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Programa Eleitoral

O Programa Eleitoral 2025 do Partido Socialista propõe um novo impulso para Portugal, focando em crescimento econômico, investimento público e apoio às famílias. O documento critica a gestão do governo atual, destacando a necessidade de um Estado social forte e políticas inclusivas, além de uma transição climática justa e uma democracia de qualidade. O PS se apresenta como uma alternativa responsável e transparente, comprometida com a melhoria das condições de vida dos portugueses.
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O Programa Eleitoral 2025 do Partido Socialista propõe um novo impulso para Portugal, focando em crescimento econômico, investimento público e apoio às famílias. O documento critica a gestão do governo atual, destacando a necessidade de um Estado social forte e políticas inclusivas, além de uma transição climática justa e uma democracia de qualidade. O PS se apresenta como uma alternativa responsável e transparente, comprometida com a melhoria das condições de vida dos portugueses.
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PROGRAMA ELEITORAL 2025

UM NOVO IMPULSO
PARA PORTUGAL

2
O FUTURO É JÁ

PREFÁCIO....................................................................................................................................................................................................5

INTRODUÇÃO...........................................................................................................................................................................................7

1. Um ano perdido para o país nas políticas económicas e sociais .................................. 7

2. Um compromisso sustentável com o crescimento económico, o


investimento público e o apoio às famílias................................................................................... 10

1.ª MISSÃO: Uma economia em transformação assente em contas equilibradas......................17

1. Uma economia inovadora em transformação ........................................................................17

2. Uma fiscalidade inteligente e seletiva ....................................................................................... 28

3. Um trabalho mais digno e melhores salários........................................................................ 29

4. Infraestruturas ao serviço do desenvolvimento sustentável ....................................... 37

5. Uma Energia ao serviço da competitividade ........................................................................ 46

6. Uma transição digital empreendedora e transversal à sociedade ............................51

7. Um sistema de ciência e tecnologia ligado ao mundo .................................................. 58

8. Um Estado mais próximo, ágil e inteligente ......................................................................... 63

2.ª MISSÃO: Um Estado Social forte, moderno e inclusivo...............................................................................71

1. Uma segurança social pública sólida, equitativa e sustentável ..................................73

2. Um desígnio no combate à pobreza .......................................................................................... 76

3. Uma nova geração de políticas sociais ...................................................................................... 78

4. A autonomia como chave da inclusão ...................................................................................... 84

5. Um Serviço Nacional de Saúde universal, forte e resiliente ......................................... 87

6. Uma escola pública de qualidade ................................................................................................ 99

7. Um Ensino Superior de qualidade e acessível ..................................................................... 105

8. A Habitação como maior desafio nacional .............................................................................110

9. Uma cultura democrática e descentralizada ........................................................................ 115

10. Um país ativo e de afirmação desportiva..............................................................................120

3
PROGRAMA ELEITORAL 2025

3.ª MISSÃO: Um território inteiro e uma transição climática justa.........................................................124

1. Um interior com futuro ....................................................................................................................... 125

2. Uma política de cidades orientada para a qualidade de vida.................................... 128

3. Uma governação mais próxima e regionalizada................................................................ 130

4. Um país em acelerada descarbonização ................................................................................ 132

5. Uma transição justa e resiliente .................................................................................................... 139

6. Um património natural protegido e integrado.................................................................. 146

7. Um território rural produtivo e próspero ............................................................................... 149

8. Um novo impulso para o potencial oceânico do país ..................................................... 156

4.ª MISSÃO: Uma Democracia de qualidade para todos ...............................................................................163

1. Uma democracia que resiste ao populismo e à demagogia com mais


participação, transparência e proximidade................................................................................ 163

2. Uma comunicação social capaz de resistir ao populismo ............................................ 171

3. Uma democracia em condições de igualdade plena ..................................................... 176

4. Autonomias regionais mais fortes e mais coesas ............................................................ 188

5. Um poder local com mais próximo ............................................................................................. 191

6. Uma Justiça mais eficiente, mais transparente e mais acessível ............................ 193

7. Um país mais seguro e protegido face a emergências .................................................201

5.ª MISSÃO: Um Portugal central na Europa e no Mundo.............................................................................. 211

1. Uma participação solidária, exigente e propositiva na União Europeia ............... 212

2. Uma Política Externa humanista ................................................................................................. 221

3. Umas comunidades valorizadas e apoiadas ........................................................................ 228

4. Uma Defesa nacional à altura dos desafios atuais ........................................................... 231

4
O FUTURO É JÁ

PREFÁCIO

Ao longo do último ano, o Partido Socialista foi oposição determinada e responsável.


Determinada porque, após as eleições de 10 de março de 2024, iniciámos um trabalho de
renovação interna e de construção de uma alternativa sólida e mobilizadora ao governo de
direita. Responsável, porque o PS garantiu desde o início da legislatura condições para que
o governo da AD pudesse fazer o que lhe competia: governar. Viabilizou a eleição do
Presidente da Assembleia da República, votou contra a moção de rejeição do Programa do
Governo, viabilizou o Orçamento do Estado para 2025 e rejeitou duas moções de censura.

No entanto, o PS sempre foi claro ao afirmar que não aprovaria moções de rejeição ou
censura ao Governo, mas também não aprovaria uma moção de confiança. O nosso
compromisso com a estabilidade nunca se confundiu com a ideia de sustentar
incondicionalmente um Governo de direita. O país caminha agora para eleições porque
o Governo da AD esgotou o seu projeto para o país e porque o seu líder esgotou a sua
credibilidade, decidindo, por isso, precipitar a sua própria queda.

Há um ano, o governo da AD herdou um país que crescia há oito anos acima da média
da União Europeia, com o emprego em máximos históricos e um significativo excedente
orçamental. O país enfrentava desafios, mas encontrava-se numa situação estável após
os anos marcados pela pandemia e pela inflação elevada. Desde que tomou posse, este
Governo limitou-se a consumir o excedente herdado e a inaugurar obras lançadas pelos
executivos socialistas. Um ano depois, os problemas por todos identificados continuam a
existir. Em áreas como a saúde e a habitação, não só os problemas não foram resolvidos
como se agravaram. E aquilo que hoje está bem, já estava bem. Antes, aliás, estava
melhor: no último ano de governação do PS, o país cresceu mais, investiu mais, criou mais
emprego, aumentou mais os salários e reduziu de forma mais significativa a dívida
pública. O governo da AD não está a transformar o país, está a travá-lo.

Existe, contudo, uma segunda razão que nos trouxe até aqui. Não foi apenas o Governo
que esgotou o seu projeto — também o Primeiro-Ministro, envolto em inúmeros casos
mal explicados, perdeu a sua credibilidade. Hoje, há elementos suficientes para se afirmar
com convicção que Luís Montenegro não reúne as condições de confiança, idoneidade e
credibilidade para exercer o cargo de Primeiro-Ministro. Um líder tem a obrigação de ser
transparente, de não fugir ao escrutínio, de saber assumir os seus erros e de não procurar
enganar os cidadãos. Os traços do atual Primeiro-Ministro refletem-se na postura do

5
PROGRAMA ELEITORAL 2025
Governo: uma relação pouco séria com o país, marcada pela fuga às responsabilidades,
pela manipulação de números e por uma estratégia constante de propaganda.

O PS não desejava estas eleições, nem as provocou. Mas, aqui chegados, está preparado
para as enfrentar e determinado em vencê-las. Apresentamo-nos perante os
portugueses com uma liderança séria, responsável, transparente, experiente, com
capacidade de diálogo e execução, e apresentamo-nos com um projeto para Portugal.

Hoje, o país enfrenta problemas sérios nos salários, na habitação e no Serviço Nacional de
Saúde. Sabemos que a maioria dos trabalhadores tem salários na ordem dos €1.000 por
mês, que faltam habitações para os jovens, creches para as crianças, lares e respostas de
apoio domiciliário para os idosos, profissionais nas escolas e nos hospitais. É em desafios
como estes, centrais para o presente e para o futuro dos portugueses,
que vamos concentrar a nossa ação e os recursos disponíveis.

Portugal precisa de um projeto que ofereça segurança aos


portugueses; segurança física, mas também no emprego, na
saúde, na habitação e na educação. Um projeto que lhes dê mais
oportunidades: emprego qualificado, melhores salários, casas a
preços acessíveis e mais tempo para viver. Um projeto que dê aos
portugueses mais esperança no futuro — um futuro melhor para
cada pessoa, para cada família e para o país.

Pedro Nuno Santos

6
O FUTURO É JÁ

INTRODUÇÃO

1. Um ano perdido para o país nas


políticas económicas e sociais

1.1. Mais crescimento

Nos oito anos em que o PS foi Governo, a economia portuguesa registou um


crescimento sustentado que reforçou a convergência com a UE. Entre 2016 e 2019,
o PIB real cresceu, em média, 2,8% ao ano, superando a média da UE (2,2%) e da
Zona Euro (1,9%). Apesar do impacto da pandemia e da invasão da Ucrânia, Portugal
retomou rapidamente a trajetória de crescimento. Em 2023, a riqueza nacional
estava 6,4% acima do nível pré-pandémico, face a apenas 4,4% na média europeia.
Aproveitando o fim das restrições, as alterações nas cadeias de produção globais e
o impulso à procura interna através da implementação de apoios às famílias e às
empresas, Portugal transformou adversidades em oportunidades. Nestes oito anos,
com exceção de 2020 e 2021, a economia cresceu sempre acima da média da UE –
um feito raro e um sinal claro de convergência.

Em 2024, a economia cresceu 1,9%. Apesar de se manter acima da média da UE e


da Zona Euro, este valor representa um abrandamento face aos 2,6% de 2023 e à
média de 2,2% entre 2016 e 2023. Ainda assim, o Governo da AD, que qualificava o
crescimento económico dos anos anteriores como “anémico”, celebrou o pior
resultado em quase dez anos. Não foi só o crescimento do PIB que abrandou em
2024: as exportações cresceram 3,4%, abaixo dos 3,8% de 2023 e da média de 4,5%
entre 2016 e 2023; o investimento subiu 2,9%, face a 3,7% em 2023 e 4,8% em média
na última década; o investimento público cresceu 10,9%, quase metade do valor de
2023 (19,7%), com a pior taxa de execução em dez anos (82,5%) e um desvio de
€1.600 milhões face ao previsto pelo Governo da AD.

Em suma, uma atividade económica em clara desaceleração, celebrada por uma


coligação que antes desvalorizava crescimentos robustos. Mas a falta de seriedade
da AD não se fica por aqui. A coligação AD inscreveu no seu programa eleitoral um
cenário macroeconómico assente num crescimento de 3% ao ano. O PS denunciou

7
PROGRAMA ELEITORAL 2025
desde o início a falta de credibilidade dessas projeções. Bastaram seis meses para
o próprio Governo da AD rever em baixa todos os indicadores. No Orçamento do
Estado de 2025 e no Plano Orçamental-Estrutural Nacional de Médio Prazo, o
crescimento previsto passou de 2,9% para 1,95% ao ano, um corte de 33% face ao
prometido e 11% abaixo do registado com o PS. No emprego, a previsão caiu de 1,4%
para 0,5% ao ano, menos 200 mil novos postos de trabalho em quatro anos. As
exportações baixaram de 4,2% para 3,3%; o investimento, de 4% para 2,9%.

Tudo isto num ano em que a AD - primeiro em campanha e depois como Governo
- anunciou vezes sem conta um “choque fiscal” em sede de IRC, sugerindo que a
descida da taxa estatutária do imposto de 21% para 15% seria um catalisador
automático para o investimento e para o crescimento económico. Seria de esperar
que a mera expetativa dos agentes económicos se traduzisse num maior
dinamismo, mas o que aconteceu foi uma travagem do investimento privado. O
investimento das sociedades não financeiras subiu apenas 2,1% em 2024, em clara
contração face aos 5,4% de 2023 e face à média de 8,5% do período 2016-2023,
contribuindo com apenas 28% para o aumento do investimento total na economia
face a um contributo de 51% em 2023.

1.2. Mais emprego e melhores salários

Entre 2015 e 2023, foram criados quase 700 mil novos postos de trabalho em
Portugal. O emprego cresceu 2% ao ano em termos globais e 2,6% nos jovens. O
desemprego recuou para níveis historicamente baixos e a precariedade recuou. Ao
mesmo tempo, os salários tiveram um crescimento sustentado, alavancado não
apenas pela valorização do Salário Mínimo Nacional (SMN), mas também pela
política salarial ambiciosa definida pelos Governos do PS. Entre 2015 e 2023, as
remunerações médias declaradas à segurança social registaram um aumento de
34%, 16 pontos percentuais acima da inflação acumulada no mesmo período. Em
termos reais, o salário médio subiu quase €150 por mês neste período, ou seja, mais
de €2.000 anuais. O peso dos salários no PIB convergiu com a média europeia: era
de 43,8% em 2015 (3 pontos abaixo da média da UE) e aumentou para 47,1% em
2023, superando até a média da UE (47%).

Estes avanços não foram fruto do acaso. São resultado de uma recuperação económica
sólida e da condução política firme e determinada do PS na valorização de quem
trabalha. Em 2022, o Governo do PS celebrou dois acordos históricos e decisivos para
acelerar o crescimento dos salários: o Acordo de Médio Prazo para a Melhoria dos
Rendimentos, dos Salários e da Competitividade, e o Acordo Plurianual de Valorização
dos Trabalhadores da Administração Pública. No quadro do acordo de médio prazo de
concertação social, o SMN continuou a ser valorizado, com um aumento real de 8,9%

8
O FUTURO É JÁ
entre 2022 e 2024 (+€63 por mês). Mas esse acordo definiu também metas concretas
de valorização do salário médio para o horizonte 2023-2026 e permitiu alcançar
valorizações nominais do salário médio de 7,4% em 2023 e 6,5% em 2024, assegurando
um aumento real do poder de compra de 7% em dois anos (+€96 por mês).

Os salários em Portugal continuam a ser baixos e esse é um dos principais


obstáculos ao desenvolvimento económico e social do país, mas estava em curso
uma trajetória de mudança e ambição. O ano de 2024, com a AD no Governo, veio
travar essa trajetória. Em 2024, o emprego cresceu apenas 1,2%, quase metade dos
2,3% registados em 2023 e abaixo da média de 1,9% do período 2016-2023. Depois
de dois anos seguidos com crescimentos acima dos 10%, o emprego jovem desceu
em 2024 (-4%), ao mesmo tempo que a taxa de desemprego jovem subiu de 20,5%
para 21,6%. Além da perda de dinamismo na criação de emprego, há uma
desaceleração do crescimento dos salários – uma tendência que resulta das opções
de política do atual Governo.

Desde logo, as medidas adotadas pela AD em sede fiscal (como o 15.º mês isento)
estimulam padrões de remuneração mais fragmentados, com peso crescente das
componentes remuneratórias variáveis – que o empregador pode gerir como
entender. Estas medidas podem gerar nos trabalhadores a ilusão de um salário mais
elevado, mas são lesivas do crescimento orgânico do salário base. Ao mesmo tempo,
no acordo de concertação social que promoveu em outubro do ano passado, a AD
reforçou o valor do SMN para 2025 (€870 em vez de €855), mas não reforçou as metas
para aumento do salário médio – mantiveram um objetivo de 4,7% para 2025, quando
os salários subiram 7,4% em 2023 e 6,5% em 2024 (acima da meta de 5% acordada para
esse ano).

Em consequência, já há sinais de que as políticas da AD levaram a um claro


abrandamento da valorização dos salários: em janeiro de 2025, os salários subiram
1,7% em termos reais, quando em janeiro de 2024 cresceram 3,7%. Ou seja, caiu para
metade o ganho real dos trabalhadores: de um aumento real de €50 por mês em
janeiro de 2024 passou-se para um aumento de apenas de €25 por mês em janeiro
de 2025.

9
PROGRAMA ELEITORAL 2025

2. Um compromisso sustentável com o


crescimento económico, o investimento
público e o apoio às famílias

O Partido Socialista tem um compromisso sério com a governação do país. O atual


programa resulta não só do património de experiência governativa e do exercício
de construção do programa eleitoral anterior, como também da realização de nove
sessões temáticas com especialistas, empresários e independentes, nove sessões
distritais com mais de 200 participantes e, ainda, cerca de 100 contributos escritos.

Governar Portugal implica fazer escolhas que são retratadas nas linhas que se
seguem. O Partido Socialista apresenta-se a estas eleições com um programa
eleitoral assente num cenário macroeconómico prudente e responsável, que
contrasta com a proposta da Aliança Democrática, não só nas prioridades mas na
credibilidade das soluções. Em 2024, a AD apresentou um programa eleitoral em
que não só ficcionou um cenário macroeconómico à base do que desejava fossem
as condições que enfrentaria, como também conscientemente enganou os
portugueses em relação à dimensão da descida do IRS. Esse não é o caminho do
PS, com quem os portugueses contam para um projeto de esperança no futuro.

2.1. O Contexto Geopolítico

O cenário macroeconómico apresentado comporta riscos descendentes


decorrentes da fragmentação adicional do comércio internacional resultantes do
recrudescimento de medidas protecionistas à escala global, com destaque para a
imposição adicional de tarifas pelos EUA sobre a UE e sobre os principais
fornecedores americanos. Num contexto de aumento generalizado de tarifas por
parte dos EUA, é expectável que os países alvo imponham tarifas num quadro de
uma retaliação, as quais não deixarão de ter impactos sobre o crescimento
económico e a inflação, assim como na incerteza e no preço do risco à escala global.

Neste contexto, será expectável que Portugal seja significativamente afetado,


tendo em conta o grau de abertura da economia portuguesa e a sua exposição não
apenas à economia americana, mas a economias da área do euro com exposição à
economia americana. Assim, e pelo impacto das tarifas no comércio e na incerteza
que afeta o consumo e as condições de financiamento, é plausível considerar um

10
O FUTURO É JÁ
crescimento do PIB inferior ao do cenário macroeconómico de -0,9 pp em 2025 e -
0,7 pp em 2026, e uma posterior reversão gradual de +0,1 pp em 2027, +0,6 pp em
2028 e +0,2 pp em 2029, em linha com as simulações apresentadas no World
Economic Outlook do FMI de outubro de 2024.

Estes impactos e a sua distribuição no tempo são particularmente incertos, mas


dão bem a ideia da vulnerabilidade do cenário macroeconómico num quadro de
elevada incerteza, com impacto nas contas públicas e nas estimativas orçamentais.
Num quadro de elevada incerteza, as medidas a adotar devem ser moduladas de
forma a estimar os seus impactos permanentes na despesa, os quais são
dificilmente reversíveis caso se materialize um cenário adverso desta natureza.

O cenário macroeconómico e orçamental não reflete o aumento previsível de


despesas em Defesa e os seus potenciais impactos. Estas despesas, que Portugal
deverá assumir no quadro das suas alianças internacionais, terão regras próprias
no quadro da UE que ainda não são plenamente conhecidas. Neste contexto, esta
despesa, que não deixará de ter impacto no cenário apresentado, não é
considerada no presente exercício, pela sua excecionalidade e imprevisibilidade.

2.2. Cenário Macroeconómico e as Opções de Política

Perante um cenário geopolítico particularmente desafiante e incerto, e atendendo


aos riscos económicos e orçamentais a ele associados, a condução da política
orçamental exige prudência e definição de critérios e prioridades concretas, que
preservem a credibilidade e a margem construída ao longo da última década.

Face a este contexto, os partidos que compõem o atual executivo pretendem, uma
vez mais, direcionar a política orçamental para uma redução sem critério da taxa
de IRC até aos 15%, a qual tem um impacto orçamental negativo de, pelo menos,
€1.500 milhões e cujo retorno económico é particularmente incerto. Foi, ainda,
anunciada uma nova descida substancial do IRS que, presume-se, em linha com a
proposta já apresentada pelo Governo este ano, se concentre nos escalões de
rendimentos mais elevados. Num cenário adverso, a referida perda de receita não
só retiraria espaço para o Estado responder às necessidades das famílias e das
empresas, como colocaria Portugal numa situação de risco de incumprimento face
às novas regras orçamentais europeias.

O Partido Socialista, por sua vez, optará por uma estratégia que garanta maior
estabilidade e previsibilidade macroeconómica, que reforce os serviços públicos e
a justiça social, e que impacte diretamente no rendimento disponível de todas as
famílias. O quadro de política económica e orçamental terá por base um equilíbrio

11
PROGRAMA ELEITORAL 2025
entre a redução sustentável da dívida pública e a aceleração do crescimento
económico.

Este modelo de crescimento assentará, por um lado, no fomento da procura


interna, centrado no aumento do consumo das famílias e no estímulo ao
investimento público e privado e, por outro lado, no crescimento da procura
externa, com medidas estruturais direcionadas para aumentar a produtividade,
competitividade e internacionalização da economia portuguesa.

O cenário macroeconómico apresentado tem subjacente as projeções das


principais instituições económicas nacionais e internacionais conhecidas à data de
elaboração do exercício. O cenário orçamental estimado incorpora as medidas
apresentadas no programa. Tendo em conta os riscos descendentes decorrentes
do contexto geopolítico, optou-se por não incluir diretamente os seus impactos no
cenário macroeconómico. Neste contexto, o impacto das medidas é considerado
como uma oportunidade ascendente sobre o crescimento da atividade económica.

As medidas consideradas permitirão que o cenário macroeconómico apresente


riscos mais equilibrados sobre o crescimento da atividade económica e do
emprego, contribuindo por essa via para uma maior robustez do cenário
macroeconómico apresentado, e funcionando como estabilizadores num contexto
de elevada incerteza. As medidas de política traduzir-se-ão num impulso positivo
sobre o crescimento económico, aumentando o potencial de crescimento
apresentado no cenário macroeconómico subjacente, designadamente pelo seu
impacto significativo sobre a estrutura produtiva da economia nacional. Este
cenário reflete o projeto político do PS e o seu compromisso com os portugueses
de uma política macroeconómica e orçamental credível, realista e prudente, crucial
num contexto externo particularmente incerto.

12
O FUTURO É JÁ
Tabela 1 - Cenário Macroeconómico Plurianual subjacente ao Programa Eleitoral

Este cenário antecipa a manutenção da trajetória de convergência com os


restantes países da área do euro, com um crescimento médio de 2% ao ano,
ancorado num aumento sustentado da produtividade. O recurso a esta previsão de
crescimento não é falta de ambição por um maior nível de crescimento económico,
mas sim a responsabilidade de apresentar um cenário prudente, em linha com as
projeções económicas conhecidas e com os princípios aplicáveis à elaboração do
Orçamento do Estado.

Num contexto marcado pelos desafios da evolução demográfica, antecipa-se a


manutenção de elevados níveis de emprego e uma estabilização da taxa de
desemprego ao longo do período, tendo como pano de fundo um mercado de
trabalho próximo do pleno emprego.

Após medidas, o exercício apresenta saldos orçamentais equilibrados, uma


redução sustentada da dívida pública e um crescimento médio da despesa
corrente primária de 4%, em linha com o crescimento do PIB nominal.

Estes indicadores são críticos para assegurar a sustentabilidade das finanças


públicas – garantindo o cumprimento das regras orçamentais europeias
recentemente revistas e da Lei de Enquadramento Orçamental – e asseguram a
continuidade do usufruto das vantagens decorrentes desta política orçamental:

13
PROGRAMA ELEITORAL 2025
maior grau de liberdade das políticas públicas para dar resposta em cada momento
aos desafios do país e acesso a condições de financiamento mais favoráveis para
famílias e empresas.

Tabela 2 - Indicadores Orçamentais

É neste contexto, e em resultado da governação do Partido Socialista na última década,


que o próximo Governo do PS assume perante os portugueses os compromissos
vertidos neste programa com total confiança de que os levará a bom porto, sem
defraudar expectativas e dando resposta às preocupações de todos os portugueses. Das
diversas propostas apresentadas no nosso programa, destacamos as prioridades que
tocam o dia-a-dia das famílias, com a confiança de quem conhece o seu país e acredita
que, junto, podemos dar um novo impulso a Portugal.

i) Reduzir os impostos com base numa política fiscal inteligente, seletiva,


que promova uma distribuição mais equilibrada do rendimento e que
estimule o investimento:

● Assegurar às famílias o regresso, agora permanente, do IVA Zero nos


produtos essenciais do cabaz alimentar;

● Alargar a taxa reduzida de 6% de IVA a todos os consumos eletricidade


da potência contratada até 6,9 kVA;

● Reduzir em pelo menos 20% o IUC dos veículos até média cilindrada,
matriculados após 1 de julho de 2007;

● Aprofundar a seletividade da descida do IRC para as empresas,


privilegiando a descida do imposto para as que reinvestem os seus
lucros e valorizam salários.

ii) Aumentar o salário mínimo nacional e reforçar as metas para valorização do


salário médio:

● Aumentar o salário mínimo em pelo menos €60 por ano, atingindo um


aumento de, no mínimo, €240 para €1.110 em 2029;

● Aumento do salário médio em pelo menos 5% ao ano, atingindo pelo


menos os €2.000 em 2029.

14
O FUTURO É JÁ
iii) Aumentar o rendimento disponível das famílias:

● Prosseguir a política de alargamento da gratuitidade das creches e


concretizar a gratuitidade da educação pré-escolar;

● Reforçar o abono de família para as crianças dos 3 aos 6 anos de todos


os escalões de rendimento, com um aumento de 50% do valor do abono
ao longo da legislatura;

● Fixar os preços do gás engarrafado com base numa proposta da ERSE,


que reavaliará periodicamente o limite de preço.

iv) Reforçar os apoios na parentalidade:

● Alargar a licença parental por forma a garantir um acompanhamento


mais longo da criança por parte dos pais e das mães e reforçar a partilha
entre homens e mulheres;

● Criar o Programa “Pé-de-Meia”, em que o Estado atribui €500 em


certificados de aforro a cada criança nascida, valor que pode ser
reforçado e resgatado aos 18 anos de idade.

v) Apostar na efetivação do direito à habitação:

● Criar instrumentos permanentes de financiamento da construção de


habitação pública, especialmente dirigida à classe média, jovens,
trabalhadores deslocados e estudantes do ensino superior, ampliando
as soluções já postas em prática pelo Partido Socialista, criando uma
dotação anual, financiada por parte dos dividendos da CGD, destinada
à promoção e manutenção de habitação pelas autarquias;

● Assegurar que todas as famílias com taxa de esforço elevada, incluindo


as da classe média, têm acesso a um apoio ao pagamento da renda.

vi) Promover um SNS universal, forte e resiliente:

● Colocar mais médicos de família nos centros de saúde que mais


precisam de médicos através da criação de um apoio ao alojamento
para médicos que aceitem deslocar-se;

● Integrar a medicina dentária e a saúde mental no pacote de cuidados


básicos do SNS, e generalizar os rastreios visuais e auditivos na infância.

15
PROGRAMA ELEITORAL 2025
vii) Apoiar o início de vida adulta dos jovens

● Reduzir de forma gradual a propina de licenciatura, até à sua extinção


no prazo de uma década;

● Adotar um ano zero do IRS Jovem, que não penalize os trabalhadores-


estudantes e o início de carreira a meio do ano civil dos jovens.

16
O FUTURO É JÁ

1.ª MISSÃO:
Uma economia em
transformação assente
em contas equilibradas

1. Uma economia inovadora


em transformação

No último ano, a economia nacional inverteu a trajetória positiva conseguida pelos


portugueses nos anos anteriores. Além do forte abrandamento do crescimento do
PIB, do investimento, do emprego e dos salários, também a balança comercial
externa de bens e serviços teve uma evolução menos favorável. Ao mesmo tempo,
a carga fiscal subiu 0,1 pp para 35,7% em 2024, quando em 2023 o PS a havia baixado
em 0,3 pp. A coligação AD prometeu crescimentos do PIB acima de 3% e reduzir a
carga fiscal sobre a economia e os portugueses, mas foi incapaz de suster o
crescimento deixado pelo PS e até agravou a carga fiscal.

A AD mostra estar impreparada para enfrentar a complexa conjuntura económica


internacional com que nos deparamos já em 2025. Urge retomar a visão estratégica
e as políticas do Partido Socialista para o país, voltando a colocar Portugal na senda
do crescimento económico.

1.1 Mais crescimento e melhores salários

Trinta anos volvidos no percurso que levou às exponenciais melhorias na


qualificação da população, o défice já não é neste âmbito mas sim na economia e
nos salários. Portugal é hoje um exportador de qualificações escolares, académicas
e profissionais, patente na saída de trabalhadores qualificados e na entrada de
trabalhadores não especializados.

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PROGRAMA ELEITORAL 2025
O sucesso de Portugal na antecipação da dupla transição, verde e digital, cria a
oportunidade de atrair investimentos estratégicos para as próximas décadas. A via
para o crescimento da economia e dos salários assenta na internacionalização e no
fomento da intensidade tecnológica e do valor acrescentado das exportações
nacionais de bens e serviços. Para qualificar a produção é indispensável atrair e fixar
mais investimento produtivo, nacional e estrangeiro. Para atrair mais investimento,
na era da descarbonização, é preciso eletrificar, com eletricidade verde.

Os investimentos acumulados e em curso na produção de eletricidade renovável e


barata (das mais competitivas da Europa), e na infraestrutura de Internet (um dos
maiores aumentos de disponibilidade e redução de custo na Europa), potenciam a
atração de investimento de alta intensidade em capital e tecnologia na indústria
limpa e na economia digital.

É crucial desenvolver uma política industrial que promova investimentos


produtivos intensivos em capital, tecnologia e I&D. Importa incentivar a
qualificação do trabalho, para lá da criação quantitativa de emprego, promovendo
atividades mais intensivas em capital e tecnologia, potenciadoras de melhores
salários e mais capazes de reter talento.

1.2. Mais seletividade, mais inovação

Se Portugal pretende escapar à “armadilha dos países de rendimento intermédio”,


tem de intensificar a sofisticação e a complexidade dos bens e serviços que produz.
Não é possível transformar a economia sem um crescimento sustentado da
produtividade, que depende da incorporação de tecnologia e conhecimento nas
atividades produtivas. A estratégia de desenvolvimento económico que o PS
propõe passa por incentivos ao investimento em atividades reprodutivas, de bens
transacionáveis com maior intensidade tecnológica e valor acrescentado, a par da
diversificação dos serviços no quadro da economia digital.

A qualificação produtiva da economia torna-se mais difícil com um tecido


empresarial pulverizado (com muitas empresas de muito pequena dimensão) e
dualizado (com poucas grandes empresas exportadoras e muitas pequenas
empresas que vendem apenas para o mercado interno). Apesar dos avanços
significativos nos últimos anos, estas vulnerabilidades ainda são visíveis no fraco
peso do emprego em atividades intensivas em conhecimento, na baixa intensidade
tecnológica das exportações, no défice crónico da balança de bens e no conteúdo
importado das exportações e do investimento.

O perfil de especialização da economia continua a ser um travão para que as


empresas nacionais possam competir com concorrentes mais sofisticados e, assim,

18
O FUTURO É JÁ
tirar proveito das oportunidades criadas pelo avanço tecnológico, no aumento dos
níveis de produtividade e na capacidade de pagar melhores salários. A transição
para uma economia da inovação dificilmente será conseguida sem políticas
inteligentes e mobilizadoras.

A primeira e principal missão do PS deve ser a de acelerar e aprofundar a alteração


do perfil de especialização da nossa economia. Só com uma economia sofisticada,
diversificada e complexa podemos produzir com maior valor acrescentado, pagar
melhores salários e gerar as receitas para financiar um Estado Social avançado.

Precisamos de investir, de forma mais intensa e persistente, na inovação, produção


e transferência de conhecimento para as empresas. A boa aplicação dos fundos
europeus é, neste sentido, uma oportunidade sem precedentes para transformar o
perfil de especialização da nossa economia e acelerar a convergência com a União
Europeia.

O PS ambiciona uma economia com empresas mais robustas, sofisticadas e


internacionalizadas, que invistam mais em equipamentos avançados, em
tecnologias digitais e na relação com os clientes. Precisamos de empresas com
uma logística sofisticada, de investigação, desenvolvimento e criação de patentes,
que minimizem os impactos ambientais e assumam a transição energética e a
descarbonização. Empresas que qualificam e remuneram melhor o trabalho. O que
implica garantir a plena implementação do PORTUGAL 2030 e do PRR, incluindo
os investimentos previstos, bem como as reformas estruturais que os
acompanham.

A incapacidade de fazer escolhas tem-se traduzido, contudo, numa pulverização


dos apoios por inúmeros setores, atividades e projetos, através de sistemas de
incentivos de banda larga, que não contribuem para o aumento da produtividade
da economia e a sua efetiva transformação. Não está em causa nenhuma visão
dirigista ou estatizante da economia - as empresas devem investir onde melhor
entenderem, mas o Estado tem de fazer escolhas quanto aos setores e tecnologias
que pretende estimular, a partir de uma estratégia de desenvolvimento assente na
especialização inteligente do país e das suas regiões.

É preciso inverter a tendência para que os programas de incentivos sejam dos


menos seletivos à escala da UE, atribuindo pouco dinheiro a quase todas as
empresas elegíveis. Em alternativa, devemos assumir um desígnio nacional para o
próximo decénio: selecionar um número limitado de áreas estratégicas onde se
concentra uma parte relevante dos apoios ao investimento, à inovação e à
transferência de conhecimento. Um processo de seleção que deve ser,
naturalmente, participado, transparente e obedecer a critérios rigorosos.

19
PROGRAMA ELEITORAL 2025
Para tal, o Partido Socialista vai lançar uma nova geração de políticas promotoras de
crescimento económico, assentes num “Contrato Social para o Desenvolvimento
Sustentável” articulado em sede de Concertação Social, para;

● Identificar, num trabalho conjunto de organismos da Administração Pública e


do sistema de inovação e conhecimento, as potencialidades nacionais em
setores, cadeias de valor e tecnologias-chave para a transformação da
economia, com destaque para as áreas produtivas associadas à dupla transição,
verde e digital, e a cadeias de valor ligadas a matérias-primas críticas e o hub
euro-atlântico de telecomunicações;

● Aumentar a seletividade dos sistemas de incentivos às empresas, sem


prejuízo do apoio ao investimento em áreas transversais como a formação,
transição digital, crescimento verde e internacionalização da economia,
concentrando os fundos disponíveis num número limitado e estratégico de
domínios e setores, a partir de uma avaliação rigorosa no quadro do sistema
de inovação e conhecimento.

● Acompanhar a concretização das agendas mobilizadoras, integrando os seus


resultados no trabalho de análise e mapeamento dos setores, cadeias de valor
e tecnologias referido;

● Retomar a estratégia dos “Pactos Setoriais para a Competitividade e


Internacionalização”, revisitando a política de clusters na perspetiva de uma
estratégia industrial integrada e ajustando-os ao novo ciclo de investimentos,
PRR e PT2030, reforçando a integração da economia nacional nas cadeias de
valor globais;

● Potenciar as parcerias com o sistema científico e tecnológico, priorizando a


produtividade e competitividade, o crescimento da I&DI, a orientação
exportadora, a intensidade tecnológica e a diversificação de destino e presença
internacional, a qualificação profissional em ambiente empresarial de
trabalhadores e gestores, a par dos sistemas de melhoria da gestão da
qualidade de produtos, processos e pessoas;

● Simplificar o Regime de Benefícios Fiscais ao Investimento e à Inovação, através


da reforma e racionalização dos diversos mecanismos fiscais existentes,
premiando fiscalmente as empresas que promovam reinvestimentos
produtivos em vertentes como tecnologia, inovação, internacionalização,
valorização salarial e boas práticas sociais, alargando as elegibilidades;

20
O FUTURO É JÁ
● Avaliar a racionalização do Incentivo Fiscal à Investigação Científica e Inovação
(IFICI), designadamente na sua abrangência;

● Executar uma nova estratégia para as empresas públicas que, dotadas de


know-how e capacidade de investimento, possam assumir um trabalho de
coordenação (empresas-âncora) na modernização e sofisticação dos setores
onde atuam.

1.3. Mais competitividade, mais internacionalização

Dinamizar a nova economia é hoje um desígnio nacional, que deve mobilizar os


setores público e privado. É necessário alcançar uma nova centralidade, no quadro
da inserção de Portugal nos grandes fluxos europeus e globais, com ganhos de
escala, visando a expansão e melhoria da logística nacional e internacional de bens,
serviços, energia e dados. Uma logística que promova uma economia interna mais
eficaz e as exportações, reduzindo distâncias, tempo e custos, e assegurando as
importações necessárias aos processos produtivos. Uma nova centralidade que
impulsione o crescimento, valorize os salários e melhore o poder de compra dos
Portugueses.

Para isso, o PS irá lançar um Programa Nacional para a Competitividade e


Internacionalização que aposte no aumento da presença internacional das
empresas portuguesas, através do:

● Aumento do número de exportadores, do volume de exportações e seu valor


acrescentado, visando duplicar, no próximo decénio, o valor médio exportado
por empresa e alcançar os 60% de exportações sobre o PIB;

● Incentivo à diversificação do destino das exportações de bens e serviços,


orientando a nossa presença nos mercados mais maduros, como o mercado
interno europeu, para ganho de quotas de mercado em produtos de maior
valor acrescentado;

● Reforço da articulação entre as entidades públicas de promoção económica,


integrando políticas e recursos da AICEP, do IAPMEI, do Turismo de Portugal,
da ANI e do Banco Português de Fomento, visando o aumento da capacidade,
coerência e escala de recursos associados ao desenvolvimento de projetos
empresariais;

● Redução dos custos de contexto das empresas através de um programa de


racionalização de taxas, no quadro da simplificação administrativa;

21
PROGRAMA ELEITORAL 2025
● Desenvolvimento de produtos financeiros para concessão de crédito a
atividades com longos ciclos de produção e de bens de equipamento, e de
seguro de crédito, em complemento aos operadores de mercado, visando
aumentar a capacidade concorrencial das empresas;

● Incentivo à presença internacional das nossas empresas, através de processos


de verticalização nos produtos de consumo final, maior presença nas atividades
de distribuição e retalho, com aposta em marcas próprias e crescimento por
aquisição ou orgânico, em atividades produtivas de bens e serviços localizadas
em espaços geográficos que aglomeram cadeias de valor essenciais na nossa
estrutura produtiva (setor automóvel e componentes, por exemplo);

● Desenvolvimento, em parceria com o sistema financeiro, de um instrumento


de capital e dívida destinado a aquisições internacionais e ao posicionamento
em mercados-chave;

● Apoio à captação de investimento nacional e estrangeiro em territórios de


baixa densidade, de forma a fomentar o desenvolvimento económico do
interior e insular;

● Mobilização dos investidores e dos agentes económicos da Diáspora e do


espaço da lusofonia, no âmbito das relações económicas e da cooperação para
o desenvolvimento.

● Planeamento do uso do território, garantindo a disponibilidade de solo para


usos industriais viáveis, estruturando parques empresariais, alinhados com os
clusters e devidamente infraestruturados nos seus acessos, com previsibilidade
no calendário dos licenciamentos;

● Desburocratização do licenciamento industrial e dos financiamentos europeus,


tornando-os mais céleres e transparentes, com a generalização de portais
eletrónicos e maior previsibilidade e capacidade de resposta nos avisos de
abertura, análise de candidaturas e pedidos de pagamento;

● Maximização do financiamento europeu e nacional, assegurando o seu


alinhamento com a Estratégia Industrial da UE, nomeadamente em matéria de
transição verde e digital, por via de REPowerEU, do Regulamento Europeu das
Matérias-Primas Críticas, do Regulamento Europeu da Indústria de Impacto
Zero e do Plano Industrial do Pacto Ecológico Europeu, entre outros;

22
O FUTURO É JÁ
● Reforço do apoio técnico aos municípios, empresas, associações de
desenvolvimento e instituições da economia social, tendo em vista aumentar a
qualidade e taxa de sucesso das suas candidaturas;

● Lançamento de um programa integrado de apoio à inovação e à economia


circular, visando criar projetos mobilizadores no âmbito da Plataforma de
Tecnologias Estratégicas para a Europa, reutilização de resíduos e utilização de
novos materiais e processos industriais, com destaque para áreas críticas da
nossa estrutura industrial, como o têxtil, vestuário e calçado, rochas
ornamentais e mobilidade (baterias);

● Promoção de parcerias público-privadas-associativas no âmbito das novas


atividades produtivas, seguindo as boas práticas de setores tradicionais (como
o têxtil), de áreas mais transversais (componentes automóveis), ou mais
recentes (aeronáutica), partindo de projetos-âncora, como no caso dos
automóveis elétricos, microeletrónica e semicondutores.

1.4 Um setor financeiro ao serviço da economia

O crescimento económico depende de um sistema financeiro que garanta


resposta às necessidades de financiamento das empresas nacionais. Num setor
cada vez mais integrado no espaço europeu e global, é fundamental assegurar
uma supervisão pública com independência e eficácia, e um quadro regulatório
que assegure a competitividade e a proporcionalidade de acordo com o risco,
promovendo a diversidade e a concorrência, bem como a proteção e redução dos
custos dos clientes dos serviços financeiros.

Para isso, o PS vai:

● Relançar o Programa Capitalizar, de apoio à transição geracional e à valorização


de ativos empresariais, assente em quatro pilares:

○ Programa de ganhos de escala, fusões, aquisições e recuperação de ativos,


com incentivos fiscais à capitalização de empresas em recuperação através
da consolidação dos créditos;

○ Reforço dos mecanismos de tratamento fiscal privilegiado de reforço de


capitais face ao financiamento por capitais alheios;

○ Revisão do contrato de mandato do Banco Português de Fomento,


adequando os instrumentos de acesso ao capital e quase capital às
necessidades das empresas;

23
PROGRAMA ELEITORAL 2025
○ Programa de transição geracional das empresas familiares, com acesso a
mecanismos de capital, financiamento e mentoria;

● Reduzir as limitações legais ao financiamento através de obrigações e a outras


fontes de financiamento alternativas ao setor bancário;

● Desenvolver incentivos à utilização de estruturas de financiamento agrupado


por empresas de pequena e média dimensão;

● Alargar os serviços mínimos bancários no contexto da crescente digitalização


dos serviços financeiros;

● Aprofundar o quadro legal das comissões bancárias, melhorando a fiscalização


da razoabilidade das mesmas e assegurando maior comparabilidade entre
operadores;

● Criar uma função de mediação e resolução alternativa de litígios para proteção


de todos os consumidores de serviços financeiros;

● Reforçar a segurança de diferentes instrumentos financeiros, criando um fundo


de garantia de produtos de seguros e duplicando para 50.000€ a cobertura do
Sistema de Indemnização aos Investidores;

● Ampliar a oferta de produtos de aforro do Estado (certificados de aforro e


certificados do Tesouro), melhorando a qualidade da informação e reforçando
a digitalização dos serviços e dos canais de distribuição;

● Rever o regime das SGPS, sujeitando-as a uma supervisão que reforce os


mecanismos de transparência;

● Reformar o sistema de supervisão financeira, segregando a função de


resolução relativamente às funções de supervisão e regulando a atividade dos
peritos avaliadores de imóveis, assegurando um maior controlo da sua
idoneidade, independência e rotatividade;

● Fortalecer o reporte de operações offshore, sobretudo as transferências


recebidas e operações efetuadas no mesmo grupo;

● Promover o investimento em capital de risco por parte de seguradoras e fundos


de pensões;

● Rever o regime dos serviços de pagamento e moeda eletrónica, criando


soluções mais acessíveis a cidadãos e empresas;

24
O FUTURO É JÁ
● Avaliar o modelo de fixação de taxas de supervisão, garantindo maior
autonomia e responsabilização.

1.5 Um comércio mais forte e inovador

O comércio e os serviços abertos ao consumidor são setores muito relevantes para


a economia e o emprego. O comércio tem um papel fundamental na vitalidade das
cidades e das vilas, na qualidade de vida dos cidadãos e no desenvolvimento de
outros domínios da economia nacional. Em 2023, o Governo do PS aprovou a
“Agenda para a Competitividade do Comércio e Serviços 2030”, com um montante
de investimento global superior a €400 milhões e que representa o programa com
maior dotação de sempre para apoio a estas atividades. Não tendo esta Agenda
avançado com o Governo da AD, o PS retomará a sua concretização. Assim, o PS irá:

● Melhorar e simplificar o enquadramento legislativo e a redução dos custos de


contexto para as empresas de comércio, no âmbito do Regime Jurídico de
Acesso e Exercício a Atividades de Comércio, Serviços e Restauração e de outros
regimes especiais;

● Acompanhar as “Aceleradoras de Comércio Digital” previstas no PRR, avaliando


a maturidade digital de micro, pequenas e médias empresas e promovendo a
sua capacitação e presença digital;

● Dar continuidade ao projeto “Bairros Comerciais Digitais” previsto no PRR,


valorizando o ‘comércio de rua’ e de proximidade, promovendo a inovação com
recurso a tecnologias digitais;

● Apoiar ações de formação, adequando as competências dos profissionais do


comércio às necessidades da economia e da transição verde e digital,
consagrando um “Pacto para a Capacitação dos Operadores Económicos”;

● Incentivar projetos de criação de emprego e diversificação das economias


locais, através do programa “+Emprego e empreendedorismo no Comércio e
Serviços”;

● Dinamizar novos sistemas de incentivos para apoio à inovação organizacional,


logística e transformação digital do comércio, bem como ao desenvolvimento
de novos modelos de negócio e de projetos inovadores associados à economia
circular;

● Desenvolver instrumentos de informação e apoio aos empresários do comércio


e serviços, prosseguindo a conceção do “Mapa do Comércio, Serviços e

25
PROGRAMA ELEITORAL 2025
Restauração” como base de dados georreferenciada dos estabelecimentos do
setor em território continental.

1.6. Maior proteção dos consumidores

A proteção dos consumidores é uma questão central na transformação da


economia, tanto a nível nacional como europeu, assumindo particular enfoque nos
consumidores mais vulneráveis. A extensão dos prazos de garantia dos bens
móveis, a proibição da obsolescência programada, a regulação de ecossistemas
digitais, o reforço da legislação para a prevenção e fiscalização de cláusulas
abusivas em contratos, entre outros exemplos, refletem o património e o
compromisso do Partido Socialista nesta área. Assim, o PS irá:

● Instituir o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor e o Portal do


Consumidor, numa lógica de balcão único, por forma a reforçar a defesa dos
direitos dos consumidores, o seu esclarecimento e eventual resolução de
conflitos;

● Definir o Estatuto do Consumidor Vulnerável;

● Rever o Código da Publicidade, definindo mecanismos de prevenção e sanção


de técnicas agressivas de vendas e publicidade;

● Melhorar os sistemas públicos de prevenção e apoio ao consumidor


endividado, desenvolvendo ações de literacia financeira e formas de
acompanhamento ágeis e permanentes;

● Definir um “Índice de Reparabilidade de Produtos”, permita ao consumidor


obter informação sobre a vida útil dos produtos;

● Transmitir aos consumidores toda a informação sobre a composição dos


produtos agroalimentares, a sua origem e o impacto ambiental da sua
produção, estimulando a adoção de hábitos de vida saudáveis;

● Criar condições para o alargamento e modernização da rede de centros de


arbitragem de consumo, sobretudo no que concerne à sua cobertura territorial
e acesso digital na resolução alternativa de litígios;

● Melhorar o enquadramento legal e reforçar a fiscalização do jogo, reforçando


as estruturas inspetivas com os meios e as competências necessárias a uma
maior capacidade de atuação, sobretudo na prevenção e combate ao jogo
ilegal, branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo.

26
O FUTURO É JÁ
1.7. Melhor Turismo

O turismo é um setor importante da economia nacional, representando mais de


20% das exportações e 6% do emprego e constituindo um fator de coesão territorial
e social, com impacto positivo nos territórios e nas suas populações.

O nosso país tem recursos turísticos muito diversos, cuja valorização permite
dinamizar as economias locais e gerar um efeito multiplicador em várias áreas.
Contudo, cerca de 85% da procura turística ainda se concentra no litoral,
importando incrementar o setor no interior, num desenvolvimento assente em
claros padrões de sustentabilidade, devendo as políticas públicas vincar a
importância da preservação dos recursos e salvaguarda da sua autenticidade.
Nesse sentido, o PS irá:

● Pugnar para que as receitas turísticas tenham um reflexo crescente nos


salários dos seus trabalhadores;

● Reforçar a sustentabilidade e competitividade das empresas do setor, através


do apoio seletivo ao investimento privado que concorra para a:

○ Transição verde, em particular ao nível da eficiência energética e do


aproveitamento, uso e gestão sustentável da água;

○ Transição digital, considerando que em Portugal apenas 30% das empresas


até 10 trabalhadores têm páginas na Internet;

○ Internacionalização, incentivando a presença das empresas em mercados


internacionais e desenvolvendo marcas com relevância;

● Promover um turismo sustentável, abrangendo a preservação e valorização do


património histórico-cultural, as áreas protegidas e orla costeira, bem como a
salvaguarda da identidade e autenticidade dos lugares, promovendo a
regeneração urbana, a valorização do comércio local e a melhoria da qualidade
de vida dos residentes;

● Desenvolver a “Agenda do Turismo para o Interior”, promovendo um turismo


mais equilibrado no território e uma maior diversificação da oferta turística do
país.

27
PROGRAMA ELEITORAL 2025

2. Uma fiscalidade inteligente e seletiva

O PS entende a política fiscal como um instrumento de política pública que assegura a


arrecadação de receitas para financiar serviços públicos, redistribuir riqueza e induzir
comportamentos. Uma fiscalidade justa tem de garantir que cada um paga de acordo
com as suas possibilidades, de modo a que o esforço fiscal seja adequadamente
repartido entre famílias e empresas e entre uma tributação direta e indireta que
assegure a progressividade dos impostos sobre o trabalho e não agravamento da
regressividade dos impostos indiretos.

Foi a partir desta orientação que o PS promoveu, nos últimos anos, várias descidas de
impostos. No IRS, através de uma descida de €2.000 milhões de euros entre 2015 e 2023, a
que somou uma nova descida de €1.300 milhões em 2024 - que já estava em vigor desde 1
de janeiro e que serviu de base ao primeiro grande embuste da AD, que anunciou uma
descida de 1.500 milhões de euros em IRS que, afinal, já estava concretizada em 80% pelo
Governo do PS. No IRC, o PS eliminou o pagamento especial por conta, reduziu taxas para
PME, criou incentivos ao investimento e à capitalização e à valorização dos salários. No IVA,
as descidas mais emblemáticas ocorreram na restauração e na eletricidade.

Ao longo do último ano, o PS foi responsável pela descida adicional do IRS,


beneficiando a maioria das famílias, pelo aumento de €600 para €800 da dedução
dos encargos com rendas em IRS e pela duplicação do consumo de energia elétrica
sujeito à taxa reduzida do IVA, medidas aprovadas com o voto contra do PSD e CDS.

Os partidos da direita centram o debate sobre política fiscal no conceito de “carga


fiscal”, ignorando que, enquanto o peso dos impostos diretos, tendencialmente
mais progressivos, são inferiores em Portugal à média da UE (10,7% vs. 13,2%,
respetivamente), os impostos indiretos, tendencialmente mais regressivos pesam
mais em Portugal do que na UE (14,5% vs. 12,9%, respetivamente). Em 2023, Portugal
tinha mesmo a 7.ª maior carga fiscal da UE em impostos indiretos.

As medidas fiscais adotadas no último ano pelo Governo da AD favorecem uma


minoria e são pagas pela grande maioria dos portugueses, sendo já conhecidas as
prioridades para esta área. Quando fala em “reduzir a carga fiscal”, o que a AD tem
para oferecer é uma redução do IRC que custará €1.500 milhões e que não tem
nenhum benefício para as famílias, esgotando recursos públicos em benefício de
uma pequena minoria.

28
O FUTURO É JÁ
Em alternativa, o PS tem propostas que beneficiam a larga maioria das famílias
portuguesas, promovendo uma distribuição mais justa do esforço fiscal, uma melhor
redistribuição da riqueza e o reforço dos rendimentos das famílias, estimulando ao
mesmo tempo o investimento privado. Assim, sem prejuízo de continuar a procurar
outras formas de aumentar o rendimento das famílias por via fiscal ao longo da
legislatura, o Partido Socialista compromete-se desde já a:

● Assegurar às famílias o regresso - agora de forma permanente - do IVA Zero


na alimentação, através de um cabaz de bens alimentares que seja
continuamente monitorizado e que assegure que as margens de lucro da
distribuição não se apropriam dos ganhos para os consumidores;

● Aplicar a taxa reduzida de 6% do IVA a toda a fatura da eletricidade para as


famílias com potência contratada até 6,9 kVA, passando este regime a
beneficiar 5,3 milhões de consumidores, em vez dos 3,4 milhões já abrangidos;

● Reduzir em pelo menos 20% o IUC dos veículos até média cilindrada,
matriculados após 1 de julho de 2007;

● Continuar a aprofundar a seletividade da descida do IRC para as empresas,


privilegiando a descida do imposto para as que reinvestem os seus lucros e
valorizam salários;

● Criar um "Ano Zero" no IRS Jovem, permitindo aos jovens que ingressam no
mercado de trabalho, no segundo semestre de um determinado ano,
beneficiar imediatamente do regime sem perda do 1.º ano de isenção, bem
como não os prejudicando por trabalharem enquanto estudam até um
rendimento anual de até ao valor anual de 14 salários mínimos.

3. Um trabalho mais digno


e melhores salários

O emprego, a qualidade do emprego e o aumento dos rendimentos e dos salários,


a começar pelo salário mínimo, estiveram no centro das prioridades dos Governos
do Partido Socialista entre 2015 e 2023, contra a desconfiança da direita. Essa
prioridade elevou o emprego a níveis históricos, acima dos 5 milhões de
trabalhadores, relançou políticas ativas orientadas para o emprego e reduziu a
precariedade, ao mesmo tempo que o salário mínimo cresceu mais de 60% desde

29
PROGRAMA ELEITORAL 2025
2015 e o salário médio mais de 30%. Os salários e os rendimentos foram entendidos
não como um custo para a competitividade mas sim como uma prioridade para a
economia e sociedade, mudança materializada num acordo plurianual de salários
e rendimentos que juntou Governo e parceiros sociais.

No último ano, a direita herdou estas condições favoráveis e não teve força nem
coragem para reverter o novo consenso na sociedade portuguesa sobre a
importância e necessidade de subir os salários e rendimentos de modo
sustentados. Mas nem por isso deixou de criar brechas no acordo de rendimentos,
permitindo a introdução de cláusulas que vão, a prazo, limitar o crescimento dos
salários e não ajustando os referenciais de evolução do salário médio ao
comportamento do mercado, ao mesmo tempo que segue orientações erradas nas
políticas de emprego. Entretanto, o crescimento do emprego caiu para metade, de
2,3% em 2023 para 1,2% em 2024, e o desemprego jovem cresceu.

A direita é, pois, pouco ambiciosa tanto na política de rendimentos como nas


políticas ativas de emprego e, pior, ameaça pôr em risco as melhorias na qualidade
do emprego e na orientação das políticas, dando já sinais preocupantes de querer
reverter a conquista de direitos pelos trabalhadores, com intenção de recuar em
muitas das matérias em que houve avanços em direção ao trabalho digno,
agravando a precariedade, enfraquecendo a negociação coletiva e a ligação das
políticas ativas com emprego digno, em particular para os jovens.

Pelo contrário, o Partido Socialista entende que não é tempo de recuos: há muito
por fazer e por melhorar na vida dos trabalhadores. Reforçar não apenas os salários,
mas também os direitos sociais e laborais não é um obstáculo, mas um fator de
coesão social e também de competitividade e crescimento económico.

3.1. Renovar a ambição nos salários

Apesar da valorização dos últimos anos, os salários pagos em Portugal continuam


a ser baixos, não estando a acompanhar a evolução das qualificações da nossa mão-
de-obra e não se coadunando com o perfil produtivo que ambicionamos para o
país. Valorizar os salários é valorizar e reforçar o poder de compra dos trabalhadores,
mas é também incentivar as empresas a serem mais eficientes noutras áreas da
sua estrutura de custos e a aumentarem a sua produtividade. É fundamental, por
isso, ter uma ambição redobrada na política de salários.

Nesse sentido, em diálogo com os parceiros sociais, o Partido Socialista


compromete-se a:

30
O FUTURO É JÁ
● Celebrar um novo acordo para valorização dos salários em sede de
Concertação Social, com metas mais ambiciosas na trajetória do salário
mínimo nacional e do salário médio, com o objetivo de atingir pelo menos
€1.110 e €2.000 em 2029, respetivamente;

● No quadro deste novo acordo, encontrar instrumentos para valorizar o trabalho


suplementar e revisitar o conceito de retribuição mínima mensal garantida
previsto na legislação laboral, em ordem a clarificar as componentes que o
integram;

● Adotar instrumentos de promoção da transparência e publicitação das práticas


de cada empresa em matéria de leques salariais, à rotatividade do emprego e
à igualdade entre de género nos quadros dirigentes, tomando como exemplo
os mecanismos já aplicáveis na área da igualdade salarial entre homens e
mulheres.

3.2. Tempos de trabalho e parentalidade: desígnio comum,


responsabilidade partilhada

A promoção de tempos de trabalho mais equilibrados e com melhores condições


de conciliação entre vida profissional, pessoal e familiar é um desígnio essencial
para o PS e para o país. Em 2026, terão passado 30 anos desde que Portugal reduziu
pela última vez o tempo de trabalho. Foi em 1996, com um Governo do PS, que a
semana de trabalho foi reduzida das 42 para as 40 horas.

Foi também o PS que esteve sempre na linha da frente do progresso no que


respeita aos instrumentos de proteção dos trabalhadores na parentalidade, não só
do ponto de vista dos apoios sociais à infância mas também em matéria de licenças
parentais e mecanismos de flexibilização dos tempos de trabalho para
trabalhadores com filhos. No que toca às licenças, foi o PS que iniciou e reforçou o
caminho da partilha entre pais e mães, essencial para reduzir os obstáculos que as
mulheres enfrentam no mercado de trabalho, por um lado, e para potenciar um
acompanhamento mais efetivo da criança por pais e mães, por outro.

Todos estes objetivos continuam a ser desígnios fundamentais, beneficiando tanto


as crianças, por poderem contar com os cuidados de ambos os progenitores, como
as mulheres e os homens trabalhadores, em condições de maior igualdade perante
o trabalho e perante a família.

Assim, o PS vai propor e discutir em sede de Concertação Social um pacote de


medidas para promover a conciliação e apoiar a parentalidade, procurando obter
um amplo consenso para:

31
PROGRAMA ELEITORAL 2025
● Reduzir, de forma faseada, a semana de trabalho de 40 para 37,5 horas para
todos os trabalhadores, em moldes e condições a discutir com os Parceiros
Sociais e considerando a evolução da situação económica e a avaliação de
impacto em diferentes setores (sem prejuízo das disposições previstas em
negociação coletiva);

● Reformular o modelo de licenças parentais, incluindo:

○ O alargamento dos períodos de licença parental, de modo a garantir um


acompanhamento mais longo da criança por parte dos progenitores e
reforçar a partilha entre homens e mulheres;

○ O alargamento da dispensa para amamentação ou aleitação para permitir a


conciliação com o regresso faseado ao trabalho de até 2 horas para até 4 horas
no 1.º mês após o fim da licença parental e de até 2 horas para até 3 horas até
ao final do 1.º ano de vida da criança.

● Abordar, de forma integrada, os regimes de flexibilidade e de gestão do tempo


de trabalho aplicáveis aos trabalhadores com filhos, incluindo o alargamento
do acesso à possibilidade de teletrabalho como meio facilitador de melhor
conciliação;

● Criar mecanismos que facilitem uma rápida e efetiva substituição do


trabalhador que goza os direitos de parentalidade, através de um programa de
apoio específico ao emprego nestes casos, com articulação direta entre a
empresa e o serviço público de emprego;

● Desenvolver, com as autarquias e outros agentes locais, da Rede Nacional de


Espaços de Teletrabalho/Coworking, minorando os riscos e o isolamento do
teletrabalho e promovendo dinâmicas sociais e económicas de proximidade.

3.3. Diálogo social e relações de trabalho mais fortes e


equilibradas

O diálogo social a todos os níveis é um pilar essencial do nosso modelo económico


e social e a melhor maneira de modernizar a economia e empresas, ao mesmo
tempo que se promovem e salvaguardam avanços nos direitos e condições dos
trabalhadores. Para que esse potencial possa ser cumprido, é essencial fortalecer
os parceiros sociais, e desde logo inverter a tendência de perda de filiação e
densidade sindical, e criar as condições institucionais e os estímulos adequados
para que a concertação social e a negociação coletiva sejam fortes, dinâmicas e
autónomas.

32
O FUTURO É JÁ
Para isso, o PS compromete-se a:

● Propor um pacto de reforma e reforço do diálogo social que inclua:

○ Uma reforma do atual modelo institucional da concertação social, de modo


a reforçar a Comissão Permanente de Concertação Social (CPCS) e a
consagrar a sua plena autonomia, assegurando uma governação própria;

○ A centralização na CPCS de competências tripartidas, como a arbitragem


de matérias laborais, pareceres tripartidos nestas áreas exigidos pela
legislação, o Centro de Relações Laborais e outras competências, desde
logo de monitorização;

○ O reforço do apoio à capacitação dos parceiros sociais e dos seus filiados,


desde logo nas áreas da formação de quadros e da transição digital,
determinantes para a sua implantação social;

○ O desenho e implementação de um programa de reforço do diálogo social, do


associativismo sindical e empresarial e dos mecanismos de representação,
prevendo: i) reforço dos incentivos à sindicalização e ao associativismo
empresarial, aumentando a densidade sindical e associativa e a robustecendo
a representação e representatividade das associações sindicais e empresariais;
e ii) a criação de um mecanismo automatizado de informação associativa para
cada novo contrato de trabalho e para cada empresa criada;

● Lançar uma discussão na concertação social para um Plano de Ação para o


reforço da negociação coletiva, com instrumentos, incentivos e metas
concretas nesta área (taxas de filiação, nível de cobertura por instrumentos
negociais);

● Promover a “corporate governance”, incluindo matérias como a responsabilidade


social interna e externa das empresas, a elevação dos padrões de compliance,
transparência e o cumprimento de padrões ambientais, bem como o reforço da
auscultação e participação interna dos trabalhadores;

● Consagrar o princípio da representação dos trabalhadores nos conselhos de


administração das empresas, tirando partido das experiências internacionais e
nacionais bem sucedidas. Esta medida deve ser concretizada de modo gradual, a
partir de comissões de trabalhadores ou, quando não existam, de processos
democráticos nas empresas, designadamente com o cumprimento a curto prazo
das disposições já existentes relativamente a empresas públicas e o alargamento
da representação às empresas cotadas em bolsa e às maiores empresas;

33
PROGRAMA ELEITORAL 2025
● Alargar o elenco de matérias que devem constar de convenções coletivas de
trabalho, integrando matérias como a responsabilidade social e ambiental das
empresas, a promoção do bem comum e a necessidade de promoverem
programas de cumprimento normativo que previnam a prática de assédio, a
implementação de canais de denúncia interna perante infrações legais e que
previnam a prática de corrupção;

● Concretizar a modalidade de arbitragem consagrada na Agenda do Trabalho Digno


a propósito da caducidade das convenções coletivas, cuja regulamentação o
Governo da direita se recusa a concretizar, restringindo desta forma a possibilidade
de caducidade unilateral destes instrumentos;

● Reduzir a precariedade e a dualização do mercado de trabalho, em particular


nos jovens e nos setores com prevalência de formas atípicas de emprego e
elevada rotatividade;

● Intensificar o esforço inspetivo direcionado para os falsos recibos verdes e para


contratação precária, e monitorizar e prevenir o crescimento injustificado
dessas situações na administração pública central e local;

● Propor a regulamentação do direito à representação coletiva dos trabalhadores


independentes em situação de dependência económica, que o Governo de
direita tem congelado, assegurando o acesso destes trabalhadores a
negociação coletiva específica ou mais abrangente, bem como à representação
através de sindicatos e comissões de trabalhadores, tal como previsto na
Agenda do Trabalho Digno;

● Reforçar o papel dos meios alternativos de resolução de litígios em matéria


laboral, em articulação com os parceiros sociais e com base em previsões na
negociação coletiva, beneficiando da experiência bem-sucedida da arbitragem
de serviços mínimos, incluindo outros conflitos do domínio das relações
coletivas de trabalho.

● Promover um papel mais ativo da DGERT no apoio à negociação de novas


convenções coletivas;

● Adotar uma Estratégia Plurianual de Segurança e Saúde no Trabalho que


responda aos riscos emergentes em áreas como a saúde mental,
promovendo também a revisão da Tabela Nacional de Incapacidades por
Acidentes de trabalho;

34
O FUTURO É JÁ
● Reforçar a Autoridade para as Condições de Trabalho ao nível dos meios
humanos e do uso de dados, permitindo uma atuação mais eficaz na
identificação de situações de risco de incumprimento da lei laboral;

● Definir estratégias de combate ao dumping social com os parceiros


empresariais e sindicais, sinalizando e divulgando os padrões de condições de
trabalho e níveis salariais básicos inerentes ao cumprimento da lei e da
contratação coletiva em vigor e reforçando o papel dissuasor de instrumentos
como o Código dos Contratos Públicos;

● Promover mecanismos alternativos ao lay off em caso de crise empresarial, em


especial no setor da indústria, promovendo a recolocação voluntária de
trabalhadores dentro do mesmo setor, de modo a prevenir despedimentos
coletivos;

● Promover o contributo dos empregadores para soluções de habitação dos


trabalhadores, assegurando uma regulamentação adequada das condições
mínimas de alojamento temporário de trabalhadores deslocados ou migrantes
e definindo responsabilidades dos empregadores nestes casos;

● Assegurar a plena transposição da diretiva europeia sobre transparência


salarial para reforçar o princípio da igualdade salarial por trabalho igual ou de
valor igual;

● Melhorar a proteção dos trabalhadores do serviço doméstico em matéria de


acesso à proteção social e também do ponto de vista das condições laborais,
desde logo com a melhoria da capacidade de fiscalização e regulação do setor,
mas também com estímulos reforçados à regularização de contratos.

● Melhorar a proteção laboral e social dos trabalhadores das plataformas digitais,


em linha com a diretiva europeia, reforçando direitos e consolidando os
progressos da Agenda do Trabalho Digno e avaliando a necessidade de
melhorar aspetos da presunção de contrato aplicável a estes casos, para a
fortalecer, bem como a possibilidade de criar um regime específico de contrato
que acomode as especificidades deste tipo de trabalho;

● Reforçar e densificar a regulamentação sobre o uso de algoritmos, da


inteligência artificial e de dispositivos tecnológicos de monitorização do
trabalho no âmbito da gestão das empresas e das relações laborais, de modo a
assegurar padrões de igualdade de tratamento e a tornar mais transparente e
aumentar o escrutínio sobre estas novas dimensões das relações de trabalho.

35
PROGRAMA ELEITORAL 2025
3.4. Políticas ativas para um melhor emprego

Para assegurar que os instrumentos de política ativa de emprego cumprem os seus


objetivos não só do ponto de vista da criação quantitativa de emprego, mas
também do reforço dos seus padrões de qualidade, o PS vai:

● Avaliar as mudanças feitas pela direita - apressadamente e sem a adequada


consulta dos parceiros sociais - aos programas de emprego, nomeadamente
nos aspetos que reduzem a transparência, a orientação para um emprego
digno e a capacidade de inserção de públicos e territórios mais desfavorecidos;

● Alinhar a política ativa de emprego e a estratégia económica e industrial do


país, mobilizando estes instrumentos para a integração de jovens para o
esforço de transformação da economia e para a aposta em programas
direcionados para setores emergentes, considerados prioritários ou com forte
potencial de crescimento e qualificação do nosso tecido produtivo;

● Lançar iniciativas para a inclusão dos desempregados de longa e muito longa


duração, jovens NEET e inativos desencorajados, de modo a maximizar o
potencial produtivo da economia e o potencial de inclusão do mercado de
trabalho, e dar escala a respostas inovadoras de apoio à procura de emprego,
como as Incubadoras Sociais de Emprego;

● Criar um programa de Mercado Social de Emprego para promover a


aproximação ao mercado de trabalho de públicos dele afastados.

3.5. Formação profissional e qualificação de jovens e adultos

A formação, a aquisição e renovação de competências e as qualificações


certificadas são cada vez mais essenciais para os percursos individuais e para a
capacitação das empresas, com impacto no reforço da competitividade do país.
Depois de um ano de quase paralisia, é preciso reforçar o dinamismo nesta área.
Assim, o PS compromete-se a:

● Relançar uma discussão que permita alcançar um novo acordo plurianual para
vigorar até 2030 e sustentar uma política nacional de formação que combine
competências com qualificações, inovação e flexibilidade dos percursos e
modalidades formativas com qualidade;

● Aprovar uma Lei-Quadro da Formação Profissional, criando um quadro


normativo coerente, e atualizar o Catálogo Nacional de Qualificações, numa
lógica de antecipação de competências;

36
O FUTURO É JÁ
● Lançar ou fazer escalar programas de formação específicos para áreas
consideradas prioritárias para a economia e para a criação de emprego,
aprofundando experiências já testadas no campo das competências digitais, da
internacionalização e das competências verdes;

● Criar e dinamizar uma Rede de Formação Especializada Setorial, a partir dos


centros protocolares do IEFP com outras entidades, reforçando a atratividade
da formação profissional especializada, e elevar os níveis de qualidade da
formação profissional;

● Assegurar o programa nacional de investimentos de requalificação na rede de


centros de formação profissional, aproveitando o investimento do PRR e
avançando para a fase de investimento nacional de igual montante
correspondente até 2030;

● Reforçar o acompanhamento e fiscalização da efetividade do cumprimento das


previsões legais de direito à formação, apostando na divulgação da formação
certificada mas também em ações inspetivas e na penalização das empresas
incumpridoras;

● Reforçar o estímulo à formação e qualificação de adultos empregados,


promovendo Licenças de Formação que apoiem a conclusão de trajetos
formativos conducentes à elevação de níveis de qualificação em áreas de
especialização profissional, nomeadamente com recurso a fundos europeus;

● Desenvolver uma Estratégia Nacional para a Aprendizagem ao Longo da Vida,


com o contributo de diferentes agentes e áreas setoriais e que cubra os vários
níveis de qualificação, de modo a permitir cumprir as metas do Pilar Europeu
dos Direitos Sociais.

4. Infraestruturas ao serviço do
desenvolvimento sustentável

O investimento nas infraestruturas, equipamentos e serviços de transportes públicos é


um instrumento fundamental na promoção da dinâmica económica, da coesão
territorial e da transição climática. O país carece de investimento em todos os modos de
transporte: ferroviário, rodoviário, fluvial, marítimo-portuário e aeroportuário.

37
PROGRAMA ELEITORAL 2025
Estas infraestruturas e serviços devem chegar a todo o território: às áreas
metropolitanas e urbanas, com o alargamento e densificação das redes de
transportes e a adaptação do espaço urbano a uma mobilidade menos
dependente do automóvel; aos territórios de baixa densidade, com investimentos
na rede rodoviária e em serviços de transporte mais flexíveis. Neste contexto,
apostamos na promoção de interfaces que garantam a intermodalidade dos vários
modos e redes de transportes.

4.1. Ferrovia

A rede ferroviária é a espinha dorsal de todo o sistema de transportes, pelo que o


investimento na melhoria das infraestruturas e dos serviços ferroviários continuará
a ser a principal prioridade. Entre 2015 e 2023, o investimento na rede ferroviária
passou de menos de €100 milhões para mais de €500 milhões por ano. É
fundamental não interromper este ciclo de crescimento do investimento, de forma
a assegurar que se mantém a capacidade de resposta do setor público e privado.

Para além dos investimentos no transporte de mercadorias e na eletrificação e


modernização da rede, queremos melhorar os serviços de passageiros e alargar a rede,
levando o comboio a territórios que não são atualmente servidos.

O desenvolvimento do eixo fundamental da futura rede ferroviária está já em curso.


Na visão integrada e plasmada no Plano Ferroviário Nacional (PFN), este eixo é
composto pela Linha de Alta Velocidade (LAV) Porto – Lisboa, a LAV Porto – Valença,
bem como as linhas do Norte, Oeste e Minho, ligando Lisboa, Santarém, Leiria,
Coimbra, Aveiro, Braga, Viana do Castelo e prolongando-se para a Galiza. A
integração com a rede existente permite levar os benefícios da nova linha ao
interior do país.

A par da modernização e eletrificação da rede ferroviária existente, teremos o


aumento da capacidade e cobertura nas Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto,
investimentos prioritários até ao final desta década. Naturalmente, as ligações
internacionais, e desde logo a ligação a Madrid, deve continuar a ser desenvolvida
com o objetivo de estabelecer o comboio como primeira escolha para as
deslocações.

No transporte de mercadorias, o modo ferroviário deve assumir-se como


estruturante dos fluxos de maior volume e de maior distância, procurando-se
aumentar a competitividade das nossas empresas através da redução dos custos
de contexto. Os investimentos na rede permitirão potenciar importantes aumentos
da produtividade empresarial.

38
O FUTURO É JÁ
Com base nestes princípios, o PS irá:

● Retomar os comboios noturnos e criar um comboio direto entre Lisboa e


Madrid, recuperando as ligações ferroviárias internacionais entre Portugal,
Espanha e França;

● Colocar no terreno as obras da Linha de Alta Velocidade (LAV) Porto–Lisboa e


avançar com o lançamento da LAV Porto – Valença;

● Avançar para a concretização de uma nova travessia rodoferroviária do Tejo,


que melhore as ligações entre as duas margens, reduza os constrangimentos
ao tráfego de mercadorias pela Ponte 25 de Abril, e reduza os tempos de
viagem nas ligações de Lisboa ou do Centro e Norte do país para o Alentejo,
Algarve e Espanha;

● Reforçar a capacidade da rede ferroviária em ambas as Áreas Metropolitanas,


com prioridade ao lançamento das obras de quadruplicação da Linha do Minho
entre Contumil e Ermesinde, da Linha de Cintura entre Roma-Areeiro e Braço
de Prata, e da Linha do Norte entre Alverca e Azambuja;

● Prosseguir a modernização da rede ferroviária nacional, mantendo o objetivo


de concluir até ao final da década a eletrificação de toda a rede, em particular,
das Linhas do Oeste, do Alentejo, do Leste e do Douro, incluindo a reabertura
até Barca d’Alva;

● Valorizar a Linha do Vouga, modernizando-a em toda a sua extensão, e


introduzindo um novo modelo de serviço e material circulante com melhores
condições;

● Iniciar os estudos para a futura expansão da rede ferroviária, como previsto no


Plano Ferroviário Nacional, com a ligação às capitais de distrito que ainda não
têm ligação (Viseu, Vila Real e Bragança) e outros projetos, como a Linha do
Vale do Sousa ou a Linha de Loures;

● Promover o crescimento do turismo ferroviário, alargando a oferta a mais linhas


e mais segmentos;

● Promover a competitividade do transporte ferroviário de mercadorias,


corrigindo os desequilíbrios face à rodovia, designadamente em matéria de
apoios públicos e na taxação da infraestrutura ferroviária;

● Eliminar os obstáculos existentes na rede ferroviária à criação de autoestradas


ferroviárias, com o transporte de camiões por comboio;

39
PROGRAMA ELEITORAL 2025
● Diligenciar junto das autoridades de Espanha, de França e da UE para a
implementação das intervenções necessárias, no contexto das Redes
Transeuropeias, ao crescimento do transporte ferroviário de mercadorias entre
Portugal e o resto da Europa;

● Lançar de imediato o concurso para a aquisição de Comboios de Alta


Velocidade para a CP e preparar a entrada neste segmento;

● Prosseguir com a política industrial para o setor, abarcando toda a cadeia de


valor, desde a produção à manutenção e reabilitação de material circulante,
valorizando o cluster nacional da ferrovia;

● Dotar a CP de uma rede de oficinas modernas que lhe permitam responder às


necessidades de manutenção próprias, aumentar a disponibilidade do material
circulante, dar condições de trabalho adequadas e continuar a desempenhar o
papel de concentração de capacidades e competências tecnológicas neste
setor;

● Desenvolver o Centro de Competências Ferroviário como centro de formação,


capacitação e inovação.

4.2. Transportes Públicos Urbanos

O planeamento de longo prazo nas infraestruturas de transportes é essencial,


desde logo, pelo tempo que demora entre o momento da decisão e a conclusão
das obras, e pelos avultados investimentos que lhes estão associados. Além da rede
ferroviária pesada, os sistemas de transporte metropolitano, os Metros, integram o
primeiro nível de estruturação da rede de transportes nas Áreas Metropolitanas de
Lisboa e Porto (AML) e (AMP).

Tanto o Metropolitano de Lisboa como o Metro do Porto têm em curso obras de


construção de novas linhas ou prolongamento das existentes. Em Lisboa, o Metro
vai chegar à Estrela, a Santos, a Campo de Ourique e a Alcântara. Para Odivelas e
Loures, está prevista uma nova linha de Metro Ligeiro. A sul do Tejo, planeia-se o
alargamento do Metro Ligeiro até à Costa da Caparica e Trafaria. Todas estas linhas
e prolongamentos têm sido, no entanto, planeadas de forma isolada, sem uma
visão de rede para a AML.

Isto contrasta com o que se passa na AMP. No caso do Metro do Porto, estão em
construção novas linhas na Baixa do Porto e entre o Porto e Gaia que estavam
planeadas desde o início do sistema, que incluía também os outros
prolongamentos que já estão em estudo.

40
O FUTURO É JÁ
Além de Lisboa e do Porto, existem outras cidades no país onde devem ser
desenvolvidos sistemas integrados de transporte, com diferentes tecnologias e
abordagens, também adequando às características do território. Aqui, destaque
para o desenvolvimento do Sistema de Mobilidade do Mondego, que será o
primeiro destes sistemas a entrar em funcionamento fora das duas Áreas
Metropolitanas.

Neste domínio, o Partido Socialista compromete-se desde já a:

● Na Área Metropolitana de Lisboa:

○ Prosseguir com os projetos de expansão do Metro de Lisboa que estão em


curso, incluindo a Linha Violeta, sem excluir uma reavaliação do modelo de
operação da Linha Circular;

○ Desenvolver um plano de rede que integre o Metro de Lisboa, o Metro Sul


do Tejo e as outras linhas de Metro Ligeiro propostas para a Margem Norte,
tratando-os como parte de um único sistema de Metro, ligado entre as duas
margens;

○ Estruturar o Arco Ribeirinho Sul com Metro entre Almada, Seixal, Barreiro,
Montijo e Alcochete;

○ Reforçar o serviço ferroviário nas várias linhas suburbanas da AML e


prolongar os comboios urbanos até Torres Vedras;

○ Reforçar as ligações fluviais no Tejo.

● Na Área Metropolitana do Porto:

○ Concluir as obras em curso nas Linhas Rosa e Rubi do Metro do Porto;

○ Assegurar o avanço dos projetos para a terceira fase do Metro do Porto, com
as novas linhas para Gondomar, Maia, Trofa e Matosinhos, em modo
ferroviário ligeiro;

○ Criar as condições para o prolongamento do serviço ferroviário da Linha de


Leixões até ao centro de Matosinhos;

○ Integrar a Linha do Vouga no sistema Andante e criar a articulação com os


restantes serviços ferroviários com ligação ao Porto.

● Lançar o programa “Mais Perto”, criando sistemas integrados de transporte


em cidades e rede urbanas de média dimensão, nomeadamente:

41
PROGRAMA ELEITORAL 2025
○ Na Região de Coimbra, assegurar a entrada em funcionamento do Sistema
de Mobilidade do Mondego e planear a sua futura expansão na cidade de
Coimbra e para os municípios vizinhos;

○ No Quadrilátero do Minho, avançar para a criação de um Sistema de


Mobilidade do Cávado-Ave que estruture o quadrilátero urbano formado
por Braga, Guimarães, Barcelos e Famalicão, em articulação com a rede
ferroviária e com o sistema de transportes da AMP;

○ Na Região de Aveiro, considerar o prolongamento da Linha do Vouga, como


base de um futuro metro de superfície;

○ No Algarve, avançar com a criação de um sistema de transporte coletivo


que sirva as zonas urbanas que não são servidas pela Linha do Algarve e
inclua ligação ao Aeroporto;

○ Na Beira Interior, estruturar o eixo Castelo Branco–Fundão–Covilhã– Guarda


com uma oferta de transporte ferroviário frequente e articulado com os
transportes urbanos em cada uma das cidades.

● Consolidar os diferentes programas de incentivo ao transporte público de


passageiros e de apoio à redução tarifária;

● Melhorar condições de conforto e segurança dos passageiros nas acessibilidades,


em locais de espera e nos transportes públicos, e eliminar barreiras físicas e
arquitetónicas para as pessoas de mobilidade condicionada.

4.3. Rede Rodoviária

Se a rede ferroviária é aquela que deve constituir a espinha dorsal do sistema de


transportes do país, a rede rodoviária é aquela que assegura acessibilidade a todos os
pontos do território, e deve fazê-lo com qualidade e segurança. Portugal tem uma das
melhores redes de estradas da Europa, mas subsistem territórios sem acessos de
qualidade adequada, onde continuará a ser necessário melhorar a rede rodoviária. Nos
últimos Governos do PS, foram mobilizadas verbas do PRR e do Orçamento de Estado
para algumas obras prioritárias, como a requalificação e duplicação do IP3. Com o
avanço e progresso para o fim destes programas e investimentos, será necessário
assegurar a continuidade do investimento na rede rodoviária, onde subsistem inúmeras
barreiras à mobilidade e acessibilidade dos territórios. Assim, o PS irá:

● Rever o modelo de financiamento da rede rodoviária de forma a que continue a


corresponder às necessidades para a construção de novas estradas, em particular

42
O FUTURO É JÁ
nos territórios de menor densidade, e permita também mobilizar meios para o
investimento nos sistemas de transporte públicos, nomeadamente, o Programa
Mais Perto;

● Focar o investimento na rede rodoviária em ligações transfronteiriças de


proximidade, ligações aos territórios com menor acessibilidade e ligações às
áreas de localização empresarial, bem como na melhoria da segurança
rodoviária, tendo em vista o objetivo de eliminar as mortes na estrada;

● Criar um Programa de Acessibilidade Rodoviária Local que suceda ao PRR,


garantindo que se continua a avançar com projetos de melhoria da acessibilidade
de proximidade em todo o território nacional, desde logo com projetos como a
Variante à EN 105, em Santo Tirso, o IC27 entre Beja e Mértola ou a travessia do Rio
Ave em Vila do Conde, só para dar alguns exemplos.

4.4. Aviação

A decisão sobre a localização do futuro aeroporto da região de Lisboa foi um dos


temas mais duradouros no debate político nacional, prolongando-se por mais de
cinco décadas. Concluído o trabalho da Comissão Técnica Independente (CTI), que
serviu de base à decisão tomada sobre a localização do aeroporto, consideramos
esse um tema fechado. O foco deve agora colocar-se na concretização da expansão
da capacidade aeroportuária da região de Lisboa, criando condições para a
manutenção e crescimento do hub intercontinental que já hoje existe.

Como identificado no relatório da CTI, o contrato de concessão dos aeroportos


nacionais limita a margem de atuação do Estado nesta matéria. Por isso, o Estado
não deve abdicar de nenhum dos mecanismos de que dispõe, incluindo o
resgate da concessão, para defender o interesse público e garantir, não só a
execução do novo aeroporto de Lisboa, como o desenvolvimento das restantes
infraestruturas aeroportuárias.

4.5. Portos marítimos

O sistema portuário é um ativo estratégico do país, não só como porta de saída para
as nossas exportações, mas também como pólos de atividade económica em si
mesmos. Dada a localização geográfica do país e a centralidade do setor portuário
português no contexto ibérico e europeu, o Partido Socialista considera que a
perspetiva de colocar os diferentes portos nacionais em concorrência entre si é
contraproducente aos interesses do país. Para isso, é essencial melhorar as ligações
ferroviárias dos portos às principais fronteiras.

43
PROGRAMA ELEITORAL 2025
Assim, o Partido Socialista propõe:

● Criar um mecanismo de coordenação e de cooperação estratégica dos portos,


sem prejuízo das valências e das vantagens de cada um, que promova sinergias
e o aumento da atividade económica;

● Promover o alargamento da capacidade de movimentação de carga, garantindo


a flexibilidade no uso dos cais para outros fins;

● Alargar a Janela Única Logística a todos os portos e cadeia logística;

● Descarbonizar os portos de cruzeiros de passageiros, eletrificando os portos


para atracagem de cruzeiros sem necessidade de consumo de combustíveis.

4.6. Sistema de transportes

O papel do setor público na organização do sistema de transportes é central. A forma


como o setor se encontra organizado tem algumas insuficiências que é necessário
colmatar, concentrando competências em organismos que estejam dotados de
recursos para gerir e planear de modo eficiente, assegurando a defesa do interesse
público e a resposta às necessidades de descarbonização do setor. Os últimos oito
anos foram decisivos para o setor dos transportes, e um dos passos mais relevantes foi
o saneamento da dívida histórica da CP. O compromisso é continuar a valorizar os
organismos, as empresas públicas, as condições de trabalho e os trabalhadores de um
setor essencial à transição energética e climática.

Para tal, o Partido Socialista vai:

● Reforçar a autonomia de gestão das empresas públicas do setor da mobilidade


e dos transportes, dotando-as de eficiência e agilidade na melhoria dos serviços
públicos contratualizados com o Estado, e de flexibilidade para a operação em
segmentos de mercado concorrenciais, onde pode ser gerado valor comercial;

● Reestruturar o setor público dos transportes e infraestruturas, reavaliando o


modelo de separação da operação e infraestrutura ferroviária e de fusão entre
a gestão da infraestrutura ferroviária e rodoviária;

● Garantir a cooperação entre o gestor de infraestrutura e os operadores


ferroviários - em particular, com o operador público - na adaptação das
características operacionais da infraestrutura aos serviços;

● Concretizar uma reforma do Sistema de Transportes e Mobilidade do país,


clarificando as competências das diferentes Autoridades de Transporte e

44
O FUTURO É JÁ
ponderando a criação de Organismos Locais de Transporte com um âmbito
territorial;

● Atribuir às futuras Regiões Administrativas competências e meios para o


planeamento e gestão do transporte público à escala regional, permitindo
soluções adaptadas à realidade de cada território;

● Ponderar a criação de e competência para fazer a gestão dos transportes


adaptados às diferentes realidades territoriais;

● Desenvolver a Conta Pública do Sistema de Deslocações à escala regional (NUT


II) e subregional (NUT III);

● Criar condições para a justa valorização e melhoria das condições dos


trabalhadores do setor dos transportes;

● Designar a função de Conselheiro para Utentes com Necessidades Especiais


dedicada a melhorar a acessibilidade aos transportes públicos nos operadores
e gestores de infraestruturas de transportes, à semelhança do que já acontece
na CP.

4.7. Comunicações

No setor das comunicações, o PS propõe:

● Garantir a execução do programa para cobertura de rede de comunicação de


capacidade muito elevada a todas as regiões do país, eliminando as “zonas
brancas” desprovidas de rede;

● Avaliar o cumprimento das obrigações de serviço público e da qualidade do


serviço postal prestado e ponderar o reforço dessas obrigações para responder
às necessidades da população e das economias locais, em particular nos
territórios de baixa densidade;

● Avaliar a segurança das redes e a intromissão por forças estrangeiras, dotando


as entidades públicas de meios e ferramentas jurídicas necessárias para a não
intromissão em setores críticos nacionais.

45
PROGRAMA ELEITORAL 2025

5. Uma Energia ao serviço


da competitividade

Portugal tem feito um longo caminho nas energias renováveis e deverá continuar
a capitalizar o seu acesso a esta energia alternativa de baixo custo e recursos
geológicos críticos para atrair investimento industrial de ponta e reduzir a fatura
energética para as famílias e empresas. Importa acelerar o investimento em
energias renováveis para permitir o acesso a eletricidade a preços acessíveis para
os consumidores e reforçar a segurança energética do país, reduzindo a sua
exposição à volatilidade dos mercados internacionais de combustíveis fósseis.

O contexto resultante da invasão da Ucrânia pela Rússia e os efeitos da pandemia


provocaram um aumento dos preços da energia em toda a UE. Segundo o Eurostat,
o preço médio da eletricidade na Europa aumentou quase 50% entre 2019 e 2022 e
o custo médio do gás natural quase duplicou. A crise evidenciou a necessidade de
acelerar a eficiência energética e aumentar o recurso a energias renováveis, com o
objetivo de dispormos de um sistema energético independente de países terceiros.

5.1. Estratégia Industrial Verde

A transformação do nosso modelo económico rumo a um desenvolvimento mais


sustentável tem sido um dos principais desígnios do Partido Socialista. No novo
contexto internacional, em que ganham terreno as narrativas negacionistas das
alterações climáticas propaladas pela extrema-direita, torna-se ainda mais
importante frisar que o combate às alterações climáticas é também o combate
pela igualdade entre os povos e pela liberdade e fraternidade com a natureza. De
facto, os efeitos das alterações climáticas e das catástrofes naturais são
devastadores para as comunidades afetadas, e sobretudo para os grupos menos
favorecidos.

É preciso garantir soluções robustas que estejam assentes na cooperação entre a


ciência e a indústria, com vista à aceleração da descarbonização produtiva em
todos os setores de atividade, com particular incidência na indústria, mobilidade,
agropecuária e energia. Desta forma, o Partido Socialista compromete-se a:

● Promover uma indústria descarbonizada e competitiva, aprovando a


Estratégia Industrial Verde, prevista na Lei de Bases do Clima;

46
O FUTURO É JÁ
● Reduzir o preço da energia para a indústria através do reforço da medida
de auxílio a custos indiretos do CELE, contribuindo para o aumento da sua
competitividade;

● Procurar financiamento europeu no Banco de Hidrogénio e no recém-


anunciado Banco para a Descarbonização Industrial;

● Criar hubs regionais que permitam a descarbonização de acordo com o


encontro da oferta e procura locais, gerando clusters industriais de produção,
armazenamento e consumo.

5.2 Produção elétrica

Portugal é líder na produção elétrica renovável. Temos um Plano Nacional de


Energia e Clima (PNEC) para concretizar, sendo necessário colocar todo o nosso
potencial de energias renováveis ao serviço da luta contra as alterações climáticas
e a competitividade económica sustentável, sem comprometer o equilíbrio
ecológico e a coesão territorial. Deste modo, poderemos assegurar custos de
contexto mais baixos face a outras economias mais assentes no carbono. Por isso,
o PS vai:

● Prosseguir o investimento em energias renováveis, contribuindo para que


Portugal esteja na liderança europeia das tecnologias limpas, tanto ao nível da
energia solar (fotovoltaica e térmica) como da energia eólica, energias renováveis
no mar, biomassa, energia geotérmica e gases sustentáveis (nomeadamente
biometano e hidrogénio);

● Conciliar esta aposta com a necessidade de atenuar os seus impactes ambientais


e sociais, assegurando a coesão ambiental, social e territorial através da definição
de áreas de aceleração de energias renováveis e da implementação de um
mecanismo permanente de compensação aos municípios pela instalação de
centros electroprodutores renováveis;

● Mobilizar, até 2030, o investimento privado necessário para atingir as metas do


Plano Nacional de Energia e Clima, criando cerca de 200 mil postos de trabalho
diretos e indiretos;

● Aprovar o reforço das redes de transporte e distribuição de energia, incluindo as


interligações com Espanha, assegurando baixos custos para consumidores e o
aproveitamento do potencial industrial nacional;

47
PROGRAMA ELEITORAL 2025
● Alinhar o planeamento das infraestruturas energéticas com as prioridades de
política económica e industrial, assegurando uma rápida ligação dos novos
investimentos industriais e de energia renovável à Rede Nacional de
Transporte;

● Simplificar os procedimentos associados ao licenciamento da produção de


energia, de modo a acelerar a execução do investimento em energias
renováveis, em especial das unidades de autoconsumo e comunidades de
energia, incentivando os cidadãos e pessoas coletivas, como os condomínios, a
instalar produção de energia solar nos seus telhados;

● Promover o aproveitamento de espaços rurais ou urbanos, edifícios, terrenos


baldios, telhados de parques de estacionamento, minas abandonadas e pedreiras
para novas instalações de estruturas de produção descentralizada, de média
dimensão, que possibilitem o investimento de pequenos comercializadores e
cooperativas;

● Adotar uma Estratégia para a disseminação das Comunidades de Energias


Renováveis que promova a produção descentralizada de eletricidade a partir
de fontes renováveis, envolvendo a Administração Pública central e as
Autarquias Locais;

● Promover mecanismos de financiamento para pequenas instalações de


produção e armazenamento de energia, em especial nas habitações, e a maior
facilidade de venda de excedentes de eletricidade produzida por instalações de
autoconsumo;

● Concretizar uma Estratégia Nacional de Armazenamento de Energia até 2026,


acelerando o investimento no reforço da capacidade atual, através de baterias
associadas a parques eólicos e fotovoltaicos;

● Desenvolver o cluster industrial para o setor da energia eólica offshore, na


sequência do lançamento de procedimentos de instalação e em toda a cadeia
de valor, criando emprego qualificado e novas atividades de alto valor
acrescentado;

● Estabelecer parcerias internacionais na área do conhecimento para a criação


de valor, desenvolvendo indústrias tecnológicas de fabrico, gestão e
monitorização de offshore flutuante;

48
O FUTURO É JÁ
● Captar e reter trabalhadores qualificados e trabalhadores de carreiras técnicas
especializadas, contribuindo para a fixação de pessoas com qualificações
essenciais à transição climática e energética do país;

● Criar a área de AgroEnergia, desenvolvendo o autoconsumo coletivo na


agricultura, através de projetos que permitam a produtores agrícolas de menor
dimensão ter acesso a energia a um preço mais competitivo;

● Reforçar as interligações internacionais através da interconexão elétrica entre


Beariz e Fontefría, em Espanha, e a zona do Porto, passando pelas subestações
de Ponte de Lima e de Vila Nova de Famalicão, e de um novo gasoduto para os
gases renováveis entre Portugal, Espanha e o resto da Europa.

5.3. Gases renováveis

Depois da invasão da Ucrânia, o consumo de carvão voltou a bater recordes, com


impactos negativos para o ambiente. Portugal tem uma abundância de recursos
de biomassa que permite alavancar a produção nacional de biogás, estimulando a
produção local e contribuindo para o aproveitamento de resíduos. Por outro lado,
a prossecução dos objetivos da Estratégia Nacional de Hidrogénio e dos
investimentos PRR nesta área é essencial neste domínio.

É necessária uma aposta nos gases renováveis, fulcrais para o processo de


descarbonização da economia, sobretudo na indústria e na mobilidade (pesada,
marítima e de aviação), permitindo a substituição gradual de fontes de energia
mais poluentes.

Nesta área, o PS compromete-se a:

● Criar escala nos gases renováveis, através de leilões de compra centralizada e


da regulação da injeção na rede de gás, procurando assim garantir grandes
investimentos;

● Apostar em projetos dinamizadores da indústria dos gases renováveis, visando


a descarbonização industrial e o investimento industrial de alto valor,
garantindo que a produção de hidrogénio verde e biometano é sustentável.

5.4. Minas

A valorização dos recursos geológicos, nomeadamente depósitos minerais, requer


a sua correta gestão, de modo a garantir a sustentabilidade do seu aproveitamento.
O Partido Socialista defende que o envolvimento das populações no conhecimento

49
PROGRAMA ELEITORAL 2025
destes recursos contribui para a integração da atividade extrativa no
desenvolvimento local.

O incremento do setor implica um acompanhamento próximo dos processos de


recuperação ambiental das antigas áreas mineiras abandonadas, bem como o
investimento em tecnologias que concorram para esses objetivos. Por isso, o PS
compromete-se a:

● Estabelecer uma estratégia de desenvolvimento sustentável do setor


mineiro e exploração de massas minerais, no respeito pela natureza e pelas
comunidades, assegurando o devido retorno económico, o uso eficiente dos
recursos e a disponibilidade de matérias-primas para a transição energética,
através da prospeção de lítio;

● Promover a inovação e o desenvolvimento de uma cadeia de valor das


baterias e do veículo elétrico, apoiando projetos que desenvolvam
capacidade industrial de refinação e de produção de baterias;

● Compensar os territórios afetados pelo desenvolvimento da fileira do


lítio, através da criação do Fundo dos Recursos Geológicos;

● Garantir que as refinarias instaladas em Portugal têm opção de compra do


lítio explorado em Portugal;

● Tornar Portugal um centro de competências para a reutilização do lítio,


posicionando-se no setor de reciclagem das baterias.

5.5. Eficiência energética

Sem esquecer a pobreza energética, as famílias, empresas e serviços públicos


devem ter acesso a financiamento com procedimentos simplificados, para apoio a
investimentos em eficiência energética. Desta forma, o PS vai:

● Desenhar um mecanismo permanente de apoio à eficiência energética, com


horizonte temporal para lá da conclusão do PRR;

● Fomentar o investimento na melhoria do desempenho energético e hídrico


dos edifícios, equipamentos municipais e instalação de renováveis, através do
alargamento dos apoios do Fundo Ambiental aos municípios;

● Promover a inércia térmica no desempenho energético de edifícios,


valorizando materiais de construção e soluções passivas na reabilitação e
reconstrução que minimizem as necessidades de aquecimento ou

50
O FUTURO É JÁ
arrefecimento, com especial enfoque em soluções de elevado impacto e de
potencial implementação a larga escala.

6. Uma transição digital empreendedora


e transversal à sociedade

A transição digital é um imperativo estratégico para o nosso futuro. Vivemos num


tempo em que a digitalização redefine todos os setores da sociedade, da educação à
indústria, criando oportunidades de crescimento, coesão social e soberania tecnológica.
A revolução digital representa um desafio de proporções sem precedentes, mas
também uma oportunidade para posicionar Portugal na inovação global. Os avanços
tecnológicos exigem uma resposta estruturada, que permita a todos os portugueses,
independentemente da sua condição socioeconómica, geográfica ou etária,
beneficiarem das suas potencialidades, a par do incentivo à criação de empresas
inovadoras.

Os dados são claros: as economias que melhor se adaptam ao paradigma digital e que
cultivam um ecossistema empreendedor são as que revelam maior resiliência,
competitividade e capacidade de criação de emprego de valor acrescentado. Portugal
tem hoje um ecossistema de inovação em expansão, com capacidade de gerar
empresas que lideram nos seus setores a nível internacional, funcionando como pólo
de atração de talento e investimento, sendo contudo necessário fortalecer ainda mais
o espírito empreendedor e o apoio às novas iniciativas.

Ciente desta realidade, o Partido Socialista assume o compromisso de liderar


uma transição digital inclusiva e sustentável, colocando as pessoas no centro
das políticas públicas e fomentando um ambiente favorável ao surgimento de
novas ideias e negócios. A visão humanista da digitalização assume que a
tecnologia deve servir o bem comum e contribuir para a redução das
desigualdades, ao mesmo tempo que o empreendedorismo impulsiona a criação
de valor e a modernização da economia.

A estratégia do PS assenta em três pilares fundamentais: capacitação digital dos


cidadãos; modernização do tecido empresarial; e promoção da inovação
tecnológica e do empreendedorismo. Através de um conjunto integrado de
medidas, pretendemos construir um país mais preparado para os desafios do

51
PROGRAMA ELEITORAL 2025
século XXI, assumindo o digital como catalisador do desenvolvimento económico,
coesão territorial e justiça social.

6.1. Capacitação digital transversal à sociedade

A aposta na capacitação digital dos cidadãos é um dos pilares fundamentais para


garantir uma sociedade inclusiva e preparada para enfrentar os desafios da era
digital. Portugal, que em tantos aspetos se encontra a liderar a transição digital,
apresenta competências digitais básicas ou melhores ainda pouco acima da média
da União Europeia (56,0% vs 55,6%, respetivamente).

É essencial que todos tenham acesso às ferramentas e aos conhecimentos que


permitem participar ativamente na economia digital e na inovação, importando
reforçar a formação e a qualificação e promover a literacia digital em todos os níveis
de ensino e ao longo de toda a vida. Para tal, o PS vai:

● Acelerar a transformação digital em todos os níveis de ensino;

● Estimular o desenvolvimento de projetos empreendedores estudantis, em


contexto escolar e de ensino superior, reconhecendo as empresas e criando o
estatuto do estudante-empreendedor, alinhado com os estatutos de
trabalhador-estudante e de dirigente associativo;

● Reforçar o número de diplomados e graduados do ensino superior em cursos


classificados nas áreas das Ciências, Engenharias, Tecnologias e Matemáticas,
integrando temas e competências da IA em todos os cursos relevantes;

● Reforçar a atividade do Observatório das Competências Digitais, tendo em vista


a definição e implementação de novas medidas de política pública nesta área
e interligar as necessidades de competências com a oferta do ensino superior,
com particular foco nos mestrados;

● Implementar um programa nacional de aprendizagem ao longo da vida


(“Digital Empowerment Initiative”), oferecendo cursos online (“Digital Skills
Academy”), workshops práticos (“Innovation Labs”) e certificações (“Future
Ready Certificates”) em áreas como a IA, programação e análise de dados,
garantindo a atualização contínua das competências digitais;

● Desenvolver programas públicos de requalificação profissional, mediante


oferta de cursos em competências digitais, em parceria com empresas para
formação prática e aconselhamento de carreira;

52
O FUTURO É JÁ
● Tirar partido da experiência do “Passaporte Qualifica” para criar o “Passaporte
Digital”, acelerando a formação contínua inclusiva, de habilitação em
competências digitais: serve como boletim das formações, capacitações e
competências atingidas ao longo da vida;

● Desenvolver um programa de apoio à literacia digital e inclusão,


compreendendo:

○ Programas nacionais de literacia e aquisição de competências digitais,


abrangendo escolas, empresas e no pós-vida ativa;

○ Divulgação dos serviços públicos digitais, modos de acesso e regras de


utilização segura;

○ Criação de mecanismos de acessibilidade digital, de modo a que pessoas


com diferentes níveis de literacia digital e necessidades possam usufruir
de todos os serviços públicos;

○ Integração de conteúdos de IA e ética digital nos currículos escolares


desde o ensino básico até o superior;

● Criar o Programa “Mulheres no Digital”, tendo em vista duplicar o número


de mulheres nas áreas tecnológicas até 2030, promovendo o acesso, a
progressão e a visibilidade feminina no ecossistema digital português;

● Desenvolver um Estatuto dos Direitos Digitais da Criança e do Jovem como


instrumento legal autónomo que consolide, sistematize e promova um
conjunto de direitos fundamentais no ambiente digital, adaptado às
diferentes fases do crescimento

6.2. Inovação, empreendedorismo e financiamento para a


competitividade empresarial

A competitividade da economia nacional depende, em larga medida, da


capacidade de inovar e do estímulo à criação de novas empresas. O nosso país teve
a felicidade de dar origem a seis empresas unicórnio, com uma valorização superior
a mil milhões de dólares, tendo todas beneficiado de apoio público durante o seu
desenvolvimento.

Para fortalecer o tecido empresarial e assegurar um ambiente favorável ao


empreendedorismo, é fundamental facilitar o acesso a financiamento e promover
instrumentos que incentivem a inovação e a colaboração entre empresas,
universidades e centros de investigação. A concretização destes objetivos permitirá

53
PROGRAMA ELEITORAL 2025
consolidar um ecossistema empresarial dinâmico, capaz de competir a nível global.
Neste contexto, o PS vai:

● Investir no ecossistema de inovação e empreendedorismo, explorando um


quadro legal favorável e benefícios para start-ups, scale-ups, aceleradoras e
incubadoras, estimulando o empreendedorismo e o fortalecimento da rede de
apoio às start-ups em território nacional;

● Continuar a apoiar a Startup Portugal como motor de dinamização do


empreendedorismo nacional e o European Start-up Nations Alliance;

● Promover ações de sensibilização e mentoria das PME para o digital e para


otimização da nova transformação digital;

● Promover a colaboração empresarial, mediante participação em projetos


multi-entidades, incluindo colaborações entre empresas, universidades e
outras entidades do sistema científico e tecnológico;

● Privilegiar a adoção de modelos de certificação digital (como selos de


qualidade em cibersegurança, sustentabilidade, usabilidade e privacidade) por
parte de entidades públicas e privadas;

● Implementar soluções financeiras de aceleração de projetos de inovação de


alto impacto em regiões e temáticas não-abrangidas por fundos europeus,
designadamente em Lisboa e no Algarve, admitindo a possibilidade de
coinvestimento público-privado;

● Reforçar a parceria do Banco Português de Fomento com instituições


multilaterais e instituições promocionais europeias, fundos soberanos, e com o
Grupo BEI/FEI, em iniciativas que atravessem todo o espetro da estrutura de
capital das empresas;

● Lançar novos programas de capital de risco do Grupo BPF, incluindo Portugal


Ventures, através de linhas de co-investimento ou de fundos operacionalizados
em condições de mercado e compatíveis com a participação financeira do
Fundo Europeu de Investimento, num alinhamento com a estratégia industrial
nacional;

● Reforçar a colaboração entre o Banco Português de Fomento e a Agência


Nacional da Inovação na avaliação e classificação da capacidade de fundos de
capital de risco que sejam capitalizados com créditos fiscais SIFIDE;

54
O FUTURO É JÁ
● Definir em 50% o montante máximo de apoio público ao cofinanciamento em
fundos de capital de risco, tanto na utilização de créditos fiscais SIFIDE como
na angariação de capital do BPF;

● Constituir um Fundo de Fundos e um fundo de coinvestimento, para investir


em Fundos de Capital de Risco destinados a PME e start-ups corrigindo falhas
de mercado no acesso ao capital e como catalisador da transformação do
tecido produtivo e inovador nacional;

● Promover a participação crescente e institucional do capital privado,


designadamente fundos de pensões, seguradoras e outros potenciais
investidores financeiros institucionais, no Fundo de Fundos, em condições de
mercado;

● Lançar novas linhas de co-investimento com business angels, permitindo


capitalizar projetos inovadores nas primeiras fases da sua existência, em
sequência e coordenação com os programas focados no capital de risco (em
fases mais avançada da vida dos projetos), evitando lacunas na cobertura da
capitalização dos projetos;

● Financiar mecanismos de partilha de risco em instrumentos de dívida, como


garantias e subscrição de first-loss em obrigações agrupadas, idealmente
diversificadas sectorialmente, permitindo assim fomentar este instrumento de
financiamento alternativo;

● Diversificar as fontes de financiamento do Banco Português de Fomento,


nomeadamente através de instrumentos em condições de mercado, como a
emissão de obrigações generalistas ou temáticas (por exemplo sociais, azuis,
verdes);

● Implementar análise de impacto de investimento em todos os produtos do


Banco Português de Fomento, em parceria com as instituições bancárias
nacionais ou o Fundo Europeu de Investimento;

● Reforçar e dar maior estabilidade às fontes de financiamento público das


instituições de transferência de tecnologia na Missão Interface,
nomeadamente os Co-Labs e os CTI;

● Atribuir automaticamente o estatuto de utilidade pública às Entidades Não


Empresariais no Sistema de Investigação e Inovação (ENESII);

55
PROGRAMA ELEITORAL 2025
● Promover o reconhecimento automático pela Startup Portugal, com selo ID e
como “start-up”, das empresas geradas (spin-off) a partir de projetos de ENESII,
desde o momento da sua constituição.

6.3. Aceleração da Adoção de Tecnologias Disruptivas

As tecnologias emergentes, como a Inteligência Artificial, a robótica e a computação


avançada, estão a reconfigurar setores inteiros da economia, criando novas
oportunidades e desafios. Para que Portugal tenha um papel de vanguarda na adoção de
soluções disruptivas, é imperativo promover projetos de inovação, agilizar parcerias
estratégicas e criar condições regulatórias propícias a este desenvolvimento. Assim, o PS
vai:

● Definir um Roteiro para um Contrato Social Tecnológico, assegurando que


a Inteligência Artificial seja desenvolvida e aplicada de forma socialmente
justa, transparente e promotora do bem comum:

○ Colocar a IA ao serviço da redistribuição, com mecanismos de tributação


justos que garantam uma distribuição equitativa dos benefícios gerados e
financiem políticas de reforço do Estado Social, combatendo o
agravamento das desigualdades;

○ Assegurar transparência, monitorização pública e responsabilização dos


intervenientes nos modelos de IA utilizados em áreas críticas (tais como, a
saúde, educação, justiça, abastecimento);

○ Direcionar recursos de IA para melhorar a eficiência e acessibilidade dos


serviços públicos, em especial no atendimento ao cidadão e em setores
como a saúde;

○ Garantir infraestruturas tecnológicas robustas e acessíveis, que


possibilitem a criação de soluções de IA e a geração de emprego
qualificado;

○ Seguir referenciais europeus e internacionais na distribuição das mais-


valias resultantes do uso de dados e informação para treino de modelos de
IA, respeitando direitos de autor e outras formas de propriedade intelectual;

○ Criar um Centro de Competências da Administração Pública para IA que


apoie a definição de políticas públicas, faça a análise prospetiva do uso da
IA e acumule conhecimento para avaliar candidaturas de empresas a
financiamento público.

56
O FUTURO É JÁ
● Acompanhar e antecipar tendências e impactos de tecnologias digitais
emergentes, propondo a atualização das estratégias e planos de ação ligados à
transformação digital em ciclos de dois anos;

● Alavancar a capacidade agregadora do Estado, enquanto depositário de dados,


desenvolvendo data lakes que permitam a testagem, escalabilidade e
prototipagem rápida de projetos de inovação;

● Criar mecanismos de coinvestimento privado, tendo em vista um


financiamento mais competitivo da inovação e uma percentagem cada vez
maior do volume de negócios gerado por IA em Portugal, com recurso a
tecnologias do tipo Web 3;

● Desenvolver uma estratégia nacional para a robótica aplicada que prepare o


tecido económico nacional para a entrada na sua cadeia de valor e adoção
pelas empresas;

● Implementar o Programa Nacional de Missões Estratégicas para Inovação via


Contratação Pública, transformando a contratação pública num motor
estratégico para a inovação, através de desafios alinhados com missões
estratégicas nacionais;

● Utilizar instrumentos como o Pre-Commercial Procurement (PCP), as Compras


Públicas para a Inovação (CPI), Challenge Prizes (prémios de desafio
tecnológico) para estimular a inovação;

● Criar incentivos fiscais e subsídios para empresas que adotem tecnologias de


robótica e zonas de testes regulamentares (regulatory sandboxes) para testar
novas tecnologias de robótica de forma segura e aumentar a produtividade da
economia;

● Criar um Conselho de Ética em Inteligência Artificial para monitorizar e garantir


que o desenvolvimento e uso da IA respeitem princípios éticos e de privacidade;

● Firmar acordos de cooperação com países líderes em IA para troca de


conhecimento e tecnologia;

● Reforçar a adoção de sandboxes regulatórias para IA, permitindo que empresas


e instituições testem soluções em ambiente controlado;

● Fomentar um ambiente regulatório propício à inovação deep tech, preparando


o país para a adoção de tecnologias como 6G e computação quântica;

57
PROGRAMA ELEITORAL 2025
● Criar um Plano Nacional de Investimento Estratégico em Computação
Quântica, desenvolvendo um centro nacional partilhado de computação
quântica;

● Adotar os normativos legais de execução do MiCA, o Regulamento Europeu


sobre os Mercados de Criptoativos, onde Portugal é um dos únicos estados
membros atrasados.

7. Um sistema de ciência e
tecnologia ligado ao mundo

O Ensino Superior e a Ciência têm sido pilares essenciais da qualificação dos


portugueses, do desenvolvimento e da modernização da economia e da sociedade.
Quando, em 1995, um Governo do Partido Socialista criou pela primeira vez um
Ministério da Ciência, a despesa em Investigação e Desenvolvimento (I&D)
representava aproximadamente 0,52% do Produto Interno Bruto (PIB) e a
população com ensino superior era inferior a 6%.

15 anos depois, em 2011, inicia-se um inverno científico que, nos quatro anos
seguintes, faz decrescer a despesa em I&D, invertendo um ciclo sustentado de
crescimento de quase duas décadas. Nos últimos anos de governação socialista, o
país retomou a aposta na ciência, duplicando a despesa em I&D, com um forte
contributo das empresas que reforçaram o seu investimento científico em 172%.
Esta trajetória conheceu um travão abrupto com a governação da AD que cortou
em 68 milhões de euros o financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia
(FCT) e mantém os cientistas a aguardar há um ano pelos resultados das
candidaturas ao principal concurso para financiamento de projectos de
investigação.

A ciência e o ensino superior são setores centrais para as políticas públicas, sendo a
presença de sistemas científicos robustos uma das características transversais aos
países e economias mais desenvolvidas. A atividade científica é a base da produção de
conhecimento e da qualidade da formação superior, da possibilidade de transferência
de conhecimento e da disponibilidade de recursos humanos que o assegurem, da
capacidade da economia em absorver esse conhecimento e o transformar em valor
acrescentado. A formação avançada de recursos humanos, a produção e transferência
de conhecimento e os mecanismos de inovação económica têm, por isso, que ser

58
O FUTURO É JÁ
compreendidos como partes da mesma cadeia de valor e, assim, pensadas como
políticas públicas integradas.

Desta integração resulta o princípio orientador de fazer refletir, nas opções políticas,
a relação virtuosa entre a política para o ensino superior, a política científica e a
política económica e de inovação. Esta relação traduz-se em três objetivos que
devem estar coerentemente articulados:

● Reforçar o investimento no ensino superior, alargando a base social de


participação no ensino superior e contribuindo para uma sociedade baseada
no conhecimento;

● Reforçar o investimento em ciência, incluindo na área da defesa, procurando


alcançar o objetivo de atingir 3% do PIB em despesa total em I&D em 2030;

● Reforçar a capacidade de inovação da economia, contribuindo para o aumento


do pedido de concessão de patentes, sobretudo pelo tecido empresarial e
industrial.

Não se inova sem aplicação de conhecimento, não se aplica conhecimento que não
se produz, não se produz conhecimento sem recursos humanos qualificados e não
há recursos humanos qualificados sem formação superior. O desenvolvimento
científico e a qualificação dos recursos humanos são indispensáveis à
modernização e transformação do padrão de especialização da economia e à sua
coesão social e territorial.

7.1 Políticas de ciência

Nas políticas de ciência importa reforçar o compromisso de convergência com os


países da OCDE em Ciência, Tecnologia e Inovação, procurando atingir 3% do PIB
em 2030, numa estrutura de 1/3 de investimento público e 2/3 de investimento
privado. No que respeita à consolidação do Sistema Científico e Tecnológico
Nacional (SCTN), o PS vai:

● Aprovar a Lei da Programação do Investimento em Ciência, em articulação com


as instituições de ensino superior e entidades do sistema científico e tecnológico,
assegurando previsibilidade e estabilidade aos mecanismos de financiamento e,
entre outras condições, a programação do investimento público em ciência num
quadro plurianual a pelo menos 10 anos;

59
PROGRAMA ELEITORAL 2025
● Promover a reorganização da FCT, revendo o seu funcionamento, financiamento e
quadro de recursos humanos, melhorando e acelerando a atual capacidade de
resposta ao SCTN;

● Implementar um SIMPLEX para os centros de investigação, desburocratizando as


exigências de reporte, documentação e procedimentos nas suas relações com a
FCT;

● Revisitar a organização do SCTN através da clarificação das missões de cada tipo de


instituição: Laboratórios de Estado, Laboratórios Colaborativos, Laboratórios
Associados e Unidades de Investigação e entidades de interface; fomentando
colaborações e sinergias e promovendo a capacitação científica e tecnológica do
SCTN;

● Propor às unidades de I&D com classificação de “Muito Bom” ou “Excelente” um


modelo de avaliação que garanta a estabilidade dos financiamentos de base, uma vez
cumpridos os objetivos contratualizados, evitando ciclos de financiamento
dependentes de cada um dos modelos quinquenais de avaliação;

● Reforçar os orçamentos dos concursos de projetos de investigação e


desenvolvimento, aumentando as taxas de aceitação de projetos para níveis
internacionais e regularizando os fluxos de pagamentos;

● Lançar um programa de apoio à carreira de recursos humanos altamente


especializados de apoio à investigação, incluindo gestão de ciência, gestão de
projetos, técnicos de laboratório, sistemas de informação e apoio a bibliotecas,
entre outros, garantindo as melhores práticas nos serviços de apoio à atividade
científica;

● Apoiar a disseminação do conhecimento científico e a promoção da cultura


científica, através de políticas de ciência aberta e cidadã, com destaque para a
comunicação de ciência e dos programas de disseminação científica em
contexto escolar;

● Criar o Portal para o Conhecimento e a Inovação como uma plataforma de oferta e


procura de tecnologia, com base nas patentes e outros direitos de propriedade
industrial, que agregue conhecimento atualmente disperso.

7.2. Internacionalização científica

No que diz respeito à internacionalização científica, o PS vai:

60
O FUTURO É JÁ
● Reforçar a estratégia de internacionalização científica, assegurando a efetiva
participação de Portugal no Espaço Europeu de Investigação;

● Dotar as Instituições de Ensino Superior de um reforço financeiro que assegure


a participação mais efetiva em alianças europeias;

● Reforçar a investigação clínica e a inovação biomédica, através de um


programa de financiamento plurianual dos Centros Académicos Clínicos, bem
como da crescente diversidade das suas atividades em todo o país e do
alargamento do ensino da medicina e das ciências e tecnologias biomédicas e
da saúde;

● Concretizar a estratégia Portugal Espaço 2030, valorizando o posicionamento


atlântico do país e reforçando a agenda “Interações Atlânticas”, bem como o Centro
Internacional de Investigação do Atlântico;

● Reforçar a participação portuguesa nos investimentos em ciência do


programa Chips Act, enquadrando-o no âmbito da Estratégia Nacional de
Semicondutores e do Centro de Competências Português em
Semicondutores (POEMS);

● Fortalecer a cooperação nos pilares do Programa Horizonte Europa 2021-2027,


em particular a participação nacional no Conselho Europeu de Investigação,
em projetos de investigação colaborativa, nas parcerias institucionais e nas 5
missões do Horizonte Europa, no Conselho Europeu de Investigação e no
Programa “Teaming”;

● Estimular a cooperação no Mediterrâneo, em particular a atividade de


investigação e inovação no âmbito do Programa Europeu PRIMA em cadeias
de valor alimentar, na área da gestão de água em zonas áridas, e na
sustentabilidade energética de sistemas agrícolas.

7.3. Emprego científico

No que diz respeito ao emprego científico e à formação avançada, o PS vai:

● Concretizar os programas de emprego científico, assegurando uma maior


previsibilidade anual nos Concursos ao Emprego Científico Individual e
procurando um maior equilíbrio no número de vagas entre as diferentes
posições;

61
PROGRAMA ELEITORAL 2025
● Reforçar o programa FCT-Tenure com mais 500 lugares de investigador de
carreira nas IES, gerando previsibilidade e aproximando os sistemas do ensino
superior e da ciência;

● Assegurar a abertura anual dos concursos para as bolsas de doutoramento em


todos os domínios científicos;

● Promover os doutoramentos em ambiente não-académico, assumindo-o


como mecanismo relevante para o aumento das qualificações de
investigadores do setor não-académico, em parceria com universidades e
institutos politécnicos.

7.4. Inovação aplicada

Garantidos os recursos humanos qualificados e um sistema científico e tecnológico


robustecido, nas políticas de inovação o Partido Socialista irá:

● Concluir a implementação das Agendas Mobilizadoras, instrumentos de


reforço da competitividade nacional e alteração da estrutura produtiva, de
reindustrialização do país e de internacionalização. Criar um mecanismo de
monitorização e de indicadores de resultado e impacto destas agendas,
permitindo identificar as empresas e os setores com maior potencial
transformador da nossa economia;

● Criar Plataformas de Inovação Aberta a partir da atual Rede de Centros de


Tecnologia e Interface, da Rede de Laboratórios Colaborativos, da Rede de
Laboratórios Associados e da Rede de Clusters, estimulando as PME a utilizar
plataformas de intermediação tecnológica;

● Implementar o programa de incentivo ao pedido de patentes, reforçando a


transferência e apropriação de conhecimento;

● Apoiar a criação de “Fábricas de Inteligência Artificial” em Portugal,


participando na iniciativa europeia de Fábricas de IA.

● Promover a articulação entre as empresas e a rede de Fab Labs e de


Living Labs, estimulando o desenvolvimento de soluções com aplicação
industrial;

● Apoiar a contratação de 500 doutorados por entidades não académicas,


nomeadamente empresas, entidades da Administração Pública e outras
entidades da sociedade;

62
O FUTURO É JÁ
● Criar um programa para apoiar a contratação internacional de
investigadores doutorados que escolham fixar-se em Portugal;

● Promover um mecanismo de monitorização do Sistema de Incentivos


Fiscais à I&D Empresarial (SIFIDE), assegurando que os incentivos se
orientam efetivamente para criar condições internas para atividades de I&D,
valorizando beneficiários de projetos de base colaborativa que potenciem o
licenciamento de propriedade intelectual e sejam indutores de produtos
exportáveis;

● Reforçar os recursos humanos da ANI (Agência Nacional de Inovação),


enquanto instrumento para a promoção da política de inovação e de
transferência de conhecimento para a economia.

8. Um Estado mais próximo,


ágil e inteligente

O Partido Socialista recusa a ortodoxia que condena a Administração Pública a uma


secular ineficiência. Reflexo das nossas ambições coletivas, a capacidade do Estado
corresponder aos cidadãos e às empresas é determinante para que os portugueses
valorizem o contrato social e as empresas consigam desenvolver-se.

Não podemos, por isso, permitir que a direita usurpe, com projetos privatizantes e
amarras à gestão, a ideia necessária e justa de uma reforma do Estado. Para o PS, a
construção de uma Administração Pública mais próxima, ágil e inteligente é uma
prioridade incontornável na qual temos amplos pergaminhos, desde o SIMPLEX às
Lojas de Cidadão, sem esquecer a automaticidade do preenchimento do IRS ou da
renovação de documentos.

Nos últimos Governos do PS, a Administração Pública recuperou do


enfraquecimento a que foi sujeita pela governação durante a Troika, com redução
de recursos humanos e materiais, perda de rendimentos, desvinculação de
trabalhadores e desinvestimento generalizado. Após 2015, descongelaram-se
carreiras e recuperaram-se rendimentos, sendo reforçado o número de
trabalhadores públicos e o investimento na transição digital. A base remuneratória
da Administração Pública foi aumentada em 63% e o valor médio anual do ganho
médio mensal dos trabalhadores públicos é estimado em 1.910€ (+17,9% face a 2015).

63
PROGRAMA ELEITORAL 2025
O Partido Socialista assume o compromisso de aprofundar a modernização da
Administração Pública, promovendo a sua capacitação, simplificação, digitalização
e transparência, valorizando sempre quem nela trabalha.

Em resposta a uma governação da AD limitada no tempo, mas fortemente


depreciativa do setor público, o PS recupera o compromisso que tornou possível os
grandes ganhos de eficiência, inovação e modernização no decurso dos seus
Governos, a valorização das carreiras, qualificação e dignificação dos trabalhadores
públicos.

8.1 Pessoas, carreiras e salários

A valorização das carreiras e o rejuvenescimento da Administração Pública


constituem fatores incontornáveis para garantir um Estado moderno e eficiente.
Para isso, é imprescindível atrair, reter e motivar trabalhadores qualificados,
assegurando condições justas de progressão, remuneração e formação contínua,
tal como é crucial cuidar dos que já integram a Administração Pública, valorizando
a sua experiência e aspirações futuras.

Consequentemente, o Partido Socialista compromete-se a:

● Valorizar as carreiras públicas, em especial na fase inicial, prevendo a


recuperação faseada do tempo de serviço congelado quando relevante para
a progressão, em respeito pelo princípio da equidade e pela sustentabilidade
financeira;

● Garantir a atualização anual dos salários dos trabalhadores em funções


públicas, respeitando a estrutura das carreiras e evitando a compressão
remuneratória decorrente do aumento do salário mínimo;

● Concluir a revisão de carreiras, reduzindo posições remuneratórias e


assegurando percursos de progressão realistas e baseados no mérito,
garantindo, até à conclusão desse processo, um horizonte de progressão
que permita aos trabalhadores com desempenho de excelência atingir o
topo da carreira;

● Atrair quadros qualificados e promover o rejuvenescimento da


Administração Pública, garantindo a abertura anual de concursos de
recrutamento centralizado, incluindo carreiras especiais, admitindo candidatos
em fase de conclusão de estudos, com entrada em funções após a obtenção do
grau académico;

64
O FUTURO É JÁ
● Reeditar e tornar permanente o EstágiAP XXI, integrado na lógica da
Garantia Jovem, relançando o papel do emprego público como fator de
inserção de jovens e combatendo, ao mesmo tempo, o envelhecimento em
muitos serviços públicos;

● Dar autonomia aos serviços da administração direta e indireta do Estado


para recrutamento de trabalhadores com a devida antecedência,
assegurando a transição de conhecimento quando se verificam
aposentações;

● Garantir o alinhamento das carreiras com os níveis de qualificação do


Quadro Nacional de Qualificações (QNQ), distinguindo a entrada em função
da formação (licenciatura, mestrado, doutoramento) e assegurando
percursos adaptados à crescente especialização;

● Rever o Acordo Coletivo das Carreiras Gerais, atualizando regras de tempo


de trabalho e direitos individuais, em linha com as exigências atuais e a
evolução do trabalho na Administração Pública;

● Desenvolver um programa de progressão acelerada para quadros de


excelência;

● Alargar os projetos-piloto de experimentação da semana de quatro dias a


entidades da administração pública;

● Planear as necessidades de recrutamento de técnicos superiores,


antecipando inovações tecnológicas e fixando metas concretas de ingresso
anual;

● Reforçar a formação ao longo de todo o percurso profissional dos trabalhadores,


dirigentes e administrações, atualizando em permanência o papel do INA nesta
função, e mantendo este como instituto público com adequados níveis de
autonomia;

● Aperfeiçoar o modelo de recrutamento e seleção de dirigentes da


Administração Pública, assegurando a valorização remuneratória das
funções de direção superior e intermédia;

● Promover a gestão autónoma dos orçamentos pelos dirigentes dos serviços


da Administração Pública, de acordo com objetivos previamente fixados e
sujeitos a uma avaliação intercalar que associe a disponibilidade do
orçamento ao grau de desempenho;

65
PROGRAMA ELEITORAL 2025
● Atualizar o limite para a isenção de contribuição para a ADSE;

● Estudar a possibilidade da abertura da adesão à ADSE por parte de


trabalhadores de outras empresas públicas do Setor Empresarial do Estado
e do Setor Empresarial Local.

8.2 Modernização Administrativa e Digitalização

A relação entre as pessoas, os agentes económicos e os serviços públicos depende


de uma Administração Pública simples, acessível e sustentada em ferramentas
tecnológicas de ponta. Para isso, é fundamental atualizar e simplificar o quadro
legal, digitalizar e tornar a gestão interna mais ágil, garantindo transparência,
segurança e proximidade.

Nestes termos, o Partido Socialista irá:

● Avançar com uma nova geração do programa SIMPLEX, na forma de:

○ Atualização e simplificação do quadro legal aplicável aos procedimentos e


serviços públicos, reduzindo a dispersão e complexidade legislativa,
instituindo um regime transversal de desenvolvimento e disponibilização
de serviços digitais;

○ Adoção de uma política de tolerância zero a excessos de obrigações


documentais ou custos de contexto;

○ Simplificação dos procedimentos de autorização de despesa e contratação


pública, facilitando o investimento público e a transparência na gestão
financeira;

○ Oferta de serviços digitais mais simples e automatizados, desenhados a


partir das necessidades das pessoas e empresas, e garantindo níveis
superiores de inclusão e acessibilidade;

○ Qualificação digital da relação entre a Administração e a sociedade civil,


tornando os serviços públicos cada vez capazes de antecipar necessidades
das pessoas e empresas;

● Traçar um plano com vista à adoção integral no Estado dos princípios nacionais
e europeus de administração eletrónica, incluindo:

○ Princípio da declaração única, evitando que cidadãos e empresas peçam a


mesma informação a diferentes serviços;

66
O FUTURO É JÁ
○ Universalização dos mecanismos de cooperação e decisão conjunta,
reduzindo tempos de espera;

○ Apoio a soluções automatizadas ou com recurso a Inteligência Artificial para


libertar os serviços de tarefas repetitivas ou puramente formais;

○ Proatividade do Estado na sua relação com os cidadãos e as empresas.

○ Interoperabilidade entre organismos públicos e utilização inteligente dos


dados, garantindo armazenamento não redundante de informação,
reduzindo burocracias e promovendo a eficiência;

● Assegurar o atendimento preditivo e omnicanal na Administração Pública,


através:

○ Da criação de um novo modelo de atendimento público, preditivo,


transversal e integrado, através da agregação de serviços públicos em
ambiente físico (lojas do cidadão) ou digital (portal único);

○ Do reforço do atendimento omnicanal, com experiências interligadas,


incluindo a expansão de serviços em territórios de baixa densidade e a
“Plataforma de Atendimento à Distância” para cidadãos portugueses no
estrangeiro.

● Adotar modelos mais eficazes de gestão e organização, através da criação e


reforço de serviços partilhados e centros de competências, e da reorganização
administrativa segundo critérios de otimização funcional de serviços, incluindo:

○ Centros de competências em áreas como digital, inteligência artificial,


cibersegurança, proteção de dados, planificação e desenvolvimento de
compras públicas tecnológicas;

○ Instrumentos transversais de programação da digitalização do setor


público, definindo prioridades de investimento, planificando ações e
estabelecendo mecanismos de financiamento e métricas de avaliação da
execução.

○ Redução da dependência do setor público em relação ao fornecimento externo


de serviços e bens críticos ou que possam ser disponibilizados internamente;

● Reforçar a colaboração técnica e estratégica entre serviços, promovendo o


trabalho em rede e criando instrumentos de articulação para alinhar
prioridades, soluções e funcionamento;

67
PROGRAMA ELEITORAL 2025
● Incrementar o uso da identidade digital (Chave Móvel Digital e eID), garantindo
autenticação segura, rastreabilidade e transparência na interoperabilidade de
dados.

● Investir na cibersegurança e resiliência digital do Estado.

● Oferecer programas de formação contínua para profissionais em áreas


emergentes de IA, com a colaboração do IEFP e do INA.

● Desenvolver um sistema de planeamento e apoio ao investimento público nos


vários níveis e organismos da Administração Pública, tendo em vista um reforço
significativo da sua capacidade de execução, designadamente através de:

○ Apoio ao planeamento dos investimentos, recorrendo à análise


técnica do PlanAPP e do Conselho Superior de Obras Públicas;

○ Preparação atempada de projetos de execução dos investimentos,


permitindo encadear ciclos de investimento;

○ Assessoria à contratação pública, através da criação de um


Secretariado Nacional para o Investimento Público;

○ Promoção de consensos políticos que façam durar as intenções de


investimento além dos ciclos políticos, designadamente através da
aprovação de Leis de Programação setoriais.

● Disponibilizar um painel de controlo público para monitorização de métricas


de desempenho dos serviços e sistema de feedback contínuo pós-
atendimento;

● Desenvolver uma cultura de prestação de contas e avaliação de políticas


públicas, com recurso a mecanismos permanentes de análise de impacto,
antes e após a execução das decisões, valorizando estruturas como a PlanAPP;

● Criar uma carteira digital para cidadãos sem contas bancárias, facilitando
pagamentos de prestações sociais:

● Combater a fraude com análise inteligente de dados entre várias bases;

● Generalizar a fatura sem papel a toda a economia, através da criação de um


sistema seguro de faturação electrónica que cubra todas as transações - entre
privados, entre privados e o Estado e de qualquer entidade pública ou privada
com os consumidores;

68
O FUTURO É JÁ
● Desenvolver um Quadro Nacional para Regulação de Algoritmos no Setor
Público, com obrigatoriedade de auditoria prévia e periódica de todos os
algoritmos usados em processos administrativos e requisitos mínimos de
transparência.

8.3 Setor Empresarial do Estado

O Estado assegura através de empresas públicas um conjunto de atividades


económicas em áreas estratégicas para o interesse nacional. As empresas públicas
desenvolvem atividades próprias, com o objetivo de servir fins sociais e coletivos, sendo
os bens e serviços produzidos com base em princípios de organização e de gestão
empresarial, próximos das organizações privadas. Contudo, distinguem-se destas por
garantirem a prestação de serviços essenciais aos cidadãos, a correção de falhas de
mercado, um melhor controlo dos recursos naturais ou o fomento de objetivos de
política económica, ou atuando em setores que exigiriam investimentos demasiado
elevados.

As empresas públicas têm acompanhado as mudanças na economia,com espírito


de serviço, assumindo um forte compromisso com os objetivos económicos de
Portugal e reforçando os laços com o país. O Setor Empresarial do Estado (SEE)
integra empresas que prestam serviços públicos essenciais e de proximidade aos
cidadãos, que todos os portugueses reconhecem, em setores como a saúde, a água,
os transportes, as infraestruturas e a cultura.

Estas empresas são alavancas de atração de investimento privado, impulsionamento


do crescimento económico e reforço da competitividade, e devem constituir referências
nos respetivos setores de atividade, destacando-se pela inovação, sustentabilidade e
qualidade dos serviços. As empresas públicas devem também liderar pelo exemplo na
aplicação das melhores práticas de governação e na excelência da gestão empresarial,
dando um contributo para a qualidade da despesa, a redução do endividamento e a
entrega de retorno financeiro ao Estado.

O SEE inclui ainda diversas participações, geralmente minoritárias e de reduzida


dimensão económica. Ao contrário do que foi preconizado pelo Governo da AD,
estas participações devem ser reorganizadas de forma transparente e com critérios
objetivos, possibilitando o aumento de escala das empresas, o aumento da sua
massa crítica, a redução de custos de estrutura e a libertação de recursos
administrativos e financeiros necessários para as empresas públicas que prestam
serviços essenciais.

69
PROGRAMA ELEITORAL 2025
Neste quadro, o Partido Socialista compromete-se a:

● Reorganizar as participações sociais nas empresas do Setor Empresarial do


Estado, realizando operações de consolidação que aumentem a eficiência e a
eficácia das empresas públicas;

● Aprovar os instrumentos de gestão e de planeamento estratégico de todas as


empresas públicas antes do início de cada ano;

● Reforçar o Governo societário das empresas públicas, passando os conselhos


de administração a integrar uma comissão de auditoria, bem como
administradores não executivos em representação dos acionistas, dos
trabalhadores e dos clientes da empresa;

● Profissionalizar o recrutamento dos administradores das empresas públicas,


assegurando uma base mais ampla de candidatos e maior transparência nas
escolhas;

● Implementar, em parceria com as universidades, programas de formação para


executivos das empresas públicas;

● Atribuir remuneração variável aos gestores públicos, com base em objetivos


anuais, integrados num sistema coerente de indicadores de desempenho, que
reflita o conjunto das atividades prosseguidas e dos resultados obtidos;

● Aumentar a adesão das empresas públicas a instrumentos de regulamentação


coletiva de trabalho;

● Incluir entre os indicadores de desempenho económico-financeiro das


empresas públicas a redução das desigualdades salariais entre os
trabalhadores e os administradores dessas empresas;

● Definir uma política de distribuição de dividendos das empresas públicas do


setor empresarial do Estado, atribuindo aos trabalhadores uma percentagem
dos lucros da empresa.

70
O FUTURO É JÁ

2.ª MISSÃO:
Um Estado Social forte,
moderno e inclusivo

O Estado Social é uma das maiores conquistas da nossa democracia, e teve um


papel decisivo nos progressos sociais alcançados ao longo dos últimos 50 anos em
domínios-chave como a saúde, a educação e a segurança social. Foi o Estado Social
que permitiu a construção de uma rede pública de escolas, garantindo o acesso de
todos à educação básica e secundária. Numa lógica de cobertura universal e
territorial, assegurou também o acesso a cuidados de saúde, com a criação do
Serviço Nacional de Saúde. Na segurança social e no emprego, permitiu a criação
de um sistema público de pensões e reformas, a par do reconhecimento
progressivo de direitos e apoios nas situações de desemprego, doença, pobreza e
exclusão social.

Foram os progressos nestes domínios decisivos do bem-estar que nos permitiram


uma aproximação clara, ao longo das últimas décadas, aos padrões dos países
europeus mais desenvolvidos, com uma redução da pobreza e um aumento da
mobilidade social.

A preservação, consolidação e capacidade de resposta do Estado Social aos novos


problemas constitui um desafio permanente. Sobretudo quando as tentativas,
protagonizadas pela direita, de recuo em matéria de direitos sociais, num quadro
de desmantelamento progressivo dos serviços e das respostas públicas, se tornam
mais tangíveis e indisfarçáveis.

No último ano, o Governo da AD desinvestiu de forma clara no nosso Estado Social,


e de forma mais incisiva e relevante no SNS. Defendendo o conceito de “sistema de
saúde” (e não de serviço público de saúde), reforçou de modo significativo a
transferência de recursos para o setor privado sob diferentes formas, retirando
recursos ao SNS e tornando-o ainda mais vulnerável à capacidade de cooptação de
profissionais, sobretudo médicos, pelas unidades de saúde privadas. No sistema de
pensões, tornou-se clara a intenção de fomentar a adoção de regimes de

71
PROGRAMA ELEITORAL 2025
capitalização, com a abertura à gestão por privados, comprometendo o sistema de
solidariedade intergeracional.

O Partido Socialista estará sempre na linha da frente da defesa do Estado Social,


defendendo os direitos que são de todos e para todos. Não negamos que há
problemas antigos por resolver e novos desafios por enfrentar. Mas esses
problemas e desafios só podem ser superados de modo inclusivo e universal,
reforçando e modernizando o Estado Social, no respeito pelos princípios em que o
mesmo assenta: universalidade dos direitos e na cobertura territorial dos serviços e
rede de respostas.

Esta é uma diferença fundamental entre o PS e o projeto da direita. Tal como tantas
vezes no passado, PSD e CDS-PP tentam aproveitar as dificuldades, a pressão
enfrentada pelos serviços públicos, para dar passos no sentido do recuo no Estado
Social, tendentes ao seu desmantelamento e à criação de espaço aos privados, com
financiamento público, em respostas essenciais como a educação, a saúde e a
segurança social.

Os serviços públicos universais e de qualidade são o núcleo do Estado Social. E não


há serviços públicos universais e de qualidade sem profissionais reconhecidos e
valorizados nas suas remunerações e carreiras, a par de uma gestão eficiente dos
recursos disponíveis e de uma atuação centrada nos cidadãos.

Os recentes Governos do Partido Socialista deram passos importantes em áreas


menos desenvolvidas do Estado Social. Na habitação, criaram as bases para que
Portugal disponha de um verdadeiro parque habitacional público. Na ação social,
e em cooperação com as organizações do terceiro setor, foram criadas respostas
diversas, sobretudo ao nível da infância e do apoio a idosos, mas também no âmbito
dos apoios à deficiência.

Deve ainda assinalar-se que o Estado Social não se reduz à concretização dos
direitos sociais fundamentais. O Estado Social também é economia, contribuindo
para gerar emprego e riqueza, tendo um papel essencial no enquadramento da
atividade das empresas e na dinamização da economia. A consolidação e
aprofundamento do Estado Social será, por isso, uma das prioridades do PS na
próxima legislatura: atraindo e retendo profissionais, reforçando os mecanismos de
provisão pública, superando lacunas e respondendo a desafios emergentes de
bem-estar.

72
O FUTURO É JÁ

1. Uma segurança social pública sólida,


equitativa e sustentável

O PS tem um compromisso histórico com o reforço da Segurança Social e do


sistema público de pensões, estando na origem das principais reformas que
garantiram o seu desenvolvimento e a sua sustentabilidade. Exemplos disso são a
criação do Rendimento Mínimo Garantido (hoje RSI), do Complemento Solidário
para Idosos (CSI), do reforço da proteção no desemprego, parentalidade ou doença,
e avanços na inclusão das pessoas com deficiência e no âmbito da Garantia para a
Infância.

Depois da degradação da situação económica e social de 2011 a 2015, com cortes


nos salários e pensões, nos apoios aos cidadãos mais desprotegidos, nas prestações
de desemprego e outros direitos sociais, o PS devolveu prioridade à proteção social,
fortalecendo este pilar do Estado Social. Hoje, é fundamental defender um sistema
público de Segurança Social forte e universal, e combater tentativas de privatização
ou descredibilização.

O PS tem uma história que fala por si: apoiaremos medidas que continuem a
contribuir para manter e reforçar a sustentabilidade da Segurança Social pública,
mas não contribuirá para medidas que minem a credibilidade do sistema, nem
para um debate desinformado como o que a AD lançou nos últimos meses,
lançando a suspeição entre contribuintes e beneficiários e procurando abalar a
confiança num sistema essencial da coesão social.

Para o PS, o futuro passa pela valorização do sistema público de pensões e pelo
reforço na confiança dos portugueses na sua sustentabilidade. Assim, o Partido
Socialista compromete-se a:

● Aprofundar a trajetória de valorização das pensões, em particular dos


escalões mais baixos, assegurando em todos os anos da legislatura o
integral cumprimento da fórmula de atualização, sem prejuízo da
valorização adicional nos grupos mais desfavorecidos, permitindo que os
pensionistas mantenham níveis de vida dignos face aos que tinham na idade
ativa, e de melhorias ao próprio modelo;

● Avaliar aperfeiçoamentos no modelo de atualização das pensões, incluindo a


ponderação, na indexação da atualização das pensões, de outras variáveis
macroeconómicas, como a variação da massa salarial, para cálculo dos

73
PROGRAMA ELEITORAL 2025
aumentos, a par da garantia de aumentos mínimos, evitando a estagnação das
pensões mais baixas.

● Rejeitar quaisquer tentativas de privatização total ou parcial do sistema de


pensões, bem como qualquer exercício ou experiência de “plafonamento” de
contribuições e pensões, que enfraqueceria o sistema e limitaria a sua capacidade
de garantir uma proteção nas próximas décadas;

● Aprofundar a diversificação de fontes de financiamento da segurança social de


modo suplementar ao modelo existente, que é a base do sistema, reduzindo a
dependência da contribuição indexada ao trabalho, mitigando os riscos
demográficos associados, e promovendo uma mais justa repartição da riqueza.
Neste âmbito, pretende-se criar a possibilidade de consignar até 5 pontos
percentuais da receita do IRC ao FEFSS, assegurando reforços robustos em
períodos de saldos menores do sistema e integrando, por esta via, o contributo
dos lucros para a sustentabilidade do sistema;

● Ao mesmo tempo, encontrar mecanismos de captação de contribuições em


empresas de elevado valor acrescentado não intensivas em trabalho mas
intensivas em capital e/ou tecnologia e avaliar formas alternativas de
financiamento da Segurança Social como, por exemplo, a afetação de parte das
receitas resultantes de novas concessões de autoestradas (após o final das
atuais) ou de portagens cobradas pelo próprio Estado, caso se opte pela
exploração direta das mesmas, sem concessão;

● Para reforçar a sustentabilidade de longo prazo do sistema, clarificar na lei que


os saldos anuais do sistema previdencial são transferidos para o FEFSS mesmo
para lá do patamar mínimo de referência do pagamento de dois anos de
pensões hoje previsto na lei, e promover o alargamento deste referencial para
reforçar a resposta do sistema.

● Estudar a revisão da regra de formação das pensões contributivas para


penalizar menos as carreiras intermitentes e favorecer a formação de pensões
dignas para trabalhadores com baixos salários;

● Avaliar, em articulação com as políticas ativas de emprego, mecanismos de


melhoria da proteção no desemprego e da sua cobertura, para mitigar os riscos
de pobreza nos desempregados;

● Reforçar o princípio da contributividade, assegurando que a todas as


prestações de trabalho, incluindo trabalho independente, correspondam
contribuições dos contratantes, em articulação com o respetivo englobamento

74
O FUTURO É JÁ
dos rendimentos para fins fiscais, reforçando a base contributiva do sistema e
reduzindo os incentivos ao recurso abusivo a formas de trabalho precário;

● Reavaliar os escalões de dependência económica e as respetivas contribuições


para o sistema e introduzir um nível mínimo de contribuição independente da
dependência económica;

● Equiparar os bolseiros de investigação científica a trabalhadores por conta de


outrem para efeitos de contribuições para a segurança social, à semelhança do
que acontece com os estágios profissionais;

● Garantir que o esforço de convergência de sistemas de pensões,


nomeadamente da Caixa Geral de Aposentações e da Segurança Social, não
coloca em causa os direitos dos beneficiários nem a sustentabilidade do
sistema, assegurando o devido financiamento integral do Orçamento de
Estado para essa transição que sempre esteve previsto e sobre o qual o
Governo de direita tentou lançar dúvidas infundadas nos últimos meses;

● Aprofundar o combate à fraude e evasão contributivas, melhorando a


capacidade de fiscalização, identificação e correção de situações de recurso
indevido a figuras como as empresas em nome individual ou os contratos de
prestação de serviços;

● Investir na digitalização e diversificação dos canais de atendimento à distância


da Segurança Social e aprofundar a interoperabilidade de sistemas e ficheiros
unificados em áreas relevantes para o atendimento. Ao mesmo tempo,
fortalecer os serviços de proximidade, com atendimento presencial para todos;

● Criar um Portal da Transparência da Segurança Social que divulgue os dados


relativos aos apoios da segurança social, às prestações pagas, aos apoios às
respostas sociais e às entidades do setor social, entre outras informações
relevantes;

● Avaliar a criação de projetos-piloto de um sistema mais proativo e regular de


informação e acompanhamento a cada trabalhador do estado de formação das
pensões futuras;

75
PROGRAMA ELEITORAL 2025

2. Um desígnio no combate à pobreza

A pobreza ofende a igual dignidade da vida humana, criando impactos duradouros


nos cidadãos que a enfrentam, desde a sua inserção profissional às suas condições
de saúde. Por isso, a pobreza caracteriza-se frequentemente por ciclos de
reprodução de desigualdades sociais, económicas e culturais, castrando a
mobilidade social e a igualdade de oportunidades. Combater a pobreza faz, por isso,
parte do núcleo fundamental dos valores e da razão de existir do Partido Socialista.

Após um forte crescimento da taxa de risco de pobreza durante o período da Troika,


de 17,9% em 2011 para 19,5% em 2014, os Governos do Partido Socialista conseguiram
imprimir uma agenda ambiciosa de redução da pobreza, tendo esta taxa atingido
um mínimo de 16,2% em 2019. Mesmo depois de uma pequena recuperação no
período da Covid, o ano de 2023 voltou a colocar a pobreza próximo de níveis pré-
pandémicos. Este feito resulta não só da melhoria das condições de emprego e de
rendimento como também de políticas sociais concretas, como o Complemento
Solidário para Idosos. Foi no sentido de mais as desenvolver que o Governo do PS
lançou em 2021 a Estratégia Nacional de Combate à Pobreza. Neste ano em que a
AD Governou o país, esta dimensão foi completamente relegada para última
prioridade, revelando-se um atraso significativo na implementação da Estratégia.

Só uma sociedade coesa e justa pode afirmar o seu pleno potencial económico,
sendo por isso também a proteção social fator de competitividade das empresas e
do país. O PS está comprometido em fazer do combate à pobreza uma prioridade
nacional e por isso compromete-se a:

● Promover uma revisão intercalar da Estratégia Nacional de Combate à


Pobreza 2021-2030 e do respetivo Plano de Ação, com base na avaliação do
grau de concretização das medidas e metas traçadas;

● Avançar para uma lógica de Prestação Social Única, que congregue várias
prestações sociais não contributivas, simplificando o acesso e aumentando
a eficácia da proteção social em situações de vulnerabilidade;

● Criar um Código Prestacional, promovendo a simplificação do acesso à


proteção social e tornando mais claras as condições de acesso, regras,
direitos e deveres;

76
O FUTURO É JÁ
● Promover, sempre que possível e adequado, o reforço da atribuição
automática de prestações sociais;

● Reforçar a eficácia do CSI, avançando com projeto-piloto que abra caminho


à comunicação oficiosa e automatizada da potencial elegibilidade para a
prestação, sem prejuízo de confirmação e do fornecimento de elementos
complementares que sejam necessários;

● Aprofundar a eficácia do RSI para combater a severidade da pobreza,


continuando a atualizar o seu valor de referência, reavaliando as condições
de atribuição para uma melhor articulação com a participação no emprego
e programas de inserção eficazes, e ainda avaliando a supressão dos apoios
regulares à habitação na condição de recursos da prestação;

● Promover uma nova geração de políticas sociais nos territórios com o


lançamento do Programa Rede Social Local 2.0, envolvendo as equipas
municipais de ação social, os serviços de Atendimento e Acompanhamento
Social, os serviços de saúde, de educação, os Contratos Locais de
Desenvolvimento Social, bem como as equipas de sinalização «Radar Social»;

● Avançar com a designação de um gestor de caso que funcione como


ponto focal único para cada família, com protocolos de intervenção
articulada entre estes diferentes atores no terreno, evitando sobreposições e
otimizando os recursos existentes;

● Garantir respostas mais robustas e eficazes para responder à situação das


pessoas em situação de sem abrigo, interligando respostas de diferentes
domínios das políticas públicas, incluindo a proteção social, a saúde, o
emprego e a habitação, rejeitando assim uma visão meramente
assistencialista da intervenção neste domínio;

● Concretizar um modelo estruturado de acolhimento a migrantes em


situação de vulnerabilidade, através de Centros de Acolhimento e
Emergência Social, que garanta respostas de acolhimento residencial
articuladas com a aprendizagem do português, formação pessoal e
profissional, inserção no mercado de trabalho e autonomização;

● Reforçar o acompanhamento e apoio aos cidadãos nacionais ou


lusodescendentes na diáspora que se encontrem em situação de carência, e
promover, em articulação com o Programa Regressar, um apoio reforçado o
para repatriamento desses cidadãos;

77
PROGRAMA ELEITORAL 2025
● Promover respostas de cariz habitacional inovador adequadas às
necessidades de diferentes públicos, incluindo a partir de projetos
baseados em comunidades de inserção e formas de habitação
colaborativa, com abordagens inspiradas no modelo “housing first” e
com reforço das respostas de acolhimento imediato;

● Prosseguir o reforço do combate à atribuição indevida e à fraude nas


prestações sociais, nomeadamente num quadro de reforço dos sistemas de
informação e dos mecanismos de interoperabilidade, melhorando a
capacidade para detetar irregularidades e declarações falsas, em nome da
transparência, da justiça social, e da própria sustentabilidade social dos
apoios.

3. Uma nova geração de políticas sociais

A luta por uma sociedade justa, inclusiva e preparada para os desafios coletivos
depara-se hoje com uma nova realidade trazida pela transição digital que agrava
os riscos de desigualdade entre os cidadãos. Precisamos de uma nova geração de
políticas sociais para fazer face às desigualdades sociais, para eliminar as
armadilhas da pobreza e da exclusão social e para reduzir as assimetrias do
desenvolvimento económico e territorial.

Esta nova geração de políticas sociais deve envolver a participação direta das forças vivas
da sociedade civil, nomeadamente das entidades do terceiro setor.

3.1 Uma parceria sustentável com o Setor Social e Solidário

A economia social e solidária, com milhares de entidades e presença em todo o


território e com impacto relevante no emprego e no valor acrescentado bruto,
contribui para a coesão social e territorial. Constitui-se como expressão tangível de
participação cívica e um apoio essencial à resiliência social, sobretudo em tempos
de crise e junto dos mais vulneráveis.

O setor social, com um papel histórico, é crucial na solidariedade, desenvolvendo


respostas de proximidade para todas as gerações, em estreita parceria com o
Estado. O PS compromete-se, por isso, com o reforço de políticas públicas que
valorizem a economia social e a cooperação com o setor social e solidário na
prestação de respostas sociais, e vai:

78
O FUTURO É JÁ
● Promover a assinatura de um “Pacto para a Legislatura” com o setor social
e solidário que assegure estabilidade e previsibilidade na evolução da
parceria entre o Estado e o setor e que garanta respostas ajustadas aos
diferentes contextos territoriais em que se enquadram as entidades. Este
acordo plurianual deverá concorrer para o reforço da capacidade de
resposta e sustentabilidade das instituições e para a melhoria dos níveis
salariais dos seus profissionais;

● Rever a Lei das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS),


adequando-a às exigências dos tempos atuais;

● Lançar um plano de promoção e incentivo à constituição de organizações da


economia social, como cooperativas e mutualidades, promovendo a sua melhor
articulação com iniciativas de todas as gerações, concretizando plenamente o estatuto
fiscal específico mais favorável que, aliás, já está previsto na lei;

● Estimular o rejuvenescimento do setor social e solidário, promovendo estágios


profissionais e outros apoios à criação de emprego no setor, reforçando a oferta
formativa em empreendedorismo social;

● Lançar uma Carta da Economia Social Interativa que concretize uma base de
dados da economia social, permitindo a consulta a todas as entidades e aos
principais dados nos diferentes territórios;

● Avaliar e rever o Código Cooperativo, em articulação com o setor, de modo a


tornar a legislação mais flexível, fortalecer o movimento cooperativo e melhorar
o regime de cooperativas de âmbito setorial;

● Reforçar as parcerias entre entidades do setor público e da economia social,


revendo o diploma legal que enquadra as cooperativas de interesse público,
tornando-o mais flexível e apelativo;

● Promover o dinamismo do movimento mutualista, nomeadamente com base


em melhores incentivos para a mutualização de poupanças e de proteção
social complementar, em articulação com o setor mutualista e em diálogo com
os parceiros sociais;

● Rever o Código das Associações Mutualistas, melhorando o enquadramento


legislativo do setor e criando melhores e mais claros mecanismos de
acompanhamento destas entidades;

79
PROGRAMA ELEITORAL 2025
● Reforçar programas de microcrédito e de empreendedorismo social em
articulação com as dinâmicas da economia social, de modo a reforçar a
dimensão solidária e inclusiva deste tipo de programas;

● Aprovar um estatuto de empresas sociais em linha com os debates europeus


nesta matéria e como modalidade de economia social, criando um quadro jurídico
que regule e incentive startups e empresas que sejam sociedades que intervêm
no mercado, mas que têm na prossecução de fins sociais e na redistribuição de
excedentes articulada com o foco na retribuição do trabalho traços distintivos
relativamente a empresas puramente mercantis;

● Consolidar programas alargados de formação e qualificação de trabalhadores,


técnicos e dirigentes das organizações das entidades da economia social, em estreita
articulação com as diferentes famílias e instituições representativas do setor e tirando
pleno partido da capacidade instalada, designadamente no IEFP e do centro
protocolar constituído para o efeito;

● Promover a alteração do enquadramento legal do voluntariado por forma a


adequar as normas vigentes às práticas sociais existentes e reforçar os programas
de apoio ao voluntariado de modo a envolver mais pessoas e entidades nestas
atividades, de modo a potenciar o desenvolvimento desta prática e aumentar a
sua expressão;

● Aprofundar a cooperação com as entidades da economia social e com as suas


estruturas representativas, em particular com a Confederação Nacional de
Economia Social, valorizando o seu papel agregador e decisivo na dinamização e
fortalecimento do setor.

3.2 Respostas para a Infância

Ao nível das respostas sociais para a Infância, é crucial prosseguir a política de


alargamento da gratuitidade das creches e das respostas para a primeira infância,
melhorando e reforçando a oferta na transição para o pré-escolar, medida que
colocou Portugal na linha da frente a nível europeu no cumprimento do objetivo
da Garantia Europeia para a Infância nas respostas para a primeira infância. Para
isso, o PS vai:

● Reforçar os apoios sociais à infância, desde logo com um aumento do valor do


abono de família para as crianças dos 3 aos 6 anos, a concretizar com dois
aumentos de 25% - um em 2026 e outro em 2028 - de modo a reduzir
desequilíbrios nos níveis de proteção entre os primeiros anos de vida e os
seguintes;

80
O FUTURO É JÁ
● Criar o Programa “Pé-de-Meia”, no qual o Estado atribui €500 em
certificados de aforro a cada criança nascida a partir de 1 de janeiro de 2025.
O valor acumulado pode ser resgatado aos 18 anos e, até lá, reforçado em
qualquer momento, ficando sujeito a um regime fiscal próprio.

● Dar novo impulso ao alargamento das vagas em creches e outras respostas


para a primeira infância com novas gerações do programa PARES, focados
nos concelhos de maior pressão e dificuldade para responder às necessidades
das famílias, em articulação com o reforço da oferta por entidades públicas com
interesse em fazê-lo;

● Desenvolver uma plataforma de gestão integrada de vagas em creche,


prestando mais e melhor informação e apoio aos pais que procuram uma vaga
para os seus filhos;

● Reforçar creches familiares e amas, em particular nos territórios com menos


resposta, equiparando as amas que trabalham como profissionais liberais às
respostas privadas para efeitos da Creche Feliz, permitindo o alargamento das
instituições de enquadramento para o âmbito autárquico;

● Alargar a oferta da rede de equipamentos para a infância com funcionamento


alargado de horários, em particular para famílias com horários por turnos, incluindo
incentivos a respostas promovidas pelas empresas e respostas flexíveis e de
pequena escala, em articulação com autarquias e empresas;

● Investir na qualidade das respostas para a primeira infância, incluindo as


creches, reforçando a sua dimensão pedagógica e a componente dos cuidados
e lançando um programa de alimentação saudável;

● Fortalecer a capacidade de intervenção nas situações de maior exposição ao


risco na infância, através de intervenções preventivas e reparadoras e com uma
governação integrada, em rede e mais eficaz;

● Garantir a cobertura, em todos os municípios, dos Núcleos Locais da Garantia


para a Infância, numa clara aposta em intervenções precoces e respostas
comunitárias, de real articulação entre os serviços de saúde, educação e
segurança social, desjudicializadas e preventivas do perigo e da violação de
direitos das crianças e jovens;

● Aperfeiçoar o sistema de proteção das crianças e jovens em risco, desde logo


com o reforço da capacidade de intervenção das Comissões de Proteção de
Crianças e Jovens;

81
PROGRAMA ELEITORAL 2025
● Concretizar o plano nacional de desinstitucionalização das crianças e jovens em
acolhimento residencial, através do alargamento das respostas de apoio em
meio natural de vida, de acolhimento familiar e de promoção de autonomia dos
jovens;

● Reforçar a proteção social das crianças órfãs, em particular nos casos em que
um progenitor sobrevivente está impedido de exercer as responsabilidades
parentais (por exemplo, em resultado de crimes de violência doméstica).

3.3. Soluções para um envelhecimento digno

O Estado Social deve contribuir para a criação de condições para um


envelhecimento digno, ativo e saudável, no quadro de uma sociedade cuidadora.
Além da renovação e expansão das estruturas residenciais para pessoas idosas
(ERPI), conforme previsto no PRR e no PARES, há que investir no reforço da rede de
cuidados continuados e cuidados paliativos, devendo as respostas sociais aos
idosos ser cada vez mais pautadas pelo princípio da promoção da autonomia e da
da vida independente. Para isso, o PS vai:

● No quadro de uma Nova Geração de Equipamentos e Respostas Sociais,


promover sempre que possível a não institucionalização de pessoas idosas,
apostando em vez disso no desenvolvimento de respostas residenciais
baseadas em:

○ A criação de novas respostas de Serviço de Apoio Domiciliário que


garanta não só os serviços tradicionalmente prestados mas também apoio
domiciliário de retaguarda para as atividades de vida diária e de
estimulação física e cognitiva;

○ A melhoria da articulação das respostas sociais e da saúde, através do


trabalho em rede entre as equipas de SAD e das Equipas de Cuidados
Continuados Integrados ao domicílio, sem prejuízo do necessário reforço
das camas da rede geral de cuidados continuados integrados, para quando
são necessárias;

○ A criação das primeiras Unidades de Dia e Promoção da Autonomia;

○ Modelos de teleassistência e outros mecanismos de acompanhamento de


idosos isolados;

○ Projetos-piloto de uma nova resposta social inovadora com base em


modelos de habitação colaborativa ou unidades de reforço de autonomia,

82
O FUTURO É JÁ
em articulação com os municípios e com as políticas de habitação,
libertando fogos para arrendamento;

○ A expansão de iniciativas de economia social como cooperativas


direcionadas para habitação colaborativa (“co-housing”).

● Criar um sistema integrado de gestão de acordos de cooperação, que permita


nomeadamente a gestão e divulgação de vagas, potenciando também maior
eficiência na resposta às pessoas;

● Reforçar e simplificar os apoios à adaptação das habitações das pessoas idosas;

● Rever e alargar as condições de elegibilidade e os apoios ao cuidador


informal e capacitar os cuidadores e os próprios cidadãos seniores,
designadamente quanto à sua livre decisão quanto à prestação de
cuidados, tirando partido de soluções tecnológicas existentes, prever o acesso
dos cuidadores informais principais titulares de subsídio de apoio, às tarifas
sociais de eletricidade e internet, bem como estudar soluções que possibilitem
o descanso do cuidador, designadamente através do recurso a bolsas de
cuidadores;

● Rever e simplificar as prestações por dependência, para aumentar a eficácia da


proteção social neste âmbito;

● Combater os maus-tratos a idosos e melhorar, nos casos de abandono, a


articulação com as respostas sociais, no âmbito do processo do “Maior
Acompanhado”, revendo os mecanismos legais de penalização de situações de
maus-tratos e abandono;

● Prosseguir o alargamento da rede de cuidados continuados, com reforço


das vagas, de modo a assegurar uma adequada cobertura nos casos em que a
mesma é necessária e diminuindo assim a pressão sobre outras redes de
resposta;

● Promover, em estreita articulação com a saúde, a disponibilização de camas


adicionais destinadas a altas hospitalares, para acolher pessoas que não
reúnam condições imediatas de regresso a casa ou de acolhimento noutra
resposta social;

● Criar uma “via verde” de acesso e ligação dos profissionais de saúde


hospitalares aos profissionais de saúde das estruturas residenciais para pessoas
idosas, evitando, tanto quanto possível, a ida às urgências hospitalares e o
internamento.

83
PROGRAMA ELEITORAL 2025

4. A autonomia como chave da inclusão

O PS tem liderado os avanços no domínio da inclusão das pessoas com deficiência em


Portugal. Esta área fundamental adquire relevo adicional na sequência da adesão à
Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência das Nações Unidas. Neste
âmbito, importa efetivar estes direitos fundamentais e impedir o regresso a uma visão
assistencialista destas políticas.

Portugal realizou um percurso absolutamente reformador no domínio da inclusão


das pessoas com deficiência, materializado, entre outros, na criação da Prestação
Social para a Inclusão, no Modelo de Apoio à Vida Independente e na aprovação da
Estratégia Nacional para a Inclusão das Pessoas com Deficiência 2021-2025. É
necessário assegurar que este caminho de reforma estrutural centrada na pessoa
com deficiência e nas suas necessidades terá continuidade. Neste sentido, o PS
propõe:

● Aprovar a Lei de Bases da Inclusão das Pessoas com Deficiência, atualizando e


alargando o atual quadro jurídico vigente;

● Avaliar a execução da Estratégia Nacional para a Inclusão das Pessoas com


Deficiência 2021-2025 e aprovar uma nova Estratégia plurianual nesta área,
aprofundando os direitos destes cidadãos, e promovendo a sua autonomia;

● Concluir a implementação da 3.ª fase da Prestação Social para a Inclusão


(PSI), denominada majoração e alargar progressivamente aos beneficiários
do complemento da PSI a comparticipação a 100% dos medicamentos já
atribuída a quem recebe o CSI;

● Melhorar as condições de acesso ao regime do crédito bonificado para pessoas


com deficiência;

● Promover a unificação da prestação de dependência, do Complemento por


Dependência e do Subsídio de Assistência a Terceira Pessoa, no quadro da
simplificação das prestações sociais;

● Simplificar e tornar mais ágil a atribuição do Atestado Médico de


Incapacidade Multiuso, sem prescindir das garantias de rigor do sistema, e
rever o modelo de avaliação e certificação da deficiência, valorizando
parâmetros de funcionalidade em detrimento do atual modelo inteiramente

84
O FUTURO É JÁ
baseado na verificação da incapacidade, desde logo assegurando a revisão da
Tabela Nacional de Incapacidades;

● Criar Centros de Referência para a área da deficiência, nas diferentes regiões


integrando serviços e respostas transversais e especializadas em função da
deficiência em concreto, nas áreas da saúde, habilitação/reabilitação, ação social e
apoio à educação e emprego;

● Criar um quadro legal específico para a atividade dos assistentes pessoais,


garantindo-lhes um conjunto de direitos e deveres, quer no que diz respeito à
legislação do trabalho quer na proteção social;

● Alargar a assistência pessoal a pessoas com deficiência enquanto resposta


social acessível e através dos acordos de cooperação de Serviço de Apoio à Vida
Independente;

● Diversificar as respostas sociais para a deficiência, com respostas de Centro de


Atendimento, Acompanhamento e Reabilitação Social para Pessoas com
Deficiência e Incapacidade, Centros de Atividades e Capacitação para a
Inclusão e Residências de Autonomização e Inclusão integradas na
comunidade;

● Lançar um plano nacional de desinstitucionalização, incentivando o


surgimento de respostas residenciais inseridas na comunidade, em articulação
com os municípios e o setor social, nas quais as pessoas com deficiência
possam residir autonomamente, com o apoio de retaguarda imprescindível ao
seu bem-estar;

● Assegurar a assistência parental para famílias de crianças e jovens com


deficiência, assim como famílias cuidadoras de pessoas adultas com deficiência
e incapacidades, apresentando uma nova resposta social;

● Aprofundar o modelo de educação inclusiva, reforçando a formação das


lideranças das escolas, dos docentes e dos assistentes operacionais que
trabalham com crianças e jovens com deficiência, capacitando essas equipas e
melhorando o apetrechamento tecnológico das escolas;

● Incrementar a colocação efetiva de pessoas com deficiência no mercado de


trabalho, dando cumprimento ao regime de quotas no setor privado, e
melhorando apoios à contratação para se adaptarem melhor às diversas
realidades da deficiência, revendo o atual modelo de formação profissional
vigente para pessoas com deficiência;

85
PROGRAMA ELEITORAL 2025
● Criar projetos-piloto de gestão descentralizada nas áreas da educação, das
políticas sociais e da empregabilidade de pessoas com deficiência,
designadamente em matéria de apoio nos períodos não letivos,, bancos locais
de produtos de apoio, balcões da inclusão itinerantes ou equipas de apoio à pré
e pós-colocação;

● Promover políticas de inclusão e acesso das pessoas com deficiência a serviços


públicos e à participação em plena igualdade em diferentes domínios,
designadamente, garantindo a plena implementação do programa
Acessibilidades 360º do PRR e assegurando o efetivo cumprimento das normas
legais em termos de acessibilidades;

● Criar um Plano Nacional para a Promoção das Acessibilidades físicas, sensoriais, de


comunicação e TIC para a Administração Pública que integre os Planos Plurianuais
de Intervenção para Melhoria das Acessibilidades e assegurar o reforço das Equipas
Técnicas de Promoção das Acessibilidades, bem como um modelo de
financiamento para investimento nesta área;

● Rever a legislação de acessibilidade nos diferentes domínios em ordem a


melhorar a eficácia da fiscalização e das dimensões sancionatórias por
incumprimento nesta matéria;

● Criar as ferramentas necessárias à garantia das condições de acessibilidade em


todas as comunicações do Governo e Administração Pública e atos eleitorais,
incluindo a interpretação em Língua Gestual Portuguesa, legendagem e
descrição das imagens;

● Promover a acessibilidade ao direito de voto, quer com a melhoria das


condições de acesso às assembleias, quer com a disponibilização de
mecanismos e tecnologias de assistência como o voto eletrónico, já testado em
Évora nas Eleições Europeias de 2021;

● Reforçar os apoios e a Formação para a Capacitação das organizações não


governamentais, pessoas com deficiência e comunidade, sobre os Direitos das
Pessoas com Deficiência.

86
O FUTURO É JÁ

5. Um Serviço Nacional de Saúde


universal, forte e resiliente

O Serviço Nacional de Saúde (SNS) é um dos pilares do Portugal democrático e a grande


construção dos socialistas no pós-25 de Abril. A melhoria progressiva, e significativa, da
qualidade de vida dos portugueses nos últimos 50 anos é indissociável da criação de um
serviço público universal e tendencialmente gratuito. O que distingue o SNS dos demais
prestadores é, de facto, a centralidade que atribui ao estado de saúde das pessoas e o foco
na preservação e melhoria da saúde da população.

Ao longo dos oito anos dos Governos do PS foi dado um novo impulso ao SNS,
reforçando as suas valências e criando as bases orçamentais para a sua resiliência
e sustentabilidade. Entre 2015 e 2024 o orçamento do SNS aumentou em mais de
5,6 mil milhões, o número de profissionais cresceu 25%, aprovou-se a Lei de Bases
da Saúde, o Estatuto do SNS e a Direção Executiva do SNS.

Ao longo do último ano, o Governo da AD não só falhou às expectativas que


irresponsavelmente criou, como agravou os problemas e as dificuldades do SNS.
Anunciado para resolver em poucos meses as dificuldades maiores com que se
confrontava o SNS, a verdade é que o Plano de Emergência veio agravar as
dificuldades de acesso ao SNS.

A instabilidade na gestão do SNS foi a principal marca do Governo da AD, com


sucessivas críticas e mudanças na gestão, mudanças sucessivas no INEM, na
direção executiva do SNS e nas administrações hospitalares, pisando todos os
critérios de mérito e competência, com o único propósito de abrir lugar a
nomeações partidárias. Uma das áreas mais atingida pela incompetência da
Gestão da AD foi a área dos Cuidados de Saúde Primários, com o atraso dos
concursos de médicos, por uma mudança apressada no modelo de contratação,
que atiraram para fora do SNS médicos e apenas 25% das vagas de médicos de
medicina geral e familiar foram autorizadas a concurso pelo Governo. O resultado
deste desinvestimento são mais 35 mil portugueses sem médico de família do que
quando o Governo da AD tomou posse.

O anúncio das transferências de hospitais públicos bem geridos e com forte


investimento do Estado nos últimos anos para a gestão de misericórdias, bem
como o anúncio do processo das PPP já em período eleitoral foram feitos sem

87
PROGRAMA ELEITORAL 2025
transparência e sem que estivessem concluídos os respetivos estudos de
viabilidade económica, obrigatórios por lei e no intuito da proteção dos utentes.

Os problemas do SNS não se resolvem com planos em 60 dias nem pelo recurso à
gestão privada. O SNS tem problemas complexos e precisa de uma ação
persistente e séria de investimento, melhorias de gestão, inovação e progressiva
integração de cuidados. Uma ação que valorize os profissionais e que olhe para os
ganhos em saúde, para as melhorias no acesso e para a qualidade das respostas
como a grande prioridade da política de saúde. Uma ação focada nas pessoas e na
sua saúde, que assegure uma tripla mudança estrutural: do tratamento para a
prevenção, do hospital para a comunidade e do analógico para o digital.

5.1. Expandir o SNS

No âmbito das melhorias no acesso a cuidados de saúde e combate às


desigualdades, o Partido Socialista compromete-se a:

● Garantir Saúde Oral para todos, incluindo a saúde oral no pacote de


cuidados básicos do SNS. Para concretizar este objetivo, vamos criar 350
gabinetes de médico-dentista em todos os concelhos do país, beneficiando da
medida PRR e, depois de criar a carreira de médico-dentista no SNS, contratar
médicos-dentistas e higienistas orais, para dar uma resposta plena de saúde
pública;

● Em paralelo, alargar a abrangência do cheque-dentista ao diagnóstico e


prevenção e às próteses dentárias;

● Integrar a saúde mental no pacote de cuidados básicos do SNS, valorizando


as equipas e os recursos humanos nesta área, com a contratação de médicos
psiquiatras e pedopsiquiatras, psicólogos, enfermeiros, assistentes sociais e
terapeutas ocupacionais, criando equipas comunitárias de saúde mental e
vinculando 300 psicólogos, até final de 2026, garantindo a sua integração na
carreira de técnico superior de saúde e assegurando a dimensão da saúde
mental também em respostas de urgência;

● Generalizar os rastreios visuais e auditivos na infância, com recurso às


Unidades de Cuidados de Proximidade, e criar um programa de atribuição
gratuita de óculos a crianças de famílias com menores rendimentos.

● Criar uma rede estruturada de consultas não presenciais para que responda às
patologias mais frequentes em saúde mental, como a ansiedade e a depressão
e assegurar a implementação da linha de prevenção do suicídio;

88
O FUTURO É JÁ
● Implementar um plano de redução da prescrição de psicofármacos, utilizando
programas com incentivos para o atingimento de metas, modelos
comportamentais e respostas alternativas;

● Implementar respostas efetivas para a demência, integrando as várias


dimensões e a articulação com a segurança social, de modo a disponibilizar
soluções para os utentes e as famílias.

● Assegurar o direito à procriação médica assistida, reduzindo a lista de espera


para tratamentos de fertilidade no SNS em 30% ao ano, garantindo uma
resposta em tempo efetivo;

● Assegurar cuidados paliativos como resposta obrigatória do SNS, reforçando


as Equipas Comunitárias de Suporte em Cuidados Paliativos, assegurando a
cobertura do país, contratando e valorizando profissionais especializados
dedicados exclusivamente a cuidados paliativos e garantindo equipas
multidisciplinares completas;

● Garantir que os médicos e enfermeiros que prestam cuidados paliativos no SNS


têm formação certificada ou competência reconhecida, promovendo cursos
avançados e estágios em unidades de referência;

● Expandir as Unidades de Cuidados Paliativos em hospitais do SNS ou em


entidades capacitadas do setor social, garantindo resposta a doentes em fase
avançada de doença;

● Criar equipas de cuidados paliativos pediátricos nas regiões do Alentejo e


Algarve, atualmente sem resposta específica, assegurando uma maior
equidade no acesso a estes cuidados em todo o país;

● Desenvolver um sistema nacional de avaliação da qualidade dos cuidados


paliativos, com indicadores de acesso, qualidade e satisfação dos utentes, e
divulgação de relatórios anuais sobre o desempenho das equipas e unidades.

5.2. Integração de cuidados para melhorar o acesso

A capacidade de resposta do SNS depende da integração entre os cuidados de saúde


primários, cuidados hospitalares e cuidados continuados no quadro das ULS,
contrariando a excessiva centralidade da rede hospitalar. Ao mesmo tempo, é
imperativo reforçar a resposta à doença aguda, assegurando melhores cuidados e
reduzindo o recurso excessivo às urgências hospitalares. Para isso, o PS vai:

89
PROGRAMA ELEITORAL 2025
● Prosseguir a generalização das USF modelo B e aumentar a capacidade de
formação de especialistas em Medicina Geral e Familiar, aumentando a
resposta a utentes sem médico de família;

● Reforçar as respostas imediatas a pessoas sem médico e enfermeiro de


família, mobilizando equipas multiprofissionais, de forma voluntária, com
compensação financeira, podendo existir protocolos com outras entidades em
locais onde o SNS não disponha de meios;

● Criar de uma Equipa Nacional de Apoio aos cuidados de saúde primários e


dotar estas unidades de mais meios, autonomia e compromisso, valorizando as
equipas de saúde familiar;

● Proteger o trabalho de equipa das unidades dos cuidados de saúde primários,


assegurando boas condições de trabalho e satisfação dos profissionais e dos
utentes, nomeadamente com a valorização do secretariado clínico, com criação
de uma estrutura formativa;

● Valorizar o papel da saúde pública nas ULS, com a missão de promover a saúde,
prevenir a doença e prolongar a vida saudável da população, reduzindo as
iniquidades em saúde;

● Valorizar as Unidades de Cuidados na Comunidade (UCC), em função do


trabalho exemplar que realizam na prestação de cuidados de saúde na
proximidade;

● Criar uma rede de atendimento permanente, no âmbito dos cuidados de


saúde primários;

● Criar um programa de investimento para requalificação das urgências hospitalares,


estabelecer equipas dedicadas e de centros de responsabilidade integrados nos
Serviços de Urgência (SU) e investir em campanhas nacionais de promoção da
literacia para o uso mais racional dos SU;

● Dotar o INEM dos recursos humanos e meios operacionais necessários para garantir
a prestação de cuidados de saúde às populações, sem falhas, desde logo com o
reforço da atratividade das carreiras, através da valorização salarial dos profissionais;

● Adotar uma abordagem inovadora com a integração de Inteligência Artificial


na triagem do CODU/INEM e do SNS24, permitindo uma resposta sem tempos
de espera e sem limites de procura;

90
O FUTURO É JÁ
● Criar Salas de Gestão de Emergência conjuntas do INEM e da Autoridade
Nacional de Emergência e Proteção Civil, criando uma maior capacidade de
resposta e de adaptação, mais dinâmica e funcionalmente clara;

● Implementar a telemedicina inter-hospitalar e intercuidados de saúde


primários-cuidados hospitalares, reduzindo a transferência de doentes, e criar
uma rede de transporte inter-hospitalar de doentes graves;

● Garantir a resposta das ULS em unidades residenciais de idosos, através de


equipas que se deslocam às instituições e que articulam com os seus
profissionais de saúde, evitando assim idas de utentes aos hospitais, em
situações de grande fragilidade;

● Reforçar a capacidade de resposta das consultas hospitalares e das cirurgias


programadas, com enfoque nas áreas oncológicas e cardiovascular,
assegurando o efetivo cumprimento dos tempos máximos de resposta
garantida, com o objetivo de, em até ao final da legislatura, reduzir em pelo
menos 25% a lista de espera de doentes a aguardar uma consulta hospitalar e
da lista de espera de doentes a aguardar uma cirurgia.

● Prosseguir a estratégia de hospitalização domiciliária, através do reforço de


meios e da formação específica de profissionais e equipas de apoio aos utentes
e às famílias, a par da criação de incentivos de melhoria dos processos e
procedimentos, generalizando a resposta a todo o território;

● Apostar no alargamento e investimento nos hospitais de dia, criando respostas


em ambulatório para doentes crónicos;

● Reforçar o acesso a exames complementares de diagnóstico e terapêutica


(MCDT) e a capacidade de resposta do SNS, permitindo que os médicos de
medicina geral e familiar possam prescrever MCDT hospitalares dentro de cada
ULS, respeitando os protocolos instituídos;

● Neste âmbito, prosseguir uma política de substituição de equipamentos


pesados e reforço em áreas específicas, permitindo respostas em tempo
adequado às necessidades e implementar um plano nacional de robotização
cirúrgica;

● Implementar um plano dirigido especificamente ao aumento do acesso a


ecografias obstétricas, com incentivos à formação e à realização;

● Reforçar a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI) e


melhorar a sua articulação com os cuidados domiciliários com as ERPIs,

91
PROGRAMA ELEITORAL 2025
assegurando a integração das respostas de saúde e sociais para uma
abordagem consistente e adequada a cada caso.

● Reavaliar o modelo de resposta da RNCCI, aperfeiçoando as tipologias e


indicadores de qualidade e desempenho, melhorando o financiamento em
função da resposta.

5.3 Valorização dos profissionais de saúde

Para assegurar o bom funcionamento do SNS, é fundamental garantir o planeamento de


recursos humanos na saúde a nível nacional, assegurando a adequação entre as
necessidades, presentes e futuras, do setor da saúde. Igualmente, é preciso assegurar a
qualidade da formação, evitando fenómenos de precariedade, abandono profissional e
emigração de profissionais. No âmbito da valorização dos profissionais de saúde, o PS vai:

● Concluir a revisão das carreiras dos profissionais do SNS, desde logo das
carreiras dos administradores hospitalares e de técnicos superiores de
saúde, essenciais para estabelecer um novo quadro de autonomia reforçada na
gestão das unidades do SNS;

● Prosseguir a valorização das carreiras dos profissionais de saúde, garantindo


a efetiva progressão nas carreiras, reforçando a vertente de formação e
investigação e simplificação de processos, incluindo:

○ Abertura anual obrigatória de vagas para os concursos médicos para consultor


e assistente graduado sénior, com simplificação do processo, com conclusão
obrigatória em 6 meses;

○ Fim do Tempo de Serviço como Critério Majoritário para Direção de


Serviço. Concursos para diretores de serviço baseados no mérito clínico,
académico e pedagógico, e não apenas na antiguidade;

○ Negociação com a Ordem dos Enfermeiros e os Sindicatos de


Enfermeiros, sobre o internato de especialização, no SNS;

● Integrar o internato médico na Carreira Médica, reconhecendo o papel do


internato na formação de médicos e valorizando a integração do internato
enquanto instrumento para fixação destes profissionais no SNS e criar uma
bolsa de financiamento anual para médicos internos de formação específica,
destinada à participação em cursos, congressos e outras atividades de
desenvolvimento profissional;

92
O FUTURO É JÁ
● Colocar mais médicos de família nos centros de saúde que mais precisam
de médicos através da criação de um apoio ao alojamento para médicos
que aceitem deslocar-se;

● Incentivar a dedicação plena e em exclusividade ao SNS, de forma a ter


um regime mais atrativo para os médicos que escolham optar por uma
dedicação plena ou em exclusividade ao SNS. O novo regime de
exclusividade voluntário pretende incentivar a capacidade de atrair e reter
novos profissionais, contemplando para além de melhorias remuneratórias
e de carreira, condições de trabalho, de formação e de incentivos associados
ao desempenho, num trabalho desenvolvido com as organizações
representativas da classe;

● Criar um quadro de incentivos por desempenho, nomeadamente em áreas


exigentes e complexas, como o serviço de urgência, o aumento da lista de
utentes nos cuidados de saúde primários, os cuidados paliativos ou a
realização de atividade na área materno-infantil;

● Promover a autonomia das ULS para a substituição de profissionais de


saúde e a contratação de acordo com o plano anual de recursos
humanos, incluindo simplificação dos processos de mobilidade, assumindo
o compromisso de que a mobilidade de profissionais dentro do SNS, com o
acordo das partes, tem de ocorrer obrigatoriamente num período inferior a
60 dias.

● Criar condições para reduzir o recurso à prestação de serviços no SNS, que


afeta hoje a estabilidade das equipas e a capacidade de organização, de
modo a garantir que as necessidades permanentes são efetivamente
asseguradas por pessoal do mapa da instituição.

● Promover a flexibilização dos tipos de contratos e das cargas horárias, que se


poderão alterar ao longo do tempo, com autonomia de decisão das ULS,
garantindo a compatibilização da vida profissional e pessoal, as expectativas
dos profissionais e o seu bem-estar;

5.4 Promoção da saúde

No âmbito da promoção da saúde, da prevenção da doença e da promoção da


qualidade de vida, o Governo do Partido Socialista vai:

93
PROGRAMA ELEITORAL 2025
● Alocar a a atividades de promoção da saúde e prevenção da doença 2% das
verbas do Orçamento do Estado de 2026 para a saúde, com crescimento de
1% por ano, até atingir 5% em 2029;

● Criar uma abordagem integrada de saúde para os primeiros 1.000 dias de


vida das crianças, incluindo a revisão da intervenção precoce, a criação de
diretrizes para alimentação saudável em creches e berçários, à semelhança das
que existem para os jardins de infância e escolas;

● Desenvolver um programa no âmbito da literacia em saúde, articulado com o


Ministério da Educação, as autarquias, organizações não governamentais, e outras
entidades, desenvolvendo iniciativas que envolvam a comunidade;

● Assegurar equipas e programas coerentes e consistentes, que visem os


determinantes em saúde, nomeadamente o tabaco, álcool, alimentação
saudável e atividade física.

● Implementar o Sistema Nacional de Rotulagem Nutricional, promovendo a adoção,


por produtores e retalhistas, de um sistema único e claro de rotulagem nutricional,
recomendado pela DGS, que ajude os consumidores a fazer escolhas alimentares mais
saudáveis, no contexto de campanhas de literacia alimentar;

● Prevenir a obesidade e prevenir a obesidade e promover a contratação de 120


nutricionistas para o SNS, até final de 2026, garantindo a sua integração na carreira
de técnico superior de saúde e implementar um programa de estágios profissionais
remunerados no SNS para nutricionistas;

● No âmbito da prevenção e rastreios, dinamizar os programas de combate à


tuberculose e à infeção por hepatite B e C, bem como a identificação precoce e
tratamento das doenças sexualmente transmissíveis, do programa para o VIH/SIDA,
de um plano nacional de rastreios oncológicos, garantindo equidade a nível
nacional, informatização global e reporte público dos resultados, nomeadamente
dos ganhos em saúde alcançados;

● Avaliar o alargamento do programa gratuito de vacinação contra o Vírus do


Papiloma Humano às utentes diagnosticadas com lesão de alto grau do colo
do útero, vagina e vulva, precursoras de cancro;

● Promover intervenções transversais orientadas para a melhoria dos


determinantes sociais da saúde, como se verificou com o Programa Bairros
Saudáveis, que dinamiza intervenções locais de promoção da saúde e da
qualidade de vida das comunidades territoriais, através do apoio a projetos de

94
O FUTURO É JÁ
associações, coletividades, movimentos cívicos e organizações de moradores,
em colaboração com autarquias e autoridades de saúde;

● Promover a expansão de redes de rastreios e de apoio à saúde sexual, criando


redes de proximidade, aumentando os centros de referência e implementando
sistemas-piloto de rastreio em farmácia e por correspondência, bem como a
generalização do acesso a cuidados de saúde mental, nomeadamente à
população jovem.

5.5. Governação do SNS

No que concerne à melhoria do modelo de governação do SNS e dos processos de


gestão e prestação de cuidados, o Partido Socialista vai:

● Propor uma metodologia para a nomeação, por parte da Direção Executiva, dos
Conselhos de Administração das ULS, com escrutínio e supervisão externa, que
visa selecionar os melhores líderes, com conhecimento e competências para a
função, mas também capacitar e remunerar de forma adequada, garantindo a
estabilidade dos mandatos e assumindo uma avaliação anual, objetiva e
pública;

● Avaliar a nova orgânica do SNS e melhoria da governação, visando a


transparência dos processos, a redução da burocracia e aproximando a decisão
da prestação de cuidados de saúde;

● Aumentar a autonomia das ULS, no âmbito dos recursos humanos,


investimento e aquisição de bens e serviços, através do Plano de
Desenvolvimento Organizacional, que tem de ser aprovado até final do ano
anterior, e que permitirá uma simplificação dos processos e celeridade na sua
efetivação;

● Implementar medidas que visem a sustentabilidade do SNS, a prestação de contas


públicas e a avaliação do desempenho das instituições, aperfeiçoando os
mecanismos de financiamento das instituições, visando o pagamento per capita
ajustado ao risco, assegurando que o fluxo financeiro acompanha os utentes de
forma a trazer justeza aos procedimentos mais complexos e às instituições mais
desenvolvidas, bem como o financiamento de atividades específicas, seja a
medicação inovadora, as urgências centralizadas, a formação pré e pós-graduada, ou
a investigação;

● Criar condições para o desenvolvimento e afirmação dos Centros de Referência


e dos Centros de Responsabilidade Integrada;

95
PROGRAMA ELEITORAL 2025
● Criação de um Plano Plurianual de Reinvestimento nas instituições de
saúde, nomeadamente em termos de infraestruturas e equipamentos;

● Valorizar as ULS com Ensino Universitário Associado, incluindo através do


reconhecimento da especificidade do profissional SNS–docente universitário, o
reconhecimento das atividades de formação e investigação e a inclusão de um
vogal no Conselho de Administração das ULS com pelouro dedicado à formação,
inovação e investigação científica;

● Criar condições para a participação ativa dos utentes na definição das políticas
de saúde e avaliação dos seus resultados, a nível nacional e local, na visão de
que nada deve ser feito sem os utentes, incluindo a avaliação nacional da
satisfação dos utentes, com repercussão dos resultados no financiamento das
instituições;

● Definir uma estratégia plurianual de cooperação com o setor privado,


assumindo o princípio da supletividade e colocando o utente no centro dos
processos de articulação e cooperação;

● Reforçar a regulação e a transparência na relação do Estado com os


prestadores privados em matéria de preços e padrões de qualidade, desde logo
com a melhoria dos mecanismos de monitorização, transparência e divulgação,
com evidência pública de resultados, recorrendo a um quadro de indicadores
relevantes e percetíveis pela sociedade em geral a adotar pelos setores público,
privado e social;

● Implementar um programa de sustentabilidade no SNS que incida sobre várias


dimensões, incluindo a reciclagem de dispositivos médicos.

5.6. Comportamentos aditivos e dependências

No que se refere ao aumento da capacidade de resposta no combate aos


comportamentos aditivos e dependências, à redução de risco e nas melhorias no
acesso ao tratamento e reinserção social o PS propõe:

● Assegurar a implementação do Plano Nacional para a Redução dos


Comportamentos Aditivos e Dependências, baseado nos três pilares
Empoderar, Cuidar e Proteger, possibilitando dar maior robustez e eficácia no
garante das respostas às pessoas que necessitam de ajuda especializada;

● Implementar o novo modelo de organização das respostas aos


comportamentos aditivos e dependências, assegurando a integração das

96
O FUTURO É JÁ
competências de planeamento, coordenação e intervenção nos domínios da
prevenção, da dissuasão, da redução de riscos, do tratamento e da reinserção e
garantido a alocação dos meios humanos e financeiros indispensáveis à sua
missão;

● Avaliar as respostas existentes no plano do consumo vigiado, com vista a


aferição da necessidade de reforço de equipamentos e de projetos nos
territórios onde se justifique a sua presença e de revisão do quadro jurídico em
vigor no sentido de clarificação dos requisitos da sua instalação, articulação
com as estratégias locais de segurança e envolvimento das comunidades na
sua preparação e gestão;

● Reforçar o investimento na inserção profissional para pessoas com percursos


de dependência, com acompanhamento especializado e articulação com
outros serviços da administração pública;

● Concluir o estudo multissetorial aprofundado com o objetivo de compreender as


causas da maior prevalência de tráfico e consumo de Novas Substâncias
Psicoativas, com especial incidência nas Regiões Autónomas dos Açores e da
Madeira, assegurando a adoção das medidas diagnosticadas no seu âmbito, em
articulação com as demais estratégias nacionais para a matéria.

5.7. Inovação

Em matéria de modernização, desenvolvimento tecnológico e inovação, o Partido


Socialista vai:

● Investir na infraestrutura tecnológica da saúde, melhorando as infraestruturas


e a interoperabilidade entre sistemas, bem como a uniformização e integração
de registos e processos e a comunicação entre fornecedores, prestadores de
cuidados e entidades pagadoras;

● Concluir o acesso do registo de saúde eletrónico, acessível às várias profissões


de saúde, de acordo com os requisitos legais e a aprovação dos utentes;

● Assegurar o direito dos utentes a terem acesso a consulta não presencial,


seja nos cuidados de saúde primários, seja no âmbito hospitalar, desde que
clinicamente seja adequado;

● Promover a partilha obrigatória dos resultados dos MCDT, sejam efetuados em


entidades públicas, privadas ou sociais, aos utentes e aos profissionais de saúde,
cumprindo com os requisitos legais e a aprovação dos utentes;

97
PROGRAMA ELEITORAL 2025
● Implementar Programas de Telemonitorização, obrigatórios em todas as ULS,
para utentes com doenças crónicas, utilizando tecnologias de comunicação
para monitorizar sinais vitais e prevenir complicações, reduzindo assim a
necessidade de hospitalizações.

● Criar de USF, com elevado pendor digital, de adesão voluntária de profissionais


de saúde e utentes, em que todas as intervenções que não obriguem
clinicamente à presença do utente, sejam realizadas à distância, possuindo
horários alargados de funcionamento.

● Implementar uma visão estratégia e inovadora, para a integração de


abordagens de inteligência artificial (IA) nos processos, nomeadamente em
áreas administrativas, gestão clínica, MCDT, reconciliação terapêutica,
formação e literacia em saúde, reduzindo custos, melhorando os resultados
clínicos e valorizando a experiência do utente.

5.8. Desburocratização

No âmbito da agenda que visa desburocratizar o SNS, reduzindo as tarefas


administrativas dos profissionais e as intervenções dos utentes, o PS vai:

● Implementar uma agenda para a desburocratização do SNS, reduzindo as tarefas


administrativas através de um combate sem tréguas à necessidade de
atestados/declarações médicas para múltiplas atividades das crianças e adultos;

● Criar a possibilidade de todos os médicos poderem ter acesso à informação


clínica necessária por exemplo para as juntas médicas e outros fins, e desta
forma eliminando a necessidade de emissão de declarações médicas;

● Criar, em todas as ULS, centros para a emissão dos atestados médicos para a
carta de condução, para caçador, concessão de licença para uso e porte de
arma e desportista náutico (carta de marinheiro, patrão de vela e motor, de
costa e de alto mar);

● Integração dos resultados dos MCDT e dos resultados dos rastreios, no processo
clínico eletrónico.

98
O FUTURO É JÁ

6. Uma escola pública de qualidade

A Escola Pública é uma das maiores conquistas da nossa democracia. Ao longo de


50 anos de liberdade, o sistema educativo português permitiu o acesso de todos à
educação, erradicou o analfabetismo e assegurou uma ampla mobilidade social a
segmentos muito distintos da população. Se hoje temos as maiores taxas de
sempre de diplomados, e o maior número de jovens a estudar no ensino superior,
isso deve-se ao esforço continuado que permitiu que um número cada vez maior
de crianças e jovens frequentasse com sucesso o ensino básico e secundário,
independentemente da sua condição de origem.

Apenas uma escola pública de qualidade e inclusiva permitirá ao nosso país continuar
a responder aos desafios do presente e do futuro, contrariando as desigualdades de
partida, formando cidadãos e sendo lugar de realização e reconhecimento dos seus
profissionais. O percurso de melhoria progressiva e consistente de resultados – sociais
e educativos – resulta de décadas de compromisso da sociedade portuguesa com a
educação e a igualdade de oportunidades, em alternativa às visões meritocráticas e
individualistas da escola.

Ao longo desta jornada coletiva, os Governos do Partido Socialista introduziram


sempre marcos de referência no direito a uma educação de qualidade para todos.
Do alargamento da escolaridade obrigatória até aos 18 anos à criação da rede
pública de educação pré-escolar; da aposta na qualificação da população adulta à
introdução de Atividades de Enriquecimento Curricular, do investimento na
formação contínua de professores à requalificação do edificado. Estes são alguns
exemplos de reformas estruturais do Partido Socialista nas políticas educativas.

As políticas seguidas nas últimas décadas permitiram a Portugal uma redução


significativa do abandono escolar precoce, a par de uma melhoria das taxas de
transição e conclusão no tempo esperado. Nos recentes Governos do Partido
Socialista foi desenvolvido um conjunto importante de indicadores que permite
hoje identificar problemas e necessidades em vários domínios, fundamentando as
respostas e a intervenção.

A escola pública enfrenta hoje desafios novos e complexos, a que é preciso


responder de forma clara e efetiva. É necessário atrair e formar mais profissionais,
nomeadamente educadores e docentes, para assegurar as necessidades,
sobretudo em regiões mais críticas. É preciso garantir aprendizagens de qualidade,

99
PROGRAMA ELEITORAL 2025
reforçando o apoio aos alunos que revelam maiores dificuldades. Os desafios
colocados pelo acolhimento e integração de alunos imigrantes, por outro lado,
requer uma atuação mais sistémica e inclusiva, garantindo condições de
aprendizagem e uma maior equidade.

O desenvolvimento das políticas educativas e a organização do sistema educativo


implica uma capacidade permanente de aferir, diagnosticar, avaliar, corrigir e
inovar, valorizando as conquistas e o património herdado e respondendo aos
desafios que os sistemas educativos e as sociedades atuais enfrentam.

6.1. Alargar a rede e promover a qualidade educativa

Tendo em vista a consolidação da rede pública de escolas e a diversificação da


oferta educativa, o PS vai:

● Corrigir desequilíbrios e carências na rede pública de ensino básico e


secundário, expandindo a oferta atual em territórios que registam uma maior
pressão demográfica;

● Rever o quadro de princípios e objetivos subjacentes à elaboração das Cartas


Educativas Municipais, visando entre outros aspetos mitigar práticas de
segregação de alunos entre escolas;

● Concretizar a gratuitidade da educação pré-escolar para as crianças a partir


dos 3 anos, não só investindo na rede pública, mas recorrendo também ao
setor solidário e à rede privada, na base do modelo já existente para as creches;

● Revisitar a estrutura do ensino Científico-Humanístico no secundário, de


modo a alargar as possibilidades de organização do plano de estudos com um
tronco comum mais robusto e com mais opções;

● Alargar a rede de escolas artísticas de artes visuais, incluindo a possibilidade de


criação de Escolas de Artes que agreguem as diferentes ofertas de Ensino
Artístico Especializado;

● Reforçar os recursos materiais e humanos para a educação inclusiva, através


do reforço de professores de educação especial e do financiamento dos Centros
de Recursos para a Inclusão;

● Reforçar o Programa de Requalificação de escolas do 2.º e 3.º ciclos do ensino


básico e a conclusão das intervenções em escolas secundárias;

100
O FUTURO É JÁ
● Reforçar a componente artístico-cultural nos programas escolares e
disponibilizar, nos períodos não letivos, atividades lúdicas opcionais nessas
áreas;

● Alargar a rede pública de escolas com ensino bilíngue, face à procura pelas
famílias de ofertas de ensino em língua portuguesa e inglesa;

● Continuar a qualificar a Rede de Bibliotecas Escolares e a promover o Plano


Nacional de Leitura.

6.2. Profissionais

No âmbito do reforço, diversificação, qualificação e valorização dos profissionais da


educação, o PS compromete-se a:

● Promover o aumento do número de vagas em cursos de formação no ensino


superior, nomeadamente nas áreas e nas regiões com carências mais
pronunciadas e com níveis de envelhecimento docente mais elevados;

● Acelerar os procedimentos de profissionalização em serviço, com reforço da


capacidade formativa das universidades e politécnicos;

● Aumentar a atratividade no início da carreira docente, reduzindo de forma


progressiva o hiato entre os índices remuneratórios da base e os índices mais
altos;

● Rever os critérios de reposicionamento na carreira docente de forma a


garantir a correção das ultrapassagens na progressão, assegurando a
contabilização de todo o tempo de serviço, independentemente da data de
ingresso;

● Contar o tempo de serviço prestado em creche pelas educadoras de infância


para efeitos de progressão na carreira e não apenas para efeitos de acesso;

● Reconhecer a todos professores do ensino básico secundário o tempo de


serviço efetivo prestado enquanto docentes do ensino superior nas
circunstâncias das previstas no Decreto-Lei n.º 51/2024, de 28 de agosto;

● Rever as regras do concurso de colocação do pessoal docente;

● Assegurar apoios extraordinários e temporários à deslocação para todos


docentes, independentemente de serem colocados em escolas designadas
como carenciadas ou não;

101
PROGRAMA ELEITORAL 2025
● Assegurar a remuneração de professores estagiários, reconhecendo o
trabalho efetivo que desenvolvem junto dos seus alunos, nos processos de
ensino e aprendizagem.

● Desburocratizar a função docente, revendo e simplificando, de forma


sistemática e participada, processos administrativos e pedagógicos;

● Definir rácios adequados de pessoal técnico especializado nas escolas, com


particular enfoque nas necessidades de alunos com deficiência, garantindo
a respetiva vinculação;

● Rever os rácios e conteúdos funcionais dos assistentes operacionais, com


particular enfoque nas situações de conflitualidade e violência escolar,
enquanto medida integrante de planos de ação adotados nesse âmbito.

6.3. Comunidade escolar

Procurando reforçar o sentido de comunidade das escolas, o PS vai:

● Revisitar o modelo de governação das escolas, aprofundando as dinâmicas


colaborativas e reforçando o envolvimento e participação dos alunos na vida da
escola;

● Aperfeiçoar os procedimentos e práticas de constituição de turmas,


assegurando uma maior heterogeneidade do ponto de vista da integração de
alunos de diferentes estratos socioeconómicos;

● Devolver às escolas a autonomia na gestão do seu crédito horário, reduzida


pelas novas orientações de organização do ano letivo entretanto estabelecidas;

● Implementar, em articulação com as escolas e os municípios, um Sistema de


Alerta Precoce de Risco de Exclusão em Contexto Escolar;

● Equacionar a criação de um Programa de Apoio a Famílias Vulneráveis, assente


em redes permanentes de intervenção na infância e juventude, de base
autárquica, que melhor articulem a ação da escola, das famílias, e das entidades
do tecido institucional local;

● Reforçar os mecanismos de resposta às necessidades dos alunos e profissionais


à disposição das Escolas Integradas em Territórios Educativos de Intervenção
Prioritária;

102
O FUTURO É JÁ
● Incentivar a constituição de parcerias entre as escolas profissionais, o tecido
empresarial local e as instituições de ensino superior, melhorando a articulação
entre o planeamento da rede e as necessidades das empresas;

● Proceder a uma avaliação do impacto das recomendações de interdição da


entrada/uso do telemóvel nos espaços escolares, admitindo a sua
interdição efetiva pelo menos até ao 2.º ciclo do ensino básico;

● Promover uma escola que forme cidadãos, valorizando a disciplina de


Cidadania e Desenvolvimento e ponderar o reforço do seu ensino no ensino
secundário;

● Proceder à alteração do Estatuto do Aluno e Ética Escolar, reforçando medidas


de combate à indisciplina e à violência em contexto escolar e criando
mecanismos mais eficazes de monitorização das mesmas.

6.4. Sucesso Escolar

Tendo em vista promover o sucesso educativo, intervindo junto de alunos com


maiores dificuldades e assegurando o pleno acolhimento e integração dos alunos
migrantes, o PS compromete-se a:

● Garantir que os alunos que frequentaram o ensino básico durante a pandemia


continuam a dispor de um acompanhamento continuado do seu desempenho,
mediante realização de testes de diagnóstico e a adoção de planos
personalizados de recuperação de aprendizagens;

● Desenvolver planos específicos de intervenção nas áreas da matemática, leitura


e literacia, assegurando que a implementação dos novos programas é
acompanhada de recursos de aprendizagem orientados para a superação dos
défices identificados;

● Garantir às escolas autonomia e recursos que permitam uma melhor


integração escolar de alunos migrantes, desenvolvendo programas
intensivos de aprendizagem do português, antes, no início e durante o ano
letivo, promovendo uma integração progressiva no currículo;

● Atualizar os valores de referência no acesso à Ação Social Escolar,


reconhecendo e reforçando o papel fundamental desta dimensão na
alavancagem e promoção da igualdade de oportunidades;

● Garantir aos alunos do secundário beneficiários de Ação Social Escolar a


possibilidade de usufruírem de tutorias e/ou apoios especializados,

103
PROGRAMA ELEITORAL 2025
mobilizando para o efeito, entre outros recursos, o seu acompanhamento por
parte de alunos inscritos no ensino superior.

6.5. Governação do sistema

No âmbito da melhoria da governação do sistema educativo, prosseguindo a


aposta na sua modernização contínua e na capacidade de resposta a novos
problemas, o PS propõe:

● Simplificar os mecanismos de articulação entre os Serviços do Ministério da


Educação e as escolas, incluindo a criação de um ponto de coordenação da
comunicação direta para evitar redundâncias, e garantir a uniformização dos
sistemas e a sua interoperabilidade;

● Implementar um novo Plano Tecnológico da Educação, através do reforço das


infraestruturas e equipamentos, a par da dotação adequada em pessoal
qualificado que assegure a sua manutenção;

● Expandir a Rede de Laboratórios Digitais Escolares, com o objetivo de garantir


que todos os agrupamentos de escolas públicas do país tenham, até 2030, pelo
menos um espaço pedagógico equipado com tecnologia atualizada, orientado
para o desenvolvimento das competências digitais do século XXI.

● Garantir, em nome da estabilidade das reformas educativas, que as


alterações curriculares apenas se efetuam na sequência de estudos de
avaliação enquadrados por referenciais internacionais;

● Desenvolver uma estrutura de apoio jurídico e administrativo-financeiro às


direções das escolas;

● Lançar um debate nacional, com vista à criação de um Livro Branco sobre a


relação entre o sistema educativo, o uso da tecnologia, as competências digitais
e de cidadania digital e as dimensões éticas e cognitivas associadas às
transformações aceleradas da IA;

● Promover formação aos profissionais da educação sobre os riscos e benefícios


da utilização da IA em contexto educativo;

● Desenvolver um Plano de Ação de Combate à Violência em Contexto Escolar,


incluindo o combate a todas as formas de discriminação, bullying fomento do
discurso do ódio, sem prejuízo de um reforço mais imediato, neste âmbito, do
apoio dos serviços do Ministério da Educação às escolas;

104
O FUTURO É JÁ
● Promover formação aos profissionais da educação sobre os riscos e benefícios
da utilização da IA em contexto educativo;

● Garantir o combate a todas as formas de bullying, discriminação e discurso de


ódio nas escolas, designadamente repondo o guia “Direito a SER nas Escolas».

7. Um Ensino Superior de
qualidade e acessível

O ensino superior é central para as políticas públicas nos países e economias mais
desenvolvidas. A qualidade da formação superior, a par da atividade científica,
constitui a base de disponibilidade de recursos humanos e conhecimento, que
importa transferir para a economia, transformando-o em valor acrescentado.

Com uma democratização no acesso mais tardia, o ensino superior é hoje pilar
essencial da qualificação dos portugueses e do desenvolvimento social e
modernização da economia. Se em 1981 apenas cerca de 2% da população
portuguesa com 15 ou mais anos tinha completado o ensino superior, esse passou
para 8% em 2001 e regista um impulso significativo desde então. Em 2021, segundo
os censos, praticamente 20% da população com 15 e mais anos tinha concluído
uma formação superior.

Subsistem ainda, contudo, desafios importantes na universalização do acesso e


frequência do ensino superior. A taxa de abandono do ensino superior no final do
primeiro ano de frequência ronda os 12%, atingindo no ensino politécnico valores
próximos dos 14%.

Depois de um ano em que pouco ou nada de substancial aconteceu, com a


governação da AD, é urgente retomar a confiança, a estabilidade e a ambição para
o ensino superior, num contexto internacional que é hoje ainda mais exigente e em
acelerada mudança tecnológica. Importa retomar os programas de
desenvolvimento e investimento interrompidos no último ano, devendo o ensino
superior e a ciência voltar a ter um lugar na orgânica do Governo que garanta
espaço efetivo de concretização da ação política. Este renovado impulso
consubstancia-se em cinco objetivos.

105
PROGRAMA ELEITORAL 2025
7.1. Autonomia do Ensino Superior

No âmbito do reforço da estabilidade e autonomia do sistema de ensino superior,


o PS vai:

● Celebrar um contrato de legislatura para o quadriénio 2026-2030, que permita


recuperar a confiança das instituições de ensino superior e reforce a sua autonomia
financeira e orçamental, com base num modelo de financiamento plurianual que
garanta previsibilidade e sustentabilidade às opções de cada instituição;

● Promover a contratualização por objetivos, já iniciada nos Programas Impulso


Jovens STEAM e Impulso Adultos do PRR, e incentivando sinergias entre
atividades de educação, investigação e inovação;

● Concluir a revisão do Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior


(RJIES), mantendo o respeito pela sua autonomia e assegurando a participação
dos docentes, funcionários e estudantes, tendo em vista um maior equilíbrio
entre a gestão democrática das instituições e a eficácia dos modelos de gestão;

● Rever os diferentes Estatutos das Carreiras Docentes e criar o Regime


Jurídico do Pessoal Docente e de Investigação no Ensino Superior Privado,
fomentando uma adequada articulação entre funções de docência e de
investigação, com maior flexibilidade de perfis e a possibilidade de transição
entre estes ao longo da vida;

● Consolidar a política de distinção entre os processos de recrutamento e de


progressão, garantindo maior previsibilidade aos mecanismos de progressão
na carreira, baseados em regimes de avaliação de desempenho da carreira
docente e da carreira de investigação.

7.2. Alargamento a novos públicos

No que respeita ao alargamento a novos públicos, essencial para o aumento das


qualificações dos portugueses, o Partido Socialista pretende:

● Reforçar o número de estudantes a frequentar o ensino superior, com uma


aposta clara na formação ao longo da vida, na diversificação das ofertas
formativas e na inovação curricular e pedagógica;

● Lançar uma estratégia de captação de novos públicos com o alargamento de


vagas no ensino superior para adultos, de modo a atingir a prazo de 25% da
capacidade instalada ao nível das licenciaturas para estes públicos;

106
O FUTURO É JÁ
● Criar uma rede de centros de excelência em inovação pedagógica, através de
um programa de financiamento da modernização pedagógica e curricular no
ensino superior, com especial foco em áreas particularmente relevantes para o
desenvolvimento económico e social do país;

● Consolidar a diversificação das formas de acesso ao ensino superior, tendo em


conta os diferentes perfis dos candidatos;

● Estimular a diversificação no acesso, tendo em conta os diferentes perfis dos


candidatos e aprofundando, em particular, o acesso dos estudantes oriundos
de trajetórias profissionais de nível secundário, de ofertas profissionais de pós-
secundário, incluindo os cursos técnicos superiores profissionais (TESP) e os
cursos de especialização tecnológica (CET), e de adultos, de modo a reforçar a
equidade e a justiça social no acesso e a aposta na recuperação de gerações
em que as oportunidades de acesso eram menores;

● Reforçar a intercomunicação entre formação pós-graduada não conducente à


obtenção de grau e percursos que tenham essa componente, estimulando as
instituições e as pessoas a investir neste tipo de formação;

● Prosseguir a aposta no aumento da frequência do ensino superior por alunos


com deficiência, aprovando para o efeito o Regime Jurídico dos Estudantes
com Necessidades Educativas Especiais e reforçando os apoios sociais, a
melhoria das condições de acolhimento e o apetrechamento físico e
tecnológico das instituições;

● Estimular as ofertas internacionais e a entrada de estudantes não nacionais,


considerando a possibilidade de trabalhar em Portugal e frequentar o ensino
superior, em particular no caso de alunos oriundos de países de língua oficial
portuguesa;

● Reduzir os problemas de ingresso dos estudantes internacionais, seja através


do estímulo, no respeito pela autonomia das instituições de ensino superior, a
uma antecipação na colocação de estudantes internacionais no ensino
superior, concomitante ao reforço indispensável da capacidade da rede
consular.

● Melhorar os concursos de acesso ao ensino superior artístico, incentivando as


instituições de ensino superior a definirem calendários articulados com o
concurso nacional de acesso e promovendo uma maior colaboração inter-
institucional na aferição dos requisitos específicos, por forma a reduzir os custos
e a dispersão de processos de candidatura para cada estudante;

107
PROGRAMA ELEITORAL 2025
● Fomentar, através dos contratos de legislatura com as instituições de ensino
superior, a criação de cursos e de oferta formativa modular, de modo a permitir
uma maior flexibilidade na formação da população adulta e na formação ao
longo da vida, promovendo o alargamento da oferta em horário pós-laboral, o
ensino à distância e modelos híbridos, incluindo a concretização e consolidação
do Programa Impulso Adultos, no quadro da implementação do PRR;

● Atualizar o enquadramento legal deste tipo de oferta formativa, favorecendo


percursos de aprendizagem personalizados e adaptados às necessidades
específicas de formação dos estudantes e a flexibilidade da estrutura curricular.

7.3. Condições de acesso

Em relação às condições de acesso, frequência e conclusão dos ciclos de estudo, o


PS propõe:

● Reduzir a propina das licenciaturas de forma progressiva até à sua


gratuitidade no prazo de uma década;

● Avaliar a regulamentação das propinas dos mestrados cuja frequência seja


prática obrigatória para o acesso à profissão;

● Revisitar o modelo de comparticipação nos custos dos ciclos de mestrado e


doutoramento;

● Reforçar as condições de frequência do ensino superior que facilitem a


conclusão dos ciclos de estudo e mitiguem situações de abandono,
reforçando o número de bolsas de estudo e complementos até 100 mil
bolseiros;

● Reforçar o Fundo de Ação Social, procurando atingir, no final da legislatura,


o valor de €150 milhões, oriundos das receitas de impostos (a que acresce o
valor dos fundos europeus);

● Reforçar os mecanismos de ação social, criando a Garantia Superior,


mecanismo que assegura condições de frequência do Ensino Superior e de
conclusão dos ciclos de estudos para estudantes carenciados;

● Prosseguir a simplificação dos processos de atribuição e renovação de


bolsas, garantindo o seu rápido pagamento no início dos anos letivos;

● Regular o regime de taxas de emolumentos, vedando a sua cobrança pelos


seguintes atos académicos:

108
O FUTURO É JÁ
○ Matrícula e inscrição;

○ Frequência, presencial ou à distância, de unidades curriculares, dentro do


limite de créditos e no âmbito regularmente definidos como inerentes da
normal frequência do curso;

○ Inscrição em momentos avaliativos em época normal;

○ Prestação de provas de mestrado ou doutoramento, incluindo a entrega


de teses e dissertações;

○ Emissão de qualquer cartão de estudante cuja apresentação seja


obrigatória;

○ Requerimento e emissão das declarações ou certificados necessários para


efeitos de atribuição de prestações ou apoios sociais, reconhecimento e
exercício do estatuto de trabalhador-estudante ou para o exercício de
direitos cívicos; e

○ Emissão da carta de curso;

● Lançar uma segunda geração do Plano Nacional para o Alojamento no


Ensino Superior (PNAES) e a execução plena da sua primeira geração;

● Reforçar a ação social para os territórios de baixa densidade, através das


bolsas +Superior, apoiando o transporte semanal pendular dos estudantes
deslocados, criando condições equiparadas aos passes sociais das áreas
metropolitanas;

● Efetivar o alargamento do apoio ao alojamento a não-bolseiros,


combatendo a informalidade do arrendamento estudantil;

● Criar o Estatuto do Estudante do Ensino Superior, reforçando os direitos dos


estudantes e promovendo a sua efetivação, através da agregação de
legislação dispersa.

109
PROGRAMA ELEITORAL 2025

8. A Habitação como maior desafio


nacional

A habitação tornou-se um dos principais problemas socioeconómicos na Europa,


com impacto notório em países como Portugal, onde existe um desfasamento
crescente entre os preços das casas e os rendimentos das famílias, agravado pelo
surgimento de novas procuras de habitação. É um problema que atravessa a vida
das pessoas: impede famílias de se formarem ou manterem unidas, afasta
estudantes do ensino superior, trava a mobilidade e fixação de trabalhadores
essenciais, prejudica a economia e retira autonomia aos jovens. É um problema
social, económico, territorial e também político, porque alimenta frustrações,
desigualdades e discursos de exclusão nas zonas urbanas sob maior pressão.

Durante décadas, Portugal tratou a habitação como tema secundário nas políticas
públicas. Foi o PS que, antes do agravamento da crise europeia, teve a ambição de
construir uma política pública de habitação com vocação universalista,
concretizando um direito de todos e rompendo com lógicas assistencialistas.
Iniciou-se assim uma inversão com um plano de investimento público na habitação
acessível.

No último ano, o Governo da AD adotou medidas que, sob o pretexto de responder


à crise, a agravaram: recuou na regulação do alojamento local, desprotegeu o
arrendamento, abdicou de parte do PRR para respostas à classe média, limitou
apoios e incentivou a procura sem aumentar a oferta. Como o PS alertou, isso fez
disparar os preços. Os estímulos, mal desenhados, beneficiaram apenas uma
minoria de jovens, deixando de fora a maioria com rendimentos incompatíveis com
as exigências da Garantia Pública.

Hoje, a habitação já não é procurada apenas para viver, mas também como ativo
financeiro, o que gera uma procura artificial e distorcida. A resposta tem de ser
estrutural e determinada: melhor regulação, mobilização de fogos devolutos,
aproveitamento do património público e uma escala muito maior de construção.

Não há soluções únicas nem milagrosas para responder à crise da habitação, mas
há um caminho claro: assumir a habitação como desígnio coletivo, com contributo
do Estado, setor privado e cooperativo; assumir que é um direito de todos - não só
dos mais carenciados, mas também da classe média, hoje igualmente excluída.

110
O FUTURO É JÁ
Cabe ao Estado agir com coragem, escala e visão de futuro para responder àquele
que é hoje o maior desafio nacional.

8.1. Parque habitacional público

O reforço do parque habitacional público é a medida mais importante para


ultrapassar a crise da habitação, não só para assegurar respostas acessíveis mas
também para, no conjunto da oferta, contribuir para a regulação dos preços. Para
cumprir com este objetivo, o PS vai:

● Criar instrumentos permanentes de financiamento da construção de


habitação pública, especialmente dirigida à classe média, jovens,
trabalhadores deslocados e estudantes do ensino superior, ampliando as
soluções já postas em prática pelo Partido Socialista, criando uma dotação
anual, financiada por parte dos dividendos da CGD, destinada à promoção
e manutenção de habitação pelas autarquias;

● Executar as linhas de financiamento previstas no Mais Habitação, e ainda não


concretizadas, com garantia mútua e bonificação de juro, para promoção de
habitação para arrendamento acessível por parte de privados e cooperativas;

● Lançar o Programa REVIVE Habitação para agilizar a mobilização dos


imóveis devolutos do Estado para habitação;

● Dar maior celeridade, sustentabilidade, estabilidade e eficácia à promoção de


habitação para as famílias carenciadas e a classe média:

○ Garantindo regras de contratação pública mais ágeis e eficazes;

○ Salvaguardando um quadro fiscal estável e atrativo, nomeadamente com o


IVA a 6% para projetos de habitação a custos controlados, individuais ou
coletivos, e a isenção fiscal para as rendas a preços acessíveis;

○ Revisitando, com vista à sua simplificação, requisitos de construção que


não se afigurem necessários;

○ Estabelecendo condições de maior estabilidade legislativa, reforçando o


planeamento estratégico e a previsibilidade dos investimentos;

○ Promovendo a reorientação das entidades promotoras de políticas de


habitação, nomeadamente o IHRU e a Construção Pública, no que respeita
à respetiva autonomia e à valorização dos recursos humanos;

111
PROGRAMA ELEITORAL 2025
● Trabalhar com vista a um compromisso europeu com o setor da habitação,
garantindo que a política em matéria de habitação é entendida como serviço
público, bem como a compatibilização das diretivas europeias com a
necessária prioridade na resposta à crise habitacional.

8.2. Apoios à habitação

A relação entre salários e custos da habitação em Portugal é a pior de todos os


países da OCDE. Temos vários instrumentos de apoio às rendas em vigor, mas nem
sempre chegam a quem deles precisa, seja por via dos requisitos de elegibilidade
dos destinatários, dos contratos ou dos valores das rendas, ou até, durante o
Governo da AD, por dificuldade em fazer chegar os apoios onde eles são precisos.

Para assegurar um quadro mais robusto de instrumentos de apoio ao acesso à


habitação, o PS propõe:

● Simplificar e uniformizar o acesso aos apoios ao arrendamento e alargando


a base de incidência dos atuais apoios, assegurando que todas as famílias
com taxa de esforço elevada, incluindo as da classe média, têm acesso a um
apoio ao pagamento da renda;

● Assegurar condições de previsibilidade e segurança nos apoios à compra de


casa própria, desde logo:

○ Através de uma monitorização rigorosa do acesso ao mecanismo de


Garantia Pública para apoio à compra da 1.ª Casa em vigor desde o final de
2024, assegurando que este instrumento cumpre o propósito para o qual
foi concebido;

○ Avaliando, em diálogo com o Banco de Portugal, a introdução de mecanismos


que garantam a proteção dos beneficiários da Garantia Pública em caso de
incumprimento do pagamento do crédito à habitação;

● Simplificar o acesso a programas habitacionais pelas famílias:

○ Lançando as bases para uma política de uma só porta de entrada nas


respostas públicas de habitação, evitando a exclusão social;

○ Promovendo a gestão integrada do património público, de forma que


responda às diferentes necessidades setoriais, em particular na habitação;

112
O FUTURO É JÁ
○ Transferindo progressivamente a gestão dos imóveis do IHRU para as
autarquias, adequando a gestão do património às realidades locais e
otimizando assim a promoção de políticas públicas de habitação pelo IHRU.

8.3. Reequilibrar o mercado: mais casas com preços justos

Para mobilizar a oferta habitacional disponível e reduzir o desalinhamento entre os


preços das casas e os rendimentos das famílias, o PS vai:

● Repor um conjunto de regras mínimas de regulação do Alojamento Local


(AL), e ao mesmo tempo incentivando a transferência de imóveis afetos ao
AL para arrendamento de habitação permanente;

● Estabelecer um regime de isenção de tributação de mais-valias na venda de


segundas habitações em zonas de pressão urbanística, sempre que as
habitações sejam adquiridas para habitação própria e permanente;

● Agravar as mais-valias em imóveis adquiridos e vendidos sem que tenham sido


recuperados ou habitados.;

● Rever a fórmula de cálculo para atualização de rendas, incluindo a evolução


dos salários nos critérios de atualização em anos com inflação superior a 2%;

● Avaliar o enquadramento fiscal a não residentes ou a residentes fora do espaço


da UE;

● Para promover um mercado de arrendamento eficaz e assente no equilíbrio


entre as partes, o PS vai:

○ Elaborar um Código do Arrendamento Urbano que unifique todas as regras


do arrendamento num só instrumento jurídico equilibrado e simplificado;

○ Criar uma entidade fiscalizadora do arrendamento;

○ Promover um regime excecional de regularização de contratos informais,


reforçando garantias de senhorios e arrendatários;

○ Criar projetos de mediação, geridos pelas câmaras municipais, entre


inquilinos e senhorios; e

○ Fomentar a criação de seguros no arrendamento.

113
PROGRAMA ELEITORAL 2025
8.4. Reforçar o setor da construção

O país já construiu mais de 120 mil casas por ano. Atualmente, constrói cerca de 30 mil.
Portugal tem capacidade para fazer mais apostando também na industrialização e
em métodos construtivos mais rápidos e sustentáveis. Para reforçar o setor da
construção, o PS vai:

● Assegurar a integração de soluções de habitação acessível no licenciamento


de novos projetos, nomeadamente através do aumento da capacidade
construtiva e da introdução, em articulação com as autarquias, de uma quota
mínima de fogos a afetar a arrendamento habitacional a custos acessíveis ou
habitação a custos controlados nos novos projetos;

● Promover a industrialização do setor da construção e a construção verde,


sustentável e projetos de eco-design, através de um quadro legal e concursal
capaz de dinamizar o setor;

● Estimular a digitalização dos setores da Arquitetura, Engenharia, Construção e


de Gestão ao longo do ciclo de vida de um Projeto;

● Promover a qualificação dos intervenientes no setor da construção, em


particular em recursos como a tecnologia BIM e a gestão de dados, bem como
dos intervenientes no âmbito de técnicas tradicionais, técnicas de construção
sustentável e tecnologias inovadoras;

● Concretizar, até 2026, o Código da Construção.

8.5. Inovação habitacional e valorização urbana

Para estimular soluções habitacionais inovadoras e promover a melhoria dos


espaços urbanos, o PS vai:

● Lançar novas linhas de financiamento para projetos de micro-housing e pré-


fabricado, destinados a habitação temporária;

● Reforçar as verbas destinadas à valorização do Habitat dos bairros habitacionais


públicos, com especial foco na quebra de barreiras urbanísticas e valorização
do espaço público e construção de equipamentos que garantam novas
centralidades nestes territórios;

● Fomentar um programa de aquisição por parte do Estado de habitações


hipotecadas à banca, com garantia de arrendamento vitalício aos proprietários

114
O FUTURO É JÁ
da mesma habitação ou integração dessas habitações em programas de
arrendamento acessível;

● Criar o Balcão Mais habitação, aproximando a resposta, via Freguesias e


Municípios, ao Cidadão;

● Criar uma linha de financiamento a acionar para a manutenção, pelos


condomínios, dos respetivos imóveis.

9. Uma cultura democrática


e descentralizada

Depois do relançamento da Cultura nas recentes legislaturas do Partido Socialista,


assistimos no último ano a uma degradação do ambiente cultural nacional e do
posicionamento internacional de Portugal, marcado pelo retrocesso nas políticas
públicas e abandono do setor cultural. A marca da governação da AD em matéria
de cultura é essencialmente uma marca de conflito, desmantelamento de trabalho
feito e exoneração de dirigentes cuja competência era amplamente reconhecida.

É urgente inverter este ciclo, recentrando a política no apoio a todas as áreas da


cultura, de forma ampla e equitativa, dando visibilidade ao setor e retomando a
trajetória de crescimento, que urge acelerar, reconhecendo a cultura como uma
das políticas públicas que mais contribuem para a coesão social e territorial e para
a competitividade internacional do país.

Nesse sentido, o PS propõe:

● Continuar a reforçar a dotação do setor, prosseguindo a trajetória de


crescimento e sustentabilidade, quer no Orçamento da Cultura, quer nos
programas previstos de Apoio às Artes;

● Concluir as intervenções inscritas no PRR, prosseguindo o objetivo de recolocar


a Cultura e o seu património como ativo nos instrumentos nacionais e regionais
de financiamento comunitário para o setor e as indústrias criativas.

Enquanto dimensão integrante do Estado Social, a nossa política cultural assenta


na democratização, incrementando o acesso de todas as pessoas às artes e aos

115
PROGRAMA ELEITORAL 2025
bens culturais, e na valorização dos profissionais do setor, que têm direito a viver
melhor, menos sujeitos à intermitência e à precariedade.

É crucial que a política cultural assegure recursos para apoiar todos os territórios,
de Norte a Sul, dos grandes centros urbanos às cidades de média e pequena
dimensão, tendo um especial cuidado para que a oferta cultural alcance as vilas e
aldeias dos territórios mais isolados.

Neste sentido, é primordial apostar numa escala intermédia de políticas culturais,


através da reforma do Património Cultural que criámos com a Património Cultural
IP e a Museus e Monumentos EP, reforçando a sua sustentabilidade, que ficou
fragilizada com a fraca ação do Governo nos últimos meses.

Aprofundaremos a relação entre o sistema educativo e a cultura, apostando em


políticas culturais que incidam a montante, nas escolas, onde nascem vocações e
se formam os públicos e os leitores de amanhã.

9.1. Apoio às artes e aos profissionais

Para robustecer e assegurar um quadro de previsibilidade nos apoios às artes e aos


profissionais da cultura, o PS vai:

● Avaliar o Estatuto dos Profissionais da área da cultura, monitorizando a adesão


ao respetivo Registo dos Profissionais e a efetiva proteção social aos
trabalhadores do setor;

● Aumentar a exigência de celebração de contratos de trabalho por parte das


entidades apoiadas pelo Estado, reduzindo os vínculos precários que subsistem
em instituições com financiamento público;

● Reforçar as verbas para os apoios às artes e criar um mecanismo corretivo,


para que os apoios tenham expressão em todo o território nacional,
introduzindo uma diferenciação positiva para zonas do país com escassa ou
nula oferta cultural;

● Garantir a aplicabilidade do mecanismo de renovação automática dos apoios


sustentados às artes, que ficou por concretizar;

● Consolidar e alargar a Rede de Teatros e Cineteatros e o programa de apoio


financeiro à sua programação, aprofundando a responsabilidade partilhada
entre o Estado central e as autarquias no fomento da produção artística e no
acesso à cultura;

116
O FUTURO É JÁ
● Identificar e renovar espaços devolutos, não elegíveis para habitação, em
articulação com as autarquias, de modo a que possam ser cedidos
gratuitamente a criadores e estruturas culturais como espaços de trabalho,
ensaio e armazenamento;

● Fortalecer os apoios à criação, programação e internacionalização na área da


dança, equacionando a criação de um ou mais Centros Coreográficos Nacionais
fora dos principais centros urbanos;

● Criar uma Plataforma de Circulação Nacional que proporcione a jovens artistas


e criadores apresentarem publicamente o seu trabalho, dotando-os de uma
programação regular;

● Consolidar e alargar a Rede Portuguesa de Arte Contemporânea, aprofundando os


seus objetivos de aproximação dos cidadãos, na formação das equipas e na
profissionalização dos espaços, bem como na multidisciplinariedade, na
multiculturalidade, nas acessibilidades e na promoção da internacionalização.

● Reforçar o acesso ao regime de ensino articulado da música, do teatro e da


dança, alargando e garantindo a sustentabilidade da rede de estabelecimentos
abrangidos;

● Acentuar a presença das artes em todos os ciclos do ensino público, reforçando


os recursos à disposição dos Planos Nacionais das Artes, de Leitura, de Cinema
e de Literacia Mediática;

● Aprofundar o compromisso da RTP com a difusão cultural e revisitar o seu papel


no apoio à produção nacional, ponderando a afetação de uma percentagem da
Contribuição Audiovisual para o cinema e audiovisual e uma quota da emissão
diária para o setor da cultura;

● Criar mecanismos eficazes, no âmbito do Instituto do Cinema e do Audiovisual,


para distribuir e mostrar internamente o cinema produzido em Portugal,
incluindo incentivos aos operadores privados, expandindo a exibição
cinematográfica em territórios deficitários;

● Promover a indústria criativa e cinematográfica em Portugal, desenvolvendo


os apoios à produção e promovendo a indústria do gaming e animação;

● Avançar com um novo estatuto do mecenato cultural

117
PROGRAMA ELEITORAL 2025
9.2. Livro e leitura

O PS dará centralidade ao livro e à leitura, articulando o Ministério da Cultura e o


Ministério da Educação em torno de um novo impulso aos hábitos de leitura,
reestruturando as políticas nesta área para que incidam cada vez mais nas
comunidades e nos currículos escolares. Para isso, o PS vai:

● Criar, através do Plano Nacional de Leitura e das estratégias locais de leitura,


um novo impulso aos hábitos de leitura, estruturando as ações para que
incidam cada vez mais nas comunidades e num melhor ensino da literatura
universal em todos os ciclos de ensino;

● Reforçar a missão da Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas, no


âmbito do fomento do livro e da leitura, e reformular Plano Nacional de Leitura;

● Reforçar o financiamento das bibliotecas públicas, no plano da programação e


da capacitação das equipas, criando, em conjunto com as autarquias, planos
locais de leitura;

● Priorizar a internacionalização da literatura portuguesa, com iniciativas que


levem autores e obras nacionais além-fronteiras, fortalecendo a identidade
cultural e a presença de Portugal no mercado global.

● Conceber uma ecologia do livro, com medidas de conservação de pequenas


livrarias e de apoio às pequenas editoras e independentes, através, entre outros,
de um programa regular de aquisição de livros pela Rede de Bibliotecas
Públicas;

● Desenvolver apoios específicos para livrarias situadas em áreas periféricas ou fora


das capitais de distrito, designadamente através da disponibilização de edificado
pertencente ao Estado com rendas acessíveis, garantindo assim o acesso à
literatura a todos os cidadãos.

● Apoiar a tradução e promover a internacionalização da produção literária


nacional, estabelecendo um protocolo específico com o Brasil e os países
lusófonos.

9.3. Museus e Património

Na vertente da descentralização dos museus e do património material e imaterial,


o PS vai:

118
O FUTURO É JÁ
● Lançar um programa de investimento público de grande envergadura na
recuperação do património cultural para o período pós-PRR;

● Reforçar a reorganização estratégica no sector dos museus e do património


através de mecanismos que garantam a sustentabilidade da Museus e
Monumentos de Portugal, E.P.E. e do Património Cultural, I.P., reforçando a
capacidade de programação e a mediação cultural, garantindo a sua
sustentabilidade e a eficácia na ação da reforma do património, em termos
de territórios;

● Aprofundar a reforma territorial e a descentralização dos setores públicos da


Cultura e Património, através da criação de redes regionais de museus,
monumentos e sítios arqueológicos;

● Implementar o Plano Estratégico dos Museus e a estratégia nacional de


promoção de acessibilidade e inclusão aos museus;

● Relançar a Estratégia Nacional de Arqueologia, com a criação de redes


regionais de reservas e serviços arqueológicos;

● Reforçar os quadros da Administração Pública nos domínios do Património


Cultural, atendendo, em especial, ao défice de profissionais na área da
arqueologia, e regulamentar o perfil profissional dos conservadores-
restauradores;

● Consolidar e alargar a Rede Nacional do Património Cultural Imaterial,


potenciando as colaborações múltiplas com foco na salvaguarda e
revitalização do Património Cultural Imaterial;

● Fomentar projetos culturais e pedagógicos que promovam e divulguem a


tradição oral performativa e popular do património literário e cultural
português, bem como as artes tradicionais, com base em incentivos à
criação e divulgação;

● Criar programas orientados para a democratização da cultura em territórios


e comunidades vulneráveis;

● Proteger o património linguístico minoritário, designadamente o mirandês


e barranquenho, criando respostas orgânicas para a sua promoção e
concluindo a ratificação da carta europeia das línguas regionais e
minoritárias;

119
PROGRAMA ELEITORAL 2025
● Criar um programa contínuo de visitas de curadores internacionais a
espaços de artes visuais do país e, em paralelo, apoiar a participação de
galerias de arte em feiras internacionais, tendo em vista dinamizar o
mercado interno da arte.

10. Um país ativo e de afirmação


desportiva

O desporto é uma força social transformadora de comportamentos, mentalidades


e realidades sociais, um pilar do Estado Social. Tem impacto em todas as gerações,
territórios e dimensões sociais. É uma força sem fronteiras nem barreiras
linguísticas.

As estatísticas mais recentes do Instituto Português do Desporto e Juventude


(IPDJ), sobre a atividade desportiva, revelam que Portugal contava com cerca de
784 mil praticantes federados no final de 2023, a que se somam os milhares de
inscritos em federações não detentoras de utilidade pública desportiva ou de
competições não oficiais.

Trata-se de um número histórico, que além de representar um aumento de 14,5%


face ao último ano pré-pandémico, traduz um acréscimo de 42,3% em relação a
2014. Numa década, o número de praticantes femininas cresceu 72,2% e passou a
representar 31,5% do total. Números que permitem concluir que o setor não só
recuperou do impacto pandémico como avançou para um patamar mais elevado
de desenvolvimento em vários domínios.

Um maior investimento do Estado no desporto traduz-se em novos avanços socio-


desportivos, aproximando ainda mais Portugal das médias europeias. O
investimento nas Unidades de Apoio ao Alto Rendimento Desportivo, que apoia
1.400 alunos-atletas das seleções jovens e a participação nos Jogos Olímpicos e
Paralímpicos de Paris’24, permitiu a Portugal obter a melhor prestação de sempre
e a mais medalhada, desde a criação do comité. Factos demonstrativos da relação
profícua entre investimento e resultados. Este é o caminho com o qual o PS está
comprometido.

A afirmação internacional do desporto português representa um objetivo


estratégico para o desenvolvimento do setor. As conquistas e os títulos

120
O FUTURO É JÁ
internacionais de atletas, clubes e seleções têm projetado o país além-fronteiras e
contribuído para o seu valor reputacional, promovendo a imagem do país em
mercados e regiões prioritários. Os Jogos Olímpicos e Paralímpicos Los Angeles´28
devem por isso ser uma aposta clara da política desportiva e da projeção
internacional de Portugal.

Uma outra face da projeção internacional do desporto português são os eventos e


competições que ocorrem em território nacional, de que são exemplo a
Conferência de Ministros do Desporto do Conselho da Europa, realizada em
outubro passado no Porto; o Europeu de Andebol 2027, fruto de uma organização
conjunta com Espanha e Suíça, ou a World Gymnaestrada 2027 e o Mundial de
Futebol 2030.

O apoio público à captação de eventos desportivos internacionais deve, portanto,


evoluir para uma ação coordenada entre o IPDJ e o Turismo de Portugal,
ponderando fatores como o impacto, o retorno e a territorialidade, bem como a
sustentabilidade social e ambiental.

O volume de apostas desportivas online atingiu em 2024 os €2.05 milhões, sendo o


maior de sempre. Face a 2023, representa um acréscimo de €331,6 milhões. No último
trimestre de 2024, o futebol concentrou 75% dos apostadores, seguido do ténis (10,5%)
e do basquetebol (10,2%). As restantes modalidades representam apenas 4,3% das
apostas. Trata-se de uma realidade que nos deve interpelar, no quadro do
financiamento direto e indireto ao desporto, bem como a adoção de uma resposta
urgente, que não deixe para trás, por mais tempo, as modalidades que pouco ou nada
recebem das apostas desportivas online.

Um segundo objetivo visa o aumento dos índices de atividade física da população


em geral, devendo ambicionar-se que, no final da década, Portugal esteja entre os
15 países mais ativos da UE.

Para concretizar estes objetivos, o Partido Socialista vai:

● Proceder à revisão da Lei de Bases da Atividade Física e do Desporto;

● Definir um plano estratégico plurianual de desenvolvimento desportivo, assente,


entre outros eixos, na defesa da integridade e na promoção da igualdade de género
e do desporto adaptado e que tenha a ambição de atingir a meta de 1 milhão de
praticantes desportivos federados, correspondente a 10% da população, até 2030;

● Expandir as Unidades de Apoio ao Alto Rendimento na Escola, dando


continuidade ao alargamento da rede no ensino básico e secundário e

121
PROGRAMA ELEITORAL 2025
implementando estas unidades no ensino superior decorrentes dos
projetos-piloto;

● Criar o Observatório do Desporto e a da Atividade Física numa parceria entre a


academia, entidades desportivas nacionais e a Administração Pública para
habilitar as definição e implementação de políticas públicas e as tomadas de
decisão multissetoriais dos diversos agentes e entidades desportivas;

● Adotar uma nova abordagem de literacia motora nas primeiras idades


escolares, entre os 6 e os 10 anos e aumentar o investimento no desporto
escolar;

● Criar um novo estatuto do dirigente desportivo benévolo capaz de mobilizar


mais cidadãos para as funções dirigentes, principalmente nos clubes de base
local;

● Valorizar a igualdade, inclusão e integridade e segurança no desporto:

○ Valorizar a igualdade, dando corpo às recomendações apresentadas pelo


Grupo de Trabalho para a Igualdade de Género no Desporto, com o objetivo
de colocar Portugal na média europeia em 2030, em número de
praticantes e nos lugares de liderança;

○ Valorizar a inclusão, comprometendo as entidades desportivas com o


desporto adaptado;

○ Valorizar a integridade e a segurança, destacando a ação da Autoridade de


Antidopagem de Portugal, da Plataforma de Combate à Manipulação das
Competições Desportivas e da Autoridade para a Prevenção e Combate à
Violência no Desporto;

○ Dar prioridade à proteção de crianças e jovens. A implementação do novo


regime jurídico da formação desportiva e a ação preventiva e fiscalizadora
do IPDJ devem liderar a atuação pública neste domínio.

● Reforçar o financiamento às atividades regulares das federações desportivas;

● Reforçar as linhas do IPDJ e do Turismo de Portugal no apoio aos eventos


desportivos internacionais;

● Reforçar o financiamento dos contratos-programa olímpico de paralímpico Los


Angeles´28, em montantes que levem, entre outros objetivos, ao aumento
médio em mais de 25% das bolsas de atletas e treinadores;

122
O FUTURO É JÁ
● Rever o Regime Jurídico dos Jogos e Apostas Online, assegurando maior
valor acrescentado e mais equidade na distribuição das verbas, através de
um mecanismo de solidariedade e compensação às federações.

● Desenvolver um Programa de Carreira Desportiva-Militar, no âmbito das


modalidades individuais, apoiando a prática desportiva nas forças armadas;

● Estimular a qualificação dos ex-atletas olímpicos, através da oferta de bolsas


aqueles cuja conciliação entre a carreira desportiva e académica tenha sido
afetada.

123
PROGRAMA ELEITORAL 2025

3.ª MISSÃO:
Um território inteiro e uma
transição climática justa

O nosso país não pode continuar a ter um desenvolvimento económico e social


inquinado numa pequena faixa do litoral. Portugal deve valorizar todos os seus
territórios, assumindo um modelo de desenvolvimento de coesão e ordenamento
para o qual contribuem as políticas públicas de cidade com valorização do interior,
dinamizando a economia.

O PS coloca, por isso, uma prioridade estratégica no desenvolvimento e valorização


do interior. Ao mesmo tempo, não esquecemos a necessidade de se perspetivar
uma nova política para as cidades, aplicável a todo o território nacional, que as torne
mais sustentáveis e que assegure qualidade de vida a quem nelas habita. Só
seremos um país desenvolvido e próspero cuidando do território como um todo:
litoral e interior; áreas urbanas e territórios de baixa densidade.

A gestão de maior proximidade, com coordenação à escala regional e


supramunicipal está em curso com a consolidação do processo de
descentralização de competências, mas a sua eficiência pode ser aprofundada,
também, com o arranque do processo de regionalização, assegurando maior
proximidade dos cidadãos, maior responsabilidade dos eleitos e a eficiência dos
serviços públicos.

Ao mesmo tempo, a emergência ambiental impõe-se e o habitat em que vivemos


está sob ameaça. Assistimos a eventos climáticos cuja severidade e frequência
aumentam de ano para ano e esta tendência em conjunto com os desafios atuais
ao equilíbrio dos ecossistemas e da biodiversidade, tem evidentes impactos nos
ecossistemas, incluindo no bem-estar e qualidade de vida da espécie humana.
Temos de combater as alterações climáticas, reduzir as emissões e proteger o
património natural e a biodiversidade.

Portugal tem de promover um diálogo ativo com os produtores - agricultores,


silvicultores e apicultores - compreendendo a importância e o papel crescente da

124
O FUTURO É JÁ
agricultura e florestas, enquanto setores de futuro, inovação autonomia e
investimento, sobretudo no mundo rural e em territórios de baixa densidade Neste
contexto, devemos valorizar a agricultura e os agricultores, sobretudo em modo
biológico, com uso eficiente do solo e da água, de baixas emissões, de proximidade
e pequena escala (não só familiar) para incentivar práticas que regenerem a
natureza e promovam a criação de circuitos curtos de distribuição alimentar. Esta
realidade pode estimular mercados e a economia local e regional, promovendo o
comércio local, o que pode criar novos mecanismos de justa redistribuição de
riqueza.

Portugal, enquanto país continental e arquipelágico, onde o mar é elo dos


territórios terrestres e fator de coesão territorial e nacional, tem de ter um novo
impulso para o desenvolvimento do potencial oceânico do país. Para além deste
potencial, também no combate às alterações climáticas, importa ter presente a
relação do oceano com o combate às alterações climáticas, sobretudo na sua
função de sumidouro de carbono. Por outro lado, tal como o bom estado dos solos,
também no meio marinho é essencial assegurar boas condições de proteção e
conservação que são relevantes para a saúde humana, pesca ou biodiversidade. A
base para cumprirmos o potencial oceânico é o conhecimento e inovação que
promovemos enquanto país e cujo retorno da aposta nas qualificações se
materializa em desenvolvimento económico no médio e longo prazo.

1. Um interior com futuro

A coesão territorial é um imperativo nacional que transcende geografias e beneficia


de forma inequívoca tanto o interior como o litoral. Um país mais coeso é um país
mais equilibrado, resiliente e competitivo. Garantir igualdade de oportunidades,
acesso a serviços de qualidade e condições de vida dignas em todo o território não
é apenas uma questão de justiça social — é também um fator de sustentabilidade
e de competitividade para o conjunto do país.

Quando o interior se desenvolve, o litoral ganha em desconcentração, em


qualidade ambiental e em capacidade de resposta aos desafios da urbanização
excessiva. A coesão é, por isso, o alicerce de um modelo de desenvolvimento que
integra, valoriza e potencia todas as partes do território, sem deixar ninguém para
trás.

125
PROGRAMA ELEITORAL 2025
Portugal continua a ser um país territorialmente muito desigual. O litoral concentra
cerca de 70% da população e aproximadamente 85% da riqueza produzida no país.
As Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto, por si só, representam 45% da
população. Estas assimetrias refletem-se na diferente igualdade de oportunidades
e aspirações de vida dos cidadãos, bem como no desperdício de capital humano,
natural e social, fundamentais para o desenvolvimento do país como um todo.
Estes factos e números exigem que seja estabelecido um consenso alargado em
torno da coesão territorial.

1.1 Pacto para o Interior

O PS assume o desenvolvimento do interior como uma causa nacional, que a todos


responsabiliza e convoca. Para tal, o PS irá estabelecer um Pacto para o Interior,
aplicável a todos os territórios de baixa densidade, envolvendo o Estado central, as
autarquias, as empresas, o sistema científico e tecnológico, as instituições de
ensino, a sociedade civil e as comunidades locais.

O Pacto para o Interior vai:

● Promover uma visão integrada e sustentável, que reconheça o potencial do


interior como espaço de oportunidades e inovação, de qualidade de vida, de
conhecimento e valorização dos recursos endógenos;

● Desenvolver projetos que visem a atração e retenção de talento, a valorização


do capital natural e cultural, a qualificação das infraestruturas e dos serviços
públicos e a dinamização do investimento privado e a criação de emprego;

● Reforçar os incentivos para as famílias que se instalem e para os jovens que


iniciem atividade profissional no Interior;

● Criar um programa transversal de atração e apoio ao Investimento para o


interior, prevendo apoios diferenciados, reforçando-os em setores inovadores,
exportadores, industriais e de base tecnológica;

● Promover a participação cidadã no planeamento territorial, através da adoção


de orçamentos participativos regionais e da criação de plataformas de
governação colaborativa.

1.2 Um interior mais próspero

O desenvolvimento económico do interior é um vetor fundamental para a fixação


de população. Nesse sentido, o PS compromete-se a:

126
O FUTURO É JÁ
● Avançar com a eliminação das portagens na autoestrada do Alentejo (A6 –
Marateca-Elvas), na autoestrada do Sul (A2 - Marateca-Messines) e o
alargamento da isenção na A25 a toda a sua extensão;

● Definir uma estratégia de localização de serviços públicos do Estado central


fora da Área Metropolitana de Lisboa, promovendo o reequilíbrio territorial da
Administração Pública;

● Assegurar a concretização da cobertura integral do território nacional com rede


de internet de alta velocidade;

● Adotar políticas diferenciadas de apoio à agricultura e à floresta, adaptadas às


realidades locais, centradas na sustentabilidade, na gestão da água e na valorização
dos recursos;

● Garantir a concretização de novas ligações transfronteiriças e reforço da


cooperação ibérica, com enfoque nas infraestruturas e serviços partilhados;

● Criar redes territoriais de proximidade para informar e capacitar os atores locais


sobre os mecanismos de financiamento europeu;

● Valorizar as regiões costeiras de baixa densidade, integrando os portos


secundários na logística nacional e promovendo a articulação interior-litoral
através de cadeias curtas;

● Apoiar a especialização e qualificação das instituições de ensino superior e de


investigação situadas nestes territórios, criando centros de excelência.

1.3 Um interior mais próximo

A desertificação do interior tem significado ao longo dos anos uma redução na


disponibilidade dos serviços disponíveis nestes territórios. É necessário aplicar uma
política de diferenciação positiva, fomentando a igualdade de direitos entre quem
mora no litoral e no interior, aproximando os cidadãos residentes em regiões de
baixa densidade do Estado.

Neste sentido, o PS irá:

● Criar um contrato de serviço público de caixas multibanco, que assegure a


existência de serviços bancários gratuitos nos territórios de baixa
densidade populacional;

127
PROGRAMA ELEITORAL 2025
● Facilitar a mobilidade pendular entre litoral e interior aos jovens que estudam
no Interior, com reforço da oferta de transportes públicos e redução de custos
associados;

● Desenvolver soluções de mobilidade sustentável no interior, através da


reativação de linhas ferroviárias regionais, reforço de transporte público
intermunicipal e expansão da mobilidade elétrica;

● Aprofundar a partilha e planeamento em conjunto de serviços básicos nos


territórios transfronteiriços nas áreas de educação, saúde, serviços sociais e
proteção civil, reforçando a rede de cidades do interior.

2. Uma política de cidades orientada


para a qualidade de vida

É necessário desenvolver Portugal como um país inteiro. Nesse sentido, não se


pode descurar o desenvolvimento das cidades. Geram economias de aglomeração,
criam oportunidades, asseguram o acesso ao bem-estar. São espaços de
concentração e difusão, tanto no litoral como no interior.

Nas áreas metropolitanas, em particular na Área Metropolitana de Lisboa, são cada


vez mais visíveis os problemas de uma organização assimétrica do país, que gera
periferias fragilizadas, com externalidades negativas e crescentes desigualdades.

Nas cidades médias que estruturam o território, as margens de progresso são


amplas, desde que se assumam objetivos de uma política pública voluntarista e
ousada. Uma política que deve integrar a valorização da sustentabilidade urbana,
promovendo cidades mais eficientes do ponto de vista ambiental, com espaços
públicos qualificados e vida urbana atrativa.

Ou seja, uma organização territorial mais qualificada depende do papel que se


atribui às cidades médias e aglomerações urbanas, fundamentais para o
desenvolvimento do país como um todo e pelo papel que podem desempenhar na
relação com os territórios rurais que as rodeiam.

É com as cidades médias, e com os sistemas urbanos que estas estruturam, que se
pode ultrapassar a leitura simplista, pouco rigorosa e discriminatória que opõe o

128
O FUTURO É JÁ
litoral ao interior. As cidades médias são a chave para uma leitura mais justa e eficaz
do território.

Importa, pois, estabelecer uma renovada Política Pública de Cidade, centrada na


qualidade de vida dos cidadãos e na sustentabilidade urbana, que construa um
novo pacto entre o Estado e o território.

Neste âmbito, o Partido Socialista vai:

● Encetar uma reforma do sistema de planeamento territorial com planos de


ordenamento mais estratégicos e eficazes, que deixem de constituir meros
somatórios de imposições sectoriais e reforcem a coerência entre Planos
Diretores Municipais e estratégias intermunicipais e regionais, prevenindo a
fragmentação e promovendo o uso racional do solo;

● Equacionar estratégias de desenvolvimento económico das cidades médias, no


quadro do esforço de reindustrialização do país, favorecendo a reconstituição
de sistemas de emprego qualificados e a sua capacidade de estruturar os
espaços envolventes, afirmando-se como pólos de coesão social, económica e
territorial;

● Racionalizar o processo de revisão dos Planos Diretores Municipais,


conciliando desburocratização e agilidade do planeamento territorial com
uma salvaguarda rigorosa dos valores naturais, culturais e sociais;

● Implementar a Estratégia de Territórios Inteligentes, fazendo com que os


projetos que investem na gestão urbana integrada adotem sistemas abertos,
partilhem recursos e ganhem escala para garantir políticas públicas baseadas
em evidência;

● Desenvolver uma política de ordenamento do território que privilegie a gestão


integrada do uso do solo, a recuperação da paisagem e a requalificação de
áreas degradadas;

● Incentivar a participação cidadã no planeamento territorial, através de


mecanismos de governação partilhada, orçamentos participativos e maior
transparência nas decisões públicas

● Promover uma nova geração do Programa Polis, tendo em vista a


reabilitação urbana das cidades;

● Criar um Plano Nacional de Urbanismo Verde, que integre soluções


inspiradas na natureza na gestão dos espaços urbanos e rurais, incluindo

129
PROGRAMA ELEITORAL 2025
corredores ecológicos, mais árvores nas cidades, telhados e fachadas
verdes, hortas comunitárias e sistemas naturais de drenagem;

● Apoiar os municípios que queiram criar “Cidades de 15 minutos”, onde todas as


valências se encontrem a curta distância da residência;

● Concretizar um Programa de Reconversão das Áreas Urbanas de Génese Ilegal


com apoio financeiro a gerir pelos municípios, eliminando construções em
áreas de risco e promovendo o restauro ecológico, bem como o realojamento
de população;

● Prosseguir um programa de regeneração de áreas de privação múltipla,


compreendendo reabilitação urbana, capacitação das comunidades locais,
reforço dos equipamentos coletivos, maior acessibilidade a serviços públicos,
reforço de acessibilidades e de serviços de transportes coletivos, apoio ao
comércio local, combate ao insucesso ou abandono escolar, prevenção de
insegurança e de apoio às vítimas e a integração de minorias étnicas e de
comunidades migrantes.

3. Uma governação mais


próxima e regionalizada

Para o Partido Socialista, a regionalização, prevista na lei constitucional, ancorada


num amplo consenso político e social e a descentralização, como forma de gestão
que reforça os níveis intermédios da administração (regionais, intermunicipais e
locais), legitimados democraticamente e que prossigam os interesses das
populações e dos territórios que representam, são processos a implementar e
aprofundar de forma contínua.

O processo de descentralização de competências para as autarquias locais,


implementada pelos Governos do Partido Socialista, permitiu aumentar a
legitimidade e a visibilidade democrática das decisões administrativas e a
responsabilização dos seus autores, bem como definir políticas públicas ajustadas
aos diversos tipos de territórios de forma mais participada, tornando mais eficiente
a gestão pública e melhorando a qualidade dos serviços públicos.

130
O FUTURO É JÁ
Neste contexto, o passo que se segue é o de avaliar o processo de descentralização,
acertando aspetos relevantes da sua operacionalização no que respeita ao
financiamento e trabalhar para reforçar o processo.

Por outro lado, a alteração e reforço, da configuração institucional e de


competências das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional
(CCDR) permite corrigir alguns défices de coordenação dos territórios, nas
vertentes de financiamento de iniciativas e de projetos, bem como na gestão e
implementação de políticas de desenvolvimento territorial, num processo a
caminho de uma desejável regionalização do território.

Reconhecendo que a boa aplicação dos fundos europeus depende, em grande


medida, da capacitação das estruturas públicas responsáveis pelo seu
planeamento, gestão, monitorização e avaliação, e atendendo à crescente
complexidade dos programas e exigências europeias, é imperativo reforçar a
capacidade técnica e organizacional destas estruturas. Este esforço deve abranger
os recursos humanos, os meios materiais e tecnológicos e os mecanismos de
articulação com universidades e centros de investigação, a par de outras estruturas
do sistema tecnológico, com vista a fomentar uma gestão pública mais qualificada
e baseada na evidência. É essencial assegurar uma presença territorial eficaz, capaz
de responder com proximidade aos desafios e oportunidades específicas de cada
região.

Assim, o PS irá:

● Dinamizar o processo em curso de democratização e de integração de serviços


desconcentrados nas novas CCDR;

● Prosseguir o trabalho preparatório do processo de regionalização em


Portugal continental, promovendo a análise custo-benefício;

● Aprofundar a descentralização para ter serviços públicos mais eficientes e mais


próximos, depois de monitorizar e avaliar, de forma dialogada, o processo em
curso;

● Capacitar as CCDR para o adequado funcionamento das conferências


procedimentais e para a celeridade necessária de resposta no que respeita a
matérias relativas aos instrumentos de gestão territorial, no respeito dos prazos
e sem perder qualidade da análise e resposta das equipas técnicas;

131
PROGRAMA ELEITORAL 2025
● Aplicar o princípio da descentralização e da subsidiariedade, conferindo às
CCDR e entidades intermunicipais um papel-chave na gestão dos futuros
Programas Regionais de gestão dos fundos europeus;

● Reforçar os processos de contratualização e fundamentação de investimentos


públicos à escala NUT II e NUT III, em linha com as prioridades estratégicas
nacionais, regionais e sub-regionais;

● Aprofundar os Contratos Programa “Estado Região”, estabelecidos entre o


Governo e as CCDR, identificando os compromissos de investimento âncora
para assegurar a concretização das respetivas Estratégias de Desenvolvimento
Regional 2030.

● Reforçar os recursos humanos qualificados afetos à aplicação de fundos


europeus, promovendo a sua formação e condições adequadas à sua missão;

● Capacitar os organismos públicos com meios tecnológicos e materiais


necessários à consecução dos desafios;

● Territorializar instrumentos financeiros inovadores (fundos de impacto, outros)


adaptados às realidades regionais.

4. Um país em acelerada descarbonização

O mundo vive hoje uma situação de emergência climática, como reconhece a Lei
de Bases do Clima. Em 2024, o planeta ultrapassou o limite de 1,5.º de aquecimento
global definido no Acordo de Paris, com os impactos das alterações climáticas a
fazerem-se sentir cada vez mais, desde os incêndios rurais a cheias e inundações,
como as que tragicamente afetaram vários territórios, nomeadamente na vizinha
Espanha, em Valência, no ano passado.

O PS assume, por isso, um compromisso inabalável de reforço da ambição da ação


climática, incorporando a transição verde como eixo transversal a todo o programa
eleitoral. Tal contrasta claramente com a ação do Governo da AD que, no seu único
Orçamento do Estado, reduziu em €700 milhões a dotação orçamental nesta área.
Para podermos cumprir com a antecipação da neutralidade carbónica em cinco
anos, ou mesmo com as metas da União Europeia, esta tem de ser uma área sem
retorno nem pára-arranca.

132
O FUTURO É JÁ
A saída dos EUA do Acordo de Paris, a ser efetivada em 2026, contribui
negativamente para os esforços mundiais de redução dos combustíveis fósseis.
Não obstante, o Acordo permanecerá em vigor e os seus desafios continuam
prementes. Portugal, reconhecido, pelos seus pares, pelo seu trabalho neste
âmbito, tem a oportunidade de imprimir ambição à transição verde a nível
europeu, defendendo que esta seja justa, solidária e que tenha em conta os
impactos desta transição na economia, nas famílias e na manutenção da paz social.
Na verdade, trata-se de implementar um novo contrato social, capaz de termos um
desenvolvimento mais sustentável e uma sociedade mais resiliente, sem deixar
ninguém para trás.

4.1. Ação Climática

Para acelerar e aumentar a ambição da ação climática, o PS propõe-se a:

● Preparar um novo Roteiro para a Neutralidade Carbónica, planeando o


cumprimento da meta de 2045, estudando possíveis soluções para
antecipação de metas;

● Executar integralmente as disposições da Lei de Bases do Clima, incluindo a


definição da Estratégia Industrial Verde, a elaboração dos planos setoriais de
mitigação e de adaptação, dos planos regionais e municipais de ação climática, dos
orçamentos de carbono, do inventário nacional de emissões de gases com efeito de
estufa e do relatório de avaliação inicial de impacto climático;

● Resolver o impasse institucional que impede a entrada em funcionamento do


Conselho de Ação Climática;

● Adotar previsões específicas sobre proteção dos trabalhadores em condições e


situações climáticas extremas.

● Promover e regulamentar o novo Mercado Voluntário de Carbono, valorizando o


capital natural presente e futuro, incentivando a preservação dos serviços dos
ecossistemas e da biodiversidade, num quadro integrado no sistema nacional de
contabilidade ambiental;

● Adaptar o território aos fenómenos climáticos extremos e assegurar a sua


proteção por seguros, através da criação de um Fundo de Garantia dos Riscos
Climáticos e Sísmicos;

● Promover o Roteiro Nacional de Adaptação 2100, implementando medidas de


adaptação, que permitam mitigar os impactos das alterações climáticas, em

133
PROGRAMA ELEITORAL 2025
zonas mais vulneráveis de erosão e inundações costeiras, através de modelação
dinâmica de transporte de sedimentos e construção e reforço de estruturas de
proteção;

● Criar Gabinetes para a Ação Climática na Administração Direta e Indireta do


Estado, incluindo o Setor Empresarial do Estado, para generalizar o
desenvolvimento de políticas climáticas;

4.2. Resíduos

A concentração de população nas cidades impõe dinâmicas de produção e consumo


sustentáveis nas áreas urbanas, mas também ao equilíbrio de ocupação dos restantes
territórios, que exigem um planeamento que deve acautelar a eficiente utilização dos
recursos. Uma das consequências destes padrões de consumo tem sido a crescente
produção de resíduos. Por isso, e pelas exigentes metas a que nos propomos com a
neutralidade carbónica em 2045, temos de reduzir os resíduos em aterros e tratá-los de
forma mais eficiente. Na realidade, novas soluções estão necessariamente
correlacionadas com a alteração de paradigma para uma economia mais circular assim
como nos hábitos de consumo, designadamente na produção e desperdício alimentar.

Assim, o PS vai:

● Implementar o Plano Estratégico para a Gestão de Resíduos Urbanos (PERSU)


2030, adotando uma perspetiva dedicada ao fomento da reciclagem das
Embalagens de Cartão para Alimentos Líquidos;

● Criar um programa nacional de valorização energética de resíduos sólidos


urbanos e lamas de ETAR;

● Implementar, a nível nacional, um sistema de depósito e reembolso de


embalagens de plástico e metal;

● Promover a venda a granel, eliminando barreiras legais que limitam a sua


disseminação;

● Apoiar os municípios na implementação de sistemas de recolha seletiva de


biorresíduos, implementando uma rede de valorização de biorresíduos nas
cantinas públicas e privadas;

● Apoiar a implementação dos Sistemas PAY-T (“Pay-as-you-throw”), e outras


similares, que permitam identificar a quantidade de resíduos produzidos por
cada cidadão, promovendo o espírito de separação de RU na fonte e fomentem
o aumento da separação e taxas de recolha dos resíduos valorizáveis;

134
O FUTURO É JÁ
● Promover a compostagem de biorresíduos em contextos domésticos e
comunitários, como parte integrante de uma estratégia nacional para a
sustentabilidade;

● Promover a valorização energética dos resíduos, tanto domésticos como


agropecuários, fomentando a recolha do biometano;

● Capacitar o país para a recolha do novo fluxo dos têxteis e apoiar a reciclagem
destas fibras, antecipando a necessidade da sua incorporação neste
importante setor económico;

● Apostar na regulamentação e fiscalização rigorosa para o descarte correto de


resíduos hospitalares, químicos e eletrónicos, permitindo a sua reciclagem e
circularidade;

● Reforçar a disponibilização de ecopontos especializados, designadamente para


a deposição segura de medicamentos, pilhas e lâmpadas;

● Estabelecer parcerias com empresas para estimular a reutilização e a


remanufactura de equipamentos elétricos e eletrónicos;

● Promover a desconstrução seletiva de edifícios e garantir a reciclabilidade dos


materiais de construção, e outros resíduos em aterro, bem como a substituição de
matérias-primas virgens por alternativas descarbonizadas, recorrendo ao
coprocessamento.

4.3. Economia circular

Para reforçar a resiliência em todos os setores, a economia linear com utilização


intensiva de recursos deve evoluir para uma economia circular eficiente em termos
de recursos, é crucial garantir um aprovisionamento sustentável de matérias-
primas e desenvolver tecnologias limpas, reduzindo ao máximo a poluição e o
consumo insustentável que levam à degradação ambiental, prejudicando os
ecossistemas e aumentando a perda de biodiversidade.

Para tal, o PS vai:

● Rever e implementar o Plano de Ação para a Economia Circular e o Plano de


Ação para a Bioeconomia Sustentável;

● Promover a conscientização sobre consumo responsável com uma ampla


campanha de redução de produção de resíduos e de combate ao
desperdício;

135
PROGRAMA ELEITORAL 2025
● Regulamentar a promoção do uso de embalagens biodegradáveis e
recicláveis;

● Estimular o desenvolvimento até 2030 de uma nova rede de 200


Ecocentros Comunitários, de nova geração, reunindo oficinas de
reparação e mercados de segunda mão;

● Apoiar a economia circular, estimulando a reutilização, a aquisição em segunda-


mão, a manutenção, a inovação, o ecodesign, as indústrias criativas;

● Reduzir o desperdício alimentar, em especial na grande distribuição, e


reforçar os incentivos à agricultura regenerativa e de proximidade;

● Criar o Programa Agentes da Mudança, com vista a apoiar a contratação de


jovens qualificados por parte das empresas para apoiar a transição
energética e a transição digital nas empresas;

● Desenhar uma estratégia nacional de apoio para tecnologias de impacto


zero em linha com o Net-Zero Industry Act;

● Desenvolver uma agenda para as competências circulares, estabelecendo


academias de indústrias de impacto zero, especialmente dirigidas à
reconversão de trabalhadores;

● Contribuir para as metas de reciclagem de matérias-primas críticas de acordo


com as metas da UE, apoiando e promovendo investimentos em tecnologias de
reciclagem avançada e regulamentando a reintrodução no mercado destas
matérias-primas;

● Promover a aceleração dos processos de valorização e incorporação de matérias-


primas secundárias e subprodutos, simplificando a desclassificação de resíduos que
permitam desenvolver uma economia de baixo carbono;

● Tornar Portugal como País de referência no Passaporte Digital do Produto e


na Análise de Ciclo de Vida de Produtos e Materiais, através de projetos piloto
na Construção Civil, no Têxtil e nas Embalagens.

4.4. Transportes

Os transportes em Portugal pesam 30% do total das emissões de gases de efeito


de estufa, tendo-se reduzido apenas 14,5% desde 2005. Este é o setor da economia
que se encontra mais longe de atingir os objetivos definidos na Lei de Bases do
Clima, conhecendo uma meta de redução de 40% até 2030.

136
O FUTURO É JÁ
Seja no transporte de passageiros ou de mercadorias, seja em deslocações longas
ou curtas, há duas linhas orientadoras comuns: a transferência modal para modos
mais sustentáveis e a transição para tecnologias sem emissões. O objetivo é que
cada vez mais deslocações abandonem o transporte individual motorizado,
beneficiando o transporte coletivo ou a mobilidade ativa, seja a pé ou de bicicleta.
Sabemos que o transporte motorizado não irá desaparecer e que é mesmo a única
solução em alguns territórios, mas este deverá migrar gradualmente para
tecnologias sem emissões, sendo necessário continuar a criar as condições para
permitir essa transição de forma justa.

Para tal, o PS propõe:

● Devolver 50% do IVA dos veículos elétricos ou híbridos plug-in até €40.000 em
sede de IRS, à semelhança do que sucede nas empresas;

● Alargar a rede nacional de carregamento de veículos elétricos, procurando


assegurar a sua disponibilização junto a equipamentos públicos e ao longo da rede
viária, em especial, em auto-estradas e itinerários principais;

● Aumentar o incentivo à utilização de veículos de baixas emissões,


regulando as comissões no carregamento de veículos elétricos,
discriminando positivamente, com descontos, os veículos de frotas
comerciais, logísticas, táxis ou TVDE;

● Induzir a descarbonização das cidades, fomentando a criação de Zonas de


Emissões Zero e promovendo a descarbonização da logística urbana e do setor
do táxi;

● Promover a economia da partilha na mobilidade, de forma a facilitar a


regulamentação dessas plataformas e incentivar a sua utilização;

● Incentivar a reconversão de veículos a combustão para veículos de emissões


nulas, designadamente através da riação de apoios anuais à inovação no cluster
automóvel e à reconversão de veículos a combustão para veículos de emissões
nulas;

● Implementar a Estratégia Nacional de Mobilidade Ativa, estimulando a


criação de redes pedonais e cicláveis, ao nível local, dinamizando uma rede
de cidades amigas da bicicleta, mas também, ao nível nacional e regional,
desenvolvendo uma rede nacional de infraestruturas;

● Implementar sistemas de bicicletas partilhadas para incentivar a mobilidade


em bicicleta complementar aos transportes públicos;

137
PROGRAMA ELEITORAL 2025
● Promover a intermodalidade da bicicleta com transportes públicos,
construindo estacionamento de longa duração nas interfaces de transportes.

● Planear uma rede de carregamento/abastecimento de hidrogénio e


biometano nas redes transeuropeias e em terminais logísticos;

● Criar em todas as regiões do país passes intermodais de transportes, à


semelhança do que já existe nas Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto;

● Tornar os sistemas de bilhética interoperáveis, de modo a juntar num mesmo


cartão ou aplicação títulos de transporte de diferentes regiões do país;

● Promover e apoiar a implementação universal de sistemas tecnológicos de


informação em tempo real do Transporte Público, bem como de sistemas de
pagamento contactless imediato.

4.5 Financiamento sustentável

No sentido de acelerar a transição climática, é necessário promover uma alteração


do paradigma do sistema financeiro. Para tal, o PS irá:

● Desenvolver uma estratégia de financiamento sustentável, conferindo


previsibilidade aos investimentos em projetos conducentes à transição para a
neutralidade carbónica;

● Reduzir o imposto de selo para empréstimos verdes e circulares;

● Criar um Guia Empresarial para a Neutralidade Carbónica com o objetivo de apoiar


as organizações a integrar e aplicar processos de descarbonização no
planeamento estratégico de longo prazo;

● Criar um Fundo de Perdas e Danos para garantir o pagamento imediato de


danos e reparações necessárias que iremos sentir com as tempestades e secas
decorrentes do aquecimento global;

● Criar uma Lei da Compensação dos Territórios, tendo em vista desenvolver


o quadro normativo das contrapartidas a oferecer pelo exercício de
atividades que, podendo ser estratégicas e estruturantes para o conjunto
nacional, aportam efeitos com impactos significativos nas comunidades e
nos ecossistemas;

● Rever a Lei de Enquadramento Orçamental para transpor as disposições da Lei


de Bases do Clima em matéria de política orçamental;

138
O FUTURO É JÁ
● Incorporar o clima na gestão financeira pública, através do aprofundamento dos
exercícios de orçamentação verde iniciados pelos Governos do PS;

● Rever os instrumentos de fiscalidade verde, a fim de realizar uma justa


atualização e evitar duplas tributações ao nível do estado central e local;

● Introduzir um indicador de sustentabilidade na lei das finanças locais, a fim de


promover projetos locais de descarbonização.

5. Uma transição justa e resiliente

Para um partido como o PS, reduzir e remover emissões de carbono,


transformando os nossos modelos de desenvolvimento económico e social
significa necessariamente lutar pela igualdade de oportunidades. Reduzir
impostos sobre o fator trabalho e transferi-los para as atividades económicas mais
poluidoras é transformar o nosso modelo de desenvolvimento para uma economia
circular e sustentável que valoriza o conhecimento, a natureza, a criatividade e a
tecnologia. Temos de colocar a ciência e as qualificações ao serviço do ambiente,
investindo nas que aceleram a transição ecológica com vista a uma economia de
“Empregos Verdes e Azuis”. Assim, teremos mais condições para aumentar salários
e corresponder aos desafios climáticos.

Mobilizar a população para estas transições implica mostrar que é possível


aumentar rendimentos, aumentar o emprego e renovar um horizonte de
esperança com qualidade de vida em Portugal.

5.1. Pobreza energética

Em 2023, Portugal foi o Estado-Membro da UE com a percentagem mais elevada


de pobreza energética: 20,8%. Tal significa que 1/5 dos agregados familiares
portugueses não vivem em habitações condignas e não têm condições financeiras
para aquecer a casa no inverno, estando, assim, mais expostos a problemas graves
de saúde associados às baixas temperaturas.

Nesse sentido, o combate à pobreza energética e a maior participação dos cidadãos


na necessária transição para energias limpas e renováveis são uma preocupação
que acompanha o desenho destas políticas públicas de transição justa. Desta
forma, o PS vai:

139
PROGRAMA ELEITORAL 2025
● Aplicar o IVA de 6% a toda a fatura da energia elétrica para as famílias com
potência contratada até 6,9 kVa;

● Fixar o preço do gás engarrafado com base numa proposta da ERSE, que
reavaliará periodicamente o limite de preço;

● Reeditar o Programa de “Apoio a Edifícios Mais Sustentáveis”, reformulando-o para


incluir modalidades específicas para famílias carenciadas, e para os tornar menos
burocráticos e mais previsíveis na sua calendarização;

● Criar o Programa Nacional de Literacia Energética, promovendo campanhas de


sensibilização sobre pobreza energética e formação gratuita para famílias
vulneráveis sobre eficiência energética e gestão do orçamento familiar;

● Estabelecer protocolos de financiamento prioritário com as autarquias para a


requalificação de habitação social para garantia de cumprimento de padrões
mínimos de conforto térmico e desenvolvendo um plano de eficiência
energética específico para bairros sociais;

● Avaliar o aumento da comparticipação do Vale Eficiência e acelerar o


investimento na reabilitação energética de edifícios e de condomínios;

● Concretizar a rede dos Espaço Energia a todo o país, em colaboração com as


autarquias e/ou as agências locais e regionais de energia;

● Conceder acesso automático às tarifas sociais de gás e de água para os


beneficiários de tarifa social de eletricidade.

5.2. Água

As alterações climáticas são uma realidade e em Portugal sentir-se-ão de forma


crescente. Os períodos de seca intensificar-se-ão e as ameaças de escassez hídrica
são uma realidade.

O caminho percorrido no abastecimento e saneamento nas últimas 3 décadas permitiu


que atravessássemos no passado recente dos anos mais secos dos últimos 90 sem faltar
uma gota de água nas torneiras. O “milagre português da água”, reconhecido
internacionalmente pelos especialistas do setor, realizou-se devido a um raro consenso
político nacional nas últimas três décadas de numa reforma estrutural que permitiu
fazer investimentos de larga escala no país em infraestruturas (como por exemplo,
captações, estações de tratamento, redes de abastecimento), alavancados por uma
gestão profissionalizada no sector e por mais de €13 mil milhões de fundos estruturais.

140
O FUTURO É JÁ
O recurso hídrico é, e será cada vez mais, matéria de soberania e segurança
nacional e a garantia do seu uso para a produção de alimentos e energia renovável
absolutamente vital, pelo que, em situação de stress hídrico, teremos de conseguir
garantir a disponibilidade de água, ponderando as variáveis decorrentes das
alterações climáticas e das projeções de evolução das necessidades hídricas para
os próximos anos.

A resiliência adquire-se com a combinação de várias soluções e a intervenção dos


diversos setores: reduzindo consumos desnecessários, combatendo perdas no
setor urbano e agrícola, garantindo interligações entre sistemas, melhorando as
reservas superficiais existentes das albufeiras e barragens e disponibilizando água
através de novas origens, como é o caso da água para reutilização.

Para tal, será necessário um novo modelo nacional de governança que permita
gerir este recurso precioso de forma eficaz e eficiente, comprometendo-se desde
já o PS a:

● Reiniciar os trabalhos de execução dos planos de eficiência hídrica regionais no


país e criar pactos regionais para o uso da água, garantindo um uso combinado
e não conflituante entre os setores (humano, agrícola, energético, industrial e
turístico) e promovendo um planeamento do território que tenha em conta a
nova situação hidrológica e os desafios futuros;

● Rever o modelo de gestão dos recursos hídricos, reorganizando as entidades


de administração públicas de gestão dos recursos hídricos em Portugal,
assegurando maior eficácia e eficiência neste domínio;

● Avaliar as condições para uma maior aproximação da tarifa de


abastecimento de água nas diferentes regiões do país;

● Rever as licenças de captação e de descarga dos grandes operadores


económicos, regulando as tarifas dos serviços de águas e efluentes;

● Promover e acelerar a reutilização de água residuais tratadas para fins


compatíveis;

● Criar um SIMPLEX para o setor da água, sob o princípio da digitalização.

● Investir na melhoria da qualidade da água, em particular a conservação e


reabilitação da rede hidrográfica, através da redução de poluentes e controle
de sedimentos;

141
PROGRAMA ELEITORAL 2025
● Rever a Lei da Água no sentido de prever uma vertente de combate à
desertificação, incluindo garantias de uso sustentável do solo e da água.

● Avaliar a criação, a par da certificação energética já existente, um certificado de


água para os edifícios, compatível com outros certificados de construção
sustentável já existentes.

● Prosseguir com investimentos na eficiência hídrica, nomeadamente nos


territórios particularmente afetados pela escassez hídrica, no Algarve e no
Alentejo, designadamente:

○ Concluir os investimentos de resiliência hídrica em curso, desde 2021, na


região do Algarve, bem como a construção de uma nova dessalinizadora
em Sines, esta última para o consumo industrial necessário aos projetos de
investimento em curso;

○ Criar o Empreendimento de Fins Múltiplos do Tejo, que incluirá a gestão da


barragem e albufeira do Cabril e a construção da barragem do Alvito no rio
Ocreza, bem como a ligação de ApR produzida na grande Lisboa aos
empreendimentos agrícolas da lezíria do Tejo, atribuindo a sua gestão ao
Grupo Águas de Portugal.

○ Desenvolver o projeto e construir a Barragem de Girabolhos;

○ A construção da nova barragem do Alvito no rio Ocreza, a ser financiada


pela concessão da Barragem do Cabril;

○ Avaliar a viabilidade de Barragem da Foupana para o setor agrícola, a


ligação ao Alqueva ou a ligação da Barragem de Santa Clara à Barragem da
Bravura no Barlavento;

○ Avançar com um Plano Nacional de utilização de água para reutilização,


nomeadamente nos campos de golfe ou para consumo industrial,
otimizando a utilização de água potável no consumo urbano;

● Apostar na preservação dos ecossistemas aquáticos e devolver os rios às


populações, aumentando a fiscalização e implementando medidas para a
remoção de infraestruturas hidráulicas obsoletas e para a renaturalização e
valorização as zonas fluviais;

● Reativar a Comissão Ibérica de Bacias Hidrográficas com poder de


monitorização sobre caudais mínimos e dinamizar o Secretariado Técnico

142
O FUTURO É JÁ
Permanente da Comissão para a Aplicação e Desenvolvimento da Convenção
de Albufeira acordado na última convenção ibérica;

● Monitorizar os níveis das águas subterrâneas e regulamentar o seu uso e


captação;

● Criar um programa de apoios aos pequenos agricultores que hoje se debatem


com a insegurança hídrica para em diversas áreas, como a instalação, nas suas
propriedades, de contadores, sondas de água, bombas de extração de água
com energia solar, pequenos reservatórios de águas pluviais ou rega gota-a-
gota;

● Promover o investimento em sistemas de irrigação de baixo consumo de água


e maquinaria movida a energias renováveis;

● Priorizar políticas de incentivo à captação e armazenamento de água das


chuvas, bem como a promoção de técnicas de irrigação;

● Investir na modernização das redes de distribuição, com o objetivo de diminuir


as perdas;

● Racionalizar a utilização de água no espaço público (lavagem de ruas, regas


jardins, etc), promovendo a utilização de águas para reutilização;

● Implementar em todos os edifícios públicos mecanismos de utilização eficiente


da água;

● Garantir e respeitar em todas as infraestruturas hídricas os caudais ecológicos


e implementar sistemas elevatórios, essenciais para manter a conectividade
dos ecossistemas aquáticos e garantir a sobrevivência das espécies migratórias;

● Inventariar as necessidades do país e criar um programa nacional de


financiamento que permita ao país adequar as suas unidades de tratamento
de águas residuais (ETAR) às exigências ambientais da nova Diretiva-Quadro de
Águas Residuais.

5.3. Florestas

As florestas são um dos mais valiosos recursos naturais de Portugal, cobrindo mais
de 33 mil km² do território nacional. Além de sua importância económica e social,
as florestas desempenham um papel crucial no combate às alterações climáticas,
atuando como sumidouros de carbono e promovendo a biodiversidade.

143
PROGRAMA ELEITORAL 2025
O Partido Socialista irá implementar uma política de florestas que é
necessariamente transversal, visando a sua gestão integrada e incentivando
práticas sustentáveis da conservação à produção, reconhecendo o valor ímpar que
o setor das florestas representa pela sua dimensão e valor social, territorial e
económico, contribuindo não apenas para o cumprimento das metas ambientais
da UE, mas também para o desenvolvimento regional e a criação de empregos em
áreas rurais.

Em Portugal, o Programa de Intervenção para a Floresta (PIF2025-2050) está em curso,


com foco na gestão sustentável e na resiliência das florestas contra incêndios e pragas,
e é necessário retomar a sua reforma estrutural, fortalecendo as Áreas Integradas de
Gestão da Paisagem (AIGP) e transformando a gestão da propriedade florestal. Além
disso, a Estratégia Nacional de Biodiversidade deve alinhar-se com os objetivos globais,
visando proteger e restaurar ecossistemas degradados. Neste âmbito, o Partido
Socialista irá:

● Priorizar e concretizar o Plano Nacional de Qualificação do Sistema de Gestão


Integrada de Fogos Rurais que define a estratégia e os processos de
qualificação dos ativos do sistema até 2030;

● Fomentar políticas de emparcelamento da propriedade rústica,


especialmente nas zonas com maior fragmentação da propriedade,
implementando uma verdadeira Reforma da Propriedade Rústica desenhada
para resolver problemas de fragmentação e estagnação da propriedade
rústica, especialmente em situações de indivisibilidade ou indeterminação do
proprietário;

● Concluir o cadastro nacional de propriedade rústica, expandindo o processo de


alargamento do Sistema de Informação Cadastral Simplificado e do Balcão Único do
Prédio (BUPi) a todo o país e o desenvolvimento dos sistemas de informação e de
interoperabilidade com os serviços públicos, privados e proprietários;

● Prosseguir com reforma ao nível da transformação da paisagem nos territórios de


floresta mais vulneráveis, dando continuidade a programas estratégicos como as áreas
integradas de gestão da paisagem (AIGP), as Zonas de Intervenção Florestal, o
agrupamento de baldios e o Condomínio de Aldeia - Programa Integrado de Apoio às
Aldeias localizadas em territórios florestais;

● Ponderar um quadro de incentivo fiscal para a gestão ativa e agregada das


explorações florestais e agroflorestais;

144
O FUTURO É JÁ
● Aproximar empresas e produtores com a criação de novos produtos,
preferencialmente em rede e no caso das entidades gestoras de AIGP’s
promover a criação de uma rede nacional para todos os produtos resultantes
da boa e sustentável gestão das mesmas;

● Potenciar o funcionamento da FLORESTGAL com aquisição de área pública


principalmente em áreas de Área Protegida e preferencialmente com
anexação a matas nacionais;

● Mitigar e gerir o risco de incêndio rural nos concelhos com maior risco
estrutural, e criar resiliência nos espaços florestais promovendo uma gestão
ativa e sustentável, alicerçada na inovação;

● Criar um estatuto de leasing florestal, que possibilite aos produtores florestais


receber rendimentos anuais em função da produção florestal esperada, com
bonificações fiscais quando esta produção for em culturas florestais
sustentáveis;

● Apoiar a florestação e a substituição ativa de espécies invasoras por


espécies autóctones, tanto em ambiente rural como urbano;

● Implementar um SIMPLEX florestal, reduzindo o tempo de resposta do Estado


e, para o PEPAC, criando a vertente agroambiental de apoio à gestão florestal
e promovendo a responsabilização e a fiscalização, na linha do que tem sido
seguido no setor agrícola;

● Reforçar a viabilidade dos sistemas agroflorestais mediterrânicos, tais como o


sobreiro, azinheira, carvalhos, castanheiro, pinheiro manso e olival tradicional;

● Retomar a priorização no investimento continuado em investigação nas fileiras


de base nacional - sobreiro, pinheiro manso e pinheiro-bravo - e a consolidação
do apoio ao tecido associativo agroflorestal, delegando competências e
promovendo parcerias;

● Celebrar acordos de médio e longo prazo com as fileiras da cortiça, pinho e


pasta de papel;

● Criar um Programa de Regeneração do Montado de sobro e azinho,


cofinanciando ações de regeneração atuando em áreas de risco crítico;

● Definir um Plano de Intervenção Prioritária até 2026 para proteção de sistemas


de produção agroflorestal em risco de despovoamento ou desertificação,

145
PROGRAMA ELEITORAL 2025
contrariando esse risco e estimulando o uso múltiplo e os sistemas agro-silvo-
pastoris;

● Recuperar as Intervenções Territoriais Integradas (ITIS) desenhando estratégias


territoriais para a agricultura e floresta em conjunto e reforçando o
financiamento dos sistemas pastoris extensivos, adaptados à estratégia para
cada território.

6. Um património natural
protegido e integrado

Portugal possui um património natural único na sua diversidade e riqueza. O


ambiente assegura as nossas condições básicas de vida e subsistência, cabendo-
nos protegê-lo, a partir de uma consciência intergeracional e socialmente justa.

Apesar de curta, a governação do último ano correspondeu a um período de


reduzida ambição em matéria de ações climáticas urgentes, sendo objeto de
críticas por parte de especialistas e movimentos sociais, nomeadamente pelos
atrasos na implementação de medidas e na flexibilização de normas de proteção
do ambiente, a par de tensões entre desenvolvimento económico e
sustentabilidade.

Recuperar a resiliência e a visão estratégica em setores como a água, energia,


biodiversidade e ordenamento do território, requer uma política ambiental
integrada e orientada para a conservação da natureza.

6.1 Política ambiental

Em matéria de política ambiental, o PS compromete-se a:

● Desenvolver, até ao final da legislatura, a codificação da legislação ambiental, acabando


com centenas de diplomas legais avulsos na área do ambiente.

● Estimular a contratação pública ecológica, através da criação de um Passaporte Verde


que acredite empresas com padrões de sustentabilidade, definido setor a setor;

● Desenvolver o Livro Branco sobre o Estado do Ambiente em 2026, conforme


disposto na Lei que define as Bases da Política de Ambiente;

146
O FUTURO É JÁ
● Aprovar um regime de prevenção da contaminação e a remediação dos solos
contaminados e de monitorização da saúde dos solos (ProSolos);

● Implementar o regime de prevenção e remediação dos danos ambientais, com


a responsabilização das entidades que deram origem à situação;

● Reforçar a capacidade de resposta do Sistema de Avaliação e Gestão


Ambiental, acompanhando o aumento de projetos de transição climática e
energética;

● Formar a cidadania ambiental, apoiando a atividade das Organizações Não


Governamentais de Ambiente;

● Aprovar uma renovada Estratégia Nacional de Educação Ambiental rumo a


2045, duplicando a ambição de financiamento, dando continuidade à
Estratégia Nacional de Educação Ambiental.

● Envolver as gerações mais novas na elaboração de políticas ambientais,


nomeadamente através de fóruns e conselhos juvenis onde os jovens possam
participar no desenho das políticas ambientais;

● Melhorar a qualidade de vida e bem-estar da população, promovendo a


qualidade do ar e a prevenção e controlo da poluição, reduzindo as emissões,
controlando e revendo a lei do ruído ambiente tal como da poluição luminosa;

● Adotar um plano nacional de reforço da qualidade do ar, instalando 1000


sensores de qualidade do ar, com especial enfoque em zonas sensíveis, como
escolas e lares de idosos;

● Desenvolver um plano nacional contra a poluição sonora, avaliando a


obrigatoriedade de auditorias acústicas em projetos urbanísticos de grande
dimensão;

6.2. Conservação da Natureza

Cuidar do ambiente significa promover a educação ambiental e ecológica da população,


mas requer, também, responder no campo da proteção, conservação e restauro da
natureza e biodiversidade, sem esquecer a garantia de bem-estar animal. A concretização
de programas de reordenamento e gestão da paisagem e dos Programas Especiais das
Áreas Protegidas, a par da criação do Cadastro Nacional dos Valores Naturais, constituem
prioridades, propondo-se o Partido Socialista a:

147
PROGRAMA ELEITORAL 2025
● Mobilizar um forte investimento público e privado na proteção e valorização
da natureza e da biodiversidade, concretizando o Plano Nacional de
Restauro da Natureza previsto na Lei Europeia do Restauro da Natureza;

● Desenvolver modelos de remuneração dos serviços de ecossistemas,


valorizando economicamente a regeneração de solos e de ativos biológicos,
num cenário de criação de territórios neutros em carbono;

● Garantir a classificação, até ao fim de 2026, de 30% do território terrestre e


do espaço marítimo nacional, aprovando, até 2030, planos de gestão
efetivos e eficaz;

● Concluir o processo de designação das 55 zonas especiais de conservação


em falta para completar a Rede Natura 2000 e cumprir com a Diretiva
Habitats;

● Implementar a gestão conjunta com Espanha das áreas marinhas protegidas,


conforme aprovado na Cimeira Ibérica de 2024;

● Aprovar, até 2030, planos de renaturalização ou restauro de 30% das áreas


contaminadas ou degradadas;

● Prosseguir com uma estratégia de “gestão ativa de proximidade” das áreas


protegidas, instituindo diretores das áreas protegidas como líderes da cogestão
destas áreas, aprovando os seus planos de gestão e melhorando as suas
condições de visitação;

● Reforçar o financiamento para melhorar a gestão das áreas protegidas para


alargar e duplicar o universo de projetos piloto nas áreas protegidas até 2030;

● Voltar a financiar projetos de gestão da biodiversidade e reforço do capital


natural;

● Concluir a revisão da Estratégia Nacional da Conservação da Natureza e da


Biodiversidade 2030 e elaborar o Plano de Ação Nacional de biodiversidade que
o Governo deveria ter apresentado na COP16.

● Criar a Lei de Bases da Biodiversidade, à semelhança da Lei de Bases do Clima;

● Prosseguir com o regresso das figuras de guarda-rios, em estreita articulação


entre o ICNF, os municípios e associações locais de defesa do ambiente;

● Apoiar a instalação de redes de espaços verdes por parte das autarquias locais,
aumentando a permeabilização dos solos;

148
O FUTURO É JÁ
● Materializar os Programas de Reordenamento e Gestão da Paisagem e avanço
dos Programas Especiais do Parques Naturais;

● Proteger o litoral e as suas comunidades, assegurando uma gestão integrada


das zonas costeiras;

6.3. Bem-Estar Animal

Relativamente ao Bem-Estar Animal, o PS compromete-se a:

● Promover uma estratégia nacional para mitigar o problema das matilhas de


animais em situação de abandono, focada em programas de esterilização e
vacinação, incluindo meios para socorrer animais, no local, sempre que se
verifiquem situações de acidente grave ou catástrofe;

● Reforçar o bem-estar animal no transporte de animais vivos assegurando a


fiscalização do cumprimento das adequadas regras higieno-sanitárias,
articulação com os responsáveis do setor;

● Avaliar as necessidades de regulamentação administrativa das matérias de


bem-estar animal, habilitando a intervenção municipal e criando mecanismos
de partilha de boas práticas;

● Promover o desenvolvimento de um acordo europeu para a criação de um registo


centralizado de animais de companhia no espaço da UE, facilitando deslocações e
introduzindo estratégias harmonizadas de proteção transfronteiriça;

● Rever a legislação sobre criminalização dos maus-tratos a animais, indo ao


encontro das melhorias diagnosticadas pelos operadores no terreno e
abrangendo não apenas os animais de companhia, na linha das soluções
vigentes em ordens jurídicas que dispõem de soluções afins à portuguesa.

7. Um território rural produtivo e próspero

A agricultura é um eixo estruturante da capacidade produtiva do nosso país.


Precisamos de uma política agrícola integradora, eficiente, tecnológica e
sustentável, que vise a inovação e o conhecimento, a atração e fixação de jovens
nos territórios rurais e o seu desenvolvimento, contribuindo para a coesão territorial
e protegendo os recursos naturais. Deve ser criadora de valor e riqueza, valorizar os

149
PROGRAMA ELEITORAL 2025
produtos endógenos e as cadeias curtas de abastecimento, capaz de produzir
alimentos em qualidade e quantidade para garantir uma alimentação saudável e
equilibrada e uma maior soberania alimentar nacional.

O setor agroflorestal é um aliado imprescindível na transição ecológica e deve, por


isso, ser envolvido nas políticas públicas necessárias à prossecução desse desígnio.
Há que garantir o melhor equilíbrio possível entre a produção e atividade agrícolas,
auscultando os agricultores e os seus representantes, e as metas ambientais
europeias com as quais o país está comprometido.

Precisamos de uma agricultura resiliente, melhor adaptada às transições climática,


ecológica e energética, promotora do sequestro de carbono, que exige maior
interação com o sistema científico e tecnológico, potenciador de uma gestão
adequada da água, da prevenção de incêndios e de uma alimentação saudável e
sustentável.

O Partido Socialista não esquece, porém, a pequena agricultura e a agricultura familiar.


Para além da produção, as atividades que marcam o mundo rural contribuem para a
manutenção das povoações, da paisagem, da biodiversidade, da cultura, das tradições
e da resposta às alterações climáticas.

Num contexto mundial de crescente instabilidade, conflito e incerteza, a agricultura não


é só produção de alimentos visando as necessidades do presente, sendo também
proteção e garantia do futuro e defesa contra conflitos externos, incêndios e
desertificação humana e física dos territórios, promovendo a segurança e soberania
alimentar.

A esta importância pública, social e comunitária deve corresponder um apoio do


Estado, dos serviços públicos e de diversas organizações.

7.1. Política agrícola

Portugal necessita de um novo ciclo de política agrícola, mais célere,


desburocratizada e justa, com medidas adequadas a cada realidade regional e
territorial, com apoios simplificados, mais previsíveis, que promova a fixação de
jovens, a ocupação e repovoamento do território, contribuindo para a coesão
territorial e social.

Para alcançar esse desígnio, o Partido Socialista compromete-se a:

150
O FUTURO É JÁ
● Reprogramar o PEPAC, refletindo a real heterogeneidade do território,
adaptando-o às diferentes agriculturas regionais, materializando-o através da
abertura de avisos específicos regionalizados;

● Lançar um SIMPLEX Rural para procedimentos e apoios à exploração,


eliminando a redundância de documentos e acelerando a partilha de
informações entre entidades públicas;

● Uniformizar o sistema de informação do IFAP, com pré-preenchimento


automático para candidaturas a apoios;

● Fomentar atividades de densificação e renovação do modelo empresarial, com


iniciativas de maior intensidade tecnológica;

● Estabelecer prazos máximos vinculativos para processos de candidaturas a


subsídios e licenciamentos, assumindo o deferimento tácito quando aplicável;

● Permitir o licenciamento imediato de pequenos investimentos agrícolas,


mediante critérios simplificados;

● Garantir continuidade na abertura de avisos, dando maior previsibilidade aos


beneficiários;

● Desenvolver um sistema desmaterializado de registo de trabalhadores


agrícolas sazonais, nacionais ou migrantes, promovendo o seu acolhimento e
reduzindo a escassez de mão de obra.

7.2. Resiliência

Face aos desafios das alterações climáticas e da transição energética, é necessário


implementar medidas que promovam a resiliência do setor. O Partido Socialista irá:

● Garantir a manutenção, conservação e expansão das infraestruturas e


tecnologias de captação, armazenamento, transporte e distribuição de
água para rega, no âmbito do desenvolvimento de um Sistema Hidráulico
Nacional;

● Estudar e implementar medidas para aumentar a disponibilidade de água,


incluindo novas barragens, charcas, águas para reutilização e dessalinização;

● Criar um quadro normativo de boas práticas para sustentabilidade dos recursos


hídricos, com base num conhecimento técnico e científico de carácter
ambiental, agronómico, económico e social;

151
PROGRAMA ELEITORAL 2025
● Garantir pagamentos justos e céleres, nomeadamente dos ecorregimes e de
medidas agroambientais no âmbito do PEPAC, promovendo a conservação do
solo e o incremento de matéria orgânica no solo;

● Garantir continuidade dos apoios de fileira (e.g., VITIS) e, na medida da


necessidade, reformular os indicadores de impacto por forma a garantir mais e
melhores práticas sustentáveis;

● Definir orientações de boas práticas de conservação do solo, protegendo-o de


fatores de degradação como a erosão, em colaboração com associações e
organizações de produtores;

● Adotar medidas de majoração na avaliação de projetos de investimento para


instalação de culturas permanentes que adotem e implementem boas práticas
de conservação do solo;

● Adaptar e alargar a contratação do seguro de colheitas, atualizando o


Regulamento do Seguro de Colheitas e da Compensação de Sinistralidade, e
aumentando a orçamentação, por forma a incluir novos riscos e coberturas, no
âmbito do Sistema Integrado de Proteção contra as Aleatoriedades Climáticas;

● Apoiar a investigação, desenvolvimento e aplicação de tecnologias mitigadoras


associadas com a alimentação animal (digestibilidade e aditivos alimentares);

● Apoiar os investimentos em energias renováveis, nas explorações agrícolas,


pecuárias e pequenas indústrias agroalimentares, nomeadamente painéis
fotovoltaicos e bioenergia com sobrantes da exploração agrícola e florestal;
promovendo a criação de Comunidades de Energia, através da simplificação de
processos;

● Promover soluções integradas de tratamento dos efluentes agropecuários,


incluindo a sua valorização através da aplicação no solo, da compostagem e da
recuperação de biogás para produção de energia;

● Atualizar e implementar os direitos relativos aos consumos de energia,


consagrados pelo Estatuto da Agricultura Familiar.

7.3. Gestão eficiente dos recursos naturais

Para responder aos desafios da transição ecológica, é necessário encontrar


soluções que promovam a gestão eficiente dos recursos naturais. O Partido
Socialista irá:

152
O FUTURO É JÁ
● Implementar apoios ao pastoreio extensivo e à conservação de raças
autóctones, com diferenciação positiva para a pequena agricultura e à
agricultura familiar;

● Apoiar e dinamizar a apicultura e a silvopastorícia, com diferenciação positiva


para territórios vulneráveis a incêndios;

● Manter os compromissos nos apoios ao modo de produção biológico e à


agricultura de conservação;

● Implementar estímulos à adoção de sistemas de certificação de produção


sustentável, abrangendo as vertentes ambiental, económica, laboral e de
responsabilidade social;

● Apoiar atividades de conservação e valorização das variedades regionais


agrícolas e raças autóctones;

● Criar mecanismos de “reagriculturação” de terras florestais, através da criação de um


programa de incentivos à exploração agrícola de terras com aptidão agrícola que se
encontram florestados, com mato ou abandonadas, melhorando a resiliência dos
territórios rurais ao fogo e, simultaneamente, impulsionando a pequena agricultura e
a agricultura familiar;

● Criar um programa de apoio a jovens agricultores para adoção de práticas de


agricultura regenerativa e agroecologia, com apoio à instalação e conversão, e
acesso a formação especializada;

● Apoiar sistemas agrícolas e agroflorestais tradicionais que conservem e


valorizem a biodiversidade.

7.4. Territórios rurais

Para revitalizar os territórios rurais e promover a fixação de pessoas, o Partido


Socialista irá:

● Melhorar os apoios aos pequenos agricultores, aos detentores do Estatuto da


Agricultura Familiar e aos jovens agricultores, em especial através dos
instrumentos do PEPAC, e procurando mobilizar as mulheres para a utilização
destes apoios;

● Desenvolver um modelo de acompanhamento e aconselhamento técnico


personalizado para jovens agricultores;

153
PROGRAMA ELEITORAL 2025
● Assegurar a plena implementação das medidas de discriminação positiva
previstas no Estatuto da Agricultura Familiar;

● Apoiar investimentos em plataformas de comercialização e cadeias curtas de


abastecimento;

● Incentivar a diversidade de atividades em áreas rurais, combinando agricultura,


pecuária, silvicultura e turismo;

● Adotar medidas de apoio às fileiras características dos territórios de baixa


densidade (e.g. fileiras da lã e do mel);

● Criar instrumentos de apoio ao emparcelamento em territórios de baixa


densidade, com condições de financiamento justa e favoráveis à fixação de
pessoas nos territórios rurais;

● Garantir a plena implementação e cumprimento do ‘Banco de Terras’ e do


‘Fundo de Mobilização de Terras’, com discriminação positiva para jovens
que de pretendam instalar.

7.5. Transição digital

Para acelerar a transição digital no setor agrícola, o Partido Socialista irá:

● Apoiar investimentos nas explorações que promovam a agricultura de precisão


e a digitalização da atividade, sobretudo para as que contribuem para o uso
mais eficiente dos recursos, a rastreabilidade e a resiliência;

● Lançar um programa de capacitação em agricultura de precisão e literacia


digital, considerando os grupos mais excluídos;

● Criar espaços e redes de criatividade e partilha de experiências, em articulação


com diversos stakeholders;

● Implementar plenamente o Portal Único da Agricultura, centralizado no agricultor,


com visão de 360º, onde este poderá aceder a toda a informação que a
Administração tem sobre si no setor agrícola numa área reservada, disponibilidade
de conteúdos e avisos de apoio à sua atividade, e acesso a serviços online.

7.6. Competitividade

Para uma agricultura mais competitiva e com maior crescimento económico, o


Partido Socialista irá:

154
O FUTURO É JÁ
● Estabelecer regulamentação incentivadora de boas práticas e impeditiva de
práticas comerciais desleais e transações abaixo do preço de custo, tendo por base
o Observatório de Preços Agroalimentar, garantindo justiça e transparência nas
cadeias de abastecimento alimentar;

● Dotar o Ministério da Agricultura das necessárias competências de intervenção


de mercado, e a uniformização e disponibilidade de dados estatísticos da
cadeia de valor e suporte à tomada de decisão;

● Robustecer o modelo de funcionamento da PARCA – Plataforma de


Acompanhamento das Relações na Cadeia Agroalimentar, permitindo a
operacionalização das suas competências e atribuições, fomentando a
equidade e o equilíbrio da cadeia alimentar.

● Criar condições institucionais para a criação de veículos financeiros


voluntariamente contratados por conjuntos de agricultores com interesses
comuns, para dar uma resposta preventiva ou por compensações a posteriori;

● Promover as organizações de nível superior, nomeadamente do estímulo à criação


ou dinamização das Organizações Interprofissionais, ou através da instituição de de
Organizações de Produtores reconhecidas e Organizações Multiproduto,
promovendo a reestruturação as Cooperativas Agrícolas;

● Promover a concentração da oferta e o reforço da posição dos produtores na cadeia


de valor, incentivando as organizações da produção a desempenhar um papel
consequente na sustentabilidade das unidades produtivas dos seus associados;

● Criar instrumentos financeiros de apoio ao investimento e à tesouraria dos


produtores e empresas agrícolas.

7.7. Alimentação

Para uma alimentação mais segura, equilibrada e sustentável, o Partido Socialista


irá:

● Promover e apoiar os circuitos curtos agroalimentares, elaborando guias e


documentando boas práticas;

● Valorizar a Dieta Mediterrânica através do Programa Nacional da Alimentação


Equilibrada e Sustentável;

● Criar um Centro de Inteligência Epidemiológica para responder a zoonoses e


outras ameaças emergentes;

155
PROGRAMA ELEITORAL 2025
● Reforçar o apoio às Organizações de Produtores para a Sanidade Animal;

● Implementar a rede de matadouros móveis, garantindo condições sanitárias e


promovendo a atividade pecuária em territórios de baixa densidade;

● Defender junto da Comissão Europeia o setor da suinicultura e desenvolver


esforços para abrir novos mercados agroalimentares;

● Aumentar recursos humanos e financeiros da DGAV para garantir a


implementação dos programas de saúde animal.

7.8. Inovação

Para robustecer o ecossistema de inovação agrícola, o Partido Socialista irá:

● Garantir boa implementação e execução de projetos de inovação, fomentando


partilha de resultados;

● Continuar o processo de digitalização da agricultura, garantindo ferramentas e


mecanismos de financiamento;

● Dinamizar, junto dos agentes do sistema de inovação agrícola, ações de


capacitação baseadas em iniciativas emblemáticas.

8. Um novo impulso para o


potencial oceânico do país

Portugal, país continental e arquipelágico que tem no mar o elo dos seus territórios,
deve assumir-se como nação oceânica, atualizando a sua identidade marítima,
transformando o mar em fator de desenvolvimento nacional e conferindo à relação
entre o oceano, que é o maior sumidouro de carbono do Planeta, e o sistema climático
terrestre uma dimensão central na sua abordagem às alterações climáticas. É
fundamental aprofundar a compreensão do papel do oceano na regulação do clima,
dos impactos do aquecimento global no aumento do nível do mar, dos efeitos que as
mudanças nas temperaturas e correntes oceânicas têm nos eventos climáticos
extremos e na biodiversidade, associada à acidificação do oceano, bem como dos
impactos da atividade humana, como a poluição e sobre-exploração, que potenciam os
efeitos das alterações climáticas. As ciências e tecnologias marinhas são também uma

156
O FUTURO É JÁ
forma de alavancar as restantes políticas públicas para o mar, promovendo os projetos
que criem as condições necessárias ao desenvolvimento de uma economia do mar
sustentável e de valor acrescentado, e melhorando a capacidade de monitorização e
vigilância do meio marinho.

Portugal, respondendo aos desafios que o oceano enfrenta, deve dar um novo
impulso à política para o mar, transformando o perfil da economia do mar, através
da modernização dos setores tradicionais e do desenvolvimento dos novos setores
baseados em conhecimento e tecnologia, sendo essencial a dinamização da
cultura oceânica.

8.1 Política do Mar

Para desenvolver o potencial oceânico do país, o país precisa reforçar as instituições


e o planeamento das políticas do mar. Para isso, o PS vai:

● Implementar a Estratégia Nacional para o Mar 2021-2030 e rever o respetivo


Plano de Ação, reforçando os mecanismos de monitorização e criando uma
plataforma alargada de articulação política, concertação de entidades públicas
e participação cidadã;

● Criar a Agência Portuguesa do Mar, agregando as competências e reforçando


os meios técnicos e humanos de vários dos organismos da Administração
Pública na área.

● Criar o Conselho Nacional para o Mar, com as competências da atual CIAM, mas
abrindo-o à sociedade, integrando os representantes dos vários setores.

● Rever o quadro legal do espaço marítimo e respetivos recursos, estabelecendo


uma política dominial para os recursos marinhos vivos, reformulando o sistema
de ordenamento e gestão do espaço marítimo, integrando a proteção de áreas
marinhas, e aprofundando os poderes das regiões autónomas na gestão do
espaço marítimo;

● Implementar o Plano de Situação de Ordenamento do Espaço Marítimo


Nacional, integrando a parte relativa à subdivisão dos Açores, e aprovar o Plano
de Afetação das Energias Renováveis Offshore;

● Classificar, até 2026, Áreas Marinhas Protegidas em 30% do espaço


marítimo nacional e aprovar, até 2030, os respetivos planos de gestão, bem
como efetivar o princípio de que a mineração está dependente do
conhecimento científico;

157
PROGRAMA ELEITORAL 2025
● Reformular o Fundo Azul, transformando-o num Fundo de Fomento da
Economia Azul, dotando-o de mais eficácia na sua gestão, abrindo-o à
participação de capitais não públicos, como instrumento essencial de apoio às
áreas emergentes como a biotecnologia marinha, a digitalização e a robótica
subaquática;

● Promover a otimização dos organismos públicos na área dos oceanos,


garantindo a integração do conhecimento, da capacidade e das competências,
assegurando a independência científica;

● Fomentar a intervenção do setor público empresarial na promoção de uma


economia do mar inovadora e sustentável e na coordenação de projetos
colaborativos e inovadores;

● Prosseguir a simplificação de procedimentos relativos às atividades marítimas,


em especial os relativos a atividades económicas, ampliando a
desmaterialização de procedimentos no acesso às atividades marítimas,
através da utilização do Balcão Eletrónico do Mar e Sistema Nacional de
Embarcações e Marítimos, bem como modernizar a legislação relativa às
atividades marítimas, nomeadamente a relativa à navegabilidade das
embarcações;

● Reforçar a literacia dos oceanos e a ligação dos jovens às atividades náuticas,


alargando o projeto Escola Azul e promovendo ações de divulgação e
sensibilização, em articulação com o Desporto Escolar;

8.2 Economia do mar

A economia do mar afirma-se hoje em novos setores, para lá dos tradicionais,


perspetivando para Portugal boas oportunidades de crescimento económico
assente na inovação e no conhecimento. Nesse contexto, o PS irá:

● Desenvolver os setores que promovam a industrialização e a descarbonização


do país, dinamizando e transformando os setores da construção e reparação
naval e da metalomecânica, apostando, designadamente, nas energias
renováveis oceânicas, continuando o trabalho em curso no mercado eólico
offshore e na construção de uma nova geração de embarcações;

● Criar uma zona no espaço marítimo destinada à inovação, tendo em vista o


desenvolvimento de novas tecnologias marítimas e a investigação em áreas
como a biotecnologia marinha, a pesca sustentável e a energias renováveis.

158
O FUTURO É JÁ
● Apostar na biotecnologia marinha, estabelecendo um estatuto reforçado para
os recursos genéticos e um regime jurídico para bioprospecção marinha e
constituindo um Centro de Biotecnologia Marinha que se afirme como um hub
internacional no setor;

● Aprovar e implementar o Programa Nacional para as Ciências e Tecnologias


Marinhas 2025-2030 que garanta o financiamento para a investigação em áreas
prioritárias, o reequipamento infraestrutural para a investigação e
monitorização, o reforço de pessoal especializado para os Laboratórios do
Estado, o aprofundamento da cooperação internacional e a aposta em
parcerias com empresas;

● Criar um sistema de dados do oceano com informação da investigação


científica marinha e regular a investigação científica marinha realizada no
espaço marítimo nacional;

● Dinamizar o Hub-Azul Portugal com uma estratégia de captação internacional


de empresas em setores estratégicos, como a aquacultura e a robótica.

● Continuar a aposta nas energias renováveis oceânicas, apoiando projetos


de inovação e contribuindo para uma nova fileira industrial.

● Potenciar, em articulação com as Regiões Autónomas, as condições


geoestratégicas dos arquipélagos dos Açores e da Madeira, em particular nos
domínios de I&D, Defesa e Segurança Marítima, Turismo, transporte marítimo,
pesca e aquacultura e energias renováveis.

● Operacionalizar o Banco Nacional dos Recursos Genéticos Marinhos, em rede


com os biobancos do sistema científico e tecnológico nacional e apoiar a
biotecnologia azul.

● Desenvolver uma estratégia nacional para a promoção internacional da


economia do mar português, incluindo a indústria, a ciência e o turismo
náutico;

8.3 Pesca e aquicultura

A pesca é ainda hoje um setor fundamental para muitas comunidades, que dão um
forte contributo para o abastecimento alimentar do país. Não obstante, constituindo-se
os portugueses como um dos povos com maior consumo de pescado per capita no
mundo, para garantir a sustentabilidade dos recursos naturais e equilibrar a balança
alimentar, é também fundamental apostar na aquicultura sustentável. Para tal, o PS irá:

159
PROGRAMA ELEITORAL 2025
● Modernizar e internacionalizar as atividades tradicionais da economia do mar
incluindo indústria dos produtos da pesca e aquicultura e o desenvolvimento
de projetos de turismo costeiro e náutico sustentáveis e regenerativos;

● Apoiar a pesca sustentável, reestruturando e modernizando a frota,


apostando na melhoria das condições de trabalho e segurança a bordo e na
eficiência energética das embarcações;

● Reforçar a modernização dos portos e das lotas, adaptando-os às novas


necessidades das atividades de pesca e aquicultura, melhorando as condições
de segurança e de gestão ambiental, acelerando a transição energética e a
digitalização de processos;

● Incentivar a formação e capacitação dos profissionais, com formação em


contexto de trabalho a bordo, proporcionando competências necessárias para
acompanhar as mudanças tecnológicas e a adoção de práticas sustentáveis;

● Apoiar a atividade de jovens pescadores, incluindo a aquisição de embarcação,


e reconhecer e distinguir a especificidade da pequena pesca nas suas
dimensões económica, social, territorial e cultural;

● Promover as condições de integração plena, de estadia e de fixação dos


trabalhadores imigrantes que integram as tripulações;

● Implementar o Plano Estratégico para a Aquicultura 2021-2030, incluindo


mecanismos de atração de investimento estrangeiro e de simplificação do
licenciamento;

● Apostar na pesca e aquicultura de pequena escala, que fomentem o consumo


local de pescado, através de circuitos curtos de comercialização e da
diversificação das espécies consumidas, contribuindo para uma distribuição
mais equitativa dos rendimentos para os produtores;

8.4 Setor portuário e naval

Portugal tem uma localização estratégica privilegiada na economia internacional


do transporte marítimo. Durante a governação do Partido Socialista foi adotado um
conjunto de reformas, nomeadamente o Registo Internacional de Navios da
Madeira, que permitiu ao país afirmar-se neste setor. Todavia, ainda há muito a
fazer para captar para Portugal uma maior quota do transporte marítimo europeu.

O setor naval representa também uma oportunidade para o nosso país em que um
conjunto diversificado de estaleiros de construção e reparação naval necessita de

160
O FUTURO É JÁ
se voltar a afirmar internacionalmente, distinguindo-se pelo saber fazer e pela
aplicação das melhores práticas ambientais.

Nesse contexto, o PS irá:

● Implementar uma nova estratégia para o setor portuário, visando a transição


energética, a digitalização e diversificação da atividade portuária, a
industrialização do país e modernizando a legislação do setor portuário;

● Concretizar uma política do transporte marítimo fixando valor, empresas e


postos de trabalho no país, exigindo critérios técnicos e ambientais rigorosos
para o registo de embarcações, garantindo o cumprimento das regras
internacionais aplicáveis aos Estados de bandeira e promovendo a
descarbonização e redução de emissões;

● Desenvolver um novo modelo de governança e de coordenação da atividade


das administrações portuárias, apostando numa maior complementaridade
das atividades e criação de sinergias, que torne o setor portuário português
mais competitivo a nível internacional;

● Promover a criação de uma Praça Marítima Internacional, com a capacidade


de prestação de serviços de shipping e potenciando o registo convencional e o
Registo Internacional de Navios da Madeira.

● Criar um programa de estímulo à Indústria Naval, posicionando-se nesta


indústria no qual foi historicamente pioneiro, designadamente através da
capacitação em termos de infraestruturas e acessos tanto em terra como
marítimos.

● Desenvolver uma estratégia de fomento da atividade da náutica de recreio que


democratize o acesso à atividade, dinamize a indústria naval dedicada a segmentos
específicos de embarcações com maior capacidade de navegação, e amplie a rede de
marinas, portos de recreio e infraestruturas de apoio;

● Promover uma Estratégia Nacional para a descarbonização do setor


marítimo (transporte marítimo e portos), apoiando o desenvolvimento de
tecnologias nacionais e os estaleiros navais portugueses com programas de
inovação.

● Apoiar a criação de um cluster de Indústria Naval de Defesa, num reforço das


capacidades nacionais e das parcerias europeias, em particular em tecnologias
e produtos de uso dual civil e militar.

161
PROGRAMA ELEITORAL 2025
8.5 Liderança internacional

O Partido Socialista quer continuar a liderar a agenda internacional do oceano,


dando cumprimento à Agenda 2030. Para tal, o PS irá:

● Dinamizar uma nova agenda global para o oceano, valorizando o Comité


Nacional para Década do oceano;

● Apoiar o processo de internacionalização e afirmação de Portugal como


nação oceânica, criando a figura do “Embaixador do Oceano”, dotado de
estrutura e meios em articulação com a AICEP.

● Prosseguir a interação com a Comissão de Limites da Plataforma Continental


da ONU para a concretização da extensão da plataforma continental e definir
uma estratégia para o seu melhor conhecimento e valorização integrando-o
nas estruturas permanentes do Estado e que responda aos desafios do
alargamento da plataforma continental;

● Promover, no âmbito da UE, o desenvolvimento das prioridades europeias para


a economia do mar necessária à descarbonização e industrialização e uma nova
política do ordenamento do espaço marítimo que inclua a proteção do
ambiente marinho e a preservação do bom estado ambiental do meio marinho;

● Fomentar a adoção de uma nova Estratégia da CPLP para os oceanos e criar


um Centro de Estudos Marítimos da CPLP, como forma de partilha de
informação, formação e conhecimento do mar;

● Aprovar a Estratégia Nacional para a Segurança Marítima, promovendo,


designadamente, a colaboração entre a indústria e organismos públicos, como
forma de desenvolver novos meios de vigilância e monitorização.

162
O FUTURO É JÁ

4.ª MISSÃO:
Uma Democracia de
qualidade para todos

1. Uma democracia que resiste ao


populismo e à demagogia com mais
participação, transparência e proximidade

A 25 de Abril de 2024 Portugal comemorou 50 anos do fim da ditadura, da guerra


e do atraso crónico a que mais de quatro décadas de isolamento autoritário foram
condenando o país. Ao longo de cinco décadas, os portugueses aprimoraram as
suas instituições, alargaram a participação democrática e a inclusão dos cidadãos,
garantindo mais transparência, prestação de contas e pluralismo. Somos hoje uma
Democracia robusta, como evidenciam os indicadores internacionais de liberdades
fundamentais e qualidade dos regimes democráticos.

Contudo, os sucessos eleitorais dos extremismos populistas em vários pontos do


globo, da Europa à América do Norte e do Sul, põem em risco os regimes
democráticos e o Estado Social, assistindo-se hoje ao surgimento de recuos
autoritários em sociedades que considerávamos imunes a esse risco. Na terceira
década do século XXI, este é sem dúvida um dos grandes desafios que têm de
mobilizar os democratas do mundo inteiro. É neste quadro, em que se cavalgam e
alimentam perceções negativas sobre a atividade política, que importa contrariar,
com pedagogia democrática e preserverança, a ameaça que paira sobre o
progresso das últimas décadas.

Ainda que enfrentando muitas das dificuldades das democracias vizinhas, o


sistema político português tem assegurado qualidade e autoridade nos seus
processos eleitorais, capacidade de superação dos momentos de crise e, amiúde, a
construção de soluções governativas estáveis, plurais na sua composição. Mas é

163
PROGRAMA ELEITORAL 2025
importante insistir no aprofundamento da qualidade das instituições e dos
processos de tomada de decisão, preservando a sua integridade e assegurando a
sua transparência.

Ao longo da sua história, o PS sempre fez parte do eixo angular do debate


parlamentar das forças democráticas, e assim vai continuar, contribuindo no texto
constitucional, na legislação sobre as instituições políticas e na sua prática
quotidiana, para defender os direitos fundamentais dos cidadãos e manter a
República fiel ao espírito dos valores de Abril.

1.1. Cultura Democrática

É preciso promover uma cultura democrática, reafirmando a centralidade do


Parlamento no sistema democrático. A representação parlamentar é uma das
chaves do sistema e é aí que se deve também investir na valorização de uma vida
pública democrática de qualidade, com clareza dos meios de fiscalização da
atividade governativa, na abertura aos cidadãos e na criação de uma cultura
política de inclusão e participação.

A revisão do Regimento da Assembleia da República em 2023 permitiu alargar


direitos de participação, assumir ferramentas de melhoria da qualidade da
legislação e assegurar meios de escrutínio às oposições e formações minoritárias,
enquanto medidas adotadas nas duas legislaturas anteriores tornaram mais
acessível o escrutínio dos mandatos.

Fora do Parlamento, é necessária uma verdadeira pedagogia democrática nas


redes sociais e nos canais tradicionais de comunicação e debate. Ainda que com
avanços e recuos ao longo de décadas, e partindo de números históricos superiores
a 90% nas eleições para a Assembleia Constituinte em 1975, a tendência de
participação eleitoral tem sido de decréscimo. É na fadiga democrática e na maior
dificuldade de mobilização dos eleitores mais jovens que encontramos as causas
para essa quebra da participação.

Nessa senda, o PS propõe-se em primeira linha afirmar uma política de diálogo e


respeito institucional, assente no bom funcionamento dos órgãos democráticos e
na prestação de contas permanente e transparente junto dos cidadãos e da
sociedade civil, assente em cinco ideias estruturais:

● Construir uma relação de diálogo permanente com as forças políticas


democráticas representadas na Assembleia da República sobre a execução do
programa do Governo, agenda legislativa, decisões para designação de órgãos
constitucionais e funcionamento das instituições;

164
O FUTURO É JÁ
● Assegurar a publicitação ativa do estado de execução do Programa de
Governo, de todas as políticas e programas de investimento, garantindo a
sua monitorização periódica e transparente;

● Realizar regularmente sessões de auscultação participada junto dos


cidadãos e da sociedade civil, no âmbito da avaliação da execução do
programa do Governo e das políticas públicas, com recurso a ferramentas
tecnológicas e assembleias de cidadãos.

● Valorizar e divulgar boas práticas parlamentares, em diálogo com a academia


e com a sociedade civil, apostando de forma acrescida na formação
especializada em matérias de transparência dirigidas aos titulares de cargos,
aos funcionários e aos grupos parlamentares;

● Proteger o funcionamento da Assembleia da República das ameaças


populistas, assegurando aos Deputados condições de exercício do mandato
sem perturbação e protegendo a posição dos cidadãos que podem ser alvo de
referências injuriosas ou difamatórias pelos oradores que desprestigiam o
parlamento.

1.2. Eleições

Ao longo de quase cinco décadas, a robustez das eleições tem sido reconhecida
interna e internacionalmente, graças à atualização dos procedimentos e dos meios
ao dispor da Administração Eleitoral, que em anos recentes tem alargado as
possibilidades de exercício do direito de voto, assegurando maior conforto e
simplicidade.

Partindo de uma realidade invejável, Portugal não será para sempre imune a
muitas das dificuldades pelas quais passam outras democracias, devendo
prosseguir a aposta no aumento imediato da qualidade e na modernização de
procedimentos e adotar medidas que continuem a assegurar a integridade,
resiliência e transparência dos atos eleitorais.

Nesse sentido, o PS irá:

● Retomar os trabalhos para a produção de um Código Eleitoral que atualize e


uniformize regras e procedimentos, aumentando a sua clareza, desburocratizando
procedimentos datados e responda a dificuldades identificadas no exercício do
direito de voto;

165
PROGRAMA ELEITORAL 2025
● Alargar a possibilidade de voto antecipado em mobilidade e prosseguir a
desmaterialização dos cadernos eleitorais e o recurso às tecnologias de informação
para simplificar os procedimentos eleitorais, com manutenção de elevados padrões
de segurança;

● Reformar os procedimentos eleitorais de forma a assegurar a qualidade e


condições de igualdade da participação dos cidadãos residentes no estrangeiro
nos atos eleitorais, com maior conforto, segurança e proximidade dos locais de
voto, com aposta no alargamento do voto presencial e do voto em mobilidade
e assegurando a resolução definitiva dos problemas registados no voto por
correspondências;

● Promover o reforço da resiliência dos processos eleitorais, em linha com as mais


recentes recomendações da UE na matéria, orientando-se em torno das
seguintes prioridades:

○ Eliminação de comportamentos manipuladores dos processos eleitorais


com recurso a dados ou materiais falsificados, adulterados ou fabricados
com recurso a sistemas de inteligência artificial ou com produção,
utilização ou divulgação de conteúdos enganosos ou de ódio;

○ Desenvolvimento e divulgação de boas práticas para identificar, atenuar e


gerir os riscos de manipulação da informação, ingerência e desinformação,
interna e externa, nos processos eleitorais.

○ Reforço da transparência da propaganda política produzida pelas forças


políticas para que possa ser claramente identificada como tal,
nomeadamente quando envolve material elaborado internamente para
divulgação através das redes sociais, bem como a identificação da alocação
de financiamento à presença nas redes sociais;

1.3. Legislar Melhor

A qualidade da legislação e a garantia do seu cumprimento são essenciais para a


melhoria do funcionamento das instituições democráticas e do seu relacionamento
com os cidadãos e demais destinatários das normas jurídicas produzidas As políticas
públicas lançadas e executadas pelo PS nesta área, no Governo e na Assembleia da
República, têm permitido melhorar os procedimentos legislativos, com o objetivo de
assegurar a produção de leis mais simples, atempadas, eficazes, participadas,
facilmente acessíveis e sem encargos excessivos.

Nesta senda, o PS irá:

166
O FUTURO É JÁ
● Prosseguir e aprofundar os programas e iniciativas dirigidos à melhoria da
qualidade da legislação, designadamente:

○ Continuar o esforço de simplificação da legislação, tornando-a mais clara e


compreensível para os cidadãos;

○ Consolidar o aumento da discussão e participação pública das iniciativas


legislativas, facilitando através de um Portal Legislativo comum o acesso
dos cidadãos aos canais do Governo e da Assembleia para
acompanhamento da atividade legislativa;

○ Estabelecer o registo da “pegada legislativa”, que identifica a proveniência


dos anteprojetos legislativos, bem como todas as interações entre o poder
legislativo e entidades terceiras;

○ Melhorar e densificar os mecanismos de avaliação de impacto legislativo


ponderando os impactos económicos, ambientais, climáticos e sociais (incluindo o
impacto no combate à pobreza), o impacto de género, o impacto intergeracional
e o impacto no combate à corrupção, assegurando a regulamentação devida dos
atos legislativos, o cumprimento do prazo de transposição de diretivas europeias e
a acessibilidade do direito a todos cidadãos.

● Promover o desenvolvimento de exercícios de codificação e consolidação legislativa,


a incluir nos planos de trabalho legislativo anuais, e desencadear-se-á o processo de
construção, através de acordo interinstitucional, de um código de legística comum a
todas as instituições com competências legislativas (Assembleia da República,
Governo e Assembleias Legislativas Regionais);

● Promover o acesso dos cidadãos ao conhecimento do Direito, através da


disponibilização no portal do Diário da República Eletrónico, de forma gratuita,
do acesso a um conjunto de recursos jurídicos, desde legislação consolidada e
anotada a jurisprudência.

1.4. Transparência

A transparência, o escrutínio das instituições democráticas e o combate à


corrupção são objetivos centrais na construção de uma Democracia sólida e com
capacidade crítica.

Nos últimos anos da governação do Partido Socialista, foram dados passos


especialmente relevantes para o aprofundamento da transparência do
funcionamento dos órgãos do Estado, para aumentar o escrutínio e a

167
PROGRAMA ELEITORAL 2025
responsabilização dos titulares de cargos políticos e altos cargos públicos e para a
introdução de mecanismos de defesa da integridade das instituições públicas.
Duas peças importantes do património de propostas do PS permanecem por
implementar devido às dissoluções da Assembleia da República: a regulamentação
da representação de interesses junto de entidades públicas e os mecanismos de
monitorização da pegada legislativa.

Consciente do efeito corrosivo que a corrupção provoca no Estado de Direito, capaz


de minar a confiança dos cidadãos nas suas instituições e alimentar populismos,
para o Partido Socialista é fundamental continuar a aprofundar os instrumentos de
prevenção e combate ao fenómeno, apostando não apenas na mobilização de
recursos e na promoção da eficácia, eficiência e celeridade da investigação criminal,
mas agindo também a montante, prevenindo os contextos geradores de
corrupção, capacitando o sistema para identificar e eliminar riscos e criando uma
partilha de boas práticas.

Nos últimos anos, para além de inúmeras alterações à legislação processual penal
e da organização judiciária visando assegurar celeridade, reforçar quadro de
magistrados, garantir proteção de denunciantes e testemunhas, revisão das
sanções penais e melhoria clarificadora de vários tipos penais, foi aprovada, após
discussão pública alargada e participada, a primeira Estratégia Nacional
Anticorrupção, para o período 2020-2024.

Infelizmente, ao invés de avaliar os respetivos resultados e construir o capítulo


seguinte das políticas públicas de combate à corrupção, o Governo da AD limitou-
se a anunciar um conjunto de medidas avulsas sob a capa de uma nova agenda,
sem estruturação sistemática, não concretizando medidas legislativas, propondo a
adoção de soluções de constitucionalidade duvidosa e lançando incerteza sobre o
quadro institucional futuro, num momento em que a prioridade deveria passar por
consolidar as novas entidades, os seus meios e as suas competências.

Ademais, no último ano a prática governativa em matéria de prevenção de conflitos


de interesses, prestação de contas e sujeição ao escrutínio público e parlamentar
próprios de uma democracia, conheceu um recuo de exigência, como provocou a
crise política que motivou o regresso do País às urnas. Importa pois, retomar o
caminho de transformação e aprofundamento desta agenda interrompido em
2024, com a adoção de medidas enquadradas numa estratégia coerente,
escrutinada e participada.

Assim, no que se refere ao regime de exercício de funções públicas, o PS propõe:

168
O FUTURO É JÁ
● Rever o Estatuto de Titulares de Cargos Políticos e altos cargos públicos,
atualizando a Lei n.º 52/2019, nos termos da avaliação dos seus anos iniciais de
vigência, no que respeita ao cumprimento das obrigações declarativas, ao
regime de incompatibilidade e impedimentos, à prevenção de conflitos de
interesses, ao regime de ofertas e hospitalidades e ao regime aplicável após
exercício de funções, garantindo, entre outras, a publicitação da invocação de
escusa por parte de qualquer decisor em procedimentos administrativos e
relatórios de avaliação externos da sua aplicação;

● Promover a revisão da primeira geração de códigos de conduta das instituições


públicas, tendo em conta as recomendações de entidades internacionais como
o GRECO ou a UE, assegurando a aprovação de um modelo de Código de
Conduta aplicável às entidades públicas que ainda não se tenham dotado de
instrumento similar, garantindo a ausência de situações de lacuna ou vazio e
criando mecanismos de monitorização e fiscalização regular da sua
implementação;

● Reforçar os meios ao dispor da Entidade para a Transparência para a


realização da verificação das declarações de património, rendimentos,
interesses, incompatibilidades e impedimentos dos titulares de cargos
políticos, assegurando condições para exercício de missões acrescidas,
designadamente:

○ Pedagogia e esclarecimento através da promoção de campanhas públicas


de sensibilização e de ações de formação dirigidas aos agentes públicos e
cidadãos;

○ Emissão de recomendações e promoção de melhores práticas às demais


instituições do Estado respeitantes a códigos de conduta, regras
deontológicas, incompatibilidades, gestão de conflito de interesses, portas
giratórias, âmbito de aplicação dos períodos de nojo;

○ Atribuição de competência para resposta prévia a pareceres solicitados por


instituições públicas e titulares de cargos, anterior à assunção de funções;

No que respeita aos eixos da transparência e combate à corrupção, o PS propõe:

● Avaliar a execução das medidas constantes da Estratégia Nacional


Anticorrupção 2020-2024, atendendo aos respetivos resultados e identificação
das principais áreas carecidas de correção e novos impulsos e preparar a
elaboração da Estratégia correspondente ao novo período temporal (2025-
2029);

169
PROGRAMA ELEITORAL 2025
● Regular as atividades de representação de interesses (lobbying) junto de
entidades públicas (envolvendo a criação de registo de transparência das
entidades que a realizam e das suas interações com decisores públicos),
disciplinando os termos em que quem se dedica profissionalmente à atividade
conduz a sua atividade e estabelece contactos com entidades públicas;

● Regular os mecanismos de monitorização da pegada legislativa que são


complementares à regulamentação do lobbying;

● Rever o enquadramento legislativo no domínio do acesso à informação e a


documentos da Administração Pública, em linha com a evolução internacional
e com as recomendações do Conselho da Europa e da UE:

○ Valorizando a transparência ativa da informação e o controlo do


cumprimento pelas entidades públicas das obrigações neste domínio;

○ Agilizando procedimentos e o funcionamento e meios da Comissão de


Acesso aos Documentos Administrativos e aumentando os deveres de
cooperação da Administração com os particulares;

○ Introduzindo isenção de custas judiciais para queixosos com pareceres


positivos da CADA;

○ Ratificando a Convenção do Conselho da Europa sobre acesso à informação


(Convenção de Tromso);

○ Regulando o tema de forma harmonizada com o regime de arquivos


públicos e de gestão de matérias classificadas e pelos regimes de proteção
de dados pessoais, assegurando um equilíbrio de todos os valores e
interesses em presença sem recuo na transparência;

● Continuar a desenvolver o portal Mais Transparência, como agregador digital


de prestação de contas, de escrutínio público e de informação aos cidadãos
quanto à alocação de recursos públicos, alargando a sua conexão com outras
plataformas de divulgação de informação;

● Reforçar o quadro jurídico do Mecanismo Nacional Anticorrupção, agência


independente dedicada à prevenção e combate à corrupção, dotando-o de
todos os recursos necessários para o efeito e assegurando o envolvimento de
todas as entidades públicas no apoio às suas funções de iniciativa, controlo e
sanção;

170
O FUTURO É JÁ
● Robustecer os meios humanos e financeiros ao dispor da Entidade das Contas
e Financiamentos Políticos, garantindo celeridade na avaliação e meios ágeis e
informatizados para acesso e prestação de contas;

● Rever a Lei dos Partidos Políticos, adotando medidas de prevenção e


vinculando-os aos mecanismos de transparência e à adoção de códigos de
conduta para dirigentes e eleitos em sua representação;

● Promover a adoção de pactos de integridade nos procedimentos de


contratação pública, com especial incidência nas situações que revelam maior
volume financeiro, maior complexidade e subjetividade temática e menor
concorrência e que são mais permeáveis ao risco de corrupção, desenvolvendo
uma cultura de integridade entre entidades públicas e concorrentes privados.

2. Uma comunicação social


capaz de resistir ao populismo

Uma comunicação social robusta e livre é essencial para a sobrevivência e qualidade das
democracias. O setor enfrenta hoje novos e complexos desafios, com a evolução
tecnológica e a digitalização a permitirem o surgimento de novos protagonistas e
modelos de negócio, pulverizando a oferta de conteúdos e criando novas formas de
acesso à informação e ao entretenimento, nomeadamente plataformas de partilha de
vídeo nas redes sociais, passando por motores de busca e lojas de aplicações, num
mercado global configurado e dominado por atores de grande dimensão.

Por outro lado, a circulação e rentabilização não convencionada de materiais


produzidos por órgãos de comunicação social e a progressiva transferência da
publicidade dos meios tradicionais para estas novas plataformas, dotadas de
ferramentas de recolha de dados e predição de comportamentos dos utilizadores,
estão a provocar, sem qualquer contrapartida, a drástica erosão dos modelos de
negócio dos media, comprometendo a sua sobrevivência.

A maioria dos novos protagonistas beneficia ainda de um princípio de não


responsabilização pelos conteúdos, cuja circulação viabilizam e, não raro, exploram
comercialmente, sem que sejam objeto de tratamento jornalístico ou verificação
editorial. Neste contexto, a desinformação e o incitamento ao ódio, sobretudo nas
redes sociais, potenciado pelo recurso a dispositivos de inteligência artificial,

171
PROGRAMA ELEITORAL 2025
representam uma séria ameaça à liberdade dos media, à sua independência, ao
pluralismo e à própria democracia.

Em relação aos órgãos de comunicação social tradicionais, e face aos riscos de


concentração e opacidade, fragilidade financeira das empresas e adaptação ao
digital, o Partido Socialista defende uma comunicação social livre e sustentável,
independente do poder político e económico.

Assim, um Governo do PS dará um novo impulso na ação governativa para a


comunicação social, orientada em função de quatro pilares estruturantes:

2.1. Sustentabilidade da comunicação social

É responsabilidade do Estado, de acordo com as tarefas constitucionais que lhe


estão adstritas, apoiar as empresas de comunicação social, sem interferir na sua
autonomia, estimulando a empregabilidade dos jornalistas e o acesso à
informação. Neste âmbito, o PS irá:

● Rever o sistema de incentivos do Estado à Comunicação Social, visando:

○ Garantir programas de apoio que assegurem os direitos laborais dos


jornalistas e apoiem a criação de um fundo de bolsas para jornalistas;

○ Avaliar a concessão de créditos fiscais a órgãos de comunicação social que


criem postos de trabalho estáveis para jornalistas;

○ Desenvolver um incentivo fiscal à assinatura de publicações periódicas de


âmbito nacional e regional.

● Apoiar de forma mais significativa a imprensa regional e local:

○ Reforçando a comparticipação dos custos de expedição de publicações


periódicas de informação geral de âmbito regional ou destinadas às
comunidades portuguesas no estrangeiro;

○ Incentivando a ligação dos conteúdos informativos e da programação das


rádios locais aos respetivos municípios;

○ Promovendo a disponibilização dos serviços da LUSA a órgãos de


comunicação social regionais e locais de forma tendencialmente gratuita,
assegurando a devida compensação financeira à agência.

● Criar um regime de mecenato informativo destinado a estimular o apoio das


empresas a órgãos de comunicação social de âmbito regional e local cuja

172
O FUTURO É JÁ
estrutura editorial e administrativa esteja sediada no território em que estão
registados;

● Consagrar obrigações de transparência e concessão de acesso a dados


relevantes por parte das plataformas digitais que veiculem conteúdos
informativos de órgãos de comunicação social nacionais, incluindo os dados de
audiência e as métricas de publicidade associadas;

● Avaliar a criação de uma taxa sobre as receitas publicitárias geradas em


território nacional por plataformas digitais, com vista à sua redistribuição pelos
órgãos de comunicação social jornalísticos que promovam informação de
interesse geral;

● Criar mecanismos legais de arbitragem obrigatória que possibilitem a devida e


justa remuneração, pelas plataformas digitais, do novo direito conexo dos
editores de imprensa;

● Proteger os direitos das empresas de comunicação social junto dos


distribuidores de conteúdos audiovisuais.

2.2. Acesso dos cidadãos

A proliferação de formas não mediadas de consumo de conteúdos de comunicação


torna ainda mais relevante o papel dos órgãos de comunicação social e, em
particular, a prestação de serviço público de Rádio e Televisão, na proteção dos
valores sociais e na prestação de informação rigorosa e adequada à formação de
uma opinião pública esclarecida. Importa por isso garantir, antes de mais, o acesso
dos cidadãos aos meios de comunicação eletrónica e a uma ampla oferta de
serviços de comunicação social. Neste âmbito, um Governo do PS irá:

● Alargar a oferta de assinaturas digitais de uma publicação periódica aos


estudantes de licenciatura;

● Promover, em articulação com o setor, a transição das emissões de rádio e


televisão para ambientes digitais, preparando o modelo de migração da
radiodifusão para o sistema DAB, reforçando a oferta de serviços
disponibilizados através da TDT e garantindo o acesso inclusivo da população a
serviços digitais de interesse geral;

● Rever a Lei do Modelo de Financiamento do Serviço Público de Radiodifusão e


Televisão, assegurando a sua suficiência e previsibilidade em função das
necessidades de investimento e de prestação do serviço público aos cidadãos;

173
PROGRAMA ELEITORAL 2025
● Proceder a uma profunda revisão do Contrato de Concessão do Serviço Público
de Rádio e de Televisão de 2015, na sua versão modificada em 2025,
assegurando a devida conformidade com a lei, revogando nomeadamente as
cláusulas que permitem a diluição de obrigações quantificadas de
programação pelo conjunto dos serviços de programas de rádio e de televisão
e a obrigação de emissão, horária e gratuita, de campanhas de publicidade do
Estado;

● Atualizar o modelo de governação da Lusa, revendo os seus estatutos, de forma


a garantir a sua independência;

● Promover a criação de um centro de competências e inovação no serviço


público de media.

2.3 Qualidade da informação

É cada vez mais importante proteger a qualidade da informação de usos ilegítimos


nas plataformas digitais, como sucede com a promoção de negócios assentes na
difusão de “notícias falsas” e de ideologias extremistas alimentadas pelos discursos
do ódio que atentam contra os Direitos Humanos. Neste contexto, o PS irá:

● Concretizar o Programa de Literacia Mediática, potenciando a integração eficaz


da literacia mediática nos currículos escolares em todos os níveis e ciclos de
ensino;

● Reforçar as responsabilidades do serviço público de rádio e televisão em


matéria de literacia para os media;

● Alargar o âmbito da regulação aos órgãos de comunicação social digitais,


equiparando os respetivos direitos e deveres aos dos media tradicionais;

● Promover medidas de cibersegurança nos órgãos de comunicação social,


tornando-os mais resilientes a ataques cibernéticos;

● Apoiar o funcionamento de verificadores de factos, assegurando a sua


independência económica e política;

● Criar instrumentos de financiamento público e avaliação independente


destinados a apoiar o jornalismo de investigação de forma continuada, visando
aprofundar temáticas relevantes para a sociedade democrática, através de
financiamento direto a jornalistas, integrados em redações ou que trabalhem
de forma independente;

174
O FUTURO É JÁ
● Assegurar um modelo de governação robusto e adequado a uma Agência Lusa
100% pública, seguindo os princípios de independência já testados no quadro
da atividade do serviço público de rádio e televisão, nomeadamente pela
constituição de um Conselho Geral Independente.

● Incluir o combate à desinformação e verificação de factos, com recurso a


critérios jornalísticos, nas obrigações de serviço público para o setor.

2.4 Quadro regulatório

O atual contexto tecnológico, social e económico obriga a um redobrado empenho


na atualização do quadro regulatório e legislativo da comunicação social vigente,
tendo em vista a promoção da qualidade da informação e dos conteúdos, num
alinhamento com os recentes normativos comunitários nesta área, entre os quais
o Regulamento Europeu relativo à Liberdade dos Meios de Comunicação Social.
Diploma que exige, por si só, uma ampla revisão legislativa no sentido de reforçar a
transparência da propriedade; a não concentração e independência dos órgãos de
comunicação social; a garantia de financiamento adequado e de independência do
serviço público de rádio e de televisão; as competências da Entidade Reguladora
para a Comunicação Social; a fidedignidade na medição das audiências e a
transparência e isenção da publicidade do Estado. Além da revisão destes aspetos,
o PS propõe-se:

● Rever o Estatuto do Jornalista e a Lei de Imprensa, de modo a integrar as


publicações digitais, promovendo a diferenciação entre publicações
jornalísticas e não jornalísticas, definindo um conjunto mínimo de regras
comuns e atualizando o respetivo regime de classificação, valorizando e
protegendo a profissão de jornalista;

● Rever a legislação sobre direito de antena eleitoral, alargando a sua emissão a


serviços de âmbito local com programação própria, produzida e emitida a partir
do município a que corresponde a licença;

● Proceder à revisão dos estatutos da ERC, com o objetivo de garantir a


independência do modelo de eleição do Conselho Regulador e reforçar as suas
atribuições e competências na cooperação com outras entidades reguladoras;

● Reformular o modelo de financiamento da ERC, assegurando suficiência e


pontualidade na entrega dos respetivos recursos, de modo a garantir maior
independência e eficácia na regulação;

175
PROGRAMA ELEITORAL 2025
● Revisitar a Lei da Transparência dos Media, nomeadamente ao nível da
identificação e verificação da idoneidade dos proprietários e das participações
qualificadas de toda a cadeia de detentores, a par do reforço do respetivo
regime sancionatório;

● Conferir mais meios ao organismo da Administração Pública responsável pelo


apoio à conceção, gestão e concretização das políticas públicas para a
comunicação social;

● Avaliar o atual modelo arquivístico audiovisual e a situação dos arquivos


públicos e privados de media, sonoros e digitais, garantindo condições para a
sua salvaguarda e acesso futuros, nomeadamente reavaliando o papel do ANIM
e criando as sinergias para a preservação dos arquivos dos diversos media e a
respetiva abertura ao acesso público.

3. Uma democracia em condições


de igualdade plena

Numa democracia constitucional de qualidade, todos têm direito a uma cidadania


plena, à promoção e proteção dos seus direitos fundamentais e à defesa da sua
dignidade, sem transigências. A concretização real, justa e intersecional da
igualdade e da não discriminação é um imperativo ético, jurídico e constitucional
e, por isso e antes disso, um imperativo político. O combate à discriminação é um
pilar basilar do Estado de direito democrático, numa exigência ditada pelo princípio
da dignidade da pessoa humana.

Através da lei e das políticas públicas, o Estado está incumbido na resposta à


discriminação múltipla, trabalhando com os parceiros sociais e institucionais o
quadro jurídico antidiscriminação em Portugal.

Aos serviços públicos cabe garantir a todos os meios necessários para o exercício
pleno dos seus direitos, em condições de igualdade, dado que os níveis de pobreza,
as dificuldades no acesso à habitação e a cuidados de saúde, física e mental, se
acentuam de modo particular nos grupos de maior vulnerabilidade, incluindo a
população sénior, famílias monoparentais e vítimas de violência doméstica. São
estas as desigualdades socioeconómicas crescentes que exigem uma intervenção
robusta, integrada e direcionada.

176
O FUTURO É JÁ
Uma democracia para todos pressupõe uma abordagem política que seja capaz de
contrariar as discriminações múltiplas dirigidas a mulheres, jovens, idosos,
imigrantes, cidadãos com deficiência ou em função da pertença étnico-racial,
eliminando a discriminação em razão da orientação sexual, da identidade e
expressão de género e das características sexuais.

Mais do que uma governação alheia a estas prioridades fundamentais para a saúde
democrática da República e para a vida das pessoas, a maioria da AD revelou-se,
em aspetos essenciais, motivada para o recuo das políticas públicas neste domínio:
desde a tibieza na construção de respostas à violência de género, ao ataque à
disciplina de Educação para a Cidadania, passando pela vontade de rever
conteúdos sobre direitos fundamentais em diferentes áreas curriculares, a par do
recuo nas questões da identidade de género, disseminando desinformação e medo
contra populações fragilizadas e minoritárias, são o triste legado de um ano em de
retrocesso

3.1. Igualdade de género e Direitos das Mulheres

O PS assume que a promoção da igualdade entre homens e mulheres constitui um


objetivo central das políticas públicas, sendo uma tarefa fundamental do Estado,
constitucionalmente consagrada.

A integração da perspetiva de género em todos os domínios da ação política é


essencial. Não obstante os assinaláveis progressos alcançados por Portugal nas
últimas décadas, há barreiras estruturais que persistem na igualdade substantiva
entre mulheres e homens e no combate à discriminação.

É por isso necessário aprofundar a articulação entre medidas específicas com políticas
setoriais transversais, no quadro de uma abordagem integrada que permita acelerar a
eliminação das desigualdades e fenómenos de discriminação em razão do sexo, bem
como proteger e promover os direitos das mulheres. Para tal, o Partido Socialista
compromete-se a:

● Remover os obstáculos à implementação efetiva da lei da Interrupção


Voluntária da Gravidez, através do alargamento do prazo para as 12 semanas, o
fim do período de reflexão e a regulamentação clara do direito à objeção de
consciência dos profissionais de saúde, reapresentando o projeto de lei
rejeitado pela AD e pelo Chega;

● Introduzir a paridade nos titulares de órgãos de soberania ou de outros órgãos


com assento constitucional onde ainda não tenha tradução;

177
PROGRAMA ELEITORAL 2025
● Implementar medidas de combate à segregação horizontal e vertical do
mercado de trabalho, de eliminação das dificuldades de acesso à tomada de
decisão pelas mulheres e consequente subaproveitamento das suas
qualificações;

● Prosseguir o combate efetivo às desigualdades salariais entre mulheres e homens,


determinando que entidades empregadoras que incorram na prática de diferenças
remuneratórias injustificadas podem ser impedidas de aceder à contratação
pública e a fundos nacionais e europeus;

● Desenvolver estratégias de fomento do envolvimento dos homens na esfera da


vida privada e familiar, com vista à partilha igualitária do trabalho doméstico
não remunerado, mas também na esfera do cuidado e da partilha na utilização
das licenças de assistência à família;

● Garantir o cumprimento da avaliação do impacto de género de todos os


projetos de atos normativos elaborados pela Administração Central, bem como
projetos e propostas de lei submetidos à Assembleia da República;

● Rever o regime de representação equilibrada entre homens e mulheres na


tomada de decisão económica, estabelecendo limiares de 40% nos lugares
executivos e 33% nos lugares não executivos nas empresas cotadas em Bolsa e no
setor empresarial do Estado, a par do reforço da obrigatoriedade de adoção de
Planos para a Igualdade pelas entidades do setor público empresarial, empresas
cotadas em bolsa e entidades empregadoras com 100 ou mais trabalhadores,
recomendando a adoção desses Planos a todos os empregadores com 50 ou mais
trabalhadores.

3.2. Violência de género

A violência contra as mulheres e a violência doméstica são atentados aos direitos


humanos e formas graves de discriminação com impactos profundos nas vítimas
e com custos socioeconómicos elevados para a nossa sociedade. A violência
doméstica é o crime que mais mata em Portugal, tendo um impacto incalculável
na vida das pessoas, que inúmeras vezes se veem obrigadas a abandonar a sua
habitação, o seu trabalho, ou mesmo romper os laços com a sua rede de apoio.

É imperioso apostar na prevenção e combate a todas as formas de violência


contra as mulheres, violência doméstica e de género. Foi por isso que, em
dezembro de 2024, o PS propôs um pacote de medidas legislativas no
parlamento, que fazem a diferença para as vítimas e na prevenção de
fenómenos de violência. Não tendo sido possível concluir a sua aprovação devido

178
O FUTURO É JÁ
à interrupção da legislatura, o PS dará prioridade à sua adoção pela Assembleia da
República, em torno dos seguintes eixos:

● Criar um rendimento de autonomia, até ao valor do IAS (€522), durante seis


meses, destinado às vítimas que sejam forçadas a abandonar as suas
residências;

● Assegurar o acesso a uma habitação segura, através do alargamento do


programa Porta 65+, garantindo um apoio financeiro ao pagamento da renda
e à caução, com avaliação prioritária das candidaturas;

● Alargar da licença de reestruturação familiar de 10 dias para 20 dias,


permitindo que as vítimas possam ausentar-se do trabalho sem perda de
salário;

● Assegurar o cesso prioritário a vagas em creches para os filhos das vítimas


e a equipamentos de apoio a idosos ou adultos dependentes que estejam ao
seu cuidado;

● Majorar em 25% o valor do abono de família para as crianças a cargo das


vítimas;

● Isentar de custas judiciais e nomeação imediata de um advogado, de


preferência com formação especializada na área, a par da introdução da
análise retrospetiva de eventuais falhas no acompanhamento das vítimas
em casos de homicídio, visando corrigir procedimentos e reforçar a confiança
no sistema de justiça e de segurança pública.

Adicionalmente, mantendo as suas propostas neste âmbito, o PS irá:

● Reforçar os recursos e medidas de prevenção e combate à violência contra as


mulheres, envolvendo o sistema educativo, o sistema de justiça penal e de
família, as forças policiais e os meios de comunicação social;

● Sujeitar imediatamente a pessoa agressora a um quadro coativo que ponha


termo ao risco de continuação da atividade criminosa;

● Adotar medidas robustas que assegurem a retirada do agressor da casa de


morada de família e o seu afastamento para, depois de devidamente avaliada
a situação de risco, evitar a dupla vitimização a que as vítimas deste crime
violento muitas vezes ficam sujeitas;

179
PROGRAMA ELEITORAL 2025
● Expandir da Rede Nacional de Apoio às Vítimas de Violência Doméstica, de
modo a garantir a cobertura integral do território nacional;

● Garantir assessoria especializada nos Gabinetes de Apoio e Atendimento a


Vítimas em todos os Departamentos de Investigação e Ação Penal, atribuindo
apoio judiciário automático às vítimas de violência doméstica;

● Criar um regime jurídico específico para crianças vítimas de violência


doméstica;

● Assegurar a aplicação efetiva de ordens de restrição e de proteção em relação


a todas as formas de violência contra mulheres, nomeadamente assédio,
casamento forçado e mutilação genital feminina;

● Criar um Fundo de Garantia para assegurar as necessidades e os direitos


básicos de segurança, apoio psicológico, abrigo, educação, com caráter
continuado, para todas as crianças órfãs de mãe devido ao assassinato
cometido por parceiro ou ex-parceiro até à sua maioridade;

● Adotar uma medida vinculativa que garanta a remoção imediata das


responsabilidades parentais de homicidas;

● Assegurar a efetiva cooperação entre os juízos de família e os juízos criminais,


de modo a assegurar a proteção das vítimas.

3.3. Direitos LGBTIQA+

A prevenção e combate à discriminação das Pessoas LGBTIQA+ exigem


mecanismos específicos de promoção das vias de diálogo e interação entre o
Estado e as pessoas em situação de vulnerabilidade, tantas vezes excluídas da
participação democrática. Portugal está hoje alinhado com as políticas europeias
de combate à discriminação por orientação sexual, identidade e expressão de
género e características sexuais, mas é preciso continuar a aprofundar essas
políticas.

A governação da AD, acompanhada sucessivamente pelos votos favoráveis do


Chega no parlamento, correspondeu em larga medida a um retrocesso das
políticas na área da igualdade, reduzindo o compromisso com estas medidas e
adotando uma linguagem que relativiza ou desvaloriza fenómenos
discriminatórios. O Partido Socialista considera especialmente preocupante o já
referido ataque à disciplina de Educação para a Cidadania, instrumento de primeira
linha contra o ódio e o preconceito, apontando para a remoção de recursos

180
O FUTURO É JÁ
educativos e pedagógicos que permitiam às escolas acompanhar e proteger as
crianças e adolescentes vítimas da discriminação.

Neste quadro, ainda mais exigente que em 2024, face aos recuos registados, o
Partido Socialista propõe-se:

● Promover a visibilidade e a eliminação de estereótipos face às pessoas


LGBTIQA+, valorizando a diversidade e a dignidade de todas as pessoas;

● Atender à situação particular das crianças e jovens LGBTIQA+ que vivem em


instituições, sobretudo nos casos em que estas se encontram divididas por
sexo, adotando mecanismos específicos de combate ao bullying e de acesso a
apoio psicológico e de transição, entre outros;

● Dotar as autoridades policiais de formação específica para reconhecer os


crimes de ódio como um fenómeno complexo a nível conceptual, de
investigação e de prova;

● Garantir a sistematização de dados estatísticos sobre discriminação nas suas


diferentes formas e promover a criação de códigos de boas práticas;

● Assegurar a obrigatoriedade da disciplina da Educação para a Cidadania,


deixando claro que esta dimensão não é opcional, ao representar uma trave-
mestra do sistema educativo no combate às discriminações;

● Reforçar a literacia e a sensibilização sobre a comunidade LGBTIQA+ em


contexto escolar, garantindo que as comunidades educativas, incluindo
docentes, não docentes e discentes, são seguras e promotoras da igualdade,
diversidade e inclusão;

● Promover uma rede de cuidados especializada e multidisciplinar, que atenda


às especificidades das pessoas em razão da orientação sexual e identidade de
género;

● Fomentar a partilha de boas práticas entre organismos públicos, empresas,


sociedade civil e organizações do Terceiro Setor, no âmbito das agendas
promotoras da diversidade e da igualdade e não-discriminação, incluindo
programas de tutorias comunitárias e de formação adequadas à deteção e
prevenção de violência LGBTIQA+;

● Assegurar a implementação da Diretiva Igualdade no Emprego, que


estipula o direito a não ser discriminado nem sujeito a assédio em contextos
laborais com base na orientação sexual.

181
PROGRAMA ELEITORAL 2025
3.4. Combate ao racismo e xenofobia

As alterações a que se assiste no panorama político europeu, com a ascensão de


movimentos extremistas, xenófobos e racistas, tornam mais urgentes as políticas
de combate ao racismo e à discriminação étnico-racial e religiosa, a par do apoio a
imigrantes e refugiados, num apelo à defesa intransigente dos direitos humanos e
do Estado de Direito.

É fundamental, para o PS, prosseguir a diferenciação e autonomização institucional


entre o combate à discriminação racial e o universo das questões migratórias, dado
que o combate ao racismo deve abranger os direitos de todos os residentes em
Portugal, nacionais ou estrangeiros. Assim, quanto ao racismo e discriminação
étnico-racial ou de base religiosa, o PS irá:

● Assegurar os meios financeiros e humanos para o efetivo funcionamento da


Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial;

● Adotar mecanismos que garantam o princípio de não-referência à origem


racial e étnica, cor, nacionalidade, ascendência, território de origem e situação
documental em todas as comunicações oficiais de entidades públicas, com
particular premência para os autos de notícia, a par da monitorização do seu
cumprimento;

● Adotar uma abordagem de base territorial, interinstitucional e multidisciplinar no


âmbito da integração das pessoas ciganas, estruturada com a sua participação e
das suas associações;

● Assegurar a prossecução da implementação do Plano Nacional de Combate ao


Racismo e à Discriminação, monitorizando a sua execução e dotando-o dos
recursos necessários à implementação de todas as suas medidas, no quadro da
sua autonomia institucional;

● Promover a adoção da nova Estratégia Nacional para a Integração das Comunidades


Ciganas e garantir a autonomização institucional, em organismo próprio, das políticas
públicas direcionadas às comunidades ciganas;

● Promover a formação e sensibilização, no setor público e privado, em matérias


relacionadas com a desigualdade interseccional, promovendo iniciativas que
fomentem a igualdade e combatam a discriminação;

182
O FUTURO É JÁ
● Promover a produção de informação e estudos científicos que permitam
aprofundar o conhecimento sobre processos de integração sensíveis ao género
e às desigualdades interseccionais;

● Reforçar o combate a fenómenos de discriminação religiosa assentes na


disseminação de desinformação e fomento de ódio, especialmente aqueles
dirigidos recentemente às comunidades islâmicas e sikh;

● Assegurar a elaboração e execução de uma estratégia nacional contra o


antissemitismo, dando seguimento à recomendação do PS aprovada em
março de 2025.

3.5. Migrações

Importa aprofundar uma política migratória segura e humana, que responda aos
desafios demográficos e do mercado de trabalho, mas que assegure igualmente
uma integração efetiva, que valorize o contributo dos imigrantes para a nossa
sociedade. O rejuvenescimento da população e do mercado de trabalho é um dos
nossos maiores desafios. Ao arrepio das mensagens que os discursos populistas e
xenófobos tentam difundir, os números são claros: só em 2024, os imigrantes
contribuíram com 3.645 milhões € para o sistema de segurança social, valor muito
superior ao dos benefícios recebidos.

Para o Partido Socialista, as políticas dirigidas às pessoas migrantes devem visar a


integração plena na sociedade de acolhimento e a construção progressiva de um
vínculo com a comunidade. Nesta matéria, importa não ceder a discursos que
tentam responsabilizar os migrantes por problemas sociais e dificuldades no
funcionamento dos serviços públicos, investindo sim na garantia de condições de
acolhimento e integração, promovendo as vias seguras e legais para entrada e
permanência no território nacional.

Tendo em conta a atualidade internacional, a imprevisibilidade dos fluxos


migratórios, essencialmente gerados por conflitos armados e pelas alterações
climáticas, e o aumento da população estrangeira residente, o PS propõe:

3.5.1 Garantir a qualidade das respostas da administração pública

A documentação dos cidadãos estrangeiros é o primeiro passo do processo de integração


dos migrantes, sendo indispensável à promoção de migrações regulares, seguras e
ordenadas. Neste quadro, promover a imigração regular desde a origem deve ser
prioritário, o que exige uma cobertura consular eficaz e reforçada.

183
PROGRAMA ELEITORAL 2025
Em janeiro de 2025, o PS apresentou propostas para reforçar as vias legais de
migração e colmatar o vazio deixado pela revogação, sem mais, da manifestação
de interesses, que só graças à intervenção parlamentar foi sendo possível minorar.
Um Governo do PS irá retomar estas propostas:

● Permitir que as empresas que pretendam contratar trabalhadores


estrangeiros organizem o processo junto da AIMA, ficando esta responsável
pelo seu envio para os postos consulares de modo a que entrada em Portugal
ocorra já com a sua situação regularizada;

● Assegurar o atendimento no IEFP de imigrantes com vistos de procura de


trabalho 30 dias após entrada em território nacional, passando os vistos a
incluir data de atendimento junto do IEFP;

● Garantir um tratamento mais célere dos processos de empresas que se


comprometam a dar condições de habitação, formação profissional e
ensino do português aos trabalhadores que pretendem contratar, reduzindo
para metade os prazos para vistos e autorização de residência;

● Criando um canal adicional para integração no mercado de trabalho de


trabalhadores estrangeiros que já se encontram em território nacional em
situação regular, concedendo para o efeito uma nova autorização de
residência a titulares de algumas categorias de vistos de curta duração, quando
estes terminarem, estando a exercer uma nova atividade;

● Reduzindo os prazos de resposta a pedidos de reagrupamento familiar,


podendo estes ser feitos a qualquer momento e não apenas nos períodos
definidos pela AIMA;

● Agilizando os processos de legalização, das autorizações de residência e de


reagrupamento familiar de imigrantes e refugiados, no que constitui, também,
uma forma de combate às redes de imigração ilegal;

● Adicionalmente, são necessárias medidas na estrutura de respostas dos


serviços:

○ Promovendo a transformação digital da área documental, de modo a


garantir a disponibilização online de todos os serviços da AIMA e o reforço
dos sistemas de tramitação processual;

○ Reforçando os recursos humanos da área das migrações;

184
O FUTURO É JÁ
○ Alargando a rede de atendimento presencial da AIMA, através do
estabelecimento de parcerias com municípios e a sociedade civil;

○ Implementando um sistema de gestão centralizado dos serviços prestados


pela AIMA assente em ferramentas digitais de recolha, tratamento e análise
de dados.

3.5.2. Promover a aprendizagem da língua portuguesa

Considerando que a língua é o primeiro fator para uma integração plena, importa
criar condições para a dinamização da sua aprendizagem enquanto fator promotor
da integração social, profissional e cívica. Nesta medida, o PS pretende:

● Disponibilizar o acesso gratuito à certificação do nível de proficiência linguística


para certas categorias de migrantes, designadamente os que residem há mais
anos em Portugal;

● Assegurar ferramentas digitais, melhorando e divulgando as já existentes,


tendo em vista promover, de forma mais eficiente, o autodiagnóstico, o ensino
da língua portuguesa e a avaliação de conhecimentos;

● Promover e simplificar o acesso à oferta formativa, especialmente no caso


dos cursos de Português Língua de Acolhimento e ensino da língua
portuguesa em contexto laboral;

● Lançar também um programa específico de formação em português nas


escolas, antes do início dos anos letivos em formato intensivo e ao longo do ano
em horários pós-laborais, para melhor preparação dos alunos para a integração
e aprendizagem escolar e para os seus pais e outros adultos, de modo a permitir
melhor e mais rápida integração e melhores condições de aprendizagem, em
cooperação com associações e comunidades migrantes e com recurso, quando
necessário, a mediação para facilitar a comunicação e aprendizagem para
falantes de línguas muito distantes do português;

● Desenvolver um programa de acesso a cursos intensivos de português, para


cidadãos estrangeiros que pretendam vir trabalhar para Portugal, a promover
pelo Camões - Instituto de Cooperação e da Língua.

3.5.3. Promover o emprego digno

Embora o acesso célere à documentação e o domínio da língua portuguesa sejam


dois fatores essenciais para que os migrantes possam aceder ao mercado de
trabalho em condições de menor desigualdade, outras dificuldades impedem

185
PROGRAMA ELEITORAL 2025
estes cidadãos de se integrarem e poderem dar o seu máximo contributo para a
nossa sociedade. Neste âmbito, o PS propõe:

● Promover a simplificação e agilização dos processos de reconhecimento de


qualificações e de competências, em coordenação com as instituições de ensino
e as associações públicas profissionais;

● Adotar medidas de incentivo à redução da precariedade, promovendo a


estabilidade profissional dos cidadãos migrantes, desincentivando os
contratos temporário e a elevada rotação destes trabalhadores;

● Implementar medidas de mitigação dos riscos decorrentes da sazonalidade do


mercado de trabalho;

● Estimular a colaboração com o setor empresarial, tendo em vista a garantia dos


direitos dos cidadãos estrangeiros e incentivando a adoção de medidas de
promoção da integração em contexto laboral.

3.5.4. Promover a habitação digna

Num contexto geral de dificuldade no acesso à habitação, os cidadãos estrangeiros,


muitas vezes sem o domínio da língua, estão expostos a situações de maior
vulnerabilidade. Neste âmbito, o PS pretende:

● Reforçar a fiscalização e a regulação de condições mínimas de


habitabilidade, sobretudo no caso de imóveis arrendados nos principais
centros urbanos;

● Dinamizar uma rede nacional de centros de inserção profissional, em parceria


com autarquias, associações empresariais, a academia e entidades do setor
social, preferencialmente localizados em zonas de baixa densidade
populacional e elevada carência de mão-de-obra.

3.5.5. Melhorar o sistema de acolhimento e integração de requerentes de


proteção internacional e de refugiados

A mobilidade forçada é sempre um processo traumático e que, não raras vezes,


vem acompanhada da prática de crimes contra os deslocados. Consciente desta
realidade, o PS pretende:

● Agilizar o regime jurídico e os procedimentos da concessão de proteção


internacional, nomeadamente de asilo, com o objetivo de acelerar a tramitação
da verificação dos requisitos da concessão destes estatutos;

186
O FUTURO É JÁ
● Conceder proteção subsidiária a migrantes que tenham sido obrigados a
deslocar-se devido a eventos climáticos extremos;

● Aumentar a capacidade dos recursos humanos disponíveis na AIMA;

● Reforçar o apoio jurídico aos requerentes de proteção internacional, sobretudo


mediante parcerias com as associações públicas profissionais de juristas;

● Desenvolver parcerias estratégicas com as autarquias e entidades da sociedade


civil para o desenvolvimento de iniciativas que promovam a integração de
pessoas acolhidas no âmbito da proteção internacional.

3.5.6. Combater a exploração e o tráfico de seres humanos

É essencial dar continuidade ao Plano de Ação para a Prevenção e Combate ao


Tráfico de Seres Humanos, promovendo a formação e a definição de
procedimentos adequados à identificação, sinalização e acompanhamento das
vítimas de tráfico de seres humanos, desenvolvendo e implementando ações de
fiscalização concertadas entre várias entidades.

Neste domínio, a cooperação internacional é determinante para respostas


estruturadas. Portugal deve manter os compromissos assumidos no seio da UE e
da ONU, para a promoção de fluxos migratórios seguros, ordenados e regulares,
com base na cooperação entre países de origem e destino e garantindo a proteção
dos direitos dos migrantes. Destaca-se, neste âmbito, a participação no Pacto em
matéria de Migração e Asilo da União Europeia.

Na área da cooperação internacional, o PS pretende:

● Promover a cooperação nacional entre as diversas forças de segurança, a AIMA


e demais entidades públicas, no combate ao tráfico de migrantes;

● Intensificar as parcerias com países parceiros, com agências europeias e


organizações internacionais;

● Desenvolver mecanismos nacionais que permitam detetar e interromper os


fluxos de fundos associados a redes criminosas;

● Promover o combate às ameaças híbridas e ao crime organizado ligado à


imigração.

187
PROGRAMA ELEITORAL 2025

4. Autonomias regionais
mais fortes e mais coesas

Uma das maiores conquistas do processo democrático que o 25 de Abril nos trouxe
foi a inclusão, na Constituição da República, de um modelo inovador de
organização política e administrativa, garantindo a Autonomia política e legislativa
dos Açores e da Madeira. Este modelo reconhece a especificidade e a localização
ultraperiférica destas regiões, respondendo às aspirações das suas populações no
dispor de órgãos de Governo próprios.

Ao longo dos últimos 50 anos, o Partido Socialista tem assumido como parte essencial
da sua identidade política e do seu legado o fortalecimento das autonomias regionais,
tanto na Assembleia da República como no Governo e, claro, nas próprias regiões. Para
isso, tem trabalhado no aperfeiçoamento do quadro institucional definido na
Constituição e nos Estatutos Político-Administrativos, reforçando os poderes e
competências das Regiões e promovendo um relacionamento mais eficaz entre estas
e o Estado. Sem o PS não foram nem são possíveis as maiorias parlamentares que
promoveram os avanços que devem agora ser aperfeiçoados.

O Partido Socialista reafirma assim o seu compromisso com a valorização das autonomias
e com a descentralização político-administrativa, assegurando o cumprimento do princípio
constitucional da subsidiariedade e dotando os territórios dos Açores e da Madeira dos
meios necessários a uma governação eficaz.

As autonomias representam a melhor expressão de Portugal no Atlântico e a


melhor forma das suas populações gerirem os seus destinos e participarem nos
desígnios nacionais, reconhecendo-se, todavia, as características distintas dos
Açores e da Madeira.Tendo Portugal como um todo coeso e inclusivo, é essencial
promover uma estratégia concertada que fortaleça a unidade e a coesão
económica e social nacionais.

Nesse sentido, o PS compromete-se a promover um processo de revisão


constitucional centrado na reforma e no aprofundamento das autonomias
insulares, respondendo às suas aspirações e incorporando as reflexões
desenvolvidas nos últimos anos. Este processo deverá incidir, em particular:

● Sobre a questão da extinção da figura do Representante da República;

188
O FUTURO É JÁ
● O reforço da qualidade da democracia regional, através da participação das
entidades das regiões autónomas na gestão dos seus espaços territoriais,
aéreos e marítimos;

● A melhoria das respostas que o Estado, nas suas diversas vertentes, assegura
aos cidadãos, através das políticas e serviços públicos;

● Na abertura da possibilidade de autorizações legislativas em certas matérias


hoje vedadas (por exemplo, a possibilidade de legislar no domínio dos direitos,
liberdades e garantias), ligadas às atividades económicas para as quais a Região
já tem competência legislativa;

Paralelamente, importa:

● Rever a Lei das Finanças Regionais, adaptando-a às necessidades da realidade


específica de cada uma das Regiões Autónomas, ponderando introduzir, por
exemplo, questões como a do financiamento de Obrigações de Serviço Público
de Transporte Aéreo;

● Rever o quadro de competências partilhadas ou de exercício conjunto com a


República, prevendo instrumentos transversais de codecisão que acautelem o
interesse regional e o interesse nacional.

● Concretizar uma maior intervenção das Regiões Autónomas, através de uma


participação qualificada, em sede de gestão e exploração dos espaços
marítimos respetivos, com efeitos na revisão da Lei de Bases da Política de
Ordenamento e Gestão do Espaço Marítimo Nacional, assegurando o equilíbrio
dos interesses em presença e a valorização do princípio da subsidiariedade;

● Clarificar e adequar a repartição de competências entre o Estado e as Regiões


Autónomas quanto ao domínio público, como o espacial;

● Assegurar a atuação do Estado na prestação dos serviços que desempenham as


suas funções nas Regiões Autónomas, bem como garantir, nesses territórios, a
concretização dos objetivos estatais;

● Reforçar o investimento na qualificação e na investigação científica,


assegurando que o financiamento das instituições de ensino superior público
nas Regiões Autónomas tem em conta os custos adicionais decorrentes da
insularidade e da sua localização ultraperiférica;

● Incentivar a celebração de acordos, a criação de parcerias e a cooperação


estreita que permita uma participação mais direta e próxima das entidades

189
PROGRAMA ELEITORAL 2025
regionais em questões fundamentais para o funcionamento dos serviços do
Estado nas Regiões Autónomas e para a implementação de políticas públicas
de interesse comum, com destaque particular à mobilidade aérea e marítima,
às telecomunicações (no âmbito do investimento em cabos submarinos que
ligam as Regiões Autónomas ao Continente e interligam as ilhas), e à
investigação científica, explorando o potencial insular nas áreas marítima e
aeroespacial;

● Regular os termos e condições em que grupos de cidadãos eleitores exercem


o direito de iniciativa legislativa junto das Assembleias Legislativas das Regiões
Autónomas;

● Executar um quadro de investimentos programados para estas regiões, no


âmbito de Projetos de Interesse Comum e em áreas de responsabilidade direta
do Estado, como os investimentos em infraestruturas dos sistemas de Justiça
e Forças de Segurança;

● Rever o modelo de Subsídio Social de Mobilidade para os transportes aéreos,


bem como estudar a viabilidade de uma nova abordagem para as obrigações
de serviço público marítimo de carga e mercadorias nas ligações entre o
continente português e as Regiões Autónomas e avaliação do transporte
marítimo de passageiros;

● Garantir todas as condições para os serviços aéreos regulares na rota Porto


Santo/Madeira/Porto Santo sejam prestados, com respetiva regularidade, com
a salvaguarda de tarifas competitivas para residentes e não residentes, bem
como horários e frequências compatíveis com voos de ligação no Aeroporto da
Madeira;

● Desenvolver, através de um Projeto de Interesse Comum, uma parceria


estratégica entre a Região Autónoma dos Açores e o Governo da República,
tendo em vista implementar iniciativas que promovam a qualificação e
melhorem os índices de qualificação dos Açorianos;

● Realizar um estudo detalhado sobre a evolução das dependências nas Regiões


Autónomas, tendo em conta novos comportamentos aditivos, estabelecendo
um diálogo com as autoridades regionais para alinhar medidas relativas à
prevenção, tratamento, dissuasão, redução de riscos, minimização de danos e
reinserção social.

190
O FUTURO É JÁ

5. Um poder local mais próximo

O Partido Socialista tem hoje a maior representatividade de eleitos nas autarquias


locais, assumindo a responsabilidade de gerir o maior número de Câmaras
Municipais, Assembleias Municipais e Juntas de Freguesia, mobilizando milhares
de eleitos locais para a concretização das suas propostas de políticas públicas ao
serviço das populações.

O Partido Socialista confia no poder local e nos seus autarcas. O PS foi sempre o
maior dinamizador da democracia local, qualificando os instrumentos ao seu
dispor, confiando na capacidade decisória dos titulares dos órgãos autárquicos e
acolhendo sempre como parte da sua identidade uma visão das autarquias locais
como a forma mais eficaz de levar o Estado até aos cidadãos.

Nos anos em que fomos Governo, aprofundámos sempre este compromisso com
as autarquias locais. Executámos um ambicioso e necessário processo de
descentralização, chegando a acordos históricos com os Municípios para transferir
o exercício de competências em áreas tão diversas como a saúde ou a educação,
garantindo assim uma gestão de proximidade que garanta melhores serviços
públicos em todo o território.

Consideramos mesmo as autarquias locais como determinantes para a


concretização e robustez da nossa democracia: são o patamar de governação que
assegura um contacto mais direto e próximo aos cidadãos, que permite responder
a muitas preocupações mais imediatas e que pode funcionar como laboratório de
reforço e revitalização de práticas democráticas e de participação política.

No entanto, para que o possam fazer com sucesso, é importante que as autarquias
locais e aqueles que nelas assumem responsabilidades sejam dotadas de meios e
ferramentas de gestão atualizadas e adequadas a essa missão de aproximação às
comunidades. Neste processo de cinco décadas, nada teria sido possível sem o
empenho das várias equipas de eleitos locais que dedicaram o seu tempo e energia ao
serviço das populações. Assim, o PS vai:

● Rever e simplificar a lei das finanças locais, de forma a afetar ao poder local uma maior
participação nas receitas do Estado, nomeadamente no que concerne à distribuição
de receitas fiscais, ao aumento da autonomia do poder local na gestão de taxas e

191
PROGRAMA ELEITORAL 2025
benefícios fiscais relativos a impostos locais e que possibilite igualmente um reforço em
termos de financiamento do Fundo de Financiamento das freguesias;

● Rever o Estatuto dos Eleitos Locais de acordo com o nível de exigência


superior dos nossos tempos no desempenho dos cargos, que traduza o
reconhecimento do trabalho de serviço público dos autarcas e esteja à
altura das suas responsabilidades, direitos e deveres;

● Reforçar as Assembleias Municipais em termos de meios e com a possibilidade


de um quadro técnico de apoio permanente para o desempenho das suas
competências, sem prejuízo do debate sobre o modelo de Governo das
autarquias locais,

● Dotar de maior autonomia os órgãos de decisão executiva na criação dos


gabinetes de apoio, possibilitando igualmente a criação de gabinetes para
estudo e desenho de políticas públicas autárquicas.

● Rever o Estatuto do Direito de Oposição e adequá-lo a outros instrumentos


jurídicos nacionais e europeus relativos ao acesso à informação, à transparência
e à prestação de contas;

● Apoiar o desenvolvimento estruturas de apoio técnico e formativo partilhadas,


a nível intermunicipal, para apoio ao exercício das suas competências pelos
municípios e freguesias;

● Promover, no quadro da autonomia do poder local, a transmissão online das


reuniões públicas dos órgãos das autarquias locais, das comunidades
intermunicipais e das áreas metropolitanas, de modo a incentivar o
conhecimento das decisões municipais e intermunicipais;

● Proceder a uma avaliação permanente da adequação dos recursos financeiros


transferidos para as autarquias locais ao exercício das competências
descentralizadas, aferindo da eficácia e eficiência na gestão descentralizada
desses recursos e trabalhar com a Associação Nacional de Municípios
Portugueses (ANMP) e com a Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE)
com vista a encontrar um novo quadro de competências a descentralizar,
acompanhadas com os respetivos meios para a sua boa concretização ao nível
do poder local.

● Promover o desenvolvimento de ferramentas jurídicas que facilitem a


interação com os cidadãos e com associações de base local e a sua participação

192
O FUTURO É JÁ
na vida das comunidades e partilhar boas práticas para realização de consultas
públicas;

● Promover a dinamização do recenseamento eleitoral dos cidadãos estrangeiros


que podem beneficiar de regime de reciprocidade de direitos políticos no plano
local, no quadro do reforço da participação eleitoral e da legitimidade democrática
dos órgãos das autarquias locais, bem como da construção de laços de
participação com comunidades migrantes.

● Promover a dinamização do recenseamento eleitoral dos cidadãos estrangeiros


que podem beneficiar do regime de reciprocidade de direitos políticos no plano
local, no quadro do reforço da participação eleitoral e da legitimidade democrática
dos órgãos das autarquias locais, bem como da construção de laços de
participação com comunidades migrantes;

● Rever e alargar o regime jurídico dos Conselhos Municipais de Juventude à


dimensão de freguesia e da comunidade intermunicipal, adaptando as suas
regras de funcionamento às realidades diversas do associativismo jovem;

● Assegurar às autarquias locais um quadro legislativo mais compreensível,


consolidando a legislação autárquica num verdadeiro código administrativo
autárquico, dotado de racionalidade e que sirva de instrumento simplificador
do trabalho do poder local;

● Criar um mecanismo de harmonização das interpretações da legislação


autárquica produzidas pela atividade das CCDRs, Direção-Geral das Autarquias
Locais e da Direção-Geral da Administração e Emprego Público, garantindo
parâmetros uniformes para a atuação das autarquias.

6. Uma Justiça mais eficiente,


mais transparente e mais acessível

A confiança nas instituições da Justiça é uma condição essencial para o sucesso de uma
Democracia moderna e de qualidade. A separação de poderes, a independência da
magistratura judicial, a autonomia do Ministério Público são pilares do Estado de Direito
democrático. O respeito por estes princípios não dispensa – antes pelo contrário, impõe
- ao poder legislativo e ao poder executivo o cumprimento da sua função constitucional
de desenvolver políticas públicas que garantam um serviço público de Justiça mais

193
PROGRAMA ELEITORAL 2025
eficiente, mais acessível e mais transparente, bem como a efetivação da
responsabilidade de todos os atores do sistema. Aliás, a Constituição assegura a todos o
direito à tutela judicial efetiva, o que inclui o acesso ao Direito e aos tribunais, ao segredo
de justiça, a obter uma decisão em prazo razoável e mediante um processo equitativo.

A crítica generalizada à lentidão da Justiça, mesmo que muitas vezes focada nos grandes
processos-crime mediáticos e na jurisdição administrativa, impede as pessoas de ver
assegurados os seus direitos e afasta o investimento privado. É por isso necessário adotar
medidas que reforcem a eficiência e celeridade da Justiça, tornando-a mais transparente e
acessível aos cidadãos e às empresas. Além disso, a ninguém podem ser negados os
direitos fundamentais ao apoio jurídico e ao acesso aos tribunais por falta de recursos
financeiros, nem as garantias de uma investigação e julgamento em processo-crime em
conformidade com a Constituição

Para alcançar estes objetivos é preciso desenvolver políticas públicas em quatro


eixos: uso de ferramentas digitais e introdução de alterações ao nível processual;
publicitação de dados estatísticos e de decisões; garantia de acesso
independentemente de meios financeiros ou outros; formação de magistrados e
valorização de carreiras. A estas dimensões deve acrescer uma predisposição
adicional para a construção de consensos políticos no setor.

6.1. Eficiência e celeridade

No que se refere à promoção da eficiência e celeridade, o PS irá:

● Simplificar processos e trâmites processuais, sobretudo os que resultem de


práticas e praxes processuais, eliminando formalidades inúteis, bem como
automatizando ações sempre que possível;

● Equacionar, em articulação com os Conselhos Superiores, a criação de novas


ferramentas de trabalho, que permitam rentabilizar a tecnologia existente, no
plano da gestão processual;

● Garantir a interoperabilidade entre sistemas informáticos dos tribunais, da


Administração Pública, incluindo entidades reguladoras e entidades
estrangeiras e internacionais, com vista ao acesso automático a documentos e
informações relevantes;

● Utilizar mecanismos de automatização de tarefas e de IA para apoio à


submissão de documentos, pesquisa avançada, propostas de sumários,
jurisprudência, gestão inteligente de atividades, sugestão de documentação a
consultar e outras funcionalidades;

194
O FUTURO É JÁ
● Introduzir mecanismos de maior automatização de comunicações, incluindo
ferramentas para acompanhamento da gestão da ação dos agentes de
execução e maior transparência e rastreabilidade nos mecanismos à disposição
destes profissionais, de forma a aumentar a eficácia da capacidade de resposta,
prevenir a fraude e reduzir a duração média da ação executiva;

● Disponibilizar mais indicadores de gestão a todos os intervenientes, com


utilização de IA e que permitam antecipar necessidades de alocação de
recursos e melhorar a gestão;

● Reforçar os poderes do administrador judicial permitindo que este pratique


certos atos de gestão processual e garantindo que os mesmos podem ser
recrutados de forma externa, mediante concurso;

● Organizar as secretarias judiciais de modo mais flexível, permitindo a


instituição de secções de processos de apoio transversal especializado a
diversas unidades orgânicas, a gestão por agregação das tarefas, a
possibilidade de modificação estrutural e a inclusão de sistemas de avaliação e
recompensas assentes nos objetivos alcançados;

● Criar regimes processuais simplificados para causas de baixo valor ou


complexidade, reduzindo o número de interações processuais e limitações à
dimensão das peças processuais;

● Prever a definição da competência dos tribunais e da distribuição de processos


com base em critérios transparentes relativos à carga processual, sem prejuízo
do cumprimento do princípio do juiz natural;

● Proceder à revisão transversal dos prazos judiciais, adaptando-os de acordo


com a complexidade dos processos e promovendo a sua efetiva aplicação;

● Repensar a necessidade de vários atos processuais em todas as fases,


eliminando os que tenham natureza meramente dilatória;

● Assegurar a transposição relativa à proteção das pessoas envolvidas na


participação pública contra pedidos manifestamente infundados ou processos
judiciais abusivos (a denominada Diretiva Anti-SLAPP).

● No plano da Justiça Penal o caminho passa por:

○ Dotar o Ministério Público e os órgãos de polícia criminal dos meios,


incluindo tecnológicos, para investigar novas formas de criminalidade, bem

195
PROGRAMA ELEITORAL 2025
como para constituir equipas interdisciplinares de magistrados de
investigação criminal;

○ Clarificar as formas de coordenação e os poderes hierárquicos da Procuradoria-


Geral da República no âmbito dos inquéritos, garantindo uma maior
uniformização de procedimentos, celeridade na investigação criminal, satisfação
dos direitos fundamentais constitucionalmente previstos e o efetivo exercício dos
poderes hierárquicos quando necessário, sem prejuízo da responsabilidade
individual de cada magistrado;

○ Permitir a suspensão provisória do processo para um número mais


alargado de crimes, desde que todos os sujeitos processuais estejam de
acordo;

○ Rever as regras sobre conexão de processos, de modo a evitar os


“megaprocessos”, relativamente aos quais a morosidade se coloca de
forma particularmente grave;

○ Avaliar formas de assegurar a função própria de cada fase processual,


não desvirtuando a sua função nem prolongando a sua duração de
forma ineficiente, em particular no que respeita à fase de instrução;

○ Reavaliar os recursos que devem manter efeitos suspensivos e os que


devem ser reconduzidos para um caráter meramente devolutivo, de
forma a assegurar a tramitação célere, sem prejuízo da avaliação do
respeito por todas as garantias processuais que devem poder ser
sindicadas em momento adequado do processo;

○ Assegurar meios para o cumprimento dos prazos processuais de duração


do inquérito, de forma a acautelar os direitos e garantias dos sujeitos
processuais, sem sacrifício das diligências indispensáveis em processos de
elevada complexidade ou que careçam de diligências probatórias com
recurso a cooperação judiciária;

○ Introdução de um mecanismo institucional tripartido, com membros


indicados pelos Conselhos Superiores da Magistratura e do Ministério
Público e pela Ordem dos Advogados, para assegurar a avaliação
retrospetiva, quantitativa e qualitativa, e a monitorização da realização e
conservação, e eventual divulgação ilícita do conteúdo de escutas
telefónicas e de outros meios de obtenção de prova invasivos da esfera
reservada privada;

196
O FUTURO É JÁ
○ Rever o regime geral das contraordenações, promovendo a diferenciação de duas
modalidades-tipo de processos: uma com celeridade e características processuais
e garantias mais próximas do processo penal, atento o quadro sancionatório mais
pesado das sanções e a gravidade das condutas, e outra de natureza simplificada,
aplicável à generalidade das contraordenações;

○ Reforçar a tutela penal da intimidade da vida privada, em particular a


sua violação através da criação e disseminação online de imagens e
vídeos (designadamente com recurso a ferramentas de inteligência
artificial para criação de deepfakes ou outras formas de manipulação
de conteúdos), por via de partilha em redes sociais e outros meios.

● No plano da Justiça Administrativa, importa:

○ Adotar as medidas necessárias para que os instrumentos de agilização e


gestão processual previstos na lei sejam efetivamente utilizados;

○ Alargar a rede dos tribunais administrativos de 1.ª instância, com a criação


de novos tribunais nos territórios com maior número volume de processos,
e continuar o investimento na especialização

○ Reforçar os recursos que se revelem necessários para a administração da


Justiça Administrativa em prazo razoável;

○ Reforçar os mecanismos de arbitragem institucionalizada em detrimento


da arbitragem administrativa “ad hoc”, que deve ser regulamentada e
dotada de maior transparência e sindicabilidade;

● No plano da resolução alternativa de litígios, o PS propõe:

○ Alargar a rede de meios alternativos de resolução de litígios existente,


aumentando a sua cobertura em cooperação com as autarquias locais e as
comunidades intermunicipais, criando um programa nacional de expansão
dos julgados de paz;

○ Aplicar os meios digitais à resolução alternativa de litígios;

○ Alargar os julgados de paz a novas áreas do Direito, em particular aos


domínios do Direito Administrativo para litígios de pequena dimensão
e complexidade (a saber, a responsabilidade civil extracontratual e
contratação pública de valores reduzidos).

197
PROGRAMA ELEITORAL 2025
6.2. Transparência

No eixo da transparência, o PS propõe:

● Publicitar periodicamente estatísticas por tribunal, incluindo o número de


processos pendentes, a duração média dos processos, a percentagem de
revogação de decisões por tribunais de recurso, o número de processos
prescritos e em risco e prescrição, bem como os tempos médios expectáveis
associados aos processos;

● Construir e divulgar uma base de dados de decisões anonimizadas de todas as


instâncias e tribunais, incluindo o registo público eletrónico de decisões
interlocutórias e acórdãos dos tribunais arbitrais;

● Criar um serviço que disponibilize aos utentes da Justiça, cidadãos e empresas,


a consulta online do estado do seu processo;;

● Apresentação e apreciação, na Assembleia da República, dos relatórios anuais


dos Conselhos Superiores e do acompanhamento da execução da lei que
estabelece os objetivos e orientações da política criminal.

6.3. Direito de acesso à Justiça

Para garantir o pleno direito de acesso à Justiça, em condições de igualdade e com


equidade, o PS irá:

● Avaliar o modelo de acesso ao direito e à justiça, tanto ao nível da instituição


de um sistema de apoio judiciário abrangente e eficaz, como ao nível do
valor das custas judiciais;

● Atualizar a Tabela de Honorários para a Proteção Jurídica;

● Estudar a introdução do direito de queixa constitucional (ou recurso de


amparo), de modo que pessoas e empresas possam aceder diretamente ao
Tribunal Constitucional, a par com a revisão do sistema de fiscalização
concreta da constitucionalidade.

6.4. Profissões do sistema judicial

As pessoas são o alicerce do sistema de Justiça, pelo que, quanto à seleção e


formação de magistrados, à valorização de todas as carreiras e a reflexão sobre o
estatuto das profissões jurídicas, o PS irá:

198
O FUTURO É JÁ
● Garantir, em articulação com os Conselhos Superiores da Magistratura e o Conselho
Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais e a Procuradoria-Geral da República,
que a colocação de recursos humanos corresponde às necessidades efetivas do
sistema;

● Prosseguir os investimentos lançados pelo PS no quadro da sua governação


com vista a assegurar a requalificação dos espaços da Justiça, elemento
indispensável à dignidade no exercício das várias profissões e de acesso dos
cidadãos aos serviços da justiça;

● Assegurar a valorização de todas as carreiras do setor que ainda não foram


objeto de revisão, garantindo a adequada formação inicial e valorizando os
respetivos conteúdos funcionais;

● Repensar o modelo de recrutamento e de seleção dos novos magistrados


judiciais e do Ministério Público, recuperando a valorização da via da
experiência profissional no acesso;

● Melhorar a formação inicial e a formação contínua dos magistrados, de forma a


garantir que estes estão dotados dos conhecimentos indispensáveis ao exercício
das suas funções, promovendo a interdisciplinaridade no seu percurso formativo, a
utilização de meios de gestão e agilização e o pleno cumprimento dos direitos
fundamentais constitucionalmente consagrados;

● Criar um corpo de assessores especializados para os tribunais e investir na sua


formação inicial e contínua, a funcionar de forma centralizada, em matérias
cuja complexidade técnica o justifique;

● Construir um modelo de garantia da proteção social plena a advogados e


solicitadores, estudando a convergência da Caixa de Previdência dos
Advogados e Solicitadores para o regime geral da Segurança Social, tendo
sempre em conta a necessidade de acautelar a sustentabilidade do sistema,
seja através de integração com garantia de direitos adquiridos ou do exercício
de direito de opção entre regimes..

6.5. Humanizar o sistema de justiça

Uma Justiça humanista deve ainda promover o apoio às vítimas, assim como
desenvolver uma política de reinserção social, pelo que o Partido Socialista irá:

● Reforçar a resposta e o apoio oferecido às vítimas de crimes, em parceria com


entidades públicas e privadas;

199
PROGRAMA ELEITORAL 2025
● Implementar a estratégia nacional para os direitos das vítimas de crime,
considerando as vítimas mais vulneráveis (crianças e jovens, mulheres, pessoas
idosas, pessoas com deficiências e outras), numa perspetiva de género e de
acordo com um modelo de governação integrada;

● Continuar a reforma das infraestruturas prisionais, enquadrada num Plano de


Requalificação do Sistema Prisional, que valorize os seus recursos humanos,
humanize o seu funcionamento, erradique a sobrelotação e assegure condições
para a reinserção social dos reclusos, através da revisão e valorização de todas as
carreiras;

● Investir na melhoria do funcionamento dos Centros Educativos, através da


requalificação dos seus espaços e valorização dos seus profissionais;

● Alargar a competência dos Tribunais de Execução de Penas de modo a


abranger a execução de todas as penas, e não apenas as privativas da liberdade,
reforçando o caráter de reinserção social de todas as sanções criminais e
libertando os tribunais criminais do acompanhamento dos processos em fase
posterior à condenação;

● Desenvolver mais e melhores meios de reinserção social e de execução de


penas.

6.6. Construção de convergências

Finalmente, a Justiça é uma área que deve ser merecedora de construção de


convergências, quer entre os atores políticos, quer entre os agentes do sistema.
Nesse sentido, e reiterando a sua própria disponibilidade para esse diálogo
construtivo e gerador de soluções, o Partido Socialista propõe rever e aprofundar a
composição e as competências do Conselho Consultivo da Justiça, como órgão de
concertação estratégica no universo judiciário, dotando-o de diversidade,
representatividade e impulso para promoção de soluções.

200
O FUTURO É JÁ

7. Um país mais seguro e


protegido face a emergências

Portugal continua a ser um dos países mais seguros do mundo, como os


indicadores internacionais e os resultados do Relatório Anual de Segurança Interna
continuam a evidenciar. Naturalmente, este quadro positivo é fruto de um
investimento e um planeamento consolidados ao longo de vários anos, assentes na
avaliação de dados e políticas e na implementação de estratégias integradas de
resposta aos maiores riscos.

Ciente de que a criminalidade, tenha a dimensão que tiver, não deve ser
desvalorizada, representando sempre um fator negativo e com potencial de causar
alarme social e sensações subjetivas de insegurança, um Governo do Partido
Socialista apostará em respostas de combate à realidade dessa criminalidade,
valorizando as forças de segurança, dotando-as de meios, e avaliando os
indicadores que permitem construir melhores políticas de segurança, não se
limitando, como nunca o fez, a celebrar os bons resultados.

Ao longo do último ano, e para além de uma tentativa de aproveitamento político,


por parte da AD e dos partidos que a integram, de perceções de insegurança que
a realidade desmentia, verificámos uma preocupante tentativa de direção política
de matérias que devem ser conservadas no plano das decisões operacionais, a par
de uma tentativa de apropriação do trabalho das forças e serviços de segurança.
Neste âmbito, o PS reassume o seu compromisso com o respeito intransigente pela
neutralidade das forças de segurança, garantindo sempre a sua salvaguarda.

Adicionalmente, o PS prosseguirá o investimento no domínio da proteção civil e da


segurança rodoviária, apostando estruturalmente na prevenção, ao mesmo tempo
que se compromete a robustecer as capacidades e meios de resposta das
instituições públicas.

7.1. Segurança interna

As forças e serviços de segurança são pilares fundamentais para a segurança dos


cidadãos e para o pleno exercício das suas liberdades fundamentais, garantindo a
subsistência da Democracia e do Estado de Direito. Num quadro em que Portugal
conserva a sua posição como um dos países mais seguros do mundo, importa dotar

201
PROGRAMA ELEITORAL 2025
as nossas forças e serviços de segurança, peças determinantes do sucesso dessa
estratégia, das condições adequadas ao exercício da missão que lhes está confiada.

É necessário manter a trajetória de reforço dos direitos e da dignidade dos


profissionais de segurança pública, nomeadamente através da ponderação, no
estatuto, da condição de risco da sua atividade, estabilidade e evolução das
carreiras, a par da valorização remuneratória indispensável à sua motivação. Por
outro lado, enquanto agentes de primeira linha do Estado de Direito, é necessário
aprofundar os processos de formação inicial e ao longo das carreiras, tendo em vista
o reforço da consciência e das capacitações dos operacionais para matérias de
cidadania e igualdade e para intervenção em contextos exigentes do ponto de vista
dos direitos fundamentais.

O PS compromete-se com a programação e execução dos investimentos em


infraestruturas e equipamentos, assegurando a estabilização de uma perspetiva
plurianual de admissão de efetivos e valorização da condição policial.

Num quadro de limitação ao exercício de alguns direitos, nos termos previstos na


Constituição, é relevante a valorização do direito de participação das associações
representativas dos profissionais da GNR e da PSP, que contribui para a prevenção
de movimentos inorgânicos e beneficia o envolvimento dos profissionais em
decisões que afetam o seu futuro e a sua atividade. Assim, no âmbito da valorização
dos profissionais das forças de segurança, o PS compromete-se a:

● Desencadear negociações com as associações sindicais e profissionais


representativas das forças de segurança, no âmbito de um plano concertado de
revisão estrutural das carreiras com vista à valorização salarial, ao reforço da
dignidade da condição policial, à criação de atratividade das carreiras e de
progressão justa nas mesmas, atendendo em particular à valorização das
funções que comportam risco e penosidade, eliminando situações de
tratamento desequilibrado entre funções e atividades semelhantes;

● Valorizar o envolvimento das associações sindicais e socioprofissionais das


forças de segurança na construção de soluções e políticas públicas dirigidas aos
seus profissionais;

● Assegurar condições aos profissionais deslocados, através de apoios ao


alojamento e das suas famílias, contemplando um maior equilíbrio entre a vida
profissional e a vida pessoal e familiar;

● Implementar um plano plurianual de admissões nas forças e serviços de


segurança, assegurando o rejuvenescimento e a manutenção de elevados

202
O FUTURO É JÁ
graus de prontidão e eficácia operacional dos seus efetivos, acautelando a
reposição de efetivos na sequência das saídas previstas para os próximos anos;

● Reforçar as políticas de prevenção em relação à verificação de casos de


“burnout” e à ocorrência de suicídio nas Forças de Segurança.

No que respeita ao investimento e desenvolvimento de capacidades operacionais,


com vista a garantir a manutenção de Portugal como um dos países mais seguros
do Mundo como instrumento fundamental para a qualidade de vida dos
portugueses, bem como para a atração de investimento estrangeiro e turismo, o
PS vai:

● Prosseguir e concluir as ações previstas na Lei de Programação das


Infraestruturas e Equipamentos para as Forças e Serviços de Segurança do
Ministério da Administração Interna até 2026 em matéria de instalações,
veículos, armamento, equipamentos de proteção individual (com destaque
para a aquisição de bodycams) e tecnologias de informação, e iniciar o
planeamento do ciclo 2027-2031;

● Aprofundar as soluções de partilha de recursos entre as forças e serviços de


segurança, nomeadamente GNR e PSP, através da gradual integração das
estruturas de apoio técnico e de suporte logístico, eliminando redundâncias,
simplificando estruturas e permitindo a alocação de elementos policiais para a
atividade operacional;

● Criar uma estrutura de gestão integrada das tecnologias de segurança apta a


prevenir os riscos da criminalidade digital;

● Reforçar a participação das forças de segurança nas ações de cooperação europeia


na prevenção da criminalidade, combate ao terrorismo e extremismo violento,
tráfico de pessoas, de armas e drogas e do cibercrime, e na gestão integrada das
fronteiras externas da UE, assegurando e avaliando o novo quadro orgânico de
exercício de novas competências neste domínio;

● Intervir sobre fenómenos de violência, nomeadamente os ligados à atividade


desportiva, criando mecanismos dissuasores de comportamentos racistas,
xenófobos, sexistas e homofóbicos e demais manifestações de intolerância,
estimulando o comportamento cívico e a tranquilidade na fruição dos espaços
públicos;

203
PROGRAMA ELEITORAL 2025
● Prosseguir a renovação e reforço da Rede Nacional de Segurança Interna como
base tecnológica para os sistemas das forças e serviços de segurança e do
sistema de proteção civil de emergência;

● Atualizar as regras para a instalação de sistemas de videovigilância em zonas


de risco, para a utilização de drones e para a utilização de sistemas de registo
de imagem pelas forças de segurança no respeito pelos direitos fundamentais
dos cidadãos;

● Prosseguir a aposta e investimento no policiamento de proximidade, com


utilização de metodologias aperfeiçoadas de proteção das populações, em
especial das mais vulneráveis, bem como de presença e fiscalização no
espaço público e do patrulhamento direcionado ao bem-estar das
populações, em cooperação com as autarquias, com o tecido associativo e
com as comunidades locais.

● Valorizar a Estratégia Integrada de Segurança Urbana (EISU) como peça


fundamental das políticas para o setor, executando as suas principais medidas
com impacto local, a saber:

○ Prosseguir, em articulação com as autarquias locais, a estratégia de


desenvolvimento e implementação de uma nova geração de Contratos
Locais de Segurança focados na prevenção da delinquência juvenil,
redução de vulnerabilidades sociais e na promoção da cidadania, com
envolvimento das comunidades locais e suas instituições;

○ Concretizar uma estratégia de policiamento de proximidade em


domínios como a segurança escolar, o apoio aos idosos ou a segurança
no desporto e em grandes eventos, reforçando o seu financiamento;

○ Dirigir ações à população idosa, com protocolos de atuação integrados para


diversas de tipologias de situações de acompanhamento da população
idosa;

○ Apoiar iniciativas locais de envolvimento das forças de segurança com as


comunidades locais, em particular com a população jovem dos bairros
periféricos das áreas metropolitanas, reforçando os laços de confiança e de
partilha de responsabilidade pela segurança nas comunidades.

Decorrido um ano de Governo da AD, é notória a ausência de medidas integradas


no quadro das matérias acompanhadas pela Comissão para a Análise Integrada da
Delinquência Juvenil e Criminalidade Violenta (CAIDJCV), que reuniu

204
O FUTURO É JÁ
investigadores e técnicos superiores, estudou o fenómeno da delinquência juvenil
e grupal, auscultou centenas de entidades e personalidades sobre a matéria. Esta
Comissão produziu dois relatórios intercalares, com um total de 59
recomendações/linhas de ação. Tendo o relatório final sido aprovado em 26 de
março de 2024. O Governo da AD não implementou uma única medida prevista
nas recomendações da CAIDJCV (nem as previstas na EISU). Assim, o PS propõe-
se retomar a execução das recomendações da Comissão para a Análise
Integrada da Delinquência Juvenil e Criminalidade Violenta, assegurando
intervenções transversais entre as áreas governativas relevantes para a
construção de uma estratégia integrada (educação, saúde, segurança social).

7.2. Proteção civil

Os novos desafios que enfrentamos, com fenómenos cada vez mais complexos
relacionados com as alterações climáticas, sociais e económicas, exigem um
sistema de proteção civil modernizado, com capacidade de resposta baseada em
conhecimento, experiência, capacitação das forças e novas tecnologias.

Exige-se, em simultâneo, uma contínua aposta em políticas de monitorização e


gestão do risco, que permitam o reforço da antecipação e preparação para os
eventos, em particular os de elevado potencial disruptivo, garantindo às
populações e ao território maior capacidade de resistência e recuperação.

Assim, no domínio da proteção civil, importa prosseguir a implementação de uma


nova visão sobre a proteção e socorro das populações, promovendo uma
valorização e capacitação das estruturas de bombeiros e proteção civil, garantindo
uma melhor presença no território e uma redobrada atenção aos novos tempos de
catástrofes e de grandes ocorrências.

Em conformidade, o PS irá:

● Reforçar a Estratégia Nacional para uma Proteção Civil Preventiva 2030, em


particular na dimensão da prevenção e preparação, em prol de comunidades
resilientes;

● Aprofundar o potencial do novo Sistema de Gestão Integrada de Fogos


Rurais, assegurando a articulação entre todas as entidades participantes na
prevenção estrutural, nos sistemas de autoproteção de pessoas e
infraestruturas (designadamente o programa Aldeia Segura/Pessoas
Seguras), nos mecanismos de apoio à decisão e no dispositivo de combate
aos incêndios rurais;

205
PROGRAMA ELEITORAL 2025
● Assegurar um modelo de resposta profissional permanente a riscos de
proteção civil, com a participação da Força Especial de Proteção Civil, da GNR,
das Forças Armadas, dos bombeiros sapadores, municipais e das equipas de
intervenção permanente das associações de bombeiros voluntários;

● Prosseguir a implementação do Sistema de Planeamento Civil de Emergência


nas redes da indústria, energia, transportes e mobilidade, comunicações,
agricultura, ambiente, saúde e ciberespaço, integrando a adoção de medidas
preventivas e de coordenação de resposta em caso de catástrofe ou situação
de emergência.

A evolução para um sistema de proteção civil moderno, dinâmico e integrado


implica a valorização das suas estruturas, com especial foco nos bombeiros,
assegurando-se, ainda, que todos os agentes do sistema estão capacitados para
cumprir as suas responsabilidades e exercer as suas competências. Assim, importa
dar continuidade ao trabalho feito através da evolução do sistema de proteção civil,
consubstanciada em estratégias de economia e eficiência e numa abordagem que
capacite, envolva e responsabilize todos os agentes de proteção civil, em todos os
momentos do ciclo da emergência.

Para tal, o PS compromete-se a:

● Rever a Lei de Bases da Proteção Civil, adequando-a à realidade e aos desafios


de uma nova geração de eventos, bem como o quadro jurídico da proteção civil
no âmbito municipal;

● Reforçar o Sistema Nacional de Monitorização e Comunicação de Risco, de


Alerta Especial e de Aviso à População, através da implementação de canais
complementares ao aviso por SMS, implementando um sistema de aviso por
difusão celular, tornando a comunicação mais expedita e assente em dados e
em informação de segurança, tendo em vista a promoção de uma cultura de
segurança e de responsabilidade perante o risco;

● Constituir Salas de Gestão de Emergência conjuntas que integram


simultaneamente o Sistema Integrado de Operações de Proteção e Socorro
e o Sistema de Emergência Médica articuladamente com o patamar
municipal, tendo em vista um sistema mais responsivo e com maior
capacidade de adaptação a diferentes realidades, mais dinâmico e
funcionalmente claro;

206
O FUTURO É JÁ
● Reforçar a participação no Mecanismo de Proteção Civil da União Europeia,
através do reforço das capacidades nacionais disponibilizadas, priorizando a
preparação de forças operacionais conjuntas especializadas;

● Reforçar o sistema de proteção civil com mecanismos e abordagens


suportados em meios digitais, seguros, inclusivos e integrados, em particular
nas ferramentas e processos de decisão operacional e de apoio à gestão de
emergências, através da desmaterialização e adequação dos serviços, da
capitalização dos dados e da promoção das competências digitais de todos os
agentes de proteção civil;

● Rever o Modelo de Financiamento dos Corpos de Bombeiros através da criação


de contratos-programa, assente na análise da carta de risco municipal.

Particularmente no que diz respeito aos bombeiros, visando a sua valorização pela
capacitação, profissionalização e especialização, o Partido Socialista irá:

● Implementar um modelo de reequipamento dos Corpos de Bombeiros,


baseado nas necessidades de resposta aos riscos identificados, que defina
investimentos e responsabilidades e obedeça a princípios de racionalidade e
eficiência económica e operacional, garantindo a modernização de meios e a
sua interoperabilidade, minimizando a sua obsolescência e a duplicação de
investimentos;

● Rever o Estatuto Social dos Bombeiros com o objetivo de criar mais incentivos
ao voluntariado e maior conciliação com a vida profissional, pessoal e
académica;

● Rever o quadro legal aplicável às entidades detentoras de corpos de bombeiros,


aos corpos de bombeiros e à sua atividade, bem como o respetivo regime de
financiamento, tendo em vista a prossecução de um sistema transparente,
adequado às necessidades operacionais, implementando mecanismos de
controlo eficazes;

● Proceder à revisão das carreiras de bombeiros, procurando implementar uma


carreira única com desenvolvimento paralelo pela via profissional e pela do
voluntariado, promovendo a profissionalização, qualificação e valorização da
atividade;

● Promover a profissionalização dos quadros de comando dos corpos de


bombeiros, dando resposta às novas exigências das funções e capacitando

207
PROGRAMA ELEITORAL 2025
estes elementos para as competências e responsabilidades inerentes aos
cargos que ocupam;

● Reestruturar a Escola Nacional de Bombeiros (ENB) por forma a recriar


Programas Formativos compatíveis com as dimensões de socorro e potenciar
a relação com os estados-membros da EU e podendo ser Portugal um polo de
formação do Mecanismo Europeu de Proteção Civil e da UNDAC Nações
Unidas;

Na dimensão da prevenção e preparação, em prol de comunidades resilientes, o PS


vai:

● Capacitar os cidadãos, promovendo uma cultura de segurança e fomentando,


à escala local ou de vizinhança, a reação conjunta em situações de emergência,
preparando comunidades mais resistentes, incentivo a elaboração de planos
locais de proteção civil e apoiando programas que promovam a proteção civil
na comunidade escolar, aumentando o conhecimento dos jovens sobre os
riscos e sobre os comportamentos a adotar;

7.3. Segurança rodoviária

O sistema rodoviário é utilizado pelos cidadãos diariamente e de diversas formas.


Segundo a Organização Mundial de Saúde, os acidentes rodoviários representam a
maior causa de morte não natural no mundo, causando elevadas perdas sociais,
económicas e financeiras. Assim, Portugal deve continuar a agir para tornar o
sistema rodoviário seguro, em linha com a Agenda 2030 para o Desenvolvimento
Sustentável, no sentido de inverter a trajetória de mortos e feridos graves em
acidentes rodoviários. Para tal, o PS compromete-se a:

● Aprovar uma estratégia nacional para a segurança rodoviária comprometida


com os princípios do Sistema Seguro e com as metas da Visão Zero para 2030
e 2050;

● Implementar medidas dirigidas aos utilizadores mais vulneráveis, nomeadamente


os que usam modos suaves de transporte,

● Implementar sistemas digitais integrados para uso pelas entidades


competentes para a fiscalização em todas as fases do processo, garantindo a
automatização e desmaterialização dos procedimentos e, assim, aumentando
a sua eficácia dissuasora;

208
O FUTURO É JÁ
● Intervir nas infraestruturas rodoviárias, tendo em vista a sua adaptação aos usos
de cada espaço público, visando mitigar os riscos da circulação, através da
implementação de vias tolerantes e autoexplicativas;

● Estabelecer programas de segurança e de redução da sinistralidade


rodoviária nas áreas metropolitanas e comunidades intermunicipais,
sujeitos a avaliação regular por entidades independentes;

● Assegurar uma melhoria da resposta pós-acidente, nomeadamente nos pontos


reconhecidos como zonas de acumulação de acidentes, em que estão
identificados o tipo de acidente predominante e os meios de socorro
necessários;

● Reforçar a aposta na sensibilização para a criação de uma cultura de segurança


rodoviária, inclusive junto da comunidade educativa.

7.4 Cibersegurança

A Cibersegurança representa hoje uma prioridade na construção de políticas


públicas transversais aos setores público e privado. A crescente digitalização das
sociedades e a transferência exponencial da prestação de serviços críticos para este
plano convoca também um conjunto de novas ameaças por parte de agentes
estatais e não estatais que exigem respostas articuladas e com uma estrutura
institucional de gestão de riscos coerente.

Ademais, a UE tem vindo a atualizar as suas respostas, reforçando a cooperação


europeia entre autoridades de cibersegurança, exigindo adoção de medidas de
prevenção e obrigações de comunicação de incidentes aos principais operadores
dos setores-chave. Neste contexto, o PS considera fundamental:

● Assegurar a conclusão célere do procedimento de transposição da Diretiva NIS-


2, construindo um arquitetura assente numa lei de programação de
infraestruturas de cibersegurança, através de um procedimento legislativo
participado;

● Desenvolver a formação e qualificação nos setores críticos da Administração


Pública e no setor privado, em diálogo com os operadores, com a sociedade
civil e com a academia;

● Implementar soluções que assegurem uma maior resiliência digital do país a


incidentes de cibersegurança, incluindo a adoção de políticas de divulgação e
gestão coordenada de vulnerabilidades, a cibersegurança na cadeia de

209
PROGRAMA ELEITORAL 2025
abastecimento de produtos de TIC e serviços de TIC e a certificação de
cibersegurança;

● Desenvolver um plano nacional de capacitação e formação em cibersegurança,


em articulação com as autarquias locais, dirigido a todas as faixas etárias.

210
O FUTURO É JÁ

5.ª MISSÃO:
Um Portugal central na
Europa e no Mundo

País-charneira entre o Atlântico e o continente europeu, Portugal insere-se no


espaço das democracias ocidentais, com as quais partilha um conjunto de valores
basilares e entendimentos preferenciais. Historicamente, o nosso país empenha-
se, com reconhecida eficácia, em relações bilaterais e multilaterais com outras
partes do mundo, dedicando um cuidado particular àquelas às quais está ligado
pela cultura e pela língua.

No extremo ocidental do continente, Portugal compõe um espaço ibérico com a


vizinha Espanha, o único país com o qual possui fronteira terrestre e nosso principal
parceiro económico. Com a Espanha, Portugal gere as principais bacias
hidrográficas e mantém um mercado de eletricidade que tem protegido o nosso
sistema energético de vários choques externos.

Possuidor da maior zona marítima da Europa, Portugal caracteriza-se por uma


relação umbilical com o oceano. É, também por via dele, um país aberto à
universalidade. No estrangeiro, as nossas comunidades configuram extensões da
pátria, importando zelar pelo seu sentimento de pertença e atender às suas
preocupações. A língua portuguesa é um fator de comunidade, fraternidade e
cooperação com os vários países lusófonos.

As dinâmicas que caracterizam o atual ambiente internacional ditam que Portugal


deve estar ciente de que a sua defesa e segurança têm de ser asseguradas e
coordenadas no quadro da Aliança Atlântica, mas também no quadro europeu,
aprofundando a sua capacidade de Defesa Nacional.

A afirmação da relação transatlântica deve manter-se como uma prioridade da


Política Externa portuguesa, mas as mudanças geopolíticas ditadas pela
Administração norte-americana introduziram novas variáveis na relação com a
Europa. É fundamental, neste momento, que a UE aprofunde a sua autonomia

211
PROGRAMA ELEITORAL 2025
estratégica, quer no plano energético, tecnológico e industrial, quer no plano da
segurança e defesa.

Precisamos de uma Europa forte, com voz e meios próprios e um reforço


consistente do investimento em defesa que deve ser conduzido com o máximo
equilíbrio, para que não se comprometa nem a segurança dos europeus, nem o
modelo social europeu ou a coesão regional. Aumentar o investimento em Defesa
não pode significar enfraquecer o Estado Social, mas esse esforço deve ser feito
para também proteger o nosso bem-estar social. Defender a Europa é defender a
democracia e os valores do projeto europeu.

Portugal deve ser um ator proativo no desenho de uma nova arquitetura de


segurança para a Europa e a política externa portuguesa deve acompanhar as
alterações do processo de globalização, abalado por sucessivas crises,
redesenhando e redimensionando a nossa rede diplomática e comercial,
adaptando-a à evolução da economia mundial, às novas cadeias de valor e a novas
variáveis e fatores de imprevisibilidade.

Portugal deve tirar o máximo partido das várias dimensões da sua situação
particular - posição geoestratégica, integração europeia e ligação aos países de
expressão portuguesa, para promover e proteger os seus interesses, reforçar a
nossa capacidade de intervir no plano multilateral e procurar uma centralidade na
Europa e no Mundo.

1. Uma participação solidária, exigente e


propositiva na União Europeia

A integração na União Europeia significou desenvolvimento, modernização e


melhoria dos indicadores sociais. O projeto europeu permanece, porém,
incompleto e Portugal deve defender, de forma exigente, participativa e
propositiva, avanços substanciais nos objetivos inscritos nos Tratados.

Desde a convergência e coesão ao progresso social e ao pleno emprego, bem como


a transição ecológica socialmente justa e regras de governação económica
adaptadas à realidade de cada país, a par de uma abordagem humanista e
responsável relativamente ao fenómeno migratório, o qual não pode ser dissociado
dos desafios demográficos que enfrentamos.

212
O FUTURO É JÁ
O projeto europeu enfrenta hoje a maior ameaça à sua existência desde a Segunda
Guerra Mundial e a sobrevivência da UE deve ser assegurada com políticas claras
que reforcem a nossa autonomia e a nossa capacidade para lidar com ameaças
externas no plano securitário e comercial.

A defesa da Ucrânia e do direito à sua autodeterminação, soberania e integridade


territorial, deve ser uma prioridade no atual quadro geopolítico, não havendo solução
aceitável para uma paz justa e duradoura que não envolva a Ucrânia e a UE.

A Europa vive momentos de grande turbulência, num quadro de crescente


imprevisibilidade e instabilidade geopolítica e com o regresso da guerra ao
continente. Movimentos populistas, forças nacionalistas e de extrema-direita
ganharam expressão em importantes Estados Membros, apostando na corrosão do
parlamentarismo e das instituições políticas europeias.

Através da desinformação e de teorias conspirativas, potenciadas pelas novas


tecnologias, os movimentos autocráticos procuram desacreditar o legado das
democracias representativas, interferindo diretamente no processo democrático.
São os descendentes das forças que destruíram a Europa por duas vezes, pelo que
o combate a essas forças é um desígnio que convoca todos os que perfilham os
valores democráticos, o objetivo da universalização dos direitos sociais, a dignidade
do ser humano, a fraternidade e a tolerância.

O PS é o único partido capaz de liderar um combate à ameaça de retrocesso,


representada pela extrema-direita e com a mal-disfarçada cumplicidade da direita
clássica. A Europa não precisa de políticas que sejam apenas eco de percepções e
inquietações, sem nenhuma proposta concreta para superar os problemas. Como
é próprio do Partido Socialista, teremos um Governo na vanguarda da defesa,
melhoria e aprofundamento do projeto europeu.

1.1. Uma Europa mais integrada

Em 2026 assinalam-se 40 anos da adesão de Portugal à então Comunidade


Económica Europeia. Ao longo das décadas, Portugal tem vindo a ser reconhecido
pelos restantes Estados-Membros como um contribuidor ativo para o
desenvolvimento do projeto europeu, no quadro da UE, e o aprofundamento de
uma identidade e cidadania europeias.

Para o PS, o fortalecimento da UE e dos seus instrumentos para fazer face às


ameaças, garantir a paz e a prosperidade partilhadas, é essencial para responder
cada vez melhor aos anseios dos povos europeus, preservando os objetivos do Pilar
Europeu dos Direitos Sociais.

213
PROGRAMA ELEITORAL 2025
O relatório de Mario Draghi sobre a competitividade europeia, entregue à Comissão
Europeia em 2024, procura responder a estes desafios, propondo três áreas de ação:
inovação, descarbonização e competitividade, segurança e redução das
dependências.

O mesmo deve acontecer em áreas como a saúde ou a habitação, nas quais a UE


tem tido uma visão muito limitada das suas competências e em que, perante os
dilemas atuais, é chamada a ser mais criativa e empenhada, para responder aos
problemas com que estamos confrontados e às necessidades dos europeus.

Nesse contexto, o PS compromete-se a:

● Promover os valores e princípios fundamentais do projeto europeu,


defendendo o robustecimento dos mecanismos que garantem o respeito pelo
Estado de Direito no seio da UE;

● Aumentar a presença de funcionários portugueses nas instituições europeias e


o seu nível de responsabilidade, prosseguindo e reforçando a política de apoio
às carreiras europeias;

● Acompanhar os processos de adesão dos países candidatos, defendendo o


cumprimento escrupuloso dos critérios de Copenhaga;

● Participar ativamente no processo de reflexão e debate sobre a reforma


interna da UE, ponderando os seus potenciais impactos nos mecanismos de
decisão e no orçamento da União;

● Contribuir para o reforço das parcerias estratégicas da UE, potenciando o papel


e contributo da diplomacia portuguesa no alargamento a outros mercados e a
novas geografias.

1.2 Uma Europa mais coesa

A União Europeia continua a ser não só caraterizada pela sua diversidade


geográfica e cultural, mas também pelas profundas desigualdades económicas e
sociais. Nascendo como projeto de integração económica, a UE tem procurado,
desde a Comissão Delors, contrariar as tendências centrípetas do mercado comum
através de uma política de coesão que distribua por todo o continente os
dividendos deste projeto.

Na defesa destes objetivos, a preparação e negociação do próximo quadro


financeiro da política de coesão da UE representa uma oportunidade que o Estado
português deve aproveitar de forma estratégica. A experiência acumulada nos

214
O FUTURO É JÁ
anteriores ciclos de financiamento europeu demonstra que o envolvimento direto
das regiões e a proximidade com os territórios são fatores decisivos para uma
aplicação eficaz e transformadora dos fundos.

Para promover a coesão no seio da UE, o PS irá:

● Envidar esforços para que as políticas de alargamento e investimento em


defesa não se traduzam no sacrifício dos atuais níveis de financiamento das
políticas estruturais, como a Política de Coesão ou a Política Agrícola Comum;

● Garantir que estes investimentos têm efeitos multiplicadores no desenvolvimento


de tecnologias de uso civil, sobretudo em setores da IA e telecomunicações, ao
mesmo tempo que apoiam a reindustrialização e as tecnologias emergentes em
toda a Europa;

● Defender o estatuto próprio da Regiões Ultraperiféricas no seio da UE;

● Combater a excessiva rigidez nas regras relativas a ajudas de Estado,


precavendo o desequilíbrio entre países grandes e pequenos no seio do
mercado único, e que colocam o investimento em causa;

● Rejeitar propostas de recentralização da gestão dos fundos.

1.3 Uma Europa mais competitiva

Como suporte da melhoria das condições de vida dos povos europeus, importa
afirmar uma nova política industrial europeia, neutra em carbono, focada em
setores estratégicos e em matérias-primas críticas.

Perante a imposição de tarifas aduaneiras por parte da Administração norte-


americana, esta política é fundamental para aumentar a autonomia e promover a
modernização e competitividade da economia europeia, bem como desenvolver
novas oportunidades para os trabalhadores, melhorando as suas condições de vida.

Nesse sentido, o PS irá:

● Contribuir no processo de aprofundamento da autonomia estratégica da UE


nos domínios energéticos, tecnológico, industrial, da competitividade e ao nível
da segurança e defesa;

● Reforçar os instrumentos de segurança económica da União Europeia, evitando


situações de excessiva dependência de potências estrangeiras, em particular no
que diz respeito a infraestruturas críticas ou setores económicos vitais;

215
PROGRAMA ELEITORAL 2025
● Apoiar o Plano Industrial do Pacto Ecológico e a reindustrialização da UE,
contribuindo para traduzir as prioridades no fabrico de tecnologias limpas e
aprovisionamento de matérias-primas críticas, entre outros, garantindo que a
implementação da Lei dos Materiais Críticos beneficia também os Estados-
Membros de menor dimensão;

● Defender um comércio internacional livre e justo, assegurando a


participação ativa de Portugal na definição das políticas comerciais da UE,
tendo em vista proteger os interesses das empresas e trabalhadores
portugueses (desde logo perante o reforço de tarifas comerciais impostas
pelos EUA), fortalecer a indústria e as exportações nacionais, e reforçar a
resiliência da economia nacional face aos desafios globais.

● Trabalhar na revisão e adaptação da legislação europeia no sentido da redução


de custos de contexto sobre os cidadãos e as empresas e na simplificação
administrativa, designadamente em relação aos fundos europeus, garantindo
uma maior flexibilidade na implementação dos programas no atual contexto
de incerteza económica;

● Completar a União Europeia da Poupança e dos Investimentos, através de


novos e diversos instrumentos de financiamento da economia europeia, e
concluir a União Bancária, com a aprovação do seu terceiro pilar, relativo à
criação de um Sistema Europeu de Garantia de Depósitos;

● Defender uma política comercial da UE assente em acordos comerciais e de


investimento equilibrados, com cláusulas relativas ao trabalho forçado, ao
trabalho infantil, ao dumping social e ambiental, assumindo esses acordos
como instrumentos de regulação da globalização, no respeito dos princípios da
Organização Mundial do Comércio;

● Promover uma abordagem de “parceria entre iguais“ com as várias regiões do


mundo, e em especial com os países do Sul Global (em linha com a política
“Global Gateway” da UE), visando criar vantagens mútuas, transferência de
conhecimento, oportunidades de mercado e utilização partilhada de matérias-
primas, bem como promover a paz, os direitos humanos e o desenvolvimento
sustentável;

● Apoiar a UE na produção e implementação de legislação ambiciosa que


enquadre os serviços e os mercados digitais, os espaços de dados europeus e a
IA, de modo a tirar partido das potencialidades destas transformações, sem
deixar de acautelar os nossos valores fundamentais e garantir um ecossistema
digital seguro e plural;

216
O FUTURO É JÁ
● Promover a criação de ecossistemas de IA europeus, com a partilha de recursos
computacionais e uma estratégia de soberania digital.

1.4 Uma Europa mais segura

Depois das respostas arrojadas e solidárias da UE à crise pandémica, com o


NextGenerationEU e os Planos de Recuperação e Resiliência, crescem a leste
desafios relacionados com a guerra na Ucrânia e a ameaça russa, intensificados
pela instabilidade geopolítica internacional, nomeadamente os novos desafios
colocados no âmbito da relação com os EUA.

A redução da nossa dependência externa, também em matéria de Defesa,


contribui para uma Europa menos vulnerável e mais segura perante a incerteza.
Para esse efeito, o PS irá:

● Reforçar a Política Comum de Segurança e Defesa, em alinhamento a Bússola


Estratégia da UE, participando em procedimentos conjuntos de aquisição de
material militar e investindo numa sólida base industrial e tecnológica de
defesa europeia, que esteja aberta também a PMEs, considerando
especialmente a nova realidade transatlântica;

● Participar ativamente no Plano ReArmEurope, acelerando o reforço da


capacidade de defesa, a reindustrialização do setor e o desenvolvimento de
capacidades prioritárias, reforçando ao mesmo tempo o pilar europeu da NATO
e garantindo que as indústrias nacionais beneficiam das oportunidades de
investimento europeu;

● Pugnar por um reforço do investimento europeu em defesa que não


coloque em causa as políticas de coesão e o Estado Social, privilegiando o
endividamento comunitário como instrumento financeiro;

● Afirmar a União Europeia como ator geopolítico global, que defende e promove
o multilateralismo e uma ordem internacional assente em regras, definindo
uma estratégia europeia para a reforma da ONU e a conclusão do Pacto para o
Mediterrâneo;

● Apoiar o escrutínio das grandes plataformas digitais, acompanhando a


implementação da Lei dos Serviços Digitais e da Lei dos Mercados Digitais,
evitando abusos de posição dominantes, combatendo a desinformação e
sancionando a propagação de conteúdos ilegais;

217
PROGRAMA ELEITORAL 2025
● Reforçar os mecanismos europeus de cooperação policial e judiciária, tendo em
vista aumentar a eficácia do combate ao terrorismo, ao crime organizado, ao
tráfico de droga e de armas, ao cibercrime e ao branqueamento de capitais.

1.5 Uma Europa mais sustentável

● Participar ativamente nas discussões e decisões sobre as políticas europeias


relacionadas com os oceanos, em particular no Pacto Europeu sobre os
Oceanos;

● Assegurar que a transição verde e digital se fazem de forma socialmente justa


e devidamente programada, compensando as populações afetadas e
reconvertendo os trabalhadores através de programas de requalificação no
quadro do reforço dos recursos e valências do Fundo para a Transição Justa, do
Fundo Europeu de Ajustamento à Globalização e do Fundo Social para a Ação
Climática;

● Avançar na concretização do Pacto Ecológico Europeu e acompanhar a


transposição do pacote legislativo que o materializa, em diálogo com as partes
envolvidas e muito em particular com o setor agroflorestal e alimentar, de
modo a não alienar o apoio popular a esta causa comum da humanidade;

● Prosseguir os esforços de mitigação das alterações climáticas e investir de


forma decidida na adaptação aos seus efeitos, seja na gestão florestal e na
prevenção dos fogos rurais, seja na resiliência hídrica e na definição de
estratégias para lidar com a crescente escassez de água, por exemplo através
da adoção de um programa ReWaterEU;

● Envidar esforços para uma União da Energia, que permita alcançar a soberania
energética e a neutralidade climática da Europa;

● Acelerar a interligação energética entre Estados-Membros, tanto na


eletricidade como no gás, e em especial nos gases renováveis, a fim de instituir
uma União da Energia que garanta preços mais baixos e uniformes e uma
maior segurança de abastecimento aos europeus;

● Promover um diálogo estruturado e permanente com os agricultores e as


restantes forças vivas do mundo rural, por forma a acautelar as suas
preocupações e garantir um equilíbrio justo entre o desenvolvimento do setor
primário e o combate às alterações climáticas, na certeza de que a produção
agrícola e a transição verde não são desígnios contraditórios ou mutuamente

218
O FUTURO É JÁ
excludentes, mas antes complementares na preservação da natureza e na
garantia da segurança alimentar.

1.6. Uma Europa mais Social

O Partido Socialista defende que um novo impulso à competitividade europeia


apenas pode ser feito com a defesa intransigente do emprego digno, prevendo a
criação de novas oportunidades para os trabalhadores europeus e a priorização da
sua dignidade, condições de vida e bem-estar.

Portugal contribuiu para esse desígnio durante a última Presidência Portuguesa, tendo
sido adotado, na Cimeira Social do Porto, em maio de 2021, o Compromisso orientado
para a implementação do Pilar Europeu dos Direitos Sociais. Visando afirmar uma
Europa cada vez mais social, o PS irá:

● Progredir na concretização do Pilar Europeu dos Direitos Sociais,


materializando em toda a sua plenitude o respetivo Plano de Ação, a par do
Plano de Ação para a Economia Social, defendendo assim o contínuo
aperfeiçoamento do modelo social europeu;

● Assegurar uma correta concretização do Pacto sobre Migrações e Asilo, criando


canais regulares e seguros de imigração, garantindo condições adequadas de
acolhimento e integração, trabalhando com os países de origem e de trânsito,
combatendo as redes de tráfico de seres humanos, e apoiando os refugiados
com estatuto de proteção internacional que fogem da guerra ou de situações
de opressão;

● Defender a criação de um fundo europeu de apoio à reconversão e


requalificação profissional, permitindo a trabalhadores e desempregados a sua
adaptação às grandes mudanças estruturais na economia, em particular com
os progressos exponenciais que se prevêem na área da IA;

● Promover os direitos dos trabalhadores em toda a UE através de legislação


europeia que acabe com a exploração laboral, dumping social e
precariedade sistemática, reforçando as competências da Autoridade
Europeia do Trabalho para assegurar a aplicação da legislação;

● Defender uma Estratégia Europeia para a Habitação, mediante a


disponibilização de fundos europeus para a habitação social e a custos
controlados, de iniciativa pública e cooperativa, que permita impulsionar a
descarbonização do parque habitacional europeu e responder à crise
habitacional que se intensificou nos últimos anos;

219
PROGRAMA ELEITORAL 2025
● Prosseguir o projeto de uma União Europeia da Saúde, capacitando a UE para
a responder em conjunto aos principais desafios de saúde pública.

1.7. Uma Europa com governação económica justa

A União Económica e Monetária tem significado uma crescente coordenação das


políticas económicas e orçamentais europeias, ao mesmo tempo que os seus
quadros financeiros plurianuais configuram um importante contributo para o
desenvolvimento dos seus Estados-Membros.

Contudo, numa altura em que a Europa enfrenta enormes desafios, da defesa ao


clima, não basta que a governação económica evite os erros austeritários do
passado. É fundamental que a UE disponha de recursos próprios para responder
aos anseios dos cidadãos e aos desafios do futuro. Para tal, o Partido Socialista
compromete-se a:

● Acompanhar a aplicação das novas regras de governação económica da UE e


o debate em torno da exclusão do investimento em defesa, prosseguindo o
objetivo da gradual e sustentada redução da dívida;

● Envidar esforços para a adoção de um mecanismo europeu permanente de


resposta a crises, de natureza contracíclica, que favoreça a resiliência
económica da UE e a capacidade de resposta europeia, tão necessária num
mundo que é hoje mais incerto;

● Defender a criação de uma Capacidade Orçamental Permanente de


Investimento ao nível europeu, com novos recursos próprios, que suceda ao
NGEU após 2026 e que continue a apoiar os países nos investimentos para a
realização das prioridades europeias;

● Assegurar o cumprimento do Acordo Institucional para a criação de novos


recursos próprios da UE que permitam amortizar a dívida da União, evitando a
pressão sobre o próximo Quadro Financeiro Plurianual e conferindo à UE a
capacidade de responder às crescentes tarefas e responsabilidades que lhe vão
sendo acometidas;

● Participar ativamente nas negociações do próximo Quadro Financeiro


Plurianual pós-2027, no âmbito do qual devem ser previstos mecanismos
europeus que, após o término dos PRR em 2026, promovam e financiem o
investimento conjunto em áreas de valor acrescentado europeu (como a
segurança e defesa) e em preocupações comuns aos povos europeus (como a
habitação);

220
O FUTURO É JÁ
● Insistir na defesa de uma taxa mínima de IRC, à luz do acordo global para
tributar as grandes multinacionais, não aceitando o adiamento dos prazos de
aplicação e garantindo uma tributação justa e uniforme na UE e a nível global;

● Promover uma maior justiça fiscal à escala europeia, com políticas ativas de
combate à fraude e evasão, reforço da regulação dos preços de transferência
de grupos económicos e o aperfeiçoamento dos procedimentos aduaneiros na
aplicação de sanções a nível europeu;

● Promover a coordenação dos diversos sistemas tributários e aduaneiros a nível


europeu, de modo a eliminar barreiras ao investimento e garantir o acesso
efetivo ao mercado interno.

2. Uma Política Externa humanista

O consenso em matéria de política externa, abrangendo órgãos de soberania e os


maiores partidos políticos, configura um importante capital político e diplomático
que reforça a relevância do nosso país e a sua capacidade de interlocução
internacional. Trata-se de uma tradição que importa valorizar e prosseguir, num
quadro de grande turbulência e volatilidade internacional.

O ambiente securitário internacional sofreu alterações profundas, com a


emergência de dinâmicas caracterizadas por fortes tensões geopolíticas que
condicionam a segurança e a defesa de Portugal, da Europa e da Aliança Atlântica.
Um novo paradigma, marcado por novas dinâmicas de poder, pelo ataque à
cooperação e ao multilateralismo, a par do regresso de velhas e novas ameaças ao
espaço euro-atlântico, exigem uma Política Externa consistente, adaptável e
credível.

Em 2022, a injustificável invasão da Ucrânia pela Federação Russa rompeu com os


mais elementares fundamentos do Direito Internacional e trouxe a guerra até às
fronteiras da UE, continuando a representar um dos maiores desafios à ordem
internacional baseada em regras. E representa, igualmente, um assalto à
arquitetura de segurança europeia, que terá de encontrar novos alicerces.

É nosso dever continuar a garantir que a Ucrânia não está sozinha. O povo ucraniano é
merecedor do empenho de todos na construção de uma paz justa, participada e
negociada pelas autoridades ucranianas, com a participação da Europa, no respeito da

221
PROGRAMA ELEITORAL 2025
soberania e integridade territorial da Ucrânia. Portugal deve contribuir para esse esforço,
seja no plano da diplomacia, seja pela sua participação em eventuais medidas de
segurança que venham a revelar-se necessárias.

Por seu lado, o conflito no Médio Oriente renovou o sentido de urgência da sua
resolução, agravando-se significativamente após o hediondo ataque terrorista do
Hamas a 7 de outubro de 2023, com a subsequente desproporção inaceitável da
resposta israelita na Faixa de Gaza, ameaçando expandir-se a outros países da
região, como já aconteceu com o Líbano ou com os ataques Houthis no Mar
Vermelho, a partir do Iémen..

O número de vítimas e a escala de destruição na Faixa de Gaza não têm


precedentes nem a sua duração e intensidade têm justificação possível, e
permanecem por libertar inúmeros dos reféns do dia 7 de outubro que não
perderam a vida, sendo urgente que o cessar-fogo seja restabelecido.

O Estado português tem tido uma posição coerente na defesa da solução de dois
Estados. O PS defende intransigentemente essa solução, assumindo que uma solução
que não reconheça o Estado da Palestina será sempre inviável. É hora de Portugal
também dar um passo significativo e acompanhar a tendência europeia e ao nível da
comunidade internacional, juntando-se a parceiros e aliados históricos no
reconhecimento imediato do Estado da Palestina.

Como agravante, assistimos à retirada dos EUA de muitas das principais ações e
instituições multilaterais, desde o Acordo de Paris à Organização Mundial de Saúde,
com uma retórica ameaçadora para vários aliados e parceiros, em várias geografias
e através de uma guerra comercial em curso.

Estas e outras situações de conflito, em diversas partes do mundo, num quadro em que
as alterações climáticas se irão traduzir, de forma cada vez mais imediata, em
instabilidade e conflitualidade, ameaçam os princípios basilares em que assenta a
ordem internacional. A segurança e prosperidade de Portugal são postas em causa pela
degradação dessa ordem e pelo desrespeito dos princípios do Direito Internacional e da
Carta das Nações Unidas.

Num contexto em que importantes forças internacionais estão empenhadas em


enfraquecer o multilateralismo, é de primordial importância que Portugal
contribua de forma sistemática nos mecanismos de reforço da ordem
internacional, no plano do multilateralismo e das suas relações bilaterais,
valorizando e reforçando o seu compromisso com a Aliança Atlântica e com as
Nações Unidas.

222
O FUTURO É JÁ
Em linha com o desígnio de melhorar as condições e a qualidade de vida dos
portugueses - e não obstante a turbulência internacional que caracteriza o
momento atual - Portugal deve tirar partido das suas vantagens na frente externa
para atrair e fixar investimento produtivo estratégico, apostando numa crescente
inserção logística do nosso país nas cadeias de valor globais, tornando os produtos
e serviços nacionais mais competitivos nos mercados europeus e internacionais.

2.1. Cenário político internacional

De modo a contribuir para o reforço da ordem internacional assente em regras e


do multilateralismo efetivo, o PS compromete-se a:

● Continuar a contribuir, no plano bilateral e multilateral, para a defesa da


Ucrânia, como caminho para uma paz justa, sustentável e estável,
defendendo um acordo de cessar-fogo que envolva a Ucrânia e a Europa, a
par da sanção da Rússia pela agressão ilegal e injustificada, se esta persistir
nessa agressão;

● Quanto à situação no Médio Oriente, exigir o fim imediato da ofensiva em Gaza,


na Cisjordânia e no Líbano, bem como a libertação de reféns, defendendo
intransigentemente a solução de dois Estados e encetando o processo de
reconhecimento imediato do Estado da Palestina, contribuindo assim, no
quadro das instituições internacionais, para a promoção de uma paz justa e
duradoura, assente na convivência de um Estado palestiniano e de um Estado
israelita, vivendo lado a lado em paz e segurança;

● Em simultâneo, Portugal deverá combater, no plano interno e externo, todas as


manifestações de antissemitismo e de islamofobia que se têm manifestado de
forma recrudescente, em parte devido ao conflito no Médio Oriente;

● Participar nos esforços multilaterais para a neutralização ou apaziguamento de


outros conflitos regionais e que representam um fator de perturbação na economia,
nas cadeiras de abastecimento, na segurança alimentar ou na disponibilidade
energética, de que são exemplo os ataques a navios mercantes no Mar Vermelho.

2.2. Reforço do multilateralismo

No que respeita ao multilateralismo, o PS propõe-se a:

● Continuar a apoiar a agenda do Secretário-Geral da ONU, António Guterres,


cujo desempenho e reconhecido mérito contribuem para o prestígio
internacional do nosso país;

223
PROGRAMA ELEITORAL 2025
● Desempenhar um papel ativo no reforço dos mecanismos internacionais de
resolução de problemas, muito em particular no sistema das Nações Unidas;

● Prosseguir a candidatura de Portugal a um lugar de membro não


permanente do Conselho de Segurança da ONU para o biénio 2027/28,
intensificando esforços diplomáticos em 2025 e 2026 para garantir o
sucesso desta candidatura;

● Continuar a apoiar os esforços do Secretário-Geral das Nações Unidas na


procura de uma solução sobre o estatuto do território do Saara Ocidental;

● Aprofundar a participação nacional em instâncias multilaterais, da NATO à


OCDE, apoiando a Organização para a Segurança e Cooperação Europeia e o
Conselho da Europa;

● Intervir em todas as agendas multilaterais, da Paz e Segurança à Agenda 2030,


da Agenda do Clima ao Pacto para as Migrações;

● Consolidar a participação e o protagonismo nas organizações do Espaço Ibero-


americano;

● Desenvolver políticas públicas que acelerem a implementação da Agenda 2030


das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, e o pleno
cumprimento dos seus objetivos, designadamente com os principais parceiros
da cooperação portuguesa;

● Aumentar gradualmente a Ajuda Pública ao Desenvolvimento, em linha


com as recomendações da OCDE, tanto no plano da cooperação bilateral,
como no plano multilateral, reforçando o contributo nacional para a
Organização Mundial de Saúde, o Programa Alimentar Mundial e a UNRWA;

● Promover uma regulação mais justa, sustentável e responsável do comércio


internacional, apoiando os esforços da Organização Mundial do Comércio

● Promover a candidatura de Portugal ao Conselho do Ártico, como Estado


observador e desenvolver, em coordenação com outras áreas governativas, um
quadro de ação nacional para o Ártico em linha com os princípios do
desenvolvimento sustentável, no qual se articulem as várias dimensões a nível
ambiental, económico, social e securitário;

224
O FUTURO É JÁ
2.3. Relações bilaterais

Com o objetivo de cultivar relações bilaterais históricas e diversificadas, atendendo


às lógicas de aliança, vizinhança e parceria, o PS propõe:

● Privilegiar as relações com os países europeus mais próximos, como a Espanha,


o Reino Unido, a França, a Alemanha, a Itália e os restantes Estados do
Mediterrâneo, concertando posições sobre ações europeias e globais;

● Manter a afirmação do papel indispensável de Portugal na defesa do Atlântico


Norte e na ligação entre a Europa, o Atlântico Norte e o resto do Mundo,
valorizando os laços históricos e seculares com os Estados Unidos da América
e o Canadá;

● Desenvolver uma aposta renovada em África, incrementando o nosso


relacionamento com os países da vizinhança sul no norte de África e também
na África subsariana, defendendo políticas globais de apoio ao
desenvolvimento desta região global, e explorando oportunidades de profícuos
relacionamentos bilaterais;

● Estimular a presença de Portugal na América Latina, reforçando a nossa


presença diplomática e económica nos países da América do Sul e Central,
em especial o Brasil, procurando abrir novos mercados para as nossas
empresas, posicionando-as para poderem aproveitar as oportunidades do
Acordo EU-Mercosul, reforçando os laços com uma região com que
partilhamos múltiplos valores fundamentais;

● Reforçar a relação fraterna com Timor-Leste, apoiando-a na promoção da


língua portuguesa, na sua integração na ASEAN e na consolidação das suas
instituições, incluindo as forças armadas;

● Fortalecer a presença de Portugal no continente asiático, a região com maior


previsão de crescimento económico a nível global, valorizando as relações
históricas com a China e a Índia, ampliando as parcerias comerciais com a
Coreia do Sul e o Japão, explorando as amplas oportunidades que existem nos
países da ASEAN;

● Reforçar a nossa rede diplomática, concluindo a abertura das novas


embaixadas e postos consulares nos continentes africano e asiático, de modo
estabelecer estruturas diplomáticas e económicas em países chave das cadeias
de valor;

225
PROGRAMA ELEITORAL 2025
● Reforçar o quadro diplomático, dotando-o de mais recursos humanos e
materiais nas nossas embaixadas, a par da sua modernização tecnológica e
readaptação da rede aos novos desafios globais;

● Trabalhar com as áreas metropolitanas e municípios, de modo a potenciar os


esforços e a atividade no âmbito da paradiplomacia, particularmente na
vertente cultural e económica, contribuindo para a articulação, a este nível,
com a política de relações internacionais e os objetivos de política externa
nacional.

2.4. Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP)

No âmbito da participação de Portugal na CPLP e da sua valorização como


comunidade de língua, cidadania e cooperação, o Partido Socialista irá:

● Valorizar o espaço CPLP como comunidade de língua, cidadania, fraternidade


entre os povos, bem como aprofundar a cooperação político-diplomática e
económica entre os seus Estados-membros;

● Promover a criação e partilha de boas práticas para a implementação da


Garantia para a Infância CPLP, criando sinergias com o Acelerador Global de
Emprego e Proteção Social, a Coligação Global Justiça e outras iniciativas
multilaterais;

● Continuar a reforçar a mobilidade no espaço da CPLP, implementando


efetivamente o Acordo sobre a Mobilidade entre os membros da CPLP;

● Alavancar as comemorações do 30.º aniversário da CPLP, mobilizando os


setores público, privado e social portugueses no aprofundamento da
cooperação entre Portugal e os restantes Estados-membros;

2.5. Cooperação

No âmbito da Cooperação, o PS vai:

● Assegurar a implementação da Estratégia da Cooperação Portuguesa 2030,


nomeadamente através do seu Plano de Operacionalização;

● Promover a revisão da Estratégia Nacional de Educação para o


Desenvolvimento e a aprovação de uma nova Estratégia Operacional de Ação
Humanitária e de Emergência;

226
O FUTURO É JÁ
● Aprofundar e diversificar as áreas de cooperação bilateral e multilateral com os
Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa e Timor-Leste, envolvendo a
respetiva sociedade civil e participando na celebração dos 50.º aniversários da
independência destes países;

● Assegurar que o Camões I.P mantém e incrementa a sua capacidade de


execução de projetos de cooperação no quadro da política de cooperação
nacional e enquanto prestador de serviços para a UE;

2.6. Internacionalização da Língua e Cultura portuguesas

No âmbito da internacionalização da nossa língua e cultura, o PS compromete-se a:

● Reforçar o papel da CPLP na projeção da língua e das culturas dos países de


língua portuguesa, incluindo no reforço das bolsas de estudo e no apoio ao
Instituto Internacional de Língua Portuguesa;

● Prosseguir uma estratégia de afirmação da presença do português como


língua curricular do ensino básico e secundário, através de projetos de
cooperação com especial atenção para os países com forte presença de
comunidades portuguesas;

● Fortalecer a presença dos estudos de língua e cultura portuguesas em


instituições de ensino superior, desde logo alargando o número de Cátedras e
Leitorados do Camões, I.P. no mundo;

● Robustecer o Camões I.P., enquanto pilar fundamental da nossa política


externa, reforçando os seus meios e recursos e promovendo uma revisão
estrutural dos seus estatutos e organização;

● Garantir melhores condições salariais e reforçar o apoio à habitação dos leitores


do Camões, I.P;

● Repensar o modelo das redes de escolas apoiadas, permitindo que Portugal


financie diretamente professores, garantindo a qualidade do seu
recrutamento, formação e desempenho;

227
PROGRAMA ELEITORAL 2025

3. Umas comunidades
valorizadas e apoiadas

Portugal é um país aberto ao mundo e tem uma vocação global, dispondo de


condições para assumir um papel de mediador, facilitador, construtor de pontes
entre diversas geografias. Para esse posicionamento contribuem as comunidades
portuguesas na Diáspora, que constituem um dos principais ativos da política
externa portuguesa e do desenvolvimento nacional.

As comunidades portuguesas no mundo merecem uma atenção redobrada nos


próximos anos e estarão no cerne das preocupações e da atuação de um Governo
do Partido Socialista.

Importa, por um lado, garantir que os nossos emigrantes são cidadãos de pleno
direito no acesso às políticas públicas e, por outro lado, apoiar a sua afirmação e as
suas atividades enquanto agentes da língua, cultura e economia portuguesas no
mundo.

São diversas as realizações dos Governos do Partido Socialista em prol das


comunidades. Implementámos o recenseamento eleitoral automático e criámos
plataformas digitais no atendimento consular. Reforçámos os recursos humanos,
permitindo o aumento de atos consulares. Melhorámos os salários dos funcionários
consulares e colocámos nos consulados responsáveis da segurança social para tratar
das pensões de reforma. Aumentámos o apoio às associações e lançámos o Programa
Regressar. Criámos o Programa de Apoio ao Investidor da Diáspora para desenvolver o
território nacional, entre muitas outras medidas.

É preciso fazer mais e adotar uma abordagem ambiciosa e inovadora para as


nossas comunidades, considerando todos os perfis de emigrantes existentes nas
comunidades que decorrem da emigração desencadeada há muitas décadas à
emigração mais recente motivada pelas oportunidades da mobilidade
internacional. É preciso que os portugueses no estrangeiro se sintam valorizados,
incluídos e orgulhosos nas suas raízes.

3.1. Serviços consulares

Em matéria de serviços consulares, o PS vai:

228
O FUTURO É JÁ
● Fortalecer a relação entre Portugal e as comunidades portuguesas presentes
no mundo, através da melhoria da rede consular;

● Alargar as funcionalidades do Consulado Virtual, acrescentando-lhe novas


valências digitais, de forma que o funcionamento dos serviços consulares seja
100% digital, assegurando que cidadãos portugueses e lusodescendentes
residentes no estrangeiro têm acesso a todos os serviços públicos através de
meios digitais;

● Alocar os recursos humanos necessários ao bom funcionamento da rede


consular para reduzir o tempo de espera do atendimento e a necessidade de
deslocações aos postos, investindo na digitalização dos serviços consulares e na
utilização de inteligência artificial;

● Promover o uso da Chave Móvel Digital como método seguro de


autenticação no acesso a serviços consulares que possam ser
disponibilizados online;

● Agilizar a realização de deslocações mais regulares dos serviços consulares,


através das chamadas permanências consulares, para todos os locais com
significativa presença das nossas comunidades;

● Adaptar a rede consular às novas realidades e geografias das comunidades


portuguesas, promovendo a sua expansão nos novos destinos de emigração;

● Garantir condições para que os processos de aquisição de nacionalidade sejam


concluídos da forma mais célere e eficaz.

3.2 Comunidade da Diáspora

Portugal tem uma diáspora rica, sendo o país europeu e o oitavo no mundo com
maior número de emigrantes. Com 2,1 milhões de portugueses a residir no
estrangeiro, é necessário aprofundar o contacto, conhecimento e ação junto destes
nossos concidadãos. Assim, um Governo do PS irá:

● Elaborar um Plano Estratégico para a Diáspora, envolvendo os vários atores das


comunidades, que sustente o desenho de novas políticas públicas para as
comunidades;

● Promover o mapeamento completo e atual da nossa diáspora no mundo,


reunindo indicadores, necessidades, características de grupos em cada país e
identificando nacionais ou lusodescendentes com protagonismo nas
comunidades locais nas várias áreas de atividade;

229
PROGRAMA ELEITORAL 2025
● Alargar a rede do Ensino da Língua e Cultura Portuguesas no estrangeiro;

● Garantir que a TAP mantém ligações aéreas regulares e acessíveis com os


países onde residem significativas comunidades da diáspora;

● Agilizar o Apoio Social a Emigrantes Carenciados das Comunidades


Portuguesas, o funcionamento do apoio a emigrantes carenciados (ASEC) e do
apoio a idosos carenciados (ASIC);

● Continuar e robustecer a captação de investimento de empresários da diáspora


para Portugal, promovendo um acompanhamento personalizado aos projetos;

● Dar um novo impulso ao movimento associativo da diáspora, com especial


enfoque na participação de jovens e mulheres, reforçando o apoio à integração
das comunidades nos seus países de acolhimento;

● Ajustar o regime de apoios ao associativismo da diáspora, atualizando os


critérios e lista de associações, permitindo a valorização de projetos inovadores
e inclusivos, que reflitam a diversidade e as múltiplas filiações identitárias nas
novas comunidades portuguesas;

● Expandir o reconhecimento mútuo das qualificações académicas ou


profissionais obtidas em Portugal e no estrangeiro;

● Apoiar o património cultural ligado às comunidades, valorizando também a


atividade dos seus artistas e criadores culturais;

● Criar um Programa de residências artísticas e literárias para criadores e


autores luso-descendentes, assegurando estadias em Portugal, de modo a
apresentarem os seus trabalhos e conviver com pessoas e instituições do meio
cultural nacional;

● Definir, com as associações de investigadores nacionais no estrangeiro, uma


estratégia coordenada de diplomacia científica;

● Apoiar a comunicação social da Diáspora;

● Assegurar que o Programa Regressar se torna mais acessível a portugueses


que pretendem regressar ao território nacional;

● Revisitar as regras que ditam a apreensão de viaturas com matrícula


estrangeira de cidadãos portugueses emigrados.

230
O FUTURO É JÁ

4. Uma Defesa nacional à


altura dos desafios atuais

O ambiente estratégico internacional, caracterizado por novas dinâmicas que


condicionam a segurança e a defesa de Portugal, da Europa e da Aliança Atlântica, exige
uma reflexão sobre as prioridades da Defesa para os próximos anos.

Portugal sempre foi um aliado credível e continuará a cumprir os seus


compromissos internacionais no contexto das Nações Unidas, da União Europeia e
da NATO.

O país deve estar preparado para encetar uma nova fase de investimento na Defesa
Nacional. É prioritário acelerar de forma determinada a modernização e o reforço
das nossas capacidades militares. É fundamental melhorar a atratividade da
carreira militar, valorizando quem serve nas Forças Armadas, garantindo melhores
condições para recrutar e reter mais militares nas fileiras, não esquecendo ainda os
antigos combatentes e deficientes das forças armadas.

A crise que marca o momento atual da relação transatlântica e os desafios que se


colocam em resultado da invasão da Ucrânia pela Federação Russa, exigem uma
cooperação reforçada entre os Estados-membros a nível da Defesa.

Portugal deve acompanhar e participar ativamente nos esforços de afirmação


militar europeia e a indústria nacional pode desempenhar um papel muito
relevante na sua concretização. Envolver as empresas que compõem a Base
Tecnológica e Industrial de Defesa no processo de reequipamento das Forças
Armadas e no desenvolvimento da indústria militar europeia reforça a nossa
autonomia estratégica, mas também estimula a economia portuguesa. Portugal
deve, por isso, apoiar a participação das empresas nacionais nas cadeias de
produção europeias e tirar partido dos novos programas e instrumentos de
financiamento europeus.

4.1. Capacitação

Quanto ao reforço e capacitação da nossa soberania e Defesa Nacional, o PS


propõe:

231
PROGRAMA ELEITORAL 2025
● Adotar um novo Conceito Estratégico de Defesa Nacional, assumindo as
aproximações e interligações possíveis ao Conceito Estratégico da NATO, à
Bússola Estratégica da União Europeia, ao Livro Branco sobre a Defesa
Europeia e o Plano ReArm Europe/Prontidão 2030;

● Aprovar uma Lei de Programação de Efetivos para as Forças Armadas, por


forma a garantir os recursos necessários, num quadro plurianual de reforço do
recrutamento e incorporação de pessoal, para normalização do número
mínimo de efetivos estipulado por lei;

● Antecipar o processo de revisão da Lei de Programação Militar e da Lei de


Infraestruturas Militares, reforçando a sua execução e as aquisições de
equipamento;

● Criar um Mecanismo Anual Extraordinário para Reforço de Meios e


Equipamentos Militares (MAERMEM), dotado de uma verba anualmente
estipulada em Orçamento do Estado, para corresponder a necessidades
extraordinárias do EMGFA e dos três Ramos, que não se coadunem com a
calendarização e execução dos projetos da Lei de Programação Militar e que
permita, designadamente, repor o material militar e as munições que temos
cedido à Ucrânia;

● Reforçar capacidades e competências em dimensões complexas e


emergentes, aumentando significativamente a capacidade de resposta
nacional em áreas como a ciberdefesa, no quadro de uma verdadeira doutrina
de proteção da informação no ciberespaço;

● Rever a Lei da Defesa Nacional, dotando a Assembleia da República de maior


capacidade de acompanhamento e fiscalização da ação governativa nesta área,
em moldes semelhantes a outros parlamentos;

● Valorizar o Centro do Atlântico, sediado nos Açores, unidade essencial para a


investigação e desenvolvimento multilateral em Segurança e Defesa no
domínio do Oceano Atlântico;

● Aprofundar as políticas para o Espaço e o desenvolvimento de tecnologias


associadas, reforçando o papel do Centro de Operações Espaciais na ilha
Terceira e o Porto Espacial de Santa Maria, nos Açores, que detém condições
únicas a nível europeu para o lançamento de satélites;

● Garantir o reforço da segurança dos cabos submarinos que passam por águas
portuguesas e outras infraestruturas críticas;

232
O FUTURO É JÁ
● Potenciar novas oportunidades ao nível do Programa Defesa + Ciência;

● Proceder à revisão do Plano Setorial da Defesa Nacional para a Igualdade;

4.2. Ação Externa

No âmbito da Ação Externa no domínio da Defesa, o PS propõe:

● Aprofundar a solidariedade de Portugal com a Ucrânia no quadro da


invasão russa, reforçando o apoio a nível de material militar, mas também
no treino, assistência médica e outras formas de apoio;

● Participar ativamente nas discussões que se colocam sobre as necessidades


militares coletivas da UE e financiamento militar europeu;

● Reforçar a participação e liderança portuguesa em projetos de interesse ao


nível da Cooperação Estruturada Permanente e fomentar a utilização dinâmica
do Mecanismo Europeu de Apoio à Paz, do acesso ao Fundo Europeu de Defesa
e restantes instrumentos financeiros criados e a criar no âmbito da UE;

● Prosseguir o papel relevante das Forças Armadas em missões internacionais no


âmbito das organizações em que Portugal participa, nomeadamente através
das Forças Nacionais Destacadas;

● Reforçar a Cooperação no Domínio da Defesa com nações amigas e aliadas, ou


de interesses comuns, privilegiando a cooperação militar com os PALOP e a
CPLP.

4.3. Economia da Defesa

Cumpre ainda projetar a economia de defesa. Para tal, o PS propõe:

● Lançar uma Agenda Mobilizadora que estimule a capacidade industrial de


Portugal no domínio da Defesa, envolvendo a indústria, as universidades,
centros de investigação e associações empresariais;

● Envolver o tecido empresarial que compõe a BTID no processo de


reequipamento das forças armadas, procurando reforçar a autonomia
estratégica do país e estimular a participação da nossa economia na
regeneração de equipamentos;

● Participar em consórcios europeus de produção de equipamento militar,


reforçando não apenas o caráter de interoperabilidade que o país tem

233
PROGRAMA ELEITORAL 2025
prosseguido, mas tornando Portugal num parceiro interveniente na produção
de sistemas de defesa;

● Fomentar a participação em empresas portuguesas de fundos de investimento


associados a capitais de risco, como o NATO Innovation Fund, instrumentos do
Banco Europeu de Investimento e do Banco Português de Fomento;

● Valorizar o papel da AICEP a nível das indústrias de Defesa e promover a fixação


no país de indústria privada, entidades com investigação associada aos centros
de ponta, a fim de transportar tecnologia avançada para o setor industrial
português;

● Promover a transparência, simplificação e desburocratização dos processos de


credenciação e licenciamento de empresas que atuam no âmbito da
contratação de inovação;

● Investir na capacitação da base industrial e tecnológica de defesa, do


cluster aeronáutico ao cluster marítimo;

● Estimular a reposição da capacidade produtiva do conjunto de infraestruturas


e estaleiros existentes no país com capacidade de atração de investimentos;

● Maximizar o potencial económico da construção ou produção de meios


tecnológicos complementares no domínio da Defesa, como é o caso da
indústria de drones, que servem propósitos multifuncionais: militares,
científicos, de proteção civil ou segurança interna;

● Alavancar as competências nacionais na área aeroespacial através do


desenvolvimento de constelações de satélites preparados para fornecer
serviços de vigilância terrestre e marítima com diferente capacidade,
estimulando, por essa via, a inovação tecnológica;

● Apoiar o desenvolvimento de software e hardware para simulação;

● Contribuir para a criação de um verdadeiro ecossistema de I&D em Defesa,


promovendo a criação de bolsas específicas nesta área e apoiando o registo de
patentes.

4.4. Carreira e condição militar

É necessário valorizar a carreira e a condição militar, bem como o serviço militar


profissionalizado. Para prosseguir estes objetivos, o PS irá:

234
O FUTURO É JÁ
● Rever a carreira dos militares das Forças Armadas;

● Rever o Regulamento de Incentivos à Prestação de Serviço Militar para os Regimes


de Contrato e Voluntariado, alargando o leque de incentivos, quer para a prestação
do serviço militar, quer para a futura reinserção na vida civil;

● Impulsionar a melhoria das condições logísticas para prestação do serviço


militar, reforçando verbas para o investimento e beneficiações necessárias nas
instalações militares, a par da valorização das condições de habitabilidade dos
edifícios das Forças Armadas;

● Prosseguir a reforma dos cuidados de saúde militares, capacitando a


Assistência na Doença aos Militares e o IASFA;

● Expandir os mecanismos de apoio às famílias militares, assegurando uma


melhor conciliação entre a vida pessoal, profissional e familiar;

● Revisitar o Estatuto do Antigo Combatente;

● Valorizar as pensões dos militares com deficiência e regularizar outras situações


afins, bem como as pensões de sobrevivência auferidas pelas viúvas de
deficientes militares.

235

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