POLÍTICA NACIONAL DE SAÚDE
AULA 4
Profª Marlise Lima Brandão
CONVERSA INICIAL
O Ministério da Saúde publicou a Portaria n. 2.436, de 21 de setembro de
2017, que estabelece a revisão de diretrizes da Política Nacional de Atenção
Básica (PNAB), no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). O novo texto da
Política foi aprovado pela Comissão Intergestores Tripartite (CIT) no final de
agosto do mesmo ano (Brasil, 2017a; 2017b).
Segundo o Departamento de Atenção Básica (DAB), no ministério,
O SUS tem apostado nos últimos dois anos em um modelo de
organizar a Atenção Básica que se mostrou bem-sucedido, do ponto
de vista da capacidade de resolver demandas da população, que é a
Estratégia de Saúde da Família. Na nova PNAB reafirma-se esse
formato e avança-se em outras diretrizes, como o financiamento de
equipes de Atenção Básica, a continuidade do uso dos sistemas de
informação em saúde, a integração com as vigilâncias, entre outros.
(Brasil, 2017b)
Esta aula será composta por uma descrição geral sobre a portaria que
regulamentou a nova PNAB (Brasil, 2017a) e pela apresentação dos principais
pontos da nova PNAB.
TEMA 1 – DISPOSIÇÕES GERAIS DA ATENÇÃO BÁSICA
A Atenção Básica (AB) ou Atenção Primária à Saúde (APS) é o conjunto
de ações de saúde (Art. 2º) individuais, familiares e coletivas que
envolvem promoção, prevenção, proteção, diagnóstico, tratamento,
reabilitação, redução de danos, cuidados paliativos e vigilância em saúde,
desenvolvida por meio de práticas de cuidado integrado e gestão
qualificada, realizada com equipe multiprofissional e dirigida à população
em território definido, sobre as quais as equipes assumem
responsabilidade sanitária.
A AB será a principal porta de entrada (art. 2º, parágrafo 1º) e centro de
comunicação da Rede de Atenção à Saúde (RAS), coordenadora do
cuidado e ordenadora das ações e serviços disponibilizados na rede.
A Saúde da Família é estratégia prioritária para expansão e consolidação
da AB (art. 4º), porém serão reconhecidas outras estratégias de AB, desde
que observados os princípios e diretrizes previstos nesta portaria e
tenham caráter transitório, devendo ser estimulada sua conversão em
estratégia Saúde da Família.
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A integração entre Vigilância em Saúde e Atenção Básica (art. 5º) é
condição essencial para o alcance de resultados que atendam às necessidades
de saúde da população.
O parágrafo 2º do art. 2º estabelece que a Atenção Básica será ofertada
integralmente e gratuitamente a todas as pessoas, de acordo com suas
necessidades e demandas do território. Esse dispositivo atende de forma
absoluta ao disposto constitucional, ou seja, à integralidade e à universalidade.
A PNAB segue os princípios e diretrizes do SUS (Brasil, 2017a).
TEMA 2 – A ATENÇÃO BÁSICA NA REDE DE ATENÇÃO À SAÚDE
A portaria (Brasil, 2017a) define a organização na RAS, como estratégia
à integralidade e à equidade. As RAS constituem-se em arranjos organizativos
formados por ações e serviços de saúde com diferentes configurações
tecnológicas e missões assistenciais, articulados de forma complementar e com
base territorial. A AB é o primeiro ponto de atenção e é constituída por equipe
multidisciplinar.
A AB é a base do ordenamento para a efetivação da integralidade e
precisa reconhecer as demandas de saúde da população sob sua
responsabilidade e organizá-las em relação aos outros pontos de atenção à
saúde. Para tanto, é necessário que a AB tenha alta resolubilidade, com
capacidade clínica e de cuidado, além da articulação com outros pontos da RAS
(Brasil, 2017a).
A incorporação das ferramentas de telessaúde às decisões clínicas e aos
processos de regulação do acesso serve como ferramenta de gestão e de
cuidado. Isso pode vir a contribuir com o aumento da resolubilidade na AB, pois
evita a exposição das pessoas a consultas e/ou procedimentos desnecessários;
promove o uso racional dos recursos em saúde; impede deslocamentos
desnecessários e traz maior eficiência (Brasil, 2017a).
É de responsabilidade da gestão municipal, dentro da AB:
a. Ordenar o fluxo das pessoas nos demais pontos de atenção da RAS;
b. Gerir a referência e contrarreferências em outros pontos de atenção; e
c. Estabelecer relação com os especialistas que cuidam das pessoas do
território.
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TEMA 3 – INFRAESTRUTURA, AMBIÊNCIA E FUNCIONAMENTO DA
ATENÇÃO BÁSICA
Todos os estabelecimentos de saúde que prestem ações e serviços de
AB, no âmbito do SUS, de acordo com esta portaria (art. 6º) serão denominados
Unidade Básica de Saúde (UBS) (Brasil, 2017a).
3.1 Infraestrutura e ambiência
A infraestrutura de uma UBS deve estar adequada ao quantitativo de
população adscrita e suas especificidades, aos processos de trabalho das
equipes e à atenção à saúde dos usuários; deve também considerar a densidade
demográfica, a composição, a atuação e os tipos de equipes, o perfil da
população e as ações e serviços de saúde a serem realizados. Poderão ser
pontos de apoio para o atendimento de populações dispersas com
reconhecimento no SCNES (Brasil, 2017a).
A ambiência de uma UBS refere-se ao espaço físico, entendido como
lugar social, profissional e de relações interpessoais, com atenção acolhedora e
humana às pessoas, e ser um ambiente saudável ao trabalho dos profissionais
de saúde. Para um ambiente adequado, recomenda-se: uma recepção sem
grades; identificação dos serviços existentes; escala dos profissionais; horários
de funcionamento e sinalização de fluxos; espaços adaptados para as pessoas
com deficiência em conformidade com as normativas vigentes (Brasil, 2017a).
Tipos de unidades e equipamentos de Saúde: Unidade Básica de Saúde;
Unidade Básica de Saúde Fluvial e; Unidade Odontológica Móvel.
3.2 Funcionamento
Carga horária mínima de 40 horas/semanais, no mínimo 5 dias por
semana e nos 12 meses do ano;
População adscrita por equipe de Atenção Básica (eAB) e de Saúde da
Família (eSF) de 2.000 a 3.500 pessoas, localizada dentro do território;
Podem existir outros arranjos de adscrição facultando aos gestores, eAB,
CMS ou CLS;
Quatro (4) eAB ou eSF por UBS, para que possam atingir seu potencial
resolutivo;
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Teto máximo por UBS (AB ou SF), com ou sem profissional de saúde
bucal - Município e DF: população/2000;
Municípios ou territórios < 2000 hab.: 1 eAB ou eSF.
As ações e serviços da AB, deverão seguir:
Padrões essenciais – ações e procedimentos básicos relacionados a
condições básicas/essenciais de acesso e qualidade na AB; e
Padrões ampliados – ações e procedimentos considerados estratégicos
para alcançar padrões elevados de acesso e qualidade na AB,
considerando especificidades locais, indicadores e parâmetros
estabelecidos nas Regiões de Saúde.
TEMA 4 – TIPOS DE EQUIPE
4.1 Equipe de Saúde da Família (eSF):
É a estratégia prioritária de atenção à saúde e visa à reorganização da
Atenção Básica no país. É considerada como estratégia de expansão,
qualificação e consolidação da AB.
Composição mínima: médico (especialista em medicina de família e
comunidade), enfermeiro (especialista em saúde da família); auxiliar e/ou técnico
de enfermagem e agente comunitário de saúde (ACS). Aceita: agente de
combate às endemias (ACE) e os profissionais de saúde bucal. O número de
ACS por equipe é definido de acordo com base populacional (critérios
demográficos, epidemiológicos e socioeconômicos) de acordo com a gestão
local, sendo obrigatória a carga horária de 40 horas semanais para todos os
profissionais de saúde membros da ESF (Brasil, 2017a).
Em áreas de grande dispersão territorial, áreas de risco e vulnerabilidade
social: cobertura de100% da população com número máximo de 750 pessoas
por ACS.
4.2 Equipe da Atenção Básica (eAB)
A gestão municipal poderá compor equipes de Atenção Básica (eAB) de
acordo com características e necessidades do município. Como modelo
prioritário é a ESF, as eAB podem posteriormente se organizar tal qual o modelo
prioritário (Brasil, 2017a).
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Composição mínima: médico (especialista em medicina de família e
comunidade), enfermeiro (especialista em saúde da família); auxiliar e/ou técnico
de enfermagem. Aceita dentistas, auxiliar ou técnico de saúde bucal, ACS e
Agentes de Combate a Endemias (ACE). A carga horária mínima por categoria
deve ser de 10 horas, com no máximo três (3) profissionais por categoria. A
distribuição de carga horária é de responsabilidade do gestor.
4.3 Equipe de Saúde Bucal (eSB)
Os profissionais de saúde bucal que compõem as eSF e eAB devem estar
vinculados à uma UBS ou a Unidade Odontológica Móvel, podendo se organizar
em duas modalidades: Modalidade I: cirurgião-dentista e auxiliar em saúde bucal
(ASB) ou técnico em saúde bucal (TSB) e; Modalidade II: cirurgião-dentista, TSB
e ASB, ou outro TSB.
4.4 Núcleo Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica (Nasf – AB)
Constitui uma equipe multiprofissional e interdisciplinar composta por
categorias de profissionais da saúde, complementar às equipes que atuam na
AB. Atua de maneira integrada para dar suporte (clínico, sanitário e pedagógico)
aos profissionais das eSF e eAB.
Compete especificamente à equipe do Nasf-AB:
Participar do planejamento conjunto com as equipes que atuam na AB à
que estão vinculadas;
Contribuir para a integralidade (ampliação da clínica) auxiliando no
aumento da capacidade de análise e de intervenção sobre problemas e
necessidades de saúde, tanto em termos clínicos quanto sanitários;
Realizar discussão de casos, atendimento individual, compartilhado,
interconsulta, construção conjunta de projetos terapêuticos, educação
permanente
Desenvolver intervenções no território e na saúde de grupos
populacionais de todos os ciclos de vida, e da coletividade;
Promover ações intersetoriais, ações de prevenção e promoção da saúde,
discussão do processo de trabalho das equipes dentre outros, no
território.
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4.5 Estratégia de Agentes Comunitários de Saúde (EACS):
É prevista a implantação da Estratégia de Agentes Comunitários de
Saúde nas UBS como uma possibilidade para a reorganização inicial da AB com
vistas à implantação gradual da eSF ou como uma forma de agregar os agentes
comunitários a outras maneiras de organização da AB. São itens necessários à
implantação desta estratégia:
A existência de uma UBD, inscrita no SCNES;
O número de ACS e ACE por equipe deverá ser definido de acordo com
base populacional (critérios demográficos, epidemiológicos e
socioeconômicos), conforme legislação vigente;
Carga horária integral de 40 horas semanais por toda a equipe de agentes
comunitários, por cada membro da equipe; composta por ACS e
enfermeiro supervisor;
O enfermeiro supervisor e os ACS devem estar cadastrados no SCNES;
Cada ACS deve ter uma microárea, com até 750 pessoas;
A atividade do ACS deve se dar pela lógica do planejamento do processo
de trabalho a partir das necessidades do território, com priorização para
população com maior grau de vulnerabilidade e de risco epidemiológico;
A atuação em ações básicas de saúde deve visar à integralidade do
cuidado no território; e
Cadastramento, preenchimento e informação dos dados por meio do SIS
para a Atenção Básica.
TEMA 5 – FINANCIAMENTO DAS AÇÕES DE ATENÇÃO BÁSICA
O financiamento da Atenção Básica deve ser tripartite e com
detalhamento apresentado pelo Plano Municipal de Saúde, garantido nos
instrumentos conforme especificado no Plano Nacional, Estadual e Municipal de
gestão do SUS. No âmbito federal, o montante de recursos financeiros
destinados a ações de AB à saúde compõe o bloco de financiamento de Atenção
Básica (Bloco AB) (Brasil, 2017a).
Os repasses aos municípios são efetuados em conta corrente específica
para este fim, de acordo com a normatização geral de transferências de recursos
fundo a fundo do Ministério da Saúde com o objetivo de facilitar o
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acompanhamento pelos Conselhos de Saúde no âmbito dos municípios, dos
estados e do Distrito Federal.
5.1 Composição do financiamento federal para as ações de Atenção Básica
I. Recursos per capita; que levem em consideração aspectos
sociodemográficos e epidemiológicos;
II. Recursos condicionados à implantação de estratégias e programas da
AB: equipes de Saúde da Família (eSF), equipes de Atenção Básica
(eAB), equipes de Saúde Bucal (eSB), Agentes Comunitários de Saúde
(EACS), Núcleos Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica (Nasf-
AB), Consultórios na Rua (eCR), Saúde da Família Fluviais (eSFF) e
Ribeirinhas (eSFR) e Programa Saúde na Escola e Programa Academia
da Saúde;
III. Recursos condicionados à abrangência da oferta de ações e serviços;
IV. Recursos condicionados ao desempenho dos serviços de AB com
parâmetros, aplicação e comparabilidade nacional, tal como o Programa
de Melhoria de Acesso e Qualidade;
V. Recursos de investimento.
NA PRÁTICA
A revisão das diretrizes da Política Nacional de Atenção Básica, publicada
na Portaria n. 2.436/2017 concede aos municípios autonomia para o
direcionamento dos recursos, preferencialmente para a Estratégia Saúde da
Família (ESF) e do Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS).
Também revisou a forma de trabalho dos ACS, ampliando suas ações.
Segundo o Ministério da Saúde, a revisão da PNAB aumentará a
resolubilidade da atenção básica e atenderá de forma absoluta o disposto
constitucional: a integralidade e a universalidade.
FINALIZANDO
A AB é o conjunto de ações de saúde que podem ser individuais,
familiares ou coletivas (promoção, prevenção, proteção, diagnóstico,
tratamento, reabilitação, redução de danos, cuidados paliativos e
vigilância em saúde);
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Segue os princípios do SUS;
Aumenta a resolubilidade da AB;
Prioridade para Estratégias de Saúde da Família;
UBS aberta 5 d/semana, 40h/semana, 12 meses ano;
Equipes: Saúde da Família, Atenção Básica, Saúde Bucal e Núcleo
Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica (Nasf-AB);
Todos municípios poderem cadastrar equipes no Cnes.
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REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria n. 2.436, de 21 de setembro de 2017.
Diário Oficial da União, Brasília, DF, 22 set. 2017a.
_____. Nova PNAB é publicada. DAB, 21 set. 2017b. Disponível em:
<http://dab.saude.gov.br/portaldab/noticias.php?conteudo=_&cod=2457>.
Acesso em: 12 dez. 2018.
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