Meteorologia Agrícola
Prof. Tulio Martinez Santos
Aula # 2
Climatologia
Classificação Climática
IFMT-campus Confresa
Clima
Definiu-se CLIMA como sendo uma descrição estática, que expressa as
condições médias do sequenciamento do tempo meteorológico.
Portanto, mede-se primeiro as condições instantâneas da atmosfera
(Tempo) de um local por vários anos e, posteriormente, estima- se qual
deve ser a condição média (provável), ou seja, o CLIMA.
Piracicaba, SP
30 350
Chuva
25 Tmed 300
250
Chuva (mm/mês)
20
Temperatura média
200
15
150
10
100
(oC)
5 50
0 0
J F M A M J J A S O N D
Essa condição média é que
Climas do Mundo irá condicionar a distribuição dos
seres vivos no globo. A
distribuição da vegetação natural
nas diversas regiões da Terra
depende basicamente do clima.
Vegetação Natural
Assim, regiões com alta
disponibilidade de água e
energia apresentam maior
biodiversidade, enquanto que
nas regiões frias ou secas
somente alguns poucas
Diversos FATORES atuam para a formação das condições do TEMPO
de um local e, conseqüentemente, para a formação de seu CLIMA.
Esses fatores são agentes causais que condicionam os elementos.
Como já foi visto anteriormente, os fatores podem ser classificados de
acordo com a escala de estudo, ou seja, com efeitos no MACRO, TOPO e
MICROCLIMA.
Macroclima
Topoclima
Microclima
Fatores do Macroclima
Atuam em escala regional ou geográfica. São classificados como
permanentes (latitude, altitude/relevo, oceanidade/continetalidade,
etc.) ou variáveis (correntes oceânicas, centros semi-permanentes de
alta e baixa pressão, massas de ar, composição atmosférica, etc.).
Fatores do Macroclima
Latitude
Com isso, ocorre variação espacial e temporal do
ângulo de incidência dos raios solares na superfície
(ângulo zenital) e do fotoperíodo, os quais por sua
vez geram valores diários de irradiância solar
variáveis de acordo com a latitude e com o dia do
ano, resultando em diferenças nas condições
térmicas.
> Latitude < Temp média anual
FOTOPERÍODO x LATITUDE
16,0
Lat 10 S Lat 20 S Lat 40S
Lat 30 S Equador
14,0
Fotoperíodo (horas)
12,0
10,0
8,0
J AN MAR MAI J UL SET NOV
Meses
Latitude x Temperatura média anual
Localidades ao nível do mar
Belém (PA) – Lat = 1º27´S
Tmax = 31,4oC, Tmin, 21,9oC, Tmed = 25,9oC
Salvador (BA) – Lat = 13º01´S
Tmax = 28,2oC, Tmin, 22,7oC, Tmed = 25,2oC
Rio de Janeiro (RJ) – Lat = 22º55´S
Tmax = 27,2oC, Tmin, 21,0oC, Tmed =
23,7oC
Torres (RS) – Lat = 29º20´S
Tmax = 22,3oC, Tmin, 15,7oC, Tmed = 18,9oC
Altitude/Relevo
O aumento da altitude ocasiona diminuição da temperatura. Isso
ocorre em conseqüência da rarefação do ar e da diminuição da
pressão atmosférica
Média - 0,6oC / 100m
(esse valor depende da quantidade de vapor no ar)
-15 C
-10 C
10 C
25 C
Temp. média anual
-20 C -10 C 0C 10 C 25 C
Além disso, a associação da altitude com o relevo pode condicionar o regime
de chuvas de uma região. As chuvas orográficas são um exemplo disso:
Total anual médio de chuva (cm)
Esse efeito ocorre também na região da Serra do Mar no Estado de São
Paulo, onde a chuva total anual é de 2.150 mm/ano em Santos, de 3.800
mm/ano no alto da Serra e de 1.300 mm/ano na cidade de S. Paulo.
Oceanidade / Continentalidade
Oceanidade se refere ao efeito do oceâno sobre o clima de uma região
litorânea.
A massa de água ao trocar calor com o ar faz com que haja uma atenuação
tanto do aquecimento do ar como de seu resfriamento, reduzindo assim a
amplitude térmica (Tmax – Tmin).
A continentalidade ocorre em locais situados no interior dos continentes,
portanto sem sofrer efeito dos oceanos. Nessa condição, as amplitudes
térmicas são maiores, tanto em termos diários como em termos anuais.
Cuiabá → Amplitude térmica mensal entre 8 e 17oC Salvador →
Amplitude térmica mensal entre 3 e 6oC
Amplitude térmica anual (diferença entre a Tmed do mês mais quente e do mês mais
frio) decorrente dos efeitos da continentalidade/oceanidade.
HN → Continente > Oceano → > Amplitude Térmica
HS → Continente < Oceano → < Amplitude Térmica
Correntes Oceânicas
A movimentação em função de diferenças de densidade
(causadas por dif. de temp. e salinidade e pela rotação da Terra)
gera correntes que se movem de maneira organizada,
mantendo as suas características físicas, as quais diferem das
águas adjacentes. As correntes que circulam dos Pólos para o
Equador são FRIAS e as que circulam do Equador para os Pólos
são QUENTES.
A atmosfera em contato com essas massas de água entram
em equilíbrio térmico com a superfície. Por isso, as correntes
tem grande efeito sobre o regime térmico e hídrico (chuvas) na
faixa litorânea dos continentes.
Correntes Oceânicas
Correntes Frias → Condicionam clima ameno e seco
Correntes Quentes → Condicionam clima quente e úmido
Exemplo:
Salvador, BA, Brasil → Tanual = 24,9oC e Panual = 2.000 mm
Lima, Perú → Tanual = 19,4oC e Panual = 40 mm
Fatores do Topoclima
Dependentes do Relevo Local. Esses fatores devem ser levados em
consideração nas regiões S e SE do Brasil, quando da implantação de
culturas susceptíveis às geadas.
Configuração do terreno
Espigão
Meia-
encosta
Face
voltada
para o N
Baixada
Planaltos e baixadas favorecem o acúmulo de ar frio, criando topoclimas
diferentes das meia-encostas e espigões. As culturas susceptíveis às
geadas devem ser implantadas em área livres do acúmulo do ar frio
Efeito da configuração do terreno no acúmulo de ar frio
na baixada e formação de neblina
Exposição do terreno
Nas regiões S e SE do Brasil, os terrenos com faces voltadas para o
N são, em média, mais ensolarados, secos e quentes do que as
voltadas para o S. Nas faces voltadas para o S, as temperaturas
são menores (maior risco de geadas) e a umidade será maior
(favorecendo as doenças).
Irradiância solar em diferentes faces do terreno na latitude de
20ºS, no Solstício de Inverno
Dia 22/6
1000
800
600
W m-2
400
200
0
6 8 10 12 14 16 18
Horário
Oeste Norte Leste Sul
A figura acima mostra que na face sul a irradiância solar durante o dia é
muito menor que na face norte.
Fatores do Microclima
Exemplos disso são os ambientes protegidos (estufas, telados,
etc) que tem por finalidade reduzir a incidência de radiação solar
sobre as culturas, elevar as temperaturas ou evitar a ação da
chuva nas plantas. O sistema agro-florestal (SAF) é outro exemplo,
assim como a irrigação que ao fornecer água para a cultura
provoca a redução da temperatura e aumento da umidade.
Estufa Telado SAF
Fatores do Microclima
Apesar dos aspectos favoráveis, a alteração do microclima se
não for bem controlada pode levar a efeitos desfavoráveis,
como é o que ocorre quando se adensa demasiadamente as
culturas ou se irriga com muita freqüência. Nessas condições o
microclima se torna extremamente favorável à ocorrência de
doenças fúngicas e bacterianas.
Estufa Telado SAF
1000 1000
a) b)
900 900
800 800
700 700
600 600
Qg (W.m-
500 500
Qg (W.m-
400 400 Efeito de diferentes
tipos de cobertura
2
)
300 300
2
)
200
100
200
100
plástica na irradiância
0 0 solar de estufas
05:00 10:00 15:00 20:00 05:00 10:00 15:00 20:00
Horário (h) Horário (h)
Ambiente 1 = Plástico +
1000
c)
1000
d) Malha Refletora Externa
900 900
800 800 Ambiente 2 = Plástico +
700 700 Malha Refletora Interna
600 600
Qg (W.m-
500 500
Qg (W.m-
400 400 Fonte: Guiselini et al., 2007
)
300 300
2
2
)
200 200
100 100
0 0
05:00 10:00 15:00 20:00 05:00 10:00 15:00 20:00
Horário (h) Horário (h)
Ambiente 1 Ambiente 2 Ambiente externo
Em regiões frias, o uso da palhada pode ser um problema.
Sistema
plantio-direto,
solo coberto Cafezal com mato na entrelinha
com mulch
Classificação Climática
Caracterizar em uma grande área ou região zonas com características
climáticas homogêneas. Pode levar em consideração características da
paisagem natural (vegetação zonal), baseando-se no fato da vegetação
ser um integrador dos estímulos do ambiente, como também os índices
climáticos (baseados nas normais climatológicas).
Classificação Climática de Köppen
A classificação climática de Köppen define 5 grandes grupos:
A – Megatérmico (tropical úmido) com Os climas B se subdividem em:
temp. média do mês mais frio > 18C Bw – deserto e Bs – estepe
B – Clima seco - Se chuva é de inverno
P < T → Bw
T < P < 2T → Bs
C – Mesotérmico (temperado quente)
com temp. média do mês mais frio - Se não há predominância de
entre -3C e 18C estação chuvosa
P < (T+7) → Bw
D – Microtérmico (temperado frio) com (T+7) < P < (2(T+7)) → Bs
temp. média do mês mais frio < -3C e - Se chuva é de verão
do mês mais quente > 10C P<(T+14) → Bw
(T+14) < P < (2(T+14)) → Bs
E – Polar, com todos os meses com
temp. média < 10C Obs: P = chuva anual, em cm,
e T = temp. média anual (oC)
Sub-tipos da classificação climática de Köppen para o Brasil:
A
Af – com chuvas bem distribuídas ao longo do ano e ausência de estação seca, como na
Amazônia ocidental e parte do litoral do SE
Am – com pequena estação seca, sob influência de monções, ocorre em boa parte da Amazônia
oriental
Aw – denominado clima de savanas, com inverno seco e chuvas máximas no verão,presente na
regiões N, CO e parte do SE
Aw´ - igual ao anterior, mas com chuvas máximas no outono
As – precipitações de outono-inverno, ocorre em parte do litoral do NE
B
Bsh – semi-árido quente, ocorre no sertão da região NE (h = Tmed anual > 18C)
C
Cwa – tropical de altitude, com inverno seco e temp. mês mais quente > 22C
Cwb – tropical de altitude, com temp. do mês mais quente < 22C
Csa – tropical de altitude, estiagem de verão, representando uma pequena região do NE
Cfa – sub-tropical, sem estação seca e temp. do mês mais quente >22C
Cfb – sub-tropical, sem estação seca e temp. do mês mais quente < 22C
Macroclima do mundo – Classificação de Koppen
Teste rápido #3
1) Como a latitude e a altitude condicionam o macroclima?
2) Discuta as diferenças dos efeitos causados pela oceanidade e
pelas correntes marítimas sobre o macroclima.
3) Cite dois fatores do topo e do microclima.