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Nietzsche

O documento discute a filosofia de Nietzsche, destacando sua crítica ao pensamento platônico e ao cristianismo, além de sua visão sobre a transformação constante da vida. Nietzsche propõe a ideia do super-homem, que enfrenta a realidade e a morte, buscando viver no presente e respeitar as leis da vida. A liberdade, segundo Nietzsche, surge da submissão à vida, desafiando a noção de autonomia absoluta.
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Nietzsche

O documento discute a filosofia de Nietzsche, destacando sua crítica ao pensamento platônico e ao cristianismo, além de sua visão sobre a transformação constante da vida. Nietzsche propõe a ideia do super-homem, que enfrenta a realidade e a morte, buscando viver no presente e respeitar as leis da vida. A liberdade, segundo Nietzsche, surge da submissão à vida, desafiando a noção de autonomia absoluta.
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RESUMO DESCRITIVO DE FILOSOFIA

“Nietzsche – Café Filosófico com Viviane Mosé”

Nietzsche (1844 – 1900), foi capaz de marcar alguns pensamentos do séc.


XIX e XX. Escreveu de forma extremamente erudita, de compreensão difícil, mas é
evidente sua crítica à filosofia. Nietzsche como pensador do século XIX, que é
marcado pela euforia moderna, em relação ao futuro, de forma geral, pelo máximo
da crença na ciência e no pensamento como um veículo de transformação social,
principalmente a ciência, através da qual as dores seriam resolvidas, onde se
estabelece a crença de que uma cultura elevada deve dar ao homem cérebro duplo:
uma para a ciência e outro para a não ciência. Estudou o grego arcaico, A Ilíada de
Homero e os gregos pré-socráticos (anteriores ao nascimento da nossa forma de
pensar), cujo pensamento era marcado no devir – a vida num processo de
transformação constante, um fluxo contínuo. Era atraído pela ideia de
transformação, exaltada pelos pré-socráticos, que considerava como os verdadeiros
filósofos aqueles que conjugavam arte, pensamento e o saber. Filho de pastor
protestante, inserido numa cultura cristã extremamente rígida. Essa junção de
pensamento arcaico, fé cristã e a modernidade geraram uma nova forma de ler a
vida, impactando o Século XX. O encontro com o ideário arcaico deu-lhe
pensamento crítico com relação ao cristianismo e à modernidade, permitindo que se
posicionasse de forma totalmente nova e contrária ao pensamento corrente, uma
vez que Nietzsche tira o antropocentrismo do centro de sustentação de suas crenças
e se opõe à construção de um modelo de homem que não existe e que jamais
existirá, construído a partir de uma imagem de si muito superior ao que consegue
ser. Quando se relaciona com o pensamento arcaico tem contato com uma visão da
vida que assume o desconhecimento de que a vida é, com pudor e uma certa
reverência, abstendo-se do sonho de dominar e controlar as forças da natureza e da
vida; percebe a vida presente, intensa, marcada pelo corpo, pela arte e que o
pensamento socrático-platônico promove uma ruptura muito grande na história do
pensamento. Nietzsche, de forma cética, faz fortes críticas a Platão, pois, acredita
que tudo o que temos como valores ou verdades que a história nos deu (dos livros –
ciência, cultura, arte, filosofia) corresponde à lente do pensamento platônico e

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socrático, que acredita que o pensamento é superior ao corpo, acredita na existência
de um mundo determinado pela ideia. Assegurava que o pensamento socrático-
platônico matou a pluralidade e o devir, tolhendo o processo rico de pensamento que
existia na Grécia arcaica, sendo a mitologia uma intepretação do mundo a partir da
arte como mediação e não da verdade. Essa compreensão da grandeza da vida e
superioridade do mundo em relação ao homem, estabelece com ele uma relação de
submissão, pois a vida é muito superior ao homem. Conhecer o mundo, ou crer que
se pode conhecer é uma afronta ao pensamento arcaico, por isso a necessidade dos
mitos! Os mitos eram uma realidade, o mínimo é o devir, a vida é, no mínimo, um
processo constante de vir a ser, de transformar. O tempo é um fluxo que se auto
alimenta, diferente de nós que temos início e fim. Sob essas questões, Nietzsche, é
o primeiro pensador a dar um passo atrás e questionar para quê e porquê a
verdade? Atribui a origem do conceito de conhecimento não à nossa curiosidade em
descobrir como as coisas são, mas como produto do nosso medo da morte, como a
necessidade de estabelecer no mundo a duração, a permanência; como produto da
necessidade biológica de duração, porque não somos capazes de lidar com a vida
como ela é. Afinal, o que acontece quando nossas pulsões têm a chance de
aparecer? A ideia de verdade, a história do conhecimento humano é a história da
cristalização da ideia de verdade. Nietzsche se posicionou contrariamente a essa
postura negativa, niilista que reflete a negação da realidade, quando todos os
valores superiores perdem a razão (sec. XVII). Nietzsche afirma que o cristianismo
é o platonismo para o povo, pois o que Platão construiu como pensamento, o
cristianismo assumiu como religião. Sua máxima sobre a morte de Deus traduz o
momento em que a ciência nasce e a religião perde o valor, quando a ciência traz
clareza e respostas, antes encerradas na religião; remédios em lugar de preces.
Niilismo da modernidade cria uma outra metáfora que é o futuro. Não vivo o
presente, porque vivo o futuro. A ideia do futuro tira o homem da vida tanto quanto a
ideia da vida depois da morte. Essa relação fundamenta nossa moral – negação do
corpo e das sensações que levam ao erro e ao pecado, negação do aqui e agora,
negação da contradição e do conflito, da transformação e construção de uma
imagem idealizada de si mesmo e do outro. Para Nietzsche, todo idealismo é uma
espécie de niilismo, na medida em que o idealista quando adota valores tão

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elevados, refugia-se num mundo que nega a realidade que o cerca, em vez de fazer
uma filosofia a partir dela, como Nietzsche pretendia, tenta mudar o mundo através
de sua filosofia pré-concebida. O idealista é um incorrigível, se é expulso do seu
céu, faz um ideal do seu inferno, e na construção de ideais que nunca são atingidos,
não vivemos a vida real. A resposta de Nietzsche ao niilismo é a busca da
superação do homem no presente. Assim, ele estabelece um conceito de super-
homem, que é aquele que parte da consciência da morte, que tem coragem de lidar,
a cada segundo de sua vida, com o conflito que é cada escolha de sua situação e
não atribui isso a Deus, nem à moral estabelecida, nem a ninguém. É o sujeito que
entende que, independente de sua história, existe um instante supremo, o agora,
que nesse instante é o seu gesto que determina. Super-homem é aquele que se
supera, que se inventa no momento presente. O poder da força é o poder de
enfrentamento com as contradições e com a vida e a morte. Portanto é o homem
frágil, sensível e ético. O conceito de liberdade é relativo, pois, se em geral liberdade
é o prazer na autonomia e independência do sujeito, (ainda que não sejamos
autônomos nem independentes, pois nada que eu escolha fazer está isento de
causar impacto à minha volta), sempre que o sujeito pensa dessa forma e age nesse
sentido, se desconecta do todo. Então, nessa perspectiva, o exercício da liberdade é
o exercício da desconexão. Nietzsche levanta uma ideia contrária. Para ele onde
existe vida, existe vontade e potência. E onde existe vida existe obediência. O
homem obedece à vida, imensa e grandiosa, onde só sobrevive se respeitar suas
leis. A autonomia do gesto é quando entendemos a força da vida sobre nossos
desejos. Então, a liberdade nasce antes de tudo da submissão. Nietzsche foi muito
influenciado por Schopenhauer, que por sua vez foi muito influenciado pelo
pensamento oriental e budista, embora não tenha estudado diretamente o
pensamento oriental.

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