Bruna Souza Teixeira
Situação problema 3.4:
Falta tempo...
Alinhamento D2
3° ano
01) Diferenciar as dispepsias funcionais estão relacionados principalmente com a
da doença ulcerosa do tubo digestório saciedade precoce e plenitude pós-
(quadro clínico e mecanismo de lesão). prandial. Já a hipersensibilidade visceral é a
principal causa de dor epigástrica.
Dispepsia funcional
Manifestações Clínicas
A Dispepsia Funcional é uma desordem
gástrica caracterizada pela presença de Segundo o critério de Roma IV, a dispepsia
um ou mais sintomas (dor epigástrica, funcional engloba duas síndromes clínicas
plenitude pós-prandial, saciedade precoce, diferentes: a síndrome da dor epigástrica e
queimação estomacal) durante os últimos a síndrome do desconforto pós-prandial.
3 meses e que se iniciaram, no mínimo, 6 Os sintomas da dispepsia normalmente
meses antes. variam de acordo com a síndrome, no
entanto, pode haver sobreposição das
Fisiopatologia síndromes com manifestações de ambas.
Alterações das funções motoras e/ou Síndrome da dor epigástrica:
sensoriais gastroduodenais podem estar Caracterizada comumente por dor em
presentes, além de fatores psicossociais região epigástrica, intermitente, com
como estresse (está associado a maior ausência de irradiação ou generalização,
secreção de conteúdo gástrico), pelo menos uma vez na semana e que não
depressão e ansiedade e infecção por H. melhora após a defecação ou eliminação
pilory. As principais alterações de flatos.
motoras/sensoriais envolvidas no
processo da dispepsia funcional são: Síndrome do desconforto pós-prandial:
esvaziamento gástrico lento (devido à Decorrente de alteração na motilidade
gastroparesia primária idiopática – causa e/ou na acomodação gástrica;
de aproximadamente 30% das DF), caracterizada por saciedade precoce,
distúrbios na acomodação gástrica e sensação de plenitude pós-prandial e
hipersensibilidade visceral (principalmente aumento da eructação.
à distensão e a lipídeos/ácidos). A
lentificação do esvaziamento gástrico e os
distúrbios na acomodação gástrica
Tratamento e abordagem H. pylori, somente 10% dos pacientes
apresentam recorrência da doença
Encaminhar para fazer endoscopia, se ulcerosa péptica, comparados a 70% de
houver sintomas de alarme; recorrência em pacientes tratados com
Mudanças de estilo de vida: supressão ácida isoladamente. O uso de
alimentação, reduzir peso, cessar AINEs responde por mais de 50% das
tabagismo e etilismo (MAIS úlceras pépticas.
IMPORTANTE); O tabagismo é um fator de risco do
Identificar alimentos gatilhos (como o desenvolvimento de úlceras e suas
café); complicações. O tabagismo também
Identificar e suspender medicamentos interfere na cicatrização e aumenta a
que provocam sintomas: uso de incidência de recorrência. O risco se
AINES, opióides e corticoides; relaciona ao número de cigarros fumados
Tratar por 4-6 semanas com inibidor por dia. Embora o álcool seja um potente
de bombas de prótons ; estimulante da secreção ácida, não
Tratar empiricamente a infecção do H existem dados definitivos ligando o
pylori, se não melhorar após 4-6 consumo moderado de álcool ao
semanas de IBP ou se recorrência dos desenvolvimento ou aumento do tempo
sintomas em 12 meses; de cicatrização das úlceras. Bem poucos
Pedir EDA, se não melhorar com o pacientes têm hipersecreção de gastrina
tratamento de H pylori ou recorrência causada por gastrinoma (síndrome de
de 12 meses. Zollinger-Ellison).
Doença Ulcerosa Manifestações clínicas
Inclui úlceras pépticas que podem resultar Os sinais e sintomas dependem da
de infecção por Helicobacter pylori ou uso localização da úlcera e da idade do
de AINEs. Tratamentos típicos incluem paciente; muitos pacientes, em particular
erradicação do H. pylori, uso de inibidores os idosos, são oligossintomáticos ou
da bomba de prótons (IBPs) e mudanças assintomáticos. A dor é o sintoma mais
no estilo de vida. A falta de tratamento comum, geralmente localizada no
pode resultar em complicações graves. epigástrico e aliviada com a alimentação
ou uso de antiácidos. A dor é descrita
Fisiopatologia como queimação ou corrosão ou
sensação de fome, algumas vezes. Seu
H. pylori e os anti-inflamatórios não curso é geralmente crônico e recorrente.
esteroides (AINEs) prejudicam as defesas Somente cerca da metade dos pacientes
e a capacidade de reparação da mucosa, tem sintomas característicos.
tornando-a mais suscetível ao ácido
gástrico. H. pylori é a causa da infecção em Tratamento
50 a 70% dos pacientes com úlcera
duodenal e em 30 a 50% dos pacientes Erradicação de H. pylori, quando
com úlcera gástrica. Quando se erradica presente.
Fármacos supressores de ácidos estômago, tornando-o mais suscetível a
danos causados pelo ácido clorídrico
O tratamento das úlceras gástricas e produzido no órgão
duodenais requer a erradicação do H. Uso de medicamentos anti-
pylori quando presente e redução da inflamatórios não esteroides (AINEs): o
acidez gástrica. Para úlceras duodenais, é uso prolongado de medicamentos
particularmente importante a supressão anti-inflamatórios não esteroides,
da secreção ácida noturna. como o ibuprofeno, aspirina,
Os métodos de diminuição da acidez naproxeno, entre outros, pode irritar a
incluem um grande número de fármacos, mucosa gástrica e duodenal,
todos eficazes, mas cujo custo, duração de contribuindo para o desenvolvimento
tratamento e conveniência posológica são de úlceras pépticas
variáveis. Além disso, podem ser utilizadas Produção excessiva de ácido
medicações protetoras da mucosa clorídrico: algumas pessoas podem ter
gástrica e cirurgias com o intuito de uma produção aumentada de ácido
diminuir a produção de ácido. clorídrico no estômago, o que pode
levar a um desequilíbrio na proteção da
02) Caracterizar a epidemiologia, o mucosa e aumentar o risco de úlceras
quadro clínico e a fisiopatologia da Fatores de estilo de vida: o consumo
doença ulcerosa gástrica e duodenal, excessivo de álcool e o tabagismo
correlacionando-a com a presença de H. estão associados a um maior risco de
pylori. desenvolver doença ulcerosa péptica
Outros fatores: Outros fatores que
A doença ulcerosa péptica (DUP) é uma podem contribuir para o
condição na qual se desenvolvem úlceras desenvolvimento da doença ulcerosa
abertas e dolorosas na mucosa que péptica incluem história familiar da
reveste o estômago ou o duodeno, a doença, idade avançada, uso de
primeira parte do intestino delgado. As corticosteroides e presença de outras
úlceras pépticas podem ocorrer tanto no doenças, como doenças pulmonares
estômago (úlceras gástricas) quanto no crônicas ou doenças hepáticas.
duodeno (úlceras duodenais).
Fisiopatologia da doença ulcerosa
As causas da doença ulcerosa péptica péptica
(DUP) são geralmente relacionadas a uma
combinação de fatores, incluindo fatores A mucosa gástrica possui mecanismos de
genéticos, estilo de vida e a presença da defesa:
bactéria Helicobacter pylori. As principais Muco: é um revestimento e funciona
causas da DUP incluem: como barreira, sendo produzido pelas
Infecção por Helicobacter pylori: A células foveolares. Os AINEs, por
presença da bactéria Helicobacter inibirem a produção da prostaglandina,
pylori no revestimento do estômago é resultam na redução dessa camada de
uma das principais causas da doença muco protetora da mucosa gástrica;
ulcerosa péptica. Essa bactéria pode Bicarbonato: um sal de pH básico que
enfraquecer a mucosa protetora do neutraliza a acidez e se localiza entre a
mucosa e camada de muco; Tipo I: é aquele que está na pequena
Camada hidrofóbica: também serve curvatura e corresponde ao tipo de
como barreira e repele o contato da maior incidência.
secreção gástrica com a mucosa; Tipo II: nesse caso são duas úlceras,
Óxido Nítrico e prostaglandinas: são uma no corpo e uma duodenal. Para
importantes mediadores para o facilitar a memorização, basta lembrar,
aumento da vascularização da mucosa “tipo 2, úlcera dupla”.
e submucosa, estimulando a Tipo III: localização pré-pilórica.
regeneração da mucosa gástrica, bem Tipo IV: também está na pequena
como a secreção de muco e curvatura, mas nesse caso está em
bicarbonato; uma posição alta, sendo normalmente
Fluxo sanguíneo: revitaliza o epitélio. encontrada próxima à junção
gastroesofágica.
Como contraponto, existem substâncias Tipo V: normalmente está associada ao
que agridem a mucosa ao diminuir a uso dos AINEs e pode ocorrer em
produção de bicarbonato e muco, tais qualquer ponto do estômago.
como: sais biliares, AAS, álcool, nicotina.
Logo, apesar de não ser uma regra, a úlcera Principais sintomas das úlceras
pode se formar por excesso de ácido gástricas
clorídrico na secreção gástrica. Tratando-
se do uso de AINEs, por exemplo, ocorre Dor abdominal: geralmente localizada
desproteção da mucosa como na região do estômago e pode variar
consequência da inibição da formação das em intensidade. Pode ser descrita
prostaglandinas. como uma queimação ou sensação de
fome
Aproximadamente 75% das úlceras Azia: sensação de queimação ou
gástricas e 90% das úlceras duodenais são desconforto que pode se irradiar para
causadas pelo H. pylori, que é um a garganta
organismo gram negativo que reside no Náuseas e vômitos: podem ocorrer em
epitélio gástrico, especificamente na alguns casos, especialmente se a
camada mucosa, que propicia proteção úlcera estiver associada a outros
contra antibióticos e ácidos. Porém, boa problemas digestivos
parte dos pacientes infectados com tal Perda de peso inexplicada: em casos
bactéria não chega a apresentar alguma mais graves, a doença pode levar a
queixa específica ou a desenvolver doença uma perda de peso involuntária
ulcerosa.
Doenças ulcerosas duodenais
Doença ulcerosa gástrica
As úlceras duodenais são lesões que se
São as úlceras que acometem o estômago, formam na mucosa do duodeno, que é a
e elas ainda podem ser subdividas em 5 primeira parte do intestino delgado. Assim
tipos básicos de acordo com a localização como as úlceras gástricas, as úlceras
no órgão. Essa classificação é denominada duodenais são uma forma de doença
classificação de Johnson. ulcerosa péptica (DUP).
Diferentemente da úlcera gástrica, aqui processo auxilia, inclusive, no diagnóstico
não há processo desencadeado por 2- Resposta imune na mucosa, gerando
hipocloridria, apenas hipercloridria, e inflamação local crônica e atração de
normalmente se localiza no bulbo fatores quimiotáticos
duodenal. Sua principal etiologia também 3- A quantidade de gastrina aumenta e
está relacionada com a H. pylori, mas nesse gera aumento da secreção gástrica, por
caso a bactéria inibe a produção de redução da produção da somatostatina.
somatostatina, hormônio responsável por Com isso, ocorre aumento da produção de
inibir a gastrina (importante estimulador ácido clorídrico no antro esofágico,
da produção de ácido clorídrico). Nesse mecanismo responsável por muitos casos
caso, a carência de somatostatina gera, em de úlcera péptica duodenal.
última análise, uma hipercloridria, fazendo
com que o duodeno receba uma carga O H. pylori possui apresentação crônica e,
ácida maior, o que gera a úlcera. caso o paciente seja infectado pela
bactéria, poderá permanecer com ela por
toda a vida, sendo raros os casos em que
Principais sintomas das úlceras há remissão espontânea.
duodenais
Transmissão e Contágio
As úlceras duodenais tendem a produzir
uma dor mais consistente. O paciente Via Fecal-Oral: A bactéria é transmitida
acorda sem dor, mas a dor aparece no principalmente através da ingestão de
meio da manhã e melhora com a água ou alimentos contaminados.
alimentação, mas volta de 2 a 3 horas Via Oral-Oral: A transmissão pode
depois da refeição. Dor que acorda o ocorrer através da saliva, o que explica
paciente no meio da noite é comum e a infecção dentro de famílias.
bastante sugestiva de úlcera duodenal. Em Higiene: A baixa condição
neonatos, perfuração e hemorragia podem socioeconômica e a má higiene
ser as primeiras manifestações de úlcera aumentam o risco de infecção.
duodenal. A hemorragia pode também ser
o primeiro sinal na infância, embora Tratamento da doença ulcerosa péptica
vômitos de repetição ou evidência de dor
abdominal possam ser sugestivos. Inibidor de Bomba de prótons:
Omeprazol e Pantoprazol. Reduzem
Mecanismos das lesões por H. pylori significativamente a produção de ácido no
estômago, ajudando a cicatrizar as úlceras
Existem três possíveis mecanismos e prevenir a recorrência. Já os
responsáveis pela lesão ocasionada pelo bloqueadores de histamina H2, que são
[Link]: medicamentos como ranitidina, cimetidina
1-O H. pylori produz toxinas que lesam a e famotidina também reduzem a produção
mucosa, como urease, que converte ureia de ácido no estômago, mas em menor
em bicarbonato e amônia. Por ser uma grau do que os IBPs.
potente produtora de urease, tal
Antibióticos: Se a infecção por anos de idade. De modo geral, as úlceras
Helicobacter pylori for diagnosticada, o são mais comuns no sexo masculino (1,5 a
tratamento padrão inclui a combinação de 3 vezes).
antibióticos, como claritromicina, A UD apresenta 3 tempos: Dói/ come/
amoxicilina, metronidazol ou tetraciclina. passa a dor.
Esse medicamento é usado juntamente A UG apresenta 4 tempos: Não dói/
com um IBP ou bloqueador de histamina come/ dói / passa.
H2. A erradicação da bactéria é
fundamental para prevenir a recorrência
de úlceras e reduzir o risco de
complicações.
Medicamentos citoprotetores: O
Sucralfato é um medicamento que forma
uma espécie de “curativo” protetor na
mucosa gástrica e duodenal. Esse
medicamento ajuda a proteger as úlceras
e facilitar a cicatrização.
Mudanças no estilo de vida: Evitar o uso
excessivo de AINEs), reduzir o consumo
de álcool e evitar fumar, pois ambos
podem agravar a condição, adotar uma
dieta equilibrada, evitando alimentos
irritantes e excessivamente
condimentados e gerenciar o estresse.
Diagnósticos diferenciais
PREVALENCIA ÚLCERA DUODENAL X
PREVALENCIA ÚLCERA GÁSTRICA CA gástrico, Doença biliar, Dispepsia
funcional e DRGE - Doença do refluxo
A úlcera duodenal é a forma predominante gastroesofágico
de doença ulcerosa péptica, sendo cinco
vezes mais frequente do que a úlcera 03) Caracterizar a doença ulcerosa do
gástrica, em 95% dos casos localiza-se na tubo digestivo, sua fisiopatologia e os
primeira porção do duodeno e incide na quadros clínicos mais comuns.
faixa etária de 30 a 55 anos de idade. A
localização mais frequente da úlcera A doença ulcerosa do tubo digestivo
péptica do estômago é na região de antro refere-se à formação de úlceras, que são
gástrico (80% na pequena curvatura), no lesões ou erosões profundas na mucosa
epitélio gástrico não secretor de ácido, do estômago (úlcera gástrica) ou do
geralmente próximo à transição para o duodeno (úlcera duodenal). Essas lesões
epitélio secretor localizado no corpo do ocorrem quando há um desequilíbrio entre
estômago, em indivíduos entre 50 e 70 os fatores agressivos (ácido gástrico,
pepsina, bile) e os mecanismos de defesa duodenal na cavidade abdominal.
da mucosa (muco, bicarbonato, fluxo (IMPORTANTE MAS NÃO TÃO COMUM
sanguíneo mucoso, regeneração celular). HOJE EM DIA) - Lembrar das doenças
inflamatórias intestinais como Crohn,
Principais fatores associados: Gastrite, H. mas geralmente são complicações
pylori, estresse, tabagismo, AINES e mais tardias.
etilismo. Neoplasias Gastrointestinais:
Tumores malignos no trato
04) Citar as principais causas gastrointestinal podem ulcerar e
envolvidas com o abdome agudo perfurar, especialmente em estágios
perfurativo não traumático. avançados.
Trata-se de uma das causas mais Manifestações clínicas
frequentes de cirurgia abdominal de
urgência. A dor tem início súbito, Dor súbita, intensa, aguda, difusa e
geralmente dramático, já começando de persistente, o que faz o paciente
forma intensa, rapidamente atingindo seu chegar rapidamente no pronto-
pico. O problema advém do socorro.
extravasamento de secreção contida no Dor piora com o movimento. Por isso,
trato gastrintestinal para a cavidade geralmente o paciente fica imóvel, em
peritoneal, o que é traduzido por peritonite. posição fetal.
A dor tipo somática vem da irritação Peritonite (decorrente da liberação de
química do peritônio, e, quanto menor o pH, ácido clorídrico, bile ou fezes na
maior a irritação. cavidade abdominal).
Sinal de Jobert: perda da macicez
Causas hepática durante a percussão do
hipocôndrio direito, que indica a
Apendicite Perfurada: Inflamação do presença de perfuração de víscera oca
apêndice que progride para em peritônio livre, como na úlcera
perfuração, liberando material péptica.
infeccioso na cavidade abdominal. Durante a palpação do abdome, há
Diverticulite Perfurada: Inflamação rigidez involuntária com
dos divertículos no cólon, que pode descompressão brusca positiva em
levar à perfuração e liberação de todo o abdome (“abdome em tábua”).
conteúdo fecal no peritônio. Palidez e sudorese.
Colecistite Aguda: Inflamação da Pode evoluir para o choque séptico.
vesícula biliar que pode levar à
perfuração, geralmente associada a Diagnóstico
cálculos biliares.
Pancreatite necro hemorrágica O exame clínico demonstra silêncio
Úlcera Péptica Perfurada: Uma das abdominal e rigidez muscular,
causas mais comuns. Úlceras no estômago detectada como “abdome em tábua”.
ou duodeno podem perfurar e liberar A temperatura é normal, e náuseas e
conteúdo gástrico ou vômito podem estar presentes.
A radiografia simples revela colocação de um patch de momento para
pneumoperitônio, sendo o exame de reforçar a sutura e diminuir o risco de
imagem de escolha para o diagnóstico. fistulização.
Em 12 h de evolução do quadro, a
peritonite química torna-se bacteriana, 05) Discutir a ação farmacológica dos
aparecendo os sinais de infecção. antiácidos (em especial, bicarbonato,
Os exames laboratoriais revelam hidróxidos de magnésio e alumínio) e da
leucocitose e possível hiperamilasemia. Ranitidina/Omeprazol.
O pneumoperitônio está presente em
80% dos casos. Antiácidos
Quando a suspeita de perfuração é Neutralizam o ácido gástrico e reduzem a
forte e não se observa atividade da pepsina (que diminui quando
pneumoperitônio, pode-se insuflar ar o pH sobe para > 4,0). Além disso, alguns
através de sonda nasogástrica. antiácidos absorvem a pepsina.
Endoscopia digestiva não deve ser Alívio temporário dos sintomas
realizada na suspeita de perfuração Efeito rebote do corpo: a neutralização
do ácido faz com que o corpo produza
mais ácido e assim, interfere na
cicatrização da úlcera.
Em geral, há 2 tipos de antiácidos:
Antiácidos absorvíveis: (p. ex.,
bicarbonato de sódio, carbonato de cálcio)
provocam neutralização rápida e
completa, mas podem causar alcalose e
devem ser utilizados somente por curtos
períodos (1 ou 2 dias).
Antiácidos não absorvíveis: (p. ex.,
Tratamento hidróxido de magnésio ou de alumínio)
causam poucos efeitos colaterais
O tratamento vai depender da etiologia sistêmicos e são preferidos.
da perfuração, se a contaminação é
limitada e se há sinais de sepse. Ranitidina
De um modo geral, o manejo clínico Antagonista do receptor histamínico H2
inicial inclui a estabilização clínica do dotado de alta seletividade e rápido início
paciente, com reposição de fluidos e de ação. Inibe a secreção basal e a
antibioticoterapia de amplo espectro. secreção estimulando de ácido gástrico,
Para os pacientes com sinais de reduzindo tanto o volume quanto o
peritonite difusa e pneumoperitôneo, a conteúdo de ácido e de pepsina da
exploração cirúrgica está indicada. secreção.
Nos casos de úlceras pépticas A dose única de 150 mg inibe de forma
perfuradas, a cirurgia mais comum eficaz a secreção ácida gástrica por 12
consiste na rafia da lesão, com horas. Evidências clínicas
demonstraram que a combinação da Abandono do Tratamento
ranitidina oral com a amoxicilina e o
metronidazol é capaz de erradicar o Progressão da Doença: Sem
Helicobacter pylori em aproximadamente tratamento contínuo, a condição pode
90% dos pacientes. Essa terapia piorar, levando a complicações graves,
combinada mostrou ser capaz de reduzir como perfurações e hemorragias no
significativamente a recorrência de úlcera caso de úlceras.
duodenal. A infecção por H. pylori ocorre Sintomas Persistentes ou Piora dos
em cerca de 95% dos pacientes com Sintomas: O tratamento interrompido
úlcera duodenal, e em 80% daqueles com pode levar ao retorno dos sintomas ou
úlcera gástrica. ao agravamento deles.
Antagonistas dos receptores de H2 da Desenvolvimento de Complicações:
Histamina: atuam bloqueando os No caso de dispepsia funcional, o
receptores de Histaminas existentes abandono do tratamento pode levar a
nas células parietais e reduzem a desconforto contínuo e impacto na
secreção de ácido. qualidade de vida. No caso de úlceras,
pode resultar em complicações graves
Omeprazol como sangramento gastrointestinal.
Faz parte da classe dos Inibidores de
Bomba de Prótons e é utilizado para Visita Tardia ao Médico
tratamento de distúrbios ácidos-pépticos.
Ele é capaz de diminuir a secreção basal e Diagnóstico Tardio: Diagnósticos
estimulada de ácido entre 80% e 90%. tardios podem levar a tratamentos
Atua na bomba de H+/K+ATPase inibindo mais complexos e menos eficazes.
diretamente o mecanismo de secreção de Complicações Graves: Condições não
HCl da célula parietal. Após a tratadas podem evoluir para
administração, o início de ação dos IBPs é complicações severas, como
rápido, com o efeito inibitório máximo na obstrução, perfuração ou hemorragia
secreção ácida ocorrendo dentro de duas no caso de úlceras.
a seis horas. Esses agentes atuam com Câncer: Em alguns casos, sintomas de
maior eficácia quando a bomba de prótons dispepsia ou úlceras podem mascarar
se encontra ativada, por isso há doenças mais graves, como o câncer
recomendação de serem administrados gástrico. O diagnóstico precoce é
em jejum. crucial para o tratamento eficaz.
Inibem a produção de ácido pelas
células parietais do estômago :
reduzem a agressão do esôfago.
06) Discutir as consequências da
automedicação, do abandono ao
tratamento e riscos envolvidos na visita
tardia ao médico.