Valvopatias
Valvopatias
J U A N D E M O L I N A R I
VA LVO PAT I AS
APRESENTAÇÃO:
PROF. JUAN
DEMOLINARI
FERREIRA
Oi, Estrategista, tudo bem? Agora é a hora de estudarmos
as tão temidas valvopatias! Mas, fique calmo(a)! Prometo
que, após essa leitura, você estará muito mais preparado e
não haverá motivo para temer essas doenças tão interessantes!
Esse tema é importantíssimo para as provas, correspondendo
a, aproximadamente, 7% das questões de Cardiologia. As
“queridinhas” das provas são as doenças da valva mitral e
aórtica, sobretudo as estenoses! Irei revelar a você, neste
resumo, o “caminho das pedras''. Porém, não deixe de acessar
nosso livro digital extensivo para um estudo mais aprofundado.
Então, vamos começar!
@estrategiamed @estrategiamed
t.me/estrategiamed /estrategiamed
Estratégia
MED
SUMÁRIO
1.0 INTRODUÇÃO 4
2.0 ESTENOSE AÓRTICA 6
2.1 DIAGNÓSTICO: 6
2.4 COMPLICAÇÕES: 8
2.5 TRATAMENTO: 9
3.4 TRATAMENTO: 14
4.4 TRATAMENTO: 19
5.4 TRATAMENTO: 24
CAPÍTULO
1.0 INTRODUÇÃO
Antes de iniciarmos o estudo das valvopatias em si, faremos ao fechamento das valvas atrioventriculares (mitral e tricúspide).
uma breve recordação de alguns conceitos fundamentais sobre o Já a segunda bulha (B2) marca o início da diástole, quando ocorre
ciclo cardíaco e sobre a ausculta cardíaca. Esses conceitos serão o fechamento das valvas semilunares (aórtica e pulmonar) e a
abordados com grande profundidade em nosso livro sobre a abertura das valvas atrioventriculares (mitral e tricúspide).
semiologia cardíaca. Existem, basicamente, dois tipos de valvopatias: as estenoses
Durante a ausculta cardíaca, encontraremos duas bulhas (quando a valva não se abre adequadamente) e as insuficiências
principais: a primeira (B1) e a segunda (B2). A primeira bulha (B1) (quando a valva não se fecha adequadamente).
marca o início da sístole ventricular, sendo, portanto, relacionada
Na sístole, esperamos que as valvas aórtica e pulmonar estejam abertas e as valvas mitral e tricúspide, fechadas. Na diástole, esperamos
que as valvas aórtica e pulmonar estejam fechadas e as valvas mitral e tricúspide, abertas.
Só por esses conceitos, já podemos entender que os sopros sistólicos (entre B1 e B2), secundários às valvopatias, são:
Estenose aórtica.
Insuficiência mitral.
Insuficiência tricúspide.
Estenose mitral.
Estenose tricúspide.
Insuficiência aórtica.
Insuficiência pulmonar.
Visto isso, vamos iniciar nosso estudo pela valvopatia mais comum em provas de Residência, a estenose aórtica.
CAPÍTULO
É uma doença que tem três etiologias principais. Nos indivíduos mais jovens, doença congênita bicúspide; nos mais idosos, doença
degenerativa ou calcificada; e nos países subdesenvolvidos, doença reumática. No Brasil, como a pirâmide etária é de transição, podemos
verificar um pico bimodal, ou seja, prevalência alta em jovens (etiologia bicúspide e reumática); e em idosos, (etiologia senil-degenerativa).
A figura ao abaixo, mostra as características de cada uma delas.
2.1 DIAGNÓSTICO:
A tríade clássica de sintomas da estenose aórtica grave é composta por PRECORDIALGIA, SÍNCOPE E
DISPNEIA. Essa informação é importantíssima e, frequentemente, aparece nas provas.
O surgimento de cada um desses sintomas marca uma piora significativa de prognóstico. Pacientes com dor precordial têm sobrevida
média de 5 anos, síncope 3 anos e dispneia apenas 2 anos! Por isso, o surgimento de sintomas é indicativo claro de troca valvar.
Sobrevida
média 5 anos
Precordialgia
Sobrevida
média 3 anos
Síncope
Sobrevida
média 2 anos
Dispneia
Achados da estenose aórtica que justificam os sintomas: hipofluxo carotídeo e coronariano e hipertrofia ventricular esquerda.
O exame físico dessa valvopatia refletirá as consequências de uma valva que limita a quantidade de sangue ejetado pelo coração.
Sendo assim, devemos encontrar:
Sopro sistólico rude, ejetivo, em crescendo-decrescendo (diamante), que reduz com manobra de handgrip (apertar o
dedo com a mão) e Valsalva, panprecordial, mais audível em foco aórtico, com irradiação para pescoço ou fúrcula
Hipofonese de B1
Desdobramento paradoxal de B2
Após suspeitarmos do diagnóstico, o próximo passo é iniciar a investigação complementar. Nesse sentido, o eletrocardiograma deve
evidenciar uma sobrecarga do ventrículo esquerdo e a radiografia de tórax pode ser normal, já que a estenose aórtica não costuma aumentar
o índice cardiotorácico (o coração cresce para dentro, fica musculoso — hipertrofia concêntrica).
No entanto, o grande exame complementar que avalia gravidade, complicações e etiologia dessa e de outras valvopatias é o
ecocardiograma. A tabela abaixo mostra os parâmetros considerados nesse exame:
Graduação da estenose
Discreta Moderada Grave
aórtica
Velocidade transvalvar
< 3,0 m/s 3-3,9 m/s ≥ 4,0 m/s
máxima
2.4 COMPLICAÇÕES:
Dentre as complicações mais importantes dessa valvopatia, temos: endocardite infecciosa, edema agudo de pulmão, eventos
tromboembólicos e até morte súbita. Porém, a mais famosa em provas é a síndrome de Heyde, composta pela tríade: estenose aórtica,
disfunção plaquetária e angiodisplasia colônica com sangramento gastrointestinal. Essa síndrome é explicada pelo cisalhamento de fatores
da adesão plaquetária ao passarem pela valva estenosada.
2.5 TRATAMENTO:
O conceito mais importante quanto ao tratamento dessa doença é que não existe tratamento medicamentoso e que os pacientes
sintomáticos devem ser submetidos, obrigatoriamente, ao tratamento intervencionista.
Alguns pacientes assintomáticos, porém com critérios de estenose crítica, também devem ser submetidos ao tratamento
intervencionista, como mostra o fluxograma na sequência. Existem três tipos de intervenção: a cirurgia de troca valvar, em que se faz a
substituição da valva nativa por uma prótese; o implante de prótese transcateter (TAVI), quando a valva é implantada de forma percutânea; e
a valvoplastia por balão, em que apenas é feito um balonamento da valva estenótica.
Para compreendermos rapidamente, a troca valvar é o procedimento mais consagrado ao longo dos anos. A TAVI é menos invasiva,
sendo, portanto, indicada para indivíduos mais idosos e/ou com risco perioperatório alto. Já a valvoplastia por balão é um procedimento
paliativo ou usado como ponte para outros procedimentos.
Estenose
Aórtica
Grave
Sintomas?
(angina, síncope
e dispneia)
Não
Fonte: Shutterstock
Não
Sim
• Implante de prótese Transcateter - TAVI
Intervenção
Acompanhamento
clínico
Fonte: Shutterstock
CAPÍTULO
Reumática
Bicúspide
- HAS
- Sífilis
Insuficiência Doenças que dilatam a - Espondilite anquilosante
aórtica aorta (secundária) - Dissecção de aorta
- Síndrome de Marfan
Degenerativa
Endocardite
3.1 DIAGNÓSTICO:
A maioria dos pacientes é assintomática. Quando os sintomas surgem, são de insuficiência cardíaca, principalmente dispneia.
O maior marcador dessa valvopatia é a sobrecarga de volume do ventrículo esquerdo. Imagine comigo: o ventrículo esquerdo (VE)
está “acostumado” a receber sangue apenas do átrio esquerdo durante a diástole. Quando há regurgitação aórtica, há um incremento do
volume diastólico que o VE recebe, proveniente da insuficiência aórtica. Esse excesso de sangue é que irá causar uma sobrecarga de volume
nessa câmara.
Vamos estudar o exame físico da insuficiência aórtica agora. Preciso que você tenha total atenção! Nessa
valvopatia, esse tema é o “queridinho” das provas”!
Um dos achados mais marcantes dessa condição é a pressão arterial divergente, também chamada de pressão de pulso aumentada,
ou seja, grande diferença entre a pressão sistólica e a diastólica. Com a evolução da doença, a pressão sistólica tende a diminuir devido à
disfunção do ventrículo esquerdo que essa valvopatia causa. Além disso, a pressão arterial diastólica, que nas fases iniciais é muito baixa pela
regurgitação valvar, tende a subir à medida que a pressão no VE aumenta. Sendo assim, a pressão arterial divergente pode não existir em
fases terminais da doença.
Observe o comportamento da pressão arterial sistólica (PAS) e da pressão arterial diastólica (PAD) na insuficiência aórtica. Inicialmente essas pressões se tornam
divergentes, mas, em fases avançadas da doença, aproximam-se novamente. Fonte: Acervo pessoal do professor.
Outro ponto que devemos nos atentar é o pulso nessa situação. A sístole faz uma grande onda, que se reduz profundamente no
diástole. Sendo assim, encontraremos um pulso em martelo d´água, também conhecido como pulso de Corrigan ou pulso magno e célere
(amplo e rápido).
Em consequência do pulso de amplitude elevada, podemos encontrar diversos sinais no exame físico
dos pacientes com essa valvopatia, como mostram as imagens abaixo. Atenção! Dentro do tema insuficiência
aórtica, esses sinais são os mais cobrados em provas!
Em pacientes com insuficiência valvar importante crônica, o sopro tende a durar mais tempo, podendo tornar-se holodiastólico.
Outro ponto da ausculta cardíaca desses pacientes que denota gravidade e que as provas adoram é o sopro de Austin Flint. Esse sopro
decorre do seguinte fato: o jato de regurgitação aórtica “bate” no folheto anterior da valva mitral e dificulta sua abertura na diástole. Dessa
forma, causa uma estenose mitral funcional, que testemunharemos com o surgimento na ausculta de um sopro de estenose mitral (sopro
diastólico, em ruflar, e mais audível em foco mitral).
Além dos achados já mencionados, a ausculta cardíaca pode revelar B2 hipofonética e presença de B3. A tabela abaixo resume os
principais achados do exame físico de um paciente com insuficiência aórtica:
Sopro protodiastólico, aspirativo, em decrescendo, mais audível no 2º EIC esquerdo com o paciente inclinado para frente
Sopro de Austin Flint: ruflar diastólico devido a uma estenose funcional da mitral gerada pelo jato regurgitante aórtico
que impede a abertura do folheto anterior da mitral
B2 hipofonética ou ausente
Presença de B3
Como a insuficiência aórtica é uma doença que causa sobrecarga de volume nas câmaras esquerdas, nos exames complementares,
encontraremos esses sinais: ao ECG, sobrecarga de átrio e ventrículo esquerdo e, à radiografia de tórax, aumento da área cardíaca.
Ao ECO, graduaremos a insuficiência aórtica pela fração regurgitante e pelo orifício regurgitante. Além disso, uma avaliação muito
importante é a fração de ejeção do ventrículo esquerdo, uma vez que, quando houver sinais de insuficiência cardíaca, há indicação cirúrgica.
3.4 TRATAMENTO:
A grande questão do tratamento é verificar quando devemos indicar a intervenção cirúrgica. Na insuficiência aórtica grave, a cirurgia
consagrada é a troca valvar por prótese. Sendo assim, nos grupos abaixo, essa intervenção deve ser feita:
Se houver indicação de outra cirurgia cardíaca concomitante (nesses casos, pode-se abordar inclusive insuficiências
aórticas moderadas)
Se o paciente for assintomático, mas com disfunção ventricular (fração de ejeção do VE<50%)
Se assintomático, mas com dilatação do VE importante (diâmetro diastólico >70 mm e diâmetro sistólico > 50 mm),
desde que a etiologia não seja reumática
Se assintomático, mas de etiologia reumática desde que haja grande dilatação do VE (diâmetro diastólico >75 mm e
diâmetro sistólico > 55 mm)
CAPÍTULO
4.1 DIAGNÓSTICO:
Para entendermos os achados que levantam a suspeita diagnóstica na estenose mitral, é importante
pensarmos nos efeitos hemodinâmicos provocados por essa valvopatia. Portanto, nesse momento, pare! Respire
fundo! Concentre-se! Os parágrafos que se seguem são fundamentais para o entendimento desse tema!
Devemos lembrar que, nessa valvopatia, o fluxo de sangue proveniente do átrio esquerdo tem dificuldade
de atingir o ventrículo esquerdo durante a diástole. Sendo assim, o átrio fica MUITO sobrecarregado, enquanto o
ventrículo fica protegido. Portanto, ocorre uma sobrecarga atrial esquerda isolada.
Como ocorre grande sobrecarga do átrio esquerdo, retrogradamente, há aumento da pressão venocapilar
pulmonar, manifestando sintomas pela congestão pulmonar e posteriormente hipertensão pulmonar.
Estenose mitral. Observe como o átrio esquerdo fica sobrecarregado ao tentar vencer a resistência imposta pela estenose mitral e o ventrículo esquerdo está poupado.
Diante de tudo isso, é fácil entendermos que o sintoma mais comum nessa valvopatia é a dispneia, que pode vir associada a sintomas
clássicos de insuficiência cardíaca, como ortopneia e dispneia paroxística noturna. Além disso, o grande crescimento do átrio esquerdo pode
levar à rouquidão (por compressão do nervo laríngeo recorrente — síndrome de Ortner) e à disfagia (por compressão esofágica pelo átrio
esquerdo). Outro sintoma possível é a hemoptise por ingurgitamento venocapilar pulmonar.
Por dificultarem a diástole, podemos entender que arritmias (principalmente fibrilação atrial), esforço físico, estresse emocional,
anemia, febre, hipertireoidismo e gestação são causas comuns de agravamento da estenose mitral.
O exame físico dos pacientes com estenose mitral é extremamente frequente em provas, principalmente as características do sopro.
Observe abaixo o que esperamos encontrar nesses pacientes:
B1 hiperfonética
Sopro diastólico em ruflar com reforço pré-sistólico (melhor audível com a campânula) em foco mitral
As palavras-chave da ausculta cardíaca na estenose mitral são: sopro diastólico, com reforço pré-sistólico,
estalido de abertura e B1 hiperfonética.
Nos pacientes em que a estenose mitral não é de origem reumática, não há B1 hiperfonética nem estalido de abertura da mitral.
Fonocardiograma do sopro de estenose mitral. Podemos observar um sopro mesotelediastólico, com reforço pré-sistólico após um estalido de abertura.
Outro tema que as provas gostam de cobrar são os achados dos exames complementares na estenose mitral, principalmente a
radiografia de tórax e o eletrocardiograma.
• Eletrocardiograma (ECG):
As alterações eletrocardiográficas podem ser facilmente entendidas a partir do momento em que compreendemos os efeitos cardíacos
da estenose mitral. Três achados são esperados nesses pacientes:
1. Sobrecarga de átrio esquerdo;
2. Sobrecarga de câmaras direitas (por sobrecarga retrógrada);
3. Fibrilação atrial (você pode encontrar essa arritmia no livro específico “Fibrilação e Flutter atrial”).
• Radiografia de tórax:
A radiografia de tórax mostrará sinais de sobrecarga de átrio esquerdo com ventrículo esquerdo de tamanho normal e pode haver
dilatação do tronco da artéria pulmonar.
O ecocardiograma, assim como nas outras valvopatias, é um exame importantíssimo. Podemos classificar a estenose mitral seguindo
os parâmetros abaixo:
4.4 TRATAMENTO:
Apesar de o tratamento clínico ser relevante na estenose mitral, o grande ponto de decisão é justamente quando indicar a abordagem
intervencionista. Temos, basicamente, três opções de abordagem intervencionista: valvoplastia percutânea com cateter balão (VMCB),
comissurotomia cirúrgica e troca valvar. A comissurotomia, é a menos indicada e quase não aprece em provas. Focaremos então nas indicações
das outras duas. O procedimento de escolha é a VMCB, porém, para optarmos por ele, é necessário usar a classificação de Wilkins e Block:"
Deve-se dar uma pontuação específica para cada um desses parâmetros, que não cabe aqui detalhar. O importante é saber
quais são os parâmetros e qual a conduta mediante o escore:
Escore <9 pontos = indicar VMCB.
Escore 9-11 pontos = individualizar a conduta.
Escore > 11 pontos = indicar cirurgia de troca valvar.
A tabela abaixo indica quando devemos escolher entre os dois procedimentos citados:
Durante a gestação, ocorre aumento da volemia e da frequência cardíaca e, dessa forma, pode haver descompensação dessa valvopatia.
Sendo assim, para controle de sintomas, é possível usar betabloqueadores e diuréticos e fazer restrição hidrossalina.
Por essa alta probabilidade de descompensações, no período pré-concepção, devemos considerar a abordagem dessas mulheres se
houver qualquer um dos seguintes critérios:
CAPÍTULO
Agora, atenção redobrada! Um detalhe que é muito cobrado em provas é uma síndrome
relacionada a essa valvopatia, a síndrome do prolapso valvar mitral ou síndrome
hiperadrenérgica. Essa doença acomete principalmente mulheres jovens, que se queixam
de palpitações, desconforto torácico, tontura, fadiga ao exercício e arritmias sintomáticas.
Pode ser facilmente confundida com um transtorno de ansiedade pelo seu comportamento
pouco específico. Como tratamento, pode-se usar betabloqueadores, já que há um
componente hiperadrenérgico envolvido.
Desenho esquemático do prolapso valvar mitral associado com regurgitação mitral. Fonte: Shutterstock
5.1 DIAGNÓSTICO:
A insuficiência mitral tende a causar uma sobrecarga de teremos uma pequena tragédia! Como não haverá mecanismos
volume nas duas câmaras cardíacas esquerdas. Sendo assim, tanto compensatórios, o refluxo mitral transmite um aumento de volume
o átrio quanto o ventrículo esquerdo tendem a estar dilatados. para o átrio esquerdo e para o sistema venocapilar pulmonar.
Os pacientes com insuficiência mitral crônica desenvolvem, Dessa forma, o paciente evolui rapidamente para edema agudo de
ao longo de anos, diversos mecanismos compensatórios que os pulmão (EAP). A IM aguda pode ocorrer nos casos de endocardite,
permite ser assintomáticos por bastante tempo. Os primeiros ruptura de cordoalha tendínea e no infarto agudo do miocárdio
sintomas dessa doença são relacionados a uma síndrome de com isquemia de músculos papilares.
insuficiência cardíaca, que se manifesta com dispneia, ortopneia, Baseado nisso, podemos entender que os pacientes
dispneia paroxística noturna etc. acometidos por insuficiência mitral aguda, em sua maioria,
Mas, e se a insuficiência mitral (IM) for aguda? Nesse caso, necessitarão de abordagem cirúrgica de urgência.
O principal marcador do exame físico desses pacientes é o sopro. Como a falha é de coaptação da valva mitral
na sístole, teremos um sopro sistólico mais audível no foco mitral (5º espaço intercostal esquerdo na linha
hemiclavicular ou axilar anterior), com intensidade, geralmente, ≥ 3+/6+.
Os sopros regurgitativos, de uma forma geral, têm como característica ocuparem toda a fase do ciclo cardíaco
a que pertencem, ou seja, são quase sempre HOLO. No caso da insuficiência mitral, o sopro pode inclusive
abafar a segunda bulha (B2).
Como tudo na medicina, existem exceções. O sopro do prolapso valvar mitral tende a ser telessitólico e pode
surgir após um clique mesossistólico. Esse clique corresponde ao momento em que a valva prolapsada é
empurrada em direção ao átrio esquerdo.
O sopro do prolapso valvar mitral é telessistólico e pode ser precedido pelo clique mesossistólico.
As principais alterações do exame físico são descritas abaixo. Atenção a elas, pois são a parte mais cobrada sobre essa doença em
provas!
Sopro holossistólico regurgitativo, em foco mitral, melhor audível em decúbito lateral esquerdo, irradiando para axila
5.4 TRATAMENTO:
Agora que já sabemos como diagnosticar a insuficiência mitral, a grande dúvida é: quando indicar a cirurgia?
Devemos lembrar que os pacientes com essa valvopatia têm uma diminuição da pós-carga, ou seja, têm mais
facilidade de contrair o ventrículo esquerdo. Isso acontece pois, durante a sístole ventricular, há dois caminhos
para o escoamento do sangue — pode seguir para a aorta ou ir para o átrio esquerdo. Sendo assim, o paciente pode
apresentar uma queda do débito cardíaco efetivo, sem que a fração de ejeção tenha caído (já que está indo muito
sangue para o átrio, mas a contração cardíaca está mantida). Posto isso, podemos compreender que, quando a fração
de ejeção cai, a situação já é muito grave.
IM aguda importante e sintomática (rotura de cordoalha tendínea ou músculo papilar, endocardite com rompimento de
folhetos)
IM crônica grave primária em paciente assintomático, se fração de ejeção do VE 30-60% e diâmetro sistólico do ventrículo
esquerdo ≥ 40 mm
IM crônica grave primária em assintomáticos, com função do VE preservada e novo episódio de fibrilação atrial (últimos 6
meses) ou hipertensão pulmonar (pressão sistólica de artéria pulmonar >50 mmHg no repouso ou 60 mmHg no exercício)
IM grave secundária de etiologia isquêmica, se o paciente for submetido à cirurgia de revascularização do miocárdio
Quando houver indicação de cirurgia, três opções são possíveis: a plastia valvar, a cirurgia de troca valvar e a clipagem percutânea
A plastia valvar é o melhor procedimento cirúrgico, especialmente nos casos de prolapso valvar mitral. Nela, faz-se um reparo cirúrgico
da valva nativa do paciente. Dessa forma, mantém-se o tecido próprio do paciente, garantindo, assim, maior durabilidade da intervenção.
Contra a plastia, pesa o fato de ser tecnicamente difícil e de ter resultados ruins na etiologia reumática.
A troca valvar é recomendada nos casos em que a plastia não está indicada. Basicamente, temos duas opções de próteses: as metálicas
e as biológicas. Veremos adiante as vantagens e desvantagens delas.
CAPÍTULO
CAPÍTULO
Síndrome
carcinoide - Miocardiopatias
por tumor
Lesão por
eletrodos de
marcapasso ou CDI
Sopro sistólico regurgitativo mais audível em borda esternal baixa (pode ser à direita ou à esquerda), geralmente, sem
irradiação para axila, que piora com manobra de Rivero-Carvallo
Refluxo hepatojugular
Hepatomegalia
Quanto ao tratamento, podemos lançar mão de diuréticos e de restrição salina, como forma de minimizar os sintomas congestivos.
Quando houver uma insuficiência tricúspide moderada-grave secundária (por dilatação do anel valvar) e outra valvopatia for receber
abordagem cirúrgica, é possível fazer uma anuloplastia tricúspide (corrigir o anel com sutura ou com implante de um anel).
O implante de prótese ou a plastia estão indicados apenas para casos de insuficiência tricúspide primária grave e sintomática e
refratária ao tratamento clínico. Portanto, são casos de exceção.
CAPÍTULO
A insuficiência valvar pulmonar pode ser causada por iatrogenia (quando se usa balão para dilatar a valva), endocardite, síndrome
carcinoide ou secundária à dilatação da artéria pulmonar em casos de hipertensão pulmonar.
A ausculta cardíaca revelará um sopro holodiastólico, melhor audível no foco pulmonar (2º espaço intercostal esquerdo) e que
aumenta com a inspiração profunda (manobra Rivero-Carvallo). Pode ainda haver um sopro sistólico por hiperfluxo.
Um tema que as provas sempre adoram são os epônimos! Portanto, preste atenção, o que você mais precisa saber sobre as doenças
da valva pulmonar é um sopro que leva um epônimo, o sopro de Graham Steel.
O sopro de Graham Steel é um sopro de insuficiência pulmonar secundária à dilatação da artéria pulmonar em casos de
hipertensão pulmonar. Ele é descrito como sendo mais agudo e explosivo e associado à hiperfonese de B2 (comum nos casos de
hipertensão pulmonar).
O tratamento dessa valvopatia será feito com implante de prótese valvar quando a insuficiência valvar pulmonar for grave e sintomática
ou quando houver sinais de disfunção do ventrículo direito.
CAPÍTULO
Para encerramos esse importante resumo, preparamos para você um tópico bônus, com os principais epônimos relacionados às
valvopatias!
https://estr.at/UXx4
CAPÍTULO
11.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Futuro(a) Residente,
Parabéns! Chegamos ao final deste importante resumo! Você está mais próximo da sua vaga de Residência agora! Faça muitas
questões, principalmente sobre estenose aórtica e mitral. Em caso de dúvida, consulte o livro extensivo ou entre em contato pelo meu
Instagram (@profjuandemolinari) ou pelo fórum de alunos. Terei o maior prazer em respondê-lo!