UNIVERSIDADE ZAMBEZE
FACULDADE DE CIÊNCIAS E TECNOLOGIA
DEPARTAMENTO DE ELETROMECÂNICA
CURSO DE ENGENHARIA MECATRONICA
DIMENSIONAMENTO DE UM BIODIGESTOR AUTOMÁTICO PARA GERAÇÃO DE
ELETRICIDADE A PARTIR DE RESÍDUOS DA AVICULTURA: ESTUDO DE CASO
NA CIDADE DA BEIRA.
AIDA ODETE GABRIEL CHITOTO
Beira, Fevereiro 2025
DIMENSIONAMENTO DE UM BIODIGESTOR AUTOMÁTICO PARA GERAÇÃO DE
ELETRICIDADE A PARTIR DE RESÍDUOS DA AVICULTURA: ESTUDO DE CASO
NA CIDADE DA BEIRA.
AÍDA ODETE GABRIEL CHITOTO
Projecto de Pesquisa apresentado ao
Departamento de Engenharia Eletromecânica da
Faculdade de Ciências e Tecnologia da
Universidade Zambeze como requisito para a
realização do Trabalho de Conclusão de
Curso (TCC).
ORIENTADOR:
Beira, Fevereiro 2025
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Índice
1. RESUMO .................................................................................................................................... 4
2. INTRODUÇÃO .......................................................................................................................... 5
3. PROBLEMATIZAÇÃO ............................................................................................................. 6
4. JUSTIFICATIVA ....................................................................................................................... 6
5. OBJECTIVOS............................................................................................................................. 7
6. FUNDAMENTOS TEÓRICOS .................................................................................................. 8
6.2 Processos de Obtenção do Biogás ......................................................................................... 8
6.3 Biodigestores ........................................................................................................................ 9
6.3.2.2 Modelo Chinês .............................................................................................................. 11
6.3.2.3 Modelo Residencial Estufa ou Batelada........................................................................ 13
7. METODOLOGIA ..................................................................................................................... 15
8. CRONOGRAMA...................................................................................................................... 16
9. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA .......................................................................................... 17
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1. RESUMO
Nas últimas décadas, fontes alternativas de produção de eletricidade têm sido objeto de pesquisa
em diversos países do mundo. Dentre elas, o biogás tem-se destacado em função dos inúmeros
benefícios que podem ser obtidos a partir do seu uso. Produzido a partir da digestão anaeróbica
de resíduos sólidos ou líquidos, o biogás consiste em uma mistura de vários gases no qual o
dióxido de carbono e metano estão em maiores proporções. A capacidade energética do biogás
permite que seja aproveitado em unidades geradoras de eletricidade, que operam sob diferentes
formas de conversão da energia e que utilizam diferentes tipos de matéria orgânica. Em
Moçambique, a utilização do biogás na geração de eletricidade, possui um potencial para
promover a diversificação da matriz elétrica nacional que é extremamente dependente das fontes
hídricas. Além disso, o biogás apresenta-se também como uma alternativa viável na melhora do
gerenciamento dos resíduos de avicultura. Diante do exposto, Este projeto visa o
dimensionamento de um biodigestor automático para a geração de eletricidade a partir dos
resíduos de avicultura, principalmente esterco de galinha e camas de aviário. O biodigestor
proposto será projetado para otimizar a decomposição anaeróbica dos resíduos, produzindo
biogás rico em metano, que será convertido em energia elétrica por meio de um gerador. A
automação do sistema será incorporada com o uso de sensores para monitoramento e controle da
produção de biogás, garantindo eficiência e a sustentabilidade do processo. Este projeto tem
como foco a aplicação em áreas rurais ou granjas de médio porte, com o objetivo de reduzir
custos energéticos e promover a gestão sustentável de resíduos.
Palavras-chave: Biogás. Fontes Renováveis. Biodigestor, Geração de Eletricidade.
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2. INTRODUÇÃO
A avicultura é uma das atividades mais produtivas na agricultura mundial, gerando grandes
volumes de resíduos orgânicos, como esterco de galinha e materiais utilizados como camas de
aviário. Esses resíduos, quando não gerenciados corretamente, podem se tornar um problema
ambiental, contaminando o solo e os corpos d'água. Entretanto, esses mesmos resíduos podem
ser aproveitados para a produção de biogás, por meio de um processo de digestão anaeróbica, o
qual converte a matéria orgânica em metano (CH₄), que pode ser utilizado para gerar eletricidade.
Neste contexto, o dimensionamento de um biodigestor automático para a geração de eletricidade
a partir dos resíduos de avicultura apresenta uma solução eficiente e sustentável, capaz de gerar
energia renovável enquanto contribui para a redução do impacto ambiental. O uso da automação
no processo de digestão e geração de energia visa otimizar o funcionamento do sistema,
permitindo monitoramento remoto e controle de variáveis cruciais, como temperatura, pH e fluxo
de biogás.
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3. PROBLEMATIZAÇÃO
A produção de resíduos na avicultura é crescente e, muitas vezes, esses resíduos não são tratados
adequadamente, resultando em problemas ambientais, como a contaminação de água e emissão
de gases poluentes, como o metano. Além disso, as granjas e pequenas propriedades rurais
enfrentam dificuldades para acesso a fontes de energia elétrica, o que torna a dependência de
fontes externas onerosa e insustentável. Diante disso, surge a necessidade de desenvolver
tecnologias que possam aproveitar os resíduos da avicultura para a geração de eletricidade de
forma autônoma, eficiente e ambientalmente responsável.
4. JUSTIFICATIVA
A proposta de dimensionar um biodigestor automático para a geração de eletricidade a partir de
resíduos de avicultura justifica-se por vários fatores:
4.1. Sustentabilidade ambiental: O biodigestor contribui para a redução da emissão de gases de
efeito estufa, como o metano, ao evitar que o esterco e outros resíduos se decomponham de
forma inadequada.
4.2. Geração de energia renovável: O aproveitamento dos resíduos orgânicos para a produção
de biogás representa uma fonte de energia limpa e renovável, que pode ser utilizada para suprir a
demanda energética de granjas e propriedades rurais.
4.3. Eficiência e automação: A automação do processo permite o controle preciso das
condições do biodigestor, melhorando a eficiência na produção de biogás e energia elétrica, além
de facilitar a operação e o monitoramento remoto.
4.4. Redução de custos operacionais: A utilização do biogás para geração de eletricidade pode
diminuir os custos com energia elétrica, tornando a operação das granjas mais econômica e
sustentável.
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5. OBJECTIVOS
5.1. OBJECTIVO GERAL
Dimensionar um biodigestor automático para a geração de eletricidade a partir de resíduos da
avicultura, com foco em eficiência energética e sustentabilidade ambiental.
5.2. OBJECTIVOS ESPECÍFICOS
Avaliar a quantidade de resíduos gerados em uma granja de médio porte, considerando
esterco de galinha e camas de aviário;
Dimensionar o volume e características do biodigestor necessários para otimizar a
produção de biogás;
Projetar o sistema de automação utilizando sensores para monitoramento e controle da
produção de biogás e geração de eletricidade;
Calcular a potência gerada a partir do biogás e dimensionar o gerador adequado;
Automatizar o processo de biodigestão;
Realizar uma análise de viabilidade técnica e econômica do sistema proposto.
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6. FUNDAMENTOS TEÓRICOS
6.1 Conceitos de Biogás
Castro (2018) define biogás como um combustível gasoso obtido a partir da compostagem de
resíduos sólidos. Seu valor energético é alto e por ser composto por hidrocarbonetos, se
assemelha ao gás natural, e por isso tem sido empregada na geração de energia (elétrica,
térmica e mecânica). O autor explica também que a mistura gasosa que constitui o biogás pode
ser produzida por meio da digestão anaeróbia, que é um processo fermentativo que possui
algumas finalidades, entre elas, a remoção de matéria orgânica, a formação de biogás e a
produção de biofertilizantes ricos em nutrientes.
Quanto à composição, de acordo com Pinheiro (2015) o biogás é tipicamente composto por
aproximadamente metano, dióxido de carbono e um composto de hidrogênio, nitrogênio, amônia,
ácido sulfídrico, monóxido de carbono, aminas voláteis e oxigênio. Os índices dessa composição
estão diretamente ligados ao tipo de processo para obter o biogás e o biodigestor utilizado, além
de variáveis como pressão e temperatura ao longo da fermentação. Na Tabela 1 pode ser
observada a composição dos gases em dois diferentes tipos de processo.
6.2 Processos de Obtenção do Biogás
No processo para obtenção do biogás, além de sua produção, o processo também gera como
produto, o chamado “adubo verde”, um fertilizante que pode ser amplamente utilizado na
agricultura, contribuindo para que o processo seja conhecido como altamente ecológico. De
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forma geral para Araújo (2017), a produção do biogás ocorre através da digestão anaeróbica da
matéria orgânica em quatro etapas, sendo elas a hidrólise, acidogênese, acetogênese e
metanogênese, de processos bioquímicos envolvidos na produção do biogás.
6.3 Biodigestores
Biodigestores são compartimentos fechados e protegidos do contato com o ar atmosférico,
permitindo que toda biomassa contida em seu interior passe pelas quatro etapas de biodigestão
que foram apresentadas.De acordo com Duarte (2018), existem diferentes tipos de biodigestores
criados ao longo do tempo, cada um com sua peculiaridade. Os tipos de biodigestores se
diferenciam em seus aspectos construtivos e possuem a mesma finalidade, aproveitar o gás de
alto poder calorífico proveniente das matérias orgânicas. A Figura 2 demonstra um esquema
básico dos biodigestores, que é o aproveitamento de resíduos sólidos para a geração de biogás.
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6.3.2 Tipos de Biodigestor
A seguir serão explicados três diferentes tipos de biodigestores, o indiano, o chinês e o
biodigestor residencial estufa ou batelada.
6.3.2.1 Modelo Indiano
De acordo com Deganutti et al. (2002), este modelo é constituído basicamente por uma
campânula de ferro ou fibra de vidro na qual o gás é armazenado à medida que a massa orgânica
entra em processo de fermentação no biodigestor. Havendo uma quantidade adequada de
biomassa em seu interior, esseprocesso de armazenamento permite que o biogás seja aproveitado
de forma ininterrupta.
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Em que:
H - é a altura do nível do substrato;
Di - é o diâmetro interno do biodigestor;
Dg - é o diâmetro do gasômetro;
Ds - é o diâmetro interno da parede superior;
h1 - é a altura ociosa (reservatório do biogás);
h2 - é a altura útil do gasômetro.
a - é a altura da caixa de entrada.
6.3.2.2 Modelo Chinês
Este modelo, de acordo Deganutti et all. (2002), consiste em câmara cilíndrica de alvenaria como
um teto em forma de uma abóboda impermeável, destinado para armazenagem do biogás. Esse
modelo pode ser chamado de reator e seu modo de funcionamento se baseia nas diferenças de
pressão em seu interior, similar ao princípio de uma prensa hidráulica. O acúmulo de biogás
provoca deslocamentos do efluente da câmara de fermentação para a caixa de saída, ou em
sentido contrário quando ocorre a descompressão (BENINCASA et al., 1990).
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Em que:
D – é o diâmetro do corpo cilíndrico;
H – é a altura do corpo cilíndrico;
Hg – é a altura da calota do gasômetro
hf– é a altura da calota do fundo
Of– é o centro da calota esférica do fundo;
Og– é o centro da calota esférica do gasômetro;
he– é a altura da caixa de entrada;
De – é o diâmetro da caixa de entrada;
hs– é a altura da caixa de saída;
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Ds– é o diâmetro da caixa de saída;
a – é o afundamento do gasômetro;
6.3.2.3 Modelo Residencial Estufa ou Batelada
O modelo em batelada, segundo Deganutti et al. (2002) pode ser utilizado em diferentes
propriedades rurais ou urbanas, por ser compacto eficiente e de baixo custo. O biodigestor
residencial pode ser abastecido com resto de alimentos, grama, fezes de animais domésticos,
galinhas, porcos e biomassa em geral. Dependendo da sua capacidade ele pode produzir
equivalente a um botijão de gás de cozinha.
Na Figura 7 encontra-se ilustrado a visão em corte do biodigestor residencial e as dimensões que
devem ser adotadas em sua construção. Diferentemente dos modelos contínuos apresentados
anteriormente, pode-se observar nessa figura que não há uma entrada e saída de material durante
o processo de obtenção do biogás. Duarte (2018) reitera que este tipo de biodigestor opera de
forma descontínua, e a alimentação do sistema com matéria orgânica ocorre uma vez a cada ciclo.
O sistema é fechado hermeticamente por um período de 40 a 60 dias. Após este tempo, quase a
toda a matéria orgânica já se decompôs, diminuindo a produção de biogás.
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Em que:
Di é o diâmetro interno do biodigestor;
Ds é o diâmetro interno da parede superior;
Dg é o diâmetro do gasômetro
H é a altura do nível do substrato;
h1 é a altura ociosa do gasômetro;
h2 é a altura útil do gasômetro;
h3 é a altura útil para deslocamento do gasômetro;
b é a altura da parede do biodigestor acima do nível do substrato;
c é a altura do gasômetro acima da parede do biodigestor.
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7. METODOLOGIA
Fase 1: Levantamento e Análise de Dados
Coleta de dados sobre a quantidade de resíduos produzidos em uma granja de médio porte,
incluindo esterco e material de cama de aviário.Análise da composição e potencial de geração de
biogás a partir dos resíduos.
Fase 2: Dimensionamento do Biodigestor
Cálculo do volume do biodigestor com base na quantidade de resíduos e tempo de retenção
hidráulica (TRH), utilizando as fórmulas apropriadas para o dimensionamento de biodigestores.
Estudo das condições ideais para o processo de digestão anaeróbica (temperatura, pH, etc.).
Fase 3: Desenvolvimento da Automação
Seleção e implementação de sensores (como sensores de pH, temperatura e níveis de biogás) e
atuadores para controle da entrada de resíduos, temperatura e saída de biogás. Programação de
um sistema de controle utilizando um microcontrolador (como o ESP32) para automação do
processo.
Fase 4: Dimensionamento da Geração de Energia
Cálculo da quantidade de biogás gerada e estimativa da energia elétrica produzida a partir do
biogás.Dimensionamento do gerador e do sistema de armazenamento de energia (se necessário).
Fase 5: Análise de Viabilidade
Análise técnica e econômica do projeto, incluindo os custos de implementação, manutenção e
retorno sobre o investimento (ROI) com base na economia gerada pela geração de eletricidade e
redução de custos com tratamento de resíduos.
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8. CRONOGRAMA
Actividades Semanas
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16
Levantamento
bibliográfico
Simulações
Experimentos
Análise de
resultados
Conclusões
Elaboração de
textos
Revisão de
textos
16
9. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
[1] DEGANUTTI, R; PALHACI, M.C.J; ROSSI, M;TAVARES, R Biodigestores rurais:
modelo indiano, chinês e batelada. São Paulo: 2002. Disponível,
em:<http://www.proceedings.scielo.br/scielo.php?pid=MSC0000000022002000100031&script=
sci_arttext&tlng=pt>. Acesso em: 08 fevereiro de 2025.
[2] DUARTE, F. Entenda qual tipo de biodigestor é a melhor solução para seus resíduos.
emasjr, 8 de Fevereiro l de 2025. Disponível em: <https://emasjr.com.br/2018/04/22/tipos-
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[3] FONSECA, F. S. T; ARAÚJO, A. R. A; HENDGES, T. L. ANÁLISE DE VIABILIDADE
ECONÔMICA DE BIODIGESTORES NA ATIVIDADE SUINÍCOLA NA CIDADE DE BALSAS-
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ECONOMIA, ADMINISTRAÇÃO E SOCIOLOGIA RURAL, 47., 2009, Porto Alegre.
Apresentação Oral-Agropecuária, Meio-Ambiente, e Desenvolvimento Sustentável. Balsas:
Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural, 2009. pg. 1 - 19
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