o encaminhamento de pacientes aos diversos níveis
de atenção torna-se possível. Este sistema é de fundamental importância para que
o atendimento aos usuários não sofra interrupções, acompanhando o usuário nos
diversos níveis de atenção à saúde de acordo com suas necessidades.
Dessa forma, essa temática está intimamente ligada às questões de acessi-
bilidade, universalidade e integralidade da assistência, onde vemos a necessidade
de se estabelecer métodos de conscientização e de capacitação profissional que
devem ser desenvolvidos para que este importante meio de comunicação se torne
eficaz e seja utilizado coerentemente com os preceitos a que se propõe o SUS.
Nas últimas décadas, evidenciou-se a ênfase na promoção da saúde e no for-
talecimento da Atenção Básica em Saúde Bucal, por meio de ações realizadas nas
Unidades de Saúde da Família (USF) e nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).
Para o alcance da integralidade em saúde bucal, é necessária a organização da
“porta de entrada” desse sistema, ou seja, da atenção básica e, sobretudo, da sua
interligação com a atenção secundária e/ou terciária.
Segundo CONASS (2010), o papel complementar dos diferentes níveis de aten-
ção à saúde remete-nos ao conceito da integralidade, a qual exige que os serviços
sejam organizados de forma a garantir ao indivíduo e à coletividade a promoção,
a proteção e a recuperação da saúde, de acordo com as necessidades de cada um
em todos os níveis de complexidade do sistema.
Para tanto, questionou-se: o sistema de referência e contra-referência na
Odontologia permite a integralidade na atenção em saúde bucal no SUS?
Conseguinte, o objetivo deste trabalho é mostrar a importância da referência e
contra-referência para com a integralidade na atenção em saúde bucal no Sistema
Único de Saúde. Elaborou-se uma revisão de literatura, por meio de artigos cien-
tíficos, encontrados a partir das bases de dados como: o LILACS (Literatura Latino
Americana e do Caribe em Ciências Sociais e da Saúde), SCIELO (Scientific Elec-
tronic Library online) e Google Acadêmico. Os artigos utilizados foram selecionados
como fim de elucidar maiores conhecimentos sobre o tema da pesquisa publicadas
nos últimos vinte anos. Os seguintes descritores foram utilizados: Saúde bucal,
referência e contra-referência e integralidade.
Odontologia
Uma visão contemporânea - Vol. 03
78
2. REFERÊNCIA E CONTRA-REFERÊNCIA COMO GARANTIA NA INTE-
GRALIDADE DA ASSITÊNCIA
A cobertura de serviços de saúde foi definida pela resolução CIPLAN n° 03/81
como: oferta sistematizada de serviços básicos de saúde, que satisfaçam às ne-
cessidades de uma população determinada, proporcionada de forma contínua, em
lugares geograficamente acessíveis e que garanta o acesso da população aos dife-
rentes níveis de atendimento do sistema de serviços de saúde (BRASIL, 1987, p.
24).
Segundo a mesma resolução, os níveis de complexidade são limites utilizados
para hierarquizar os estabelecimentos do sistema de prestação de serviços de saú-
de segundo as características das atividades prestadas, a profundidade de especia-
lização das mesmas e a frequência em que ocorrem.
O nível primário é caracterizado por atividades de promoção, proteção e re-
cuperação da saúde no nível ambulatorial, agrupando atividades de saúde, sane-
amento e apoio diagnóstico (ex.: postos e centros de saúde). O nível secundário
destina-se a desenvolver atividades assistenciais nas quatro especialidades médi-
cas básicas: clínica médica, gineco-obstetrícia, pediatria e clínica cirúrgica, além
de especialidades estratégicas, nas modalidades de atenção ambulatorial, interna-
ção, urgência e reabilitação (ex.: unidades mistas, ambulatórios gerais, hospitais
locais e hospitais regionais). O nível terciário caracteriza-se pela maior capacidade
resolutiva de casos mais complexos do sistema, nas modalidades de atendimento
ambulatorial, internação e urgência (ex.: ambulatórios de especialidades, hospitais
especializados e hospitais de especialidades) (BRASIL, 1987).
Para entender a importância do sistema de referência e contra-referência, te-
mos de remontar as origens do SUS, pelo Movimento da Reforma Sanitária, da
década de 1980. Através dele, começaram a surgir as primeiras discussões que
definiram os princípios do SUS, no final dessa mesma década, culminando com a
criação do mesmo em 1990 pela lei 8.080. O princípio do SUS envolvido de forma
mais direta com a questão de encaminhamento e trânsito no fluxo da rede é o da
integralidade. De acordo com Fratini et al. (2008, p. 66), a mesma é “entendida
como o conjunto articulado e contínuo das ações e serviços preventivos e curati-
vos, individuais e coletivos, exigidos para cada caso, em todos os níveis de com-
plexidade do sistema”.
A integralidade é um princípio que visa assegurar aos indivíduos a possibili-
dade de receber assistência em todos os níveis, tanto na atenção primária quan-
to na secundária e terciária, pois somente os procedimentos realizados pela APS
(Atenção Primária em Saúde) não esgotam as demandas do usuário. A referência
seria um mecanismo administrativo (DIAS, 2012) para a aquisição e efetividade da
integralidade.
Editora Pascal 79
Dessa maneira, o sistema de referência e contra-referência assume, papel
fundamental para que ocorra efetivamente a articulação dos serviços de saúde.
Referenciar um paciente implica em transferi-lo a um estabelecimento especializa-
do a partir do Centro de Saúde. Porém, a comunicação deve ocorrer também no
sentido oposto, ou seja, através da contra-referência desse caso, ocorrendo assim
uma dinâmica constate no sistema (TAMPIERI, 2010).
A hierarquização do sistema exige um fluxo e contrafluxo de pacientes e infor-
mações, gerenciais e tecnocientíficas, por meio dos diferentes níveis do sistema O
papel complementar dos diferentes níveis de atenção à saúde remete-nos ao con-
ceito da integralidade, a qual exige que os serviços sejam organizados de forma a
garantir ao indivíduo e à coletividade a promoção, a proteção e a recuperação da
saúde, de acordo com as necessidades de cada um em todos os níveis de comple-
xidade do sistema (SANTOS, 2010).
Referência e contra-referência são processos de articulação com outras insti-
tuições de saúde para o encaminhamento, transferência e recepção de usuários ou
pacientes (BRASIL, 2011), onde referenciar um paciente implica em transferi-lo a
um estabelecimento especializado a partir de unidade de saúde em atenção primá-
ria.
É fundamental que desenvolva método de comunicação entre os serviços de
maior e menor complexidade, fazendo com que o usuário seja acompanhado em
seu histórico de saúde e tratamentos. Significa dizer que referência é o encaminha-
mento do usuário para atendimento em níveis de especialização mais complexos
e a contra referência é o encaminhamento para o menor grau de complexidade
(FRATINI, 2007).
Realizando o papel de referência e contra-referência com eficácia na univer-
salização, equidade e integralidade que são princípios do Sistema Único de Saúde
– SUS é necessário investir em tentativas de maior integração entre os serviços e
de estabelecimento de fluxos formais de encaminhamento do usuário, sem o que a
informatização possivelmente não será suficiente para responder às necessidades
do sistema almejado, garantindo a integralidade da assistência e acesso da popu-
lação aos serviços e ações de saúde de acordo com suas necessidades.
A melhoria das condições de vida alcançaria uma melhoria no perfil de saúde e
o sistema local de saúde daria respostas efetivas às pessoas que buscam os servi-
ços públicos de saúde, proporcionando a maior resolutividade possível na vigência
de algum agravo à saúde (JULIANI; CIAMPONE, 1999).
Odontologia
Uma visão contemporânea - Vol. 03
80
3. REREFRÊNCIA E CONTRA-REFERÊNCIA EM SAÚDE BUCAL: ESTRU-
TURAÇÃO DO ACESSO AOS CENTROS DE ESPECIALIDADES ODONTO-
LÓGICAS
Por décadas, o serviço púbico odontológico no Brasil se caracterizava por prá-
ticas mutiladoras. O rompimento com esse paradigma veio com a implantação das
Equipes de Saúde Bucal na Estratégia Saúde da Família. Através da regeneração
das práticas de saúde e expansão do acesso ao setor odontológico a milhões de
brasileiros.
O incremento do acesso ao nível secundário odontológico tornou-se possível
com o avanço dos Centros de Especialidades Odontológicas (CEO), pós-implemen-
tação da Política Nacional de Saúde Bucal em 2004. Suas diretrizes apontam para
a reforma da saúde pública, com a ampliação das Equipes de Saúde Bucal na Aten-
ção Básica e atendimentos odontológicos especializados por meio dos CEO, em
busca da integralidade dos serviços de saúde bucal como caminho para diminuição
das diversidades.
Os CEO foram desenvolvidos como unidades de referência para as Equipes de
Saúde Bucal da Atenção Básica, com métodos clínicos odontológicos complemen-
tares, idealizando um sistema de referência e contra referência importante para a
ordenação da demanda e atendimento às necessidades de saúde de cada pessoa.
Portanto, os profissionais da Atenção Básica (AB) são responsáveis pelo primeiro
contato com usuários, desempenhando diferentes ações de saúde e procedimentos
clínicos. Apenas casos complexos são encaminhados aos centros especializados.
O acolhimento nos CEO deve ser conduzido pela integralidade da atenção,
especializada como um conjunto articulado e ininterrupto das ações e serviços
preventivos e conciliadores, individuais ou coletivos para cada necessidade, em
todos os níveis de complexidade do sistema. Pretendendo atender as carências
da população em qualquer nível de atenção, de modo que estes funcionem como
uma conexão. Nesse âmbito, o ingresso dos usuários aos serviços de saúde bucal
entre os níveis de Atenção Básica e Secundária são considerados essências para a
consumação dos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), em especial a inte-
gralidade.
O acesso à saúde odontológica aponta desigualdades no Brasil, com indefini-
ções sobre o papel dos CEO diante os principais agravos orais, e está no acesso à
Atenção Básica e no avanço dos indicadores sociais a diminuição dessas iniquida-
des. A debilidade nas relações de trabalho e as adversidades no referenciamento
para os níveis de maior complexidade atrapalham o avanço no modelo assistencial
em saúde bucal. Para uma realidade que ainda está focada em práticas mutiladoras
e poucas ações preventivas, é necessária uma atenção especializada reabilitadora.
Editora Pascal 81
4. REDES DE SERVIÇOS E O SISTEMA DE REFERÊNCIA E CONTRA-RE-
FERÊNCIA
O conceito de integralidade do Sistema Único de Saúde (SUS) impôs que os
serviços fossem ordenados de forma a garantir ao indivíduo e à população a melho-
ria, acolhimento e a reabilitação da saúde, conforme as necessidades de cada um,
em todos os níveis de complexidade do sistema, de acordo com os diferentes níveis
de atenção à saúde, de forma, a disponibilizar todos os recursos e conhecimentos
tecnológicos para o bem estar da população (BRASIL, 2007).
Consequentemente, o SUS foi planejado para que seu andamento ocorra em
rede e para isso deve oferecer serviços com diferentes avanços tecnológicos. Devi-
do à necessidade de se ofertar serviços nos diferentes níveis Atenção Básica gerou
a necessidade de produzir processos de hierarquização e regionalização (SILVA,
2011).
Por intermédio da hierarquização cada nível oferece procedimentos com vá-
rios recursos tecnológicos, a regionalização trata-se dos serviços ofertados em
determinado território que possa resolver de forma precisa as necessidades dos
habitantes que ali residem. A necessidade de racionalização e aperfeiçoamento
dos recursos, otimização do cuidado com a saúde pública, servem com principal
argumento para que possamos possuir um sistema eficaz, claramente definido em
níveis de atenção (COSTA, 2004).
De acordo com Goes e Moyses (2012), a saúde bucal esteve ultrapassada em
relação à integração e à oferta de serviços igualada com outras áreas da saúde. Os
indicadores epidemiológicos evidenciavam os resultados precários da saúde bucal
no sistema público. No decorrer da VII Conferência Nacional de Saúde, em 1980,
participantes classificaram o modelo de prática e assistência odontológica como
ineficiente e mal distribuída, ressaltando o valor da participação da odontologia nos
serviços básicos de saúde (BRASIL, 1980).
Durante a 1ª Conferência Nacional de Saúde Bucal (CNSB), em 1988, argu-
mentaram a respeito de a saúde bucal ser parte complementar da saúde como um
todo, o que não evitou que a adição da Saúde Bucal no Sistema Único de Saúde
tenha sido apontada por obstáculos e incoerências (ZILBOVICIUS, 2005). Mesmo
com a fundação do Sistema Único de Saúde (SUS), em 1988, a assistência odon-
tológica, pouco colaborou para a melhoria das condições de saúde bucal dos usu-
ários.
Por meio da Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílio (PNAD), realizada
pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizada em 1988, com
participação do Ministério Público, obtiveram resultados negativos. Houveram en-
tão melhorias significativas na saúde pública odontológica.
Odontologia
Uma visão contemporânea - Vol. 03
82
Em 2004, o Ministério Público lança a Política Nacional de Saúde Bucal (PNSB),
também conhecida como Brasil Sorridente, com o intuito de favorecer o cidadão,
por meio de ações governamentais disponibilizar saúde e bem-estar para popula-
ção, superando o histórico abandono e a falta de compromisso até então (COSTA
et al., 2006).
Através do surgimento do Brasil Sorridente e dos CEOs, temos um fato inédito
na história das políticas de atenção à saúde bucal no Brasil: é a primeira vez que
se desenvolve a nível nacional um conjunto de ações que é maior do que apenas os
incentivos isolados à saúde bucal concedidos até o ano de 2002, assim como pela
primeira vez o governo federal passou a oferecer tratamento odontológico especia-
lizado na rede pública (PUCCA JR., 2006).
Espera-se que o Brasil Sorridente seja um marco histórico na atenção à saúde
bucal no Brasil. Espera-se que traga uma melhora considerável nos níveis de saúde
da população brasileira para os próximos anos, fato que poderá ser comprovado
nos próximos levantamentos epidemiológicos (SOUZA, 2009).
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O sistema de referência e contra-referência constitui-se na articulação entre as
unidades acima mencionadas, sendo que por referência compreende-se o trânsito
do nível menor para o de maior complexidade. Inversamente, a contra-referên-
cia compreende o trânsito do nível de maior para o de menor complexidade.
Conclui-se que ao ser encaminhado ao CEO pelo dentista da Atenção Básica, a
chance do usuário retornar a este nível de atenção é consideravelmente maior em
relação à ausência desta referência. Assim, a forma de encaminhamento é fator
decisivo para a conta-referência, e a referência dada pelo dentista da UBS contribui
para a integralidade na atenção em saúde bucal.
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Odontologia
Uma visão contemporânea - Vol. 03
84
CAPÍTULO 7
PROTOCOLO DE ATENDIMENTO
ODONTOLÓGICO A CRIANÇAS
COM TRANSTORNO DO ESPECTRO
AUTISTA: REVISÃO DE LITERATURA
DENTAL CAREPROTOCOL FOR CHILDRENWITHAUTISM SPECTRUM
DISORDER: LITERATURE REVIEW
Maria Gabrielle Sousa Ferreira
Ianca Danielle Penha Viana
Dara Lourenna Silva da Nóbrega
Wendel Chaves Carvalho
Samantha Ariadne Alves de Freitas
Thátyla Silva Linhares
Resumo
O
Transtorno do Espetro Autista (TEA) é uma desordem do desenvolvimento neu-
rológico e se caracteriza por uma deficiência na comunicação social e interação,
hiperatividade, ansiedade, hipotonia, epilepsia, mudanças sensoriais e distúrbios
do sono, alterações essas que tornam o atendimento odontológico particularizado a esses
pacientes. Na consulta inicial o dentista deve estar familiarizado com o histórico médi-
co do paciente, diminuindo o risco de agravamento de uma condição médica. Durante o
tratamento, o dentista deve utilizar algumas das seguintes técnicas básicas: Tell-Show-
-Do, a dessensibilização, controle da voz, reforço verbal positivo, análise comportamental
aplicada, técnicas de distração, técnicas sensoriais, presença ou ausência dos pais ou
cuidadores no consultório, esquemas visuais, comunicação não-verbal e a inalação de
óxido nitroso. Em casos mais severos são realizadas técnicas mais avançadas de contro-
le comportamental, como estabilidade protetora e sedação. O presente estudo objetiva,
por meio de uma revisão de literatura, detalhar o protocolo de atendimento odontológico
desses pacientes desde a primeira consulta até a finalização dos tratamentos dentários,
auxiliando-o ao longo de todas as etapas e oferecendo-lhe dicas que poderão ser úteis
para a prática clínica. Realizou-se a busca bibliográfica em periódicos online nas seguintes
bases de dados: Medline, SCIELO, BVS e LILACS. Diante do exposto, o cirurgião dentista
deve ter informações sobre as características da criança TEA, seu estado de saúde e co-
nhecimento do protocolo de atendimento, e seguir os mecanismos e condutas expostas,
tornando-se capaz de estar apto a realizar o tratamento planejado com eficiência.
Palavras-chave: Transtorno autístico, Protocolos clínicos, Assistência odontológica,
Saúde oral.
Abstract
A
utistic Spectrum Disorder (ASD) is a neurodevelopmental disorder and is characte-
rized by a deficiency in social communication and interaction, hyperactivity, anxie-
ty, hypotonia, epilepsy, sensory changes and sleep disorders, changes that make
dental care particular to these patients. At the initial consultation, the dentist should be
familiar with the patient’s medical history, reducing the risk of worsening a medical condi-
tion. During treatment, the dentist must use some of the following basic techniques: Tell-
-Show-Do, desensitization, voice control, positive verbal reinforcement, applied behavior
analysis, distraction techniques, sensory techniques, presence or absence of parents or
caregivers in the office, visual schematics, non-verbal communication and nitrous oxide
inhalation. In more severe cases, more advanced behavioral control techniques are used,
such as protective stability and sedation. The present study aims, through a literature
review, to detail the dental care protocol of these patients from the first consultation to
the completion of dental treatments, assisting you throughout all stages and offering you
tips that may be useful for clinical practice. A bibliographic search was performed in online
journals in the following databases: Medline, SCIELO, BVS and LILACS. Given the above,
the dental surgeon must have information about the characteristics of the ASD child, his
health status and knowledge of the care protocol, and follow the exposed mechanisms
and conducts, becoming able to be able to carry out the planned treatment efficiently.
Key-words: Autistic Disorder, Clinical Protocols, Dental assistance, Oral health.
Odontologia
Uma visão contemporânea - Vol. 03
86
1. INTRODUÇÃO
O Transtorno do Espetro Autista (TEA) é uma desordem de desenvolvimento
neurológico que se desenvolve na vida infantil e se prolonga para vida adulta, sen-
do caracterizados por uma deficiência na comunicação e interação social, hiperati-
vidade, ansiedade, hipotonia, epilepsia, mudanças sensoriais e distúrbios do sono,
alterações essas que tornam o atendimento odontológico particularizado a esses
pacientes (CIULLA, 2017).
Durante o tratamento, o dentista pode utilizar algumas das seguintes técnicas
básicas: Tell-Show-Do, a dessensibilização, controle da voz, reforço verbal posi-
tivo, análise comportamental aplicada, técnicas de distração, técnicas sensoriais,
presença ou ausência dos pais ou cuidadores no consultório, esquemas visuais,
comunicação não-verbal e a inalação de Óxido Nitroso. Em casos mais severos é
realizado técnicas mais avançadas de controle comportamental, como estabilidade
protetora e sedação (PINTO, 2017).
Qual a importância de se conhecer as características comportamentais do
paciente com transtorno do espectro autista frente ao tratamento odontológico?
É crucial que o cirurgião dentista conheça o comportamento e saiba lidar com
possíveis dificuldades na execução do tratamento das crianças com TEA, que assim
pode favorecer o dentista saber se tem fobia, habilidade para leitura, assuntos
e temas preferidos e qual forma de recompensa o paciente está acostumado a
receber.
O presente trabalho teve como objetivo principal, detalhar o protocolo de aten-
dimento odontológico a crianças com transtorno do espectro autista e especifica-
mente as características dos pacientes com transtorno do espectro autista, saúde
oral em pacientes com transtorno do espectro autista e técnicas básicas e avança-
das de modulação comportamental.
Por meio de revisão de literatura, realizaram-se buscas de trabalhos publica-
dos nos últimos 15 anos. Trata-se de uma pesquisa qualitativa e descritiva, uma
revisão de literatura, com base em evidências científicas dos últimos 15 anos. As
bases de dados utilizadas foram: Medline, SCIELO, BVS e LILACS, utilizando-se as
palavras chaves: transtorno autístico, protocolos clínicos, assistência odontológica
e saúde oral.
2. CARACTERÍSTICAS DOS PACIENTES COM TRANSTORNO DO ESPEC-
TRO AUTISTA
O autismo é um transtorno de comportamento, que aparece nos três primei-
Editora Pascal 87
ros anos de vida e que vai até sua idade adulta. O grau de gravidade varia leve a
severo, a variação dos sintomas deve ser considerada por um planejamento de tra-
tamento individualizado, pois cada indivíduo possui capacidades, comportamentos
diferentes se as suas próprias necessidades individuais (PINTO, 2017).
O espectro autista afeta a capacidade de comunicação social e a percepção do
ambiente que vive. As crianças com TEA apresentam déficit nas suas capacidades
de processamento de informação e de saber lidar com o stress, e têm perfis cog-
nitivos atípicos, tendem a se isolarem do mundo, mostrando pouco interesse em
se comunicar com outra pessoa e na maioria das vezes não presta atenção no que
é falado para eles. A maior parte dos autistas apresenta agressividade, irritação e
problemas de atenção (CIULLA, 2017).
O autismo em crianças com TEA altera muito de criança para criança, no en-
tanto seja qual for à idade, a intensidade ou a frequência dos sintomas das crianças
com TEA, tem em comum um desenvolvimento atípico em três áreas principais:
competências sociais, aquisição da linguagem e alterações comportamentais, com
comportamentos limitados e repetitivos (COLAÇO, 2019).
O autismo tem deixado de ser classificado como uma alteração única, e sim
uma classificação mais vasta, que abrange todos os TEA, com vários graus diferen-
tes. Por tanto, as doenças do espectro autista representam uma grande heteroge-
neidade de patologias, que abrangem das formas mais severas até os mais leves
(CIULLA, 2017).
De acordo com Pinto, (2017) tem várias mudanças comportamentais relacio-
nadas com o paciente TEA, que apresentam com diferentes graus de intensidade,
como de leve a severo e tem uma variação de criança para criança, tendo como
principais características, comportamentos de agressividade contra terceiros; Hi-
persensibilidade a estímulos (barulho, luz, som, movimento), hipercinésia, altera-
ções do sono, dificuldade em estabelecer uma rotina de alimentação.
As três principais características do paciente com TEA é a interação na vida
social, dificuldade de comunicação e uma série limitada de comportamentos e in-
teresses. Os autistas não são recíprocos com emoções, não entendem intenções,
ironias, paixões e tristezas. Normalmente não tem interesse em vínculo com pes-
soas, pois eles vivem em um mundo imaginário espaços onde vivem. Não aceitam
mudanças na rotina diária, como mudanças de casa, dos móveis, ou até mesmo do
percurso, portanto pode aumentar a autoagressão (SILVA, et al., 2019).
Diante disso, é inevitável a constatação de que a “As perturbações do autismo
manifestam-se em três domínios - social, linguagem e comunicação, pensamento
e comportamento - designando-se por Tríade das Perturbações do Autismo (PINTO,
2017 p.16 apud WING, 2002, p.61).
As características comportamentais dos indivíduos com TEA é a falta de inte-
Odontologia
Uma visão contemporânea - Vol. 03
88
resse pelo ambiente ao seu redor, incluindo os familiares, déficit na sua comunica-
ção, dificuldades na linguagem, apenas com linguagem simples, com frases curtas
e repetitivas, dificuldade em estabelecer contato visual, emocional e interação so-
cial. (PINTO, 2017).
Ao domínio social, algumas crianças com espectro autista demonstram um
isolamento, mas também, interagem da sua forma, portanto fora dos padrões con-
siderados normais. Assim, as crianças com TEA não conseguem criar e desenvolver
relações com outras crianças e mesmo com familiares, por falta de interesse, ini-
ciativa social e falta de sensibilidade social (PINTO, 2017).
No domínio da comunicação, observa-se uma alteração de nível verbal como
não verbal, e um desvio dos padrões habituais, podendo a linguagem apresenta
desvios semânticos e pragmáticos. Verificam-se uma incapacidade em desenvolver
uma comunicação recíproca por gestos, expressões faciais e fala (COLAÇO, 2019).
No desenvolvimento e aprendizagem da fala com estereotipado, pode envolver
ecolalia imediata ou tardia, entoações anormais e inversão do pronome. Portanto
pacientes TEA têm um déficit em dialogar e manter uma conversa com outro indi-
víduo (PINTO, 2017).
Observa-se uma rigidez do pensamento e comportamento, com comporta-
mentos de rotina e obsessivos, uma fraca imaginação social, tem uma forte de-
pendência de rotinas, um atraso intelectual e uma ausência de jogo imaginativo,
numa variedade de áreas, incluindo maneirismos peculiares, obsessões, compul-
sões, comportamentos autoprejudiciais e estereotipados (PINTO, 2017). “Crianças
com TEA podem demonstrar comportamentos atípicos, como indiferença aparen-
te a dor/temperatura, reação contrária a sons ou texturas específicas, cheirar ou
tocar objetos de forma excessiva, fascinação por luzes ou movimento” (COLAÇO,
2019, p.28).
O diagnóstico é de suma importância, quando efetuado a partir dos três anos
de idade. Pois nesta fase, as crianças apresentam, normalmente, um interesse
acrescido pelo outro e aumentam as suas capacidades de socialização. Alguns au-
tores apontam a idade de 40 meses como sendo a idade média de diagnóstico em
que este já é mais preciso, pois um diagnóstico tardio pode trazer dificuldade maior
na vida social, comportamental e emocional dessas crianças com TEA (COLAÇO,
2019).
Editora Pascal 89
3. A SAÚDE ORAL EM PACIENTES COM TRANSTORNO DO ESPECTRO
AUTISTA
3.1 Dados Epidemiológicos da Pertubação do Espetro do Autismo
Segundo Rocha, (2015) os pacientes com TEA não apresentam problemas
orais específicos da doença propriamente dita. Pois a maioria dos estudos refere
que as taxas de prevalência de cárie, e doenças periodontal em pacientes autistas
são comparáveis com as taxas da população não autista. Os problemas orais en-
contrados nos TEA são exclusivamente relacionados ao comportamento de auto-a-
gressão, alimentação inadequada, aos efeitos da medicação, à hipossensibilidade
à dor, aos hábitos orais nocivos (como, bruxismo, morder objetos e deglutição atí-
pica) e à dificuldade da colaboração do paciente autista durante os procedimentos
de saúde e higiene oral.
3.2. Hábitos de Higiene e Outros Comportamentos Associados à Saú-
de Oral
“Uma das principais dificuldades das crianças com TEA é a adesão a rotinas.
Por este motivo, é difícil programar uma rotina diária de higiene oral, o que exige
um grande esforço e persistência por parte da família” (CIULLA, 2017, p 22). É co-
mum se observar um déficit na higiene oral do autista, devido à falta de habilidade
de alguns pacientes, além disto, o sabor e a textura do creme dental que muitos
consideram desagradável e também pela possibilidade de se engasgarem com a
escova de dente. Por conseguinte, a escovação inadequada favorece o acúmulo de
placa bacteriana e o desenvolvimento de lesões de cárie e patologias periodontais
na cavidade oral do paciente TEA (NUNES, 2016).
Importante ressaltar que a criança com TEA podem apresentar alta prevalên-
cia de cárie e doenças periodontais também por ter uma dieta inadequada, com
alto teor criogênico. Além disto, tem preferência por alimentos moles e doces e tem
o habito de manter a comida dentro da boca, ao invés de degluti-la. Além disso, é
comum o uso de medicação em forma de xaropes açucarados, e assim aumentar o
risco de cárie no autista (NUNES, 2016).
O uso de anticonvulsivantes à base de fenitoína sódica e carmabazepina que,
com o seu uso prolongado, e com a presença constante do biofilme dental e a falta
da higienização correta, ocasionam a fibromatose gengival dilantínica, comprome-
tendo, ainda mais, a qualidade da higiene bucal (OLIVEIRA, 2019).
É de suma importância que a criança autista apresente sempre uma saúde
Odontologia
Uma visão contemporânea - Vol. 03
90
bucal saudável e, para isso, é necessário que haja uma prevenção. Então, a partir
do momento que os pais chegam ao consultório odontológico com seus filhos, o
dentista deve abordar sobre o assunto, dando ênfase na importância da higienização
oral e também instruir a forma adequada, ao mesmo tempo ensinando, diferentes
técnicas para que os pais consigam fazer a higiene bucal em casa (SANTOS 2018).
3.3. Comportamento dos Pacientes TEA na Consulta Odontológica
“Os pacientes com PEA podem apresentar um largo espetro de desordens
que podem interferir na colaboração durante as consultas de Medicina Dentária”
(PINTO, 2017, p. 23). É bom saber lidar e entender que os pacientes TEA têm três
características importantes que devem ser levadas em conta no planejamento do
tratamento: problemas de comunicação, problemas de interação social, rejeição à
mudança e ações repetitivas.
O paciente com espetro autista pode demonstrar que é insensível à dor (hipo-
sensibilidade) ou, por outro lado, desencadear uma resposta exagerada mediante
um estímulo ligeiro (hipersensibilidade) seja eles táteis, vitais, sonoros ou olfati-
vos. Uma das suas características prevalente é a distração, portanto qualquer mo-
vimento do cirurgião dentista pode tirar sua atenção e dificultar o se atendimento
(PINTO, 2017).
Mesmo que o paciente TEA apresente características como a falta de atenção,
apego, afeto e movimentos estereotipados, é importante que o dentista insista em
criar um vínculo com o paciente, com intuito ocasionar uma familiarização com ele,
com o ambiente e com a equipe do consultório, chamando a atenção através da
fala ou gestos, com uma aproximação gradativa, cuidadosa e segura, com intuito
de reduzir o máximo o grau de ansiedade e adquirir sua confiança. Nesse sentido,
o sucesso do tratamento estará vinculado a retornos periódicos desse paciente no
ambiente odontológico (SOUZA, 2015).
Segundo Santos, (2018) o primeiro contato da criança autista com o dentista
acontece tardiamente, e isso torna o atendimento ainda mais complexo. Para ga-
nhar a confiança do autista requer tempo e manejo adequado, é comum não se
conseguir a confiança deles no primeiro momento. Por tanto é ideal o dentista ir
conversando com a criança ou familiar, para colher informações necessárias, para
assim seguir o tratamento adequado.
A demonstração de técnicas de escovação, com a participação de outras crian-
ças como modelos, pode ajudar os pais do autista. É necessário que essas crianças
sejam conhecidas do paciente, podendo ser um irmão, primo ou um amigo. Para
assim a criança TEA ter a outra criança escolhida como modelo e praticar sua es-
covação adequada ou deixar os pais| responsáveis realizar sua escovação, outras
técnicas bastante usadas, também, é a musical e por imagens (COSTA; CUNHA;
Editora Pascal 91
JUNIOR, 2020).
4. TECNICAS BÁSICAS E AVANÇADAS DE MODULAÇÃO COMPORTA-
MENTAL
4.1. A Primeira Consulta ao Cirurgião Dentista
É importante o contato inicial dos pais e criança com o dentista, pois permite
que ambas as partes tenham a oportunidade de abordar as necessidades orais pri-
márias da criança e desenvolver um plano de tratamento adequado (SILVA, 2016).
Esse primeiro contato, geralmente é pelo telefone, onde será ideal para conhecer
as necessidades primárias de cuidados orais do paciente, fazendo um questionário
sobre a criança, como nome, idade, queixa principal, se tem alergia e hipersensibi-
lidade, estado imunitário, fobias, medicação atual, condições médicas comórbidas,
histórico familiar e experiência odontológica, assim reduzindo uma consulta pro-
longada ao paciente (ALVES, 2012).
O dentista na consulta inicial deve estar familiarizado com o histórico médico
do paciente TEA, para assim diminuir o risco de agravamento de uma condição
médica. Além disto, observar outras informações que podem ser pertinentes para
as consultas posteriores. Determinar as fobias, os assuntos e temas favoritos, para
possível forma de recompensa a que a criança está habituada, permite conhecer o
tipo de comportamento da criança, para assim contornar eventuais dificuldades na
colaboração do atendimento (PINTO, 2017).
As crianças autistas são muito sensíveis a estímulos, na consulta existem al-
guns fatores que podem interferir com o temperamento da criança, como luzes,
sons muito altos e cheiros fortes, com isso a criança pode ter estímulos de fuga do
consultório e assim dificultar o atendimento. Portanto o cirurgião dentista deve es-
tar bem atento ao ambiente odontológico quando for atender pacientes TEA, essa
primeira consulta odontológica proporciona um conhecimento melhor da criança
e da sua situação para que, em parceria com os pais ou cuidadores, se definam
estratégias de controlo e modulação do comportamento durante as consultas (CO-
LAÇO, 2019)
4.2. Técnica de Modulação Comportamental de Pacientes com TEA
4.2.1. Técnicas básicas de modulação do comportamento
O tratamento odontológico de crianças com TEA pode constituir um desafio em
face de possíveis comportamentos de resistência, de recusa e de não cooperação,
Odontologia
Uma visão contemporânea - Vol. 03
92
e que interferem com a eficácia e segurança do tratamento dentário (Pinto, 2017).
Para o cirurgião dentista atender pacientes TEA, deve conhecer todas as técnicas
de modulação comportamental para assim oferecer um atendimento qualificado e
adequado para cada paciente autista de forma particularizada com sua necessida-
de (COLAÇO, 2019).
As técnicas básicas de modulação de comportamento são necessárias para co-
laboração do paciente e reduzir o tempo na consulta. Só deve avançar para a pró-
xima etapa, no momento em que a anterior tenha sido realizada com colaboração
positiva. Em casos mais severos, são usadas as intervenções orais de uso técnicas
avançadas de controlo comportamental, tais como a estabilização protetora, a se-
dação e a anestesia geral (COLAÇO, 2019).
4.2.1.1. Técnica Tell-Show-Do
A comunicação verbal não é muito eficaz em pacientes TEA, pois eles não se
importam a maioria das vezes com o que é dito a eles. Portanto deve ser feito uma
demonstração do procedimento a ser realizado, recorrendo a fotos ou objetos para
tentar mostrar o que acontecerá, utilizando uma linguagem simples e objetiva,
está técnica pode facilitar as consultas odontológicas com crianças autistas (RO-
CHA, 2015).
Conforme está técnica do dizer, mostrar e fazer é possível apresentar algo
no ambiente odontológico que a criança não conhece como procedimento ou ins-
trumentos, à criança, antes da sua execução ou utilização na consulta. Pois assim
reduz o medo e a ansiedade da criança, e assim familiarizando a mesma com o
ambiente do consultório, geralmente essa técnica é mais bem aceita por pacientes
TEA, no entanto é contra indicada em procedimentos em que tenha dor e hemor-
ragia nos mesmo (SILVA et al., 2016).
4.2.1.2. Dessensibilização
É comum ansiedade é um estado emocional que afeta frequentemente os
pacientes com TEA. Para eles ir a uma consulta, sendo um ambiente diferente da
sua rotina, obrigando a interação social e ao contato com desconhecidos, poderá
gerar ansiedade severa, e podendo ter uma reação comportamental de fuga do
consultório (COLAÇO, 2019).
A dessensibilização é uma técnica de abordagem gradual para a criança se
familiarizar com o ambiente e aceitar os procedimentos odontológicos, a sua apli-
cação envolvem uma serie de curtas visitas ao consultório, que funcionam como
etapas de evolução da criança. Em cada visita deve-se alcançar uma etapa nova,
Editora Pascal 93
e assim realizar sua evolução a cada visita, ao final uma recompensa (ROCHA,
2015).
4.2.1.3. Controle da Voz
No decorrer das consultas, o cirurgião dentista deve manter um discurso cal-
mo, utilizando para tal uma voz tranquilizante (PINTO, 2017). O controle de voz
consiste em alterar a intensidade, o tom e o ritmo da voz de forma controlada a
fim de recuperar a atenção da criança, restabelecer a comunicação perdida e travar
comportamentos que podem prejudicar na consulta, e assim melhorando a relação
da criança com o profissional (TORRES, 2009).
4.2.1.4. Reforço Positivo
A técnica de reforço positivo consiste em elogiar a criança através de expres-
sões faciais positivas, como um sorriso, e de demonstrações de afeto pelo compor-
tamento de cooperação da criança, como elogios verbais. Pode também envolver
a atribuição de recompensas como brinquedos ou prêmios adequados à idade do
paciente. Tendo em vista que o objetivo desta técnica é incentivar comportamentos
positivos, fazendo com que se repitam nas visitas seguintes (COLAÇO, 2019).
4.2.1.5. Análise Comportamental Aplicada (ABA)
A análise comportamental aplicada é uma técnica para ajudar na alteração de
comportamentos que irão ajudar ter comportamentos positivo na vida da criança
(PINTO, 2017). O objetivo desta técnica é analisar e perceber quais as causas de
certo comportamento e quais as suas consequências (COLAÇO, 2019).
Na odontologia, o ABA pode auxiliar, por exemplo, na aprendizagem da higie-
nização oral. O autista aprende atividades divididas em várias etapas, cada uma
delas é ensinada separadamente, tendo sempre recompensa no final de cada etapa
pela sua evolução de aprendizagem, de suma importância os familiares em casa
repetir o que foi ensinado no consultório, para assim virar um hábito na rotina de-
les (ROCHA, 2015).
Odontologia
Uma visão contemporânea - Vol. 03
94
4.2.1.6. Distração
A técnica da distração consiste em ser muito efetivo durante a consulta, mos-
tra-se um método bastante efetivo e simples de se realizar. Deve ser realizado com
naturalidade, na qual pode ajudar bastante na diminuição da ansiedade em con-
sulta, ao desviar a atenção de procedimentos causadores de mais stress. As ativi-
dades de distração podem incluir ouvir uma música, assistir a um vídeo ou segurar
objetos especiais para paciente e que possam ser manipulados (TORRES, 2019).
Os pais e responsáveis podem ser uma ajuda fundamental neste caso, pois sabem
melhor que o dentista qual a melhor forma de distrair a criança e de desviar a sua
atenção do procedimento a ser realizado. (COLAÇO, 2019).
4.2.1.7. Técnicas Sensoriais
Esta técnica consiste na modelação da exposição a diversos estímulos, conso-
ante a reação individual de cada criança a cada estímulo em particular, as crian-
ças com TEA sofrem de sensibilidade sensorial alterada hiper e hiposenssibilidade.
Na maioria das vezes podem sofrer hipersensíbilidade a estímulos específicos em
consultório, como sons inesperados, luzes, entre outros, podem provocar reações
bruscas de ansiedade nas crianças, diminuindo a sua concentração e cooperação
no atendimento (PINTO, 2017).
É necessário se controlar os níveis a determinado estimulo desse paciente,
com intuito de modular o comportamento do mesmo, como por exemplo, o uso
de colete ou avental de chumbo pode ajudá-los a permanecerem calmos e, o uso
de fones durante as consultas reduz os ruídos que podem ser muito estimulantes
e também colocar a cadeira em posição total reclinada para que o paciente não
experimente o movimento de inclinação posterior é outra estratégia útil, bem como
a redução dos ruídos ao mínimo no momento da consulta (PINTO, 2017).
4.2.1.8. Presença ou ausência dos pais/cuidadores
A presença dos pais no consultório pode ser bastante valiosa. No entanto, não
se aplica em todos os casos e deve ser pensada e ponderada (COLAÇO, 2019).
A presença dos pais ou cuidadores pode desencadear um comportamento mais
calmo e cooperativo em algumas crianças, pois crianças por volta de quatro anos
ainda é muito apegada aos pais e assim facilitando na consulta, por outro lado têm
crianças que podem desencadear um comportamento oposto. Por isso, é importan-
te conversar com os pais antes de um procedimento para determinar qual o melhor
método a instituir no atendimento odontológico (PINTO, 2017).
Editora Pascal 95
4.2.1.9. Esquemas visuais
É uma técnica de controlo do comportamento alternativa muito útil nas
crianças autistas, pois as crianças com TEA respondem melhor visualmente do que
verbalmente. Esta técnica consiste em livros com imagens a cores e a filmes que
retratam histórias relacionadas o atendimento odontológico da criança (Nunes,
2016). Uma técnica pode ser utilizada em conjunto outras técnicas como, o reforço
positivo junto com a técnica Dizer-Mostrar-Fazer de modo a melhorar os déficits
cognitivos e linguísticos dos pacientes (ROCHA, 2015).
4.2.1.10. Comunicação não-verbal
Conforme alguns pacientes TEA não reagir bem com técnicas verbal a técnica
verbal, a técnica não verbal trata-se de um reforço e orientação do comportamento
através de um contacto, postura, linguagem corporal e expressão facial adequa-
dos. Tendo como objetivo aumentar a eficácia de outras técnicas comunicativas e,
obter e/ou manter a atenção do paciente durante a consulta (PINTO, 2017).
4.2.1.11. Inalação de Óxido Nitroso
A inalação de óxido nitroso é um tipo de sedação consciente. Esta técnica irá
reduzir a ansiedade e o medo durante a consulta, aumentando o limite de dor do
paciente e promovendo uma melhor possibilidade de controlo do comportamento
da criança TEA (COLAÇO, 2019).
O óxido nitroso é um gás incolor, inodoro e de ação rápida, que promove uma
ligeira depressão do córtex cerebral, sem deprimir o centro respiratório e usado
em vias inalatória, cujos efeitos são facilmente titulados e reversíveis. “Após a
sua administração, os pacientes apresentam uma recuperação rápida e completa”
(PINTO, 2017).
Este tipo de sedação é frequentemente aplicado em pacientes TEA. E nestes
casos poderá ser necessária uma administração de óxido nitroso em maior con-
centração e por um tempo mais prolongado do que o normal, essa técnica é con-
tra indicada para pacientes com obstrução das vias respiratórias, lesões cerebrais
ou quando estão com efeito de antidepressivos (ZANELLIL et al., 2015; COLAÇO,
2017).
Odontologia
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96
4.2.2. Técnicas avançadas de modulação do comportamento
4.2.2.1. Estabilização Protetora
É um método através do qual os movimentos físicos do paciente são limitados
para facilitar o atendimento e evitar possíveis lesões quer para a criança. A técnica
consiste em um auxílio de outra pessoa que controla os movimentos do paciente,
tendo que utilizar um procedimento, como segurar a cabeça da criança na admi-
nistração do anestésico, colocar a mão na boca, o uso de coletes/fatos de res-
trição, entre outros. Importante sempre explicar aos pais ou responsáveis, para
futuramente não ter nenhum mal entendido sobre a técnica a ser usada, portanto
somente usar em circunstância necessária, onde as outras não tenham obtido su-
cesso (SHITSUKAet al, 2015).
4.2.2.2. Sedação
Segundo Pinto, (2017) a sedação pode ser dividida em três níveis, como em
grau de intensidade: ligeira, moderada e profunda. As manifestações no paciente
podem ir desde uma sedação mínima até um nível em que o indivíduo dificilmente
desperta, embora responda a estímulos repetidos e dolorosos.
A sedação leve não afeta nenhum tipo de via aérea, ventilação espontânea
e função cardiovascular, a sedação moderada responde a estímulos verbais e tá-
teis espontaneamente e a sedação profunda responde a estímulos repetitivos ou
dolorosos espontaneamente, em alguns casos se utiliza intervenção, a ventilação
espontânea pode ser inadequada (COLAÇO, 2019).
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
É de suma importância que os pais ou cuidadores da criança com TEA, procu-
rem precocemente diagnosticar e assim realizar a prevenção para um melhor prog-
nóstico. Pois um diagnóstico tardio pode trazer dificuldade maior na vida social,
comportamental e emocional dessas crianças com TEA.
É importante que o dentista adquira amplo conhecimento sobre as técnicas
de controlo de comportamento básico e avançado. As técnicas básicas são as se-
guintes: tell-show-do, a dessensibilização, controle da voz, reforço verbal positivo,
análise comportamental aplicada, técnicas de distração, técnicas sensoriais, pre-
sença ou ausência dos pais ou cuidadores no consultório, esquemas visuais, comu-
nicação não-verbal e a inalação de óxido nitroso. Em casos mais severos, são re-
alizadas técnicas mais avançadas de controle comportamental, como estabilização
Editora Pascal 97
protetora e sedação, afim de que possa se sentir preparado para atender pacientes
autistas com segurança.
É necessário que o cirurgião dentista tenha informações especificas de
comportamento da criança e de seu estado de saúde, para assim exercer trabalho
multidisciplinar, afim de que possa adaptar a consulta particularizada para cada
criança.
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Editora Pascal 99
CAPÍTULO 8
SALIVA: DIAGNÓSTICO DE DOENÇAS
ORAIS E SISTÊMICAS: UMA REVISÃO
DE LITERATURA
SPITTLE: DIAGNOSIS OF ORAL AND SYSTEMIC DISEASES: A
LITERATURE REVIEW
Nargila Ester Pereira Lopes
Ianca Danielle Penha Viana
Gabryella Bezerra Silva
Luis Carlos França Junior
Mayara Silva Reis
Samantha Ariadne Alves de Freitas
Patricia Luciana Serra Nunes
Resumo
D
evido à busca por um diagnóstico eficaz e de alta precisão, a saliva tem des-
pertado grande interesse entre os pesquisadores. Estudos comprovam que
diversas patologias podem ser diagnosticadas e até monitoradas pela análise
da saliva. Diante disso o objetivo deste trabalho é explorar o uso de saliva como
meio de diagnóstico de doenças e monitoramento da saúde bucal e sistêmica. Tra-
ta-se de um estudo descritivo, qualitativo. Foi realizada uma revisão da literatura,
onde os estudos analisados estavam dentro do período de publicação dos anos de
2010 a 2020 e foram pesquisados nas bases de dados PubMed, LILACS e Scielo, uti-
lizando as palavras-chaves: saliva, diagnóstico e manifestações orais nos idiomas
português e inglês. A compreensão quantitativa e qualitativa dos componentes da
saliva pode determinar biomarcadores para doenças específicas. Os avanços nos
estudos de métodos de diagnóstico que utilizam saliva como meio biológico para o
diagnóstico e acompanhamento de condições bucais e sistêmicas apresentam re-
sultados promissores o que poderá constituir um meio de exame usado na rotina.
Palavras-chave: Saliva; Diagnóstico; Manifestações orais
Abstract
D
ue to the search for an effective and highly accurate diagnosis, saliva has
aroused great interest among researchers. Studies show that different patho-
logies can be diagnosed and even monitored by analyzing saliva. Therefore,
the objective of this work is to explore the use of saliva as a means of diagnosing
diseases and monitoring oral and systemic health. This is a descriptive, qualitative
study. A literature review was carried out, where the studies analyzed were within
the publication period from 2010 to 2020 and were searched in the PubMed, LI-
LACS and Scielo databases, using the keywords: saliva, diagnosis and oral mani-
festations in languages Portuguese and English. The quantitative and qualitative
understanding of the components of saliva can determine biomarkers for specific
diseases. Advances in the study of diagnostic methods that use saliva as a biologi-
cal medium for the diagnosis and monitoring of oral and systemic conditions have
shown promising results, which could constitute an examination method used in
the routine.
Key-words: Spittle; Diagnosis; Oral manifestations.
Editora Pascal 101
1. INTRODUÇÃO
A associação entre manifestações orais e doenças sistêmicas tem sido estu-
dada ao longo dos anos. Ainda assim é necessário a busca por mais estudos que
comprovam essa interação, de modo que previnam e tratam as complicações que
estão associadas.
A utilização da saliva como meio de diagnóstico tem despertado interesse nos
pesquisadores, devido a quantidade de informações presente em seus constituin-
tes, possuindo biomarcadores proteicos e moléculas genéticas, sendo considerada
um material biológico promissor para diagnósticos precoce de doenças.
O uso de saliva é atraente para os parâmetros de monitoramento de saúde e
doença não só por causa de seus vários contribuintes, mas também porque é um
método não invasivo, fácil de obter, indolor e não há necessidade de empregar pes-
soas especialmente treinadas para coleta de amostras. Portanto, o conhecimento
de estudos que possam identificar e medir biomarcadores na saliva pode contribuir
para estabelecimento de novos diagnósticos, detecção precoce e monitoramento
de doenças.
Sendo a odontologia responsável por tratar as manifestações orais e conside-
rando a importância desse tema, este trabalho teve como problema de pesquisa:
Por que a análise salivar é importante para estabelecer uma relação entre a saúde
bucal e geral?
O presente trabalho tem por objetivo geral realizar uma revisão de literatura
sobre o uso da saliva como meio de diagnóstico e monitoramento da condição bu-
cal, sistêmica e especificadamente: Descrever a composição salivar, os principais
métodos de coleta, demonstrar através de estudos a relação entre doenças sistê-
micas e orais, identificar algumas doenças sistêmicas e os seus principais biomar-
cadores salivares.
Trata-se de um estudo descritivo, qualitativo. Foi realizada uma revisão da li-
teratura, onde os estudos analisados estavam dentro do período de publicação dos
anos de 2010 a 2020 e foram pesquisados nas bases de dados PubMed, LILACS e
Scielo, utilizando as palavras-chaves: saliva, doenças orais e doenças sistêmicas
nos idiomas português e inglês.
Odontologia
Uma visão contemporânea - Vol. 03
102
2. COMPOSIÇÃO SALIVAR
A saliva é um fluído biológico produzido pelas glândulas salivares. É composta
por minerais, eletrólitos, tampões, enzimas, imunoglobulinas, mucinas e outros
componentes. Quando secretada na cavidade bucal, é denominada saliva total,
pois há a junção das secreções de todas as glândulas salivares com células epite-
liais descamadas, microrganismos, neutrófilos, proteínas, fluidos crevicular gengi-
val, restos alimentares, secreção das vias aéreas superiores e células sanguíneas
(CARPENTER et al., 2013)
A maior parte da porção de fluido de saliva total deriva das principais glându-
las salivares e uma variedade de glândulas salivares menores localizados na face
interna do rebordo, palato e língua. Em condições normais, ou seja, quando não
há um estímulo gustativo ou mecânico para produção salivar, as parótidas são
responsáveis por aproximadamente 20% da saliva presente na cavidade bucal, a
submandibular, responsável por 65 a 70%, as sublinguais, 7 a 8% e as glândulas
salivares menores, por 10% (ALMEIDA et al.,2008).
Quando são utilizados estímulos gustativos, como ácidos ou gomas de mascar,
há um aumento no fluxo salivar. Nessa condição, a saliva passa a ser chamada de
estimulada, pois a composição do fluido na cavidade bucal é modificada, de
modo que a maior produção passa a ser das glândulas parótidas, que se tornam
responsáveis por 60% da saliva presente na cavidade oral (CARPENTER et al.,
2013)
2.1 A Saliva e o seu Potencial como Meio de Diagnóstico
A saliva possui inúmeros constituintes capazes de analisar o estado real de saú-
de do paciente, sedo cada vez mais utilizada devido sua forma simplória e bastante
rápida além de não ser invasiva, podendo ser obtido inúmeras amostragens no
mesmo atendimento. O profissional não precisa de muita técnica quando é obtido
o colhimento das formas convencionais e não especificas, ao contrário das técnicas
que utilizam a obtenção do sangue possui baixo custo no colhimento, armazena-
mento, na locomoção, o que se torna bastante eficaz quando é feito diagnostico em
grande escala de determinada população, beneficiando tanto a população quanto o
órgão responsável pela análise das amostragens (MITSUI T e HARASAWA R, 2017).
Quando é correlacionada a porcentagem de contaminação cruzada, esse mé-
todo é o mais eficaz quando se compara com o exame de sangue e urina além de
que a capacidade de contrair HIV por eventuais decorrências é bastante reduzida
devido fatores existentes nas secreções salivares e é um método eficaz para pa-
cientes que possuam algumas particularidades como coordenação motora, pacien-
Editora Pascal 103
tes especiais, idosos, pacientes ansiosos, crianças (BURLEIGH MC, et al., 2018).
A perspectiva de identificar e medir biomarcadores na saliva abre o cami-
nho para diagnóstico, detecção precoce, progressão de monitoramento de doenças
(SLAUGHTER et al., 2005). A presença de biomarcadores salivares pode estar inti-
mamente relacionada com a condição de saúde e mudar muito quando as doenças
afligem o corpo, o que viabiliza seu uso como indicadores de certas patologias (LIU
E DUA, 2012; PEREIRA DE LIMA et al., 2019)
Segundo Korte (2020), as proteínas plasmáticas encontradas na saliva têm
despertado o interesse de estudiosos, pois, além das doenças autoimunes e virais,
cerca de 40% delas representam biomarcadores de múltiplas patologias, como
câncer, doença periodontal, doenças cardiovasculares e endócrinas. Isso ocorre
porque as glândulas salivares e seus lobos internos altamente permeáveis estão
em contato próximo com os capilares, e os capilares vazam moléculas de proteína
que são absorvidas pelas células da glândula e depois secretadas como saliva na
cavidade oral. Esta troca livre de moléculas de proteínas derivadas do sangue no
fluido oral pode detectar e monitorar doenças orais e sistêmicas (RAPADO GONZÁ-
LEZ et al., 2016; PEREIRA DE LIMA et al., 2020).
Para usar esse fluido biológico como ferramenta diagnóstica, é necessário ter
biomarcadores específicos relacionados ao estado da doença, técnicas para distin-
guir esses biomarcadores e métodos de coleta não invasivos para monitorá-los e
detectá-los (CASTAGNOLA et al., 2011).
No capítulo a seguir serão descritas as principais doenças orais e sistêmicas
diagnosticada pela saliva.
3. RELAÇÃO ENTRE DOENÇAS SISTÊMICAS E ORAIS POR MEIO DA
SALIVA
As mudanças sistêmicas e orais alteram direta ou indiretamente a função das
glândulas salivares. A saliva tem se destacado devido ao seu potencial para diag-
nóstico de doenças bacterianas, doenças virais, doenças sistêmicas, doenças neu-
rodegenerativa, doenças hereditárias, doenças neoplásicas, doenças autoimunes e
doenças orais, considerando que os componentes presentes podem prover biomar-
cadores úteis para detecção dessas doenças citadas.
3.1 Doenças Infecciosas
A carie dentária é uma doença infecciosa multifatorial caracterizada por danos
Odontologia
Uma visão contemporânea - Vol. 03
104
locais devido ao efeito das bactérias que afeta um grande número de indivíduo. Nas
referências despertou um grande interesse utilizando a saliva em testes bacterio-
lógicos podendo indicar o risco da carie dentaria.
A saliva foi estudada também como forma de detectar imunoglobulina M (IgM)
contra rubéola e observou-se uma especificidade de 96%, quando comparado ao
padrão considerado ideal do teste, observando no soro sanguíneo. Esses resultados
indicam que a utilização da saliva pode ser uma alternativa válida para a obtenção
de espécimes clínicas na investigação de casos recentes de rubéola, com ênfase
nas atividades de vigilância epidemiológica e controle da virose. (LIMA et al., 2014)
A utilização da saliva para a detecção de HIV por via oral já é uma realidade
no Brasil. O exame é capaz de detectar o HIV tipos 1 e 2 com 99% de precisão.
Este pode ser realizado em centros de saúde, hospitais, clínicas e laboratórios. A
rápida detecção também ajuda na prevenção da doença já que a maioria das pes-
soas que fica sabendo que estão infectadas pelo HIV toma cuidados para evitar a
transmissão e obtém cuidados de saúde que podem prolongar a qualidade de sua
vida. (LIMA et al., 2014).
3.1.1 Neoplasias Malignas
Evidências científicas revelaram que várias proteínas salivares estão alteradas
em pacientes com câncer bucal, incluindo Cyfra 21-1, TPS e CA12, vários parâ-
metros salivares relacionados ao estresse oxidativo e parâmetros bioquímicos e
imunológicos. A hipermetilação do promotor de DNA na saliva de pacientes com
câncer bucal também se mostrou útil para o diagnóstico precoce dessa doença sen-
do possível sua aplicabilidade em ambiente clínico. (PEREIRA DE LIMA et al., 2020)
Com relação ao câncer de pulmão, (ZHANG et al., 2010) realizou estudos de
microarranjos confirmando a especificidade de mRNA para essa condição. Estudos
apontam que os níveis de três proteínas (haptoglobina, AZGP1 e calprotectina hu-
mana) foram significativamente maiores entre os pacientes com câncer de pulmão
em relação aos grupos controles saudáveis.
Wang et al., (2016) mostrou que mais de 500 proteínas foram identificadas e
quantificadas para serem biomarcadores salivares do câncer de estômago, entre
as quais 48 apresentaram um perfil diferencial de expressão, que foi significativo
entre os pacientes controle e pacientes com a neoplasia. Cistatina B, triosofosfa-
to isomerase e a Deleted In Malignant Brain Tumors 1 (DMBT1) foram verificados
com sucesso pelo teste Enzyme Linked ImmunonoSorbent Assay (ELISA). A com-
binação desses três biomarcadores pode atingir 85 % de sensibilidade e 80 % de
especificidade no diagnóstico desse tipo de neoplasia.
Editora Pascal 105
3.1.2 Doenças Periodontais
Os biomarcadores específicos para doenças podem ser usados na determina-
ção de riscos, no planejamento do tratamento e na progressão da doença. Além
das doenças orais, como a periodontal, a saliva também pode ser vista como po-
tencial ferramenta para o diagnóstico de doenças sistêmicas. Como existe uma as-
sociação entre periodontite crônica e doenças cardiovasculares, um ultrassensível
sistema de ensaio microchip para determinar Proteína C reativa (PCR) salivar tem
sido sugerida para o diagnóstico. Perfis de proteômica salivar em pacientes com
periodontite e indivíduos saudáveis, mostraram mudanças distintas nas proteínas
presentes de inflamação, que pode levar a melhora do diagnóstico da doença pe-
riodontal. (PEREIRA DE LIMA et al., 2020)
3.2 Doenças Autoimunes
A Síndrome de Sjögren (SS) é definida como uma exocrinopatia autoimuno-
lógica de origem desconhecida, com alta incidência entre mulheres a partir da
quarta década de vida. A SS se caracteriza pela redução na secreção lacrimal e
salivar ocasionando cerato-conjuntivite e xerostomia. A associação de alterações
autoimunológicas do tecido conectivo como a artrite reumatoide ou lúpus eritema-
toso determina a forma secundária da doença. O critério diagnóstico atual para SS
é a apresentação hispatológica de um infiltrado linfocítico no parênquima glandular
obtido através da biópsia de glândulas salivares menores. (CURVELO et al.,2010)
Apesar dos resultados controversos, a revisão realizada sugere que os pacien-
tes com Líquen Plano Oral (LPO) tem um aumento da resposta inflamatória, como
indicado pelo perfil pró-inflamatório salivar das citocinas. Além disso, as medições
da citocina salivar e o óxido nítrico podem ter um potencial significativo no diag-
nóstico e prognóstico para monitoramento da atividade da doença e respostas te-
rapêuticas no LPO, bem como para a descoberta de alvos dessa doença. (PEREIRA
DE LIMA et al., 2020)
3.2.1 Doenças Virais
A saliva pode ser utilizada como diagnóstico auxiliar do HIV 1 e 2 a partir da
concentração de Imunoglobulina G (IgG) presente nela. Ao verificar pelo ELISA,
pode-se perceber se a concentração da Imunoglobulina está alterada, e com isso
solicitar outros exames para conseguir uma confirmação exata do diagnóstico. Em
adição, estudos recentes têm revelado que anticorpos e/ou antígenos de Hepatite
A, B e C poderiam ser encontrados em amostras de saliva de pacientes infectados.
(PEREIRA DE LIMA et al., 2020)
Odontologia
Uma visão contemporânea - Vol. 03
106
Zhang et al., (2010) afirmam que no nível proteômico existem testes de anti-
corpos baseados em saliva que podem detectar vírus, incluindo vírus da hepatite
A, vírus da hepatite B, vírus da hepatite C, HIV-1, vírus do sarampo, vírus da ru-
béola e da caxumba vesicular, entre outros. Além disso, em um novo teste salivar
denominado Teste Rápido de Anticorpos do vírus da hepatite C (OraQuick) pode-se
detectar o vírus da hepatite C de maneira mais fácil e rápida. Em adição, o RNA do
vírus da dengue e os antígenos não estruturais da proteína 1 também são detectá-
veis a partir da saliva, o que pode fornecer uma maneira mais eficaz de diagnosti-
car a dengue.
3.2.2 Pontencial Diagnóstico da Saliva para Covid-19
O uso da saliva como ferramenta diagnóstica para várias condições sistêmicas
não é novidade. Um esforço considerável de pesquisa foi feito no passado para bus-
car biomarcadores na saliva, uma vez que sua coleta é não invasiva e fácil. Como
resultado, evidências emergentes indicam que a saliva inteira pode ser usada para
identificar várias condições orais e sistêmicas. É importante ressaltar que o con-
ceito de usar saliva para detectar infecções virais agora está bem estabelecido.
(CZUMBEL et al., 2020)
De acordo com um relatório mais recente sobre a doença de coronavírus 2019
(COVID-19), os autores haviam chamado a atenção para o risco odontológi-
co, no qual pacientes assintomáticos haviam sido mencionados muitas vezes
(MENG et al., 2020). Anteriormente, os pesquisadores demonstraram o papel
da mucosa oral na infecção por COVID-19 (XU, ZHONG, et al 2020). Gosta-
ríamos de chamar a atenção para as glândulas salivares no processo epidê-
mico de infecções assintomáticas. O ACE2 é um receptor importante para
COVID-19 (XU, CHEN et al., 2020). Em um estudo anterior sobre síndrome
respiratória aguda grave – corona vírus (SARS-CoV), células epiteliais da
glândula salivar com alta expressão de ECA2 foram infectadas (LIU et al.,
2011). A expressão de ACE2 em glândulas salivares menores foi maior que
a dos pulmões (PTM médio dos pulmões [transcrições por kilobase de exon-
modelo por milhão de leituras mapeadas] = 1,010, glândula salivar menor
PTM médio = 2,013), o que sugere que as glândulas salivares poderiam ser
um alvo potencial para COVID-19. Além disso, o RNA da SARS-CoV pode ser
detectado na saliva antes que as lesões pulmonares apareçam (WANG et
al., 2004) Isso pode explicar a presença de infecções assintomáticas. Para a
SARS-CoV, a glândula salivar pode ser uma das principais fontes do vírus na
saliva (LIU et al., 2011). A taxa positiva de COVID-19 na saliva dos pacientes
pode chegar a 91,7%, e as amostras de saliva também podem cultivar o vírus
vivo (TO et al., 2020). Isso sugere que o COVID-19 transmitido por infecção
assintomática pode se originar da saliva infectada. Portanto, a causa da in-
fecção assintomática pode ser de glândulas salivares. Não devemos ignorar o
potencial de infectividade da saliva isoladamente. (XU, J. et al.,2020)
A origem do SARS-CoV-2 na saliva é desconhecida no momento, mas pode
vir de vários locais. Uma fonte óbvia são os detritos do epitélio da nasofa-
ringe, que drena para a cavidade oral. Em segundo lugar, o SARS-CoV-2
pode realmente infectar as glândulas salivares e o vírus é então secretado
Editora Pascal 107
na saliva a partir das glândulas. Nenhuma informação está disponível sobre
isso. Mas é importante notar que, durante a infecção de macacos rhesus
pelo corona vírus da SARS, as células epiteliais que revestem os dutos das
glândulas salivares são um alvo inicial do vírus. Uma consequência disso é
a produção de imunoglobulina A secretora específica da SARS na saliva. Em
terceiro lugar, o SARS-CoV-2 do plasma sanguíneo pode acessar a boca por
meio do fluido crevicular, um exsudato derivado dos tecidos periodontais. Em
quarto lugar, as células endoteliais da mucosa oral infectadas, que apresen-
tam superexpressão de ACE2 durante a infecção por SARS-CoV-2, também
podem contribuir para a carga viral na saliva. Finalmente, as células salivares
podem endocitar vírus e exossomos contendo vírus da circulação em sua su-
perfície basolateral e liberá-los no lúmen salivar por exocitose. Tais mecanis-
mos foram revelados para outros constituintes macromoleculares do sangue,
como DNA e RNA. Qualquer uma ou todas essas cinco fontes possíveis podem
contribuir para o aparecimento de SARS-CoV-2 na saliva de pacientes com
COVID-19. Dado também que os principais locais de infecção viral (nasal, oral,
faríngeo ou respiratório) podem diferir entre os indivíduos, é bem possível
que em alguns pacientes o vírus seja mais facilmente detectado na saliva
e em outros seja mais facilmente detectado em um espécime NPS. Essas
diferenças também podem estar relacionadas às variações genômicas entre
os pacientes. Consequentemente, discrepâncias entre os resultados dos tes-
tes de NPS e saliva, ao invés de indicar uma deficiência em um ou outro teste,
pode ser um resultado esperado e pode ter implicações em termos de ava-
liação de portadores assintomáticos. De qualquer maneira, nosso nível atual
de compreensão abre caminho para estudos mais intensivos dessas questões
importantes, estendendo-se muito além do projeto de melhores diagnósticos
para infecção por SARS-CoV-2. (CZUMBEL et al., 2020).
A saliva está emergindo como uma alternativa promissora aos esfregaços na-
sofaríngeos / orofaríngeos para diagnóstico e monitoramento de COVID-19. De
fato, o uso de saliva como amostra biológica para o teste de SARS-CoV-2 contorna
em grande medida as limitações mencionadas acima associadas ao uso de swabs
nasofaríngeos / orofaríngeos. Com instruções claras, os pacientes podem auto co-
letar amostras de saliva. Isso é altamente desejável em um surto, a fim de mini-
mizar a carga sobre os profissionais de saúde, o uso de equipamentos de proteção
individual e para permitir a amostragem em série necessária para o monitoramento
da doença. Um estudo recente relatou que a auto coleta de amostra de saliva para
o teste de SARS-CoV-2 é viável e pode produzir resultados de teste confiáveis.
(SAPKOTA et al., 2020)
O uso potencial da saliva para a detecção do SARS-CoV-2 é cientificamente
bem fundamentado. A saliva é considerada um bom reservatório para vírus que se
originam de excreção oral e secreções do trato respiratório inferior, nasofaringe e
possivelmente glândulas salivares infectadas. De fato, Chen et al foram capazes de
detectar o RNA do SARS-CoV-2 em três das quatro amostras de saliva coletadas
diretamente dos dutos das glândulas salivares, evitando, assim, a contaminação
das secreções respiratórias em casos graves. Juntamente com a demonstração
da expressão de ACE2, um tipo de receptor de superfície principal para SARS-
CoV-2, na glândula salivar, os achados acima substanciam a ideia de que a glândula
salivar pode ser uma das fontes de SARS-CoV-2 na saliva. Em consonância com
Odontologia
Uma visão contemporânea - Vol. 03
108
esta observação, estudos recentes de To et al demonstraram a presença de SARS-
CoV-2 vivos na saliva. Além disso, o possível uso diagnóstico de saliva para vários
vírus respiratórios, incluindo corona vírus, foi apoiado por estudos que demonstra-
ram uma alta sensibilidade e especificidade de testes baseados em saliva, com>
90% de concordância entre saliva e swabs nasofaríngeos. (SAPKOTA et al., 2020)
No capítulo a seguir serão descritos os biomarcadores salivares.
4. BIOMARCADORES SALIVARES
Sabe-se que as várias moléculas constituintes da saliva contêm informações
valiosas, assim sendo uma análise quantitativa e qualitativa global das proteínas
é essencial. Nos últimos anos, tem existido uma maior pesquisa relativamente à
descoberta de proteínas com importância clínica, para o diagnóstico e monitoriza-
ção de doenças, utilizando para análise as técnicas mencionadas anteriormente.
(STRIMBU et al., 2011)
De forma a conseguir um bom nível de confiança e fiabilidade, é necessário
recorrer a várias análises repetidas da amostra, atingindo assim um coeficiente de
variação no intervalo de 20-30%. Para reproduzir o intervalo do coeficiente de va-
riação foi introduzido o método de eletroforese diferencial (2-D DIGE) que permi-
te, a partir de uma única amostra, separá-la em duas ou três amostras e fazê-las
correr num único gel, levando a uma melhor comparação entre os perfis de prote-
omas, aumentando assim a sua precisão. (C. F. STRECKFUS et al., 2012)
São muitos os investigadores que têm vindo a estudar o uso de biomarcado-
res, uma vez que estes apresentam uma capacidade de diagnóstico da doença e
monitorização da progressão da mesma e, até mesmo a resposta a uma determi-
nada terapêutica. Apesar de existirem muitas definições para o termo biomarcador,
ainda não existe nenhuma que abranja todos os aspetos das aplicações dos mes-
mos. Assim, uma das definições propostas é: “alterações celulares, bioquímicas,
moléculares, genéticas ou simplesmente processo normal biológico que pode ser
reconhecido ou monitorizado”. Um biomarcador é então uma substância utilizada
como um indicador de um estado biológico ou para diagnósticos. É uma ferramen-
ta de diagnóstico capaz de fornecer informações importantes para o diagnóstico
diferencial, localização da doença e até mesmo conhecer o grau de severidade da
infeção/patologia. (MALATHI et al.,2014)
Tem sido um grande desafio determinar biomarcadores para rastreio, diagnós-
tico e monitorização de uma doença ou até mesmo, na determinação da eficácia da
terapêutica. (MALATHI et al., 2014)
A análise do biomarcador depende de vários fatores como a própria natureza
deste, a amostra a partir do qual foi extraído e o mecanismo pelo qual o biomarca-
Editora Pascal 109
dor entra na cavidade oral. (RODRIGUEZ CHAVEZ et al., 2012)
Qualquer espécie molecular que demonstra variação significativa na concen-
tração, comparativamente com os de indivíduos controlo, é um biomarcador poten-
cial. (RAHIM et al.,2015)
Autores Ano Patologias diagnosticadas Biomoléculas
YOSHIZAWA
2013 Doenças virais/ doenças bacterianas DNA, proteínas/DNA
et al.
Proteínas, mRNA, DNA/ Proteínas/
Neoplasias Malignas/ cardiopatias/
proteínas/proteínas, micro RNAs,
Cuevas-Cór- doenças imunológicas/ doenças here-
2014 fatores salivares/ hormônios, pro-
doba et al. ditárias/ distúrbios psicológicos/ doen-
teínas/DNA, anticorpos e microrga-
ças virais, bacterianas e parasitárias.
nismos
Fuentes et al. 2014 Doenças periodontais Proteínas, microrganismos, DNA
Majem et al. 2015 Neoplasias malignas RNAs não-codificantes
Neoplasias malignas/ doenças heredi-
DNA, proteínas/DNA/ microrganis-
Nunes et al. 2015 tárias/doenças periodontais/ doenças
mos/anticorpos
virais
Güncü et al. 2015 Doenças periodontais Proteínas, microrganismos
Podzimek et
2015 Doenças periodontais Proteínas
al.
Proteínas, microrganismo/ mRNA,
Doenças periodontais/doenças autoi-
proteínas/ proteínas/proteínas/
Zhang et al. 2016 munes/ cardiopatias/ neoplasias ma-
RNA, anticorpos, oncogene/ DNA,
lignas/ doenças virais
RNA, anticorpos
Doenças autoimunes/ cardiopatias/ Proteínas, DNA/ anticorpos, RNAs,
Prasad et al. 2016 neoplasias malignas/ doenças virais/ anticorpos/ proteínas, microrganis-
bacterianas mos
Neoplasias malignas/doenças perio-
Mikkonen. 2016 DNA, proteínas/ DNA, proteínas
dontais
Rapado-gon-
2016 Neoplasias malignas Proteínas, RNAs
zález et al.
Neoplasias malignas/doenças perio- Proteínas, microrganismos/ proteí-
Zang et al. 2016
dontais nas, RNAs
Doenças periodontais/ doenças cárie/
Tasoulas et al. 2016 doenças autoimunes/ neoplasias ma- Proteínas
lignas
Wang et al. 2017 Neoplasias malignas DNA, RNA, proteínas
Doenças autoimunes/ cardiopatias/ Proteínas, RNA/ anticorpos, proteí-
Kaozor-Urba-
2017 neoplasias malignas/ doenças virais/ nas/ proteínas/ proteínas, micror-
nowioz et al.
bacterianas/ doenças periodontais ganismos/ microrganismos
Stuani et al. 2017 Neoplasia maligna Proteínas
Humberto et
2018 Doenças autoimunes Proteínas
al.
Tabela 1- Distribuição da relação das patologias diagnosticadas e seus biomarcadores.
Fonte: PEREIRA DE LIMA et al., (2020)
Odontologia
Uma visão contemporânea - Vol. 03
110
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A saliva é um fluido corporal com importante participação de condições fisio-
lógicas e patológicas do corpo humano. Vantagens do uso de saliva no diagnóstico
laboratorial reside em: sua usabilidade, não invasivo, fácil coleta e baixo custo. A
desvantagem de usá-lo é, concentração de marcadores biológicos que estão em
um nível baixo, relacionado ao plasma e ainda não tem valor de referência.
Os avanços nos estudos de métodos de diagnóstico que utilizam saliva como
meio biológico para o diagnóstico e acompanhamento de condições bucais e sistêmi-
cas apresentam resultados promissores o que poderá constituir um meio de exame
usado na rotina. É necessário desenvolver e padronizar sistemas de identificação
molecular da saliva e a sua avaliação. No entanto, as pesquisas sobre a saliva e sua
aplicação no diagnóstico de doenças ainda estão em estágio inicial, devido à falta
de métodos e tecnologias eficazes e úteis, o progresso desses estudos é limitado.
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Odontologia
Uma visão contemporânea - Vol. 03
112
CAPÍTULO 9
O PAPEL DO ODONTOLEGISTA NAS
PERÍCIAS CRIMINAIS
THE ROLE OF THE DENTIST IN THE CRIMINAL EXPERTS
Paulo Victor Gomes Rocha
Mayara Silva Reis
Vinicius De Paula Nascimento Barros
Luís Carlos França Júnior
Gabriele Oliveira Silva
Karlos Edwardo Fonseca Viana
Juliandry Catharine Mendes Reis
Ana Raissa Ayres Ferreira
Alexsandra Ferreira Sousa
Samantha Ariadne Alves De Freitas
Resumo
A
atuação do cirurgião dentista no âmbito forense é amparada pela legislação fede-
ral competente, a Lei nº 5.081/66, que regulamenta o exercício da odontologia no
território brasileiro. O campo de atuação não se restringe apenas ao exame dos
vestígios dentários, estende-se a várias áreas, como antropologia, genética, bioquímica,
balística forense, tanatologia, traumatologia forense, radiologia e computação, tudo res-
paldado pela Resolução do Conselho Federal de Odontologia (CFO) – 63/20051 , artigos
63 e 641, possui amplo campo de atuação, sendo a especialidade exercida junto a servi-
ços oficiais: Instituto Geral de Perícias, Instituto de Criminalística e Instituto Médico Legal.
Com o objetivo de discutir a atuação do odontologista no âmbito criminal, com intuito de
trazer à comunidade acadêmica informações relevantes sobre o assunto. Trata-se de uma
Revisão de literatura sobre atuação do profissional especialista em Odontologia Legal. Foi
realizado buscas nas bases de dados: LILACS® SciELO® e PubMed® no período de 1896
a 2020. O odontologista pode atuar no âmbito criminal, na identificação no vivo, no ca-
dáver e em perícias antropológicas, pois a cavidade oral apresenta um grande potencial
para a identificação, os dentes e materiais restauradores têm alta resistência, inclusive a
temperaturas elevadas, além disso, o lábio possui marcas exclusivas do indivíduo, e as ru-
gas do palato são imutáveis durante toda a vida, até certo período após a morte, levando
o cirurgião-dentista a ser cuidadoso ao guardar o prontuário, as radiografias e os modelos
em gesso dos pacientes, além de anotar todas as informações.
Palavras-chave: Odontologista. Perícia criminal. Arcada dentária.
Abstract
T
he performance of the dental surgeon in the forensic scope is supported by the
competent federal legislation, Law No. 5,081 / 66, which regulates the practice of
dentistry in the Brazilian territory. The field of action is not restricted only to the
examination of dental traces, it extends to several areas, such as anthropology, genetics,
biochemistry, forensic ballistics, tanatology, forensic traumatology, radiology and compu-
ting, all supported by the Resolution of the Federal Council of Dentistry ( CFO) - 63/20051,
articles 63 and 641, has a wide field of activity, being the specialty exercised with official
services: General Institute of Experts, Institute of Criminalistics and Legal Medical Insti-
tute. In order to discuss the dentist’s performance in the criminal field, in order to bring
relevant information on the subject to the academic community. This is a literature review
on the performance of the professional specialized in Legal Dentistry. Searches were car-
ried out in the databases: LILACS® SciELO® and PubMed® in the period from 1896 to
2020. The dentist can act in the criminal field, in live identification, in the corpse and in
anthropological expertise, as the oral cavity has great potential for identification, teeth
and restorative materials are highly resistant, even at elevated temperatures. In addition,
the lip has marks unique to the individual, and the palate wrinkles are immutable throu-
ghout life, until a certain period after death, leading to dental surgeon to be careful when
saving patients’ medical records, radiographs and plaster models, in addition to writing
down all information.
Keywords: Dentist. Criminal expertise. Dental arch.
Odontologia
Uma visão contemporânea - Vol. 03
114
1. INTRODUÇÃO
A odontologia legal é o ramo da medicina Lídima restrito à região de cabeça e
pescoço. Compreendendo as perícias no vivo, morto, nas ossadas, em fragmentos,
em trabalhos odontológicos e, até mesmo em peças dentais isoladas e/ou vestígios
lesionais. (ALMEIDA et al., 2012). Segundo Silveira (2008) é uma especialidade
que aplica conhecimentos odontológicos. Desde anatomia e matérias básicas até
as mais complexas especialidades como: dentística, prótese, ortodontia, odon-
topediatria, periodontia, cirurgia buco-maxilo-facial, endodontia e radiologia aos
interesses do Direito.
Trata-se de uma revisão bibliográfica, que tem como objetivo geral discutir a
atuação do Odontolegista nas perícias criminais. Onde nos objetivos específicos
aponta-se a atuação do Odontolegista. Destaca-se as competências do cirurgião
dentista na equipe multidisciplinar de peritos. E por fim pontua-se as formas de
trabalho na identificação no vivo, no cadáver e em perícias antropológicas. Para
atingir esses objetivos realizou-se buscas ativas nas seguintes bases de dados ele-
trônicas (databases) indexadas: LILACS® (Literatura Latinoamericana em Ciências
de Saúde), SciELO® (Scientific Electronic Library Online) e PubMed® (Public Me-
dLine). Abrangendo o período de 1896 a 2020.
1.1 Metodologia
A metodologia do presente trabalho consiste em fazer uma revisão bi-
bliográfica com busca ativa nas seguintes bases de dados eletrônicas (databases)
indexadas: LILACS® (Literatura Latinoamericana em Ciências de Saúde), SciELO®
(Scientific Electronic Library Online) e PubMed® (Public MedLine), abrangendo o
período de 1896 a 2020. Palavras-chave: Odontolegista, perícias criminais e Odon-
tologia Forense.
Serão incluídos artigos em português, inglês e espanhol. De posse de
todos os estudos a serem incluídos serão estabelecidos critérios para determinar
a validade destes estudos e a possibilidade de os resultados possuírem vieses.
Depois da avaliação crítica serão incluídos os estudos considerados confiáveis. Em
seguida, então, as etapas de análise, apresentação e interpretação dos dados, fi-
nalizando com aprimoramento e atualização da revisão. Para alcançar os objetivos
desse estudo, será realizado uma pesquisa qualitativa que permite ao pesquisador
obter informações o assunto abordado.
Editora Pascal 115
2. REVISÃO DE LITERATURA
2.1 atuações do Odontolegista
A Odontologia Forense é uma especialidade que caminha junto ao direito, po-
dendo estar relacionada a processos civis por má conduta do cirurgião-dentista
(CD), em processos éticos e até mesmo em perícia forense (CEVALLOS; GALVÃO;
SCORALICK, 2009). Originou-se em meio a acidentes que necessitavam de téc-
nicas e conhecimento do CD para reconhecimento de vítimas através de dentes,
cavidade bucal e documentação odontológica, em que só uma pessoa competente
da área, com conhecimento específico, poderia examinar e auxiliar, com intuito de
identificar as vítimas não reconhecidas, bem como esclarecer determinada lesão
por agressão física (SILVEIRA, 2013).
Na identificação de cadáver, deve-se somar o conhecimento científico da odon-
tologia ao direito humano. O profissional odontolegista deve ter embasamento
científico para juntamente com sua equipe forense estar apto a emitir, com preci-
são, laudos, identificando o indivíduo na situação mais imprevisível que tenha sido
ocasionada (CEVALLOS; GALVÃO; SCORALICK, 2009). O especialista é de grande
importância para a identificação do cadáver, eventos criminais, civis, trabalhistas
e administrativos. Não há como medir, tampouco impor limites para a atuação do
dentista forense dentro do Instituto Médico Legal (IML). Existem formas de reco-
nhecer cadáver analisando roupas, tomadas radiográficas, pertences pessoais, áci-
do desoxirribonucleico (DNA), dentes e cabelos, assim como utilizando programa
de computador que relaciona a área lesada com relação à oclusão do acusado na
identificação de crimes de violência física (SILVEIRA, 2013).
A dentição humana é muito resistente, os dentes são os elementos mais du-
ráveis a deformações e decomposições. Os materiais utilizados para restaurações,
como tratamento odontológico, são muito comuns de resistirem a processos bioló-
gicos ou químicos, contudo o esmalte dentário ainda consegue ser mais resistente
do que qualquer material odontológico. Sendo assim, é fundamental a atuação de
um dentista forense no âmbito pericial, já que ele, possuindo uma especialização
na área, estará apto a exercer a função de forma mais profunda, sendo ele o de-
tentor do conhecimento odontológico prático e teórico (SILVEIRA, 2013).
Em casos que se encontram um corpo carbonizado em fase de decomposição,
é extremamente comum encontrar a dentição intacta, e utilizar esse fator para a
identificação do indivíduo é fundamental. Esse meio pode até utilizar-se de pron-
tuário odontológico para comparar e identificar o cadáver (CEVALLOS, GALVÃO;
SCORALICK, 2009). Todo indivíduo deve ter sua identificação pessoal efetivada o
mais rápido possível. Isso leva a pensar que o CD, dentro de suas funções, só ten-
de a melhorar o trabalho dentro do IML. Dessa forma, não há como deixar de se
perguntar por que não existe atuação completa da odontologia forense no Instituto
Odontologia
Uma visão contemporânea - Vol. 03
116
Médico Legal. É imprescindível a atuação do profissional para a identificação de
corpo carbonizado (SILVA et al., 2008).
A presença do cirurgião-dentista dentro do Instituto Médico Legal é impor-
tante, pois ele possui o conhecimento teórico e prático necessários para facilitar a
eficiência dos trabalhos, porquanto é rotineiro o convívio do CD com o prontuário
e seus respectivos dados clínicos e radiográficos tornando esse especialista im-
prescindível para acelerar e dar precisão às identificações de cadáver. Diante disso,
questiona-se a ausência do profissional da Odontologia na equipe forense do IML
(SILVA et al., 2008). Atualmente, depara-se com a ausência de profissionais quali-
ficados, aptos a exercer uma ação decisiva em situações adversas de identificação
de corpos. Assim, pode-se ver a atuação do CD especialista na área de odontologia
legal na identificação de corpo não identificado, o profissional que possui todo um
conhecimento adequado para intervir com maior rapidez e precisão (CEVALLOS,
GALVÃO; SCORALICK, 2009).
2.1.1 Origem e história da odontologia legal
O Primeiro caso que teve a solicitação de Odontolegista foi em um incêndio
ocorrido em 4 de maio de 1897 no Bazar de Caridade, em Paris, França. Houve cer-
ca de 200 mortos e 40 corpos sem identificação. Nesse incêndio de enormes pro-
porções, todos as vítimas morreram carbonizadas dificultando muito a identificação
dos corpos. Os frequentadores do Bazar de la Charité eram todos de alta sociedade
bem como tinham acesso aos serviços odontológicos prestados na época. A partir
daí após grande sucesso nas identificações dos corpos deu muita credibilidade ao
método de identificação por arcada dentaria. Há qual teve a identificação bem su-
cedida da Duquesa de D’Aleman e da Condessa Villeneuve.
• 1912 – Naufrágio do Titanic determinando o falecimento de 1.513 pessoas.
A análise das arcadas dentárias permitiu o reconhecimento de muitas víti-
mas.
• 1972 – Sognnaes determinou a identidade de Martin Bormann, chanceler do
Terceiro Reich alemão durante a II Guerra Mundial, através de comparação
com os registros do Dr Hugo Blaschke, então dentista dos nazistas dos altos
escalões.
• 1973 – Incêndio no Hotel Hafnia, em Copenhague, ocasionando 35 mortes.
Oito dentistas colaboraram equipe de identificação, comparando os dados
ante-mortem e post-mortem através de análises visuais, fotográficas e ra-
diográficas. Foi possível o reconhecimento de 74% das vítimas (26 casos).
(Silveira EMSZFS). Segundo Cunha et al (2007), o registro mais antigo,
isto é a primeira publicação oficial na qual a Odontologia Legal foi caracte-
rizada como uma ciência capaz de auxiliar a Medicina Legal, data 1898, de
Editora Pascal 117
Oscar Amoedo, dentista cubano, foi publicada em Paris. Entretanto, o ter-
mo Odontologia Legal foi empregado por Luiz Lustosa Silva em 1924, qual
o professor paulista criou essa dominação e publicou a obra “Odontologia
Legal”, que se refere à disciplina com esse título e estabelece os primeiros
limites do seu campo de ação.
2.1.2 Aplicações
As áreas de atuação do odontolegista estão descritas nos artigos 63 e 64 da
Resolução 65/2005 do Conselho Federal de Odontologia (CFO). No Parágrafo único
diz que a Atuação da Odontologia Legal se restringe à análise, perícia e avaliação
de eventos relacionados com a área de competência do cirurgião-dentista podendo,
se as circunstâncias o exigirem, estender-se a outras áreas, se disso depender a
busca da verdade, no estrito interesse da justiça e da administração.
Áreas de atuação do Odontolegista:
- Identificação humana
- Perícia em foro civil, criminalista e trabalhista,
- Perícia em área administrativa
- Perícia, avaliação e planejamento em informática
- Tanatologia Forense
- Elaboração de autos, laudos e pareceres, relatórios e atestados
- Traumatologia odonto-legal
- Balística forense
- Perícia logística no vivo, no morto, íntegro ou em suas partes fragmentadas
- Perícia em vestígios correlatos, inclusive de manchas ou líquidos oriundos
da cavidade bucal ou nela presentes
- Exames por imagem para fins periciais
- Deontologia Odontológica
- Orientação odonto-legal para exercício profissional
Odontologia
Uma visão contemporânea - Vol. 03
118
- Exames por imagens para fins odontolegais.
2.2 Atuação do Cirurgião Dentista na Equipe Multidisciplinar de Peri-
tos
A Odontologia Legal surge no mundo como ciência com o trabalho de identi-
ficação das pessoas no Bazar da Caridade realizado pelo Pai da Odontologia Legal
Oscar Amoedo. No Brasil, o pai da Odontologia Legal foi Luiz Lustosa Silva que deu
nome à ciência e escreveu inúmeras obras literárias sobre o ensino da Odontologia
Legal (SILVA et al., 2017). Desta época em diante o ensino da Odontologia Legal
tem passado por significativas transformações, em geral, ampliando as atribuições
desta especialidade junto ao Instituto Médico Legal (IML), tanto no vivo, como no
cadáver (LINO-JÚNIOR et al.; 2015). A atuação do Cirurgião-Dentista no âmbito
forense é amparada pela legislação federal competente, a Lei nº 5.081/66, que re-
gulamenta o exercício da odontologia no território brasileiro. O campo de atuação
do odontolegista não se restringe apenas ao exame dos vestígios dentários, esten-
de-se a várias áreas, como antropologia, genética, bioquímica, balística forense,
tanatologia, traumatologia forense, radiologia e computação, tudo respaldado pela
Resolução do Conselho Federal de Odontologia (CFO) – 63/20051, artigos 63 e
641.
As equipes multiprofissionais dos IGP devem estar bem preparadas e capaci-
tadas a lidar com grandes acidentes, pois o Brasil é um país que apresenta intenso
tráfego aéreo, estando mais sujeito a acidentes. Assim, esses acidentes tornam
o odontolegista um dos mais importantes integrantes da equipe, pois os dentes e
materiais odontológicos geralmente são periciados por serem resistentes a vários
fatores, muitas vezes representando a única possibilidade de identificar um indiví-
duo. (LEITE et al 2011). O IML tem grande importância na área da identificação de
corpos. Muitas pessoas que são consideradas como desaparecidas podem ter sido
vítimas de homicídio, agressão ou acidente. A inexistência do odontolegista no IML
pode resultar em inadequado reconhecimento de lesões bucais, sendo prejudicial
no relato das lesões em âmbito civil e penal. Na análise de corpos carbonizados,
quando há o acesso ao prontuário odontológico do desaparecido, sua identificação
é perfeitamente viável pela comparação dos odontogramas e outros registros, bem
como fotografias e radiografias. (SILVEIRA et al.,2013)
Pergunta-se como pode existir um Instituto Médico-legal sem a presença de
um Cirurgião-Dentista. Será que um profissional de outra área de competência sa-
berá avaliar os danos que envolvem a região orofacial ou identificar um corpo por
16 meio do estudo dos dentes? Como resposta para esta questão discorre o pensa-
mento de Malthus, a saber: “Um Instituto sem a presença de um Perito Odontole-
gista é um IML incompleto” (MALTHUS et al.,2015). A definição de peritos na visão
geral é profissionais “experts” nos assuntos os quais estão trabalhando, encarrega-
do como autoridade apto de os esclarecerem em um processo, outro conceito é de
Editora Pascal 119
que os peritos é qualquer técnico que por sua vez possa esclarecer a justiça ou a
polícia por meio de sua especial aptidão, quando solicitados por autoridades, fatos
ocasionados por pessoas ou coisas, como provas em juízo. (PERES AS et al 2007)
A atuação do especialista em Odontologia Legal é de extrema importância, e
a análise odontológica é um meio muito utilizado, sendo o principal uso dessa es-
pecialidade voltado à identificação de agressores em processos criminais e vítimas
mortais nos casos de catástrofes e conflitos. Os dentes e materiais restauradores
têm alta resistência, inclusive a temperaturas elevadas. Além disso, o lábio possui
marcas exclusivas do indivíduo, e as rugas do palato são imutáveis durante toda a
vida, inclusive até certo período após a morte. Esses são alguns fatores que fazem
a cavidade oral apresentar um grande potencial para a identificação. O cirurgião-
-dentista deve ser cuidadoso ao guardar o prontuário, as radiografias e os modelos
em gesso dos pacientes, cabendo-lhe anotar todas as informações, pois estas po-
dem servir para a identificação positiva de vítimas (BHARGAVA et al., 2012).
O CD especialista em odontologia legal pode desenvolver e exercer as mais
diversas funções na identificação de corpo não identificado, de acordo com o Con-
selho Federal de Odontologia sua atribuição e bem esclarecida e estabelecida, as
atuações mais comum são traumas faciais e no complexo maxilo-mandibular por
eventos ocasionado, por meios terrestres ou aéreos como lesões corporais dentre
outros fatores, cabe também identificar cadáver esqueletizado, carbonizado ou
putrefeito (SILVA RF et al 2008). A odontologia legal tem como objetivo desenvol-
ver métodos mais rápidos e eficazes para proceder identificações ágeis e precisas.
Dentre suas características, estão os métodos que só um Cirurgião-Dentista (CD)
especialista está apto a colocar em ação, para interpretar um prontuário odontoló-
gico. (CARVALHO et al 2009)
Por fins de diagnóstico e para elaborar um bom plano de tratamento para
o paciente, realizam-se tomadas radiográficas para promover um profundo exa-
me clínico da realidade da causa, ou até mesmo patologia associada. Pode ser
também, uma prova para resguardar o profissional como provas jurídicas, como
acusação por má conduta ou negligência, e para fins periciais de corpos não iden-
tificados (MOURA; BLASCO; DAMIAN, 2014). Os profissionais que trabalham nessa
área aplicam suas habilidades odontológicas, que vão desde a mais simples para a
mais complexa. No interesse da lei, os conjuntos de habilidades do CD especialista
forense incluem a identificação humana, investigação e avaliação. É muito comum
observar radiografias que podem revelar vários eventos de importância odonto-
lógica, de valores periciais como restauração em amálgama e uso de contenção.
(BANDEIRA et al. 2013)
A realidade do que é crime em nossa sociedade é muito complexa, muitas
vezes obriga o poder judiciário a intervir com assistência de peritos para escla-
recer diversos casos. Esses profissionais são especialistas em áreas específicas,
proprietários de competências técnicas e científicas, que executam ações com o
objetivo de preparar documentos jurídicos que são a prova técnica que justificam
Odontologia
Uma visão contemporânea - Vol. 03
120
decisões justas nos tribunais (SILVEIRA, 2013). Reafirmam Silva et al. (2008) que
a Odontologia tem suas particularidades no meio da forense de obter formas para
diferenciar o indivíduo, como seu prontuário odontológico, que é um documento
extremamente precioso para auxiliar o profissional nas mais diversas possibilida-
des de esclarecer o caso. Deve estar preenchido adequadamente e corretamente
para conter o máximo de informação possível e todas as imagens radiográficas
devem estar arquivadas junto ao prontuário com as radiografias panorâmicas e
periapicais.
2.3 Contribuições do odontolegista na identificação de vivo, cadáver
e perícias antropológicas
Vale ressaltar O profissional especialista é de grande importância para a iden-
tificação de cadáver, eventos criminais, civis, trabalhista e administrativo, não há
como medir tão pouco impor limites para a atuação do dentista forense dentro do
Instituto Médico Legal (IML) (CERVALLOS et al., 2009). Denomina-se identificação
o processo pelo qual se define a identidade de uma pessoa ou de uma coisa. S
endo assim, identificar uma pessoa é determinar uma particularidade e estabelecer
caracteres ou conjunto de qualidades que a fazem diferentes de todos os outros
indivíduos (FRANÇA, 2004). Etimologicamente, a antropologia pode ser dividida
em antropologia cultural e em antropologia física. Esta se preocupa com o estudo
das variações quali e quantitativas dos caracteres humanos, subdividindo-se em
somatoscopia, onde são estudadas variáveis como a cor da pele, cor dos olhos,
etc., e somatometria, que estuda variáveis quantitativas pertinentes a mensura-
ções realizadas no ser humano, como, por exemplo, medidas do crânio, dos arcos
dentários, etc. (SILVA, 1997).
A identificação de uma pessoa viva ou de um cadáver é mais fácil do que a de
um esqueleto, onde precisamos fazer a identificação da espécie, da raça, da identi-
dade, do sexo, da estatura e, principalmente, das características individuais. Des-
sas características individuais, as mais importantes são os dentes, mas para isso é
de total importância que exista um prontuário odontológico bem preenchido, não
só com o número de dentes, anomalias ou restaurações. A identificação desse
conjunto de características também pode ocorrer através de uma prótese, de uma
anomalia rara, ou de uma alteração de caráter ortopédico, de uma radiografia com
sequelas traumatológicas, de uma simples radiografia óssea ou dentária, ou de um
exame da Impressão Digital Genética do DNA, para serem confrontados com os
padrões analisados (FRANÇA, 2004).
Em virtude da evolução da Odontologia Legal, vários cadáveres foram identi-
ficados em catástrofes pelos odontolegistas, dentre eles destacam-se a de 26 de
dezembro de 2004, na Ilha de Sumatra, totalizando 5.395 mortes. Outra muito
importante na história é a do navio Titanic, ocasionando 1513 mortos. Da mesma
forma o Acidente da TAM no dia 17 de julho de 2007, onde todos os 187 passagei-
Editora Pascal 121
ros morreram, destes, 79 foram identificados pela odontologia legal. (TESSARIO-
LI,2006). Em consequência disso, todo Instituto Médico Legal possui habitualmen-
te um profissional responsável pelo setor de Antropologia Forense, para onde são
encaminhados os cadáveres putrefeitos, carbonizados ou reduzidos a esqueleto
para estudo e identificação. (TESSARIOLI,2006)
O odontolegista se faz importante quando o reconhecimento visual é impos-
sível e, também, na ausência de dados como a datiloscopia, que se define como a
identificação através das impressões digitais. (TERADA et al, 2011). As identifica-
ções realizadas por odontolegistas nos desastres em massa alcançam aproximada-
mente 70% das identificações que se tem realizado mundialmente, comprovando
ser um método de tradição e provada eficácia. (FRARI et al, 2008), além disso,
faz-se imprescindível citar que os elementos dentais são os orgãos mais duráveis
do corpo humano. (TERADA et al., 2011) Exemplo disso, são em casos de guerra,
acidentes de grande magnitude e desastres naturais, a identificação dentária tor-
na-se necessária devido à grande decomposição dos corpos. (BRKIC et al. apud
MARTINHO, 1997).
A referência aos dentes pode ser notada desde tempos antes de Cristo. A pri-
meira referência escrita foi no Código de Hamurabi, Rei Assírio, ano de 2080 a.C.
Há registros também nas múmias do Egito, na qual os dentes eram conservados
em perfeito estado. (NEGREIROS, 2010). Possivelmente a primeira identificação
Odonto-legal realizada por um cirurgião-dentista foi realizada nos Estados Unidos.
(MELENDEZ apud COIRADAS, 2003). Posteriormente, o termo Odontologia Legal
foi cunhado em 1924 por Luiz Lustosa Silva, professor emérito paulista que criou
esta dominação e publicou sua obra “Odontologia Legal”. (NEGREIROS, 2010). Ca-
sos relatados, como em 1912, o transatlântico Titanic naufragou após chocar-se
contra um iceberg. Dos 2.220 passageiros, 1.513 foram a óbito. Muitos desses cor-
pos foram reconhecidos pelo exame da arcada dentária. (VANRELL, 2012).
Além disso, a Odontologia Legal auxilia constantemente muitos acidentes como
o da Ilha de Sumatra em 26 de dezembro de 2004. No qual um terremoto, causou
um grande tsunami, atingindo 6 províncias. Cerca de 5.395 pessoas morreram,
sendo então criada a equipe tailandesa de identificação de vítimas de tsunami
composta por especialistas de vários países, entre eles uma equipe de odontolo-
gia legal. Sete meses após o desastre, a equipe verificou 2.010 vítimas, faltando
ainda a identificação de 1.800 cadáveres. Das vítimas identificadas, cerca de 61%
foi por exames dentários, 19% pela datiloscopia, 1,3% pelo exame de DNA, 0,3%
por evidênciais física e, cerca de 18% dos casos por mais de um tipo de evidência.
(RAI apud NEGREIROS, 2007).
Segundo Moreira (1999), a perícia se define como um exame que, por de-
terminação de autoridade policial ou judiciária, tem a finalidade de elucidar fato
ou evidenciar estado ou situação no interesse da justiça. Desse modo, cirurgiões
dentistas também tem papel necessário e obrigatório do registro no prontuário
odontológico da condição inicial e de todos os procedimentos realizados. Podendo,
Odontologia
Uma visão contemporânea - Vol. 03
122
quando necessário, colaborar com os esclarecimentos à justiça. Oliveira et al. apud
Martinho (1999) relataram que o processo de identificação humana pode ser re-
alizado sobre 2 prismas. No primeiro, reconstrutivo, não se tem dados anteriores
à morte do indivíduo. No segundo, comparativo, baseia-se em registro anteriores
de morte, podendo ser utilizado o prontuário odontológico.É importante ressaltar
que só teremos uma identificação positiva caso houver uma base de dados para
comparar. Sem o registro primário, não haverá confirmação. (COIRADAS, 2008) E,
segundo Paranhos et al (2009), quando a identificação não acontece com sucesso,
o Instituto Médico Legal não pode fornecer o atestado de óbito, impossibilitando a
devolução do cadáver aos familiares e deixando-o como desconhecido.
2.3.1 Identificação pela arcada dentária
Não houve, não há e nunca haverá duas pessoas com as arcadas dentárias
iguais, pois suas características são absolutamente singulares (RODRIGUES E MAL-
FATE apud NEGREIROS, 2010). A identificação pelos dentes exige duas ocasiões
especiais: a ante-mortem que diz respeito às informações antes da morte, quanto
mais precisas, melhores serão. A segunda ocasião é a postmortem, que coletará
dados do cadáver e através dela se fará a comparação com as informações ante-
-mortem. (COIRADAS, 2008)
Informações como posição e características dos dentes, ausência de um ou
vários dentes, cáries, e muito mais contribuirá para a identificação. Após a com-
paração dos dois registros, se afirmará ou negará que o material estudado é da
pessoa procurada. (COIRADAS, 2008) A comparação é feita com os raios-X feitos
pelo dentista do suposto falecido e raios-X do cadáver, tiradas exatamente do mes-
mo ângulo. As imagens são sobrepostas no computador para aferir semelhanças.
(FOGAÇA apud NEGREIROS, 2009).
2.3.2 Identificação pelo DNA
Os maus-tratos são Segundo Negreiros (2010), o DNA é classificado como um
recurso confiável que dependendo do grau de degradação do corpo ainda pode ser
recolhido e comparado. Quando as impressões digitais, exames de arcos dentários
e exames antropométricos são inviáveis de serem realizados, utiliza-se a tipagem
de DNA. A análise de DNA apresenta bons resultados, pois um fragmento de tecido
pode ser potencialmente identificado (WEEDEN; SWARNER apud REMUALDO apud
NEGREIROS, 2010).
Editora Pascal 123
2.3.3 Identificação pela rugoscopia palatina
Segundo Silveira apud Negreiros (2009), a identificação rugopalatinoscópica
consiste na observação da abóbada palatina, onde atrás dos incisivos centrais, na
linha mediana, localiza-se uma região saliente na qual sua forma e dimensões va-
riam de pessoa para pessoa, sendo chamada de papila incisiva ou papila palatina.
No terço anterior da rafe palatina há uma série de cristas, cuja forma e tamanho
são variáveis recebendo o nome de placas ou rugas palatinas. Essas rugas são
devidas as rugosidades ósseas que aparecem durante a vida intra-uterina. (NE-
GREIROS, 2010). As rugosidades palatinas são formadas no 3º mês de vida in-
tra-uterina, possuindo resistência à ação destrutiva e imutáveis, permanecem na
mesma posição durante toda a vida. Ainda é comprovada que a rugosidade tem a
capacidade de resistir as mudanças decorrentes da composição até sete dias após
a morte. (TORNAVOI, 2010)
3. CONSIDERAÇÕES FINAIS
As perícias criminais são aquelas decorrentes de um evento delituoso, de modo
que deve haver um suposto crime. O cirurgião dentista pode atuar nesses casos,
auxiliando no esclarecimento dos fatos, basicamente elucidando a materialidade, a
dinâmica e autoria do crime. Pois o mesmo está capacitado e tem um total conhe-
cimento para desempenhar sua função assim que seja solicitado.
A identificação basicamente consiste na comparação, no cotejo, dos dados
obtidos no estudo pormenorizado e minucioso de um cadáver (dados postmortem)
com os pertencentes ao prontuário do paciente (dados antemortem), visto que o
Cirurgião-Dentista tem o dever de preenchê-lo e atualizá-lo, conservando-o em
arquivo próprio, como estabelece o Código de Ética da Odontologia, tendo em vista
a competente análise dos dados e eficiente revisão de literatura, é lícito concluir: A
odontologia legal tem por base fornecer auxílio no âmbito pericial, seja em aciden-
tes automobilísticos, imprudência e negligência por profissionais, tratamentos não
correspondidos, entre outros. Todos os trabalhos mostram que o profissional da
odontologia interfere de forma legal e benéfica, melhorando de forma expressiva
os resultados periciais.
O profissional qualificado tende somente a melhorar, então se subtende que
ninguém mais qualificado para buscar resultados, tanto no âmbito pericial foren-
se, quanto judicial, pois o cirurgião dentista está rotineiramente com os prontuá-
rios odontológicos e tem conhecimento prático e teórico da odontologia. A análise
odontológica é um meio muito utilizado, sendo o principal uso dessa especialidade
voltado à identificação de agressores em processos criminais e vítimas mortais nos
casos de catástrofes e conflitos.
Os dentes e materiais restauradores têm alta resistência, inclusive a tempe-
Odontologia
Uma visão contemporânea - Vol. 03
124
raturas elevadas. Além disso, o lábio possui marcas exclusivas do indivíduo, e as
rugas do palato são imutáveis durante toda a vida, inclusive até certo período após
a morte. Esses são alguns fatores que fazem a cavidade oral apresentar um grande
potencial para a identificação. Dessa forma, o cirurgião-dentista deve ser cuidado-
so ao guardar o prontuário, as radiografias e os modelos em gesso dos pacientes,
cabendo-lhe anotar todas as informações, pois estas podem servir para a identifi-
cação positiva de vítimas.
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Odontologia
Uma visão contemporânea - Vol. 03
126
CAPÍTULO 10
ALTERAÇÕES BUCAIS EM PACIENTES
SOROPOSITIVOS PARA HIV/AIDS
ORAL CHANGES IN HIV / AIDS SEROPOSITIVE PATIENTS
Samanta Dara Azevedo dos Santos
Ana Patricia Soares Araujo
Monique Maria Melo Mouchrek
Mayra Moura Franco
Resumo
A
Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA/AIDS) é uma doença causada pelo Ví-
rus da Imunodeficiência Humana (HIV). Os pacientes HIV positivos podem desenvolver
lesões bucais, como candidíase, doença periodontal, gengivite necrosante, sarcoma de
kaposi, leucoplasia pilosa e herpes simples. Essas manifestações bucais da infecção pelo HIV
são comuns e podem representar um importante valor diagnóstico da doença. Assim, o obje-
tivo geral deste trabalho foi descrever as principais alterações da cavidade bucal relacionadas
ao quadro de imunossupressão por HIV/AIDS nos indivíduos. Dessa forma, foi realizado um
trabalho de revisão bibliográfica, qualitativo e descritivo, do período de 2000 a 2020, por meio
de busca ativa de informações nas seguintes bases de dados: Biblioteca Científica Eletrônica
Online (Scientific Eletronic Library Online-SciELO), Google Acadêmico, Medline e Catálogo de
Teses e Dissertações. Foram incluídos estudos transversais, longitudinais e revisões de lite-
ratura, em português e inglês. Foram excluídos trabalhos sem o texto completo disponível.
De forma geral, pode-se entender que as alterações bucais relacionadas aos pacientes so-
ropositivos para HIV/AIDS ocorrem com frequência e podem representar o marcador inicial
desta infecção ou mesmo falha na terapia antirretroviral escolhida. Sendo necessário fazer
um diagnóstico criterioso e correto, uma vez que essas lesões não são exclusivas de pacien-
tes imunocomprometidos pelo HIV/AIDS. Diante disso, o cirurgião-dentista deve estar apto a
identificar, diagnosticar e tratar corretamente as alterações bucais, considerando as condições
de vida do paciente, seus hábitos, costumes e idade, para que assim possa contribuir com a
divulgação de práticas que auxiliam no tratamento desses pacientes.
Palavras-chave: Infecções por HIV, Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, Saúde
Bucal, Doenças da Boca, Manifestações Bucais.
Abstract
A
cquired Immunodeficiency Syndrome (AIDS) is a disease caused by the Human Immu-
nodeficiency Virus (HIV). HIV positive patients can develop oral lesions, such as can-
didiasis, periodontal disease, necrotizing gingivitis, kaposi sarcoma, hairy leukoplakia
and herpes simplex. These oral manifestations of HIV infection are common and can represent
an important diagnostic value of the disease. Thus, the aim of this paper was to describe the
main changes in the oral cavity related to immunosuppression by HIV / AIDS in individuals.
Thus, a qualitative and descriptive bibliographic review was carried out from 2000 to 2020,
through an active search for information in the following databases: Scientific Electronic Li-
brary Online (SciELO), Google Scholar, Medline and Catalog of Theses and Dissertations.
Cross-sectional, longitudinal studies and literature reviews, in Portuguese and English, were
included. Articles without the full text available were excluded. In general, it can be unders-
tood that oral changes related to HIV / AIDS seropositive patients occur frequently and can
represent the initial marker of this infection or even failure in the chosen antiretroviral the-
rapy. A careful and correct diagnosis is necessary, since these lesions are not exclusive to
patients immunocompromised by HIV / AIDS. Therefore, the dental surgeon must be able to
correctly identify, diagnose and treat oral changes, considering the patient’s life conditions,
habits, customs and age, so that can contribute to the dissemination of practices that help in
the treatment of these patients.
Key-words: HIV Infections, Acquired Immunodeficiency Syndrome, Oral Health, Mouth
Diseases, Oral Manifestations.
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Uma visão contemporânea - Vol. 03
128
1. INTRODUÇÃO
O vírus da imunodeficiência humana (HIV) é um retrovírus que causa no or-
ganismo disfunção imunológica crônica e progressiva devido ao declínio dos níveis
de linfócitos CD4, sendo que quanto mais baixos forem os índices desses, maior o
risco do indivíduo desenvolver a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA/
AIDS). O período entre a aquisição do HIV e a manifestação da AIDS pode durar
alguns anos, porém, apesar de o indivíduo portador do vírus estar muitas vezes
assintomático, pode apresentar importantes transtornos na esfera psicossocial, a
partir do momento em que fica sabendo de seu diagnóstico (CANINI et al., 2004).
No Brasil, a partir de meados da década de 1990, instituiu-se o acesso gratuito
ao diagnóstico e ao tratamento para o HIV/Aids por meio do SUS, com relevante
impacto nas políticas públicas de tratamento da doença. Desde então, o país acom-
panha a tendência mundial de testá-la e tratá-la o mais precocemente possível
(GUIMARÃES et al., 2015).
As manifestações bucais da infecção pelo HIV são comuns e podem repre-
sentar um importante valor diagnóstico da doença. Aproximadamente 60% dos
indivíduos infectados pelo HIV e 80% daqueles com AIDS apresentam essas mani-
festações. Portanto, a presença de alterações bucais “oportunistas” sugestivas de
um estado de imunodepressão deve induzir a buscar no paciente a possibilidade
de infecção pelo HIV, ou alertar para uma queda imunológica naqueles que tem a
doença (GASPARIN et al., 2009).
Assim, quais são as alterações bucais mais comumente encontradas em pa-
cientes soropositivos para HIV/AIDS? As alterações bucais em pacientes HIV po-
sitivo são infecções de caráter oportunistas que representam um importante mar-
cador da progressão da infecção para a doença AIDS e podem estar relacionadas
também com a falha da terapia antirretroviral escolhida. O cirurgião-dentista pode
ser o primeiro profissional a detectar essas alterações e promover um diagnóstico
precoce que será decisivo no sucesso do tratamento.
Desta forma, o objetivo geral foi descrever as principais alterações da cavidade
bucal relacionadas ao quadro de imunossupressão por HIV/AIDS nos indivíduos, e
especificamente estudar o HIV (vírus causador da Síndrome da Imunodeficiência
Adquirida - AIDS), conhecer as principais alterações bucais que acometem os pa-
cientes soropositivos para HIV/AIDS e discutir a importância do Cirurgião Dentista
no diagnóstico precoce das lesões bucais em pacientes soropositivos para HIV/
AIDS.
Assim, foi realizado um trabalho de Revisão Bibliográfica, qualitativo e des-
critivo, do período de 2000 a 2020, por meio de busca ativa de informações nas
seguintes bases de dados: Biblioteca Científica Eletrônica Online (Scientific Eletro-
Editora Pascal 129
nic Library Online-SciELO), Google Acadêmico, Medline e Catálogo de Teses e Dis-
sertações. A busca foi realizada utilizando-se os termos “HIV/AIDS”; “alterações
bucais do hiv”; “doenças da boca”; “saúde bucal do paciente soropositivo para hiv/
aids”; “lesões bucais”; “diagnóstico precoce de lesões bucais do hiv”; “o cirurgião-
-dentista e o hiv”. Foram incluídos estudos transversais, longitudinais e revisões de
literatura, em português e inglês. Foram excluídos trabalhos sem o texto completo
disponível.
2. HIV (VÍRUS CAUSADOR DA SÍNDROME DA IMUNODEFICIÊNCIA
HUMANA)
A infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) é considerada uma
pandemia mundial, com casos notificados em quase todos os países. É caracteri-
zada pela redução progressiva dos linfócitos CD4 e depleção do sistema imunoló-
gico do organismo infectado, resultando no aparecimento de um conjunto de en-
fermidades consideradas indicadores da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida
(AIDS), como neoplasias malignas e infecções oportunistas (MOTTA et al., 2014).
A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS/SIDA) é uma doença causa-
da pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), que é um retrovírus adquirido
principalmente por via sexual (sexo desprotegido) e via sanguínea (objetos per-
furo-cortantes contaminados). O vírus do HIV se reproduz no corpo humano nos
linfócitos T CD4+ (que são os “maestros” do sistema autoimune), tornando o corpo
vulnerável à infecção por doenças oportunistas (PAULIQUE et al., 2017).
A AIDS foi reconhecida oficialmente como doença em l98l, pelo Centro de
Controle de Doenças e Prevenção (CDC) em função de uma explosão de casos
inexplicados de sarcoma de Kaposi e de pneumonia por Pneumocystis carinni em
homossexuais masculinos ocorridos em diversas cidades dos Estados Unidos (SOU-
ZA et al., 2000).
Na década de 1990, o Brasil adotou a política de acesso universal à terapia an-
tirretroviral, de distribuição gratuita para todas as pessoas vivendo com HIV, cujas
estratégias eram voltadas para a prevenção de novos casos da infecção e para o
controle dos agravos da epidemia, o que implicou na redução da morbidade e mor-
talidade associada à infecção pelo HIV e da ocorrência de internações, proporcio-
nando o aumento na expectativa de vida (GALVÃO et al., 2015).
O surgimento e a dinâmica de evolução da doença repercutiram sobre as insti-
tuições e os profissionais da saúde, inserindo-se no cotidiano dos serviços de saúde
no Brasil, com importantes implicações para as políticas públicas e para a consti-
tuição de práticas assistenciais (DANTAS et al., 2015).
A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) é caracterizada por severa
Odontologia
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130
imunossupressão do hospedeiro, causada pelo Vírus da Imunodeficiência Humana
(HIV), manifestando-se por uma grande variedade de sintomas e sinais clínicos,
muitos deles tendo a boca como sítio dessas manifestações (CAVASSANI et al.,
2002).
Desde o início da década de 80, no século XX, a identificação do HIV/Aids,
constitui um desafio para a comunidade científica global, pois é considerado um
problema de saúde pública, de grande magnitude e caráter pandêmico que envolve
diversos atores sociais, atingindo os indivíduos sem distinção social, econômica,
racial, cultural ou política (DANTAS et al., 2015).
A infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) e a ocorrência da sín-
drome da imunodeficiência adquirida (SIDA ou AIDS) foram, sem dúvida, grandes
desafios enfrentados pela ciência na virada do século XXI. Atingiram países indus-
trializados e em desenvolvimento, constituindo uma epidemia com sérias consequ-
ências tanto do ponto de vista da saúde quanto das sociedades em geral (SOUZA
et al., 2000).
O uso da terapia antirretroviral combinada, também denominada de terapia
antirretroviral potente, a partir da introdução dos inibidores de protease em 1996,
tem proporcionado a supressão sustentada da carga viral e a reconstituição imuno-
lógica, diminuindo a morbidade e a mortalidade e, como consequência, o aumento
da expectativa de vida dos indivíduos infectados pelo HIV. No Brasil, cerca de 170
mil pessoas utilizam a terapia antirretroviral combinada, que é disponibilizada gra-
tuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). No período de 1996 a 2005, houve
a redução da mortalidade (40 a 70%) e morbidade (60 a 80%), evitando-se 90 mil
óbitos no país. Infelizmente, no contexto mundial, dos seis milhões de portadores
de HIV/AIDS que necessitam de tratamento antirretroviral, apenas 300 mil têm
acesso a ele. Reitera-se que, pela evolução da infecção pelo HIV, na qual ocorre
gradativamente a imunossupressão, a utilização da terapia antirretroviral combi-
nada é um desfecho inevitável para garantir a expectativa de vida dos indivíduos
infectados pelo HIV (LAZZAROTTO et al., 2010).
A AIDS tornou-se uma doença crônica devido ao avanço na terapêutica, carac-
terizada pela elevação significativa na expectativa de vida, implicando na necessi-
dade de avaliação da qualidade de vida das pessoas acometidas. Com o aumento
da sobrevida das pessoas que vivem com HIV ocasionado pelos avanços terapêuti-
cos na área, as preocupações voltaram-se para a qualidade de vida, o que a torna
um importante critério para avaliação da efetividade dos tratamentos e das inter-
venções na área da saúde (GALVÃO et al., 2015).
Editora Pascal 131
3. PRINCIPAIS ALTERAÇÕES BUCAIS QUE ACOMETEM OS PACIENTES
SOROPOSITIVOS PARA HIV/AIDS
Em pacientes HIV positivos, alguns fatores podem contribuir para o desen-
volvimento precoce de lesões bucais: contagem de linfócitos TCD4+ abaixo de
200 células/mm, carga viral elevada, xerostomia, higiene bucal precária e uso de
tabaco (MOTTA et al., 2014). Estas lesões não são únicas para portadores do HIV,
mas o aparecimento de algumas lesões bucais são fortemente sugestivas de com-
prometimento da resposta imune, por isso o aparecimento nesses pacientes. Estas
podem ser fúngicas, bacterianas e virais, além de processos neoplásicos e lesões
de natureza desconhecida (PAULIQUE et al., 2017). Os pacientes HIV positivos po-
dem desenvolver lesões bucais como: Candidíase, Doença Periodontal, Gengivite
Necrosante, Sarcoma de Kaposi, Leucoplasia Pilosa e Herpes Simples (PAULIQUE
et al., 2017).
A candidíase bucal é comum em pacientes infectados pelo HIV, podendo atingir
até 94% dos casos, dependendo do estágio da infecção e da população analisada.
Essa infecção bucal representa um marcador da progressão da doença HIV/AIDS e
preditivo para o aumento da imunossupressão (VIEIRA et al., 2012).
Candidíase ou Candidose é uma infecção fúngica oportunista causada pela
Candida albicans. Existem 4 tipos de infecção por cândida: a pseudomembranosa,
a eritematosa, a hiperplásica e a queilite angular. É a lesão bucal mais comum nos
pacientes com HIV/AIDS, estando relacionada a baixa imunidade do paciente. A
Candidíase Pseudomembranosa, forma mais comum nestes pacientes, caracteriza-
-se pela presença de pseudomembranas esbranquiçadas ou amareladas, facilmente
removíveis por raspagem. Em indivíduos infectados pelo HIV assintomáticos é um
sinal de descompensação imunológica e com frequência anuncia a transição para
AIDS. Dependendo das condições imunológicas do paciente, a candidíase pode
afetar outras áreas do corpo como a faringe, traqueia e o esôfago. O diagnóstico é
feito clinicamente pelos sinais clínicos e exame de citologia esfoliativa, com identi-
ficação definitiva por meio de cultura (PAULIQUE et al., 2017).
A ocorrência de gengivite e periodontite no paciente HIV positivo apresenta
altos percentuais e tem importante relação com a contagem de CD4+ <200. Tais
alterações bucais poderiam ser empregadas para controle do paciente HIV positivo
(SOARES et al., 2009).
Sarcoma de Kaposi é um tumor vascular, sendo mais comum em pacientes
com o desenvolvimento da AIDS, e predominantemente em homens. Clinicamente,
assemelha-se a outras lesões vasculares, como hemangioma, equimose ou acú-
mulo de pigmento melânico, com manchas, placas planas ou nodulações, e pode
se tornar sintomática quando ocorre infecção secundária ou trauma, causando dor
e distúrbios na deglutição e fala. Com o uso da terapia antirretroviral (TARV), sua
Odontologia
Uma visão contemporânea - Vol. 03
132
incidência reduziu drasticamente. Os principais locais da cavidade oral acometidos
são o palato e a gengiva, podendo ser encontrados em praticamente toda a cavi-
dade. Apresenta associação com o herpes vírus humano. O diagnóstico definitivo
é feito por biópsia e o tratamento consiste em radioterapia, aplicação de agentes
quimioterápicos locais de vimblastina ou tetradecil sulfato sódico e, eventualmen-
te, exérese cirúrgica. A quimioterapia sistêmica pode ser uma opção nos casos de
tumores avançados (SANJAR; QUEIROZ; MIZIARA, 2011).
A Leucoplasia Pilosa Oral representa uma entidade reconhecida a partir do
surgimento da AIDS, considerada um importante marcador da infecção pelo HIV,
do desenvolvimento e prognóstico da síndrome (MILAGRES et al., 2004). Nos pa-
cientes portadores de HIV ou de qualquer outra doença autoimune, a infecção pelo
vírus do herpes simples tipo 1 manifesta-se com maior frequência, quando compa-
rada aos pacientes imunocompetentes, devido à debilidade do sistema imunológico
(PAULIQUE et al., 2017). A leucoplasia pilosa é infecção pelo vírus Epstein-Barr,
comumente encontrada em pacientes nos estágios iniciais da AIDS, sendo o bor-
do lingual a região mais afetada e manifestando-se clinicamente como uma placa
branca de superfície plana, corrugada ou pilosa.
O herpes simples, causado pelo vírus HSV-1, apresenta-se como vesículas pe-
quenas, dolorosas que podem coalescer e formar ulcerações maiores que ao per-
sistir por mais de duas semanas associadas à soropositividade para HIV, é conclu-
sivo para um diagnóstico de AIDS. Outras infecções virais que podem comprometer
o paciente imunossuprimido são o herpes zoster, causado pelo vírus varicela-zoster
(VVZ), o condiloma acuminado causado pelo HPV e a infecção pelo citomegalovírus
(CMV) (CHAGAS; SANTOS; ONO, 2009).
A xerostomia é a diminuição da secreção salivar e é frequentemente contem-
plada em indivíduos HIV positivos, podendo favorecer traumas teciduais, condição
importante para a infecção com Candida e diminuição de proteínas antimicrobiais.
Todavia, após a introdução de terapêuticas medicamentosas antirretrovirais houve
diminuição das manifestações bucais (CAVASSANI et al., 2002).
A introdução da terapia antirretroviral no tratamento de pacientes infecta-
dos pelo HIV promove melhorias na qualidade de vida relacionada à saúde bucal
desses pacientes, diminuindo a frequência de manifestações orais decorrentes da
doença. Posteriormente, surgiu a terapia de combinação conhecida como terapia
antirretroviral altamente ativa, que apresentou resultados mais eficazes, alterando
a prevalência de algumas lesões orais decorrentes do HIV, além de reduzir as infec-
ções oportunistas, morbidade e mortalidade em decorrência da melhora na função
imune (ARAUJO et al., 2015).
Editora Pascal 133
4. A IMPORTÂNCIA DO CIRURGIÃO DENTISTA NO DIAGNÓSTICO
PRECOCE DAS LESÕES BUCAIS EM PACIENTES SOROPOSITIVOS PARA
HIV/AIDS
O número de pacientes soropositivos aumenta a cada dia, e o cirurgião-dentis-
ta torna-se imprescindível no reconhecimento precoce destas manifestações bucais
associadas ao HIV, contribuindo assim, para uma melhor qualidade de vida dos
pacientes (PAULIQUE et al., 2017).
A infecção pelo HIV é caracterizada pelo aparecimento de um conjunto de do-
enças consideradas como seus indicadores, podendo ser em forma de manifesta-
ções bucais, tais como candidíase oral, herpes simples, queilite angular, leucoplasia
pilosa, doença periodontal, dentre outras. Essas manifestações são muito comuns
e, na maior parte das vezes, são os primeiros sinais e sintomas da doença, e o ci-
rurgião-dentista é, nesses casos, o primeiro a se deparar com o fato (TONELLI et
al., 2013).
As afecções foram reconhecidas como marcadores clínicos confiáveis de novas
infecções por HIV, progressão da doença e/ou falha terapêutica, visto que a terapia
antirretroviral diminui a carga viral do HIV e aumenta os linfócitos TCD4+, que são
as células do sistema imunológico, resultando em menor frequência dessas lesões
oportunistas. Dessa maneira, o cirurgião-dentista (CD), detentor desse conheci-
mento, torna-se um profissional qualificado para auxiliar no diagnóstico precoce
do HIV, assim como para colaborar com a equipe médica no acompanhamento do
paciente. O primeiro contato com o paciente soropositivo deverá ocorrer, prova-
velmente, ainda durante o curso de graduação em Odontologia. O conhecimento
e as habilidades que serão elaborados pelo aluno nesse período irão servir como
parâmetros de referência para estabelecer a conduta profissional (LUCENA et al.,
2016).
O profissional deve manter um bom relacionamento com o paciente, para que
este se sinta seguro e não omita nenhuma informação que possa interferir no
tratamento. É importante que o paciente tenha certeza do sigilo das informações
prestadas (DISCACCIATI; VILAÇA, 2001). Muitos estudos relatam a dificuldade
dos pacientes com HIV ou aids em conseguir atendimento odontológico quando
revelam seu estado de soropositividade ao profissional, ou quando apresentam
sinais clínicos da doença. Segundo relato de indivíduos infectados, a recusa de
atendimento por parte de cirurgiões-dentistas é mascarada por argumentos técnicos
ou outro tipo de esquiva. Muitos profissionais criam situações que impedem o início
ou a continuidade do tratamento ou encaminham o paciente a outro profissional
sem motivo justificável. Sabe-se que, do ponto de vista ético e legal, tais atitudes
são discriminatórias, constituindo-se em infrações éticas, previstas também nos
foros cível e criminal (DISCACCIATI; VILAÇA, 2001).
Odontologia
Uma visão contemporânea - Vol. 03
134
Os dados apresentados mostram a importância do conhecimento das lesões
mais comumente encontradas no paciente HIV positivo, do exame clínico bucal
minucioso para o diagnóstico precoce e assim poder planejar um tratamento bucal
adequado. Sendo assim, se fazem necessários programas de orientação aos pro-
fissionais da área de saúde e de prevenção para a população em geral (CHAGAS;
SANTOS; ONO, 2009).
O tratamento odontológico dos pacientes soropositivos para HIV deve ser sem-
pre planejado e com acompanhamento médico. Com o início da terapia antirre-
troviral altamente potente (HAART) alguns pesquisadores verificaram a redução
acentuada na ocorrência de infecções oportunistas. A prevalência das manifesta-
ções bucais também sofreu decréscimo significativo com o advento da HAART. A
incidência de candidíase, leucoplasia pilosa e doenças periodontais diminuíram;
em oposição, os pacientes apresentaram aumento nas doenças das glândulas sa-
livares. É importante o conhecimento das manifestações bucais em pacientes HIV
positivos pelo profissional da saúde para o diagnóstico, tratamento e consequente
melhora da qualidade de vida destes pacientes (CAVASSANI et al., 2002).
Como a cavidade bucal é facilmente acessível, as manifestações bucais devem
ser utilizadas para auxiliar no diagnóstico e intervir na progressão da infecção pelo
HIV até o estágio de AIDS, sendo parte do tratamento integral da infecção. Através
do exame clínico minucioso periódico, as manifestações bucais mais graves podem
ser prevenidas, evitando problemas que eventualmente surgem relacionados à ali-
mentação, como dificuldade de mastigação e deglutição, acarretando má-nutrição
e até mesmo a estigmatização da criança (ROSENDO et al., 2011).
A Medicina curativa muitas vezes é impotente, apesar da rapidez das desco-
bertas; coloca à disposição da coletividade a possibilidade de saber quem está ou
não infectado, mas nem sempre oferece um remédio eficaz. Assim, faz-se necessá-
rio criar caminhos a fim de resgatar a cidadania dos indivíduos portadores do HIV.
É hora de partirmos para práticas concretas no sentido de melhorar a qualidade de
vida dessas pessoas, sobretudo promovendo saúde (DISCACCIATI; VILAÇA, 2001).
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Pode-se entender que as alterações bucais relacionadas aos pacientes soropo-
sitivos para HIV/AIDS ocorrem com frequência e podem representar o marcador
inicial desta infecção ou mesmo falha na terapia antirretroviral escolhida. Sendo
necessário fazer um diagnóstico criterioso e correto, uma vez que essas lesões não
são exclusivas de pacientes imunocomprometidos pelo HIV/AIDS.
Sabe-se que até o momento não há cura para o HIV, portanto uma vez adqui-
rido, o paciente irá ter que conviver com esse vírus, buscado hábitos que visam
controlar sua imunidade e baixar a carga viral do HIV, e para isso é necessário o
Editora Pascal 135
envolvimento de uma equipe multidisciplinar de saúde para que haja esse controle
e para que não ocorra grandes riscos à vida do paciente.
Diante disso, o cirurgião dentista deve estar apto a identificar, diagnosticar e
tratar corretamente as alterações bucais, visto que elas podem ser os primeiros
sinais de infecção pelo HIV considerando as condições de vida do paciente, seus
hábitos, costumes e idade para que assim possa contribuir com a divulgação de
práticas que auxiliam no tratamento desses pacientes.
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Editora Pascal 137
CAPÍTULO 11
AVULSÃO EM DENTES DECÍDUOS:
DIFERENTES FORMAS DE
ABORDAGENS TERAPÊUTICAS
DISCUTIDAS NA LITERATURA
AVULSION IN DECIDUAL TEETH: DIFFERENT FORMS OF THERAPEUTIC
APPROACHES DISCUSSED IN LITERATURE
Thiago Costa Verde
Luiza Madalena Rocha Silva
Daniela Costa da Silva
Cristina da Silva Mendes
Yngrid Sousa Martins
Dara Lourenna Silva da Nóbrega
Thirza Keanne Nunes Lindoso
Samantha Ariadne Alves de Freitas
Luana Martins Cantanhede
Resumo
A
avulsão dental é um problema de saúde pública, com altos índices de prevalência, ocor-
rendo com maior frequência na dentição decídua. A Associação Internacional de Trau-
ma Dental, não recomenda o reimplante como forma de tratamento para avulsão na
dentição decídua, embora existam na literatura alguns achados que demonstraram sucesso.
Por isso, o objetivo deste trabalho foi discutir os diferentes tipos de abordagens terapêuticas
existentes na literatura para o tratamento de avulsão dental em dentes decíduos. Para a bus-
ca, utilizou-se as bases de dados: Pubmed, Google Acadêmico e Periódico Capes, para a busca
de artigos, assim como monografias, dissertações e teses, pertencentes a literatura cinza, nos
últimos 10 anos. Nas evidências científicas que suportam o reimplante dental, os casos que
obtiveram sucesso foram agrupados pelo seguinte padrão: reimplante sem contenção e dente
armazenado em saliva, utilização de antibiótico, realização de tratamento endodôntico e rea-
lização de contenção com resina. Já as evidências cientificas que não suportam o reimplante
dental, demonstraram os sequintes prejuízos na dentição permanente: hipoplasia do dente
permanente, reabsorção óssea, abscesso gengival e mobilidade, cisto de erupção associado
à necrose pulpar e dilaceração do dente permanente sucessor. Apesar dos achados que com-
provem sucesso no reimplante em dentes decíduos, esses mesmos achados, são considera-
dos pequenos em relação a taxa de danos á dentição permanente, demonstrado por outros
inúmeros trabalhos, preconizando-se então pelo não reimplante dental, como preconiza a
Associação Internacional de Trauma Dental.
Palavras-chave: Avulsão Dental. Traumatismo Dental. Traumatismo Dentoalveolar.
Reimplante Dental.
Abstract
D
ental avulsion is a public health problem, with high prevalence rates, occurring more
frequently in primary dentition. The International Dental Trauma Association does not
recommend reimplantation as a form of treatment for avulsion in the primary dentition,
although there are some findings in the literature that have proved successful. Therefore, the
objective of this work was to discuss the different types of therapeutic approaches existing in
the literature for the treatment of dental avulsion in primary teeth. For the search, we used
the databases: Pubmed, Google Scholar and Periodical Capes, to search for articles, as well
as monographs, dissertations and theses, belonging to gray literature, in the last 10 years.
In the scientific evidence that supports dental reimplantation, the cases that were successful
were grouped by the following pattern: reimplantation without containment and tooth stored
in saliva, use of antibiotics, endodontic treatment and resin restraint. Scientific evidence that
does not support dental replantation, however, demonstrated the following damage to perma-
nent dentition: permanent tooth hypoplasia, bone resorption, gingival abscess and mobility,
rash cyst associated with pulp necrosis and laceration of the successor permanent tooth. Des-
pite the findings that prove success in reimplantation in primary teeth, these same findings
are considered small in relation to the rate of damage to permanent dentition, demonstrated
by countless other works, advocating then for non-reimplantation, as recommended by the
International Dental Association.
Keywords: Deciduous Dentition. Deciduous Tooth. Avulsion Tooth. Treatment replanta-
tion.
Editora Pascal 139
1. INTRODUÇÃO
Entende-se que traumatismo dental em dentes decíduos, tornou-se um pro-
blema de saúde pública, pois apresenta altos índices de prevalência, falta de co-
nhecimento da população sobre esse tema, falta do conhecimento de profissionais
da área de saúde em lidar com tal situação, além disso pode acarretar prejuízos
ao sistema estomatognático, ocasionando danos funcionais, estéticos, psicológicos
e sociais. Consequentemente, o tratamento resulta no alto custo do processo de
reabilitação bucal em determinados casos (CURYLOFO et al., 2012).
O trauma pode ser definido como o conjunto das perturbações causadas subi-
tamente por um agente físico de etiologia, natureza e extensão variadas, podendo
interferir nos diferentes segmentos corpóreos. Estas perturbações podem ocorrer
com uma frequência importante na pele da face, nos ossos faciais e nos dentes por
estarem mais expostos às agressões devido à sua projeção corporal anterior, (PIVA
et al., 2013). Dentre os traumatismos dentais, encontra-se à avulsão, que segundo
Andreasen; Andreasen (2001), é definida como o total deslocamento do dente para
fora do seu alvéolo. Clinicamente, o alvéolo dental fica vazio ou preenchido apenas
com coágulo sanguíneo.
Visando evitar prejuízos para o desenvolvimento do germe do dente sucessor,
organizações como à associação internacional de traumatismo dental (2020) (As-
sociation for Dental Traumatology IADT) (ANDREASEN; ANDREASEN; ANDERSON,
2007), e Academia Americana de Odontopediatria (AMERICAN ACADEMY OF PE-
DIATRIC DENTISTRY, 2007), contraindicam a realização do reimplante dentário,
visto a possibilidade deste procedimento causa consequências irreversíveis ao su-
cessor permanente.
Apesar disso, estes protocolos não são baseados em evidências científicas for-
tes que embasem a melhor escolha de tratamento para esse tipo de trauma na
dentição decídua. Mesmo assim, o reimplante é uma modalidade de tratamento
que ainda não é considerada como prática comum no caso de avulsões de dentes
decíduos. Mas, vários achados significativos encontrados na literatura comprovam
de maneira isolada o sucesso nesse procedimento, abrindo teoricamente a possi-
bilidade do reimplante de dentes decíduos avulsionados. Observa-se então, que o
tratamento da avulsão em dentes decíduos ainda é objeto de discussão na literatura
atual (POLUHA et al., 2016).
Dessa forma, esta revisão tem como principal objetivo: discutir os diferentes
tipos de abordagens terapêuticas existentes na literatura para o tratamento de
avulsão dental em dentes decíduos.
Foi realizada uma busca, utilizando as sequintes bases de dados: Pubmed,
Google Acadêmico e Periódico Capes, para a busca de artigos, assim como mo-
Odontologia
Uma visão contemporânea - Vol. 03
140
nografias, dissertações e teses, pertencentes a literatura cinzenta dos últimos 10
anos. Foram usados os descritores DECS: avulsão dental, traumatismo dental,
traumatismo dentoalveolar, reimplante dental, e nas plataformas que trabalham
com descritores em inglês, foram utilizados descritores indexados no MeSH: decid-
uous dentition, deciduous tooth, avulsion tooth, treatment replantation.
Os critérios de inclusão foram revisões de literaturas e pesquisas clínicas que
abordaram o tratamento da avulsão somente em dentes decíduos, além de possuir
sua publicação na integra, disponível nas bases de dados já mencionadas. O Crité-
rio de exclusão foram de revisões e pesquisas laboratoriais que continham poucas
informações relacionadas a descrição do caso e que estavam disponíveis apenas o
resumo e que não continham metodologia, deixando duvidoso a forma de realiza-
ção de trabalho.
2. AVULSÃO DENTAL
A avulsão dental (AD), não pode ser definida como uma doença, e sim con-
sequência de vários fatores de risco inevitáveis na vida, tratando-se de uma lesão
traumática caracterizada pelo deslocamento completo de um dente de seu alvéo-
lo, rompimento do suprimento de sangue para a polpa e exposição das células do
ligamento periodontal para o ambiente externo. Estudos têm mostrado que avul-
sões são responsáveis por 7–13% de todas as lesões em os dentes decíduos, com
os incisivos superiores os mais comumente afetados, devido a sua leve inclinação
vestibular apical forças direcionadas para a superfície palatina (LAM, 2016).
2.1 Etiologia
Dentre as principais etiologias da avulsão dental estão as quedas e abuso in-
fantil. Na odontologia, os estudos acerca das injúrias orais causados pela violência
física, observaram que as manifestações orais desse tipo de abuso foram desde he-
matomas, lacerações nos lábios e boca, dentes fraturados, dentes com mobilidades
e avulsões até fraturas na maxila e mandíbula (MASSONI et al., 2010).
Outros fatores, como alto índice de violência, acidentes automobilísticos e
crianças participando de esportes violentos, têm contribuído para um aumento na
prevalência desse tipo de lesão (LENZI et al., 2011).
O primeiro episódio de trauma nos dentes decíduos ocorre normalmente nos
primeiros 2 anos de vida, pois não apresenta coordenação motora suficiente e as
quedas são muito comuns nestas idades. Além disso, as crianças não têm o reflexo
de proteção do rosto e consequentemente da região da boca. Traumas novos ou re-
petidos podem ocorrer em outras idades durante o crescimento e desenvolvimento
Editora Pascal 141
da criança, na ânsia de interagir com o ambiente e com as pessoas (WANDERLEY
et al., 2010).
2.2 Dados Epidemiológicos
A prevalência de traumas dentais, varia entre 10,5% e 41,6%3, esses núme-
ros denotam as grandes variações nas prevalências encontradas, evidenciando a
necessidade de uma evolução metodológica nos desenhos dos estudos encontrados
na literatura. A prevalência de traumatismo em crianças de 1 a 4 anos de 2002 a
2012, indica aumento na prevalência entre os anos citados. Em 2002 a prevalência
do traumatismo em faixa etária foram: 1 ano, (4,5%); 2 anos, (11,4%); 3 anos,
(14,0%) e 4 anos, (13,9%). Já a prevalência em 2012 para as mesmas faixas etá-
rias foi de 10,4, 15,9, 25,7 e 28,1%, nessa ordem. Acometendo crianças na faixa
etária de 2 a 4 anos, pois nessa fase, características comportamentais, como a
curiosidade e a inquietação, levam a criança a explorar o ambiente, não possuindo
coordenação motora suficiente para evitar quedas e promover autoproteção (RO-
DRIGUES et al., 2015).
Percebe-se que em idade pré escolar a prevalência oscilou: 31,7% em 2008,
13,3% em 2010 e 22,5% em 2013, mostrando que continua sendo fator a ser le-
vado em consideração e justificado pelo estágio de desenvolvimento dos reflexos
na idade pré-escolar e a falta de coordenação motora podem levar a quedas, sendo
essa a principal causa de TD nessa população (JORGE et al., 2009).
Dados estatísticos, afirmam que 90% das injurias afetam a maxila, em razão
da sua disposição, localização e anatomia, tornando-o uma das estruturas mais
facilmente atingida em um trauma. A taxa de incidência é de 1,2 a 1,5 vezes mais
em meninos do que em meninas; os dentes mais acometidos na avulsão dental são
dos incisivos centrais superiores, em segundo lugar os incisivos laterais superiores
e em terceiro lugar os incisivos centrais inferiores (HOLAN, 2013).
2.3 Crítica sobre a abordagem metodológica para pesquisas relacio-
nadas ao trauma dental
Apesar da existência de estudos epidemiológicos que exponham as taxas de
prevalência e incidência do TD quando comparados a outros temas da saúde coleti-
va odontológica, verificamos que há uma escassez de estudos voltados para a epi-
demiologia dos traumas dentários, principalmente sobre avulsão dental em dentes
decíduos, apesar da magnitude das sequelas físicas e psicológicas ocasionadas por
sua ocorrência (MARCHIORI et al., 2013).
No que diz respeito ao campo da odontologia, que abordam o TD, vale ressaltar
Odontologia
Uma visão contemporânea - Vol. 03
142
que os dados para pesquisas epidemiológicas são obtidos apenas como resultado
de um incidente que ocorreu inesperadamente. Sua base de evidências não pode
ser propositalmente estabelecida com a coleta de amostras, dentes ou pacientes.
Por essa razão, estudos controlados randomizados são inexistentes por razões éti-
cas (LAM et al., 2016).
Infelizmente, essas diferenças podem obscurecer as razões reais para que a
incidência ou prevalência possa ser maior em uma determinada localidade. A pes-
quisa envolvendo trauma, é intensiva em tempo e trabalho e o escopo da pesquisa
é muitas vezes limitado a subpopulações específicas. A maioria desses estudos
são transversais em oposição ao longitudinal. Embora esses estudos sejam mais
intensivos em recursos, estudos longitudinais prospectivos são preferidos para a
pesquisa de trauma. Esses estudos podem quantificar a frequência e as causas do
trauma e identificar fatores de risco, coordenar/direcionar planejamento, custeio
e educação. Apesar de sua importância, faltam esses estudos na literatura (LAM,
2016).
Embora, possa haver divergências nas informações obtidas através das pes-
quisas epidemiológicas, esses dados sempre serão importantes para a diminuição
da prevalência do TD, pois servem de parâmetros para análise dos grupos de risco,
bem como seus hábitos determinando qual conduta deverá ser tomada em relação
ao manejo dos dentes decíduo avulsionados, permitindo assim o planejamento de
ações com o intuito de diminuir a prevalência da AD (MARCHIORI et al., 2013).
3. EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS QUE SUPORTAM O REIMPLANTE DO
DENTE DECÍDUO
3.1 Remplante sem contenção e dente armazenado em saliva
Friedlander et al. (2012) realizaram um reimplante do elemento 61 em um
menino de 9 meses. Os pais foram informados das possíveis complicações, aos
danos ao germe do dente sucessor permanente. O dente foi armazenado na saliva
por 10 minutos antes do reimplante. Deste modo, o dente foi reimplantado e rea-
lizado a sutura, onde ela serviu como uma contenção, permitindo a movimentação
fisiológica do dente e um favorável ambiente para a reinserção das fibras do liga-
mento periodontal. Uma semana, o paciente estava sem sintomatologia e mobili-
dade excessiva do elemento 61.
Após quatro semanas do trauma, o dente 61 apresentava-se com aspectos de
normalidade e ao exame radiográfico, uma moderada radiolucidez foi aparente em
torno da coroa do elemento 21 em comparação com o elemento 11. Às oito sema-
nas, foi possível notar uma ligeira recessão gengival no dente 61. Outros acom-
panhamentos foram realizados por períodos entre 3, 6, 12 e 18 meses e depois
anualmente. Aos 12 meses, o desenvolvimento da raiz do dente 61 mostrou ser
Editora Pascal 143
atípico (com crescimento de tecido duro), mas o desenvolvimento dos elementos
11 e 21 mostraram ser favoráveis.
Após três anos do trauma, a coroa do dente 61 era levemente amarelada,
apresentava uma fratura de esmalte e estava com mobilidade grau I. No exame
radiográfico, a reabsorção radicular fisiológica foi aparente. Aos cinco anos após
lesão, além do fornecimento de informações sobre a região periapical do elemento
61 e dos sucessores em desenvolvimento, a radiografia também alertou os profis-
sionais sobre a probabilidade do dente 12 congenitamente estar ausente. Quase
seis anos depois do reimplante, o dente 61 fora esfoliado naturalmente e o dente
21 irrompeu sem evidências de hipoplasia do esmalte ou outro dano. O dente 12
estava ausente e a criança ficou sob os cuidados de um Ortodontista.
Kawashima; Pineda, (1992) apresentaram um caso clínico de uma menina de
2 anos de idade com os elementos 71 e 81 avulsionados, entretanto, estes ainda
estavam presos a mucosa gengival adjacente. A criança, embora alerta, mostrou-
-se cooperativa durante o exame. Os dentes foram reimplantados na emergência
do hospital uma hora após o trauma e os médicos encaminharam a criança para
um Odontopediatra na manhã seguinte, o qual observou que os dentes não apre-
sentam complicações.
A criança foi orientada a manter uma dieta leve por duas semanas. As con-
sultas de retorno foram agendadas mensalmente. Tomadas radiográficas foram
realizadas no dia seguinte ao reimplante e entre 6 e 14 meses depois. A radiografia
realizada 14 meses após o 40 reimplante mostrou o início da reabsorção fisiológica
dos dentes decíduos e alteração do posicionamento dos dentes permanentes para
a erupção.
Dois anos após o reimplante, os dentes apresentavam aspectos de norma-
lidade, sem alteração de cor, sem mobilidade patológica, sem desconforto a pal-
pação ou a percussão e todos os incisivos inferiores respondiam positivamente ao
teste de vitalidade pulpar. A radiografia realizada neste retorno, dois anos após,
não apresentou nenhum sinal de anormalidade ou de anquilose. A gengiva estava
rosa e saudável. Os autores planejaram continuar monitorando este paciente até a
completa erupção dos permanentes.
3.2 Utilização de antibiótico
Eisenberg et al. (1965) relataram o caso de um menino de 3 anos de idade,
que sofreu um trauma de avulsão do elemento 62 e que fora atendido em uma
consulta poucos minutos após o trauma. Ao exame clínico, não se constatou lesões
no lábio e na mucosa e, no exame radiográfico, não havia sinais de fratura 39 ós-
sea. O dente havia ficado no local do trauma e os pais então foram orientados a
retornar em casa e a procurá-lo, enquanto isso o paciente recebeu uma dose de ¼
Odontologia
Uma visão contemporânea - Vol. 03
144
de Fenobarbital.
Algum tempo depois, os pais retornaram à consulta com o dente sob um reci-
piente com água e sal. O dente foi mantido em uma gaze estéril e realizado a en-
dodontia extra-bucal, onde fora realizada a extirpação do nervo e o preenchimento
do canal radicular com guta percha e cimento. Depois de realizada a endodontia, o
dente foi recolocado na solução salina. A área a ser reimplantada foi anestesiada e
após a remoção do coágulo o dente foi reimplantado com pressão digital, e poste-
riormente, radiografado.
O dente não foi esplintado devido à dificuldade de se obter a cooperação do
paciente. No entanto, o dente aparentemente estava firme no alvéolo. À Penicilina
foi prescrita, quatro vezes ao dia por durante três dias e os pais foram orientados
a manter a criança sob uma dieta semi-sólida. No retorno, a criança não apresen-
tava sintomas, sinais de inchaço e o dente não apresentava mobilidade. Após seis
semanas o dente foi radiografado e estava estável em seu alvéolo.
Após dois anos, o dente continuava firme a palpação e sem sinais de mobi-
lidade, seu posicionamento na arcada estava adequado e a coloração estava de
acordo com a do dente vizinho. Ao exame radiográfico, observou-se uma pequena
reabsorção óssea sob a raiz do dente reimplantado. Após três anos do reimplante,
mostrou no exame radiográfico que a raiz do elemento 61 estava sofrendo o pro-
cesso de rizólise fisiológica e o dente 62 não apresentava reabsorção fisiológica,
porém apresentavam o mesmo grau de mobilidade, e apesar de não ter sido esfo-
liada naturalmente serviu como um mantenedor de espaço, não causando nenhum
ao dente permanente deslocamento dos elementos 51 e 52 e a presença de fratura
alveolar e lacerações nos lábios. O dente foi mantido em um recipiente com leite
após 10 minutos da avulsão. Optou-se pelo reimplante, por persistência dos pais e
pela idade da criança ser favorável, foi feito pelo desbridamento da região e irriga-
ção com solução salina e compressão com compressas de gelo. O desbridamento
do alvéolo
Acharya, et al., (2017) apresentaram em seu relato de caso, uma criança de
três anos o qual compareceu a clínica com queixa de avulsão dental do elemen-
to 62, além de laceração gengival na região entre os incisivos centrais, luxação e
também foi feito para remover o coágulo que pode causar problemas durante o
procedimento de reimplante.
Os dentes 52, 51, 61 deslocados, foram reposicionados com pressão suave,
mas firme após administração de anestesia local. O elemento 62 foi reimplantado
no lugar e fixado com fio de aço inoxidável macio e resina composta fotoativada.
Deste modo, o paciente foi orientado a realizar uma dieta mole por sete dias e
antibióticos e analgésicos foram prescritos para o mesmo tempo. A imobilização
foi feita por 14 dias e logo após removida. Todos os dentes 52, 51, 61, 62 eram
estáveis, sem mobilidade anormal. O paciente foi mantido em acompanhamento.
A criança teve uma nova avulsão no elemento 61.
Editora Pascal 145
Os pais pegaram o dente depois de gentil limpeza imediata em um recipiente
de leite. O dente foi reimplantado e foi feita a contenção com fio de aço macio ino-
xidável e resina composta. O paciente foi aconselhado a realizar uma dieta suave
por sete dias, juntamente com antibióticos e analgésicos. O paciente foi mantido
em acompanhamento por 12 meses e não houve sinais de mobilidade ou alterações
radiográficas. O acompanhamento, neste caso, infelizmente não foi possível por
um período mais longo, pois os pais mudaram para outro estado.
Kinoshita, et al. (2000) apresentam um caso de uma menina de 9 meses de
idade sofreu avulsão no elemento 71 e luxação no elemento 81. Após 30 minu-
tos, o incisivo avulsionado foi reimplantado por um clínico geral que encaminhou
à paciente 1 hora e meia após o trauma. Os dois incisivos eram os únicos dentes
erupcionados no paciente, que apresentaram ligeira mobilidade. Foi confeccionada
uma contenção de resina composta e cimentada com ionômero de vidro.
A criança também apresentava pequenas lacerações gengivais, no entanto,
não houve a necessidade de serem suturadas. Antibióticos foram prescritos por
três dias, a fim de prevenir possíveis infecções. Após 20 dias do reimplante, a con-
tenção foi removida e os dentes não apresentavam mobilidade excessiva. O teste
de vitalidade pulpar não foi realizado devido à criança ter apenas 9 meses de idade
e como os incisivos não apresentava alterações de cor, pode-se entender que não
havia necrose pulpar.
Três anos e meio após o reimplante do dente avulsionado, o dente mantinha-se
em boas condições. Radiografias da situação inicial e 3 semanas após o reimplante
mostram um espessamento do ligamento periodontal no elemento 71 e na região
cervical do elemento 81, mas essas lesões desapareceram em poucos meses. Re-
absorções radiculares não foram observadas em nenhum dos incisivos.
3.3 Tratamento endodôntico
Rocha et al., (2008) relataram um caso clínico de uma menina de 2 anos e 9
meses, com o elemento 61 avulsionado e reimplantado 30 minutos após o trauma.
Durante esse tempo, o dente avulsionado foi armazenado em um recipiente com
leite. Segundo protocolo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), dentes
decíduos avulsionados, que passaram menos de 30 minutos fora do alvéolo, sem
que tenha havido danos ao osso alveolar e se mantiveram hidratados, podem ser
reimplantados, como foi descrito nesse caso.
O alvéolo foi irrigado inicialmente e a lavagem do dente com soro fisiológico
foi realizada, o elemento dental, então, foi reimplantado, recolocando-o no alvéolo,
sem aplicação de força excessiva. Consequentemente uma contenção foi realizada
com fio de aço e resina composta. Na consulta de retorno foi possível observar a
necrose pulpar do dente 61, apresentando no exame radiográfico uma imagem de
Odontologia
Uma visão contemporânea - Vol. 03
146
reabsorção óssea patológica, sendo indicado o tratamento endodôntico, onde foi
inserida a pasta de hidróxido de cálcio em toda extensão do canal, com trocas do
curativo sendo realizadas uma vez por mês.
Após 12 meses de acompanhamento, o dente apresentava ausência de rarefa-
ção óssea periapical e o canal estava seco, condições essa, ideais para obturação
endodôntica definitiva, o qual foi realizada com Óxido de Zinco e Eugenol. Foi re-
alizado acompanhamento radiográfico de 6 em 6 meses após a endodontia e após
16 meses, observou-se o início da reabsorção fisiológica da raiz do dente 61. Os
dentes permanentes erupcionaram normalmente sem alterações estéticas.
Outro caso relatado por Kinoshita, et al., (2000), uma criança do sexo mascu-
lino de 1 ano e 9 meses avulsionou os dentes 81 e 82, após cair da escada de sua
casa e bater a face no chão. Após 1 hora eles procuraram atendimento. Foi possível
constatar a presença de hemorragia interna e inchaço no lábio superior, além de
lacerações na gengiva. Os dentes 81 e 82 foram totalmente deslocados dos seus
alvéolos, mas foram mantidos na cavidade oral, presos a mucosa gengival.
Uma moderada mobilidade foi observada no dente 83. O alvéolo, os dentes
avulsionados e a gengiva marginal foram irrigados com solução salina e depois os
dentes foram reimplantados. As lacerações foram suturadas. Uma esplintagem em
resina composta foi realizada e cimentada para fixação dos elementos traumatiza-
dos. Antibiótico foi prescrito por cinco dias a fim de prevenir possíveis infecções.
Após dois dias, a contenção veio a cair e foi novamente cimentada. As suturas fo-
ram removidas após seis dias. A contenção veio a quebrar e teve que ser refeita
três vezes no decorrer de um mês, sendo que em todas as consultas para refazer
a contenção foi avaliado o grau de mobilidade dos dentes reimplantados.
Após 10 dias, a mobilidade estava moderada, porém gradualmente foi redu-
zindo e em um mês após a contenção ser removida, os dentes encontravam-se com
mobilidade dentro do limite fisiológico. Após um mês, uma leve alteração de cor
foi observada no elemento 82. Como as radiografias não apresentaram reabsorção
radicular ou lesão periapical, não foi necessário realizar o tratamento endodôntico.
Cinco anos após o trauma, o dente 41 veio a erupcionar, entretanto, apresentava
apenas uma leve hipoplasia na superfície vestibular e o dente 42 após um tempo
erupcionou sem nenhuma malformação.
3.4 Contenção com resina
Em mais um caso, Kinoshita, et al., (2000), relata um caso de um menino de
3 anos e 8 meses sofreu a avulsão do dente 52. O dente avulsionado foi envolto
por uma gaze molhada. Havia a presença de coágulo no interior do alvéolo e não
foi observado laceração ou edema no tecido gengival. O reimplante do dente avul-
sionado foi realizado após o dente e o alvéolo serem irrigados por solução salina
Editora Pascal 147
fisiológica.
Uma contenção em resina composta foi realizada para fixação entre os dentes
61 e 53. Não houve a necessidade de ser prescrito antibiótico, pois os tecidos mo-
les apresentavam aspecto de normalidade. Uma semana após o reimplante, não foi
constatado nenhuma anormalidade no exame radiográfico.
Quando a contenção foi 42 removida, um mês após o reimplante, a mobili-
dade do dente reimplantado estava dentro do limite fisiológico. Dois meses após
o reimplante, foi iniciado o tratamento endodôntico do dente avulsionado, por ser
detectada uma leve reabsorção externa no terço médio da raiz e a obturação do
canal foi realizada com pasta de hidróxido de cálcio, após uma semana. Durante as
consultas de proservação, não foi observado alterações radiográficas e após três
anos do trauma, o dente permanente sucessor erupcionou sem a haver presença
de sequelas
Pinto e Barros (2017), apresentaram um caso de um paciente de 3 anos de
idade, sexo masculino, compareceu ao consultório odontológico, acompanhado por
seu responsável, com o dente dentro de um copo com leite. De acordo com a mãe,
“a criança estava na escola e durante brincadeiras corriqueiras esbarrou-se com
uma coleguinha e teve o dente 61 avulsionado”. O intervalo entre o acidente e a
consulta foi de aproximadamente 30 minutos. Observou-se, que a criança se en-
contrava sem comprometimento sistêmico e sem utilização de medicamentos.
Ao exame físico verificou-se edema do lábio superior e avulsão do dente 61.
Não foi possível realizar radiografias e fotografias iniciais, pois a criança era de difí-
cil contenção. A opção de tratamento escolhido foi o reimplante do dente 61. Após
a limpeza da cavidade bucal com soro fisiológico, observou-se se havia corpos es-
tranhos, a tábua óssea foi apalpada para verificar a presença de fratura, lavou-se
o dente com água corrente e observou se havia fratura radicular. Então o dente
foi reposicionado no alvéolo e para melhor prognóstico, colocou-se uma contenção
semirrígida com fio de aço para amarrilho e resina fotopolimerizável de canino a
canino e, realização de desgaste na face incisal para evitar contato prematuro do
dente avulsionado.
Prescreveu-se Amoxicilina 250 mg/ml 5ml a cada 8 horas por 7 dias, Ibupro-
feno 100 mg/ml 15 gotas por 3 dias e Dipirona 500 mg/ml 8 gotas por 3 (três) dias.
Foram informadas para a mãe recomendações e orientações de higiene bucal efi-
ciente utilizando também clorexidina 0,12% para evitar inflamação gengival, dieta
pastosa e adesão ao plano de tratamento. Foi informado também quanto as princi-
pais sequelas do reimplante dentário após avulsão, como a anquilose, reabsorção
radicular e infecção, podendo levar à perda do dente O acompanhamento clínico
e radiográfico foi realizado semanalmente para a análise do reimplante dentário e
acompanhamento da diminuição da mobilidade do dente afetado.
Após 21 dias, retirou-se a contenção e iniciou o tratamento endodôntico do
Odontologia
Uma visão contemporânea - Vol. 03
148
dente 61 com a primeira sessão. Uma semana depois fez-se a segunda sessão.
Após, foi realizada a restauração em resina composta na face palatina do dente 61,
o ajuste oclusal, acabamento e polimento foram realizados com pasta de polimento
e taça de borracha. A partir daí, estabeleceu-se um protocolo de proservação, com
consultas de controle a cada 3 meses. O caso foi proservado radiograficamente por
6 e 9 meses, não houve sinais de reabsorção radicular patológica, lesão periapical
ou 13 mobilidade dentária e, a gengiva está com aspecto de normalidade. O pa-
ciente será acompanhado até a perda do dente 61 e erupção do dente permanente
21.
4. EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS QUE NÃO SUPORTAM O REIMPLANTE
DO DENTE DECÍDUO
4.1 Hipoplasia do dente permanente
Mueller e Whitsett (1978), descreveram o caso de uma menina de 4 anos de
idade, que ao cair, bateu a boca em uma cadeira e teve o dente 61 avulsionado. O
pai da criança reimplantou o dente imediatamente após o trauma e, levou a criança
para o atendimento de urgência. Os pais relataram que este mesmo dente havia
sofrido trauma no ano anterior.
Ao exame inicial observou-se que o dente, apesar de corretamente reimplanta-
do, teve uma leve extrusão, provavelmente decorrente do trauma anterior. O exa-
me clínico revelou que não havia outras lesões em mucosa ou dentes, e a paciente
não se queixava de dor ou desconforto, mas, o dente traumatizado apresentava
interferência oclusal. Radiograficamente, não havia sinais de fratura radicular ou
rebordo alveolar, o conduto radicular do dente 61 estava calcificado provavelmente
em decorrência do trauma anterior.
Uma contenção rígida foi usada, com o auxílio de um fio ortodôntico em torno
dos elementos dentais 51 e 61 próximos a junção amelo-cementária para se obter
retenção, e um segundo fio ortodôntico foi utilizado nas proximais dos dois incisi-
vos, e uma base acrílica foi adaptada para a estabilização. O Tylenol foi prescrito
caso houvesse dor, e os pais foram orientados a retornarem com a criança em 2
dias ou antes caso houvesse sintomatologia dolorosa.
Após 2 dias a espionagem encontrava-se estabilizada, sem irritação e sem in-
terferência oclusal. O tecido gengival encontrava-se com inflamação moderada. Os
pais relataram que não houve sintomatologia de nem um tipo, (dor ou incomodo),
e devido à resposta favorável ao tratamento não foi instituído antibioticoterapia.
Um novo retorno foi agendado após 2 semanas onde foi realizada uma radiografia
e a esplintagem removida. Na consulta, o tecido apresentava-se moderadamente
edemaciado, o dente estável, sem nenhum tipo de mobilidade excessiva e sem
sintomatologia dolorosa.
Editora Pascal 149
O teste térmico da polpa foi realizado e o resultado foi negativo. Os pais foram
orientados para retorno periódico, primeiro a cada 3 meses e depois a cada 6 me-
ses. Em todos os retornos (no total), 12 foram realizadas radiografias de controle e
teste de vitalidade, sendo negativos, não apresentando sinais de infecção na região
periapical ou reabsorção patológica. O dente permanente erupcionou com hipopla-
sia, alguns autores relacionam em consequência ao primeiro trauma.
Weiger e Heuchert, (1999) descrevem o caso de avulsão do dente 61 de uma
menina de 3 anos e meio de idade. A paciente chegou ao pronto atendimento 30
minutos após o trauma com o dente ainda retido na cavidade bucal, a raiz encon-
trava-se totalmente formada e sem sinais de fratura radicular e de tábua óssea e a
gengiva vestibular do dente 61 estava lacerada.
O dente foi esplintado com resina composta e fio de metal e a gengiva sutu-
rada. No 11º dia o dente foi instrumentado e obturado com pasta de hidróxido de
cálcio. Após 17 dias a contenção foi removida e o dente apresentava apenas uma
leve mobilidade. O 13 paciente não compareceu aos retornos de 3 e 6 meses, ten-
do comparecido 12 meses após o trauma. Nesta consulta, o dente não apresenta-
va ausência de sintomatologia dolorosa, mobilidade e sinais de necrose pulpar. O
exame radiográfico também revelou ausência de reabsorção externa e o ligamento
periodontal aparentemente estava normal quando comparado ao dente 51.
Após 18 meses, a menina, agora com 5 anos de idade, retornou com uma fís-
tula no dente 61, respondendo positivamente ao teste de percussão e ao exame
radiográfico uma grande reabsorção externa patológica foi observada. Diante das
condições apresentadas o dente foi extraído. Trinta e três meses após o trauma, a
criança neste momento com 6 anos e 3 meses de idade retornou à consulta com o
dente 21 já erupcionando. A mãe relatou que o início da erupção se deu 6 meses
após a extração e o dente 11 erupcionou ao mesmo tempo. O dente 21 respondeu
positivamente ao teste de sensibilidade e apresentava uma mancha branca na in-
cisal. O exame radiográfico não apresentou nenhuma alteração patológica.
Kinoshita et al., (2000) apresenta um caso de um menino de 1 ano e 9 me-
ses avulsionou os dentes 81 e o 82 após cair da escada e bater sua face no chão.
Depois de 1 hora eles procuraram atendimento. Foi detectado hemorragia interna,
inchaço no lábio superior, lacerações na gengiva bucal com 2 mm de proximida-
de da cervical entre os incisivos centrais e entre o incisivo central e canino foram
detectados. Apesar dos dentes 81 e 82 terem sido completamente deslocados do
alvéolo, foram mantidos na cavidade oral pois ficaram presos a mucosa gengival.
Os incisivos estavam no rebordo alveolar com a parte superior da coroa para
mesial e o ápice da raiz para distal. Uma moderada mobilidade foi observada no
dente 83. O alvéolo e gengiva marginal foram irrigados com solução salina e depois
os dentes foram reimplantados. A gengiva marginal não foi danificada e as lacera-
ções foram suturadas. Após a moldagem uma esplintagem em resina foi fabricada
e cimentada para fixar os dentes 83 ao 71. A Antibioticoterapia foi prescrita por 5
Odontologia
Uma visão contemporânea - Vol. 03
150
dias para prevenir infecção.
Após 2 dias a esplintagem caiu, sendo recimentada. As suturas foram remo-
vidas após 6 dias. A esplintagem foi quebrada e refeita (no total de 3 vezes no
decorrer de 1 mês, quando foi removida). Em todas as vezes que a esplintagem
foi refeita, foi avaliada a mobilidade dos dentes reimplantados. Após 10 dias a
mobilidade estava moderada, porém gradualmente foi reduzindo e 1 mês após a
esplintagem ser removida, os dentes encontravam-se com mobilidade considerada
dentro do limite fisiológico.
Uma leve alteração de cor foi observada no dente 82 após um mês da esplin-
tagem. Como as radiografias não apresentaram reabsorção radicular ou lesão pe-
riapical, não foi realizado tratamento endodôntico. Após 5 anos de trauma, o dente
41 erupcionou, apenas com uma leve hipoplasia na superfície vestibular e o dente
42 após um tempo erupcionou sem nenhuma alteração.
4.2 Reabsorção óssea
Kinoshita et al., (2000) apresenta um segundo caso de um menino de 2 anos
e 4 meses avulsionou o dente 81 ao cair de uma escada. Os pais o levaram a clí-
nica de cirurgia oral do hospital universitário com o dente ainda preso a gengiva
marginal. O cirurgião dentista reimplantou o incisivo avulsionado e a gengiva cir-
cundante ao dente reimplantado foi suturada de ambos os lados. Não foi realizada
contenção explicam que dois dias após, havia mobilidade e sintomatologia dolorosa
ao teste de percussão do dente afetado e dor a pressão no tecido gengival.
Sete dias após, eles retornaram a clínica porque o cirurgião dentista julgou
necessário colocar a contenção, pois o dente reimplantado apresentava mobilidade
extrema e severa inflamação gengival. Foi confeccionada uma placa em resina com
um fio ortodôntico embutido para fixar o dente reimplantado.
Para diminuir a carga oclusal no dente reimplantado, os primeiros molares
decíduos tiveram suas superfícies oclusais aumentadas com resina composta. A
mobilidade do dente reimplantado foi reduzida um mês após o trauma, entretanto,
dois meses após, foi significantemente aumentada, apesar da fixação. Radiogra-
ficamente, observou-se reabsorção óssea em torno do ápice da raiz. Portanto, o
dente reimplantado teve que ser extraído.
Kinoshita et al., (2000) apresenta um terceiro caso: uma menina de 3 anos
que sofreu avulsão nos dentes 71, 72 e 73 quando bateu violentamente com a
mandíbula no chão, após vir a cair da escada. A criança chegou à clínica para ser
atendida 30 minutos após o trauma. O dente 72 ficou preso na gengiva marginal e
os outros dois foram perdidos no momento do trauma. Após a avulsão do dente 72,
a gengiva marginal apresentava-se com dilaceração. O elemento 72 foi reimplan-
Editora Pascal 151
tado, as lesões gengivais foram suturadas após o reimplante e foi realizada uma
contenção em resina composta entre o elemento 74 ao elemento 82.
Foi prescrito antibiótico por três dias para prevenir infecções secundárias. As
suturas foram removidas 11 dias após e a contenção cinco semanas depois. Duran-
te este período, não havia mobilidade patológica e nem inflamação no tecido gen-
gival. Foi confeccionado um mantenedor de espaço removível uma semana após
a remoção da contenção. Quatro meses após a avulsão, Kinoshita, et al., (2000)
relatam que fora feito uma tomada radiográfica do dente reimplantado, o qual
mostrou uma severa reabsorção externa no terço médio da raiz.
No entanto, a extração não foi realizada devido à mobilidade ser leve. Poste-
riormente, a mobilidade do dente reimplantado 44 foi aumentando gradualmen-
te e optou-se pela extração, 10 meses após o trauma. Quando o incisivo central
permanente erupcionou, 3 anos e meio após o reimplantem, não havia sinais de
hipoplasia na coroa.
4.3 Abscesso gengival e mobilidade
Kinoshita et al., (2000) apresenta o quarto caso: uma menina de 3 anos e meio
avulsionou os dentes 71 e 72, quando caiu da escada em sua casa e bateu forte-
mente com a mandíbula, e horas após o trauma, procurou atendimento. Ambos
os dentes se encontravam avulsionados, mas ainda estavam fixados na mucosa
marginal. Após a irrigação dos dentes e do alvéolo com solução salina fisiológica,
os dentes foram recolocados no alvéolo. Uma contenção em resina composta foi
realizada entre o elemento 74 ao elemento 82. Foi prescrito antibiótico por 3 dias.
Consultas de retornos para reavaliações clínicas e radiográficas foram realiza-
das periodicamente e a contenção foi mantida por três meses. Após sete meses, foi
possível avaliar a presença de mobilidade patológica e reabsorção radicular. Após
oito meses, Kinoshita, et al., (2000) relatam que ambos os dentes tiveram que ser
extraídos devido a um abscesso gengival e uma severa mobilidade dos incisivos,
impossibilitando sua manutenção. Ao erupcionar o incisivo central, um mês e meio
após o reimplante, não apresentou sinais de malformação.
4.4 Cisto de erupção associado à necrose pulpar
Al-Khayatt e Davidson (2005) relataram o caso clínico onde uma menina, teve
o dente 51 avulsionado ao cair em um piso de madeira quando tinha 2 anos de
idade. O dente 51 foi reimplantado 1 hora após o trauma, não sendo realizado es-
plintagem ou proservação pelo cirurgião dentista que o atendeu. Os pais relataram
que 2 anos o trauma, observou-se que o dente 51 estava com alteração de cor,
Odontologia
Uma visão contemporânea - Vol. 03
152
porém, não havia sinais clínicos de infecção, por isso nenhuma intervenção foi re-
alizada. Ao completar 6 anos e meio de idade, o dente 21 começou a erupcionar, e
18 meses após a avulsão, o dente contralateral não apresentava sinais de erupção,
então os pais o levaram a uma odontopediatra.
Ao exame clínico encontrou-se o dente 51 com coloração cinzenta e leve mobi-
lidade, além de apresentar uma protuberância óssea tanto por vestibular como por
palatino. Ao exame radiográfico observou-se uma imagem radiolúcida envolvendo
o ápice do dente 51 causando o deslocamento do dente permanente sucessor, atra-
sando a erupção do incisivo lateral. A hipótese de diagnóstico foi de um cisto de
erupção associado à necrose pulpar do dente 51 devido ao trauma. O tratamento
consistiu na exodontia dos dentes 51 e 52, além da enucleação do cisto e inspeção
cirúrgica do deslocamento do dente permanente.
O dente sucessor, apesar de apresentar morfologia normal, foi acometido pelo
cisto e não apresentava tecido ósseo periférico que garantisse sua manutenção.
Após a cirurgia, uma amostra foi enviada para análise histopatológica que con-
firmou a hipótese diagnóstica. O plano de tratamento pós-cirúrgico consistiu na
utilização de um mantenedor de espaço para evitar que quando o dente 12 erup-
ciona-se, invadindo a linha média, e posteriormente a confecção de uma prótese
removível após a erupção do incisivo lateral até que o paciente possa realizar um
implante unitário.
Os autores concluíram que apesar da existência de relatos de casos de suces-
so de reimplante dentário de dentes decíduos na literatura, devemos sempre estar
cientes do alto risco de complicações ao dente permanente sucessor em desenvol-
vimento como relatado claramente neste caso clínico.
4.5 Dilaceração do dente permanente sucessor
Sakai et al. (2006) apresentaram um caso clínico de uma menina de 6 anos de
idade se apresentou na Clínica de Odontopediatria da Universidade de Bauru para
avaliação do dente 51 que havia sido avulsionado quando, tinha 3 anos de idade
devido a uma queda. Os pais relataram que o dente tinha sido reimplantado por
um dentista 1 hora após a avulsão. O dente foi esplintado com cimento por 2 dias e
não foi prescrito nenhum antibiótico ou tratamento adicional de acompanhamento
foi realizado.
Ao exame intraoral o dente reimplantado apresentava alteração de cor e fístula
e ao exame radiográfico ausência de tratamento endodôntico e lesão periapical. A
criança foi submetida a anestesia para exodontia do elemento 51 e os pais foram
avisados da possibilidade de sequelas no dente permanente sucessor, sendo ne-
cessário o acompanhamento clínico e radiográfico do desenvolvimento e erupção
do dente permanente.
Editora Pascal 153
No entanto, a paciente não compareceu as consultas de proservação, retorn-
nado apenas quando estava com 10 anos de idade com a queixa principal de que o
dente 11 não havia erupcionado e que consequentemente causou falta de espaço
mésio-distal. Foram realizados exames clínico e radiográfico onde foi constatado
durante a palpação, uma protuberância próxima a espinha nasal e ao exame radio-
gráfico o dente 11 apresentava uma acentuada dilaceração, sendo indicado para
esse caso a remoção cirúrgica do dente, confecção de uma prótese para substituir
o dente perdido e posteriormente a realização de um implante quando o cresci-
mento da paciente haver cessado.
5. CONSEQUÊNCIAS ADVERSAS
Diversos autores, baseados em evidências cientificas plausíveis, não recomen-
dam que um dente decíduo avulsionados seja reimplantado, prevenindo assim
futuros danos aos germes do dente permanente em desenvolvimento, sendo a ne-
crose pulpar o evento mais frequente (CUNHA et al, 2001).
SOARES (2008) et al., através de uma pesquisa sobre traumatismos dentários,
observou que as reabsorções radiculares foram encontradas em 63% dos dentes
avulsionados. A resultado mais encontrado mais foi a de reabsorção por substitui-
ção (anquilose), totalizando 41% de todos os casos de reabsorção. A reabsorção
por substituição é o resultado de uma reabsorção extensiva para o ligamento pe-
riodontal e superfície radicular, em que o processo se estabelece na medula óssea
de células adjacentes derivados do osso da parte periférica. Assim, uma união ós-
sea tem formação entre a superfície da raiz e os tecidos adjacentes. A velocidade
varia de acordo com a remodelação óssea do indivíduo. Assim, as crianças irão
apresentar uma rápida progressão, enquanto nos adultos o processo será mais
lento (ANDREASEN, 1970).
Outras situações clínicas que podem aparecer decorrente de um traumatismo
são as alterações cromáticas da coroa, que podem se tornar escurecidas. As man-
chas adquiridas pós eruptivas compreendem as alterações cromáticas decorrentes
de necrose pulpar e reabsorção interna, como consequência traumatismo dentário
(BARATIERI et al., 1996;).
Após o traumatismo do elemento dentário a hemorragia pulpar, causa mais
comum de escurecimento dentário pós trauma, resultante do fluxo de sangue para
o interior dos canalículos dentinários, onde hemácias se degradam liberando he-
matoidina, metaemoglobina, hemoglobina, oxiemoglobina, hematina e hemina. A
degradação da hemoglobina promove a liberação de ferro que ao combinar-se com
sulfeto de hidrogênio resulta na formação de sulfeto de ferro, um composto escuro.
Como consequência de traumatismo podemos ter ainda a obliteração da câ-
mara pulpar por calcificações, necrose pulpar e reabsorção dentinária interna ou
Odontologia
Uma visão contemporânea - Vol. 03
154
externa, que podem levar ao escurecimento do dente (PÉCORA et al., 1996).
A presença de infraoclusão e fístula também podem estar presentes. A infra-
oclusão geralmente é relatada como consequência de anquilose dento-alveolar.
O dente anquilosado apresenta áreas de fusão do cemento e/ou dentina ao osso
alveolar, causado pela obliteração do ligamento periodontal em algumas áreas ao
redor da superfície radicular. Essa situação provoca a fixação do dente em uma
determinada posição. O dente afetado fica impedido de acompanhar os movimen-
tos eruptivos e/ou pós-eruptivos adaptativos ao crescimento facial, permanecendo
abaixo do plano oclusal (PITONI et al., 2006).
O trauma dentário é um dos fatores mais frequentes de formação de fístulas
odontogênicas, com a invasão bacteriana do tecido pulpar e posterior necrose pul-
par. Essa inflamação, microbiologicamente induzida, pode penetrar o osso alveolar
e se espalhar ao longo do caminho de menor resistência, provocando uma perio-
dontite apical. O processo inflamatório pode atingir os tecidos moles circundantes
e formar um caminho para a drenagem, formando a fístula (MORTENSEN et al.,
1970).
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Dentre as lesões dentoalveolares na dentição decídua, as lesões do ligamento
periodontal do tipo avulsão ainda se configura como a de maior frequência, em ra-
zão as várias características inerentes a faixa etária e as novas descobertas, como
falta de habilidades motoras e práticas de atividades físicas.
O reimplante de dentes decíduos após avulsão dental pode ser considerado um
tema muito controverso segundo o que foi apresentado pela literatura, tendo em
vista as evidências científicas que suportam o reimplante do dente decíduo como: o
reimplante sem contenção e dente armazenado em saliva, utilização de antibiótico,
tratamento endodôntico, contenção com resina.
Já os desfechos apresentados após o reposicionamento do dente decíduo hi-
poplasia do dente permanente reabsorção óssea, abscesso gengival e mobilidade,
cisto de erupção associado à necrose pulpar, dilaceração do dente permanente su-
cessor, consequências adversas.
Outras sequelas que também são descritas na literatura e podem causar dano
ao elemento dental permanente como alterações cromáticas da coroa, reabsorção
inflamatória, fístulas, infraoclusão, reabsorção dentinárias (interna e externa), ne-
crose pulpar e obliteração da câmara pulpar.
A International Association for Dental Traumatology, entidade máxima no
ramo de trauma dental, já publicou várias diretrizes (Guidelines), relacionadas ao
Editora Pascal 155
manejo de tratamento das lesões traumáticas, cuja versão mais atual (2020), con-
tinua preconizando o não reimplante de dentes decíduos pós avulsão, em razão de
inúmeros prejuízos que podem acometer o dente sucessor permanente.
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Editora Pascal 157
AUTORES
Alexsandra Ferreira Sousa
Graduanda em Odontologia, foi coordenadora de eventos externos por 2 anos con-
secutivos da Liga Acadêmica de Cirurgia Bucomaxilofacial da Faculdade Pitágoras
(LACIB). Foi monitora dos: Estágio em Saúde Bucal na atenção básica 1 (ESAB)
e clínica integrada de assistência odontológica II. Participou da comissão científica
da Jornada Académica de Odontologia da Faculdade Pitágoras (JAOP 2019). Como
atividade extracurricular acompanhou os Serviços do Ambulatório e Centro Cirúr-
gico no Hospital do Câncer do Maranhão.
Ana Carolinne Barbosa Maia da Silva
Graduada em Odontologia pela Faculdade Pitágoras de São Luís (2020). Tem expe-
riência em monitoria: Fundamentos para Atenção á Criança I(2018) e Odontologia
Pré-Clínico de Endodontia e Prótese.
Ana Patricia Soares Araujo
Graduanda em Odontologia, Faculdade Pitágoras.
Ana Raissa Ayres Ferreira
Acadêmica de Odontologia da Faculdade Pitágoras de São Luís, foi presidente dis-
cente da III Jornada Acadêmica de Odontologia da Faculdade Pitágoras (JAOP), foi
membro da Liga Acadêmica de Cirurgia Bucomaxilofacial – Pitágoras (LACIB), foi
monitora das disciplinas Odontologia Pré-Clínica em Dentística e Periodontia e Es-
tágio em Saúde Bucal na Atenção Básica I e foi membro por 2 anos consecutivos
do projeto social da Faculdade Pitágoras Sorriso do Bem.
Bruno Braga Benatti
Possui graduação em Odontologia pela Universidade Estadual de Campinas (2001),
Mestrado (2005) e Doutorado (2007) em Clínica Odontológica com ênfase em Perio-
dontia pela Universidade Estadual de Campinas. É professor associado da Universi-
dade Federal do Maranhão (UFMA), ministrando disciplinas na área de Periodontia.
É professor permanente e atualmente coordenador do programa de Pós-Graduação
em Odontologia da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).
Cadidja Dayane Sousa do Carmo
Doutora em Odontologia, especialista em Saúde da Família, Odontopediatria e Mi-
crobiologia Geral, professora do curso de graduação em Odontologia do Centro
Universitário UNDB.
Editora Pascal 159
Camylla Claudino da Silva
Graduanda em Odontologia, Faculdade Pitágoras.
Carolina Raiane Leite Dourado Maranhão Diaz
Graduada em Odontologia pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Espe-
cialista em Cirurgia e Traumatologia Buco-maxilo-facial pela Universidade Federal
do Piauí (UFPI). Mestranda em Odontologia pelo UNICEUMA. Membro do Colégio
Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Buco-maxilo-facial. Habilitada em Odontolo-
gia Hospitalar – CFO. Coordenadora do Serviço de Odontologia Hospitalar no Hos-
pital do Câncer do Maranhão. Cirurgiã Buco-Maxilo-Facial no Hospital de Câncer
do Maranhão.
Cayara Mattos Costa
Mestranda em Odontologia no Programa de pós-graduação em Odontologia da
UFMA, pós-graduanda em Odontopediatria.
Cecília Cláudia Costa Ribeiro
Doutora em Odontologia, professora titular da UFMA, professora permanente do
Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva e do Programa de Pós-Graduação
em Odontologia da UFMA.
Cristina da Silva Mendes
Graduanda em Odontologia, Faculdade Pitágoras.
Daniela Costa da Silva
Graduanda em Odontologia, Faculdade Pitágoras.
Dara Lourenna Silva da Nóbrega
Graduanda em Odontologia, Faculdade Pitágoras, São Luís, Maranhão, já foi mo-
nitoria das disciplinas: ciências morfofuncionais do sistema cardiovascular e car-
diorrespiratório; Clínica integrada de Assistência Odontológica 1 e Propedêutica
Cirúrgica 1.
Odontologia
Uma visão contemporânea - Vol. 03
160
Elissandra Verçosa Rezende Brito
Graduada em Enfermagem pela Faculdade Pitágoras de São Luís (2014). Tem ex-
periência na área da Enfermagem, em atendimento de demandas na atenção pri-
mária e secundária em saúde. Graduada em Odontologia pela Faculdade Pitágoras
de São Luís (2020).
Gabriele Oliveira Silva
Acadêmica de Odontologia da Faculdade Pitágoras de São Luís, foi monitora da III
Jornada Acadêmica de Odontologia da Faculdade Pitágoras (JAOP) membro da Liga
Acadêmica de Odontologia em Saúde Coletiva -Pitágoras (LAOSAC).
Gabryella Bezerra Silva
Acadêmica do Curso de Odontologia da Faculdade Pitágoras São Luís-Maranhão.
Tem experiência em monitorias: Pré Clínico em Dentística e Periodontia, Estágio
em Saúde Bucal na Atenção Básica I e II, Clínica Integrada de Assistência Odonto-
lógica I e II, Fundamentos para Propedêutica Cirúrgica I, Propedêutica Odontológi-
ca II e Ortodontia. Fundadora da Liga de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial
(LACIB) e Projeto Sorrisos do Bem e Presidente da LACIB nos períodos de Setem-
bro/2018 a Dezembro/2019.
Ianca Danielle Penha Viana
Acadêmica do Curso de Odontologia da Faculdade Pitágoras São Luís. Tem experi-
ência em monitorias: Pré clínico de Dentística e Periodontia, Clínica Integrada de
Assistência Odontológica I e II, Fundamentos para Propedêutica Cirúrgica I, Clínica
de atenção ao adolescente, Clínica de atenção à Criança I. Fundadora da Liga de
Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial (LACIB), da Liga Acadêmica de Odonto-
pediatra e Ortopedia (LAOPED), do Projeto Sorrisos do Bem.
João Gabriel Matos Serra
Acadêmico do Curso de Farmácia da Universidade Federal do Maranhão – UFMA.
Juliandry Catharine Mendes Reis
Acadêmica do Curso de Odontologia da Faculdade Pitágoras São Luís.
Karlos Edwardo Fonseca Viana
Acadêmico do curso de Odontologia da Faculdade Pitágoras de São Luís, fez parte
da comissão organizadora da III Jornada Acadêmica de Odontologia da Faculdade
Pitágoras (JAOP).
Editora Pascal 161
Luana Martins Cantanhede
Possui graduação em Odontologia pela Universidade Federal do Maranhão (2012),
Mestrado em Odontologia pela Universidade Federal do Maranhão (2014), Douto-
rado em Odontologia pela Universidade Federal do Maranhão (2018) e Especialista
em Odontopediatria pelo Instituto Pós-Saúde vinculado à faculdade FACSETESE-
TE LAGOAS (2018). Atualmente é Professora da Faculdade Pitágoras do Curso de
Odontologia (Disciplinas como: Odontologia Morfofuncional, Ciências Moleculares
e Celulares, Propedêutica Odontológica, Estágios de saúde bucal e Atenção à Saú-
de da Criança I e II) e como Professora do Centro Universitário Dom Bosco das
disciplinas (Histologia Bucal, Fisiologia Bucal, Estomatologia e Odontopediatria e
clínicas integradas).
Lucilene Amorim Silva
Doutora em Patologia Experimental, professora do departamento de Patologia da
UFMA.
Luís Carlos França Júnior
Acadêmico do Curso de Odontologia da Faculdade Pitágoras São Luís. Foi partici-
pante da Liga de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial (LACIB) e de eventos
científicos, apresentando diversos trabalhos. Tem experiência em monitoria na dis-
ciplina Fundamentos para Propedêutica Cirúrgica I.
Luiza Madalena Rocha Silva
Graduanda em Odontologia, Faculdade Pitágoras, São Luís, Maranhão.
Maria Gabrielle Sousa Ferreira
Acadêmica do Curso de Odontologia da Faculdade Pitágoras São Luís.
Mariana Almeida Mello Proença
Doutora em Odontologia, especialista em Dentística e Ortodontia, professora das
disciplinas Oclusão e Dentística da Faculdade Pitágoras.
Mayra Moura Franco
Doutora e Mestre em Odontologia pela Universidade Federal do Maranhão. Espe-
cialista em Periodontia pela Faculdade Sete Lagoas. Especialista em Educação a
Distância pela Universidade Católica Dom Bosco. Especialista em Saúde Coletiva
e da Família pela Faculdade São Leopoldo Mandic. Especialista em Odontologia do
Trabalho pela Faculdade Serrana de Ensino Superior (FASEP). Graduação em Odon-
Odontologia
Uma visão contemporânea - Vol. 03
162
tologia pela Universidade Federal do Maranhão. Atualmente professora do Curso de
Odontologia da Universidade CEUMA e Faculdade Pitágoras.
Mayara Silva Reis
Acadêmica do Curso de Odontologia da Faculdade Pitágoras São Luís. Tem experi-
ência em monitorias: Morfofuncional Cabeça e Pescoço, Estágio em Saúde Bucal na
Atenção Básica I e II, Clínica Integrada de Assistência Odontológica I e II, Funda-
mentos para Propedêutica Cirúrgica I, e Propedêutica Odontológica II. Fundadora
da Liga de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial (LACIB), Projeto Sorrisos do
Bem e da Liga Acadêmica de Periodontia e Implantodontia (LIAPI).
Monique Maria Melo Mouchrek
Doutora e Mestre em Odontologia pela Universidade Federal do Maranhão. Especia-
lista em Saúde da Família pela Universidade Aberta do SUS/Universidade Federal
do Maranhão. Especialista em Odontologia para Pacientes com Necessidades Espe-
ciais pela São Leopoldo Mandic/Campinas. Graduada em Odontologia pela Univer-
sidade Federal do Maranhão. Atualmente professora universitária da Universidade
CEUMA, Centro Universitário UNDB e Faculdade FLORENCE e cirurgiã-dentista na
clínica de Serviços Especializados do Estado.
Nargila Ester Pereira Lopes
Graduanda do Curso de Odontologia da Faculdade Pitágoras São Luís. Participação
em Projetos de Pesquisa, Projetos de Extensão e Liga Acadêmica. Apresentação,
participação e organização de eventos científicos.
Paulo Victor Gomes Rocha
Acadêmico do curso de Odontologia da Faculdade Pitágoras de São Luís, foi monitor
da I e III Jornada Acadêmica de Odontologia da Faculdade Pitágoras (JAOP).
Rena Samyra Souza de Lima: Acadêmica do Curso de Odontologia da Faculdade
Pitágoras – São Luís. Licenciada plena em Ciências Naturais com habilitação em
Biologia pela Universidade do Estado do Pará – UEPA.
Patricia Luciana Serra Nunes
Possui graduação em Odontologia pela Universidade Federal do Maranhão. Espe-
cialização em Implantodontia e Saúde da Família. Mestrado em Odontologia. Cirur-
giã-Dentista do Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão (HUU-
FMA). Preceptora da Residência Multiprofissional na área de Atenção em Saúde da
Criança do HUUFMA. Preceptora de graduação do curso de Odontologia da UFMA
(estágio em Odontologia Hospitalar). Coordenadora do Grupo de Educação Per-
Editora Pascal 163
manente de Odontologia do HUUFMA. Membro do Colegiado Gestor da Unidade
de Atenção à Criança do HUUFMA. Docente do curso de odontologia da Faculdade
Pitágoras, São Luís-MA. Presidente Docente da Liga Acadêmica de Estomatologia e
Patologia Bucal do curso de odontologia da Faculdade Pitágoras em São Luís-MA.
Roberta Sabrine Duarte Gondim
Doutoranda do Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde da Universidade
Federal do Maranhão - UFMA.
Roberto César Duarte Gondim
Mestre em Saúde Pública pela Universidade Internacional Três Fronteiras – UNIN-
TER. Graduado em Odontologia pela Universidade Federal do Maranhão – UFMA.
Especialista em Estratégia de Saúde da família pelo Instituto Florence de Ensino
Superior – IFES. Especialista em Saúde da Pessoa Idosa pela UNASUS-UFMA. Es-
pecialista em Ortodontia pela Faculdade Paulo Picanço/CE. Professor dos cursos de
Graduação em Odontologia e Enfermagem da Faculdade Pitágoras. Professor na
Pós Graduação da Estratégia de saúde da Família pela Faculdade Gianna Beretta.
Rubenice Amaral da Silva
Possui graduação em Odontologia pela Universidade Federal do Maranhão (1976),
mestrado em Odontologia (Odontopediatria) pela Universidade de São Paulo (1980)
e doutorado em Biotecnologia - RENORBIO pela Universidade Estadual do Ceará
(2012). Atualmente é Professora Associada IV da Universidade Federal do Mara-
nhão. Tem experiência na área de Odontologia, com ênfase em Odontopediatria,
atuando principalmente nos seguintes temas: odontologia, odontopediatria, carie
dentaria, cronologia de erupção e crianças.
Samanta Dara Azevedo dos Santos
Graduanda em Odontologia, Faculdade Pitágoras.
Thátyla Silva Linhares
Possui graduação em Odontologia pela Universidade Federal do Piauí (2013) e Mes-
trado em Odontologia pela Universidade Federal do Maranhão (2016). Especialista
em Odontopediatria. Atualmente é professora da Faculdade Pitágoras de São Luís.
Tem experiência na área de Odontologia, com ênfase em Odontopediatria.
Odontologia
Uma visão contemporânea - Vol. 03
164
Thiago Costa Verde
Graduando em Odontologia, Faculdade Pitágoras, São Luís, Maranhão, já foi mo-
nitor das seguintes disciplinas: Estágio em Saúde Bucal na Atenção Básica I, II,
III, IV; Odontologia Morfofuncional da Cabeça e Pescoço; Ciências Odontológicas e
Odontologia pré clínico em Denstística e Periodontia, já recebeu premiação a nível
internacional na categoria pesquisa e atualmente está desenvolvendo pesquisas na
área da saúde coletiva e odontopediatria.
Thirza Keanne Nunes Lindoso
Graduanda em Odontologia, Faculdade Pitágoras, São Luís, Maranhão, já foi mo-
nitoria das disciplinas: ciências morfofuncionais do sistema cardiovascular e car-
diorrespiratório; Clinica integrada de Assistência Odontológica 1 e Propedêutica
Cirúrgica 1.
Vinícius de Paula Nascimento Barros
Graduado em Odontologia pelo Instituto Florence de Ensino Superior - IFES (São
Luís, Maranhão). Em âmbito acadêmico, atuou como monitor nas disciplinas de
Prótese Total, Prótese Parcial Removível, Clínica Interdisciplinar IV e Odontope-
diatria II. Foi participante da Liga Acadêmica de Periodontia (LAPE) e de eventos
científicos, apresentando diversos trabalhos. Possui curso de extensão em Redes
de Atenção a Saúde pela Universidade aberta do SUS (UNASUS-UFMA). Pós-gra-
duado em Atualização em Cirurgia Bucal / oral menor, Terapêutica Medicamentosa
e Estomatologia pela Associação Brasileira de Odontologia - ABO (Seccional de São
Luís, Maranhão). Tem experiência em Odontologia na área de Clínico Geral. Busca
aprimoramento na área da Pesquisa e capacitação para a Docência.
Wendel Chaves Carvalho
Acadêmica do Curso de Odontologia da Faculdade Pitágoras São Luís.
Yngrid Sousa Martins
Graduanda em Odontologia, Faculdade Pitágoras, São Luís, Maranhão, já foi moni-
tora da disciplina de Odontologia pré clínico em Denstística e Oclusão, já recebeu
premiação a nível internacional na categoria pesquisa e atualmente está desenvol-
vendo pesquisas na área da saúde coletiva e odontopediatria.
Editora Pascal 165
ORGANIZADORA
Samantha Ariadne Alves de Freitas
G
raduada em Odontologia pela Universidade Federal do Maranhão
-UFMA. Mestra e Doutora em Odontologia pela Universidade Federal
do Maranhão -UFMA. Especialista em Gestão em Saúde pela Univer-
sidade Estadual do Maranhão -UEMA. Especialista em Políticas de Saúde.
Atualmente é Professora Universitária e Coordenadora do Curso de Odonto-
logia da Faculdade Pitágoras de São Luís.
E
ste e-book apresenta uma co-
letânea de estudos que visam
aprofundar os conhecimentos
na área de Odontologia nas suas
mais diversas especialidades: Ci-
rurgia Oral, Dentística, Odontope-
diatria, Ortodontia, Periodontia e
Saúde Coletiva. Os conteúdos abor-
dados focam em uma Odontologia
baseada em evidências científicas e
que proporcionam uma reflexão da
teoria e da prática clínica atual.