Apostila Micronutrientes
Apostila Micronutrientes
Documentos 297
Campina Grande, PB / Março, 2024
Micronutrientes na agricultura
Fe Mn
B
Ni
Cl
Mo
Cu Zn
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
Embrapa Algodão
Ministério da Agricultura e Pecuária
e-ISSN 2966-0343
Documentos 297
Março, 2024
Micronutrientes na agricultura
Embrapa Algodão
Campina Grande, PB
2024
Embrapa Algodão Edição executiva
Rua Osvaldo Cruz, 1.143, Centenário Geraldo Fernandes de Sousa Filho
58428-095, Campina Grande, PB
Revisão de texto
[Link]/algodao
Marcela Bravo Esteves
[Link]/fale-conosco/sac
Normalização bibliográfica
Comitê Local de Publicações Enyomara Lourenço Silva
Presidente
Projeto gráfico
Daniel da Silva Ferreira
Leandro Sousa Fazio
Secretária-executiva
Magna Maria Macedo Nunes Costa Diagramação
Geraldo Fernandes de Sousa Filho
Membros
Francisco José Correia Farias Foto da capa
Luiz Paulo de Carvalho Tarcisio Marcos de Souza Gondim
Nair Helena Castro Arriel
Rita de Cássia Cunha Saboya Publicação digital: PDF
Geraldo Fernandes de Sousa Filho
Introdução________________________________________________________________________ 9
Fonte de micronutrientes_________________________________________________29
Óxidos______________________________________________________________________________29
Sulfatos_____________________________________________________________________________ 30
Oxi-sulfatos_______________________________________________________________________30
Fritas________________________________________________________________________________ 31
Quelatos orgânicos____________________________________________________________31
Complexos orgânicos_________________________________________________________32
Fertilizantes boratados_______________________________________________________33
Fertilizantes fontes de molibdênio_______________________________________33
Considerações finais_______________________________________________________35
Referências______________________________________________________________________35
Micronutrientes na agricultura 9
Introdução
Plantas superiores são constituídas de água numa faixa que vai
de 80 a 95%, e de matéria seca (MS), entre 5 a 20%, dependendo
da espécie, do estádio de desenvolvimento e das condições de clima
e solo. Nessa MS, encontram-se vários elementos químicos que são
absorvidos do solo pelas raízes, mas apenas 17 são essenciais às
plantas. São eles: carbono (C), hidrogênio (H), oxigênio (O), nitrogê-
nio (N), fósforo (P), potássio (K), cálcio (Ca), magnésio (Mg), enxofre
(S), boro (B), cloro (Cl), ferro (Fe), manganês (Mn), cobre (Cu), zinco
(Zn), molibdênio (Mo) e níquel (Ni). Os elementos C, H e O vêm do
ar (C e O) e da água (H e O). Juntos, representam 96% da MS das
plantas. Os demais elementos – 4% restantes – advêm do solo (Rou-
ached; Tran, 2015).
Para ser considerado essencial ao crescimento e desenvolvimen-
to, o elemento químico precisa obedecer aos critérios de essencialida-
de propostos por Arnon e Stout (1939), que são: 1) na sua ausência,
a planta é incapaz de completar o seu ciclo de vida, não produzindo
sementes viáveis; 2) a essencialidade deve ser específica, ou seja, o
elemento não pode ser substituído por outro com propriedades simila-
res; e 3) o elemento deve ter uma função específica dentro da célula.
Os 14 elementos químicos absorvidos do solo que obedecem aos
critérios supracitados são chamados de nutrientes minerais essen-
ciais e subdivididos em duas categorias: macronutrientes – N, P, K,
Ca, Mg e S – e micronutrientes – B, Cl, Fe, Mn, Cu, Zn, Mo e Ni. Essa
classificação os separa apenas pela quantidade exigida pelas plan-
tas. Os macronutrientes são encontrados na MS do tecido vegetal na
magnitude de g kg-1, enquanto os micronutrientes, em mg kg-1 (David
et al., 2014).
Essa classificação em macronutrientes e micronutrientes, ba-
seando-se apenas na quantidade exigida pela planta, não dá deta-
lhes dos papéis que eles exercem. Por esse motivo Epstein e Bloom
(2006) sugeriram uma classificação mais detalhada desses nutrien-
tes, baseada nas suas funções fisiológicas:
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Boro
• Biossíntese da parede celular
Atua na biossíntese e deposição dos pectatos de Ca, responsá-
veis pela rigidez da parede celular, e forma complexos de ésteres
Micronutrientes na agricultura 13
Cloro
• Função osmótica
O Cl exerce efeito osmótico nas células-guarda durante a abertu-
ra e o fechamento dos estômatos. Na abertura, há a entrada de CO2
para a fotossíntese (Flowers; Colmer, 2008).
• Balanço de cargas elétricas
O Cl tem a função de fazer a neutralização das cargas elétricas
positivas geradas durante o metabolismo vegetal, em virtude do fluxo
de K, ou seja, o Cl- é o contra-ânion do K+ (Catani et al., 1969).
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• Absorção de nutrientes
O Cl é cofator da ATPase do tonoplasto. Utilizando esse elemento
e a energia proveniente da hidrólise do ATP, essa ATPase promove
a absorção dos nutrientes catiônicos para o vacúolo (Geifus, 2018).
• Fase fotoquímica da fotossíntese
A principal função do Cl nas plantas é a sua participação na rea-
ção de Hill durante a fase fotoquímica da fotossíntese. Esse micro-
nutriente age como cofator do complexo enzimático Mn-Enzima no
fotossistema II (PSII) (Rollefson, 1930).
Ferro
• Constituinte dos citocromos
Os citocromos são proteínas que transportam elétrons. Estão
presentes na cadeia de transporte de elétrons (CTE) da mitocôndria,
sendo por isso importantes na respiração (Murgia et al., 2022).
• Constituinte de proteínas com grupos Fe-S
As proteínas vegetais com grupos Fe-S são a ferrodoxina e o ci-
tocromo b6f. Ambas fazem parte da CTE da fotossíntese. São impor-
tantes na formação de ATP e poder redutor para a fotossíntese, na
FBN, na redução de NO3- e SO42- e na assimilação do NH4+ (Murgia
et al., 2022).
• Constituinte das enzimas catalase e peroxidase
O Fe faz parte das enzimas catalase e peroxidse, que transfor-
mam H2O2, subproduto do metabolismo e tóxico às plantas, em H2O e
O2 (Murgia et al., 2022).
• FBN
O Fe participa da leg-hemoglobina, que protege a enzima nitro-
genase da inativação irreversível do O2, garantindo a FBN (Murgia
et al., 2022).
Micronutrientes na agricultura 15
Manganês
• Fase fotoquímica da fotossíntese
O Mn é constituinte da enzima S, responsável pela reação de
Hill (2H2O → 4H+ + 4e- + O2) durante a fotossíntese. Com o fluxo de
elétrons prejudicado, diminui-se a fotofosforilação, a fixação do CO2,
a redução do nitrato e do sulfato (Yachandra et al., 1996).
• Desintoxicação celular
Ativa as enzimas superóxido dismutase (SOD), catalase e pero-
xidase, responsáveis pela inativação de radicais livres (O2-) formados
pela inibição da reação de Hill (Yachandra et al., 1996).
• Redução do N
Ativa a enzima redutase do nitrito (RNO2-) que transforma NO2-
em NH4+ quando o solo é adubado com nitrato (NO3-). O íon amônio é
incorporado em esqueletos de C (Shu et al., 2019).
• Nodulação em leguminosas
Na nodulação das leguminosas, exige-se alta atividade das au-
xinas, que por sua vez são afetadas pelo Mn. Esse micronutriente
funciona como cofator – constituinte – do sistema de formação e ati-
vação das auxinas (Ma et al., 2022).
• Resistência de plantas às doenças
O Mn ativa uma série de enzimas responsáveis pela formação
de compostos fenólicos, cumarinas, ligninas, flavonoides e auxinas,
que inibem ou dificultam a proliferação de fitopatógenos. Além disso,
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Cobre
• Fase fotoquímica da fotossíntese
Faz parte da plastocianina, uma proteína azul, e ativa a citocromo
oxidase. Ambas são doadoras de elétrons para o Fotossistema I (PSI)
(Baracho et al., 2019).
• Fase bioquímica da fotossíntese
Nessa fase da fotossíntese, o Cu é responsável pela entrada do
CO2 nos compostos orgânicos ao ativar a enzima ribulose 1,5-difosfa-
to carboxilase/oxigenasse, conhecida como Rubisco (Baracho et al.,
2019).
• Respiração
É constituinte da enzima citocromo oxidase, que transporta elé-
trons durante a fosforilação oxidativa, e da ascorbato oxidase, que
oxida o ácido ascórbico à desidroascórbico (Laporte et al., 2020).
• Desintoxicação celular
O Cu participa do grupo prostético da enzima SOD, que protege
as plantas dos radicais superóxidos (O2-) (Zhang et al., 2017).
• Resistência de plantas às doenças
Ativa as enzimas polifenol oxidase e diamina oxidase, que cata-
lisam a oxidação de compostos fenólicos, transformando-os em ce-
tonas, que são precursoras da lignina. Dessa forma, a deficiência de
Cu pode facilitar a entrada de fitopatógenos nas plantas (Kowata et
al, 2012).
Micronutrientes na agricultura 17
Zinco
• Crescimento apical
A deficiência de Zn pode causar degradação das auxinas produ-
zidas pelas plantas e reduzir a sua síntese. Como esse fitormônio é
responsável pelo crescimento apical, diminui-se a altura das plantas
e estimula-se os brotos laterais (Ibrahim; Ramadan, 2015).
• Síntese de proteínas
O Zn inibe a enzima RNAase e faz parte da RNA polimerase.
Portanto, plantas deficientes nesse micronutriente apresentarão uma
queda na síntese de proteínas. Ademais, o Zn faz parte de proteínas
ativas envolvidas na transcrição do DNA e está presente na estrutura
dos ribossomos (Castillo-González et al., 2018).
• Redução do N
O Zn ativa a enzima redutase do nitrato (RNO3-), que reduz o NO3-
a NO2- (Demetin et al., 2007). Sem zinco, há um acúmulo de NO3- nas
plantas e queda na formação de aminoácidos.
• Desintoxicação celular
O Zn faz parte da estrutura da enzima SOD, que decompõe ra-
dicais oxidantes (O2-), tóxicos às células vegetais (Moghadam et al.,
2013). Nessa desintoxicação, forma-se peróxido de hidrogênio (H2O2),
que é inativado pela ação da enzima catalase, ativada pelo Zn (Asa-
dollahi et al., 2016).
• Fase bioquímica da fotossíntese
O ciclo C4 trabalha com HCO3- e não CO2. Nesse contexto, o
Zn faz parte da enzima anidrase carbônica, que catalisa a seguinte
reação: CO2 + H2O → HCO3- + H+. Também, ao acoplar enzima e
substrato e ter efeito na conformação de moléculas ativas, é im-
portante para a ação da Rubisco, proteína importante no ciclo C3
(Zhang et al., 2018).
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• Respiração
É responsável por ativar uma das enzimas-chave da respiração,
a aldolase, que atua nos níveis de glicólise e CTE. Dessa forma, há
queda na produção de ATP pela célula (Price; Miller, 1962).
• Resistência de plantas às doenças
Como a deficiência de Zn promove uma elevação dos O2-, devi-
do à baixa atividade da SOD, há reflexos diretos na integridade das
membranas, uma vez que essa espécime química reage com os li-
pídeos. Também a falta desse micronutriente interfere na interação
entre proteínas e os grupos sulfidrilos (−SH), a qual o Zn tem papel
direto. Isso contribui para aumentar a susceptibilidade das plantas às
doenças (Gupta et al., 2012).
Molibdênio
• FBN
O Mo é constituinte da nitrogenase, enzima que faz a FBN nos
nódulos radiculares das leguminosas. Dessa forma, a falta desse mi-
cronutriente acarretará sintomas de deficiência de N na planta (Silva
et al., 2017).
• Redução do N e do S
Por sua ação redox, o Mo está envolvido nas reduções do nitro-
gênio e do enxofre, uma vez que esse micronutriente faz parte das
enzimas nitrato redutase (Kovács et al., 2015) e sulfito redutase.
Níquel
A única função conhecida do Ni nas plantas é ser constituinte da
urease, enzima que tem importância fundamental quando o solo é
adubado com ureia para fornecer N. A reação (CH4N2O) + 3H2O →
2NH4+ + OH- + HCO3- catalisada por essa enzima evita a toxidez dos
tecidos (Barcelos et al., 2018).
Micronutrientes na agricultura 19
Sintomas de deficiência e
excesso de micronutrientes
Boro
Como o B é imóvel no floema, os sintomas de deficiência apa-
recem primeiro nos órgãos jovens. Esses sintomas são: inibição do
crescimento da parte aérea pela morte das gemas apicais; encurta-
mento dos internódios; folhas pequenas e deformadas; folhas engros-
sadas, duras e às vezes quebradiças; folhas necrosadas; presença
de nervuras salientes; baixa produção de sementes; caules e frutos
enrugados, rachados, quebradiços e às vezes com manchas ou es-
trias de cortiça e acúmulo de bolsas de gomas no mesocarpo dos
frutos (Duran et al., 2018; Prado, 2020). A Figura 1 mostra sintomas
de deficiência de B em videira.
A B
Cloro
Não é comum a deficiência de Cl nas plantas por estar presen-
te no adubo cloreto de potássio (KCl) e na água das chuvas. Entre-
tanto, quando ocorre, os sintomas são: murchamento, clorose, bron-
zeamento e deformação da folha formando uma espécie de “taça”.
O bronzeamento pode evoluir para necrose (Prado, 2020).
Micronutrientes na agricultura 21
Ferro
Os sintomas de deficiência de Fe aparecem inicialmente nas
partes jovens das plantas, como uma clorose. As folhas ficam ama-
reladas, permanecendo apenas as nervuras verdes durante algum
tempo, destacando-se como um reticulado fino – rede verde fina das
nervuras sobre um fundo amarelado –, podendo evoluir para um
branqueamento. Entretanto, com a evolução da sintomatologia, até
as nervuras ficam cloróticas (Rustioni et al., 2017; Prado, 2020).
A Figura 4 mostra sintomas de deficiência de Fe em folhas de maciei-
ra e pessegueiro.
Fotos: Gilmar Ribeiro Nachtigall (A); Gilberto Nava (B) 22 Documentos 297
A B
Manganês
A deficiência de Mn é caracterizada por clorose interneval – reti-
culado grosso em que as nervuras formam uma rede verde espessa
sobre um fundo amarelado – das folhas jovens (Lavres Júnior et al.,
2012; Prado, 2020). A Figura 6 mostra sintomas de deficiência de Mn
em folhas de morangueiro e pessegueiro.
Fotos: Paulo Luiz Lanzetta Aguiar (A); Gilberto Nava (B) 24 Documentos 297
A B
Cobre
Como o Cu possui baixa redistribuição nas plantas, os sintomas
aparecem nos órgãos mais novos. De forma geral, as folhas ficam
amareladas ou verde-azuladas, murchas, com as margens enrola-
das para cima ou até mesmo maiores que as normais. Caules ou
colmos ficam fracos e murchos ainda que haja umidade no solo.
Pode ocorrer morte das gemas apicais (Yruela, 2005; Prado, 2020).
A Figura 7 mostra sintomas de deficiência de Cu em folhas de pes-
segueiro e milho.
Micronutrientes na agricultura 25
Zinco
A deficiência de Zn se caracteriza por folhas pequenas com fai-
xas amareladas ou brancas entre as nervuras. Há também o encur-
tamento dos internódios e, em razão disso, tem-se a formação de
nós sucessivos e as folhas se aproximam, formando uma roseta (Su-
dhalakshmi et al., 2015; Prado, 2020). A Figura 8 mostra sintomas de
deficiência de Zn em macieira e milho.
A toxidade de Zn manifesta-se pela diminuição da área foliar e
deformação, ficando as folhas pontiagudas, seguida de clorose, po-
dendo aparecer um pigmento amarelado, pardo-avermelhado ou
amarronzado. Em seguida, o limbo necrosa (Prado, 2020; Paradisone
et al., 2021). A Figura 9 mostra sintoma de excesso de Zn em folhas
de sorgo-sacarino.
26 Documentos 297
Fotos: Gilmar Ribeiro Nachtigall (A);
Antônio Marcos Coelho (B)
A B
Molibdênio
Em razão da restrita mobilidade nas plantas, os sintomas de
deficiência de Mo ocorrem primeiramente nas folhas novas. Em ge-
ral, tem-se uma clorose interneval, semelhante à deficiência de Mn
(Figura 6). Também as margens do limbo tendem a curvar-se para
cima ou para baixo (Quaggio et al., 2004; Prado, 2020). A Figura 10
mostra sintomas de deficiência de Mo em folhas de milho.
Níquel
Os sintomas de deficiência de Ni nas plantas são: folhas peque-
nas, em formas de cálice (orelha-de-rato) e pontos necróticos pelo
acúmulo de ureia (Bai et al., 2006). Já o sintoma de toxidade por ureia
é necrose nas folhas (Hassan et al., 2019).
Para solucionar o problema da deficiência e do excesso de micro-
nutrientes, é recomendável que se faça a análise do solo para esses
elementos antes da implantação da cultura. Na coleta do solo, to-
mam-se amostras simples na profundidade de 0–20 cm, abrangendo
toda a área a ser plantada, em forma de zigue-zague. Essas amostras
simples devem ser misturadas e bem homogeneizadas para formar a
amostra composta que será levada ao laboratório de rotina, lembran-
do que nem todos eles fazem análise de micronutrientes.
De posse dos resultados e de acordo com a cultura, faz-se a adu-
bação utilizando-se as fontes específicas necessárias para suprir a
demanda das plantas bem como a forma de aplicação mais adequa-
da ao sistema. Em caso de aparecer deficiências pontuais durante o
desenvolvimento vegetal, toma-se amostra de folhas – primeira ex-
pandida a partir do ápice – e essa amostra é levada ao laboratório
para a análise foliar. De posse dos resultados, uma adubação de ma-
nutenção ou correção é feita.
Fonte de micronutrientes
Óxidos
Os óxidos são as fontes mais insolúveis de micronutrientes metá-
licos que existem no mercado. Por essa razão, apresentam um custo
inferior. Nessa perspectiva, o único que apresenta alguma viabilidade
no uso é o óxido de cobre (Cu2O), na forma como foi extraído durante
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Sulfatos
Sulfatos, por serem de maior solubilidade, são as fontes mais
usadas de micronutrientes catiônicos (Cu, Fe, Mn e Zn) que existem
no mercado. Se prestam muito bem tanto para adubação via solo
como foliar, com exceção do sulfato ferroso (FeSO4.7H2O), que não
é muito bem recomendado para solo. A sua solubilidade faz com que
sejam adequados para misturar com outros fertilizantes fluidos, des-
de que seja feito antes um teste de compatibilidade (Camargo, 2006).
Os principais são sulfato de cobre penta-hidratado (CuSO4.5H2O,
10% de Cu), sulfato de ferro III nona-hidratado [Fe2(SO4)3.9H2O, 20%
de Fe], sulfato de ferro II hepta-hidratado (FeSO4.7H2O, 20% de Fe),
sulfato de manganês tetra-hidratado (MnSO4.4H2O, 24% de Mn), sul-
fato de zinco hidratado (ZnSO4.H2O, 36% de Zn) e sulfato de zinco
hepta-hidratado (ZnSO4.7H2O, 36% de Zn).
Oxi-sulfatos
Oxi-sulfatos são fontes de micronutrientes cuja solubilidade em
água vai depender da quantidade de H2SO4 utilizada na solubilização
do óxido que lhe deu origem, sendo um fator determinante da eficiên-
cia agronômica do produto a curto prazo, em aplicações localizadas
em sulcos e para produtos na forma granulada. A acidulação parcial
com H2SO4 dará origem a um produto que contém micronutrientes,
especialmente Zn e Mn, nas formas de óxido e sulfato, apresentando
solubilidade intermediária entre os dois. Para que possam proporcio-
nar uma alta eficiência na forma granulada, devem apresentar entre
35 a 50% dos elementos solúveis em água (Mortvedt, 2001).
Micronutrientes na agricultura 31
Fritas
As fritas são também chamadas de "elementos traços fritados",
tradução literal do inglês "fritted trace elements", termo que deu ori-
gem à sigla FTE. São produtos vítreos obtidos pela fusão de silicatos
ou fosfatos com uma ou mais fontes de micronutrientes a aproxima-
damente 1.300 oC, seguido de resfriamento rápido em água, seca-
gem e moagem. A solubilidade é determinada pelo tamanho das par-
tículas e pela composição da matriz (Vale; Alcarde, 2003). Por liberar
gradualmente os micronutrientes no solo, evita que as plantas sejam
intoxicadas (Cunha et al., 2019). As fritas são mais apropriadas para
adubação de manutenção do que para a correção de deficiências
severas de micronutrientes, apresentando maior eficiência em solos
arenosos com altas taxas de lixiviação, localizados em regiões com
altos índices pluviométricos (Mortvedt, 2001).
Quelatos orgânicos
Quelatos orgânicos podem ser naturais ou sintéticos e são forma-
dos a partir da combinação de um agente quelatizante com um metal
através de ligações coordenadas. Sob essa perspectiva, a estabilida-
de da ligação quelato-metal geralmente determina a disponibilidade
do micronutriente às plantas. Os quelatos são bastante solúveis em
água, mas, diferentemente dos sais simples, liberam o micronutriente
muito lentamente. Esse fato é a principal vantagem dos quelatos, pois
permite que Cu2+, Fe2+, Mn2+, Zn2+ e Co2+ permaneçam em solução
em condições que normalmente se insolubilizariam, como em solu-
ções concentradas com reação neutra ou alcalina (pH 7,0 ou maior)
e em solos calcários. Isso se constitui em um aspecto de grande im-
portância quando se pretende alta eficiência agronômica via solo em
áreas que, por algum motivo, estejam na faixa de pH acima de 6,0
e/ou com percentagem de saturação por bases acima de 70%, por
exemplo. Dessa forma, um quelato eficiente é aquele no qual a taxa
de substituição do elemento é baixa, mantendo, consequentemente,
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Complexos orgânicos
Os complexos orgânicos são produzidos a partir da combinação
de micronutrientes metálicos com subprodutos orgânicos industriais,
como, por exemplo, resíduos da indústria madeireira e alimentícia.
São mais baratos, porém têm menor estabilidade e se degradam
mais rapidamente no solo, além de serem menos compatíveis com
outros fertilizantes fluidos do que os quelatos (Lopes, 1999).
Micronutrientes na agricultura 33
Fertilizantes boratados
Via sementes
A aplicação de micronutrientes via sementes deve ser realizada
de forma a preservar, aperfeiçoar e impulsionar a performance da
germinação e a expressar alta resposta gênica da cultura. Antes de
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Via solo
A adubação com micronutrientes visa incrementar a produtividade
das culturas em solos deficientes deles. Para isso, a quantidade do
fertilizante a aplicar deve ser estabelecida com base no teor do ele-
mento no solo, determinado a partir da análise química, e na neces-
sidade da cultura. Segundo Zuazo (2009), o efeito residual de uma
adubação com micronutrientes dura um período de aproximadamen-
te cinco anos, mas é importante que análises químicas continuem
sendo feitas periodicamente a fim de decidir se se faz ou não adu-
bação de manutenção. Dessa forma, altos teores desses elementos
nas análises das últimas três safras permitem a sua não utilização
em momentos de dificuldade financeira, sem comprometimento do
potencial produtivo. Pode ser feita em sulcos, em covas ou a lanço.
Via foliar
Na adubação foliar, os micronutrientes são aplicados diretamente
sobre as folhas. A entrada dos elementos se dá através dos estôma-
tos e de rupturas e microcanais formados na cutícula. O veículo para
a entrada é a água. Para isso, o fertilizante foliar é dissolvido nela e a
aplicação é realizada com o uso de pulverizador, que dispensa a mis-
tura sobre toda a folhagem da cultura. É mais eficaz do que a aduba-
ção convencional, uma vez que o(s) elemento(s) é(são) colocado(s)
diretamente no órgão metabólico da planta, não necessitando passar
pelas etapas de transporte e redistribuição (Matioli, 2019).
Micronutrientes na agricultura 35
Considerações finais
Por serem exigidos em proporções menores e menos pesquisa-
dos em relação aos macronutrientes, existe uma falsa impressão de
que os micronutrientes tenham importância menor para as culturas.
Entretanto, esses elementos exercem funções tão importantes nas
plantas quantos os primeiros: dão estabilidade à parede celular, fa-
zem parte de enzimas ou as ativam, estão envolvidos em reações
redox, fazem balanço de cargas e atuam como agentes osmóticos.
Dessa forma, é importante que universidades e instituições de pes-
quisas deem mais ênfase a esses insumos, incorporando-os em seus
portfólios de investigação científica, pois existe um amplo espectro de
temas a serem pesquisados com o objetivo de tornar os sistemas de
produção agrícola mais eficientes.
Nesse contexto, temas como desenvolvimento de novos métodos
de aplicação, veículos apropriados para o seu fornecimento, nutrição
com micronutrientes e resistência de plantas a fitopatógenos, utiliza-
ção do melhoramento convencional e da biotecnologia para o desen-
volvimento de materiais que tenham maior eficiência nutricional para
esses elementos e manejo de micronutrientes em sistemas de pro-
dução de base ecológica e/ou familiar são pertinentes na atualidade
para as sustentabilidades ambiental, social e econômica.
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