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Via Sacra

O documento é uma reflexão sobre a Via Sacra, destacando a Paixão de Jesus Cristo e a importância de se unir a Ele em seu sofrimento. Através das estações da Via Crucis, é enfatizada a dor, a redenção e o amor de Cristo, além da necessidade de contrição e aceitação da vontade divina. A obra convida os fiéis a contemplarem a dor de Jesus e a se tornarem instrumentos de amor e redenção no mundo.

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Clara Florisbelo
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Via Sacra

O documento é uma reflexão sobre a Via Sacra, destacando a Paixão de Jesus Cristo e a importância de se unir a Ele em seu sofrimento. Através das estações da Via Crucis, é enfatizada a dor, a redenção e o amor de Cristo, além da necessidade de contrição e aceitação da vontade divina. A obra convida os fiéis a contemplarem a dor de Jesus e a se tornarem instrumentos de amor e redenção no mundo.

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VIA SACRA

SÃO JOSÉMARIA ESCRIVÁ

“Só se nos unirmos continuamente à


Paixão de Jesus Cristo, é que saberemos
ser instrumentos úteis na terra, ainda
que estejamos cheios de misérias.”
Meu Senhor e meu Deus, sob o olhar amoroso de
nossa Mãe, dispomo-nos a acompanhar-Te pelo
caminho de dor que foi preço do nosso resgate.
Queremos sofrer tudo o que Tu sofreste, oferecer-
Te o nosso pobre coração, contrito, porque és
inocente e vais morrer por nós, que somos os
únicos culpados. Minha Mãe, Virgem dolorosa,
ajuda-me a reviver aquelas horas amargas que
teu Filho quis passar na terra para que nós, feitos
de um punhado de lodo, vivêssemos por fim in
libertatem gloriae filiorum Dei, Na liberdade e
glória dos filhos de Deus
JESUS É
I
estação
CONDENADO
À MORTE

V.- Nós Vos adoramos e Vos bendizemos, Ó Jesus.


R.- Porque pela Vossa Santa Cruz redimistes o mundo
todos se ajoelham

Passa das dez da manhã. O processo está


chegando ao fim. Não houve provas
concludentes. O juiz sabe que os seus inimigos
O entregaram por inveja, e tenta um expediente
absurdo: a escolha entre Barrabás, um
malfeitor acusado de roubo com homicídio, e
Jesus, que se diz o Cristo. O povo escolhe
Barrabás.
Pilatos exclama:
— Que hei de fazer, pois, de Jesus? (Mt 27,22).
Respondem todos:
— Crucifica-o!
O juiz insiste:
— Mas que mal fez ele?
E de novo respondem, aos gritos:
— Crucifica-o! Crucifica-o!
Assusta-se Pilatos ante o tumulto crescente.
Manda trazer água e lava as mãos à vista do
povo, enquanto diz: — Sou inocente do sangue
deste justo; é lá convosco (Mt 27,24). E depois
de ter mandado açoitar Jesus, entrega-O para
que O crucifiquem.
Faz-se silêncio naquelas gargantas
embravecidas e possessas. Como se Deus já
estivesse derrotado. Jesus está só. Vão longe
os dias em que a palavra do Homem-Deus
punha luz e esperança nos corações, as longas
procissões de doentes que eram curados, os
clamores triunfais de Jerusalém à chegada do
Senhor, montado num manso jumentinho. Se os
homens tivessem querido dar outro curso ao
amor de Deus! Se tu e eu tivéssemos conhecido
o dia do Senhor!
V.- Senhor, pequei,
R.-Tende piedade e misericórdia de mim
todos se levantam
II JESUS
TOMA A SUA
estação CRUZ
V.- Nós Vos adoramos e Vos bendizemos, Ó Jesus.
R.- Porque pela Vossa Santa Cruz redimistes o mundo

Fora da cidade, a noroeste de Jerusalém, há


uma pequena colina. Chama-se Gólgota em
arameu; em latim, locus Calvariae: lugar das
Caveiras ou Calvário. Jesus entrega-se inerme
à execução da sentença. Não Lhe hão de
poupar nada, e sobre os seus ombros cai o
peso da cruz infamante. Mas a Cruz será, por
obra do amor, o trono da sua realeza.
O povo de Jerusalém e os forasteiros vindos
para a Páscoa acotovelam-se pelas ruas da
cidade, para ver passar Jesus Nazareno, o Rei
dos judeus. Há um tumulto de vozes; e, de
tempos a tempos, curtos silêncios, talvez,
quando Cristo fixa os olhos neste ou naquele:
— Se alguém quiser vir após mim, tome a sua
cruz de cada dia e siga-me (Mt 16,24). Com
que amor se abraça Jesus ao lenho que Lhe há
de dar a morte! Não é verdade que, mal deixas
de ter medo à Cruz, a isso que a gente chama
de cruz, quando pões a tua vontade em aceitar
a Vontade divina, és feliz, e passam todas as
preocupações, os sofrimentos físicos ou morais?
É verdadeiramente suave e amável a Cruz de
Jesus. Não contam aí as penas; só a alegria de
nos sabermos corredentores com Ele.

Senhor, pequei, tende piedade e misericórdia de mim


III JESUS CAI
PELA
estação PRIMEIRA VEZ
V.- Nós Vos adoramos e Vos bendizemos, Ó Jesus.
R.- Porque pela Vossa Santa Cruz redimistes o mundo

A Cruz fende, desfaz com o seu peso os


ombros do Senhor. A turba-multa foi-se
agigantando. Os legionários mal podem conter
a multidão encrespada e enfurecida que, como
rio fora do leito, aflui pelas vielas de Jerusalém.
O corpo extenuado de Jesus cambaleia já sob a
Cruz enorme. De seu Coração amorosíssimo
mal chega um alento de vida aos membros
chagados.
A direita e à esquerda, o Senhor vê essa
multidão que anda como rebanho sem pastor.
Poderia chamá-los um por um, pelos seus
nomes, pelos nossos nomes. Ali estão os que se
alimentaram na multiplicação dos pães e dos
peixes, os que foram curados de suas doenças,
os que Ele ensinou, junto do lago e na
montanha e nos pórticos do Templo. Uma dor
aguda penetra na alma de Jesus, e o Senhor
desaba extenuado. Tu e eu não podemos dizer
nada: agora já sabemos porque pesa tanto a
Cruz de Jesus. E choramos as nossas misérias e
também a tremenda ingratidão do coração
humano. Nasce do fundo da alma um ato de
contrição verdadeira, que nos tira da prostração
do pecado. Jesus caiu para que nós nos
levantássemos: uma vez e sempre.

Senhor, pequei, tende piedade e misericórdia de mim


JESUS
IV
estação
ENCONTRA
MARIA SUA
MÃE SANTÍSSIMA
V.- Nós Vos adoramos e Vos bendizemos, Ó Jesus.
R.- Porque pela Vossa Santa Cruz redimistes o mundo

Acabava Jesus de se levantar da primeira


queda, quando encontra sua Mãe Santíssima,
junto do caminho por onde Ele passa. Com
imenso amor, Maria olha para Jesus, e Jesus
olha para sua Mãe; os olhos de ambos se
encontram, e cada coração derrama no outro a
sua própria dor. A alma de Maria fica submersa
em amargura, na amargura de Jesus Cristo.
Ó vós que passais pelo caminho, olhai e vede
se há dor comparável à minha dor! (Lam 1, 12)
Mas ninguém percebe, ninguém repara; só
Jesus. Cumpriu-se a profecia de Simeão: Uma
espada trespassará a tua alma (Lc 2, 35) Na
obscura soledade da Paixão, Nossa Senhora
oferece a seu Filho um bálsamo de ternura, de
união, de fidelidade; um sim à Vontade divina.
Levados pela mão de Maria, tu e eu queremos
também consolar Jesus, aceitando sempre e em
tudo a Vontade de seu Pai, do nosso Pai. Só
assim experimentaremos a doçura da Cruz de
Cristo, e a abraçaremos com a força do Amor,
levando-a em triunfo por todos os caminhos da
terra.

Senhor, pequei, tende piedade e misericórdia de mim


V
estação
SIMÃO AJUDA
JESUS

V.- Nós Vos adoramos e Vos bendizemos, Ó Jesus.


R.- Porque pela Vossa Santa Cruz redimistes o mundo

Jesus está extenuado. Seus passos tornam-se


mais e mais trôpegos, e a soldadesca tem
pressa em acabar. De modo que, quando saem
da cidade pela porta Judiciária, requisitam um
homem que vinha de uma granja, chamado
Simão de Cirene, pai de Alexandre e de Rufo, e
forçam-no a levar a cruz de Jesus (cfr. Mc 15,
21).
No conjunto da Paixão, é bem pouco o que
representa esta ajuda. Mas a Jesus basta um
sorriso, uma palavra, um gesto, um pouco de
amor para derramar copiosamente a sua graça
sobre a alma do amigo. Anos mais tarde, os
filhos de Simão, já cristãos, serão conhecidos e
estimados entre os seus irmãos na fé. Tudo
começou por um encontro inopinado com a
Cruz. Apresentei-me aos que não perguntavam
por mim, acharam-me os que não me
procuravam (Is 65, 1). Às vezes, a Cruz aparece
sem a procurarmos: é Cristo que pergunta por
nós. E se por acaso, perante essa Cruz
inesperada, e talvez por isso mais escura, o
coração manifesta repugnância..., não lhe dês
consolos. E, cheio de uma nobre compaixão,
quando os pedir, segreda-lhe devagar, como
em confidência: "Coração: coração na Cruz,
coração na Cruz!".

Senhor, pequei, tende piedade e misericórdia de mim


VI UMA MULHER
ENXUGA A
estação FACE DE JESUS
V.- Nós Vos adoramos e Vos bendizemos, Ó Jesus.
R.- Porque pela Vossa Santa Cruz redimistes o mundo

Não há nele parecer nem formosura que atraia


os olhares, não há beleza alguma que agrade.
Desprezado, qual escória da humanidade, um
homem de dores, experimentado em todos os
sofrimentos, diante de quem se vira o rosto, foi
menosprezado e tido em nada (Is 53, 2-3).

E é o Filho de Deus que passa, louco... louco de


Amor!
Uma mulher, de nome Verônica, abre caminho
por entre a multidão, levando um véu branco
dobrado, com o qual limpa piedosamente o
rosto de Jesus. O Senhor deixa gravada a sua
Santa Face nas três partes desse véu. O rosto
bem-amado de Jesus, que sorrira às crianças e
se transfigurara de glória no Tabor, está agora
como que oculto pela dor. Mas esta dor é a
nossa purificação; esse suor e esse sangue que
embaçam e esfumam as suas feições, a nossa
limpeza. Senhor, que eu me decida a arrancar,
mediante a penitência, a triste máscara que
forjei com as minhas misérias... Então, só então,
pelo caminho da contemplação e da expiação,
a minha vida irá copiando fielmente os traços
da tua vida. Ir-nos-emos parecendo mais e
mais contigo. Seremos outros Cristos, o próprio
Cristo, ipse Christus.

Senhor, pequei, tende piedade e misericórdia de mim


VII
estação
JESUS
CAI PELA
SEGUNDA VEZ
V.- Nós Vos adoramos e Vos bendizemos, Ó Jesus.
R.- Porque pela Vossa Santa Cruz redimistes o mundo

Já fora da muralha, o corpo de Jesus volta a


abater-se por causa da fraqueza, e cai pela
segunda vez, entre a gritaria da multidão e os
empurrões dos soldados. A debilidade do corpo
e a amargura da alma fizeram com que Jesus
caísse de novo. Todos os pecados dos homens
— os meus também — pesam sobre a sua
Humanidade Santíssima.
Foi ele que tomou sobre si as nossas
enfermidades e carregou com as nossas dores;
e nós o reputávamos como um leproso, ferido
por Deus e humilhado. Mas por nossas
iniqüidades é que foi ferido, por nossos pecados
é que foi torturado. O castigo que nos havia de
trazer a paz caiu sobre ele, e por suas chagas
fomos curados (Is 53, 4-5). Jesus desfalece,
mas a sua queda nos levanta, a sua morte nos
ressuscita. À nossa reincidência no mal,
responde Jesus com a sua insistência em
redimir-nos, com abundância de perdão. E,
para que ninguém desespere, torna a erguer-
se, fatigosamente abraçado à Cruz. Que os
tropeços e as derrotas já não nos afastem mais
dEle. Como a criança débil se lança
compungida nos braços vigorosos de seu pai,
tu e eu nos arrimaremos ao jugo de Jesus. Só
essa contrição e essa humildade transformarão
a nossa fraqueza humana em fortaleza divina

Senhor, pequei, tende piedade e misericórdia de mim


VIII
estação
JESUS
CONSOLA AS
MULHERES
V.- Nós Vos adoramos e Vos bendizemos, Ó Jesus.
R.- Porque pela Vossa Santa Cruz redimistes o mundo

Entre a multidão que contempla a passagem do


Senhor, há algumas mulheres que não podem
conter a sua compaixão e prorrompem em
lágrimas, recordando talvez aquelas jornadas
gloriosas de Jesus Cristo, quando todos
exclamavam maravilhados: Bene omnia fecit
(Mc 7, 37), fez tudo bem feito. Mas o Senhor
quer dirigir esse pranto para um motivo mais
sobrenatural, e as convida a chorar pelos
pecados, que são a causa da Paixão e que hão
de atrair o rigor da justiça divina:
— Filhas de Jerusalém, não choreis por mim,
mas chorai por vós e pelos vossos filhos...
Porque, se assim se trata o lenho verde, que se
fará com o seco? (Lc 23, 28. 31). Os teus
pecados, os meus, os de todos os homens,
põem-se em pé. Todo o mal que fizemos e o
bem que deixamos de fazer. O panorama
desolador dos delitos e infâmias sem conta,
que teríamos cometido se Ele, Jesus, não nos
tivesse confortado com a luz do seu olhar
amabilíssimo. Que pouco é uma vida para
reparar tudo isso!

Senhor, pequei, tende piedade e misericórdia de mim


IX
estação
JESUS CAI
PELA
TERCEIRA VEZ
V.- Nós Vos adoramos e Vos bendizemos, Ó Jesus.
R.- Porque pela Vossa Santa Cruz redimistes o mundo

O Senhor cai pela terceira vez, na ladeira do


Calvário, quando faltam apenas quarenta ou
cinqüenta passos para chegar ao cimo. Jesus
não se tem em pé: faltam-Lhe as forças e,
esgotado, jaz por terra. Entregou-se porque
quis; maltratado, não abriu a boca, qual
cordeiro levado ao matadouro, qual ovelha
muda ante os tosquiadores (Is 53, 7).
Todos contra Ele... os da cidade e os forasteiros,
e os fariseus e os soldados e os príncipes dos
sacerdotes... Todos verdugos. Sua Mãe —
minha Mãe — , Maria, chora. Jesus cumpre a
Vontade de seu Pai! Pobre: nu. Generoso: o que
lhe falta entregar? Dilexit me, et tradidit
semetipsum pro me (Gal 2, 20), amou-me e
entregou-se até à morte por mim. Meu Deus!
Que eu odeie o pecado e me una a Ti,
abraçando-me à Santa Cruz para cumprir por
minha vez a tua Vontade amabilíssima..., nu de
todo afeto terreno, sem outras miras que a tua
glória..., generosamente, sem reservar nada
para mim, oferecendo-me contigo em perfeito
holocausto.

Senhor, pequei, tende piedade e misericórdia de mim


JESUS É
X
estação
DESPOJADO
DAS SUAS
VESTES
V.- Nós Vos adoramos e Vos bendizemos, Ó Jesus.
R.- Porque pela Vossa Santa Cruz redimistes o mundo

Quando o Senhor chega ao Calvário, dão-Lhe a


beber um pouco de vinho misturado com fel,
como um narcótico que diminua em parte a dor
da crucifixão. Mas Jesus, tendo-o provado, para
agradecer esse piedoso serviço, não quis bebê-
lo (cfr. Mt 27, 34). Entrega-se à morte com a
plena liberdade do Amor. Depois, os soldados
despojam Cristo de suas vestes.
Desde a planta dos pés até o alto da cabeça,
não há nele nada são; tudo é uma ferida,
inchaços, chagas podres, nem tratadas, nem
vendadas, nem suavizadas com óleo (Is 1, 6).
Os verdugos tomam as suas vestes e as
dividem em quatro partes. Mas a túnica não
tem costura, e por isso dizem: — Não a
dividamos, mas lancemos sortes para ver de
quem será (Jo 19, 24). Deste modo voltou a
cumprir-se a Escritura: Repartiram entre si as
minhas vestes e lançaram sortes sobre a minha
túnica (Sl 21, 19). É o espólio, o despojamento,
é a pobreza mais absoluta. Nada restou ao
Senhor, a não ser um madeiro. Para chegar a
Deus, Cristo é o caminho. Mas Cristo está na
Cruz; e, para subir à Cruz, é preciso ter o
coração livre, desprendido das coisas da terra.

Senhor, pequei, tende piedade e misericórdia de mim


XI JESUS É
PREGADO NA
estação CRUZ
V.- Nós Vos adoramos e Vos bendizemos, Ó Jesus.
R.- Porque pela Vossa Santa Cruz redimistes o mundo

Agora crucificam o Senhor, e junto dEle dois


ladrões, um à direita e outro à esquerda.
Entretanto, Jesus diz: — Pai, perdoa-lhes
porque não sabem o que fazem (Lc 23, 34). Foi
o Amor que levou Jesus ao Calvário. E já na
Cruz, todos os seus gestos e todas as suas
palavras são de amor, de amor sereno e forte.
Em atitude de Sacerdote Eterno, sem pai nem
mãe, sem genealogia (cfr. Heb 7, 3), abre os
braços à humanidade inteira. Juntamente com
as marteladas que pregam Jesus, ressoam as
palavras proféticas da Escritura Santa:
Trespassaram as minhas mãos e os meus pés.
Posso contar todos os meus ossos, e eles me
olham e me contemplam (Sl 21, 17-18). — Ó
meu povo! Que te fiz eu, em que te contristei?
Responde-me! (Miq 6,3). E nós, despedaçada
de dor a alma, dizemos sinceramente a Jesus:
Sou teu, e entrego-me a Ti, e prego-me na Cruz
de bom grado, sendo nas encruzilhadas do
mundo uma alma que se entregou a Ti, à tua
glória, à Redenção, à corredenção da
humanidade inteira.

Senhor, pequei, tende piedade e misericórdia de mim


XII JESUS
MORRE NA
estação CRUZ
V.- Nós Vos adoramos e Vos bendizemos, Ó Jesus.
R.- Porque pela Vossa Santa Cruz redimistes o mundo

Na parte alta da Cruz está escrito o motivo da


condenação: Jesus Nazareno, Rei dos judeus (Jo
19, 19). E todos os que passam por ali O
injuriam e fazem troça dEle.
— Se é o rei de Israel, que desça agora da cruz
(Mt 27, 42).
Um dos ladrões sai em sua defesa:
— Este não fez mal algum... (Lc 23, 41).
Depois dirige a Jesus um pedido humilde, cheio
de fé:
— Senhor, lembra-te de mim quando estiveres
no teu reino (Lc 23, 42).
— Em verdade te digo que hoje mesmo estarás
comigo no Paraíso (Lc 23, 43).
Junto à Cruz está sua Mãe, Maria, com outras
santas mulheres. Jesus olha para Ela, e depois
olha para o discípulo a quem ama, e diz à sua
Mãe:
— Mulher, aí tens o teu filho.
Depois diz ao discípulo:
— Aí tens a tua mãe (Jo 19, 26-27).
Apagam-se as luminárias do céu, e a terra fica
sumida em trevas. São perto das três, quando
Jesus exclama:
— Eli, Eli, lamma sabachtani?
Isto é: Meu Deus, meu Deus, por que me
abandonaste? (Mt 27, 46). Depois, sabendo que
todas as coisas estão prestes a ser
consumadas, para que se cumpra a Escritura,
diz:
— Tenho sede (Jo 19, 28). Os soldados
embebem em vinagre uma esponja e, pondo-a
numa haste de hissopo, aproximam-lha da
boca. Jesus sorve o vinagre e exclama:
— Tudo está consumado (Jo 19, 30).
Rasga-se o véu do templo e a terra treme,
quando o Senhor clama em voz forte:
— Pai, em tuas mãos encomendo o meu
espírito (Lc 23, 46).
E expira.
Ama o sacrifício, que é fonte de vida interior.
Ama a Cruz, que é altar do sacrifício. Ama a
dor, até beberes, como Cristo, o cálice até a
última gota.

Senhor, pequei, tende piedade e misericórdia de mim


XIII JESUS É
DESCIDO DA
estação CRUZ
V.- Nós Vos adoramos e Vos bendizemos, Ó Jesus.
R.- Porque pela Vossa Santa Cruz redimistes o mundo

Submersa em dor, Maria está junto à cruz. E


João, com Ela. Mas faz-se tarde, e os judeus
instam em que tirem o Senhor dali. Depois de
ter obtido de Pilatos a autorização que a lei
romana exige para sepultar os condenados,
chega ao Calvário um senador chamado José,
homem virtuoso e justo, oriundo de Arimatéia,
que não tinha concordado com a decisão dos
outros nem com seus atos,
antes era dos que esperavam o reino de Deus
(Lc 23, 50-51). Acompanha-o Nicodemos — o
mesmo que em outra ocasião fora de noite ter
com Jesus
— , trazendo cerca de cem libras de uma
mistura de mirra e aloés (Jo 19, 39).
Não eram conhecidos publicamente como
discípulos do Mestre; não tinham presenciado
os grandes milagres nem O tinham
acompanhado na sua entrada triunfal em
Jerusalém. Agora que o momento é mau e os
outros fugiram, não têm medo de expor-se pelo
seu Senhor. Tomam ambos o corpo de Jesus e o
deixam nos braços de sua Santíssima Mãe.
Renova-se a dor de Maria.
— Para onde foi o teu Amado, ó mais bela das
mulheres? Para onde foi aquele a quem
amavas? e nós o buscaremos contigo (Cant 5,
17). A Virgem Santíssima é nossa Mãe, e não
queremos nem podemos deixá-La só.

Senhor, pequei, tende piedade e misericórdia de mim


XIV JESUS É
COLOCADO
estação NO SEPULCRO
V.- Nós Vos adoramos e Vos bendizemos, Ó Jesus.
R.- Porque pela Vossa Santa Cruz redimistes o mundo

Muito perto do Calvário, num horto, José de


Arimatéia tinha mandado talhar para si um
sepulcro novo, na rocha. E, por ser véspera da
grande Páscoa dos judeus, é lá que põem
Jesus. Depois, José rolou uma grande pedra à
entrada do sepulcro e retirou-se (Mt 27, 60).
Jesus veio ao mundo sem nada, e sem nada —
nem mesmo o lugar onde repousa — foi-se-nos
embora.
A Mãe do Senhor — minha Mãe — e as
mulheres que tinham seguido o Mestre desde a
Galiléia, depois de observarem tudo
atentamente, vão-se embora também. Cai a
noite. Agora tudo passou. Concluiu-se a obra
da nossa Redenção. Já somos filhos de Deus,
porque Jesus morreu por nós e a sua morte nos
resgatou. Empti enim estis pretio magno! (I Cor
6, 20), tu e eu fomos comprados por um grande
preço. Temos de converter em vida nossa a
vida e a morte de Cristo. Morrer pela
mortificação e pela penitência, para que Cristo
viva em nós pelo Amor. E seguir então os
passos de Cristo, com ânsias de corredimir
todas as almas. Dar a vida pelos outros. Só
assim se vive a vida de Jesus Cristo e nos
fazemos uma só coisa com Ele

Senhor, pequei, tende piedade e misericórdia de mim

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