Ciclo Sono-Vigília - Final
Ciclo Sono-Vigília - Final
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O sono e as suas funções
Dormir pressupõe, em geral, estar deitado num local confortável e seguro. Ao repousarmos
a cabeça, iniciamos uma transição da vigília para o sono, uma fase breve de sono leve, durante
a qual o ritmo cardíaco, a respiração e os movimentos oculares abrandam, e os músculos
relaxam com eventuais espasmos. As ondas cerebrais começam, também, a modificar-se.
Segue-se uma fase de sono mais profundo, caracterizada por uma maior desaceleração das
funções fisiológicas, como o ritmo cardíaco e a respiração, relaxamento muscular acentuado,
descida da temperatura corporal e ausência de movimentos oculares. É nesta fase que a
atividade cerebral garante a nossa insensibilidade a estímulos externos.
Depois, entramos no sono profundo, onde as ondas cerebrais se tornam lentas e estímulos
como ruídos deixam de nos acordar com facilidade. Esta fase é fundamental para a libertação
da hormona do crescimento e para a sensação de energia ao despertar.
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Figura N.1- Imagem ilustrativa associada ao sono
Depois, entramos no sono profundo, onde as ondas cerebrais se tornam lentas e estímulos
como ruídos deixam de nos acordar com facilidade. Esta fase é fundamental para a libertação
da hormona do crescimento e para a sensação de energia ao despertar.
O sono é um processo vital e complexo que desempenha múltiplas funções essenciais para o
equilíbrio do corpo e da mente. Longe de ser um estado passivo, o sono é altamente ativo e
necessário para a manutenção da saúde física, mental e emocional.
Durante o sono, o organismo entra num estado de regeneração e restauro. Uma das principais
funções do sono é a recuperação cerebral. Durante as fases mais profundas, especialmente o
sono Não-REM, o cérebro reduz a sua atividade, permitindo a eliminação de toxinas
acumuladas ao longo do dia e o restabelecimento do equilíbrio neuroquímico. Esta pausa no
funcionamento cerebral ativo é crucial para que, no dia seguinte, o cérebro possa operar de
forma eficiente e clara.
Cada ciclo do sono tem uma duração média de 90 a 110 minutos e repete-se várias vezes
durante a noite, geralmente entre 3 a 5 ciclos, dependendo da duração total do sono e das
necessidades individuais. A arquitetura do sono divide-se em duas grandes fases principais: o
sono Não-REM (NREM) e o sono REM (Rapid Eye Movement). Cada uma destas fases possui
características fisiológicas e neurológicas distintas e cumpre funções específicas no
organismo.
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A harmonia e sequência destas fases são cruciais para garantir uma boa qualidade de sono.
Quando a arquitetura do sono é interrompida por distúrbios do sono, stress, má higiene do
sono ou outros fatores e o corpo e a mente não conseguem beneficiar plenamente dos efeitos
restauradores do descanso noturno.
Outra função relevante do sono prende-se com o equilíbrio hormonal e metabólico. Enquanto
dormimos, o corpo regula hormonas fundamentais, como a leptina e a grelina, que controlam
a fome e a saciedade, ajudando a manter um peso saudável. A produção de insulina é
igualmente estabilizada, o que tem um impacto direto no controlo dos níveis de açúcar no
sangue.
A nível imunitário, o sono reforça as defesas naturais do organismo. Durante a noite, há uma
produção mais eficaz de anticorpos e células imunitárias, tornando o corpo mais preparado
para enfrentar infeções e acelerar processos de recuperação.
Por fim, o sono tem um papel preponderante na regulação emocional. Uma noite mal
dormida afeta negativamente o humor, aumenta a irritabilidade e reduz a capacidade de lidar
com o stress. Pelo contrário, um sono de qualidade contribui para o equilíbrio emocional e
bem-estar psicológico.
Assim, todas estas funções demonstram que o sono é um alicerce fundamental para a saúde
global. Cuidar da qualidade e duração do sono deve ser uma prioridade em qualquer fase da
vida, desde a infância até à idade adulta.
Fases do sono
Estas fases fazem parte do sono Não REM (sem movimentos oculares rápidos). A fase seguinte
é o sono REM, marcado por atividade cerebral intensa, semelhante à da vigília, e por
movimentos oculares rápidos. É nesta fase que ocorrem os sonhos mais vívidos, associados à
exploração de memórias. A respiração torna-se irregular, e a pressão arterial e frequência
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cardíaca aumentam. Curiosamente, os músculos do corpo ficam paralisados, impedindo que
o corpo execute os movimentos dos sonhos.
Estas fases formam um ciclo de sono, que dura entre 90 a 110 minutos, como já foi dito, e
durante a noite, ocorrem entre três a cinco ciclos, cuja duração varia conforme a atividade do
dia, a noite anterior e o momento específico da noite.
O sono Não-REM é subdividido em três etapas, que representam uma progressiva transição
entre a vigília e o sono profundo:
Etapa 1 (N1): é a fase inicial do sono, caracterizada por um sono leve, onde o ritmo cardíaco
e a respiração começam a abrandar, os músculos relaxam e pode ocorrer uma sensação de
queda ou espasmos musculares.
Etapa 2 (N2): marca uma fase de maior, aonde acontece o desligar do meio envolvente. O
corpo desacelera ainda mais, a temperatura corporal diminui e as ondas cerebrais mostram
padrões específicos que indicam uma estabilização do sono.
Etapa 3 (N3): também conhecido como sono profundo ou sono de ondas lentas. É nesta fase
que ocorrem os processos de regeneração física mais intensos, como a libertação de hormona
de crescimento e a reparação de tecidos. É também a fase mais difícil de despertar e aquela
em que o corpo atinge um estado máximo de descanso.
Após estas fases, o ciclo avança para o sono REM, fase em que ocorre maior atividade
cerebral, semelhante à vigília. Durante o sono REM:
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Ao longo da noite, a proporção das fases do sono altera-se. Nos primeiros ciclos predomina o
sono profundo (N3), essencial para a recuperação física. Já nos ciclos posteriores, a duração
do sono REM aumenta progressivamente, favorecendo a consolidação da memória e o
processamento emocional.
O ritmo circadiano
O sono é regulado por dois mecanismos principais, a homeostasia (Processo S), que
determina a quantidade de sono necessária, e o ritmo circadiano (Processo C), que define o
momento ideal para dormir. Estes processos funcionam de forma independente, mas em
conjunto asseguram um sono equilibrado. O ritmo circadiano é orientado por um “relógio
biológico interno” que sincroniza várias funções do organismo com o ciclo diário. À medida
que o dia avança e realizamos tarefas, a pressão para dormir aumenta, refletindo o cansaço
acumulado. Quando finalmente dormimos, essa pressão diminui, permitindo-nos recuperar
energias e melhorar o desempenho no dia seguinte.
O sono é essencial para a recuperação física e mental, contribuindo para a saúde geral e
prevenção de doenças. A sua privação afeta negativamente o funcionamento cerebral, o
bem-estar e as capacidades cognitivas, como a memória, a regulação emocional e o
comportamento.
Distúrbio do sono
Apneia Obstrutiva do Sono (AOS): causada pelo colapso das vias respiratórias, provoca
ronco, fadiga, sono agitado e dificuldades de concentração.
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Apneia Central do Sono (CSA): resulta de falhas na comunicação do cérebro com os
músculos respiratórios, levando a interrupções da respiração e despertares noturnos
frequentes.
A Síndrome das Pernas Inquietas (RLS) é um distúrbio do sono caracterizado por uma forte
necessidade de mover as pernas, especialmente em momentos de repouso, como ao deitar-
se. Esta condição dificulta adormecer e manter o sono, podendo provocar sonolência diurna,
irritabilidade e dificuldades de concentração. O alívio temporário geralmente ocorre com o
movimento das pernas.
Desde os primeiros meses, as crianças dormem várias horas, mas podem ter interrupções
noturnas, especialmente quando estão doentes. À medida que crescem, o sono REM
aumenta, fase onde ocorrem os sonhos e pesadelos.
As práticas de sono variam entre famílias e culturas. Especialistas recomendam que bebés
durmam no mesmo quarto dos pais, mas não na mesma cama, para reduzir o risco de
síndrome da morte súbita infantil (SMSI).
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3. Problemas comuns do sono:
Pesadelos:
Ocorrem durante o sono REM, podendo acordar a criança, que geralmente se recorda do
sonho. São mais frequentes em momentos de stress.
Ocorrem no sono não REM, causando episódios intensos de medo sem a criança estar
totalmente consciente. Afetam sobretudo dos 3 aos 8 anos e tendem a desaparecer com o
tempo. O sonambulismo afeta cerca de 15% das crianças entre os 5 e os 12 anos.
Podem afetar a qualidade do sono. A síndrome pode ser tratada com suplementos de ferro.
A apneia requer avaliação médica, sobretudo se houver ronco ou agitação noturna.
4. Resistência a ir dormir:
5. Despertares noturnos:
São normais, mas podem tornar-se problema com mudanças na rotina, doenças ou estímulo
excessivo antes de dormir. Permitir que a criança durma com os pais ou oferecer
recompensas durante a noite reforça o comportamento. O ideal é manter a rotina e encorajar
a criança a voltar a adormecer sozinha.
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Figura 3- Demonstração do nosso cérebro quando queremos dormir
Higiene do sono
O sono é essencial para a saúde e o equilíbrio do ser humano, sendo responsável por restaurar
as energias e revitalizar o corpo e a mente. No entanto, para que esse descanso seja
realmente eficaz, é fundamental adotar uma boa higiene do sono, um conjunto de
comportamentos que favorecem um sono de qualidade.
Entre esses hábitos estão como manter um ambiente calmo, com pouca luz e temperatura
agradável, outro seria evitar o consumo de álcool, tabaco, alimentos pesados, doces, cafeína
e bebidas estimulantes antes de dormir, assim como limitar o uso de aparelhos eletrônicos à
noite. Praticar atividades físicas com regularidade (mas em horários adequados) e não tirar
sestas longas (superiores a 45 minutos) também como manter uma rotina de sono com
horários regulares.
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Por outro lado, a má higiene do sono pode trazer sérias consequências, como alterações de
humor, aumento do apetite e risco de obesidade, queda da libido, envelhecimento precoce,
maior risco de acidentes, prejuízo à memória, fadiga durante o dia e maior vulnerabilidade a
doenças crônicas.
Quanto à relação entre alimentação e sono, sabe-se que ambos são fundamentais para a
saúde, mas essa ligação é muitas vezes negligenciada. Uma alimentação equilibrada pode
melhorar a qualidade do sono, enquanto o consumo de alimentos inadequados pode
prejudicá-lo. Estudos indicam que melhores padrões de sono estão associados a escolhas
alimentares mais saudáveis, sendo também observada uma ligação entre a privação de sono
e o aumento do risco de obesidade. Isso deve-se não só a alterações no apetite e na ingestão
alimentar, mas também a mecanismos hormonais e metabólicos, como o desequilíbrio das
hormonas leptina e grelina, e o aumento da resistência à insulina.
Além disso, o ritmo circadiano e os níveis hormonais influenciam tanto o apetite quanto o
sono, revelando uma complexa interdependência entre esses dois aspetos do
desenvolvimento infantil. Assim, promover uma alimentação saudável desde cedo é essencial
não só para prevenir doenças crónicas, como também para garantir uma boa qualidade de
sono.
O consumo elevado de açúcar tem sido associado a um sono mais leve e menos reparador,
especialmente preocupante entre crianças e adolescentes, que costumam ter uma
preferência acentuada por alimentos açucarados. Da mesma forma, a cafeína, presente em
refrigerantes, chocolates e bebidas energéticas, pode alterar significativamente os padrões
de sono, reduzindo a sua qualidade e aumentando o tempo necessário para adormecer. A
cafeína atua bloqueando a adenosina, uma substância promotora do sono, afetando o ciclo
sono-vigília de forma prolongada.
O álcool, embora seja muitas vezes percebido como um indutor do sono, provoca um
descanso mais superficial e fragmentado, reduzindo os estágios mais profundos do sono e
facilitando os despertares noturnos. Em contraste, alimentos ricos em triptofano, um
precursor da serotonina e da melatonina, como o peixe, o kiwi e a cereja, podem beneficiar
o sono, ao promover relaxamento e facilitar o adormecer.
Mudanças bruscas no teor de gordura da dieta também podem afetar o ritmo circadiano,
especialmente quando alimentos gordurosos são consumidos perto da hora de dormir,
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dificultando a digestão e interferindo na qualidade do sono. Além disso, a deficiência de
micronutrientes como vitamina B1, magnésio, ferro, zinco e vitamina D tem sido associada a
menor duração e qualidade do sono. Estudos sugerem que a suplementação adequada pode
melhorar a latência e a eficiência do sono, especialmente em pessoas com distúrbios do sono.
Por isso, cuidar do sono é cuidar da saúde como um todo, em todas as fases da vida.
Reconhecer a importância silenciosa de algo que fazemos todos os dias, mas muitas vezes
sem refletir profundamente sobre ele. O sono é um processo complexo e essencial, composto
por ciclos bem definidos, onde fases como o sono leve, profundo e REM se alternam em
perfeita harmonia para permitir a recuperação física e mental. Essa arquitetura do sono segue
um padrão natural, regulado pelo nosso ritmo circadiano, uma espécie de relógio interno que
organiza o funcionamento do organismo ao longo das 24 horas do dia.
É esse ritmo biológico que nos diz quando é hora de estar despertos e quando o corpo precisa
repousar. Alterações nesses ciclos são causadas por maus hábitos, stress ou rotinas
desajustadas e podem comprometer o funcionamento do organismo como um todo. E é aqui
que a higiene do sono se torna fundamental. Manter hábitos saudáveis, cuidar do ambiente
em que se dorme e respeitar os sinais do corpo são atitudes simples que podem transformar
a qualidade do sono e, por consequência, a qualidade de vida.
Dormir bem não é apenas descansar é permitir que o corpo se cure, que a mente organize
memórias e que as emoções se equilibrem. Assim, o melhor conselho que se pode dar é este:
valorize o seu sono. Faça dele uma prioridade, não um detalhe. Porque uma boa noite de
sono é, muitas vezes, o primeiro passo para um bom dia de vida.
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O sono é um processo essencial e ativo no desenvolvimento das crianças, com papel
fundamental na recuperação física e mental, na maturação do cérebro e na promoção da
saúde geral. Longe de ser apenas um momento de descanso, o sono é a principal atividade
do cérebro em crescimento e está diretamente ligado ao desempenho cognitivo, emocional
e físico das crianças e adolescentes.
Por outro lado, a privação de sono traz consequências negativas expressivas. Em crianças,
pode causar défice de atenção, impulsividade, irritabilidade, dificuldades na aprendizagem e
problemas de comportamento. Pode, ainda, afetar a regulação emocional, aumentar o risco
de acidentes, perturbar funções corporais importantes como o metabolismo, e estar
associada a problemas como obesidade, hipertensão, ansiedade e depressão. No caso dos
adolescentes, o sono insuficiente está ligado a pior desempenho académico, maior risco de
problemas de saúde mental, abuso de substâncias e acidentes. A obrigatoriedade de horários
escolares fixos, que não respeitam os ritmos biológicos naturais dessa fase, agrava ainda mais
a situação, comprometendo a duração e qualidade do sono.
O sono do recém-nascido
Nos recém-nascidos, o sono ainda está em maturação, dividido entre sono ativo, tranquilo e
indeterminado. Inicialmente, predominam os períodos de sono ativo, essenciais para o
desenvolvimento cerebral, que diminuem com o tempo, à medida que os ciclos de sono se
organizam e se tornam mais semelhantes aos dos adultos. O sono REM, em particular,
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desempenha um papel crucial nessa fase, promovendo a formação de conexões neurais e o
desenvolvimento estrutural do cérebro.
Promover um sono saudável desde cedo exige compreensão das necessidades biológicas em
cada etapa do desenvolvimento. Medidas como boas rotinas, higiene do sono e
acompanhamento de eventuais distúrbios são fundamentais para garantir o descanso
necessário a um crescimento saudável, equilibrado e feliz.
As horas de sono recomendadas por faixa etária servem como orientação, mas é essencial
reconhecer que existem variações individuais. Alguns fatores como genética, ambiente,
rotinas familiares e saúde geral influenciam o tempo ideal de sono para cada criança. A
regularidade nos horários de deitar e acordar, bem como a qualidade do sono, são elementos
fundamentais, especialmente em momentos de maior stress.
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Figura N.7 - Horas totais que as crianças devem dormir
As sestas
Dentro desse contexto, a sesta assume um papel fundamental, especialmente nos primeiros
anos de vida. Até à idade escolar, é uma necessidade biológica, sendo essencial para o
desenvolvimento cognitivo, a regulação emocional e a consolidação da memória. Em
Portugal, estima-se que muitas crianças não atingem o número de horas de sono
recomendadas, e entre 15% a 20% relatam sonolência diurna excessiva, o que sublinha ainda
mais a importância das sestas como compensação.
A frequência e duração das sestas diminuem com a idade. Desde os 3 meses, os bebés
começam a intercalar períodos de sono e vigília; aos 6 meses, costumam fazer duas a três
sestas diárias. Com cerca de um ano, passam a realizar duas sestas, e entre os 15 e os 30
meses, a maioria deixa a sesta da manhã, mantendo apenas a da tarde até aos 3 ou 5 anos,
embora em algumas crianças esta se prolongue. Estima-se que entre 1 a 2 anos, as sestas
durem entre 2 a 4 horas, e entre os 3 e os 5 anos, entre 1 a 3 horas.
A promoção de padrões de sono saudáveis, tanto noturnos como diurnos, é essencial para
garantir que a criança usufrui plenamente dos benefícios restauradores do sono, permitindo-
lhe crescer de forma equilibrada e saudável, física, emocional e cognitivamente.
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À medida que as crianças crescem, os seus padrões de sono sofrem mudanças naturais e
importantes, acompanhando o seu desenvolvimento neurológico e cognitivo. A transição do
sono bifásico (com sestas) para o sono monofásico (concentrado no período noturno) é um
marco significativo na maturação cerebral. Com o avanço da idade, as crianças passam a
tolerar períodos mais longos de vigília entre as aprendizagens e a consolidação da memória,
processo que depende diretamente do sono.
Esses horários de sesta servem como orientações gerais para pais e cuidadores, mas é
essencial considerar a variabilidade individual de cada criança. Fatores genéticos,
comportamentais, clínicos e ambientais influenciam a necessidade de sono, pelo que algumas
crianças podem abandonar a sesta mais cedo ou mais tarde que outras.
A redução ou cessação da sesta pode ser sinal de desenvolvimento neurológico, mas também
pode ser influenciada por aspetos culturais, pelas expetativas parentais e pelas normas
institucionais. Em Portugal, por exemplo, as instituições de educação pré-escolar tendem a
promover a sesta até aos 3 anos, deixando de o fazer habitualmente após essa idade, sem
haver orientações formais para além disso.
Há sinais que podem indicar que uma criança está pronta para reduzir ou abandonar a sesta,
como resistência a adormecer à noite, despertares noturnos ou acordar mais cedo que o
habitual, dificuldade em adormecer durante o período da sesta, ou ainda manter-se bem-
disposta, atenta e ativa sem dormir durante o dia.
Para garantir que as sestas sejam benéficas e saudáveis, algumas estratégias podem ser
adotadas como manter rotinas consistentes e tranquilas, garantir conforto térmico e
ambiental, reconhecer sinais de sonolência, evitar sestas muito longas ou fora de horário, e
não usar a sesta como ameaça ou castigo. A atividade durante o dia e um ambiente propício
ao relaxamento são igualmente importantes.
A segurança durante o sono é um aspeto crucial, especialmente nos primeiros anos de vida.
A prevenção da Síndrome da Morte Súbita do Lactente (SMSL) implica cuidados com o
ambiente de sono. A escolha de produtos como berços, camas de grades ou camas de solteiro
deve seguir as normas de segurança europeias. Por exemplo, o berço deve ter um colchão
firme, sem folgas laterais, e grades que não ultrapassem os 6 cm de espaçamento. Já nas
camas de grades, é importante manter a altura regulável e proteger o espaço de eventuais
riscos de queda ou asfixia. Quando chega o momento da transição para a cama de solteiro
(geralmente após os 2 anos), esta deve ser baixa, segura, e com proteções laterais.
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A promoção de hábitos saudáveis de sono e de um ambiente seguro é essencial não só para
o bem-estar imediato da criança, mas também para o seu desenvolvimento físico, cognitivo
e emocional ao longo do tempo.
A Síndrome de Morte Súbita do Lactente (SMSL) é uma das situações mais angustiantes que
podem ocorrer durante o primeiro ano de vida de uma criança. Caracteriza-se pela morte
súbita e inesperada de um bebé com menos de um ano de idade, que permanece inexplicável
mesmo após uma investigação minuciosa, incluindo autópsia, análise do local onde ocorreu
o óbito e revisão do historial clínico. Ocorre, geralmente, durante o sono e em casa, sendo a
criança frequentemente encontrada sem vida no berço, sem sinais prévios de doença.
Embora seja rara no primeiro mês de vida, a SMSL tem um pico de incidência entre os 2 e os
4 meses, concentrando-se principalmente nos primeiros seis meses de vida. Esta tragédia
afeta profundamente os pais, não só pela dor da perda, mas também pela falta de explicação
e pela imprevisibilidade do acontecimento.
NÍVEL A
O local onde o bebé dorme também é fundamental. O colchão deve ser firme, plano e não
inclinado, adaptado ao tamanho da cama ou berço, com lençóis bem ajustados. Deve-se
evitar superfícies como sofás ou poltronas, que aumentam o risco de sufocação. Além disso,
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a cama do lactente deve manter-se livre de objetos soltos ou macios, como almofadas,
brinquedos e cobertores não ajustados.
A amamentação tem um efeito protetor comprovado contra a SMSL, sendo ainda mais eficaz
quando feita em exclusivo. Também se recomenda que, nos primeiros seis meses, o bebé
durma no mesmo quarto dos pais, mas numa cama separada, evitando assim os riscos do
“bed-sharing” (compartilhar a mesma cama), que incluem asfixia, estrangulamento e
aprisionamento, especialmente quando os cuidadores estão cansados ou sob efeito de álcool,
sedativos ou drogas.
Outro fator protetor é o uso da chupeta durante os períodos de sono, mesmo que esta caia
da boca do bebé – não é necessário recolocá-la. Contudo, ela deve ser introduzida apenas
quando a amamentação estiver bem estabelecida e nunca presa ao pescoço do bebé.
É crucial evitar a exposição ao fumo, álcool e drogas, tanto durante a gravidez como após o
nascimento. Estes fatores aumentam significativamente o risco de SMSL. Do mesmo modo,
deve-se evitar o sobreaquecimento do bebé: a roupa e os cobertores devem ser adequados
à temperatura ambiente e é importante que a cabeça do bebé permaneça destapada.
Idealmente, os pés do bebé devem tocar o fundo do berço, o que ajuda a evitar que se
desloque para debaixo da roupa de cama.
Nível B
Deve-se evitar o uso de dispositivos comerciais que não estejam alinhados com as
recomendações para um sono seguro, mesmo que estes produtos aleguem aumentar a
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segurança durante o sono do lactente. A sua utilização não substitui, nem reduz, a importância
de seguir rigorosamente as práticas recomendadas de sono seguro, que continuam a ser a
forma mais eficaz de prevenir a Síndrome de Morte Súbita do Lactente.
Apesar da divergência de estudos e opiniões, a escolha do local onde a criança dorme deve
caber aos cuidadores, considerando também o impacto sobre o sono dos próprios pais. Nesse
sentido, é essencial fornecer orientações claras e baseadas em evidência científica sobre os
riscos e benefícios de cada escolha, promovendo uma tomada de decisão informada e o
fortalecimento das competências parentais.
A prevenção é sempre mais eficaz que o tratamento. Por isso, é fundamental que os
profissionais de saúde, especialmente os enfermeiros, sensibilizem os cuidadores desde cedo
quanto à importância dessas medidas. A implementação de rotinas consistentes, a partir dos
seis meses de idade, revela-se eficaz e economicamente viável, tanto na promoção como na
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intervenção em distúrbios do sono. A infância é o momento ideal para instaurar esses hábitos,
pois é quando o padrão de sono começa a se formar.
No entanto, apesar das boas práticas, os distúrbios do sono são comuns entre as crianças. Em
Portugal, estima-se que entre 35% e 75% das crianças apresentem algum tipo de perturbação
do sono, sendo mais frequentes na idade pré-escolar. Esses distúrbios estão frequentemente
ligados à ansiedade, resistência em ir para a cama, insónia, múltiplos despertares noturnos e
sonolência excessiva durante o dia. Uma identificação precoce é essencial, preferencialmente
em consultas de vigilância de saúde, para evitar que esses problemas se prolonguem até a
idade adulta.
Entre os distúrbios mais prevalentes está a insónia, que se manifesta de formas diferentes
conforme a idade. Em lactentes e toddlers (dos 6 meses aos 3 anos), geralmente está
relacionada a associações inadequadas para dormir, refluxo, cólicas ou ansiedade de
separação. Já em crianças em idade pré-escolar, a insónia costuma decorrer da ausência de
limites por parte dos cuidadores e pode ser acompanhada por pesadelos e terrores noturnos.
Na idade escolar, nota-se uma higiene do sono inadequada, com resistência em ir para a
cama, ansiedade e medos. Entre os adolescentes, as alterações no ritmo circadiano são
comuns, com uma tendência natural a adormecer mais tarde, levando à insónia
psicofisiológica.
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horários convencionais. Há também distúrbios menos frequentes, como o avanço de fase, o
padrão irregular e o ciclo sem padrão de 24 horas, este último mais prevalente em crianças
com perturbações do neurodesenvolvimento ou invisuais.
Os distúrbios do movimento relacionados com o sono, como a síndrome das pernas inquietas,
os distúrbios rítmicos do movimento e o bruxismo, também são comuns. A síndrome das
pernas inquietas provoca uma necessidade intensa de mover os membros inferiores,
interferindo no início e manutenção do sono. Já os distúrbios rítmicos, como o headbanging,
são típicos dos primeiros anos e geralmente não representam preocupação. O bruxismo, por
sua vez, pode causar despertares frequentes e, quando persistente, levar a complicações
dentárias.
Entre os distúrbios mais raros, destaca-se a hipersónia de origem central, como a narcolepsia,
que se manifesta com sonolência extrema e outros sintomas como cataplexia, alucinações e
paralisia do sono. Embora rara, essa condição impacta significativamente a qualidade de vida
da criança ou adolescente.
As parassónias são fenómenos benignos e autolimitados que ocorrem durante o sono, sendo
divididas entre aquelas que surgem na fase NREM e as da fase REM. São mais frequentes em
crianças e geralmente não requerem intervenção médica, sendo a educação parental
fundamental para uma abordagem adequada.
Entre as mais comuns está o terror noturno, caracterizado por despertares súbitos durante o
sono profundo, normalmente no primeiro terço da noite. A criança pode sentar-se na cama,
gritar, apresentar sinais de medo intenso como taquicardia, sudorese e tensão muscular, sem
responder aos pais e com amnésia do episódio na manhã seguinte. É comum em crianças em
idade pré-escolar e escolar.
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Figura N.10- Terrores noturnos
Já os despertares confusionais são episódios mais suaves, nos quais a criança parece
acordada, mas apresenta olhar vago, fala lenta e comportamento desorientado. São mais
frequentes entre os 6 meses e os 7 anos e ocorrem nas primeiras horas da noite.
Enurese Noturna
A enurese noturna consiste na emissão involuntária de urina durante o sono em crianças com
idade superior a 5 anos, ocorrendo pelo menos duas vezes por semana. Quando a criança
nunca teve um período seco superior a seis meses, diz-se que é primária; se a enurese
reaparece após seis meses de continência, é considerada secundária.
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noite, esvaziar a bexiga antes de dormir, evitar bebidas com cafeína e reforçar positivamente
as noites secas. A Sociedade Portuguesa do Sono recomenda estratégias práticas como
preparar a cama com camadas extra de roupa de cama e manter pijamas extra por perto para
facilitar o manejo noturno.
No geral, estas condições fazem parte do desenvolvimento infantil e, salvo raras exceções,
resolvem-se espontaneamente com o tempo e o apoio adequado dos cuidadores.
É comum que os adolescentes apresentem uma alteração fisiológica no seu ritmo circadiano,
conhecida como “atraso de fase”. Isso significa que o corpo deles começa naturalmente a
produzir melatonina, a hormona do sono, mais tarde à noite, o que os leva a adormecer mais
tarde e, por consequência, a sentir maior dificuldade em acordar cedo. Quando, somado a
isso, se impõe um horário escolar matutino rígido, o resultado é um défice crónico de sono.
A higiene do sono, embora muitas vezes negligenciada, pode ser uma aliada poderosa. Criar
uma rotina de deitar e levantar consistente, evitar o uso de ecrãs pelo menos uma hora antes
de dormir, manter o quarto escuro e silencioso, e evitar cafeína ao final do dia são medidas
simples que fazem toda a diferença. No entanto, a realidade é que muitos jovens
desconhecem ou subestimam esses hábitos, levando a uma acumulação de cansaço que se
traduz em irritabilidade, dificuldades de concentração e até sintomas de ansiedade ou
depressão.
Entre os distúrbios de sono mais frequentes nessa faixa etária estão a insónia, os despertares
frequentes, a síndrome da fase atrasada do sono, a apneia do sono (embora menos comum),
e também comportamentos como o uso de substâncias para induzir ou manter o sono, o que
agrava ainda mais o problema.
A privação de sono não afeta apenas o humor e o rendimento escolar: tem também
implicações diretas na saúde física, no sistema imunitário e até na regulação do apetite,
contribuindo para o aumento de peso e outros desequilíbrios metabólicos.
É essencial, portanto, que pais, educadores e profissionais de saúde estejam atentos aos
sinais de que algo não está bem com o sono dos jovens. O primeiro passo é escutar, orientar
e normalizar a conversa sobre sono como um pilar essencial da saúde. Afinal, dormir não é
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um luxo é uma necessidade vital, especialmente durante os anos de transformação da
adolescência.
Com o passar dos anos, muitas mudanças ocorrem no corpo e na mente, e o sono não é
exceção. Para muitos idosos, dormir bem torna-se uma luta silenciosa. Se, por um lado, o
tempo parece sobrar, por outro, o sono torna-se mais leve, fragmentado e, por vezes,
insuficiente. O que antes era uma noite inteira de descanso tranquilo transforma-se,
frequentemente, em despertares noturnos, dificuldade em adormecer ou acordar demasiado
cedo.
Nesse cenário, a higiene do sono ganha um papel crucial. Criar e manter rotinas de sono
regulares, evitar sestas longas durante o dia, garantir um ambiente tranquilo e confortável no
quarto, e limitar a ingestão de cafeína ou líquidos ao final da tarde são estratégias simples,
mas eficazes. O contacto com a luz natural durante o dia e a prática de atividade física leve
também ajudam a regular o ciclo de sono-vigília.
No entanto, é comum que os idosos enfrentem distúrbios do sono que vão além das
mudanças naturais da idade. A insónia é, sem dúvida, o mais prevalente, mas também se
verificam casos de apneia obstrutiva do sono, síndrome das pernas inquietas e parassónias
como os despertares confusos. A presença de doenças crónicas, dores, efeitos colaterais de
medicamentos e até sentimentos de solidão ou ansiedade podem agravar ainda mais a
qualidade do sono.
Dormir bem na velhice não é apenas uma questão de conforto, está diretamente ligado à
qualidade de vida. Um sono reparador melhora a memória, estabiliza o humor, fortalece o
sistema imunitário e contribui para um envelhecimento mais saudável e autónomo.
É fundamental que se fale abertamente sobre o sono na terceira idade, sem minimizar
queixas, mas também sem normalizar distúrbios como parte inevitável do envelhecimento. O
cuidado começa pela escuta e pelo respeito às mudanças do corpo, valorizando o descanso
como uma necessidade tão vital quanto qualquer outro cuidado com a saúde.
Medicamentos
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Com o passar dos anos, muitas pessoas enfrentam dificuldades para dormir. Seja por stress,
mudanças hormonais, envelhecimento ou até ansiedade, a insónia e os distúrbios do sono
tornaram-se cada vez mais comuns. Para combater esse problema, existem diversas opções
desde alternativas naturais até medicamentos que exigem prescrição médica. Entender essas
possibilidades é essencial para uma escolha consciente e segura.
Entre as abordagens mais leves e acessíveis, estão os remédios naturais, que muitas vezes são
encontrados em farmácias, lojas de produtos naturais ou até mesmo na despensa de casa. A
melatonina, por exemplo, é um dos suplementos mais populares. Trata-se de uma hormona
produzida naturalmente pelo corpo, que regula o ciclo sono-vigília. Quando tomada em forma
de suplemento, especialmente em casos de jet lag ou insónias leves, pode ajudar a regular o
relógio biológico e facilitar o adormecer.
Outro recurso bastante conhecido é a valeriana, uma planta com propriedades calmantes,
utilizada há séculos para ajudar no relaxamento. Assim como ela, a passiflora (flor do
maracujá), a camomila e o lúpulo também oferecem efeitos tranquilizantes, sendo
frequentemente preparados em infusões ou cápsulas. O magnésio, um mineral essencial ao
organismo, pode igualmente melhorar a qualidade do sono, especialmente quando a
dificuldade de dormir está relacionada a tensão muscular ou ansiedade leve. Já o óleo
essencial de lavanda, quando usado em aromaterapia, pode criar um ambiente mais propício
ao repouso, com seu aroma suave e relaxante.
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Há ainda os antipsicóticos de baixa dose, como a quetiapina, que são usados com muita
cautela e apenas em casos específicos, nunca como primeira opção. Para insónias leves ou
ocasionais, alguns médicos recorrem também aos antihistamínicos sedativos, como a
difenidramina, embora seu uso prolongado não seja recomendado devido aos efeitos no dia
seguinte.
Por fim, há também medicamentos que atuam diretamente nos recetores da melatonina,
como a ramelteona ou a agomelatina, que ajudam a regular o sono de forma mais fisiológica,
sem os riscos de sedativos tradicionais.
Diante de tantas opções, o mais importante é lembrar que o sono é um processo natural e
vital. Nem sempre é preciso recorrer a medicamentos: muitas vezes, ajustes no estilo de vida,
boa higiene do sono e apoio emocional resolvem o problema. Mas quando a ajuda médica se
torna necessária, é fundamental fazer escolhas seguras, com acompanhamento e informação.
Dormir bem é um direito e, felizmente, existem caminhos para o conquistar.
A hora de dormir acaba por ser um momento complicado em algumas famílias. Embora o
sono infantil deva ser natural e restaurador, nem sempre ele acontece assim. Em
determinados casos, o descanso noturno se transforma em um desafio contínuo, abrindo
espaço para uma questão delicada e cada vez mais presente e a medicação para ajudar
crianças a dormir.
A ideia de dar remédios a uma criança para induzir o sono ainda desperta controvérsias e,
muitas vezes, resistência. Isso porque o sono é, por natureza, um processo fisiológico
complexo, regulado por fatores ambientais, emocionais e biológicos. Quando ele se mostra
irregular, o primeiro passo deveria sempre ser a investigação das causas da ansiedade, rotina
desorganizada, excesso de estímulos, alimentação inadequada ou mesmo condições clínicas
subjacentes.
Mas qualquer intervenção medicamentosa exige cuidado. Não se trata de uma solução
mágica, e sim de uma ferramenta que, quando bem indicada e acompanhada por um
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profissional de saúde, pode oferecer alívio temporário e segurança. A automedicação, por
outro lado, representa um risco real, pois cada organismo reage de forma diferente e o uso
inadequado pode trazer efeitos colaterais indesejados, como sonolência excessiva,
irritabilidade ou dependência psicológica.
Além disso, o uso de medicamentos deve estar sempre inserido em um plano mais amplo,
que envolva hábitos saudáveis de sono, ambiente propício, rotina previsível e o
acompanhamento contínuo do desenvolvimento da criança. A medicação, nesse cenário, não
é o fim, mas uma ponte, pode ser um recurso de apoio para que a criança reencontre, pouco
a pouco, o caminho do descanso natural.
Se o quarto está escuro, o ambiente é silencioso, e a rotina noturna foi seguida à risca. Ainda
assim, a criança rola na cama, inquieta, sem sinal de sono. Esta cena, repetida noite após noite
em muitas casas, é o ponto de partida para uma pergunta que cada vez mais surge nos
consultórios pediátricos.
Diante da exaustão dos pais e da angústia de ver o filho sem descansar, alguns profissionais,
após cuidadosa avaliação, consideram a introdução de medicamentos. Mas essa não é uma
decisão simples. A infância é uma fase delicada, de intensas transformações físicas e
neurológicas. E qualquer intervenção química precisa ser pensada com responsabilidade.
Vale lembrar que, em crianças, o sono alterado muitas vezes não é um problema isolado, mas
um sintoma. Pode sinalizar ansiedade, insegurança, rotina desorganizada ou até
hiperestimulação digital. Assim, a medicação quando indicada deve ser parte de uma
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abordagem multifatorial. A intervenção medicamentosa não substitui a higiene do sono, os
rituais de desaceleração, o vínculo emocional com os cuidadores e a construção de um
ambiente tranquilo para dormir.
No fim, a narrativa do sono infantil não deve ser sobre pílulas, mas sobre escuta, paciência e
cuidado. A medicação, quando necessária, pode ser uma ponte temporária. Mas o verdadeiro
descanso vem quando a criança sente segurança, rotina e acolhimento.
O aumento natural dos níveis de melatonina no corpo nas 1-3 horas antes do início do sono
é conhecido como “aparecimento da melatonina por diminuição da luz”. Este é o sinal de
sono na programação do nosso relógio biológico e corresponde ao fim do sinal de “vigília”
produzido pelo sistema circadiano.
Mais ou menos entre as 18h e as 20h, todos os dias, os níveis de melatonina do bebé começam
a subir. Esse ciclo natural ocorre diariamente não só nos bebés, mas também em crianças e
adultos saudáveis. Esta é a forma natural do corpo se preparar para o sono, ajudando a
adormecer e a dormir durante a noite.
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Os níveis de melatonina aumentam à medida que o cortisol (hormona do stress ou da
atividade de alerta) cai, já que o seu corpo tem um mecanismo integrado perfeito para
impulsionar a sua necessidade de dormir. Este mesmo ciclo acontece nos bebés e nas crianças
pequenas.
Os efeitos colaterais conhecidos e mais comuns a curto prazo incluem sonolência matinal,
enurese noturna, dor de cabeça, tonturas, náusea e diarreia. A melatonina também pode
interagir com outros medicamentos. Quando administrada a crianças pode levar a níveis
persistentemente elevados de melatonina no sangue ao longo do dia. Isso pode estar
associado à sonolência persistente
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Conclusão
Ao longo da vida, o sono transforma-se em quantidade, qualidade, ritmo e até no modo como
o vivemos. Desde o primeiro choro do recém-nascido até os silêncios do envelhecer, o ciclo
vigília-sono acompanha o crescimento, refletindo o corpo, as emoções e o mundo ao redor.
A arquitetura do sono, com suas fases bem desenhadas o NREM e REM, constrói, noite após
noite, os alicerces da saúde física, mental e emocional. No entanto, basta um desequilíbrio na
rotina ou um fator externo para que o sono perca sua fluidez natural.
Já na vida adulta e nos idosos, o sono tende a ser mais leve, fragmentado e curto. Os idosos
muitas vezes relatam despertares precoces, sonolência diurna ou dificuldade em manter o
sono. A arquitetura do sono muda naturalmente o sono profundo (N3) reduz-se, o REM
diminui, e a tendência é dormir e acordar mais cedo. Aqui, a medicação pode ser considerada,
mas sempre com cautela: a sensibilidade aos fármacos aumenta, e o risco de quedas ou
confusão mental exige atenção. A prioridade continua a ser a boa higiene do sono, aliada a
exercícios diurnos, exposição solar e apoio emocional. Em alguns casos, antidepressivos de
ação sedativa ou melatonina em dose baixa podem ajudar, sob vigilância médica.
Na nossa apresentação pelo Power Point, iremos abordar mais o assunto da medicação que
facilitam o sono, e as suas diferenças, assim como efeitos secundários ou ausência de efeitos.
Se existe ou não benefício nesta toma.
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Ao observarmos o sono ao longo da vida, percebemos que ele não é estático, mas um espelho
do nosso desenvolvimento, da saúde e das experiências que vivemos. Mais do que tratar os
sintomas, é preciso entender o que o sono nos diz, cuidar da rotina, do ambiente e,
sobretudo, respeitar esse ciclo natural que nos renova. Dormir é sem dúvida alguma
fundamental para uma saúde saudável físico e mental.
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