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Doença de Wilson

O e-book aborda a Doença de Wilson, uma condição genética que causa acúmulo de cobre no organismo, levando a sérias consequências de saúde, incluindo danos hepáticos e neurológicos. O documento detalha a metodologia de pesquisa, manifestações clínicas, exames diagnósticos e tratamento, enfatizando a importância do conhecimento sobre a doença para profissionais da saúde. Dados estatísticos e informações sobre a genética da doença são apresentados para conscientizar sobre sua gravidade e necessidade de diagnóstico precoce.
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Doença de Wilson

O e-book aborda a Doença de Wilson, uma condição genética que causa acúmulo de cobre no organismo, levando a sérias consequências de saúde, incluindo danos hepáticos e neurológicos. O documento detalha a metodologia de pesquisa, manifestações clínicas, exames diagnósticos e tratamento, enfatizando a importância do conhecimento sobre a doença para profissionais da saúde. Dados estatísticos e informações sobre a genética da doença são apresentados para conscientizar sobre sua gravidade e necessidade de diagnóstico precoce.
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por:

BEATRIZ TREVISAN SILVA - 125221075


CAMILA MORAIS DOS SANTOS - 1252216249
MARIA EDUARDA DE SOUZA SCHLOSMAN - 12522127430
VINICIUS SANTOS EVANGELISTA - 12522159011

DOENÇA DE
WILSON
E-book desenvolvido para profissionais da área da saúde
INDÍCE

Índice...................................................................... 2
Introdução............................................................... 3
Metodologia............................................................. 4
Capítulo 1: A Doença .............................................. 5
Capítulo 2: Suas Manifestações................................ 7
Capítulo 3: Exames.................................................. 10
Capítulo 4: Diagnóstico........................................... 12
Capítulo 5: Tratamento........................................... 16
Capítulo 6: Prognóstico............................................17
Capítulo 7: Produção Artístico Cultural.................. 18
Capítulo 8: Notícia...................................................19
Capítulo 9: Procedimento Operacional Padrão....... 20
Referências Bibliográficas........................................24

2
Introdução
Entre 2010 e 2019, o Brasil registrou 396 óbitos causados pela Doença de
Wilson, conforme dados do DATASUS. Esta doença, ainda que pouco
discutida e não amplamente conhecida, pode ter consequências graves e levar à
morte.

Conhecida também como degeneração hepatolenticular, a Doença de Wilson é


causada por mutações no gene ATP7B, localizado no cromossomo 13, que
resulta em alterações no metabolismo do cobre e seu acúmulo nos tecidos do
organismo.

O cobre, um mineral essencial obtido através da nutrição, desempenha várias


funções metabólicas importantes no corpo humano, como a formação da
mielina neuronal, a síntese de neurotransmissores e colágeno, e o metabolismo
energético celular. No entanto, seu acúmulo excessivo no organismo gera
toxicidade elevada, provocando estresse oxidativo, disfunções metabólicas e
insuficiência hepática.

Dada a importância do metabolismo do cobre e as consequências dos


desequilíbrios em sua homeostase, torna-se necessário o conhecimento e a
disseminação de informações sobre a Doença de Wilson, abordadas a seguir.

3
METODOLOGIA

Para a realização deste trabalho acadêmico utilizamos o


método de revisão bibliográfica de artigos científicos de
bibliotecas online e a cartilha brasileira sobre Doença de
Wilson fornecida pelo Ministério da Saúde.
Nosso trabalho reúne informações a fim de esclarecer
eventuais dúvidas sobre esta doença.

4
Capítulo 1:
A DOENÇA
A Doença de Wilson é causada por mutações no gene ATP7B,
localizado no cromossomo 13. Esse gene é responsável por produzir uma
proteína crucial para a regulação dos níveis de cobre no corpo.

A Doença de Wilson é uma condição autossômica recessiva. Isso


significa que uma pessoa precisa herdar duas cópias mutantes do gene
ATP7B, uma de cada pai, para desenvolver a doença. Se alguém herda
apenas uma cópia mutante e uma cópia normal, essa pessoa será
portadora da doença, mas geralmente não terá sintomas. Se ambos os
pais são portadores (têm uma cópia mutante e uma cópia normal do
gene), seus filhos têm 25% de chance de não herdar a doença (receber
duas cópias normais), 50% de chance de serem portadores (receber uma
cópia mutante e uma cópia normal) e 25% de chance de herdar a doença
(receber duas cópias mutantes). (Schilsky, Robert. 2008)

As mutações no gene ATP7B podem ser de três tipos:


Mutações Missense: Mudam um único aminoácido na proteína, o que
pode afetar sua função. Uma mutação pode trocar uma base de adenina
por uma de guanina no DNA, resultando na substituição do aminoácido
cisteína por triptofano na proteína. (Schilsky, Robert. 2008)
Mutações Nonsense: Introduzem um códon de parada prematuro,
resultando em uma proteína truncada e não funcional. Uma mutação
que altera uma base no DNA pode fazer com que a construção da
proteína pare antes de ser completa. (Schilsky, Robert. 2008)

5
Deleções e Inserções: Adicionam ou removem pequenas sequências de
DNA, o que pode alterar a leitura do código genético, resultando em
uma proteína disfuncional. Uma pequena deleção de três bases pode
remover um aminoácido crucial na proteína, afetando sua capacidade de
transportar cobre.(Schilsky, Robert. 2008)

Para confirmar a Doença de Wilson, especialmente em casos em que a


história familiar é conhecida, pode ser realizado um teste genético para
identificar mutações no gene ATP7B. Isso é muito útil para detectar a
doença precocemente em familiares de um paciente diagnosticado.
Exemplo de Teste Genético: Um paciente com sintomas sugestivos de
Doença de Wilson (como níveis altos de cobre no fígado e baixa
ceruloplasmina no sangue) pode fazer um teste genético. Se o teste
mostrar que ele tem duas cópias mutantes do gene ATP7B, isso confirma
o diagnóstico.

A gravidade dos sintomas pode variar bastante entre diferentes pessoas


com Doença de Wilson, mesmo dentro da mesma família. Isso pode
ocorrer por causa das diferentes mutações no gene ATP7B ou devido a
outros fatores genéticos e ambientais que influenciam como o corpo lida
com o cobre. Dois irmãos com a Doença de Wilson podem apresentar
sintomas diferentes. Um pode ter mais problemas neurológicos (como
tremores e dificuldades de movimento), enquanto o outro pode ter mais
problemas hepáticos (como cirrose).

6
Capítulo 2:
SUAS MANIFESTAÇÕES

As manifestações clínicas ocorrem em qualquer idade, porém o período


em que os sintomas mais se fazem presentes são entre os oito e 20 anos
de idade. Esta doença apresenta um amplo espectro de indícios, como
distúrbios hepáticos, metabólicos, neuropsiquiátricos e sistêmicos.
(Brito, José. 2005).

Por conta do mecanismo de ação da doença, o fígado é o órgão que sofre


de modo direto os efeitos adversos desse acúmulo de cobre. Por
consequência, há em maiores números disfunções hepáticas, como
hepatite aguda, insuficiência hepática progressiva e esplenomegalia, que
é caracterizada pelo aumento do baço, esse aumento pode ser causado
pela cirrose, que é também um dos resultados da DW e também pela
hipertensão portal, em que há o aumento da pressão sanguínea da veia
porta. Outros sintomas originários deste órgão são a esteatose hepática e
a hepatomegalia. (Prado, Ana Lúcia, 2004).

Esses sintomas são refletidos nos exames de sangue, como a fosfatase


alcalina, ácido úrico, transaminases e ceruloplasmina, este em questão o
mais importante no diagnóstico já que é uma proteína carreadora de
cobre plasmático. A anemia hemolítica (com teste de Coombs negativo)
também pode se fazer presente, já que há a hemólise por conta da
destruição de hepatócitos, as células do fígado, todos esses sinais
ocasionados principalmente pela hepatite fulminante, em que há
episódios de icterícia. (Brandão, Rodrigo. Doença de Wilson, 2015).

7
Os aneis de Kayser-Fleischer e a alteração de ceruloplasmina no sangue
são as manifestações clínicas de maior importância para o diagnóstico da
DW. Os aneis de K-F são camadas de granulações de cobre com
tamanhos variados depositados na córnea, que em sua maioria
acometem os dois olhos (Bilaterais) e simétricos, geralmente são vistos à
olho nu, porém pode haver a realização de exames como microscopia
eletrônica e histoquímica. (MOREIRA et. Al, 2002).

Figura 1 – Anéis de Kayser-Fleischer

Fonte: UFMG, 2013

Sintomas mais tardios também podem ocorrer, como os neurológicos,


em que podem ser distônicos e discinéticos. As manifestações discinéticas
caracterizam-se por tremores e falta de coordenação motora, já os
distônicos podem ser reflexos anormais e rigidez (distonia). Outras
ocorrências também podem se desenvolver, tal como a dispneia, que é a
dificuldade de deglutição, resposta ocular anormal, mudanças
comportamentais e deterioração da caligrafia. (Brandão, Rodrigo.
Doença de Wilson, 2015).

8
Anormalidades psiquiátricas podem ser encontradas na degeneração
hepatolenticular (DW), como depressão, comportamento antissocial, que
gera isolamento, esquizofrenia, alucinações e delírios. O
comprometimento do SNC, deve-se principalmente às lesões de gânglios
da base, porém o cerebelo, córtex e a massa cinzenta também podem
estar envolvidos. (Brandão, Rodrigo. Doença de Wilson, 2015).

Além de comprometimento hepático e neurológico, outras áreas do


corpo podem ser afetadas, como os rins, em que há nefrolitíase e
aminoacidúria, nos olhos pode haver o surgimento de catarata, e
anormalidades esqueléticas como osteoporose e artrite. (Brandão,
Rodrigo. Doença de Wilson, 2015).

9
Capítulo 3:
EXAMES
A Doença de Wilson pode se manifestar através de diversos sintomas e
sinais, esses que são confirmados através de exames clínicos e de
imagem. Entre esses exames estão inclusos: Cobre Urinário, Cobre
Hepático, Ceruloplasmina Sérica, marcadores hepáticos e análise de
mutação genética.
O exame de cobre urinário é caracterizado pela coleta de urina do
paciente em 24 horas, o método utilizado é de Espectrometria de Massas
(MS), em que se utiliza a proporção de massa em relação à carga (m/z)
para identificar compostos em uma amostra, sendo seu valor de
referência 2,0 a 80,0 µg/L. Já o cobre hepático também se vale do mesmo
método havendo diferença apenas nos valores de referência, em que o
sexo feminino é de 80 a 155 µg/dL, e o sexo masculino: 70 a 140 µg/dL.
(Manual de Exames, Fleury, 2024).
A ceruloplasmina sérica e os marcadores hepáticos são exames de grande
diferencial no diagnóstico da DW. Entre os marcadores hepáticos estão
as aminotransferases: aspartato aminotransferase (AST) e alanina
aminotransferase (ALT), que se baseiam da metodologia cinética
contínua em ultravioleta, com valores de referência de até 32 e 33U/L. Já
a fosfatase alcalina, um importante marcador hepático, utiliza-se do
método cinético colorimétrico, em que baseia-se na medição da cor da
amostra de teste em diferentes intervalos de tempo após a adição do
reagente, com valores normais de 0 U/L a 150 U/L. A ceruloplasmina
sérica, é por medida governamental, feita pelo método de nefelometria,
fenômeno por meio do qual a luz, passando através de um meio com
partículas dispersas, é atenuada na intensidade por difusão, e seu tem
valor de referência de 22 a 58 mg/dL. (Manual de Exames, Fleury, 2024).
10
A análise de mutação genética é feita a partir do sequenciamento
genético de nova geração (NGS), que consiste no sequenciamento
massivo paralelo dos fragmentos do DNA, para esse caso do
cromossomo 13, analisando o gene ATP7B. O resultado é avaliado por
interpretação médica. (DB Diagnósticos do Brasil, Guia de Exames,
2022).

11
Capítulo 4:
DIAGNÓSTICO
O diagnóstico para a Doença de Wilson é realizado a partir da suspeita clínica
devido a combinação de fatores que não parecem estar relacionados, como
sintomas oftalmológicos, sinais de dano hepático e alterações comportamentais
neurológicas.
Para ser diagnosticada com maior assertividade, são realizados vários exames,
como a detecção do anel de Kayser-Fleischer por lâmpada de fenda, determinação
de ceruloplasmina e cobre sérico livre, concentração de cobre no parênquima
hepático e na excreção urinária, testes genéticos, anemia hemolítica e métodos de
imagem cerebral e genéticos (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2018), descritos a
seguir.
Os anéis de Kayser-Fleischer (K-F) são alterações
pigmentares na membrana de Descemet, na
periferia da córnea, causadas pela deposição de
cobre, resultando em uma coloração marrom-
dourada. Embora sua presença não indique
necessariamente a Doença de Wilson, eles são
Figura 2 - Anéis de Kayser-Fleischer
comuns em muitos pacientes com a doença. O Fonte: UFMG, 2013
exame para detectar esses anéis é realizado com
uma lâmpada óptica ou biomicroscopia ocular,
permitindo aos oftalmologistas visualizar desde a
córnea até o nervo óptico (MOREIRA et. Al,
2002).
A determinação da ceruloplasmina é feita por meio
da coleta de sangue, geralmente após 4 horas de Figura 3 - Exame de sangue
Fonte: Fleury, 2023.
jejum. A amostra de sangue é coletada por punção Na Doença de Wilson, cerca de 80 a
venosa em um tubo sem anticoagulante. Após a 95% dos pacientes apresentam
coleta, a amostra é centrifugada para separar o níveis muito baixos de
ceruloplasmina, geralmente
plasma ou soro, onde a ceruloplasmina é analisada
inferiores a 20 mg/dL
por testes bioquímicos para verificar sua
(MINISTÉRIO DA SAÚDE,
concentração. 12 2023).
Os níveis de cobre podem ser avaliados por meio de exames laboratoriais como
o de excreção de cobre urinário e os níveis de cobre sérico. No exame de
excreção de cobre urinário em 24 horas, o paciente coleta todas as amostras de
urina durante o dia (exceto a primeira) e as envia para análise. Os valores de
referência geralmente ficam entre 20 a 50 ug/24h, mas na Doença de Wilson, os
valores costumam ser pelo menos duas vezes maiores que o limite superior da
normalidade.
Além disso, o paciente pode realizar o exame com a administração do fármaco
D-penicilamina, que é um agente fixador de íons metálicos. Isso é feito para
melhor análise e interpretação dos resultados, pois a D-penicilamina ajuda a
mobilizar o cobre no organismo, permitindo uma avaliação mais precisa da
excreção de cobre na urina (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2023).

A concentração de cobre também pode ser medida no parênquima hepático. É


feita uma biópsia com um fragmento do fígado e, caso os valores sejam acima
de 250 ug/g, esta é considerada a melhor evidência para o diagnóstico da
Doença de Wilson (UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, 2018).
Podem ser feitos também exames hepáticos que analisam as atividades das
transaminases séricas, como o TGO e o TGP, encontrados em níveis de, pelo
menos, duas vezes acima dos valores considerados normais.

Figuras 4 e 5: Biópsia hepática e Fígado


com acúmulo de cobre.
Fonte: Hospital Oswaldo Crus, 2021.

13
A anemia hemolítica, doença caracterizada pela
destruição de glóbulos vermelhos por Figuras 6 e 7: Teste de Coombs e visão
autoimunidade, também é um indicativo para a microscópica.
Doença de Wilson. No caso, é realizado o chamado Fonte: Research Gate, 2023.
teste de Coombs direto, para detectar anticorpos
aderidos aos eritrócitos, indicando reação
autoimune. Caso o resultado seja negativo, pode-se
considerar um desdobramento da Doença de Wilson
(MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2023).

Por fim, temos exames de imagem do cérebro, como a ressonância magnética, que pode
detectar algumas alterações precoces e, principalmente, o sinal chamado “face do panda
gigante”, que acomete o mesencéfalo e os gânglios de base, e os estudos genéticos, os
quais permitem identificar a Doença de Wilson ainda no primeiro ano de vida.
(MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2023).

Figura 8: Ressonância Magnética com a Face do Panda Gigante.


Fonte: Brito, J. C. de F., Coutinho, M. de A. P., Almeida, H. J. F. de ., & Nóbrega, P. V. da .. (2005). Doença
de Wilson: diagnóstico clínico e sinais das "faces do panda" à ressonância magnética. Relato de caso.
Arquivos De Neuro-psiquiatria, 63(1), 176–179.
14
Ministério da Saúde
TABELA DIAGNÓSTICA
O Ministério da Saúde aprovou, em 2018, o Protocolo Clínico e
Diretrizes Terapêuticas da Doença de Wilson, que contém o conceito
geral da doença de Wilson, critérios de diagnóstico, critérios de inclusão
e de exclusão, tratamento e mecanismos de regulação, controle e
avaliação que contém o conceito geral da doença de Wilson, critérios de
diagnóstico, critérios de inclusão e de exclusão, tratamento e
mecanismos de regulação, controle e avaliação. De acordo com este
protocolo, os pacientes serão acometidos com a Doença de Wilson caso
possuam características com 4 ou mais pontos da tabela a seguir:

15
Capítulo 5:
TRATAMENTO
A doença de Wilson trata-se de uma patologia
que não tem cura, portanto, o tratamento
serve para controlar os sintomas e melhorar a
qualidade de vida do paciente, sabendo-se que
se não tratada pode levar à morte

A primeira linha de tratamento são os medicamentos denominados quelantes,


cujo mecanismo de ação é ligar-se ao cobre livre acumulado nos tecidos e
transportá-lo para que seja excretado pela urina. A penicilamina é o principal
fármaco receitado, as doses ministradas habitualmente são entre 250mg/dia
aumentando 250mg a cada 4/7 dias chegando ao máximo de 1000-1500 mg/dia.
Em pacientes com a forma neurológica e que apresentam efeitos adversos é feita
a substituição pela trientina que age da mesma forma no organismo porém
apresenta menor neurotoxicidade. (Filipa, Vânia. 2016)
Os sais de zinco também são uma alternativa pois agem impedindo a absorção
de cobre no intestino, entretanto, são comumente utilizados na terapia de
manutenção associada aos quelantes somente em pacientes mais graves visto
que estudos apontam um alto índice de efeitos adversos. Pode ser administrado
inicialmente nos pacientes assintomáticos. (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2023)
O transplante de fígado é necessário em casos onde ocorre insuficiência
hepática aguda, cirrose descompensada ou quando não há resposta satisfatória
ao tratamento medicamentoso. (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2023).
Além da terapia medicamentosa é de suma importância que o paciente siga
uma dieta controlada para evitar ingestão de grandes quantidades de alimentos
ricos em cobre principalmente no primeiro ano do tratamento farmacológico
como cacau, vísceras, mariscos, nozes e feijão.
É importante ressaltar que o tratamento deve ser iniciado desde o momento do
diagnóstico até o fim da vida, afim de evitar também que diferentes órgãos
sejam afetados pelo excesso de cobre livre presente no plasma.

16
Capítulo 6:
PROGNÓSTICO
A Doença de Wilson é uma condição genética que interfere na forma
como o corpo metaboliza o cobre, causando um acúmulo tóxico desse
metal, principalmente no fígado e no cérebro. Esse acúmulo pode levar a
uma série de problemas graves se não for tratado a tempo. O
prognóstico da Doença de Wilson pode variar bastante dependendo de
quando a doença é diagnosticada e como o tratamento é seguido. (J
Hepatol. 2012).
Quando a doença é identificada cedo, antes que ocorram danos graves
ao fígado ou ao cérebro, e o paciente começa o tratamento adequado, o
prognóstico é geralmente bom. Isso significa que, com medicamentos
que ajudam a controlar os níveis de cobre no corpo (como penicilamina,
trientina ou zinco), os pacientes podem levar uma vida quase normal. O
tratamento ajuda a eliminar o excesso de cobre ou impedir sua absorção.
(J Hepatol. 2012).
Se a doença é diagnosticada em um estágio avançado, quando o paciente
já apresenta danos significativos ao fígado ou problemas neurológicos
graves, o prognóstico é mais reservado. Nesses casos, pode ser necessário
um transplante de fígado se houver insuficiência hepática fulminante.
Além disso, os danos neurológicos, se não tratados a tempo, podem ser
irreversíveis. (Ferenci P. 2004).
Pacientes com Doença de Wilson precisam ser monitorados regularmente
para garantir que os níveis de cobre e a função hepática estejam sob
controle. Isso ajuda a ajustar o tratamento conforme necessário e a
prevenir complicações futuras. (Ferenci P. 2004).

17
Capítulo 7:
PRODUÇÃO ARTISTICO CULTURAL

Figura 10 - Amazon Prime Vídeo


Temos como representação artística-cultural um episódio da série de TV
Dr. House, onde uma paciente chega ao pronto socorro com um caso de
trombose venosa profunda. Essa paciente teve seu diagnóstico de
esquizofrenia há dois anos pois possui alterações na personalidade e
também psicose.
Alem desses fatores, seu fígado está comprometido pela cirrose, o que
indicaria o consumo em excesso de álcool.

A doença de wilson pode ser facilmente confundida com outras


patologias, já que seus sintomas não são específicos para aquela doença,
afetando o cérebro e o fígado, órgãos distintos do corpo humano.

Na trama apresentada seu personagem principal não descobre a doença,


e sim sua colega de trabalho, Dra. Cameron, ela relembra que existe uma
doença que causa o acúmulo de cobre no corpo, assim levando ao Dr.
que realizasse um exame onde ele verifica os olhos de sua paciente onde
mostra o anel dourado em volta, após isso foram realizados os exames e
assim descoberto seu diagnóstico.
18
Capítulo 8:
NOTICÍA
“Nesta segunda-feira (1), Elynne Gabrielle Moreira de Oliveira, de 34 anos, faleceu
em decorrência da doença de Wilson em Aracaju.
O caso dela foi acompanhado pela TV Atalaia desde 2016, quando ela concedeu a
primeira entrevista pedindo ajuda para conseguir a medicação necessária. Desde
então, a jovem travou uma luta de altos e baixos contra a doença, chegando a perder
parcialmente os movimentos e a fala.
Nas entrevistas, Ellyne contava que tinha bastante dificuldade em ter acesso aos
medicamentos com a Secretaria do Estado da Saúde (SES), já que comprá-los era
inviável financeiramente.

No dia 17 de fevereiro de 2023, quando ela gravou a última reportagem com a TV


Atalaia, o remédio já estava em falta há nove meses na SES. Aliás, segundo a
família, a morte de Ellyne poderia ter sido evitada caso ela estivesse tomando os
medicamentos de maneira regular.
A SES, por sua vez, informou que a usuária do Sistema Único de Saúde (SUS)
estava seguindo o tratamento prescrito com acesso à medicação e não houve
descontinuidade no fornecimento.
"A paciente realizou a retirada no Centro de Atenção à Saúde de Sergipe (Case), do
medicamento Penicilamina, nos meses de julho, agosto, setembro, outubro e
novembro de 2023. Em razão da dificuldade de efetuar a compra do medicamento
Penicilamina devido a recusa das fabricantes, a SES e o Ministério Público entraram
com uma liminar em 2023 para conseguir acesso à medicação para pacientes com a
doença", detalhou a SES, por meio de nota.”

Fonte: TV Atalaia, 2024

19
Capítulo 9:
PROCEDIMENTO OPERACIONAL
PADRÃO
Modelo de Procedimento Operacional Padrão (POP) para diagnóstico da
Doença de Wilson

1. OBJETIVO:

Estabelecer condutas para identificação, diagnóstico, tratamento e


prognóstico de pacientes com a Doença de Wilson

1. DIAGNÓSTICO

1. Suspeita clínica
a. Analisar o histórico familiar para a Doença de Wilson;
b. Verificar disfunções hepáticas sem causa aparente;
c. Verificar os anéis oculares de Kayser-Fleischer;
d. Observar sinais neurológicos-motores e psiquiátricos.

Exame Oftalmológico
Exame Oftalmológico - com lâmpada de fenda: o responsável
oftalmologista deve utilizar o microscópio com grande aumento, que
permite a visualização das células oculares; assim, é possível identificar a
presença de depósitos de cobre e os aneis de K-F.

20
Exames Laboratoriais

Exame Laboratorial Inicial - Ceruloplasmina sérica: realizar a


coleta de sangue por meio da punção venosa, respeitando todos os
protocolos indicados. No laboratório, centrifugar a amostra para
separar o soro dos demais elementos do sangue, e realizar análise
por nefelometria.

Exame Laboratorial Inicial - Cobre sérico: realizar a coleta de


sangue também por meio da punção venosa, respeitando todos os
protocolos indicados. No laboratório, centrifugar a amostra e
utilizar espectrofotometria e kits bioquímicos para análise.

Exame Laboratorial - Marcadores hepáticos: realizar a coleta de


sangue por meio da punção venosa, respeitando todos os
protocolos indicados. No laboratório, analisar de acordo com os
kits bioquímicos e espectrofotometria, verificando níveis de TGP,
TGO e transaminases.

Exame Laboratorial - Urinálise: Após o paciente ter sido orientado


corretamente sobre a coleta de urina horas, calcular o volume total
da urina coletada e selecionar amostra para verificar a quantidade
de cobre. Usar espectrofotometria e kits bioquímicos para análise.

21
Exame de Imagem

Exames de Imagem - Ressonância Magnética ou Tomografia


Computadorizada para avaliação Neurológica: remover objetos metálicos
do paciente, explicar sobre o exame e posicioná-lo corretamente.
Realizar o exame de acordo com as orientações do equipamento, e
procurar por alterações nos gânglios de base, tremor rubral, núcleo
caudado e sinais de panda gigante, característicos da doença.
Exames de Imagem - Ressonância Magnética, Tomografia
Computadorizada ou Ultrassonografia para avaliação hepática: remover
objetos metálicos do paciente, explicar sobre o exame e posicioná-lo
corretamente. Realizar o exame de acordo com as orientações do
equipamento, e procurar por sinais de hepatomegalia, fibrose e cirrose,
também característicos da doença.

Exames Genéticos
Exame Genético - Análise para mutações no gene ATP7B: realizar a
coleta de amostra (sangue coletado por punção venosa); extrair o DNA
da amostra de forma manual ou com kits bioquímicos; amplificar o
DNA através da cadeia de polimerase (PCR); sequenciar o gene ATP7B
de interesse; analisar dados procurando por variações genéticas que
podem envolver a herança autossômica recessiva causadora da Doença
de Wilson.

Exame de Biópsia Hepática


Exame de biópsia hepática - análise do cobre hepático: Após a coleta da
amostra hepática, utilizar da espectrofotometria de emissão óptica ou de
massa para quantificar os níveis de cobre na amostra.

22
RESULTADOS ESPERADOS:
O procedimento descrito visa estabelecer orientações para maior
assertividade no diagnóstico da Doença de Wilson, visto que é uma
doença com sintomas que, inicialmente, não parecem estar conectados.

23
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CONITEC. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas Doença de Wilson.
Disponível em: <[Link]
[Link]/images/Relatorios/2018/Relatorio_PCDT_DoencaWil
[Link]>. Acesso em: 15 de maio de 2024.
DE, I.; BIOMÉDICAS, C.; SALAZAR, A. Mestrado Integrado em
Medicina Dificuldades do diagnóstico e tratamento da Doença de Wilson.
[s.l: s.n.]. Disponível em: <[Link]
[Link]/bitstream/10216/90749/2/[Link]>. Acesso em 15 de maio
de 2024.
‌DIRETRIZES, P. Relatório de Recomendação. [s.l: s.n.]. Disponível em:
<[Link]
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JOHNSON, L. E. 2023 Doença de Wilson. Disponível em:
<[Link]
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‌LÚCIA, A. et al. RELATO DE CASO UMA REVISÃO SOBRE A
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MAYO CLINIC. Wilson disease - Genetic and Rare Diseases Information
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<[Link] Acesso
em 10de maio de 2024.
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<[Link]
disease/symptoms-causes/syc-20353251>. Acesso em 11 de maio de 2024.

24
MEDICINA NET. Doença de Wilson: dos Sintomas ao Diagnóstico e
Tratamento MedicinaNET. Disponível em:
<[Link]
[Link]>. Acesso em: 17 maio. 2024.
MEDLINEPLUS. Wilson disease: MedlinePlus Genetics. Disponível em:
<[Link] Acesso em
13 de maio de 2024
MINISTÉRIO DA SAÚDE SECRETARIA DE ATENÇÃO À SAÚDE
SECRETARIA DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INSUMOS
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