1.
1 Brasil Colônia (1500 a 1888)
O período do descobrimento, também denominado de Brasil Colônia, surge com a necessidade
de incluir práticas sanitárias para o controle de doenças de fácil contaminação, devido às
condições de higiene precária da população.
A grande dificuldade deste Brasil colônia, marcava por termos poucos médicos, pois a
população não tinha poder aquisitivo para pagar consulta, sendo assim, praticava-se muito a
“sangria” método de extrair sangue do doente para curá-lo e o uso de purgativos nos
tratamentos.
Com tantas dificuldades para atender as pessoas doentes, a maioria da população utilizava a
medicina popular (cultura indígena, jesuítas e africana).
A varíola, doença hoje erradicada no mundo, mas conhecida desde 3.000 a.C, foi introduzida
no Brasil pelos colonizadores portugueses, provavelmente vindo da Europa e da África. Sabe-
se que a primeira epidemia de varíola ocorreu em 1563, na Bahia.
As comunidades indígenas eram as mais vulneráveis e muitas tribos foram extintas pelas
epidemias da doença.
Figura 1 - Criança com varíola
Brás Cubas fundou a Irmandade da Misericórdia e o Hospital de Todos os Santos na cidade de
Santos em 1543. Esses locais davam assistência aos doentes vítimas de longas viagens
marítimas. A partir dessas primeiras instituições de assistência, outras se seguiram, como por
exemplo a de Olinda (1540), da Bahia (1550), de Belém do Pará (1654), de São Paulo (1714).
Essas instituições tinham o compromisso de socorrer os enfermos e abrigar os indigentes.
Em 1685 a 1694, acontecia a campanha sanitarista para combater a epidemia de febre amarela
em Recife e Olinda.
1.2 A República Velha/ Primeira República (1889 a 1930)
Período marcado pela hegemonia do café, governado pelas oligarquias regionais (São Paulo,
Rio de Janeiro, e Minas Gerais). A Abolição da Escravatura em 1888, gerou crise da mão de
obra e, também, iniciou as imigrações da Itália, Espanha e Portugal.
A falta de políticas sociais e de saúde levou ao crescimento de epidemias de cólera, febre
amarela, peste bubônica, varíola e dentre outras que acabaram prejudicando os portos
brasileiros.
Devido à necessidade de saneamento, o médico Osvaldo Cruz adotou o modelo das
campanhas sanitárias para combater endemias urbanas e posteriormente as rurais (modelo
que quebrassem a relação agente/hospedeiro).
Endemias tratam-se de qualquer fator mórbido ou doença espacialmente localizada,
temporalmente ilimitada, habitualmente presente entre os membros de uma população, cujo
nível de incidência se situe sistematicamente nos limites de uma faixa endêmica que foi
previamente convencionada para uma população e épocas determinadas.
O governo de Rodrigues Alves marcou pelas ações de “higienização”, realizadas pelo médico
Osvaldo Cruz, como uma questão de política pública de saúde. As doenças contagiosas e
mentais passaram a ser hospitalizadas para proteger a população e instituindo a
obrigatoriedade da notificação das doenças contagiosas.
A revolta da vacina ocorrida em 1904, no Rio de Janeiro, provocou insatisfação na população
contra a política da obrigatoriedade da vacinação da varíola. Essas inúmeras insatisfações
populares fizeram o governo recuar e suspender a obrigatoriedade.
Neste período, algumas doenças se destacavam como, a malária, a doença de Chagas,
tuberculose, alcoolismo e desnutrição. Dessa forma, estabeleceu-se a criação do
Departamento Nacional de Saúde Pública, que visava à expansão dos serviços de saneamento
urbano e rural, além da higiene industrial. Foram instituídas também, as Inspetorias de Higiene
do Trabalho, da Educação Sanitária e os Centros de Saúde.
Em 1923, surge a assistência previdenciária com a lei Elói Chaves que beneficiava as empresas
das estradas de ferro com o Caps (caixa de aposentadoria e pensões – assistência médica e
farmacêutica) que mais tarde, em 1926 estendeu-se aos portuários marítimos, dando início ao
sistema previdenciário no país, baseado em contribuições em longo prazo.
1.3 Período Populista – Era Vargas (1930 a 1945)
Agora, veremos um país que se inicia com objetivo de crescimento, porém centrados na
produção do trabalho, pois era importante para conquista do trabalhador. Era o Brasil virando
a página no espaço do desenvolvimento populista.
Nos tópicos anteriores, vimos um Brasil Colônia que se manteve enfermo, pois a base da cura
das doenças era meramente por ritos, feitiços, práticas e saberes populares.
Figura 1 - Trabalhadores de fábricas protestando
Com a quebra da bolsa de Nova Iorque em 1929, o café ficou desvalorizado no mercado
internacional, ocorrendo, assim, o êxodo rural, impulsionando o processo de industrialização e
urbanização. A população migrou para regiões onde tinha indústrias e intensificou mais ainda
os surtos epidêmicos, consequentemente, ocorreu uma piora nas condições de vida,
principalmente devido ao excesso populacional e falta de infraestrutura sanitária.
Surgem os Iaps (Institutos de Aposentadorias e Pensões) que beneficiam os trabalhadores com
carteiras assinadas (comerciantes, transportes e cargas, marítimos, bancários, funcionários
públicos), com assistência médica gratuita e auxilio nos casos de adoecimento e acidentes. Os
trabalhadores não formais continuavam sendo atendidos pelo setor público ou entidades de
caridades.
Os programas de saúde pública, via de regra, eram limitados pela opção política, adotados
como modelo sanitarista.
Em 1943, com a Consolidação das Leis Trabalho (CLT), o trabalhador obteve novos ganhos
como: salário mínimo, jornada de trabalho de oito horas/dia, férias remuneradas, horas extras,
direito à licença-maternidade remunerada, etc.
A assistência previdenciária e a assistência médica foram expandidas aos familiares dos
operários. Neste período observou-se um avanço das doenças infectocontagiosas, entre elas
doença de Chagas, tuberculose, lepra, tracoma, esquistossomose, ancilostomíase, etc.
Conheça agora um pouquinho sobre algumas das doenças infectocontagiosas citadas:
Doença de Chagas - Conhecida como mal de Chagas ou chaguismo, também chamada
tripanossomíase americana/Trypanosoma cruzi, é transmitida por insetos, conhecidos
no Brasil como barbeiro, ou ainda, chupança, fincão, bicudo, chupão. Ela pode tornar-
se crônica e, se não tratada, poderá ser fatal. Pacientes em estado grave são muitas
vezes encaminhados ao transplante cardíaco, porém não há cura para a doença.
Tuberculose (Tb) - Doença infectocontagiosa, causada pelo Mycobacterium
tuberculosis, a transmissão ocorre através do ar, por meio de gotículas contendo os
bacilos expelidos por um doente ao tossir, espirrar ou falar em voz alta. Quando estas
gotículas são inaladas por pessoas sadias, provocam a infecção tuberculosa e o risco de
desenvolver a doença. Ela tem cura e o tratamento com duração de, no mínimo, 6
meses.
Hanseníase (Lepra) - Doença crônica granulomatosa, proveniente de infecção causada
pelo Mycobacterium leprae. A hanseníase parece ser uma das mais antigas doenças
que acomete o homem. As referências mais remotas datam de 600 a.C. A hanseníase
tem tratamento e cura.
1.4 Período do Desenvolvimento (1946 a 1964)
Com a destituição de Getúlio Vargas, surgiu no ano seguinte, um período de liberalização do
regime político, de uma constituição democrática de inspiração liberal. Os movimentos sociais
exigiam melhorias nas condições de vida, saúde e de trabalho.
Em 1948, o plano Salte (Saúde, Alimentação, Transporte e Energia), tinha o objetivo de
melhorar a condição de saúde da população, mas não chegou a pôr em prática, devido à
escassez dos recursos financeiros.
Em 1953, aconteceu a criação do Ministério da Saúde, mantido com orçamento escasso,
voltando a campanhas e assistência médico-assistencial, regulamentado pelo Decreto nº
34.596, de 16 de novembro de 1953 (Lei nº 1.920, de 25/7/1953).
1.5 Período de Estado Militar e o Milagre Brasileiro (1964 a 1984)
Figura 1 - Manifestação da população contra a ditadura
Em 1964, a crise política leva ao golpe militar e a uma centralização na esfera federal, o que
gerou em cortes significativos no orçamento do Ministério da Saúde. As doenças e agravos,
entre elas a meningites e seus indicadores de saúde, eram omitidos ou manipulados, pois as
doenças aconteciam da mesma forma como nos períodos anteriores.
Dessa forma, em 1967, ocorreu a unificação dos institutos em INPS (Instituto Nacional de
Previdência Social), que levou um aumento da assistência médica da previdência. Assim, os
investimentos nas ações de promoção e prevenção à saúde são transferidos a compras de
serviços hospitalares das iniciativas privadas.
A consequência deste modelo que chamamos de hospitalocêntrico, e medicina de grupo,
aumentaram em muito os gastos, que necessitou a busca de empréstimo a fundo perdido.
Hospitalocêntrico: “hospital no centro”. Expressão comumente usada dentro do setor da
saúde para criticar um modelo de saúde baseado no hospital (nas ações curativas). Um modelo
que não leva em consideração a atenção básica, a prevenção (que acontece fora dos hospitais,
nas unidades básicas de saúde, na ação dos agentes comunitários de saúde, da equipe de
saúde da família, etc.) tão importantes quanto o tratamento que acontece no hospital.
Foram criados diversos órgãos para a organização do setor, entre eles o Inamps (Instituto
Nacional de Assistência Médica da Previdência Social), autarquia responsável para a assistência
médica e social e o INPS (Instituto Nacional de Previdência Social).
Em meados da década de 1970, o modelo econômico implantado pela ditadura militar, entra
em crise. A população com baixos salários, desemprego, aumento das favelas, da
marginalidade e a mortalidade infantil. O modelo de saúde previdenciário mostrava-se incapaz
de resolver os problemas de saúde coletiva.
O Plano de Pronta Ação (PPA) teve como objetivo a divisão de atendimento médico de
urgência, ficando a cargo do Ministério da Saúde e Ministério da Previdência e Assistência
Social (MPAS) o pagamento dos hospitais, conveniados ou não, que prestassem atendimento
aos trabalhadores.
A criação do Dataprev serviu para o controle de contas hospitalares, ampliação dos setores
conveniados e normalizações do funcionamento de setores.
Em 1975, o Sistema Nacional de Saúde (Lei 6229) tinha o objetivo de baratear e organizar os
setores de saúde, financiamentos, convênios, clínicas (prestadoras de serviços de saúde).
Em 1978, a Conferência de Alma-Ata (Cazaquistão), com um novo conceito de saúde: “estado
de completo bem estar físico, mental e social” propuseram “Saúde para todos” até o ano 2000.
Muda-se o conceito de que saúde é a ausência de doenças. Em 1980, criação do Prev-Saúde
(Programa Nacional de Serviços Básico de Saúde).
Para a reorganização do setor saúde, o governo criou o plano Conasp (Conselho Consultivo de
Administração da Saúde Previdenciária) para as ações de saúde coletiva.
Em 1983, atendendo as recomendações do Conasp foi criado o AIS (Ações Integradas de
Saúde) onde buscavam nos serviços de saúde assistenciais (federal, estadual e municipal), a
integração dos serviços de saúde, previdência e educação.
1.6 Período da Nova República e da Luta pela Reforma Sanitária (1985 a 1990)
O período marcado pelas eleições diretas à presidência da república, apesar de que o
presidente Tancredo Neves e o vice, José Ribamar Sarney, foram eleitos através da Câmara.
José Ribamar Sarney assumiu a presidência de um governo chamado de transição, devido à
morte de Tancredo Neves. Durante esta época, iniciou-se a luta pela reforma sanitária no país.
Em 1986, no Canadá, a 1ª Conferência Internacional de Promoção de Saúde, na Carta de
Ottawa, enfatizou a importância e o impacto das dimensões socioeconômicas, políticas e
culturais com relação às condições de saúde.
A promoção da saúde, segundo a Carta de Ottawa, consiste no processo que procura criar
condições para que as pessoas aumentem a sua capacidade de controlar os fatores
determinantes da saúde, no sentido de melhorá-la.
Esses fatores podem ser sistematizados em três vertentes inter-relacionadas e
complementares:
Educação para a saúde: uso da comunicação pedagógica para facilitar a aprendizagem
em saúde.
Prevenção da doença: conjunto de medidas que evitam, detectam e tratam
precocemente doenças específicas e eventuais sequelas.
Proteção da saúde: ações que visam o controle dos fatores de risco. (Carta de Ottawa)
Em 1986, o Ministério da Saúde convocou a VIII Conferência Nacional da Saúde, como marco
para a participação da sociedade civil ao processo preparatório que envolveu profissionais da
área da saúde, usuários, intelectuais, partidos políticos e sindicatos. Tendo como foco o
controle social, econômico e ambiental, foi debatido a reformulação do sistema nacional de
saúde (Reforma Sanitária) com o início da criação de um Sistema Único de Saúde.
Em 1987, foi dado um passo importante na história da saúde com a criação do Sistema
Unificado e Descentralizado de Saúde (SUDS), cujo objetivo era a consolidação das AIS (Ações
Integradas de Saúde), reforçando a descentralização dos serviços e indo ao atendimento das
necessidades da população, onde elas vivem, adoecem e morrem. Porém, a implementação do
SUDS dependia do grau de compromisso dos governantes.
Em 1988, foi promulgada a nova Constituição Federal garantindo saúde como direito do
cidadão e dever do Estado (BRASIL 1988). O artigo 196 reza que “A saúde é um direito de todos
e dever do Estado e deve ser garantida por políticas sociais e econômicas que visem à redução
do risco de doenças e de outros agravos e ao acesso universal igualitário às ações e serviços
para sua promoção, proteção e recuperação”.
Em 19 de setembro de 1990, a Lei 8080 dispõe sobre as condições para a promoção, proteção
e recuperação da saúde, regulamentando em todo o território nacional o SUS, juntamente
com suas ações e serviços de saúde, executados isoladamente ou conjuntamente, em caráter
permanente ou eventual, por pessoas naturais ou jurídicas de direito público ou privado
(BRASIL, 1990).
Figura 1 - Fotografia da VIII Conferência Nacional de Saúde
Referências:
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF, 1988.
BRASIL, Leis, Decretos. Lei nº 8080 (Sistema Único de Saúde – SUS). Brasília, DF, 1990
1.7 Vídeo sobre a história de saúde pública no Brasil
Vídeo sobre a história de saúde pública no Brasil. O método do vídeo baseia-se na
apresentação de uma linha do tempo, de acordo com as datas e anos que o narrador aborda.
Além disso, o vídeo possui locutor único.
Narrador: Fala galera! Sou Paulo Sérgio, mestre em Saúde Pública pela Universidade Federal
de Santa Catarina e líder estadual do movimento “Eu Acredito”. Hoje vou falar um pouquinho
com vocês sobre a história da saúde pública no Brasil. Esses 518 anos de Brasil fizeram com
que a saúde pública passasse por uma série de transições.
É importante entendermos, que há 500 anos atrás, o Brasil era povoado por índios que não
estavam adaptados a uma série de doenças que vieram da Europa junto com esses
portugueses, o que trouxe um processo de saúde/doença diferenciado. Já naquela época, com
a chegada da família real em 1808, chegaram também os cursos universitários, dentre eles,
cursos de medicina, fazendo com que os médicos que estavam no Brasil não necessariamente
viessem de fora, e sim, começassem a passar por formação no Brasil. Nessa época, apenas
quem tinha mais recursos financeiros conseguia ter acesso aos médicos e aos serviços de
saúde.
É importante lembrarmos que, existia muito fortemente no Brasil, as Santas Casas, que
trabalhavam com a ideia de caridade e tinham uma vinculação muito forte com entidades
religiosas. Dom Pedro II, em 1822, começa a trabalhar um viés mais voltado para as mudanças
urbanas e, dentro disso, temos no Brasil, calçamento, iluminação e aquela prática comum e
infeliz que possuímos até hoje, chamada de higienização. Onde pessoas em estado de
vulnerabilidade social maior, saem dos grandes centros forçadamente e começam a ocupar a
região periférica da cidade. A partir disso, começa a construção das favelas e das periferias no
Brasil. No início do século XX, de 1900 a 1922, as questões epidemiológicas e sanitárias
perpassam por todo o Brasil.
É importante termos em mente que, mais ou menos em meados do século passado, as
doenças transmissíveis são as doenças mais comuns. E, essa transição do tipo de doença, ela
perpassa pelo modo como a saúde vai percorrendo o Brasil. Tanto que, naquela época,
tivemos muito fortemente ações voltadas nas áreas portuárias e, também, muitas ações
voltadas para a questão da vacinação. Existia um sanitarista muito conhecido, Oswaldo Cruz,
que traz esse viés de vacinação, inclusive de uma maneira relativamente polêmica, porque
temos algumas situações que são forçadas, o que gera algumas revoltas populares.
Em 1920, temos o que chamamos de Caixas de Aposentadoria e Pensão (CAP). O que seria
isso? São pactuações entre empregado e empregador, que fazem com que, de certa forma,
esses empregados tivessem acesso a algum recurso de cunho previdenciário e de saúde. De
certa forma, isso também teve um fortalecimento, se tornando, por meio de Getúlio Vargas, os
Institutos de Aposentadoria e Pensão (IAP), que são autarquias em nível federal, e mais fortes,
porque os CAPs até então eles abrangiam um grupo muito pequeno e, a partir do momento
que vira IAP, mais pessoas passam a ter acesso. Fica muito evidente que, quem tem acesso às
ações e às questões de saúde, são as pessoas que estão relacionadas com a força de trabalho.
Isso tudo não aconteceu por amor do governo, mas sim porque era necessário que as pessoas
estivessem com a produtividade em alta, fazendo com que houvesse um retorno para o
governo. É importante também percebermos que isso enaltece as desigualdades sociais em
saúde, porque quem tinha um trabalho tinha acesso à saúde; quem não tinha um trabalho,
acaba não tendo esse acesso. Dessa forma, a tendência é que haja um distanciamento entre o
trabalhador e a pessoa que não tinha trabalho naquela época, recebendo um tratamento de
saúde por meio das Santas Casas, que não necessariamente conseguiam atender a todas as
pessoas em estado de vulnerabilidade no Brasil.
Em 1934, temos um direito, que é a licença gestante. Em 1943, temos a consolidação das leis
trabalhistas, que trazem alguns direitos também voltados para a área da saúde, mas também
fortemente vinculado a esse viés de produtividade, muitos movimentos começam a acontecer
no Brasil, muita coisa vai acontecendo, um burburinho vai acontecendo, algumas Conferências
Nacionais de Saúde vão acontecendo. Então, na década de 70/80 temos um movimento
bastante conhecido, que deu origem e ajudou a formalizar o SUS que a gente tem hoje, que é a
Reforma Sanitária.
A Reforma Sanitária é um movimento que foi consolidado e constituído por meio de
intelectuais, corpo técnico da saúde, alguns partidos políticos, movimentos sociais e, também,
muitos pesquisadores de algumas organizações, como a própria ABRASCO, Associação
Brasileira de Saúde Coletiva e a UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) que
começaram a pensar em saúde com um viés mais social, não tão biologicista, não tão voltado
para a questão clínica-assistencial de doença; a saúde passa a ser vista com um olhar mais
amplo, que é o que chamamos de conceito ampliado de saúde. Isso tudo vai gerando um
movimento e aí temos isso discutido na 8ª Conferência Nacional de Saúde, que aconteceu em
1986 e foi uma importante ação formalizada que traz subsídios para consigamos, finalmente,
colocar na Constituição Federal de 1988 aquela frase que todo mundo conhece, do artigo 196:
“A saúde é um direito de todos e dever do Estado”. Então, a Constituição Federal traz, do
artigo 196 ao artigo 200, vários tópicos voltados para a saúde e algumas questões relacionadas
aos princípios que temos hoje, como o SUS.
O SUS propriamente dito, foi formalizado como um sistema a partir das leis orgânicas da
saúde, onde temos a lei 8080, de 1990, que traz a promoção, prevenção, tratamento da saúde,
o modo de gestão do SUS e os princípios do SUS. Na lei 8142, de 1990, se faz presente um
financiamento do SUS e uma importante ferramenta que é a participação social. Então, a lei
8142, traz bem descrito de que forma acontece os conselhos de saúde e as conferências de
saúde, que são importantes instrumentos para a transparência, participação e controle da
população, perante as políticas de saúde que vão acontecer no Brasil. Para você entender um
pouquinho mais sobre os princípios do SUS e dos mecanismos de participação social, convido
você a assistir os próximos vídeos, muito obrigado!
Avaliação
Qual a expressão comumente usada dentro do setor da saúde para criticar um modelo de
saúde baseado no hospital (nas ações curativas)?
a. Dataprev.
b. Hospitalocêntrico.
c. Pronta ação.
d. Alma-ata.
Questão 2
Assinale se a frase abaixo é verdadeira ou falsa:
A crise política de 1964, levou ao golpe militar uma descentralização na esfera federal,
possibilitando cortes significativos no orçamento do Ministério da Saúde. As doenças e
agravos, entre elas a meningites e seus indicadores de saúde, eram omitidos ou manipulados,
pois as doenças aconteciam da mesma forma como nos períodos anteriores.
Verdadeiro
Falso
Questão 3
Preencha a lacuna corretamente:
No período conhecido como Era Vargas, os programas de saúde pública, via de regra, eram
limitados pela opção política, onde o modelo _ sanitarista_ era adotado.
Questão 4
Assinale se a frase abaixo é verdadeira ou falsa:
O governo de Rodrigues Alves marcou pelas ações de “higienização”, realizadas pelo médico
Osvaldo Cruz, como uma questão de política pública de saúde.
Verdadeiro
Falso
Questão 5
Devido a quebra da bolsa de New York em 1929, o café ficou desvalorizado no mercado
internacional, ocorrendo, assim, o êxodo rural. Diante dessa situação, quais foram suas
consequências?
a. A população buscou intensificar seu cultivo na plantação de café com o intuito converter a
situação.
b. A população começou a plantar em excesso outros grãos, como milho e soja, já que estavam
em alta no mercado.
c. A população migrou para regiões onde tinham indústrias e intensificou-se a valorização do
café novamente.
d. A população migrou para regiões onde tinham indústrias e intensificou-se os surtos
epidêmicos.
e. A população migrou para a cidade e tudo foi se organizando aos poucos. As condições de
vida ficavam melhores a cada dia.
Questão 6
Associe corretamente os itens a seguir com suas características corretas.
Conjunto de medidas que evitam, detectam e tratam precocemente doenças específicas e
eventuais sequelas.
Prevenção da Doença
Uso da comunicação pedagógica para facilitar a aprendizagem em saúde.
Educação para a saúde
Ações que visam o controle dos fatores de risco.
Proteção da saúde
Questão 7
Preencha a lacuna corretamente:
Com tantas dificuldades para atender as pessoas doentes, a maioria da população utilizava a
medicina popular (cultura indígena, jesuítas e africana).
Questão 8
Assinale se a frase abaixo é verdadeira ou falsa:
O Período Populista ficou marcado pela hegemonia do café, governado pelas oligarquias
regionais (São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais). Com a Abolição da Escravatura em 1888 e
com a crise da mão de obra, iniciou-se as imigrações da Itália, Espanha e Portugal.
Verdadeiro
Falso
Questão 9
Assinale se a frase abaixo é verdadeira ou falsa:
Em 1943, com a Consolidação das Leis Trabalho (CLT), o trabalhador obteve novos ganhos
como: salário mínimo, jornada de trabalho de oito horas/dia, férias remuneradas, horas extras,
direito à licença-maternidade remunerada, etc.
Verdadeiro
Falso
Questão 10
Marque a alternativa que preencha corretamente o trecho a seguir, respectivamente.
Com a __________ de Getúlio Vargas, surgiu no ano seguinte, um período de ______________
do ______________________, de uma constituição democrática de inspiração liberal. Os
movimentos sociais exigiam melhorias nas condições de vida, saúde e de trabalho.
a. liberação, regime político e destituição.
b. regime político, destituição e liberação.
c. regime político, liberação e destituição.
d. liberação, destituição e regime político.
e. destituição, liberalização e regime político.
Segundo TESTE
Preencha a lacuna corretamente:
A criação do Dataprev serviu para o controle de contas hospitalares, ampliação dos setores
conveniados e normalizações do funcionamento de setores.
Questão 2
Bem no começo, por volta de 1543, Brás Cubas fundou a Irmandade da Misericórdia e o
Hospital de Todos os Santos. Assinale a alternativa que explica qual a principal função dessas
primeiras instituições de assistência.
a. Prestar serviços hospitalares somente para aqueles que possuem o cartão SUS.
b. Gerar empregos para os médicos e enfermeiros.
c. Fornecer assistência aos doentes que eram vítimas de longas viagens marítimas.
d. Melhorar as condições de saneamento básico da população para que as doenças
contaminassem cada vez menos pessoas.
e. Permitir o tratamento precoce de doenças como o câncer, já que a tecnologia era sofisticada
e de alta qualidade.
Questão 3
O período que ficou conhecido como "República Velha" foi marcado pelo destaque de algumas
doenças como, a malária, a doença de Chagas, tuberculose, alcoolismo e desnutrição. A partir
disso, certas medidas tiveram que ser tomadas para evitar a transmissão. Assinale a alternativa
que apresente essas medidas.
a. Criação do Departamento Nacional de Saúde Pública, que visava à expansão dos serviços de
saneamento urbano e rural, além da higiene industrial.
b. Atendimento hospitalar em domicílio, ou seja, todas as pessoas contaminadas eram
atendidas uma por uma, em casa.
c. Campanhas de conscientização para que a população ficasse em casa, a fim de evitar surtos
e muitas mortes.
d. Organização de grupos voluntários para prestar ajuda a quem estava infectado.
e. Disponibilização de álcool gel e máscaras para a população no centro da cidade.
Questão 4
Assinale se a frase abaixo é verdadeira ou falsa:
O Brasil Colônia surge com a necessidade de incluir práticas sanitárias para o controle de
doenças de fácil contaminação, devido às condições de higiene precária da população.
Verdadeiro
Falso
Questão 5
Preencha a lacuna corretamente:
Em 1685 a 1694, acontecia a campanha Sanitarista para combater a epidemia de febre
amarela em Recife e Olinda.
Questão 6
Assinale se a frase abaixo é verdadeira ou falsa:
Sabe-se que a primeira epidemia de varíola ocorreu em 1715, na Bahia.
Verdadeiro
Falso
Questão 7
Assinale se a frase abaixo é verdadeira ou falsa:
Em 1983, atendendo as recomendações do Conasp foi criado o AIS (Ações Integradas de
Saúde) onde buscavam nos serviços de saúde assistenciais (federal, estadual e municipal), a
integração dos serviços de saúde, previdência e educação.
Verdadeiro
Falso
Questão 8
Foi estudado que a VIII Conferência Nacional da Saúde foi um marco, pois envolveu
profissionais da área da saúde, usuários, intelectuais, partidos políticos e sindicatos. Assinale a
alternativa que explicite o foco de tal evento.
a. O foco foi baseado na busca de soluções para o desemprego, aumento das favelas, da
marginalidade e a mortalidade infantil.
b. O foco foi a reorganização do setor saúde, promovendo o plano Conasp (Conselho
Consultivo de Administração da Saúde Previdenciária) para as ações de saúde coletiva.
c. O foco foi o controle social, econômico e ambiental, debatendo-se a reformulação do
sistema nacional de saúde (Reforma Sanitária) com o início da criação de um Sistema Único de
Saúde.
d. O foco foi a distribuição dos investimentos nas ações de promoção e prevenção à saúde,
transferidos a compras de serviços hospitalares das iniciativas privadas.
e. O foco foi as doenças e agravos, entre elas a meningite e seus indicadores de saúde.
Questão 9
Assinale se a frase abaixo é verdadeira ou falsa:
Os Iaps (Institutos de Aposentadorias e Pensões) surgem com a finalidade de beneficiar os
trabalhadores com carteiras assinadas, prestando assistência médica gratuita e auxilio nos
casos de adoecimento e acidentes.
Verdadeiro
Falso
Questão 10
Assinale se a frase abaixo é verdadeira ou falsa:
José Ribamar Sarney assumiu a presidência de um governo chamado de transição, devido à
morte de Tancredo Neves. Durante esta época, iniciou-se a luta pela reforma sanitária no país.
Verdadeiro
Falso