Aprendizado em contextos informais – A nova geração de discentes de
licenciatura em Língua Inglesa
Owen Pedro Tolentino Oliveira¹, Ana Beatriz Barbosa de Souza²
¹ Discente, Faculdade de Letras, owenpedro@[Link]
² Orientador, Faculdade de Letras, [Link]@[Link]
Resumo.
O presente estudo investiga o papel das Tecnologias de Informação e
Comunicação (TICs) no desenvolvimento de competências linguísticas de
estudantes de graduação em Letras-Inglês, com foco nos contextos informais
de aprendizagem. O estudo caracterizou-se como estudo de caso, e a amostra
final foi composta por 26 alunos, com idades entre 18 e 30 anos. .A pesquisa
foi dividida em duas etapas: a primeira consistiu em uma revisão bibliográfica
sobre o uso de recursos virtuais na aprendizagem de línguas; a segunda
envolveu a coleta de dados por meio de um questionário online aplicado aos
[Link] resultados indicam que as TICs, como Instagram, YouTube, Spotify,
e Google Acadêmico, são amplamente utilizadas pelos estudantes, sendo as
três primeiras voltadas ao entretenimento e a última à busca acadêmica. A
análise dos dados revelou que 80,8% dos entrevistados utilizam TICs para
interesses pessoais em inglês, enquanto 73,1% o fazem para acessar materiais
autênticos. A pesquisa também explorou o uso de TICs para fins sociais,
destacando que 38,5% dos estudantes utilizam essas tecnologias para
interações cotidianas em inglês, com um percentual semelhante relatando uso
para expressar-se nesse idioma. Os achados sugerem uma percepção
favorável do uso de TICs para o aprendizado informal de inglês, o que pode ser
explicado pela Teoria da Presença Social, que enfatiza a importância da
conexão social em ambientes digitais. Adicionalmente, os resultados apontam
para a relevância do conectivismo, teoria que propõe que a aprendizagem
ocorre através da criação de conexões entre ideias e experiências, facilitada
pela interação e colaboração proporcionadas pelas TICs. Embora associações
entre turmas, idades e tipos de tecnologias utilizadas não tenham revelado
diferenças estatisticamente significativas, o estudo confirma a importância das
TICs no aprendizado de línguas em contextos informais.
Apresentação.
A revolução tecnológica ocorrida nas últimas décadas transformou as
formas como interagimos com o mundo (Gilleran, 2006, apud Araújo, 2020;
Gallardo-Echenique et al., 2015; Gerstein, 2014; Thorne et al., 2009). O acesso
à informação e a comunicação a distância, por exemplo, são alguns dos
maiores benefícios oferecidos pela tecnologia. Hoje em dia, até crianças usam
e são expostas a dispositivos eletrônicos diariamente (Buckingham, 2010). De
fato, Bullen et al. (2011) afirma que os jovens compõem a maior parcela dos
usuários de Tecnologias da Informação e Comunicação.
As mudanças provenientes do advento de novas tecnologias afetaram
diversas áreas de interação humana, incluindo o campo da educação.
Pensando nessas discrepâncias, Prensky (2001) criou os termos Nativos
Digitais para se referir aos estudantes do século XXI como “falantes nativos da
linguagem digital dos computadores, videogames e da internet1” (Prensky,
2001, p. 1, tradução nossa), e Imigrantes Digitais, como aqueles que estão se
adaptando ao mundo digital. Essas classificações revelam uma tendência que
se popularizou com o desenvolvimento tecnológico progressivo notado nas
últimas décadas: o uso e os benefícios das TICs para a educação.
A facilidade de acesso à informação provido pelas TICs também amplia
o acesso a uma língua estrangeira, principalmente ao inglês devido à sua
condição de língua global (Sylvén; Sundqvist, 2012) . Isso fez com que as
tecnologias digitais tornassem-se o tópico de interesse de educadores do
campo de Aquisição de Segunda Língua (Second Language Acquisition - SLA).
Como ilustração, diversos autores argumentam que os videogames podem
apresentar diversos benefícios para a SLA, uma vez que eles incorporam bons
princípios de aprendizagem (Gee, 2005; Gee, 2007), propiciam oportunidades
de socialização e de interações colaborativas (Gee, 2007; Pasfield-Neofitou,
1
‘native speakers’ of the digital language of computers, video games and the Internet
2014; Shaffer et al., 2005) fazendo uso de uma Segunda Língua (L2),
favorecem a aprendizagem contextual (Gee, 2007; Shaffer et al., 2005; Silva,
2014) e contribuem no desenvolvimento de identidades estudantis (Ai et al,
2023; Ecenbarger, 2014; Kasperiuniene; Ilodigwe, 2018; Thanyawatpokin;
Vollmer, 2022).
Com isso, pode se argumentar que, ao ter acesso a esses recursos
tecnológicos desde jovens, muitos estudantes já iniciam sua educação
estrangeira em contextos informais - definidos por Sefton-Green (2004) como
ambientes preenchidos com experiências de aprendizagem não intencionais.
Em outras palavras, o processo de aquisição da L2 acontece enquanto os
estudantes realizam atividades que não foram desenvolvidas com o ensino de
línguas em mente, como assistir filmes e séries, ouvir músicas ou jogar
videogames. Além disso, as tecnologias e ambientes virtuais também permitem
a participação em Comunidades de Prática - termo este utilizado para designar
grupos de aprendizagem guiados por um interesse comum em determinado
domínio humano (Wenger, 2011). De acordo com Wenger (2000), indivíduos
criam barreiras através dessas associações, onde valores, conhecimentos, e
crenças específicas são valorizadas. Com o advento da internet, as pessoas
agora são capazes de interagir em comunidades virtuais (Thorne et al., 2009;
Ecenbarger, 2014) que estão alinhadas com seus interesses particulares
fazendo uso de línguas estrangeiras, principalmente com o inglês. Alguns
exemplos incluem participar em blogs e fóruns de bandas ou atores, ou mesmo
a participação em grupos online através de vídeo games. Essas interações
podem influenciar no desenvolvimento da identidades estudantis particulares
(Ai et al., 2023; Turkle, 1995, apud Ecenbarger, 2014), uma vez que “nós nos
definimos pelo que não somos, assim como pelo que somos2” (Wenger, 2000,
p. 239, tradução nossa) e através de nossa individualidade é que
determinamos o que é importante saber ou não. Com isso, as interações
sociais e participação em comunidades de prática permitem que os aprendizes
tenham contato com estilos únicos de expressão, seja através de jargões,
gírias, ou outras particularidades exclusivas aos contextos que integram.
Com essas considerações em mente, o presente estudo é motivado por
uma tendência recorrente nas últimas décadas no ambiente da Universidade
2
We define ourselves by what we are not as well as by what we are.
Federal de Goiás em que o número de ingressantes do curso de Letras-Inglês
de nível iniciante têm se tornado cada vez menor. Esta realidade contrasta com
o cenário observado no começo dos anos 2000, onde grande parte dos
estudantes novatos ainda não apresentavam sólido domínio da língua. É
sugerido que as TICs, como as redes sociais, jogos e serviços de streaming,
desempenham um papel importante no desenvolvimento das competências
linguísticas desses estudantes. Para checar a validade dessa hipótese, o
presente estudo intenta investigar as finalidades e usos de TICs que
estudantes de graduação fazem em contextos informais.
Metodologia
O estudo ampara-se no paradigma construtivista, ou seja, que trata a
realidade como relativa e sujeita à influência das subjetividades individuais
(Rees, 2009) Adotou-se a metodologia de estudo de caso, uma vez que se
busca investigar as particularidades de uma entidade definida (Fonseca, 2002),
neste caso estudantes de graduação em inglês. Assim, o objetivo do trabalho
não é interferir sobre a realidade observada, mas revelá-la (Fonseca, 2002, p.
34) em sua essência.
A amostra do estudo foi composta por estudantes de graduação em
Letras-Inglês, regularmente matriculados em uma das 4 disciplinas de inglês (1,
3, 5, 7) ofertadas durante o primeiro semestre de 2024, de uma instituição
pública de Goiás. O método utilizado foi o de amostragem não probabilística,
uma vez que o objetivo do trabalho não era fazer generalizações estatísticas
sobre uma população aleatória (Hancock et al., 2009), mas investigar um grupo
previamente selecionado e já bem definido.
O trabalho foi dividido em duas etapas: a primeira consistiu em uma
pesquisa bibliográfica para reunir referências teóricas sobre o uso de recursos
virtuais no aprendizado de línguas em contextos informais. A segunda fase
envolveu a coleta de dados através de um questionário online enviado aos
estudantes do curso, permitindo uma análise das práticas de aprendizagem
mediadas por tecnologia em contextos informais.
Inicialmente, foi desenvolvido um questionário de teste no Google forms,
que foi enviado a quatro estudantes. Destes, dois eram do curso de espanhol,
um de português, e um de francês. O questionário adaptou afirmações e as
categorias de finalidades do uso de TICs (fins instrucionais, de entretenimento
e sociais) de Lai, Hu, e Lyu (2017). As afirmações selecionadas se referiam ao
uso de tecnologias fora de sala de aula feito pelos alunos por iniciativa própria.
Nenhum dos respondentes relatou quaisquer problemas com o
questionário de teste, portanto, não foram feitas alterações entre as versões de
teste e final. O questionário oficial foi enviado via Whatsapp e Gmail aos
estudantes que cursavam uma das 4 disciplinas de inglês ofertadas pela
instituição, e manteve-se aberto para ser respondido durante o período de 22
de abril a 23 de maio de 2024. Semanalmente eram verificados os acessos e
reencaminhado novos convites e lembretes aos voluntários. Após a finalização
do prazo, os dados foram baixados para um disco rígido no formato de tabela
do excel e iniciou-se o processamento dos dados e codificação para análises
estatísticas.
Análise dos resultados
Os dados foram organizados através de análises descritivas em
frequência e porcentagem. As associações entre os diferentes períodos de
formação, as classes de idade e as variáveis do uso de TICs e do aprendizado
de inglês foram testadas através do chi-quadrado As correlações foram
verificadas verificadas através do ⍴ de Spearman. O nível de significância
adotado foi p ≤ 0,05.
Resultados e discussão.
Os resultados do estudo foram baseados nas respostas de 26 alunos do
curso de graduação de licenciatura em língua inglesa de uma Instituição
Pública de Goiás, com idade entre 18 e 30 anos. O percentual de respostas por
matrícula nas disciplinas de Inglês foi: a) Inglês 1 = 4 alunos (15,4%); b) Inglês
3 = 7 alunos (26,9%); c) Inglês 5 = 4 alunos (15,4%); d) Inglês 7 = 11 alunos
(42,3%).
Constatou-se que o Instagram, YouTube, Spotify e Google Acadêmico
são as tecnologias mais utilizadas pelos entrevistados. Sendo as 3 primeiras
relacionadas ao entretenimento e a última uma ferramenta de busca
acadêmica. Esses dados seguem as tendências observadas por estudos
internacionais sobre utilização de redes sociais no Brasil (Kempe, 2024;
Statista, 2024) com exceção do Facebook, divergência provavelmente induzida
pelo recorte de idade realizado no presente estudo.
Figura 1: Perfil do uso de plataformas digitais para aprendizado de língua
inglesa
Fonte: próprio autor
As análises sobre o uso de tecnologias com fins de entretenimento
(tabela 1) indicaram que a maior parte dos entrevistados (80,8%) faziam uso
das TICs fora do ambiente escolar para atingir os interesses pessoais
utilizando o inglês e também para buscar informações utilizando o idioma
(73,1%). Uma porcentagem um pouco menor afirmou que utilizam as TICs para
acessar materiais autênticos em inglês.
Tabela 1: Características do uso de tecnologias com fins de entretenimento
relatados pelos alunos ( n=26) do curso de graduação em letras inglês
Uso de tecnologias com fins de entretenimento
1- Eu uso tecnologias por iniciativa própria fora da sala de aula principalmente
para perseguir interesses pessoais fazendo uso do inglês
Discordo Discordo Neutro Concordo Concordo
Totalmente Totalmente
f(%) f(%) f(%) f(%) f(%)
Amostra - - 1(3,8) 4(15,4) 21(80,8)
(n =26)
2- Eu uso tecnologias por iniciativa própria fora da sala de aula principalmente
para acessar materiais autênticos em inglês
Amostra - 1(3,8) 2(7,7) 7(26,9) 16(61,5)
(n =26)
3- Eu uso tecnologias por iniciativa própria fora da sala de aula principalmente
para buscar informações em inglês
Amostra (n - - 1(3,8) 6(23,1) 19(73,1)
=26)
Legenda: f= frequência; % = porcentagem; s = semestre; n = amostra
Com relação ao uso das tecnologias com finalidades sociais,
constatou-se que um elevado percentual de discentes fazem uso das TICs
objetivando interações em atividades diárias fazendo uso da língua inglesa
(38,5% concordam e outros 38,5% concordam totalmente), e que utilizam as
tecnologias para se expressar fazendo uso do inglês (30,8% concordam e 50%
concordam totalmente). Resultados menos unânimes foram identificados na
questão da interação com amigos e colegas de sala a partir do uso de
tecnologias, uma vez que a maior porcentagem concordava (30,8%) ou não se
posicionaram (30,8%) diante dessa afirmação. Já as questões sobre conexão
com falantes nativos ou outros aprendizes em inglês e a interação com
conhecidos fazendo uso de inglês concentraram a maior parte das respostas
na porção central do questionário, não indicando uma proeminência positiva,
negativa ou neutra das respostas.
Apesar de não apresentarem-se de forma tão unânime, os dados da
tabela 2 ainda indicam uma percepção favorável de TICs e o aprendizado
informal de inglês. Uma possível explicação para esses resultados seria que as
mídias sociais ou canais digitais provém oportunidades únicas de conexão
entre os usuários. Esta percepção é suportada pela Teoria da Presença Social
que pode ser entendida como o grau em que uma pessoa se sente socialmente
presente e conectada com outras durante a comunicação através de um meio
digital (Kawachi, 2016). Tecnologias que ampliam a percepção de presença
social tendem a ser mais motivadoras, imersivas, comunicam conhecimentos
de formas interativas proporcionando maior carga emotiva durante o
aprendizado. Recursos tecnológicos que promovem maior senso de presença
social podem ser mais favoráveis ao aprendizado do que metodologias
tradicionais, como livros, filmes, exercícios ou vídeo-aulas, pois possibilitam
feedback em tempo real, sensação de proximidade, familiaridade e
envolvimento entre os usuários. A presença social é crucial no aprendizado
digital, uma vez que contribui para o envolvimento e motivação das pessoas
dispostas a aprender outro idioma, o que, em certo grau, pode representar uma
vantagem aos métodos clássicos de ensino à distância como vídeos gravados,
questionários prontos, lista de exercícios, dentre outros.
Tabela 2: Características do uso de tecnologias com fins sociais relatados pelos
alunos (n=26) do curso de graduação em letras inglês
Uso de tecnologias com fins sociais
1- Eu uso tecnologias por iniciativa própria fora da sala de aula principalmente
com o objetivo de fazer uso de inglês em atividades do dia-a-dia
Discordo Discordo Neutro Concordo Concordo
Totalmente Totalmente
f(%) f(%) f(%) f(%) f(%)
Amostra (n - 1(3,8) 5(19,5) 10(38,5) 10(38,5)
=26)
2- Eu uso tecnologias por iniciativa própria fora da sala de aula principalmente para me
expressar fazendo uso do inglês
Amostra (n - 1(3,8) 4(15,4) 8(30,8) 13(50)
=26)
3- Eu uso tecnologias por iniciativa própria fora da sala de aula principalmente
para me conectar com falantes nativos ou outros aprendizes de inglês
Amostra (n 2(7,7) 6(23,1) 7(26,9) 6(23,1) 5(19,5)
=26)
4- Eu uso tecnologias por iniciativa própria fora da sala de aula principalmente
para interagir com novos conhecidos fazendo uso do inglês
Amostra (n 3(11,5) 6(23,1) 8(30,8) 5(19,5) 4(15,4)
=26)
5- Eu uso tecnologias por iniciativa própria fora da sala de aula principalmente
para interagir com amigos/colegas de sala em inglês
Amostra (n 3(11,5) 1(3,8) 8(30,8) 8(30,8) 6(23,1)
=26)
Legenda: f= frequência; % = porcentagem; s = semestre; n = amostra
Com relação ao uso das tecnologias para fins instrucionais (tabela 3)
observou-se que as maiores porcentagens de respostas em todos os
questionamentos concordaram e concordaram totalmente em fazer uso das
TICs para aprendizagem extraclasse da língua inglesa, principalmente nos
quesitos de memorização de vocabulário e aprendizado independente. Esses
achados são similares aos de outros estudos com universitários (Nguyen,
2023, Muhammad; Nagaletchimee, 2023) Os resultados da tabela 3
corroboram a hipótese de que o advento de tecnologias tem favorecido o
aprendizado da língua inglesa em contextos informais. A presença de diversos
canais digitais que produzem e distribuem conteúdos na língua inglesa, a
amplificação e agilidade das formas de comunicação e as formas de interação
globalizada, permitem e incentivam o aprendizado informal do inglês a partir
das TICs.
Tabela 3: Características do uso de tecnologias com fins instrucionais relatados
pelos alunos ( n=26) do curso de graduação em letras inglês
Uso de tecnologias com fins instrucionais
1- Eu uso tecnologias por iniciativa própria fora da sala de aula principalmente
para memorizar gramática
Discordo Discordo Neutro Concordo Concordo
Totalmente Totalmente
f(%) f(%) f(%) f(%) f(%)
Amostra (n 4(15,4) 1(3,8) 3(11,5) 8(30,8) 10(38,5)
=26)
2- Eu uso tecnologias por iniciativa própria fora da sala de aula principalmente
para memorizar vocabulário
Amostra (n - 3(11,5) 1(3,8) 8(30,8) 14(56,9)
=26)
3- Eu uso tecnologias por iniciativa própria fora da sala de aula principalmente
para fazer exercícios de inglês
Amostra (n 5(19,5) 5(19,5) 2(7,7) 7(26,9) 7(26,9)
=26)
4- Eu uso tecnologias por iniciativa própria fora da sala de aula principalmente
para praticar os conteúdos ensinados pelo professor durante a aula
Amostra (n 2(7,7) 5(19,5) 5(19,5) 8(30,8) 6(23,1)
=26)
5- Eu uso tecnologias por iniciativa própria fora da sala de aula principalmente
para aprender sozinho
Amostra (n - - 3(11,5) 5(19,5) 18(69,2)
=26)
Legenda: f= frequência; % = porcentagem; s = semestre; n = amostra
O perfil de uso e as percepções sobre a aprendizagem de inglês em
contextos não-formais mediados por tecnologias poderiam ser associados à
teoria de aprendizagem denominada de conectivismo ou pedagogia do
conectivismo (Alam, 2023), que sugere que o aprender não é somente estar
em contato com o conteúdo, mas sim criar conexões entre ideias e experiência.
As principais características do conectivismo que favorecem o ensino seriam:
a) ampliação e facilitação das formas de aquisição do conhecimento; b)
motivação devido à maior variabilidade, interatividade e colaboração
envolvidas; c) presença social que se refere ao sentimento de estar conectado
aos outros ou a uma rede ao aprender ou buscar conhecimentos; d)
pensamento crítico e resolução de problemas, devido à ênfase na colaboração
e à integração de perspectivas diversas; e) autonomia e controle sobre sua
aprendizagem, pois eram capazes de selecionar e personalizar seus próprios
recursos de aprendizagem (Alam, 2023). Com isso, pode se afirmar que as
TICs favorecem o aprendizado, a partir da perspectiva conectivista, ao facilitar
as interações mencionadas anteriormente através de recursos como as mídias
e redes sociais.
Por fim, foram testadas associações entre as diferentes turmas do curso
de letras inglês, as classes de idade e as questões relacionadas ao uso das
tecnologias, mas diferenças significativas entre essas classes de análise não
foram encontradas. Também foram verificadas as correlações entre os tipos de
tecnologias utilizadas, as disciplinas do inglês e as classes de idade, não sendo
identificadas nenhuma correlação estatisticamente significativa.
Conclusão ou Considerações finais.
Com todas essas considerações, é perceptível que o processo de
aprendizagem de línguas estrangeiras no século XXI transcende as barreiras
da educação escolar. As Tecnologias da Informação e Comunicação podem
impactar significativamente o aprendizado de inglês ao oferecer oportunidades
de socialização fazendo uso da língua, facilitar o aprendizado independente
auto motivado e alinhar-se aos interesses particulares dos estudantes, fatores
esses que que nem sempre estão presentes em ambientes de ensino
institucionalizado.
Apesar de não terem sido notadas diferenças significativas entre os
grupos analisados, os resultados do estudo mostram que o uso de TICs é
consistente entre os estudantes, independente de sua idade ou nível de
integralização. Assim, exterioriza-se a relevância de contextos informais de
aprendizagem e das tecnologias digitais como ferramentas de apoio ao
aprendizado de línguas estrangeiras. A continuidade da investigação sobre o
impacto das TICs no processo de aquisição de línguas poderá fornecer novas
perspectivas pedagógicas para educadores e instituições, e poderá contribuir
para o desenvolvimento de estratégias de ensino mais alinhadas com a
realidade do corpo estudantil na era digital.
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Informações Complementares
Certificados de participação nas palestras do Programa Diálogos em Pesquisa
e Inovação: