1
MANUAL DE OPERAÇÃO
Conjunto Didático Experimental
“LEITO FLUIDIZADO LÍQUIDO-SÓLIDO”
1. Descrição do Equipamento
O estudo hidrodinâmico do reator de leito fluidizado líquido-sólido é feito utilizando se
o equipamento apresentado na Figura 1. O sistema experimental consiste essencialmente de
reservatório de 100 L (R), bomba centrífuga de 1/4 HP (B), reator de leito fluidizado (LF), e
manômetro diferencial tipo tubo em “U” confeccionado em vidro usando CCl4 como fluido
manométrico (M).
O reator de leito fluidizado líquido-sólido consiste de 3 seções principais: a seção do
distribuidor, a seção do leito fluidizado e a seção de “alívio”.
A seção do distribuidor dispõe de uma entrada formada por tubo de PVC de ½ in perfurado, e
é formada por um tubo também de acrílico com 5,3 cm de diâmetro interno e 11 cm de altura.
O distribuidor é do tipo placa perfurada para distribuição homogênea da água. O reator de
leito fluidizado consiste de um tubo cilíndrico de acrílico com 5,3 cm de diâmetro interno
(DC) e 55 cm de altura. Na base e na parede do reator (53 cm da base) estão instaladas
tomadas de pressão (P1 e P2), que permitem a determinação de perfis de pressão. A seção de
“alívio” consiste de dois tubos de acrílico concêntricos, com diâmetros internos de 14,6 e 5,3
cm e alturas de 10,0 e 4,0 cm, respectivamente. O tubo interno funciona como prolongamento
da coluna de acrílico, e assegura uma altura constante para o líquido.
2. Operação do Equipamento
A operação deste equipamento permite determinações da curva característica de fluidização,
da velocidade de mínima fluidização (Vmf), perda de carga de mínima fluidização
2
(∆Pmf) e altura de mínima fluidização (Lmf). Para uma correta e segura operação do
equipamento, siga as instruções:
P2
L/D
LF
V2 V1
P1
Figura 1. Vista do leito fluidizado líquido-sólido
2.1 Funcionamento
- Encha o reservatório com água “limpa”.
- Posicione a mangueira de saída de água dentro do reservatório.
3
- Verifique se a válvula V1 (válvula de alimentação) está fechada (sentido horário) e a válvula
V2 (válvula de reciclo) está aberta (sentido anti-horário).
- Pese aproximadamente 500 g de esferas de vidro, e coloque no interior da coluna (diâmetro
da partícula – dp = 3,1 mm, densidade da partícula - ρs = 2,5 g/cm3, para que a altura do leito
fique em torno de 15 cm).
- Ligue o equipamento posicionando a chave “liga/desliga” (l/d) para cima.
- Com a válvula V2 completamente aberta abra lentamente a válvula V1.
2.2 Tomada de Dados Experimentais – Experimento Didático
Para a determinação da curva característica de fluidização, da velocidade de mínima
fluidização (Vmf), perda de carga de mïnima fluidização (∆Pmf) e altura de mínima fluidização
(Lmf) é necessário o conhecimento de duas variáveis do sistema: a vazão volumétrica de água
(Q) e a queda de pressão (∆P) no leito.
Deve-se inicialmente manter a válvula V2 totalmente aberta. Em seguida, abra lentamente a
válvula V1 para que a água percole pelo leito fluidizado (LF). Tome cuidado, pois uma vazão
de ar exagerada pode arrastar esferas de vidro, ou descolar o tetracloreto de carbono do tubo
em “U” para o leito através das tomadas de pressão.
Para que se obtenha uma curva característica de fluidização bem definida, aumente
progressivamente a vazão de água até o início da fluidização do leito. Determine a vazão
volumétrica em que se inicia aproximadamente a fluidização, através do rotâmetro (não
incluído na Fig. 1) (ou, medindo essa vazão na na mangueira de saída do reator, com o auxílio
de proveta de 500 mL, ou balança semi-analítica para determinação de vazão mássica, e
cronômetro. Divida este valor em 5 pontos até a vazão zero (5 pontos de vazão com o leito
fixo). Defina 5 pontos de vazão acima da fluidização do leito.
Diminua a vazão de água até zero. Nesse momento, tem início a obtenção da curva
característica de fluidização. Aumente lentamente a vazão de água, e para cada um dos pontos
pré-estabelecidos, meça para a etapa de expansão do leito (curva de “ida”): a) vazão de água
(Q),
b) altura da coluna de água no manômetro diferencial tipo tubo em “U” (M), para a
determinação da perda de carga no leito (∆P),
c) altura do leito (L).
4
Após a obtenção da curva de “ida”, diminua progressivamente a vazão de água medindo
também para a etapa de contração do leito (curva de “volta”): a) vazão de água (Q),
b) altura da coluna de água no manômetro diferencial tipo tubo em “U” (M), para a
determinação da perda de carga no leito (∆P),
c) altura do leito (L).
Feche completamente a válvula V1.
3. Memorial de cálculo
A seguir apresenta-se uma seqüência de procedimentos e cálculos para a determinação
experimental da curva característica de fluidização e também de seus principais parâmetros,
ou seja: velocidade de mínima fluidização (Vmf) e perda de carga de mïnima fluidização
(∆Pmf).
= Q
- cálculo da velocidade superficial: V S A , em que A = 4D2
C
π ,
- cálculo da queda de pressão: ∆P = leitura direta no manômetro, em cm de CCl4, -
determinação da curva característica de fluidização (“ida” e “volta”): fazer gráfico de ∆P em
função de V S
Figura 2. Curva característica de fluidização
5
Na Figura 2, o trecho OA representa o leito fixo aumentando de volume mas com as
partículas ainda em contacto; o trecho AB representa o leito fluidizado com as partículas já
em movimento e o ponto D representa o início do transporte mecânico do leito.
3.1 Estimativa dos principais parâmetros hidrodinâmicos da fluidização
3.1.1 Velocidade de mínima fluidização (V mf)
- Correlação de Pavlov:
Ar mf
Re +
= 22,5 Ar
1400
V. d.
ρ
em que:
=mf p
= o número de Reynolds na mínima fluidização =
Remf ∝
mf
Re
ρ ρ −ρ
.( )
Ar = o número de Arquimedes (ou Galileu) = D. g. Ga Ar 3
= s
=
∝ Re [(33 )7, ,0 0408Ar. ] 337,
mf = + −
2p
- Correlação de Wen-Yu:
212
3.1.2 Estimativa da perda de carga na mínima fluidização:
- Balanço de forças:
∆ P 1( ).( ).g
= − ε ρ mf s
L −ρ
mf
- Correlação de Ergun:
P 1( ) v
'
2
1( ) v
∆ 2
mf
150. −ε −ε +ρ s
=∝ mf s
mf
L
mf
ε
3
mf
d
2p
75,1 .
ε
3
mf
d
p