FACULDADE SERRA DOURADA
BIOMEDICINA
ANA VITÓRIA SILVA DE SOUZA
TRABALHO DE EMBRIOLOGIA: ESPEMIOGÊNESE E OVOGÊSE
Altamira
2025
1 INTRODUÇÃO
A gametogênese humana é um fenômeno biológico que resulta na formação dos
ovócitos secundários e espermatozoides (gametas feminino e masculino, respectivamente).
Esse fenômeno possui três etapas: multiplicação(mitose), crescimento e maturação(meiose),
que se diferenciam em espermatogênese e ovogênese por vários aspectos (Araújo et al., 2007).
Em outras palavras, a gametogênese é o processo de formação e desenvolvimento de
células germinativas altamente especializadas, os gametas. Esse processo prepara essas células
sexuais para a fecundação (Maximiano, 2017). Os gametas, por sua vez, são condutores dos
genes para as próximas gerações, logo, são essenciais e muito importantes para a reprodução,
garantindo a perpetuação e diversidade das espécies. A Figura 1 apresenta o processo de
espermatogênese e ovogênese.
Figura 1 - Processo de espermatogênese e ovogênese.
Fonte: retirado de Maximiano, 2017.
2 ESPERMIOGÊNESE
A espermatogênese é um processo de transformação, no qual as espermatogônias se
transformam em espermatozoides. Esse processo inicia-se no embrião, quando na diferenciação
de células germinativas primitivas, algumas formam os túbulos seminíferos, enquanto outras
formam as espermatogônias, por conta da divisão celular mitótica. Esses gametas masculinos
primitivos crescem e se desenvolvem nos túbulos seminíferos do embrião e ficam inativos após
o nascimento até a puberdade (Cardoso, 2020). A maturação das células germinativas para a
formação dos espermatozoides ocorre até o final da vida do indivíduo, em que cada
espermatogônia dará origem a quatro espermatozoides.
As espermatogônias formadas durante a vida fetal e que estavam adormecidas nos
túbulos seminíferos, passam pela fase de multiplicação na puberdade e dão origem a muitas
espermatogônias por mitoses sucessivas (Araújo et al., 2007). Após essa fase, cada
espermatogônia formada entra na fase de crescimento dando origem a dois espermatócitos
primários, os quais passam pela fase de maturação, que corresponde às divisões de meiose.
Após sofrer a primeira divisão da meiose, cada espermatócito primário dá origem a dois
espermatócitos secundários. Esses são células haploides (N), pelo fato da primeira divisão da
meiose ser reducional, o que faz com que essas células passem a ter metade do número de
cromossomos, ao contrário dos estágios anteriores de espermatogônias e espermatócitos
primários que são diploides (2N). O processo de maturação continua com a segunda divisão da
meiose nos espermatócitos secundários que darão origem as espermátides, também células
haploides (Araújo et al., 2007).
Cada espermátide passa pelo fenômeno da espermiogênese, processo de diferenciação
celular para a formação dos verdadeiros gametas masculinos. É um processo de
amadurecimento que leva cerca de dois meses pra se completar. Durante esse processo as
espermátides ganham o acromossomo (localizado na região anterior da cabeça do
espermatozoide que corresponde a uma aglomeração de vesículas secretadas a partir do
Complexo de Golgi) e a cauda (flagelo) (Araújo et al., 2007).
Etapas da espermiogênese: as espermatogônias tornam-se espermatócitos primários,
após ter seu número aumentado durante a puberdade e sofrer várias divisões mitóticas; os
espermatócitos primários formam dois espermatócitos secundários haploides, após sofrer a
primeira divisão meiótica; os espermatócitos secundários formam quatro espermátides
haploides, após sofrer uma segunda divisão reducional; e por fim, futuramente essas
espermátides se transformarão em quatro espermatozoides maduros. A Figura 2 mostra a
penetração do espermatozoide na zona pelúcida para atingir o ovócito secundário.
Figura 2 – Penetração do espermatozoide na zona pelúcida.
Fonte: retirado de Araújo et al., 2007.
Algumas características dos espermatozoides maduros são: o chicoteamento da cauda,
fundamental para a mobilidade do gameta masculino até o local da fertilização (Araújo et al.,
2007); sua formação, que é composta por uma cabeça, colo e a cauda (forma em que célula se
encontra altamente móvel); e sua adaptação para as funções de transporte e entrega de material
genético paterno no processo de fecundação (Cardoso, 2020).
3 OVOGÊNESE
Ovogênese, ou oogênese, é a gametogênese feminina (processo de produção de
gametas) e inicia-se no interior dos folículos ovarianos, unidades funcionais e fundamentais dos
ovários. Tem início na vida intrauterina, quando as células germinativas passam pela fase de
multiplicação até aproximadamente a 15° semana de vida fetal, em que sofrem divisões
mitóticas dando origem as oogônias (Araújo et al., 2007). As oogônias passam por uma fase de
crescimento e dão origem aos oócitos primários. Os oócitos primários passarão pelas fases de
maturação que correspondem às divisões meióticas. Esse processo corresponde aos períodos
germinativo, de crescimento e de maturação, respectivamente.
Nas recém-nascidas, parte do processo de maturação já ocorreu, isto é, a primeira
divisão da meiose já se iniciou e o oócito primário encontra-se estacionado em prófase I na
subfase de diplóteno. No diplóteno da prófase I os cromossomos estão duplicados e apresentam
duas cromátides. No final da prófase I, o oócito apresentará núcleo bem desenvolvido, porém,
será imaturo. Os oócitos ficam neste estágio de prófase I (diplóteno) até a mulher atingir a
puberdade e o processo se completará apenas na adolescência por influência das gonadotrofinas
hipofisárias. A continuidade da maturação oocitária é caracterizada pela chegada do oócito I a
anáfase I, momento em que ocorrerá a separação dos cromossomos homólogos. Quando o
oócito I atingir a telófase I, a primeira divisão da meiose estará terminada sendo formado o
oócito secundário (N), que é o verdadeiro gameta feminino, o qual é liberado com o rompimento
do folículo ovulatório. Enquanto os oócitos primários são resultado da fase de crescimento pela
qual passam as oogônias, os oócitos secundários são os verdadeiros gametas femininos.
Existem alguns hormônios que tem um papel na ovogênese, pode-se destacar a ação do
LH (Hormônio Luteinizante) que é importante para a formação do corpo lúteo a partir do
folículo ovulatório, que sofre degeneração se não ocorrer a fecundação. Próxima à ovulação, o
pico de LH induz a quebra da vesícula germinativa e o processo de meiose é reiniciado. Também
existe o FSH (Hormônio Folículo Estimulante), que influencia o desenvolvimento folicular
desde a fase de folículo secundário até a fase antral (Araújo et al., 2007). A Figura 3 apresenta
o processo de maturação folicular desde o folículo primordial até a liberação do ovócito
secundário.
Figura 3 – Processo de maturação folicular.
Fonte: retirado de Araújo et al., 2007.
4 COMPARAÇÃO ENTRE ESPERMIOGÊNESE E OVOGÊNESE
A gametogênese feminina e masculina se assemelham pelo fato de ambas serem
processos de produção de gametas, células que fazem parte da fecundação e reprodução
humana. Contudo, apresentam diferenças muito claras. Uma diferença que pode ser destacada
é o número de gametas produzidos, enquanto na gametogênese feminina (Ovogênese) é
formado 1 oócito para cada oogônia, na gametogênese masculina (Espermiogênese) são
formados 4 espermatozoides por espermatogônia. Outra diferença relevante é o tempo de
duração, a ovogênese inicia-se na vida embrionária e é retomada no período menacme-
menopausa, já a espermiogênese inicia-se na puberdade e pode ocorrer durante toda a vida
(Araújo et al., 2007). Por último, vale ressaltar os estímulos hormonais, tanto na ovogênese
quanto na espermatogênese é realizado pelo Hormônio Folículo Estimulante (FSH) secretado
pela hipófise anterior e pelo Hormônio Luteinizante (LH), mas à espermatogênese é
acrescentado a testosterona.
5 CONCLUSÃO
Em resumo, este trabalho trata do fenômeno da gametogênese, processo de formação
dos gametas, destacando os principais pontos da gametogênese masculina (espermatogênese) e
gametogênese feminina (ovogênese). Através dele é possível compreender que existem várias
fases até chegar aos gametas verdadeiros. Na espermatogênese, as espermatogônias se tornarão
espermatozoides em um processo que se inicia no embrião quando com a diferenciação das
células germinativas primitivas algumas formam as espermatogônias, que ficarão inativas após
o nascimento até a puberdade. Na puberdade, cada espermatogônia da origem a dois
espermatócitos primários, e após passar pela primeira divisão da meiose, cada espermatócito
primário da origem a dois espermatócitos secundários. A maturação continua com a segunda
divisão da meiose nos espermatócitos secundários que darão origem as espermátides. Por fim,
cada espermátide passa pelo fenômeno da espermiogênese, dando origem aos espermatozoides.
Na ovogênese, o processo se inicia no interior dos folículos ovarianos. As células
germinativas dão origem as oógonias, que passam por uma fase de crescimento e dão origem
aos oócitos primários que passarão pela maturação. Em continuação, os oócitos passam pela
prófase I até atingir a puberdade, depois chegam a anáfase I e depois a telófase I, em que será
formado o oócito secundário, que é o verdadeiro gameta feminino.
O estudo desses processos é de extrema importância para a embriologia e reprodução
humana pois esse processo prepara as células sexuais para a fecundação. Além disso, os gametas
são condutores dos genes para as gerações futuras, não tendo relação somente com a reprodução
de maneira geral, mas também com a hereditariedade e perpetuação das espécies.
REFERÊNCIAS
ARAÚJO, C. H. M. et al. GAMETOGÊNESE: ESTÁGIO FUNDAMENTAL DO DESENVOLVIMENTO
PARA REPRODUÇÃO HUMANA. Medicina (Ribeirão Preto), v. 40, n. 4, p. 551–558, 30 dez. 2007.
CARDOSO, J. Bloqueio da atividade nucleolar em células germinativas masculinas e suas consequências
para a espermatogêneses. Trabalho de conclusão de curso—Bauru: Centro Universitário Sagrado Coração,
2020.
MAXIMIANO, C. Técnicas Forenses Aplicadas na Análise do Sêmen. Trabalho de Conclusão de Curso—
Brasília: Centro Universitário de Brasília, 2017.