Gêneros do discurso
No mundo globalizado, onde a interação é imediata e as relações inter-
culturais são cada vez mais estreitas, a linguagem se inscreve como me-
diadora de discursos. Desse modo, devido à importância de se conhecer
e saber utilizar as práticas discursivas e sociais correntes, iremos estudar
os gêneros, que são a formalização oral ou escrita de tais práticas. Através
da análise dos gêneros poderemos compreender com maior clareza o que
ocorre quando utilizamos a linguagem para cumprir alguma atividade
social tal como atender a uma ligação telefônica, participar de uma entre-
vista de emprego, escrever uma carta de reclamação ou uma resenha.
Gêneros – apresentação
O termo gênero, amplamente utilizado na retórica (arte da persuasão
através da expressão verbal) e na teoria literária sob outro enfoque, será
aqui abordado a partir da linguística textual. A importância da noção de
gênero deve-se ao fato de que a comunicação verbal somente pode ser
possível através dele. Segundo afirmou Bronckart (1999, p. 103), “a apro-
priação dos gêneros é um mecanismo fundamental de socialização, de
inserção prática nas atividades comunicativas humanas”, o que significa,
em outras palavras, que os gêneros textuais operam, em certos contex-
tos, como formas de legitimação discursiva, já que se situam numa relação
sócio-histórica com fontes de produção que lhes dão sustentação.
Convém esclarecer a diferença entre tipo textual e gêneros, visto que
essa terminologia é frequentemente confundida. Tipo textual é denomi-
nação fornecida a uma sequência definida pela natureza linguística de sua
composição e tem uma representação mais limitada. Em sua análise são
examinados aspectos lexicais, sintáticos, gramaticais e relações lógicas.
São exemplos mais conhecidos a descrição, a narração e a dissertação. Por
outro lado, denomina-se gênero a materialização de textos encontrados em
nosso cotidiano. Esses são dinâmicos e praticamente infinitos, apresentan-
do características sociocomunicativas definidas por seu estilo, função, es-
truturação e conteúdo. Alguns exemplos são: manual de instruções, aula,
sermão, cardápio, horóscopo, telefonema, carta pessoal ou comercial.
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É importante lembrar que a relação entre esses dois conceitos não é de opo-
sição dicotômica, mas sim de complementação visto que todos os textos são re-
alizados através de um gênero e os gêneros podem conter vários tipos de texto.
Tome-se o caso de um manual de instruções. Como gênero textual, trata-se de
um evento discursivo escrito com uma organização estrutural identificável pela
maioria das pessoas em nossa cultura. Embora esse gênero contenha caracteris-
ticamente um tipo de texto instrutivo, há também outros tipos textuais menos
frequentes como as descrições do produto, por exemplo. Assim, podemos dizer
que, do ponto de vista textual, o manual de instruções é heterogêneo, porém
limitado. Embora opere dentro de padrões sociocomunicativos característicos,
relativamente estáveis, como gênero o manual pode refletir todo o dinamismo
de uma sociedade em constante transformação podendo ter características va-
riáveis dependendo do canal em que é veiculado (CD, impresso, internet), de seu
público-alvo (especialistas, público em geral) e da cultura em que se insere.
Os estudos de gênero vêm de longa data e têm como destaque Bronckart,
Bakhtin, Swales, Bhatia, dentre outros. Vários estudos têm sido realizados nessa
área voltados a aplicações pedagógicas, no contexto acadêmico e empresarial,
especialmente com foco na escrita e na leitura para fins específicos. Diversas
vertentes teóricas em língua materna e língua estrangeira abordaram o tema e
esse tem evoluído. Embora com enfoques diferentes, a maioria desses trabalhos
parece ter em comum os seguintes aspectos: (a) o fato de que a língua reflete
padrões culturais e interacionais da comunidade em que se insere; (b) a noção de
gênero como entidade sociocomunicativa e não simplesmente entidade formal.
Esses conceitos permeiam as pesquisas dos autores Swales (1994) e Bhatia
(1993) que serão privilegiados em nosso trabalho, visto que suas teorias são
complementares, além desses estudos terem sido baseados em pesquisas sobre
textos escritos.
Swales (1994) propõe uma visão integrada de gênero que abrange os parti-
cipantes da comunidade discursiva, os eventos comunicativos e as convenções
socioculturais, cada elemento convergindo na direção de um mesmo propósi-
to comunicativo. Assim, para ele, o conceito chave é o propósito comunicativo
compartilhado pelos membros da comunidade na qual o gênero é praticado. Os
demais aspectos tais como os lexicais (vocabulário), estruturação sintática, canal
e terminologia específicos, embora importantes, não têm a mesma influência
na caracterização do gênero, porém influenciam a sua escolha. Em 2001, com
Askehave, Swales amplia sua visão sobre o propósito comunicativo, em vista
de uma ampla discussão teórica ocorrida desde a apresentação de sua primeira
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definição, ressalvando que há gêneros que têm o mesmo propósito mas são di-
ferentes em termos de aspectos formais e de organização textual, assim como há
textos idênticos ou quase idênticos com propósitos comunicativos bem diversos.
Também a comunidade discursiva tem sido discutida especialmente a partir dos
gêneros ligados às tecnologias digitais. De acordo com Marcuschi (2004), em di-
versos gêneros surgidos com a internet, os indivíduos são em geral anônimos, e
superficiais nas interações, mesmo que tenham práticas comuns, como por exem-
plo, numa lista de discussão, a noção de comunidade é muitas vezes diluída.
Com a evolução daqueles conceitos, a definição de gêneros de Bhatia (1993,
p. 23), é a mais adequada aos propósitos. Para esse autor, o gênero é
[...] uso da linguagem em um ambiente comunicativo convencionalizado, que fornece sentido
a um conjunto específico de objetivos comunicativos de uma instituição social ou disciplinar,
originando formas estruturais estáveis e impondo limites no uso da léxico-gramática, bem
como em recursos discursivos. (minha tradução)
A fim de ilustrar nossa discussão, citamos, como exemplo, Motta-Roth (2002)
que examinou o gênero resenha acadêmica, chegando às seguintes conclusões
acerca desse gênero específico:
seu propósito comunicativo – avaliar livros/artigos a partir dos pressu-
postos de cada área de conhecimento (química, economia etc.) a fim de
atender as expectativas de seu público-alvo;
sua comunidade discursiva – membros da comunidade acadêmica in-
cluindo quem escreve (especialistas, pesquisadores) e quem os lê (estu-
dantes, professores, pesquisadores);
sua organização retórica contém os seguintes tópicos – (a) apresentação
do livro, (b) descrição do livro, (c) destaque de partes do livro, (d) apresen-
tação de uma avaliação final.
Além dessa análise textual, importante para os leitores desse gênero ou para
quem os escreve, a autora ainda aborda as questões de poder que permeiam
esse gênero. Assim, ela ressalta que os pesquisadores mais experientes são os
escolhidos pelos editores para elaboração de resenhas acadêmicas, enquanto
que os pesquisadores iniciantes (sem poder) constituem o público-alvo dessas.
É importante mencionar que Motta Roth (2002) estudou resenhas no contex-
to acadêmico, ou seja, resenhas de livros e artigos científicos. Resenhas de filmes
ou de livros publicados em jornais ou revistas têm características semelhantes,
mas não seguem exatamente a mesma estruturação, especialmente devido a ter
público-alvo diferente.
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Em suma, devemos ter em mente que gêneros não são entidades formais,
mas sim entidades comunicativas em que predominam os aspectos relativos a
funções, propósitos, ações e conteúdos, além de relações de poder.
Gêneros e sua função social
Em todos os contextos de situação e de cultura há atividades baseadas na
linguagem. Quando dominamos um gênero textual não dominamos uma forma
linguística e sim uma forma de realizar linguisticamente objetivos específicos em
situações sociais particulares. A partir de Bakhtin (1986) o gênero é visto como
um evento recorrente de comunicação em que um determinado evento da ativi-
dade humana, que inclui papéis e relações sociais, é mediado pela linguagem.
Segundo Meurer & Motta-Roth (2002) são três os aspectos básicos definido-
res do contexto (sobre o que se fala, quem fala e como se fala), sendo esses reali-
zados através da linguagem. Segundo esses autores, para que se possa expandir
o repertório de gêneros discursivos disponíveis em nossa cultura, devemos ter
consciência desses três aspectos e os utilizarmos de modo articulado a fim de
alcançarmos determinados objetivos comunicativos.
Uma vez que todos os cidadãos estão incluídos em grupos sociais, o estudo de
gêneros irá refletir a prática desses grupos e a sua compreensão permitirá a inclu-
são de novos membros a partir da utilização dos gêneros ali vigentes. Além disso,
o entendimento dos gêneros poderá nos trazer, especialmente a partir do ensino
formal, o desenvolvimento da consciência sobre como a linguagem é utilizada,
permitindo que as pessoas possam influir criticamente na dinâmica social.
É importante ressaltar que, embora convencionalizados, os gêneros refletem
todo dinamismo da sociedade em constante evolução. Daí a necessidade de
compreendê-los a partir de sua situação discursiva, observando o contexto em
que ocorrem. É assim que conseguimos caracterizar os gêneros através de sua
comunidade discursiva, como, por exemplo, os gêneros da mídia (editoriais, re-
senhas, cartas ao editor, notícias esportivas etc) ou ainda gêneros do mundo dos
negócios (memorandos, cartas, relatórios etc).
Desse modo, conforme já mencionamos, um gênero é muito mais do que um
tipo de texto que tem formas estáveis. Ao contrário, os gêneros se constituem e
se desenvolvem em resposta a certos propósitos sociais.
A partir dessa visão, a aplicação pedagógica dos gêneros, a partir dos PCN é
de grande valia na escola. Se por um lado isso implica em expor os aprendizes às
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Gêneros do discurso
convenções formais de determinado gênero, envolvendo a organização retórica
e aspectos léxico-gramaticais, por outro se propõe a fazer com que o aluno reco-
nheça a sua função social, sua finalidade explícita e possivelmente implícita, de
modo a compreendê-lo e criticá-lo. Afinal, como apontam Kress e Hodge (1979)
a linguagem, além de uma forma de comunicação, pode servir como instrumen-
to de manipulação por quem a usa. Somente com a conscientização do papel da
linguagem em nossa cultura e sociedade, através do gênero, poderemos incluir
o cidadão, tornando-o um leitor ou escritor mais eficiente, permitindo que con-
tribua de modo consciente e crítico com o mundo que o cerca.
Gêneros digitais
O impacto da tecnologia digital no mundo moderno, atinge a sociedade
como um todo. Uma série de gêneros digitais tais como o e-mail, o chat, o blog
estão emergindo impactando a linguagem e a vida social. A principal diferen-
ça que esses novos gêneros parecem trazer é a possibilidade de reunir várias
formas de expressão, agrupando, texto, som e imagem, tornando o texto mais
dinâmico e fornecendo escolha à sua audiência, através dos hiperlinks. Segundo
Yates (2000) as novas tecnologias digitais parecem ter tornado nossa sociedade
textualizada, visto que, com a internet, a comunicação escrita é enfatizada. En-
tretanto, não se trata da comunicação escrita nos moldes tradicionais: observa-
mos uma gama de gêneros híbridos, tais como os escritos com características de
oralização, como os chats e as mensagens eletrônicas (MSN). Marcuschi (2004)
em um ensaio abrangente sobre essa nova forma de textualização, compara
(vide quadro abaixo) gêneros tradicionais e sua contraparte eletrônica, ressal-
tando que ainda não temos gêneros puramente eletrônicos, embora possuam
características próprias advindas da mediação do computador. A rapidez da
comunicação, dentre outros fatores, tende a conferir à linguagem escrita uma
certa informalidade, embora isso não influa em que tenhamos gêneros altamen-
te convencionalizados.
Gêneros textuais emergentes na mídia virtual e suas contrapartes em
gêneros preexistentes.
(Marcuschi, 2004, p. 31)
Gêneros emergentes Gêneros já existentes
1 E- mail Carta pessoal / bilhete /correio
2 Chat em aberto Conversações (em grupos abertos?)
3 Chat reservado Conversações duais (casuais)
4 Chat ICQ (agendado) Encontro pessoais (agendados?)
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Gêneros emergentes Gêneros já existentes
5 Chat em salas privadas Conversações (fechadas?)
6 Entrevista com convidado Entrevista com pessoa convidada
7 E-mail educacional (aula por e-mail) Aulas por correspondência
8 Aula Chat (aulas virtuais) Aulas presenciais
9 Videoconferência interativa Reunião de grupo / conferência / debate
10 Lista de discussão Circulares / séries de circulares (???)
11 Endereço eletrônico Endereço postal
12 Blog Diário pessoal, anotações, agendas
O grande questionamento parece ser se a revisão de princípios teóricos a partir
desse fenômeno mundial, que, segundo o autor, não altera substancialmente a
estrutura da língua. Entretanto, modifica a maneira como os textos são lidos e
elaborados havendo necessidade de um outro olhar para elementos como a line-
aridade (sequenciamento ou encadeamento de ideias), a coerência e a coesão.
A partir do advento da internet, que se tornou um poderoso canal de comu-
nicação, as empresas perceberam que teriam disponível um meio de estar em
contato com todos os elementos de sua cadeia produtiva: clientes, fornecedores,
investidores, empregados etc. vinte e quatro horas por dia. Assim, sentiram a ne-
cessidade de criar uma estrutura textual que servisse aos seus propósitos. Desse
modo surgiram os primeiros sites. Sites são um conjunto de páginas de hipertex-
to (texto que comporta outros textos) acessados através de links ou hiperlinks.
Com o desenvolvimento dos sites, a página inicial passou a ser o primeiro
contato da empresa com seus possíveis interlocutores. Em consequência, essa
página inicial, chamada de home page começou ganhar um formato que se as-
semelha nos diferentes sites de empresas ou individuais, na atualidade.
Observe a página inicial (home page) dos sites das empresas Pfizer (uma in-
dústria farmacêutica) e do Wal-Mart (hipermercado) abaixo:
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Gêneros do discurso
Divulgação: Pfizer.
Divulgação: Wal-Mart.
Notou a semelhança entre elas?
Vamos ver como essas páginas iniciais de sites (home pages) se configuram
como gêneros:
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seu propósito comunicativo – as home pages são páginas iniciais de
apresentação de sites, servindo como canal de veiculação inicial de infor-
mações;
sua comunidade discursiva – o público-alvo é variado mas podemos di-
zer que geralmente quem acessa as páginas dessas empresas são clientes,
fornecedores, investidores e funcionários em busca de alguma informa-
ção específica;
sua organização retórica – você deve ter percebido como essas home
pages são semelhantes. O quadro abaixo compara os elementos estrutu-
rais presentes em ambas empresas.
PFIZER / WAL-MART
Informações comuns Informações diferentes
Layout – imagem central e informações em Layout – a home page da Pfizer tem, em des-
colunas. A cor de fundo escolhida é semelhan- taque, um link de busca.
te: azul que fornece uma sensação de paz. Links – Barra Superior: obviamente, alguns
Barra Superior com links que levam a outras links dessa barra de navegação, que é princi-
páginas de hipertexto com informações adicio- pal do site, são diferentes visando atender às
nais. Essa barra contém alguns links semelhantes necessidades específicas de cada empresa.
(Home, About Pfizer/About us; News & Media/ Pfizer: Products; Research & Development.
Facts and News; Sustainability/Responsibility;
Investors). Wal-Mart: Health & Wellness; Community &
Giving; Diversity; Suppliers.
Distribuição de Informações:
Informações principais e as que requerem
constante atualização estão centralizadas en-
quanto que outros dados (através de links) es-
tão dispostos ao lado direito.
Perceba que, em ambas as empresas (Pfizer,
Wal-Mart) existem comentários sobre alguns tó-
picos colocados na Barra Superior: no Wal-Mart
(Community, Sustainability, Health & Wellness);
na Pfizer (Investor Presentation; Product Pipeline
Update).
Vemos, assim, que temos um gênero criado em função das necessidades co-
municativas de determinada sociedade. Esse gênero, bem como vários outros,
sejam virtuais ou não, estão a serviço da comunidade e para tal estruturam-se a
fim de atender às suas demandas.
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Gêneros do discurso
Texto complementar
Why genres matter
(PRICE, 2002. Adaptado)
A genre is born as a response to an audience’s questions, needs,
wishes, fantasies
Writers don’t start genres, audiences do. A niche audience starts the
conversation by asking a certain kind of question over and over in the same
general context. For instance, newspaper editors tend to ask, “What’s the news
item here? When can I release this? Who can I call for more info? ”In response,
publicists came up with the generic press release, a fairly standard approach
to answering those questions in a methodical way, with a heading, release
date, and contact phone number. Through the ongoing virtual conversation
between editors and flacks, a peculiar type of text is developed—a genre.
How do I do x? Procedure
What does x mean? Definition
How is the company doing? Annual report
What is your original idea? Academic essay
What can you do for my organization? Resume
What’s the real crime here, and how will it be solved? Detective novel
Once the audience has gotten your attention with a broad question, and
persuaded you to write in a particular genre in response to that question,
you discover that, buried inside that larger question the audience may have
a whole set of follow-up questions, which come up in a certain order. In fact
the follow-up questions often fall into a nested hierarchy. For instance, within
the basic question, “How do I do this?”(which we reply to with a procedure)
are smaller questions such as, “What tools do I need to get ready?”and “What
should my work look like now?”
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In response to questions like these, writers have come up with tool
lists (“You need a Phillips head screwdriver”) and illustrations inside the
steps (“Insert Tab A into Slot B”). So the procedure, as a genre, has a set of
components that must be included and convention — the rough agreement
of thousands of writers over many years — dictates a certain way of organizing
those components.
For instance, to be a procedure, a text must include at least one instruction,
which is a step the reader should take. That step answers the key question,
“What do I do next?”. But a procedure may also contain other elements, each
of which addresses a particular question the reader might ask in this context.
Here are some of the follow-up questions that may lead to particular pieces
of a procedure:
What should I know before I start? Introduction
What’s the point? Goal
When should I do this? Context
What tools do I need? Tool list
Is there anything I should do before I start? Prerequisites
What’s the basic idea here? Conceptual overview
How does this task fit into the larger process I am working on? Process
diagram
What do I do next? Step
What should I watch out for? Warning
What did that term mean, in the step? Definition
Can you give me a hint? Tip
Now that I’ve done what you said to do, what’s the result? Result
statement
Do my results match yours? Illustration
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Gêneros do discurso
What’s that strange gizmo in the corner of the illustration? Callout
What does this picture show? Caption
Could you give me an example of the way this step is supposed to work?
Example
I did what you said, but it didn’t work: now what? Troubleshooting
You can see that these questions — and the elements that carry your
responses — follow a rough sequence. If you were creating a diagram of
a generic procedure, you might draw a nested hierarchy, indicating which
elements were optional, and which were required and in what order — a
document type definition for the genre. In fact genres are informal analogies
of the content models you create for XML delivery. A genre acts as a general
model, an uncodified but widely acknowledged structure, with an implied
style. Each writer, through pressure, inspiration, or laziness, will twist the
model a little, to fit a particular context. But even with these variations, writers
expect that visitors should recognize that the text is following an established
convention with a familiar structure.
Dicas de estudo
Para quem quer ter uma perspectiva geral sobre conceito de gênero reco-
mendo o livro: Gênero, Teorias, Métodos e Debates (2005) organizado por José Luiz
Meurer, Adair Bonini e Désirée Motta-Roth. Nesse periódico, que é uma coletânea
de vários autores, o conceito de gênero textual é discutido sob diferentes perspec-
tivas baseado nos estudos dos pesquisadores. Uma excelente leitura para aqueles
que querem conhecer a prática do uso de gêneros no contexto pedagógico.
Atividades
1. Combine as colunas de modo a estabelecer a organização estrutural (retóri-
ca) da resenha a seguir sobre o livro Zahir de Paulo Coelho:
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