NUTRIÇÃO E ÉTICA
AULA 2
Prof. Alisson David Silva
CONVERSA INICIAL
Nesta etapa, vamos conhecer as entidades que representam o
nutricionista em prol da sua valorização, harmonia e conduta profissional. Como
em todas as profissões regulamentadas, o profissional nutricionista conta com
três entidades representativas: os conselhos, as associações e os sindicatos.
Elas possuem finalidades distintas e existem por iniciativa exclusiva dos
profissionais, fazendo parte de um sistema de regulação e apoio aos
nutricionistas.
Os estudantes e até mesmo os profissionais têm dificuldade em
compreender a finalidade de cada uma dessas entidades. Por isso a ideia é
esclarecer e compreender as diferenciações entre elas, assim como apresentar
o Código de Ética e de Conduta do Nutricionista, material esse que norteia a
atuação do profissional. Por isso vamos trabalhar cada um desses tópicos para
que você saiba a quem recorrer quando for preciso.
TEMA 1 – CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS (CFN)
Os conselhos são entidades federais sem fins lucrativos, de interesse
público, investidos com autoridade delegada pelo Governo Federal para regular,
orientar, estabelecer normas, disciplinar e supervisionar a prática e as atividades
profissionais dos nutricionistas bem como dos técnicos em nutrição e dietética,
em todo o território nacional, em prol da proteção da sociedade.
O Conselho Federal de Nutricionistas (CFN) é uma instituição criada por
meio da Lei n. 6.583, datada de 20 de outubro de 1978 e regulamentada pelo
Decreto n. 84.444, em 30 de janeiro de 1980. A Lei n. 8.234, emitida em 17 de
setembro de 1991, veio substituir a antiga legislação de número 5.276.
Como um órgão central integrante do Sistema CFN/CRN, o CFN surgiu
em resposta à mobilização de profissionais, estudantes e entidades do campo
da nutrição. Esses grupos defendiam a imprescindibilidade de a categoria
possuir uma entidade reguladora própria. Anteriormente, eram submetidos à
fiscalização de órgãos regionais ligados à Medicina, conforme estabelecido na
Lei n. 5.276, de 24 de abril de 1967.
O CFN desempenha um papel fundamental na regulamentação e
organização dos conselhos regionais de nutricionistas e na orientação dos
profissionais da área. Por meio da criação de resoluções e outros atos
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normativos, o CFN estabelece diretrizes que padronizam procedimentos,
delineando a atuação dos conselhos regionais e dos profissionais, ao mesmo
tempo em que respeita as peculiaridades e demandas específicas de cada
região.
O plenário do CFN é composto de nove conselheiros federais efetivos e
nove suplentes, eleitos para um mandato de três anos. Paralelamente, a
diretoria, constituída pelo presidente, vice-presidente, secretário e tesoureiro, é
anualmente selecionada entre os membros efetivos do plenário, assumindo
funções executivas dentro da estrutura do conselho.
A estrutura organizacional do CFN, delineada pelo Decreto Regulamentar
n 84.444/80, compreende diversos órgãos que desempenham funções
específicas, garantindo a gestão e a orientação adequada da entidade. Entre
esses órgãos, destacam-se:
• Plenário, responsável por decisões deliberativas;
• Diretoria, incumbida das funções executivas;
• Presidência, encarregada da coordenação e gestão;
• Comissões permanentes, que abrangem áreas como tomada de contas,
ética, fiscalização, formação profissional, comunicação e licitação,
desempenhando papéis de orientação, disciplina, suporte e
assessoramento;
• Comissões especiais, transitórias, grupos de trabalhos e
• Câmaras técnicas.
Cada um tem funções específicas dentro do âmbito da entidade. Essa
estrutura organizacional possibilita o funcionamento e a eficácia na gestão das
atividades do CFN. Além dessas funções, o CFN conta com uma estrutura
administrativa que fornece suporte e assessoria, atualmente constituída por
coordenação administrativa e unidades específicas, como as áreas jurídica,
contábil, técnica e de comunicação.
Por fim, a missão do CFN é:
contribuir para a garantia do direito humano à alimentação
adequada e saudável, normatizando e disciplinando o exercício
profissional do nutricionista e do técnico em nutrição e dietética,
para uma prática pautada na ética e comprometida com a
segurança alimentar e nutricional, em benefício da sociedade.
(CFN, 2023).
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Dessa forma, a criação do CFN representou não apenas uma conquista
para os profissionais da área, mas também um marco na autonomia e
regulamentação da profissão de nutricionista, permitindo a orientação,
normatização e fiscalização específica das atividades dessa categoria em
território nacional.
Importante ressaltar que a Lei Federal n. 6.583/1978, regulamentada pelo
Decreto n. 8.444/1980, criou, além do Conselho Federal de Nutricionistas (CFN),
os Conselhos Regionais de Nutricionistas (CRN). Atualmente contamos com 10
regionais que veremos no tópico a seguir.
TEMA 2 – CONSELHOS REGIONAIS DE NUTRICIONISTAS (CRN)
Da mesma forma que o Conselho Federal de Nutricionistas, o Conselho
Regional de Nutricionistas é uma entidade pública sem fins lucrativos, investida
com autoridade delegada pelo Governo Federal para estabelecer normas,
direcionar, regular e fiscalizar as práticas e atividades exercidas pelos
profissionais de nutrição, assim como pelos técnicos em nutrição e dietética.
Atualmente o sistema conta com o CFN, com sede em Brasília- (DF) e
jurisdição em todo o país e com dez conselhos regionais localizados nos
seguintes estados:
• CRN-1: DF, GO, MT, TO – sede: Brasília (DF)
• CRN-2: RS – sede: Porto Alegre (RS)
• CRN-3: SP e MS – sede: São Paulo (SP)
• CRN-4: ES e RJ – sede: Rio de Janeiro (RJ)
• CRN-5: BA e SE – sede: Salvador (BA)
• CRN-6: AL, PB, PE, RN – sede: Recife (PE)
• CRN-7: AC, AM, AP, PA, RO, RR – sede: Belém (PA)
• CRN-8: PR – sede: Curitiba (PR)
• CRN-9: MG – sede: Belo Horizonte (MG)
• CRN-10: SC – sede: Florianópolis (SC)
• CRN-11: CE, MA, PI – sede: Fortaleza (CE)
Conforme a ilustração a seguir, podemos observar no mapa do Brasil as
regionais do conselho e quais estados elas abrangem.
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Figura 1 – Mapa do Brasil com os Conselhos Regionais de Nutricionistas
Crédito: St Bento/Shutterstock.
Os Conselhos Regionais são compostos de nove membros titulares e um
número equivalente de suplentes, selecionados por meio de eleição direta e
votação pessoal, secreta e obrigatória dos profissionais registrados. O mandato
dos membros dos Conselhos Regionais tem a duração de três anos, com a
possibilidade de uma única reeleição consecutiva.
De acordo com o Decreto n. 84.444, de 30 de janeiro de 1980, no cap. III,
art. 13, compete aos Conselhos Regionais:
I - eleger, dentre seus membros, o respectivo presidente, vice-
presidente, secretário e tesoureiro;
II - expedir carteira de identidade profissional e cartão de identificação
aos profissionais registrados, de acordo com o modelo instituído pelo
Conselho Federal;
III - fiscalizar o exercício profissional na área de sua jurisdição,
tomando as providências cabíveis, e representando a autoridade
competente sobre os fatos que apurar e cuja solução ou repressão
escape à sua alçada;
IV - cumprir e fazer cumprir as disposições legais e regulamentares em
vigor, o regimento e o código de ética profissional, bem como as
resoluções e demais atos baixados pelo Conselho Federal;
V - funcionar como Tribunal de Ética Profissional nos casos em que se
fizer necessário;
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VI - elaborar o projeto de seu regimento e suas alterações,
submetendo-os ao exame do Conselho Federal, para aprovação do
Ministro do Trabalho;
VII - propor ao Conselho Federal as medidas necessárias ao
aprimoramento dos serviços e dos sistemas de fiscalização do
exercício profissional;
VIII - aprovar a proposta orçamentária e autorizar a abertura de créditos
adicionais e as operações referentes a mutações patrimoniais;
IX - autorizar o presidente a onerar ou alienar bens imóveis de
propriedade do Conselho;
X - arrecadar anuidades, multas, taxas e emolumentos e adotar todas
as medidas destinadas à efetivação de sua receita, destacando e
repassando ao Conselho Federal as importâncias correspondentes à
sua participação;
XI - promover, perante o juízo competente, a cobrança de importâncias
relativas a anuidades, taxas emolumentos e multas, após esgotados
os meios de cobrança amigável;
XII - estimular a exação no exercício da profissão, zelando pelo
prestígio e bom conceito dos que a exercem;
XIII - julgar as infrações e aplicar as penalidades previstas neste
Regulamento, na Lei, no Código de Ética e em normas
complementares baixadas pelo Conselho Federal;
XIV - emitir parecer conclusivo sobre prestação de contas a que esteja
obrigado;
XV - publicar, anualmente, seu orçamento e respectivos créditos
adicionais, os balanços, a execução orçamentária, o relatório de suas
atividades e a relação dos profissionais registrados;
XVI - cumprir e fazer cumprir as determinações decorrentes da
supervisão ministerial;
XVII - promover, em âmbito regional, simpósios, conferências e outras
formas que visem ao aprimoramento cultural e profissional dos
nutricionistas;
XVIII - instruir processos relativos a recursos interpostos de suas
decisões, encaminhando-os ao Conselho Federal, para julgamento;
XIX - baixar os atos necessários ao bom desenvolvimento de suas
atividades e programas;
XX - eleger, dentre seus membros, o respectivo representante para
composição do Colégio Eleitoral a que se refere o artigo 5º;
XXI - decidir sobre pedidos de inscrição de pessoas físicas e jurídicas
inscritas.
XXII - organizar e manter o registro profissional de pessoas físicas e
jurídicas inscritas.
Para a manutenção de suas atividades, os Conselhos Regionais contam
com diversas fontes de renda. Estas incluem a arrecadação de anuidades, taxas,
emolumentos e multas, representando 80% do valor total. Além disso, recebem
legados, doações e subvenções, juntamente com rendas provenientes de seu
patrimônio. Essas diferentes fontes de receita são essenciais para sustentar as
operações e as iniciativas dos Conselhos Regionais, garantindo a continuidade
de suas atividades em prol dos profissionais da área de nutrição.
Abaixo podemos visualizar no gráfico, conforme as informações do site do
CFN referentes ao 2º trimestre de 2023, a quantidade de nutricionistas por região
e o número total de nutricionistas registrados nos conselhos.
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Figura 2 – Total de nutricionistas por região
Fonte: Arte/UT.
TEMA 3 – SINDICATOS
A definição de sindicato foi estabelecida nas Convenções da OIT
(Organização Internacional do Trabalho), na Constituição Federal Brasileira
(CFB) e na Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). Sua função primordial
está vinculada à proteção e defesa dos direitos da categoria, atuando em
questões judiciais e administrativas.
A definição de sindicato, segundo o CRN-10, estabelece que essas
entidades têm como finalidade resguardar os direitos trabalhistas, como o
estabelecimento de pisos salariais, regulamentação da carga horária de
trabalho, garantia de condições laborais adequadas e demais aspectos ligados
ao universo profissional. Seu maior propósito é assegurar a conquista e a
manutenção desses direitos profissionais, garantindo que os trabalhadores
estejam resguardados em suas atividades laborais.
A organização dos sindicatos no Brasil ocorre em três níveis: 1º sindicato
em primeira instância, 2º federações sindicais e 3º confederações sindicais. As
federações são constituídas por no mínimo cinco sindicatos e as confederações,
por três federações.
As principais funções e deveres dos sindicatos incluem:
• Formulação de propostas visando aprimorar a condição social dos
trabalhadores;
• Negociação de acordos coletivos de trabalho em benefício da categoria;
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• Intervenção legal em ações judiciais em todas as esferas do Judiciário;
• Prestação de orientação jurídica sobre questões relacionadas ao âmbito
trabalhista;
• Participação ativa na contribuição e revisão da legislação trabalhista e
suas atualizações;
• Recebimento e encaminhamento de denúncias trabalhistas para as
instâncias superiores competentes.
Os sindicatos se mantêm financeiramente por meio das contribuições dos
seus membros, estabelecendo em sua estrutura cargos como a presidência,
vice-presidência, secretarias e outros postos administrativos considerados
essenciais. No campo da nutrição, a rede sindical ainda não alcança uma
abrangência significativa. Consequentemente, certas conquistas para os
trabalhadores na área da nutrição são muitas vezes obtidas por meio de
sindicatos de setores correlatos, como os sindicatos da hotelaria, alimentação
coletiva, hospitalar, entre outros.
Os sindicatos que temos na atualidade são estes:
• Sindicato de Nutricionistas de São Paulo;
• Sindicato dos Nutricionistas no Espírito Santo;
• Sindicato dos Nutricionistas no Rio de Janeiro;
• Sindicato dos Nutricionistas na Bahia;
• Sindicato dos Nutricionistas de Alagoas;
• Sindicato dos Nutricionistas no Amazonas;
• Sindicato dos Nutricionistas de Santa Catarina;
• Sindicato de Nutricionistas do Mato Grosso do Sul;
• Sindicato de Nutricionistas do Rio Grande do Sul;
• Sindicato de Nutricionistas de Goiás;
• Sindicato dos Nutricionistas no Estado da Paraíba;
• Sindicato de Nutricionistas do Espírito Santo;
• Sindicato de Nutricionistas do Estado de Pernambuco;
• Sindicato dos Nutricionistas do Distrito Federal.
Para os profissionais que desejam participar do movimento sindical, mas
não dispõem de uma entidade de nutricionistas em seu estado, a Federação
Nacional de Nutricionistas (FNN) se configura como uma alternativa. A FNN
desempenha a função de representar os afiliados em todo o território nacional,
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atuando como um meio de representação para aqueles que buscam participar
ativamente do cenário sindical, mas não possuem um sindicato exclusivo para
nutricionistas em sua região.
A FNN teve sua origem em 1989, durante uma assembleia geral realizada
na cidade do Recife, em Pernambuco. O encontro reuniu representantes
sindicais de diferentes regiões do Brasil, como Rio de Janeiro, Rio Grande do
Sul, Pernambuco, São Paulo, Alagoas e Distrito Federal. Essa união de
profissionais e a construção de uma consciência crítica e social desempenham
um papel fundamental na criação de um sindicato que represente amplamente a
categoria. O fortalecimento do Sindicato de Nutrição é de suma importância para
o fortalecimento e a valorização da profissão.
Também é no site do FNN que encontramos as tabelas de valores
mínimos dos honorários que devem sem cobrados pelo profissional nutricionista.
Nele estão descritos as atividades e os valores para que o profissional possa se
basear, a fim de valorizar o seu trabalho e a profissão.
TEMA 4 – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NUTRIÇÃO (ASBRAN)
Na área da nutrição, encontramos associações em diversas esferas:
federal, estadual e municipal, todas desempenhando papéis relevantes.
Destaca-se a Associação Brasileira de Nutrição (ABN), frequentemente
reconhecida por sua grande importância no campo. Sua fundação é resultado do
incansável trabalho de Firmina Sant’Ana, que ocupou o cargo de primeira
presidente da associação. Mais tarde, a ABN foi sucedida pela Federação
Brasileira de Nutrição (Febran), que, em 8 de junho de 1990, passou a se chamar
Associação Brasileira de Nutrição (Asbran).
A Asbran é uma organização sem fins lucrativos que tem como principal
propósito fortalecer a formação e especialização dos nutricionistas, além de
fomentar pesquisas sobre alimentação e nutrição no Brasil. Por conta disso ela
é responsável pela organização do maior congresso de nutrição do Brasil, que
ocorre a cada dois anos e é chamado de Conbran – Congresso Brasileiro de
Nutrição.
Contudo temos as associações estaduais e municipais, que se vinculam
à Asbran e à Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (SBAN), ambas
com sede em São Paulo. As associações que temos:
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• Associação Paranaense de Nutrição (Anupar);
• Associação dos Nutricionistas do Oeste do Paraná (Anuop);
• Associação Paulista de Nutrição (Apan);
• Associação de Nutrição do Distrito Federal (ANDF);
• Associação Catarinense de Nutrição (Acan);
• Associação de Nutrição do Estado do Espírito Santo (ANEES);
• Associação Pernambucana de Nutrição (APN);
• Associação Alagoana de Nutrição (Alnut);
• Associação Sul-mato-grossense (Asman);
• Associação de Nutrição do Estado do Rio de Janeiro (Anerj);
• Associação Gaúcha de Nutrição (Agan);
• Associação de Nutrição do Estado do Pará (Anepa).
Periodicamente, as associações realizam eventos temáticos voltados
para questões relevantes na área da nutrição, oferecendo formações e
oportunidades de educação continuada. Além disso, emitem pareceres técnicos
e contribuem para o fortalecimento e valorização da nutrição. É válido dizer que
a associação aceita estudantes participando desses eventos, o que ajuda o
aluno a se inserir no meio, além de poder se atualizar nos temas de seu
interesse.
Importante dizer que a Asbran é quem confere o título de especialista, o
qual é o reconhecimento da capacitação técnica e científica. As áreas
específicas da profissão abrangem:
• Educação Alimentar e Nutricional;
• Nutrição Clínica;
• Nutrição Clínica em Terapia Intensiva;
• Nutrição em Alimentação Coletiva;
• Nutrição em Alimentação Escolar;
• Nutrição em Esportes e Exercício Físico;
• Nutrição Materno-Infantil.
O título é constituído de algumas comprovações, além de uma prova
específica para afirmar os conhecimentos do nutricionista na área em que ele
deseja obter o título de especialista.
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TEMA 5 – CÓDIGO DE ÉTICA E DE CONDUTA DO NUTRICIONISTA
Todas as profissões regulamentadas contam com um código de ética
elaborado pelos respectivos conselhos profissionais, entidades responsáveis
pela fiscalização do exercício profissional. Esses códigos éticos se inserem no
âmbito da ética deontológica, representando uma teoria que discute as escolhas
individuais e delineia o que é moralmente necessário, servindo como guia para
as ações que devem ser tomadas.
Esses documentos estabelecem um conjunto de princípios, valores,
normas, condutas, direitos, deveres e limites que regem a conduta dos
profissionais, visando a proteger os interesses da sociedade, salvaguardar os
profissionais e enaltecer a profissão.
Na nutrição não é diferente. O primeiro código de ética dos nutricionistas
data de 1981, sendo elaborado pelo Conselho Federal de Nutricionistas e
contava com apenas 11 artigos. Desde então, o código já sofreu três
atualizações. A primeira versão foi estabelecida pela Resolução CFN n. 24/1981,
a segunda edição ocorreu por meio da Resolução CFN n. 141/1993, a terceira
atualização ocorreu pela Resolução CFN n. 334/2004 e, por fim, a última
atualização até o momento é dada pela Resolução CFN n. 599/2018.
A elaboração do Código de Ética e de Conduta do Nutricionista teve início
em 2014 e resultou de um processo colaborativo que culminou na sua publicação
em 2018. Durante esse período, o Sistema Federal e Regional de Nutricionistas
promoveu diversos eventos, audiências, encontros, workshops e consulta
pública, abertos tanto aos nutricionistas quanto aos estudantes de Nutrição.
O propósito central do código é assegurar que os princípios fundamentais
da nutrição sejam não apenas respeitados, mas também valorizados. Além
disso, visa garantir que a soberania alimentar e a segurança nutricional sejam
princípios fundamentais na atuação dos nutricionistas.
A validação desse documento ocorreu por meio de um processo de
consulta pública, refletindo a integral importância de todos os temas abordados
para a prática profissional. A adição da palavra conduta foi considerada
particularmente significativa, pois o documento vai além do aspecto meramente
teórico e filosófico, transcende as normas de conduta e convida o nutricionista a
uma reflexão sobre conceitos morais. Além disso, amplia o escopo de atuação
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do nutricionista, enfatizando a sua autonomia e evidenciando o seu papel como
educador.
O Código de Ética e de Conduta do Nutricionista está estruturado em 10
capítulos que abordam distintos temas relativos à conduta e prática profissional
do nutricionista:
• Capítulo I – Responsabilidades profissionais: estabelece as
responsabilidades profissionais do nutricionista, divididas em 18 artigos,
abrangendo direitos (cinco artigos), deveres (nove artigos) e vedações
(quatro artigos).
• Capítulo II – Relações interpessoais: trata das relações que ocorrem no
exercício profissional entre nutricionistas e diversos grupos, contendo
quatro artigos que exploram direitos (um artigo), deveres (um artigo) e
vedações (dois artigos).
• Capítulo III – Condutas e práticas profissionais: aborda as atividades e
ações do nutricionista em 22 artigos, relacionados a direitos (quatro
artigos), deveres (nove artigos) e vedações (nove artigos).
• Capítulo IV – Meios de comunicação e informação: normatiza a utilização
de estratégias de comunicação para divulgação das atividades
profissionais em vários meios, contendo seis artigos sobre direitos (dois
artigos), deveres (um artigo) e vedações (três artigos).
• Capítulo V – Associação a produtos, marcas e serviços: trata das ações
do nutricionista em relação à associação, divulgação e venda de produtos,
marcas, serviços e empresas, em sete artigos que contemplam direitos
(um artigo) e vedações (seis artigos).
• Capítulo VI – Formação profissional: normatiza práticas e situações
referentes à formação do nutricionista, com 12 artigos que abordam
direitos (dois artigos), deveres (sete artigos) e vedações (três artigos).
• Capítulo VII – Pesquisa: explora atividades relacionadas a estudos e
pesquisas realizadas pelo nutricionista, com seis artigos que envolvem
direitos (um artigo), deveres (três artigos) e vedações (dois artigos).
• Capítulo VIII – Relação com entidades da categoria: discute a interação
do nutricionista com entidades representativas da área, em sete artigos
com direitos (três artigos), deveres (três artigos) e vedações (um artigo).
• Capítulo IX – Infrações e penalidades: apresenta conceitos sobre
infrações ético-disciplinares e possíveis penalidades, em cinco artigos.
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• Capítulo X – Disposições gerais: explica as possibilidades de alterações
no documento, com cinco artigos.
O Código de Ética e de Conduta do Nutricionista inclui um glossário que
define termos essenciais para a correta compreensão do documento. Em sua
totalidade, o código contém 100 artigos.
É uma responsabilidade legal do profissional conhecer o Código de Ética
e de Conduta do Nutricionista. A compreensão desse documento desempenha
um papel crucial na proteção da sociedade contra práticas inadequadas por
profissionais desonestos, ao mesmo tempo em que valoriza e fortalece a
categoria profissional.
É de suma importância que os estudantes compreendam que é
considerado ilegal o exercício da profissão de nutricionista por parte de um
bacharel em Nutrição que não esteja devidamente registrado no Conselho
Regional de Nutricionistas. Tal prática coloca esse profissional sob o risco de
enfrentar processos de infração, podendo resultar na aplicação de sanções e
penalidades.
NA PRÁTICA
Nesta etapa, fica evidente que é dever do nutricionista estar ciente das
diversas entidades de classe, compreendendo suas distinções e as funções que
desempenham. Diante disso, como aluno, é relevante criar uma publicação para
redes sociais, destacando e diferenciando cada uma dessas entidades e suas
principais atribuições.
FINALIZANDO
Ao explorarmos as entidades representativas da área da Nutrição,
compreendemos a importância das associações, dos conselhos profissionais e
dos sindicatos. Essas instituições desempenham um papel crucial na garantia
de uma profissão regulamentada e ética, proporcionando diretrizes claras.
Conhecemos as finalidades específicas de cada entidade, o que auxilia
na tomada de decisões ao longo da carreira profissional. Observamos que o
Sistema CFN/CRN desempenha um papel fundamental como órgão regulador
da prática do nutricionista e do técnico em nutrição e dietética. A atuação
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profissional do bacharel em Nutrição está condicionada à sua inscrição nesse
órgão.
Entendemos que as associações têm um enfoque científico, visando
promover a atualização e estimular a produção de pesquisas na área de
alimentação e nutrição. Por outro lado, os sindicatos concentram seus esforços
na busca por melhores condições de trabalho para os nutricionistas e na
definição de honorários justos.
Além do conhecimento sobre as entidades representativas, encerramos
esta etapa abordando o principal guia da prática profissional: o Código de Ética
e de Conduta do Nutricionista. A versão de 2018 do código abrange uma ampla
gama de tópicos, abordando a responsabilidade profissional, interações
interpessoais, condutas profissionais, comunicação e informação, associação a
produtos e serviços, formação profissional, pesquisa, relação com entidades da
categoria, infrações e penalidades, além de disposições gerais.
Por isso o código representa um documento essencial para a reflexão e
orientação do nutricionista, sendo obrigatório que o profissional esteja
familiarizado com seu conteúdo para uma prática ética e responsável.
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REFERÊNCIAS
ASBRAN – Associação Brasileira de Nutrição. Histórico do nutricionista no
Brasil - 1939 a 1989: coletânea de depoimentos e documentos. São Paulo:
Atheneu, 1991.
ASBRAN – Associação Brasileira de Nutrição. Disponível em:
<http://www.asbran.org.br/>. Acesso em: 31 out. 2023.
CFN – Conselho Federal de Nutricionistas. Disponível em:
<http://www.cfn.org.br>. Acesso em: 31 out. 2023.
CFN – Conselho Federal de Nutricionistas. Código de ética e de conduta dos
nutricionistas. Brasília: CFN, 2015. Disponível em: <http://www.cfn.org.br/wp-
content/uploads/2018/04/codigo-deetica.pdf>. Acesso em: 7 out. 2019.
FNN – Federação Nacional dos Nutricionistas. Disponível em:
<http://www.fnn.org.br>. Acesso em: 31 out. 2023.
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