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Apostila Micronutrientes

O documento aborda a importância dos micronutrientes na agricultura, destacando suas funções essenciais para o crescimento e desenvolvimento das plantas. Ele detalha os sintomas de deficiência e excesso, fontes e formas de aplicação desses micronutrientes, além de incentivar mais pesquisas sobre o tema. A publicação está alinhada com a agenda 2030 e visa promover práticas agrícolas sustentáveis.
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Apostila Micronutrientes

O documento aborda a importância dos micronutrientes na agricultura, destacando suas funções essenciais para o crescimento e desenvolvimento das plantas. Ele detalha os sintomas de deficiência e excesso, fontes e formas de aplicação desses micronutrientes, além de incentivar mais pesquisas sobre o tema. A publicação está alinhada com a agenda 2030 e visa promover práticas agrícolas sustentáveis.
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e-ISSN 2966-0343

Documentos 297
Campina Grande, PB / Março, 2024

Micronutrientes na agricultura

Fe Mn
B

Ni
Cl
Mo
Cu Zn
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
Embrapa Algodão
Ministério da Agricultura e Pecuária

e-ISSN 2966-0343

Documentos 297
Março, 2024

Micronutrientes na agricultura

Magna Maria Macedo Nunes Costa

Embrapa Algodão
Campina Grande, PB
2024
Embrapa Algodão Edição executiva
Rua Osvaldo Cruz, 1.143, Centenário Geraldo Fernandes de Sousa Filho
58428-095, Campina Grande, PB
Revisão de texto
[Link]/algodao
Marcela Bravo Esteves
[Link]/fale-conosco/sac
Normalização bibliográfica
Comitê Local de Publicações Enyomara Lourenço Silva
Presidente
Projeto gráfico
Daniel da Silva Ferreira
Leandro Sousa Fazio
Secretária-executiva
Magna Maria Macedo Nunes Costa Diagramação
Geraldo Fernandes de Sousa Filho
Membros
Francisco José Correia Farias Foto da capa
Luiz Paulo de Carvalho Tarcisio Marcos de Souza Gondim
Nair Helena Castro Arriel
Rita de Cássia Cunha Saboya Publicação digital: PDF
Geraldo Fernandes de Sousa Filho

Todos os direitos reservados


A reprodução não autorizada desta publicação, no todo ou em parte,
constitui violação dos direitos autorais (Lei nº 9.610).
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
Embrapa Algodão

Costa, Magna Maria Macedo Nunes.


Micronutrientes na Agricultura / Magna Maria Macedo Nunes Costa. - Campina
Grande : Embrapa Algodão, 2024.
PDF (44 p.) : il. color. – (Documentos / Embrapa Algodão, e-ISSN 2966-0343 ; 297)

1. Nutrição de vegetal. 2. Adubação. 3. Insumo. 4. Solo - Minerais. 5. Composto


orgânico. 6. Manejo. I. Embrapa Algodão. II. Título. III. Série.
CDD (21. ed.) 631.81

Enyomara Lourenço Silva (CRB–4/1569) © 2024 Embrapa


Autora

Magna Maria Macedo Nunes Costa


Engenheira-agrônoma, doutora em Nutrição Mineral de Plantas,
pesquisadora da Embrapa Algodão, PB
Apresentação
A pesquisa agropecuária brasileira visando à sustentabilidade tem
o objetivo de desenvolver sistemas de plantio que sejam economica-
mente rentáveis, ambientalmente sadios e socialmente justos. Nessa
perspectiva, a fertilidade do solo se constitui em um importante fator
de produção que, se bem planejado e executado, contribui para o su-
cesso das nossas lavouras. Em se tratando de nutrição mineral, as
plantas necessitam retirar do solo 16 elementos considerados essen-
ciais ao crescimento e à produção. Seis deles – nitrogênio, fósforo, po-
tássio, cálcio, magnésio e enxofre –, por serem exigidos em maiores
proporções, na magnitude de g kg-1 de matéria seca vegetal, têm sido
amplamente pesquisados na Embrapa, culminando na produção de
vastas publicações a respeito do tema. Os 8 restantes – boro, cloro,
ferro, manganês, cobre, zinco, molibdênio e níquel –, talvez por serem
exigidos em menores proporções, na magnitude de mg kg-1, não tem
tido a participação necessária no portfólio de pesquisas da empresa.
Nesse Documento, serão encontradas informações a respeito
das funções de cada um dos oito micronutrientes, dos sintomas de
deficiência e excesso desses elementos nas plantas cultivadas, das
suas fontes e das melhores formas de aplicação. Entretanto, mais do
que isso, essa publicação é um incentivo para que a temática "micro-
nutrientes na agricultura" se torne cada vez mais inclusa nos projetos
de pesquisa em solos e nutrição de plantas. Temas como desenvol-
vimento de novos métodos de aplicação, veículos apropriados para
o seu fornecimento, nutrição com micronutrientes e resistência de
plantas a fitopatógenos, utilização do melhoramento convencional e
da biotecnologia para o desenvolvimento de materiais que tenham
maior eficiência nutricional para esses elementos e manejo de micro-
nutrientes em sistemas de produção de base ecológica e/ou familiar
se prestam muito bem como base para que o agronegócio brasileiro
se torne cada vez mais competitivo. A publicação está alinhada com
a agenda 2030 através do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável
(ODS) n° 12 – Produção e Consumo Sustentáveis.

Nair Helena Castro Arriel


Chefe-Geral da Embrapa Algodão
Sumário

Introdução________________________________________________________________________ 9

Funções dos micronutrientes__________________________________________12


Boro__________________________________________________________________________________12
Cloro_________________________________________________________________________________ 13
Ferro_________________________________________________________________________________ 14
Manganês_________________________________________________________________________15
Cobre________________________________________________________________________________ 16
Zinco________________________________________________________________________________ 17
Molibdênio_________________________________________________________________________18
Níquel_______________________________________________________________________________18

Sintomas de deficiência e excesso de micronutrientes____19


Boro__________________________________________________________________________________19
Cloro_________________________________________________________________________________ 20
Ferro_________________________________________________________________________________ 21
Manganês_________________________________________________________________________23
Cobre________________________________________________________________________________ 24
Zinco________________________________________________________________________________ 25
Molibdênio_________________________________________________________________________27
Níquel_______________________________________________________________________________29

Fonte de micronutrientes_________________________________________________29
Óxidos______________________________________________________________________________29
Sulfatos_____________________________________________________________________________ 30
Oxi-sulfatos_______________________________________________________________________30
Fritas________________________________________________________________________________ 31
Quelatos orgânicos____________________________________________________________31
Complexos orgânicos_________________________________________________________32
Fertilizantes boratados_______________________________________________________33
Fertilizantes fontes de molibdênio_______________________________________33

Formas de aplicação dos micronutrientes_______________________33


Via sementes_____________________________________________________________________33
Via solo_____________________________________________________________________________34
Via foliar____________________________________________________________________________34

Considerações finais_______________________________________________________35

Referências______________________________________________________________________35
Micronutrientes na agricultura 9

Introdução
Plantas superiores são constituídas de água numa faixa que vai
de 80 a 95%, e de matéria seca (MS), entre 5 a 20%, dependendo
da espécie, do estádio de desenvolvimento e das condições de clima
e solo. Nessa MS, encontram-se vários elementos químicos que são
absorvidos do solo pelas raízes, mas apenas 17 são essenciais às
plantas. São eles: carbono (C), hidrogênio (H), oxigênio (O), nitrogê-
nio (N), fósforo (P), potássio (K), cálcio (Ca), magnésio (Mg), enxofre
(S), boro (B), cloro (Cl), ferro (Fe), manganês (Mn), cobre (Cu), zinco
(Zn), molibdênio (Mo) e níquel (Ni). Os elementos C, H e O vêm do
ar (C e O) e da água (H e O). Juntos, representam 96% da MS das
plantas. Os demais elementos – 4% restantes – advêm do solo (Rou-
ached; Tran, 2015).
Para ser considerado essencial ao crescimento e desenvolvimen-
to, o elemento químico precisa obedecer aos critérios de essencialida-
de propostos por Arnon e Stout (1939), que são: 1) na sua ausência,
a planta é incapaz de completar o seu ciclo de vida, não produzindo
sementes viáveis; 2) a essencialidade deve ser específica, ou seja, o
elemento não pode ser substituído por outro com propriedades simila-
res; e 3) o elemento deve ter uma função específica dentro da célula.
Os 14 elementos químicos absorvidos do solo que obedecem aos
critérios supracitados são chamados de nutrientes minerais essen-
ciais e subdivididos em duas categorias: macronutrientes – N, P, K,
Ca, Mg e S – e micronutrientes – B, Cl, Fe, Mn, Cu, Zn, Mo e Ni. Essa
classificação os separa apenas pela quantidade exigida pelas plan-
tas. Os macronutrientes são encontrados na MS do tecido vegetal na
magnitude de g kg-1, enquanto os micronutrientes, em mg kg-1 (David
et al., 2014).
Essa classificação em macronutrientes e micronutrientes, ba-
seando-se apenas na quantidade exigida pela planta, não dá deta-
lhes dos papéis que eles exercem. Por esse motivo Epstein e Bloom
(2006) sugeriram uma classificação mais detalhada desses nutrien-
tes, baseada nas suas funções fisiológicas:
10 Documentos 297

• Nutrientes que são elementos integrais de compostos orgâni-


cos: N, P e S.

• Nutriente que faz aquisição e utilização de energia: P.

• Nutrientes que estão estruturalmente relacionados com a pare-


de celular: Ca e B.

• Nutrientes que são compostos integrais de enzimas e outras enti-


dades essenciais do metabolismo: Mg, Fe, Mn, Cu, Zn, Mo e Ni.

• Nutrientes que servem para ativar e/ou controlar a atividade de


enzimas: K, Ca, Mg, Cl, Fe, Mn, Cu e Zn.

• Nutrientes que estão envolvidos em reações redox: Fe, Mn, Cu e


Mo.

• Nutrientes que servem como contra-íons para cargas positivas


ou negativas: N, K, Ca, Mg, S e Cl.

• Nutrientes que servem como agente osmótico celular: N, K e Cl.

• Nutriente que atua como mensageiro secundário na regulação


metabólica: Ca.
Dessa forma, conforme proposto por Epstein e Bloom (2006), os
micronutrientes exercem nos vegetais as funções de: estrutura da pa-
rede celular, compostos integrais de enzimas e outras entidades es-
senciais do metabolismo, ativação e/ou controle de enzimas, agentes
redox, contra-íons para cargas positivas e negativas e agente osmó-
tico celular.
Além dos elementos essenciais, tem-se aqueles considerados
benéficos às plantas. Esses elementos são: alumínio (Al), sódio (Na),
selênio (Se), silício (Si) e cobalto (Co) (Epstein; Bloom, 2006; Brun-
ner; Sperisen, 2013; Maathuis, 2014; Lange et al., 2017; Schiavon,
2017; Wang et al., 2017).
Micronutrientes na agricultura 11

Embora não obedeçam aos critérios de essencialidade, segundo


esses autores, nos vegetais, esses elementos essenciais possuem
as seguintes funções:
• Acumulam-se nos vegetais sem proporcionar danos. Por
exemplo, até 500 µg g-1, o Al não prejudica os tecidos vegetais;
e muitas espécies dos gêneros Astragalus, Stanleya, Lecythis
e Xylorhiza, quando crescidas em solos com alta concentração
de Se, acumulam esse elemento sem se prejudicar.

• Estimulam o crescimento em determinadas situações. Por


exemplo, a adição de baixas doses de Al em solução nutritiva
estimula o crescimento inicial das raízes.

• Compensam ou eliminam os efeitos tóxicos de outros elementos.


Por exemplo, o Al, em concentrações menores do que 0,2 µg g-1,
diminui ou elimina os efeitos tóxicos de Cu, Mn e P.

• Substituem o elemento essencial em algumas de suas funções


menos específicas. Por exemplo, o Na pode satisfazer parte
da função osmótica do K.

• São essenciais apenas para algumas espécies. Por exem-


plo, o Na é essencial para algumas plantas de deserto, como
Atriplex vesicaria e Halogeton glomeratus, e para as plantas C4.

• São essenciais apenas para algumas espécies e sob determi-


nadas situações. Por exemplo, o Co é essencial para a fixação
biológica do N2 (FBN) por bactérias diazotróficas em simbiose
com raízes, entretanto, a FBN só ocorre sob baixos níveis de
N no solo.

• Auxiliam na sanidade das plantas. Por exemplo, o Si presente


em folhas e inflorescências de gramíneas pode impedir ou
diminuir o ataque de fitopatógenos.
12 Documentos 297

Nos últimos anos, a agricultura brasileira tem apresentado recor-


des de produção. Esse desempenho deve-se, essencialmente, ao de-
senvolvimento tecnológico envolvendo a obtenção de variedades com
alto potencial produtivo, à mecanização e ao aperfeiçoamento das
práticas de manejo do solo e dos métodos de controle fitossanitário.
Sob essa perspectiva, a adequada disponibilidade de micronutrientes
está entre as condições necessárias à boa produtividade das cultu-
ras, pois, embora trate-se de elementos exigidos em quantidades me-
nores, é comum a sua deficiência em áreas agrícolas. Dessa forma,
para otimizar o uso dos insumos, reduzir os custos e manter patama-
res satisfatórios de produtividade, faz-se necessário que a pesquisa
dê importância ao tema micronutrientes, para que seu fornecimento
seja baseado em critérios técnico-científicos (Resende, 2004).
O micronutriente é absorvido pelas raízes das plantas de qua-
tro formas: neutra, catiônica, aniônica e quelatada. Quelato é uma
substância orgânica através da qual os micronutrientes metálicos se
ligam por meio de ligações coordenadas. O único micronutriente que
é absorvido na forma neutra é o H3BO3; na forma catiônica são: Fe2+,
Fe3+, Mn2+, Mn3+, Cu2+, Zn2+ e Ni2+; na forma aniônica são: Cl- e MoO42-;
e, na forma quelatada, Fe-quelato, Mn-quelato, Cu-quelato e Zn-que-
lato (Carvalho, 2007). Uma vez dentro das raízes, os micronutrientes
seguirão o fluxo transpiratório em direção à parte aérea, posição na
qual cumprirão suas funções.

Funções dos micronutrientes

Boro
• Biossíntese da parede celular
Atua na biossíntese e deposição dos pectatos de Ca, responsá-
veis pela rigidez da parede celular, e forma complexos de ésteres
Micronutrientes na agricultura 13

cis-borato com hemicelulose, pectina e precursores da lignina. Dessa


forma, plantas deficientes em B sofrerão colapso facilmente (Wang
et al., 2022).
• Integridade da membrana plasmática
O B forma complexos cis-diol-borato com os constituintes lipo-
proteicos da membrana plasmática. Dessa forma, a deficiência de B
provoca danos na formação e estabilidade da plasmalema ao diminuir
o teor de lipídeos e o funcionamento das proteínas de transporte (Fer-
reira et al., 2021).
• Transporte de carboidratos
O complexo ionizável açúcar-borato é mais solúvel nas membra-
nas do que o açúcar sozinho, sendo por isso facilitado o seu transpor-
te. Sob deficiência de B, ocorre redução no transporte da sacarose
das folhas para outras partes da planta (Bogiani et al., 2013).
• Crescimento reprodutivo
Os processos de germinação do pólen e do crescimento do tubo
polínico dependem de B para formação e deposição da parede ce-
lular, conforme visto anteriormente. Além do mais, na ausência do
elemento, ocorre a síntese de fitoalexinas, que são fenóis que inibem
o crescimento do tubo polínico (Wang et al., 2003).

Cloro
• Função osmótica
O Cl exerce efeito osmótico nas células-guarda durante a abertu-
ra e o fechamento dos estômatos. Na abertura, há a entrada de CO2
para a fotossíntese (Flowers; Colmer, 2008).
• Balanço de cargas elétricas
O Cl tem a função de fazer a neutralização das cargas elétricas
positivas geradas durante o metabolismo vegetal, em virtude do fluxo
de K, ou seja, o Cl- é o contra-ânion do K+ (Catani et al., 1969).
14 Documentos 297

• Absorção de nutrientes
O Cl é cofator da ATPase do tonoplasto. Utilizando esse elemento
e a energia proveniente da hidrólise do ATP, essa ATPase promove
a absorção dos nutrientes catiônicos para o vacúolo (Geifus, 2018).
• Fase fotoquímica da fotossíntese
A principal função do Cl nas plantas é a sua participação na rea-
ção de Hill durante a fase fotoquímica da fotossíntese. Esse micro-
nutriente age como cofator do complexo enzimático Mn-Enzima no
fotossistema II (PSII) (Rollefson, 1930).

Ferro
• Constituinte dos citocromos
Os citocromos são proteínas que transportam elétrons. Estão
presentes na cadeia de transporte de elétrons (CTE) da mitocôndria,
sendo por isso importantes na respiração (Murgia et al., 2022).
• Constituinte de proteínas com grupos Fe-S
As proteínas vegetais com grupos Fe-S são a ferrodoxina e o ci-
tocromo b6f. Ambas fazem parte da CTE da fotossíntese. São impor-
tantes na formação de ATP e poder redutor para a fotossíntese, na
FBN, na redução de NO3- e SO42- e na assimilação do NH4+ (Murgia
et al., 2022).
• Constituinte das enzimas catalase e peroxidase
O Fe faz parte das enzimas catalase e peroxidse, que transfor-
mam H2O2, subproduto do metabolismo e tóxico às plantas, em H2O e
O2 (Murgia et al., 2022).
• FBN
O Fe participa da leg-hemoglobina, que protege a enzima nitro-
genase da inativação irreversível do O2, garantindo a FBN (Murgia
et al., 2022).
Micronutrientes na agricultura 15

• Resistência de plantas às doenças


O Fe está envolvido na síntese da hemoenzima lipoxigenase, que
catalisa a oxidação dos ácidos oleico, linoleico e linolênico aos pre-
cursores da traumatina e do ácido jasmônico, que combatem fitopató-
genos (Kausch; Handa, 1995).

Manganês
• Fase fotoquímica da fotossíntese
O Mn é constituinte da enzima S, responsável pela reação de
Hill (2H2O → 4H+ + 4e- + O2) durante a fotossíntese. Com o fluxo de
elétrons prejudicado, diminui-se a fotofosforilação, a fixação do CO2,
a redução do nitrato e do sulfato (Yachandra et al., 1996).
• Desintoxicação celular
Ativa as enzimas superóxido dismutase (SOD), catalase e pero-
xidase, responsáveis pela inativação de radicais livres (O2-) formados
pela inibição da reação de Hill (Yachandra et al., 1996).
• Redução do N
Ativa a enzima redutase do nitrito (RNO2-) que transforma NO2-
em NH4+ quando o solo é adubado com nitrato (NO3-). O íon amônio é
incorporado em esqueletos de C (Shu et al., 2019).
• Nodulação em leguminosas
Na nodulação das leguminosas, exige-se alta atividade das au-
xinas, que por sua vez são afetadas pelo Mn. Esse micronutriente
funciona como cofator – constituinte – do sistema de formação e ati-
vação das auxinas (Ma et al., 2022).
• Resistência de plantas às doenças
O Mn ativa uma série de enzimas responsáveis pela formação
de compostos fenólicos, cumarinas, ligninas, flavonoides e auxinas,
que inibem ou dificultam a proliferação de fitopatógenos. Além disso,
16 Documentos 297

é responsável pela inibição de aminopeptidases, que aumentam a


concentração de aminoácidos livres, alimento para fungos, e da pec-
tina metil-esterase, uma enzima fúngica que destrói a integridade das
membranas vegetais. Também possui efeito tóxico direto sobre o fun-
go (Peris-Peris et al., 2017).

Cobre
• Fase fotoquímica da fotossíntese
Faz parte da plastocianina, uma proteína azul, e ativa a citocromo
oxidase. Ambas são doadoras de elétrons para o Fotossistema I (PSI)
(Baracho et al., 2019).
• Fase bioquímica da fotossíntese
Nessa fase da fotossíntese, o Cu é responsável pela entrada do
CO2 nos compostos orgânicos ao ativar a enzima ribulose 1,5-difosfa-
to carboxilase/oxigenasse, conhecida como Rubisco (Baracho et al.,
2019).
• Respiração
É constituinte da enzima citocromo oxidase, que transporta elé-
trons durante a fosforilação oxidativa, e da ascorbato oxidase, que
oxida o ácido ascórbico à desidroascórbico (Laporte et al., 2020).
• Desintoxicação celular
O Cu participa do grupo prostético da enzima SOD, que protege
as plantas dos radicais superóxidos (O2-) (Zhang et al., 2017).
• Resistência de plantas às doenças
Ativa as enzimas polifenol oxidase e diamina oxidase, que cata-
lisam a oxidação de compostos fenólicos, transformando-os em ce-
tonas, que são precursoras da lignina. Dessa forma, a deficiência de
Cu pode facilitar a entrada de fitopatógenos nas plantas (Kowata et
al, 2012).
Micronutrientes na agricultura 17

Zinco
• Crescimento apical
A deficiência de Zn pode causar degradação das auxinas produ-
zidas pelas plantas e reduzir a sua síntese. Como esse fitormônio é
responsável pelo crescimento apical, diminui-se a altura das plantas
e estimula-se os brotos laterais (Ibrahim; Ramadan, 2015).
• Síntese de proteínas
O Zn inibe a enzima RNAase e faz parte da RNA polimerase.
Portanto, plantas deficientes nesse micronutriente apresentarão uma
queda na síntese de proteínas. Ademais, o Zn faz parte de proteínas
ativas envolvidas na transcrição do DNA e está presente na estrutura
dos ribossomos (Castillo-González et al., 2018).
• Redução do N
O Zn ativa a enzima redutase do nitrato (RNO3-), que reduz o NO3-
a NO2- (Demetin et al., 2007). Sem zinco, há um acúmulo de NO3- nas
plantas e queda na formação de aminoácidos.
• Desintoxicação celular
O Zn faz parte da estrutura da enzima SOD, que decompõe ra-
dicais oxidantes (O2-), tóxicos às células vegetais (Moghadam et al.,
2013). Nessa desintoxicação, forma-se peróxido de hidrogênio (H2O2),
que é inativado pela ação da enzima catalase, ativada pelo Zn (Asa-
dollahi et al., 2016).
• Fase bioquímica da fotossíntese
O ciclo C4 trabalha com HCO3- e não CO2. Nesse contexto, o
Zn faz parte da enzima anidrase carbônica, que catalisa a seguinte
reação: CO2 + H2O → HCO3- + H+. Também, ao acoplar enzima e
substrato e ter efeito na conformação de moléculas ativas, é im-
portante para a ação da Rubisco, proteína importante no ciclo C3
(Zhang et al., 2018).
18 Documentos 297

• Respiração
É responsável por ativar uma das enzimas-chave da respiração,
a aldolase, que atua nos níveis de glicólise e CTE. Dessa forma, há
queda na produção de ATP pela célula (Price; Miller, 1962).
• Resistência de plantas às doenças
Como a deficiência de Zn promove uma elevação dos O2-, devi-
do à baixa atividade da SOD, há reflexos diretos na integridade das
membranas, uma vez que essa espécime química reage com os li-
pídeos. Também a falta desse micronutriente interfere na interação
entre proteínas e os grupos sulfidrilos (−SH), a qual o Zn tem papel
direto. Isso contribui para aumentar a susceptibilidade das plantas às
doenças (Gupta et al., 2012).

Molibdênio
• FBN
O Mo é constituinte da nitrogenase, enzima que faz a FBN nos
nódulos radiculares das leguminosas. Dessa forma, a falta desse mi-
cronutriente acarretará sintomas de deficiência de N na planta (Silva
et al., 2017).
• Redução do N e do S
Por sua ação redox, o Mo está envolvido nas reduções do nitro-
gênio e do enxofre, uma vez que esse micronutriente faz parte das
enzimas nitrato redutase (Kovács et al., 2015) e sulfito redutase.

Níquel
A única função conhecida do Ni nas plantas é ser constituinte da
urease, enzima que tem importância fundamental quando o solo é
adubado com ureia para fornecer N. A reação (CH4N2O) + 3H2O →
2NH4+ + OH- + HCO3- catalisada por essa enzima evita a toxidez dos
tecidos (Barcelos et al., 2018).
Micronutrientes na agricultura 19

Sintomas de deficiência e
excesso de micronutrientes

Boro
Como o B é imóvel no floema, os sintomas de deficiência apa-
recem primeiro nos órgãos jovens. Esses sintomas são: inibição do
crescimento da parte aérea pela morte das gemas apicais; encurta-
mento dos internódios; folhas pequenas e deformadas; folhas engros-
sadas, duras e às vezes quebradiças; folhas necrosadas; presença
de nervuras salientes; baixa produção de sementes; caules e frutos
enrugados, rachados, quebradiços e às vezes com manchas ou es-
trias de cortiça e acúmulo de bolsas de gomas no mesocarpo dos
frutos (Duran et al., 2018; Prado, 2020). A Figura 1 mostra sintomas
de deficiência de B em videira.

Fotos: George Wellington Bastos de Melo


A B

Figura 1. Sintomas de deficiência de boro em videira. Folhas arqueadas para


baixo (A). Clorose internerval, em que as nervuras permanecem verdes e a
parte entre as nervuras adquirem coloração amarelada (B).
Fonte: Melo (2020a).
20 Documentos 297

Quanto aos micronutrientes, é pequeno o limite entre teor ade-


quado e tóxico no solo. Os sintomas de excesso de B nas plantas
são: clorose malhada seguida por manchas necróticas nos bordos
das folhas mais velhas e queima das bordas das folhas (Shapira
et al., 2013; Prado, 2020). A Figura 2 mostra folhas de videira com
sintomas de excesso de boro.
Fotos: George Wellington Bastos de Melo

A B

Figura 2. Sintomas de excesso de boro em videira. Folha jovem mosqueada


entre o verde e o amarelo, com pontos necróticos (A). Manchas necróticas
entre as nervuras, começando pelas bordas (B).
Fonte: Melo (2020b).

Cloro
Não é comum a deficiência de Cl nas plantas por estar presen-
te no adubo cloreto de potássio (KCl) e na água das chuvas. Entre-
tanto, quando ocorre, os sintomas são: murchamento, clorose, bron-
zeamento e deformação da folha formando uma espécie de “taça”.
O bronzeamento pode evoluir para necrose (Prado, 2020).
Micronutrientes na agricultura 21

Os sintomas de excesso de Cl são comuns em plantas cresci-


das sob solos salinos. Podem ocorrer queima e amarelecimento nas
margens das folhas, que podem cair prematuramente (Copes et al.,
2003). A Figura 3 mostra uma folha de mamoneira com sintoma de
excesso de cloro.

Fotos: Gilvan Barbosa Ferreira


Figura 3. Sintomas de excesso de cloro na mamoneira. Manchas necróticas
com halo molhado e escurecido.
Fonte: Ferreira et al. (2008).

Ferro
Os sintomas de deficiência de Fe aparecem inicialmente nas
partes jovens das plantas, como uma clorose. As folhas ficam ama-
reladas, permanecendo apenas as nervuras verdes durante algum
tempo, destacando-se como um reticulado fino – rede verde fina das
nervuras sobre um fundo amarelado –, podendo evoluir para um
branqueamento. Entretanto, com a evolução da sintomatologia, até
as nervuras ficam cloróticas (Rustioni et al., 2017; Prado, 2020).
A Figura 4 mostra sintomas de deficiência de Fe em folhas de maciei-
ra e pessegueiro.
Fotos: Gilmar Ribeiro Nachtigall (A); Gilberto Nava (B) 22 Documentos 297

A B

Figura 4. Sintomas de deficiência de ferro em folhas de macieira (A) e pesse-


gueiro (B). Clorose interneval.
Fontes: Nachtigall (2020a) e Nava (2020a).

A toxidade por Fe pode ocorrer em solos alagados, pois há a


redução da forma Fe3+ para a Fe2+ não absorvível pelas raízes.
Os principais sintomas de excesso de Fe ocorrem primeiramen-
te nas folhas mais maduras e são: bronzeamento e deposição de
pigmentos marrons. Há queda na produtividade das culturas e, em
casos mais severos, morte das plantas (Stein et al., 2014; Prado,
2020). A Figura 5 mostra sintoma de excesso de Fe em folhas de
sorgo-sacarino.
Micronutrientes na agricultura 23

Fotos: Oscar Fontão de Lima Filho


Figura 5. Sintomas de excesso de ferro em folhas de sorgo-sacarino. Clorose
lateral e retilínea nas bordas das folhas mais velhas, com aparecimento pos-
terior de manchas necróticas irregulares, iniciando-se no ápice e progredindo
para a base.
Fonte: Lima Filho (2016).

Manganês
A deficiência de Mn é caracterizada por clorose interneval – reti-
culado grosso em que as nervuras formam uma rede verde espessa
sobre um fundo amarelado – das folhas jovens (Lavres Júnior et al.,
2012; Prado, 2020). A Figura 6 mostra sintomas de deficiência de Mn
em folhas de morangueiro e pessegueiro.
Fotos: Paulo Luiz Lanzetta Aguiar (A); Gilberto Nava (B) 24 Documentos 297

A B

Figura 6. Sintomas de deficiência de manganês em folhas de morangueiro


(A) e pessegueiro (B). Clorose interneval.
Fontes: Nava et al. (2020) e Nava (2020b).

Inicialmente, a toxidade por Mn aparece nas folhas jovens, na


forma de clorose marginal, encarquilhamento e pontuações marrons
que evoluem para necrose do limbo. As plantas podem apresentar
crescimento reduzido, com aspecto de enfezamento (Dučić; Polle,
2005; Prado, 2020).

Cobre
Como o Cu possui baixa redistribuição nas plantas, os sintomas
aparecem nos órgãos mais novos. De forma geral, as folhas ficam
amareladas ou verde-azuladas, murchas, com as margens enrola-
das para cima ou até mesmo maiores que as normais. Caules ou
colmos ficam fracos e murchos ainda que haja umidade no solo.
Pode ocorrer morte das gemas apicais (Yruela, 2005; Prado, 2020).
A Figura 7 mostra sintomas de deficiência de Cu em folhas de pes-
segueiro e milho.
Micronutrientes na agricultura 25

Fotos: Gilberto Nava (A); Antônio


Marcos Coelho (B)
A B

Figura 7. Sintomas de deficiência de cobre em folhas de pessegueiro (A) e


milho (B). Manchas irregulares esbranquiçadas na parte superior do limbo
foliar (A) e clorose interneval (B).

Fonte: Nava (2020c).


Fonte: Coelho et al. (2021).

Os sintomas de toxidade por Cu são redução do crescimento e


manchas aquosas grandes, as quais evoluem para enegrecimen-
to, como se estivessem queimadas, nas folhas mais velhas (Freitas
et al., 2015; Prado, 2020).

Zinco
A deficiência de Zn se caracteriza por folhas pequenas com fai-
xas amareladas ou brancas entre as nervuras. Há também o encur-
tamento dos internódios e, em razão disso, tem-se a formação de
nós sucessivos e as folhas se aproximam, formando uma roseta (Su-
dhalakshmi et al., 2015; Prado, 2020). A Figura 8 mostra sintomas de
deficiência de Zn em macieira e milho.
A toxidade de Zn manifesta-se pela diminuição da área foliar e
deformação, ficando as folhas pontiagudas, seguida de clorose, po-
dendo aparecer um pigmento amarelado, pardo-avermelhado ou
amarronzado. Em seguida, o limbo necrosa (Prado, 2020; Paradisone
et al., 2021). A Figura 9 mostra sintoma de excesso de Zn em folhas
de sorgo-sacarino.
26 Documentos 297
Fotos: Gilmar Ribeiro Nachtigall (A);
Antônio Marcos Coelho (B)

A B

Figura 8. Sintomas de deficiência de zinco em plantas de macieira (A) e folha


de milho (B). Brotações pequenas e em forma de roseta (A). Faixas brancas
entre as nervuras da folha (B).
Fonte: Nachtigall (2020b).
Fonte: Coelho et al. (2021).
Fotos: Oscar Fontão de Lima Filho

Figura 9. Sintomas de excesso de zinco em folhas de sorgo-sacarino. Clorose


inicial na ponta do limbo de folhas mais jovens, que coalesce, expandindo-se
paralelamente às nervuras e pelas bordas, para a base. Também podem
ocorrer pontuações necróticas espalhadas ao longo do limbo, bem como o
enrolamento foliar.
Fonte: Lima Filho (2016).
Micronutrientes na agricultura 27

Molibdênio
Em razão da restrita mobilidade nas plantas, os sintomas de
deficiência de Mo ocorrem primeiramente nas folhas novas. Em ge-
ral, tem-se uma clorose interneval, semelhante à deficiência de Mn
(Figura 6). Também as margens do limbo tendem a curvar-se para
cima ou para baixo (Quaggio et al., 2004; Prado, 2020). A Figura 10
mostra sintomas de deficiência de Mo em folhas de milho.

Foto: Magna Maria Macedo Nunes Costa

Figura 10. Sintomas de deficiência de molibdênio em plantas de milho. Clo-


rose interneval nas folhas novas.
28 Documentos 297

A toxidade de Mo em culturas não é comum. Quando ocorre, as fo-


lhas apresentam clorose interneval, semelhante à deficiência de Fe
(Figura 4), e as novas podem ficar distorcidas (Shi et al., 2018; Prado,
2020). A Figura 11 mostra sintoma de excesso de Mo em folhas de
sorgo-sacarino.
Fotos: Oscar Fontão de Lima Filho

Figura 11. Sintomas de excesso de molibdênio em folhas de sorgo-sacarino.


Clorose e descoloração progressiva das folhas mais jovens a partir da ponta,
com aparecimento de manchas amarelo-ouro. Limbo foliar voltado para cima.
Fonte: Lima Filho (2016).
Micronutrientes na agricultura 29

Níquel
Os sintomas de deficiência de Ni nas plantas são: folhas peque-
nas, em formas de cálice (orelha-de-rato) e pontos necróticos pelo
acúmulo de ureia (Bai et al., 2006). Já o sintoma de toxidade por ureia
é necrose nas folhas (Hassan et al., 2019).
Para solucionar o problema da deficiência e do excesso de micro-
nutrientes, é recomendável que se faça a análise do solo para esses
elementos antes da implantação da cultura. Na coleta do solo, to-
mam-se amostras simples na profundidade de 0–20 cm, abrangendo
toda a área a ser plantada, em forma de zigue-zague. Essas amostras
simples devem ser misturadas e bem homogeneizadas para formar a
amostra composta que será levada ao laboratório de rotina, lembran-
do que nem todos eles fazem análise de micronutrientes.
De posse dos resultados e de acordo com a cultura, faz-se a adu-
bação utilizando-se as fontes específicas necessárias para suprir a
demanda das plantas bem como a forma de aplicação mais adequa-
da ao sistema. Em caso de aparecer deficiências pontuais durante o
desenvolvimento vegetal, toma-se amostra de folhas – primeira ex-
pandida a partir do ápice – e essa amostra é levada ao laboratório
para a análise foliar. De posse dos resultados, uma adubação de ma-
nutenção ou correção é feita.

Fonte de micronutrientes

Óxidos
Os óxidos são as fontes mais insolúveis de micronutrientes metá-
licos que existem no mercado. Por essa razão, apresentam um custo
inferior. Nessa perspectiva, o único que apresenta alguma viabilidade
no uso é o óxido de cobre (Cu2O), na forma como foi extraído durante
30 Documentos 297

o processo de mineração. O óxido de manganês (Mn2O) tem uma so-


lubilidade tão baixa que não é recomendado como adubo (Gonçalves
et al., 2017).

Sulfatos
Sulfatos, por serem de maior solubilidade, são as fontes mais
usadas de micronutrientes catiônicos (Cu, Fe, Mn e Zn) que existem
no mercado. Se prestam muito bem tanto para adubação via solo
como foliar, com exceção do sulfato ferroso (FeSO4.7H2O), que não
é muito bem recomendado para solo. A sua solubilidade faz com que
sejam adequados para misturar com outros fertilizantes fluidos, des-
de que seja feito antes um teste de compatibilidade (Camargo, 2006).
Os principais são sulfato de cobre penta-hidratado (CuSO4.5H2O,
10% de Cu), sulfato de ferro III nona-hidratado [Fe2(SO4)3.9H2O, 20%
de Fe], sulfato de ferro II hepta-hidratado (FeSO4.7H2O, 20% de Fe),
sulfato de manganês tetra-hidratado (MnSO4.4H2O, 24% de Mn), sul-
fato de zinco hidratado (ZnSO4.H2O, 36% de Zn) e sulfato de zinco
hepta-hidratado (ZnSO4.7H2O, 36% de Zn).

Oxi-sulfatos
Oxi-sulfatos são fontes de micronutrientes cuja solubilidade em
água vai depender da quantidade de H2SO4 utilizada na solubilização
do óxido que lhe deu origem, sendo um fator determinante da eficiên-
cia agronômica do produto a curto prazo, em aplicações localizadas
em sulcos e para produtos na forma granulada. A acidulação parcial
com H2SO4 dará origem a um produto que contém micronutrientes,
especialmente Zn e Mn, nas formas de óxido e sulfato, apresentando
solubilidade intermediária entre os dois. Para que possam proporcio-
nar uma alta eficiência na forma granulada, devem apresentar entre
35 a 50% dos elementos solúveis em água (Mortvedt, 2001).
Micronutrientes na agricultura 31

Fritas
As fritas são também chamadas de "elementos traços fritados",
tradução literal do inglês "fritted trace elements", termo que deu ori-
gem à sigla FTE. São produtos vítreos obtidos pela fusão de silicatos
ou fosfatos com uma ou mais fontes de micronutrientes a aproxima-
damente 1.300 oC, seguido de resfriamento rápido em água, seca-
gem e moagem. A solubilidade é determinada pelo tamanho das par-
tículas e pela composição da matriz (Vale; Alcarde, 2003). Por liberar
gradualmente os micronutrientes no solo, evita que as plantas sejam
intoxicadas (Cunha et al., 2019). As fritas são mais apropriadas para
adubação de manutenção do que para a correção de deficiências
severas de micronutrientes, apresentando maior eficiência em solos
arenosos com altas taxas de lixiviação, localizados em regiões com
altos índices pluviométricos (Mortvedt, 2001).

Quelatos orgânicos
Quelatos orgânicos podem ser naturais ou sintéticos e são forma-
dos a partir da combinação de um agente quelatizante com um metal
através de ligações coordenadas. Sob essa perspectiva, a estabilida-
de da ligação quelato-metal geralmente determina a disponibilidade
do micronutriente às plantas. Os quelatos são bastante solúveis em
água, mas, diferentemente dos sais simples, liberam o micronutriente
muito lentamente. Esse fato é a principal vantagem dos quelatos, pois
permite que Cu2+, Fe2+, Mn2+, Zn2+ e Co2+ permaneçam em solução
em condições que normalmente se insolubilizariam, como em solu-
ções concentradas com reação neutra ou alcalina (pH 7,0 ou maior)
e em solos calcários. Isso se constitui em um aspecto de grande im-
portância quando se pretende alta eficiência agronômica via solo em
áreas que, por algum motivo, estejam na faixa de pH acima de 6,0
e/ou com percentagem de saturação por bases acima de 70%, por
exemplo. Dessa forma, um quelato eficiente é aquele no qual a taxa
de substituição do elemento é baixa, mantendo, consequentemente,
32 Documentos 297

o micronutriente quelatizado por tempo suficiente para ser absorvido


e translocado para a parte aérea (Lopes, 1999). Quando aplicados às
folhas, agente quelatizante e metal entram juntos pelos estômatos e
são transportados para os demais órgãos, ficando o segundo protegi-
do de reações de fixação e/ou precipitação no floema (Martins et al.,
2010).
É importante salientar que um bom quelato é aquele que é solúvel
em água, não fitotóxico, compatível com outros produtos como adu-
bos foliares e defensivos agrícolas, forma ligação quelato-cátion está-
vel nas soluções e tem bom potencial de acidificação (Melarato et al.,
2002). Para as plantas, a eficiência relativa dos quelatos aplicados
ao solo pode ser de duas a cinco vezes maior por unidade de micro-
nutriente do que a das fontes inorgânicas, enquanto o seu custo, por
unidade de elemento, é de cinco a cem vezes mais alto. Esse aspecto
constitui-se em uma limitação ao uso desses produtos em culturas de
baixo valor agregado.
Os agentes quelatizantes mais utilizados são: ácido etilenodia-
minotetracético (EDTA), ácido hidroxietil etilenodiaminotetracético
(HEDTA), ácido dietilenotriaminopentacético (DTPA), EDDHA (ácido
diamino o-hidrofenil acetato), ácido nitriloacético (NTA), ácido glu-
coheptônico, lignossulfonados, ácido cítrico, ácido tartárico, ácido
ascórbico, aminoácidos, polihexoses, polifosfatos e poliflavonóides.
O mais comum é o EDTA.

Complexos orgânicos
Os complexos orgânicos são produzidos a partir da combinação
de micronutrientes metálicos com subprodutos orgânicos industriais,
como, por exemplo, resíduos da indústria madeireira e alimentícia.
São mais baratos, porém têm menor estabilidade e se degradam
mais rapidamente no solo, além de serem menos compatíveis com
outros fertilizantes fluidos do que os quelatos (Lopes, 1999).
Micronutrientes na agricultura 33

Fertilizantes boratados

As fontes de B existentes no mercado diferenciam-se umas das outras


pela sua solubilidade. As fontes solúveis são: ácido bórico (H3BO3),
Solubor (Na2B8O13.4H2O) e Bórax (Na2B4O7.10H2O). Por ser a fonte
mais solúvel de todas, em água, o ácido bórico foi bastante utiliza-
do no passado, entretanto, pela grande susceptibilidade às perdas
por lixiviação, aos poucos foi sendo substituído por Solubor; Bórax;
Colemanita (CaB6O11.5H2O), que é medianamente solúvel; e ulexita
(NaCaB5O9.8H2O), que é considerado insolúvel.

Fertilizantes fontes de molibdênio

Os fertilizantes fontes de molibdênio para a agricultura podem ser solú-


veis ou insolúveis. Os solúveis são: molibdato de sódio (Na2MoO4·2H2O)
e molibdato de amônio [(NH4)6Mo7O24.4H2O]. A fonte insolúvel é o óxi-
do de molibdênio (MoO3).

Formas de aplicação dos


micronutrientes

Via sementes
A aplicação de micronutrientes via sementes deve ser realizada
de forma a preservar, aperfeiçoar e impulsionar a performance da
germinação e a expressar alta resposta gênica da cultura. Antes de
34 Documentos 297

iniciar a "adubação" das sementes, é preciso estar atento à qualidade


do produto que será semeado, pois se constitui um fator importante
na produtividade, devendo possuir bons atributos fisiológicos, genéti-
cos, físicos e fitossanitários. Ademais, fazer um tratamento nutricional
nas sementes é facilitar a expressão genética da cultivar, garantindo
a germinação e o crescimento da plântula, uma redução no ciclo e
maiores produtividades (Ribeiro; Loiola, 2021).

Via solo
A adubação com micronutrientes visa incrementar a produtividade
das culturas em solos deficientes deles. Para isso, a quantidade do
fertilizante a aplicar deve ser estabelecida com base no teor do ele-
mento no solo, determinado a partir da análise química, e na neces-
sidade da cultura. Segundo Zuazo (2009), o efeito residual de uma
adubação com micronutrientes dura um período de aproximadamen-
te cinco anos, mas é importante que análises químicas continuem
sendo feitas periodicamente a fim de decidir se se faz ou não adu-
bação de manutenção. Dessa forma, altos teores desses elementos
nas análises das últimas três safras permitem a sua não utilização
em momentos de dificuldade financeira, sem comprometimento do
potencial produtivo. Pode ser feita em sulcos, em covas ou a lanço.

Via foliar
Na adubação foliar, os micronutrientes são aplicados diretamente
sobre as folhas. A entrada dos elementos se dá através dos estôma-
tos e de rupturas e microcanais formados na cutícula. O veículo para
a entrada é a água. Para isso, o fertilizante foliar é dissolvido nela e a
aplicação é realizada com o uso de pulverizador, que dispensa a mis-
tura sobre toda a folhagem da cultura. É mais eficaz do que a aduba-
ção convencional, uma vez que o(s) elemento(s) é(são) colocado(s)
diretamente no órgão metabólico da planta, não necessitando passar
pelas etapas de transporte e redistribuição (Matioli, 2019).
Micronutrientes na agricultura 35

Considerações finais
Por serem exigidos em proporções menores e menos pesquisa-
dos em relação aos macronutrientes, existe uma falsa impressão de
que os micronutrientes tenham importância menor para as culturas.
Entretanto, esses elementos exercem funções tão importantes nas
plantas quantos os primeiros: dão estabilidade à parede celular, fa-
zem parte de enzimas ou as ativam, estão envolvidos em reações
redox, fazem balanço de cargas e atuam como agentes osmóticos.
Dessa forma, é importante que universidades e instituições de pes-
quisas deem mais ênfase a esses insumos, incorporando-os em seus
portfólios de investigação científica, pois existe um amplo espectro de
temas a serem pesquisados com o objetivo de tornar os sistemas de
produção agrícola mais eficientes.
Nesse contexto, temas como desenvolvimento de novos métodos
de aplicação, veículos apropriados para o seu fornecimento, nutrição
com micronutrientes e resistência de plantas a fitopatógenos, utiliza-
ção do melhoramento convencional e da biotecnologia para o desen-
volvimento de materiais que tenham maior eficiência nutricional para
esses elementos e manejo de micronutrientes em sistemas de pro-
dução de base ecológica e/ou familiar são pertinentes na atualidade
para as sustentabilidades ambiental, social e econômica.

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