Breve descrição
Neste exercício pretende-se simular o escoamento numa tubagem com uma união em T. Este
domínio tem 2 entradas e 1 saída, e o fluido em escoamento será a água. Além disso, uma das
correntes de entrada terá uma temperatura mais alta, pelo que o modelo irá incluir também a
equação da energia (e respe$va obtenção da distribuição da temperatura).
Este exercício servirá também para abordar algumas formas comuns de reportar e apresentar
resultados em CFD.
Procedimento
1. Iniciar uma sessão no Workbench 2024 R1.
2. Abrir o ficheiro wbpj fornecido para o tutorial em File -> Open.
Design Modeler
3. Abrir a geometria no Design Modeler, i.e., carregar no botão direito do rato em
Geometry e escolher “Edit Geometry in Design Modeler”.
4. Iden$ficar as zonas para as condições fronteira (2 entradas e 1 saída) de acordo com a
figura: inlet-z; inlet-y e outlet.
outlet
inlet-z
inlet-y
Para cada uma dessas fronteiras, selecionar a face correspondente, carregar no botão
direito e escolher a opção “Named selec#ons”. Na barra “Details view”, atribuir o
respe$vo nome dessa fronteira.
5. Fazer “Save project” para guardar as alterações feitas na geometria.
Meshing
6. Nas opções “Component systems” escolher um componente Mesh e ligar/arrastar até
ao bloco Geometry no diagrama de fluxo do projeto.
7. Na janela do diagrama de fluxo (ou Project Schema c), carregar duas vezes no item Mesh
para iniciar a sessão no Ansys Meshing com a geometria previamente definida.
8. Na janela “Outline” que aparece do lado esquerdo, podem-se ver vários itens em árvore
(de forma similar ao que acontece no Design Modeler). Carregar no item “mesh” dessa
árvore, e ver mais abaixo as propriedades gerais em “Details”. Na seção “Defaults”,
mudar as preferências para CFD e o tamanho de elemento para 0,02 m.
9. Pode-se efetuar uma visualização prévia da malha na super?cie exterior – carregar no
item “mesh” da árvore com o botão direito e selecionar Preview -> Surface Mesh.
10. Fazer “Generate” para gerar a malha.
11. Como a malha poderá ser pouco densa, principalmente junto às paredes, vamos usar
uma ferramenta chamada Infla#on. Para isso, carregar novamente com o botão direito
em “mesh” na árvore, e fazer Insert -> Infla$on. Na barra “Details”, selecionar todo o
sólido para a Geometry e as paredes do tubo para Boundary. Aumentar o número de
camadas de 5 para 10.
12. Novamente fazer Preview da malha, mas agora na Infla on.
13. Fazer “Generate” para construir a nova versão da malha.
14. Nos “Details” da malha, expandir o item “Quality” para verificar alguns parâmetros de
avaliação da malha que foi criada. No “Mesh metric”, selecionar o Skewness e verificar
os valores respe$vos (valores preferencialmente próximos de 0, e o valor máximo não
deverá ultrapassar 0.95). Fazer exatamente o mesmo para a Orthogonal Quality (valores
preferencialmente próximos de 1, e o mínimo não deverá estar abaixo de 0.10).
15. Caso pretendam visualizar a malha no interior do volume, pode-se usar a ferramenta
Sec#on Planes.
P.S: neste ponto, é muito possível que tenham dúvidas na u$lização (podem e devem
ques$onar o docente).
16. Vamos trabalhar com esta malha na simulação, por isso convém gravar novamente o
projeto.
Fluent
17. Na barra “Component systems” ligar/arrastar um componente Fluent ao bloco Mesh do
projeto.
18. Na janela do Workbench, verificar se é necessário fazer atualizar o projeto (aparecerá o
símbolo de trovão em algum dos componentes). Caso tenham esse símbolo, carregar em
“Update Project”. Carregar com o botão direito do rato em Setup e fazer “Edit”.
19. A ação anterior irá abrir uma janela com as primeiras opções do Fluent a selecionar:
20. Fazer “Start” e, após o arranque da aplicação, irá aparecer uma janela com uma
disposição semelhante a esta:
21. Na barra Domain – Mesh (retângulo vermelho), pode-se verificar alguns dados da malha
na janela da consola (retângulo azul): Info –> Size dá o valor do nº de células, faces e
nodos; Check –> Perform Mesh Check faz uma pequena avaliação da malha e mostra
dados de dimensões, volumes e faces. Também se pode fazer uma visualização da malha
em “Display”.
22. Na janela Task Page, deixar as opções do Solver em Pressure-based e estado estacionário
(retângulo laranja).
23. Em Units, mudar as unidades da temperatura para °C.
Modelo, materiais e condições fronteira
Estes aspetos podem-se trabalhar na janela horizontal Physics ou na janela ver$cal Outline view
(lado esquerdo) na seção Setup.
24. Na seção Models em Physics, ligar a equação da energia e mudar o modelo de
escoamento (carregando em Viscous) para Laminar.
25. O fluido no sistema será a água, por isso é necessário indicar isso mesmo. Na seção
Materials fazer Create/Edit Materials, e procurar a água (water-liquid) na base de dados
do soNware (Fluent Database). Selecionar então water-liquid e fazer Copy para as
propriedades respe$vas passarem para a janela de Create/Edit Materials. Nesta janela,
pode-se mudar o nome do material (por exemplo, para agua) e da fórmula, e verificar
que as propriedades são as pretendidas.
26. Na seção Setup da janela Outline view (lado esquerdo), expandir a lista de materiais. Essa
lista está normalmente dividida na parte dos fluidos e sólidos, que deverá também ser
expandida para visualizar os materiais presentes. Nos fluidos, poderão aparecer 2
materiais – ar e água – uma vez que, por defeito, o ar é o fluido escolhido pelo programa
como referência para a zona em escoamento.
27. Portanto, devemos dizer também ao so'ware que queremos que o fluido dentro do
domínio seja a água. Ir a Physics -> Zones -> Cell Zones, selecionar a zona que aparecer
na Task Page e fazer Edit. Abre-se uma janela com opções sobre essa zona, e em
“Material name” verificar se está selecionado o ar e mudar para água. Fazer Apply para
concre$zar a alteração e fechar. Se preferirem apagar o ar da lista dos materiais, agora é
possível fazê-lo.
28. Passar agora para as condições fronteira: ir a Physics -> Zones -> Boundaries e aparece a
lista das condições fronteira na Task Page. Podem verificar que a lista contém 5
condições fronteira (3 definidas anteriormente pelas Named Selec ons e 2 criadas
automa$camente pelo programa). Selecionar cada uma delas, definir o $po de condição
e estabelecer/verificar as suas caraterís$cas fazendo Edit:
inlet-y: Tipo – velocity-inlet; Velocidade – 0.01 m/s; Temperatura – 25°C
inlet-z: Tipo – velocity-inlet; Velocidade – 0.01 m/s; Temperatura – 55°C
outlet: Tipo – pressure-oulet; Pressão rela$va – 0 Pa; Temperatura backflow – 25°C
wall-solid: Tipo – wall; Mo$on – estacionária; Shear condi on – no slip; Condições
térmicas – fluxo de calor nulo (parede adiabá$ca).
Métodos de solução, inicialização e monitorização
Neste caso, vamo-nos focar na janela horizontal Solu on ou na janela ver$cal Outline view (lado
esquerdo) na seção Solu on.
29. Em Solu on -> Solu on Methods mudar os métodos de discre$zação da equação de
momentum e de energia para “First order upwind”.
30. Em Solu on -> Reports -> Defini ons vamos criar um registo adicional para ajudar a
monitorizar o progresso da resolução. Fazer Defini ons -> New -> Surface Report ->
Mass-Weighted Average e colocar os seguintes dados: Name – outlet-temperature;
Variable – Temperature/Sta$c temperature; Surfaces - outlet. Carregar em Ok para
finalizar.
31. Ajustar os valores dos resíduos para verificar a convergência do processo itera$vo: baixar
de 0.001 para 10-5 em todas as equações exceto na da energia (Solu on -> Reports ->
Residuals).
32. Definir as condições de inicialização/primeira es$ma$va em Solu on -> Ini aliza on.
Não alterar a opção de Hybrid Ini aliza on, e carregar em Ini alize (t=0).
33. Em Solu on -> Run Calcula on, definir o nº máximo de iterações de 300 e fazer um
“Check case”. Ignorar se aparecer um aviso acerca de ordem dos métodos de resolução.
Finalmente carregar em “Calculate” para arrancar com a simulação.
Tratamento e visualização de resultados
Agora vamos usar a janela horizontal Results ou a janela ver$cal Outline view (lado esquerdo) na
seção Results.
34. Começar por perceber se o balanço de massa global ao sistema está a fechar. Em Results
-> Reports, carregar em “Fluxes”, selecionar a opção “Mass flow rate”, escolher as duas
fronteiras de entrada e a de saída, e carregar em Compute. Registar o valor que aparece
em Net Results.
35. Fazer representação do campo de temperaturas em todo o domínio. Para isso, ir a
Results -> Graphics -> Countours -> New, definir um nome para a representação, escolher
a temperatura como variável a representar e selecionar todas as super?cies. Carregar
em Save/Display.
36. Alterar a perspe$va da representação anterior, para uma super?cie interna definida por
um corte longitudinal no domínio: ir a Results -> Surface -> Create -> Iso-surface, definir
as opções da figura abaixo, não esquecendo de selecionar a zona Solid (que no fundo é
todo o fluido porque não mudamos o nome pré-definido pelo gerador de geometrias),
e fazer Create.
37. Repe$r o passo 35, mas agora selecionando a iso-super?cie criada no passo anterior.
Carregar no botão direito na janela onde está a representação, e fazer “Save Picture” em
formato JPEG.
38. Repe$r o passo anterior para a mesma iso-super?cie, mas agora com a variável “Velocity
Magnitude”. Gravar também esta figura em JPEG.
39. Replicar os passos 37 e 38 para a super?cie “outlet”, para visualizar o que obtém à saída
em estado estacionário.
40. Finalmente, fazer um gráfico XY para visualizar a evolução da temperatura e velocidade
numa linha (para x=0) na super?cie “outlet”: 1) criar uma iso-super?cie para x=0 e com
a super?cie “outlet” selecionada no quadro do lado direito; 2) ir a Results -> Plots -> XY
Plot -> New, definir o nome da representação, definir a direção do gráfico como Z=1,
escolher a temperatura como a variável em Y, selecionar a super?cie criada em 1) e fazer
Save/Plot; 3) a$var a opção “Write to File” e fazer Write para gravar um ficheiro que
poderá ser u$lizado noutro aplica$vo (por exemplo, no Excel); 4) repe$r os passos 2) e
3) para a velocidade.
41. Fazer “Save project”.
Alterar os métodos de resolução para comparar o efeito nos resultados
42. Mudar os seguintes métodos de discre$zação: Gradient – Green-Gauss Cell Based;
Momentum – Second Order Upwind; Energy – Second Order Upwind.
43. Fazer inicialização híbrida e repe$r a simulação em estado estacionário para este novo
conjunto de métodos.
44. Comparar os resultados ob$dos, em par$cular os gráficos XY realizados no passo 40.
Desafios extra
1. Realizar uma simulação neste sistema em estado transiente – iniciar (condições iniciais)
com o fluido parado e a temperatura de 25°C em todo o domínio.
2. Nas duas entradas, definir a velocidade com um perfil parabólico caracterís$co de
regime laminar (em vez de perfil uniforme).