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Invasoes Barbaras

As invasões bárbaras na Península Ibérica começaram em 409 com a ocupação de povos germânicos, como suevos e visigodos, que estabeleceram reinos e adotaram o catolicismo. Em 711, a invasão muçulmana levou à formação do emirado de Alandalus, que prosperou sob o califado de Córdova até a fragmentação em reinos rivais no século XI. A ocupação árabe durou quase oito séculos, resultando em um movimento de reconquista cristã a partir das Astúrias.

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Invasoes Barbaras

As invasões bárbaras na Península Ibérica começaram em 409 com a ocupação de povos germânicos, como suevos e visigodos, que estabeleceram reinos e adotaram o catolicismo. Em 711, a invasão muçulmana levou à formação do emirado de Alandalus, que prosperou sob o califado de Córdova até a fragmentação em reinos rivais no século XI. A ocupação árabe durou quase oito séculos, resultando em um movimento de reconquista cristã a partir das Astúrias.

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Invasões bárbaras

Em 409, com o declínio do Império Romano, a Península Ibérica foi ocupada por povos de
origem germânica, a que os romanos chamavam bárbaros.[21] Em 411, num contrato de
federação com o imperador Honório, vários destes povos instalaram-se na Hispânia:
suevos e vândalos asdingos na Galécia, alanos, de origem persa, na Lusitânia e
Cartaginense.[22] Destes povos, suevos e visigodos foram os que tiveram uma presença
mais duradoura no território correspondente a Portugal. Como em toda a Europa ocidental,
as cidades sofreram uma acentuada decadência, e tanto na vida urbana como na
economia verificou-se uma ruralização.[23]

Os suevos fundaram o reino suevo com capital em Braga, chegando a dominar até Emínio
(Coimbra).[24] Com as invasões desapareceram as instituições romanas, mas manteve-se
de pé a organização eclesiástica, que os suevos adoptaram ainda no século V, seguidos
pelos visigodos, e que foi um importante instrumento de estabilidade. Apesar de
inicialmente adeptos do arianismo e do priscilianismo,[25] adoptaram o catolicismo das
populações locais hispano-romanas no ano 449, evangelizados por influência de S.
Martinho de Braga.[26] A governação sueva baseou-se nas paróquias, descritas no
Parochiale suevorum de c.569. [25] e o reino suevo tornou-se o primeiro reino cristão da
Europa, sendo também o primeiro a cunhar moeda própria.[27]

Em 415, os visigodos, inicialmente instalados na Gália, avançaram para sul como aliados
do Império Romano para expulsar alanos e vândalos,[28] e fundaram um reino com capital
em Toledo. A partir de 470, cresceram os conflitos entre o reino suevo e o vizinho reino
visigodo. Em 585, o rei visigodo Leovigildo conquistou Braga e anexou a Galécia.[29] A partir
daqui toda a Península Ibérica ficou unificada sob o reino visigodo (excepto algumas zonas
do litoral sul e levantino, controladas pelo Império Bizantino e a norte pelos vascões). A
estabilidade interna do reino foi sempre difícil, pois os visigodos eram uma minoria e
professavam o arianismo, enquanto a população local era católica. A sua estratégia inicial
foi manter-se como minoria dirigente estritamente separada da maioria autóctone. No
entanto a consolidação dos seus reinos deu-se precisamente devido à integração com a
população local, adoptando a língua latina, adaptando a lei romana e convertendo-se com
Recaredo I ao catolicismo,[23] mas em 710 uma crise dinástica entre partidários dos reis
Rodrigo e Ágila II levou à invasão muçulmana que resultou no colapso do reino.[30]

Ocupação árabe

Ver artigos principais: invasão muçulmana da Península Ibérica, Al-Andalus, e Garbe do


Andalus

Antiga mesquita de Mértola, no sul de Portugal, hoje Igreja de Nossa Senhora da


Anunciação

Em 711, um exército omíada de berberes e árabes recém convertidos ao islão liderados por
Tárique,[31] desembarcou em Gibraltar após conquistar o norte de África.[32]
Aproveitando-se das lutas internas que dividiam os visigodos ou chamados como aliados
da facção de Ágila II, venceram a batalha de Guadalete contra as forças do rei visigodo
Rodrigo. Rapidamente avançaram até Saragoça, beneficiando do povoamento disperso
para conquistar quase toda a Península.[33] Ao território ocupado como província do
Califado Omíada chamavam Alandalus. Ao oeste da Península, correspondente a Portugal,
chamavam o Algarbe Alandalus ou simplesmente Al-Garb (o ocidente).[34]

As populações locais puderam permanecer nas suas terras mediante pagamento. Os seus
hábitos, cristãos e judeus foram tolerados.[35] Apesar de arabizados, os moçárabes
mantiveram um contínuo de dialetos românicos — a língua moçárabe — e rituais cristãos.
Os novos ocupantes desenvolveram a agricultura, melhorando os sistemas de rega
romanos, introduzindo a cultura de arroz e de citrinos, alperces e pêssegos.[36] As novas
técnicas de regadio permitiram a existência da pequena propriedade, como as hortas.[37]

Na língua portuguesa ficaram algumas palavras de origem árabe, ligadas à agricultura:


azeite, azeitona, açafrão, cenoura; nos sistemas de rega: albufeira, chafariz, nora; no
comércio ficaram: armazém, calibre, quintal.[37]

Em 756, Abderramão I, resistindo ao domínio abássida, fundou no Alandalus um emirado


independente que se tornou o florescente califado de Córdova.[38] A sua economia
assentava no comércio, na agricultura e na indústria artesanal muito desenvolvidos. A
cunhagem de moeda foi fundamental e uma das mais importantes à época. A capital,
Córdova, foi durante o século X uma das maiores cidades do mundo e um centro financeiro,
cultural, artístico e comercial com bibliotecas, universidade, uma escola de medicina e de
tradutores de grego e hebraico para o árabe.[39]

Em 1009, um golpe de estado iniciou um período de guerra civil no Alandalus, a fitna, que
conduziu à fragmentação do califado em reinos rivais, as taifas.[40] O território a sul do
Douro foi dividido entre as taifas de Badajoz, de Sevilha e de Silves. Livres de um poder
central, cidades como Alcácer do sal e Lisboa e Silves desenvolveram-se com base no
comércio. A partir de 1090, os almorávidas, que predicavam o cumprimento ortodoxo do
Islão, foram chamados por Almutâmide, o rei poeta da taifa de Sevilha, para auxiliar na
defesa face ao avanço de Afonso VI de Leão e Castela e reunificaram o Alandalus por algum
tempo até que este se desintegrou de novo, originando novas taifas. Entre 1144-1151,
existiram três taifas no que é hoje Portugal: a Taifa de Mértola, a Taifa de Silves e a Taifa de
Tavira, depois integradas no Califado Almóada vindos de Marrocos, descontentes com o
insucesso em revigorar os estados muçulmanos e suster a reconquista cristã. A ocupação
árabe da Península durou quase oito séculos, (do VIII ao XV), durante os quais, partindo das
Astúrias, a única região que resistiu à invasão árabe, desenvolveu-se um movimento de
reconquista da Península.[41]

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