Escola Básica e Secundária Henrique Sommer
Ficha de avaliação de _Português – 10º ano -V2
Nome _________________________________________________________ N.º
________ Turma __ Data ___________
Pontuação Professora
Inês Santos
Domínio Educação Literária
[Link] Educação
1
________________________
Domínios Leitura
Gramática
Mensagens Educação Literária
Ondados fios d’ouro reluzente
Ondados fios d’ouro reluzente,
que agora da mão bela recolhidos,
agora sobre as rosas estendidos,
fazeis que sua graça s’ acrecente;
5 olhos, que vos moveis tão docemente,
em mil divinos raios encendidos,
se de cá me levais alma e sentidos,
que fôra, se de vós não fôra ausente?
Honesto riso, que entre a mor fineza
10 de perlas e corais nasce e parece,
se n’alma em doces ecos não o ouvisse!
S’ imaginando só tanta beleza
de si, em nova glória, a alma s’ esquece,
que fará quando a vir? Ah! quem a visse!
Luís de Camões, Rimas (texto estabelecido e prefaciado por
Álvaro J. da Costa Pimpão), Coimbra, Almedina, 2005 [1994], p. 164.
Apresenta, de forma bem estruturada, as tuas respostas aos itens que se seguem.
1 Apresenta três traços do retrato feminino, fundamentando com expressões textuais.
2 Em quantas partes poderias dividir este poema? Justifica a tua resposta.
3 4 -Escreve uma breve exposição, de 100 a 150 palavras, sobre o modo como, através da poesia,
Camões reflete sobre a sua vida pessoal. Apresenta um exemplo de uma composição poética em
que tal sucede.
PARTE B
Português -10ª ano -V2
Lê o texto e, se necessário, consulta as notas de vocabulário.
Aqui vem Lianor Vaz, e finge Inês Pereira estar chorando, e diz Lianor Vaz:
Lia. Como estais, Inês Pereira?
Inês Muito triste, Lianor Vaz.
Lia. Que fareis ao que Deos faz?
Inês Casei por minha canseira. 2
5 Lia. Se ficastes prenhe basta.
Inês Bem quisera eu dele casta,
mas não quis minha ventura.
Lia. Filha, não tomeis tristura,
que a morte a todos gasta.
10 O que havedes de fazer?...
Casade-vos, filha minha.
Inês Jesu, Jesu! Tão asinha1?
Isso me haveis de dizer?
Quem perdeo um tal marido,
15 tão discreto e tão sabido,
e tão amigo de minha vida?
Lia. Dai isso por esquecido,
e buscai outra guarida2.
Pero Marques tem, que herdou,
20 fazenda de mil cruzados.
Mas vós quereis avisados...
Inês Não! Já esse tempo passou.
Sobre quantos mestres são
experiência dá lição.
25 Lia. Pois tendes esse saber,
querei ora a quem vos quer,
dai ò demo a opinião3.
Vai Lianor Vaz por Pero Marques, e fica Inês Pereira só, dizendo:
Andar! Pero Marques seja.
Quero tomar por esposo
30 quem se tenha por ditoso
de cada vez que me veja.
Por usar de siso mero4,
asno que me leve quero,
e não cavalo folão5.
35 Antes lebre que leão,
antes lavrador que Nero.
António José Saraiva (apresentação e leitura), Teatro de Gil Vicente,
Lisboa, Dinalivro, pp. 200-202.
1 cedo; rapidamente; 2 abrigo, proteção, amparo, adiante!; 3 esquecei o passado; 4 para proceder com todo o juízo; 5 fogoso.
1 Apresenta uma justificação para a atitude de fingimento que Inês adota no início do texto, quando
é interpelada por Lianor Vaz, relacionando-a com a caracterização que faz do marido.
Português -10ª ano -V2
2 Relaciona o conteúdo do monólogo de Inês Pereira com a frase que esteve na base do argumento
da peça, “Mais quero asno que me leve que cavalo que me derrube”.
3 Completa as afirmações abaixo apresentadas, selecionando a opção adequada a cada espaço.
A expressão a. ___________ demonstra que por vezes só aprendemos com a vida, com as
3
experiências que ela nos vai proporcionando. Foi o que aconteceu com Inês Pereira, que mudou de
opinião sobre b. __________, depois da c. ___________ que viveu durante o casamento com o
Escudeiro.
a. b. c.
1. “experiência dá lição” (v. 24) 1. o caráter do escudeiro 1. clausura
2. “Andar!” (v. 28) 2. a idiotice de Pero Marques 2. felicidade
3. “Por usar de siso” (v. 32) 3. o conceito de bom marido 3. liberdade
Leitura
Nas respostas aos itens de escolha múltipla, seleciona a opção correta.
Lê o texto e as notas.
Dia Mundial do Elástico
Eu gosto de pessoas. Muito. O que dispenso bem são multidões. Isso e dias em que a felicidade
parece ser obrigatória. Até porque é exatamente nesses dias que a nostalgia decide atacar-me.
Eu tentei. Durante 30 anos da minha vida, Deus sabe que tentei. Casinos, hotéis, festas de aldeia,
casas de amigos, Lisboa, Porto e Albufeira. Penso que só me faltou a neve, mas aí o investimento era
5 demasiado elevado para a quantidade de sacrifício que envolvia. Tentei de calças de ganga e camisola
larga, tentei de vestido elegante e salto agulha. Ouvi Xutos e Pontapés, música clássica e Quim
Barreiros. Tentei com marisco e com frango assado. Brindei com copos trazidos diretamente de
Murano1 numa viagem fantástica e com copos de plástico descartável comprados no Intermarché.
Tentei tudo e de todas as maneiras. Até que desisti.
10 Desistir foi absolutamente libertador, acreditem. Sou capaz até de afirmar que desistir foi uma
das minhas melhores ideias de sempre. E num ano em que o pai dos miúdos foi trabalhar de noite e
em que a idade deles ainda servia perfeitamente de desculpa para não sair de casa, fiz aquilo que há
anos desejava em segredo: ouvi as 12 badaladas da meia-noite refastelada no sofá, em pijama, a comer
panquecas cheias de Nutella, enquanto os via dormir no sofá ao lado. Eu e eles. Em sossego. Longe do
15 frenesim2 das passas. […]
Sabem, 2022 foi mais um ano de subtração. […] Uma guerra no nosso quintal, uma inflação que
nos esmaga, taxas de juro a subir e mais gente do que nunca a precisar de ajuda alimentar. Nada disto
vai desaparecer, porque o ano mudou, embora também eu seja atraída pela ideia da página em branco
e pela metáfora do recomeço. Ouço estas coisas e sinto-me a voar para elas como um mosquito para
20 a luz. Mas há sempre alguém, aqui dentro da minha cabeça, que desliga o interruptor no momento
certo e que me faz recordar que o dia 1 de janeiro é o dia que se segue ao 31 de dezembro. Tão-só e
apenas isso.
Português -10ª ano -V2
Ainda assim, não estou aqui para ser desmancha-prazeres e, como tal, deixem-me dizer-vos que,
mesmo não acreditando que um calendário novo traga mudanças, acredito no poder dos sonhos e
25 esses podem mesmo vir com o Ano Novo.
Uma vez li uma frase, num desses livros que vendem como pães com chouriço quentes no final
da Queima das Fitas, que só é jovem quem tem mais sonhos do que recordações. A verdade é que me
pareceu uma boa definição de juventude, até porque, e cada vez mais me convenço disso, ser jovem
tem muito pouco que ver com a idade. A juventude mede-se em sonhos. Aliás, no início de cada ano, 4
30 acredito que todos temos a oportunidade de sonhar um bocadinho mais do que o habitual.
No meu caso concreto, quando rio (e eu rio muito), fico sempre com três vincos enormes na testa.
E com patas de galinha no canto externo dos olhos. […] Ainda assim, mesmo mascarada de Grinch de
Ano Novo, mesmo mais velha, aqui estou eu sem vontade de olhar para trás. É para a frente que me
dirijo. […]
35 Só não vale é depois celebrar com fogo de artifício, porque, como bem sabemos, isso já seria
esticar a corda e não consta que o dia 1 de janeiro seja, em qualquer ponto do mundo, o Dia Mundial
do Elástico.
Carmen Garcia, in [Link]
(consultado em janeiro de 2023, texto adaptado e com supressões)
NOTAS
1 Murano: arquipélago da lagoa de Veneza.
2 frenesim: excitação; impaciência, inquietação.
1. No segundo parágrafo, Carmen Garcia revela que se esforçou para
A. sentir nostalgia em dias de contacto com multidões.
B. tentar isolar-se de várias pessoas nas passagens de ano.
C. confraternizar com numerosas pessoas em vários contextos.
conviver em eventos sociais com os quais se identificou.
D.
2. No contexto em que ocorre, a palavra «libertador» (l. 10) é sinónima de
A. intenso.
B. suficiente.
C. inesperado.
D. tranquilizante.
3. Através da descrição da passagem de ano vivida em casa (ll. 10-15), a cronista
A. valida a sua atitude de desistência.
B. contradiz a importância da sua desistência.
C. comprova a necessidade da convivência social.
D. explica a tendência para a convivência social.
Português -10ª ano -V2
4. Na expressão «Ouço estas coisas e sinto-me a voar para elas como um mosquito para a luz.» (ll. 19-
-20), a cronista utiliza a
A. metáfora para realçar a atração pela luz demonstrada por um simples mosquito.
B. comparação para enfatizar a sua atração pela ideia de recomeço.
5
C. comparação para pôr em evidência a desvalorização do recomeço.
metáfora para destacar a oposição entre um passado recente e o presente.
D.
5. Ao fazer a referência ao ano de 2022 como «mais um ano de subtração» (l. 16), a autora enfatiza a
sua consciência da diminuição
A. dos problemas económicos, políticos e sociais.
B. da capacidade de fazer face a problemas atuais.
C. dos conflitos mundiais e das suas consequências.
D. da possibilidade de ocorrência de novas soluções.
6. Para a autora, a ideia de mudança associada ao Ano Novo é
A. condenável.
B. aceitável.
C. redundante.
fundamental.
D.
7. No contexto desta crónica, o conceito de «juventude» (l. 28) consiste em valorizar
A. os momentos passados.
B. os projetos profissionais
C. as aspirações futuras.
. a passagem do tempo.
D.
8. As expressões «esticar a corda» e «Dia Mundial do Elástico» (ll. 36-37) estão associadas à ideia de
A. . exagero de pressão.
B. excesso de entusiasmo.
C. falta de ambição.
D. escassez de emoção
Português -10ª ano -V2
Gramática
Os itens que se seguem têm por base o texto do domínio da Leitura, exceto quando indicado.
1. Indica a palavra que é o referente do pronome sublinhado em «E num ano em que o pai dos miúdos
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foi trabalhar de noite e em que a idade deles ainda servia perfeitamente de desculpa para não sair
de casa» (ll. 11-12).
2. Identifica a função sintática desempenhada por:
a) «dos miúdos» (l. 11);
b) «no poder dos sonhos» (l. 24).
3. O pronome pessoal «me» nas linhas 2 e 4 desempenha as funções sintáticas de
A. complemento direto, em ambos os casos.
B. complemento indireto, em ambos os casos.
C. complemento indireto e complemento direto, respetivamente.
D. complemento direto e complemento indireto, respetivamente.
4. Tal como em «que envolvia» (l. 5), está presente uma oração subordinada adjetiva relativa em
A. «que tentei» (l. 3).
B. «que só me faltou a neve» (l. 4).
C. «que desliga o interruptor» (l. 20).
D. «que o dia 1 de janeiro seja […] o Dia Mundial do Elástico» (ll. 36-37).
5. Na frase: “No início de cada ano, acredito que todos temos a oportunidade de sonhar um bocadinho
mais do que o habitual”, identifica e classifica a oração subordinada.
6- Na frase : “O que dispenso bem são multidões.”, a expressão sublinhada desempenha a função
sintática de :
A. . Sujeito
B. Complemento do nome
C. Complemento direto
D. Predicativo do sujeito
7. Em «Uma vez li uma frase, num desses livros que vendem como pães com chouriço quentes no final
da Queima das Fitas, que só é jovem quem tem mais sonhos do que recordações.» (ll. 26-27) configura-
se um ato ilocutório
A. expressivo.
B. compromissivo. 7
C. assertivo.
declarativo.
D.
8. Em « Na frase “Uma vez li uma frase, num desses livros que vendem como pães com chouriço
quentes no final da Queima das Fitas, que só é jovem quem tem mais sonhos do que
recordações.”,
8.1. As palavras sublinhadas são respetivamente:
A.; Pronome; conjunção e conjunção;
B: Pronome; conjunção e pronome
C- Conjunção; pronome e pronome;
D- Conjunção; conjunção e pronome
8.2- Indica a função sintática do primeiro que
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