Recebido: 25.11.2023 Aprovado: 04.02.
2024
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ISSN on-line: 2238-0302
Por que brincar? A condição infantil em Freud e a formação
E
¿Por qué jugar? La condición infantil en F
Luciana Oltramari Cezar1
Claudio Almir Dalbosco2
Francisco Carlos dos Santos Filho3
Resumo
Atualmente, cada vez mais cedo os bebês vêm para a escola. Assim, conhecer o processo de
constituição psíquica precoce é importante. A construção do psiquismo humano passa por processos
estruturantes e se dá na intersubjetividade, onde o papel do semelhante torna-se prioritário. Há
operações constituintes do sujeito que podem ser sustentadas por diferentes protagonistas, entre eles,
o educador na educação infantil, que divide com os pais esse processo. A educação infantil se converte
num espaço privilegiado de formação e estruturação psíquica e o professor um agente de saúde mental.
Este artigo propõe formulações sobre os tempos de constituição do aparelho psíquico, marcando os
efeitos do brincar na estruturação do psiquismo infantil. Faz uso da postura hermenêutica no trabalho
com os textos clássicos de Sigmund Freud, principalmente sobre o jogo do Fort Da, marco inicial do
brincar simbólico, do faz de conta e dos tempos iniciais da est
Palavras-chave: Psicanálise. Estruturação psíquica. Brincar. Educação infantil.
Abstract
Currently, babies are coming to school earlier and earlier. Therefore, knowing the process of early psychic
constitution is important. The construction of the human psyche goes through structuring processes and
takes place in intersubjectivity, where the role of the similar becomes priority. There are constituent
operations of the subject that can be supported by different protagonists, including the educator in early
childhood education, who shares this process with parents. Early childhood education becomes a
privileged space for mental training and structuring and the teacher becomes a mental health agent. This
article proposes formulations about the times of constitution of the psychic apparatus, marking the effects
of playing on the structuring of children's psyche. It uses a hermeneutic stance in working with Sigmund
Freud's classic texts, mainly on the Fort Da game, the starting point of symbolic play, make-believe and
the initial times of the structuring of the 'Me'.
Keywords: Psychoanalysis. Psychic structuring. To play. Child education.
Resumen
Actualmente, los bebés llegan cada vez más temprano en la escuela. Por ello, es importante conocer el
proceso de constitución psíquica temprana. La construcción de la psique humana pasa por procesos
estructurantes y se da en la intersubjetividad, donde el papel de lo similar se vuelve prioritario. Hay
operaciones constitutivas del sujeto que pueden ser apoyadas por diferentes protagonistas, incluido el
educador en educación infantil, quien comparte este proceso con los padres. La educación infantil se
convierte en un espacio privilegiado de formación y estructuración mental y el docente se convierte en
un agente de salud mental. Este artículo propone formulaciones sobre los tiempos de constitución del
1 UPF, Passo Fundo/RS Brasil. E-mail: [email protected]. ORCID: 0000-0001-5170-0830.
2 UPF, Passo Fundo/RS Brasil. E-mail:
[email protected]. ORCID: 0000-0003-3408-2975.
3
UPF, Passo Fundo/RS Brasil. E-mail:
[email protected]. ORCID: 0000-0001-7868-2003.
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L. O. Cezar, C. A. Dalbosco, F. C. Santos Filho Por que brincar?
aparato psíquico, señalando los efectos del juego en la estructuración de la psique infantil. Utiliza una
postura hermenéutica al trabajar con los textos clásicos de Sigmund Freud, principalmente sobre el juego
Fort Da, punto de partida del juego simbólico, la fantasía y los tiempos iniciales de la estructuración del
"Yo".
Palabras clave: Psicoanálisis. Estructuración psíquica. Jugar. Educación infantil.
Introdução
Em tempos em que cada vez mais cedo os bebês vêm para a escola e os pais
dividem com esta os cuidados primários, torna-se importante a realização de estudos, no
âmbito da educação infantil, sobre a constituição psíquica precoce por parte daqueles que
dela se ocupam. Conhecer aspectos da estruturação subjetiva nos permite cogitar que há
operações constituintes do sujeito que podem ser sustentadas por diferentes protagonistas,
sejam os pais ou substitutos como, por exemplo, o educador na educação infantil, de modo
dos
físicos e cognitivos, mas desempenham um papel fundamental em seu desenvolvimento
psíquico4 ; MARIOTTO, 2014, p. 18). Partindo-se do
pressuposto de que tal constituição se dá na intersubjetividade e que a construção do
psiquismo humano passa por processos estruturantes, o papel do semelhante na
constituição subjetiva de uma criança torna-se prioritário. A infância é um tempo precioso e
fundamental para a formação humana, tempo inigualavelmente aberto a inscrições quando
comparado a outros tempos da vida, como afirmou Freud (1905/1980). Portanto, a
educação infantil se converte em um espaço privilegiado de formação e estruturação
psíquica e o professor um auxiliar poderoso na prevenção das psicopatologias na primeira
infância promovendo a saúde mental do bebê e das crianças pequenas. Salientamos assim
a importância ética e política desses cuidados primários que, quando adequados, não
garantem, mas são condição indispensável para abrir as portas para a formação humana.
Este artigo propõe formulações sobre os tempos de constituição do aparelho
psíquico, marcando os efeitos do jogo de alternância presença/ausência e do brincar na
estruturação do psiquismo infantil. É de natureza qualitativa, de cunho bibliográfico, e faz
uso da postura hermenêutica no trabalho com os textos clássicos de Sigmund Freud.
Analisaremos principalmente no texto freudiano Além do princípio do prazer (1920/2006), a
partir do jogo do carretel conhecido em psicanálise como o Fort-Da, os tempos iniciais da
-se que através do papel da mediação da mãe ou sua
substituta, a própria criança ao brincar com o carretel, constrói de maneira ainda muito
rudimentar seu próprio psiquismo. Serão contemplados também outros textos de Freud que
complementam o tema. Abordaremos a função do brincar na infância como elaborativa das
experiências agradáveis e desagradáveis, as renúncias pulsionais implicadas nesse
processo e os efeitos de estruturação psíquica presentes nesse jogo do binômio presença-
ausência, separação-reencontro na relação com o adulto significativo. Mostraremos como
4Por psíquico/psique entende-se os sistemas ou instâncias que compõe o aparelho mental de um ser humano
e determinam o funcionamento do seu psiquismo, não no sentido anatômico como a teoria das localizações
cerebrais atribui, mas das representações inscritas.
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L. O. Cezar, C. A. Dalbosco, F. C. Santos Filho Por que brincar?
a criança produz um jogo simbólico fruto de um intenso trabalho psíquico no laço afetivo
Fort-Da o marco
inicial do brincar simbólico do faz de conta. Esses jogos, tão corriqueiros na escola de
educação infantil, ajudam a lidar e elaborar as angústias mais arcaicas, tendo função
estruturante do psiquismo precoce e efeitos de subjetivação.
Além do princípio do prazer: o semelhante humano no jogo do carretel
e o nascimento do Eu
Em março de 1919 Freud começa a trabalhar na escrita de Além do Princípio de
Prazer, publicado originalmente em 1920. No capítulo dois, entre outros temas, Freud
propõe-
de suas primeiras atividades (FREUD, 1920/2006, p. 25), apresentando a
compulsão à repetição como um fenômeno presente no comportamento e nas brincadeiras
das crianças, nos jogos que repetem infinitas vezes. O processo ali descrito trata das
concepções sobre a constituição do sujeito e dos tempos iniciais da es
Freud traz para o primeiro plano o motivo econômico que leva uma criança a brincar,
ou seja, a consideração pela produção de prazer envolvido. Relata sua observação, em
razão da oportunidade que teve de conviver por algumas semanas com seu neto Ernst, de
uma cena criada e realizada repetidas vezes pela criança, então com um ano e meio de
idade. Esse ato, que Freud narra como se fosse um jogo, ficou conhecido como o Fort-Da,
hoje
uma referência para a psicanálise quando se trata das brincadeiras constitutivas na
infância. Nesse texto, o avô observador, atento e perspicaz tenta decifrar o significado da
/2006, p. 25). Eis o
trecho em que descreve o jogo em sua íntegra:
A criança de modo algum era precoce em seu desenvolvimento intelectual. À idade de ano
e meio podia dizer apenas algumas palavras compreensíveis e utilizava também uma série
de sons que expressavam um significado inteligível para aqueles que a rodeavam.
Achava-se, contudo, em bons termos com os pais e sua única empregada, e tributos eram-
conscientemente às ordens de não tocar em certas coisas, ou de não entrar em
determinados cômodos e, acima de tudo, nunca chorava quando sua mãe o deixava por
algumas horas. Ao mesmo tempo, era bastante ligado à mãe, que tinha não apenas de
alimentá-lo, como também cuidava dele sem qualquer ajuda externa. Esse bom
menininho, contudo, tinha o hábito ocasional e perturbador de apanhar quaisquer objetos
que pudesse agarrar e atirá-los longe para um canto, sob a cama, de maneira que procurar
seus brinquedos e apanhá-los, quase sempre dava bom trabalho. Enquanto procedia
assim, emitia um longo e arrast -o-o-
satisfação. Sua mãe e o autor do presente relato concordaram em achar que isso não
. Acabei por
compreender que se tratava de um jogo e que o único uso que o menino fazia de seus
confirmou meu ponto de vista. O menino tinha um carretel de madeira com um pedaço de
cordão amarrado em volta dele. Nunca lhe ocorrera puxá-lo pelo chão atrás de si, por
exemplo, e brincar com o carretel como se fosse um carro. O que ele fazia, era segurar o
carretel pelo cordão e com muita perícia arremessá-lo por sobre a borda de sua caminha
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encortinada, de maneira que aquele desaparecia por entre as cortinas, ao mesmo tempo
-o-o-
novamente, por meio do cordão, e saudava seu reaparecimento com um alegre
Essa, então, era a brincadeira completa: desaparecimento e retorno. Via de regra, assistia-
se apenas a seu primeiro ato, que era incansavelmente repetido como um jogo em si
mesmo, embora não haja dúvida de que o prazer maior se ligava ao segundo ato (FREUD,
1920/2006, p. 25-27).
O menino, conforme Freud, não parecia ser uma criança precoce nas aquisições do
desenvolvimento, nem tampouco exibir qualquer transtorno psíquico. Embora não
possuísse ainda uma fala estruturada, podia se comunicar com sons, gestos, valendo-se
de palavr -frase
mostrava inteligível aos familiares. Tinha bom vínculo com os pais e, embora fosse bastante
ligado à sua mãe, não chorava quando de suas breves saídas. Porém ele tinha o hábito de
lançar seus brinquedos e outros objetos para longe de si e, neste constante gesto, Freud
supõe que Ernst encenava e preparava-se para lidar com a separação e ausência da mãe,
como se brincasse de fazê-los ir embora.
A partir das experiências reais de separação da mãe, o menino produziu um jogo
repetido onde um carretel de madeira amarrado num cordão era arremessado até que
desaparecesse do seu olhar por trás da cortina do seu berço. Ao fazer isso emitia um longo
o-o-o- - -a-a-
joga
enigmática atividade. Recorrendo novamente à mãe, compreende o sentido que ela deu às
produções sonoras do menino, chegando à conclusão de que se tratava das palavras fort5
e da6. Esse detalhe demostra que Freud, intérprete do jogo, buscou o sentido nas narrativas
da mãe, demarcando a presença central do adulto como intérprete primordial dos atos das
crianças nos primeiros momentos da vida para a constituição do aparelho psíquico.
grande realização cultural da criança, a renúncia pulsional (isto é, a renúncia à satisfação
pulsional) que efetuara ao deixar a mãe ir embora sem protestar. Compensava-se por isso,
por assim dizer, encenando ele próprio o desaparecimento e a volta dos objetos que
/2006, p. 27). E a
(FREUD,
1920/2006, p. 27), mesmo que nunca chorasse quando ela o deixava por breves períodos
e ao refletir sobre o motivo de haver prazer por parte do menino em repetir tantas vezes o
mesmo jogo, deduz que o prazer maior era experimentado no segundo ato, ou seja, no
reencontro com o carretel lançado.
Freud refere que nesse jogo a criança está realizando movimentos fundantes da
saía, ao invés de se agarrar na barra da sua saia e chorar copiosamente tentando em vão
5 Fort
6
Da
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L. O. Cezar, C. A. Dalbosco, F. C. Santos Filho Por que brincar?
evitar sua saída, Ernst punha-se a brincar lançando e puxando o carretel na borda da saia
encortinada do seu berço. Por conta própria criou uma brincadeira que lhe ajudava suportar
o sofrimento pela ausência e separação da mãe: lança o carretel e o faz desaparecer,
-o-o-
-a-a-
reencontro, estabelecendo uma alternância de presença e ausência. Saudar o
reencontro/presença com muita alegria parecia ser para Freud, e também para o menino,
/2006, p. 27). Ao invés de chorar, Ernst
brinca; brincando tolera a ausência da mãe porque faz um ressarcimento de sua ausência
concreta no nível simbólico: essa é a realização cultural produzida e inaugurada a que
Freud se refere, um jogo simbólico que faz desaparecer e reencontrar. É simbólico pelo fato
de que as nuances próprias de um processo de simbolização estão presentes: no lugar da
descarga direta agarrar-se a chorar desesperadamente nas pernas da mãe ou nos seus
braços, eliminando as bordas entre os dois produz um saber ao brincar, indício do início
da formação de um Eu não Eu. Trata-se de um jogo simbólico, sustentado a partir da
renúncia pulsional, de ir e vir, na borda do berço, nas fronteiras do corpo dele e da mãe.
Para o bebê essas bordas não estão dadas desde sempre, são efeito de um processo de
construção mútua, fruto de um intenso trabalho psíquico no laço afetivo com o adulto que
Portanto, com Freud, podemos postular que a brincadeira da criança consiste em
uma alta realização cultural pois, ao sentir-se privado do objeto fonte de sua satisfação
pulsional, o menino se vê forçado a uma renúncia pulsional imposta pela saída da mãe e
produz ali uma invenção, realizando assim uma compensação para si mesmo através do
ressarcimento simbólico que lhe auxilia suportar a ausência. Repetindo os dois atos
inúmeras vezes produz uma profunda transformação em si mesmo, inaugurando um
funcionamento psíquico sob o domínio do princípio do prazer: ao invés de começar a chorar
e aferrar-se à saia da mãe, o que produziria fracasso e desprazer, vai brincar na barra
encortinada do seu berço, ato que promove um verdadeiro efeito estruturante no psiquismo.
Da mesma maneira que o jogo de presença e ausência do brinquedo com o carretel
estava regido pelo princípio do prazer, o impulso para sair da posição passiva e sentir-se
tir
sua experiência desagradável na brincadeira porque a repetição trazia consigo uma
/2006, p. 28).
Ao brincar, a criança opera uma passagem da passividade para a atividade; esse processo
ocorre inclusive com aquelas que ainda não falam, e embora ainda não seja uma
brincadeira estruturada como o faz-de-conta, o Fort-Da é o marco inicial do brincar
simbólico. Nele reconhecemos as suas condições primordiais: a criança transforma uma
experiência de sofrimento vivida passivamente num jogo criativo onde coloca-se como
sujeito ativo da ação e da situação, bem como alterna por moto-próprio a série
presença/ausência. Esta é uma classe de jogo que significa algo para além da ação em si
mesma, produzindo simbolizações, onde a pequena criança sustenta a si e às suas criações
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mesmo na ausência do olhar da mãe. De um ser criado pela mãe, ela se torna autora de
uma criação pessoal (JERUSALINSKY, 2014).
Para Freud o primeiro ato, o da partida, parece ter sido encenado com mais
frequência que o segundo com seu desfecho agradável. Conforme seu entendimento, a
criança transformou o sofrimento pela separação num jogo que transforma seu mundo
psíquico e sua in -se numa situação
passiva, era dominada pela experiência; repetindo-a, porém, por mais desagradável que
/2006, p. 27). Esses atos,
independentemente de partirem de vivências agradáveis ou não, estão mediados pela
pulsão de dominação7, servindo como via para lidar com as situações de desamparo e
sofrimento vividos passivamente, permitindo elaborar vivências traumáticas. Sendo o
sujeito colocado numa posição ativa, estando ele a controlar o objeto, pode também
dispensá-lo quando bem que
Freud propõe ainda outra compreensão: jogar longe o objeto poderia estar
(FREUD, 1920/2006, p. 28). Freud conta que um ano mais tarde esse mesmo menino,
quando estava zangado com um brinquedo, costumava agarrá-lo e jogá-lo ao chão,
estava ausente porque estava na guerra, na frente de batalha. Por muitas vezes ele nem
mesmo lamentava esse duro fato, revelando o desejo de ser o único possuidor de sua mãe.
Assim, através do jogo, expressa também seus impulsos hostis exibindo, contudo, um
importante ganho simból
/2006, p. 28).
O reconhecimento, por parte do bebê, da existência do semelhante como alguém
separado, de que a mãe não é uma extensão de si e tem vontade própria, é um choque
psíquico importante. Significa que o mundo não está sob o domínio dele e de sua vontade,
que nele habitam outros objetos, e que não é ele quem diz como as coisas terão que
na constituição de si. É justamente a falha no processamento dessa aquisição arcaica o
reconhecimento da diferença do que sou eu e o que não sou eu, entre o que me pertence
e o que me é estranho que pode residir a gênese de muitos tipos de rechaço e dificuldades
com tolerar as diferenças.
É uma experiência de grande risco lançar-se para além do corpo materno: o carretel
é a mãe, mas também é ele experimentando-se apartado da mãe. Antes de inventar o
carretel, Ernst, um menino relativamente travesso, simplesmente lançava longe os objetos,
tanto que sua mãe e aqueles que o cuidavam tinham que procurar seus brinquedos pela
casa toda, encontrando-os não raro nos lugares mais inusitados (JERUSALINSKY, 2014).
Isso é indicativo, de acordo com Jerusalinsky (2014) de que existem jogos precursores do
7 Sobre esse termo, remeter-se ao texto Três ensaios sobre a sexualidade, sobre a fase pré-genital da
organização sádico-anal, na oposição atividade/passividade e o modo pelo qual ativamente a criança tenta
dominar o que lhe acontece, controlar os objetos e o mundo (FREUD, 1905/1980, p. 186).
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L. O. Cezar, C. A. Dalbosco, F. C. Santos Filho Por que brincar?
Fort-da e que são primeiramente sustentados no laço com o outro. São eles: os jogos de
-
bebês por lançar objetos para que o outro, seu referente simbólico, os recupere. Esse jogo
suposição que o Outro estará ali para juntar, lhe alcançar para que ele volte a lançar. São
jogos que envolvem um exercício de separação e reencontro e que o bebê por sua própria
conta não consegue fazer, sendo necessário que alguém os crie com ele. O bebê precisa
radicalmente da sustentação psíquica do outro antes de poder brincar ele próprio8. O bebê
-
provoca nos pequenos. Corre-se o risco de não evoluir para o Fort-da caso não haja um
adulto que sustente esses jogos que fazem trabalhar a alternância deste binômio
fundamental presença-ausência, separação-reencontro, e por falhas situadas exatamente
neste ponto não é raro encontrarmos bebês apáticos e crianças pequenas que não brincam.
Em Inibição, sintoma e angústia, Freud descreve a angústia como uma reação ao
1926/1980, p. 194). Durante um certo tempo, um bebê passa de braço em braço sem
que a relação com o pai seja muito ativa e ele seja capaz de diferenciar muito bem um e
categorias simbólicas que estão sendo
manejadas, todos são mãe; tudo
perda de um objeto familiar e próximo produz angústia, Freud (1926/1980, p. 194) descreve
mesmo ao qual antes sorria, agora lhe provoca estranhamento e pranto9. Sua reação de
chorar e seu rosto expressam seu sofrer. Como ela ainda não distingue a ausência
-se
como se nunca mais fosse vê- /1980, p. 195). Repetidas
experiências consoladoras são necessárias para que o bebê compreenda que a ausência
-
tem uma função estruturante:
a mãe encoraja esse conhecimento, que é tão vital para a criança, fazendo aquela
brincadeira tão conhecida de esconder dela o rosto com as mãos e depois, para sua
alegria, de descobri-lo de novo. Nessas circunstâncias a criança pode, por assim dizer,
sentir anseio desacompanhado de desespero (FREUD, 1926/1980, p. 195).
As primeiras formas do jogo de alternância presença/ausência são em presença. O
adulto mostra que a deseja e ela sente o prazer de ser buscada, querendo também brincar
de olhar, procurar e encontrar. Esses jogos ajudam a lidar e elaborar as angústias mais
arcaicas, tendo função estruturante do psiquismo precoce e do sujeito. Conhecemos as
8
9
A angústia do oitavo mês, exteriorizável ante o estranho, conforme conceitualizou René Spitz em sua obra O
Primeiro ano de vida (1980). Esta angústia é um índice de que se está inscrevendo, pela primeira vez, algo
como alheio à mãe e Rodulfo (1990, p. 119
tudo é mãe, se há elementos não- .
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L. O. Cezar, C. A. Dalbosco, F. C. Santos Filho Por que brincar?
angústias frente ao desconhecido que os bebês têm e no jogo de imitação de caretas, no
início eles estranham, mas depois gostam, riem, querem mais, porque o desconhecido se
torna familiar na sequência. Sentem-se no domínio da cena ao não se perpetuar o estranho
que assusta. Freud (1926/1980) ainda conclui que o primeiro fator desencadeante de
angústia é a perda de percepção do objeto, equacionada com a perda do próprio objeto,
que o objeto pode estar presente mas aborrecido com ela; e então a perda de amor a partir
(FREUD, 1926/1980, p. 195). Esse fator demanda renúncias pulsionais que a criança se
tem efeitos estruturantes no psiquismo10.
Laplanche (1998, p. 63) destaca a quase ausência do temor e da angústia real nas
um fato de observação corrente: ela sobe em tudo, manipula facas e tesouras, engole seja
estranho, não a coisas estranhas. Estas somente mais tarde entram em conta. Tampouco
ela se angustia frente a estranhos porque atribui a eles más intenções ou percepções de
perigo. A pequena criança se aterroriza frente a estranhos porque espera ver a pessoa
familiar e amada, principalmente a mãe.
Nos Três ensaios sobre a sexualidade, de 1905, Freud já havia descrito a angústia
; por isso elas se
angustiam diante de qualquer estranho; temem a escuridão porque, nesta, não vêem a
pessoa amada, e se deixam acalmar quando podem segurar-
(FREUD, 1905/1980, p. 2011). Em nota de rodapé, ilustra esse tema com o seguinte diálogo
porque está muito escuro. E a tia respondeu: De que lhe adianta isso? Você não pode
mesmo me ve
(FREUD, 1905/1980, p. 211). O medo não era da escuridão, mas da ausência de uma
pessoa amada, acalmando-se com a voz, prova de sua presença. Quando o rosto do
-
a criança apazigua suas angústias e pode desfrutar com seu
riso.
São jogos que produzem efeitos de subjetivação e posteriormente vemos, nas
crianças maiores, o prazer com que compartilham o jogo de esconde-esconde e a iniciativa
10
Este aspecto é fundamental para compreender a aquisição do controle esfincteriano vesical, quando há a
tro é sua renúncia às fezes porque teme a perda de sua
aceitam o controle dos esfíncteres, em realidade o aceitam como uma forma de demonstrar o amor ao out
(BLEICHMAR, 2008, p. 37, tradução nossa), uma renúncia a certa imediatez para poder tomar em conta a
presença de outros. Desde essa perspectiva, as aquisições instrumentais do desenvolvimento infantil, como o
controle esfincteriano, são estruturantes. Esta é uma dimensão ético-formativa da estruturação psíquica
precoce.
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L. O. Cezar, C. A. Dalbosco, F. C. Santos Filho Por que brincar?
de esconderem-se ao saber da chegada da mãe, para que sejam então procuradas. É como
ser procurado desejado do que em esconder-se.
Brincar é trabalho muito sério e indispensável
O desenvolvimento de uma criança, entre tantos fatores, também é resultado do
trabalho do aparelho psíquico diante dos acontecimentos da vida e do mundo. Ao brincar a
criança põe-se em um lugar ativo frente aos impedimentos que a vida lhe apresenta. Dá
assim o testemunho de desejo de apropriação do mundo e do que se passa consigo.
Através da brincadeira ela pode elaborar seus dilemas, angústias e conflitos, suas
frustrações e limites, tornando-se senhora da situação:
É claro que em suas brincadeiras as crianças repetem tudo que lhes causou uma grande
impressão na vida real, e assim procedendo, ab-reagem a intensidade da impressão,
tornando-se, por assim dizer, senhoras da situação. Por outro lado, porém, é óbvio que
todas as suas brincadeiras são influenciadas por um desejo que as domina o tempo todo:
o desejo de crescer e poder fazer o que as pessoas crescidas fazem. Pode-se também
observar que a natureza desagradável de uma experiência nem sempre a torna
inapropriada para a brincadeira. Se o médico examina a garganta de uma criança ou faz
nela alguma pequena intervenção, podemos estar inteiramente certos de que essas
assustadoras experiências serão tema da próxima brincadeira; contudo, não devemos,
quanto a isso, desprezar o fato de existir uma produção de prazer provinda de outra fonte.
Quando a criança passa da passividade da experiência para a atividade do jogo, transfere
a experiência desagradável para um de seus companheiros de brincadeira e, dessa
maneira, vinga-se num substituto (FREUD, 1920/2006, p. 28).
Trata-se de uma encenação e repetição sob a regência do princípio do prazer e de
um esforço de domínio sobre as forças pulsionais, a serviço de rememorar e elaborar as
experiências desagradáveis na mente (FREUD, 1920/2006, p. 29). Brincar é atividade séria
e árduo trabalho psíquico que tem efeitos constitutivos no aparelho mental, de modo que o
brincar é o próprio trabalho de constituição do sujeito na intersubjetividade. Como a criança
não pode fazer tudo que os adultos fazem e nem pode dominar inteiramente seu ir e vir,
suas experiências da série presença/ausência, e Freud (1908/1980, p.
brincar da criança é determinado por desejos: de fato um único desejo que auxilia no seu
desenvolvimento -
mais chance de ser um adulto com mais capacidade simbólica e criativa para lidar com os
conflitos, com os afetos de medo, angústia, raiva, tristeza, suas impulsividades, tem mais
elasticidade e permeabilidade psíquica. O brincar ajuda a desenvolver o pensamento
simbólico, a inteligência e a criatividade, e em Escritores criativos e devaneio, Freud
(1908/1980) refere que a criança leva muito a sério sua brincadeira e investe nela muita
emoção, apoiando seu brincar e seu fantasiar em objetos concretos e distinguindo
perfeitamente da realidade. Diz Freud (1908/1980
que a criança que brinca. Cria um mundo de fantasia que ele leva muito a sério, isto é, no
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qual investe uma grande quantidade de emoção, enquanto mantém uma separação nítida
Doravante, ainda nos ensina Freud (1911/2004), que a tendência geral do aparelho
psíquico é buscar fontes de prazer e ter dificuldades em renunciar a elas. Portanto, mesmo
foi apartado do teste de realidade, permaneceu livre deste e ficou submetido apenas ao
princípio do prazer. É ele o fantasiar, que já se inicia com o brincar das crianças e mais
tarde prossegue com o devanear /2004, p. 67, grifo do autor). Freud nos
mostra que o princípio do prazer nunca é de todo abandonado, conservando sua existência
no inconsciente regido pelo processo primário. Se por um lado há uma inibição pelo ego de
uma parte da satisfação, outra parte escapa e segue o rumo da fantasia e do brincar,
revelado no comportamento das crianças, e ganha o campo dos sonhos, reduto do desejo,
revelado na vida adulta pelas formações do inconsciente, como já havia conjecturado Freud
(1908) em Escritores criativos e devaneio:
Contudo, quem conhece a mente humana sabe que nada é tão difícil para o homem quanto
abdicar de um prazer que já experimentou. Na realidade, nunca renunciamos a nada;
apenas trocamos uma coisa por outra. O que parece ser uma renúncia é, na verdade, a
formação de um substituto ou sub-rogado. Da mesma forma, a criança em crescimento,
quando pára de brincar, só abdica do elo com os objetos reais; em vez de brincar, ela
agora fantasia. Constrói castelos no ar e cria o que chamamos de devaneios (FREUD,
1908/1980, p. 151, grifo do autor).
A propósito do princípio do prazer, Freud (1900/1980) dirá ainda que os sonhos são,
para a vida psíquica, como aqueles brinquedos antigos que ficam guardados nos quartos
das crianças, quietos, esperando no fundo da noite, mas que nunca são esquecidos, e,
volta e meia, retornam para serem brincados de novo.
Nota-se a marcante presença do adulto, no caso do Fort-Da a presença do próprio
Freud, como avô, na possibilidade do entendimento e da narrativa ali realizados, nomeando
e narrando a ação feita pela criança que ele observa, emprestando parcialmente suas
representações para a construção de sentido envolvida. Em contraponto com os
primeiríssimos tempos de vida, onde o adulto cuidador terá que atribuir totalmente seus
pensamentos aos apelos do bebê humano, aqui ele vai conceber as vocalizações e gestos
do infans de ano e meio como uma produção própria e com sentido prévio, mesmo que
ainda não estruturado na palavra, mas baseado em representações de experiências
anteriores com o cuidador, bem como as narrativas da mãe sobre suas produções sonoras.
O trabalho elaborativo que complexiza o psiquismo é o que tende a fazer uma descarga
mais adequada, postergada mais preparada para encontrar o objeto que dê o suporte
necessário para que ali se gere um certo prazer e não uma descarga direta, evacuativa,
cega para a presença sensível do objeto, propensa a flutuar no vazio, como um choro
desesperado que gera desprazer ou os atos compulsivos no adulto que levam ao fracasso
simbólico e real. Para isso é necessário um adulto sensível capaz de interpretar os anseios
do infans, tomando como uma mensagem a ele endereçada.
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L. O. Cezar, C. A. Dalbosco, F. C. Santos Filho Por que brincar?
Se nos primeiros meses de vida não há o reconhecimento da mãe ou substituta
como um outro em separado, mas um outro ligado às suas necessidades e demandas, aos
18 meses esse outro passa a ter consistência e existência real. Depois da presença
constante e da alternância presença/ausência, é na adversidade da ausência que o bebê
cria algo novo. O Fort-Da é um jogo da alternância presença/ausência que se desenvolve
houve? Para ond
si mesma um corte simbólico necessário que produz no filho uma criação a partir da
renúncia pulsional, na medida em que é uma mãe não-toda dele. Assim como a mãe
desejou outras coisas
não ficou agarrado às pernas dela, desejou outra coisa, voltou-se para o mundo e criou um
jogo. Renúncias imprescindíveis de ocorrer que tem efeitos constitutivos sobre o sujeito a
partir da relação primordial com o cuidador, seja ele o pai, a mãe ou seu substituto. Em
razão disso salientamos a importância dos estudos dos pilares fundamentais da
constituição subjetiva, da importância das narrativas e do quanto os bebês e crianças
precisam brincar.
A narrativa que Freud faz põe sentido na ação do menino e tem efeito constitutivo
promovendo a subjetivação da criança pequena, tanto em atos sustentados no laço com a
criança quanto em narrativas que representam esses atos, outorgando-lhe um lugar de
sujeito. O adulto que faz narrativas oferece uma trama simbólica na própria leitura do ato
da criança, inserindo-a num contexto e numa descendência. Freud pôs linguagem no gesto
repetido do pequeno Ernest, que mais que dar conta da separação da mãe, constituiu-se
como posição significativa na linguagem11. Se é feito pela linguagem, existe algo de arte e
de criação nesse gesto de restituição do que foi perdido, inaugurando-se aí um verdadeiro
salto estrutural para o infans.
Conclusão
Considerar a dimensão constitutiva do sujeito é transmitir marcas simbólicas ao lado
de desenvolver aprendizagens de hábitos, de fala, de controle esfincteriano, de higiene, de
alimentação, de motricidade, de interação, do desenvolvimento cognitivo e social. O
semelhante humano que se encarrega de cuidar da criança, deixa marcas decisivas e
perenes no seu funcionamento mental. A constituição precoce do psiquismo e o processo
de formação do Eu se dão no laço amoroso com os cuidadores primários a partir das
relações de prazer e desejo que encharcam de erotismo o encontro humano, bem como
das renúncias pulsionais necessárias que outorgam ao adulto uma posição de alteridade.
Considerando que a vulnerabilidade e a dependência são inerentes à condição infantil,
11Lacan nos Escritos (1986, p. 183
para nós para que aí reconheçamos que o momento em que o desejo se humaniza é também aquele em que a
ão, mas domina a si mesmo,
provocação
-se seu próprio objeto, domina a si mesmo pela linguagem em seu Fort! e em seu
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constata-se o compromisso do adulto cuidador e seu papel primordial na primeira infância.
Em suma, tem-se que o cuidado humano, seja ele protagonizado pelos pais ou educadores,
desempenha papel essencial na condição infantil na qual o aparelho psíquico se constitui,
abrindo as vias da simbolização para a cria humana (BLEICHMAR, 1994).
Trata-se do encontro intersubjetivo no cuidado primário, do investimento libidinal e
do vínculo humanizante com o adulto significativo nos primeiros tempos da vida. Assim,
através de uma constante ampliação do diálogo interdisciplinar entre psicanálise e
educação, afirmamos o compromisso ético de compartilhar conhecimentos direcionados
para a condição subjetiva das crianças, com desdobramentos para a dimensão ético-
formativa e para a vida em sociedade no futuro.
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Como citar este documento:
CEZAR, Luciana O.; DALBOSCO, Claudio A.; SANTOS FILHO, Francisco C. Por que
. Revista Espaço Pedagógico,
Passo Fundo, v. 30, e15391, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.5335/rep.v30.15391.
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