0% acharam este documento útil (0 voto)
15 visualizações23 páginas

Direito Constitucional

O documento aborda a evolução das constituições desde a antiguidade até a modernidade, destacando a transição de poderes sem limites para a criação de constituições que impõem restrições ao poder governamental. Discute também o conceito de poder constituinte, suas formas de expressão e a distinção entre poder constituinte originário e derivado, além de classificar as constituições por forma, origem e estabilidade. Por fim, explora a supremacia constitucional e os métodos de interpretação das normas constitucionais.
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
15 visualizações23 páginas

Direito Constitucional

O documento aborda a evolução das constituições desde a antiguidade até a modernidade, destacando a transição de poderes sem limites para a criação de constituições que impõem restrições ao poder governamental. Discute também o conceito de poder constituinte, suas formas de expressão e a distinção entre poder constituinte originário e derivado, além de classificar as constituições por forma, origem e estabilidade. Por fim, explora a supremacia constitucional e os métodos de interpretação das normas constitucionais.
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

TEORIA DA CONSTITUIÇÃO

DE ONDE SURGIRAM AS CONSTITUIÇÕES

A tentativa de organização política acontece desde a antiguidade

- ANTIGUIDADE: começam a surgir os impérios, os governantes da época já tentavam se organizar


politicamente, mas ainda não encontravam limites para o exercício desse poder, sem regras claras de organização
política, o poder era medido através da força. Não havendo limitação deste poder e nem a iniciativa de existir
direitos fundamentais.

- IDADE MÉDIA: após as invasões bárbaras os impérios passam a ser divididos em reinos menores, sendo as fontes
de poder: o rei, a igreja e os senhores feudais. Não havendo organização do poder (disputa de poder) e nem direitos
fundamentais.

Já na Idade Média, a burguesia começa a crescer, mas como os senhores feudais colocavam limites entre as
trocas, surgiram os BURGOS (pequenos vilarejos usados justamente para realização de trocas de mercadorias).
Assim, surge o comércio, onde até a igreja começa a vender indulgências.

-IDADE MODERNA: entra a monarquia absolutista: havendo terras confiscadas, impostos absurdamente altos. A
burguesia fica extremamente insatisfeita com o acontecimento e começam a acontecer grandes
revoluções burguesas, buscando ESTABILIDADE POLÍTICA com regras claras de organização
política, limites, direitos...

Assim, surgem as primeiras constituições nos EUA em 1787 e na França em 1791, sendo definidos
duradouros em que nenhum governante está acima dele. É um documento que organiza os limites ao seu poder.

CONCEITO POLÍTICO DE CONSTITUIÇÃO: Carl Schmitt. A constituição é um estatuto do poder


que organiza o seu exercício e impõe limites à atuação dos governantes. É A DECISÃO POLÍTICA
FUNDAMENTAL DO POVO – TEORIA DECISIONISTA.

Política: estudo "das relações de regularidade em torno do poder do Estado e entre os Estados".

Consequência: CF seria dividida entre as decisões fundamentais (Constituição) e as decisões secundárias (leis
constitucionais).

MAGNA CHARTA: é o primeiro esboço de uma constituição.

EVOLUÇÃO DOS MODELOS CONSTITUCIONAIS

1. Constituições LIBERAIS: burguesia\princípio do liberalismo econômico


2. Constituições SOCIAIS: Estado do bem-estar social pós-revolução Industrial – começa a intervenção na
atividade econômica.

CRISE DO CONSTITUCIONALISMO: surgimentos de regimes totalitários e ditaduras do séc. XX –


extinguiram a limitação do poder dos governantes.

RENASCIMENTO DAS CONSTITUIÇÕES: após a segunda guerra mundial – documento que estabelece
limites aos poderes dos governantes e direitos fundamentais dos indivíduos, consagrando os atuais Estados
democráticos de direito.
PODER CONSTITUINTE
QUEM ESCREVE UMA CONSTITUIÇÃO?

- O poder constituinte é o poder de criar, modificar, definir regras básicas de organização política do Estado e os
direitos fundamentais dos indivíduos, definidas em documentos chamados de Constituição.

A TITULARIDADE desse poder é do POVO através de representantes legitimados pelo processo de escolha
democrática ou pela força – presume-se que o povo aceita passivamente esse domínio.

Anteriormente, os filósofos do séc. XVI e XVII acreditam que se o ser humano não tiver regras, se tornará
um ser SELVAGEM, então precisa de um comando forte – MONARQUIA ABSOLUTISTA.

ILUMINISMO: A NATUREZA HUMANA É BOA – escolhemos ter regras para melhorar o


convívio social através de um CONTRATO SOCIAL, daí começa a existência de um poder constituinte. Siyés,
político francês.

PODER CONSTITUINTE – fazer a Constituição (poder ilimitado) ≠ PODER CONSTITUIDO – fazer leis
(poder limitado).

PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO: é o poder ANTERIOR a existência do Estado – cria uma


Constituição, seja de maneira propriamente originária ou derrubando o ordenamento constitucional anterior para
instituir uma nova Constituição (revolução, golpe de Estado).

- CARACTERÍSTICAS:

1. Inicial – dá origem a um novo modelo de Estado, institui um novo ordenamento jurídico, uma nova
Constituição.

2. Ilimitado – pode modificar toda a estrutura política do Estado, sem limites. Pode tudo

CONCEITO FILOSÓFICO DE CONSTITUIÇÃO – Ferdinand Lassale. COMO AS COISAS SÃO NA PRÁTICA

Mesmo ilimitado, o poder constituinte tem que acompanhar a sociedade, se não vai ser apenas uma “folha de
papel”, que não será respeitada – A verdadeira Constituição é este documento que revela e sintetiza os interesses
na sociedade. METÁFORA DAS LEIS QUEIMADAS

A Constituição efetiva é um equilíbrio de forças econômicas, sociais, religiosas, culturais etc. – de nada
adianta esse direito estar escrito, se as forças políticas e econômicas não permitem que ele seja efetivado.

3. Incondicionado – ninguém de fora do poder constituinte pode estabelecer condições para como vai ser o
funcionamento de criação, o poder originário pode dispor livremente sobre o conteúdo da nova
Constituição. Ele NÃO se submete às normas e condições do ordenamento anterior.

FORMAS DE EXPRESSÃO DO PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO

- Assembleia Constituinte – movimento pacífico e democrático

- Movimento revolucionário – ditadura


PODER CONSTITUINTE DERIVADO: é o poder APÓS a Constituição já ter sido escrita – serve para
modificar a Constituição já pronta. Nem sempre será necessário alterar TODO o documento, mas sim algumas
partes dele.

TITULARIDADE – Quem pode alterar a Constituição? CONGRESSO NACIONAL

- PODER CONSTITUINTE DERIVADO REVISOR OU REFORMADOR: serve justamente para


alterar algumas regras de uma Constituição vigente.

REVISÃO ≠ REFORMA

- As revisões são mais abrangentes, mudam VÁRIAS partes dos textos constitucionais, mas estabelecem um
intervalo de tempo que essas mudanças podem ocorrer. Ex: no Brasil nossa CF pode ser revisada somente uma vez,
após de no mínimo 5 anos de vigência – procedimento extraordinário.

Art. 3º. A revisão constitucional será realizada após cinco anos, contados da promulgação da Constituição, pelo voto da
maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional, em sessão unicameral. EXAURIDO

- As reformas são mudanças mais PONTUAIS, podendo ocorrer a qualquer momento que o Congresso
Nacional decidir – é um procedimento cotidiano.

Art. 60. A Constituição poderá ser emendada mediante proposta:

§ 2º A proposta será discutida e votada em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, considerando-se aprovada se
obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos respectivos membros.

§ 3º A emenda à Constituição será promulgada pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal , com o
respectivo número de ordem.

A alteração da CF por reforma é muito mais difícil e trabalhosa.

OBS: NÃO se pode mudar artigos em que o Poder Constituinte Originário cita alguma alteração na própria
Constituição – quem pode mudar, quando fazer, como...

§ 4º Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir

I - A forma federativa de Estado;

II - O voto direto, secreto, universal e periódico;

III - a separação dos Poderes;

IV - Os direitos e garantias individuais.

LIMITES AO PODER CONSTITUINTE DERIVADO REVISOR OU REFORMADOR

1. TEMPORAIS: períodos durante os quais o texto constitucional não pode ser modificado.

*No Brasil não ocorre, pois, a CF só pode ser revisada uma única vez, após 5 anos de sua promulgação.

2. CIRCUNSTANCIAIS: momentos excepcionais durante as quais o texto constitucional não pode ser
alterado, emendado. Nessas situações, há um CLIMA DE INSTABILIDADE, sendo mais fácil a tomada de
decisões incertas e autoritárias.

- Estado de defesa: serve para preservar a ordem pública e a paz social ameaçada por grave calamidade
pública INTERNA
Art. 136. O Presidente da República pode, ouvidos o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional,
decretar estado de defesa para preservar ou prontamente restabelecer, em locais restritos e determinados, a
ordem pública ou a paz social ameaçadas por grave e iminente instabilidade institucional ou atingidas por calamidades de
grandes proporções na natureza.

§ 2º O tempo de duração do estado de defesa não será superior a trinta dias, podendo ser prorrogado uma vez, por igual período, se
persistirem as razões que justificaram a sua decretação.

- Estado de sítio: se declarado estado de defesa e mesmo assim não adiantou, declara-se estado de sítio,
SALVO quando for guerra com outro país (decreta direto) – no estado de sítio a liberdade pode ficar suspensa.

Art. 137. O Presidente da República pode, ouvidos o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional, solicitar ao Congresso
Nacional autorização para decretar o estado de sítio nos casos de:

I - Comoção grave de repercussão nacional ou ocorrência de fatos que comprovem a ineficácia de medida tomada durante o estado de
defesa;

II - Declaração de estado de guerra ou resposta a agressão armada estrangeira.

Parágrafo único. O Presidente da República, ao solicitar autorização para decretar o estado de sítio ou sua prorrogação, relatará os
motivos determinantes do pedido, devendo o Congresso Nacional decidir por maioria absoluta.

- Intervenção Estatal: grave irregularidade nos GOVERNOS ESTADUAIS – podendo até o presidente afastar
o governador.

Art. 34. A União não intervirá nos Estados nem no Distrito Federal, exceto para:

I - Manter a integridade nacional;

II - Repelir invasão estrangeira ou de uma unidade da Federação em outra;

III - pôr termo a grave comprometimento da ordem pública;

IV - Garantir o livre exercício de qualquer dos Poderes nas unidades da Federação;

V - Reorganizar as finanças da unidade da Federação

Em alguns países, vem sendo adotado um estado de exceção para combater o terrorismo – porém há riscos para a
democracia, uma vez que grande parte do poder de decisão do legislativo passa para o executivo.

3.MATERIAIS: alguns assuntos (de muita importância, por isso impedidos) não podem ser modificados e
nem postos em discussão na Constituição, conhecidos como CLÁUSULAS PÉTREAS

Art. 60. A Constituição poderá ser emendada mediante proposta:

§ 4º Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir:

I - A forma federativa de Estado;

II - O voto direto, secreto, universal e periódico;

III - a separação dos Poderes;

IV - Os direitos e garantias individuais.

Obs. Esses 4 itens podem sofrer MODIFICAÇÕES em caso de MELHORIA.

- PODER CONSTITUINTE DERIVADO DECORRENTE: é o poder dos estados FEDERADOS de elaborar


suas próprias Constituições estatais. Ele sofre as mesmas limitações da Constituição Federal (poder originário)

Art. 25. Os Estados organizam-se e regem-se pelas Constituições e leis que adotarem, observados os princípios desta Constituição.

§ 1º São reservadas aos Estados as competências que não lhes sejam vedadas por esta Constituição.
Art. 11. Cada Assembleia Legislativa, com poderes constituintes, elaborará a Constituição do Estado, no prazo de um ano, contado da
promulgação da Constituição Federal, obedecidos os princípios desta.

CLASSIFICAÇÃO DAS CONSTITUIÇÕES


- QUANTO À FORMA

1. Escrita – civil law, contida em um documento formal

2. Não escrita – commom law (direito costumeiro, sem documento escrito: tradições políticas)

- QUANTO À ORIGEM

1. Promulgada – elaborada por uma Assembleia Constituinte elegida pelo POVO

2. Outorgada – IMPOSTA, sem participação popular

3. Cesarista – sem participação PRÉVIA do povo, mas após feita, submetida a aprovação do povo (REFERENDO
POPULAR)

ORIGEM DAS CONSTITUIÇÕES BRASILEIRAS

1824: pós INDEPÊNCIA, D. Pedro I OUTORGA uma Constituição.

• Forma de governo = Monarquia, com Províncias e 4 poderes


• Estado católico

1891: REPÚBLICA

• Promulgada – estados com autonomia política, 3 poderes e laico

1934: MODERNIZAÇÃO

• Promulgada – REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA: voto feminino, direitos sociais, comissões


parlamentares.

1937: GOLPE DE ESTADO

• OUTORGADA – concentração dos poderes na mão do presidente, ditadura e pena de morte

1946: pós 2GM

• Promulgada – devolve a autonomia para os 3 poderes

1967: DITADURA

• AI-5 – Outorgada

1988: REDEMOCRATIZAÇÃO

• Constituição cidadã – promulgada


• Demorou muito para ser feita por conta do Congresso Constituinte composto por deputados federais e
senadores

- QUANTO À ESTABILIDADE

1. Rígida – maior dificuldade de modificação (NOSSA CF)

2. Semirrígida – partes mais estáveis e partes mais flexíveis

3. Flexível – mesmo grau de estabilidade das demais normas

4. Imutável – não pode sofrer alterações


- QUANTO À EXTENSÃO

1. Sintética – conteúdo reduzido abrangendo organização política e direitos fundamentais

2. Analítica – mais abrangente (NOSSA CF)

Obs.: a analítica, por se tratar de vários assuntos e ser de difícil modificação, acaba engessando a sociedade

- QUANTO À IDEOLOGIA

1. Ortodoxa – contempla apenas uma ideologia (dominante na sociedade)

2. Eclética – várias ideologias existentes na sociedade (NOSSA CF)

- QUANTO À FUNÇÃO OU FINALIDADE

1. Garantia – garantir direitos delimitando o abuso estatal

2. Dirigente – além de garantir, direciona a atuação dos governantes

3. Balanço – alterar a situação PRESENTE do Estado

- QUANTO AO MODO DE ELABORAÇÃO

1. Histórica: conforme as tradições e costumes históricos (não escritas)

2. Dogmáticas: modelos elaborados segundo as teorias da Ciência Política

- QUANTO AO CONTEÚDO

1. Material: matéria constitucional, não necessariamente em um único documento chamado Constituição.

2. Formal: forma de um livro (documento) chamado Constituição, tudo que está lá é norma constitucional.

SUPREMACIA CONSTITUCIONAL

Conceito JURÍDICO de Constituição – Hans Kelsen: documento jurídico mais importante do nosso
ordenamento, acima de qualquer outra norma.

Há 2 tipos de normas: CONSTITUCIONAIS E INFRACONSTITUCIONAIS – que somente são válidas


se forem compatíveis com o texto constitucional.

FENÔMENOS NORMATIVOS: normas infraconstitucionais anteriores em relação à uma nova


Constituição.

- RECEPÇÃO: normas que existiam antes da promulgação de uma nova Constituição CONTINUAM em vigência,
se forem COMPATÍVEIS.

Total: recepção integral

Parcial: algumas partes


- REPRISTINAÇÃO: norma anteriormente revogada volta a adquirir vigência com a revogação da norma
revogadora. Sempre EXPRESSA.

INTERPRETAÇÃO CONSTITUCIONAL

Podemos suprir as lacunas das normas Constitucionais pela interpretação, por isso ela é tão importante.

MÉTODOS DE INTERPRETAÇÃO: conjunto de métodos a ser seguidos para chegarmos na NORMA


JURÍDICA

1. gramatical ou literal ou semântico ou exegético: é a literalidade do texto normativo.

2. histórico: esse método busca interpretar o contexto histórico, os valores e costumes da época.

3. teleológico: busca compreender quais bens e quais direitos o legislador quis tutelar com tal lei, qual a
finalidade da norma.

4. sistemático: funcionamento do ordenamento jurídico que opera como um conjunto harmônico de


normas – em sistema.

RESULTADOS DA INTERPRETAÇÃO CONSTITUCIONAL:

- DECLARATIVO: o entendimento depois da declaração é o mesmo

- RESTRITIVO: a norma abrange menos

- EXTENSIVO: a norma passa a alcançar mais situações.

PRINCÍPIOS DA INTERPRETAÇÃO CONSTITUCIONAL

1. Unidade da Constituição: as normas Constitucionais devem ser consideradas como parte de um sistema
harmônico. Não há conflitos e hierarquias entre normas constitucionais.
2. Máxima Efetividade: se chegarmos em duas interpretações distintas, escolher aquela que é mais efetiva.
3. Concordância Prática ou Harmonização: busca conciliar os direitos que estão em conflitos, harmonizando-
os.
4. Interpretação conforme a Constituição: dois resultados distintos = conformidade com a CF
5. Proporcionalidade: metáfora da balança, ponderação, proibição de excesso (o poder público não pode impor
sacrifícios)
2º BIMESTRE

Controle de Constitucionalidade
É a identificação de normas INFRACONSTITUCIONAIS que contrariem a Constituição, vedando-as.

ESPÉCIES

1. Por AÇÃO
1.1 material: CONTEÚDO incompatível
1.2 formal: modo de ELABORAÇÃO incompatível, ou seja, desrespeito ao processo legislativo previsto na
Constituição, como exemplo a competência das normas.

2. Por OMISSÃO: ocorre quando a normal constitucional de eficácia LIMITADA pede um comportamento
e o legislador não o coloca – “termos de lei complementar”

ÓRGÃO REGULADOR – quem realiza esse controle

1. POLÍTICO: agentes políticos que não integram o judiciário


2. JURISIDICIONAL: membros do poder judiciário
3. MISTO

MOMENTO

1. PREVENTIVO: antes da norma entrar em vigor


2. REPRESSIVO: depois da norma já ter entrado em vigor

QUEM PODE ALEGAR A INCONSTITUCIONALIDADE

I. MODO DIFUSO ou controle incidental ou controle concreto: qualquer sujeito, em qualquer tipo de
ação, sendo autor ou réu pode alegar inconstitucionalidade da norma em SEU processo, mas não é a
finalidade principal deste, não é erga omnes, sendo a decisão válida somente para aquele processo. EUA.

II. MODO CONCENTRADO ou via direta ou controle abstrato: somente STF poderá julgar, em ações
específicas sobre a norma inconstitucional, sendo o efeito erga omnes. Hans Kelsen, na Áustria.

- AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE: 3 pessoas (governador, procurador e presidente), 3


entidades (partido político, conselho federal da OAB, confederação sindical) e 3 mesas (senado, câmara e al)

Art. 103. Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de constitucionalidade: (Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) (Vide Lei nº 13.105, de 2015) (Vigência)

I - O Presidente da República;

II - A Mesa do Senado Federal;

III - a Mesa da Câmara dos Deputados;

IV - A Mesa de Assembleia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal; - PERTINÊNCIA TEMÁTICA

V - O Governador de Estado ou do Distrito Federal; - PERTINÊNCIA TEMÁTICA

VI - O Procurador-Geral da República;

VII - o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil;


VIII - partido político com representação no Congresso Nacional;

IX - Confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional. – PERTINÊNCIA TEMÁTICA

Objeto de ADI: lei ou ato normativo das esferas FEDERAL ou ESTADUAL

- Leis: genéricas, abstratas e impessoais

Art. 59. O processo legislativo compreende a elaboração de:

I - Emendas à Constituição;

II - Leis complementares;

III - leis ordinárias;

IV - Leis delegadas;

V - Medidas provisórias;

VI - Decretos legislativos;

VII - resoluções.

Parágrafo único. Lei complementar disporá sobre a elaboração, redação, alteração e consolidação das leis.

- Atos normativos: prescrevem condutas e serem seguidas pelos destinatários

Não podem ser objeto de ADI:

i. Normas constitucionais originárias


ii. Normas vigentes ANTES da promulgação da CF
iii. Normas já revogadas
iv. Normas municipais
v. Normas secundárias – exceção: decreto autônomo que configura lei\ato normativo com base na CF
vi. Normas de efeito concreto: não são genéricas, atuam em casos concretos, decidem algo

Órgãos chamados para se manifestar na ADI:

1. Órgão que editou o ato


2. Órgãos ou entidades interessadas: amicus curiae, podendo o relator permitir ou não, sem
possibilidade de recorrer
3. AGU
4. Procurador Geral da República

Após as manifestações, o relator ainda poderá requisitar informações de outras autoridades por meio de
AUDIÊNCIA PÚBLICA

Julgamento da ADI no STF

É necessário a presença de pelo menos oito ministros do STF, em maioria absoluta (50%+1 – primeiro
número inteiro acima da metade, que nesse caso é 6, tendo em vista que ao todo são 11 ministros)

- Efeitos do julgamento da ADI:

1. Erga omnes.

2. Ex tunc (produz efeito em decisões passadas)

- Modulação de efeitos: se for quase impossível anular o efeito ou trazer prejuízo social, a norma
inconstitucional pode gerar efeito ex nunc ou prospectivo (data futura).
3. Vinculante: a decisão tomada pelo tribunal em determinado processo passa a valer para os demais que
discutam a questão.

4. Efeito repristinatório: restaura a vigência de norma revogada por aquela declarada inconstitucional. Anula a
revogação.

Declaração Parcial de Inconstitucionalidade de lei sem redução de texto: a lei é declarada parcialmente
inconstitucional, sendo assim, o tribunal fixa o modo de interpretação da lei.

- AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE:

Declara definitivamente a constitucionalidade da lei ou ato normativo FEDERAL. O requisito para


propositura da ADC é a insegurança jurídica.

Mesma legitimidade da ADI: 3 pessoas, 3 mesas e 3 entidades – no processo, o Procurador Geral da República tem
participação obrigatória.

- Efeitos: Erga Omnes, Ex tunc, Vinculante, AMBIVALENTE (define a constitucionalidade ou a


inconstitucionalidade)

- ARGUIÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO FUNDAMENTAL

A norma que está gerando insegurança está em desacordo com PRECEITOS FUNDAMENTAIS da
Constituição. Mesma legitimidade da ADI: 3 pessoas, 3 mesas e 3 entidades.

Só usamos ADPF se não couber ADI – normas secundárias

Princípios Fundamentais da Constituição


- O que é princípio? São mais genéricos e abstratos que as leis, mas possuem normatividade, então, devem ser
respeitados e cumpridos.

Funções: no caso de lacunas de regras específicas, orientam a interpretação.

Art. 1º Fundamentos do Estado Brasileiro – Estado DEMOCRÁTICO de Direito

Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em
Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:

I - A soberania;

II - A cidadania;

III - a dignidade da pessoa humana;

IV - Os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;

V - O pluralismo político.

Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta
Constituição.
Art. 2º Separação dos Poderes

Art. 2º São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.

Art. 3º Objetivos Fundamentais do Estado

Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:

I - Construir uma sociedade livre, justa e solidária;

II - Garantir o desenvolvimento nacional;

III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;

IV - Promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

- Princípio da Dignidade da Pessoa Humana – fundamento do Estado Brasileiro

A nossa noção de dignidade é recente, estamos acostumados a COISIFICAR o ser humano. Ex: escravidão.

Declaração Universal dos Direitos Humanos: primeira vez no mundo jurídico que trata sobre a dignidade, que
somos dignos = nosso valor.

Um ser humano diz muito sobre o mundo coletivo – todo homem é um pedaço de continente.

- Princípio da Solidariedade
Teoria Geral dos Direitos Fundamentais
Direitos Humanos – inerentes a todo ser humano, por meio de declarações universais. Os Direitos Humanos não
nasceram todos juntos, foram etapas até chegar no que é hoje.

GERAÇÕES DOS DIREITOS HUMANOS - LIF

1. LIBERDADE:

Absolutismo, século XVIII, burguesia insatisfeita – direitos CIVIS E POLÍTICOS, pretendiam a não intervenção do
Estado nas liberdades individuais.

2. IGUALDADE:

Revolução Industrial, século XIV, exploração da classe trabalhadora – direitos SOCIAIS E ECONÔMICOS,
pretendiam a intervenção do Estado principalmente nas leis trabalhistas.

3. FRATERNIDADE:

Crescimento da tecnologia = maior poluição atmosférica. Século X – direito dos POVOS OU DIFUSO, pretendiam
a proteção do Estado na fiscalização e conscientização ambiental.

4. NOVA GERAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS:

Possível catástrofe com robôs – senso ético.

TEORIAS DOS DIREITOS HUMANOS

1. Jusnaturalista: INERENTE do ser, podendo vir de cosmos, Deus, da própria natureza humana.
2. Positivista: provém da RAZÃO HUMANA
3. Histórica: nascem das lutas sociais, são conquistas históricas da humanidade

Direitos Fundamentais
- Não são absolutos, pode haver restrições, mas para isso é necessário que o Estado demonstre NECESSIDADE,
proteger outro Direito Fundamental mais importante = princípio da proporcionalidade (limites válidos).

a) DIREITO Á VIDA

O direito mais importante pela nossa doutrina – quando começa a vida? O direito deve proteger com a
mesma intensidade todas as fases da gestação?

PROTEÇÃO DA VIDA HUMANA – o direito protege a vida humana a partir da NIDAÇÃO (5 A 6 dias), punindo
atos que a violem.

CONCEITO DA VIDA – o valor do ser humano é a nossa dignidade, com condições de vida
compatíveis com a dignidade do ser humano, por isso há casos de inviolabilidade do direito à vida
que são considerados justos (art. 128 cp)
ABORTO – motivos justos para violar a vida do embrião?

Art. 128 - Não se pune o aborto praticado por médico:

Aborto necessário

I - Se não há outro meio de salvar a vida da gestante;

Aborto no caso de gravidez resultante de estupro

II - Se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante
legal.

*feto anencefálico

EUTANÁSIA – “morte justa” para diminuir o sofrimento do outro. No Brasil constitui crime:

Art. 121. Matar alguém:

§ 1º Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral, ou sob o domínio de violenta emoção, logo em
seguida a injusta provocação da vítima, o juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço.

SUICÍDIO ASSISTIDO – ajudar alguém a se matar (doente terminal). Constitui crime:

Art. 122 - Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou prestar-lhe auxílio para que o faça:

ORTOTANÁSIA – quando houve todas as tentativas de salvar a vida da pessoa sem sucesso, desligam os
aparelhos. 9 em cada 10 médicos no Brasil praticam a ortotanásia, mas o Ministério Público é contra essa
prática.

PENA DE MORTE – durante o Império brasileiro houve aceite da pena de morte, mas hoje em dia na nossa
Constituição não é aprovado, salvo em casos de guerra declarada (auxiliar inimigo).

b) IGUALDADE/ISONOMIA

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no
País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade...

O Estado deve proibir as práticas discriminatórias e as formas mais graves de preconceito,


tipificando-as como crime.

PRECONCEITO ≠ DISCRIMINAÇÃO (a discriminação está muito mais ligada ao ATO, a prática).

CRIMES DE DISCRIMINAÇÃO:

1. Racismo, homofobia e transfobia L7716/89

Crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão. Originalmente = cor e raça, em 1997 se ampliou
para etnia, religião e procedência nacional. E em 2019 entrou a orientação sexual e identidade de gênero no termo
RAÇA por meio da ADO 26, antes, as sanções para homofobia eram administrativas.
Art. 1º Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou
procedência nacional.

Art. 5º Recusar ou impedir acesso a estabelecimento comercial, negando-se a servir, atender ou receber cliente ou comprador.

L10948/01 – sanções administrativas

Artigo 2.º - Consideram-se atos atentatórios e discriminatórios dos direitos individuais e coletivosdos cidadãos homossexuais, bissexuais
ou transgêneros, para os efeitos desta lei:

I - praticar qualquer tipo de ação violenta, constrangedora, intimidatória ou vexatória, de ordem moral, ética, filosófica ou psicológica;

II - proibir o ingresso ou permanência em qualquer ambiente ou estabelecimento público ou privado, aberto ao público;

III - praticar atendimento selecionado que não esteja devidamente determinado em lei;

IV - preterir, sobretaxar ou impedir a hospedagem em hotéis, motéis, pensões ou similares;

V - preterir, sobretaxar ou impedir a locação, compra, aquisição, arrendamento ou empréstimo de bens móveis ou imóveis de qualquer
finalidade;

VI - praticar o empregador, ou seu preposto, atos de demissão direta ou indireta, em função da orientação sexual do empregado;

VII - inibir ou proibir a admissão ou o acesso profissional em qualquer estabelecimento público ou privado em função da orientação
sexual do profissional;

VIII - proibir a livre expressão e manifestação de afetividade, sendo estas expressões e manifestações permitidas aos demais cidadãos.

Artigo 6.º - As penalidades aplicáveis aos que praticarem atos de discriminação ou qualquer outro ato atentatório aos direitos e
garantias fundamentais da pessoa humana serão as seguintes:

I - Advertência;

II - Multa de 1000 (um mil) UFESPs - Unidades Fiscais do Estado de São Paulo;

III - multa de 3000 (três mil) UFESPs - Unidades Fiscais do Estado de São Paulo, em caso de reincidência;

IV - Suspensão da licença estadual para funcionamento por 30 (trinta) dias;

V - Cassação da licença estadual para funcionamento.

2. Injúria racial

Ofender a HONRA de alguém.

Art. 140 - Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro:

Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.

- Com fiança

3. Discriminação contra pessoa com deficiência

Art. 88. Praticar, induzir ou incitar discriminação de pessoa em razão de sua deficiência:

Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa.

- Com fiança
4. Discriminação contra pessoa idosa

Art. 96. Discriminar pessoa idosa, impedindo ou dificultando seu acesso a operações bancárias, aos meios de transporte, ao direito de
contratar ou por qualquer outro meio ou instrumento necessário ao exercício da cidadania, por motivo de idade:

Pena – reclusão de 6 (seis) meses a 1 (um) ano e multa.

§ 1o Na mesma pena incorre quem desdenhar, humilhar, menosprezar ou discriminar pessoa idosa, por qualquer motivo.

** GORDOFOBIA E APAROFOBIA = sanções administrativas

IGUALDADE FORMAL E IGUALDADE MATERIAL:

Formal: tratar todos iguais, sem contar nenhuma diferença “de olhos vendados”

Material: tratar de maneira desigual os desiguais para produzir uma relação de igualdade.

a) AÇÕES AFIRMATIVAS, reparações históricas ou discriminação positiva: diminuir preconceito social. Duram
temporariamente até que esses grupos consigam se inserir normalmente sem nenhum preconceito.
1. Cotas para pessoas com deficiência em concursos públicos e no mercado de trabalho.

VIII - a lei reservará percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas portadoras de deficiência e definirá os critérios de sua
admissão;

2. Lei eleitoral para maior participação das mulheres na política

§ 3º. Do número de vagas resultante das regras previstas neste artigo, cada partido ou coligação preencherá o mínimo de 30% (trinta
por cento) e o máximo de 70% (setenta por cento) para candidaturas de cada sexo.

3. Cotas para negros em universidades e em concursos públicos federais

POLÍTICA DE COTAS: 1. Ensino público 2. Renda Familiar 3. Cor da pele

Art. 1º. Fica criado o Programa Diversidade na Universidade, no âmbito do Ministério da Educação, com a finalidade de implementar e
avaliar estratégias para a promoção do acesso ao ensino superior de pessoas pertencentes a grupos socialmente desfavorecidos,
especialmente dos afrodescendentes e dos indígenas brasileiros.

Liberdades Constitucionais
II - Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;

• Lei de abuso de poder

1. LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA E DE CRENÇA (exercício de cultos religiosos, proteção aos locais


de culto)

CRENÇA POLÍTICA: fundamentos da Constituição Federal = pluralismo político

CRENÇA RELIGIOSA: quatro modelos de Estado:

RELIGIOSOS: a) teocrático: Estado governado pela religião, as autoridades religiosas exercem poder político
b) Confessional: confere privilégios com uma religião, mas respeita as demais

NÃO RELIGIOSOS: c) laico: separação entre as esferas religião x política, mas respeita todas

d)ateu: opressão à religião

Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:

I - Estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embarcar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes
relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público;

- Liberdade religiosa INSTITUCIONAL: no Brasil o processo de criação de uma igreja é muito simples.
IMUDIADE TRIBUTÁRIA para todo o patrimônio da igreja. É liberado o uso de substâncias psicotrópicas
para fins religiosos e sacrifício de animais em cultos.

- Liberdade religiosa INDIVIDUAL: acreditar ou não em qualquer crença religiosa. Ensino religioso
FACULTATIVO, há objeção de consciência com obrigação alternativa.

VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para
eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;

Obs.: as decisões políticas devem ser baseadas em critérios racionais e científicos e não em dogmas
religiosos, mas é segurado á todas as pessoas a liberdade de religião.
4º bimestre
NACIONALIDADE
vínculo jurídico-político que une o indivíduo ao Estado – acarretando direitos e obrigações. Exemplo:
direito ao voto e alistamento militar.

Espécies de nacionalidade:
a) Originária ou primária: adquire-se automaticamente através do nascimento, ou seja, independe
de um ato de manifestação de vontade, há dois modos de definir a nacionalidade originária, territorial
(jus solis) que se refere ao local de nascimento da pessoa, não importando a nacionalidade dos seus pais e o
sanguíneo (jus sanguinis) que é referente à nacionalidade dos pais, não importando o seu local de
nascimento.
Quem normalmente usa o critério territorial são os países colonizados para o aumento de seus
nacionais através do nascimento dos descendentes dos colonizadores – exemplo: Brasil.
O critério sanguíneo é mais utilizado por países colonizadores para manter a nacionalidade dos
descendentes dos seus nacionais que nasciam na colônia. Também utilizado em casos de perda de território
– exemplo: Europa.

b) Adquirida ou secundária: é adquirida por ato de manifestação da vontade POSTERIOR ao nascimento =


naturalização.

Pelo fato dos Estados variarem na adoção destes critérios de nacionalidade, pode ocorrer:
a) Indivíduos de DUPLA NACIONALIDADE originária (não há necessidade de escolha)

b) APÁTRIDAS: indivíduos que não possuem nacionalidade originária.


Art. 1º da Convenção sobre o Estatuto dos Apátridas: o termo apátrida designará toda a pessoa que não seja
considerada por qualquer Estado, segundo a sua legislação, como seu nacional.

Brasileiros Natos: aqueles nascidos na República Federativa do Brasil, ainda que de pais estrangeiros.
- Hipóteses:
1. Se os pais estrangeiros estiverem a serviço de seu país, os filhos não são brasileiros natos, filho de
estrangeiro que esteja no Brasil para fins privados é automaticamente brasileiro nato;
2. Se pai brasileiro ou mãe brasileira estiverem a serviço do Brasil em outro Estado, os filhos são
brasileiros natos – critério sanguíneo cumulado com o funcional;
3. Filho que nascer no estrangeiro de pai ou mãe brasileiros, desde que sejam registrados em
repartição brasileira competente OU venham residir no Brasil e optem, em qualquer tempo, depois de
atingida a maioridade, pela nacionalidade brasileira são brasileiros natos.

Estrangeiros no Brasil:

• Não são obrigados a buscarem a naturalização como condição de permanência no Brasil,


porém devem justificar periodicamente o motivo de permanência no Brasil.
• Lei de imigração (2017), facilita a entrada e permanência do estrangeiro em nosso país, tratando-os de
maneira mais humana.

• Podem exercer direitos fundamentais, exceto os POLÍTICOS.


Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos
estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à
propriedade...

Brasileiros Naturalizados: há dois caminhos para a NATURALIZAÇÃO =


a) Naturalização ordinária (originários de países de língua portuguesa): é necessário 1 ano de residência
no Brasil e idoneidade moral.

b) Naturalização extraordinária (estrangeiros de qualquer nacionalidade): é necessário residir no país há


mais de 15 anos ininterruptos e não ter nenhuma condenação penal.
Desse modo, fica demonstrada a boa-fé do estrangeiro e o pedido não pode ser negado pelas autoridades
brasileiras.
Proibição de distinção entre brasileiros natos e brasileiros naturalizados:
§ 2º A lei não poderá estabelecer distinção entre brasileiros natos e naturalizados, salvo nos casos previstos nesta
Constituição.
Exceções:
1. Cargos privativos de brasileiros natos:
§ 3º São privativos de brasileiro nato os cargos:
I - de Presidente e Vice-Presidente da República;
II - de Presidente da Câmara dos Deputados;
III - de Presidente do Senado Federal;
IV - de Ministro do Supremo Tribunal Federal;
V - da carreira diplomática;
VI - de oficial das Forças Armadas.
VII - de Ministro de Estado da Defesa. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 23, de 1999)
2. Proibição de Extradição do Brasileiro Nato
Ato através do qual autoridades de determinado país entregam indivíduo às autoridades de outro país para ser
julgado por crime lá praticado.
- Brasileiro naturalizado pode ser extraditado quando pratica crime comum antes da naturalização
ou de comprovado envolvimento político em tráfico ilícito de entorpecentes, na forma da lei.

3. Limites à propriedade de meios de comunicação para naturalizados há menos de 10 anos –


proteção da cultura nacional e do acesso à informação.
Art. 222. A propriedade de empresa jornalística e de radiodifusão sonora e de sons e imagens é privativa de
brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez anos, ou de pessoas jurídicas constituídas sob as leis brasileiras e
que tenham sede no País.
Perda da nacionalidade:
a) brasileiro naturalizado por sentença judicial em caso de envolvimento com atividades nocivas ao
interesse nacional.
b) Brasileiro nato ou naturalizado se espontaneamente buscarem naturalização em outro país.

DIREITOS POLÍTICOS
Todo poder emana do povo, que o exerce por representantes eleitos (indiretamente) e diretamente:
a) Democracia indireta: VOTO = direto, secreto, universal e periódico. Elege os representantes.
b) Democracia direta: PARTICIPAÇÃO = plebiscito, referendo, iniciativa popular e ação popular.
Plebiscito e referendo são instrumentos de consulta popular sobre matéria de relevância, de natureza
constitucional, legislativa ou administrativa.
O PLEBISCITO é convocado ANTES do ato legislativo, cabendo ao povo, pelo voto, aprovar ou
denegar o que lhe tenha sido submetido.
O REFERENDO é convocado POSTERIORMENTE ao ato legislativo, cumprindo ao povo a
ratificação ou rejeição.
Ambos são convocados mediante decreto legislativo, por proposta de um terço, no mínimo, dos membros de
qualquer casa do Congresso Nacional.

• Devido aos gastos eleitorais muito altos, as consultas populares são de menor ocorrência.

INICIATIVA POPULAR: povo pode encaminhar PL para ser votado no Congresso Nacional.
- § 2º A iniciativa popular pode ser exercida pela apresentação à Câmara dos Deputados de projeto de lei subscrito
por, no mínimo, um por cento do eleitorado nacional, distribuído pelo menos por cinco Estados, com não menos de
três décimos por cento dos eleitores de cada um deles.
Requisitos: assinatura de, no mínimo, 1% do eleitorado nacional, distribuídos em pelo menos cinco estados
(pelo menos 0,3% em cada estado).

AÇÃO POPULAR:
a) legitimidade ativa, finalidade: anular atos dos poderes públicos que estejam causando lesão à direitos
públicos.
b) Legitimidade passiva (quem pode figurar como réu): pessoas jurídicas, públicas ou privadas, pessoas
físicas, enfim todos aqueles que foram responsáveis pelo dano ou que obtiveram algum benefício com a lesão
ao patrimônio público.
Art. 5º, LXXIII, CF – qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao
patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao
patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da
sucumbência.

Capacidade eleitoral: ativa (requisitos para votar) e passiva (condições de se eleger)


Direito ao voto: legitimidade ativa

• Obrigatório = maiores de 18 anos;


Ele sendo obrigatório, obriga eleitores a se interessarem pelos assuntos políticos e buscar informações antes
de votar.
• Facultativo = analfabetos, maiores de 70 anos e jovens entre 16 e de 18 anos;
• Proibido = estrangeiros e conscritos durante o serviço militar obrigatório
Art. 7º O eleitor que deixar de votar e não se justificar perante o juiz eleitoral até 30 (trinta) dias após a realização
da eleição, incorrerá na multa de 3 (três) a 10 (dez) por cento sobre o salário-mínimo da região, imposta pelo juiz
eleitoral e cobrada na forma prevista no art. 367.
§ 1º Sem a prova de que votou na última eleição, pagou a respectiva multa ou de que se justificou devidamente, não
poderá o eleitor:
I - inscrever-se em concurso ou prova para cargo ou função pública, investir-se ou empossar-se neles;
II - receber vencimentos, remuneração, salário ou proventos de função ou emprego público, autárquico ou para
estatal, bem como fundações governamentais, empresas, institutos e sociedades de qualquer natureza, mantidas ou
subvencionadas pelo governo ou que exerçam serviço público delegado, correspondentes ao segundo mês
subsequente ao da eleição;
III - participar de concorrência pública ou administrativa da União, dos Estados, dos Territórios, do Distrito Federal
ou dos Municípios, ou das respectivas autarquias;
IV - obter empréstimos nas autarquias, sociedades de economia mista, caixas econômicas federais ou estaduais, nos
institutos e caixas de previdência social, bem como em qualquer estabelecimento de crédito mantido pelo governo,
ou de cuja administração este participe, e com essas entidades celebrar contratos;
V - obter passaporte ou carteira de identidade;
VI - renovar matrícula em estabelecimento de ensino oficial ou fiscalizado pelo governo;
VII - praticar qualquer ato para o qual se exija quitação do serviço militar ou imposto de renda.

Legitimidade passiva: para se candidatar, o indivíduo necessita preencher as condições de elegibilidade


§ 3º São condições de elegibilidade, na forma da lei:
I - a nacionalidade brasileira;
II - o pleno exercício dos direitos políticos;
III - o alistamento eleitoral;
IV - o domicílio eleitoral na circunscrição;
V - a filiação partidária;
VI - a idade mínima de: DATA DA POSSE.
a) trinta e cinco anos para Presidente e Vice-Presidente da República e Senador;
b) trinta anos para Governador e Vice-Governador de Estado e do Distrito Federal;
c) vinte e um anos para Deputado Federal, Deputado Estadual ou Distrital, Prefeito, Vice-Prefeito e juiz de paz;
d) dezoito anos para Vereador.

Causas de inelegibilidade: analfabetos (quem não sabe ler nem escrever minimamente) e estrangeiros e
conscritos durante serviço militar.
São inelegíveis o cônjuge (em união estável também) e os parentes consanguíneos ou afins, até o segundo
grau (pais, avós, filhos, netos e irmãos e sogros, cunhados e enteados) ou de quem os haja substituído dentro dos
seis meses anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição.
A lei da ficha limpa torna inelegível candidato com condenação criminal em órgão colegiado (2ª instância),
mesmo sem transitar em julgado.

Reeleição: não existia para que houvesse maior alternância de poder. Atualmente = poderão ser reeleitos para um
único período subsequente.

Perda ou suspensão de Direitos Políticos:


Art. 15. É vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda ou suspensão só se dará nos casos de:
I - cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado;
II - incapacidade civil absoluta;
III - condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos;
IV - recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa, nos termos do art. 5º, VIII;
V - improbidade administrativa, nos termos do art. 37, § 4º.

Datas das eleições:


1º turno = primeiro domingo de outubro
2º turno = último domingo de outubro
Ambos do ano anterior ao do término do mandato presidencial vigente.

PODER EXECUTIVO
É o poder que governa, administra, define as políticas públicas, executa as leis, criando condições para
o seu cumprimento = Presidente da República, auxiliado pelos Ministros.
Funções: chefia de Estado (relações internacionais do Estado) e chefia de governo (condução de políticas
públicas internas) – o Presidente da República é o chefe de Estado e de Governo.

Eleição do presidente: elege-se em primeiro lugar quem obtiver maioria absoluta dos votos válidos, senão, os dois
mais votados concorrem em segundo turno. Se caso os dois obtiverem a mesma votação em segundo turno,
qualificar-se-á o mais idoso.
- Votos nulos e brancos NÃO são computados.
Se, antes de realizado o segundo turno, ocorrer morte, desistência ou impedimento legal de candidato,
convocar-se-á, dentre os remanescentes, o de maior votação.

Vice-presidente: a eleição do Presidente da República importará a do Vice-Presidente com ele registrado.


Sucessor imediato do Presidente da República, assumindo seu cargo em casos de impedimento e vacância.

Impedimento e vacância:
a) Impedimento = afastamento temporário do Presidente da República, em que cessada sua causa, pode
ocorrer o retorno do Presidente ao cargo;
b) Vacância = afastamento definitivo do Presidente da República, que não mais voltará ao cargo no mesmo
mandato;
Art. 80. Em caso de impedimento do Presidente e do Vice-Presidente, ou vacância dos respectivos cargos, serão
sucessivamente chamados ao exercício da Presidência o Presidente da Câmara dos Deputados, o do Senado Federal
e o do Supremo Tribunal Federal.
Art. 81. Vagando os cargos de Presidente e Vice-Presidente da República, far-se-á eleição noventa dias depois de
aberta a última vaga.

Inelegibilidade: § 6º Para concorrerem a outros cargos, o Presidente da República, os Governadores de Estado e


do Distrito Federal e os Prefeitos devem renunciar aos respectivos mandatos até seis meses antes do pleito.

Poder regulamentar:
Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:
IV - Sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução;
Se o Presidente, ao editar um Decreto, desrespeitar os limites da lei, ou criar uma regra, não prevista na lei,
exorbitará do seu poder regulamentar – competência do Congresso Nacional sustar os atos normativos do
Poder Executivo que exorbitem os limites.

Responsabilidade do Presidente: durante seu mandato, o Presidente não responde por atos estranhos ao
exercício das funções de Presidente, inclusive de atos praticados no primeiro mandato, se o Presidente tiver sido
reeleito.
Em qualquer desses casos, ficam suspensos os prazos prescricionais, e o presidente fica sujeito a ser
processado quando terminar o mandato.

Privilégio de foro: necessidade da autorização prévia da Câmara dos Deputados, por 2/3 dos seus membros para
julgamento do Presidente.
Infrações penais comuns – STF que julga
Crimes de responsabilidade – Senado Federal
Art. 14. É permitido a qualquer cidadão denunciar o Presidente da República ou Ministro de Estado, por crime de
responsabilidade, perante a Câmara dos Deputados.

RI da Câmara dos Deputados: compete ao Presidente da casa receber ou não os pedidos de


impeachment contra o Presidente da República por crime de responsabilidade, o não recebimento deve
ser fundamentado. Não há prazo para fazer esse juízo.

ROTEIRO IMPEACHMENT – presidente da câmara recebe o pedido, se entender que há fundamento, manda
instalar comissão (composta por deputados indicados por liderança dos partidos) que faz juízo de admissibilidade.
Deliberação por maioria simples dos membros. Admitida a acusação na comissão especial, marca-se a data do
julgamento no plenário da casa (Senado – 54 Senadores para condenação).
- Inabilitação para o exercício de cargo ou função pública por 8 anos – pode votar somente.
Se a renúncia do Presidente foi feita antes do início da fase de julgamento, o processo para.
ORGANIZAÇÃO POLÍTICO-ADMINISTRATIVA DO ESTADO
- Estado Unitário: poder centralizado, uma única fonte de produção de decisões políticas. Países de
pequena extensão territorial e pouca diversidade geográfica, econômica e cultural.
- Estados com poder descentralizado: poder descentralizado, com a existência de unidades subnacionais
com autonomia política. Políticas regionais distintas.
- Federação: União de entidades autônomas que abdicam da sua soberania, conservando sua autonomia
política. Origem nos EUA.
Modelo Federativo Brasileiro: após a Proclamação da República, inspirados nos EUA, adotamos o modelo
federativo, que nasceu por segregação: um território único que se divide em unidades menores, transmitindo parte
das decisões políticas para estas unidades.
• União legisla sobre a maioria dos assuntos – competência privativa.

DIVISÃO DA COMPETENCIA LEGISLATIVA ENTRE OS ENTES DA FEDERAÇÃO


Autonomia dos Entes federados – 3 divisões (auto-organização, autogoverno e autoadministração).
Auto-organização: cada ente federado organiza-se politicamente editando: Constituição Federal,
Constituição Estadual e Lei Orgânica Municipal.
Divisão em ASSUNTOS: leis municipais, leis estaduais e leis federais.
- Teoria da prevalência ou da predominância dos interesses:
• Competência da União (LEI FEDERAL): interesse nacional, competência privativa através do Congresso
Nacional, legisla sobre os assuntos do art. 22, da CF.
Lei complementar poderá autorizar os Estados a legislar sobre questões específicas das matérias relacionadas
neste artigo.
• Competência Concorrente: União e Estados-membros legislam concorrentemente sobre os assuntos previstos
no art. 24, da CF.
União edita normas gerais e Estados editam normas mais específicas sobre determinado assunto.
Em caso de inexistência de lei federal geral sobre os assuntos de competência concorrente, os estados-
membros podem exercer a competência legislativa plena. Em caso de superveniência de lei federal incompatível com
lei estadual anterior, a lei feral suspende a execução da lei estadual nas partes incompatíveis.
• Competência Exclusiva: compete aos Municípios, através de duas Câmaras Municipais, legislarem sobre
assuntos de seu interesse local.
Interesse Local: dificuldades para definir o que seja matéria de interesse local para a competência legislativa exclusiva
dos Municípios. Plano diretor municipal, zoneamento urbano, nomes de logradouros públicos municipais (ruas,
avenidas, praças...)
• Competência Suplementar: compete aos Municípios, suplementar a legislação federal e estadual, no que
couber.

Você também pode gostar