0% acharam este documento útil (0 voto)
17 visualizações3 páginas

Resenha LPZ5 - 5a

O documento analisa a Reforma do Ensino Médio em São Paulo, destacando críticas ao currículo único e à sua relação com a reprodução das classes sociais. A reforma visa flexibilizar o currículo para atender interesses dos alunos, mas ignora fatores como infraestrutura escolar e renda familiar que contribuem para a evasão. Além disso, a proposta de itinerários formativos e programas como Novatec são mencionados, mas apresentam desafios para alunos que precisam conciliar estudo e trabalho.

Enviado por

kaio.braga
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
17 visualizações3 páginas

Resenha LPZ5 - 5a

O documento analisa a Reforma do Ensino Médio em São Paulo, destacando críticas ao currículo único e à sua relação com a reprodução das classes sociais. A reforma visa flexibilizar o currículo para atender interesses dos alunos, mas ignora fatores como infraestrutura escolar e renda familiar que contribuem para a evasão. Além disso, a proposta de itinerários formativos e programas como Novatec são mencionados, mas apresentam desafios para alunos que precisam conciliar estudo e trabalho.

Enviado por

kaio.braga
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Nome: Isabela Alves Ferreira

Reforma do Ensino Médio: Breve análise

“Primeiros passos da Reforma do Ensino Médio em São Paulo: o caso da


rede regular de ensino” é a uma seção do livro “A Reforma do Ensino Médio em São
Paulo: a continuidade do projeto neoliberal” financiado pela CAPES e organizado
pela CAPES, UNICAMP e Faculdade de Educação. Esse conjunto de textos foi
publicado em 2022 em Belo Horizonte (MG) pela editora Fino Traço.
A reforma do Ensino Médio (Lei 13.415 de 16.2.2017) instaurada a partir de
uma medida provisória (MP 746/2016) gerou muitas discussões e críticas tanto pela
origem autoritária quanto pela organização política educacional promovida. Toda a
reestruturação do Ensino Médio foi fortemente defendida por setores privados,
políticos conservadores, além de membros do CNE e do MEC. O texto faz uma forte
crítica do currículo único, pois essa singularidade defende interesses ideológicos de
grupos hegemônicos, ou seja, o currículo é utilizado como artifício de poder para
reprodução das classes sociais justificando assim o formato e conteúdo
apresentado em cada momento histórico. Ao associar o currículo único com a
Reforma do Ensino Médio é possível perceber a relação de poder, dado que essa
proposta reorganiza as áreas estudadas, os conteúdos, os formatos a serem
apresentados, mudança no trabalho docente entre outros, resultado de uma tradição
seletiva.
A reformulação do ensino tem como objetivo flexibilizar o currículo para
abranger o “interesse” de todos os alunos do Ensino Médio, trazendo ideias
reducionistas. Esses “interesses” estão relacionados com a “necessidade” de
reorganizar o Ensino Médio a fim de adequar a escola ao mundo do trabalho, como
se o processo educacional ocorresse de modo mecânico e imediato. O texto traz a
questão das competências e habilidades como:
[...] “ à competição via mercado e sujeitam os indivíduos a uma
formação voltada para o controle instrumental, ignorando o caráter
histórico-cultural da formação humana, os processos de
diferenciação e autonomia [...].
Para ancorar essas idéias, justifica-se que a reforma é necessária devido à
baixa qualidade do Ensino Médio ofertado no Brasil e a necessidade de atrair os
alunos para o ambiente escolar, situação essa relacionada aos altos índices de
abandono e reprovação escolar. Entretanto, a reforma não leva em consideração
que a falta de infraestrutura das escolas e renda familiar dos alunos são fatores
importantes que contribuem com a evasão escolar. Além disso, o texto menciona
que a reforma é pautada no plano de avaliação e padronização da educação devido
aos baixos índices dos alunos, comparado com o de outros países, em avaliações
em larga escala. Para isso a Lei 13415 aumenta a carga horária dos alunos (período
integral preferencialmente), instauram os itinerários formativos e deixam a encargo
dos estados e municípios a implementação. Entretanto, a Lei não informa qual o
formato que deve ser implementado, ou seja, escolas que são melhores equipadas
e organizadas, em especial as escolas particulares, conseguirão cumprir as
“agendas”. Em contrapartida, as escolas que não apresentam infraestrutura e
artifícios suficientes como quantidade de professores e espaços de aulas, em
especial as escolas públicas, não conseguirão cumprir as exigências. É importante
refletir sobre esses aspectos pois se a Reforma do Ensino Médio tem como objetivo
equiparar a qualidade da educação brasileira e abranger os diferentes “juventudes”,
essas brechas ou diferentes implementações sempre beneficiarão quem já está
acima.
A Reforma do Ensino Médio não foi uma idéia tirada da cartola, muito pelo
contrário, ela vem aliada e ancorada em várias outras propostas já existentes ao
longo da história como Currículo Oficial de São Paulo, BNCC, Currículo Paulista,
novos padrões do ENEM e a proposta de “Reorganização do Ensino Fundamental e
do Médio”. Sendo que, o último foi divulgado pela a Secretaria de Educação que
apresentava a necessidade de dividir as matrizes curriculares, com a justificativa de
tornar a educação mais atrativa e dinâmica seguindo eixos como Identidade,
Diversidade e Autonomia.
O Currículo Paulista para o Ensino Médio foi um documento importante no
que diz respeito ao Novo Ensino Médio, pois ele traz as idéias de itinerários
formativos. Nessa proposta, os alunos teriam carga total de 3150 horas, sendo que
1800 horas estavam destinadas à formação geral básica e 1350 estavam
destinadas ao Itinerários Formativos. O Novo Ensino Médio tem a obrigação de
disponibilizar esses Itinerários formativos divididos nas 4 áreas do conhecimento -
Linguagens, Matemática, Ciências Humanas e Ciências da Natureza - para
conseguir desenvolver as habilidades e competências propostas no projeto, ou seja,
tornar o estudante capaz de produzir conhecimento, habilidades, atitudes, valores e
desenvolvimento socioemocional.
A Novatec também é apresentada pelo texto, sendo uma organização dos
Cursos Técnicos. Nesse programa, os alunos seriam matriculados na escola da
rede estadual em parceria com o Centro de Educação Tecnológica Paulo Souza, ou
seja, duas matrículas coexistentes. Esse programa disponibiliza 4 modalidades,
sendo elas: integrado, expresso, virtual e móvel, apresentando diferentes cargas
horárias. Justifica-se essa abordagem devido ao alto índice de desemprego vivido
entre os jovens de 18 a 24 anos. Entretanto, tanto o Novo Ensino Médio como as
Novotecs apresentam um acréscimo elevado na carga horária dos alunos, ou seja,
ele exclui aqueles que precisam estudar e trabalhar ao mesmo tempo.

Você também pode gostar