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Trabalho

O texto discute a relação entre dinheiro e felicidade, afirmando que, embora o dinheiro não compre a felicidade, sua ausência pode levar à miséria e à falta de dignidade. O autor critica a associação entre riqueza e competência profissional, destacando que a verdadeira essência do prazer do dinheiro está em usá-lo para viver confortavelmente e desfrutar dos prazeres da vida, sem se deixar levar pela ostentação. A mensagem central é que o dinheiro deve ser visto como um meio para alcançar uma vida tranquila e enriquecedora, e não como um fim em si mesmo.

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O texto discute a relação entre dinheiro e felicidade, afirmando que, embora o dinheiro não compre a felicidade, sua ausência pode levar à miséria e à falta de dignidade. O autor critica a associação entre riqueza e competência profissional, destacando que a verdadeira essência do prazer do dinheiro está em usá-lo para viver confortavelmente e desfrutar dos prazeres da vida, sem se deixar levar pela ostentação. A mensagem central é que o dinheiro deve ser visto como um meio para alcançar uma vida tranquila e enriquecedora, e não como um fim em si mesmo.

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O Prazer do dinheiro

É um lugar-comum dizer que o dinheiro não dá felicidade. Como em todos os ditos


populares, há uma grande dose de verdade nesta frase. De que serve ter muito dinheiro
se sofrermos de uma doença incurável? Ou se nos acontece uma tragédia como a morte
de um filho querido. Ou mesmo se a grande paixão da nossa vida resolve abandonar-
nos. Ter dinheiro, muito dinheiro, não compra tudo e, sobretudo, não garante a
felicidade. Mas a falta dele, levada ao extremo, conduz à pobreza extrema, por vexes à
miséria e à fome. Não ter dinheiro para viver com dignidade é incompatível com
qualquer forma de felicidade. Ver os filhos a viver em situação degradante, sem ter
comida para lhes dar, com o frio e com doenças, é a pior provação por que pode passar
um chefe de família. O dinheiro não traz a garantia de felicidade, mas a falta dele
seguramente também não. Por dinheiro há quem faça tudo. Na nossa sociedade, cada
vez mais materialista e egocêntrica, ser rico é, só por si, garantia de promoção social;
mas a ostentação dessa riqueza é por vezes chocante e provocatória. Exibir riquezas em
jóias e vestidos, passear em carros de luxo, morar em casa apalaçadas, fazer viagens
caríssimas para sítios exóticos, frequentar sistematicamente restaurantes de luxo…, em
resumo: exibir um estatuto de ter muito dinheiro é, só por si, a constatação de uma vida
de sucesso. Mas o mais grave é a associação que nos nossos tempos se faz entre a
competência profissional e o dinheiro. Nas profissões liberais então é um escândalo.
Ninguém acredita que um bom arquitecto tenha de andar a pé, que um grande advogado
da nossa praça viva na Brandoa, ou que um médico competente no topo da carreira
passe férias na Fonte da telha! Os sinais de riqueza são infelizmente, nos nossos dias,
vistos como sinais de competência. O sucesso profissional está erradamente associado
ao dinheiro que se ganha. O raciocínio e a lógica materialista subverteram
completamente os nossos critérios de julgamento. Quando já jovem cirurgião dos
hospitais, troquei no meu R4 por uma alfa Romeu, houve logo quem ali visse uma prova
do meu sucesso, da subida de um degrau na competência. A austeridade e a
simplicidade não pegam em termos de reconhecimento social. Mas o que é verdade é
que para gozar alguns dos maiores prazeres da vida é preciso ter algum dinheiro.
Começa por ser muito bom nos termos de preocupar com o fim do mês. Depois também
é importante viver confortavelmente, numa boa casa e, se possível, ter uma segunda
para descansar nos fins-de-semana. Se vinte por cento da nossa vida é passada dentro de
um automóvel é legítimo querer um confortável e seguro. E, já agora, pode viajar de vez
em quando, conhecer a Europa e o mundo. Comer bem, beber moderadamente bons
vinhos, fumar um bom charuto são também exemplos de pequenos prazeres da vida que
custam bom dinheiro. Para já não falar de custo dos bilhetes para os espectáculos
culturais.

Entre a ostentação do novo-rico e ter dinheiro para levar uma boa vida há uma diferença
abissal. Numa sociedade justa e equilibrada, todo o trabalhador competente deviam ter
dinheiro para viver com disponibilidade. Nem todos, é claro, podemos fazer a mesma
vida, ter acesso aos mesmos bens de consumo, mas à sua maneira podem sentir-se bem,
podem ter acesso à sua felicidade. O Tio Patinhas, ignóbil velho forreta que toma banho
dentro do seu cofre em piscinas de dinheiro, insensível às necessidades da família e dos
amigos, explorador do seu semelhante, é bem o exemplo caricatural do novo-rico dos
nossos tempos. Incapaz de gozar um só prazer que não esteja relacionado com a
ostentação e com o poder que o dinheiro infelizmente lhe proporciona. Ter muito
dinheiro apenas para poder mostrar e com isso ter aceitação social é um dos prazeres do
nosso tempo. Ter dinheiro para viver conforto, sem angústias materiais limitadoras de
uma vida tranquila e espiritualmente enriquecedora é a essência do verdadeiro prazer do
dinheiro. Era bom para todos poderem ter acesso a esse mínimo indispensável, gerador
potencial de tranquilidade e felicidade, sem nos deixarmos contagiar pela ganância, ou
pelas falsas sensações de sucesso social. Afinal todos somos culpados pela legítima
ambição de querer ter sempre um pouco mais. O prazer do dinheiro está no prazer de o
poder gastar com outros prazeres da vida. Só pode de facto ser gozado por aqueles que
têm por ele, dinheiro, um profundo e sincero desprezo. Temos de reconhecer. O
dinheiro por si só não traz a felicidade. Mas que diabo, ajuda um pouco!

Eduardo Barroso

Na base do texto que acabou de ler, responda as questoes a seguir

1. Diga em que contexto foi produzido o texto.

2. Descubra o ponto de vista ou tese defendida pelo autor do texto.

3. Que argumetos o autor utiliza para sustentar a sua tese?

4. Transcreva as passagens textuais que serve de estratégias de reforço à tese.

Fim!

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