Imperialismo
Imperialismo também é conhecido como neocolonialismo e é
caracterizado pela dominação política, econômica, social e cultural das principais
potências europeias e dos EUA nos séculos XIX e XX.
Em um viés mais europeu, o contexto se passa durante a Segunda
Revolução Industrial, um momento em que a indústria se expande e busca mais
mão-de-obra barata e matéria-prima nos continentes da África, América, Ásia e
Oceania. Além de estarem buscando mercado consumidor, áreas para
escoamento populacional (crescimento populacional na época) e regiões que
comprassem o excedente europeu.
É importante destacar que o trabalho assalariado e essa busca por mão-
de-obra mais barata marcam um sistema de exploração, que vai ser muito
precário.
Tipos de dominação:
• Protetorado: Quando a potência imperialista, através de um acordo,
domina a região mantendo os líderes locais. Isso mantém a “autonomia”
da população com condições predeterminadas pela dominadora.
Ex: O Império Britânico utilizou do protetorado em alguns países da África,
indicando reis locais como forma de administração.
• Colônia: Processo direto de dominação. Quando o país imperialista
coloniza a área de forma geral.
Ex: Colonização britânica na África do Sul, Índia e colonização belga em
Ruanda.
• Econômica: A potência não administra a região, mas faz com que tal lugar
tenha uma dependência econômica.
Ex: Brasil no século XIX e XX e sua relação com o Império Britânico –
altas dívidas com juros – Era Mauá.
• Área de Influência: Dominação imperialista em áreas específicas, não no
país inteiro, mantendo o governo nativo como forma administrativa.
Ex: Hong Kong (China) esteve sob domínio britânico de 1898-1997.
Justificativas:
• Real justificativa: matéria-prima e mãos-de-obra barata.
• Darwinismo social: Teoria surgida nos EUA, Reino Unido e restante da
Europa, que tenta utilizar as teorias da evolução de Darwin para pautar
que algumas sociedades são mais evoluídas que outras, porque existem
homens superiores. Essa população superior tem que trazer cultura e
melhoria de vida para aqueles inferiores.
• Eugenia: Termo criado pelo britânico Francis Gailtor, que significa “bem
nascido”. Define que homens superiores (os bem-nascidos) tem o
controle sobre os outros, tendo o “fardo” de guiá-los a civilização ou
destruí-los.
• Fardo do homem branco: O termo também foi criado por um britânico,
chamado Rudyard Kipling. Para ele, os brancos teriam o “dever moral” de
civilizar os povos de outras partes do mundo, principalmente da África,
Ásia e América Latina, que eram considerados “atrasados” ou “bárbaros”.
• Missão civilizadora
O ideal de embranquecimento da população, seja ele simbólico
(aculturação dos povos dominados) ou literal (reprodução com os brancos),
ainda existe nessa época e é amplamente usado durante o imperialismo.
O imperialismo domina regiões específicas e
não entende os conflitos internos ou como se vive a
população dominada.
China (território grande pós Guerra do Ópio)
sendo dividido como uma pizza com a Inglaterra,
Alemanha, Rússia, França e Japão. O chinês tenta
impedir, mas ninguém o escuta.
Essa foto representa os Tratados Desiguais.
A charge representa o termo do fardo
do homem branco em carregar todas as
populações inferiores e bárbaras nas costas
por “civilizá-los”.
Rochas indicam tudo que tais
brancos achavam que os continentes
dominados possuíam, o homem atrás
representa o representante dos EUA e o da
frente o representante britânico carregando africanos e asiáticos. Levam eles até
a estátua, que seria a civilização.
Conferência de Berlim (1884-1885)
Aconteceu em Berlim, no Império Alemão, e juntou as principais potências
imperialistas – Grã-Bretanha, Dinamarca, Suécia, Portugal, Espanha, Países
Baixos, Bélgica, EUA, Império Otomano, Império Alemã, França, Itália, Grécia e
Rússia.
Tem o objetivo de determinar fronteiras geométricas / arbitrárias / artificiais
de territórios conquistados e definir a ocupação territorial na África de acordo
com seus interesses, que tinha riquezas naturais, diamante e ouro.
Essas fronteiras não iam de acordo com a natureza e sim, com os interesses
europeus nas riquezas africanas. Isso gerou guerras civis e problemas sociais
na África, porque não respeitavam suas culturas e juntavam grupos rivais.
Essa Conferência também determinou o livre comércio nas bacias do
Congo e do Níger, no continente africano, através de acordos com líderes locais.
Coloca a Alemanha definitivamente no contexto do imperialismo.
Partilha da África — Inglaterra e França tem mais territórios.
Guerras Imperialistas na China
Primeira Guerra do Ópio (1839 – 1824)
Ocorreu entre o Império Britânico e a China, porque a China era um
grande mercado pela sua enorme extensão e ela tinha seu mercado externo
fechado. Ela não negociava e era autossustentável.
A China, por conta das diferenças culturais e de uma postura mais
isolacionista, era fechada ao mercado externo e não demonstrava interesse
nos produtos europeus. Ao mesmo tempo, ela produzia bens muito
valorizados no mercado internacional, como seda, porcelana e chá, que eram
vendidos para a Inglaterra. O problema é que a Inglaterra também precisava
vender produtos para equilibrar essa troca, mas como a China não queria
comprar nada da Europa, esse comércio ficou desigual, favorecendo os
chineses.
Para equilibrar essa balança, os britânicos começaram a
contrabandear ópio para a China, criando dependência e aumentando suas
vendas. Quando o governo chinês percebeu os danos sociais causados pelo
ópio, proibiu o comércio da droga. Mesmo assim, os britânicos continuaram
vendendo, o que levou à Guerra do Ópio.
China perde essa Guerra e assina um dos Tratados Desiguais (nome
dado pelos chineses a negociações onde sairiam perdendo) — o Tratado de
Nanquim faz com que o país abrisse seus portos (abre a economia chinesa)
e entregasse Hong Kong para o domínio britânico.
Segunda Guerra do Ópio (1856-1860):
China não aceita a derrota e o Tratado de Nanquim e se revolta — Ópio
apreendido novamente. Dessa vez, França também participa, ao lado da
Inglaterra, contra a China, porque houve a morte de um missionário francês no
território.
Ocidentais ganham a Guerra e determinam o Tratado de Tianjin, que abre
mais 11 portos para o comércio estrangeiro, legaliza o ópio e permite a circulação
de missionários católicos na área.
Revolta dos Boxers (final do século XIX e início do XX):
Revolta ultranacionalista chinesa na tentativa de expulsar estrangeiros da
China. Teve repressão violenta das metrópoles dominadoras.
Guerras Imperialistas na Índia
A Ásia por ter população grande é alvo da dominação econômica e cultural
das grandes potências. Tinha mão-de-obra barata e mercado têxtil consumidor.
Os países dominadores impunham o catolicismo e o ensino do inglês nas
escolas.
Guerra dos Cipaios (1857-1858):
Cipaios são jovens soldados indianos que serviam as tropas britânicas
(Companhia das Índias Orientais Britânicas) — Inglaterra terceiriza sua
dominação com atuação deles por ser mais barato.
A causa mais conhecida da guerra está relacionada a questão religiosa e
militar, quando os soldados hindus e muçulmanos passam a recusar a utilizar
cartuchos feitos de gorduras de animais. Porcos são impuros para os
muçulmanos e boi é sagrado para os hindus.
Observação: Depois que a Inglaterra imperializa a Índia, essa entra em um
período de fome e crise, porque as pessoas não conseguem mais vender seus
tecidos (agora vendidos pela Inglaterra).
Guerras Imperialistas na África do Sul
Guerra dos Bôeres (1880-1902):
Bôeres eram imigrantes holandeses calvinistas, franceses huguenottes,
que viviam na África do Sul e foram atacados pelos ingleses para que eles
tivessem o monopólio da região. Então, eles começam a lutar contra esses
ingleses. — O objetivo central dessa guerra era o domínio das minas de
diamante.
De 1880 a 1881, a Inglaterra estava muito mais forte, conseguem ocupar
a Cidade do Cabo (África do Sul) e fazem com que os bôeres migrem da região.
Essa diáspora dos bôeres gera a República de Transvaal, região onde eles se
refugiaram.
A Segunda Guerra dos Bôeres começa quando o presidente da República
de Transvaal declara sua independência, desagradando os britânicos que
almejavam a anexação da região. Império Britânico sai vitorioso, formando a
União Sul-Africana, com os territórios ao sul do continente.
Obras do Imperialismo
• Canal de Suez: Construído pela Companhia de Suez, do francês
Ferdinanda entre 1859-1869, durante o império de Napoleão III.
Canal que liga a Europa e a Ásia, sem ter que contornar o continente
africano, inicialmente sendo uma obra pertencente a França e Egito, que
teve de vendê-lo ao Império Britânico em 1882 devido as suas dividas
externas.
• Canal do Panamá: Canal que passou a ser construído pela França em
1880, mas que teve as suas obras paradas devido a problemas de
engenharia e altos índices de mortalidades de trabalhadores, sendo
retomado em 1904 pelos EUA e inaugurado em 1914.
Esse canal permite a transição de navios de carga entre os oceanos
Atlântico e Pacífico. Gerenciado pelos EUA e Panamá até 1977.
Japão: Era Medieval ao Imperialismo
• Período Medieval: o Japão era dominado por uma estrutura feudal,
comandada pelos shoguns (líderes militares), sob um sistema conhecido
como shogunato. O poder era descentralizado, o que gerava fragilidade
política, e a sociedade era fortemente influenciada pela atuação do
exército de samurais. O país era fechado para o comércio exterior e
isolado do resto do mundo.
• Chegada dos EUA (1853): a chegada da esquadra norte-americana,
comandada pelo Comodoro Perry, forçou o Japão a abrir seus portos ao
comércio exterior, o que acelerou o fim do isolamento japonês.
Isso foi um choque para o Japão, que percebeu que estava atrasado
tecnologicamente em relação ao Ocidente.
Esse choque gerou uma crise interna: como o governo dos shoguns era
fraco e descentralizado, ficou claro que o país precisava mudar.
• Era Meiji (a partir de 1868): o novo imperador promoveu a unificação do
país, dando início a um processo de modernização política, econômica e
militar. O Japão se transformou em uma potência econômica e militar, com
forte industrialização apoiada nos zaibatsus (grandes conglomerados
industriais controlados por famílias influentes) e na reforma tributária
(aumento na arrecadação de impostos).
Imperialismo
• O Japão, por ser pobre em recursos naturais, montanhoso, pequeno e
sujeito a abalos sísmicos, passou a adotar uma política expansionista
para garantir matérias-primas. Conquistou territórios como a Manchúria e
travou guerras contra China, Rússia e Coreia.
• Durante esse período, o Japão impôs seu domínio com violência extrema,
incluindo o uso de campos de concentração, escravização de povos
ocupados e o estupro sistemático de mulheres, conhecidas como
“mulheres de conforto”, especialmente durante a ocupação da Ásia.
O Rei Leopoldo II e o Genocídio no Congo
• Leopoldo II foi o rei da Bélgica no final do século XIX e conquistou o
território do Congo (na África Central) como sua posse pessoal, não da
Bélgica — ele chamou de “Estado Livre do Congo”, mas de livre não tinha
nada.
• O que ele queria? Explorar ao máximo os recursos naturais do território,
como borracha, ouro e diamantes. Para isso, impôs um regime de quase
escravidão:
Os africanos eram forçados a trabalhar;
• Havia metas obrigatórias de produção — quem não atingia as metas era
punido brutalmente, com mutilações, espancamentos e assassinatos
(muitas vezes cortavam as mãos dos trabalhadores ou de seus filhos);
• Isso gerou um genocídio: milhões de pessoas morreram (estima-se entre
8 e 10 milhões).
• Durante muito tempo, Leopoldo II era homenageado na Europa como
“civilizador da África”, mas na verdade ele impôs um regime de terror.
• Hoje em dia, há um movimento de memória histórica: comunidades
negras e ativistas denunciam esse passado violento, e protestos têm sido
feitos contra estátuas de Leopoldo II, pedindo a retirada delas.
• Após a morte de Leopoldo II, em 1909, o Congo foi transferido para o
controle do Estado belga e passou por uma administração um pouco mais
humanizada, mas ainda colonialista — a violência diminuiu, mas o
domínio e a exploração continuaram.