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Apostila 1

A história da odontologia revela uma evolução desde práticas rudimentares na antiguidade até a formalização da profissão no século XIX, com a contribuição de Pierre Fauchard. No Brasil, a odontologia começou a se estruturar com a criação de cursos superiores em 1884, especialmente na Bahia, que se destacou na formação de profissionais. O século XX trouxe avanços significativos, incluindo a regulamentação da profissão e a implementação da fluoretação da água como uma importante estratégia de saúde pública.
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Apostila 1

A história da odontologia revela uma evolução desde práticas rudimentares na antiguidade até a formalização da profissão no século XIX, com a contribuição de Pierre Fauchard. No Brasil, a odontologia começou a se estruturar com a criação de cursos superiores em 1884, especialmente na Bahia, que se destacou na formação de profissionais. O século XX trouxe avanços significativos, incluindo a regulamentação da profissão e a implementação da fluoretação da água como uma importante estratégia de saúde pública.
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Apostila 1 – Hist ria da Odontologia: No Mundo,

na Bahia e no Brasil
A odontologia nasceu da dor: os primórdios da prática odontológica

Desde os tempos mais remotos, o ser humano demonstrou preocupação com


a dor e a estética dentária. Embora a odontologia como ciência seja
relativamente recente, há mais de 9 mil anos já se praticavam
intervenções rudimentares nos dentes. Esqueletos antigos mostram marcas
de perfurações dentárias feitas com pedras afiadas, provavelmente com o
objetivo de aliviar dor ou tratar infecções.

Na Mesopotâmia, no Egito e na Índia Antiga, registros demonstram o uso


de resinas, misturas herbais e até objetos metálicos no tratamento de
dores de dente. No Egito, por volta de 3000 a.C., existem evidências de
procedimentos restauradores primitivos e uso de próteses simples. O
famoso Papiro de Ebers, datado de 1500 a.C., já mencionava receitas para
dor de dente — um reflexo da complexidade com que essas civilizações
tratavam o corpo humano.

A odontologia entre filosofia e religião: Idade Média e sua


estagnação científica

Apesar dos avanços antigos, o saber odontológico sofreu uma estagnação


durante a Idade Média. O domínio da religião sobre a medicina afastou o
conhecimento anatômico das universidades e concentrou práticas de saúde
nas mãos da Igreja. A odontologia, então, ficou a cargo de profissionais
populares e sem formação científica — os barbeiros-cirurgiões.

Esses profissionais acumulavam múltiplas funções: cortavam cabelo,


realizavam sangrias, aplicavam ventosas e, claro, arrancavam dentes. As
extrações eram feitas sem anestesia e sem conhecimento de antisepsia,
o que tornava os procedimentos extremamente dolorosos e arriscados. A
odontologia nesse período era puramente prática, sem embasamento
científico.
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Pierre Fauchard e a revolução da odontologia moderna

O grande divisor de águas na história da odontologia foi o trabalho do


francês Pierre Fauchard (1678–1761). Considerado o “pai da
odontologia moderna”, ele foi o primeiro a sistematizar o conhecimento
da área de forma cientí ca. Em sua obra Le Chirurgien Dentiste,
publicada em 1728, Fauchard descreveu com profundidade os dentes,
suas doenças, os métodos de tratamento e os instrumentos utilizados.

Ele introduziu o conceito de restauração dental, usou obturações com


chumbo e desenhou instrumentos especí cos para a prática
odontológica. Além disso, Fauchard defendia que a cárie era causada por
agentes externos — uma noção revolucionária para a época. Seu
trabalho pavimentou o caminho para o surgimento da odontologia como
ciência autônoma e respeitada.

O século XIX e o nascimento das instituições odontológicas

Com a Revolução Industrial e o avanço da ciência, o século XIX viu a


consolidação da odontologia como pro ssão cientí ca. Surgiram as
primeiras escolas odontológicas formais, como a Baltimore College of
Dental Surgery, fundada em 1840 nos Estados Unidos — a primeira do
mundo.

Ao mesmo tempo, surgiram materiais restauradores como o amálgama, o


uso do óxido nitroso como anestésico (1844) e a invenção da broca
movida a pedal (1864). Esses avanços tornaram os procedimentos menos
dolorosos e mais e cazes, e a odontologia começou a se afastar
de nitivamente das práticas empíricas dos barbeiros.

A chegada da odontologia ao Brasil: de práticos a profissionais

A história da odontologia no Brasil acompanhou o atraso educacional


herdado da colonização. Durante o período colonial, a saúde bucal era
deixada aos cuidados de barbeiros, sangradores, curandeiros e práticos
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leigos. Como não havia cursos superiores ou regulamentação, a prática
odontológica era improvisada, com foco quase exclusivo em extrações
dentárias.

Foi somente no século XIX, com a chegada da família real portuguesa e


a criação de escolas médicas, que o cenário começou a mudar. Em 25 de
outubro de 1884, foram fundados os dois primeiros cursos de
odontologia do Brasil: um na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e
outro na Faculdade de Medicina da Bahia. Essa data é até hoje celebrada
como o Dia do Cirurgião-Dentista.

A partir daí, a odontologia brasileira entrou em um novo ciclo. Os


pro ssionais passaram a ter formação superior, e a pro ssão começou a
ser regulamentada, valorizada e incluída no sistema de saúde.

Bahia: berço da odontologia cientí ca no Brasil

A Bahia ocupa um lugar de destaque na história da odontologia nacional,


por abrigar uma das primeiras escolas superiores da área. O curso
fundado em Salvador em 1884 foi essencial não só para a formação de
pro ssionais, mas também para a disseminação do conhecimento
odontológico no Norte e Nordeste do país.

Durante décadas, a Faculdade de Odontologia da Bahia foi referência em


ensino, pesquisa e formação ética. Muitos dos pro ssionais que ajudaram a
desenvolver a odontologia no país foram formados ali. Além disso, a Bahia
teve papel de liderança na luta pela regulamentação da pro ssão e pela
criação de políticas públicas de saúde bucal.

Século XX: expansão, especialização e valorização pro ssional

O século XX foi um período de enorme transformação para a odontologia


brasileira. Novas faculdades foram criadas em todo o país, a tecnologia
foi incorporada ao atendimento odontológico, e os materiais se tornaram
mais seguros e e cazes.
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Em 1964, foi fundado o Conselho Federal de Odontologia (CFO) e os
Conselhos Regionais de Odontologia (CROs). Essas instituições têm a
função de regulamentar, fiscalizar e orientar o exercício profissional,
garantindo que apenas profissionais legalmente habilitados possam atuar.

A odontologia passou, então, a se organizar em especialidades, a adotar


padrões éticos e a ocupar seu espaço no campo da saúde pública. Hoje,
é uma profissão reconhecida não apenas por sua função técnica, mas
também por seu impacto social e pela promoção da qualidade de vida.

Fluoretação da água: um marco na prevenção odontológica

A uoretação das águas de abastecimento público foi implementada pela


primeira vez em Grand Rapids, Michigan (EUA), em 1945, após estudos
conduzidos por Frederick McKay e pesquisadores do National Institute
of Dental Research. Eles observaram que populações expostas
naturalmente ao úor apresentavam menor incidência de cáries
dentárias, o que levou à adoção deliberada dessa medida como forma de
prevenção coletiva.

No Brasil, a uoretação se tornou obrigatória com a Lei nº 6.050, de 24


de maio de 1974, durante o governo militar, dentro de um contexto de
modernização das políticas de saúde pública. A medida visa fortalecer o
esmalte dentário, inibir a ação de bactérias cariogênicas e diminuir
drasticamente os índices de cárie, sobretudo entre crianças e
populações de baixa renda.

Trata-se de uma das estratégias de saúde pública mais e cazes e


acessíveis, reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como
essencial na promoção da saúde bucal. A uoretação continua sendo, até
hoje, um exemplo de prevenção em larga escala, com resultados
expressivos na redução das desigualdades no acesso ao cuidado
odontológico.
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