Química e a estrutura da matéria (cap 1-
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Química: ciência da natureza
A Química está presente em atividades humanas desde a
antiguidade. Os antigos egípcios já fabricavam vidro em
4000 a.c., os gregos já sabiam da existência de átomo em
500 a.c., os chineses desenvolveram a porcelana no século
VI, entre outras civilizações que contribuíram para Química
ao longo dos séculos.
A Química é um ramo das Ciências da Natureza que estuda
a matéria, suas propriedades, constituição, transformações
e a energia envolvida nesses processos.
A Matéria é o principal objeto de estudo da Química e pode
ser definida como tudo aquilo que ocupa lugar no espaço e
tem massa, ou seja, todo o mundo material ao nosso redor
e, inclusive, nós mesmos. Independentemente do formato,
origem (presente no nosso planeta ou no universo) ou se
vivo ou morto, não existe nenhum material que esteja fora
do alcance da Química.
Para que serve a química?
A Química tem um enorme impacto sobre a tecnologia e a
nossa sociedade, pois seus estudos desempenham um
papel fundamental no desenvolvimento de todos os ramos
das ciências. Afinal de contas, é por meio do estudo da
matéria que podemos entender as propriedades e as
possíveis transformações que cada substância pode sofrer
para, então, usar esse conhecimento em nosso benefício.
"É muito fácil perceber as diversas contribuições
proporcionadas pela Química ao longo de toda a história da
humanidade. Entre elas, podemos destacar:
O desenvolvimento dos alimentos industrializados;
O aumento do prazo de validade dos produtos;
O aumento da eficácia e ação dos cosméticos;
Desenvolvimento de medicações para combate às
mais variadas doenças;
Desenvolvimento de fontes alternativas de
combustíveis;
Produção de substâncias em laboratório;
Desenvolvimento de técnicas e soluções para
problemas ambientais.
A Química é uma ciência de três níveis fundamentais:
1. Macroscópico: Transformações que podem ser
observadas, isto é, ocupa-se das propriedades que
envolvem objetos grandes e visíveis;
2. Microscópico: Trata-se da interpretação dos
fenômenos macroscópicos por meio de
transformações que não podemos ver diretamente,
como o reordenamento dos átomos;
3. Simbólico: Usam-se símbolos químicos, tais como
fórmulas moleculares, estruturais e eletrônicas, além
de equações e fórmulas matemáticas, para
representar as transformações e fenômenos
estudados.
Os modelos atômicos e a estrutura da matéria
Modelos Atômicos
Os modelos atômicos são os aspectos estruturais dos
átomos que foram apresentados por cientistas na tentativa
de compreender melhor o átomo e a sua composição. Em
1808, o cientista inglês John Dalton propôs uma explicação
para a propriedade da matéria. Trata-se da primeira teoria
atômica que dá as bases para o modelo atômico conhecido
atualmente. A constituição da matéria é motivo de estudos
desde a antiguidade. Os pensadores Leucipo (500 a.C.) e
Demócrito (460 a.C.) formularam a ideia de haver um
limite para a pequenez das partículas. Eles afirmavam que
elas se tornariam tão pequenas que não poderiam ser
divididas. Chamou-se a essa partícula última de átomo. A
palavra é derivada dos radicais gregos que, juntos,
significam o que não se pode dividir.
Modelo atômico de Dalton
O Modelo Atômico de Dalton,
conhecido como o modelo bola
de bilhar, possui os seguintes
princípios:
1. Todas as substâncias são formadas de pequenas
partículas chamadas átomos;
2. Os átomos de diferentes elementos têm diferentes
propriedades, mas todos os átomos do mesmo
elemento são exatamente iguais;
3. Os átomos não se alteram quando formam
componentes químicos;
4. Os átomos são permanentes e indivisíveis, não
podendo ser criados nem destruídos;
5. As reações químicas correspondem a uma
reorganização de átomos
Modelo Atômico de Thomson
O Modelo Atômico de Thomson foi o primeiro a realizar a
divisibilidade do átomo. Ao pesquisar sobre raios catódicos,
o físico inglês propôs esse modelo que ficou conhecido
como o modelo pudim de ameixa.
Ele demonstrou que esses raios podiam ser interpretados
como sendo um feixe de partículas carregadas de energia
elétrica negativa. Em 1887, Thomson sugeriu que os
elétrons eram um constituinte universal da matéria. Ele
apresentou as primeiras ideias relativas à estrutura interna
dos átomos.
Thomson indicava que os átomos deviam ser constituídos
de cargas elétricas positivas e negativas distribuídas
uniformemente.
Ele descobriu essa mínima partícula e assim estabeleceu a
teoria da natureza elétrica da matéria. Concluiu que os
elétrons eram constituintes de todos os tipos de matéria,
pois observou que a relação carga/massa do elétron era a
mesma para qualquer gás empregado em suas
experiências.
Em 1897, Thomson tornou-se reconhecido como o “pai do
elétron”.
Modelo Atômico de Rutherford
Em 1911, o físico neozelandês Rutherford colocou uma
folha de ouro bastante fina numa câmara metálica. Seu
objetivo era analisar a trajetória de partículas alfa a partir
do obstáculo criado pela folha de ouro. Nesse ensaio de
Rutherford, observou que algumas partículas ficavam
totalmente bloqueadas e outras partículas, que não eram
afetadas, ultrapassavam a folha, sofrendo desvios.
Segundo ele, esse comportamento podia ser explicado
graças às forças de repulsão elétrica entre essas
partículas.
Pelas observações, afirmou que o átomo era nucleado e
sua parte positiva se concentrava num volume
extremamente pequeno, que seria o próprio núcleo. O
Modelo Atômico de Rutherford, conhecido como modelo
planetário, corresponde a um sistema planetário em
miniatura, no qual os elétrons se movem em órbitas
circulares, ao redor do núcleo.
Modelo de Rutherford – Bohr
O modelo apresentado por Rutherford foi aperfeiçoado por
Bohr. Por esse motivo, o aspecto da estrutura atômica de
Bohr também é chamado de Modelo Atômico de Bohr ou
Modelo Atômico de Rutherford-Bohr.
A teoria do físico dinamarquês Niels Bohr estabeleceu as
seguintes concepções atômicas:
1. Os elétrons que giram ao redor do núcleo não giram
ao acaso, mas descrevem órbitas determinadas.
2. O átomo é incrivelmente pequeno, mesmo assim a
maior parte do átomo é espaço vazio. O diâmetro do
núcleo atômico é cerca de cem mil vezes menor que o
átomo todo. Os elétrons giram tão depressa que
parecem tomar todo o espaço.
3. Quando a eletricidade passa através do átomo, o
elétron pula para a órbita maior e seguinte, voltando
depois à sua órbita usual.
4. Quando os elétrons saltam de uma órbita para a outra
resulta luz. Bohr conseguiu prever os comprimentos
de onda a partir da constituição do átomo e do salto
dos elétrons de uma órbita para a outra.
Modelo Atômico de Schrodinger
Trata-se do modelo atual e o mais aceito pela comunidade
científica. Ele nasceu da teoria da mecânica ondulatória
proposta por Erwin Schrodinger. Para Schrodinger, os
átomos possuíam regiões prováveis de existência dos
elétrons, o que ele chamou de orbitais eletrônicos. O
orbital é uma zona de máxima probabilidade de se
encontrar um elétron. Isso porque, segundo modelos
matemáticos, seria impossível definir o local exato e
velocidade de movimento dessa partícula subatômica.
Através de funções matemáticas, conhecidas por funções
ondulatórias, o cientista obteve resultados consideráveis,
o que rendeu a ele o prêmio Nobel em 1933. O princípio da
incerteza de Heisenberg contribuiu para a formulação
desse modelo atômico. O princípio diz: é impossível definir
a posição e velocidade exatas de um elétron num mesmo
instante. Esse fato se dá, pois os elétrons possuem
comportamento de onda-partícula, ou seja, ora se
comportam como onda, ora como partícula. Baseado nisso,
o cientista definiu o estado de maior concentração de
elétrons no orbital como sendo a nuvem eletrônica do
átomo. Essa descoberta foi importantíssima para a melhor
compreensão das propriedades químicas e físicas dos
átomos.
A natureza elétrica da matéria
toda matéria na natureza é eletricamente neutra? Pelo
menos no planeta Terra podemos afirmar isso! Talvez
tenha sido essa observação que levou John Dalton, em
1803, a propor o átomo como uma esfera rígida e
indivisível. Por outro lado, muitas substâncias conduzem
eletricidade e alguns experimentos realizados no século
XIX foram fundamentais para descrever a natureza elétrica
da matéria.
Os Raios Catódicos
a caracterização dos elétrons foi fundamental para
entendermos o comportamento elétrico da matéria.
Os experimentos com os Tubos de raios catódicos ou
Crookes comprovaram que o átomo de Dalton não era
indivisível. Sob alta voltagem e baixas pressões, o tubo de
Crookes produz raios luminosos que partem do catodo para
o anodo, por esse motivo chamados Raios catódicos.
Com esse experimento foram feitas as seguintes
observações sobre os raios catódicos:
Deslocavam-se em linha reta do eletrodo negativo
(catodo) para o eletrodo positivo (anodo).
Movimentavam pequenos objetos – transferência de
momento característica de partícula.
Sofriam desvio sob a ação dos campos elétrico e
magnético para o polo positivo partícula carregada
negativamente.
Quando na presença de um gás residual, emitem luz –
a cor depende do gás utilizado.
Independem da natureza dos eletrodos ou do gás
residual – está presente em toda a matéria.
Por essas observações, concluiu-se que os raios catódicos
eram constituídos por partículas de carga elétrica negativa
capazes de interagir com a matéria. Essas partículas foram
chamadas de elétrons.
Características fundamentais dos elétrons
Aplicando simultaneamente um campo elétrico e um
campo magnético a um tubo de raios catódicos, Joseph
John Thomson, em 1897, foi capaz de determinar a relação
entre a carga e a massa do elétron (e/m= –1,76x108 C/g).
Em 1910, analisando o comportamento de gotas de óleo
em um campo elétrico, Robert Andrews Millikan
determinou a carga do elétron (-1,6x10–19 C) e,
consequentemente, a sua massa (9,1x10–28 g).
Retornando ao século XIX, vemos que Ernest Goldenstein
observou um feixe de partículas carregadas positivamente
que se moviam em direção oposta à dos raios catódicos.
Esse feixe de partículas foi caracterizado como íons
positivos, produzidos através da colisão entre os elétrons
(raios catódicos) e as moléculas de gás contidas no interior
dos tubos de Crookes, essas partículas passaram a ser
chamadas de Raios canais.
Estados físicos da matéria