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A Morte Iniciática Do Maçom

O documento explora a ideia de morte e renascimento na maçonaria, onde a iniciação é vista como um segundo nascimento simbólico, representando a morte do ego e o surgimento do ser interior. A morte física é considerada uma parte natural do ciclo da vida, enquanto a verdadeira evolução do ser humano é alcançada através do autoconhecimento e da superação do ego. A iniciação maçônica, com seus rituais, busca guiar o iniciado em direção a uma compreensão mais profunda de sua verdadeira essência e do significado da vida.
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A Morte Iniciática Do Maçom

O documento explora a ideia de morte e renascimento na maçonaria, onde a iniciação é vista como um segundo nascimento simbólico, representando a morte do ego e o surgimento do ser interior. A morte física é considerada uma parte natural do ciclo da vida, enquanto a verdadeira evolução do ser humano é alcançada através do autoconhecimento e da superação do ego. A iniciação maçônica, com seus rituais, busca guiar o iniciado em direção a uma compreensão mais profunda de sua verdadeira essência e do significado da vida.
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A morte iniciática do maçom, símbolo ou realidade?

Os maçons referem-se à iniciação como um segundo nascimento,


como um renascimento após uma morte indispensável que qualificam de
simbólica. Mas, o que significa “morte e renascimento”? É uma ideia
poética que nada tem a ver com a realidade ou um ato concreto?
O que deve morrer e renascer?
Um dia nascemos sem pedir a quem quer que seja, nos alimentam
com leite, depois comidas amassadas e finalmente com alimentos sólidos
para que nosso corpo cresça e passe de bebê a criança e de criança a
adulto.
Ao mesmo tempo, tentamos, com sucesso variável, alimentarmo-nos
intelectualmente enquanto juntamos inconscientemente eventos aleatórios,
uma nutrição emocional, em última análise, tornamo-nos o que somos:
homens e mulheres imersos em uma sociedade onde cada um está lutando
para não ser conduzido pelas ondas do nada.
Tudo o que existe sobre a Terra está condenado a desaparecer, a
morte não é uma anomalia, a intrusão da morte do corpo na vida é uma
etapa normal, natural e irremediável. Não se trata de um golpe divino, mas
de um ciclo natural inevitável. O estado de ser humano-animal nos
condena à morte.
Quando morremos, a Terra nos esquecerá pouco a pouco até a
completa extinção das lembranças. Então não existiremos mais em
qualquer memória, qualquer coração, qualquer consciência. Esse
desaparecimento é característica de minerais, plantas e animais, incluindo
o homem.

Renascimento
O oposto da morte não é a vida, mas o nascimento. Morrer faz parte
do nosso nascimento, não podemos razoavelmente aceitar o nascimento
de nosso corpo sem aceitar sua morte.
A liberdade congênita do homem o torna responsável por suas
escolhas de vida: seja de viver de acordo com seu egoísmo natural de
animal humano, seja de superar e viver de acordo com as leis do
desenvolvimento do universo, do devir humano. Mais que a ausência do
instinto animal, nossas liberdades nos permitem atingir a maturidade de
uma consciência interior puramente humana de um ser que nos obriga, por
sua natureza, a uma ética de amor e respeito.
Os rituais da maçonaria traçam o caminho a seguir e marcam as
etapas, ao nos aventurarmos no caminho do autoconhecimento, o ser
ordinário diminui de tamanho, se imobiliza, sua expressão morre
lentamente e deixa espaço livre para o ser essencial. A morte do ser
comum não é a aniquilação do ego, ao contrário, com a morte de nossa
personalidade egoísta tornamo-nos mais nós mesmos. Essa morte é
chamada simbólica porque não se trata da morte física, mas da morte do
ego. A morte se torna uma imagem, uma representação da realidade,
porque de fato o próprio ego não morre, ele está sempre lá dentro de nós,
pronto para ressurgir à menor fraqueza de atenção.
Se a morte não é morte, mas o domínio de uma parte de nós mesmos,
o renascimento, (o segundo nascimento) também não é aquele de nosso
corpo nascido de uma vez por todas, mas o nascimento do nosso ser
interior, dessa parte muito especial de nós mesmos, que faz toda a
diferença entre um animal-humano e um humano-animal.

Câmara de Reflexão
Devemos morrer para nós mesmos, para o que somos, para a
imagem que queremos dar a nós mesmos. Precisamos de um outro eixo,
uma outra atenção a nós mesmos que escute nossos pensamentos e
nossas emoções. Precisamos de outras referências diferentes daquelas
que aprendemos até agora. Para manter a mente clara, precisamos de
uma âncora referencial mais sólida que o reflexo da imagem interior
devolvido pelas situações exteriores fluidas.
A iniciação maçônica fala simbolicamente da Câmara de Reflexão, um
espaço livre e desconhecido dentro da terra humana, aonde fica o iniciado.
Ele se encontra ali, fora de si mesmo enquanto ego, uma entidade objetiva,
generosa, justa e protetora. Uma entidade que é o que ele aspirava ser,
que é sua natureza original em movimento, que é o seu Ser, sua verdadeira
humanidade superior ao seu ser mamífero.
Fora ou dentro de uma ordem iniciática maçônica, depende de nós
atingir o Humano que somos conclamados a nos tornarmos por evolução
natural. O homem é essa coisa, esse animal, esse ser que pode se
compreender, se transcender ele mesmo e, em seguida, perceber, além do
conhecimento filosófico as estruturas religiosas e estados psicológicos, a
experiência do Ser até a revelação do Espírito original. De morte em morte
simbólica, dirigimos pouco a pouco nossas energias para o inexprimível
que ressoa dentro de nós.
Ciclo de Vida
No entanto, chegará a hora da morte real do nosso corpo animal. Ela
é natural na ordem das coisas. A iniciação final não é mais uma morte
simbólica, mas a morte física. É a partir dela que, talvez, saberemos a
Verdade sobre o significado do mundo e o sentido de nossas vidas.
Fundamentalmente, a morte física não é nem absurdo nem contra a
natureza. Ela é parte de um ciclo natural da vida.
Os ritos de iniciação maçônicos desenvolvendo o Ser interior humano
durante o ciclo de vida zoológico abre a porta para uma outra vida
participante de um ciclo em espiral que expande a consciência de uma
visão que se amplia gradualmente à medida que o iniciado se eleva em
direção ao cume. Assim, pode ser que o Ser nascido durante a vida
terrena, que adquiriu as qualidades e a força necessárias e que não tem
nada a ver com a natureza animal, continue sua trajetória em um espaço-
tempo eterno.
A vida (primeiro nascimento) permite o nascimento do Ser (segundo
nascimento) e permite assim a implantação do nosso renascimento infinito.
Nascido no tempo, pelo processo evolutivo de sua energia, o Ser pode
retornar de seu exílio terrestre ao seu espaço original, fora do tempo, em
seu coração eterno e viver sua permanência. Paradoxalmente, a morte [do
corpo físico] abre para a eternidade [do Ser]. Este é, talvez, o objetivo da
energia criadora que flui através de e continua a natureza humana para o
seu pleno florescimento na luz.
A iniciação maçônica do Rito Escocês antigo e aceito maçônico
formula essa ideia após os dois primeiros graus preparatórias no mito do
assassinato do mestre Hiram (o Ser interior) por maus companheiros (os
mecanismos egoístas) *. Ela propõe exercícios rigorosos que
independentemente de qualquer crença, qualquer sistema de pensamento
e de qualquer teoria nos lançam progressivamente ao longo de 33 graus, lá
onde não sabemos coisa alguma. Estes exercícios nos colocam diante do
infinito do Conhecimento supremo. A experiência cara a cara, vivida
conscientemente nos fornece a certeza da Verdade inexprimível, ao
mesmo tempo em que protege o espírito crítico, interrogativo e rigoroso
condizente com um verdadeiro iniciado.
Tradução José Filardo
Resuno do Artigo da Revista Franc-Maçonnerie |Novembro 2013 | Por Alain Pozarnik
Sobre o autor
Alain Pozarnik
Alain Pozarnik ex-Grão-Mestre da Grande Loja Da France é o autor de uma dezena de livros
iniciáticos publicados por Dervy.
36Última obra publicada: Simbolismo do ritual de fechamento de loja maçônica, Editions Dervy, 2011

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