Biossegurança na história
A biossegurança é um campo de estudo e prática que busca prevenir riscos à saúde humana e
ao meio ambiente decorrentes do manuseio de agentes biológicos, químicos e físicos. A história
da biossegurança remonta a civilizações antigas, onde já eram adotadas medidas para proteger
a saúde e prevenir doenças.
Na Índia antiga, os textos hindus mencionavam práticas de higiene e isolamento de pessoas
doentes para evitar a disseminação de doenças. Na China, durante a dinastia Han, foram
adotadas medidas de controle de doenças, como quarentenas e restrições de movimentação de
pessoas.
Os hebreus, conforme descrito na Bíblia, adotavam práticas de higiene e isolamento para
prevenir a disseminação de doenças contagiosas. Moisés, por exemplo, estabeleceu leis de
purificação e isolamento para pessoas doentes.
Hipócrates, considerado o pai da medicina ocidental, enfatizou a importância da higiene e da
prevenção de doenças. Ele introduziu a ideia de que as doenças podem ter causas naturais e
podem ser evitadas através de medidas de higiene e saneamento.
Na Roma antiga, a saúde pública era uma preocupação importante. Foram construídos
aquedutos, banhos públicos e sistemas de esgoto para melhorar as condições sanitárias. As
ruínas de Pompeia, por exemplo, revelam evidências de sistemas de esgoto e banheiros
públicos.
Durante a Idade Média, com a disseminação de epidemias, surgiram medidas de quarentena e
isolamento para controlar a propagação de doenças. O imperador Constantino, por exemplo,
implementou medidas de isolamento para conter a disseminação da peste bubônica.
Ambroise Paré, um cirurgião francês do século XVI, introduziu medidas de higiene e assepsia no
campo da cirurgia. Ele defendia a limpeza das feridas, o uso de instrumentos esterilizados e o
uso de luvas para reduzir o risco de infecção.
No século XVII, a descoberta do microscópio por Anton van Leeuwenhoek permitiu a
observação de microrganismos pela primeira vez. Isso levou ao reconhecimento da existência
de seres microscópicos e abriu caminho para o estudo da microbiologia.
No século XVIII, John Howard, um médico inglês, realizou estudos sobre as condições sanitárias
em prisões e hospitais, destacando a importância da higiene na prevenção de doenças. Johann
Peter Frank, um médico alemão, também enfatizou a importância da higiene e da prevenção de
doenças, propondo medidas de controle epidêmico.
No século XIX, John Burton, um médico inglês, introduziu a prática de lavar as mãos com
solução de cloro antes de realizar procedimentos médicos, reduzindo a transmissão de doenças.
Samuel Hannemann, um médico alemão, desenvolveu a homeopatia, que se baseia no princípio
de que substâncias diluídas podem estimular a capacidade de cura do organismo.
John Hunter, um cirurgião escocês, introduziu medidas de assepsia e antissepsia na prática
cirúrgica, reduzindo a incidência de infecções. Louis Pasteur, um cientista francês, desenvolveu
a teoria dos germes e demonstrou a relação entre microrganismos e doenças infecciosas. Ele
também desenvolveu técnicas de pasteurização para eliminar microrganismos de alimentos e
bebidas.
John Tyndall, um cientista inglês, realizou estudos sobre a resistência de microrganismos ao
calor e desenvolveu técnicas de esterilização por calor, conhecidas como esterilização por
Tyndallização. Essas técnicas foram fundamentais para a prática de esterilização de materiais
médicos.
Ignaz Philip Semmelweis, um médico húngaro, introduziu a prática de lavar as mãos com
solução de cloro antes de realizar procedimentos obstétricos, reduzindo drasticamente a
incidência de febre puerperal. Florence Nightingale, uma enfermeira britânica, enfatizou a
importância da higiene e da ventilação adequada nos hospitais, melhorando as condições
sanitárias e reduzindo a mortalidade.
No Brasil, Oswaldo Cruz, um médico e cientista, foi responsável por importantes avanços na
área da saúde pública. Ele liderou campanhas de combate a doenças como a febre amarela e a
varíola, implementando medidas de controle epidemiológico e saneamento básico.
Esses avanços científicos e as contribuições de diversos profissionais ao longo da história foram
fundamentais para o desenvolvimento da noção de biossegurança. A compreensão dos
microrganismos e a adoção de medidas de prevenção e controle de doenças são pilares da
biossegurança, que busca proteger a saúde humana e o meio ambiente. Atualmente, a
biossegurança é uma área multidisciplinar que engloba conhecimentos científicos,
regulamentações e práticas de segurança para garantir a proteção da saúde humana e do meio
ambiente.
Imunização
A imunização é um processo de proteção do organismo contra doenças infecciosas, através da
aplicação de vacinas que estimulam o sistema imunológico a produzir anticorpos específicos
para cada doença.
No calendário de vacinação do SUS (Sistema Único de Saúde), as vacinas obrigatórias são:
● BCG (contra a tuberculose) - aplicada ao nascer
● Hepatite B - aplicada ao nascer e em duas doses subsequentes
● Pentavalente (contra difteria, tétano, coqueluche, Haemophilus influenzae tipo b e
hepatite B) - aplicada aos 2, 4 e 6 meses de idade
● VIP/VOP (contra poliomielite) - aplicada aos 2, 4 e 6 meses de idade e reforço aos 15
meses e 4 anos
● Pneumocócica 10 valente (contra pneumonia, meningite e outras doenças causadas
pelo pneumococo) - aplicada aos 2, 4 e 12 meses de idade
● Meningocócica C (contra meningite C) - aplicada aos 3 e 5 meses de idade e reforço aos
12 meses e 12 anos
● Tríplice viral (contra sarampo, rubéola e caxumba) - aplicada aos 12 meses e reforço aos
15 meses
● DTP (contra difteria, tétano e coqueluche) - aplicada aos 15 meses e reforço aos 4 anos
● HPV (contra o papilomavírus humano, que pode causar câncer de colo de útero, pênis,
ânus e orofaringe) - aplicada em meninas aos 9 anos e em meninos aos 11 anos, em
duas doses com intervalo de 6 meses
● Meningocócica ACWY (contra meningite causada pelos sorotipos A, C, W e Y) - aplicada
aos 12 e 13 anos de idade
Além dessas vacinas obrigatórias, o calendário do SUS também inclui outras vacinas
recomendadas para diferentes faixas etárias e grupos de risco, como a vacina contra a febre
amarela, a vacina contra a gripe, a vacina contra o rotavírus, entre outras. É importante seguir
as orientações do calendário de vacinação para garantir a proteção contra doenças infecciosas.
Equipamento de proteção individual
Os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) são itens essenciais para garantir a segurança e
proteção dos profissionais da odontologia durante o exercício de suas atividades. Alguns dos
principais EPIs utilizados na odontologia são:
1. Luvas: As luvas são fundamentais para proteger as mãos dos profissionais e evitar o
contato direto com sangue, saliva e outros fluidos corporais dos pacientes. Elas devem
ser descartadas após o uso em cada paciente.
2. Máscaras: As máscaras são utilizadas para proteger o profissional da inalação de
partículas, gotículas e aerossóis gerados durante os procedimentos odontológicos. Elas
também ajudam a evitar a contaminação cruzada.
3. Óculos de proteção: Os óculos de proteção são utilizados para proteger os olhos do
profissional contra respingos de sangue, saliva, produtos químicos e outros materiais
que possam causar lesões ou infecções.
4. Avental: O avental é utilizado para proteger o corpo do profissional contra respingos de
sangue, saliva e outros fluidos corporais. Ele deve ser trocado regularmente e
descartado após o uso.
5. Protetor facial: O protetor facial é um equipamento adicional que pode ser utilizado em
procedimentos que geram aerossóis, como a profilaxia ultrassônica e a remoção de
tártaro. Ele oferece uma proteção extra para o rosto e os olhos do profissional.
A utilização adequada dos EPIs é de extrema importância na odontologia, pois ajuda a prevenir
a exposição a agentes biológicos, químicos e mecânicos que podem causar doenças e lesões.
Além disso, os EPIs também contribuem para a redução da contaminação cruzada entre os
pacientes e os profissionais, garantindo um ambiente de trabalho seguro e saudável. É
importante que os profissionais da odontologia estejam sempre atualizados sobre as normas e
recomendações de biossegurança para garantir a eficácia dos EPIs e a proteção de todos os
envolvidos
Higienização das mãos
A higienização das mãos é um procedimento fundamental para prevenir a transmissão de
doenças. O passo a passo para a higienização correta das mãos é o seguinte:
1. Umedecer as mãos: Molhe as mãos com água corrente, evitando que a água escorra
pelos braços.
2. Aplicar sabonete: Aplique uma quantidade suficiente de sabonete líquido nas mãos. O
sabonete pode ser comum ou antisséptico.
3. Ensaboar as mãos: Esfregue as palmas das mãos uma na outra, friccionando também
os dedos, as unhas, os espaços entre os dedos e os punhos. Faça movimentos
circulares e de vai e vem.
4. Esfregar as palmas: Com as mãos ainda ensaboadas, entrelace os dedos e friccione as
palmas uma na outra, fazendo movimentos circulares.
5. Limpar as unhas: Com uma das mãos fechada, esfregue a palma da outra mão nas
unhas, fazendo movimentos circulares. Repita o processo com a outra mão.
6. Enxaguar as mãos: Enxague as mãos com água corrente, removendo todo o sabonete.
7. Secar as mãos: Seque as mãos com papel toalha descartável ou com um secador de ar.
É importante secar bem as mãos, principalmente entre os dedos, para evitar a
proliferação de bactérias.
8. Fechar a torneira: Feche a torneira utilizando o papel toalha ou o cotovelo, evitando o
contato direto das mãos limpas com a torneira.
É importante ressaltar que a higienização das mãos deve ser feita antes de iniciar qualquer
atividade que envolva contato com alimentos, antes de comer, após utilizar o banheiro, após
tossir ou espirrar, após entrar em contato com superfícies contaminadas, entre outros momentos
em que as mãos possam estar sujas ou expostas a germes.
Riscos
Riscos biológicos:
Os níveis de risco biológico são uma classificação dos agentes biológicos de acordo com o seu
potencial de causar doenças em humanos. A biossegurança é o conjunto de medidas adotadas
para prevenir a exposição a esses agentes e garantir a segurança dos indivíduos envolvidos em
atividades que os envolvam. Existem quatro níveis de risco biológico, cada um com requisitos
específicos de biossegurança:
1. Nível de risco biológico 1 (NB1): refere-se a agentes que apresentam baixo risco para os
indivíduos e para a comunidade em geral. Esses agentes são geralmente bem
conhecidos e causam doenças leves e de fácil tratamento. Exemplos incluem cepas
atenuadas de bactérias e vírus.
2. Nível de risco biológico 2 (NB2): refere-se a agentes que apresentam risco moderado
para os indivíduos, mas baixo risco para a comunidade em geral. Esses agentes podem
causar doenças humanas, mas geralmente são tratáveis e não se espalham facilmente.
Exemplos incluem a maioria das bactérias patogênicas, como a Salmonella e o vírus da
hepatite B.
3. Nível de risco biológico 3 (NB3): refere-se a agentes que apresentam risco elevado para
os indivíduos e podem representar um risco significativo para a comunidade. Esses
agentes causam doenças graves em humanos e podem se espalhar facilmente.
Exemplos incluem o vírus da hepatite C, o vírus da imunodeficiência humana (HIV) e
algumas cepas de tuberculose.
4. Nível de risco biológico 4 (NB4): refere-se a agentes que apresentam risco máximo para
os indivíduos e para a comunidade. Esses agentes causam doenças graves e muitas
vezes fatais em humanos, não têm tratamento eficaz ou vacinas disponíveis e podem se
espalhar rapidamente. Exemplos incluem o vírus Ebola e o vírus da febre hemorrágica
de Marburg.
Cada nível de risco biológico requer medidas específicas de biossegurança, incluindo
treinamento adequado dos trabalhadores, uso de equipamentos de proteção individual, práticas
de trabalho seguras, instalações adequadas e procedimentos de descontaminação. O objetivo é
minimizar o risco de exposição e garantir a proteção dos trabalhadores e da comunidade.
Riscos químicos:
Os riscos químicos são aqueles associados à exposição a substâncias químicas, que podem
causar danos à saúde, como intoxicações, irritações e alergias. Esses riscos podem ocorrer em
ambientes de trabalho onde há contato com produtos químicos, como indústrias químicas,
farmacêuticas e de cosméticos.
Riscos ergonômicos:
Os riscos ergonômicos são aqueles associados à falta de adaptação dos ambientes de trabalho
às características físicas e psicológicas dos trabalhadores, podendo causar dores, lesões e
doenças ocupacionais. Esses riscos podem ocorrer em ambientes de trabalho onde há esforço
físico excessivo, movimentos repetitivos, posturas inadequadas e falta de pausas para
descanso.
Riscos mecânicos:
Os riscos mecânicos são aqueles associados à exposição a equipamentos e máquinas que
podem causar acidentes, como cortes, fraturas e amputações. Esses riscos podem ocorrer em
ambientes de trabalho onde há manuseio de máquinas e equipamentos pesados, como
indústrias metalúrgicas e de construção civil.
Riscos associados a falta de higiene:
A falta de higiene pode ser um fator de risco para diversas doenças, como infecções,
intoxicações alimentares e doenças de pele. Isso pode ocorrer em ambientes de trabalho onde
há falta de limpeza e higienização adequadas, como em cozinhas industriais, banheiros e
vestiários. Além disso, a falta de higiene pessoal dos trabalhadores também pode contribuir para
a disseminação de doenças.